Wai dor lei ah yut ho (Dream Home) Ho-Cheung Pang (2010) China


Os Chineses reinventaram o slasher-movie !
Quando eu pensava que nada já haveria para fazer neste género eis que me surge pela frente uma coisa como esta.
Bem-vindos a [“Dream Home“] provavelmente o primeiro filme de terror sobre a crise imobiliária alguma vez produzido.
Digam-me lá que nunca sonharam com um apartamento localizado num sitio como este abaixo ?

Eu odeio Slashers.
Nunca percebi a piada daqueles filmes em que um gajo com uma faca limpa um a um os personagens da história cortando-os ás fatias e é um género que sempre me deu sono.
Nunca percebi a importância de “Halloween” de John Carpenter e filmes como “Sexta Feira 13” se me conseguirem manter acordado só me dão vontade de pegar numa faca e xinar os autores do produto também. E a isto nem “Psycho”  escapa.
Este tipo de filmes nunca me interessaram de todo, nem que fossem consideradas inovadoras obras primas do cinema pois estou-me borrifando para uma suposta cinéfilia obrigatória.

Por outro lado não tenho nada contra adolescente boas em t-shirts molhadas a serem esfaqueadas por ordem de entrada mas sinceramente sempre achei os slashers das coisas mais desinteressantes alguma vez produzidas pelo cinema pois não me recordo de alguma vez ter sentido qualquer suspanse ao ver um titulo do género na sua fórmula americana adolescente mais pura.

Por isso agora [“Dream Home“] surpreendeu-me bastante.
Primeiro não estava nada á espera que este filme fosse um slasher-movie, pois fui vê-lo sem saber nada sobre ele e estava convencido que seria algo semelhante a “Dark Water” ou uma simples história de fantasmas passada em apartamentos assombrados.
Quando o filme entra logo nos primeiros minutos pelo puro slasher-filma dentro fiquei bastante surpreendido e ainda mais surpreendentemente, desde o primeiro massacre nunca mais consegui desviar a atenção desta história pois tudo parecia por demais bizarro e estranhamente cativante.

[“Dream Home“] não é propriamente um filme normal sobre psicopatas. Esqueçam o “Psycho”, o Jason ou até o Hannibal Lecter. A tipa deste filme deve ser o melhor psicopata de todos os tempos pela forma aparentemente arbitrária como despacha com naturalidade e simplicidade todas as pessoas que se intrometem entre ela e o seu sonho de poder comprar um apartamento com vista para o mar em Hong Kong.
Nota alta para a actriz principal e para um personagem tão cativante quanto repulsivo que alterna algures entre uma normalidade a explodir de frustração e o carrascos mais sádico que vocês poderão alguma vez ter visto desde “Audition“; curiosamente outra mulher aparentemente simpática.

A história acaba por ser cativante porque pelo meio da carnificina, na verdade [“Dream Home“] é um drama num formato episódico onde por entre flash-backs que nos explica porque razão a miuda decide limpar o sebo a tudo o que mexe num bloco de apartamentos inteiro, ainda há espaço para um estilo de filme que tem muito pouco a ver com o que esperariamos encontrar num slasher-movie.

Na verdade não há muito mais para dizer sobre isto. É um filme totalmente claustrofóbico e torna-se fascinante porque é realmente um filme de terror baseado na crise económica o que lhe dá uma actualidade bem divertida e talvez por isso até muita gente na net classifique este filme como comédia negra. A mim não me deu grande vontade de rir, mas se calhar foi porque estava demasiado espantado com a originalidade de todo o conceito e demasiado arrepiado com mulheres grávidas a esvairem-se em sangue e asfixiadas com aspiradores em modo de sucção…

Sim, porque não se esqueçam que isto é um filme de terror. E terror que funciona não só porque mete nojo enquanto filme gore, mas porque realmente a atmosfera da história e a própria caracterização da personagem principal muito contribuem para que depois as cenas com tripas e baldes de sangue ainda nos pareçam mais angustiantes.
Se gostam de cenas de tortura completamente indiscritíveis têm aqui o vosso melhor filme a seguir talvez a “Ichhi The Killer” e, claro, “Audition“.

E se pensam que já tinham visto tudo no que toca a cenas de tortura e banhos de sangue, se calhar é porque ainda não viram [“Dream Home“]. O impacto não está propriamente no gore , mas sim na parte psicológica que o envolve o que torna este filme numa história completamente eficaz que os vai arrepiar e confundir.
Confundir porque ás vezes irão ficar sem perceber o que raio se pode passar mais a seguir e como poderão as próximas cenas de tortura poderem vir a ser ainda mais angustiantes do que a anterior.
Isto porque o filme abre logo bem nesse aspecto. Mal a primeira cena de tortura com o segurança apareceu, percebi logo que [“Dream Home“] tinha qualquer coisa de muito especial e até original que felizmente soube manter até ao fim.

Há de tudo nisto, espancamentos, droga, sexo oral, sexo kamasutrico, meninas orientais nuas, mulheres grávidas que se esvaiem em sangue, adolescentes cortados aos bocados com tripas para fora, tiros na cabeça, castrações á faca, penis decepados em grande plano, mais sexo, tábuas pela nuca, etc, etc, etc num manancial de horrores físicos em tom totalmente doentio que não se recomenda de todo a quem se impressiona com este tipo de cenas ou tem estômago fraco.

E parece que também tem comédia. Dizem.

——————————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO:

Provavelmente não irei voltar a ver isto tão cedo, mas não há dúvida que estamos na presença de um produto de horror bem original e muito eficaz.
Não só é um excelente filme gore de terror, um óptimo e muito original slasher-movie (quem diria…) mas ainda tem espaço para ser um drama eficaz que embrulha bastante bem todo o horror á volta da personagem principal que na verdade só quer que lhe deixem comprar uma casa nova aproveitando a crise do mercado.
Sendo assim, não posso deixar de lhe dar cinco tigelas de noodles pois pode não ser um daqueles que nos apeteça ver mais do que uma vez, mas enquanto dura vai mantê-los interessados, horrorizados e fascinados.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg

A favor: a personagem principal é fantástica, as cenas de tortura são angustiantes e cheias de momentos surpreendentes, tem sangue e visceras que nunca mais acabam, boa atmosfera e excelente utilização dos cenários para criar suspanse. Parece que foi baseado num caso real…bolas, bolas, bolas !!!
Contra: estranhamente o filme nem tem 100 minutos sequer mas pareceu-me ter duas horas no mínimo por isso há algo que falha a nível narrativo e talvez o drama precisasse de ter sido apresentado de uma forma mais dinâmica.

——————————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=o4dD1Fvw6XI

Comprar
Baratinho na Amazon Uk em DVD.

Download aqui com legendas em PT/Br

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1407972/

——————————————————————————————————————

Filmes semelhantes de que poderá gostar:

 

——————————————————————————————————————

Kim Bok-nam salinsageonui jeonmal (Bedevilled) Chul-soo Jang (2010) Coreia do Sul


Quando eu me preparava para ver apenas mais um exploitation movie daqueles bem chungas em que uma tipa limpa com uma foice metade de uma aldeia eis que apanho uma das surpresas do ano no que toca a cinema oriental.

Já conhecia o filme pelo nome há algum tempo, mas nunca tinha visto sequer o trailer ou lido qualquer review sobre ele e portanto parti para [“Bedevilled“] completamente ás escuras, apenas porque não tinha nada de particularmente interessante para ver no momento e apetecia-me ver um filme de porrada e carnificina japonesa para descomprimir e que não me fizesse pensar muito para além de contar o numero de braços decepados ou cabeças rolantes.
Essencialmente estava com vontade de ver uma comédia e não pedia que este filme fosse algo mais do que um grande mau-filme ao pior estilo série-b oriental, pois estava plenamente convencido que o era.

Acontece no entanto que ainda [“Bedevilled“] mal tinha começado e muito para minha surpresa já eu não conseguia tirar os olhos do ecran.
A personagem pricipal dava-me cabo dos nervos, mas os pormenores da história pareciam cada vez mais cativantes a cada cena que passava e  dei por mim a pensar que se calhar este filme era bem capaz de ser bem mais interessante do que parecia á primeira vista.
Quanto mais não fosse porque em meros minutos conseguiu criar logo suspanse de cortar á faca e ainda por cima construiu um personagem com carísma suficiente para deixar qualquer espectador intrigado. Até porque não percebemos bem se gostamos daquela gaja ou não e por isso temos mesmo de continuar a ver.

De repente aquilo que começa quase como um qualquer thriller policial  entra por um registo diferente e o filme muda para um cenário rural que nada parece ter a ver com o que se passou nos primeiros dez minutos e damos por nós a perguntar o que raio vai acontecer a seguir em [“Bedevilled“] e qual será a direção da história. O que é bom.
Há que dizer que apesar de todo o ambiente rural bucólico que nos aparece pela frente, há qualquer coisa na própria realização do filme que aponta para uma atmosfera claustrofóbica. Não só os próprios enquandramentos até nos exteriores parecem sempre algo contidos como logo se percebe na história que a claustrofobia também será psicológica para condizer com tudo o resto e contrastar totalmente com o ambiente rural em estilo mundo perdido onde tudo se passa.

E de um mundo perdido é aquilo que essencialmente [“Bedevilled“] trata no fundo.
Um mundo perdido daqueles que ainda hoje existe em muitas partes do globo terrestre onde os valores conservadores ultra tradicionais e comportamentos morais que quase se podem considerar primitivos, ainda fazem parte do dia-a-dia de muita gente em muitas comunidades rurais isoladas  onde a mulher ainda é vista como uma espécie de gado.

Portanto, se procuram um filme que constroi todo o suspanse com base nos extremos a que a condição humana pode chegar e nos comportamentos que podem ser atribuidos a tradições quase das cavernas, [“Bedevilled“] é o vosso filme.
Na aldeia bucólica vão encontrar de tudo; escravidão, violência doméstica, violações, prostituição, pedófilia, pedófilia com incesto, crueldade social e todo o tipo de violência fisica e psicológica que só os orientais poderiam colocar num filme e ainda por cima fazê-lo de forma convincente, aterradora e completamente cativante no sentido cinematográfico.

Não porque este seja um grande filme, mas porque soube como poucos pegar num argumento que tinha tudo para ser apenas chunga e quase pornográfico na forma como mostra a violência e no entanto dá-nos uma visão humana totalmente inesperada que nos agarra do primeiro ao último segundo.
Nem sequer se pode dizer que será um filme com vilões, pois até o mais desprezivel parolo desta história parece pertencer áquele lugar, o que automáticamente lhe dá logo uma carga dramática humanizada no sentido em que ninguém é caracterizado como uma besta só porque é mau, mas percebe-se que houve ali a intenção de tentar mostrar como pode o isolamento de uma comunidade presa a valores morais completamente afastados do mundo moderno contribuir para criar pessoas para quem a crueldade é apenas a sua forma de vida. Como alguém diz no filme, não há nada de anormal nas pessoas da ilha porque a vida é mesmo assim.
É esta “normalidade” que acaba por ser a coisa mais assustadora deste argumento.

[“Bedevilled“] é um daqueles filmes com um argumento tão bem apresentado que nem nos lembramos que o realizador existe, o que pode criar á partida aquela ideia de que não há nada de especial com esta obra quando no entanto se calhar está aqui uma das suas grandes mais valias.
O realizador “apaga-se” totalmente para deixar as personagens respirar…ou neste caso, violar, gritar, gemer, chorar ou pior ainda,- ignorar- e dar-nos cabos dos nervos a cada segundo de tensão que passa.
Não encontrarão em [“Bedevilled“] um daqueles filmes com imagens inesquéciveis; com excepção talvez da inesperada imagem da ilha que fecha com chave de ouro uma história que foi muito além do que seria de prever e que tem a ver directamente com o enquadramento imediatamente anterior com a actriz protagonista.

Também não encontrarão uma montagem , digamos, “moderna”. Nem sequer nas sequências de gore ou acção que compõem o climax do filme o que o torna ainda mais surpreendente.
Todo o filme é construido com base numa estrutura perfeitamente clássica e sem recurso a grandes inovações estilisticas ou sequer estilizadas e como tal também é um bom antídoto para quem procura um titulo oriental moderno que não tem pretenções a estilo Anime e sabe contar uma história da forma mais tradicional possível sem recorrer a montagens podres de chiques ou designs arrojados em modo gráfico histérico. [“Bedevilled“]  não necessita de nada disso para ser arrepiantemente eficaz e nos dar cabo dos nervos a cada segundo que a sua história avança em direcção ao sangrento desenlace.

Para quem como eu apenas esperava encontrar apenas um banho de sangue e cabeças abertas com uma montagem estilosa em estilo Anime fiquei bastante surpreendido até na forma como o gore e o sangue é usado nos ultimos 40 minutos de filme. Mantendo-se fiel á estrutura do resto do filme até então, também no apocaliptico e totalmente entusiasmante acto final desta história ultra violenta o suspanse é totalmente controlado de uma forma eficaz e [“Bedevilled“] não entra apenas em modo gore com sangue aos litros mas equilibra toda a tensão com a própria carga dramática que foi construindo á volta dos personagens, (muitas vezes até sem o espectador se ter apercebido).

O que não quer dizer que o filme não tenha um genial banho de sangue no final, porque tem. Quem gosta de decapitações com foices vai curtir [“Bedevilled“] até ao último segundo.
No entanto a grande força do filme está não na violência e no acto final, mas principalmente na forma como usa tudo isso para construir personagens excelentes com particular destaque para as duas protagonistas.

A personagem da tipa toda coquete que nos dá cabo dos nervos é a chave do desenvolvimento dramático em todo o filme e o registo contido da própria interpretação da actriz poderá até parecer mais apagado do que o que se torna evidente na outra protagonista que é alvo de todos os abusos ao longo da história, mas ambas têm um trabalho fantástico que equilibra as duas prestações e contribui em muito para que a tensão da história a partir de certa altura chegue a níveis quase insuportáveis.
Se gostam de filmes em que lhes apetece mandar qualquer coisa contra o televisor, não percam este.
Ainda por cima é um daqueles titulos que compensa plenamente o espectador até ao último segundo por ter acompanhado aqueles personagens que ficam na memória.

Curiosamente devido ao seu tom de extrema violência fisica e psicológica, notei que o filme é algo menosprezado em algumas reviews por o considerarem demasiado exagerado no que toca ao que acontece á rapariga que é abusada e maltratada por toda a aldeia. Muita gente parece achar que algo assim seria impossível nos nossos dias.
Apenas como nota curiosa, posso garantir-vos que o tipo de pensamento e o tipo de tratamento social de extrema crueldade pela parte que me toca ainda estava bem vivo bem no interior do meu Portugal há alguns anos atrás.
Por incrivel que vos pareça, a minha mulher há 17 anos a quando de um anterior casamento que a “raptou” literalmente para as brenhas interiores do distrito de Viseu numa aldeia totalmente isolada, passou por situações tão extremas quanto muitas das coisas que poderão ver representadas neste filme e pelo que ela me relatou, só não acabou por ter a mesma reacção que a protagonista de [“Bedevilled“] porque tinha o filho ainda bébé e conseguiu fugir uma noite de volta para o Algarve escondida de tudo e todos, inclusivamente dos familiares do marido que tinham exactamente a mesma forma de pensar que poderão agora encontrar representada nos personagens das velhas senhoras da aldeia deste fabuloso argumento sul-coreano.

Por isso meus amigos, para quem duvida que este tipo de situações e de aldeias apresentadas no filme realmente possam existir, eu garanto-vos que ainda haverá certamente por este Portugal fora, muito local onde os primos casam com as manas e a tias e o cruzamento de genes não ajudará muito á própria evolução cerebral de certos habitantes. Isto aliado a velhas tradições machistas como as que se podem ver neste filme, (entre marido e mulher não se mete a colher/a mulher tem que fazer o que o marido manda / ir ás putas é de homem, a mulher se apanha nos cornos é porque fez alguma coisa errada, etc), de vez em quando dá numa daquelas notícias em que uma mulher se passa e abre uns buracos no marido com a faca de cozinha.
Por isso podem ter a certeza do que lhes digo [“Bedevilled“] não é de todo um filme exagerado. Vão por mim.

Posto isto, o que posso eu dizer mais sobre este fantástico thriller de suspanse sul coreano extremamente intenso ?
Primeiro não parece um thriller de suspanse, mas também não é um drama própriamente dito. Tem momentos mais arrepiantes que muitos filmes de terror daqueles assumidos mas também não será um filme de terror apesar das decapitações e baldes de sangue. Não será uma aventura, mas vocês passarão toda a parte final a torcer pela protagonista.

Não será um filme erótico, mas tem mais sexo do que seria de esperar embora muito violento mesmo; o que me surpreendeu bastante porque não é algo habitual no cinema oriental e em particular do Japão ou Coreia do Sul mais mainstream.
Aliás, não me lembro de ter visto até agora um filme com uma tensão sexual tão grande quando a que está presente em [“Bedevilled“] e isto de várias formas que os irá deixar em tensão total. Eu disse, tensão.

Não só as cenas de sexo pela sua violência quase que nos parecem explicitas como depois há uma carga dramática envolvendo uma espécie de história de amor lésbica não assumida ao longo de alguns momentos chave nas caracterizações das personagens principais. E isto para nem falar na tensão á volta da pedófilia que está absolutamente arrepiante, pois também aqui mais uma vez o realizador parece que nem lá está e deixa a situação falar por si.

Fiquei muito surpreendido com [“Bedevilled“] e não estava nada á espera disto.
Não será um filme a rever tão cedo, embora continue a não me sair da memória e já o vi há dias atrás; nem será se calhar uma obra prima do cinema ou particularmente um grande filme. Por outro lado se calhar até é.
A verdade é que não lhe consigo apontar qualquer falha relevante pois tudo o que faz, faz muito bem e acima de tudo mantem o espectador agarrado do primeiro ao último minuto com personagens excelentes e uma tensão constante que culmina num final inesquecível, onde ainda há espaço para pequenos pormenores e um par de twists inesperados no epílogo fechando tudo da melhor maneira possível.

——————————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO:

Já disse tudo no texto acima, mas basta só realçar mais uma vez que isto foi a surpresa do ano pois não estava nada á espera que me saísse um filme assim.
Um filme completamente inclassificavel que passa por vários géneros e mistura-os de uma forma fantástica criando uma história cheia de personagens memoráveis com um desempenho extraordinário por parte das protagonistas, nomeadamente a rapariga que é maltratada pela comunidade. O argumento é excelente na forma como liga todos os pormenores invisiveis do filme e como nunca deixa o espectador respirar um segundo , mesmo isto sendo um filme relativamente calmo que não agradará de todo a quem estiver á espera de um filme de terror com psicopatas ou apenas á procura de uns baldes de sangue.
Um grande filme mais pela sua eficácia do que propriamente por ficar na memória cinéfilamente falando.
Fantástico e totalmente recomendado a quem quiser ver um filme de vingança inesquecível e cheio de carísma com sexo e sangue quanto baste. O cinema Sul Coreano continua vivo e de boa saúde até quando não faz filmes de amor fofinhos.
Só quero ver os americanos terem coragem para fazer um remake disto !
Cinco tigelas de noodles e um golden award porque vai deixá-los – on the edge of your seats – garanto-vos.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg gold-award.jpg

A favor: a originalidade da estrutura da história, a frieza e a coragem de se escrever uma história assim, os personagens e as incriveis interpretações especialmente da actriz principal, a tensão sexual da história, a forma como se move entre géneros sempre de forma coerente, a tensão de roer as unhas a cada minuto que passa, os ultimos 40 minutos são fantasticos, montes de sangue também, optimo final, o realizador apaga-se e deixa a história falar por si.
Contra: pode ser demasiado calmo para quem procura um thriller ou um filme de terror apenas.

——————————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS

Trailer
NOTA: NÃO VEJAM O TRAILER ANTES DE VEREM O FILME.
*Contem SPOILERS* que nunca mais acabam !
http://www.youtube.com/watch?v=eBq0SLWNF-E&feature=related

Comprar
Em Bluray ou então em DVD baratinhos na amazon.uk

Download aqui com legendas em PT/Br

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1646959

——————————————————————————————————————

Se gostou, poderá gostar de:

——————————————————————————————————————

Koroshiya 1 (Ichi the Killer) Takashi Miike (2001) Japão


Fartei-me de rir com este filme o que só demonstra o quanto eu devo ter um grave problema mental.
Por outro lado, não deve ser tão grave quanto o do realizador Takashi Miike pois quem cria uma coisa destas terá certamente um ou dois probleminhas por resolver…
Bem-vindos a [“Ichi the Killer“] provávelmente o filme mais inclassificável de todos que referi até agora neste blog.

É tão inclassificável que a minha própria classificação não tem lógica nenhuma.
Como podem ver atribuí-lhe “apenas” quatro tigelas de noodles apesar de eu continuar a achar que isto deverá ser uma verdadeira prima de…qualquer coisa e um dos melhores filmes de Takashi Miike. Isto para não dizer que será possivelmente um dos filmes mais violentamente doentios de todos os tempos mas também um dos mais nojentamente hilariantes que alguém já teve a lata de filmar.

[“Ichi the Killer“]  é daqueles que não conseguimos tirar os olhos do ecran porque além de estarmos horrorizados, não acreditamos no que estamos a ver e é tão extremo que se torna totalmente cartoonesco, pois o horror e o nojo chegam a tais extremos que a partir de certa altura só conseguimos desatar a rir.
Atinge uma fronteira de mau gosto tal que subitamente o filme ganha contornos de animação do Road-Runner-vs-BiBip.

Tinha comprado o dvd disto há anos em promoção na FNAC (edição Pt) e foi mais outro daqueles que estava na minha prateleira a ganhar pó á espera de oportunidade para ser visto; o que é o mesmo que dizer que estava á espera que eu estivesse com disposição para ver gente cortada aos bocados em ambiente extremo.
Apesar de eu nem sequer me impressionar particularmente com filmes gore, ser grande fã do “Evil Dead” e ter até achado bastante piada ao “Hostel” entre outros títulos do género, a fama de [“Ichi the Killer“] intimidava-me. Além disso, também é um filme sobre máfias e Yakuzas e portanto a temática também não me dizia grande coisa pois não acho grande piada a filmes de gangsters e portanto nunca me tinha apetecido ver o dvd até há um par de dias atrás.

Como tinha acabado de ver o fabuloso e ultra fofinho “Sky of Love”, achei que o contraste perfeito seria espreitar agora [“Ichi the Killer“] pois gosto de espreitar títulos diferentes, até para poder manter por aqui alguma variedade de recomendações, mas nada me preparava para isto.
Para começar, estava á espera de encontrar muito sangue…mas não desta maneira completamente indiscritível. Também estava á espera de me aborrecer de morte com outra história sobre Yakuzas, patrões do crime e guerras entre gangs e acabei por me fartar de rir com as suas aventuras.
Se bem que “aventuras” não será propriamente o termo correcto por aqui, mas de uma certa maneira designa perfeitamente o sentido de humor em que se movem todos estes personagens que têm tanto de repugnante como de fascinante e hilariante.

[“Ichi the Killer“] tem tanto sangue, tanta tripa, tanta viscera, tanta violência gratuita e acima de tudo tanta, mas tanta tortura inacreditável que rebenta a escala daquilo que seria o mau gosto e passa automáticamente para um universo cartoon. Ou melhor…[“Ichi the Killer“] é o melhor equivalente ao Happy Tree Friends que poderão alguma vez encontrar numa versão cinematográfica.

É doentio como o raio, tem cenas de tortura que fariam os censores americanos se agarrarem ás Biblias para excomungar Takashi Miike da face da terra se pudessem e este meus amigos, posso garantir-vos que não irá ter um remake americano, pois até qualquer “Saw” é um filme verdadeiramente ingénuo e infantil ao pé disto.
Embora “Hostel” tenha andado lá perto, (inclusivamente conta com o próprio Takashi Miike como actor na pele de um sádico), não deixou de ter aquele ambiente americano de Hollywood e como tal há sempre um distanciamento entre o espectador e o filme.
Desafio alguém a ver [“Ichi the Killer“] e a lembrar-se que apenas está a ver efeitos especiais ! Brrrr !

[“Ichi the Killer“] não só é sangrento e visceral como raio, mas acima de tudo é extraordináriamente politicamente incorrecto, especialmente no que toca a cenas relativas a maus tratos a mulheres. Tem duas cenas de espancamento e tortura de prostitutas que se calhar se vocês forem mulheres…é melhor não verem este filme, pois isto é mesmo muito doentio. Desde mamilos arrancados com ganchos a mamas cortadas com facas, violações, espancamentos sem sentido, tudo é usado neste filme para ainda chocar mais o espectador.
No entanto, se conseguirem aguentar, o final de tanta violência é sempre tão cartoon que de repente tudo parece deixar de ser tão horrorizante assim e como já disse, isto é mesmo o melhor equivalente ao Happy Tree Friendsque poderão encontrar pela frente.

[“Ichi the Killer“] consegue usar a violência e a tortura para definir os próprios personagens, mostrar o seu estado de espirito e delinear personalidades. Conta com inúmeros personagens mas todos eles muito bem definidos e com o seu momento para brilhar. Seja a torturar alguém ou a ser torturado, cortado aos bocados, violado, espancado, decapitado, sangrado até á morte ou até mesmo colocado dentro de um televisor e espetado com agulhas de crochet ?)…

Parece que isto é já a segunda adaptação de um Manga de culto para cinema e embora da primeira ninguém tenha ouvido falar particularmente, seria impossivel [“Ichi the Killer“] ter passado despercebido nesta nova aventura. Eu imagino os protestos que isto deve ter gerado e o horror e indignação que deve ter causado por esse mundo fora. Especialmente nos Estados Unidos deve ter sido lindo !
Este é o tipo de filme que o Borat devia ter levado para projectar no meio de uma assembleia evangélica americana algures lá no Montana ou algo assim. Eu pagava para ver.

[“Ichi the Killer“] conta a típica história de rivalidades entre gangs de Yakuzas, só que vocês nunca viram vinganças como as que estão neste filme, isso garanto-vos. Essencialmente o chefe de um dos bandos desapareceu com uma pipa de massa e então o tipo mais sádico do gang começa a torturar tudo e todos na busca dessa pessoa ou de quem lhe terá limpado o sebo.

Entretanto, ficamos também a conhecer o Ichi, um tipo simpático, muito boa onda com um grave problema emocional e um sentido erótico algo perigoso que tem a mania de se masturbar enquanto vê prostitutas a serem espancadas ou violadas e tem por hobby cortar pessoas aos bocados com umas lâminas que tem acopladas nos sapatos. Muitas vezes sem querer…mesmo nas cenas de sexo oral…
Como podem ver isto é mesmo para rir, embora não seja propriamente uma comédia familiar. Ou se calhar até é.
Pensando bem…não há ninguém minimamente normal nesta história…

Portanto vejamos…por ordem…mulheres torturadas, masturbação, espancamento de prostitutas, gajos nús pendurados por ganchos a sangrarem no meio de uma sala, auto-mutilação de lingua em grande plano, sado-masoquismo e erotismo quanto baste, decapitações, pessoas cortadas ao meio literalmente de uma ponta a outra, pessoas cortadas ao meio de lado, pessoas cortadas ao meio de outras formas, decapitações, um gajo colocado dentro de uma TV e espetado com agulhas, sexo oral seguido de decapitação, sangue a jorrar da cabeça, sangue a jorrar da barriga, sangue a jorrar do pescoço, pernas decepadas, gajos esmagados, tripas a voar, rostos esfacelados e a escorrerem por paredes a sorrir, criancinhas abusadas, momentos de bullying infantil, violações de adolescentes, atrasados mentais, hipnotismo e um anti-heroi com um grande sorriso á joker.
Não, a sério, [“Ichi the Killer“] tem mesmo partes para rir … a sério. Voltem !!

E já agora…este meu texto é sobre a edição Portuga em DVD que descobri agora para variar está cortada e censurada pois foi baseada na edição internacional com os cortes da BBFC inglesa.
O que quer dizer que se o que eu vi foi uma versão censurada…agora é que tenho mesmo que ver a ver integral pois nem consigo imaginar o que poderá conter de ainda mais chocante !!!

——————————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO:

[“Ichi the Killer“] é uma obra prima de qualquer coisa. Se calhar não se nota pela minha classificação mas isto é mesmo um filme fantástico…apenas me faz alguma confusão atribuir-lhe outra nota qualquer porque ainda nem sei o que pensar sobre tudo isto. De momento só posso dizer que [“Ichi the Killer“] é mesmo muito bom, pois consegue através de cenas de violência extrema construir personagens crediveis dentro do próprio universo da história e isto é mais do que se pode dizer em alguns outros filmes mais ambiciosos.
Se o vosso sentido de humor for suficientemente dark para conseguirem perceber todo o nonsense por detrás disto, vão adorar pois é realmente brilhante e totalmente despropositado. Faz lembrar muitos dos momentos gore presentes nalguns sketches clássicos dos Monty Python mas executados técnicamente de uma forma realística.
Quatro tigelas de noodles por agora, mas certamente irei aumentar isto quando vir a versão completa. Em breve digo aqui mais qualquer coisa.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg

A favor: tudo. Acho que este filme não tem qualquer falha naquilo a que se propõe fazer, choca como o raio não só psicológicamente como visualmente, esquecemo-nos que estamos a ver efeitos especiais, tem um sentido de humor genial, parece um desenho animado do Happy Tree Friends“, a realização é excelente e percorre um sem número de estilos visuais ao longo da narrativa, consegue construir uma história interessante recorrendo apenas a cenas ultrajantes e chocantes, o Ichi é um tipo simpático.
Contra: é tão politicamente incorrecto que irá ofender mesmo muita gente que o levar a sério mas se calhar isto é uma virtude, não será propriamente o filme ideal para verem com a namorada…a não ser que sejam sado-masoquistas porque se assim for isto é intensamente romântico pois até cenas de sexo com violência consentida isto tem.

—————————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=coiVr5Pl4-s

Comprar
Não sei o que recomende, pois este filme tem tantas versões cortadas em dvd que não faço ideia de qual será a melhor opção. A portuguesa está cortada, mas podem explorar estas edições na Amazon Uk.

Donwload da versão integral não censurada com legendas em Inglés.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0296042/

——————————————————————————————————————

Filmes semelhantes de que poderá gostar:

 

——————————————————————————————————————

Ôdishon (Audition) Takeshi Miike (Japão) 1999


O facto de ir agora falar de  mais um filme que poderá ser classificado de terror é pura coincidência novamente e prometo que dentro em breve coloco aqui novidades dentro do cinema mais romântico. Por outro lado…[“Audition“] não deixa também fazer parte do género…por isso vamos a isto…
Desde que inaugurei o blog há um par de anos que a minha intenção sempre foi a de falar deste filme, mas porque na altura [“Audition“] era por demais falado por todo o lado achei melhor guardar esta sugestão para mais tarde.

O que eu gostava era de ter visto a cara de quem primeiro foi ver [“Audition“]  sem saber absolutamente nada dele !
Eu imagino o choque que devem ter apanhado na altura em que nem sequer o cartaz seria particularmente reconhecivel ou pelo menos passaria ao lado de muita gente.
Por isso agora, é pena que as próprias capas das edições dvd dêem logo a entender que isto não será propriamente um filme fofinho pois este é um daqueles titulos que certamente poderiam provocar ataques cardíacos a muita gente que chegasse até ele totalmente ás escuras.

Quando comprei o dvd muitos anos atrás, fi-lo sem querer saber nada sobre a história e apesar de ter uma ideia de que seria algo perturbante consegui no entanto partir para [“Audition“]  sem saber o que me esperava.
E resultou ! A primeira vez que vi este filme conseguiu dar-me mesmo, mas mesmo cabo dos nervos no melhor dos sentidos enquanto produto de tensão absoluta.
Por isso estou agora aqui a recomendá-lo também, especialmente a todos vós que gostam de emoções fortes.
Façam-me apenas uma coisa.

Se nunca prestaram muita atenção a [“Audition“]  ou não sabem nada dele, continuem assim e por favor nem sequer vejam o trailer.
Aliás, se nunca viram este filme, não sabem nada dele e pretendem vê-lo, então recomendo vivamente que parem de ler este texto neste preciso momento e só voltem cá depois de terem visto esta obra fascinante pois não me responsabilizo pelos *SPOILERS* que poderão vir a seguir.
Se ainda não viram o filme, vão vê-lo e voltem cá mais tarde.

Essencialmente estamos na presença de um titulo com uma estrutura muito interessante.
Começa quase como uma comédia romântica ao melhor estilo oriental e termina de uma forma que só visto mesmo para horror de todos aqueles que têm um coração fraco e pensavam que [“Audition“] seria mais um filme fofinho oriental muito romântico e positivo.

Atenção aos *spoilers* a partir daqui, mas há que contar um bocado desta história para poder dar uma ideia mais precisa daquilo que dá grande força a este filme.
Um produtor viúvo e com um filho pequeno, um par de anos após a sua mulher ter morrido de cancro, é convencido por um amigo a procurar uma nova relação para amenizar a sua solidão e ambos resolvem criar um casting para um projecto fictício apenas com o propósito de conhecer algumas raparigas e encontrar aquela que poderá ser a candidata perfeita a ganhar o coração do senhor.

Tudo isto é apresentado com uma atmosfera muito ligeira onde inclusivamente se inserem momentos de humor com sequências que não destoariam daquilo que se vê no pior dos candidatos aos “Idolos” na televisão e que são realmente divertidas. Nesta altura ainda não sabemos, mas isto é uma verdadeira armadilha á predesposição do espectador para depois Takashi Miike, lhe trocar as voltas mais tarde.

O plano dos dois amigos resulta. Encontram uma rapariga que aparenta ser perfeita para o solitário produtor e a partir daqui [“Audition“] entra por um registo de comédia romântica não muito diferente do que estamos habituados dentro do cinema oriental.
Relação bonita, miuda fofinha quanto baste e tudo parece apontar que estejamos na presença de uma grande história de amor.

Tudo, menos uns interlúdios em por breves momentos se mostra o que se passa na casa da rapariga nas alturas em que está sózinha e que faz com que o espectador comece a ter dúvidas de que [“Audition“] seja própriamente o filme romântico que parecia á primeira vista…
Por outro lado, se isto não é um filme romântico o que raio é que o espectador pensa que poderá acontecer a seguir ?…
É este sentimento que Takashi Miike consegue criar no espectador e que faz com que a partir de certa altura já não consigamos tirar os olhos do ecran.

Por um lado queremos acompanhar a relação romântica dos protagonístas e torcemos para que o viúvo alcance a felicidade pois o senhor é apresentado como sendo uma óptima pessoa, por outro sentimos que há por ali um mistério que precisamos desvendar.
Quando a verdade é revelada já é tarde demais, tanto para o protagonista como para o espectador, ambos apanhados na teia de sedução da cativante miuda oriental e é aqui que o filme resulta.

Pessoalmente eu penso que esta rapariga deve ter tido sérios problemas em conseguir arranjar namorado por muito tempo depois de ter participado neste filme !
Por mais que a gente saiba que isto é ficção, eu consigo imaginar a cara do seu namorado na vida real assim a olhar para ela de lado só no caso de…nunca se sabe…

Se [“Audition“] começa de forma ligeira em tom de comédia romântica e vai aumentando de suspanse pelo meio, quando chega ao final torna-se num filme algo indiscritível.
Não porque mostre até muito, afinal há filmes visualmente mais arrepiantes do que este, mas o facto é que o clima de tensão e suspanse criado pelo realizador é tão elevado que  mais uma vez repito, isto não é um filme apropriado para cardíacos de forma alguma.

E tudo ainda se torna mais arrepiante precisamente porque  Takashi Miike não se esqueceu de nos apresentar o personagem principal como sendo uma pessoa excelente e que não merecia de forma nenhuma o que lhe cai em cima, o que cria automáticamente grande empatia com o público e triplica a tensão sem precisar sequer de recorrer a coisas mais chocantes para nos arrepiar.

O acto final de [“Audition“] é fantástico e não vão conseguir tirar os olhos do ecran torcendo para que tudo acabe bem até ao último segundo.
Curiosamente, até aí, o filme tem uma estrutura que o torna algo lento, quase próximo de um registo de cinema-de-autor , mas usa essa fórmula para ir criando tensão bocadinho a bocadinho sem dar a entender ao espectador que é isso que está a acontecer e portanto quando o caótico capitulo final acontece tudo parece ainda mais arrepiante.

Essencialmente [“Audition“] é um filme fantástico em vários sentidos.
Não é algo que nos apeteça rever muitas vezes, mas é um daqueles perfeitos para mostrar a amigos incautos, especialmente aqueles que nunca ouviram falar do filme.
Ah e se gostam de seringas, vão adorar !

Se quando virem isto andarem durante algum tempo a dizer . “kidikidikidikidikidi !” também não se admirem !
Brrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr !
Depois de [“Audition“] vocês vão desconfiar de todas as miúdas fofinhas na histórias de amor orientais, afinal, a gente sabe lá o que pode acontecer por aquelas bandas…

Só para terem uma ideia, parece que quando isto foi apresentado no Festival de Rotterdam em 2000 teve o maior número record de espectadores que abandonaram a sala antes do filme acabar e na estreia na Suiça um deles teve de sofrer assistência médica pois desmaiou durante a projecção ! Lindo !

——————————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO:
Um dos filmes de suspanse e terror mais eficazes que poderão ver e uma história que arrepia sem precisar de recorrer aos típicos clichés do género para nos assustar. Em vez de um filme sobrenatural , Takashi Miike arrepia-nos com uma “comédia romântica” ao seu estilo e é isso que faz com que vocês nunca tenham visto nada como [“Audition“].
É um daqueles filmes perfeitos para mostrar aos amigos que não suspeitarem de nada (ou para matarem parentes ricos do coração) embora o seu registo algo lento possa afastar muita gente desta obra prima da tensão porque não tem uma estrutura de cinema-pipoca a que estamos habituados no ocidente.
Não desistam e serão recompensados com um final absolutamente inesquecível que os fará olhar de lado para as vossas namoradas durante os próximos dias após isto…afinal, nunca se sabe meus amigos…nunca se sabe…
Cinco tigela de noodles por ser perfeito na sua execução e só não lhe dou mais um Gold Award em cima porque não é um filme que me apeteça muito estar sempre a rever…seria doentio…muito doentio…embora isto para muita gente possa até ser considerado uma comédia…malucos.

A favor: quem não conhece nada sobre o filme irá apanhar a surpresa da sua vida no que toca a histórias românticas orientais, como filme romântico resulta e como filme arrepiante idem, a actriz principal disto nunca mais arranja namorado na vida, contém bons momentos de humor bem colocados na história, a parte final é fantástica e vai fazer-vos roer todas as almofadas do sofá, assusta sem precisar de recorrer a psicopátas com faquinhas ou a temáticas sobrenaturais, mete pedófilia quanto baste e seringas á descrição o que mais vocês querem num filme romântico ?
Contra: tem uma estrutura inicial mais parecida ao que se associa ao cinema-de-autor do que própriamente a um típico filme de terror comercial a que estamos habituados no ocidente e isso poderá afastar muita gente que nem chegará ao capítulo final da história, por outro lado se sofrerem do coração este não é um bom filme para verem sózinhos também, pode ser algo doentio para muito boa gente…

——————————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS

Trailer – contém *spoilers*
http://www.youtube.com/watch?v=yhsrsWcEspc

Comprar
Está á venda na amazon Uk e US , aqui e aqui.

Download aqui com legendas PT-Br

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0235198/combined

——————————————————————————————————————

Filmes semelhantes de que poderá gostar:

A Tale of Two Sisters  Dark Water

——————————————————————————————————————

Sigaw (The Echo) Yam Laranas (2004/2008) Tailândia/Usa


Esta recomendação vai ser feita de uma forma diferente do habitual, e será uma espécie de dois-em-um, até porque a forma como cheguei até [“Sigaw“] seguiu o caminho inverso do que é habitual.

Há um par de meses atrás vi um filme de terror americano recente que me ficou na memória, tanto pelo excelente estilo visual como pela história atmosférica bem contada e perturbante.
Chamava-se “The Echo” e chamou-me a atenção pelo sentido estético dos enquadramentos, pois na habitual enxurrada daquilo que hoje passa por cinema de terror saído dos estados unidos não tem sido muito comum aparecerem produtos dentro do género que não pareçam mais do telefilmes.
Acontece que “The Echo” logo desde o início contrariava essa forma de filmar e na verdade até pensei que o filme deveria ter sido um fracasso pois nem a sua montagem se enquadrava dentro do estilo videoclip MTV habitual em Hollywood nem tinha própriamente teenagers com psicopatas mas contava uma boa e velha história de fantasmas.

Tudo em “The Echo” contraria um pouco aquilo que tem sido o cinema de terror para o grande público (americanizado) e inclusivamente a sua atmosfera algo melancólica (doentia até) resultou numa obra com um tom muito triste que não é de forma nenhuma recomendável para quem procura apenas divertir-se com um normal filme pipoca.
De qualquer forma, eu gostei mesmo muito de “The Echo”, pois acima de tudo está cheio de bons momentos de tensão e sequências arrepiantes quanto baste.
O conceito, embora não tenha sido particularmente original usou muito bem os clichés mais clássicos das típicas histórias de fantasmas e quando o filme acabou eu estava não só arrepiado (deprimido até), mas convencido que o realizador tinha criado um filme relativamente único dentro das produções modernas americanas e que seria dificil alguém ter feito melhor do isto com esta história.
Até que descobri uma coisa…

E não é que esta produção americana era na verdade outro remake de mais um filme oriental ?!!
“The Echo” é nem mais nem menos do que a versão para ocidentais consumirem de um filme Tailandes chamado [“Sigaw“] produzido no outro lado do mundo quatro anos antes.
Mas há mais !
E não é que o realizador do remake americano é o mesmo realizador do filme original ?!
Hollywood mais uma vez, foi beber á fonte e contratou o autor original para refazer a sua própria obra de modo a agradar ao público ocidental. Tal como já tinha acontecido com o remake do “Ju-On”.
Neste caso, como nunca ouvi falar alguma vez deste “The Echo”, e pelo próprio estilo algo intimísta (e deprimente) do próprio remake, aposto que o tiro saiu pela culatra aos produtores americanos e muito provavelmente o remake deve ter fracassado brutalmente nas salas e ido directamente para dvd.

Nunca irei entender esta moda dos americanos refazerem filmes que já são extraordinariamente bons no seu país de origem só porque o público gringo não sabe ler legendas. Normalmente a coisa dá para o torto e quando não dá, como aconteceu com “The Echo” o resultado ganha contornos quase de cinema de autor e é inevitável que o remake falhe totalmente nas bilheteiras ocidentais que esperam sempre mais do mesmo e não conseguem mais prestar atenção a um filme feito essencialmente por planos fixos e sem montagem de quinhentos frames por segundo ou cenas de acção a bombar de x em x tempo.
Eu gostei muito de “The Echo” e em termos visuais , penso que é bem superior ao original [“Sigaw“], até porque os meios de produção foram outros, nomeadamente no que toca á fotografia que é fantástica no remake; no entanto, quando eu pensava que “The Echo” já era suficientemente perturbante ao ver o original nada me preparava para o que me ia cair em cima.

Depois de vermos uma versão de qualquer história, é muito raro que o original cause o mesmo impacto, pois afinal o efeito surpresa do argumento já se perdeu e practicamente não há muito mais que nos possa assustar mesmo tratando-se de um filme de terror.
Isto pensava eu !
Comecei a ver [“Sigaw“] na maior descontração sem lhe prestar grande atenção, (até porque depois das fantásticas imagens cuidadas do remake, a qualidade visual do original parecia muito pobre em comparação).
No entanto, o filme começa logo com um plano realmente assustador. A primeira imagem do prédio onde toda a história se passa nesta versão original, bem que pode entrar directamente para uma galeria das mais emblemáticas sobre casas assombradas do Cinema.
Logo por aí comecei  a ter um vislumbre de que se calhar o filminho até nem iria ser tão levezinho quanto eu pensava mas nada me preparava para o que viria a seguir.

[“Sigaw“] é assustador como o raio !
“The Echo”, mete medo, mas é aquele medo á americana. Ou seja, está tudo tão bem filmado, todas as imagens são tão bem cuidadas que o espectador acaba por estar a ver a história numa posição de terceira pessoa, isto é, sem se deixar realmente envolver pelo que se passa no ecran. E depois a atmosfera triste, melancólica e deprimente também ajuda a suavizar um bocado a história principal. Isto porque “The Echo” conta ainda com um novo sub-plot completamente desnecessário que não existe em [“Sigaw“] e que distrai demasiado as atenções do horror principal que o filme original tão sabe orquestrar.

[“Sigaw“] é assustador como o raio, mas não é por ser própriamente por ser uma história de fantasmas. Não há nada neste filme que vocês não tenham visto já dezenas de vezes neste género de cinema e inclusivamente para um filme que não é americano, o realizador usa e abusa dos típicos sustos estilo Hollywood com SOM ALTO REPENTINO  nos locais mais esperados o que poderia ter sido uma péssima opção.
[“Sigaw“] é assustador como o raio, porque não depende desses truques para meter medo, mas porque o medo é gerado pela própria atmosfera da história. Se calhar mais do que medo, será apropriado dizermos que [“Sigaw”] é uma história perturbante e é isso que a faz resultar enquanto filme de terror. Isto até poderia ser um filme sem qualquer cena sobrenatural que garanto-vos ia dar-lhes cabo dos nervos na mesma !

Essencialmente [“Sigaw“] é uma história sobre violência doméstica.
Mas uma história sobre violência doméstica, com uma intensidade que os fará ficar sem respiração em alguns momentos, pois tem sequências absolutamente terríficas que nem se comparam ao que acontece depois na versão bem mais politicamente correcta filmada para o remake americano onde tudo é bem mais encenado, plástico e cinematográfico ao contrário da crueza que existe no original e que os fará não conseguir tirar os olhos do ecrã a partir de certa altura mesmo se já viram o remake antes.

Básicamente o filme conta a história de um rapaz que vai viver para um apartamento onde tem por vizinhança um polícia violento que maltrata a sua mulher e filha ao mesmo tempo que se sente uma presença sobrenatural em todo o ambiente do andar onde vivem. No mesmo piso vive também outra pessoa que conhece bem os maus tratos a que a mulher do polícia está sujeita mas que pouco fez ou continua a fazer para tentar impedir que a situação continue.
Temos ainda, um senhorio, a namorada do heroi e a criancinha filha da rapariga maltratada. Tudo gira á volta do medo que toda a gente tem do polícia violento e de como as pessoas se podem unir para interferir neste tipo de situações. Além disso, o filme mete criancinha e  todos nós sabemos que quando um filme de terror mete criancinhas a coisa só tem que ficar ainda melhor e como se as cenas de violência doméstica não fossem desde logo brutalmente intensas pelo suspanse que provocam o realizador ainda resolve pregar-nos um par de arrepios com corredores ás escuras e menininhas na penumbra. Brrrrrr !

Portanto, eu adorei [“Sigaw“] e quanto a mim é um daqueles títulos que pode muito bem figurar entre os melhores filmes de casa assombrada de todos os tempos. O remake “The Echo” é muito bom, mas não se compara aos nervos que este filme original consegue provocar até mesmo em quem já conhece a história e é um daqueles raros filmes de terror que consegue sempre voltar a assustar mesmo quando revisto várias vezes, embora não fiquemos com muita vontade de o estar sempre a rever apesar das suas qualidades indiscutíveis.

——————————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO:
Apesar de ser um filme de terror absolutamente eficaz, ainda pensei atribuir-lhe menos meia tigela de noodles, isto porque enquanto objecto visual, não é um titulo que fique na memória pelas suas imagens, enquadramentos ou sequências sequer, (ao contrário do que aconteceu depois no remake que se destaca pela sua estética cuidada), no entanto não há dúvida que [“Sigaw“] é um dos melhores filmes de terror que poderão ver se estiverem á procura de uma história de fantasmas ao melhor estilo clássico.
Por isso, cinco tigelas de noodles porque esta coisa, mais do que assustadora, é um filme perturbante e com suspanse quanto baste.

A favor: é uma história de fantasmas clássica, é assustador, é perturbante e não precisa de mais nada para ser excelente. É melhor que o remake, embora este também seja muito interessante mesmo e também se recomenda.
Contra: a história é por demais previsivel mas não é grave, nota-se que é um filme de baixo orçamento, a fotografia dificulta a apreciação de algumas cenas, usa e abusa dos sustos com som alto embora curiosamente isso nem estrague o resultado final pois a atmosfera da história é mais assustadora do que qualquer susto desse estilo.
Se este original já é tão bom, para quê um remake ?
A fraca nota no IMDB de ambos os filmes é um triste exemplo do plástico a que o público ocidental está habituado.

——————————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS:

Trailer SIGAW
http://www.youtube.com/watch?v=spnUXeKwnMA

Trailer The Echo
http://www.youtube.com/watch?v=lPtwWaIOqEs



Comprar

Se descobrirem onde comprar o original, digam-me qualquer coisa. Podem no entanto ir buscá-lo em download aqui.
O remake americano podem comprar aqui e aqui.

IMDB – SIGAW
http://www.imdb.com/title/tt0423195/combined
IMDB – The Echo
http://www.imdb.com/title/tt0897347/combined

——————————————————————————————————————

Filmes semelhantes de que poderá gostar:

A Tale of Two Sisters Dark Water

——————————————————————————————————————