Gui si (Silk) Chao-Bin Su (2006) Japão


De vez em quando surgem uns filmes que tentam ir para além de um único género e procuram apresentar propostas com alguma originalidade mas a coisa nem sempre resulta particularmente bem.
Este [“Silk“] é no entanto um bom exemplo desse tipo de filmes que quase conseguem criar algo realmente especial.

Já muito se tentou fazer cruzando vários géneros de cinema e neste caso estamos perante uma história híbrida bastante curiosa que tenta apresentar um conceito novo algures entre a ficção-científica e o típico filme de terror oriental.
[“Silk“] é uma boa tentativa, parte de uma ideia que eu ainda não tinha visto em cinema e quase que posso apostar que um destes dias vamos ainda ver um qualquer remake americano disto. Pelo menos, no que toca ao conceito base da história, [“Silk“] está mesmo a pedir que Hollywood vá lá buscar inspiração.

A ideia aqui tem a ver com um grupo de cientístas que conseguiram capturar o fantasma de uma criança e o têm prisioneiro no quarto de um discreto apartamento assombrado por esta alma penada.
O apartamento está transformado num laboratório secreto e a ideia será não só tentar descobrir o que é afinal um fantasma, mas também quem é a alma da criança e porque razão ainda se econtra entre este mundo e o próximo sem ter partido quando morreu.

Acontece, que este ectoplasma emite um residuo que poderá revolucionar toda a ciência á volta do estudo da anti-gravidade e como tal, temos também um cientísta meio louco que não olha a meios para chegar á sua descoberta, mesmo que para isso se aproveite do sofrimento do fantasma infantil.
Adicionando a tudo isto, um polícia que se vê envolvido no mistério no seguimento de uma investigação de homícidio obtemos um estranho cruzamento entre vários géneros de histórias.

[“Silk“] começa como filme de terror, continua como thriller policial, passa ficção-científica high-tech com um toque de máfia e intriga política pelo meio, entra pelo filme sobrenatural, segue para o drama clínico (a mãe do polícia está a morrer no hospital), tem um cheirinho de cinema de acção e termina com um toque de cinema romântico oriental (o polícia tem uma namorada fofinha) misturado com uma resolução positiva do mistério da origem da criança fantasma num tom de feel-good-movie num final a condizer tudo isto.

E isto resulta ?
Bem…resulta. Agora podia ter resultado melhor.
Na verdade não há nada de errado com [“Silk“], a história é intrigante, o filme tem uma montagem porreira que consegue ir alternando os vários tipos de ideias num único novelo coerente e tem realmente qualquer coisa de originalmente apelativo.
O seu único problema é que no meio de tanta ideia e referência bem executada, acaba por não deslumbrar em nenhuma delas nem dar nada ao espectador que o entusiasme particularmente ao longo de todo o desenrolar do filme.

As cenas de terror são atmosféricas, chegam a causar um par de boas surpresas e arrepios na espinha quanto baste mas por causa de tanta fragmentação de estilos ao longo da história o ambiente nunca se mantém de forma a nos inquietar constantemente. Os conceitos de ficção-científica são muito interessantes mesmo, as ideias á volta da teoria da anti-gravidade são muito interessantes e os efeitos digitais á volta do conceito do cubo high-tech dão uma atmosfera curiosa á história que nos mantém o interesse também á volta desta parte mais sci-fi. O problema é que mais uma vez sente-se que havia aqui algo que poderia ter sido bem mais interessante e não foi.

No que toca á parte policial, ou ás sequências em estilo de thriller de acção a coisa também segue pelo mesmo estilo.
[“Silk“] contém um par de boas cenas de suspanse e acção mas depois acabamos por sentir falta de mais, porque o filme não tem tempo para se focar demasiado tempo em cada um dos seus estilos e como tal dispersa-se um bocadinho por todos os géneros.

O que prejudica naturalmente também o lado mais emotivo da história. A carga dramática em tom pesado hospitalar no que toca á história do policia e da sua mãe moribunda por vezes parece excessiva e desnecessária e a história de amor parece-nos um bocado á deriva sem muito para contribuir para o conceito principal de [“Silk“].
Embora, a parte romântica  mesmo sendo breve consiga interessar-nos e até dar alguma frescura á história, isto porque o personagem do polícia consegue cativar-nos ao longo da narrativa e por isso damos por nós a torcer para que a sua história tenha um final feliz.

Uma das coisas que quanto a mim estraga um bocado o conjunto e dá uma ideia mais fraca de [“Silk“] enquanto filme, é o personagem do cientísta vilão, pois a sua caracterização é algo absurda e desprovida de motivação coerente o que contrasta um bocado com todo o cuidado que foi colocado para que a história resulte bem como um todo.
Este personagem parece ter saído de um mau Anime televisivo. Além de ter um look todo estiloso e passar todo o filme em pose constante para a câmera, todas as suas motivações parecem mais saídas de um desenho animado infanto-juvenil do que propriamente de um personagem coerente com toda a tentativa de seriedade que percorre [“Silk“] e isto é talvez o pior contraste de todo o filme.

Se [“Silk“] tivesse tido um vilão menos estéreotipado e mais até dentro daquele tipo de história séria de sci-fi que pretende contar, se calhar teria resultado melhor em termos de suspanse. Isto porque qualquer ambiente credível da história é logo imediatamente quebrado quando muita da atenção do espectador vai para as poses estilosas do vilão quando este está em cena em vez de nos focarmos na narrativa como seria de esperar se este personagem estivesse melhor integrado no estilo sério do argumento.

De qualquer forma, [“Silk“] é um filme a ver sem reservas.

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CLASSIFICAÇÃO:

Quem procura uma mistura entre terror oriental e ficção-científica high-tech tem aqui uma proposta muito interessante.
É um bom filme de vários géneros e consegue manter tudo ligado sem parecer particularmente forçado, embora não nos deslumbre em nenhum deles e é pena.
De qualquer forma, trés tigelas de noodles porque é um bom thriller. Nem mais, nem menos. Espreitem porque vale a pena, quanto mais não seja porque tenta ser original e de certa forma até o consegue.
Podem apostar que um dia destes aparece por aí o remake americano pois [“Silk“] está mesmo a pedi-las…

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A favor: as partes sobrenaturais conseguem provocar um arrepio ou dois, mete um fantasma criancinha e portanto o factor creepy é garantido, a ideia do fantasma capturado é muito boa, o conceito de ficção-científica é interessante, as poucas sequências em tom de thriller policial de acção complementam bem toda a história, o mistério á volta da criança alma penada é previsível mas mesmo assim mantém-nos interessados no seu desenvolvimento, a mini-parte romântica não deslumbra mas resulta bem e dá personalidade ao resto da história porque contrasta bem com o tom dramático de tudo o resto, o filme tem ideias a mais que poderiam ter dado filmes individuais de vários géneros diferentes mas consegue equilibrar tudo sem parecer forçado e portanto é uma boa tentativa de se criar algo diferente.
Contra: por ter ideias a mais não consegue dedicar demasiado tempo a cada uma delas e por isso apesar de [“Silk“] resultar de forma competente e agradável de seguir nunca nos deslumbra nem ficará particularmente na memória, é um daqueles filmes que se vê uma ou duas vezes e depois metemos na prateleira até um dia, o vilão em estilo Anime piroso interfere demasiado no tom sério da história e além disso é um personagem completamente de cartão o que fragmenta ainda mais um produto que não precisava de mais distrações para competir com a atenção do espectador, o mistério á volta da morte da criança é por demais previsivel e já vimos isto antes mil vezes.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=wZZYeUrCbkY

Comprar
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7m-49-en-70-1t7t.html

Download aqui

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0486480/combined
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Ôdishon (Audition) Takeshi Miike (Japão) 1999


O facto de ir agora falar de  mais um filme que poderá ser classificado de terror é pura coincidência novamente e prometo que dentro em breve coloco aqui novidades dentro do cinema mais romântico. Por outro lado…[“Audition“] não deixa também fazer parte do género…por isso vamos a isto…
Desde que inaugurei o blog há um par de anos que a minha intenção sempre foi a de falar deste filme, mas porque na altura [“Audition“] era por demais falado por todo o lado achei melhor guardar esta sugestão para mais tarde.

O que eu gostava era de ter visto a cara de quem primeiro foi ver [“Audition“]  sem saber absolutamente nada dele !
Eu imagino o choque que devem ter apanhado na altura em que nem sequer o cartaz seria particularmente reconhecivel ou pelo menos passaria ao lado de muita gente.
Por isso agora, é pena que as próprias capas das edições dvd dêem logo a entender que isto não será propriamente um filme fofinho pois este é um daqueles titulos que certamente poderiam provocar ataques cardíacos a muita gente que chegasse até ele totalmente ás escuras.

Quando comprei o dvd muitos anos atrás, fi-lo sem querer saber nada sobre a história e apesar de ter uma ideia de que seria algo perturbante consegui no entanto partir para [“Audition“]  sem saber o que me esperava.
E resultou ! A primeira vez que vi este filme conseguiu dar-me mesmo, mas mesmo cabo dos nervos no melhor dos sentidos enquanto produto de tensão absoluta.
Por isso estou agora aqui a recomendá-lo também, especialmente a todos vós que gostam de emoções fortes.
Façam-me apenas uma coisa.

Se nunca prestaram muita atenção a [“Audition“]  ou não sabem nada dele, continuem assim e por favor nem sequer vejam o trailer.
Aliás, se nunca viram este filme, não sabem nada dele e pretendem vê-lo, então recomendo vivamente que parem de ler este texto neste preciso momento e só voltem cá depois de terem visto esta obra fascinante pois não me responsabilizo pelos *SPOILERS* que poderão vir a seguir.
Se ainda não viram o filme, vão vê-lo e voltem cá mais tarde.

Essencialmente estamos na presença de um titulo com uma estrutura muito interessante.
Começa quase como uma comédia romântica ao melhor estilo oriental e termina de uma forma que só visto mesmo para horror de todos aqueles que têm um coração fraco e pensavam que [“Audition“] seria mais um filme fofinho oriental muito romântico e positivo.

Atenção aos *spoilers* a partir daqui, mas há que contar um bocado desta história para poder dar uma ideia mais precisa daquilo que dá grande força a este filme.
Um produtor viúvo e com um filho pequeno, um par de anos após a sua mulher ter morrido de cancro, é convencido por um amigo a procurar uma nova relação para amenizar a sua solidão e ambos resolvem criar um casting para um projecto fictício apenas com o propósito de conhecer algumas raparigas e encontrar aquela que poderá ser a candidata perfeita a ganhar o coração do senhor.

Tudo isto é apresentado com uma atmosfera muito ligeira onde inclusivamente se inserem momentos de humor com sequências que não destoariam daquilo que se vê no pior dos candidatos aos “Idolos” na televisão e que são realmente divertidas. Nesta altura ainda não sabemos, mas isto é uma verdadeira armadilha á predesposição do espectador para depois Takashi Miike, lhe trocar as voltas mais tarde.

O plano dos dois amigos resulta. Encontram uma rapariga que aparenta ser perfeita para o solitário produtor e a partir daqui [“Audition“] entra por um registo de comédia romântica não muito diferente do que estamos habituados dentro do cinema oriental.
Relação bonita, miuda fofinha quanto baste e tudo parece apontar que estejamos na presença de uma grande história de amor.

Tudo, menos uns interlúdios em por breves momentos se mostra o que se passa na casa da rapariga nas alturas em que está sózinha e que faz com que o espectador comece a ter dúvidas de que [“Audition“] seja própriamente o filme romântico que parecia á primeira vista…
Por outro lado, se isto não é um filme romântico o que raio é que o espectador pensa que poderá acontecer a seguir ?…
É este sentimento que Takashi Miike consegue criar no espectador e que faz com que a partir de certa altura já não consigamos tirar os olhos do ecran.

Por um lado queremos acompanhar a relação romântica dos protagonístas e torcemos para que o viúvo alcance a felicidade pois o senhor é apresentado como sendo uma óptima pessoa, por outro sentimos que há por ali um mistério que precisamos desvendar.
Quando a verdade é revelada já é tarde demais, tanto para o protagonista como para o espectador, ambos apanhados na teia de sedução da cativante miuda oriental e é aqui que o filme resulta.

Pessoalmente eu penso que esta rapariga deve ter tido sérios problemas em conseguir arranjar namorado por muito tempo depois de ter participado neste filme !
Por mais que a gente saiba que isto é ficção, eu consigo imaginar a cara do seu namorado na vida real assim a olhar para ela de lado só no caso de…nunca se sabe…

Se [“Audition“] começa de forma ligeira em tom de comédia romântica e vai aumentando de suspanse pelo meio, quando chega ao final torna-se num filme algo indiscritível.
Não porque mostre até muito, afinal há filmes visualmente mais arrepiantes do que este, mas o facto é que o clima de tensão e suspanse criado pelo realizador é tão elevado que  mais uma vez repito, isto não é um filme apropriado para cardíacos de forma alguma.

E tudo ainda se torna mais arrepiante precisamente porque  Takashi Miike não se esqueceu de nos apresentar o personagem principal como sendo uma pessoa excelente e que não merecia de forma nenhuma o que lhe cai em cima, o que cria automáticamente grande empatia com o público e triplica a tensão sem precisar sequer de recorrer a coisas mais chocantes para nos arrepiar.

O acto final de [“Audition“] é fantástico e não vão conseguir tirar os olhos do ecran torcendo para que tudo acabe bem até ao último segundo.
Curiosamente, até aí, o filme tem uma estrutura que o torna algo lento, quase próximo de um registo de cinema-de-autor , mas usa essa fórmula para ir criando tensão bocadinho a bocadinho sem dar a entender ao espectador que é isso que está a acontecer e portanto quando o caótico capitulo final acontece tudo parece ainda mais arrepiante.

Essencialmente [“Audition“] é um filme fantástico em vários sentidos.
Não é algo que nos apeteça rever muitas vezes, mas é um daqueles perfeitos para mostrar a amigos incautos, especialmente aqueles que nunca ouviram falar do filme.
Ah e se gostam de seringas, vão adorar !

Se quando virem isto andarem durante algum tempo a dizer . “kidikidikidikidikidi !” também não se admirem !
Brrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr !
Depois de [“Audition“] vocês vão desconfiar de todas as miúdas fofinhas na histórias de amor orientais, afinal, a gente sabe lá o que pode acontecer por aquelas bandas…

Só para terem uma ideia, parece que quando isto foi apresentado no Festival de Rotterdam em 2000 teve o maior número record de espectadores que abandonaram a sala antes do filme acabar e na estreia na Suiça um deles teve de sofrer assistência médica pois desmaiou durante a projecção ! Lindo !

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CLASSIFICAÇÃO:
Um dos filmes de suspanse e terror mais eficazes que poderão ver e uma história que arrepia sem precisar de recorrer aos típicos clichés do género para nos assustar. Em vez de um filme sobrenatural , Takashi Miike arrepia-nos com uma “comédia romântica” ao seu estilo e é isso que faz com que vocês nunca tenham visto nada como [“Audition“].
É um daqueles filmes perfeitos para mostrar aos amigos que não suspeitarem de nada (ou para matarem parentes ricos do coração) embora o seu registo algo lento possa afastar muita gente desta obra prima da tensão porque não tem uma estrutura de cinema-pipoca a que estamos habituados no ocidente.
Não desistam e serão recompensados com um final absolutamente inesquecível que os fará olhar de lado para as vossas namoradas durante os próximos dias após isto…afinal, nunca se sabe meus amigos…nunca se sabe…
Cinco tigela de noodles por ser perfeito na sua execução e só não lhe dou mais um Gold Award em cima porque não é um filme que me apeteça muito estar sempre a rever…seria doentio…muito doentio…embora isto para muita gente possa até ser considerado uma comédia…malucos.

A favor: quem não conhece nada sobre o filme irá apanhar a surpresa da sua vida no que toca a histórias românticas orientais, como filme romântico resulta e como filme arrepiante idem, a actriz principal disto nunca mais arranja namorado na vida, contém bons momentos de humor bem colocados na história, a parte final é fantástica e vai fazer-vos roer todas as almofadas do sofá, assusta sem precisar de recorrer a psicopátas com faquinhas ou a temáticas sobrenaturais, mete pedófilia quanto baste e seringas á descrição o que mais vocês querem num filme romântico ?
Contra: tem uma estrutura inicial mais parecida ao que se associa ao cinema-de-autor do que própriamente a um típico filme de terror comercial a que estamos habituados no ocidente e isso poderá afastar muita gente que nem chegará ao capítulo final da história, por outro lado se sofrerem do coração este não é um bom filme para verem sózinhos também, pode ser algo doentio para muito boa gente…

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer – contém *spoilers*
http://www.youtube.com/watch?v=yhsrsWcEspc

Comprar
Está á venda na amazon Uk e US , aqui e aqui.

Download aqui com legendas PT-Br

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0235198/combined

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Filmes semelhantes de que poderá gostar:

A Tale of Two Sisters  Dark Water

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Doragon heddo (Dragon Head) Jôji Iida (2003) Japão


Finalmente um filme catástrofe com uma atmosfera do caraças !
Até que enfim que encontrei aquilo que procurava em Tidal Wave ou 2022 Tsunami e não me tinha aparecido ainda pela frente pois [“Dragon Head“] é mesmo o meu tipo de filme catástrofe e um dos melhores produtos do género que vi ultimamente dentro do cinema oriental.
Muito apocalíptico, uma incerteza total sobre as razões do fim do mundo ter chegado e milhares de mortos com ruínas por todo o lado a uma escala inimaginável tudo regado com uma boa dose de situações perturbantes carregadas de mistério constante ao longo de toda a narrativa.

Eu fico parvo quando algumas reviews no Imdb dizem que este filme não presta porque é lento.
Lento ?!! Só porque não tem sequências de acção espectaculares a todo o instante intercaladas com cenas pseudo dramáticas que só funcionam como intervalo entre cenas de porrada como se vê habitualmente nos filmes do Rolland Emerich ?!…

A “lentidão” deste [“Dragon Head“] é o seu grande trunfo, pois não tem pressa de ir a lado nenhum e nunca coloca o espectador á frente dos personagens. É um filme perfeito na forma como consegue fazer com que o espectador faça quase parte da história, pois faz-nos ir descobrindo o que se passou a pouco e pouco ao mesmo tempo que os personagens e isso é a sua grande mais valia ao contrário do que costuma acontecer neste tipo de cinema onde tudo é devidamente explicado logo de início e depois só resta ao espectador acompanhar o destino dos protagonistas á medida que vão morrendo á vez por entre as cenas de acção e suspanse do costume.
Não aqui.

Um grupo de estudantes viaja de comboio pelo Japão. Ao atravessarem um túnel uma luz e uma onda de choque incríveis faz com que practicamente toda a gente a bordo morra de forma ultra-violenta quando o túnel desaba por completo e o que resta do comboio com apenas trés sobreviventes fica preso no interior da montanha.
A partir daí vamos acompanhando o destino dos sobreviventes á medida que conseguem encontrar uma saída até á superfície e descobrem da pior maneira que o mundo nunca mais será o mesmo.

Nada é explicado ao espectador, os primeiros 40 minutos de filme são completamente claustrofóbicos pois passam-se totalmente no interior do túnel. Depois quando o cenário se abre, as coisas adquirem um tom ainda mais misterioso á medida que acompanhamos o destino dos sobreviventes e este filme japonês chega a um climax algo dúbio mas nem por isso menos interessante.  Deixa-nos um gosto amargo mas faz-nos desejar que alguém tivesse feito uma sequela deste bom exemplo do cinema oriental de catástrofe apocalíptica.
Na minha opinião este é um daqueles filmes asiáticos que apetece continuar a ver e pela minha parte nem dei por terem passado duas horas. Mesmo apesar do tal suposto “ritmo lento” que muita gente refere no Imdb.

Quanto a mim [“Dragon Head“] é um dos melhores filmes catástrofe que vi em muito tempo e pela própria abordagem do tema nem sei se não terá sido o melhor. É um produto de cinema oriental simples sem pretenções, sabe construir um mistério, mantém o espectador interessado no cataclísmo enigmático e consegue ainda ter espaço para nos atirar com um par de personagens algo perturbantes e até de conceito algo inesperado, doentio (e até ilógicamente descontextualizado da própria história)…logo percebem quando virem as criancinhas creepy

Não entendo como se pode achar este filme lento. [“Dragon Head“] não teria o mesmo impacto e atmosfera perturbante se tivesse um ritmo sempre a abrir onde estivessem sempre a acontecer mais cenas de efeitos especiais a todo o instante só para contentar as plateias do milho em baldes.
A narrativa enigmática agarra desde o primeiro momento e não é por falta de mais CGIs que o filme perde o interesse bem pelo contrário.

E também não é pela falta de efeitos cataclísmicos a todo o instante que o filme perde a tensão dentro do género do cinema catástrofe, pois se procuram um titulo que os recompensará por completo com inúmeras imagens de total destruição devastadora e consegue criar realmente a ideia de que o mundo acabou de vez [“Dragon Head“] contém tudo o que esperam nessa capítulo.

A forma como este filme japones nos apresenta o fim do mundo é não só perfeita como cria aquela ideia de que não há mesmo salvação possível ou forma de tudo poder voltar a ser como era, o que contribui imenso para uma excelente sensação de realísmo em toda a narrativa e nos agarra ainda mais ao destino dos personagens.
É que aqui ao contrário de por exemplo “2012“, quando acaba o mundo acabam também os telemóveis. Quando muito sobrevivem as baratas e estas ainda não têm SMS incorporado.

As interpretações do filme são algo histéricas e farsolas, pá, pois são. E depois ?
[“Dragon Head“] é como um bom série-B com ambiente de grande produção em versão cinema oriental que não precisa mais do que um par de personagens-tipo que façam avançar o mistério. O que para mim contradiz logo também a ideia de algumas pessoas no Imdb quando dizem que o filme não tem história.
Se calhar não tem, mas tem tão pouca história quanto um bom filme do “John Carpenter” e esses também não precisam de ser mais do que são para geralmente serem filmes excelentes.
A recordar-me algo, [“Dragon Head“] recorda-me os melhores momentos do realizador de “The Thing” e isso agradou-me desde o início.

Esta ideia que muitas pessoas parecem ter de que para um filme resultar tem que obrigatóriamente ter um estilo espectacular e uma história que vai de A a B e termina em Z com tudo muito bem explicadinho, causa-me mesmo confusão. Houve um tempo em que as coisas não eram assim e pelo menos até ao final dos anos 80 esse tipo de conceito não parecia estar entranhado na cabeça do público que hoje parece que não consegue ter mais atenção para qualquer coisa que não se pareça imediatamente com um videogame cheio de estilo MTV.
[“Dragon Head“] a ser alguma coisa é um bom e velho série-B na melhor fórmula anos 80 mas conseguido através do recurso a técnologia moderna para elevar no ecran aquilo que óbviamente nem terá sido um orçamento muito alto.

A haver alguma coisa má neste bom filme asiático, na minha opinião, isso reflete-se  na maioria dos personagens secundários. São todos demasiado excêntricos como se depois do fim do mundo não restassem pessoas normais e toda a gente se transformasse em malucos psicopatas…por outro lado eu também nunca passei pelo fim do mundo por isso é melhor não comentar muito mais.
No entanto achei que o estilo road-movie ficou um bocado estragado por causa das excentricidades que os protagonístas vão encontrando pelo caminho.

O argumento perde um bocado por causa desses personagens secundários, pois a partir de certa altura parece que eles dividem demasiado o filme em episódios que acabam por não resultar num todo. O que faz com que [“Dragon Head“] mais pareça uma colagem de vários episódios de 20 minutos com estilos diferentes do que própriamente um filme com principio, meio e fim. E claro que o final episódico em estilo aberto também deixa alguma insatisfação. Não porque não conclui verdadeiramente a história que seguimos mas porque nos deixa com vontade de continuar a ver a odisseia dos protagonístas e depois não há mais para ver. Com muita pena minha.

Parece que [“Dragon Head“] é uma adaptação de mais uma Manga japonesa do mesmo nome. Assim sendo, é possivelmente um dos melhores filmes asiáticos baseados numa banda-desenhada oriental que vi até hoje, pois normalmente as adaptações de Manga ou Anime que me passaram pela frente foram sempre muito más enquanto filme, salvo raras excepções.
Agora fiquei com vontade de ler a banda-desenhada pois se o filme estiver bem adaptado gostava de saber como termina a história, pois muita coisa fica no ar. Confirma-se a razão da catástrofe ? O mundo acabou mesmo ?

São questões que ficam pendentes mas que nem por isso tornam este pequeno grande filme catástrofe num produto menor.
Bem pelo contrário, pois toda a incerteza que deixa seria a mesma que teriamos se estivessemos realmente a viver o desastre ao lado dos protagonístas e como tal quando o filme segue essa estrutura seria depois irrealístico vir no final explicar tudo muito bem explicadinho.

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CLASSIFICAÇÃO :

Isto para mim é sempre complicado atribuir uma classificação alta a este tipo de filmes FC orientais, quando “Natural City” é um dos meus filmes favoritos de todos os tempos e no entanto aqui nem sequer lhe dei uma nota totalmente fantástica.
Sendo assim [“Dragon Head“] não será um filme oriental que irei rever tantas vezes quanto já revi “Natural City” mas acho que merece mesmo assim mais meia tigela de noodles do que esse meu filme favorito pois penso que tem realmente menos falhas enquanto produto.
Enquanto dura é uma história totalmente cativante se gostam do género catástrofe e procuram um cataclísmo misterioso em vez de uma sessão de efeitos especiais CGI.
Cinco tigelas de noodles, pois apesar das suas falhas diverti-me á brava com isto e nem dei pelas duas horas passarem. Poderá não ser tão bom a uma segunda visão mas por agora tenho que dizer que me surpreendeu mesmo bastante e recomendo-o a quem procura um bom filme deste tipo dentro do cinema japonês ou cinema asiático em geral.

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A favor: tem uma atmosfera de mistério constante que cativa o espectador que não procure um filme de porrada ou de efeitos CGI, alguns bons momentos de suspanse, sabe usar pequenos cenários extendidos por matte-paintings para criar um ambiente vasto de exteriores, o ambiente de devastação é total, tem imensas sequências apenas ilustrando a destruição de tudo o que nos rodeia, muito cadáver e sangue quanto baste por todo o lado, o par protagonista embora algo histérico é cativante, tem um bom sabor a cinema de “John Carpenter” pela forma como a narrativa não tem pressa de ir a lado nenhum e demora o seu tempo a criar atmosfera, é um filme moderno com sabor a série-B dos anos 80, é mais cativante que todos os blockbusters de Rolland Emerich juntos,  é um filme bem mais interessante do que parece á primeira vista pelo cartaz algo foleiro e formulático.
Contra: falta-lhe alguma força emocional e não nos cativa propriamente por esse aspecto, tem uma estrutura episódica que não resulta plenamente por causa da excentricidade de practicamente todos os personagens secundários sobreviventes, deixa-nos com vontade de continuar a ver mais um bocadinho e não há mais. O titulo [“Dragon Head“] soa um bocado estúpido pois parece mais um nome de uma banda Heavy-Metal pirosa e cria a ideia de que este filme oriental será pior do que na realidade é.

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
Fica aqui o trailer mas não recomendo que o vejam antes de verem o filme pois grande parte do fascínio está precisamente em irem descobrindo as coisas com os personagens e ainda não terem visto nenhumas imagens do que sucede. Estão por vossa conta mas o trailer contêm *SPOILERS*

Comprar
Dragonhead (2pc) (Ws Dub Sub) [DVD] [2005] [Region 1] [US Import] [NTSC]

ou aqui
http://www.yesasia.com/global/dragon-head-us-version/1004415210-0-0-0-en/info.html

Podem no entanto espreitá-lo antes se o forem buscar aqui (legendas em Inglés)

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0384055/

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Filmes semelhantes de que poderá gostar:

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Isto para mim é sempre complicado atribuir uma classificação alta a este tipo de filmes FC orientais, quando “Natural City” é um dos meus filmes favoritos de todos os tempos e no entanto aqui nem sequer lhe dei uma nota totalmente fantástica.
Sendo assim [“Dragonhead“] não será um filme que irei rever tantas vezes quanto já revi “Natural City” mas acho que merece mesmo assim mais meia tigela de noodles do que esse meu filme favorito pois penso que tem realmente menos falhas enquanto produto.