The Promise – Edições BluRay – Qual comprar ?


Faço aqui mais um breve intervalo nas reviews para lhes falar sobre a edição Blu-Ray de [“The Promise”], um dos meus filmes de fantasia favoritos e que recomendo vivamente a quem gosta do estilo conto de fadas chinês.

The Promise (2005)
Ultimamente tenho recebido questões sobre este título pois muita gente parece algo confusa com o que se passa. E com razão.
Até quem procura por este filme na pirataria acaba por se dar mal e não sacar o verdadeiro título mesmo em torrents que o partilham. Por um  simples motivo.

[“The Promise”] é o típico exemplo de mais um título oriental que foi distribuído nos estados unidos mas numa versão completamente mutilada.
E se foi distribuído nos estados unidos, naturalmente é esta a edição lançada na europa.

Tal como aconteceu anos atrás com outro dos meus filmes favoritos de todos os tempos, o fabuloso “The Big Blue/Le Grand Bleu” de Luc Besson, que para ser distribuído na américa (e pela américa) foi obrigado por contrato a ser reduzido, remontado, teve um final ligeiramente alterado (para um final “feliz”) e ainda por cima toda a banda sonora original de Eric Serra foi substituida por música New Age de um tal guru americano chamado Conti;  (senão nunca seria divulgado pela poderosa máquina do marketing de hollywood) ; e tal como ia acontecendo novamente com “Snowpiercer” também recentemente não fosse o realizador ter colocado um travão à brincadeira e recusado as exigências do estúdio americano antes do estrago ser feito pois Hollywood queria distribuir o filme nas salas, mas teria de ser numa versão menor, com inúmeros cortes e mudanças radicais na estrutura original;  também [“The Promise”] tem duas versões muito distintas no mercado dependendo do lado do mundo em que vocês habitem.

Existe este [“The Promise”] que está distribuído no ocidente (em região A e região B (USA e Europa)) e que é a versão mais comentada (e arrassada) no IMDB pela maioria dos utilizadores fora da Ásia com alguma razão.

the promise - br-ocidentalEsqueçam essa !  Não comprem o blu-ray com a capa acima.
Felizmente temos depois a (verdadeira) versão original; integral, bem maior que os míseros 90 minutos da versão “americanizada” mas que muita gente nunca viu pois só esteve disponível no mercado oriental de dvd (numa edição excelente cheia de extras (há muito esgotada)); mas que nunca chegou ao mainstream ocidental (muito menos ao mercado português) ; (apesar de ter sido essa a versão apresentada em festivais de cinema e também a versão que foi candidata a Óscar de melhor filme estrangeiro no ano em que estreou, facto que curiosamente passou completamente despercebido a toda a gente).

The-Promise-2005-Movie-Poster-Two

Pois bem, agora que o Blu-Ray anda por aí, deixem-me dizer-vos que se nunca viram este filme, o Blu-Ray é definitivamente a versão a ver.
Não é a melhor edição do mundo mas quando comparada com a edição dvd que já existia (tanto para a versão americana como para a versão original), a mais recente edição de Hong Kong é de uma evolução impressionante, especialmente a nível de imagem.
Estranhamente ainda conta com algum grão, mas a verdade é que num filme que depende tanto de imagens magnificas com paisagens de fantasia absolutamente de tirar o fôlego, ver [“The Promise”] de uma qualquer outra maneira que não seja numa cópia em Blu-Ray (e no maior ecran possível, já agora) para mim não faz qualquer sentido. Muito menos é um filme para se ver num pequeno ecran de computador.

the-promise

Este é um daqueles títulos para o qual o formato do Blu-Ray foi inventado sem qualquer sombra de dúvida. Apesar de, repito, não ter a edição perfeita que poderia ter tido nem por isso deixa de ser verdadeiramente estonteante, especialmente quando a história se abre àquelas cenas mais épicas e encantadas ao melhor estilo conto de fadas chinês que curiosamente até o trailer americanizado capta muito bem em termos de atmosfera que poderão depois encontrar no filme. Se gostarem do trailer americanizado (que para mim até é o melhor trailer), vão certamente gostarem do filme.
Se ainda não têm a certeza, leiam a minha review para [“The Promise”].

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Portanto, se tiverem um leitor de Blu-Ray, tiverem 15€ + 2€ de portes (caso vivam em Portugal) e gostarem de cinema de fantasia nestes moldes, então a única edição que vocês querem comprar (e precisam mesmo comprar) é a edição à venda na China.
Ainda por cima a edição Blu-Ray chinesa é de REGIÃO ZERO/LIVRE (apesar de não dizer no site) e por isso podem comprá-la mesmo vivendo em qualquer parte do mundo (legendas em inglés com boa legendagem).
É aproveitar enquanto não esgota tal como aconteceu ao dvd de edição especial que quem não comprou, já não compra.
Não comprem mais nada a não ser a edição com esta capa !
Esta é a única edição em Blu-Ray do filme original na sua versão integral.
Ao contrário da edição especial que havia antigamente em dvd (carregada de extras fantásticos) nenhuma das edições Blu-Ray traz qualquer extra e é pena , pois o filme merecia mas não deixem que isso os impeça de adquirir este título, especialmente se gostam de cinema de Fantasia, (com uma banda-sonora fabulosa, já agora).

the promise - br-oriental

Eu sei que esta capa da edição chinesa acima é muito pobrezinha e até foleira; especialmente porque não mostra de todo o conteúdo visual extraordinário que está dentro desta história, mas não se deixem enganar por uma capa bonita. Quem vê caras não vê corações.
A capa da edição ocidental (e americana) é muito melhor e bem mais espectacular, mas esconde no interior do disco uma versão reduzida do filme que vocês não querem de todo ver, por mais do que um motivo até.

A versão remontada para americano ver, não só contêm quase menos meia hora de filme, como ainda por cima muda algumas cenas de lugar e pior ainda; o espectador ocidental tem de comer com uma nova introdução (feita especialmente a pensar no público americano) onde logo (!) nos créditos iniciais explica muito bem explicadinho, onde fica o reino dos bons, onde fica o reino dos maus, quem são os personagens, o que são, o que farão dentro do contexto da história, etc, etc, etc.
Tudo muito bem explicadinho de forma detalhada e onde não faltam inclusivamente uns desenhos feitos á pressa que mostram logo o aspecto de personagens que aparecem ao longo da história e que deveriam pelo menos manter um efeito de mistério, pois o seu visual detém também um impacto dramático na versão original.
Não na versão (americana) ocidental.
Nessa versão explica-se logo tudo muito bem explicadinho não fosse depois o público das pipocas não conseguir distinguir os maus dos bons mais tarde, porque este filme é realmente muito complicado, pois até temos de prestar atenção à história e tudo.

A propósito, já agora fica aqui o aviso… [“The Promise”] foi também editado em Portugal em dvd há alguns anos pelas edições do Fantasporto que são simplesmente o exemplo de como não se edita cinema em video !! A edição dvd Portuga, não só tem uma qualidade de imagem absolutamente inacreditávelmente má, como ainda por cima está num estranho formato semelhante ao 4:3 (que só pode ser invenção portuguesa) cortando toda as paisagens do lado da imagem e destruindo por completo os enquadramentos do filme.
Estas e muitas mais outras desgraças estão descritas neste meu artigo mais antigo sobre as piores edições de filmes orientais alguma vez lançadas em Portugal; inexplicávelmente pelo festival do Fantasporto que deveria ser o primeiro a exigir qualidade e no entanto tem um historial de lançamentos abaixo de cão aqui em Portugal que não tem explicação.

Resumindo, se gostam de cinema de fantasia, gostam do estilo conto de fadas chinês e nunca viram [“The Promise”] não sabem o que perdem.
Se nunca o viram antes, vejam-no em Blu-Ray no maior televisor que encontrarem.

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Mas certifiquem-se que compraram e estão a ver o Blu-Ray de edição chinesa e não compraram por engano a aparentemente mais bonita mas verdadeiramente asquerosa edição ocidental desta filme americanizada à força pelos distribuidores de Hollywood.

The Warrior’s Way (The Warrior’s Way) Sngmoo Lee (2010) Coreia do Sul / Nova Zelândia


O que raio estão Geoffrey Rush e Kate Bosworth a fazer num filme Sul Coreano de cábois com ninjas  filmado na Nova Zelândia ?!!!
De vez em quando aparecem-me pela frente filmes que me fazem ficar absolutamente frustrado por nunca ter tido oportunidade de os ver antes numa sala de cinema e [“The Warrior´s Way“] é o mais recente exemplo disto pois é simplesmente espectacular em todos os sentidos e não estava nada á espera de encontrar algo assim.

Mais uma vez se demonstra que no que toca a filmes pipoca, está mais que na altura de Hollywood colocar os olhos no outro lado do mundo para aprender como se fazem produtos realmente divertidos e carismáticos sem orçamentos gigantes e onde mesmo pelo meio de tanta artificialidade visual com efeitos especiais aos quilos conseguem criar-se histórias com alma e cheias de identidade.

[“The Warrior´s Way“] surpreendentemente foi um dos filmes de aventuras mais divertidos, cativantes e até originais que vi em muito tempo (pelo menos desde “Humanities End” no ano passado) e um dos melhores produtos pipoca que vi este ano; senão talvez o melhor.
Essencialmente estamos na presença de algo que a pertencer a um género será ao Anime (em imagem real), pois [“The Warrior´s Way“] é essencialmente um Western com Ninjas, artes marciais em ambiente steampunk e filmado em modo gráfico ao melhor estilo cinema-photoshop , que embora  usado anteriormente noutros filmes orientais muito antes de Hollywood o ter ido buscar, foi apenas popularizado no ocidente por causa do “300” de Zack Snyder.

Na verdade, estéticamente esta produção com cowboys e ninjas estranhamente é bem mais parecida com o francês “Vidocq” do que até com “300”, por isso se viram esse relativamente obscuro filme com Gerard Depardieu (que até estreou em Portugal no cinema) e gostaram dele quase que aposto que vão adorar [“The Warrior´s Way“].
Não sei quem é que resolveu cozinhar este conceito para um Western com Ninjas, mas o facto disto ainda por cima ser uma co-produção Sul Coreana e Neo Zelandesa, torna [“The Warrior´s Way“] logo em algo completamente inesperado e aposto que essa mistura de culturas não é alheia ao carísma único que sobressai deste pequeno grande filme de aventuras cheio de pormenores divertidos, muita acção e atmosfera extraordinária.

Como alguém disse numa review algures na net, [“The Warrior´s Way“] é um daqueles filmes, cheios de momentos “YES!”. Quero isto dizer que é uma daquelas aventuras cinematográficas em que por mais de uma vez nos apetece saltar do sofá em estilo Ninja também pois cria uma empatia extraordinária com o espectador que entra no espírito da coisa e não tem grandes preconceitos com o estilo extremamente digital que é usado para criar todo o visual da história.

Aliás, [“The Warrior´s Way“] é outro daqueles produtos que demonstra bastante bem que o excesso de efeitos especiais ou de artificialidade não tem que obrigatóriamente destruir um filme; ao contrário do que estamos habituados a encontrar na forma como o cinema americano lida com as novas técnologias onde cada pipoca cinematográfica é mais vazia do que a anterior.
Aqui temos um excelente exemplo de que o -Cinema- enquanto arte,  não precisa de estar ausente dos filmes pipoca e podem haver excelentes produtos ultra comerciais que não só equilibram as novas tecnologias com as formas mais tradicionais de narrar um argumento, como essencialmente poderão criar produtos cinematográficos com tanta qualidade quanto o dito cinema tradicional sempre foi capaz de fazer antes da chegada do digital.

Se a vocês a simples menção ao cinema digital os fizer querer desde já deixar este filme de lado, não o façam antes de o espreitar. Particularmente se gostarem de cinema de aventura.
Não se preocupem porque apesar de overdose de efeitos especiais e carradas de estilo artificial presentes em [“The Warrior´s Way“] , isto tem mais alma e identidade em cinco minutos do que os trés novos Star Wars juntos conseguiram em mais de dez horas de design gráfico sem personalidade.

Isto porque [“The Warrior´s Way“]  pode ser uma demonstração gigante de pirotecnia digital, mas não depende da técnica para nos cativar. Sabe antes, construir bons personagens que dá gosto acompanhar do principio ao fim e onde ao melhor estilo Sul Coreano ainda há espaço para um twist ou dois que cativa o espectador ainda mais.
Não esperem grandes surpresas no argumento, mas podem contar com um pormenor ou dois que os irá surpreender certamente.

Acho que não há um personagem nesta história que não seja interessante. Tudo é tão bem pensado a nível de protagonistas que até os secundários e inclusivamente os figurantes são fascinantes e têm o seu momento para brilhar no meio de tudo o que acontece na narrativa.
Isto acontece porque [“The Warrior´s Way“]  parte logo de uma boa base. Soube construir um universo á parte e fê-lo tão bem que depois foi simples colocar nesse mundo qualquer personagem porque seria quase impossível que este não resultasse bem.
Até o facto de isto ser um Western com Ninjas em estilo cinema de aventuras clássico, nos parece a coisa mais natural do mundo logo a partir dos primeiros minutos mal o heroi chega á velha cidade cheia de cowboys feios porcos e maus.

O ambiente deste mundo digital por vezes parece saído de uma canção de Tom Waits e se forem fãs do cantor/compositor vão perceber o que quer dizer mal vejam o filme e olharem para os personagens que envolvem o circo e o parque de diversões localizado atrás da cidade. Nem vale a pena dizer mais nada sobre isto porque quem gostar de Tom Waits, vai logo perceber a referência que estou aqui a tentar fazer.

Por outro lado –freaks– de todo o género é coisa que não falta em [“The Warrior´s Way“]. Desde os ninjas orientais ao fantástico Coronel, passando pelo inevitável pistoleiro aposentado e á miúda gira da cidade que perdeu toda a familia anos atrás, a galeria de personagens é não só totalmente cativante quanto são os desempenhos dos actores que as habitam.

Geoffrey Rush está totalmente fantástico (e irreconhecível) no papel do bêbado da cidade que foi outrora um grande pistoleiro e Kate Bosworth é totalmente cativante num personagem semelhante ao de Keira Knightley em “Os Piratas das Caraíbas” mas que resulta bem melhor aqui no contexto desta história bem mais simples.

O resto do elenco é perfeito, desde o heroi do filme que nos cativa logo de início, passando pelo  fabuloso vilão -Coronel- que consegue criar tanto bons momentos de humor quanto de tensão e suspanse, até aos restantes habitantes da cidade, toda a gente tem aqui um desempenho cheio de energia que passa para o espectador a todo o instante e torna esta aventura por demais entusiasmante á medida que o filme avança para a sua conclusão.

Ah, [“The Warrior´s Way“], além de ser um western com ninjas é ainda um filme com bébés.
E esqueçam os habituais personagens de bébés fofinhos irritantes que habitualmente conseguem tornar pastosos muitos argumentos com potencial. Muitas das melhores cenas deste filme envolvem o bébé da história que está practicamente presente em todos os gags por vezes hilariantes e não raras vezes cheios de suspanse também que irão encontrar em muitos momentos desta aventura onde só faltam mesmo é indios.

Até a história de amor nos cativa. Talvez fruto da sensibilidade de um realizador Sul Coreano, pois não esquecer que apesar de tudo isto ainda é um filme oriental…apesar de ás vezes nos esquecermos disso por ser essencialmente falado em inglés.
Não esperem um grande romance, mas podem contar com a habitual sensibilidade presente nas love-stories sul-coreanas desta vez aplicada a um ambiente bem diferente mas que funciona perfeitamente para intercalar entre os momentos de acção ou as partes mais humorísticas

Visualmente o filme tem momentos fabulosos.
O digital aqui é usado de forma perfeita para criar um universo á parte da melhor maneira e nunca parece excessivo.
A artificialidade do filme poderá não agradar a quem já decidiu que odeia filmes digitais, mas podem ter a certeza que desta vez todos os “excessos” visuais estão lá para tornar [“The Warrior´s Way“] numa espécie de livro ilustrado e não apenas para serem exibidos á parva.

Os ambientes e as paisagens desta história são uma das grandes razões porque este universo funciona tão bem e se torna bem mais credível do que poderiamos esperar num conceito tão maluco quanto este de ninjas, cowboys e bébés.
Nota máxima para o digital na minha opinião portanto, pois este filme não seria o mesmo sem ele.
É quase um personagem tão importante quanto os de carne e osso.

E por falar em carne e osso, as cenas de acção são totalmente entusiasmantes e espectaculares. As coreografias são criativas, há sangue quanto baste e nem a estética Anime as torna menos cativantes.
Além disso são muito variadas, há espadas por todo o lado, punhais, tiros de pistola, tiros de metralhadora, murros, pontapés nas trombas, dinamites e bébés pelo ar. Brilhante.
Nem o uso algo excessivo do – slow motion- em alguns momentos estragam aquilo que [“The Warrior´s Way“] consegue apresentar e quanto a mim como filme de acção é simplesmente fabuloso e bem mais original na forma do que aparenta á primeira vista.

Resumindo, se procuram um Western oriental, [“The Warrior´s Way“] é tudo aquilo que sempre quiseram ver num filme assim mas nunca encontraram em “Sukyiaki Western Django” ou sequer em “The Good The Bad The Weird” pois acerta em tudo aquilo em que os outros titulos falharam.
Acima de tudo é realmente divertido ao mesmo tempo que não se esquece também de homenagear alguns dos clássicos do western em pequenos pormenores ao longo da história para depois subverter tudo quando mete, bébés, ninjas e … palhaços pelo meio…

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CLASSIFICAÇÃO:

Portanto, com grande surpresa minha leva mesmo a classificação máxima pois adorei este filme e não estava nada  á espera disto.
Não há muito mais que eu possa dizer, é original, é bem mais coerente enquanto filme do que aparenta á primeira vista e é completamente divertido. Possivelmente o melhor filme pipoca que vi este ano.
Eu por mim vou comprar isto para o Natal pois este é um daqueles que não quero de todo apenas ter em cópia sacada da net.
Cinco tigelas de noodles e um golden award porque é brilhante na sua simplicidade e um filme que ainda irei rever muitas vezes sem dúvida nenhuma.

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A favor: a originalidade da estrutura da história e o conceito maluco com ninjas e cowboys que resulta plenamente, a realização é excelente e usa como ninguém a estética Anime em imagem real para criar um produto totalmente cativante, visualmente é fabuloso, personagens cativantes, Geoffrey Rush no seu melhor num papel feito á medida, as cenas com o bébé são hilariantes por vezes, excelente vilão, consegue ter suspanse na previsibilidade, não se leva a sério, fantásticas cenas de acção com muita variedade e criatividade, excelente uso do digital que nunca se sobrepõe á história, é um filme plástico com muita alma e personalidade, tem uma boa história de amor apesar de simples e já vista mil vezes.

Contra: tem dois minutos a mais no fim, pois aquele epílogo era perfeitamente dispensável e quebra o tom emocional do final da história só para voltar a meter um estilo Anime que desta vez destoa negativamente por parecer forçado e realmente artificial ao contrário do que aconteceu ao longo do resto do filme onde tuda a narrativa permaneceu totalmente orgânica. Não há ainda uma sequela ?…

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=fSVpW-Lw_i8

Comprar
Está á venda bem baratinho na Amazon.uk por isso é aproveitar em DVD ou em Blu-ray.

Download aqui com legendas em PT/Br

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1032751

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Dung che sai duk (Ashes of Time “Redux”) Kar Wai Wong (1994) China


Por falar em Wong-Kar-Wai ( a propósito do último post), lembrei-me que ainda não tinha visto a nova montagem do velhinho “Ashes of Time”, agora intitulada, [“Ashes of Time – Redux“].

O original é um daqueles meus filmes favoritos de que me esqueço por completo e de cada vez que me lembro de o rever parece que estou a ver um filme novo, sabe-se lá porquê.
Talvez seja do próprio tom hipnótico, da suas histórias fragmentadas e da narrativa em puzzle visual, mas este filme nunca me fica na memória por muito tempo.
Ou talvez seja porque se calhar não é só o vinho que é mágico na história de [“Ashes of Time – Redux“] e o próprio filme apaga também as nossas memórias passadas. O que é fixe.

[“Ashes of Time – Redux“] na sua versão original, sem o “Redux” á frente no título e com mais uns 8 minutos de duração há uns anos atrás era um dos dvds mais dificeis de encontrar no mercado; só havia uma cópia atroz disponível que acabei por comprar na PlayAsia na altura e é definitivamente uma das piores edições que alguma vez me passaram pela frente. A um ponto tal que o dvd nem tem menu nem nada, a qualidade de imagem parece para aí a vigéssima cópia pirata de um original em vhs gravado da TV e a legendagem queimada na imagem está ao mesmo tempo em Cantonês e Inglés sempre presente no ecran.

Por isso foi com grande agrado que soube que Wong Kar Wai reviu o filme e supervisionou finalmente uma cópia como deve de ser desta pequena grande obra dentro daquilo que se convencionou chamar Cinema de Autor.
Parece que havia no mercado tanta montagem alternativa deste filme, que o próprio realizador se viu na obrigação de colocar ordem na casa e revisionar o seu trabalho numa versão definitiva e foi assim que surgiu no mercado [“Ashes of Time – Redux“].
Uma versão ligeiramente reduzida, pois já não conta com uma atabalhoada sequência de acção inicial presente nas cópias maradas e entra logo pelo tom mais intímista a dentro para assustar a malta, mas que resulta plenamente.
Primeiro porque não engana ninguém e quem chegar a este filme a pensar que é mais um Wuxia de Artes Marciais comercial muda logo de ideias nos primeiros cinco minutos e ainda tem tempo para procurar algo mais comercial e depois porque torna o tom filosófico do filme mais imediato.

Além disso [“Ashes of Time – Redux“] está devidamente restaurado com uma qualidade incrível a nível visual. As diferenças a nível de cor e imagem são tão grandes que eu tive ontem que ir comparar esta nova versão com a antiga lado a lado, pois nem me lembrava de 90% dos enquadramentos que me estavam a passar pela frente e tudo aquilo me parecia um filme completamente novo.
Talvez porque também a banda sonora foi substituida o que ainda moderniza mais o filme, embora na minha opinião tão “má” seja a música nova como a antiga. Isto porque não me habituo de todo a sonoridades sintetizadas em filmes supostamente medievais e isso aqui também não é excepção. Embora não seja particularmente incomodativa neste caso e não é tão foleira quanto a música presente em “Musa the Warrior” por exemplo. Isto porque é mais usada para acentuar o tom intimista do filme do que própriamente para ilustrar cenas de acção.

E por falar em cenas de acção, [“Ashes of Time – Redux“] não parece, mas está cheio delas. São muito breves e estilizadas, como se as estivessemos a ver através das lentes de uma qualquer máquina do tempo, mas são todas espectaculares no que toca ao cuidado com a coreografia, o que as transforma mais numa espécie de bailado de emoções do que própriamente em cenas de acção e porrada habituais. Por isso fica desde já aqui o aviso ao pessoal que procurar algo com mais aventura pois não é esse de todo o espírito de [“Ashes of Time – Redux“].

Esta obra será talvez a coisa mais próxima de um “Era Uma Vez no Oeste” de Sergio Leone que alguma vez apareceu no cinema oriental e é muitas vezes comparado com isso, embora [“Ashes of Time – Redux“] seja ainda bem mais introspectivo e intimista. Por isso se aquele tipo de cenas filosóficas em que os personagens dissertam os seus pensamentos para a câmara os incomoda se calhar é melhor evitarem este filme a todo o custo pois todo o seu coração é composto por momentos desses alternados com sequências de acção que os complementam.

Toda a história é intensamente fragmentada de propósito para servir o tema central do filme a propósito do facto da memória humana ser a grande responsável por tudo o que há de mau na nossa existência e por todo o sofrimento das pessoas. A premissa é a de que se não houvesse memória, todos nós começariamos o dia sem qualquer mágoa e tudo poderia ser bem mais simples e feliz nas nossas vidas.
Como tal, o próprio filme parece fazer questão de baralhar a nossa memória constantemente, recorrendo a saltos na narrativa, flashbacks de personagens e acontecimentos, ou então avançando no tempo e voltando ao presente para no final ligar todos os acontecimentos e personagens num puzzle que cabe ao espectador desvendar e juntar as peças para poder apreciar devidamente toda a profundidade de [“Ashes of Time – Redux“].

No entanto, apesar de ser Cinema de Autor, isto poderia ter degenerado em algo extremamente pretencioso e intelectualoide mas não acontece de todo. [“Ashes of Time – Redux“] é chato, ou melhor, pode ser chato para muita gente, pois não é de todo um Wuxia comercial, mas não tem aquela carga de – “Ó para mim como sou um filme inteligente.” – que muitas vezes abunda no género.
O que acaba até por justificar o sucesso comercial que teve na altura, o que não deixa de ser mesmo estranho pois aqui no ocidente um filme como estes jamais levaria o público comum ás salas da forma como aparentemente aconteceu no oriente.

[“Ashes of Time – Redux“] segundo rezam as crónicas por causa disso e de toda a sua original abordagem ao género Wuxia, acabou por se tornar numa das grandes obras inspiradoras de “O Tigre e o Dragão” que depois veio relançar o género no ocidente de uma forma já mais comercial, mas onde se nota apesar de tudo uma tentativa de lhe atribuir um toque ou dois de intimismo ao nível do que Wong-Kar-Wai apresentou neste titulo originalmente lançado em 1994.

Portanto, [“Ashes of Time – Redux“] não será para todos, mas quem se interessar por filosofia, tem aqui um filme obrigatório que explora muitas questões interessantes sobre todos nós, contém imagens absolutamente fabulosas e ainda por cima consegue ser mais uma vez intensamente romântico mas desta vez com uma grande aura melancólica. Não esperem uma história de amor fofinha ao estilo comercial oriental. Se esperarem uma aura romântica intensamente assombrada e não tiverem medo de acompanhar o estilo fragmentado do filme vão adorar todo o seu ambiente, seja nas histórias de amor cruzadas ao melhor estilo Wong Kar Wai, seja no ambiente desencantado mas muito realístico e vão curtir o estilo visual das cenas de acção Wuxia pois [“Ashes of Time – Redux“] contêm momentos intensamente poéticos.

Wong Kar Wai diz que tentou fazer um filme sobre os típicos herois Wuxia, mas contando as suas histórias e apresentando o seu passado antes destes se tornarem os habituais herois que vemos nos filmes e penso que a ideia além de ser bem interessante foi plenamente realizada.
Precisamente porque uma das coisas mais fascinantes e hipnoticas em [“Ashes of Time – Redux“] é precisamente sentirmos que a qualquer momento aqueles personagens podem ser apresentados como os típicos herois que conhecemos de outras aventuras Wuxia, mas ao mesmo tempo nunca sabemos bem quando isso irá acontecer ou sequer se irá acontecer.

Todos os personagens de [“Ashes of Time – Redux“] são os estereotipos que conhecemos; o guerreiro solitário, o assassino profissional, a princesa, a rapariga em busca de ajuda, a mulher amada que nunca foi de quem a amava, etc
Agora a genialidade da narrativa está precisamente em ter pegado tudo isso que conhecemos de outros lados e ter nos mostrado o lado humano desses personagens tipo. A partir daqui e depois de vermos [“Ashes of Time – Redux“] parece que todos os filmes de aventura Wuxia que virmos a seguir contam com estes personagens pois podemos imaginar os seus passados como algo semelhante mesmo que estes não sejam muito desenvolvidos noutros filmes.

[“Ashes of Time – Redux“] não será um filme para todo o público, mas quem curtir, vai curtir mesmo muito.
É não só um bom antidoto para uma dose de Wuxias mais comerciais, como acima de tudo é um complemento excelente para esses filmes de aventura.
É uma obra intensamente pessoal e filosófica e no entanto não é pretenciosa o que lhe dá logo muitos pontos na minha opinião e quem gostou de coisas como “In the Mood For Love” ou “2046”, poderá encontrar aqui a origem de muitos dos pormenores visuais que conhecem da obra mais recente do realizador pois [“Ashes of Time – Redux“] foi um dos primeiros filmes antigos dele onde o seu novo estilo se começou a fazer notar.

Nota-se e como ! Visualmente contém imagens estonteantes. Desde á fotografia das paisagens de deserto, aos interiores e á forma como os pormenores são filmados, onde o jogo de luzes e sombras está cuidadosamente planeado para amplificar ainda mais toda a filosofia e emotividade das caracterizações dos personagens.
Se gostam do estilo visual de Wong Kar Wai e nunca viram [“Ashes of Time – Redux“] nem sabem o que perdem, pois isto contém quadro atrás de quadro. Não só os enquadramentos são fantásticos como a própria cor do filme é fabulosa, especialmente no contraste entre o ceu azul e o amarelo do deserto.

Mesmo quem achar o filme uma seca mas gostar de espreitar imagens fascinantes, vai querer ver este filme.

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CLASSIFICAÇÃO:

Não posso deixar de dar a nota máxima a este filme também, apesar de na verdade não recomendar a toda a gente que o vá a correr ver, porque não é de todo um filme que irá agradar a todo o público. No entanto se estiverem numa de cinema de autor e quiserem ver um filme fascinante dentro do género e ainda por cima passado em ambiente Wuxia onde não faltam algumas cenas de acção fantásticas se calhar não irão perder o vosso tempo em espreitar [“Ashes of Time – Redux“].
Então para fãs do Wong Kar Wai que nunca tenham visto isto e muito especialmente para quem só viu a cópia ultra rasca que andava por aí á venda em dvd, esta nova versão é totalmente obrigatória pois nem irão reconhecer o filme.
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award porque sim.

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A favor: o ambiente visual, a carga filosófica sem ser pretenciosa, os personagens e o desempenho fantastico dos actores, a estética nas cenas de acção, excelentes sequências de acção embora muito breves mas bem equilibradas com o lado intimista.
Contra: se não conseguem ver cinema de autor pela frente fujam, a banda sonora podia complementar bem melhor o filme.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=XFh55NaFVLc

Comprar Versão Redux em Blu-Ray
http://www.amazon.co.uk/Ashes-Time-Redux-Blu-ray-DVD/dp/B001L4I1VE/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1306786553&sr=8-1

Comprar Versão Redux em DVD
http://www.amazon.co.uk/Ashes-Time-Redux-Leslie-Cheung/dp/B001L4I1VO/ref=sr_1_2?ie=UTF8&qid=1306786553&sr=8-2

Download aqui Versão Redux remontada em 2008 com legendas em PT/Br

Download aqui Versão original de 1994 com legendas em PT/Br

OST da versão de 1994

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0109688

Entrevista com Charlie Yeung
Entrevista com Carina Lau
Entrevista com Tony Leung

Entrevista com Wong Kar Wai – Parte 1Parte 2Parte 3

Entrevista com Christopher Doyle – Parte 1Parte 2

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Se gostou, vai gostar certamente dos seguintes filmes abaixo.
Aliás, mesmo que não tenha gostado deste  vai gostar dos filmes abaixo.

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Musa (Musa the Warrior) Sung-su Kim (2001) Coreia do Sul


Este foi um dos primeiros dvds orientais que eu comprei já há alguns anos atrás e um dos filmes que me fizeram ficar a gostar muito do cinema daquela parte do mundo.
Estou para falar de [“Musa the Warrior“] desde que criei este blog  e na verdade até era para ter sido o primeiro filme aqui comentado não fosse por uma coisa.

Na altura quando me preparava para escrever sobre esta obra de aventura medieval descobri que infelizmente a versão que eu tinha comprado não era a versão integral do filme. Apesar da edição dvd que eu tenho ser uma edição chinesa comprada na Play Asia (caixinha com excelente grafismo e muita pinta), não é no entanto a versão completa e portanto resolvi adiar o meu comentário sobre esta obra para um dia em que eu conseguisse ter acesso ao filme integral. Isto porque a montagem curta parece ter sido apenas criada para o mercado exterior ao da Coreia do Sul.

Quando vi [“Musa the Warrior“] pela primeira vez gostei muito mas não fiquei particularmente impressionado por aí além. Sempre achei que lhe faltava qualquer coisa mesmo sem saber na altura que havia uma versão bem maior.
Algo não batia certo. Practicamente todas as reviews que eu encontrava consideravam-no extraordinário e no entanto eu continuava a achá-lo uma boa aventura mas pouco mais e não percebia de todo porque isto era tão considerado por tudo quanto era sítio.

Ao investigar melhor depois apercebi-me que [“Musa the Warrior“] seria um filme com muito mais do que apenas excelentes sequências de acção, mas para meu azar só conseguia encontrar a versão curta á venda em dvd e nem em torrents se econtrava o original que parecia guardado a sete chaves na coreia do sul sabe-se lá porque razão.
Aliás, agora que vi finalmente a versão integral é caso mesmo para perguntar o que raio deu na cabeça de alguém para fazer uma versão curta disto apenas com as cenas de porrada, pois 25 minutos a menos fazem (e de que maneira) muita diferença nesta extraordinária história de honra e amizade ao melhor estilo oriental.

O dvd com a versão integral continua pelos vistos extinto em todo o lado excepto se o quiserem comprar na Austrália, embora também já exista um torrent com esta versão e portanto recomendo que o vão buscar aqui antes que volte a sumir.
[“Musa the Warrior“] na sua versão integral é um daqueles filmes que vocês precisam mesmo de ver, por muitas e variadas razões.
A Coreia do Sul não é conhecida por produzir Wuxias com a qualidade que costuma sair da China e é mais prolífera a deitar cá para fora filmes de porrada estilizados para adolescentes em estilo videogame do que própriamente tem conseguido criar épicos históricos memoráveis, por isso não deixa de ser uma verdadeira surpresa um filme como [“Musa the Warrior“] ter saído precisamente daquele país.

Embora na verdade, isto não seja propriamente um Wuxia no verdadeiro sentido da palavra e na realidade também não será um épico histórico apesar da espectacularidade das cenas de acção.
[“Musa the Warrior“] na sua versão original é um grande filme medieval até com uma surpreendente carga intimista devido á fantástica caracterização humana de todos os seus personagens a um nível que raramente se encontra em filmes de porrada medieval.

Contém possivelmente das melhores cenas de luta á espada e batalhas tradicionais que alguma vez vi dentro deste estilo. Há outros filmes com cenas de guerra fabulosas como por exemplo “The Warlords” e que em escala épica ultrapassam em muito o que se pode ver em [“Musa the Warrior“], mas isto é porque são filmes com centenas de figurantes nas cenas de batalha enquanto [“Musa the Warrior“] se centra mais em pequenas escaramuças e no combate homem a homem espada contra espada.
Se alguma vez pensaram como seria um verdadeiro filme de Conan o Bárbaro se este retratasse correctamente no ecran a carnificina individual que se encontra na banda desenhada não vão mais longe, pois este extraordinário filme de aventuras Sul Coreano é esse filme.

[“Musa the Warrior“] tem dos melhores, mais realísticos e mais crueis combates á espada que vi em cinema até hoje e provavelmente será dos filmes que melhor retrata a realidade destes ambientes históricos nesse sentido.
Até eu que já vi dezenas de épicos históricos com sangue quanto baste, fico surpreendido quando revejo [“Musa the Warrior“] e mais surpreendido fiquei agora que o revi na sua verdadeira versão pois contém ainda mais snippets de sangue explícito que a versão remontada para o ocidente largamente difundida pelo mundo quem nem imagina o que perde por só ter acesso apenas a 130 minutos de 154 originais.

Se procuram um filme com gente decepada, membros cortados de todas as maneiras e feitios e ainda com as decapitações mais viscerais de tudo o que já viram em cinema, não podem perder [“Musa the Warrior“] pois é dificil descrever em palavras a quantidade de sangue presente nas inúmeras batalhas. Sobretudo tem cenas de batalha individual que são mesmo de ver para crer e pela sua crueza, realismo e emotividade são o antídoto perfeito para quem já está farto de filmes de espada plásticos feitos em Hollywood onde o politicamente correcto se sobrepõe ao realismo de divertidas decapitações como deve de ser.

Mas nem só de tripas e sangue vive este filme. Se virem apenas a versão curta remontada de 130 minutos, essencialmente [“Musa the Warrior“] é apenas um movimentado filme de aventuras que no entanto tem um ritmo narrativo algo estranho. No entanto,  apesar da acção não pode ser totalmente atirado para a categoria de filmes de guerra ou porrada pura e simples. Isto porque como já referi , sente-se a falta de algo  mais na versão curta, mas nota-se que haverá algo por lá que não estamos a ver.
A versão curta apesar de funcionar bem enquanto filme de aventuras resulta num produto ambiguo apesar de tudo.
Agora, se vocês virem a versão integral vão ter uma boa surpresa e não é apenas por causa das quantidades adicionais de sangue no ecran.

[“Musa the Warrior“] na sua versão completa além de ter cenas de violência medieval incríveis, tem provavelmente a melhor caracterização de personagens que poderão encontrar num filme com estas características.
Aliás, os personagens são tão  bons que de repente as cenas de luta até ganham uma outra dimensão, pois muitos daqueles bonecos que na versão curta nos pareciam apenas figurantes colocados no filme para andarem á espadeirada subitamente tornam-se pessoas com que realmente nos importamos.
[“Musa the Warrior“] é extraordinário na forma como caracteriza toda a gente neste filme e a força dos seus personagens é sem sombra de dúvida a grande mais valia desta história simples mas que ganha uma dimensão dramática que não esperavamos que tivesse.

Não há um personagem neste filme de que não gostemos.
Toda a gente tem o seu momento e a sua função na história. Não só os personagens principais são excelentes como o cuidado colocado nos secundários é absolutamente notável o que dá uma dimensão dramática extraordinária á versão integral de [“Musa the Warrior“] que não encontramos de todo na versão curta, pois essencialmente os 25 minutos a mais que estão no filme completo são as cenas em que conhecemos as pessoas envolvidas na aventura.
Em [“Musa the Warrior“] até quando morre um figurante conseguimos sentir empatia com a pessoa pois todo o background é tão bem estruturado que confere uma profundidade única dentro de um filme que se calhar nem pedia mais do que ser aquilo que está na versão curta, ou seja apenas um bom filme de aventura medieval e no entanto consegue atingir o nível de um excelente drama na versão integral de forma inesperada.

Outra das coisas geniais a nivel de personagens em [“Musa the Warrior“] é o facto de não haver vilões de serviço. Não há maus, não há super-vilões e todo o conflito se passa essencialmente entre várias facções de pessoas que estão em guerra pelos motivos politicos e históricos habituais. No entanto toda a história de [“Musa the Warrior“] poderia ser contada do lado “dos vilões” que o espectador ganharia empatia com aqueles personagens também.
É quase um filme anti-guerra sem ser panfletário, pois foca bastante o facto de nem sequer os personagens saberem bem porque precisam de lutar e chega-se a notar o facto de que qualquer um destes soldados poderia mudar de campo que não faria difrença.
Isto é inclusivamente um pequeno sub-plot dentro da própria história principal que é bastante bem usado também para tornar bastante humano aquilo que é o mais próximo que este filme tem de um vilão. Um persoangem que também é apresentado como um comandante com grande sentido de honra e respeito pelo adversário, o que contribui bastante para a carga humanista da própria história e eleva este filme muito para lá do típico filme de porrada com espadas.

Na verdade [“Musa the Warrior“] é um dos melhores filmes com anti-herois de todos os tempos na minha opinião. Ninguém é verdadeiramente bom ou mau e toda a gente se comporta de uma forma bastante humana onde momentos de cobardia ou medo por se encontrar no meio de uma guerra se cruzam com feitos heroicos com honra e grande camaradagem e isto sente-se tanto do lado “dos herois” como do lado de quem os persegue e é um dos grandes pontos fortes deste filme.
A sua versão integral é para mim realmente a obra prima do cinema medieval que muitas reviews apregoavam há alguns anos atrás e eu não conseguia perceber a razão de tamanho elogío. A versão curta embora seja uma boa opção para quem procura apenas cenas de acção, não faz de forma nenhuma justiça ao poder dramático e emotivo da versão completa.

Curiosamente, este é também um filme diferente a nível de actores, pois encontramos a atlética e versátil Zhang Ziyi num papel dramático diferente do habitual. Ao contrário do que é costume e do que se esperava ela não tem em [“Musa the Warrior“] qualquer cena de luta, pois desta vez limita-se a fazer o papel da Princesa da história sem qualquer envolvimento nas sequências de batalha.
Muita gente lamenta esse facto mas quanto a mim foi uma boa opção, pois este personagem precisava de alguém com a qualidade dramática da actriz que pudesse humanizar aquela que é uma das personagens mais humanas e fascinantes da história sobre a qual gira toda a tragédia sem sentido.

Na verdade estou a tentar lembrar-me de algo realmente mau para referir sobre este título na sua versão integral e não consigo; com excepção de um pormenor que mencionarei no final do texto.
O guarda roupa é outro pormenor extraordinário por exemplo. Tudo neste filme tem texturas extraordinárias em tons sépia e ocre e dá uma atmosfera realística a [“Musa the Warrior“] onde nem sequer nos lembramos que estamos a ver actores vestidos com fatos de cinema e tudo nos parece real como se estivessemos a acompanhar um documentário histórico através de uma qualquer máquina do tempo.

Uma nota especial para a realização que soube como ninguém equilibrar as sangrentas cenas de luta espectaculares com os momentos mais dramáticos e humanos de toda a história com um estilo tão natural e orgânico que nem sentimos a presença do realizador por detrás da câmara; muito menos nos parece estarmos a acompanhar um argumento para cinema pois tudo nos parece extremamente real.
Além disso [“Musa the Warrior“] conta com uma colecção de cenários naturais que irá agradar bastante a quem gosta de ambientes orientais exóticos, especialmente se gostarem de aventuras passadas em desertos ou na Rota da Seda onde se misturam todo o tipo de culturas orientais. Não há grande variedade em termos de locais mas o que existe está fantástico e cheio de atmosfera, especialmente o forte em ruinas do final junto ao mar.

[“Musa the Warrior“] na minha opinião tem um pormenor muito fraco que se o filme não fosse tão bom poderia ter arruinado por completo todo o trabalho extraordinário que foi feito na criação de ambiente.
A banda sonora é péssima !
Muito, muito má mesmo !
Salvo o main theme e um par de melodias mais tradicionais ao longo do filme que são excelentes, tudo o resto é composto por ambientes sonoros com uma sonoridade totalmente contemporânea, onde até se usa e abusa do sintetizadores ao pior estilo anos 80.

Não compreendo de todo como raio se coloca uma música destas num filme deste. Até nos créditos finais, ainda mal estamos a absorver o excelelente final dramático entra-nos pelos ouvidos uma canção pop completamente deslocada de toda a atmosfera e isto é um bom exemplo do que acontece várias vezes ao longo do filme. Felizmente não nos colocam mais canções pop pelo meio mas é horrivel estarmos a ver uma sequência de acção fantástica de depois toda a envolvência musical é composta por melodias em estilo moderno e efeitos sonoros de sintetizador que parecem pertencer a tudo menos ao filme medieval que supostamente deveriam ajudar a ilustrar.
Não fosse tudo o resto em [“Musa the Warrior“] tão bom e esta banda sonora incompreensível teria arruinado por completo todo o trabalho da equipa de produção.
Salva-se o main theme que está no trailer, mas o resto das músicas é mesmo muito mau e completamente ilógico.

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CLASSIFICAÇÃO:

Não há muito mais que eu possa dizer além do que já referi nas linhas acima.
A versão integral de [“Musa the Warrior“] é absolutamente notável em todos os aspectos, salvo na banda sonora muito fraca.
Quem não procura mais que um bom filme de aventuras com alguma profundidade pode perfeitamente comprar o dvd com a versão curta de 130 minutos que ficará muito bem servido, embora essa não valha mais do que quatro tigelas de noodles se eu a fosse classificar aqui.
No entanto quem quiser ver um extraordinário filme medieval com lutas inesquéciveis, decapitações clássicas, sangue em baldes e tudo complementado por uma carga dramática fantástica onde até os personagens secundários são inesquecíveis não pode de forma nenhuma perder a versão integral que infelizmente ainda só se encontra apenas em torrents e é um verdadeiro mistério não ter sido esta a versão editada em dvd fora da Coreia do Sul.
De qualquer forma, cinco tigelas de noodles e um golden award para a versão integral de [“Musa the Warrior“] pois é absolutamente genial em todos os sentidos, excepto na péssima banda sonora.

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A favor: os personagens são fantásticos e todos têm o seu momento e importância para a história, o filme na sua versão inegral tem uma carga dramática excelente que nos faz ainda vibrar mais com as batalhas, não tem herois nem vilões mas apenas pessoas em guerra, tem as melhores cenas de luta á espada que encontrarão num filme medieval, decapitações inesquecíveis e montes de tripas e baldes de sangue por tudo o que é frame neste filme, grande sentido de aventura cruzando com um bom drama humano, tudo muito bem equilibrado por uma excelente realização e direcção de actores naturalmente, se gostam de paisagens com desertos vão adorar isto, grande guarda roupa, as cores e texturas por todo o lado e o ambiente totalmente realistico, tem uma boa história de amor embora bastante contida, esquecemo-nos que estamos a ver um filme e os 155 minutos da versão integral passam mais rápido que os 130 da versão reduzida.
Contra: salvo o main theme a banda sonora é do piorio com muitos sintetizadores e sonoridade contemporânea que quase arruinam toda a atmosfera visual desta obra prima medieval, curiosamente tem muitas semelhanças com o “Warriors of Heaven and Earth” e quem já tiver visto o outro não apanha surpresas nenhumas com o final deste [“Musa the Warrior“]

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=C7Vg1HcgL8U

Comprar a versão curta editada fora da Coreia do Sul (130 min)
Está a preço da chuva na Amazon Uk

Comprar Versão Integral na Austrália
http://www.ezydvd.com.au/item.zml/230719

Download da Versão Integral (154 min)

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0275083/combined

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Puen yai jon salad (Pirates of Langkasuka, aka Queens of Langkasuka – aka The Tsunami Warrior, aka Legend of the Tsunami Warrior) Nonzee Nimibutr (2008) Tailândia


Quem procura um equivalente oriental de “Os Piratas das Caraíbas” provavelmente irá achar bastante piada a este [“Queens of Langkasuka“] que também poderia ter como sub-titulo ” O meu canhão é maior que o teu !”

Essencialmente estamos na presença de uma aventura cheia de gajos machos que essencialmente dependem do tamanho …dos canhões… para impressionarem a maralha e conquistar o reino de Langkasuka.
Um reino que é assim uma espécie de gráfico feito em Photoshop localizado numa qualquer paisagem turística balnear algures na Tailândia.

Se virem mais abaixo, notarão que não atribuo grande classificação a [“Queens of Langkasuka“].
Na verdade o filme não tem nada de realmente mau, apenas também não tem nada de extraordináriamente bom que o faça ser algo mais do que apenas um filme de aventuras realmente muito interessante e vagamente agradável de seguir.
Isto porque a ter alguma falha de maior, na minha opinião essa falha está no facto de não ser uma aventura particularmente divertida e tinha o dever de o ter sido !

AVISO: Não se deixem enganar pelo trailer. O filme não é tão espectacular e muito menos tão divertido como parece e o apregoado orçamento de 20 milhões de dólares em vez de ser uma mais valia torna-se algo bastante negativo quando o resultado é o que se vê. Mais valia nem terem colocado essa no trailer, pois se [“Queens of Langkasuka“] passasse por filme de baixo orçamento ainda poderia ter alguma desculpa pelas suas falhas.

Em termos de ingredientes nada falta a [“Queens of Langkasuka“]. Reinos distantes, piratas maus, piratas bons, princesas, paisagens exóticas, batalhas navais, porrada com espadas, porrada sem espadas, herois clássicos, princesas guerreiras, forças mágicas, forças menos mágicas, feiticeiros tipo Obi-Wan-Kenobi, homens místicos, uma Força misteriosa, cenas subaquáticas, batalhas épicas, background histórico com Holandeses e mais uma vez Portugueses á mistura, miúdas fofinhas, história de amor, drama romântico, intriga palaciana, cientistas malucos, batalhas áereas (estilo X-Wing atacando Death-Star), canhões pequenos, canhões grandes, baleias, peixinhos e eu sei lá que mais !!!

Este filme tem tanta coisa que a única coisa que não tem é sexo.
Até tem gajos que parecem portugueses  por todo o lado. Não só (actores portugas?!) desta vez a representarem aliados históricos tal como acontecia já noutra produção Tailandesa “A Lenda de Suriyothai” como macacos me mordam se este senhor abaixo não parece o Sr Manuel da mercearia !!

Precisamente por ter muita coisa, [“Queens of Langkasuka“] cai exactamente na mesma armadilha em que caiu o filme anterior que comentei ontem aqui neste blog e que podem encontrar no post abaixo deste.
[“Queens of Langkasuka“] tenta ter demasiado conteúdo e acaba por não conseguir integrar todas as suas boas ideias no tempo que tem para contar uma história. Este filme parece ser um grande catálogo de todos aqueles conceitos que adoramos em filmes de piratas com uma pitada de Fantasia á mistura que só lhe fica bem, mas depois não passa disso.

Tem personagens a mais, situações a mais, sub-plots que nunca mais acabam e nunca são devidamente desenvolvidos, os vilões são de cartão, os herois são mais que muitos e as cenas e acção não conseguem pontuar devidamente tanta confusão.
O pior nisto tudo, é que [“Queens of Langkasuka“] poderia ter sido uma aventura divertida de seguir mesmo com todas estas referências mal alinhavadas, mas pura e simplesmente não é. Por uma simples razão…

[“Queens of Langkasuka“] leva-se demasiado a sério !
Enquanto, por exemplo “Piratas das Caraíbas” optou pelo humor e a própria aventura parece a todo o instante piscar o olho aos maus filmes e serials antigos, [“Queens of Langkasuka“] tenta entrar a todo o instante pelo drama profundo. Pela tragédia seríssima e pior ainda quer desesperadamente mostrar que é acima de tudo um épico histórico ! E quando eu digo épico, quero mesmo dizer ÉPICO histórico !

A todo o instante nota-se no ecran o esforço da produção para mostrar serviço e [“Queens of Langkasuka“] leva toda a sua duração a atirar á cara do espectador que estamos MESMO a ver UM ÉPICO histórico. Quer queiramos, quer não, isto é UM ÉPICO HISTÓRICO meus amigos !
Perceberam ? Olhem para as paisagens ÉPICAS, olhem para o guarda roupa ÉPICO, olhem para as cenas de acção ÉPICAS ! E as batalhas navais, olhem só para as batalhas ÉPICAS !!
E efeitos especiais. Já lhes falamos dos efeitos especiais ?! Eu quase que arriscaria a dizer que são ÉPICOS também !

O problema é que tudo isto resulta de uma forma artificial e distrai daquilo que deveria ser o coração do filme, ou seja os seus personagens e a sua história.
Se no meio de todas as ideias que [“Queens of Langkasuka“] contém, tivessem escolhido umas trés ou quatro e tivessem feito um par de filmezinhos mais sem tanta pretenção a épico histórico, se calhar a coisa tinha resultado bastante bem e teriamos agora uma simpática trilogia de piratas made-in-tailândia.

Assim, como está ao tentarem concentrar demasiado conteúdo embrulhado em tanto desejo óbvio para que o filme seja considerado um épico, acabaram por dar um tiro no pé na minha opinião e [“Queens of Langkasuka“] perdeu não só toda a personalidade apesar do esforço em contrário evidente como se tornou numa aventura algo insípida de seguir, para não dizermos até chata e bastante aborrecida apesar de visualmente conter bastantes momentos muito bons que a todo o momento nos parecem querer garantir que estamos enganados e que o filme é realmente melhor do que aquilo que nos parece.

Ainda o filme não ia a meio e eu já estava farto da suposta aventura. Há algo no ritmo desta história que não resulta e ainda não percebi bem o quê. As cenas de acção tentam entrar pelo estilo de pancadaria executada em trabalho de arames ao melhor estilo Wuxia Chinês, mas depois o que transparece é isso mesmo, cenas de acção executadas em trabalho de arames evidente e sem grande rasgo criativo nas coreografias ou qualquer momento particularmente espectacular que nos faça entrar dentro do filme ao contrário do que acontece nos verdadeiros épicos históricos chineses.

A sensação com que se fica é que mais uma vez, o cinema Tailândes tentou ir para além do seu orçamento e esticou-o tanto para tentar tornar um filme opulento que acabou por criar um produto algo hibrido. Se por um lado visualmente conta com uma fotografia fantástica (a cor do filme é incrível em muitos momentos), tem inúmeras sequências filmadas em cenários naturais oceanicos lindíssimos cheios de atmosfera e contém um excelente design de produção em prácticamente todos os pormenores, por outro parece que tentou ter efeitos demasiados especiais com o dinheiro que restou e estes acabam por ridicularizar de alguma forma o resultado final e quebrar toda a magia da aventura.

É dificil entrarmos no suspanse de uma sequência quando de repente encontramos uma quantidade de montagens fotográficas criadas “de forma amadora” em Photoshop pelo meio.
Isto aliado ao excesso de referências do argumento, faz com que o filme perca muita da força que merecia ter tido pois [“Queens of Langkasuka“] tinha tudo para ser um grande filme de piratas e princesas; no entanto chega a ser chato de seguir mesmo apesar do seu ritmo diabólico em alguns momentos.

Simplesmente porque pouco nos importam os personagens ou os seus problemas e isso é o pior que podia ter acontecido a um filme cheio de piratas que tinham pelo menos o direito de ser bem mais divertidos ou pelo menos assustadores e não são nem uma coisa nem outra.

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CLASSIFICAÇÃO:

Quem procura um filme de piratas orientais acho que deve espreitar isto. Não é brilhante, nem sequer é particularmente divertido mas é o que se pode arranjar e até tem bastantes atractivos para que possam gostar de o acompanhar. Apenas me parece que não irão certamente ficar totalmente fascinados por isto.
É um filme muito interessante mesmo, mas tinha o dever de ter sido fantástico ou pelo menos fantásticamente divertido, afinal estamos a falar de um filme com piratas.
Duas tigelas e meia por ser uma proposta interessante que vale a pena espreitarem mas pouco mais.

noodle2.jpg noodle2.jpg  noodle2emeia.jpg

A favor: está cheio de boas ideias, tem um bom design de produção, boa fotografia (cores fantasticas em muitos momentos), excelentes ambientes em cenários naturais junto ao oceano, óptimo visual e guarda roupa a condizer.
Contra: não se deixem enganar pelo trailer pois o filme é chato e sem qualquer chama, as boas ideias nunca são aproveitadas no seu potencial, tem ideias a mais, personagens a mais, estranhamente não é um filme divertido, a love-story não interessa para nada, os efeitos digitais têm um estilo demasiado amador, as cenas de acção não têm personalidade e são sempre mais do mesmo, tenta desesperadamente ser um ÉPICO histórico a todo o momento e não se cansa de nos apontar o porquê a todo o instante.

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=_NhG3TVxStE

Comprar
http://www.amazon.com/Legend-Tsunami-Warrior-Blu-ray-Libby/dp/B00393SFTI/ref=atv_avod_discplus?ie=UTF8&m=ATVPDKIKX0DER

Download aqui

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1262945/combined

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