Ôdishon (Audition) Takeshi Miike (Japão) 1999


O facto de ir agora falar de  mais um filme que poderá ser classificado de terror é pura coincidência novamente e prometo que dentro em breve coloco aqui novidades dentro do cinema mais romântico. Por outro lado…[“Audition“] não deixa também fazer parte do género…por isso vamos a isto…
Desde que inaugurei o blog há um par de anos que a minha intenção sempre foi a de falar deste filme, mas porque na altura [“Audition“] era por demais falado por todo o lado achei melhor guardar esta sugestão para mais tarde.

O que eu gostava era de ter visto a cara de quem primeiro foi ver [“Audition“]  sem saber absolutamente nada dele !
Eu imagino o choque que devem ter apanhado na altura em que nem sequer o cartaz seria particularmente reconhecivel ou pelo menos passaria ao lado de muita gente.
Por isso agora, é pena que as próprias capas das edições dvd dêem logo a entender que isto não será propriamente um filme fofinho pois este é um daqueles titulos que certamente poderiam provocar ataques cardíacos a muita gente que chegasse até ele totalmente ás escuras.

Quando comprei o dvd muitos anos atrás, fi-lo sem querer saber nada sobre a história e apesar de ter uma ideia de que seria algo perturbante consegui no entanto partir para [“Audition“]  sem saber o que me esperava.
E resultou ! A primeira vez que vi este filme conseguiu dar-me mesmo, mas mesmo cabo dos nervos no melhor dos sentidos enquanto produto de tensão absoluta.
Por isso estou agora aqui a recomendá-lo também, especialmente a todos vós que gostam de emoções fortes.
Façam-me apenas uma coisa.

Se nunca prestaram muita atenção a [“Audition“]  ou não sabem nada dele, continuem assim e por favor nem sequer vejam o trailer.
Aliás, se nunca viram este filme, não sabem nada dele e pretendem vê-lo, então recomendo vivamente que parem de ler este texto neste preciso momento e só voltem cá depois de terem visto esta obra fascinante pois não me responsabilizo pelos *SPOILERS* que poderão vir a seguir.
Se ainda não viram o filme, vão vê-lo e voltem cá mais tarde.

Essencialmente estamos na presença de um titulo com uma estrutura muito interessante.
Começa quase como uma comédia romântica ao melhor estilo oriental e termina de uma forma que só visto mesmo para horror de todos aqueles que têm um coração fraco e pensavam que [“Audition“] seria mais um filme fofinho oriental muito romântico e positivo.

Atenção aos *spoilers* a partir daqui, mas há que contar um bocado desta história para poder dar uma ideia mais precisa daquilo que dá grande força a este filme.
Um produtor viúvo e com um filho pequeno, um par de anos após a sua mulher ter morrido de cancro, é convencido por um amigo a procurar uma nova relação para amenizar a sua solidão e ambos resolvem criar um casting para um projecto fictício apenas com o propósito de conhecer algumas raparigas e encontrar aquela que poderá ser a candidata perfeita a ganhar o coração do senhor.

Tudo isto é apresentado com uma atmosfera muito ligeira onde inclusivamente se inserem momentos de humor com sequências que não destoariam daquilo que se vê no pior dos candidatos aos “Idolos” na televisão e que são realmente divertidas. Nesta altura ainda não sabemos, mas isto é uma verdadeira armadilha á predesposição do espectador para depois Takashi Miike, lhe trocar as voltas mais tarde.

O plano dos dois amigos resulta. Encontram uma rapariga que aparenta ser perfeita para o solitário produtor e a partir daqui [“Audition“] entra por um registo de comédia romântica não muito diferente do que estamos habituados dentro do cinema oriental.
Relação bonita, miuda fofinha quanto baste e tudo parece apontar que estejamos na presença de uma grande história de amor.

Tudo, menos uns interlúdios em por breves momentos se mostra o que se passa na casa da rapariga nas alturas em que está sózinha e que faz com que o espectador comece a ter dúvidas de que [“Audition“] seja própriamente o filme romântico que parecia á primeira vista…
Por outro lado, se isto não é um filme romântico o que raio é que o espectador pensa que poderá acontecer a seguir ?…
É este sentimento que Takashi Miike consegue criar no espectador e que faz com que a partir de certa altura já não consigamos tirar os olhos do ecran.

Por um lado queremos acompanhar a relação romântica dos protagonístas e torcemos para que o viúvo alcance a felicidade pois o senhor é apresentado como sendo uma óptima pessoa, por outro sentimos que há por ali um mistério que precisamos desvendar.
Quando a verdade é revelada já é tarde demais, tanto para o protagonista como para o espectador, ambos apanhados na teia de sedução da cativante miuda oriental e é aqui que o filme resulta.

Pessoalmente eu penso que esta rapariga deve ter tido sérios problemas em conseguir arranjar namorado por muito tempo depois de ter participado neste filme !
Por mais que a gente saiba que isto é ficção, eu consigo imaginar a cara do seu namorado na vida real assim a olhar para ela de lado só no caso de…nunca se sabe…

Se [“Audition“] começa de forma ligeira em tom de comédia romântica e vai aumentando de suspanse pelo meio, quando chega ao final torna-se num filme algo indiscritível.
Não porque mostre até muito, afinal há filmes visualmente mais arrepiantes do que este, mas o facto é que o clima de tensão e suspanse criado pelo realizador é tão elevado que  mais uma vez repito, isto não é um filme apropriado para cardíacos de forma alguma.

E tudo ainda se torna mais arrepiante precisamente porque  Takashi Miike não se esqueceu de nos apresentar o personagem principal como sendo uma pessoa excelente e que não merecia de forma nenhuma o que lhe cai em cima, o que cria automáticamente grande empatia com o público e triplica a tensão sem precisar sequer de recorrer a coisas mais chocantes para nos arrepiar.

O acto final de [“Audition“] é fantástico e não vão conseguir tirar os olhos do ecran torcendo para que tudo acabe bem até ao último segundo.
Curiosamente, até aí, o filme tem uma estrutura que o torna algo lento, quase próximo de um registo de cinema-de-autor , mas usa essa fórmula para ir criando tensão bocadinho a bocadinho sem dar a entender ao espectador que é isso que está a acontecer e portanto quando o caótico capitulo final acontece tudo parece ainda mais arrepiante.

Essencialmente [“Audition“] é um filme fantástico em vários sentidos.
Não é algo que nos apeteça rever muitas vezes, mas é um daqueles perfeitos para mostrar a amigos incautos, especialmente aqueles que nunca ouviram falar do filme.
Ah e se gostam de seringas, vão adorar !

Se quando virem isto andarem durante algum tempo a dizer . “kidikidikidikidikidi !” também não se admirem !
Brrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr !
Depois de [“Audition“] vocês vão desconfiar de todas as miúdas fofinhas na histórias de amor orientais, afinal, a gente sabe lá o que pode acontecer por aquelas bandas…

Só para terem uma ideia, parece que quando isto foi apresentado no Festival de Rotterdam em 2000 teve o maior número record de espectadores que abandonaram a sala antes do filme acabar e na estreia na Suiça um deles teve de sofrer assistência médica pois desmaiou durante a projecção ! Lindo !

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CLASSIFICAÇÃO:
Um dos filmes de suspanse e terror mais eficazes que poderão ver e uma história que arrepia sem precisar de recorrer aos típicos clichés do género para nos assustar. Em vez de um filme sobrenatural , Takashi Miike arrepia-nos com uma “comédia romântica” ao seu estilo e é isso que faz com que vocês nunca tenham visto nada como [“Audition“].
É um daqueles filmes perfeitos para mostrar aos amigos que não suspeitarem de nada (ou para matarem parentes ricos do coração) embora o seu registo algo lento possa afastar muita gente desta obra prima da tensão porque não tem uma estrutura de cinema-pipoca a que estamos habituados no ocidente.
Não desistam e serão recompensados com um final absolutamente inesquecível que os fará olhar de lado para as vossas namoradas durante os próximos dias após isto…afinal, nunca se sabe meus amigos…nunca se sabe…
Cinco tigela de noodles por ser perfeito na sua execução e só não lhe dou mais um Gold Award em cima porque não é um filme que me apeteça muito estar sempre a rever…seria doentio…muito doentio…embora isto para muita gente possa até ser considerado uma comédia…malucos.

A favor: quem não conhece nada sobre o filme irá apanhar a surpresa da sua vida no que toca a histórias românticas orientais, como filme romântico resulta e como filme arrepiante idem, a actriz principal disto nunca mais arranja namorado na vida, contém bons momentos de humor bem colocados na história, a parte final é fantástica e vai fazer-vos roer todas as almofadas do sofá, assusta sem precisar de recorrer a psicopátas com faquinhas ou a temáticas sobrenaturais, mete pedófilia quanto baste e seringas á descrição o que mais vocês querem num filme romântico ?
Contra: tem uma estrutura inicial mais parecida ao que se associa ao cinema-de-autor do que própriamente a um típico filme de terror comercial a que estamos habituados no ocidente e isso poderá afastar muita gente que nem chegará ao capítulo final da história, por outro lado se sofrerem do coração este não é um bom filme para verem sózinhos também, pode ser algo doentio para muito boa gente…

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer – contém *spoilers*
http://www.youtube.com/watch?v=yhsrsWcEspc

Comprar
Está á venda na amazon Uk e US , aqui e aqui.

Download aqui com legendas PT-Br

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0235198/combined

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Filmes semelhantes de que poderá gostar:

A Tale of Two Sisters  Dark Water

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Taegukgi hwinalrimyeo (The Brotherhood of War/Irmãos de Guerra) Je-gyu Kang (2004) Coreia do Sul


Lamento o atraso na colocação de novas reviews, mas tenho andado muito ocupado a publicitar o meu trabalho de banda-desenhada (podem descarregar os PDFs GRÁTIS no meu website) e por isso apesar de ter visto inúmero cinema oriental nas ultimas semanas tem sido complicado arranjar tempo para escrever. Mas vamos a isto…

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Como eu tenho a mania de que não gosto particularmente de filmes de guerra, mantive este dvd na prateleira (literalmente) desde o último Natal pois apesar de o ter comprado na amazon.uk junto com mais um par de filmes orientais em promoção nunca tive muita vontade de o ver.
Agora que já o vi trés vezes em menos de cinco semanas, se calhar gostei mesmo muito mais disto do que alguma vez pensei que iria admitir.

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Antes de mais, se calhar é melhor dizer logo que este filme tem uma boa edição em dvd portuguesa e de certeza que ainda o encontram á venda nos cestos de promoções dos hipermercados e wortens, pois há alguns meses pelo menos aqui pelo Algarve eram aos quilos a menos de €5 na altura. E eu burro, nem assim comprei o filme, pois como já disse, parece que tenho a mania de que não gosto de filmes de guerra e não me apeteceu comprar o dvd.
Não sejam burros como eu e se encontrarem a edição portuga disto á venda sugiro que se joguem a ela pois ao contrário da edição inglesa que eu tenho, a portuguesa até trás extras e tudo. O que é de estranhar pois normalmente as edições portuguesas de cinema oriental são do piorio.

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Rezam as crónicas que este filme foi criado pela mesma equipa técnica que produziu o impressionante “Assembly” e deixem-me dizer-vos que se nota !
Aliás, eu que fiquei absolutamente surpreendido com a escala épica das cenas de guerra desse filme posterior, devo dizer que se calhar ainda prefiro as sequências de batalha neste [“The Brotherhood of War“] pois têm uma atmosfera diferente, bem mais dramática, sangrenta e estão cheias de momentos politicamente incorrectos que  não são habituais num filme de guerra made-in-hollywood.

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Enquanto em “Assembly” a guerra era representada de uma forma épica com centenas de soldados aos tiros em [“The Brotherhood of War“] a violência é mostrada quase isoladamente num estilo caso a caso, criando um suspanse e uma angústia permanente no espectador pela quantidade de sequências com muito sangue, lutas corpo a corpo, tripas e baionetas quanto baste. Neste aspecto, o filme cumpre totalmente enquanto cinema de guerra e vão poder ver nele muita coisa que nunca viram mostrada desta forma.

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Isto não quer dizer que não tenha também os seus momentos épicos com imagens fabulosas. [“The Brotherhood of War“] está cheio de sequências com milhares de soldados em cenas de guerra grandiosas que irão agradar até ao mais devoto fã do Soldado Ryan.
Todo o filme tem um sentido épico único, até mesmo nas cenas em que não existe guerra no ecrã, isto porque cheira a super-produção por todo o lado e em cada frame que vemos temos sempre uma orquestração de personagens e ambientes em grande escala que não desapontará quem gosta de histórias maiores do que a vida.

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Mas a grande mais valia de [“The Brotherhood of War“], está no facto de apesar de ser um filme oriental visualmente esplendoroso, nunca se esquece dos seus personagens.
Como sabem, quanto a mim um dos grandes trunfos do cinema oriental face ás modernas produções americanas está no facto dos orientais conseguirem sempre dotar de humanidade até o mais simples personagem e também aqui não é excepção, pois as sequências podem ser espectaculares mas muito dessa espectacularidade vem do facto de haver um grande suspanse perante o destino dos personagens, isto porque o espectador fica realmente a gostar daquelas pessoas.

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Outro grande ponto positivo é que em [“The Brotherhood of War“], não existem maus nem bons.
Aliás, duvido que este filme alguma vez pudesse ter sido produzido na América onde as audiências-teste ditam os resultados do que se vê no ecran.
Se [“The Brotherhood of War“] tivesse sido alvo de um desses testes, aposto convosco que mais de metade das audiências americanas a meio do filme já nem haveriam de perceber quem era o heroi.
E pior ainda, haveria de haver pessoas que ficariam muito baralhadas pois nesta história nada é o que parece e muitos dos twists de argumento em [“The Brotherhood of War“] seriam suficientes para fazer com que muita gente não gostasse do filme porque os herois “são maus”. Resumindo nesta história não há herois de guerra á americana e logo irão perceber o que quero dizer quando acompanharem esta história fabulosa.

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Estamos perante um grande filme de guerra, com guerra, mas também sobre a guerra e sobre o que esta pode fazer a pessoas simples quando são confrontadas com uma realidade da qual não podem escapar.
Custa-me estar aqui a escrever sem lhes revelar logo grande parte da história, por isso se calhar é melhor estar calado e não dizer muito mais. Apenas lhes posso garantir que [“The Brotherhood of War“] é tudo menos uma narrativa com uma estrutura previsível e é esse o seu grande trunfo.
Até mesmo quando parece que vai tomar o partido da Coreia do Sul e vilanizar a Coreia do Norte, o argumento volta a surpreender com um par de twists que os vão deixar agarrados á cadeira e a questionar tudo e mais alguma coisa a partir desse momento até ao final.

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Já agora uma nota muito positiva para a parte romântica da história.
Nunca paro de me surpreender como o cinema oriental consegue criar histórias de amor grandiosas recorrendo na sua maioria das vezes a pormenores minimalistas que quase nem se notam ou parecem ser particularmente importantes.
Em [“The Brotherhood of War“] a parte dedicada ao romance dos protagonistas nem deve ocupar ao todo dez minutos de ecran num filme que tem mais de duas horas e meia, no entanto se gostam habitualmente de cinema oriental romantico, sugiro que espreitem também este filme, mesmo até que nem gostem de cinema de guerra pois não se irão arrepender.
Há mais humanidade em 10 minutos de sequências emocionais envolvendo o pequeno romance dos personagens nesta história do que em muitas supostas histórias de amor saídas do mercado americano ultimamente e portanto posso garantir-vos que se procuram um bom filme de guerra com uma pitada (tão pequena que nem se nota) de romance quanto baste [“The Brotherhood of War“] é o vosso filme. Preparem os lenços de papel.

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Não posso deixar de falar também na fantástica banda-sonora deste filme asiático feito na coreia do sul. Na verdade não há muito para dizer, apenas que a música é perfeita para enquadrar todo o ambiente e faz um trabalho excelente na criação de emotividade em muitas sequências. Como tal se gostam de grandes partituras orquestrais épicas com um sabor melodioso intermédio vão adorar também a música que ilustra esta história.

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CLASSIFICAÇÃO:

Uma verdadeira surpresa e um dos melhores filmes com guerra que alguma vez vi. Provavelmente um dos melhores filmes de guerra de todos os tempos dentro do cinema comercial. Como blockbuster poderá ser uma obra prima do cinema oriental pela sua qualidade de entretenimento que não fica nada atrás do que melhor se produz na América.
Joga perfeitamente com um sentido épico de espectáculo que nos diverte, horroriza e ao mesmo tempo nos emociona ao longo das suas duas horas e meia que passam num instante sem darmos por isso.
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award porque este é um daqueles filmes que merece ser revisto.

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A favor: é assim que se faz um filme de guerra, mais uma vez o humanismo da caracterização dos personagens, o excelente trabalho de todos os actores com destaque para os protagonistas inclusivamente o actor mais velho, as constantes reviravoltas da história, a total variedade das sequências de acção que nunca se repetem ao longo de todo o filme, os fabulosos efeitos especiais a todos os níveis, ultra-violento e cheio de sangue e balas quanto baste, completamente politicamente incorrecto nos dias que correm no que toca á caracterização de “maus” e “bons”, contém uma minuscula mas inesquécivel história de amor que culmina num dos pontos altos de maior suspanse em todo o filme e os fará roer as almofadas, a banda sonora é excelente, fotografia idem, tem um ritmo narrativo perfeito que nunca se perde num emaranhado de sequências de guerra e onde há sempre espaço para os personagens respirarem, há já algum tempo que não via um filme Sul Coreano com uma cena de despedida numa estação de comboios e já estava a sentir falta disto. Ninguém filma cenas de despedida com comboios como os Sul Coreanos !
Contra: não escapa aquele estilo épico comercial a que inclusivamente estamos habituados no cinema americano no entanto neste caso isto nem sequer é algo particularmente negativo…apenas não me lembro de mais nada verdadeiramente detestável para referir. O estilo “fofinho” habitual nas histórias de amor orientais pode enervar quem não pode com isso apesar desta até ser apenas uma breve sequência.

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TRAILER

http://www.youtube.com/watch?v=DCnyJZafn-w&feature=related


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Comprar
A edição de 1 disco que eu comprei foi esta. Aproveitem porque está a menos de 4 libras. 😉
Brotherhood [DVD] [2004]

Sem extras mas com uma qualidade fantástica a nível de som e imagem.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0386064/

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Ji jie hao (Assembly) Xiaogang Feng (2007) China


O chamado Filme de Guerra não será propriamente o meu género favorito. Mas de vez em quando aparece-me pela frente uma daquelas obras que por momentos me fazem realmente duvidar se gostarei tão pouco assim de filmes de guerra ou não.
[“Assembly“] é um desses filmes.

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É um daqueles que está na minha lista de coisas que nunca me apetece muito rever, mas se o coloco no dvd já não consigo parar de olhar para ele até surgirem os créditos finais, por isso se calhar até devo gostar mais de filmes de guerra do que penso.

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Acho que ainda estou traumatizado com a decepção que apanhei no – Saving Private Ryan – que deve ser possivelmente um dos filmes que mais me aborreceram no cinema em muitos anos.
Na altura apesar de ter ficado impressionado com a sua violenta e entusiasmante abertura, detestei em absoluto todo o tom patriótico americano com a sua estrutura absolutamente previsível que acompanhava o resto do filme de Spielberg. Sendo assim mantive-me afastado de cinema do género durante anos e só regressei a ele há muito pouco tempo.

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Um dia apeteceu-me comprar a série – Band of Brothers – e para grande surpresa minha fiquei tão impressionado com aquilo que dei por mim procurando por coisas semelhantes que pudessem entusiasmar-me tanto aquela série televisiva o fez.
Não fazia ideia nenhuma que existia uma produção de guerra made-in-china como esta.
Já tinha visto e adorado – The Warlords – e por causa de ter ficado tão bem impressionado com o filme decidi espreitar se os chineses teriam filmado algo mais contemporaneo que eu desconhecesse.

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Encontrei então este [“Assembly“] num torrent e saquei-o só para espreitar, pois apesar de ter ficado impressionado com o trailer o estigma do Soldado Ryan estava ainda na minha mente e não me apetecia comprar outra coisa semelhante.
No entanto, depois de ver os primeiros vinte minutos da cópia sacada parei o filme e fui comprar o dvd na amazon Uk pois inclusivamente na altura estava a uns meros 3€ já com portes numa daquelas promoções especiais de Natal.

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[“Assembly“] na minha opinião limpa o chão com a sequência inicial do filme de Spielberg e consegue incluir um segmento dramático a condizer na sua metade final sem precisar de recorrer a esvoaçares de bandeira e a sentimentos de soap-opera pré-fabricados e formuláticos para americano bater continência.
No entanto, [“Assembly“] não deixa de ser um filme patriótico. Aliás, nota-se claramente que é um produto que tenta passar uma imagem humanizada do exército comunista chinês e certamente terá tido o apoio do partido na sua produção.
Acontece que consegue realmente passar uma imagem humanizada do soldado comum.
Um dos grandes trunfos deste filme é que consegue contornar o facto de eventualmente poder ter sido um filme de propaganda mas nunca nos atira isso á cara quando nos apresenta os personagens.

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Os soldados de [“Assembly“] apenas por acaso pertencem ao exército vermelho, pois poderiam pertencer a um exército de qualquer país. Toda a sua caracterização assenta sempre nas pessoas que vivem uma guerra e não na política que a envolve ou sequer na pose de herois orgulhosos de servirem a pátria ou qualquer bandeira esvoaçante num estrelado céu azul. A honra militar está sempre presente mas nunca nos é atirada á cara em linhas de diálogo ou sequer importa para a caracterização humanizada dos personagens.

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O último lugar em que o soldado comum de [“Assembly“] quer estar é na guerra em que se vê envolvido, está-se borrifando para a política que serve e apenas gostava de estar longe dali.
Toda a base do drama está na importância das pessoas e não na importância patriótica de uma missão ou sequer de uma ideologia ou maneira de se achar posicionado no mundo.
Os personagens não se acham salvadores de nada, não estão interessados em serem herois e apenas gostariam de sobreviver.

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Essencialmente este filme oriental dá-nos provavelmente uma das imagens mais reais do que será estar no meio de um campo de batalha e por esse prisma consegue efectivamente passar uma boa imagem do que será pertencer ao exército chinês sem precisar de o anunciar como um panfleto patriótico ao estilo do que é costume no cinema americano, o que não deixa de ser estranho pois realmente a parte final deste filme poderia ter descambado numa total apologia óbvia do regime chinês e de como tudo é bom no seu exército.
Portanto, ponto positivo, a maneira como contorna o mais que pode, a evidente “influência” do regime político a que este filme pertence e nos apresenta um filme sobre pessoas.

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[“Assembly“] pode ser um filme sobre pessoas, mas também é um filme sobre muitos bocadinhos de pessoas, pois o que não falta nisto são pessoas aos bocados. Há para todos os gostos, pessoas estripadas, pessoas a arder, pessoas decepadas, pessoas que explodem e cabeças que voam. Tudo isto regado a baldes de sangue e tripas com o aspecto mais real que alguma vez vi num filme sobre guerra.

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Se gostaram dos primeiros vinte minutos do Soldado Ryan pela sua crueza e violência preparem-se para levar com o mesmo elevado ao cubo mas agora durante mais de 70 minutos quase seguidos (com as devidas pausas dramáticas para descansar o espectador claro está).
[“Assembly“] impressiona.
Quem pensa que já viu tudo no que toca a sequências de batalha pode preparar-se para ficar impressionado. Este é um daqueles filmes que é de ver para crer e ainda não sei se os chineses não terão morto metade do elenco para filmar as cenas de guerra que esta obra contém.
Este é mais outros daqueles filmes perfeitos para vocês mostrarem áquele vosso amigo que ainda pensa que só se fazem cenas de acção e efeitos especiais a sério em Hollywood.

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Básicamente conta a história de um único soldado que sobreviveu a uma grande batalha e passou os seguintes anos da sua vida a tentar provar que todos os seus homens foram esquecidos pelo regime chinês. A batalha foi tão violenta que se perderam todas as provas de que um batalhão de homens alguma vez terá participado nela e como tal tudo gira á volta do que se passou para que depois um único homem tenha conseguido contra tudo e contra todos sózinho elevar todos os seus soldados perdidos á categoria de herois nacionais.

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Quem já pensa que revelei demais, se calhar é melhor ver então o filme, pois estranhamente este é mais um daqueles em que o espectador nunca tem bem a certeza de quem vai morrer e muito menos de quem serão “os herois”, porque essencialmente [“Assembly“] apesar de ter características de blockbuster felizmente não tem de forma nenhuma a estrutura que costumamos encontrar no cinema americano do género.

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Por causa disso pode provocar até alguma estranheza no espectador, porque depois de duas primeiras partes absolutamente espectaculares em termos de sequências de batalha, baldes de sangue e efeitos especiais, subitamente o filme entra por uma última parte bastante calma, intimísta e até algo poética.
Sendo assim aproveitem bem os primeiros 80 minutos de porrada absolutamente hipnótica e espectacular, mas preparem-se para uns últimos 40 ou cinquenta de cenas bem mais calmas e essencialmente dramáticas que concluem toda a demanda de um só homem para resgatar a reputação de dezenas de soldados perdidos.

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Já agora, nota alta para os actores e em especial para o protagonísta da história que tem um daqueles desempenhos que ficam na memória até muito mais do que os próprios efeitos especiais absolutamente impressionantes deste filme e portanto até aqui [“Assembly“] consegue muito bem equilibrar a pirotécnia com o humanismo em que assenta uma história que pode até exaltar os valores humanistas de pessoas que nasceram debaixo de um regime comunista mas que numa última análise conta a história de todos os soldados do mundo.

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CLASSIFICAÇÃO:

Possivelmente o filme de guerra com as cenas de batalha mais espectaculares que poderão ver na vossa vida até este momento. Quem acha que o – Saving Private Ryan – teve uns 20 minutos iniciais impressionantes, esperem só até verem os 70 “minutos iniciais” de [“Assembly“].
Nota alta para o som do dvd que quase nos faz baixar a cabeça e desviar-nos das balas a todo o instante.
Um filme visualmente muito complexo em termos técnicos mas que nunca esquece o humanismo dos personagens e consegue manobrar habilmente por entre ideologias políticas apresentando-nos um filme sobre o soldado universal e os efeitos da guerra sem nos atirar directamente com um filme-panfleto a exaltar virtudes do exército chinês. Não deixa de ser um inevitávelmente um filme panfletário que tenta humanizar o exército vermelho mas nunca nos tenta impingir nada e consegue ter um tom universal.
Recomendo completamente.
E se gostarem mesmo de filmes de guerra então podem acrescentar mais meia tigela de noodles á minha classificação e até um Golden Award pois [“Assembly“] é um dos melhores filmes de guerra do mercado, ponto final.
Se estão a pensar comprar um projector, este é um daqueles filmes que justifica tal compra e será o dvd perfeito para o estrearem, pois isto no meu ecranzinho de mais de trés metros é absolutamente brutal (com surround a condizer) !
A minha classificação é mais dirigida a todos aqueles que como eu se calhar ainda pensam que nem gostam muito de filmes de guerra…sendo assim, quatro tigelas e meia de noodles, talvez até algo injustamente.

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A favor: o humanismo dos personagens suplanta sempre o eventual tom panfletário de apoio ao regime chinês, a realização é absolutamente incrivel nas cenas de acção e perfeitamente contida no segmento final mais intimista e dramático, as cenas de batalhas são absolutamente reais e até vão ter que limpar as cinzas de cima de vocês, os personagens e a incerteza sobre o seu destino, casting e interpretações , banda sonora, cenografia a condizer com uma fotografia perfeita, a montagem nas cenas de guerra é perfeita, o sentido de espectáculo que nunca se perde, os fabulosos efeitos especiais, nunca perde a carga dramática e o seu final intimista embora algo desconcertante depois de vermos quase hora e meia de bombas e tiros é no entanto muito bom.
Contra: quem espera um filme de aventuras não o irá encontrar aqui, algumas pessoas poderão achar a parte final algo lenta e deslocada especialmente depois de verem tanto tiro o bombas e socos nas trombas durante mais de 70% do filme, o inevitável estilo panfletário está presente embora plenamente contido.

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NOTAS ADICIONAIS:

TRAILER
http://www.youtube.com/watch?v=8KJKgAefkwA

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COMPRAR
Esta excelente edição Inglesa ainda continua a um preço fantástico na Amazon Uk. Comprem o DVD.

Se preferirem o Blu-Ray…está a um óptimo preço também e quanto a mim é de aproveitar.

E para quem quiser espreitar o filme antes, encontra-o no blog do Asian Space se clicar aqui mas não esperem levar aquele impacto que levariam se vissem isto com um som como deve de ser em dvd ou blu-ray…

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0881200/

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Tau ming chong (The Warlords) Peter Chan . Way Man Yip (2007) China


Estou de regresso embora ainda não a cem por cento. Devido á avaria do meu computador deixei muito trabalho de design para trás e tenho que o terminar antes de me voltar a dedicar sériamente a isto dos blogs.
Mas…
Como comprei umas novidades, não podia deixar desde já de recomendar o filme seguinte.

Na minha opinião este filme contém á partida duas coisas que o tornam imeditamente numa obra a espreitar por quem gosta de grandes épicos de guerra com sabor oriental.
Primeiro, apesar de [“The Warlords“] se situar históricamente mesmo já no final do século XIX, o espectador esquece-se por completo desse facto pois é impressionante como toda a atmosfera nos transporta para um ambiente medieval. O que não deixa de ser estranho pois é bem curioso pensarmos que na mesma altura em que toda esta história se passa na China, já o ocidente estaria a entrar em tudo aquilo que tomamos por referência relativamente ao que conhecemos do mundo moderno.
Encontrarmos então um filme situado a poucos anos do século XX e onde os seus protagonistas passam o tempo todo a lutar em sangrentas batalhas usando lanças e espadas medievais é algo particularmente interessante se pararmos para pensar no assunto, o que ainda torna o filme ainda mais cativante.

A segunda coisa pelo qual recomendo vivamente [“The Warlords“] é precisamente pelas batalhas.
Se tal como eu, vocês já estão fartos de ver guerras animadas em CGIs made-in-hollywood, irão encontrar neste filme chinês o antídoto perfeito, pois tudo aqui está feito á moda antiga e o resultado é uma das mais realísticas e sangrentas batalhas que possam imaginar. Violenta, politicamente incorrecta e completamente crua e espectacular com baldes de sangue quanto baste e um par de decapitações á mistura para animar as coisas.

Ao contrário do que acontece nos blockbusters americanos, desta vez a grande batalha do filme ocorre practicamente logo no início da história mas garanto-vos que não é por isso que irão entusiasmar-se menos com ela.
É que ainda por cima todos os soldados que poderão encontrar na imagem não são bonequinhos feitos em computador mas sim 5000 gajos de verdade, pois se há uma coisa de que a china pelo visto não tem falta é de figurantes para filmes de guerra e a julgar pelo que se pode ver neste [“The Warlords“] cada vez encena melhor grandes batalhas com milhares de pessoas reais para divertimento de todos nós que já estamos fartos de tanto plástico americano.

Mas nem só de grandiosas cenas de batalha vive [“The Warlords“].
Todas essas sequências são memoráveis e do melhor que poderão encontrar actualmente no grande ecran, mas na verdade não seriam nada se os personagens fossem um vazio e felizmente isso não acontece de todo.
Quem procurar apenas um filme de porrada é melhor não esperar muito mais além das primeiras batalhas pois a partir desse momento a história deixa de se centrar na espectacularidade das cenas de guerra e passa a ser acima de tudo sobre os efeitos da mesma nas pessoas que a vivem ao longo de anos a fio.
Na verdade um dos grandes trunfos de [“The Warlords“] é que consegue equilibrar muito bem a espectacularidade de um blockbuster de guerra com o intimismo de um drama pessoal e para isso conta com um argumento que não esquece os personagens mesmo quando se calhar o filme até nem pedia mais do que um par de boas cenas de guerra.

Como habitualmente não revelarei grande coisa da história, mas [“The Warlords“] é essencialmente uma história de amizade entre trés homens que sempre viveram pela violência e sobre as consequências dessa mesma violência nas suas vidas e na história da própria China.
Um dos grandes trunfos desta obra está precisamente na forma como explora a personalidade de cada um dos personagens e com isso nos dá trés perspectivas sobre uma guerra (que poderia ser qualquer uma) e que no fim nos deixa a pensar mais do que esperariamos, pois mais uma vez o oriente conseguiu produzir um filme sem maus nem bons e que acaba por ser sempre muito mais do que apenas um espectacular filme de guerra.
Não há herois neste [“The Warlords“] e quando muito se tiver vilões estes serão representados pelos fabulosos (e simples) personagens dos trés velhos políticos que na realidade se formos a pensar bem, são os verdadeiros “senhores da guerra” que dá titulo ao filme.

E como não podia deixar de ser (afinal isto é um filme oriental) ainda temos direito a uma simples mas boa história de amor que serve de contraponto aos trés personagens masculinos e consegue inserir um ambiente ainda mais humano, pois é um segmento dramático que não se perde porque acima de tudo acaba também por ser utilizado para dar a perspectiva feminina sobre a guerra de uma forma subtil que contribui perfeitamente para o equilibrio do resto do filme. Se calhar até seria desnecessária, mas não é algo metido a martelo e muito menos segue os habituais clichés de triangulo amoroso que encontrariamos de certeza se isto fosse um filme made-in-hollywood.
Mais uma vez, os orientais conseguem criar uma história de amor sem nunca entrarem pelos habituais diálogos estilo telenovela. Aliás, não há qualquer diálogo estilo “i love you” durante as cenas mais emocionais e nem precisa pois está tudo nas imagens e na maneira como o realizador filma essencialmente as emoções. Não será própriamente uma história de amor inesquecível mas enquadra-se perfeitamente dentro do filme e permite a Jet Li um registo dramático a que não estamos muito habituados a vê-lo interpretar.

Ao ver [“The Warlords“] fiquei com a certeza de que existem dois Jet Li. Aquele que estamos habituados a ver fazer papeis de cartão nos filmes americanos e o Jet Li actor que é capaz de apenas com a sua presença encher o ecran e fazer-nos mergulhar num personagem esquecendo por completo o seu intérprete como acontece neste filme.
Aliás, além das mágnificas cenas de guerra, este filme vale essencialmente pelos actores pois até o mais secundário tem o seu momento de destaque e contribui para que o argumento resulte tão bem.
Até mesmo eu, que não sou própriamente um grande interessado em filmes sobre intriga política de bastidores não pude deixar de gostar muito desta história pois acho que na verdade [“The Warlords“] não deve ter um único personagem que não nos agarre e nos faça importar com ele a partir do momento em que entra em cena.
Acima de tudo o filme conta uma boa história e merece ser visto e revisto por muito boas e variadas razões sendo um daqueles filmes que de certeza irá agradar a muita gente apesar da sua violência gráfica e psicológica até.
Já o vi duas vezes e aconteceu-me gostar ainda mais dele ao segundo visionamento, porque se calhar da primeira vez que o vi não estaria á espera da estrutura do filme ser como é e da segunda vez já me consegui abstraír totalmente e simplesmente apreciar o filme pelo que ele realmente é.

Nota positiva também para a banda sonora que é simplesmente mágnifica apesar de conter um momento particularmente curioso pois a determinada altura numa cena de guerra, macacos me mordam se aquilo não é a música do “Piratas das Caraíbas” tocada ligeiramente num compasso ao lado…
Os efeitos especiais são do melhor que poderão encontrar e tão bons que vocês nem se vão lembrar que existem efeitos especiais neste filme, pois tudo tem uma atmosfera clássica fantástica até mesmo na forma como os meios técnicos foram usados para criar as cenas mais espectaculares.

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CLASSIFICAÇÃO:

Um dos melhores filmes de guerra que poderão encontrar no mercado actualmente.
No entanto, apesar das espectaculares cenas de batalha,  [“The Warlords“] não é um filme de acção ou aventura por isso que estiver á espera de algo do género poderá não lhe dar o devido valor.
É um filme mais sobre a guerra, do que própriamente -de guerra- e portanto muito assente na relação entre os personagens e não própriamente numa estrutura de filme de porrada ou aventura. Essencialmente se alguma vez houve um “Braverheart” oriental digno desse título  [“The Warlords“]  é esse filme e portanto se gostaram da obra de Mel Gibson não se podem enganar com este filme oriental pois o espírito é essencialmente o mesmo. Mas este tem mais sangue no ecran.
Este é o típico filme que nós vemos e pensamos porque raio é que em vez de se encherem salas de cinema de centro comercial com -“Múmias 3”- não se lança um filme destes por cá, pois podem ter a certeza que isto bem publicitado iria ter tanto sucesso quanto o “Braveheart” teve.
Já agora outra nota importante, apesar do ambiente “medieval”  [“The Warlords“] não é um filme no estilo -Wuxia- ou seja, não é um daqueles filmes de fantasia orientais com combates aereos ou muito baseados em acrobacias com fios.  [“The Warlords“] é um filme de guerra com espadas, membros decepados e muitos baldes de sangue com os pés bem assentes na terra. Em todos os sentidos.
O filme perfeito para convencer aqueles que ainda pensam que filmes visualmente espectaculares só podem vir da América e um daqueles com que os chineses podem chegar junto de Hollywood e dizer : -“vêem, é assim que se faz.” pois [“The Warlords“] é a prova que um filme cheio de acção, violência e efeitos também pode ter alma e não precisa ser um pedaço de plástico só porque é um filme comercial.
Não tem o visual sumptuoso de um “Curse of the Golden Flower” mas também não precisa.
Cinco tijelas de noodles e um Golden Award porque este é um daqueles obrigatórios em qualquer dvdteca, especialmente se gostarem de épicos históricos e se interessarem por histórias de guerra bem contadas.

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A favor: a inteligência do argumento, a realização, as cenas de batalhas absolutamente reais, os personagens, casting e interpretações , banda sonora, cenografia a condizer com uma fotografia perfeita, a complexidade da narrativa, a história de amor, o sentido de espectáculo que nunca se perde e os fabulosos efeitos especiais “invisíveis”.
Contra: quem espera um filme de aventuras não o irá encontrar aqui, mas isto nem sequer é própriamente algo negativo. De resto não me lembro de nada a apontar que seja algo realmente mau neste filme…talvez não tenha uma história particularmente original mas também nem precisava de a ter para ser o excelente filme que é.

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailers
http://www.youtube.com/watch?v=ok_5CKAOch8
http://www.youtube.com/watch?v=wK_iBqODSkw&feature=related

Comprar
A que eu tenho é esta Ediçao de 3 discos onde o filme está estranhamente dividido em dois apesar de ter apenas pouco mais de duas horas.
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-6x-77-2-49-en-15-the+warlords-70-2vy1.html
No entanto a qualidade de imagem é fantástica e o som absolutamente mágnifico até mesmo na pista de 5.1 normal embora contenha também uma faixa DTS.
O terceiro disco contém excelentes documentários de making-of que vale a pena ver e esta edição vem ainda com um bom comentário audio para o filme.
Todos os discos estão legendados em inglés tanto no filme como em todos os extras por isso se gostam de filmes deste género têm aqui uma edição daquelas que vale mesmo a pena comprar. ´
É barata e vem numa caixa fantástica com personalidade apesar do estilo digipak que pode desagradar a alguns. Contém também um livro em papel fotográfico com dezenas de fotos que é desnecessário mas  por outro lado é sempre um brindezinho interessante para compor esta edição já de si excelente e muito recomendável.

Em alternativa encontram já na AMAZON.UK excelentes edições deste filme com tudo e mais alguma coisa também no que toca a extras. Tendo em conta o preço recomendo que escolham qualquer uma destas edições.

The Warlords – Edição DVD de 1 disco.

The Warlords – Edição DVD de 2 discos.

The Warlords – Blu-Ray

PS: Se encontrarem a edição Portuguesa á venda num supermercado fujam !
A edição Pt é mais uma daquelas onde falta uma boa parte da imagem dos lados, por isso meus amigos…comprem na Amazon Uk…

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0913968/

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Se gostou deste poderá gostar de:

The Myth The Promise

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Riri Shushu no subete (All About Lily Chou-Chou) Riri Shushu (2001) Japão


Eu não recomendaria este filme ao meu pior inimigo.
Agora que já disse isto, é melhor avisar que vão achar esta review completamente confusa e totalmente contraditória.
 
 
Este filme é absolutamente experimentalista a um nível próximo da mais detestável  – instalação “Artística” – (com “A” grande), deprimente, negativista, e a uma primeira visão chato, confuso e loooooongo como o #$%&.
[“All About Lily Chou-Chou“], chega ao ponto de nos fazer pensar que aquele cinema de autor ultra-pretencioso á boa e velha maneira portuga se calhar até nem será mau de todo.
Como tal e começando anormalmente desta vez logo pelo fim, [“All About Lily Chou-Chou“],  leva uma excelente classificação de cinco tigelas de noodles na boa porque as merece plenamente.
 
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CLASSIFICAÇÃO:
 
Por mais que eu não queira, tenho que reconhecer que o filme não só é extremamente original, está muito bem feito, tem uma atmosfera única, um grafismo ainda melhor e realmente torna-se numa obra bem curiosa que vale a pena ser vista. Duas vezes.
 
           
 
Duas vezes, porque da primeira vai acontecer-lhes o mesmo que a mim e a primeira reacção vai ser pegar no dvd e jogá-lo fora não antes sem o triturar na batedeira e colocá-lo a gratinar no micro-ondas.
Acontece que se depois virem o filme uma segunda vez, já sabendo com o que contam, as coisas parece que subitamente ganham uma nova dimensão e ficam bem mais claras e apelativas. Isto claro, se estiverem mesmo com pachorra para aturar cinema-de-autor com pretenções de ser Arte Digital moderna.
Na verdade por debaixo de tanta Arte, até que existe um bom núcleo e [“All About Lily Chou-Chou“],  bem vistas as coisas se calhar nem será tão pretencioso assim quanto aparenta á primeira vista e provavelmente mereceria mesmo um Gold Award e tudo.
 
 
Mas atenção, o facto de eu atribuir uma excelente classificação de cinco tigelas de noodles a esta …coisa, não significa que o esteja propriamente a recomendar ou a sugerir que vão imediatamente ver este filme.
Não comparem estas cinco tigelas de noodles com uma outra classificação semelhante que eu tenha atribuído a outro filme neste blog, pois no caso de [“All About Lily Chou-Chou“],  isto segue mesmo uma outra lógica de classificação á parte.
No entanto seria extremamente injusto se eu não lhe desse uma boa nota. A verdade é que este é um daqueles raros exemplos de cinema-de-autor tão desconcertante que se torna absolutamente hipnótico e mal ou bem não nos esquecemos do filme tão cedo.

A favor: provavelmente o estilo crú digital é a solução visual perfeita para contar esta história sobre violência adolescente que envolve não só bullying juvenil como aborda o problema da alienação social dentro dos frios liceus japoneses.
Como tal o tema da imersão virtual no mundo da net está fantásticamente retratado neste filme, o que o torna hipnótico e perturbante ao mesmo tempo.
Os actores são excelentes. Alguns enquadramentos e imagens contêm uma beleza única que contrasta com o tom frio e desumano da própria história. Todo o conceito do filme é muito bom e se calhar só poderia funcionar tão bem sendo o filme que é.  Vai agradar ao fãs de música estilo Bjork.

Contra: esta “instalação Artistica Digital” tem 140 minutos que nos parecem 6 horas quando vemos o filme pela primeira vez se não estivermos á espera do que nos vai cair em cima.
A meio do filme quando os personagens vão de férias para uma ilha, o realizador resolve mostrar-nos durante mais de quarenta minutos o filme das suas férias e o filme muda abruptamente de estética para algo que se assemelha ao pior video de familia que vocês alguma vez possam ser obrigados a ver e que se arrasta por um tempo infinito sem haver propriamente uma justificação narrativa para pregar tamanha seca ao espectador.
A fragmentação narrativa pode ser um pesadelo para o espectador mais desprevenido, pois os flash-backs podem ser extremamente confusos ao inicio, até porque os personagens ás vezes falam do ponto de vista dos seus nicks  de internet e outras com o seu nome próprio. Ainda por cima os nomes japoneses têm uma sonoridade semelhante e  a certa altura se não tivermos cuidado já nem sabemos quem é quem.
Algumas músicas da banda sonora enervam-me profundamente. Por outo lado quem gosta do estilo Bjork vai adorar tanto a música como o filme, pois este é quase um videoclip de duas horas para o seu tipo de sonoridade.
 
 
E pronto agora que estão avisados, deixem-me parafrasear por momentos o site oficial e contar-lhes algo sobre o filme.
Ao contrário do que costumo fazer vou dar bastante detalhes sobre o argumento, mas não precisam agradecer-me, pois até o site oficial faz exactamente o mesmo.
E não se preocupem com os *spoilers* porque se calhar é melhor partirem para isto com uma ideia mínima do que vão ver no ecran no meio de tanta Arte.
Se não quiserem saber exactamente sobre o que trata esta história e quiserem experimentar ver o filme sem saber nada sobre ele podem parar de ler este texto, aqui.
 
[“All About Lily Chou-Chou“],
 
Yuichi Hasumi vive com a sua mãe, o namorado dela e o filho deste numa aldeia rural do interior do japão.
Na escola é atacado constantemente pelos colegas e para escapar dos seus problemas, refugia-se no seu mundo próprio ao som da sua cantora favorita, uma super-estrela nipónica ao estilo de Bjork de seu nome Lily Chou-Chou, que é venerada quase como uma deusa pela sua legião de fãs.
Yuichi vive fechado no seu quarto uma existência paralela online no site dos fãs de Lily Chou-Chou que ele criou e do qual é o webmaster comunicando através do nick  – “Philia”.
Um dia “Philia” encontra no site outro fã de Lily, chamada “Blue Cat” e nesses espaço virtual nasce uma amizade.

Seguidamente o filme volta atrás um ano.
Yuichi Hasumi ainda nao conhece a musica de Lily Chou-Chou e vive um bom periodo da sua infância,
entrou para o liceu e um dos seus colegas é Hoshino um excelente aluno. Ambos ficam amigos quando aderem ao clube de esgrima-kendo e depois de muitas peripécias políticamente incorrectas decidem fazer uma viagem até Okinawa onde pretendem passar umas férias á beira mar onde tudo corre bem até ao dia em que Hoshino quase se afoga e o ambiente parece mudar de um momento para o outro. Como se não bastasse os dois são depois espectadores de um trágico e sangrento acidente de automóvel que se torna num prenúncio dos tempos negros que se aproximam.

Começa um novo ano e todos estão mais velhos.
Hoshino mudou de personalidade , derrota o fanfarrão agressor da escola e torna-se ele o chefe de um gang desprezando a sua antiga amizade com Yuichi pois abusa psicológicamente dele constantemente também.
Chega o ano 2000 e ambos fazem 14 anos.
Yuishi está no 8º ano mas ainda tem que dar constantemente dinheiro a Hoshino a troco dele não o tratar mal e para isso rouba diariamente, comentendo pequenos furtos por onde pode.
Isto porque Hoshino controla tudo e todos á sua volta com a sua crueldade adolescente. Um dia ordena A Yuishi que siga Shiori Tsuda, uma adolescente da escola que também há muito é uma vitima de Hoshino sendo forçada por este a aceitar “compensated-dating” com homens mais velhos a troco de dinheiro.

Yuishi é portanto encarregado por Hoshino de a vigiar e controlar o dinheiro que a adolescente ganha nesta forma semi-legítima de prostituição juvenil no Japão.
Apesar da sua submissão á crueldade de Hoshino, a rapariga Shiori Tsuda é tambem uma aluna excelente e optima pianista mas no entanto com um passado obscuro pois tambem já tinha sido antes abusada por outro colega anterior ao estilo de Hoshino.

 
A solidao e os dias de escola sufocantes são o dia-a-dia destes adolescentes maltratados pelos próprios colegas e aos poucos a realidade torna-se sofucante. Apenas no website dos fãs de Lily Chou-Chou anónimamente e por detrás dos seus nicks virtuais estes jovens conseguem falar do que lhes aflige e confessar os seus problemas.
Yuishi/”Philia” confessa que se tentou matar um dia mas não foi capaz e “Blue Cat” diz que também passou por isso. Em comum o facto da música de Lili Chou-Chou os ter ajudado a curar a dor e ambos tal como a restante legião de fãs da cantora veneram-na de uma forma religiosa quase doentia afirmando que ela é a personificação do “Ether”, algo indistinto mas divino que simboliza tudo o que é belo e perfeito e que segundo os fãs está presente nas músicas da cantora, sendo a única coisa que os faz ainda querer viver.
 

Dezembro, vai haver um concerto especial de Lily Chou-Chou próximo da localidade e todos os fãs se encaminham para lá em profundo extase religioso, incluíndo “Philia” e “Blue Cat” sem saberem que a tragédia os aguarda.

 
[“All About Lily Chou-Chou“],   Fim dos *Spoilers*
 
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Resumindo, é isto que poderão acompanhar em [“All About Lily Chou-Chou“],  embora o filme e a história contenha muito mais e seja um argumento extremamente detalhado.
Essencialmente isto é cinema-de-autor japonês e como já disse poderá ser algo que vocês irão detestar profundamente, mas por outro lado, se entrarem no espírito a verdade é que encontrarão aqui uma obra única dentro do cinema mundial e que ilustra como nunca o problema do bullying, da solidão juvenil no japão moderno e da alienação do mundo exterior.

[“All About Lily Chou-Chou“],  tem não só um conceito diferente para um filme sobre adolescentes, como ainda por cima a origem deste projecto não podia ter sido mais original.
Senão vejamos, a certa altura o realizador do filme, muito antes do projecto sequer estar totalmente pensado, em jeito de experiência criou na internet um website para uma cantora fictícia chamada Lily Chou-Chou que incluia música composta por uma incógnita artista real japonesa.
Fazendo-se passar por vários utilizadores, o realizador começa a deixar na página várias mensagens de fãs ficticios da cantora inexistente.
A coisa inesperadamente pegou, e de um dia para o outro o site recebe inúmeras mensagens de adolescentes reais que discutem tudo á volta de uma personagem que aparentemente ninguém consegue descobrir quem é ou porque supostamente será tão famosa.
Por acaso um dia surge numa das mensagens reais a palavra “Ether” e logo toda a gente começa a discutir o seu significado, a sua ligação á cantora, ás suas vidas, etc. Exactamente como é apresentado no filme que conta precisamente com as verdadeiras mensagens reais enviadas para o site ilustrando a veneração por Lily Chou-Chou.
Eis que o realizador do filme, continuando a fazer-se passar por mais um fã, introduz na conversa outro facto fictício dizendo que uma fã foi assassinada e imediatamente todos os users começam a especular sobre quem terá sido o responsável e de que forma isso afectará a cantora.

 
E lembrem-se, tudo isto á volta de uma pessoa que nunca existiu. Nesta altura já o realizador daquilo que viria a ser o filme [“All About Lily Chou-Chou“],  tinha uma boa mão cheia de ideias para a sua história sobre adolescentes e o rumo que esta tomou acabou precisamente por ser ditado pelas narrativas dos verdadeiros fãs que compulsivamente frequentavam o site mesmo sem nunca ninguém ter tido na mão qualquer prova que a cantora existisse.
Subitamente o message board foi fechado pelo realizador, deixando toda a gente no Japão á deriva.

Com o material obtido nesta experiência verdadeiramente sociológica, foi criado o primeiro esboço do argumento do filme, mas apenas ainda na forma de uma novela que depois acabou por ser publicada ao longo de trés meses numa revista japonesa criando uma enorme publicidade á volta do conceito, o que depois levou a que o message board do site “oficial” de Lily Chou-Chou fosse re-aberto e as histórias de experiências traumáticas adolescentes voltassem a aparecer o que permitiu que o argumento fosse depois escrito á volta de tudo isto, dando origem ás situações que encontram agora no filme e que segundo consta são perfeitamente baseadas em narrativas reais.

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A Lily Chou-Chou mania chegou ao ponto de quando durante a produção do filme, o realizador precisou de encher um estádio para um concerto da cantora que nunca existiu, todos os figurantes presentes nessas cenas foram escolhidos precisamente entre os utilizadores do website da cantora ficticia que inicialmente foi criado pela produção.
E muitos deles pensando ainda inclusivamente que a cantora existia mesmo, tendo-se tornado inclusive verdadeiro Otaku em redor de uma artista que nunca existiu.
É caso para dizer, só no Japão meus amigos !
Resta só dizer que o filme apesar de todo o seu experimentalismo foi um sucesso não só de público no Japão como principalmente de crítica a nível mundial onde é quase tão venerado pelos críticos como Lily Chou-Chou o é pelos seus Otaku hoje em dia.
 
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NOTAS ADICIONAIS
 
Trailer
Á falta de um trailer, podem espreitar o início do filme pois dá perfeitamente a ideia do seu estilo.
http://www.youtube.com/watch?v=OJFYDTFQHlo

Comprar
A edição que eu tenho é esta.
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7j-49-en-15-all+about+lily-70-cmv.html
Não trás mais nada além do filme, mas técnicamente está muito boa e além do grafismo da capa ser elegante trás ainda um pequeno folheto com as notas explicativas que puderam ler reproduzidas acima nesta review.

Site oficial
http://www.lily-chou-chou.jp/

 
 
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E se gostaram deste não vão querer perder:
 
 
 
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