Failan (Failan) Hae-sung Song (2001) Coreia do Sul


[“Failan“] é um daqueles filmes que gera consenso no que toca á qualidade dentro do cinema sul coreano e percebe-se porquê; apesar de não deixar de ser estranho ter-se tornado tão conhecido quando foge bastante ao que costuma ser popular dentro do cinema comercial e ter mais a ver com um cinema mais intimista do que própriamente com aquilo que costuma vender dentro do género romântico.

Se [“Failan“] fosse um filme de Hollywood teria sido outro fracasso tão grande como “A Mexicana“, que falhou redondamente nas bilheteiras porque o público americano estava á espera de ver  Brad Pitt e  Julia Roberts a namorar no ecran e estes passam o filme todo separados com cenas independentes sem se tocar.
Tal como acontece agora neste filme oriental mas com uma estrutura bem menos ligeira e muito mais real.
Antes de ser uma história de amor, [“Failan“] é essencialmente um drama e muito provávelmente será o melhor filme dramático que surgiu até hoje na cinematografia da Coreia do Sul, tanto pela originalidade desta história de amor como pela intensidade dramática que consegue atingir sem precisar de ser própriamente um tearjerker de fazer chorar as pedras da calçada naquele sentido mais comercial.

Todo o drama nesta história é absolutamente notável e extremamente contido fazendo-nos importar realmente com os personagens de uma forma que ainda não tinha encontrado neste género de filmes.
Não estranhem…se estranharem não sentir grande vontade de chorar com [“Failan“] ao longo de quase toda a sua duração, pois este é um filme que nos manipula mas de uma forma particularmente subliminar.
Ficamos tristes quando acompanhamos as vidas vazias daquelas pessoas e contentes quando conseguem pequenas vitórias mas tudo é tão interessante e focado nos pequenos detalhes que nunca sentimos que o realizador nos está a mostrar algo para nos fazer chorar de propósito.
As situações são apresentadas de uma forma extremamente natural, especialmente nas sequências com o personagem da Cecilia Cheung o que torna [“Failan“] quase na antítese perfeita de “Fly Me to Polaris” também com a mesma actriz mas onse se assumiu totalmente o estilo melodramático para nos dar cabo do stock de lencos de papel a todo o instante.  O que não acontece agora nesta produção Sul Coreana que já conta com dez anos.

[“Failan“] segue o caminho oposto, é extremamente contido durante a sua duração e tudo para culminar num final absolutamente devastador com um impacto emocional a que certamente não irão ficar indiferentes pois esta história tem um final absolutamente perfeito, totalmente coerente com a história e com um par de minutos que vocês não irão esquecer antes de rolarem os créditos.
Este é mais outro daqueles filmes que recomendo totalmente que o vejam sem saber nada sobre ele.
Se nunca leram grandes detalhes sobre a sua história, ou temática, não leiam mais nada a não ser este meu texto e vejam o filme a seguir.
Garanto-vos que irão surpreender-se bastante com toda a sua estrutura particularmente original.

[“Failan“] é uma das melhores e mais originais histórias de amor saídas do cinema oriental nos últimos anos, embora seja essencialmente um drama humano onde o amor é apenas  o motor de todo o seu coração emocional, mas poderia ter sido outro tema qualquer, por isso não esperem um daqueles filmes românticos fofinhos habituais.
[“Failan“] é um filme frio, desencantado e muito triste mas de uma forma bastante natural.
Não é um daqueles filmes tristes que são tristes porque é preciso atirar desgraça atrás de desgraça para fazer o espectador chorar baba e ranho a todo o instante.
É um filme triste, porque a vida das pessoas que acompanhamos é realmente penosa, o que nos faz desejar a todo o momento poder entrar pela história a dentro e ajudar aquelas pessoas.

E parecem pessoas mesmo. Esquecemo-nos por completo dos actores por detrás dos personagens e esta é uma das grandes forças deste filme, pois tanto Min-sik Choi (o inesquécivel actor de “Old Boy”) como Cecilia Cheung (“Fly Me to Polaris” e “The Promise“), têm aqui talvez a melhor prestação das suas carreiras e se calhar isso não se nota a uma primeira visão pois vocês vão estar a importar-se tanto com o triste destino das pessoas que dão corpo e alma a esta história  que nem se lembrarão que estão a ver um filme até rolarem os créditos finais.

Pessoalmente nunca tinha prestado grande atenção ao trabalho de Cecilia Cheung mas depois deste filme, entra directamente para a minha pequena lista de actrizes a tomar muita atenção e como [“Failan“] já é uma produção de 2001 se calhar tenho que me actualizar um bocadinho em relação a esta rapariga. Quando vejo isto é que ainda me surpreende mais como foi mal tão utilizada em “The Promise” onde serviu apenas para mostrar uma cara bonita no ecran e pouco mais.
O dvd [“Failan“] contém um excelente pequeno making-of com boas imagens de bastidores e entre elas tem uma cena extraordinária com a Cecilia Cheung que realmente me surpreendeu depois que vi o filme.
Em [“Failan“] existe uma pequena cena absolutamente angustiante pela tristeza que provoca com um simples momento em que uma lágrima cai espontaneamente pela face da personagem num momento de grande tensão e crueldade humana.

O making of desse pequeno instante é absolutamente fascinante, porque num momento assistimos a um ambiente de total descontração nos bastidores com a actriz a rir e a brincar com a equipa e no segundo em que o realizador diz – “Acção” – a transfiguração é total e Cecilia chora espontaneamente no momento exacto, não apena num mas em vários takes numa prestação de extraordinária naturalidade dramática. Algo que me deixa sempre surpreendido em várias actrizes orientais pois fico sempre espantado com a capacidade delas conseguirem chorar e representar cenas absolutamente trágicas com uma naturalidade espantosa especialmente quando precisam de chorar, mas nunca tinha visto este processo em acção num momento de bastidores.
Vejam o filme e depois se tiverem o dvd duplo, espreitem o making of pois o contraste entre o divertimento nos bastidores e o tom triste e melancólico do filme é notável.
A propósito, o dvd Sul Coreano que comprei só trás legendas em inglés no filme e nada mais. Embora no making of nem seja necessário é mesmo pena o comentário audio não estar legendado pois certamente seria fascinante.

[“Failan“] é outro daqueles dvds que comprei anos atrás quando comecei a explorar o cinema oriental mas quando o vi pela primeira vez foi mais um dos filmes que na altura não me impressionou particularmente porque me apanhou totalmente de surpresa com uma estrutura completamente diferente daquilo que eu estava habituado na altura. O facto de não estar também muito virado para ambientes tão tristes como o que percorre este filme também ajudou á minha fraca impressão disto na altura, certamente.
No entanto, ficou-me na memória e sempre achei que deveria dar-lhe uma segunda hipótese mais tarde quando o pudesse ver já com um segundo olhar sabendo de antemão com o que contar.
Por isso ainda não tinha falado deste filme aqui no blog pois sempre achei que seria um daqueles que ganharia muito a uma nova visão e não me enganei.

[“Failan“] conta a história de duas pessoas que nunca se chegam a encontrar mas que foram casadas.
Num ambiente urbano de grande violência e tensão conhecemos Kang-jae, um gangster de meia tigela que não é própriamente muito bom no que faz porque ao contrário dos restantes capangas, Kang-jae é um bandido de bom coração que essencialmente só se meteu no mundo do crime para acompanhar o seu amigo de infância que chegou a lider da máfia local graças á sua crueldade. O mesmo amigo que agora o trata abaixo de cão e o ridiculariza a torto e direito.
Kang-jae ama o mar e o seu grande sonho é regressar á sua cidade, comprar um barco e viver feliz até ao fim dos seus dias, mas não tem dinheiro para o barco e além disso tem medo de enfrentar o seu chefe e antigo amigo pois ninguém sai vivo daquele gang.

Longe dali, no outro lado do país,  uma jovem rapariga chamada Failan, chega á Coreia do Sul, acabada de emigrar da China. Perdeu a sua mãe e não tem ninguém no mundo a não ser uma morada de uma velha tia que supostamente deveria habitar numa pequena cidade piscatória mas que na verdade emigrou há muito para os Estados Unidos sem avisar ninguém e como tal a jovem volta a encontrar-se sózinha, desta vez num país estranho e sem sequer falar a lingua.
Ao tentar encontrar emprego numa agência de trabalho temporário algo manhosa, fica a saber que a única maneira de conseguir permanecer no país sem família, será se casar com um Sul Coreano e como tal acaba por aceitar contraír matrimónio com alguém que não conhece apenas a um nível burocrático pois nem sequer precisa de conhecer o futuro marido ou de ter qualquer relação com ele.
Este apenas receberá em troca, uma quantia em dinheiro e o casamento fica oficializado, pois essencialmente a agência com ligações a actividades ilegais, recruta trabalhadores para as mais diversas tarefas duvidosas e tem meios de fazer entrar no país quem pretende utilizar para algo, nomeadamente encontrar miúdas para bares de alterne e fins semelhantes.

É assim que o gangster sem vocação Kang-jae se vê casado e com algum dinheiro que lhe servirá para contribuir para o seu sonho de ter um barco e livrar-se do mundo do crime.
Mas as coisas complicam-se e como não quero revelar muito mais, depois de algumas complicações no meio da máfia originadas pela extrema violência do líder do gang eis que Kang-jae se vê perante um dilema e uma encruzilhada decisiva na sua vida e no seu sonho de liberdade.
Isto ao mesmo tempo que recebe notícias de alguém que já nem se lembrava que existia.
Failan a sua jovem esposa escreveu-lhe uma carta.

Essencialmente é esta a base da história de [“Failan“] e se vocês pensam que já contei demais não se preocupem. Isto é apenas o princípio e há muito para verem á medida que vão acompanhando as vidas destas duas pessoas que acabam por se entrelaçar numa das mais originais histórias de amor que poderão encontrar no cinema Sul Coreano e até hoje ainda não teve igual.

[“Failan“] tem uma estrutura fascinante e algo única. Por momentos não conseguimos perceber que raio de filme estamos a ver, pois essencialmente durante os primeiros 40 minutos assistimos apenas a um típico filme de máfias, yakuzas e afins que alterna entre momentos de violência extrema e sequências estilo Irmãos Metralha.
Não passa muito tempo sem que o espectador se pergunte como raio é que este argumento conseguirá integrar algures pelo meio uma história de amor. Mas consegue. E de que maneira !
Se forem como eu e não tiverem grande paciência para filmes de máfias, aguentem o início da história e prestem atenção aos detalhes. No meu caso, se calhar uma das razões porque não gostei muito do filme quando o vi pela primeira vez há muitos anos, foi precisamente porque metade deste parece apenas um típico filme de gangsters e isso talvez me tenha distanciado da história porque não estava á espera daquilo quando procurava apenas uma história de amor mais comercial na altura.

O que me leva a outro ponto. [“Failan“] é um filme comercial, mas se calhar não será propriamente comercial no sentido mais pipoca, por isso tenho a certeza de que agradará mais a quem também gosta de algum cinema de autor do que a quem apenas está habituado a coisas mais no estilo Hollywood. Por isso não esperem a típica produção fofinha oriental costumeira no género romântico.
[“Failan“] é um drama adulto, num tom intimista e muito melancólico. Contém um par de cenas com muito humor mas perfeitamente naturais e provavelmente vocês nem as notarão no meio de tanta temática séria e introspectiva.

Essencialmente [“Failan“] é um filme corajoso que se arriscou a quebrar o molde do cinema romântico oriental.
Apanhou os pedaços, voltou a colá-los noutras posições e inventou uma nova fórmula que na minha opinião só não voltou a ser copiada até á exaustão (como aconteceu com a fórmula de “My Sassy Girl” por exemplo), por causa da sua estrutura intimista e menos comercial decerto.
Uma grande história de amor onde os protagonistas nunca estão juntos que resulta de uma forma extraordinária por nos parecer tudo tão real.
No entanto é um filme absolutamente romântico no seu aspecto mais humano e natural, com duas pessoas que se amaram á distância em tempos diferentes e quase em vidas diferentes também que deixará o espectador sem fôlego nos momentos finais do desenlace desta história. É um daqueles filmes que acabam e nós não conseguimos deixar de acompanhar os créditos até ao fim (memo em Coreano) só porque precisamos mesmo de pensar em tudo o que vimos e absorver toda a sua alma e poesia.

Paralelamente é também um filme sobre solidão com um sentido poético que os irá deixar com um nó na garganta.

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CLASSIFICAÇÃO:

Mais um drama com uma história de amor do que uma história de amor com drama, mas um filme que não esquecerão tão cedo, acima de tudo pelas suas personagens completamente cativantes, naturais e porque é um romance com muita alma, poesia, bastante melancolia e muita humanidade.
Será possivelmente o melhor filme dramático dentro deste estilo que a Coreia do Sul produziu até hoje e merece ser visto por toda a gente que procura uma história de amor original e já viu tudo o que há para ver que tenho recomendado do género romântico neste blog.
Se não o absorverem muito bem a uma primeira visão, deixem passar um par de meses e voltem a ele. Primeiro estranha-se mas depois entranha-se e bem.
Preparem os lenços, mas no bom sentido porque esta história merece-os.
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award, claro.

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A favor: a originalidade da estrutura da história, a intensidade do romance entre duas pessoas que nunca se encontram apesar dos seus destinos se terem cruzado um dia, os personagens (todos), as interpretações extraordinárias de Min-shik Choi e Cecilia Cheung, a banda sonora totalmente discreta e subliminar que nem se nota mas que dita a atmosfera em muitos dos melhores momentos, a contenção da realização totalmente eficaz e que se “apaga” para deixar os actores e a história brilharem bem alto, como drama é fantástico, a forma como mistura o género de filme de gangsters ultra violento com o género romântico na sua forma mais humana e natural, cada vez que o revemos encontramos novos pormenores que não tinhamos notado, excelente fotografia também.
Contra: pode ser demasiado intimista para quem procura uma história de amor num estilo mais comercial, não conseguimos entrar pelo ecran a dentro e ajudar aquelas pessoas, o trailer é bem mauzinho não tem alma nem transmite bem o que o filme realmente é.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=I-uN9Gu1yVQ

Comprar
É um fime cada vez mais dificil de encontrar á venda. A edição antiga de dois discos que eu tenho está totalmente esgotada e só existem umas edições de um disco sobre as quais não tenho qualquer informação.

Download aqui com legendas em inglés

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0289181

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Outros títulos semelhantes de que poderá gostar:

concerto_capinha_73x 

Be With You Il Mare The Classic Love Phobia

 Fly me to Polaris My Sassy Girl

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Tada, Kimi wo Aishiteru (Heavenly Forest) Takehiko Shinjo (2006) Japão


Mas como é que estes gajos continuam a conseguir fazer isto ?!
Após dezenas de histórias de amor fofinhas sempre com uma base emocional semelhante o Japão consegue ainda pegar numa estrutura já usada mil vezes e no entanto voltar a surpreender pela humanidade dos desenlaces como se fosse a primeira vez que este tipo de argumentos estivesse a ser filmada.

Eu estou sempre a falar da mesma coisa no que toca a estas histórias de amor Japonesas (e Sul Coreanas também), mas é impossível recomendar mais uma boa história de amor cinematográfica saída daquelas bandas sem referir o habitual, pois continua a ser acima de tudo a principal diferença entre uma love-story oriental e o seu equivalente plástico produzido em Hollywood.
Mais uma vez temos pela frente um filme que não parece ser sobre nada de especial mas ao mesmo tempo consegue seguir rumos diferentes daquilo a que estamos habituados a ver no cinema ocidental do mesmo estilo. Se bem que dizer que existe um estilo semelhante no ocidente é esticar um pouco o conceito. Na verdade ninguém faz este tipo de histórias como os orientais e neste caso, mais uma vez os Japoneses.

Desta vez a minha proposta romântica chama-se [“Heavenly Forest“] e não sendo uma daquelas histórias de amor obrigatórias merece fazer parte da colecção de que gosta do género e já viu tudo o que tenho recomendado no blog.
O elevado número de pessoas que aqui chega procurando por histórias de amor demonstra que o género romântico oriental está vivo e recomenda-se por isso se o leitor só agora chegou a este cinema, até nem ficará mal servido se começar por ver [“Heavenly Forest“].
Não será completamente brilhante por qualquer motivo que ainda não consegui descortinar, mas é uma proposta muito boa para toda a gente que procurar um bom romance cinematográfico.
Surpreendentemente bem mais original do que aparenta pelo trailer ou mesmo até pelo que acontece na história durante a primeira hora de filme.

Se calhar é um filme que até irá agradar mais a quem já tiver visto muita coisa no género por uma simples razão.
Irá surpreender muito mais quem entra em [“Heavenly Forest“] totalmente convencido que já viu tudo isto mil vezes.
Isto porque mais uma vez temos outra história de amor adolescente (ou com jovens adultos) ao melhor estilo oriental e onde não falta o habitual twist no final.
Mas desta vez o próprio twist tem um sub-plot absolutamente simples que irá atingir como um tijolo na cabeça quem pensava que ia chegar ao fim tendo reparado em todos os pormenores, isto porque desta vez a surpresa não está na verdade na reviravolta mas sim na sua razão. E mais não digo.

[“Heavenly Forest“] conta a história de dois jovens universitários que ficam amigos porque ambos são pessoas solitárias e um dia se cruzam á beira de uma estrada (pelo visto no japão não é obrigatório os automóveis pararem numa passadeira se não quiserem).
Ela, uma rapariga que toda a gente considera estranha e algo nerd devido á forma infantil como se veste e age apesar de já ter 21 anos e ele um jovem solitário que se afasta das pessoas com medo que o cheiro de uma pomada que usa para um problema de pele lhe cause embaraços sociais. Como podem ver, isto começa logo de uma forma curiosa.

Quando começam a interagir no dia a dia, ambos descobrem a paixão pela Fotografia e a partir do momento que começam por explorar uma propriedade privada onde existe uma floresta isolada a sua amizade começa a ganhar raízes mais profundas. O problema é que o jovem alheio aos avanços amorosos da sua amiga, está no entanto apaixonado por uma colega de turma, a típica miúda gira e popular que já vimos mil vezes neste tipo de história.

Já vimos mil vezes neste tipo de história, mas nunca como em [“Heavenly Forest“].
Ao contrário do que seria de prever, desta vez temos aqui um triângulo amoroso absolutamente refrescante pela total ausência de drama, rivalidade ou tensões românticas estilo telenovela que estamos habituados a encontrar.
Quando tudo indicava que a partir do momento em que apareceu a miúda gira as coisas iam ficar absolutamente desinteressantes, os argumentistas usam esse novo personagem para humanizar também todos os colegas dos dois protagonístas do filme e criar um sub-plot sobre uma grande amizade entre colegas.

Por isso se também já esperavam que este personagem entrava na história para ser a bitch mimada e má como as cobras do costume, estão muito enganados e até vão gostar muito da rapariga.
Mais um pormenor dentro de uma história que apesar de simples não perde tempo em surpreender-nos constantemente precisamente pela simplicidade como nos apresenta sempre situações com que não contamos; o que não é de todo um feito menor num produto que á partida parece tão desinspirado e formulático, mas que está na verdade estruturado para nos esconder mesmo em frente da vista aquilo que depois irá causar o impacto emocional no fim da história.

[“Heavenly Forest“] contém pequenos pormenores e pequenas histórias paralelas (que só notarão a uma segunda visão, garanto-vos). No caso de toda a dinâmica entre os personagens principais e a rapariga gira da universidade [“Heavenly Forest“] ainda tem tempo para nos apresentar um dos momentos mais tocantes dentro da história de amor central quando, ainda a meio do filme este perde um momento a fazer-nos refletir sobre os caminhos das nossas próprias vidas numa sequência muito breve mas bonita em que se foca o valor da amizade no momento em que se assiste á despedida dos amigos quando concluiem a universidade. Uma cena que nem sequer precisaria de ter feito parte desta obra mas que lhe dá ainda mais humanismo e tornam o impacto emocional do final em [“Heavenly Forest“] ainda mais significativo.

Este é um daqueles filmes onde, como já disse, parece realmente que não se passa nada mesmo. Não existe uma relação romântica assumida própriamente dita entre os protagonistas, não verão – “I Love You” – por tudo quanto é canto e nem sequer há qualquer drama entre rivais pois toda a base de suspanse é construida através não do ciúme mas sim, da amizade. E sim [“Heavenly Forest“] tem suspanse romântico. Sabe-se lá como.
E é uma das mais valias deste filme.

[“Heavenly Forest“] é uma daquelas histórias que nós estamos a ver plenamente convencidos de que sabemos como irá acabar embora o facto de estar sempre a acontecer qualquer coisa diferente no ecran nos faça interrogar a todo o instante se saberemos mesmo tudo sobre a previsibilidade deste tipo de argumento…
Isto porque [“Heavenly Forest“] é um filme sobre pormenores.
E vocês nem imaginam como eu estou aqui a conter-me para não comentar os melhores, pois são precisamente esses que lhes estragaria por completo o emotivo final desta história.

[“Heavenly Forest“] tem tantos pormenores que vocês nem notarão pois estão tão bem disfarçados sobre a capa da banalidade quotidiana que lhes passarão todos ao lado até chegar o momento certo.
Como já disse, o twist neste filme é fácil de adivinhar, mas parece mesmo que os argumentistas estavam a dizer, – “ai pensam que toparam, tudo ? Pensam ? Tomem lá isto para não se armarem em espertos !”
Esta história é na verdade uma adaptação de um romance japonês com bastante sucesso e pelo que eu investiguei parece que este autor é especialista em escrever excelentes histórias de amor com base no que é mais banal no quotidiano e como tal não é de admirar que [“Heavenly Forest“] tenha resultado tão bem a esse nível apesar de parecer realmente um filme bastante normal e sem grande chama, especialmente para quem já viu muita coisa do género.
Não desistam porque irão gostar.

Na verdade, acho que é dificil não ficar hipnotizado com este filme. Até parece que os seus criadores percebendo que a história e a estrutura de [“Heavenly Forest“] poderia induzir em erro por ser algo tão formulático á primeira vista, decidiram usar então outros truques para nos prender a atenção.
Além do inesperado presente no argumento, este filme conta com imagens lindíssimas e não só nas cenas de floresta. Todo o filme parece estar filmado num formato widescreen tão largo que faz lembrar o velho formato empregue nos épicos estilo Ben-Hur da Hollywood clássica. O que não deixa de ser algo inesperado de ser empregue para filmar aquilo que parece uma simples história de amor adolescente.

[“Heavenly Forest“] contém uma profundidade de campo na sua maior parte das imagens que surpreende. Há paisagens incríveis neste filme, desde paisagens urbanas cheias de textura e movimento, até cenários absolutamente encantados nas partes em que os protagonistas exploram a sua floresta secreta longe da cidade. As cenas de floresta neste filme são absolutamente incríveis no que toca ao cuidado visual e quase que esperamos que apareça a qualquer instante um dragão ou uma fada pelo meio do filme que não nos surpreenderia de todo.

[“Heavenly Forest“] filma também Nova-York de uma forma refrescante e algumas das imagens mais bonitas desta obra são também captadas nos Estados Unidos mesmo no meio da Big Apple precisamente em alguns dos locais mais emblemáticos que já conhecemos de outros filmes e onde se faz uma homenagem visual a tudo desde “Manhattan” de Woody Allen , até “Once Upon a time in America” de Sergio Leone, o que só fica bem num filme que tem também como tema principal a paixão pela fotografia.
E por falar em fotografia, a cinematografia de [“Heavenly Forest“] é luminosamente fantástica. Este deve ser o filme mais refrescante visualmente que me lembro de ter encontrado em muito tempo. Não pela originalidade das imagens mas pelas cores que aparecem em cada frame e pelo tom caloroso a manhã de sol que percorre quase toda esta obra.

Antes que me esqueça, também, evitem ver o trailer deste filme antes de o conhecer e façam o que fizerem afastem-se da net e do google images no que toca a [“Heavenly Forest“] !!
Isto porque num filme sobre fotografia, uma das melhores cenas do final tem precisamente a ver com isso e a net, está cheio da emblemática imagem desta história que faz parte do emotivo final por isso não diminuam o impacto da história conhecendo de antemão a imagem ícone de toda esta história de amor e que está por todo o lado na net.
Fiquem-se pelas fotos que coloquei aqui neste texto, porque as selecionei cuidadosamente para não revelar nada de importante.

Sendo assim…

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CLASSIFICAÇÃO:

Quem procura mais uma boa história de amor oriental pode seguir para este bonito [“Heavenly Forest“] também.
Trés tigelas e meia de noodles porque é um filme com momentos muito bonitos e que vale mesmo a pena.
A única razão porque não lhe dou uma melhor nota é porque é um daqueles que não ficarão com muita vontade de o estar sempre a rever ao contrário de outras coisas que já recomendei por aqui.
No entanto não deixem que esta aparente singela classificação atribuída os impeça de procurar ver este filme pois vale mesmo a pena.

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A favor: parece um filme banal e formulático mas contém um par de boas surpresas que os irá espantar, a história de amor é muito boa e mais original do que parece, está cheio de pormenores que lhes vão cair em cima como um tijolo quando perceberem o motivo por detrás da reviravolta, contém imagens incriveis, as cenas do bosque são fabulosas em termos visuais, ás vezes parece um Anime romântico até porque a miúda fofinha parece saída de um desenho animado japonês mesmo, a cena do beijo a meio do filme é um espectáculo (embora a uma primeira visão não lhes cause a emoção que irá causar se o reverem depois de conhecerem tudo da história á volta desse momento), evita todos os estereotipos á volta de cenas de ciúmes ou rivalidades românticas e usa a miúda gira da universidade para criar um sub-plot sobre amizade que os irá tocar mesmo na sua brevidade, bons personagens, óptimo final.
Contra: parece um filme banal e formulático e demora algum tempo até nos agarrar especialmente se vocês já viram muito cinema romântico oriental (não desistam), por causa dessa estrutura algo normal e corriqueira mesmo até no final não é tão emocional como poderia ter sido (embora a concorrência nesse sentido seja forte com outros títulos como “My Sassy Girl”, “The Classic” ou “Il Mare” e portanto é sempre complicado criar algo com a mesma força.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
Recomendo que não vejam o trailer antes de verem o filme pois contém uma cena muito importante que lhe estragará o impacto emocional da parte final, mas se insistirem podem fazê-lo aqui.

Comprar
http://www.yesasia.com/global/heavenly-forest-dvd-hong-kong-version/1010701737-0-0-0-en/info.html

Download aqui com legendas em PT/Br

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0872022

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Outros títulos românticos recomendados:

Be With You My Sassy Girl Il Mare The Classic Fly me to Polaris

Love Phobia concerto_capinha_73x cyborg_she_capinha_73x

  

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Kimssi pyoryugi (Castaway on the Moon) Hae-jun Lee (2009) Coreia do Sul


Quando iniciei este blog nem sequer pensei que durasse muito tempo quanto mais chegar aos cinquenta filmes orientais comentados.
Por isso para mim é agora verdadeiramente surpreendente poder anunciar que hoje irei apresentar-lhes o CENTÉSIMO FILME !
Cem filmes. O que na práctica quer dizer que já escrevi para cima de 100 textos, o que para um tipo que nunca alguma vez na vida teve por hábito escrever assiduamente no que quer que fosse é um verdadeiro feito pessoal.
Portanto sejam bem vindos a [“Castaway on the Moon“] a minha recomendação número 100 e não poderia ter encontrado melhor filme para comemorar esta data pois este titulo na minha opinião representa perfeitamente a razão deste blog existir.

A minha intenção com o “Cinema ao Sol Nascente” sempre foi a de tentar divulgar aquilo que fui vendo e mostrar que há no oriente uma excelente alternativa ao cinema americano para todos aqueles que como eu estão mais que fartos do que encontram nos clubes de video e nos produtos ultra-formuláticos que inundam as nossas salas saídos de Hollywood qual hamburguers do McDonald´s produzidos em série sempre com os ingredientes misturados da mesma forma.
O que me atraiu para o cinema oriental, além da caracterização humana em muitos personagens que até nem pediam mais do que ser de cartão, foi a originalidade de muitos das histórias produzidas naquelas bandas.
Há quem diga que não há grande diferença entre o cinema comercial americano e o oriental. Pois se calhar a nível de realização, montagem e efeitos se calhar não. Na verdade nem questiono isso pois para mim a grande originalidade está na forma como na minha opinião conta histórias diferentes ou, melhor ainda, consegue tornar diferentes histórias iguais a tantas outras apenas pela forma como nos faz importar com o destino dos personagens e humaniza situações que não costumamos encontrar humanizadas dessa forma num filme americano para além do cliché usado como pausa entre cenas de porrada e pelo visto há mais pessoal a pensar o mesmo o que demonstra o quanto as pessoas felizmente ainda gostam de tentar passar para lá daquilo que apenas lhes apresentam pela frente.

Numa altura em que tudo o que chega ás salas de cinema a Portugal vindo dos States está imediatamente rotulado á partida foi para mim muito surpreendente encontrar no oriente uma cinematografia também ultra comercial (em geral) mas onde isso não impediu o factor originalidade de ser aquilo que principalmente move as histórias e isto sem qualquer deterimento da própria comercialidade dos filmes junto das audiências.
O cinema oriental não tem medo de colocar o espectador a pensar receando perca de audiência e quero com isto dizer que pelo menos eu costumo sempre encontrar por lá algum pormenor especial que penso eu, costuma estar ausente nos argumentos americanos e com isto humaniza muitas situações que em outro lado seriam apenas ponte entre sequências de acção habituais ou algo assim.

Surpreendeu-me encontrar coisas completamente inclassificáveis e que mesmo assim funcionam. Filmes policiais que afinal são dramas mas depois no momento a seguir são comédias, filmes de terror que de repente são filmes de fantasia e terminam em drama, comédias que subitamente se tornam em filmes de kung-fu mas que depois acabam como drama, ficção-científica que afinal também consegue ser cinema para adolescentes sem tratar a audiência por crianças, filmes de fantasia que são contos de fada completamente infantís mas que subitamente entram por histórias de amor dramáticas de conteúdo poético e filosófico, histórias de amor com adolescentes e para adolescentes mas carregadas de alma e poesia, filmes de autor que não têm medo de incluir sequências comerciais e vice versa, etc, etc, etc.

Isto para quem como eu estava mais que habituado a ver apenas o policial, o drama, ou a comédia americana que nunca se afastava da fórmula já testada de lucro garantido, foi uma verdadeira lufada de ar fresco.
E mais uma vez , [“Castaway on the Moon“] será possivelmente o melhor exemplo deste estilo de cinema oriental que encontrei pela frente nos últimos tempos, pois consegue ser uma comédia, um drama, uma história de amor com alguma fantasia á mistura e navegar algures entre o cinema puramente comercial e (talvez) uma pitada de cinema-de-autor. Mas já lá vamos…

De cada vez que vejo mais um blockbuster Americano (ou um filme comercial de grande estúdio), fico a pensar que alguém num estúdio algures parece ter-se preocupado muito se as pessoas conseguem incluir imediatamente um filme numa categoria de modo a poder ser publicitado como tal.
Temos os filmes americanos policiais, os de terror, os de super-herois, os dramas, as comédias para gajas, as comédias para adolescentes, os filmes de terror para adolescentes, a “ficção-científica” para adolescentes mas não me recordo de nenhum titulo que pegasse em todos estes géneros e os tentasse subverter da maneira que o cinema oriental o consegue fazer sem fugir do estilo comercial.
Talvez uma excepção tenha sido o fabuloso filme de ficção-científica “Moon” (ficção-científica hard-core como há muito não se via nos cinemas) do realizador Duncan Jones , mas este raro exemplo foi conseguido através de uma produção independente e jamais teria chegado ás salas de Portugal se já não tivesse um selo de uma Major americana por detrás fruto dos prémios independentes que a obra conseguiu ganhar.

[“Castaway on the Moon“] é por isso o filme perfeito para comemorar a minha centéssima recomendação porque na verdade é um titulo inclassificável, pois posso apostar que se isto tivesse sido um titulo americano nunca teria sido distribuído nas salas sem antes ter sido alvo de dezenas de screen-previews com audiências-teste (possívelmente a pior invenção de sempre na história do cinema) e onde certamente no fim desse processo muito pouco teria restado da visão original dos argumentistas e realizador pois seriam certamente obrigados a remontar todo o trabalho de modo a que se encaixasse num estilo que a máquina de Hollywood podesse vender de forma directa a quem não espera mais do que o habitual. É que este filme oriental sul coreano é muita coisa ao mesmo tempo.

Se calhar aqui este blogzinho pessoal corre o risco de passar a ideia que eu odeio cinema americano, o que não deixa de ser hilariante pois pelo menos 1200 dos quase 2000 dvds que já constam da minha colecção pessoal serão certamente filmes gringos. E este não é um blog sobre cinema pipoca (pelo menos nos moldes em que eu classifico o que chega normalmente ás nossas salas saído de Hollywood), mas sim um espaço onde eu tento divulgar produtos que na minha opinião conseguem momentos cinematográficos que raramente encontro no cinema americano mesmo quando muitos são inclusivamente tão ou mais comerciais.
No entanto não posso evitar compararações pois pessoalmente não tenho dúvida nenhuma que o cinema (comercial) oriental para mim está bastantes furos acima do que se produz hoje em dia nos States onde tudo parece ser apenas mais do mesmo e produzido para a geração que cresceu com os videogames e aquele estilo particular de imagética actualmente muito adaptado ao cinema comercial onde tudo se passa a 300 frames por segundo para não aborrecer as audiências.

Por exemplo, nem queria crer quando “Avatar” ganhou agora um prémio para melhor filme dramático. Dramático ?!!   Eu, não me importei minímamente com qualquer dos personagens naquela história pois sabia-se perfeitamente o que lhes ia acontecer de antemão a todo o instante o que me anulou qualquer efeito supostamente “dramático” pois nem as cenas tristes e que pretendiam criar alguma emoção ou empatia as achei menos formuláticas.  Senti que lá estavam apenas porque tinham que estar para seguir a habitual estrutura.
James Cameron já escreveu um grande filme de FC dramático – “O Abismo” e é pena que não tenha continuado o estilo agora também neste novo projecto.
No entanto eu adorei “Avatar” e sou daqueles que lhe dá nota absolutamente máxima, pois na verdade achei-o não só um dos melhores filmes-pipoca desde há muitos anos como possívelmente o melhor filme-para-crianças que me lembro de ter visto desde talvez “Chronicles of Narnia” (juntamente com “O Feiticeiro de Oz“), pela forma “infantil” como gere espectacularmente um argumento concebido para a geração dos videojogos e que embora para lá de básico contém ainda espaço para passar uma mensagem ou duas.
Adorei “Avatar” mas não lhe chamaria propriamente um filme dramático.
Nem estou a ver este excelente blockbuster a ser considerado como tal dentro de uma cinematografia oriental e é aqui que eu acho que está a grande diferença entre o cinema oriental e o americano.

O que me fascina no cinema oriental é o inesperado e inesperado foi o que me surgiu pela frente mais uma vez.
Falemos de [“Castaway on the Moon“]. O Filme número 100 deste blog.
Comecei a vê-lo pensando que não passaria de mais uma comédia maluca ao estilo sul-coreano mas logo descobri que havia aqui algo muito especial.
Para começar a originalidade do conceito cativou-me logo desde o início e este é mais um daqueles titulos que aposto mais tarde ou mais cedo irá ter um remake americano pois a ideia base disto está mesmo a pedir um.
Senão vejamos…

Imaginem uma cidade com um rio e uma ponte que atravessa duas margens. No meio desse rio, existe uma ilha deserta sendo assim como uma espécie de mini-reserva natural (onde nunca ninguém vai) mas onde muita da poluição da cidade acaba inevitávelmente por encalhar.
Imaginem que um dia vocês se tentam matar jogando-se da ponte abaixo mas acabam por naufragar nessa ilha no meio do rio e não conseguem sair de lá pois não sabem nadar e as pessoas a quem tentam pedir ajuda quando elas passam de barco pensam que vocês estão apenas a acenar de contentamento.
Os meses passam, ninguém apareceu na ilha e a vossa única solução é tentarem habitá-la o melhor possível aproveitando tudo o que encalha na praia dos desperdicios humanos.

Viram “Castaway” de Robert Zemeckis com Tom Hanks a fazer de náufrago encalhado numa ilha deserta ?
[“Castaway on the Moon“] é o mesmo filme. O heroi desta história podia estar encalhado no meio do oceano (ou na lua) que a sensação de isolamento seria a mesma e é este um dos grandes trunfos da história que curiosamente apesar de se passar literalmente no meio de uma cidade gigantesca raramente nos mostra mais pessoas além dos protagonistas.
O heroi encalhado no meio do rio nesta “versão” oriental está tão só como se tivesse naufragado numa ilha deserta e depara-se exactamente com as mesmas situações mostradas no filme com Tom Hanks mas desta vez com uma pequena excepção…

Numa das margens do rio, vive uma rapariga que não sai do seu quarto há 3 anos. Toda a sua existência é passada online e o seu mundo real é apenas um quarto atulhado do lixo que foi acumulando durante a sua existência de eremita.
A sua vida é passada em jogos online, tem um negócio que gere através da web, encomenda comida pela net, comunica com os pais apenas por mensagens de SMS e tudo faz para se isolar do resto do mundo com o qual recusa contactar.
Um dia ao preparar-se para fotografar a lua com a sua câmera por acaso descobre que no meio do rio está um tipo que vive como um selvagem na ilha do rio que divide a cidade e a partir daí a vida da jovem começa a sofrer uma influência que ela nunca esperou vinda de um local fora do seu próprio mundo e causada por um jovem que ela pura e simplesmente não sabe como contactar ou sequer se apercebe de que ele precisa de ajuda.

Normalmente eu não costumo contar muito sobre um filme, mas achei que [“Castaway on the Moon“] merecia que eu lhes contasse este bocadinho, até para vocês perceberem que isto não é a típica comédia destrambelhada que aparenta ser na capa do dvd ou no cartaz do filme.
Aliás, [“Castaway on the Moon“] como cinema é inclusivamente algo ambiguo. É um filme comercial…ou pelo menos grande parte dele é, mas também contém um estilo intimísta que me apanhou de surpresa.
A própria fotografia etérea atira o filme para uma atmosfera algo inesperada logo quando como espectadores nos apercebemos que se calhar isto será um filme mais profundo do que aparentava ser. Isto aliado a um estilo visual muito baseado numa identidade gráfica particular coloca este filme num género á parte logo na primeira meia hora.

Enquanto espectadores ficamos um bocado sem saber mesmo qual o rumo que a história poderá tomar. Conseguimos adivinhar o que acontecerá em linhas gerais, mas podem ter a certeza que não vão esperar encontrar muitos dos pormenores que aparecem nesta história desde o seu início até á sua resolução.
Ah, a propósito…se calhar é melhor não verem [“Castaway on the Moon“] depois do jantar…

O filme começa como uma comédia negra, depois entra por um humor completamente escatológico portanto se alguma vez pensaram em ver um grande filme de merda se calhar vão gostar de alguns momentos mais hilariantes da primeira metade só pela repulsa que lhes irá causar e porque não conseguirão mesmo afastar os olhos do ecran pois a partir de certa alturaparece que tudo pode acontecer.
Garanto-vos que nunca viram um náufrago assim em “Castaway” sequer.
Além de alguma comédia mais radical [“Castaway on the Moon“] conta ainda com um par de gags hilariantes com destaque para o breve momento em que o protagonísta tenta fazer fogo como se vê fazer nos filmes. Mais não digo.

É dificil falar de [“Castaway on the Moon“] sem revelar muita coisa pois a vontade que me dá é contar-lhes já os melhores momentos de um filme que na verdade vai muito para além da simples e banal comédia de costumes.
Aliás se existe um filme que poderá ser sujeito a inúmeras análises sociológicas entre muitas outras interpretações e discussões sobre os temas que o percorrem é este. Claro que uma forma ligeira; não estou a dizer que isto seja o mesmo que interpretar um qualquer tratado.Mas  é bastante interessante na forma como joga com aquelas pequenas coisas a que estamos habituados e temos por certas na nossa vida.
Desde a importância da  junk-food na nossa felicidade imediata ao ponto de a tentarmos recriar para mitigar o nosso sofrimento psicológico quando ela nos falta, até ao próprio conceito de isolamento há por aqui muita coisa para originar muito motivo de conversa se virem isto com muitos amigos.

[“Castaway on the Moon“] é uma comédia que no fundo não é para rir, é um drama que nos faz pensar em vez de chorar, é uma grande história de amor sem o ser mas onde os protagonístas nunca se desencontram apesar de viverem isolados. E é também um filme que não pode ser verdadeiramente incluído num género específico pois cada segmento da sua narrativa poderia ele próprio ser uma curta metragem de um género diferente. Apenas todos estes “segmentos isolados” estão muito bem enquadrados uns nos outros e o resultado não poderia ter sido melhor.

Não achei [“Castaway on the Moon“] um filme muito comercial se pensarmos nele pelo estilo de narrativas a que estamos habituados a ver chegar ás nossas salas. Poderá ser no entanto um bom exemplo de um certo tipo de cinema pipoca oriental que contém precisamente aquele tipo de características que na minha opinião raramente se encontram nos filmes pipoca a que estamos habituados a consumir. É um filme algo lento, com uma carga intímista invulgar que alterna entre momentos de comédia e suspanse de ambiente gráfico estranho e atmosfera algo perturbante mas que ao mesmo tempo tem momentos de comédia geniais, para não dizer algo repugnantes também tudo muito bem equilibrado com uma sensação de romance latente que nos agarra até ao final.
Nem tudo é explicado ao espectador, o que é mais outra diferença do cinema oriental em relação ao que normalmente estamos habituados a ver.

Como filme em si, por mim é um produto fantástico porque consegue ligar de forma única muitos retalhos de diferentes estilos.
Não há muito mais a dizer nem vou tentar entrar por grandes análises cinéfilas para justificar melhor a minha nota alta, pois isso é o que menos me interessa no Cinema.
Pessoalmente estou-me borrifando para a inovação de um Fritz Lang, para a mestria de um John Ford ou para a genialidade Stanley Kubrik. Fizeram excelentes filmes, tenho dvds deles todos, passa á frente.
Sempre tentei neste blog escrever o que penso da forma mais simples e directa como se estivesse a recomendar um filme aos meus amigos pois não sou crítico de cinema nem quero ser e passo-me dos carretos com aquelas reviews muito conceituadas e onde ás vezes se analisa tudo menos o interesse que o filme poderá ter para o espectador comum e em vez disso muitos Iluminados passam parágrafos a dissertar sobre as implicações psicológicas ou pior, Artísticas de um gajo ter usado um plano A em vez de um plano B como se estes soubessem o que o realizador queria mesmo dizer com aquilo.
É este tipo assunção de intenções que sempre tentei evitar com este blog e como tal recomendo-vos [“Castaway on the Moon“] porque tenho a certeza de que muitos de vós irão gostar, acho que está muito bem filmado, tem excelentes personagens extravagantes e é mais um produto de cinema oriental único que certamente irão ver em versão americana (bem mais ligeira) não tarda nada.

Obrigado a todos pelas visitas pois é por vossa causa que este blog de filmes  chegou ao filme número 100.
Espero que gostem deste também e pode ser que ainda nos encontremos no 200 daqui a mais dois anos.

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CLASSIFICAÇÃO :

Tem um dos conceitos mais originais que me lembro de ver nos últimos tempos e é um filme que se acompanha com muito interesse que depois se vai gradualmente transformando em suspanse culminando numa história de amor muito original.
Não há muito mais para dizer além do que já escrevi para trás.
Cinco tigelas de noodles e em Golden Award apesar de não ser um daqueles que nos apeteça rever constantemente mas ficará certamente na vossa memória pois nunca viram uma história assim.

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A favor: é uma espécie de “anti-Lagoa Azul” com um gajo maluco e uma chavala ainda mais alucinada, tem um par de gags hilariantes, o conceito base é único e muito imaginativo na forma como todo o argumento é desenvolvido, alterna entre o estilo intimista de um filme de autor e o melhor do cinema comercial embora seja um filme algo estranho, tem cenas de merda muito nojentas, bom suspanse no final, é uma história de amor que nunca se assume como tal, é um drama mas não da forma como pensam que vai ser, é uma comédia mas não como esperam.
Contra: não agarra á primeira pois achei-o divertido mas só depois da primeira hora é que realmente o comecei a ver como algo mesmo especial.

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=BnF7cZcwPHM

COMPRAR
Recomendo a compra aqui desta edição neste site. Boa loja, muitos titulos e serviço profissional.

Eu vi a minha cópia aqui com legendas em inglés mas parece que já podem encontrar o filme aqui Asian Space com legendas em Pt Br


IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1499666/

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Filme semelhante de que certamente irá gostar:

* Não me lembro de nada parecido com isto*

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Inu to watashi no 10 no yakusoku (10 Promises to my dog) Katsuhide Motoki (2008) Japão


Na minha incessante busca por filme fofinhos de meter vómito ás vezes deparo-me com coisas absolutamente inesperadas, mas nada fazia prever que iria encontrar algo como [“10 Promises to my dog“] quando resolvi entrar em modo masoquista e procurar pelo filme mais piroso que conseguisse encontrar pela frente só porque me apetecia mesmo falar mal de um filme desses.

Na minha incessante busca por filmes fofinhos de meter vómito, segundo as minhas próprias regras habituais inspiradas, no que costuma sair de Hollywood dentro do estilo “passem-me o saco de vómito fachavor” lembrei-me logo de passear pela net a ver se descobria um filme oriental com cães, gatos ou qualquer outra coisa que abanasse a cauda.
Não podia falhar, seria piroseira e banalidade garantida.
Eis que me deparo com o candidato ideal [“10 Promises to my dog“] e quando eu já esfregava as mãos de contente e me preparava para ver algo realmente do piorio, saiu-me por completo o tiro pela culatra e não estava nada á espera disto. Toma que é para aprenderes !

Ainda não tinha passado vinte minutos de filme e já eu sabia que [“10 Promises to my dog“] seria algo bem mais especial do que eu alguma vez teria previsto. Cinquenta minutos depois, já eu tinha feito pausa na minha cópia pirata e ido comprar o dvd na Play-Asia. E porquê ? – perguntam vocês.
Porque este filme recordou-me imediatamente “Be With You” pelo seu estilo incrivelmente simples, estética visual muito semelhante, uma fotografia em tons sépia muito bonita e personagens centrais dentro do mesmo registo low-key mas completamente cativantes com uma humanização que se entranha no espectador sem este dar por isso.

E mais, contrariamente ao esperado [“10 Promises to my dog“] contorna habilmente todas as armadilhas, manipulações emocionais e clichés de que todos vocês estarão á espera mal espreitem a capa do dvd ou o cartaz do filme.
Se isto tivesse sido um filme Disney, o espectador levaria com sucessivas sequências em que o cãozinho se perdia durante minutos a fio, sofria imenso, encontrava pessoa más, chorava para a câmera,etc, etc, etc e no fim encontraria os donos enquanto correria em câmera lenta em direcção a todos nós. The End.

Pois bem, [“10 Promises to my dog“] passa lateralmente por esses lugares comuns nem sequer se demora muito com esses detalhes e muito menos os torna na parte central do argumento.
Ao contrário do que vocês esperam, o cãozinho fofinho não é o centro da história o que parece uma total contradição pois tudo gira á volta da sua presença na vida dos personagens humanos.
Isto é bastante dificil de explicar, mas irão compreender o que quero dizer quando virem o filme e é este pormenor que o torna num produto único dentro deste género de cinema. Eu pela minha parte não estava nada á espera disto.

[“10 Promises to my dog“] é um filme oriental acima de tudo sobre humanos e sobre as escolhas que temos de fazer na vida. Sobre o facto de ás vezes uma decisão tão aparentemente simples como dar ou não atenção a um animal de estimação durante uns minutos poder mudar o rumo da história pessoal de quem um dia decide trazer um cão para casa.
Este é um pequeno grande filme japonês sobre a responsabilidade do que é ter um animal e de que forma essa “banal” decisão nos pode tornar pessoas diferentes.
Se alguma vez tiveram um cão ou pensaram ter um, [“10 Promises to my dog“] é um filme completamente obrigatório pois garanto-vos que lhes fará pensar em coisas que certamente nunca lhes passaram pela cabeça.

A força deste filme oriental, está no facto de conseguir fazer tudo isso sem nunca dar a entender essa intenção. Ao contrário do que é costume neste género de filmes no ocidente, o argumento não nos atira constantemente á cara lições de moral para nos dizer como nos devemos sentir, mas faz-nos pensar em muita coisa, inclusivamente muitos minutos depois das cenas já terem passado.
Não nos obriga a viver – no momento – em que o realizador decide em que agora quer meter toda a plateia a chorar porque o cãozinho está perdido, mas faz-nos pensar muitos minutos depois na importância do que levou certa coisa acontecer, sem nos tentar explicar nada ou demonstrar por A+B porque isso tinha de acontecer.

Essencialmente [“10 Promises to my dog“] é uma história sobre a vida de um cão, não do ponto de vista daquilo que lhe acontece ao longo dos seus anos de vida, mas sim daquilo que a sua presença significou para os seres humanos que o rodearam.
Se existe um bom filme sobre o impacto invisível que cada um de nós pode ter sobre o mundo de outra pessoa sem sequer termos uma consciência disso, este é esse filme.
O cão aqui não é apenas um catalisador para haver duas horas de pelicula com um bando de personagens humanos estilo cartão que mais não fazem na história do que proporcionar motivos para o cão brilhar e fazer chorar as plateias. Esqueçam.

Em [“10 Promises to my dog“] o cão nunca é filmado dessa maneira,mesmo quando por momentos tudo parece que vai descambar no cliché do costume; felizmente logo muito bem contornado pela ligeireza com que o realizador aborda todos aqueles pequenos segmentos que fora do cinema oriental seriam o ponto central da cena e o fulcro de muita chantagem emocional em modo histérico junto do espectador.
[“10 Promises to my dog“] é um filme sobre um cão mas não esquece os personagens humanos e consegue ser tão bem sucedido nesse aspecto que lá para o fim da história, enquanto espectadores já o olhamos mais como outro personagem humano do que própriamente como sendo o animal de estimação da familia.

Isto torna o pequeno “twist” presente no fim da  história em algo que noutro lado poderia parecer forçado, mas que tendo em conta a caracterização do personagem canino ao longo do filme, enquanto espectadores, nem sequer questionamos a legitimidade da pequena surpresa relativa ao ponto de vista do cão e que se nos depara no final com o pai e a filha á entrada da casa. Mais um ponto positivo neste filme que poderia ter sido absolutamente básico e plástico e no entanto surpreende pela positiva pela forma como os pormenores são abordados.

Estava a ver a cena da morte do bicho (sim, o bicho morre) e fiquei absolutamente fascinado pelo facto de a estar a sentir não pelo ponto de vista de ser mais uma cena com a morte de um bichinho, mas porque a senti como se fosse um personagem humano que morre de velhice rodeado na sua cama por todos os que o amam e quanto a mim é neste ponto que acho que [“10 Promises to my dog“] leva logo uma nota alta que o distingue dos restantes filmes com cães fofinhos que já vi ao longo dos anos.
A grande lição a tirar desta história é que nos faz pensar num animal de estimação como um amigo e faz-nos sentir essa sensação sem precisar de um argumento que nos explique em estilo paternalista como nos devemos estar a sentir ao contrário do que é costume assistirmos.
Na verdade se formos a ver muito pouca coisa é explicada neste filme. Apenas sentimos e não questionamos. O que quanto a mim é um bom exemplo do trabalho do realizador que soube como ninguém como gerir esta história.

Como já disse [“10 Promises to my dog“] só aparentemente é uma história sobre um cão. Na sua simplicidade este argumento consegue ainda abordar temas como a solidão, a responsabilidade, o sucesso e a morte e nesse aspecto podem ter a certeza que os fará pensar sobre muita coisa, muito mais do que esperam.
A forma ligeira como aborda o tema da morte não lhe retira a sua força mas é bastante interessante. Nada neste argumento é desperdiçado e nunca sentimos que existem cenas a mais (com uma excepção).
Um bom exemplo disto é a cena da morte da mãe da protagonista onde a coisa se passa e o espectador só minutos mais tarde se dá conta. E isto tem uma razão dentro da própria estrutura do argumento que joga muito bem todos aqueles pormenores que nem notamos.

Basicamente, adorei este filme e não estava nada á espera disto. Há muito tempo que não via um filme tão bonito e tão bem trabalhado num género assim. Poderia fácilmente não ter sido mais do que um bom produto para crianças e se calhar nem precisava de ser mais do que isso para ser um filme simpático, mas no entanto insinua-se por entre o espectador com pormenores muito mais interessantes que o elevam a um patamar acima do que é comum encontrarmos neste tipo de filmes que normalmente as crianças gostam mas que provocam bocejos nos adultos.
Se tem uma falha está apenas no facto de haver uma total falta de química entre o par protagonista da vertente romântica da história. O que não é nada normal no cinema oriental nem seria de prever neste filme, pois practicamente todo o elenco é simplesmente perfeito, com destaque para o elenco infantil. No entanto as versões adultas das crianças da história sofrem de alguma falta de química entre si e a sua história de amor nunca resulta tão convicente quanto tudo o resto.

Outra falha (quanto a mim grave), está nos cinco minutos finais passados numa igreja. São absolutamente desnecessários, cortam todo o estado emocional da sequência da morte do bicho e entram por uma atmosfera foleira que por momentos ameaça fazer com que [“10 Promises to my dog“] termine em absoluta piroseira. É pena.
Por mim cortava os últimos cinco minutos de filme, mas também não é por isso que deixo de gostar menos dele.

Já o vi há mais de 24 horas, não me sai da cabeça e ando a recomendá-lo a toda a gente feito estúpido sem conseguir explicar ao pessoal que [“10 Promises to my dog“] não é mais um “Benji” ou “Marley & Eu” mas sim algo com uma alma completamente diferente e que transmite uma sensação genuína muito credível. Pelo menos na minha opinião.
Por um lado, se calhar não é um filme que eu possa recomendar ao público em geral.

Poderá ser apenas um daqueles que só poderá ser devidamente valorizado por quem já teve um cão (ou gato) e para todos os restantes parecerá um filme absolutamente banal, até porque não é propriamente uma obra maior do cinema (nem tenta ser), não terá nada de absolutamente extraordinário nem ficará para a história sequer do género (com muita pena minha); um pouco por culpa do próprio realizador, pois ao escolher um estilo tão “invisível” e verdadeiramente low-key para narrar esta história acabou por criar se calhar um produto que parecerá bem mais banal do que na verdade é.

Sendo assim, sinto que para ser justo tal com já fiz antes neste blog, também este filme terá agora dois tipos de classificações. Vamos a isto:

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CLASSIFICAÇÃO PESSOAL:

Se já tiveram um cão não podem perder este filme.
Se estão a pensar ter um cão (e nunca tiveram um), então é de visionamento obrigatório pois funciona quase como uma espécie de exposição a tudo o que poderão ter de enfrentar e principalmente aborda pequenos pormenores que se calhar vocês nem nunca imaginaram que poderiam ser importantes perante a responsabilidade de se ter um bicho.
[“10 Promises to my dog“] é uma verdadeira pérola perdida no meio do género filme-fofinho pois acaba por ser muito mais sério e acima de tudo interessante do que poderá parecer á primeira vista.
Não esperem que este seja apenas mais um filme com cãezinhos ao estilo matinée Disney pois é bem mais do que parece na capa.
Foi uma das melhores surpresas que tive nos últimos tempos e um filme que irei rever muitas vezes certamente.
Pode não ser um grande objecto de cinema, mas também não precisa de ser mais para ser um filme muito bonito, cheio de atmosfera e significado quanto baste.
Quem gostou da atmosfera e do estilo de filme que encontrou em “Be With You” e nunca mais conseguiu ver um filme assim, tem neste [“10 Promises to my dog“] um pequeno produto comercial obrigatório, onde nem falta um pequeno mas discreto e simbólico “twist” quase no final.
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award.
Se eu alguma vez eu voltar a ter um cão e calhar ser um Golden Retriever, podem ter a certeza que se irá chamar “Socks“. 🙂

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A favor: comete a proeza de não ser apenas uma colecção de cenas fofinhas com cachorros em vez de ser um filme, a história não está centrada á volta do cão da forma que vocês julgam que vai estar, mais uma vez a humanidade da caracterização dos personagens, toda a naturalidade nunca se perde mesmo quando parece ir enveredar pelo habitual lugar-comum dentro deste género de filme, o ambiente visual conta com algumas imagens lindíssimas que aproveitam bem a fotografia em tons de sépia, a realização nem se nota mas é completamente eficaz a levar-nos pela história até ao seu final inevitável mas muito bem gerido a nível emocional, consegue humanizar o personagem do cão e no final já nem o olhamos como sendo um animal de estimação, o elenco infantil tem uma química fantástica, é outro filme oriental que vai buscar a sua banda sonora novamente á minha música clássica favorita “Canon de Pachelbel” tal como antes “The Classic” e “My Sassy Girl” já o tinham feito também com excelentes resultados, excelente aproveitamento de uma música dos anos 80 que sempre detestei “Time After Time” da Cindy Lauper, tem mais um par de cachorros hilariantes com destaque para o cão com cabelo em estilo de cubo (logo percebem), é um filme que vos irá fazer pensar muito mais em certos assuntos do que alguma vez imaginaram quando começarem a vê-lo, a maneira ligeira  como lida com o tema da morte, solidão e responsabilidade sem nunca perder a poesia, é um filme com alma, contorna habilmente todas as armadilhas que poderiam ter estragado tudo, é o melhor filme com animais e principalmente sobre animais que vi até hoje, não se parece com um produto americano e tem uma identidade perfeitamente oriental, se se identificarem com o coração emocional do filme arriscam-se a gastar pacotes de lenços de papel sucessivamente mas se calhar não pelos motivos que julgam ir encontrar pelo tipo de filme que é…
Se gostaram de “Be With You” não podem perder [“10 Promises to my dog“] pois o tom emocional é semelhante.
Contra: não deslumbra enquanto objecto cinematográfico pois todo o filme apaga-se nos personagens e na história que conta mas se calhar isto é também uma mais-valia, as caudas de CGI que colocaram no cão para lhe tentar dar mais expressividade em alguns momentos (gimmick infantil e desnecessário que quase arruina algumas das melhores partes do filme), a química romântica entre o par protagonista anda próximo do zero e pelo menos a mim nunca me convenceram do potencial dramático que a história de amor deveria ter tido, tem cinco minutos a mais de filme no final pois as cenas na igreja não servem absolutamente para nada além de amenizarem o impacto emocional com que a história conseguiu terminar no que toca á vida do cachorro, apesar de tudo é um filme com elevado grau de cenas fofinhas e isso poderá enervar quem detesta este tipo de cinema oriental.

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Para o público em geral, para os cinéfilos mais sérios ou para quem não gosta particularmente de animais:
CLASSIFICAÇÃO :
Trés tigelas de noodles, porque consegue ser um bom filme que contorna habilmente os clichés do género (mesmo sem os evitar) e que não insulta a inteligencia de quem procura apenas passar um par de horas com um produto simples bem feito e onde não falta um toque de poesia quanto baste. É um excelente filme de familia e mantém uma boa identidade oriental sem se parecer com os habituais produtos semelhantes ao estilo Disney.
Não tem nada particularmente mau, mas deve ser evitado por quem odeia de morte filmes com ambiente cute.
Quem nunca soube o que é ter um cão poderá não se identificar particularmente com nada deste filme, por outro lado não se admirem se depois de verem [“10 Promises to my dog“] lhes apetecer arranjar um.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER
http://www.youtube.com/watch?v=1t7o31J8nOo

COMPRAR
Podem encontrar adquirir este filme por exemplo aqui nesta loja. Bom serviço e com muitos outros títulos á escolha.

Se o quiserem espreitar antes…podem ir buscá-lo aqui neste blog por exemplo (legendas inglés).

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1179271/

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Filmes semelhantes de que certamente irão gostar:

Be With You

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Kumo no mukô, yakusoku no basho (The Place Promised in Our Early Days) Makoto Shinkai (2004) Japão


Existem filmes que são simplesmente poéticos.
[“The Place Promised in Our Early Days“] é uma dessas obras, porque por detrás de toda a sua atmosfera técnologica contém também muita humanidade na maneira como os seus personagens cruzam emoções ao longo de uma história que na realidade não serve para muito mais a não ser para nos mostrar a intimidade de cada um deles.

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Existem filmes que podem ser chatos como o caraças !
[“The Place Promised in Our Early Days“] é uma dessas obras porque  toda a sua atmosfera técnológica parece  não levar a lado nenhum e contém momentos em que o paleio científico em demasia quebra a beleza da narrativa emocional dos personagens de uma forma que ainda parece mais despropositada quando se chega ao final do filme e ficamos com a sensação que a vertente de thriller e ficção-científica da história afinal não foi a lado nenhum.

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Este foi um daqueles raros filmes que me custaram imenso a ver. Comprei-o meses atrás no mesmo pack que continha o excelente “Voices of a Distant Star” e por mais de cinco vezes tentei vê-lo de uma ponta á outra nunca conseguindo aguentar mais do que uma meia hora seguida sem me deixar dormir. O que é estranho, pois desde os primeiros minutos se percebe que [“The Place Promised in Our Early Days“] é um dos melhores Anime que andam por aí, independentemente do seu potencial para curar insónias ou não.
Na verdade sempre que o tentei ver foi noite dentro e se calhar este é um daqueles filmes que não deve de forma nenhuma ser visto fora de horas porque todas as suas mágnificas qualidades acabam por não ser suficientes para evitar um bocejo no espectador que se arrisque a ver isto a altas horas da noite.

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No entanto, não deixem que este meu comentário os desencoraje pois [“The Place Promised in Our Early Days“] é um daqueles filmes que merecem mesmo ser vistos, quer gostem de Anime ou não. Na verdade irá certamente agradar mais até aquelas pessoas que não gostam de Anime, pois não contém nenhuma das estruturas habituais neste tipo de cinema que habitualmente atrai os chamados fãs do género. Não tem sequências de porrada com montagem rápida e uma multitude de planos estáticos sucessivos, não tenta meter estilo Anime, não tem maus nem bons, não tem vilões com superpoderes, nem tem nada daquilo a que o habitual espectador está habituado a ver. Tem apenas muita atmosfera.

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Acima de tudo [“The Place Promised in Our Early Days“], é cinema. Esqueçam o Anime.
O facto de ser um filme de animaçao é algo completamente secundário.
[“The Place Promised in Our Early Days“] é puro cinema-de-autor. Cenas chatas e “vazias” cheias de interpretações existenciais incluidas. Muito.
Por isso não esperem encontrar aqui um Samurai-X, DragonBall ou Naruto, porque Naruto é que este filme não é.

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É sim uma obra com uma beleza visual fabulosa e um produto muito dificil de descrever, pois é um daqueles filmes que mesmo quem não gosta, nunca o esquece.
Essencialmente é uma história de amor e amizade de contornos filosóficos e muito existencialistas, perfeita para agradar até ao mais exigente intelectual de café e onde o espectador é levado por caminhos que o próprio argumento nem parece estar a seguir.

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Se por um lado parece estarmos na presença de uma pura história de ficção-científica totalmente hardcore, na verdade esse detalhe não tem qualquer importância para o que se pasa na verdadeira história. [“The Place Promised in Our Early Days“] poderia ser passado no seculo XIV que não se notaria diferença no resultado final.
Este filme tem mesmo uma característica muito interessante, pois demonstra claramente que boas histórias existenciais cheias de humanidade e realismo psicológico não têm necessáriamente que estar apenas ligadas a temas ditos, – sérios e realísticos – baseados no dia-a-dia do homem comum á la woody allen mas podem perfeitamente surgir de contos extremamente tecnológicos e de conceitos saidos da mais pura fantasia sem nunca perderem a sua base.

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Mas não se deixem assustar pelas minhas palavras. Este é um Anime com uma história mais profunda do que aparenta, com um trio de personagens com uma densidade psicológica sólida e cativante, mas acima de tudo é um filme muito bonito que deixa marcas no espectador. E isto é muito dificil de explicar a qualquer pessoa que ainda não tenha visto a obra mas [“The Place Promised in Our Early Days“] tem mesmo qualquer coisa de especial.

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Talvez seja a sua simplicidade por detrás de uma suposta complexidade.
Pois por entre uma narrativa cheia de emaranhados quânticos e paleio ciêntifico sobre universos paralelos quanto baste, o que sobressai é uma sensação de poesia que nos deixa a flutuar numa espécie de transe contemplativo até mesmo quando a história chega ao seu abrupto e “incompleto(?)” final.

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Visualmente mais uma vez o filme é uma obra prima da ilustração. Desta vez o realizador já não fez todo o filme sózinho fechado no quarto (ver “Voices of a Distant Star“), teve uma equipa profissional com quem trabalhar, mas o seu estilo continua presente por cada fotograma.
Continua o ênfase nas paisagens, o que me agrada mesmo muito, pois compreendo perfeitamente a paixão do realizador pelas mesmas porque também eu lhes dou a mesma importância nos meus próprios trabalhos.

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[“The Place Promised in Our Early Days“] como o realizador diz nas entrevistas é uma história contada por paisagens.
Ao contrário dos outros Anime, nos filmes de Makoto Shinkai não são os personagens e os seus dramas que humanizam o argumento pelas suas acções. É sim o ambiente de cada sequência que cria o estado emocional na narrativa e portanto não há imagem neste filme que não esteja baseada num background extremamente detalhado e na sua maioria das vezes muito bonito e cheio de poesia visual.
E antes que me esqueça, a banda sonora é absolutamente perfeita, cheia de momentos subliminares e com um tema que espelha por completo toda a poesia presente nas paisagens e nas emoções dos personagens. Adorei a musica deste filme.

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A nível artistico, o uso de cor neste filme é absolutamente notável e portanto se vocês se interessam por ilustração este é mais um daqueles que não devem perder pois é uma verdadeira escola de desenho e pintura. Tudo o que vocês possam querer saber sobre iluminação e enquadramentos num background ou numa paisagem podem aprender num filme de Makoto Shinkai. O que não deixa de ser fascinante pois tudo isto é essencialmente um trabalho de alguém que começou como auto-didacta e contemplarmos os seus filmes é como disfrutarmos do triunfo do talento e do empenho sobre um qualquer curso superior muitas vezes tão sobrevalorizado, especialmente nesta terra. O trabalho deste realizador é um verdadeiro exemplo da vitória do talento sobre “o canudo”.
Nunca deixo de me surpreender como alguns dos melhores cineastas actuais no mundo nunca passaram por qualquer escola e Makoto Shinkai é ainda mais um a fazer companhia a por exemplo Hong-Kar-Way com todo o mérito.

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Já devem ter notado que mais uma vez eu não conto nada sobre a história. Na verdade este é mais um daqueles que na minha opinião deve ser apreciado por quem não sabe muito sobre ele e sendo assim… 😉
Essencialmente é mais uma vez um filme sobre o isolamento e a solidão, como parece ser a marca deste realizador mas não deixem que isto os deprima pois a história é bem positiva.

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CLASSIFICAÇÃO:

Só não lhe dou a nota máxima com um Golden Award incluido porque ainda acho que tem algum incoerência no ritmo da narrativa e a parte de ficção-científica é completamente redundante. O que me decepcionou pois adoro ficção-científica baseada em fisica quântica e estava a espera de mais no argumento. Embora depois de o ver tenha a perfeita consciência que o filme nem sequer é sobre isso pois o que importa são mesmo os personagens.
Este é mais um daqueles filmes de hora e meia que certamente teria sido muito melhor se tivesse sido uma curta metragem de meia hora como foi o primeiro filme do mesmo realizador.

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Estamos na presença de um filme que quase não se pode dizer que seja de animação, porque tal como no primeiro trabalho do realizador também aqui toda a estrutura do mesmo é baseada quase em imagens estáticas em estilo “slide” onde só apenas um pequeno pormenor é animado e tudo se sucede como se estivessemos a ver uma espécie de banda-desenhada no ecran em que muito pouca coisa se move. Contém com inúmeras cenas de diálogos em que a imagem nem se mexe durante segundos a fio.
Sendo assim leva “apenas” cinco tigelas de noodles, porque é um dos melhores Anime que poderão encontrar no mercado, mas atenção porque não será de certeza um filme que agrade a todos, pois o seu estilo cinema-de-autor poderá afastar muita gente.

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A favor: a poesia visual e toda a caracterização psicológica dos sentimentos dos personagens principais, a banda sonora é lindíssima e não se nota, artisticamente é um dos mais bem desenhados Anime que andam por aí no que toca a paisagens pormenorizadas, é um daqueles filmes bonitos que não conseguimos explicar porquê a quem ainda não o viu, fica na memória mesmo quando pensamos que não gostamos muito dele.
Contra: não esperem uma resolução para a parte da história de ficção-científica/thriller, tem cenas a mais que na verdade não servem para muito, tem alguns problemas de ritmo e alguns personagens de cartão que não servem para muito, o final pode deixar muito a desejar a quem espera encontrar uma resolução qualquer para o mistério ou para a aventura e só irá encontrar a conclusão da parte emocional dos personagens.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=07186dk9CPk

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Comprar edição especial
http://www.amazon.com/Shinkai-Collection/dp/B000BKSJ5W/ref=pd_bbs_2?ie=UTF8&s=dvd&qid=1220623921&sr=8-2
Recomendo vivamente esta edição em dvd pois além do filmes [“The Place Promised in Our Early Days“] e [“Voices of a Distant Star“] contém ainda um par de extras muito interessantes como por exemplo o primeiro desenho animado feito por Shinkai e que pelo visto já se tornou um filme de culto. Chama-se “She and her cat” e como já notaram é um filme sobre gatos. É uma pequena experiência a preto e branco cheia de atmosfera e também aqui o dvd tem o filme em 3 versões sendo a de maior duração a versão de 5 minutos.
Mas o melhor desta edição é mesmo os dois livros impresos em papel de excelente qualidade onde se narra visualmente com dezenas de esboços e desenhos a cores do próprio realizador todo o making-of dos dois filmes. Absolutamente imperdível para quem se interessa por desenho.


IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0381348/

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