Beonjijeompeureul hada (Bungee Jumping of their own) Dae-seung Kim (2001) Coreia do Sul


Estou lixado.
E agora como raio é que eu comento este filme ?
Bom, primeiro que tudo…meus amigos AFASTEM-SE de tudo o que é review na net, esqueçam o Imdb e nem tentem saber absolutamente nada sobre [“Bungee Jumping of their Own“].

Não vou deixar links para nada que lhes revele coisas sobre o filme e portanto já agora, se espreitarem o video do youtube mais á frente sugiro que vejam apenas aquele que indico e mais nenhum.
Este é um daqueles filmes orientais que merece ser visto sem saberem absolutamente NADA sobre o que vão ver e até o facto de espreitarem uma outra qualquer review mesmo que esta não lhes conte o final do filme, vai retirar-lhe na mesma metade do seu impacto, porque inevitávelmente alguém lhes irá dar uma indicação sobre um dos temas.

Raios…e agora ? O que é que eu digo ?…
Muita gente já me perguntou, porque é que eu ainda não falei sobre filmes como “Hero”, “Old Boy” ou “House of the flying daggers”. A resposta é simples.
A minha prioridade no “Cinema ao Sol Nascente”, é indicar filmes que as pessoas porventura ainda não conhecem e como tal, obras como “Hero” já foram bastante publicitadas na imprensa nacional, até porque tiveram estreia no cinema em Portugal e sendo assim não tenho grande urgência em falar delas por enquanto.

Este blog existe para divulgar precisamente coisas como [“Bungee Jumping of their Own“].
Para quem está por dentro do que se passa no cinema oriental, não será uma obra totalmente obscura, mas esta página não é para quem já conhece muito desta cinematografia e sim para fazer com que pessoal que nunca pensou vir a gostar de um filme Sul Coreano por exemplo, de repente descubra que não é só em Hollywood que existem bons filmes a serem produzidos.

Como a procura por filmes românticos orientais continua absolutamente em alta neste blog, é sempre bom divulgar mais outra obra deste género. Especialmente quando é uma história de amor realmente original e completamente inesperada como acontece neste caso.
[“Bungee Jumping of their Own“], deve ser um daqueles raros filmes românticos orientais que eu próprio duvido que alguma vez venha a ter um remake americano. E porquê ?
Porque o tema deste filme iria certamente deixar muito americano desconfortável a olhar para o ecrã e como tal um remake disto não seria própriamente fácil de vender a um público pipoqueiro generalista.
Portanto em principio este será um filme que deverá continuar apenas no mercado oriental e sendo assim, para conhecerem esta história que merece ser vista, vocês terão mesmo que ver a produção original Sul Coreana.

[“Bungee Jumping of their Own“], embora como objecto de cinema não deslumbre por aí além e até nem seja o típico filme romântico fofinho oriental a um estilo “The Classic“, tem no entanto uma força extraordinária a nível de argumento que compensa plenamente a relativa atmosfera fria, algo estranha e desconfortável que percorre toda a obra.

É que todo este clima relativamente perturbante e triste até nas partes mais românticas tem uma razão de ser e quando esta nos atinge em cheio no estômago a partir da meia hora final da história não podemos deixar de ficar absolutamente facinados. Isto apesar da direcção que o filme toma na sua segunda metade não ser propriamente inesperada.
No entanto esses segmentos finais têm uma força absolutamente original, porque ao abordar um dos temas, [“Bungee Jumping of their Own“] entra por uma outra questão que pelo menos vos garanto os deixará a pensar no tema por muito tempo após este filme ter chegado aos seus créditos finais.
Então se estiverem a vê-lo com amigos, têm no final desta história muito bom motivo para intermináveis discussão sobre o tema que o filme muito bem aborda.

Eu estou para aqui a tentar conter-me para não lhes contar a parte final do filme e acreditem-me está a ser muito dificil, pois gostaria mesmo muito de lhes poder falar sobre o conceito subjectivo que atravessa esta história mas não posso dizer mais nada por isso é melhor ficar-me por aqui.
E por falar em história….

[“Bungee Jumping of their Own“], narra a relação amorosa entre um rapaz e uma rapariga que se conhecem num dia de chuva e inevitávelmente acabam apaixonados. Só que como isto é uma história de amor Coreana, óbviamente que as coisas não poderiam ser simples. E acreditem…vocês nem imaginam o que lhes vai cair em cima.
Um dia ao combinarem encontrar-se numa estação, a jovem rapariga simplesmente não aparece e o rapaz nunca mais a volta a ver durante anos a fio. Até ao dia em que …

Não conto mais.
E mesmo assim já falei demais até ,por isso estão por vossa conta.
E não se esqueçam, façam-me o favor de ir ver [“Bungee Jumping of their Own“] sem procurarem saber absolutamente nada sobre este filme asiático. Acreditem que depois me irão agradecer.
Vá lá, não custa nada, evitem procurar mais sobre ele na internet.

Técnicamente o filme nem sequer é um daqueles objectos de cinema que fique na memória. Não há nada na realização que o destaque do mais corriqueiro trabalho visual associado a produtos românticos televisivos e não será por isso que ficará também na vossa recordação.
Os personagens também não são particularmente cativantes. Não porque sejam aborrecidos, mas porque não se destacam dos habituais estéreotipos dentro das histórias de amor orientais e como tal são simpáticos, fazem-nos interessar por eles mas mais porque o argumento trabalha tão bem o desenrolar da história do que pela história de amor em si entre eles que não deriva do habitual.

Não deriva, porque na verdade esse pormenor também é essencial para dar que a reviravolta da parte final resulte em pleno, pois subitamente retira debaixo dos pés do espectador todo o tapete com os habituais clichés românticos e substitui-o por um desenvolvimento não só original como também bastante polémico devido ás próprias questões que tal opção de argumento possa levantar. E claro que não vou contar nada.
No entanto, há uma coisa a destacar aqui e é precisamente o trabalho dos actores, especialmente quem faz de … (não posso dizer)… e que consegue compor uma personagem absolutamente perfeita que liga fantásticamente com a primeira metade da história de amor que nos é apresentada e vos vai deixar a discutir o assunto durante dias a fio. O assunto, não, vai deixar-vos a discutir os assuntos durante dias a fio.

Como curiosidade, parece mentira, mas a jovem actriz deste filme suicidou-se há trés anos atrás, tudo indica devido a uma relação amorosa que correu tão mal como se tivesse saído da típica love-story como aquelas em que costumava participar no grande ecrã e do qual [“Bungee Jumping of their Own“] é um excelente exemplo. Agora que sabem disto ainda vão ficar mais impressionados com esta obra.

Sendo assim e antes que eu diga mais qualquer coisa que não deva…

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CLASSIFICAÇÃO:

Mais uma original história de amor Sul Coreana, completamente obrigatória a quem gosta do género, pois garanto-vos que nunca viram nada igual.
Excelente atmosfera que se divide entre o estilo romântico comercial habitual no cinema Sul Coreano e um ambiente algo perturbante e frio, necessário á extraordinária conclusão da história.
Por isso mesmo [“Bungee Jumping of their Own“] é um filme estranho, pois parecem dois estilos de cinema que mesmo nunca conseguindo misturar-se muito bem deram origem a um produto realmente original.

Não lhe dou uma classificação mais elevada, porque a realização não deslumbra e como tal após vermos este filme algumas vezes, depois da surpresa inicial do argumento não há muito mais que nos faça apetecer estar sempre a voltar a revê-lo.
No entanto é mais uma excelente adição para qualquer dvdteca de quem gosta de bom cinema romântico e portanto de compra obrigatória.
Quatro tigelas de noodles e se calhar até merecia mais meia tigela mas a atmosfera algo perturbante do fime deixa-me sempre um bocado sem saber bem se o acho fantástico ou apenas mesmo muito bom. Sendo assim fico-me pelo muito bom.
E recomenda-se, pois este é daqueles que tem que ser visto pelo menos uma vez.

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A favor: o argumento é realmente original, a reviravolta da parte final é fantástica e de certa forma inesperada, as partes românticas típicas do cinema comercial Sul Coreano estão lá todas e nem falta a habitual cena á chuva, os actores.
Contra: a realização não deslumbra, após revermos o filme um par de vezes (até para mostrar aos amigos e ver a cara deles) não é uma obra que estejamos sempre a querer voltar a ver ao contrário de filmes como “Be With You“, “The Classic” ou “Il Mare“.

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NOTAS ADICIONAIS

Videoclip
Á falta de um trailer decente, fiquem com o videoclip, sem *spoilers* de maior que vocês consigam identificar.
http://www.youtube.com/watch?v=EuoDvwh697k&feature=related

Comprar


Podem comprar a nova edição aqui na Amazon.com ou então escolher uma das edições na Play-Asia
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-ad-49-en-15-bungee+jumping-70-1p1o.html
ou a minha edição, um bocadinho rasca com uma imagem mediana mas óptimo som e extras porreiros
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7j-77-2-49-en-15-bungee+jumping-70-cjs.html

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Se gostaram deste poderão gostar de:

Be With You Love Phobia

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Tengoku no honya – koibi (Heaven´s Bookstore) Tetsuo Shinohara (2004) Japão


Este é um daqueles filmes orientais que é dificil de descrever se não contar pelo menos uma boa parte da história por isso espero que não lhes estrague o efeito de surpresa, mas vou começar por aqui desta vez. Não se preocupem pois não haverá *spoilers* de maior.
Bem-vindos á vida depois da morte e ao poéticamente esotérico [“Heaven´s Bookstore“].

Após ter sido despedido da sua orquesta, Kenta, um jovem pianista clássico resolve básicamente enfrascar-se num bar para afogar as mágoas. Mas a coisa não lhe corre bem e o rapaz acorda no dia seguinte numa livraria muito especial sem saber como lá chegou.
O gerente do local, revela-lhe que se encontram no Céu, (esse mesmo) e foi Ele que o trouxe até ali embora nunca lhe revele porquê.
Explica-lhe no entanto que cada ser humano tem sempre 100 anos de vida e se uma pessoa morre antes desse prazo, por exemplo aos 60, terá então de passar os restantes 40 anos no Céu antes de voltar a Terra para uma nova vida.

No Céu, Kenta conhece Shoko uma pianísta que ele admirava quando criança e que morreu alguns anos mais tarde. Formam uma amizade com base no seu amor pelo piano e juntos decidem continuar a compor uma sonata especial que a rapariga deixou incompleta na altura em que morreu.
Entretanto cá em baixo na Terra, Natsuko, a sobrinha de Shoko quer voltar a organizar na sua vila um espectáculo de fogos de artíficio que deixaram de ser apresentados doze anos atrás quando Takimoto, o artesão que fabricava os explosivos resolveu súbitamente abandonar para sempre a sua arte pirotécnica.

Acontece que Takimoto esteve um dia noivo da pianista Shoko mas por causa de um acidente com um dos explosivos do artesão, a jovem perdeu não só a audição num dos ouvidos como desistiu de compor para sempre o que acabou mais tarde por provocar a separação definitiva dos dois amantes.
Meses mais tarde quando Shoko morreu vitíma de doença prolongada, deixou incompleta a mais importante das suas obras, uma composição que tinha por objectivo ilustrar cada sessão de fogo de artíficio criado pelo homem que amava e que a partir desse momento deixou de ter razão para existir pois Takimoto criava essencialmente espectáculos de luz para também celebrar o seu amor por Shoko.

Esta é essencialmente a base de [“Heaven´s Bookstore“], que naturalmente tem ainda um par de outras pequenas histórias envolvendo personagens secundários mas que ficam para vocês descobrirem.
Todo o conceito á volta do Céu é absolutamente perfeito e sem recorrer a qualquer efeito especial o filme consegue criar um ambiente sobrenatural extremamente calmo e celestial que os vai deixar com vontade de passar uns tempos naquele local.

[“Heaven´s Bookstore“], não é um  filme sobre religião mas no entanto consegue criar uma história com um pano de fundo espiritual fascinante ao mesmo tempo que evita qualquer conotação com uma crença religiosa específica e constroi um mundo Celestial que se poderá adaptar a qualquer filosofia apesar de ser plenamente baseado na cultura Japonesa.
O  que em mãos mais ocidentais poderia ser um filme panfletário sobre qualquer crença religiosa Cristã (especialmente se fosse filme americano), em [“Heaven´s Bookstore“],  transforma-se numa obra extremamente atmosférica verdadeiramente universal e com uma textura visual única que enche este filme de pequenos momentos sobrenaturalmente poéticos apenas recorrendo a cenários quotidianos ou a elementos da natureza, transportando o espectador até a uma visão do Paraíso que tenho a certeza ninguém deixará de achar original.

E já que falo nisto, talvez a minha coisa favorita em toda esta história é a representação de Deus.
Eu que me orgulho de ser completamente ateu, embora me interesse imenso pelo lado espiritual e filosófico da nossa existência, sempre que consigo encontrar uma obra que transcenda as limitações de qualquer religião organizada fico logo com vontade de a dar a conhecer.
Embora muito poucos exemplos consigam produzir algo equilibrado neste nosso planeta ainda inexplicávelmente dominado pela religião, temos aqui uma excepção.
Isto agora levar-nos-ia muito longe, mas gosto quando aparecem histórias que retratem Deus, não de uma forma religiosa, mas sim como sendo essencialmente – “um gajo comum” e [“Heaven´s Bookstore“], tem nesse aspecto uma das melhores e mais simples representações de uma entidade supostamente “divina” que encontrei em cinema. Tão simples que quase nem se nota.

Consegue ser suficientemente subjectivo para que cada pessoa lhe atribua a conotação que bem entender fazendo dele um filme universal e talvez seja este o seu grande encanto.
Houve alguém que um dia questionou:  “Se Deus nos explicasse detalhadamente como criou o Universo e nos ensinasse tudo sobre o processo de criação, será que ainda o considerariamos um Deus depois de nós aprendermos todo o segredo” ?

Em [“Heaven´s Bookstore“], nada nos é explicado por “Deus” porque o filme não é sobre Ele.
Mas a maneira como Ele nos é apresentado segue um pouco esta linha de pensamento resultando num Deus bem mais cativante pela sua humanidade, personalidade e simplicidade do que mil interpretações que qualquer religião oficial politicamente correcta continue a impingir á humanidade.
Neste filme, Deus é um tipo simples, um gajo porreiro que se entretém a gerir o centro do Paraíso na sua fascinante livraria/biblioteca contribuindo com isso, para a evolução espiritual de toda a gente que por lá passa através da divulgação do Conhecimento e fomentando o gosto pela Cultura a todas as almas que habitam temporáriamente no Céu.

Nessa livraria, o próprio Deus contribui ele próprio com a leitura das histórias presentes nos livros da biblioteca para quem o quiser ir ouvir naquele espaço e através delas e das suas metáforas ajuda os habitantes do Paraíso a a ultrapassarem as tristezas da sua vida anterior, enquanto aguardam a próxima reencarnação.

No caso da jovem pianista Shoko, aparentemente Deus resolveu aplicar um método diferente e como tal trouxe Kenta para o Céu pois inevitávelmente a interacção entre os dois pianistas serviria não só para ajudar a resolver as mágoas de uma pessoa mas essencialmente de trés almas marcadas pela tristeza. Duas no Céu e uma na Terra, pois o artesão Takimoto continua a sofrer com o seu sentimento de culpa por ter abandonado Shoko quando ela mais precisava dele no momento em que ficou doente.

Essencialmente [“Heaven´s Bookstore“], gira á volta deste conceito e apesar do que contei poder parecer se calhar até demais, quando virem o filme vão perceber que ainda há muito para descobrir nele e nas suas entrelinhas, mas essencialmente fico-me agora por aqui.
Apenas posso dizer que gostei muito deste filme oriental.
Não o achei tão bom quanto por exemplo, um “Il Mare” pois acho que lhe falta qualquer coisa que o torne especial, mas não deixa por isso de ser um filme muito poético e acima de tudo esotérico de uma forma simples que não tenta apresentar verdades absolutas mas sim fazer sonhar o espectador ao mesmo tempo que nos conta uma boa história.

Tem no entanto uma falha que se nota particularmente em alguns momentos do filme e impede que eu lhe dê uma classificação maior.
O argumento de [“Heaven´s Bookstore“], teve origem em dois romances japoneses distintos que foram misturados de modo a criar uma única história e no filme nota-se demasiado essa separação pois as coisas não fluiem tão naturalmente quanto seria de desejar.
Por muito que o realizador tente, a parte passada no Céu embora  excelente nunca liga muito bem com a outra metade passada na Terra (ou vice-versa), pois ambas parecem pertencer a filmes diferentes, o que origina uma quebra de ritmo narrativo que se nota bastante particularmente a meio da história.

E nem o trabalho extraordinário de composição da jovem actriz que neste filme faz dois papeis, consegue ligar as duas metades apesar de ser a mesma pessoa que faz de Shoko no Céu e também de sua sobrinha Natsuko na Terra ( a mesma actriz de “Be With You“).

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CLASSIFICAÇÃO:

Este é um filme de que me apetece gostar muito mais do que na realidade gosto, por isso não é daqueles que recomende como uma prioridade se procurarem histórias de amor embora seja uma boa história.
Na verdade, fiquei algo decepcionado, pois esperava emocionar-me mais do que veio a acontecer porque tinha gostado mesmo muito do trailer e no entanto aquele ambiente que se encontra na apresentação sofre várias quebras ao longo do filme e isto retira-lhe algum do impacto dramático e romântico que merecia ter mas na minha opinião nunca alcança.
No entanto, se já tiverem visto as outras histórias de amor que tenho recomendado neste blog, [“Heaven´s Bookstore“], é uma óptima compra para juntarem a seguir á vossa  colecção pois não é de forma nenhuma um mau filme, muito pelo contrário e só pela atmosfera das cenas passadas no Céu vale mesmo a pena.

Quem gostar de piano (ou se tocar piano), adicionem mais uma tigela de noodles á minha classificação porque o todo o filme gira á volta desse instrumento e por isso tenho a certeza de que irão gostar muito pois está plenamente utilizado para criar a atmosfera do filme.
Quatro tigelas de noodles (mais uma se gostarem mesmo muito de piano clássico).

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A favor: o ambiente do Céu faz com que nos apeteça ir passar la uns tempos, a livraria/biblioteca Celestial, as cenas filmadas na planicie verdejante ao sabor do vento atravessada por uma única estrada que leva “á saída do Céu”, a maneira como a banda sonora é usada para criar uma atmosfera de melancolia, Deus é um bacano de chapéu cool e usa T-Shirts Havaianas – o que se pode pedir mais ?
Contra: a narrativa tem falhas na sua estrutura pois sente-se claramente que são duas histórias separadas a tentarem colar forçadamente, as partes passadas na Terra com os personagens que estão vivos apesar de ligarem com os acontecimentos no Céu nunca são particularmente interessantes porque ainda por cima são demasiado previsíveis, não há nenhuma surpresa de maior na história e se calhar neste caso um bom twist teria ajudado a ligar os dois argumentos, não é o filme romântico que parece ser no trailer e até talvez seja demasiado melancólico e triste.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=h9PWxuGQC7M

Videoclip
http://www.youtube.com/watch?v=CoG-R3-nHyM&feature=related

Comprar
Recomendo esta edição. Excelente em todos os aspectos. Óptima imagem, excelente Dts e Extras a condizer tudo legendado em inglés.
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7j-77-5-49-en-15-heavens+bookstore-70-rbx.html

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0423360/

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Se gostaram deste irão certamente gostar de:

Be With You My Sassy Girl Love Phobia

Il Mare The Classic Fly me to Polaris

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Ima, Ai Ni Yukimasu (Be With You) Nobuhiro Doi (2004) Japão


Para quem não conhece [“Be With You“] só lhes digo que este cartaz do filme em total modo fofinho japonês esconde um título com um dos melhores twists que já houve dentro de uma história de amor num filme que à primeira vista não passaria apenas de um drama romântico ao melhor estilo oriental.
Este não é um filme fácil de comentar principalmente porque se indico demais sobre a história e lá se vai o impacto todo. Mas não se preocupem pois não lhes vou estragar as surpresas.

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Apesar de [“Be With You“] já ter sido produzido em 2004, houve um tempo em que não havia qualquer informação de relevo sobre este filme na internet a não ser em Japonês.
Quase cheguei a pensar que ninguém a não ser eu o tinha visto aqui no ocidente.
Curiosamente, a partir do momento em que apareceu no Imdb a notícia de que Hollywood havia comprado os direitos para fazer um (inevitável) remake americano, a ser na altura protagonizado por Jennifer Garner, começaram por volta de 2008 a surgir em inglês na internet as primeiras referências ao filme original.

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Remake que entretanto parece que não se concretizou, mas no entanto como isto em Hollywood nunca é de fiar e antes que apareça por aí uma versão gringa de surpresa e aconteça o mesmo que aconteceu com o fabuloso “Il Mare”; (que na sua charoposa e descaracterizada versão americana ganhou o nome “The Lake House“) aconselho vivamente a quem gosta de uma boa história romântica de contornos, ehm..  “sobrenaturais” que procure este filme o quanto antes pois tem suficientes atractivos para prender o espectador ao ecran e pregar uma excelente surpresa pelo final.

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Eu poderia agora até compará-lo com um recente título de ficção-científica que andou nos cinemas há pouco tempo mas não o irei fazer pois muitos de vocês adivinhariam logo qual o conceito desta história.
Posso garantir-vos é que se gostam de cinema romântico com alma e estão fartos dos enlatados americanos com pseudolovestories formuláticas, então não irão esquecer este filme tão cedo pois o final ainda lhes irá proporcionar alguns bons motivos para uma discussão filosófica entre amigos sobre as questões que este coloca.

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[“Be With You“], é um pequeno grande exemplo de como se pode fazer cinema comercial romântico de forma inteligente, mesmo usando os habituais clichés. Só que desta vez para criar uma história realmente com substância.
Apesar de se calhar, á primeira vista prometer vir a ser algo que muita gente classificará como piroso ou demasiado sentimental, não se deixem enganar pelo tom do trailer nem desmoralizar pelo ritmo calmo do início da história e posso garantir-vos que o final do filme irá no mínimo provocar não só legítima emoção (pela súbita identificação do espectador quando nos apercebemos da questão central da história), como principalmente poderá fomentar muita discussão sobre o dilema que de repente nos é apresentado no segmento final onde tudo é revelado.

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Mas [“Be With You“] é sobre o quê ?
Bem.. O filme baseado num popular romance Japonês, conta a história de uma familia em que a mãe morre, deixando o pai sózinho a tomar conta de um filho com 5 anos.
Ao morrer a rapariga promete regressar para junto da família num dia de chuva e eis que meses mais tarde precisamente na estação das chuvas Japonesa, ao passearem no mesmo  bosque onde costumavam ir os três, o pai e a criança encontram uma mulher exactamente igual á falecida esposa e mãe.

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Fascinados pelas semelhanças entre a rapariga que encontram e a falecida, decidem aproveitar o facto desta pessoa se econtrar totalmente amnésica e recolhem-na em sua casa ao mesmo tempo que a convencem de que ela sempre fez realmente parte da familia e que apenas esteve muito doente internada durante meses num hospital.
A partir daqui o mistério adensa-se. Quem é a jovem amnésica e porque tem tantas semelhanças com a rapariga que faleceu ?
Quem conhece bem o cinema romântico oriental já sabe com o que pode contar e com uma resposta no mínimo original que infelizmente agora não posso comentar pois estaria a dar cabo do filme a toda a gente.

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Se gostam de bons filmes românticos com um conteúdo inteligente sem ser pretencioso, se gostam de finais com uma pitada de mistério e de filmes em que os personagens parecem mesmo seres humanos e não apenas estereótipos, sugiro que procurem este filme o quanto antes não vá aparecer por aí o remake americano um destes dias e estragar toda a magia da surpresa original. E se não gostam de Gira-sois depois deste filme passam a gostar.

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[“Be With You“] como já referi é a adaptação de um romance original japonês que aparentemente teve um enorme sucesso por aquelas bandas do oriente e posso dizer-vos que se nota.
Nota-se que foi adaptado de um livro.
Está carregado daqueles pequenos pormenores que nem sempre se encontram em histórias especificamente criadas para  filme e isto torna-se ainda mais evidente depois que lemos o livro.
Não só o filme está mesmo muito bem adaptado como ao mesmo tempo ainda deixa muita coisa para descobrirmos no livro sem que isso tenha sido prejudicial para o argumento adaptado ou vice-versa.

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[“Be With You“] é um filme melancólico mas nunca triste.
Poderá ser algo lento para quem estiver habituado a uma montagem mais americanizada mas esta lentidão só lhe dá ainda maior poesia.
Está carregado de imagens bonitas compostas apenas através do que se encontra no quotidiano e toda a atmosfera da história além de ser bastante misteriosa quase que se torna verdadeiramente mágica por causa disso.

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Quem gostou do Sul Coreano Il Mare por exemplo, pode contar aqui com um ambiente relativamente semelhante e por isso recomendo vivamente este filme.
Aliás temos aqui mais um em que a banda sonora é também peça verdadeiramente fundamental para a emotividade da história e desta vez nem o facto de conter um par de canções mais pop-japonesas prejudica o que quer que seja.

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Até porque com um final destes era impossível alguma coisa dar cabo desta fantasia romântica.
Quem procura uma história de amor de contornos “sobrenaturais” não pode de forma nenhuma perder este pequeno grande filme e espero sinceramente que o consigam ver antes que apareça por aí o remake americano e lhes estrague por completo toda a magia da surpresa presente nesta história.

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Este é um daqueles casos que não recomendo que leiam o livro primeiro.
Na verdade o filme vai estragar-lhes a surpresa da história no final do livro, mas por outro lado a visão da adaptação cinematográfica não teria o mesmo impacto se já soubessem a solução do mistério e sendo assim acho que recomendo mesmo que vejam o filme primeiro.
Até porque depois o livro não fica a perder e ganha ainda mais magia pois é um daqueles que se lê pelo puro prazer de o compararmos com a adaptação para filme.

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CLASSIFICAÇÃO

Absolutamente fabuloso e totalmente obrigatório para quem gosta de bom cinema romântico com muita alma e imaginação. E já que vão comprar este juntem também  ”The Classic“, “Be With You“, “My Sassy Girl”, “Fly me to Polaris” e “Il Mare“ pois ficarão com uma pequena colecção do melhor cinema comercial romântico que poderão encontrar actualmente.
Cinco tijelas de noodles e um Golden Award como selo de qualidade, sem qualquer hesitação.

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A favor: história, humanismo dos personagens, interpretações, banda sonora, ambiente, fotografia, montagem, final.

Contra: absolutamente nada, embora para algumas pessoas possa parecer um filme um bocadinho lento. O que não quer dizer que seja aborrecido, muito pelo contrário.

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NOTAS ADICIONAIS:

TRAILER
O que este trailer tem de genial é que consegue mostrar muita coisa do filme sem no entanto dar a entender a minima pista sobre o que este irá ser.
Americanos aprendam com isto ! É assim que se faz um trailer sem mostrar nada do filme.

Talvez o único ponto negativo nesta apresentação é que muita gente irá evitar o filme por parecer extremamente fofinho e é pena. Nem sabem o que perdem.

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COMPRAR O FILME
Eu ia sugerir a compra desta edição fantástica em dvd, barata e com pilhas de gadgets fofinhos para todos os gostos (á maneira japonesa)  mas infelizmente esta caixa especial que eu tenho, parece estar agora descontinuada.
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7l-77-1-49-en-15-be+with+you-70-yrn.html

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Em bluray ainda não existe mas no entanto podem encontrar o DVD normal aqui:

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http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7l-49-en-15-be+with+you-70-tyi.html .
Não existe diferença entre esta edição e o dvd que vem na caixa especial da edição esgotada. O filme é o mesmo.
Atenção que está em região 3.
Excelente imagem, legendas em inglés e um DTS fantástico a condizer.
Se encomendarem algo nesta loja, sugiro o método de expedição mais barato (“buble”),  pois chega perfeitamente. Costumo comprar muitos dos meus filmes orientais na Play-Asia e até hoje nunca tive qualquer problema de alfândega.

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IMDB (cuidado com os *SPOILERS* que lhes poderão estragar a surpresa do filme)
Não recomendo de todo que leiam o que quer que seja sobre [“Be With You“] antes de o verem. Mesmo ! Estão por vossa conta.
http://www.imdb.com/title/tt0442268/

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intro

Podem encontrá-lo neste site se ainda estiver disponível quando estiverem a ler estas linhas.

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O LIVRO ORIGINAL
Este é o romance original que recomendo vivamente se gostarem do filme, pois desenvolve muita coisa que não está no ecran, tem algumas diferenças consideráveis e é o complemento perfeito para o filme.
CLIQUEM NA CAPA PARA LER A MINHA REVIEW
desta novela original que só devem ler depois de verem o filme !

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A SÉRIE DE TV
Descobri há pouco que este filme no japão também deu origem a um remake para televisão com a mesma criancinha um pouco mais crescida e novos actores a fazerem de pais.
Para quem já tiver visto o filme e quiser espreitar mais esta curiosidade fica aqui o link para algumas das cenas desta versão para televisão.
http://www.youtube.com/watch?v=dGK7qLXW2j4
Pelo que vejo , adicionaram mais umas coisas á história inicialmente apresentada no cinema e sinceramente não me parece que resulte tão bem quanto o original porque na verdade esta história já é suficientemente fabulosa na sua versão inicial e não precisava de mais coisas.
Certifiquem-se apenas quando procurarem pelo filme que estão a ver a versão original para cinema pois a série televisiva de certeza que não terá o impacto do original.
Nem consigo perceber como se conseguiu fazer uma série de TV com esta história tão simples e de que a maior parte das pessoas ficou a conhecer a surpresa final quando viu o filme, mas nunca se sabe, se calhar até resulta bem.
De qualquer maneira, vejam lá se vêem primeiro o filme fachavor.

E afastem-se da Internet antes de verem o filme.
Nem pensem em ir ao IMDb antes de terem visto esta história até ao segundo final.

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Filmes semelhantes de que certamente irão gostar:

Il Mare My Sassy Girl Love Phobia The Classic Fly me to Polaris

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Update (13-4-08): descobri há pouco que este filme no japão também deu origem a um remake para televisão. Com a mesma criancinha um pouco mais crescida e novos actores a fazerem de pais.
Para quem já tiver visto o filme e quiser espreitar mais esta curiosidade fica aqui o link para algumas das cenas desta versão para televisão.
http://www.youtube.com/watch?v=dGK7qLXW2j4
Pelo que vejo , adicionaram mais umas coisas á história inicialmente apresentada no cinema e sinceramente não me parece que resulte tão bem quanto o original porque na verdade esta história já é suficientemente fabulosa na sua versão inicial e não precisava de mais coisas.
Certifiquem-se apenas quando comprarem o filme que estão a comprar a versão original para cinema. Não vá comprarem por engano a série televisiva pois de certeza que não terá o impacto do original.
Nem consigo perceber como se conseguiu fazer uma série de TV com esta história tão simples e de que a maior parte das pessoas ficou a conhecer a surpresa final quando viu o filme, mas nunca se sabe, se calhar até resulta bem.
De qualquer maneira, vejam lá se vêem primeiro o filme fachavor. 😉