Quing Ren Jie (A Time to Love) Jianqi Huo (2005) China


Se há coisa que eu já não posso ver mais pela frente são versões do Romeu & Julieta de Shakespeare, onde a conhecida história é por demais repetida até á exaustão em todos os detalhes e mais alguns.
Não consigo perceber para quê tantos autores continuarem a insistir naquela narrativa a esta altura quando já milhares de vezes foi  transformada em tudo e mais alguma coisa, desde filmes do Franco Zefirelli até pornos da Ginger Lynn.

Como tal, quando eu comprei há muitos anos atrás o dvd de [“A Time to Love“] sem saber nada sobre o filme e depois descobri que se tratava da bilionéssima história inspirada por “Romeu & Julieta”, a minha vontade foi a de devolver isto á Play Asia ou trocá-lo por um filme romântico qualquer com o Steven Seagal aos tiros.
Toma lá para não comprares filmes pelo aspecto gráfico da (excelente) capa !
Por isso quando vi esta história pela primeira vez (já que tinha que ser) nem sequer lhe prestei grande atenção.
Ainda por cima eu estava á procura de algo mais no estilo sul-coreano e [“A Time to Love“] tinha uma atmosfera marcadamente chinesa, algo a que eu não estava ainda habituado, pois são estilos muito diferentes dentro do cinema romântico.

Apesar de não me ter causado uma impressão por aí além na altura, surpreendentemente ficou-me na memória e esteve na minha lista de filmes a rever com outros olhos por muito tempo, até ontem.
Ficou-me na memória, não só pela abordagem á história clássica ter-me surpreendido como principalmente algumas das suas bonitas imagens acabaram ficando gravadas na minha imaginação até hoje, pois já na altura o visual do filme me surpreendeu.
Toda a paleta cromática de [“A Time to Love“]  é composta por tons ferrugem contrastando com verde das árvores e tons de sombra intensa o que lhe dá logo desde o início uma estética que nos agarra todos os sentidos pelo seu estilo quase steampunk pois mal o filme começa somos logo transportados para um úniverso único e bastante poético.

E surpresa das surpresas, agora que revi o filme ainda estou para saber o que raio é que foi que não me cativou na altura em que o vi pela primeira vez !
[“A Time to Love“] é um filme absolutamente lindíssimo em muitos aspectos mas se calhar é capaz de não se notar mesmo a uma primeira visão. Especialmente se entrarem com preconceitos anti-Romeu & Julieta como eu entrei nisto anos atrás quando vi o dvd.

Portanto, para começar eu já não me lembrava nada do filme e agora foi como se o tivesse visto pela primeira vez e não podia ter ficado, não só mais surpreendido como também mais satisfeito com o que (re)vi ontem.
Se calhar [“A Time to Love“] poderá ter uma altura certa para ser visto e muito provavelmente funcionará muito melhor com o público adulto do que com pessoas mais novas talvez, com menos experiência de vida ou algo assim. Isto porque pode ser uma história de amor com adolescentes, mas tudo é narrado num tom dramático mais adulto e até teatral, pois este filme tem uma assinatura tão característica que julgo se poderá incluir algures entre o cinema comercial e o dito cinema de autor pela sua abordagem algo intímista.

[“A Time to Love“] como filme é realmente um espectáculo (nem acredito que estou a dizer isto); primeiro, porque consegue pegar não só no tema mas também em alguma da estrutura de Romeu & Julieta e no entanto, milagre dos milagres apresenta-o com uma abordagem realmente refrescante. Conseguindo inclusivamente uma coisa que eu julgava impossível de ser feita…nomeadamente [“A Time to Love“] tem um suspanse romântico de cortar á faca pois até quase literalmente ao último segundo o espectador fica completamente na espectativa de como irá terminar desta vez esta história de amor com o seu final por demais conhecido.
Conseguirão desta vez os dois amantes ficar juntos ?
Apenas lhes posso dizer que o final de [“A Time to Love“] é extraordináriamente simples mas muito poderoso em termos de emoção e não lhes digo mais nada, pois o trabalho da actriz protagonista no último enquadramento visual desta história vai deixar-vos totalmente cativados e emocionados de uma forma que ainda não tinha visto num filme oriental.
Adorei o final deste filme.

E já que falo na actriz principal, nunca pensei que esta rapariga fosse tão incrivel. Estava habituado a vê-la em produções bem mais comerciais essencialmente em papeis de muita acção (“Warriors of Heaven & Earth”  –  “So Close“) e nem sequer pensava que ela seria capaz de carregar ás costas metade de um filme como [“A Time to Love“], onde bem mais que apenas uma história de amor ao estilo habitual oriental, é acima de tudo um drama bem mais complexo que se centra apenas numa história de amor impossível, (quase uma tragédia na verdade, sempre a piscar o olho a Shakespeare).

Tanto ela, como o seu co-protagonista masculino brilham neste drama.
Irão encontrar em [“A Time to Love“] um dos pares românticos com mais carísma que apareceu até hoje dentro deste estilo de histórias de amor orientais. A química entre os dois actores é total e enquanto espectadores a partir de certa altura esquecemo-nos por completo que estamos a ver um filme pois deixamo-nos levar por aqueles dois personagens até ao desenlace final desta história. Uma história que surpreendentemente de forma tão cativante consegue dar-nos um Romeu & Julieta com suspanse suficiente para nos fazer roer as almofadas até ao último segundo (sem parecer que está a fazer qualquer coisa de importante sequer), o que já é por si só uma boa característica para algo que seria á partida totalmente previsível.
Usa inclusivamente o próprio livro com a peça de Romeu & Julieta original para nos garantir que [“A Time to Love“]  é Romeu & Julieta por mais do que uma vez. O que é bom para confundir o espectador.

Não pensem no entanto, que [“A Time to Love“] é um filme romântico oriental ao estilo que estão habituados, se virem por exemplo produtos sul-coreanos ou japoneses.
Uma das características da maior parte dos dramas românticos chineses está no facto deste país preocupar-se mais com uma história de amor enquanto objecto dramático dentro daquele aspecto teatral mais sério e menos com a ligeireza do estilo narrativo. Por isso, [“A Time to Love“] é um filme sem pressas. Embora tenha um ritmo narrativo sempre constante, muitas vezes conta a sua história não por palavras mas por ambientes, imagens atmosferas e silêncios. Um pouco talvez como “Il Mare” o fez e com um tom melancólico semelhante, embora um pouco mais triste neste caso devido á carga trágica da própria base da história.

E por falar em silêncios, [“A Time to Love“] tem dois momentos absolutamente fantásticos na minha opinião que jogam precisamente com o silêncio para criar uma intensidade de emoções espectacular e que nos faz entrar em total empatia com o casal de apaixonados desta história.
É certo que o filme vai aos poucos trabalhando a carga emotiva sem o espectador notar, tanto na criação de ambientes como também pelo que não mostra e como tal quando surge um dos momentos mais bonitos a meio do filme, nem sequer precisa colocar os actores com qualquer diálogo para a cena romântica resultar com uma força incrível.

Falo particularmente de uma breve e pequenina cena a meio do filme, em que o rapaz e a rapariga estão de ambos os lados de uma vedação de arame e onde sem palavras o realizador consegue transmitir uma carga romântica não só totalmente natural como acima de tudo cria um momento emocional fantástico apenas recorrendo ao toque das mãos, a silêncios e a olhares breves para nos transmitir tudo o que os personagens sentem.

A segunda cena semelhante tem a ver com os segundos finais da história, mas de que não posso aqui falar porque lhes estragaria o suspanse todo e vocês ficariam a saber se [“A Time to Love“] acaba como a peça que lhe deu inspiração ou não. Apenas lhes garanto que se chegarem até aos momentos finais desta história totalmente cativados pelo destino dos personagens até se vão passar com o trabalho da actriz nos momentos finais onde apenas com um olhar concluiu tudo o que havia para concluir e proporciona ao espectador um momento final daqueles que os fará não esquecer este filme tão cedo se gostarem tanto dele quanto eu gostei desta segunda vez que o vi.
Não esperem é explicações de bandeja ao estilo, – “o que aconteceu foi…” – porque isto não é um filme desses.

[“A Time to Love“] é uma daquelas raras histórias de amor em cinema que resultam plenamente do trabalho não só dos actores principais mas também das interpretações de um elenco poderoso em termos dramáticos. Não sei se este pessoal será tudo actores de teatro mas todos os personagens nesta história são fascinantes e irão tocar-lhes emocionalmente em muitos aspectos surpreendentes.
Juntem a isto uma realização fantástica e têm todos os ingredientes para gostarem também muito deste filme se procuram por outra boa história de amor e já espreitaram tudo o que tenho recomendado neste blog.

Em termos visuais, [“A Time to Love“] é um dos filmes mais poéticos que me passaram pela frente em muito tempo dentro deste género estético.
Para começar a fotografia é incrível e vão encontrar aqui imagens absolutamente notáveis pois este é mais um daqueles filmes em que vão querer fazer pausa a todo o instante só para apreciar as pinturas de luz e sombra que ele contém practicamente em todo e qualquer frame.
Não só os ambientes são depois também fascinantes como está carregado de texturas e pormenores por todo o lado, tornando-o num filme totalmente obrigatório também para quem gosta muito de rever um filme muitas vezes só para curtir os pormenores. Pode ser uma sombra, pode ser uma textura, uma luz, uma cor, ou uma paisagem, mas garanto-vos que mesmo que nem gostem muito do género, visualmente vão achar este filme uma pequena joia perdida que importa descobrir em termos visuais quanto antes.

Não faço ideia se a arquitectura presente em [“A Time to Love“] existe mesmo ou se isto serão cenários criados para o filme. De qualquer forma, esta obra conta com espaços arquitectónicos fascinantemente poéticos que vão adorar contemplar ao longo da história. Desde, fábricas abandonadas, a prédios em decadência, passando por ruas e becos fabris, tudo aquilo que poderia parecer um ambiente deprimente é transformado num mundo quase mágico, parecendo por momentos saído de um verdadeiro conto de fadas ou de um filme de Fantasia.
[“A Time to Love“] quanto mais não seja, é um filme para contemplar, por muitos e bons motivos. Vão por mim, é fantástico visualmente.

Recomendo este filme a toda a gente que já espreitou tudo o que tenho apresentado no blog dentro do estilo romântico, ou então como contraponto a histórias de amor mais comerciais.
Não é que [“A Time to Love“] não seja comercial, mas o seu estilo muito chinês, intensamente dramático e bastante introspectivo em alguns momentos poderá talvez tornar-se algo chato ou arrastado para o pessoal que não gosta de coisas mais pausadas.

[“A Time to Love“] é um filme que demora o seu tempo e muitas vezes conta a sua história mais por olhares e silêncios do que por palavras e isto poderá afastar algum público.
O facto de ser uma história muito triste mesmo apesar de todo o ambiente poético, poderá afastar quem procurar um daqueles filmes totalmente –feel good– pois este usa a própria tristeza e melancolia para criar grandes incertezas no espectador sobre o desenlace da história. Nesse aspecto não poderia resultar melhor, mas ao mesmo tempo é um filme com uma carga algo deprimente por breves momentos a fazer lembrar o muito poético mas algo triste “The Floating Landscape” ; curiosamente outra produção chinesa.

Posto isto, se quiserem ver um filme muito bonito e diferente do habitual neste género tão estereotipado, se calhar [“A Time to Love“] é um título  a terem em conta. E se não gostarem á primeira, dêem-lhe segunda oportunidade, pois ainda acabam a gostar tanto dele quanto eu gosto agora.

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CLASSIFICAÇÃO:

Estava tentado a atribuir a [“A Time to Love“] apenas cinco tigelas de noodles por ser realmente excelente.
Mas a verdade é que agora que o revi, este filme não me sai da cabeça e apetece-me vê-lo novamente em vez de ir espreitar outra coisa nova qualquer, por isso se calhar será justo dar-lhe a minha classificação máxima deste blog, pois de outra forma estaria a enganar-me a mim próprio se não lhe desse também um Golden Award.
Quanto mais não seja pelo trabalho dos actores, pela fotografia do filme e por ter conseguido criar suspanse na história de Romeu & Julieta, o que é obra !
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award por muitos e variados motivos.

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A favor: o trabalho dos actores, o par protagonista tem uma química no ecrã fantástica e um desempenho totalmente cativante, esquecemo-nos que estamos a ver um filme o que não poderia ser melhor elogio, consegue o feito notável de recriar a velha história de Romeu & Julieta numa china moderna desencantada mas muito poética e fá-lo com total suspanse romântico até ao último olhar da protagonísta, a fotografia é fabulosa, os cenários são lindissimos e em muitos momentos parece que tudo se passa num qualquer mundo de fantasia encantada, mais do que uma história de amor comercial normal  é um drama intenso e duro por vezes, a cena da vedação de arame mesmo durando menos de um minuto é memorável, idem para o desempenho da actriz nos segundos finais da história onde só com o olhar nos transmite toda uma vida, muita poesia visual, o tom intimista e o excelente trabalho do realizador que alterna os momentos mais intimistas com os mais tragicos ou românticos de uma forma totalmente orgânica e bastante natural, nem vão notar a banda sonora mas esta vai entrar-lhes pela alma nos melhores momentos.
Contra: é mais um drama generalizado do que uma história de amor especificamente por isso não esperem o estilo fofinho oriental dos filmes japoneses porque este é chinés mesmo, pode parecer menos comercial do que na realidade é e algum público poderá não ficar particularmente cativado, Romeo & Julieta again…and again…and again…

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=3NaS55XOylw

Videoclip 1
Embora curiosamente a música não faça parte do filme, pois foi criada para a promoção. Aposto que foi para dar um ambiente mais comercial á obra pois esta é na verdade bastante intimista e não tão comercial como aparenta aqui.
http://www.youtube.com/watch?v=y3TNcyS-IWw&feature=related

Videoclip 2
Este com uma das músicas que entra no filme e com a particularidade de ser um videoclip com dezenas de cenas cortadas que não aparecem no próprio filme, o que só demonstra que devem ter filmado pilhas de coisas que ficaram de fora e só é pena muitas destas cenas não estarem como deleted scenes no dvd porque parecem cheias de atmosfera também.
http://www.youtube.com/watch?v=krChsULuIbM&feature=related

Comprar
http://www.fivestarlaser.com/movies/13766.html

Download aqui com legendas em Inglés.

IMDB

http://www.imdb.com/title/tt0450099/

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Be With You My Sassy Girl Il Mare The Classic Love Phobia

 Fly me to Polaris cyborg_she_capinha_73x

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Haeundae (Tidal Wave) Je-gyun Yun (2009) Coreia do Sul


Ultimamente ando em maré de filmes com Tsunamis.
Já algum tempo que estava longe de cinema catástrofe mas no último semana fui ver o “2012” made-in-hollywood e fiquei com imensa vontade de procurar algo semelhante no estilo oriental pois desde o muito divertido “The Sinking of Japan” que não me tinha aparecido nada do género pela frente.
Para meu contentamento encontrei [“Haeundae – Tidal Wave“] e satisfez plenamente todas as minhas expectativas.

Não é um daqueles filmes orientais fabulosos e claro que não se compara em escala com um “2012” mas dentro das possibilidades do cinema Sul Coreano, quanto a mim [“Haeundae – Tidal Wave“] é um óptimo pequeno filme catástrofe que apesar das suas limitações técnicas contém no entanto excelentes momentos de destruição apocalíptica e consegue ainda apresentar-nos um par de personagens interessantes com que nos preocupamos mesmo mesmo sendo tão esquemáticos.

Além disso, na minha opinião tem uma coisa muito boa que já aparecia também em “The Sinking of Japan”.
Ao contrário do que costuma acontecer nos filmes americanos do género também aqui em [“Haeundae – Tidal Wave“]  nunca temos bem a certeza de quem irá morrer ou quem irá salvar-se.

O filme consegue criar uma constante incerteza no espectador até ao final pois mantém aquela característica dos filmes orientais em que um final feliz não tem necessáriamente significar que o heroi se salve e fique com a miúda.
Na verdade, não se pode dizer que exista um heroi ou um personagem principal nesta história e isso contribui bastante para a incerteza sobre o destino dos personagens o que só dá mais pontos a este filme.

No entanto é um produto estranho.
Sendo isto um filme catástrofe contém tantos momentos retirados de tantos outros géneros que o espectador até se esquece que tipo de filme está a ver. Passado uma hora eu já me perguntava onde raio estava o filme que aparecia no cartaz oficial, pois [“Haeundae – Tidal Wave“] leva tanto tempo a desenvolver personagens que uma pessoa se questiona se alguma vez irá aparecer uma onda gigante no ecran.

Tem momentos que nos fazem lembrar “The Host”, principalmente porque é uma história que se foca mais nas pessoas do que propriamente na catástrofe eminente, embora não consiga um resultado tão bom nesse aspecto.
Isto porque [“Haeundae – Tidal Wave“] parece um plágio de uma quantidade de situações já vistas noutros filmes. O nucleo familar parece decalcado de “The Host” e nem falta uma Sassy Girl que mantém uma relação com um jovem da guarda-costeira que parece clonada dos melhores e mais divertidos momentos de “My Sassy Girl“.

Acreditem-me, no que toca a personagens, vocês já viram tudo isto noutros filmes e com resultados bem melhores, mas por outro lado, a coisa até funciona bem e não é por isso que este filme catástrofe se torna num mau filme.
Tem personagens que nunca mais acabam, pequenos dramas familiares de pacotilha mas não só e um par de histórias de amor fofinhas ao melhor estilo Sul Coreano.

Agora se calhar não valia a pena levar tanto tempo a contar as histórias dessas pessoas pois na verdade o que o pessoal quer ver mesmo nisto é a onda gigante a destruir coisas e no entanto os minutos arrastam-se em intermináveis cenas de desenvolvimento de personagens e a tragédia parece nunca mais começar para desespero do espectador.

Se virem o trailer vocês irão ficar confusos pois dá a ideia que [“Haeundae – Tidal Wave“] deve ser uma daquelas comédias desmioladas ao melhor estilo Sul Coreano, mas na realidade a coisa é bem mais complexa do que isso. O filme tem um par de momentos muito engraçados e cartoonescos, mas apesar de tudo equilibra muito bem o drama com a comédia e as cenas de aventura.

Uma das suas mais valias é a forma como quando finalmente aparecem os momentos de destruição o filme consegue alternar entre os vários géneros numa questão de segundos sem nunca perder a identidade ou perder o estilo de filme catástrofe. Neste aspecto, posso até dizer que foi o filme deste estilo que melhor vi cruzar momentos completamente diferentes sem nunca perder o ritmo.
Tem tensão suficiente para nos manter agarrados ao destino dos personagens mas ao mesmo tempo contém um par de sequências hilariantes ao mesmo tempo que nos mantêm em suspanse. Destaque para a genial, tensa e hilariante mini-sequência dos contentores que caiem do céu.

E falando de efeitos especiais, quanto a mim [“Haeundae – Tidal Wave“] está completamente de parabéns. Nem todos são particularmente convicentes. Muita coisa cheira a CGI por todo o lado, mas consegue ter um par de sequências particularmente espectaculares e que não perdem nada em comparação com o que de melhor se viu por exemplo em “2012”.

As cenas de caos quando as ondas gigantes destroiem a cidade são realmente entusiasmantes, (especialmente se as poderem ver num projector com um ecran de trés metros de largura como eu tenho a sorte de o poder fazer).
Aliás, as coisas demoram a acontecer, mas quando a tragédia chega não há duvida que cumpre as expectativas, tanto em espectacularidade como em cenas de tensão. Ainda por cima consegue manter uma excelente variedade nas sequências de destruição e cada personagem tem o seu momento para brilhar…vivo, ou morto…

Excelentes momentos apocalípticos, muito prédio destruido, muito morto a flutuar e muita água por todo o lado com drama, aventura e comédia muito bem misturados.
O único problema do climax do filme é durar tão pouco tempo quando até aí levamos mais de uma hora a ver um outro género de filme á espera desses momentos.
Também se nota alguns figurantes a rir nas cenas em que a multidão supostamente foge em pânico pelas ruas com uma onda gigante atrás da multidão, mas provavelmente vocês nem reparam e isto sou eu a querer implicar com alguma coisa.

Não será tão bom quanto “The Sinking of Japan“, mas felizmente não é tão mau quanto o Tailândes “2022 Tsunami“.  Tudo o que não funciona no hilariante filme made-in-Tailândia está muito bem em [“Haeundae – Tidal Wave“].
É um filme muito divertido apesar de lhe faltar algo que o eleve a um patamar superior.
Não será uma obra prima do género mas é um daqueles que vale mesmo a pena ser visto, especialmente se gostarem de filmes catástrofe.

Já agora, quanto a mim a coisa mais assustadora deste filme são as imagens reais iniciais com as multidões na praia.
Isto para mim que odeio praias comerciais seria o pesadelo e estaria a pedir para que o Tsunami chegasse depressa se tivesse que passar uma tarde num local assim “a fazer praia”…se conseguisse encontrar a areia…

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CLASSIFICAÇÃO:

Um divertido filme catástrofe que percorre vários géneros tentando clonar o melhor de muitos filmes conhecidos mas que não perde por isso.
Não há muito mais para dizer.
Vale a pena pois é mesmo muito bom, embora lhe falte qualquer coisa.
Trés tigelas e meia de noodles na boa.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2emeia.jpg

A favor: as histórias parecem decalcadas de outros filmes mas resultam e fazem-nos criar empatia com as pessoas, tem um bom equílibrio entre a comédia e o drama,  a realização é competente e sabe criar excelentes transições entre os vários géneros em segundos sem nunca tornar o estilo do filme ambiguo, os efeitos especiais são em regra muito bons mesmo, tem um par de cenas realmente espectaculares, todos os personagens têm o seu momento o que evita a previsibilidade no seu destino na maioria das vezes, há muita destruição aquática e muita variedade nas sequências de destruição, as cenas dos contentores na ponte são muito engraçadas ao mesmo tempo que nos agarram ao ecran.
Contra: leva demasiado tempo até acontecer alguma coisa daquela que esperamos encontrar num filme catástrofe, as cenas de destruição não duram muito tempo, algum drama de pacotilha que já vimos mil vezes.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=USzuHYrVLkg

COMPRAR
Já se encontra á venda na Amazon Uk a bom preço.
Tidal Wave [DVD] [2009]

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1153040/

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2022 Tsunami Wan Sang-Haan Lohk (2022 Tsunami) Toranong Srichua (2009) Tailândia


Existem obras que parecem querer testar o meu fascinio pelo cinema oriental.
Ás vezes esqueço-me que existe no mundo cinema realmente muito mau e não é só em Hollywood que se faz plástico do piorio. Pelo visto a Tailândia também se está a tornar num sério candidato á piroseira cinéfila.

Quanto mais vejo cinema Tailandês mais me parece que aquele país é assim uma espécie de Ed Wood do planeta terra.
O cinema comercial Tailandês parece ter sempre as melhores e mais sérias intenções mas salvo raras e honrosas excepções parece que produzem um conjunto de filmes sempre tão maus que quase desafiam as estatísticas.
E um dos piores será certamente este [“2022 Tsunami“] com muita pena minha.

Se calhar não parece, pela imagem acima, mas acreditem-me…vocês não vão acreditar no que verão se decidirem espreitar este filme. Uma tragédia que poderia ter sido absolutamente hilariante não fosse o facto de ser tão mau que se torna irritante a partir de certa altura.

E por falar em filmes genialmente maus, neste fim de semana fui ver a “nova comédia” do Rolland Emerich saida de Hollywood chamada “2012” e diverti-me á brava com o filme.
Como eu adoro cinema catástrofe em que morrem gajos aos molhes por dá cá aquela palha saí de “2012” com grande adrenalina e a pensar se não haveria pelo oriente algo novo que me pudesse divertir com mais umas cenas fixes de morte e destruição.

Não tardou muito que encontrasse não um, mas dois titulos orientais completamente novinhos em folha para meu contentamento e curiosamente ambos os filmes têm como tema os Tsunamis pois foram inspirados na tragédia real do Natal de 2004 de que todos nos recordamos certamente. Este filme até usa imagens reais de arquivo para tentar criar ainda mais dramatismo sobre o assunto.
Tanto a Coreia do Sul como a Tailândia pegaram na ideia e produziram as suas versões do que aconteceria se o fenómeno se repetisse de novo mas a uma escala realmente apocalíptica e os resultados não poderiam ter sido mais diferentes.

Por agora falemos da versão Tailandesa.
Eu sei que se calhar isto parece injusto, mas tenho que dizer que [“2022 Tsunami“] foi um dos filmes mais pirosos e sopeiros que alguma vez vi. E não estava nada á espera disto num filme catástrofe.
Todos nós sabemos que o género nunca escapa aquele estilo telenoveleiro, mas esta tentativa Tailandesa atinge um grau de anedota que eu próprio julgava impossível de ser atingido.

Se virem muitas das fotografias estáticas, certamente ficarão com curiosidade suficiente para ver o filme, especialmente se gostam do género pois quando as coisas não se mexem até criam a ilusão de que estaremos na presença de algo realmente divertido e com suspanse quanto baste. Não se iludam.

Se [“2022 Tsunami“] fosse uma música pimba (música brega para o pessoal do Brasil), seria certamente um sucesso pois nada falta nesta letra…perdão, neste argumento…
Tudo é tão mau que eu nem sei por onde começar.
Os personagens são hilariantes, os diálogos são atrozes ( e duvido que seja da legendagem), a realização não tem ponta por onde se lhe pegue em termos de identidade e a montagem deve ter sido feita por algum estagiário despedido a seguir. Isto para nem falar dos efeitos especiais…

Ninguém mais do que eu deve adorar maus efeitos especiais.
Eu sou um fã absoluto de FC obscura, séries B marados e filmes de baixo orçamento. Mas para que a coisa funcione é preciso que um filme tenha um certo charme, o que não acontece de todo neste [“2022 Tsunami“].
Isto porque este se leva tão a sério que atinge um nível de dramatismo e piroseira que só nos faz rir a todo o instante ou então bocejar de tédio até nas partes catastróficas que deveriam pelo menos ter algum impacto mas falham redondamente.

A começar pelos personagens pois  pouco nos importamos com o seu destino e depois porque os efeitos de animação… são tão…animados… que não contribuem de todo para criar aquele clima trágico que a obra pelo visto pretendia ter tido.
Não é suficientemente divertida para ser um grande série B e não consegue atingir a carga dramática para poder ser levada a sério, muito por culpa da excessiva dramatização da personalidade dos personagens que só nos dá vontade de rir ou de chorar e não pelas melhores razões.

Mais uma vez insisto, a única palavra que encontro para descrever [“2022 Tsunami“] é – “piroseira”.
Eu sei que isto não é muito cinéfilo mas é a única sensação que o filme me transmitiu e passada meia hora já estava farto de aturar aquelas pseudo-caracterizações psicológicas tão ridiculas. Primeiro são cómicas mas depois tornam-se absolutamente repetitivas e irritantes transportando o filme para um patamar que o torna aborrecido em vez de entusiasmante e nem as cenas de destruição conseguem salvar o resultado final pois tudo é tão exagerado em termos humanos e estereotipos de personagens de cartão que os efeitos ainda nos parecem se calhar muito piores do que na realidade até são.

Há de tudo nesta história. Um heroi que tem medo do mar porque a familia morreu no Tsunami de 2004 e de cada vez que se chega junto á agua produz as mais hilariantes caretas que podem encontrar num filme dramático, uma heroína que também perdeu a familia toda há vinte anos, um primeiro ministro cheio de boas intenções, um cientista maluco com umas barbas perfeitas para serem colocadas de molho, uma aldeia piscatória com pessoas muito boazinhas e um grupo de mafiosos com intenções muito más.
E já lhes falei das sequências homo-eróticas ?

Ok, eu não tenho nada contra as preferências sexuais de cada um, mas que raio ?!…Para que serve aquele angulo na história ?
Um gajo está a ver um filme supostamente dramático e depois saido do nada vê-se um cu de um tipo saído do nada iniciando-se de seguida uma espécie de pequena cena de amor um bocado atabalhoada e sem qualquer sentido ?
Surpreendeu-me mais que o resto do filme todo.

Gostaria de lhes poder explicar de uma forma mais coerente como este filme oriental é mau, mas sinceramente este é um daqueles que é de ver para crer.
Na verdade isto é quase um caso á parte, pois -“mau”- nem sequer será a palavra correcta para classificar o estilo desta obra. É um produto muito estranho.
A realização é completamente incoerente. Muito trabalho de câmara ao ombro mas tudo é demasiado evidente e a partir de certa altura estamos mais atentos á maneira de filmar do que á própria história ou aos personagens nela o que não abona a favor do trabalho do realizador que parece querer afirmar-se acima da obra a todo o instante.

E o pior de tudo é o tom paternalista do proprio argumento, a certa altura apetece-nos gritar ao ecran para aqueles gajos pararem de dizer frases ecológicas sobre como a humanidade está a dar cabo da natureza ! Já chega ! Já se ouviu ! Não sejam tão “subtis” a passar a mensagem !
No final do filme pelo menos a mim só me apetecia pegar nuns contentores de lixo e ir até á Tailândia despejar tudo naquele país na esperança de que pelo menos este estúdio fosse atingido por um verdadeiro maremoto que o impedisse de fazer uma sequela desta verdadeira tragédia cinematográfica.
É com muito pena minha que digo que [“2022 Tsunami“] é tão “mau” que até faz com que os blockbusters americanos do Rolland Emerich pareçam bons filmes e quando assim é…

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CLASSIFICAÇÃO:
Não consigo compreender qual é o problema de muito do cinema Tailandês. Parece que pelo facto de se levar demasiado a sério nunca consegue atingir a seriedade das filmografias dos seus vizinhos asiáticos.
Talvez seja por piscar demasiado o olho ao cinema ocidental sem conseguir criar uma identidade própria ou por não conseguir produzir argumentos particularmente interessantes, o facto é que falta algo no cinema Tailandês e este filme é um excelente catálogo de todas as fraquezas que habitualmente encontramos nesta filmografia.
Este [“2022 Tsunami“] tinha tudo para ser um divertido filme catástrofe mas por qualquer razão afunda-se por completo muito antes de a água chegar.
Uma tigela de noodles porque é realmente muito desinteressante apesar de não parecer ser a uma primeira vista.
E se calhar merecia menos ainda.

noodle2.jpg

A favor: apesar de tudo ainda contém cenas de destruição apocaliptica engraçadas, apesar de falhar redondamente tenta ter uns CGIs modernaços para representar o maremoto.
Contra: os personagens são hilariantes e aborrecidos ao mesmo tempo, leva-se demasiado a sério, o tom paternalista ecológico torna-se verdadeiramente enervante, tenta ser tão dramático a todo o instante que se torna completamente piroso, alguns actores são atrozes mas se calhar a culpa nem é deles, ás vezes parece um filme amador no pior dos sentidos, os diálogos são hilariantes ou do piorio, as cenas de pânico parecem filmadas na banheira, o desastre não impressiona de todo, não atinge sequer aquele patamar do tão mau que se torna bom e é pena pois tinha potencial.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=zDqMJ5_v-AI&feature=related

Comprar
Não faço ideia onde isto está á venda, mas vocês não o vão querer adquirir de qualquer maneira.
Este é um daqueles casos em que a pirataria faz um favor ao consumidor, por isso sugiro que o espreitem aqui.

Imdb
Quê ?!… 🙂

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Filmes semelhantes de que poderá gostar:
Vejam antes  “The Sinking of Japan”.
Este sim, é um excelente exemplo de cinema catástrofe made-in-oriente.

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