Kim Bok-nam salinsageonui jeonmal (Bedevilled) Chul-soo Jang (2010) Coreia do Sul


Quando eu me preparava para ver apenas mais um exploitation movie daqueles bem chungas em que uma tipa limpa com uma foice metade de uma aldeia eis que apanho uma das surpresas do ano no que toca a cinema oriental.

Já conhecia o filme pelo nome há algum tempo, mas nunca tinha visto sequer o trailer ou lido qualquer review sobre ele e portanto parti para [“Bedevilled“] completamente ás escuras, apenas porque não tinha nada de particularmente interessante para ver no momento e apetecia-me ver um filme de porrada e carnificina japonesa para descomprimir e que não me fizesse pensar muito para além de contar o numero de braços decepados ou cabeças rolantes.
Essencialmente estava com vontade de ver uma comédia e não pedia que este filme fosse algo mais do que um grande mau-filme ao pior estilo série-b oriental, pois estava plenamente convencido que o era.

Acontece no entanto que ainda [“Bedevilled“] mal tinha começado e muito para minha surpresa já eu não conseguia tirar os olhos do ecran.
A personagem pricipal dava-me cabo dos nervos, mas os pormenores da história pareciam cada vez mais cativantes a cada cena que passava e  dei por mim a pensar que se calhar este filme era bem capaz de ser bem mais interessante do que parecia á primeira vista.
Quanto mais não fosse porque em meros minutos conseguiu criar logo suspanse de cortar á faca e ainda por cima construiu um personagem com carísma suficiente para deixar qualquer espectador intrigado. Até porque não percebemos bem se gostamos daquela gaja ou não e por isso temos mesmo de continuar a ver.

De repente aquilo que começa quase como um qualquer thriller policial  entra por um registo diferente e o filme muda para um cenário rural que nada parece ter a ver com o que se passou nos primeiros dez minutos e damos por nós a perguntar o que raio vai acontecer a seguir em [“Bedevilled“] e qual será a direção da história. O que é bom.
Há que dizer que apesar de todo o ambiente rural bucólico que nos aparece pela frente, há qualquer coisa na própria realização do filme que aponta para uma atmosfera claustrofóbica. Não só os próprios enquandramentos até nos exteriores parecem sempre algo contidos como logo se percebe na história que a claustrofobia também será psicológica para condizer com tudo o resto e contrastar totalmente com o ambiente rural em estilo mundo perdido onde tudo se passa.

E de um mundo perdido é aquilo que essencialmente [“Bedevilled“] trata no fundo.
Um mundo perdido daqueles que ainda hoje existe em muitas partes do globo terrestre onde os valores conservadores ultra tradicionais e comportamentos morais que quase se podem considerar primitivos, ainda fazem parte do dia-a-dia de muita gente em muitas comunidades rurais isoladas  onde a mulher ainda é vista como uma espécie de gado.

Portanto, se procuram um filme que constroi todo o suspanse com base nos extremos a que a condição humana pode chegar e nos comportamentos que podem ser atribuidos a tradições quase das cavernas, [“Bedevilled“] é o vosso filme.
Na aldeia bucólica vão encontrar de tudo; escravidão, violência doméstica, violações, prostituição, pedófilia, pedófilia com incesto, crueldade social e todo o tipo de violência fisica e psicológica que só os orientais poderiam colocar num filme e ainda por cima fazê-lo de forma convincente, aterradora e completamente cativante no sentido cinematográfico.

Não porque este seja um grande filme, mas porque soube como poucos pegar num argumento que tinha tudo para ser apenas chunga e quase pornográfico na forma como mostra a violência e no entanto dá-nos uma visão humana totalmente inesperada que nos agarra do primeiro ao último segundo.
Nem sequer se pode dizer que será um filme com vilões, pois até o mais desprezivel parolo desta história parece pertencer áquele lugar, o que automáticamente lhe dá logo uma carga dramática humanizada no sentido em que ninguém é caracterizado como uma besta só porque é mau, mas percebe-se que houve ali a intenção de tentar mostrar como pode o isolamento de uma comunidade presa a valores morais completamente afastados do mundo moderno contribuir para criar pessoas para quem a crueldade é apenas a sua forma de vida. Como alguém diz no filme, não há nada de anormal nas pessoas da ilha porque a vida é mesmo assim.
É esta “normalidade” que acaba por ser a coisa mais assustadora deste argumento.

[“Bedevilled“] é um daqueles filmes com um argumento tão bem apresentado que nem nos lembramos que o realizador existe, o que pode criar á partida aquela ideia de que não há nada de especial com esta obra quando no entanto se calhar está aqui uma das suas grandes mais valias.
O realizador “apaga-se” totalmente para deixar as personagens respirar…ou neste caso, violar, gritar, gemer, chorar ou pior ainda,- ignorar- e dar-nos cabos dos nervos a cada segundo de tensão que passa.
Não encontrarão em [“Bedevilled“] um daqueles filmes com imagens inesquéciveis; com excepção talvez da inesperada imagem da ilha que fecha com chave de ouro uma história que foi muito além do que seria de prever e que tem a ver directamente com o enquadramento imediatamente anterior com a actriz protagonista.

Também não encontrarão uma montagem , digamos, “moderna”. Nem sequer nas sequências de gore ou acção que compõem o climax do filme o que o torna ainda mais surpreendente.
Todo o filme é construido com base numa estrutura perfeitamente clássica e sem recurso a grandes inovações estilisticas ou sequer estilizadas e como tal também é um bom antídoto para quem procura um titulo oriental moderno que não tem pretenções a estilo Anime e sabe contar uma história da forma mais tradicional possível sem recorrer a montagens podres de chiques ou designs arrojados em modo gráfico histérico. [“Bedevilled“]  não necessita de nada disso para ser arrepiantemente eficaz e nos dar cabo dos nervos a cada segundo que a sua história avança em direcção ao sangrento desenlace.

Para quem como eu apenas esperava encontrar apenas um banho de sangue e cabeças abertas com uma montagem estilosa em estilo Anime fiquei bastante surpreendido até na forma como o gore e o sangue é usado nos ultimos 40 minutos de filme. Mantendo-se fiel á estrutura do resto do filme até então, também no apocaliptico e totalmente entusiasmante acto final desta história ultra violenta o suspanse é totalmente controlado de uma forma eficaz e [“Bedevilled“] não entra apenas em modo gore com sangue aos litros mas equilibra toda a tensão com a própria carga dramática que foi construindo á volta dos personagens, (muitas vezes até sem o espectador se ter apercebido).

O que não quer dizer que o filme não tenha um genial banho de sangue no final, porque tem. Quem gosta de decapitações com foices vai curtir [“Bedevilled“] até ao último segundo.
No entanto a grande força do filme está não na violência e no acto final, mas principalmente na forma como usa tudo isso para construir personagens excelentes com particular destaque para as duas protagonistas.

A personagem da tipa toda coquete que nos dá cabo dos nervos é a chave do desenvolvimento dramático em todo o filme e o registo contido da própria interpretação da actriz poderá até parecer mais apagado do que o que se torna evidente na outra protagonista que é alvo de todos os abusos ao longo da história, mas ambas têm um trabalho fantástico que equilibra as duas prestações e contribui em muito para que a tensão da história a partir de certa altura chegue a níveis quase insuportáveis.
Se gostam de filmes em que lhes apetece mandar qualquer coisa contra o televisor, não percam este.
Ainda por cima é um daqueles titulos que compensa plenamente o espectador até ao último segundo por ter acompanhado aqueles personagens que ficam na memória.

Curiosamente devido ao seu tom de extrema violência fisica e psicológica, notei que o filme é algo menosprezado em algumas reviews por o considerarem demasiado exagerado no que toca ao que acontece á rapariga que é abusada e maltratada por toda a aldeia. Muita gente parece achar que algo assim seria impossível nos nossos dias.
Apenas como nota curiosa, posso garantir-vos que o tipo de pensamento e o tipo de tratamento social de extrema crueldade pela parte que me toca ainda estava bem vivo bem no interior do meu Portugal há alguns anos atrás.
Por incrivel que vos pareça, a minha mulher há 17 anos a quando de um anterior casamento que a “raptou” literalmente para as brenhas interiores do distrito de Viseu numa aldeia totalmente isolada, passou por situações tão extremas quanto muitas das coisas que poderão ver representadas neste filme e pelo que ela me relatou, só não acabou por ter a mesma reacção que a protagonista de [“Bedevilled“] porque tinha o filho ainda bébé e conseguiu fugir uma noite de volta para o Algarve escondida de tudo e todos, inclusivamente dos familiares do marido que tinham exactamente a mesma forma de pensar que poderão agora encontrar representada nos personagens das velhas senhoras da aldeia deste fabuloso argumento sul-coreano.

Por isso meus amigos, para quem duvida que este tipo de situações e de aldeias apresentadas no filme realmente possam existir, eu garanto-vos que ainda haverá certamente por este Portugal fora, muito local onde os primos casam com as manas e a tias e o cruzamento de genes não ajudará muito á própria evolução cerebral de certos habitantes. Isto aliado a velhas tradições machistas como as que se podem ver neste filme, (entre marido e mulher não se mete a colher/a mulher tem que fazer o que o marido manda / ir ás putas é de homem, a mulher se apanha nos cornos é porque fez alguma coisa errada, etc), de vez em quando dá numa daquelas notícias em que uma mulher se passa e abre uns buracos no marido com a faca de cozinha.
Por isso podem ter a certeza do que lhes digo [“Bedevilled“] não é de todo um filme exagerado. Vão por mim.

Posto isto, o que posso eu dizer mais sobre este fantástico thriller de suspanse sul coreano extremamente intenso ?
Primeiro não parece um thriller de suspanse, mas também não é um drama própriamente dito. Tem momentos mais arrepiantes que muitos filmes de terror daqueles assumidos mas também não será um filme de terror apesar das decapitações e baldes de sangue. Não será uma aventura, mas vocês passarão toda a parte final a torcer pela protagonista.

Não será um filme erótico, mas tem mais sexo do que seria de esperar embora muito violento mesmo; o que me surpreendeu bastante porque não é algo habitual no cinema oriental e em particular do Japão ou Coreia do Sul mais mainstream.
Aliás, não me lembro de ter visto até agora um filme com uma tensão sexual tão grande quando a que está presente em [“Bedevilled“] e isto de várias formas que os irá deixar em tensão total. Eu disse, tensão.

Não só as cenas de sexo pela sua violência quase que nos parecem explicitas como depois há uma carga dramática envolvendo uma espécie de história de amor lésbica não assumida ao longo de alguns momentos chave nas caracterizações das personagens principais. E isto para nem falar na tensão á volta da pedófilia que está absolutamente arrepiante, pois também aqui mais uma vez o realizador parece que nem lá está e deixa a situação falar por si.

Fiquei muito surpreendido com [“Bedevilled“] e não estava nada á espera disto.
Não será um filme a rever tão cedo, embora continue a não me sair da memória e já o vi há dias atrás; nem será se calhar uma obra prima do cinema ou particularmente um grande filme. Por outro lado se calhar até é.
A verdade é que não lhe consigo apontar qualquer falha relevante pois tudo o que faz, faz muito bem e acima de tudo mantem o espectador agarrado do primeiro ao último minuto com personagens excelentes e uma tensão constante que culmina num final inesquecível, onde ainda há espaço para pequenos pormenores e um par de twists inesperados no epílogo fechando tudo da melhor maneira possível.

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CLASSIFICAÇÃO:

Já disse tudo no texto acima, mas basta só realçar mais uma vez que isto foi a surpresa do ano pois não estava nada á espera que me saísse um filme assim.
Um filme completamente inclassificavel que passa por vários géneros e mistura-os de uma forma fantástica criando uma história cheia de personagens memoráveis com um desempenho extraordinário por parte das protagonistas, nomeadamente a rapariga que é maltratada pela comunidade. O argumento é excelente na forma como liga todos os pormenores invisiveis do filme e como nunca deixa o espectador respirar um segundo , mesmo isto sendo um filme relativamente calmo que não agradará de todo a quem estiver á espera de um filme de terror com psicopatas ou apenas á procura de uns baldes de sangue.
Um grande filme mais pela sua eficácia do que propriamente por ficar na memória cinéfilamente falando.
Fantástico e totalmente recomendado a quem quiser ver um filme de vingança inesquecível e cheio de carísma com sexo e sangue quanto baste. O cinema Sul Coreano continua vivo e de boa saúde até quando não faz filmes de amor fofinhos.
Só quero ver os americanos terem coragem para fazer um remake disto !
Cinco tigelas de noodles e um golden award porque vai deixá-los – on the edge of your seats – garanto-vos.

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A favor: a originalidade da estrutura da história, a frieza e a coragem de se escrever uma história assim, os personagens e as incriveis interpretações especialmente da actriz principal, a tensão sexual da história, a forma como se move entre géneros sempre de forma coerente, a tensão de roer as unhas a cada minuto que passa, os ultimos 40 minutos são fantasticos, montes de sangue também, optimo final, o realizador apaga-se e deixa a história falar por si.
Contra: pode ser demasiado calmo para quem procura um thriller ou um filme de terror apenas.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
NOTA: NÃO VEJAM O TRAILER ANTES DE VEREM O FILME.
*Contem SPOILERS* que nunca mais acabam !
http://www.youtube.com/watch?v=eBq0SLWNF-E&feature=related

Comprar
Em Bluray ou então em DVD baratinhos na amazon.uk

Download aqui com legendas em PT/Br

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1646959

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Se gostou, poderá gostar de:

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Quing Ren Jie (A Time to Love) Jianqi Huo (2005) China


Se há coisa que eu já não posso ver mais pela frente são versões do Romeu & Julieta de Shakespeare, onde a conhecida história é por demais repetida até á exaustão em todos os detalhes e mais alguns.
Não consigo perceber para quê tantos autores continuarem a insistir naquela narrativa a esta altura quando já milhares de vezes foi  transformada em tudo e mais alguma coisa, desde filmes do Franco Zefirelli até pornos da Ginger Lynn.

Como tal, quando eu comprei há muitos anos atrás o dvd de [“A Time to Love“] sem saber nada sobre o filme e depois descobri que se tratava da bilionéssima história inspirada por “Romeu & Julieta”, a minha vontade foi a de devolver isto á Play Asia ou trocá-lo por um filme romântico qualquer com o Steven Seagal aos tiros.
Toma lá para não comprares filmes pelo aspecto gráfico da (excelente) capa !
Por isso quando vi esta história pela primeira vez (já que tinha que ser) nem sequer lhe prestei grande atenção.
Ainda por cima eu estava á procura de algo mais no estilo sul-coreano e [“A Time to Love“] tinha uma atmosfera marcadamente chinesa, algo a que eu não estava ainda habituado, pois são estilos muito diferentes dentro do cinema romântico.

Apesar de não me ter causado uma impressão por aí além na altura, surpreendentemente ficou-me na memória e esteve na minha lista de filmes a rever com outros olhos por muito tempo, até ontem.
Ficou-me na memória, não só pela abordagem á história clássica ter-me surpreendido como principalmente algumas das suas bonitas imagens acabaram ficando gravadas na minha imaginação até hoje, pois já na altura o visual do filme me surpreendeu.
Toda a paleta cromática de [“A Time to Love“]  é composta por tons ferrugem contrastando com verde das árvores e tons de sombra intensa o que lhe dá logo desde o início uma estética que nos agarra todos os sentidos pelo seu estilo quase steampunk pois mal o filme começa somos logo transportados para um úniverso único e bastante poético.

E surpresa das surpresas, agora que revi o filme ainda estou para saber o que raio é que foi que não me cativou na altura em que o vi pela primeira vez !
[“A Time to Love“] é um filme absolutamente lindíssimo em muitos aspectos mas se calhar é capaz de não se notar mesmo a uma primeira visão. Especialmente se entrarem com preconceitos anti-Romeu & Julieta como eu entrei nisto anos atrás quando vi o dvd.

Portanto, para começar eu já não me lembrava nada do filme e agora foi como se o tivesse visto pela primeira vez e não podia ter ficado, não só mais surpreendido como também mais satisfeito com o que (re)vi ontem.
Se calhar [“A Time to Love“] poderá ter uma altura certa para ser visto e muito provavelmente funcionará muito melhor com o público adulto do que com pessoas mais novas talvez, com menos experiência de vida ou algo assim. Isto porque pode ser uma história de amor com adolescentes, mas tudo é narrado num tom dramático mais adulto e até teatral, pois este filme tem uma assinatura tão característica que julgo se poderá incluir algures entre o cinema comercial e o dito cinema de autor pela sua abordagem algo intímista.

[“A Time to Love“] como filme é realmente um espectáculo (nem acredito que estou a dizer isto); primeiro, porque consegue pegar não só no tema mas também em alguma da estrutura de Romeu & Julieta e no entanto, milagre dos milagres apresenta-o com uma abordagem realmente refrescante. Conseguindo inclusivamente uma coisa que eu julgava impossível de ser feita…nomeadamente [“A Time to Love“] tem um suspanse romântico de cortar á faca pois até quase literalmente ao último segundo o espectador fica completamente na espectativa de como irá terminar desta vez esta história de amor com o seu final por demais conhecido.
Conseguirão desta vez os dois amantes ficar juntos ?
Apenas lhes posso dizer que o final de [“A Time to Love“] é extraordináriamente simples mas muito poderoso em termos de emoção e não lhes digo mais nada, pois o trabalho da actriz protagonista no último enquadramento visual desta história vai deixar-vos totalmente cativados e emocionados de uma forma que ainda não tinha visto num filme oriental.
Adorei o final deste filme.

E já que falo na actriz principal, nunca pensei que esta rapariga fosse tão incrivel. Estava habituado a vê-la em produções bem mais comerciais essencialmente em papeis de muita acção (“Warriors of Heaven & Earth”  –  “So Close“) e nem sequer pensava que ela seria capaz de carregar ás costas metade de um filme como [“A Time to Love“], onde bem mais que apenas uma história de amor ao estilo habitual oriental, é acima de tudo um drama bem mais complexo que se centra apenas numa história de amor impossível, (quase uma tragédia na verdade, sempre a piscar o olho a Shakespeare).

Tanto ela, como o seu co-protagonista masculino brilham neste drama.
Irão encontrar em [“A Time to Love“] um dos pares românticos com mais carísma que apareceu até hoje dentro deste estilo de histórias de amor orientais. A química entre os dois actores é total e enquanto espectadores a partir de certa altura esquecemo-nos por completo que estamos a ver um filme pois deixamo-nos levar por aqueles dois personagens até ao desenlace final desta história. Uma história que surpreendentemente de forma tão cativante consegue dar-nos um Romeu & Julieta com suspanse suficiente para nos fazer roer as almofadas até ao último segundo (sem parecer que está a fazer qualquer coisa de importante sequer), o que já é por si só uma boa característica para algo que seria á partida totalmente previsível.
Usa inclusivamente o próprio livro com a peça de Romeu & Julieta original para nos garantir que [“A Time to Love“]  é Romeu & Julieta por mais do que uma vez. O que é bom para confundir o espectador.

Não pensem no entanto, que [“A Time to Love“] é um filme romântico oriental ao estilo que estão habituados, se virem por exemplo produtos sul-coreanos ou japoneses.
Uma das características da maior parte dos dramas românticos chineses está no facto deste país preocupar-se mais com uma história de amor enquanto objecto dramático dentro daquele aspecto teatral mais sério e menos com a ligeireza do estilo narrativo. Por isso, [“A Time to Love“] é um filme sem pressas. Embora tenha um ritmo narrativo sempre constante, muitas vezes conta a sua história não por palavras mas por ambientes, imagens atmosferas e silêncios. Um pouco talvez como “Il Mare” o fez e com um tom melancólico semelhante, embora um pouco mais triste neste caso devido á carga trágica da própria base da história.

E por falar em silêncios, [“A Time to Love“] tem dois momentos absolutamente fantásticos na minha opinião que jogam precisamente com o silêncio para criar uma intensidade de emoções espectacular e que nos faz entrar em total empatia com o casal de apaixonados desta história.
É certo que o filme vai aos poucos trabalhando a carga emotiva sem o espectador notar, tanto na criação de ambientes como também pelo que não mostra e como tal quando surge um dos momentos mais bonitos a meio do filme, nem sequer precisa colocar os actores com qualquer diálogo para a cena romântica resultar com uma força incrível.

Falo particularmente de uma breve e pequenina cena a meio do filme, em que o rapaz e a rapariga estão de ambos os lados de uma vedação de arame e onde sem palavras o realizador consegue transmitir uma carga romântica não só totalmente natural como acima de tudo cria um momento emocional fantástico apenas recorrendo ao toque das mãos, a silêncios e a olhares breves para nos transmitir tudo o que os personagens sentem.

A segunda cena semelhante tem a ver com os segundos finais da história, mas de que não posso aqui falar porque lhes estragaria o suspanse todo e vocês ficariam a saber se [“A Time to Love“] acaba como a peça que lhe deu inspiração ou não. Apenas lhes garanto que se chegarem até aos momentos finais desta história totalmente cativados pelo destino dos personagens até se vão passar com o trabalho da actriz nos momentos finais onde apenas com um olhar concluiu tudo o que havia para concluir e proporciona ao espectador um momento final daqueles que os fará não esquecer este filme tão cedo se gostarem tanto dele quanto eu gostei desta segunda vez que o vi.
Não esperem é explicações de bandeja ao estilo, – “o que aconteceu foi…” – porque isto não é um filme desses.

[“A Time to Love“] é uma daquelas raras histórias de amor em cinema que resultam plenamente do trabalho não só dos actores principais mas também das interpretações de um elenco poderoso em termos dramáticos. Não sei se este pessoal será tudo actores de teatro mas todos os personagens nesta história são fascinantes e irão tocar-lhes emocionalmente em muitos aspectos surpreendentes.
Juntem a isto uma realização fantástica e têm todos os ingredientes para gostarem também muito deste filme se procuram por outra boa história de amor e já espreitaram tudo o que tenho recomendado neste blog.

Em termos visuais, [“A Time to Love“] é um dos filmes mais poéticos que me passaram pela frente em muito tempo dentro deste género estético.
Para começar a fotografia é incrível e vão encontrar aqui imagens absolutamente notáveis pois este é mais um daqueles filmes em que vão querer fazer pausa a todo o instante só para apreciar as pinturas de luz e sombra que ele contém practicamente em todo e qualquer frame.
Não só os ambientes são depois também fascinantes como está carregado de texturas e pormenores por todo o lado, tornando-o num filme totalmente obrigatório também para quem gosta muito de rever um filme muitas vezes só para curtir os pormenores. Pode ser uma sombra, pode ser uma textura, uma luz, uma cor, ou uma paisagem, mas garanto-vos que mesmo que nem gostem muito do género, visualmente vão achar este filme uma pequena joia perdida que importa descobrir em termos visuais quanto antes.

Não faço ideia se a arquitectura presente em [“A Time to Love“] existe mesmo ou se isto serão cenários criados para o filme. De qualquer forma, esta obra conta com espaços arquitectónicos fascinantemente poéticos que vão adorar contemplar ao longo da história. Desde, fábricas abandonadas, a prédios em decadência, passando por ruas e becos fabris, tudo aquilo que poderia parecer um ambiente deprimente é transformado num mundo quase mágico, parecendo por momentos saído de um verdadeiro conto de fadas ou de um filme de Fantasia.
[“A Time to Love“] quanto mais não seja, é um filme para contemplar, por muitos e bons motivos. Vão por mim, é fantástico visualmente.

Recomendo este filme a toda a gente que já espreitou tudo o que tenho apresentado no blog dentro do estilo romântico, ou então como contraponto a histórias de amor mais comerciais.
Não é que [“A Time to Love“] não seja comercial, mas o seu estilo muito chinês, intensamente dramático e bastante introspectivo em alguns momentos poderá talvez tornar-se algo chato ou arrastado para o pessoal que não gosta de coisas mais pausadas.

[“A Time to Love“] é um filme que demora o seu tempo e muitas vezes conta a sua história mais por olhares e silêncios do que por palavras e isto poderá afastar algum público.
O facto de ser uma história muito triste mesmo apesar de todo o ambiente poético, poderá afastar quem procurar um daqueles filmes totalmente –feel good– pois este usa a própria tristeza e melancolia para criar grandes incertezas no espectador sobre o desenlace da história. Nesse aspecto não poderia resultar melhor, mas ao mesmo tempo é um filme com uma carga algo deprimente por breves momentos a fazer lembrar o muito poético mas algo triste “The Floating Landscape” ; curiosamente outra produção chinesa.

Posto isto, se quiserem ver um filme muito bonito e diferente do habitual neste género tão estereotipado, se calhar [“A Time to Love“] é um título  a terem em conta. E se não gostarem á primeira, dêem-lhe segunda oportunidade, pois ainda acabam a gostar tanto dele quanto eu gosto agora.

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CLASSIFICAÇÃO:

Estava tentado a atribuir a [“A Time to Love“] apenas cinco tigelas de noodles por ser realmente excelente.
Mas a verdade é que agora que o revi, este filme não me sai da cabeça e apetece-me vê-lo novamente em vez de ir espreitar outra coisa nova qualquer, por isso se calhar será justo dar-lhe a minha classificação máxima deste blog, pois de outra forma estaria a enganar-me a mim próprio se não lhe desse também um Golden Award.
Quanto mais não seja pelo trabalho dos actores, pela fotografia do filme e por ter conseguido criar suspanse na história de Romeu & Julieta, o que é obra !
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award por muitos e variados motivos.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg gold-award.jpg

A favor: o trabalho dos actores, o par protagonista tem uma química no ecrã fantástica e um desempenho totalmente cativante, esquecemo-nos que estamos a ver um filme o que não poderia ser melhor elogio, consegue o feito notável de recriar a velha história de Romeu & Julieta numa china moderna desencantada mas muito poética e fá-lo com total suspanse romântico até ao último olhar da protagonísta, a fotografia é fabulosa, os cenários são lindissimos e em muitos momentos parece que tudo se passa num qualquer mundo de fantasia encantada, mais do que uma história de amor comercial normal  é um drama intenso e duro por vezes, a cena da vedação de arame mesmo durando menos de um minuto é memorável, idem para o desempenho da actriz nos segundos finais da história onde só com o olhar nos transmite toda uma vida, muita poesia visual, o tom intimista e o excelente trabalho do realizador que alterna os momentos mais intimistas com os mais tragicos ou românticos de uma forma totalmente orgânica e bastante natural, nem vão notar a banda sonora mas esta vai entrar-lhes pela alma nos melhores momentos.
Contra: é mais um drama generalizado do que uma história de amor especificamente por isso não esperem o estilo fofinho oriental dos filmes japoneses porque este é chinés mesmo, pode parecer menos comercial do que na realidade é e algum público poderá não ficar particularmente cativado, Romeo & Julieta again…and again…and again…

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=3NaS55XOylw

Videoclip 1
Embora curiosamente a música não faça parte do filme, pois foi criada para a promoção. Aposto que foi para dar um ambiente mais comercial á obra pois esta é na verdade bastante intimista e não tão comercial como aparenta aqui.
http://www.youtube.com/watch?v=y3TNcyS-IWw&feature=related

Videoclip 2
Este com uma das músicas que entra no filme e com a particularidade de ser um videoclip com dezenas de cenas cortadas que não aparecem no próprio filme, o que só demonstra que devem ter filmado pilhas de coisas que ficaram de fora e só é pena muitas destas cenas não estarem como deleted scenes no dvd porque parecem cheias de atmosfera também.
http://www.youtube.com/watch?v=krChsULuIbM&feature=related

Comprar
http://www.fivestarlaser.com/movies/13766.html

Download aqui com legendas em Inglés.

IMDB

http://www.imdb.com/title/tt0450099/

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Outros títulos semelhantes de que poderá gostar:

concerto_capinha_73x 

Be With You My Sassy Girl Il Mare The Classic Love Phobia

 Fly me to Polaris cyborg_she_capinha_73x

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Koizora (Sky of Love) Natsuki Imai (2007) Japão


Dentro do género romântico japonês, [“Sky of Love“] é um dos melhores e mais bonitos filmes que me passaram pela frente desde há alguns anos a esta parte e não estava nada á espera de que logo este fosse um título tão atacado na net, principalmente em reviews saídas dos Estados Unidos.
Até porque não difere muito do que costumamos ver dentro deste género romântico e na verdade já vi coisas muito mais pirosamente sexualmente foleiras saídas de Hollywood e nunca ninguém disse nada.

É que…mas que raio…terá sido este é o único filme sobre sexo adolescente, violação e aborto  que esta gente viu na vida ?!
Como pode haver na net pessoas chocadas por [“Sky of Love“] falar sobre o tema da gravidez adolescente de uma perspectiva totalmente natural ?

Além, disso dizer que [“Sky of Love“] tem cenas de sexo só se for na imaginação de quem ataca o filme, pois não esperem miúdas nuas nesta história. Aliás, nem nas tais cenas chocantes se vê um cotovelo sequer.

[“Sky of Love“] também é atacado por certos reviewers americanos porque mostra uma breve cena com adolescentes a beberem, a fumarem e a participarem numa festa com muita devassidão onde curtem uns com os outros sem sequer serem namorados !! Como é possível andarem a dar ideias destas aos adolescentes que nunca pensaram nisto antes ?!
Agora por causa deste filme todas as crianças vão descobrir que existe tabaco e que as meninas têm partes diferentes dos meninos.
Eu estou chocado. Até porque os americanos nunca fizeram filmes parvos com Spring Breakers nem nada…

Estou chocado, porque não estava nada á espera de encontrar reacções destas perante um filme tão bonito quanto este.
E mais uma vez, eu sei…eu sei que já vimos esta história mil vezes em outros romances cinematográficos orientais, eu sei que tudo é fofinho de propósito neste filme para nos fazer chorar baba e ranho e eu sei que não há um pingo de originalidade em [“Sky of Love“] porque segue todos os clichés do género ao mínimo detalhe.
Mas será um título tão pouco original assim ? Ou haverá algo de muito mais interessante em [“Sky of Love“] que algumas pessoas parecem não ter tido olhos para ver porque estavam demasiado ocupadas em pregar moral em vez de se deixar levar pelo universo da história?

Para começar tem uma coisa extraordinária. Os personagens são muito bons e esta história supostamente banal está filmada de uma forma tão cativante que a meio do filme já nem nos lembramos que já vimos isto antes mil vezes no cinema teen japonês o que não deixa de ser um resultado notável. Acreditem-me, vocês vão chegar ao final deste filme e nem se lembram que já viram isto dezenas de vezes antes pois [“Sky of Love“] é totalmente eficaz na forma como conduz a nossa atenção para o coração emocional da história e nos faz esquecer tudo em redor enquanto o filme não acaba.
Aqui e antes que me esqueça uma nota para o elenco que é perfeito. O par romântico principal é fantástico pela sua naturalidade e totalmente carismático, com grande destaque para actriz principal que na minha opinião tem uma prestação extraordinária neste filme e parece que ninguém notou esse facto.

Percorre toda a história em vários registos dramáticos (representando várias idades) com uma naturalidade espantosa e se calhar é por isso que tanta gente ataca o filme também, sem notarem que ao atacarem os acontecimentos representados na história estão na verdade a valorizar o trabalho dos actores que quanto a mim estão absolutamente mágnificos nisto.
Neste aspecto, também uma nota á parte para o actor que já vimos antes como protagonista de “Cyborg She” e que tem aqui um personagem secundário bem mais contido que os fará ficar ainda a gostar mais desta história. Isto porque mais uma vez, até aquilo que supostamente seria um triangulo amoroso banal, também aqui também funciona com uma dinâmica dramática que os irá não só surpreender como provavelmente emocionar-vos e dar-lhes um tópico ou dois em que pensar. O que não está mal para um filme que á primeira vista parece tão previsivel assim.

Uma das grandes forças deste filme em relação a todas as outras histórias de amor que estamos habituados a ver saídas do oriente, está no facto de que [“Sky of Love“] entra por um registro assumidamente mais dramático do que é costume e quando muita gente pensava que ia ver outra história romântica muito ligeira de repente leva com um título que antes de ser uma lovestory é acima de tudo um drama no sentido mais sério, também muito fruto dos próprios temas que aborda e da forma como os apresenta como fazendo parte da vida.

Como alguém refere numa outra review algures na net, atacarem [“Sky of Love“] ou qualquer outro drama romântico japonês com o argumento que é mais do mesmo e que já vimos esta formula ou esta história mil vezes antes é o mesmo que dizer que também não vale a pena vermos mais filmes de terror porque todos seguem a mesma fórmula. E quem diz filmes de terror, diz filmes de acção e por aí fora.
Portanto não é por ser outra história romântica japonesa que [“Sky of Love“] poderá ser desconsiderado. Quando muito seria por ser outra história romântica japonesa mas sem grande interesse ou falta de personalidade e isso garanto-vos que este filme não é, pois identidade, personalidade e muita alma não lhe falta e como tal na minha opinião vocês podem partir para isto com toda a confiança pois é realmente do melhor que anda por aí dentro do género.

Se calhar é um filme que confundiu muita gente porque ao início parece uma coisa e depois apanha o público de surpresa quando percebemos que tem uma temática mais profunda do que parecia a um primeiro olhar.
É que se vocês detestam aqueles ambientes fofinhos de meter vómito ao melhor estilo romance japonês para teenagers, até se vão passar com a atmosfera dos primeiros vinte minutos de [“Sky of Love“]. Isto porque tudo é tão cute em modo histérico que mais parece que estamos a ver um daqueles Animes para miúdas onde tudo é ultra feminino e cheio de estética fofinha quanto baste.

O que não falta em [“Sky of Love“] são colegiais japonesas em fatinho típico tão popular e ainda por cima tudo complementado com uma estética visual absolutamente luminosa que cria verdadeiras sequências onde quase nos parece que estamos a ver um desenho animado totalmente colorido ao melhor estilo japonês.
E é aqui que está o grande contraste do filme, pois quando de repente nos apercebemos que se calhar nem tudo é tão luminoso assim na vida dos personagens já é tarde e ficamos fascinados com o permanente contraste entre o drama das suas vidas e a incrível luminosidade absolutamente poética do ambiente em que a sua história decorre.
Um bom exemplo disto é a cena da violação que termina com uma imagem fabulosa num campo de flores.

Outra coisa curiosa sobre este filme é que parece que [“Sky of Love“] foi baseado numa história real que ocorreu no japão no início deste século (pelo visto o cinema deles conta histórias tão simples que podem ter eco na vida real e vice-versa); e que se tornou famosa porque esta foi publicada na forma de diário pela web num (popular?!) formato conhecido por aquelas bandas como – romances para telémovel (quê?!!) – e que pelo visto muita gente lê por todo o lado.
Parece que o pessoal no Japão em vez de ler livros, lê novelas nos ecrans de telémovel e como tal esta teve um sucesso tal quando foi disponibilizado para download que acabou sendo editado num livro a sério que vendeu como o raio, foi editado em Manga e portanto daí até ser um filme … a coisa nem poderia ter sido de outra forma.
E ainda bem.

Portanto, eu adorei [“Sky of Love“].
Há muito tempo que não encontrava uma love-story com tantas qualidades. Apesar de não ter um pingo de originalidade a nível de formato, tem pormenores fantásticos, muitos momentos dramáticos que resultam plenamente e está carregado de imagens inesquecíveis absolutamente poéticas que criam um contraste por vezes brutal com o que acontece na história.

Pode ser previsível, mas usa essa previsibilidade para tratar de uma forma natural todos os temas, tem interpretações fantásticas e mesmo assim consegue ter um suspanse extraordinário no que toca á forma como poderá acabar pois percebemos o que irá acontecer mas há sempre uma dúvida no ar por causa da introdução do terceiro elemento na história de amor o que lhe dá um toque humano diferente que nos faz colocar dúvidas a propósito do desfecho.
Um pormenor que não só resulta como dá imensa personalidade ao filme.

Sendo assim, pela parte que me toca achei [“Sky of Love“] uma das melhores histórias de amor deste género desde talvez, “The Classic“. É melodramático ? É sim, mas resulta e bem.
É também uma história que também não teria o mesmo impacto se os telemoveis nunca tivessem sido inventados, pois faz desse objecto do quotidiano um pormenor essencial não só para a carga dramática do filme como principalmente para a cena da despedida final que os fará ter nós na garganta pela sua eficácia enquanto ideia genial para um momento romântico e surpreendentemente cheio de suspanse dentro do contexto do  filme.

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CLASSIFICAÇÃO:

Outra das melhores histórias românticas orientais que existem para ser apreciadas e mais outra prova de que filmes com adolescentes, sobre adolescentes não têm que ser produtos vazios e descaracterizados, mesmo quando seguem todas as regras de um género que já foram repetidas mil vezes noutros títulos semelhantes.
Uma obra com uma grande simplicidade narrativa mas com uma realização fantásticamente discreta, num filme cheio de imagens lindíssimas e uma fotografia luminosa perfeita que contrasta com o tom cru e triste de muita da temática da história.
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award como selo de qualidade porque este é outro daqueles filmes que rebenta a escala embora não pareça de todo ser um filme tão bom quanto na realidade é.

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A favor: mais uma vez toda a humanização dos personagens (inclusivamente dos vilões da história num pormenor final que surpreende pela inclusão inesperada num dos melhores momentos do desenlace), o trabalho da actriz principal é fantástico e se calhar não se nota a uma primeira visão pela naturalidade como tudo acontece no ecran, idem para os protagonistas masculinos que compõem o triangulo amoroso, é formulático e chega pois nem precisava de ser original para ser fantástico, mais do que uma love story é um bom drama sobre adolescentes que não trata o público por imbecil, a fotografia é incrível com imagens absolutamente inesquecíveis pelo filme inteiro, surpreendentemente consegue ter suspanse o que não deixa de ser notável pois já vimos isto tudo antes, tem uma história que não evita falar de sexo, bullying, violação ou aborto entre muitos outros pequenos temas surpreendentemente bem inseridos, o segmento final é totalmente emocional no melhor dos sentidos e mesmo que não queiram se tiverem um batimento cardíaco vão gastar quilos de lenços de papel e fronhas de almofada (bom filme para ver ca namorada…;), é quase um remake de “My Girl & I” mas onde desta vez está mesmo tudo no lugar certo e nada falha.
Contra: já vimos esta história antes várias vezes mas sinceramente…who cares !

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=0_KWYW5qu9o

Comprar
Este dvd está esgotado em tudo quanto é sitio, por isso se o encontrarem algures digam-me alguma coisa.
O sitio mais provavel onde poderá aparecer primeiro será por aqui…
http://www.yesasia.com/us/koizora-aka-sky-of-love-dvd-english-subtitled-hong-kong-version/1020251637-0-0-0-en/info.html

Download com legendas em Inglés,aqui  ou aqui.

Download com legendas em PT/Br aqui.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1194664/combined

LER O MANGA

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Outros títulos românticos semelhantes recomendados:

The Classic concerto_capinha_73x

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Ju-On 1 & 2 (Ju-On 1 & 2) Takashi Shimizu (2000 e 2003) Japão


Esta review vai em formato de dois em um, porque na verdade falar do primeiro [“Ju-On“] e não falar logo do segundo seria desperdiçar espaço e repetir a temática num texto futuro.

Até porque o segundo filme começa exactamente onde o primeiro acaba e continua a mesma história.
E já que falo no argumento nem me vou dar ao trabalho de o resumir, pois no caso de [“Ju-On“] como diria Teresa Guilherme, isso agora não interessa nada.
E não interessa porquê ? Porque simplesmente o ténuo fio de história não passa apenas de uma justificação para uma colagem de sucessivos segmentos extremamente arrepiantes e assustadores que percorrem os dois filmes e onde o realizador desenvolve as mais variadas e inesperadas ideias sempre com o propósito de nos dar cabo dos nervos e apresentar-nos motivos suficientes para nunca mais dormirmos debaixo de cobertores, tomar banho de chuveiro ou andar de elevador.

Neste aspecto, [“Ju-On“] na minha opinião não podia ser melhor e mais eficaz, pois acho que deve ser um dos melhores filmes de terror que anda por aí, se valorizarmos o género pela criação de atmosfera.
[“Ju-On“], não precisa de história para nada, não é isso que interessa. Ninguém vai ver este filme para ver um drama com desenvolvimento de personagens. Vemos isto para nos assustarmos e nesse aspecto, pelo menos para mim este filme é uma das grandes obras primas do cinema de terror contemporaneo, porque mesmo que o veja dezenas de vezes continua a meter medo.

Isto porque não é um filme que dependa da história ou até mesmo das surpresas para assustar. [“Ju-On“], é essencialmente uma obra que assusta pelo ambiente que cria e este não está dependente de nenhum argumento, ou sequer de pregar sustos “inesperados” com som ALTO á moda dos filmes de pseudo-terror para teenagers americanos.
Não quer dizer que não recorra também a um par de momentos que nos fazem saltar da cadeira, mas curiosamente os mais eficazes são aqueles baseados no extremo silêncio de algumas sequências e não na súbita imagem nojenta que pudesse aparecer.
[“Ju-On“], é terror de puro ambiente e ambos os filmes seguem essa linha muito, muito bem.

Curiosamente o remake “americano” foi filmado pelo mesmo realizador dos originais, o que dotou as versões americanas de muito mais identidade do que é costume, embora quem já tenha visto estes originais não vai já achar grande novidade ou impacto nos remakes produzidos por Hollywood e como tal são na mesma completamente dispensáveis pois pouco mais fazem do que reproduzir o que já foi feito mas com caras conhecidas americanas. Aliás, não se percebe mesmo para que raio é que se deram ao trabalho de refazer um filme que já era perfeito, até porque o remake é practicamente idéntico em tudo embora um bocadinho mais plástico, pois apesar de manter a sua identidade sente-se sempre a influência do estilo americano por detrás, nomeadamente no facto de ter muitos mais sustos de som ALTO do que precisava ter.
Takashi Shimizu, o realizador practicamente construiu uma carreira a refazer sempre o mesmo filme [“Ju-On“]. Além dos filmes originais e dos remakes americanos, realizou também outros remakes para a televisão japonesa e parece condenado a não produzir mais nada de original enquanto isso.

No entanto, não há dúvida que [“Ju-On“] no seu original japonês, é realmente um grande filme de terror. Pode não ser para toda a gente, mas para mim é um daqueles mesmo perfeitos para ser visto noite dentro, sózinho, de luzes apagadas e a chover lá fora.
Além disso, quem gosta de filmes de terror com criancinhas absolutamente creepy tem aqui algo que o manterá congelado no sofá ao ponto de nem sequer notar que o filme tem para lá uma história qualquer que nem interessa nada.
E a quem sofra do coração, se calhar é melhor não ver [“Ju-On“] com o telemovel ligado ao lado.

Na sua simplicidade e apesar de recorrer a todos os truques do cinema de terror oriental moderno inaugurados pelo já clássico “Ringu”, é um filme que faz tudo bem para nos arrepiar e como tal na minha opinião é um pequeno produto low-budget sem falhas que mereçam ser apontadas.
Podem ver o primeiro [“Ju-On“] sem precisar de ver o segundo e até podem ver o segundo [“Ju-On 2“] sem ver o primeiro, mas se virem os dois juntos estes formam um excelente filme de terror com uma duração de aproximadamente 3 horas onde não se passa mais nada a não ser momentos de puro medo e também algumas cenas nojentas no segundo filme que não serão própriamente aconselhadas a mulheres grávidas…

Não esperem uma estrutura ao estilo americano. Este não é um filme de suspanse com base nos habituais clichés de hollywood e se calhar até pode ser um filme parado para muito boa gente, pois aqui o horror é totalmente construído com base em silêncio e não em violência e pirotécnia á americana.

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CLASSIFICAÇÃO:
Dois excelentes filmes de terror que podem ser vistos isoladamente mas perfeitos para serem vistos de seguida.
A prova de que ás vezes a simplicidade compensa e vale mais um ambiente perturbante do que mil efeitos especiais.
Não há muito mais a dizer.
Os dois filmes são assustadores como o “#$%% e por isso levam cinco tigelas de noodles sem qualquer sombra de dúvida, embora o primeiro [“Ju-On“] seja melhor e mais assustador que o segundo. Embora não sejam muito diferentes e a única razão porque isso acontece é porque no segundo já vamos á espera daquilo com que podemos contar e a surpresa não será tanta.

A favor: o clima de medo, a tensão, os silêncios angústiantes, apesar de básica a história serve perfeitamente o filme e as situações estão muito bem ligadas numa estrutura de puzzle, tem uma criancinha fantasma absolutamente arrepiante, tem muito poucos efeitos especiais e tudo é construído com base na atmosfera.
Contra: não se afasta dos clichés habituais do cinema de terror oriental.

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=e8R1dODSbzU

Comprar
Existem óptimas edições nacionais, que poderão encontrar ainda em toda a parte. Inclusive nos cestos de promoções em hipermercados ou nas FNAC espalhadas pelo país.
Em alternativa podem encontrar o primeiro filme e o segundo filme em DVD a um preço fantástico na Amazon Uk por isso é de aproveitar.

IMDB
Ju-On –  http://www.imdb.com/title/tt0330500/
Ju-On 2 – http://www.imdb.com/title/tt0367913/

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Filmes semelhantes de que poderá gostar:

A Tale of Two Sisters

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