Hk Forbidden Hero (HK: Hentai Kamen) Yûichi Fukuda (2013) Japão


Ainda há poucas semanas atrás atribuí pela primeira vez a classificação de zero tigelas de noodles a um filme neste blog e portanto depois de “Visage” eu pensei que pior que aquela desgraça não podia haver.
Bem-vindos a [“HK: Hentai Kamen – Forbidden Super Hero”].
Um filme de Cock-Fu.

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Sim, eu disse cock-fu. Não conhecem esta arte marcial milenar ?
Quando eu pensava que já tinha visto tudo no que toca a cinema inacreditável saído do oriente eis que o Japão decide mostrar-me mais uma vez que se calhar eu ainda não vi foi nada !
[“HK: Hentai Kamen – Forbidden Super Hero”] é um daqueles filmes que nem merece sequer zero tigelas de noodles, porque na verdade este filme não tem classificação possível.
Se calhar eu deveria arranjar por aqui uma outra escala de valor  para títulos como este pois uma obra assim é quase um género de cinema à parte !
Até eu que pensava que já tinha visto tudo o que havia para ser visto dentro do cinema chunga hilariante fiquei surpreendido.
Ao pé disto, coisas como “Sex is Zero“, “Sexual Parasite Killer Pussy” e “Sars Wars” parecem inocentes filmes da Disney.

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Na verdade eu estava a ver o raio do filme e só me perguntava se uma coisa como [“HK: Hentai Kamen – Forbidden Super Hero”] não poderá ser também classificada como cinema de autor…
Quer dizer, isto à primeira vista está nos antípodas do género, porque cinema mais ultra comercial penso que seria impossível alguém conseguir fazer; mas pessoalmente eu acho que o filme, está tão à frente mas tão à frente que ainda tudo o resto ainda vai atrás e já isto deu a volta a todos os géneros possíveis e imaginários da história do cinema, acabando inevitávelmente por tocar no estilo de cinema de autor…mas de uma forma totalmente diferente.

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Senão vejamos, [“HK: Hentai Kamen – Forbidden Super Hero”] é um série B japonês que mais parece um série Z a maior parte do tempo, tem um estilo tão alucinado e tão comercial que acaba por criar uma assinatura pessoal. Uma marca única. Um novo género cinematográfico por si só. E isto é dizer muito, considerando que eu já vi coisas como “Sars Wars” por exemplo…
Este é o tipo de filme que fica cravado na nossa memória, não só por tudo o que contém de genialmente inacreditável mas pelo próprio estilo de realização. Que na verdade não tem estilo nenhum. Ou tem…
Mau.
Ou se calhar é de génio. Ou genialmente mau.

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Aposto com vocês que eu quando vir a próxima…ehmobra…deste realizador eu nem precisarei de ler o nome de quem o fez para perceber que se trata de mais um filme de Yûichi Fukuda pois este desgraçado para o mal e para o bem já não me sai da cabeça tão cedo.
Portanto a partir do momento em que um gajo consegue um estilo tão demarcado e um produto tão genialmente mau (?) que se torna brilhante…para mim é um – autor – e quero lá saber dos génios da 7º arte que ganham festivais.
Este gajo é um génio.

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Eu não sou própriamente fã de filmes de super-herois mas abro uma excepção para  [“HK: Hentai Kamen – Forbidden Super Hero”] mesmo sem fazer a mínima ideia do que acho sobre ele. Não sei se isto será o pior filme que alguma vez vi, porque por outro lado é um sério candidato ao melhor filme lixo que me passou pela frente em muitos anos e um verdadeiro filme de culto á espera de ser descoberto. Perfeito para um destes dias também aparecer mencionado no meu blog de cinema de culto e FC, o esquecido… “Universos Esquecidos”…
Pelo que me apercebi, é a adaptação de um Manga já com um grande culto lá pelo Japão e se a BD for metade do que o filme conseguiu mostrar, então só pode ser absolutamente genial.

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[“HK: Hentai Kamen – Forbidden Super Hero”] tem a maior colecção de cenas parvas e inacreditáveis que vi em anos. Possivelmente um dos filmes com as piadas mais estúpidas que vi em muito tempo mesmo.
Mas por outro lado praticamente tudo nisto funciona à brava e consegue divertir o espectador porque quando pensamos que a história não pode descer mais baixo o filme entra por patamares de ver para crer.

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O que deve querer dizer que não vamos ver o remate americano deste filme tão cedo. A não ser que o Nicholas Cage aceite passear pelo set de cueca e meia de liga sexy e aí eu pagava para ver.
[“HK: Hentai Kamen – Forbidden Super Hero”] é o super heroi mais genial de todos os tempos. É uma espécie de Homem Aranha japonês que vai buscar os seus poderes quando coloca na cara cuecas usadas de colegiais e se transforma no Panties-Man o super-heroi mais ehm … sexy (?) de todos os tempos ?…

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Nada falta neste filme. Desde as poses hilariantes do personagem até aos piores super-vilões que alguma vez apareceram no género; tudo em  [“HK: Hentai Kamen – Forbidden Super Hero”]  parece estar feito para nos provocar estupefacção constante. Passamos o filme todo sem acreditar no que estamos a ver e se calhar é esse o grande truque do realizador para nunca percebermos como o raio do filme é do piorio. Ou será que não é ?… As cenas de luta são do mais rasca e amador possível, o suspanse não é para aqui chamado e tudo parece orquestrado para nos destruir o cérebro. Ah, e já agora se pensam que isto é uma cena gay qualquer, esqueçam, isto é muito mais à frente do que tudo aquilo em que vocês possam pensar.

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E quem pensa que o personagem do Panties-Man bate todos os recordes de qualquer coisa para lá de indiscritível então é porque ainda não viu a mãe do herói que é striper-sado-maso e ao mesmo tempo uma séria candidata ao personagem mais inútil de todos os tempos. Por outro lado é mais um boneco genial que dá ao filme uma estranha aura de qualquer coisa que eu também não consigo definir.
Cromos é que não faltam em  [“HK: Hentai Kamen – Forbidden Super Hero”] , o vilão usa trancinhas à Willie Nelson e come pernas de galinha como um porco javardo, os super vilões que aparecem a desafiar o jovem herói são de ver para crer e claro não podia faltar a miúda fofinha que está perdidamente apaixonada pelo Panties-Man.

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Eu estou para aqui a escrever mas na verdade estou a inventar coisas em modo automático para dizer, porque o cérebro ainda não recuperou e portanto esta review um dia destes ainda irá sofrer uma qualquer revisão radical quando eu me aperceber realmente do que acabei de ver.
[“HK: Hentai Kamen – Forbidden Super Hero”] não tem classificação possível.
O mesmo se pode dizer do uniforme deste super-heroi.

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É muito divertido, mas por outro lado também tem coisas menos boas…por exemplo, depois do choque inicial que apanhamos e do divertimento que provoca pela surpresa, a partir da primeira meia hora, o estilo é mais do mesmo e sofre inclusivamente de alguma falta de ritmo a meio da história quando o herói defronta pela primeira vez o herói-bizzaro seu arqui-super-inimigo. A coisa arrasta-se por tempo demais e o filme perde algum do seu fôlego (e imaginação) o que é pena.
Por outro lado nota-se claramente que isto não teve orçamento nenhum e ás vezes ficamos com a ideia de que o argumentista foi inventando à medida que se iam filmando cenas. A montagem é amadora, as cenas de luta são uma anedota e os efeitos digitais são os piores que alguma vez vi numa produção profissional; mas isso não importa de todo pois tudo faz parte do charme do próprio filme que parece estar em esforço constante para nos provar que ainda consegue ser pior do que aquilo que nós julgamos.

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A verdade é que este é um daqueles filmes que ou se odeia de morte ou nos divertimos totalmente com ele enquanto dura, apesar de se calhar também ter duração a mais. Se em vez de 1h45m tivesse tido apenas uns 80 minutos teria sido perfeito.
Como comédia sexual eu diria que se calhar seria genial, se a gente conseguisse ter tempo para rir.
Pela minha parte passei mais tempo estupefacto a olhar para o que aparecia no écran do que a achar graça ao suposto humor da história.  Mas fartei-me de rir à parva e não sei bem do quê.
O filme é hilariante porque é parvo como o raio mas para dizer a verdade eu nem me lembro dos gags que supostamente deveriam ser para rir…

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De qualquer forma é impossível não curtir um filme assim e eu pela minha parte mal posso esperar pela sequela.
Quem parece ter-se divertido muito a fazer isto foram os actores e aqui nota alta para o gajo que faz de super-heroi pois é preciso realmente ter tomates para se expor fisicamente da forma que o faz num filme como este.
E tomates acompanhados do resto são essencialmente a temática desta história e parte fundamental nos combates de Kung-Fu… ou Bolas-Fu… ou Dick-Fu ?…

Karaté com pilas !

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Hollywood suck on this !

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CLASSIFICAÇÃO

O que dizer de um filme inclassificável ?…
Se aguentarem o estilo, é imperdível. Se gostarem de super-herois e pensam que já não havia mais nenhum super-heroi que pudesse ser inventado, pensem duas vezes.
Três tigelas de noodles porque é bom demais, sendo mau como o raio mas provávelmente será o melhor filme de super-herois de todos os tempos e com todo o mérito. Por outro lado…não tentem fazer isto em casa…

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A favor: o conceito do personagem é genial, o uniforme é de ver para crer, o actor principal faz um trabalho excelente com um material potencialmente destruidor de carreiras, tem espírito de série B genuíno, é de ver para crer.

Contra:
é de ver para crer, a partir do meio sofre de várias quebras no ritmo narrativo e perde muita da piada pela repetição.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
https://www.youtube.com/watch?v=TozprFrnn10

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gif

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt2708764

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Se gostou, vai gostar certamente dos seguintes filmes abaixo.

capinha_sex-is-zero capinha_sars-wars capinha_killer_pussy   

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Cinema_oriental_no_facebook

 

20-seiki shônen: Honkaku kagaku bôken eiga (20th Century Boys) Yukihiko Tsutsumi (2008) Japão


O ano de 2010 começa bem para mim no que toca a boas compras de cinema oriental.

Este é um filme sobre o qual me é muito dificil falar pois é um daqueles produtos de cinema asiático muito dificeis de classificar.
A minha primeira reacção foi a de atribuir-lhe a classificação máxima pois [“20th Century Boys“] é não só muito bom como tem uma coisa que lhe dá logo muitos pontos, é completamente original. Mesmo não parecendo.

Na verdade não me lembro de ter visto nada  assim antes e surpreendeu-me que o filme tivesse uma estrutura inesperada.
Curiosamente o único motivo porque vi o filme foi porque o comprei.
E a única razão porque o comprei foi porque a edição que estava á venda na Amazon Uk (e ainda está) tinha uma relação preço-qualidade que me pareceu muito boa, pois os dois discos vinham dentro de um livro hardcover com 26 páginas a cores e eu não resisto a estas coisas especialmente quando estão á venda por menos de 10€. Comprei o filme a 4 libras um par de semanas atrás.

Tinha visto o trailer há meses e já o podia ter sacado da net há muito tempo para espreitar, mas nem me dei ao trabalho porque [“20th Century Boys“] parecia-me ser precisamente aquele tipo de filme que me aborrece de morte, ou seja algo num estilo super-herois que geralmente não me diz nada e como tal as apresentações nunca me convenceram ao ponto de sequer me fazer ter vontade de ver o filme á borla.
No entanto algo me dizia que [“20th Century Boys“] não seria tão banal quanto me parecia no trailer e devido á sua excelente e barata edição não resisti a comprá-lo.
E ainda bem que o fiz.
Se calhar não se nota pela “suave” classificação que lhe atribuí mais abaixo, mas este filme quanto a mim é absolutamente fantástico e a única razão porque não lhe dou uma nota melhor é porque este é um daqueles produtos que são absolutamente contagiantes quando o vemos pela primeira vez, mas pessoalmente não fiquei com vontade nenhuma de o rever tão cedo.

Não porque [“20th Century Boys“] seja um mau filme, aborrecido ou tenha algum problema grave, mas porque é um daqueles que depende mesmo muito do fascínio que o mistério da história cria no espectador e como tal quando a coisa chega a uma conclusão, mesmo apesar de ser um filme oriental cheio de qualidades há muito pouco que faça o espectador querer voltar a ele muito próximamente.
Pelo menos até ver como a história termina…

[“20th Century Boys“] tem o grave problema de ser uma primeira parte de uma história em trés capitulos. Ou melhor em trés filmes. Além disso a sua originalidade acaba por ser a sua maior virtude e a sua maior fraqueza.
A sua originalidade não está propriamente no estilo, ou até na história, até porque se vocês conhecem obras como Watchmen (tanto o livro como o filme), não vão encontrar algo muito diferente em [“20th Century Boys“], que, quanto a mim é quase uma versão alternativa da Bd de Alan Moore transposta para uma identidade oriental puramente japonesa. Não que seja um plágio, mas o tom da história e até a sua própria estrutura é semelhante.

Segundo consta, esta trilogia de filmes, adapta o Manga mais vendido de sempre no Japão. Algo que me é totalmente alheio pois até agora nunca tinha ouvido falar de tal coisa e como tal parti para este filme como eu gosto. Completamente ás escuras.
O facto de  [“20th Century Boys“] ser a primeira parte da história (em filme) podia até nem ser um problema, pois por exemplo  a primeira parte do Senhor dos Aneis resulta plenamente enquanto filme isolado até ao seu final.
No entanto [“20th Century Boys“] “falha” nesse aspecto porque como alguém já referiu numa outra review na net, parece que os criadores deste projecto se esqueceram que este produto acima de tudo era suposto ser um filme e se calhar não deveria ter seguido tão á risca uma estrutura de banda-desenhada no que toca á sua narrativa.

Por outro lado, esta visão pode ser apenas fruto do nosso olhar ocidental mais habituado ao tipo de estrutura que vemos nos filmes americanos e sendo assim é inevitável que olhemos para [“20th Century Boys“] como um filme algo estranho e inesperado.
Lá ver se consigo explicar isto melhor…olhem que é difícil…
[“20th Century Boys“] é apresentado como um verdadeiro blockbuster “de super-herois” ao estilo japonês. No entanto não se passa nada neste filme asiático ao longo de quase trés horas !!!

Não se passa nada daquilo que vocês pensam que se vai passar se virem os trailers.
As apresentações dão a ideia que o espectador vai ver um blockbuster cheio de acção e cenas de destruição ao melhor estilo de cinema catástrofe e no entanto nada disso acontece  em [“20th Century Boys“].
As poucas cenas de acção e destruição que vocês vão encontrar nesta história são os breves segundos de explosão no aeroporto e no parlamento e isso aparece tudo no trailer sem haver mais nada para mostrar.
As partes de aventura com o robot gigante são practicamente nulas e mais parecem pertencer aos cinco minutos finais de um qualquer episódio de uma série televisiva do que a uma mega-produção que [“20th Century Boys“] apregoa ser em todo o seu marketing.

Ou seja, se esperam um filme de super-herois, ou com uma estrutura (ou espectacularidade) semelhantes ao que estão habituados a ver, esqueçam.
Que achou que Watchmen foi uma seca porque aquilo era muito paleio e pouca acção, então é melhor nem se aproximar de [“20th Century Boys“], pois é trés vezes “mais lento”. O aviso está feito, isto não é o blockbuster que aparenta ser na publicidade (o que muito me agradou).
Ainda por cima quando o filme está precisamente no seu momento mais empolgante ao fim de quase 150 minutos…a imagem pára e aparecem no ecran as palavras “To be continued…” !!!

Curiosamente é um filme oriental bem mais intimista do que eu próprio esperava ter visto.
Practicamente as primeiras duas horas são passadas em desenvolvimento de personagens. Não que isto seja o ponto fraco do filme, mas deixo já o aviso que é muito importante vocês estarem atentos aos nomes dos personagens porque senão vão dar em doidos.
Consta que todos os trés filmes contêm ao todo mais de 300 personagens diferentes e acredito plenamente nisso pois só nesta primeira parte devem passar dos 50. Ainda por cima isto é um filme oriental e como tal…esqueçam o conceito de “heroi” ou personagem principal, pois aqui até o personagem mais secundário é importante para a história e tem o seu momento de ecran específico o que complica bastante a vida ao espectador mais desatento.

Para piorar as coisas, o filme ainda é passado em trés décadas diferentes e como tal apanhamos com os personagens quando crianças em 1970, acompanhamos os mesmos nos anos 90 e ainda os vislumbramos por volta de 2015. O que quer dizer que cada personagem é interpretado por um par de actores diferentes consoante a época em que a história decorre. E muitos deles têm alcunhas em criança e nomes diferentes em adultos…
Resumindo, este filme só pode ter sido um sucesso enorme no japão mesmo.
Metessem isto num cinema americano (ou americanizado) do ocidente e isto seria um fracasso absoluto pois metade das pessoas perder-se-ia por completo no emaranhado da história e personagens infinitamente variados, com a agravante do filme não ter cenas de aventura ou acção intercaladas ao estilo dos argumentos americanos para deixar o cérebro descomprimir.

É que essencialmente [“20th Century Boys“] é um filme oriental de mistério.
E um dos mais intrigantes e completamente hipnóticos que me lembro de ter visto em muito tempo.
Se vocês ficarem intrigados pela história, o seu desenvolvimento não vos vai deixar tirar os olhos do ecran até ao seu final. Final esse que é considerado por muita gente como uma das maiores desilusões do cinema recente.
Isto porque na verdade não corresponde minimamente á ideia de blockbuster com que o filme é vendida no ocidente e como tal era inevitável que muita gente visse as suas expectativas completamente frustradas.

Pessoalmente eu nem queria acreditar no que estava a ver quando o filme parou mesmo no melhor e a expressão “continua” apareceu na imagem.
Nunca tinha visto um filme acabar assim. A sensação com que se fica é que [“20th Century Boys“] acaba ali como podia ter acabado noutro sítio qualquer e isso é um sentimento algo estranho quando como espectadores investimos todo o nosso interesse na história e pelo menos esperávamos que nesta primeira parte algo nos recompensasse os primeiros 150 minutos do nosso entusiasmo.

No entanto…
Superem este pormenor e vão descobrir uma história fascinante suportada por um elenco enorme e cheio de carísma.
O filme practicamente não tem acção (não se deixem enganar pelos trailers), mas nem por isso deixa de ser divertido ou cativante.
Nota alta para o trabalho do realizador que conseguiu manter coeso todo o emaranhado do argumento sem nunca perder o fio á meada e criar um filme divertido e cheio de personalidade. Mesmo sem recorrer a cenas de porrada á americana ou a efeitos especiais ao longo de practicamente todo o filme, [“20th Century Boys“] mantém-nos colados á sua história e interessados no seu desenlace.
Só é pena ainda termos de esperar até ao lançamento do terceiro capitulo para ficar a saber como tudo termina. Isto claro se nunca leram o Manga, cujo o próprio autor é agora o argumentista do filme e talvez seja por isso que esta grande produção pareça ser mais uma banda-desenhada com imagens “reais” em movimento do que propriamente um filme.

Nota alta para o elenco infantil que tem um desempenho absolutamente hipnotizante. Alías, toda a parte passada na infância dos herois é um dos pontos altos do filme a fazer lembrar aquele estilo de história juvenis nostálgicas que normalmente Stephen King costuma contar.
Enquanto espectador não pude deixar de pensar que havia algo de Stand By Me nesta história e isso agradou-me mesmo muito e tenho a certeza irá agradar bastante a todos aqueles que foram crianças nos anos 70 bem antes de existirem computadores, telemóveis, videogames e internet e onde todos nós tinhamos de inventar os nossos próprios mundos de imaginação pois não havia nada do género pré-fabricado. O filme (e a história) capta muito bem o espírito de infância desses anos e sendo assim é mais um dos seus pontos altos.

Como este texto já vai longo e não quero revelar muito sobre o filme vou terminar apenas dando-lhes uma ideia da história.
Essencialmente [“20th Century Boys“] é sobre um misterioso culto religioso centrado num enigmático logotipo e numa figura conhecida apenas como “Friend” e sobre a maneira como esta personagem consegue dominar (e destruir?)  o mundo.
No inicio dos anos 70 um grupo de crianças imaginou uma história de ficção-científica precisamente contendo todos os detalhes que depois se vieram a tornar reais e como tal todo o mistério gira á volta da possibilidae de “Friend” ser na realidade ser uma das crianças do grupo original que de alguma forma conseguiu tornar realidade algo surgido num jogo infantil muitos anos atrás.
Fico-me por aqui pois há muito para descobrirem se virem [“20th Century Boys“].

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CLASSIFICAÇÃO:

Sinto que quando conseguir ver os trés filmes de uma só vez e puder unificar toda a história, hei de voltar a esta review e adicionar mais uns pontos á sua classificação.
Isto porque [“20th Century Boys“] é um filme diferente dos outros porque tem uma estrutura inesperada e como tal devido a isso é quase injusto estar a classificar isoladamente esta primeira parte pois ao contrário de filmes como o primeiro Lord of The Rings, esta não resulta enquanto filme e sente-se mesmo a falta da continuação para podermos ser realmente justos sobre o que dizer sobre o produto final.
No entanto não deixem de ver [“20th Century Boys“] pois é algo absolutamente único e recomenda-se vivamente.
Quatro tigelas de noodles…por agora…

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A favor: também neste filme o argumento labirintico e a forma como cruza os diversos caminhos do destino dos protagonistas, as sequências nostálgicas da infância dos personagens, o elenco e a quantidade enorme de personagens (secundários(?)), apesar da complexidade da história o trabalho do realizador é notável a gerir tudo aquilo, em 150 minutos de filme mesmo sem practicamente acção nenhuma o suspanse mantém-se apenas pela força da história e carísma dos personagens, o estilo de realização tem variações impecáveis que nunca deixam o filme perder o interesse e quase que assistimos a um estilo de filmagem diferente para cada personagem, a fotografia destaca-se especialmente nas sequências dos anos 70, quem gostou de Watchmen irá gostar de [“20th Century Boys“].
Contra: quem espera um blockbuster cheio de acção e estilo cinema catástrofe cheio de efeitos especiais vai ficar muito decepcionado, este primeiro filme não está estruturado enquanto primeiro capitulo com um principio meio e fim e acaba de forma completamente inesperada e sem resolver absolutamente nada do que desenvolve ao longo de quase trés horas, não sentimos que estamos a ver o primeiro filme de uma trilogia mas apenas um bocado do inicio de um qualquer filme de oito horas que subitamente nem sequer fica a meio mas acaba no inicio quando tudo parece ir começar a sério, as cenas de acção que supostamente seriam o climax desta primeira parte são absolutamente desinteressantes e banais mais parecendo a parte final de um qualquer episódio televisivo de uma série desinteressante qualquer com robots gigantes.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=OCFOM5mZx28&feature=related

COMPRAR
A foto acima pertence á edição que eu comprei na Amazon Uk e que recomendo. Os dvds vêm dentro de um bonito livro numa edição hardcover com 24 páginas a cores detalhando muita coisa sobre o universo do filme (cuidado com os spoilers). Tudo com o excelente preço a condizer.
20th Century Boys (2 Discs & 24 Page Book) [2008] [DVD]

Está também já disponível o segundo capitulo numa edição em tudo semelhante á do primeiro caso queiram continuar a colecionar isto em dvds separados.
20th Century Boys Chapter 2 (2Disc & 24 Page Book) [DVD] [2009]

E finalmente o terceiro.
20th Century Boys 3: Redemption (Ws Sub Ac3 Dol) [DVD] [Region 1] [US Import] [NTSC]

Em alternativa, se quiserem já adquirir os 3 filmes de uma só vez também já o podem fazer numa única e muito interessante edição.
20th Century Boys Trilogy – The Complete Saga [DVD] [2010]

Recomendo vivamente a compra das edições dvd acima, mas se quiserem espreitar o filme primeiro podem ir buscá-lo aqui com legendas em Pt(Brasil)

IMDB
http://www.imdb.pt/title/tt1155705/

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Filmes “semelhantes” de que poderá gostar:

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