Space Battleship Yamato (Space Battleship Yamato) Takashi Yamazaki (2010) Japão


O design é fantástico, os efeitos especiais são muito bons e cheios de pequenos detalhes nas próprias sequências de acção, parece mesmo um Anime em “imagem real”, a história podia ser pior e não envolve as macacadas habituais do cinema Japonês de FC, o ambiente é bem conseguido, tem uma óptima fotografia e muitos personagens com potencial quanto baste para fazer disto um dos melhores filmes de ficção científica saídos do Japão nos últimos anos.

Então porque raio é que [“Space Battleship Yamato“], é tão mau ?!!
Mas mau mesmo !
Não é daqueles – tão maus que se tornam bons – e por isso nunca se tornará num filme de culto até mesmo junto daqueles que gostaram do Anime em que foi baseado. [“Space Battleship Yamato“] é simplesmente mau e pronto.
E porquê ? Porque há aqui qualquer coisa que não se percebe de todo. O filme tem 138 minutos, é desinteressante como o raio e o pior é que nunca se percebe bem porquê quando chegamos ao fim.

Será porque nos deixamos dormir a cada 40 minutos de filme mais ou menos ?
Será porque tenta ser um drama humano tão intenso a nível de personagens que tem provavelmente dos diálogos mais chatos e arrastados dos últimos tempos ? Sabem aqueles filmes que têm duração a mais ? [“Space Battleship Yamato“] tem duração a mais nas cenas de diálogo, consegue aborrecer mesmo sendo dinâmico na montagem e practicamente é uma seca porque os momentos com os personagens são sempre tão desinteressantes, longos e vazios; que como espectador senti sempre que apenas continuava a ver este filme porque visualmente é tão cativante que me forcei a não dormir á espera das cenas em que o design era exibido, apenas para ver o que apareceria a seguir.

O Japão não é propriamente conhecido por produzir cinema de ficção-científica hardcore naquele tom sério que encontramos numa novela do género. Talvez a única tentativa para lançar um épico mais sci-fi em tom mais realístico tenha sido o fascinante “Bye Bye Jupiter” e mesmo essa com o resultado que se viu…
Temos também o muito bom, “The Sinking of Japan” mais dentro do género catástrofe e pouco mais há.
Ficção-Científica no Japão significa acima de tudo “Godzilla” com clones do género ás dezenas e pouco mais e eu sempre me perguntei porquê. Especialmente nos tempos modernos em que os japoneses já demonstraram que fazem efeitos especiais tão bons ou melhores quanto o que sai actualmente de Hollywood e do qual o trabalho visual apresentado em [“Space Battleship Yamato“] não é excepção.

Por isso eu quando descobri este filme fiquei logo muito contente e atirei-me a ele plenamente convencido de que desta vez é que era. Parecia que o Japão tinha finalmente conseguido fazer uma Space-Opera cinematográfica que não ficava nada a dever ao que os americanos fazem comercialmente falando.
Ainda dizem que a pirataria não é útil ? Se isto fosse como nos velhos tempos eu teria comprado imediatamente o dvd disto ou o blu-ray sem pestanejar pois tinha por filosofia comprar para ver.
Eu matava-me se tivesse gasto agora dinheiro neste filme !
Especialmento porque [“Space Battleship Yamato“] seria mesmo o tipo de titulo que eu compraria logo sem pestanejar ou sequer ver primeiro. Por isso neste momento só posso dizer, viva a pobreza que me salvou de gastar dinheiro naquilo que foi um dos filmes mais chatos de FC que me passaram pela frente em muitos anos. Será inclusivamente a Space-Opera mais desinteressante que alguma vez vi.

É que apesar de visualmente parecer que segue todas as regras que tornam o género da Space-Opera o divertimento garantido que se sabe (graças ao template Star Wars também), a verdade é que [“Space Battleship Yamato“] acerta ao lado em tudo. Se isto fosse uma batalha naval o único navio que seria afundado no jogo seria o do próprio jogador.
O visual e as cenas de efeitos especiais são regra geral excelentes ou muito boas, inclusivamente o estilo de combates espaciais está baseado nas próprias leis da física e as naves portam-se mais como os caças de Babylon-5 do que com as naves bonitinhas do Star Trek.

O problema é que tudo o que é visualmente estimulante em [“Space Battleship Yamato“] dura muito pouco.
Pouco mesmo !
As sequências de combate são tão rápidas e dinâmicas que mal começamos a habituarmo-nos ao seu ritmo e estilo visual, já estas acabaram. Com a agravante de apesar de não haver nada neste filme que já não tenham visto dezenas de vezes noutros lados, nomeadamente por exemplo no recente remake da Galactica. Tudo muito competente técnicamente mas sem grande imaginação na verdade. Não há nada em [“Space Battleship Yamato“] daquele chamado “WOW factor“.

Depois como contraponto e para intercalar com as cenas “exteriores” em bom CGI, apanhamos intermináveis sequências com personagens no interior da Yamato em diálogos totalmente desinspirados e sem interesse algum; numa tentativa desesperada do realizador (e argumentista talvez), para colarem o estilo da tripulação da nave á química de personagens encontradas em Star Trek. Especialmente encontrada no NOVO Star Trek de J.J.Abrahms.
Nota-se uma tentativa constante de fazer com que esta tripulação da Yamato, se pareça tanto com a da Enterprise que inclusivamente nem aqui falta um “Mr Scott” na sala das máquinas.
[“Space Battleship Yamato“] tem personagens a mais com histórias interessantes a menos.

Curiosamente esta intenção de reproduzir o estilo Star Trek começa logo por se afundar no personagem do capitão da nave. O que raio é aquilo ? É um boneco sem vida, um actor morto sentado no banco ou será um gajo completamente aborrecido por entrar no filme ? Terá isto tudo sido culpa do argumentista que lhe deu algumas das cenas mais chatas de toda a história para debitar diálogos sem qualquer interesse ?!
O problema é que isto não se esgota num personagem. Todos são ou aborrecidos de morte, ou irritantes á bráva e a única vez que [“Space Battleship Yamato“] ganha alguma humanidade é numa breve sequência de despedida através do ecran do videofone e isto graças ao carisma dos dois actores que por breves segundos conseguem passar mais emoção do que o resto do elenco do filme em 138 minutos !

[“Space Battleship Yamato“] alterna entre o visualmente fascinante, o chato como o raio e o irritante á brava !
Irritante á brava porque se por um lado tenta colar-se ao estilo Star Trek no que toca a personagens, por outro tenta desesperadamente parecer-se com um filme de Hollywood a todo o instante, muito em particular parece que este filme o que gostaria de ter sido era o “Armageddon” de Michael Bay e não consegue, não por falta de meios mas por falta de capacidade do realizador para tentar imitar correctamente o estilo do realizador americano. Especialmente quando não se decide se quer ser o Star Trek (notem os constantes lens-flare e a movimentação de câmera a imitar o Trek novo) , a Galactica, o Wing Commander, ou o Armageddon !

Se algumas vez pensaram como poderia ser um filme do Michael Bay mas desinteressante como tudo pelas razões mais inesperadas, têm aqui uma boa resposta em [“Space Battleship Yamato“].
A gente sabe que o Michael Bay não é própriamente um realizador genial, e aquela montagem a trezentos por segundo é horrorosa, mas ao menos naqueles raros bocados em que até tem alguma coisa para narrar ele sabe contar uma história apesar dos pesares. Tal não acontece com este realizador de [“Space Battleship Yamato“] que se espalha precisamente nas cenas que supostamente deveriam humanizar -“o estilo Michael Bay“- mas falham redondamente porque, ou os textos são chatos, as sequências são longas e vazias ou então é a própria história que não tem interesse suficiente para ser esticada artificialmente por 138 minutos que mais parecem quatro horas.

Essencialmente [“Space Battleship Yamato“] conta a história do planeta Terra estar practicamente nas últimas. Nada resta daquilo que antes foi a natureza verdejante do nosso mundo e toda a humanidade está a morrer. Não só por toda a falta de condições naturais mas também porque o nosso mundo está a ser atacado por uma raça alienígena que insiste em nos limpar da superfície porque são maus e pronto. Até têm um motivo, mas é tão banal e desinteressante que eu nem quero estragar aqui “o twist” do argumento. Isto se vocês chegarem acordados até ele claro está.
Um dia é recolhida uma cápsula vinda do espaço e quando analisada, as autoridades informam a população de que esta contêm um mapa que levará uma missão espacial até ao planeta Iskandar onde poderá encontrar-se a cura para toda a devastação da humanidade. Logo é escolhida uma tripulação e a nave Yamato é lançada para o espaço nessa missão de confirmar se existirá de facto em Iskandar algo que poderá salvar a Terra.
Isto claro, com os alienígenas atrás tentando impedir o sucesso dos nossos herois, assim ao melhor estilo Cylons contra humanos.
Ah, e claro que há uma história de amor pelo meio.
Nem se nota.

[“Space Battleship Yamato“] é um daqueles filmes de que apetece logo gostar muito. Especialmente se vocês forem fãs de Space-Opera e sempre acharam que o Japão poderia ser um bom local para se filmar umas boas aventuras espaciais ao melhor estilo clássico. Isto já que nos Estados Unidos toda a gente parece ter medo de filmar histórias de aventuras no espaço e depois ser comparado com o sucesso de Star Wars.
Inclusivamente muita gente hoje ainda pensa que foi George Lucas que inventou o estilo e o género Space-Opera devido ao sucesso de “A Guerra das Estrelas” desde os anos 70 quando este desenterrou o estilo clássico das aventuras espaciais dos anos 30 e 40 e o transformou no template cinematográfico que se conhece hoje e que muito pouca gente voltou a usar por medo de ser considerado plágio.

Se virem o trailer de [“Space Battleship Yamato“] e gostarem de Space-Opera muito provavelmente ficarão logo com vontade de comprar o filme. Cuidado.
Recomendo que o vejam de um torrent primeiro, porque isto não é o filme divertido que vocês esperam e que toda a gente gostaria que pudesse ter sido.
Surpreendentemente é até bem menos divertido do que “The X-From Outer Space” se é que acreditam numa coisa destas.
[“Space Battleship Yamato“] leva-se demasiado a sério e por isso espalha-se ao comprido em tudo o que tenta atingir.
Além disso, para completar a colagem ao estilo Michael Bay, ainda por cima a banda sonora é cantada em Inglés por nem mais nem menos do que Steven Tyler dos Aerosmith…hmmmm…..onde é que a gente já viu isto antes ?….Em que filme com um asteroide gigante é que…hmmmm…..
Isto é absolutamente deprimente.

Não só [“Space Battleship Yamato“] tenta ser um clone á americana made in japan daquilo que Michael Bay faz em Hollywood como ainda por cima a própria música da banda sonora parece ela mesma um clone da sua “versão” mais famosa que o próprio Steven Tyler já tinha gravado para “Armageddon”.
Isto para nem falar do final do filme, meus amigos…
Deprimente.

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CLASSIFICAÇÃO:

Com muita, muita pena minha leva a mesma classificação do filme abaixo, o que demonstra claramente que o facto de um filme ter excelentes efeitos especiais não significa automáticamente que seja um bom filme de FC ao contrário de produções mais antigas ou modestas.
[“Space Battleship Yamato“] acerta ao lado em tudo o que se propõe fazer e aquilo que deveria ter sido uma fantástica e divertida Space-Opera japonesa, acaba por ser um produto muito decepcionante, chato e por vezes bastante irritante.
Tinha tudo para ser fantástico e pelo visto dinheiro também não lhe faltou e não passa de um mau clone de um estilo que por si só originalmente já nem sequer é grande coisa.
Uma tigela e meia de noodles, apesar de ser um daqueles filmes de que apetece gostar mesmo muito. Mas depois acordamos para a realidade.
Querem uma boa space opera japonesa ? Vejam antes o “X-Bomber/Starfleet” pois apesar de primitivo e ser todo em marionetes tem mais alma e emotividade que esta produção modernaça cheia de estilo e efeitos a sério.

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A favor: Bons efeitos especiais, bom design de produção, boa fotografia, contém algumas paisagens fantasticas.
Contra: os personagens não têm interesse, os diálogos arrastam-se no vazio, as cenas de acção são muito breves e totalmente desinspiradas, não tem nada que não tenham visto já mil vezes noutros sitios, tenta imitar o mais popular de Hollywood e espalha-se ao comprido, nota-se o constante desespero de produzir um filme á americana quando se calhar a chave do sucesso estaria na sua identidade original, a história resume o Anime mas não tem grande imaginação ou interesse, pura e simplesmente não é divertido.
Ah, e o cabelo á Michael Jackson do heroi dá-me cabo dos nervos. 🙂

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=Row0rYFQCHs

Ainda não está a venda na altura em que escrevo isto.

Download aqui com legendas em PT/BR

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1477109

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Wakusei daisenso (War in Space – Guerra no Espaço) Jun Fukuda (1977) Japão


Rezam as crónicas que este filme asiático estreou nos cinemas em 1977 sete meses após StarWars ter surgido do nada e esgotado bilheteiras por todo o mundo.
O que não aconteceu própriamente com esta produção japonesa feita a todo o vapor.
A tanto vapor que até as naves ainda deitam fumo do escape quando voam pelo universo.
Parece que algures no Japão, alguém achou que seria possível criar de raiz em poucos meses algo que se pudesse bater comercialmente com o filme de George Lucas e o resultado foi este [“War in Space“] que inclusivamente teve honras de passar nos cinemas portugueses e tudo.

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[“War in Space“] é conhecido não só como o primeiro clone oficial de StarWars mas também como a space-opera que mais rapidamente foi produzida tentanto aproveitar o sucesso do género.
Se calhar ninguém melhor que os japoneses para conseguirem produzir um filme de efeitos especiais de forma quase instantânea e portanto este filme é um excelente exemplo do que um estúdio consegue fazer á pressa para tentar apanhar o barco de um sucesso contemporaneo e sacar também umas massas ao público que pede mais.

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Isto pode ser o primeiro clone de StarWars mas na verdade não se pode comparar pois apesar de ser também uma space-opera a nível de história não tem nem tenta ter nada a ver com a saga imaginada por George Lucas.
Felizmente que os produtores de [“War in Space“] sabiam que não tinham muito dinheiro e muito menos tinham tempo e portanto nem sequer tentaram recriar um universo muito fora da nossa realidade. Sendo assim este filme não se passa numa galáxia muito, muito distante, mas sim na nossa santa Terrinha que mais uma vez é invadida por uns extraterrestres maus.

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E não só são maus, como desta vez absolutamente rídiculos e hilariantes. Neste aspecto nota alta para o equivalente ao Chewbacca (?) que aparece em [“War in Space“] e quando vocês virem o gajo tipo boi com um machado de plástico enorme e uns cornos de envergadura a condizer vão perceber o que quero dizer.
Tudo é mau em [“War in Space“] e sendo assim tudo é bom e se calhar não poderia ser melhor porque na realidade seria dificil fazer pior. Nota alta portanto para tudo isto se é que me entendem.

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Na verdade este filme não é uma desgraça porque tudo nele é mau no que toca a argumento, interpretações ou efeitos especiais. [“War in Space“] fracassa apenas por causa de um pormenor.
Tinha tudo para ser um daqueles filmes genialmente maus totalmente recomendáveis mas comete um erro que na minha opinião lhe retira imediatamente muitos pontos valiosos. Leva bastante tempo até começar a aparecer no ecran aquilo que supostamente seria o seu propósito.

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Afinal, se este filme pretendia seguir as pisadas de StarWars, seria de esperar que não demorasse muito a nos mostrar cenas porreiras com muitas batalhas no espaço, tiroteios laser em corredores com os nossos herois encurralados, etc.
Acontece que o filminho não teve um orçamento por aí além e isso nota-se, pois o filme começa e até que se passe realmente alguma coisa divertida temos de esperar pelo menos uma meia hora.

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Até começar aquilo que o pessoal quer ver, (porrada espacial), o espectador leva com uma espécie de história de espionagem que envolve agentes secretos extraterrestres que se disfarçam de humanos, cenas de acção passadas em escritórios e cenários perfeitamente mundanos e corriqueiros e as inevitáveis tentativas de desenvolvimento de personagens que são um vazio absoluto pois nenhum dos personagens tem qualquer carísma ou interesse. Convenhamos, um tipo não foi ver [“War in Space“] para ver cenas com senhores de fato e gravata, diálogos políticos e escritórios banais.

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E por falar em personagens…o que raio se passava com o cinema estilo blockbuster japonês nos anos 70 ? Porque razão tinha sempre um elenco internacional que metia actores americanos absolutamente obscuros e cada um pior que o outro ? Tal como em “Bye-Bye Jupiter” também um dos pontos altos de [“War in Space“] é precisamente o facto desta história meter personagens americanos porque sim.

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Sendo assim o que dizer de tudo isto ? Este é um filme oriental muito estranho. Não se pode dizer que seja um filme de culto porque não é suficientemente divertido e leva algum tempo a desenvolver mas no entanto é um daqueles que vale mesmo a pena ser visto por quem se interessa pelo género space-opera.
Pelo menos a segunda metade do filme recomenda-se vivamente.
Mal os herois chegam a Venus e começa a porradaria espacial o filme ganha uma nova identidade e tudo aquilo que o pessoal adora odiar nestes filmes está presente.

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Vocês vão adorar as naves com fios, as batalhas espaciais com maquetes ridiculas e  as cenas de tiros em corredores. Além disso por qualquer motivo a heroína do filme quando é raptada alguém lhe vestiu uns calções curtinhos sabe-se lá porquê e portanto já estão a ver que [“War in Space“] é uma aventura espacial com classe.
E se vocês acham aque a coisa ainda não poderia ficar mais hilariante então é porque ainda nem viram o aspecto do vilão. Digo-lhes apenas que não será propriamente o Darth-Vader…

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Os cenários são típicamente japoneses, o guarda roupa é de ver para crer e os efeitos são tudo menos especiais.
Desenvolvimento de personagens não há. A não ser que conte a tocante (snif) cena em que o heroi gringo descobre que a família foi toda morta pelos bichos maus ou a parte em que o comandante da nave se resolve matar para salvar toda a gente.
Ooops, revelei o final da história…oh pá…

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CLASSIFICAÇÃO:

Podia ter sido um filme de culto, mas tem pequenos aspectos desinteressantes que o impedem de ser realmente o filme divertido que merecia ter sido.
No entanto, apesar da minha baixa classificação é um daqueles filmes que merece ser visto pelo menos uma vez por toda a gente que gosta de aventuras no espaço.
Infelizmente não estamos na presença de um filme genialmente mau e é pena pois tinha tudo para ser um daqueles guilty-pleasures que temos vontade de rever vezes sem conta. De qualquer forma vale a pena espreitarem. No entanto se são bons clones do StarWars que procuram sugiro antes que espreitem StarCrash e Starchaser, longe do cinema oriental.
Duas tigelas de noodles porque é um pequeno filminho interessante mas não mais do que isso e porque é mais aborrecido do que tinha o direito e o dever de ter sido pois estamos na presença de uma verdadeira oportunidade falhada para terem criado um filme de culto.

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A favor: as naves horrorosas penduras com fios são geniais, tem um submarino espacial que parece um revolver gigante mas não serve para grande coisa e portanto é mágnifico, as naves deitam fumo do escape no espaço, tem um alien que parece um boi gigante e miudas em calções curtinhos sem qualquer motivo para tal, o vilão é de ver para crer pois faz qualquer personagem dos Power Rangers parecer a sério, visualmente tem uma atmosfera gráfica estranhamente agradável e com uma boa fotografia a condizer, tem porrada espacial e tiros por tudo e por nada a partir da segunda metade do filme, os efeitos especiais são do piorio e portanto são mágnificos, quem em criança viu isto no cinema em Portugal quando passou por cá no final dos anos 70 óbviamente vai querer mesmo rever isto.
Contra: foi feito á pressa para aproveitar a moda do sucesso de StarWars e nota-se, de todas as space-operas japonesas do final dos anos 70 esta é a menos interessante porque lhe falta carísma, se não deixarem o cérebro á porta vão detestar este filme em absoluto, poderia ter sido muito divertido mas nunca consegue atingir aquela categoria do “tão-mau-que-se-torna-genial” devido a tentar levar-se demasiado a sério quando não teve orçamento para isso, leva demasiado tempo até se tornar divertido, os personagens não têm um pingo de interesse ou carísma, ainda não percebi se o design é do piorio ou genialmente criativo, é impressão minha ou neste filme todos os cenários foram construídos em salas quadradas ?

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NOTAS ADICIONAIS:

TRAILER
http://www.youtube.com/watch?v=HzTh_Z-AsDE

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COMPRAR
Eu tenho esta edição e recomendo a compra deste DVD. Técnicamente é excelente com uma óptima qualidade de imagem e um par de extras muito informativos sobre o making of do filme que valem a pena ser consultados.

Podem procurá-lo na net mas eu nunca o encontrei para sacar.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0076902/

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Ekkusu bonbâ (Starfleet – X-Bomber) Michio Mikami – Noriyasu Ogami (1980) Japão


Ora muito bem, já que ontem falei de “ERA UMA VEZ O ESPAÇO” lembrei-me agora de que ando há meses para também escrever sobre “X-BOMBER”, mais propriamente [ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] como era conhecido em Portugal quando passou por cá bem no inicio dos anos 80 também.

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Aviso já que este texto lhes poderá parecer particularmente esquizofrénico por um simples motivo; há neste momento duas maneiras de se escrever sobre a série “X-BOMBER”, talvez até … duas e … meia se contarmos com a versão que vimos em Portugal num certo sentido…

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Até há bem poucos anos esta série era tão rara quanto “ERA UMA VEZ O ESPAÇO”, pois nem em VHS foi editada por cá e como tal durante anos foi uma aventura espacial que teve apenas de permanecer nas nossas memórias de infância mais recônditas; isto porque [ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] parece ser aquela tal série de que muita gente se recorda de ter visto mas de que muito poucas pessoas já têm uma ideia clara sobre o que viram.
Talvez porque passava durante as tardes a horários algo erráticos semanalmente e portanto muitos de nós nem a devem ter conseguido ver por ordem do principio ao fim quando passou na RTP1 quase quatro décadas atrás…ainda eu não tinha sequer televisão a cores e portanto todas as minhas memórias disto eram até hoje a preto e branco !!
Boy I´m old !!

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STARFLEET DVD

Recentemente há uns quatro ou cinco anos, surgiu no mercado uma edição inglesa de uma coisa intitulada “STARFLEET” e que para alegria de muitos fãs trouxe de novo [ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] até junto de nós.
Ou quase…
Já lá vamos…
Não há duvida que “STARFLEET” na sua edição UK foi realmente produzida para agradar ao fãs apesar dos episódios parecerem ter sido gravados num mau VHS. Mais parecem cópias pirata de segunda geração do que uma moderna e supostamente remasterizada edição para DVD.

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A caixa que os Ingleses produziram no entanto é excelente no que toca a material adicional criado especialmente para a edição e especialmente apontado para os fãs. Os dvds contêm alguns extras interessantes que valem a pena ser vistos especialmente por quem gostava da série em criança.

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Inclusivamente contêm um pequeno documentário informativo sobre a versão Inglesa que explica muita coisa no que toca às variações entre versões e também porque é quase impossível existir actualmente uma edição que não pareça um VHS.
Detalhes adiante.
[ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] na sua versão/edição “STARFLEET” UK em DVD foi uma edição particularmente cuidada e que tentou realmente oferecer o máximo pelo dinheiro que custva.
Para além dos inevitáveis e inúteis postais que costumam acompanhar estas coisas para enfeitar, temos desta vez também direito a um (inútil) poster todo cool e ainda a um pequeno livro com montes de informação sobre a série e resumos de todos os episódios.

dvd uk

Mas o melhor de tudo é o inesperado extra (que oficialmente nem estava previsto) e  que consiste num livro de banda desenhada com 56 páginas a cores contendo uma aventura inédita que vai fazer as delícias dos fãs.
Esta história de Banda Desenhada foi editada em Portugal em 1983 em album (que eu já tinha também); por isso se vocês o tiverem comprado nessa altura o livro é o mesmo só que agora foi lançado num formato pequeno estilo dvd.
Apesar de eu ainda possuir a edição portuguesa desta banda desenhada comprada na época, fiquei muito satisfeito por encontrar agora a sua reedição em inglês incluída neste pack de dvds impressa em papel de alta qualidade. Sendo este ainda o principal motivo pelo qual até recomendo a compra desta fascinante edição de colecionador a todos os fãs…
Mas “STARFLEET” tem um problema…
STARFLEETNÃO É [ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”].
Ou pelo menos não é o [ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] que nós vimos.

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STARFLEET” é a montagem Inglesa produzida de raiz a partir de fragementos de vários episódios Japoneses originais. Não só contêm inúmeras diferenças em termos de estrutura como a própria história foi alterada na altura em Inglaterra para conseguirem editar a série por completo com o material que tinham disponível para o fazer.
Além disso, todo o arquivo de som usado na versão UK “STARFLEET” não tem nada a ver com o que podemos ouvir na versão original.
Se auditivamente “STARFLEET” lhes soar a deja-vu, é porque todos os seus sons são os mesmos que foram usados em “ESPAÇO 1999” !
Mesmo. A remontagem inglesa não só é estruturalmente inédita como soa completamente diferente em relação à série original Japonesa em todos os sentidos. Sendo o pior deles a inacreditavelmente dobragem em lingua inglesa que foi produzida na Inglaterra; a um nível que só ouvindo mesmo.
Mas novamente…já lá vamos…

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PERDIDOS NO ESPAÇO

Se virem o documentário que acompanha a edição UK, é o próprio criador Japonês a referir que versão de “X-BOMBER” que conhecemos no ocidente ( e por “ocidente” ele refere-se especificamente apenas a -Inglaterra- pois é esse o contexto geográfico do documentário ) foi apenas uma montagem alternativa com uma história ligeiramente diferente da original tendo sido totalmente imaginada, estruturada e produzida em Inglaterra por uma equipa inglesa, com base nos episódios originais que puderam ser adquiridos.
Os ingleses recuperaram as imagens originais, mas tiveram que reescrever todo o guião porque inclusivamente as traduções para inglés dos scripts para os episódios originais enviadas do Japão eram tão más e ineptas que se optou por recriar todo o áudio da série de raiz a partir de um argumento puramente britânico; tentando adaptar os conceitos originais e respeitando mais ou menos o produto e a história originais.
Isto porque porque na altura em que “X-BOMBER” foi vendida para Inglaterra toda a série original ( juntamente com todos os bonecos e cenários ) perderam-se num incêndio no Japão quando o estúdio ardeu por completo; muito antes desta alguma vez ter sido exportada para Inglaterra na sua forma completa. Foi também por esta razão que nunca houve uma segunda temporada de “X-BOMBER“.

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X-BOMBER, PORTUGAL E FALSAS MEMÓRIAS…falsas…

Durante anos andou pela internet a polêmica à volta das versões que vimos ou não vimos no ocidente. Por causa do que está dito no documentário criou-se o mito urbano de que a série original nunca terá sido exibida fora do Japão; isto porque na altura o próprio criador da série estava convencido disso.
A versão que vimos em Portugal foi a versão Japonesa original e devemos mesmo ter sido o único país a fazê-lo na altura. Por causa da insistência de muita gente, outros tantos fãs decidiram escavar mais fundo e tentar perceber o que se passava em toda esta embrulhada, pois a coisa chegou ao ponto de muita gente pensar inclusivamente que a versão original em Japonês tinha sido uma falsa memória.
Graças a Portugal, não foi.

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Até porque a própria RTP numa retrospectiva sobre programação antiga na RTP Memória mostrou sequências de “O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS” retiradas dos seus arquivos e estas corresponderam realmente àquilo que muitos de nós sempre soubemos. A versão que vimos em Portugal foi mesmo a versão original integral falada em Japonês.
Não foi a versão UK.
E contrariamente ao que o próprio criador da série pareceu acreditar ser verdade quando gravou a entrevista para o documentário da remontagem UK, afinal a versão original de “EKKUSU BONB” ainda andava por aí.
Aliás a confusão é tanta sobre o destino desta série que a Internet continua cheia de sites com imensa informação errada contraditória; também muito por culpa do que vem nos extras dos DVDs UK e do facto de lá fora ninguém fazer ideia de que em Portugal vimos mesmo a versão falada em Japonês.

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Aliás, [ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] foi uma das primeiras séries do género a não passar dobrada quando a sonoridade da lingua Japonesa ainda era por aqui uma enorme novidade e também por isso este universo pareceu desde logo tão alienígena a todos nós.
Portugal viu realmente a versão Japonesa.
Na internet onde tudo é para sempre e tudo se recupera, a verdade é que até há bem pouco tempo ainda havia maneira de se obter a versão japonesa integral por download.
Pessoalmente nem consigo imaginar onde alguém foi buscar a versão original para a postar na internet num único torrent, mas a verdade é que até há uns três ou quatro anos atrás conseguiamos ainda encontrar a versão que vimos por cá.
Sem legendas.
De espécie alguma.

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Eu tenho-a e foi um amigo meu Brasileiro que me a localizou naquilo que na época me pareceu também um servidor brasileiro pois o torrent estava num site bem manhoso…
E sim a versão Japonesa contém o episódio final de que eu tão bem me lembrava ( pois um amigo tinha-o gravado em BETAMAX na altura ) contrariamente à versão remontada ligeiramente diferente que irão encontrar na montagem UK que Inglaterra viu e que está nos DVDs “STARFLEET”.
Ainda pensei que a versão original tivesse sido colocada no ar por alguém de Portugal mas não faço a mínima ideia, pois o facto é que nem em Português existem legendas para [ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”].
 Ou pelo menos até há um par de anos não existiam.
Em inglês também parecem não existir pois pelo menos no ano passado ainda eram inúmeros os fóruns onde se pediam legendas em Inglês para “EKKUSU BONB”.
Tenho que investigar se já existem pois nunca mais as procurei, visto que estou sem poder aceder ao meu disco onde tinha guardado a série original há meses pois este precisa de reparação devido a um pico de corrente que me ia lixando os meus backups de trabalho todos também.

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MÚLTIPLA PERSONALIDADE

Portanto falar agora de [ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] vai ser complicado para mim… isto porque tudo aquilo que tenho para referir de bom e de mau é retirado tanto da versão UK “STARFLEET” como da versão original “EKKUSU BONB”.
Sendo assim, a coisa irá dividir-se mais ou menos desta forma… o que for mencionado de mau regra geral deriva do meu visionamento de “STARFLEET” ( penoso por vezes…com aquela dobragem e som de “ESPAÇO 1999” ); o que eu apontar de bom será essencialmente o reconhecimento daquilo que a própria série no seu conceito e versão original tiveram de extraordinário e continuam a ter.
Por isso estão por vossa conta para tentar perceber sobre o que estarei eu a falar.
Eu avisei que isto ia ser esquizofrénico…

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Vai ser dificil para mim ser verdadeiramente imparcial por isso ficam desde já sobre aviso que tudo isto poderá ser algo subjectivo para quem não viu esta série quando passou por cá (em Portugal) por volta de 1983.
Sendo assim meus amigos, se estiverem nesta altura pelos vossos (avançados)  40´s e tais, gostarem de ficção cientifica e tiverem adorado [ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] quando eram crianças, podem estar descansados que num certo sentido esta série não envelheceu e é realmente tão boa quanto vocês se lembram de um ponto de vista artesanal, quase.

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É quase uma obra prima nas suas limitações técnicas, apesar de apenas podermos apreciar a série actualmente através de cópias muito más a nível de som e imagem. Embora a “versão pirata” com a série original sacada em Torrent seja inclusivamente superior à versão legal com a remontagem UK disponível em DVD o que não deixa de ser curioso.
Como tal se já eram fãs disto em crianças, muito provavelmente irão gostar de rever a aventura na sua versão original ; ( esqueçam a versão UK ).
Especialmente se ainda hoje gostarem de Anime e tiverem memórias de quando a série passou em Portugal, ou tal como eu tiverem um amigo com uma cópia BETAMAX por aí perdida no sotão.

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SPACE OPERA JAPONESA PRE-ANIME

Podem não ter essa impressão de qualidade se agora forem ver alguns segmentos no Youtube mas acreditem-me que por detrás daquelas imagens bastante envelhecidas ( e da atroz dobrarem Inglesa / qualidade de imagem VHS do pior ) continua uma das melhores séries não só Anime de  ficção-científica como também dentro do género da space-opera que poderão ter o prazer de ver ainda hoje em dia partindo do principio que conseguem apanhar a versão Japonesa em torrents.
Mesmo se tal como eu ( até mesmo em crianças ), nunca gostaram de séries com marionetas e fios como os clássicos Thunderbirds de Gerry Anderson ( que eu abomino desde sempre ) podem ter a certeza que o velhinho [ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] continua ( pelo menos na minha opinião ) a ser realmente bem superior, não só tecnicamente como principalmente a nível de argumento e desenvolvimento de história.
Isto porque está série tal como “ERA UMA VEZ O ESPAÇO” também foi pioneira no formato story-arc em que todos os episódios contam essencialmente uma única história.
Se no entanto até gostam de Thunderbirds mas nunca viram  [ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] meus amigos eu nem pensava duas vezes em procurar por isto também; mesmo que não o tenham visto em crianças.

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[ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] continua a ser por muitas razões uma das melhores e talvez mais esquecidas space-operas dos anos 80. Independentemente de ser um produto de “animação” é acima de tudo um grande filme de aventuras espaciais com quase 12 horas combinando o estilo de história e desenvolvimento de personagens Anime ( do qual foi pioneiro ) com o que mais divertido havia em StarWars na altura.
Juntamente com “STARCRASH” e “STARCHASER”, [ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] será sempre para mim das melhores aventuras espaciais em espirito de space-opera clássica que surgiram graças ao sucesso de StarWars numa época em que este último ainda era conhecido em Portugal como “A Guerra das Estrelas” e muitos estúdios tentavam imitá-lo de várias formas, não sendo os Japoneses excepção.

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[ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] é portanto uma dessas “imitações” que surgiram nos nossos ecrans no inicio dos anos 80.
Embora na verdade, mesmo tendo ido buscar muito do entusiasmo das batalhas espaciais a StarWars foi uma série que soube manter (e criar) uma identidade muito própria, tendo conseguido seguir um padrão ocidental sem perder as suas características orientais.
Ao mesmo tempo que contava com todos os clichés da space-opera ocidentais onde não faltavam inúmeras batalhas espaciais com raios laser por todo o lado, também soube trabalhar aquele estilo de personagens que depois se tornaram habituais na estrutura Anime moderna. Antes de “Robotech“, foi inclusivamente a primeira série a focar-se numa história de amor entre os protagonistas com um final dramático quanto baste.

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Não há muito que eu possa dizer sobre a história pois na verdade não foge muito daquilo que vocês certamente esperarão se conhecem as características da space-opera; invasões extraterrestres, batalhas espaciais e vilões estilo Darth Vader quanto baste tudo regado com muitas batalhas no espaço, sequências de aventura com muitos tiros e neste caso também o inevitável robot gigante estilo Transformers, afinal estamos a falar de uma produção japonesa.

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LOVE STORY

Esta série porventura terá sido das primeiras a criar o tipo de empatia com o espectador que hoje reconhecemos nas séries de animação orientais através da humanização dos personagens. A relação romântica entre os personagens principais de [ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] foi um marco que surpreendeu toda a gente na altura pois manteve até ao último episódio o suspense sobre o seu desfecho e *Spoiler* terá sido a primeira história sem final feliz em que o par romântico não acabou junto; *fim do spoiler* o que surpreendeu meio mundo habituado a desfechos hollywoodescos já nessa altura e um choque para todas as criancinhas.

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O LP “da série”…

Uma coisa curiosa na versão Uk, é o facto do próprio Brian May (esse mesmo, o dos Queen) ter composto uma música para a nova banda sonora e que é aquela que termina cada episódio. Essa canção foi editada em Portugal em disco pois alguém teve a perspicácia de achar que a coisa ligado a um músico dos Queen iria certamente dar lucro quando X-BOMBER estava a bombar por cá.
Os mais velhinhos devem recordar-se da capa do LP que saiu na altura em Portugal com toda a banda sonora da série apoiando-se na popularidade dos Queen, precisamente na mesma época em que também por cá era bastante popular a banda sonora de Flash Gordon composta pelos mesmos.
O facto de no entanto esta também pertencer essencialmente à versão UK é a explicação para que muitos de nós na altura ao ouvirmos o raio do disco não tivéssemos encontrado musicalmente muita coisa que estivesse realmente ligada com o [ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] que estávamos a ver na TV para lá da capa do disco !

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E por falar em banda sonora, pá…o que é aquilo ?!
A música eletrónica composta em Inglaterra para a versão “STARFLEET” é do mais piroso, datado (e descaracterizado) que possam imaginar !
Se a versão UK tem algo realmente foleiro é precisamente levarmos com aquilo durante os episódios. A música cantada pelo Brian May essa então é tão má que eu próprio fiquei surpreendido, pois na altura em que a série passava por cá e o disco até passava na rádio e no final dos créditos associados ao licenciamento português, para aproveitar a onda até me lembro daquilo soar bem aos meus ouvidos de 13 aninhos…

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STARFLEET Vs EKKUSU BONBÂ

Como decidir então o que (re)ver ?
Bem, se não tiverem outra hipótese e quiserem mesmo ter um cheirinho de algo muito especial da vossa infância então só lhes resta espreitar EKKUSU BONBÂ na sua versão STARFLEET.
Meus amigos eu sei que a série parece muito datada, e se virem algumas cenas no Youtube a fraca qualidade da suposta remasterização das imagens para a versão inglesa também não ajuda nada, mas garanto-vos que se conseguirem colocar isso de lado e mergulharem no primeiro disco se calhar até mesmo hoje, quem não conhece esta produção ( mas gosta de sci-fi e cinema de animação ou produções com marionetas ) ao fim do quarto ou quinto episódio poderá dar por si completamente agarrado porque sejamos honestos, os ingleses conseguiram remontar um produto particularmente bom que vai agradar por completo a quem gosta de Anime e ainda mais a quem procura uma boa space-opera á moda antiga e não se deixa assustar pelo visual todo em marionetas.

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Não deixa de ser um feito extraordinário, os criadores de [ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] terem conseguido extrair mais drama e emoção de um grupo de bonecos de madeira do que muitas vezes se vê em filmes com supostos actores de carne e osso. Esse mérito ninguém lhes tira; até mesmo na versão horrível falada em inglês.
Á medida que a série avança e a história se vai desenrolando damos por nós a importarmo-nos com aqueles bonecos e o facto de terem rostos completamente inexpressivos não é impedimento para que na conclusão não estejamos também já a torcer para que as suas “vidas” tenham um final feliz.

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O grande problema da versão UK quando comparada com as vozes Japonesas no original está no casting mesmo !
Certas escolhas para as vozes dos vilões ou a própria abordagem ao redor do personagem foram mesmo bastante más pois os actores esforçam-se demasiado por fazerem -“vozes de boneco-animado”- e isso retirou logo por completo toda a tensão que o original que vimos em Portugal conseguiu ter na altura.
Felizmente que isto não aconteceu com os protagonistas herois que apesar de tudo se mantiveram num registo natural mas o facto de toda a vertente dramática em termos de caracterização de vilões ser tão ridiculamente “abonecada” acaba por retirar imensos pontos positivos à versão inglesa e pode ser o principal factor para que vocês hoje em dia não consigam ver e ouvir vinte minutos daquilo sem lhes apetecer deitar a série toda fora.
 O facto de STARFLEET também soar a ESPAÇO 1999 não ajuda nada…

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Portanto… ver STARFLEET horrivelmente sonorizado em Inglês com uma banda sonora atroz, uma canção de Brian May de fazer queimar discos na praça publica e o arquivo de som do Espaço 1999 ou ver “EKKUSU BONB” com a estrutura e a aventura original que vimos em Portugal mas agora sem legendas de qualquer espécie ?…
Eu por mim prefiro a versão Japonesa e na verdade legendas neste tipo de produto também são mais um hábito do que uma necessidade pois não há muito que não se perceba nisto em termos visuais visto a estrutura original ser tão bem feita e executada.
A versão tuga [ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] com legendas em PT infelizmente não existe mais; a série nunca voltou a passar e segundo o que me apercebi na referência da RTP há anos atrás acho que a televisão portuguesa nem a tem sequer em arquivo completa.

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Por isso estão por vossa conta.
Seja em que versão for, penso no entanto que [ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] é algo sempre a espreitar por todos aqueles que viram a série em crianças, pois apesar de envelhecida continua a ter uma certa magia que nunca mais foi repetida o que torna esta aventura ainda hoje num produto único dentro da ficção-científica televisiva.

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EFEITOS ESPECIAIS

Não posso terminar sem deixar de referir que esta série é um excelente exemplo de como com imaginação se conseguem transcender enormes limitações técnicas.
É que especialmente hoje em dia, em certas alturas [ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] mais parece um filme de marionetas amador produzido com excelente resultado algures no quintal de alguém, do que um produto profissional; e num certo sentido continua a ser precisamente esse o seu grande trunfo.
Quanto mais não seja, olhar agora depois destes anos todos para esta série de um ponto de vista técnico aumenta mais a minha admiração por este trabalho e ainda estou a tentar perceber como conseguiram sequências tão dinâmicas com fantoches de madeira e maquetas de naves espaciais que poderiam ter sido construídas por qualquer um de nós com habilidade para moldar e esculpir.
Tudo sem computadores para ajudar.
Apenas madeira, fios e imaginação.

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O criador da série referia nos extras da edição UK na altura que gostaria de poder voltar a [“X-Bomber“] e criar uma versão moderna para poder aproveitar os avanços da informática, mas sinceramente por muito espectacular que fosse não creio que voltasse a ter a mesma magia de um produto como este produzido numa época em que ainda nem o ZX-Spectrum existia e o gráfico de computador mais avançado eram as barras e a bolinha do Pong a preto e branco claro.
[ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] tal como “ERA UMA VEZ O ESPAÇO” envelheceu muito mal em muitos aspectos, mas continua a ser no entanto uma proposta como poucas dentro do universo da ficção-científica para todas as idades mesmo ainda hoje, pois também ele é produto de uma altura em que a televisão para crianças ainda não era apenas uma enorme comercial de product placement para vender merdas a putos…
Por outro lado… temos aquela música de Brian May…criada a martelo…
My god…

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CLASSIFICAÇÃO

Agora é que a coisa se complica… isto vai ter desta vez não apenas dois tipos de classificação mas três; por razões óbvias e para eu poder ser realmente justo.


1. A VERSÃO ORIGINAL – EKKUSU BONBÂ – ( Que passou em Portugal )

Se vocês viram a série X-BOMBER quando crianças:

Se puderem colocar as vossas mãos na versão Japonesa, vocês querem mesmo rever isto

A versão original é verdadeiramente uma obra prima da space-opera e é absolutamente notável o que conseguiram obter pendurando umas marionetas inexpressivas com fios e fazendo com que isto pareça o filme amador mais profissional de todos os tempos.
Tem pilhas de falhas e vários aspectos foleiros que estão incrivelmente datados hoje em dia mas a sua alma não envelheceu e para mim é uma das poucas séries que se compara a “ERA UMA VEZ O ESPAÇO” ou “CONAN O RAPAZ DO FUTURO” suas contemporâneas na altura e que com todo o mérito formam uma das melhores trilogias de ficção-cientifica para todas as idades que já existiram na televisão.

Quatro Tigelas de Noodles

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Não leva mais apenas pelo mesmo motivo que atribuo três a “ERA UMA VEZ O ESPAÇO” no meu outro blog.
[ “EKKUSU BONB” /“X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] precisava mesmo de um bom tratamento Bluray de remasterização que nos permitisse apreciar-lo hoje em dia em toda a sua glória.

Infelizmente actualmente só temos acesso a cópias que são verdadeiramente rascas e muita da sua magia acaba inevitavelmente por se perder quando somos obrigados a passar horas contemplando imagens de muito má qualidade.

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2. A VERSÃO REMONTADA INGLESA – STARFLEET

Se não encontram a versão original.

Apesar de tudo o que a versão inglesa tem de mau, o facto de contar uma história mais simples e com uma estrutura diferente, o facto de ter um péssimo voice acting por vezes aliado a uma banda sonora simplesmente asquerosa por entre desastres de Brian May e um score de sintetizador Casio daqueles que não lembra ao diabo hoje em dia, não lhe retira um certo mérito.
Se vocês espreitarem o documentário que vem nos DVDs até ficarão a admirar a malta que em Inglaterra pegou nisto para criar a sua versão STARFLEET.
Pegar em material completamente fragmentado e ridiculamente traduzido em inglês a um ponto tal que ninguém percebia nada do que lá estava escrito em relação ao script, pegar em dezenas de episódios fragmentados onde faltavam sequências inteiras ( que tinham ardido nas cópias originais segundo o estúdio ) , remontar tudo aquilo de uma forma coerente, sonorizar tudo com a biblioteca de som de Espaço 1999 e tentar criar um produto novo que no entanto respeitasse o mais possível a versão original que todos julgavam perdida num certo contexto é uma tarefa de mestre.
Sendo assim…

Três Tigelas de Noodles para a versão UK remontada

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Apesar de todas as suas falhas, se X-BOMBER é algo que lhes diz alguma coisa e não tiverem acesso à versão original Japonesa, eu não hesitaria em comprar a caixa com a edição especial STARFLEET à venda na amazon.uk; até porque só pela banda desenhada e qualidade do próprio design da caixa com todos os extras possíveis vale mesmo a pena pois foi realmente uma edição criada para fãs e não uma coisa atirada às três pancadas.

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3. X , QUÊ ?!…

Para quem nunca ouviu falar de [“X-BOMBER“]:

Se gostarem de cinema de animação Japonês e quiserem espreitar um produto que definiu muitos dos clichés que hoje conhecem nas histórias modernas do género, então não vão mais longe.
Até por razões históricas devem ver isto.
E não recomendo que saquem episódios da net pois muito do que anda por aí também são rips de velhos Vhs com uma imagem ainda pior do que a nova “remasterização” para o dvd que saiu este mês de Fevereiro de 2009.
Se gostarem de StarWars (o original) e quiserem um bom exemplo de um clone contemporâneo produzido numa época em que não havia nada semelhante em [“X-BOMBER“] ( seja em que versão for ) têm tudo; muitas batalhas espaciais, muitas naves e inúmeros momentos de aventura clássica em 24 episódios que souberam manter uma constante variedade de episódio para episódio.
A imagem continua fraquinha não interessa onde, a dobragem inglesa poderia ser melhor, a série tem uma atmosfera antiquada que pode passar quase por amadora mas o resultado final é bastante bom até na sua versão UK, STARFLEET.
Claro que recomendo a versão original mas não sei se ainda existe algures pela net.

Duas Tigelas de Noodles

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Leva “apenas” duas tigelas para quem não conhece, apenas porque o seu estilo retro poderá desagradar a quem já cresceu a ver essencialmente efeitos especiais feitos em CGI.
 Também porque não envelheceu bem e a qualidade das cópias que existem por aí também não os irá entusiasmar por aí além

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A favor: o sabor a StarWars original, apesar de retro o resultado técnico é notável e ultrapassa por completo todas as suas limitações, muitas cenas de batalha espaciais entusiasmantes, cenas de acção cheias de charme apesar das suas limitações técnicas, excelente design de cenários e ambientes, os personagens vão ganhando alma e humanidade á medida que a história se desenvolve, mantém muitas incertezas até ao desenlace final, definiu regras para a introdução de drama em séries juvenis, o design das naves foi inovador para a época, apesar de ser um clone StarWars tem uma identidade completamente japonesa, os fãs de Espaço 1999 vão achar piada aos sons da série serem os mesmos na versão Uk, cada episódio tem pouco mais que vinte minutos e a montagem é sempre excelente fazendo brilhar uma realização de mestre. Mesmo quem (tal como eu) detesta as séries de animação de Gerry Anderson estilo Thunderbirds tem muito boas hipóteses de vir a adorar isto por isso não deixem que o facto de ser uma série de marionetas os afaste.

Contra: é uma série infanto-juvenil e como tal nunca chega a ser tão profunda como poderia ter sido, não agarra o espectador imediatamente e apenas nos apercebemos que a história é bem melhor do que parece lá para o quinto ou sexto episódio, algumas das marionetas são horriveis (mesmo), a banda sonora da versão inglesa está mais que datada e não tem sequer um tema memorável, a música cantada pelo Brian May deve ser o equivalente á musica pimba daquela época e é do piorio, as vozes escolhidas para os vilões são ridiculas e estragam o suspense nos momentos dramáticos, a imagem e o som do dvd não são famosos mesmo estando supostamente remasterizados.

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NOTAS ADICIONAIS

VIDEOS de exemplo

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COMPRAR EDIÇÃO UK – VERSÃO UK – STARFLEET
A qualidade de imagem e som são apenas razoáveis apesar da publicitada remasterização mas não há duvida que esta foi uma edição realmente produzida para agradar ao fãs.
A caixa é excelente e os dvds contêm alguns extras interessantes e que valem a pena ser vistos especialmente por quem já conhecia e gostava da série embora o seu contexto abranja apenas o que se passou à volta da versão inglesa.

https://www.amazon.co.uk/gp/product/B00171EE9E?ie=UTF8&tag=cinaosolnas-21&linkCode=as2&camp=1634&creative=6738&creativeASIN=B00171EE9E

É uma edição particularmente cuidada em DVD e que nos tenta oferecer o máximo pelo dinheiro que custa (e vale o preço). Para além dos inevitáveis e inúteis postais que costumam acompanhar estas coisas, temos desta vez também direito a um (inútil) poster todo cool e ainda a um pequeno livro com montes de informação sobre a série e resumos de todos os episódios.
Mas o melhor de tudo é o inesperado extra (que oficialmente nem estava previsto) e  que consiste num livro de banda desenhada com 56 páginas a cores contendo uma aventura inédita que vai fazer as delícias dos fãs.

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IMDb
http://www.imdb.com/title/tt0307741/

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Se gostou deste, poderá gostar de:

capinha_Battle Beyond The Stars.jpg capinha_battlestar-galactica capinha_starcrash capinha_spacehunter humanities_end capinha_starchaser capinha_era uma vez o espaco.jpg

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Sayônara, Jûpetâ (Bye bye Júpiter) Koji Hashimoto (1984) Japão


Nos últimos dois dias, a informação do meu back-office tem-me indicado que muita gente chega a este blog procurando por -“filmes de ficção científica japoneses”. O que é curioso, pois não se conhecem propriamente bons exemplos do género dentro da cinematografia daquele país mais virado para dezenas de Godzillas e variações de Power Rangers.
Tirando algumas excepções como por exemplo o muito bom “Virus” e os excelentes “Natural City“, “2009 – Lost Memories” ou “Returner“, raramente se encontram produções asiáticas de ficção científica que tratem os ambientes e os temas da mesma forma séria que o cinema ocidental até costuma abordar bem.

No entanto na época em que surgiram os primeiros Star Wars no final dos anos 70, inicios de 80, parece que os Japoneses tentaram produzir alguns titulos que inclusivamente tiveram sucesso internacional suficiente para chegarem até a ser exibidos no cinema em Portugal, como por exemplo “Message from Space” ou o esquecido “War in Space” intitulado em Portugal – “Guerra no Espaço”.
O filme de que vos vou falar a seguir é precisamente dos mesmos produtores do segundo título e tem o estranho titulo de [“Sayonara Júpiter“], conhecido em inglés como “Bye Bye Júpiter“.
O que diga-se de passagem não será propriamente um título muito entusiasmante e como tal deve ter sido responsável por este filme não ser propriamente um dos exemplos mais populares no género.
Embora merecesse, pois é realmente um filme com características muito especiais.

Este deve ser um dos mais estranhos e originais filmes de ficção científica que me passaram pelas mãos nos últimos anos. E dos mais divertidos filmes orientais também.
É surpreendente a mistura entre coisas absolutamente extraordinárias com outras completamente inacreditáveis de tão más que são. Não há meio termo neste filme.
Ou nos maravilhamos com o que vemos no ecrã ou apetece-nos partir a cara a quem fez este incrível filme.
Como tal, [“Sayonara Júpiter“] é um daqueles filmes asiáticos que não conseguimos deixar de odiar e adorar ao mesmo tempo. Não pode haver dois campos opostos, pois os seus aspectos positivos são tão fascinantes quanto detestável é o que tem de negativo e por isso estaria a mentir se disesse aqui que adorei ou detestei este filme, pois realmente neste caso, aconteceu-me sentir as duas coisas ao mesmo tempo. Só vocês vendo mesmo.
E vale a pena ser visto.

Para começar os efeitos especiais são mágnificos, especialmente tendo em conta que o filme foi produzido em 1983 e ainda não havia cá CGIs.
Para todos aqueles que ainda preferem uma boa maqueta bem filmada a uma nave animada em computador, vão encontrar em [“Sayonara Júpiter“] um verdadeiro tesouro perdido.
As cenas espaciais são absolutamente extraordinárias com uma atmosfera verdadeiramente espacial como não encontrava há muito muito tempo num filme. É dificil de explicar isto, mas sente-se não só a existência de uma técnologia como principalmente a vastidão do espaço ganha um contorno quase romântico na forma como é constantemente filmada.
Tal como em “2001 Odisseia no Espaço“, [“Sayonara Júpiter“] conta com dezenas de sequências que são verdadeiros bailados espaciais com naves deslizando em gravidade zero e onde quase por vezes parece que vão roçar o plágio estético do filme de Kubrick mas no entanto conseguem não só ter uma identidade muito própria como ainda por cima técnicamente em efeitos visuais este é um daqueles grandes filmes que não envergonha ninguém, muito pelo contrário.

Nota-se claramente que tanto estéticamente no design das naves como em termos de realização das cenas do espaço tudo foi muito inspirado em “2001 Odisseia no Espaço” mas ainda bem que o foi, pois tudo funciona tão bem que assistir a este filme nessas sequências é um verdadeiro prazer para quem como eu,  já há muito procurava um filme que respirasse de uma realistica atmosfera astronautica depois de ver tanto gráfico feito em computador nos ultimos quinze anos.
A primeira cena de acostagem na estação espacial é simplesmente perfeita e para isso contribui também muito uma banda sonora que não poderia ter sido melhor, pois com o seu ambiente quase náutico é uma das coisas que mais contribui para neste filme se sinta verdadeiramente que o universo é não só muito vasto, como também pode ser misterioso e romântico.
No entanto, tal como o próprio filme, a banda sonora apesar de mágnifica nas cenas espaciais de repente espalha-se ao comprido noutras partes de que já falarei mais adiante e que que quase arruinam tudo o que é muito bom em [“Sayonara Júpiter“].

Portanto, resumindo esta parte; técnicamente o filme não poderia ter sido melhor e na minha opinião, em efeitos especiais é um dos melhores trabalhos que vi num produto do início dos anos 80. Tudo muito bem feito e atmosférico, onde além das naves também podemos contemplar algumas mas mais inspiradas paisagens espaciais do nosso sistema solar que me lembro de ter encontrado criadas através de efeitos tradicionais e onde podemos até fazer uma imaginativa viagem ao interior das núvens do planeta Júpiter.

Também uma nota extremamente positiva para os efeitos de gravidade zero com personagens humanos. Ainda muita gente que discute o filme na net, está a tentar perceber como conseguiram os autores de [“Sayonara Júpiter“] criar um par de breves sequências flutuantes muito bem sucedidas numa altura em que ainda não existiam computadores para removerem digitalmente os cabos que seguravam adereços e actores mas a verdade é que chegam realmente a impressionar pela sua naturalidade.

Mas como nem tudo é positivo e já que falamos de actores…
Mais uma vez estamos perante uma estranha mega produção japonesa cheia de actores internacionais.
E cada um pior que o outro.
Os americanos então é de um gajo ficar parvo a olhar para o ecran de cada vez que abrem a boca.
E os restantes também não vão muito longe, excepto, os japoneses que soam naturalmente (acho eu) e salvam a situação.
Em [“Sayonara Júpiter“], durante este filme fala-se não só japonês, como inglés, francês, alemão e mais qualquer outra coisa que agora nem me recordo, talvez espanhol … ou se calhar seria português. E depois há cenas em que os diálogos são em linguas diferentes. Eu explico…
Temos sequências em que um personagem está a falar com outro em japonês, só que o segundo depois responde-lhe em Alemão e subitamente entra mais um na conversa a falar em Francês e assim por diante, o que cria um tipo de filme que não estamos propriamente habituados a ver. Isto para não dizer também que os americanos depois também falam japonês e os japoneses falam inglés, etc, etc, etc.
E não são dobragens, pois são actores que realmente viviam e trabalhavam no Japão da altura e portanto conheciam a lingua do país.
Não que isto resulte mal, mas é muito estranho.
Ainda mais estranho que as camisas do heroi.

Agora, mau, mas mesmo mau…
Mesmo, mesmo, mesmo muito mau…são as cenas com os Hippies internacionais.
Confusos ? You will be, you will be…
Se calhar é melhor contar um pouco da história disto.
Em [“Sayonara Júpiter“], entre uma outra quantidade enorme de histórias paralelas com sub-plots e sub-sub-plots, conta-se também a história de um grupo de cientístas que basicamente querem explodir com o planeta Júpiter de modo a criar um segundo sol no sistema solar para servir as luas interiores que entretanto foram colonizadas pela humanidade e precisam da luz e calor que não podem obter naturalmente pela distância a que estão do centro do sistema solar.
Ora isto não agrada nada a uma seita religiosa chamada “Church of Júpiter” que basicamente é composta por uma cambada de Hippies do mundo inteiro (que aparentemente vivem todos no mesmo lugar no Japão) mas não fazem mais nada na vida a não ser passar o dia na praia num ambiente estilo Baywatch enquanto idolatram um gajo que é uma mistura entre Jesus Cristo, Elvis Presley (na sua fase Havaiana), John Lennon e Bin Ladden.
A sério !
De ver para crer.

Ora mesmo parecendo que estes gajos não fazem mais nada a não ser ouvir o seu messias a cantar as mais atrozes canções hippies que vocês possam imaginar, têm no entanto dinheiro para pagar uma viagem até Júpiter e protestar contrar a destruição do planeta colocando bombas e sabotando toda a experiência sempre que podem.
Não perguntem que eu também não sei responder… deixem-se levar pela história, pois garanto-vos que a coisa tem toda a lógica dentro do conceito do filme.
Bom, no entanto são precisamente estas partes com os hippies que quase (quase?), arruinam [“Sayonara Júpiter“], pois vocês nem fazem ideia de como este sub-plot é mau.
Não só é mau e ridículo como perfeitamente desnecessário pois o filme já tem histórias de outro estilo por todo o lado e não precisava disto para o tornar ainda mais desconjuntado.

Na verdade, se isto quase que torna [“Sayonara Júpiter“], intragável por momentos, por outro lado este filme oriental não seria o mesmo sem estas cenas.
O que torna esta produção em algo único, pois é uma verdadeira mistura entre a excelência técnica de “2001 Odisseia no Espaço“,  o divertimento campy de “Star Wars” e o puro lixo de um “Plan 9 from Outer Space” se este no entanto tivesse sido um filme musical com banda sonora de Joan Baez na sua fase flower power contestatária.
E como se ainda não bastasse, a narrativa interessante do filme, é interrompida pelo menos durante quatro vezes para levarmos com um videoclip de peace & love que fará vomitar até o maior fã de “Woodstock“. Sim, porque o chefe do bando de Hippies terroristas, espalha a sua palavra a cantar.
Mal !
E como uma desgraça nunca vem só, o tipo ainda consegue tocar guitarra sem fazer qualquer acorde.
Tudo isto seria muito divertido se não fossemos obrigados a assistir a vários teledíscos do mais piroso que interrompem algumas das partes mais interessantes do filme para levarmos com o Bin Laden entoando canções do peace ao pior estilo – salvem as baleias, a natureza e matem os infieis.
Ainda tenho que confirmar se estas músicas atrozes, foram compostas pela mesma pessoa que criou a excelente e ambiental banda sonora deste filme, pois recuso-me a acreditar que tenha sido capaz do melhor e do pior.
É nesta altura que irão poder ver uma das cenas mais gamadas de sempre ao filme do “Tubarão”.
Nem digo mais para que vocês vejam a sequência, pois é genial na forma como até vai roubar os enquadramentos de Spielberg.
O que me leva a outra coisa curiosa neste filme asiático.

Mesmo sendo uma obra extremamente levezinha e divertida, de vez em quando entra por momentos gore totalmente inesperados. Não será propriamente um filme com baldes de sangue, nem com cenas nojentas, mas ainda contém alguns bocados de corpos ocasionais que parecem deslocados do tom geral do filme. O que lhe dá ainda uma identidade ainda mais estranha mas apelativa, pois nunca sabemos bem o que poderá acontecer a seguir na história ou que caminho o argumento irá seguir pois a partir de certa altura tudo é possível.
E já lhes falei nas gajas nuas ?
Pois, bem me parecia.
Este filme também mete miudas sem roupa o que ainda é mais estranho, pois na realidade não tem motivo algum para incluir as cenas de nú que inclui. Não que me esteja a queixar, até porque são supreendentemente reveladoras e até funcionam bem dentro da sequência de efeitos especiais que ilustram.

Na verdade [“Sayonara Júpiter“], merece ser visto nem que seja uma vez.
Se conseguirem não vomitar durante as partes hippies completamente imbecis e gostarem de boas cenas espaciais vão gostar certamente do filme apesar das suas inúmeras falhas.
Afinal este não só é um grande filme em termos técnicos, como acima de tudo é um filme grande, pois tem 140 minutos onde irão encontrar certamente muita coisa para apreciar. Por mim tirava-se a meia hora com o freaks cantantes e o filme ficaria bem mais afinado, mas não se pode ter tudo.
Mas se gostam de filmes espaciais pouco conhecidos, têm aqui uma boa opção que merece ser descoberta. Afinal no meio de tudo ainda têm as partes de pura space-opera ao melhor estilo “Star Wars” com batalhas laser em corredores de estações espaciais e embora aqui não entrem R2-D2 ou Chewbaccas as cenas de acção deste estílo são sempre divertidas. E neste caso algo inesperadas, pois faz com que [“Sayonara Júpiter“], de repente pareça uma espécie de “2001 Odisseia no Espaço“,  se este tivesse sido um filme de porrada. Embora também não tenha muita e se calhar devia ter pois esforça-se demasiado para tentar ser ficção-científica séria quando todo esse esforço acaba deitado por terra mal o Bin Ladden dos Hippies saca da guitarra e começa a cantar o amor pelo seu golfinho favorito chamado precisamente, Júpiter.

Outra coisa muito negativa em [“Sayonara Júpiter“], é o facto de por momentos parecer que vamos ter uma história cheia de mistério envolvendo uma enigmática raça extra terrestre que deixou artefactos em Marte e foi responsável também pelas linhas de Nazca na Terra mas depois todo esse angulo nem sequer é explorado ao longo do filme. Parece que tal descoberta causou menos impacto na humanidade do que o impacto nos neurónios do espectador de cada vez que temos que ver outro teledísco hippie por razão absolutamente nenhuma a meio do filme.
Este angulo extra-terrestre tinha tudo para ser um dos pontos fortes do filme, e a criatura/nave-espacial que habita a alta atmosfera de Júpiter é uma criação perfeita tanto em conceito como no que toca a efeitos especiais. E no entanto, os produtores do filme parece que não se importaram e deitaram por terra todas as mágnifcas possibilidades que este caminho da história poderia ter seguido e nunca segue sabe-se lá porquê.
A temática só volta a entrar em cena, nas sequências finais quando estão a tentar explodir Júpiter e mesmo assim nem se percebe bem para quê ou o que a ideia com o contacto extra-terrestre está a fazer neste filme pois não serve absolutamente para nada nem tem qualquer interferência na história central á volta das sabotagens dos Hippies espaciais.

Tivessem esquecido os Hippies do espaço e desenvolvido o fantástico conceito da ligação Terra-Júpiter-Marte e a sua relação com a critatura que habita nas núvens jupiterianas e [“Sayonara Júpiter“], teria sido um filme de ficção científica fantástico, pois técnicamente tinha tudo para ser um marco dentro do cinema de aventuras espacias com uma base muito ao estilo do filme de Kubrick e uma pitada de leveza ao estilo “2010” de Peter Hyams com o qual este filme tem inúmeras semelhanças (apesar de ter sido produzido ao mesmo tempo no outro lado do mundo).

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CLASSIFICAÇÃO:

Um excelente filme oriental espacial que resulta num cruzamento estranho entre  “Starwars” e “2001 Odisseia no Espaço“. Mas tudo o que tem de muito bom, é quase destruído por um par de cenas absolutamente ridiculas envolvendo Hippies espaciais que não contribuiem em absoluto para o filme e impede-o de ser a verdadeira obra prima do cinema asiático que merecia ter sido.
No entanto, é mesmo muito divertido e as cenas espaciais são absolutamente fantásticas.
Quatro tigelas de noodles e embora se calhar até mereça mais, aqueles hippies do espaço são verdadeiramente enervantes por isso…

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A favor: é um excelente clone original do estilo “Starwars” com um estilo visual fabuloso retirado directamente do melhor de “2001 Odisseia no Espaço“, os efeitos especiais são incriveis com cenas espaciais muito atmosféricas e excelentes sequências em gravidade zero, o design de produção é mesmo muito bom e tem grande imaginação no conceito das naves e cenários de mundos do sistema solar, usa muito bem os cenários naturais e consegue integra-los bastante bem dentro do estilo gráfico do próprio filme, as maquetas das naves são fascinantes, os actores americanos são do piorio o que dá uma aura kitsh muito divertida á obra, tem uma identidade completamente japonesa, as cenas de porrada espacial em corredores são divertidas, tenta ser ficção científica séria em alguns momentos e quase que o consegue, a banda sonora ambiental para as cenas do espaço é absolutamente perfeita.

Contra: tem pelo menos meia hora de sequências inacreditávelmente más e absolutamente ridiculas envolvendo hippies espaciais, o chefe dos Hippies que é uma espécie de Bin Ladden saído do Woodstock canta algumas das mais atrozes canções ao estilo flower power que jamais ouviram num filme de ficção científica e só comparáveis á horrorosa e deslocada musica de Joan Baez no clássico americano Silent Running“, tem um puto génio que é a cara do Harry Potter e que nos dá cabo dos nervos de tão mau actor que é, e já agora vocês nunca viram uma colecção tão grande de maus actores reunidos num só filme espacial, como resultado os personagens não têm um pingo de interesse pois os que não são ridículos também nem têm muito tempo de vida no ecran.
E se pensam que os actores originais são absolutamente maus, vocês não podem perder também a versão semi-dobrada que vem incluida no dvd e do qual fica aqui um extracto de segundos (o actor japonês está dobrado, o outro não).

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=9WVJb349t3g



Comprar
Esta edição R1 é excelente e é definitivamente o DVD que vocês querem ter. Comprem aqui.
E não estou apenas a falar da qualidade geral do som e imagem, mas sim porque além de uma boa transcrição do filme, contém óptimos extras embora curtos.

Essencialmente tem um pequeno documentário de menos de meia hora sobre o making of que é absolutamente indispensável para quem quer ver como se faziam os efeitos especiais antes de existirem animações de CGI.
Além desse excelente documentário sobre as filmagens, tem uma secção de texto que é uma verdadeira enciclopédia sobre a produção do filme. Contém artigos, biografias e páginas e páginas de informação sempre muito interessantes sobre o processo de criação desta obra. Inclusive na parte final ainda tem uma espécie de catálogo de designs de naves espaciais. E isto para não falar das habituais galerias de fotos e design de produção que aqui também estão bem representadas.
O único senão desta area de texto é a péssima navegação para o utilizador, pois se nos enganmos no botão por exemplo na página 30, voltamos ao inicio e temos de voltar a “desfolhar” tudo outra vez para chegarmos onde estavamos antes. Mas, se tiverem cuidado, vale a pena ler todos os textos depois de verem o filme pois são realmente muito informativos e pelo menos uma vez na vida vale a pena ler uma area de texto contida nos extras de um filme ! Perfeito, teria sido se em vez disto, tivessem editado um pequeno livro para vir com o dvd, mas não se pode ter tudo.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0086247/
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*Não tenho ainda nenhum filme semelhante que possa recomendar*

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Uchu kara no messeji (Message from Space) Kinji Fukasaku (1978) Japão


Eu comprei o dvd japonês e este filme não tinha legendas de espécie alguma ! 🙂
Não havia mais nenhuma opção de compra na altura e como tal decidi arriscar pois lembrava-me bastante bem dele e apetecia-me revê-lo julgando até que não iria haver uma edição em inglés tão cedo.
Entretanto já existe uma excelente edição á venda na Amazon americana por isso meus amigos já sabem onde poderão comprar esta maravilha de filme em DVD no ocidente.
Falemos então do “StarWars” japonês conhecido no ocidente como [“Message From Space“], sim porque este filme passou em Portugal no cinema e tudo.

A minha cópia é completamente falada em  Japonês e sem uma única legenda em inglés, conseguem imaginar ?
Garanto-vos que conseguem. Até porque quando virem este filme a última coisa que interessa são os seus diálogos,  porque o argumento é tão básico e tão bem traduzido visualmente que a meio da centésima cena de porrada espacial vocês já nem se lembrariam que o dvd era suposto ter legendas.
Entretanto já comprei a nova edição á venda na Amazon, claro está…

Este é mais um filme ideal para o meu outro blog “Universos Esquecidos” mas mais uma vez não poderia deixar de o recomendar aqui, pois mais japonês que isto se calhar seria impossível.
Até porque a razão de me ter lembrado deste filme oriental agora, é porque é uma obra do mesmo realizador de “Virus“, que lhes apresentei anteriormente e assim vocês poderão fazer uma comparação mais imediata entre as duas obras.

Embora os filmes não tenham nada em comum são ambos trabalhos muito interessantes pela sua identidade muito própria, isto mesmo apesar de [“Message From Space“], digamos…se inspirar um bocadinho no sucesso de “StarWars”.
Mesmo resalvando as devidas diferenças até acaba por ser o clone mais próximo do filme de Lucas, talvez porque se esforça muito para ser um “StarWars” oriental e não tem grandes problemas em admiti-lo. Há algo na atmosfera deste filme que não nos deixa esquecer as suas influências mesmo quando recorre a clichés puramente japoneses.
Aliás nota-se claramente que nem tenta disfarçar as suas origens e até nem se chateia muito por contar com um robot que deve ser certamente o primo oriental do R2-D2 para divertimento do espectador.
E por isso mesmo é divertidissimo porque se torna num produto descaradamente genuíno o que o transforma imediatamente num filme de culto para quem gosta de space-operas espaciais que irá agradar imenso a quem gosta de aventuras série-B.

Esta vai ser provavelmente a review mais pequena deste blog, porque na verdade não há muito para dizer sobre [“Message From Space“], a não ser que é um filme completamente alucinante ao melhor estilo televisivo japonês.
Basicamente o filme move-se a duzentos á hora e onde tudo serve para justificar cenas de combates espaciais e muitos tiros com pistolas laser, não faltando obviamente o personagem tipo mercenário espacial, a princesa combativa e o “Luke Skywalker” lá da zona, além do vilão muito mau.

Visualmente, o filme alterna entre o mau episódio dos “Power Rangers“, as maquetes do “X-Bomber” e a estética pseudo-Starwars.
Os efeitos são do piorio, mas [“Message From Space“] é extremamente entusiasmante pois nunca sabemos bem o que pode acontecer a seguir ou que mau efeito especial é que vamos ver pela frente no meio de tanta cena de porrada espacial. E porrada espacial é coisa que não falta, tudo ambientado com uma banda sonora tão divertida e despreocupada quanto o próprio filme.
Curiosamente o filme tem alguns actores americanos, inclusivamente o falecido Vic Morrow o que o torna num produto ainda mais estranho pois toda a gente parece deslocada, mas ao mesmo tempo dá um toque especial á atmosfera da obra.

A história é a mistura habitual entre “Os Sete Samurais” e o “StarWars“, onde há um gajo muito mau que quer conquistar o universo e um planeta oprimido em que os habitantes são obrigados a partirem em busca de mercenários que os ajudem a enfrentar o tipo, descambando em cenas de porrada espacial por tudo e por nada levando os herois até á vitória final do costume.

[“Message From Space“], foi produzido em 1978 logo a seguir a “Starwars” ter alcançado o sucesso que se conhece e como tal, terá sido o primeiro clone do filme de George Lucas a alcançar algum sucesso internacional porque foi imediatamente aproveitado para saciar a sede do publico por algo que se assemelhasse ao filme de Lucas.
O que ninguém esperava certamente era que tivessem sido os Japoneses a arriscar tal produção embora não seja grande surpresa o facto do filme ter sido distribuido por todo o mundo.
Principalmente porque toda a gente queria ver mais coisas semelhantes ao “Starwars” e na altura isso era algo que não se encontrava todos os fins de semana.

O sucesso do filme foi tal que inclusivamente deu origem a uma série televísiva no Japão com vinte e tal episódios.
Se tiverem curiosidade poderão inclusivamente ver aqui o primeiro episódio da série se tiverem o VeohTv instalado  no vosso computador. Também poderão fazer o respectivo download. Embora a série seja inferior ao filme que a originou e por isso recomendo vivamente que primeiro apreciem a longa metragem [“Message From Space“] antes de verem qualquer exemplo da série de tv.

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CLASSIFICAÇÃO:

Um dos filmes mais desmiolados de todos os tempos e completamente obrigatório para quem gosta de conhecer todo o tipo de clones cinematográficos que “Starwars” originou.
Muito divertido mesmo e possivelmente um dos melhores maus filmes de sempre.
Trés tigelas e meia de noodles.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg

A favor: é um “Starwars” em velocidade ultra acelerada, os efeitos especiais são tão maus que se tornam absolutamente geniais, o design de produção idem, tem uma identidade completamente japonesa, as cenas de porrada espacial são excelentes, tem um barco voador que anda no espaço e um R2-D2 oriental.
Contra: o estilo Power Rangers pode ser um bocado irritante.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=2TPh6-L7Qi4

Videoclip
marado com inúmeras cenas do filme
http://www.youtube.com/watch?v=yxoa8CInnsY&feature=related

Comprar
está á venda na Amazon americana. Estão é espera do quê para comprar isto ?

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0078435/

Versão do filme dobrada em inglés para download.
http://thepiratebay.org/tor/3997307/Message_From_Space___Uchu_kara_no_messeji

Primeiro episódio da série televisiva que o filme originou.
http://www.veoh.com/videos/v1734253AEjb4THn

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*Não tenho ainda nenhum filme semelhante que possa recomendar*

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