Quing Ren Jie (A Time to Love) Jianqi Huo (2005) China


Se há coisa que eu já não posso ver mais pela frente são versões do Romeu & Julieta de Shakespeare, onde a conhecida história é por demais repetida até á exaustão em todos os detalhes e mais alguns.
Não consigo perceber para quê tantos autores continuarem a insistir naquela narrativa a esta altura quando já milhares de vezes foi  transformada em tudo e mais alguma coisa, desde filmes do Franco Zefirelli até pornos da Ginger Lynn.

Como tal, quando eu comprei há muitos anos atrás o dvd de [“A Time to Love“] sem saber nada sobre o filme e depois descobri que se tratava da bilionéssima história inspirada por “Romeu & Julieta”, a minha vontade foi a de devolver isto á Play Asia ou trocá-lo por um filme romântico qualquer com o Steven Seagal aos tiros.
Toma lá para não comprares filmes pelo aspecto gráfico da (excelente) capa !
Por isso quando vi esta história pela primeira vez (já que tinha que ser) nem sequer lhe prestei grande atenção.
Ainda por cima eu estava á procura de algo mais no estilo sul-coreano e [“A Time to Love“] tinha uma atmosfera marcadamente chinesa, algo a que eu não estava ainda habituado, pois são estilos muito diferentes dentro do cinema romântico.

Apesar de não me ter causado uma impressão por aí além na altura, surpreendentemente ficou-me na memória e esteve na minha lista de filmes a rever com outros olhos por muito tempo, até ontem.
Ficou-me na memória, não só pela abordagem á história clássica ter-me surpreendido como principalmente algumas das suas bonitas imagens acabaram ficando gravadas na minha imaginação até hoje, pois já na altura o visual do filme me surpreendeu.
Toda a paleta cromática de [“A Time to Love“]  é composta por tons ferrugem contrastando com verde das árvores e tons de sombra intensa o que lhe dá logo desde o início uma estética que nos agarra todos os sentidos pelo seu estilo quase steampunk pois mal o filme começa somos logo transportados para um úniverso único e bastante poético.

E surpresa das surpresas, agora que revi o filme ainda estou para saber o que raio é que foi que não me cativou na altura em que o vi pela primeira vez !
[“A Time to Love“] é um filme absolutamente lindíssimo em muitos aspectos mas se calhar é capaz de não se notar mesmo a uma primeira visão. Especialmente se entrarem com preconceitos anti-Romeu & Julieta como eu entrei nisto anos atrás quando vi o dvd.

Portanto, para começar eu já não me lembrava nada do filme e agora foi como se o tivesse visto pela primeira vez e não podia ter ficado, não só mais surpreendido como também mais satisfeito com o que (re)vi ontem.
Se calhar [“A Time to Love“] poderá ter uma altura certa para ser visto e muito provavelmente funcionará muito melhor com o público adulto do que com pessoas mais novas talvez, com menos experiência de vida ou algo assim. Isto porque pode ser uma história de amor com adolescentes, mas tudo é narrado num tom dramático mais adulto e até teatral, pois este filme tem uma assinatura tão característica que julgo se poderá incluir algures entre o cinema comercial e o dito cinema de autor pela sua abordagem algo intímista.

[“A Time to Love“] como filme é realmente um espectáculo (nem acredito que estou a dizer isto); primeiro, porque consegue pegar não só no tema mas também em alguma da estrutura de Romeu & Julieta e no entanto, milagre dos milagres apresenta-o com uma abordagem realmente refrescante. Conseguindo inclusivamente uma coisa que eu julgava impossível de ser feita…nomeadamente [“A Time to Love“] tem um suspanse romântico de cortar á faca pois até quase literalmente ao último segundo o espectador fica completamente na espectativa de como irá terminar desta vez esta história de amor com o seu final por demais conhecido.
Conseguirão desta vez os dois amantes ficar juntos ?
Apenas lhes posso dizer que o final de [“A Time to Love“] é extraordináriamente simples mas muito poderoso em termos de emoção e não lhes digo mais nada, pois o trabalho da actriz protagonista no último enquadramento visual desta história vai deixar-vos totalmente cativados e emocionados de uma forma que ainda não tinha visto num filme oriental.
Adorei o final deste filme.

E já que falo na actriz principal, nunca pensei que esta rapariga fosse tão incrivel. Estava habituado a vê-la em produções bem mais comerciais essencialmente em papeis de muita acção (“Warriors of Heaven & Earth”  –  “So Close“) e nem sequer pensava que ela seria capaz de carregar ás costas metade de um filme como [“A Time to Love“], onde bem mais que apenas uma história de amor ao estilo habitual oriental, é acima de tudo um drama bem mais complexo que se centra apenas numa história de amor impossível, (quase uma tragédia na verdade, sempre a piscar o olho a Shakespeare).

Tanto ela, como o seu co-protagonista masculino brilham neste drama.
Irão encontrar em [“A Time to Love“] um dos pares românticos com mais carísma que apareceu até hoje dentro deste estilo de histórias de amor orientais. A química entre os dois actores é total e enquanto espectadores a partir de certa altura esquecemo-nos por completo que estamos a ver um filme pois deixamo-nos levar por aqueles dois personagens até ao desenlace final desta história. Uma história que surpreendentemente de forma tão cativante consegue dar-nos um Romeu & Julieta com suspanse suficiente para nos fazer roer as almofadas até ao último segundo (sem parecer que está a fazer qualquer coisa de importante sequer), o que já é por si só uma boa característica para algo que seria á partida totalmente previsível.
Usa inclusivamente o próprio livro com a peça de Romeu & Julieta original para nos garantir que [“A Time to Love“]  é Romeu & Julieta por mais do que uma vez. O que é bom para confundir o espectador.

Não pensem no entanto, que [“A Time to Love“] é um filme romântico oriental ao estilo que estão habituados, se virem por exemplo produtos sul-coreanos ou japoneses.
Uma das características da maior parte dos dramas românticos chineses está no facto deste país preocupar-se mais com uma história de amor enquanto objecto dramático dentro daquele aspecto teatral mais sério e menos com a ligeireza do estilo narrativo. Por isso, [“A Time to Love“] é um filme sem pressas. Embora tenha um ritmo narrativo sempre constante, muitas vezes conta a sua história não por palavras mas por ambientes, imagens atmosferas e silêncios. Um pouco talvez como “Il Mare” o fez e com um tom melancólico semelhante, embora um pouco mais triste neste caso devido á carga trágica da própria base da história.

E por falar em silêncios, [“A Time to Love“] tem dois momentos absolutamente fantásticos na minha opinião que jogam precisamente com o silêncio para criar uma intensidade de emoções espectacular e que nos faz entrar em total empatia com o casal de apaixonados desta história.
É certo que o filme vai aos poucos trabalhando a carga emotiva sem o espectador notar, tanto na criação de ambientes como também pelo que não mostra e como tal quando surge um dos momentos mais bonitos a meio do filme, nem sequer precisa colocar os actores com qualquer diálogo para a cena romântica resultar com uma força incrível.

Falo particularmente de uma breve e pequenina cena a meio do filme, em que o rapaz e a rapariga estão de ambos os lados de uma vedação de arame e onde sem palavras o realizador consegue transmitir uma carga romântica não só totalmente natural como acima de tudo cria um momento emocional fantástico apenas recorrendo ao toque das mãos, a silêncios e a olhares breves para nos transmitir tudo o que os personagens sentem.

A segunda cena semelhante tem a ver com os segundos finais da história, mas de que não posso aqui falar porque lhes estragaria o suspanse todo e vocês ficariam a saber se [“A Time to Love“] acaba como a peça que lhe deu inspiração ou não. Apenas lhes garanto que se chegarem até aos momentos finais desta história totalmente cativados pelo destino dos personagens até se vão passar com o trabalho da actriz nos momentos finais onde apenas com um olhar concluiu tudo o que havia para concluir e proporciona ao espectador um momento final daqueles que os fará não esquecer este filme tão cedo se gostarem tanto dele quanto eu gostei desta segunda vez que o vi.
Não esperem é explicações de bandeja ao estilo, – “o que aconteceu foi…” – porque isto não é um filme desses.

[“A Time to Love“] é uma daquelas raras histórias de amor em cinema que resultam plenamente do trabalho não só dos actores principais mas também das interpretações de um elenco poderoso em termos dramáticos. Não sei se este pessoal será tudo actores de teatro mas todos os personagens nesta história são fascinantes e irão tocar-lhes emocionalmente em muitos aspectos surpreendentes.
Juntem a isto uma realização fantástica e têm todos os ingredientes para gostarem também muito deste filme se procuram por outra boa história de amor e já espreitaram tudo o que tenho recomendado neste blog.

Em termos visuais, [“A Time to Love“] é um dos filmes mais poéticos que me passaram pela frente em muito tempo dentro deste género estético.
Para começar a fotografia é incrível e vão encontrar aqui imagens absolutamente notáveis pois este é mais um daqueles filmes em que vão querer fazer pausa a todo o instante só para apreciar as pinturas de luz e sombra que ele contém practicamente em todo e qualquer frame.
Não só os ambientes são depois também fascinantes como está carregado de texturas e pormenores por todo o lado, tornando-o num filme totalmente obrigatório também para quem gosta muito de rever um filme muitas vezes só para curtir os pormenores. Pode ser uma sombra, pode ser uma textura, uma luz, uma cor, ou uma paisagem, mas garanto-vos que mesmo que nem gostem muito do género, visualmente vão achar este filme uma pequena joia perdida que importa descobrir em termos visuais quanto antes.

Não faço ideia se a arquitectura presente em [“A Time to Love“] existe mesmo ou se isto serão cenários criados para o filme. De qualquer forma, esta obra conta com espaços arquitectónicos fascinantemente poéticos que vão adorar contemplar ao longo da história. Desde, fábricas abandonadas, a prédios em decadência, passando por ruas e becos fabris, tudo aquilo que poderia parecer um ambiente deprimente é transformado num mundo quase mágico, parecendo por momentos saído de um verdadeiro conto de fadas ou de um filme de Fantasia.
[“A Time to Love“] quanto mais não seja, é um filme para contemplar, por muitos e bons motivos. Vão por mim, é fantástico visualmente.

Recomendo este filme a toda a gente que já espreitou tudo o que tenho apresentado no blog dentro do estilo romântico, ou então como contraponto a histórias de amor mais comerciais.
Não é que [“A Time to Love“] não seja comercial, mas o seu estilo muito chinês, intensamente dramático e bastante introspectivo em alguns momentos poderá talvez tornar-se algo chato ou arrastado para o pessoal que não gosta de coisas mais pausadas.

[“A Time to Love“] é um filme que demora o seu tempo e muitas vezes conta a sua história mais por olhares e silêncios do que por palavras e isto poderá afastar algum público.
O facto de ser uma história muito triste mesmo apesar de todo o ambiente poético, poderá afastar quem procurar um daqueles filmes totalmente –feel good– pois este usa a própria tristeza e melancolia para criar grandes incertezas no espectador sobre o desenlace da história. Nesse aspecto não poderia resultar melhor, mas ao mesmo tempo é um filme com uma carga algo deprimente por breves momentos a fazer lembrar o muito poético mas algo triste “The Floating Landscape” ; curiosamente outra produção chinesa.

Posto isto, se quiserem ver um filme muito bonito e diferente do habitual neste género tão estereotipado, se calhar [“A Time to Love“] é um título  a terem em conta. E se não gostarem á primeira, dêem-lhe segunda oportunidade, pois ainda acabam a gostar tanto dele quanto eu gosto agora.

——————————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO:

Estava tentado a atribuir a [“A Time to Love“] apenas cinco tigelas de noodles por ser realmente excelente.
Mas a verdade é que agora que o revi, este filme não me sai da cabeça e apetece-me vê-lo novamente em vez de ir espreitar outra coisa nova qualquer, por isso se calhar será justo dar-lhe a minha classificação máxima deste blog, pois de outra forma estaria a enganar-me a mim próprio se não lhe desse também um Golden Award.
Quanto mais não seja pelo trabalho dos actores, pela fotografia do filme e por ter conseguido criar suspanse na história de Romeu & Julieta, o que é obra !
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award por muitos e variados motivos.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg gold-award.jpg

A favor: o trabalho dos actores, o par protagonista tem uma química no ecrã fantástica e um desempenho totalmente cativante, esquecemo-nos que estamos a ver um filme o que não poderia ser melhor elogio, consegue o feito notável de recriar a velha história de Romeu & Julieta numa china moderna desencantada mas muito poética e fá-lo com total suspanse romântico até ao último olhar da protagonísta, a fotografia é fabulosa, os cenários são lindissimos e em muitos momentos parece que tudo se passa num qualquer mundo de fantasia encantada, mais do que uma história de amor comercial normal  é um drama intenso e duro por vezes, a cena da vedação de arame mesmo durando menos de um minuto é memorável, idem para o desempenho da actriz nos segundos finais da história onde só com o olhar nos transmite toda uma vida, muita poesia visual, o tom intimista e o excelente trabalho do realizador que alterna os momentos mais intimistas com os mais tragicos ou românticos de uma forma totalmente orgânica e bastante natural, nem vão notar a banda sonora mas esta vai entrar-lhes pela alma nos melhores momentos.
Contra: é mais um drama generalizado do que uma história de amor especificamente por isso não esperem o estilo fofinho oriental dos filmes japoneses porque este é chinés mesmo, pode parecer menos comercial do que na realidade é e algum público poderá não ficar particularmente cativado, Romeo & Julieta again…and again…and again…

——————————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=3NaS55XOylw

Videoclip 1
Embora curiosamente a música não faça parte do filme, pois foi criada para a promoção. Aposto que foi para dar um ambiente mais comercial á obra pois esta é na verdade bastante intimista e não tão comercial como aparenta aqui.
http://www.youtube.com/watch?v=y3TNcyS-IWw&feature=related

Videoclip 2
Este com uma das músicas que entra no filme e com a particularidade de ser um videoclip com dezenas de cenas cortadas que não aparecem no próprio filme, o que só demonstra que devem ter filmado pilhas de coisas que ficaram de fora e só é pena muitas destas cenas não estarem como deleted scenes no dvd porque parecem cheias de atmosfera também.
http://www.youtube.com/watch?v=krChsULuIbM&feature=related

Comprar
http://www.fivestarlaser.com/movies/13766.html

Download aqui com legendas em Inglés.

IMDB

http://www.imdb.com/title/tt0450099/

——————————————————————————————————————

Outros títulos semelhantes de que poderá gostar:

concerto_capinha_73x 

Be With You My Sassy Girl Il Mare The Classic Love Phobia

 Fly me to Polaris cyborg_she_capinha_73x

——————————————————————————————————————

Ye yan (The Banquet/Legend of the Black Scorpion) Xiaogang Feng (2006) China


Serei eu o único que já não pode mais com “adaptações” do Hamlet/Otello baseadas em obras de Shakespeare ?!
Serei eu o único a achar que repetirem pela milésima vez a mesma história retira por completo qualquer força e suspanse dum filme mesmo que este se passe em locais diferentes, exóticos e até sumptuosos ?

Pessoalmente o género de intriga palaciana aborrece-me de morte. Não posso com histórias de traições e manipulações políticas baseadas em esquemas de bastidores e muito menos quando envolvem a inevitável mulher fatal ambiciosa que vai limpando tudo e todos até chegar ao poder e descobrir que alguém também lhe quer fazer uma limpeza.

E não posso com o género de intriga palaciana precisamente porque parecem-me todos iguais e todos cópias do que Shakespeare tornou famoso.
Fico sempre com a sensação de que os autores deste tipo de filme o parecem querer elevar a um nível intelectual qualquer só pelo facto do trabalho poder depois ser comparado á obra de um escritor de renome.
E a coisa parece funcionar junto de alguma crítica “iluminada” pois só o facto de uma história ser mais outra adaptação de Hamlet  é logo garantia de reviews excelentes como se muitos críticos tivessem medo de serem desconsiderados por falarem negativamente sobre algo baseado numa obra mui considerada.

Comprei este filme oriental no Natal de 2008 e foi a pior compra do ano. Comprei-o porque o trailer me tinha agradado e parecia-me ser um Wuxia imaginativo. Na verdade fui completamente enganado pelo seu visual fabuloso, até porque o trailer de [“The Banquet“] é mais um daqueles que não tem nada a ver com aquilo que depois o filme é.
Se pensam que vão ver um Wuxia cheio de estilo e sequências de acção podem tirar o cavalinho da chuva.
[“The Banquet“] não é o que parece no trailer. É apenas mais um filme de intriga politica e esquemas de bastidores envolvendo traições, seduções e envenenamentos onde não existe a mais pequena centelha de suspanse !

A tensão deste filme oriental é absolutamente zero.
Se não conhecerem as peças de Shakespeare ou nunca tiverem visto qualquer adaptação de Hamlet ou de Otello se calhar ainda poderão encontrar algo de inesperado nesta história e conseguir acompanha-la com algum agrado.
Mas se já viram mil vezes a mesma intriga adaptada de todas as maneiras possíveis e imaginárias noutros lados podem ter a certeza que não vão encontrar absolutamente nada de novo ou de fascinante neste [“The Banquet“] e se forem como eu e não lhes interessar o género de intriga palaciana possivelmente irão achar este filme chinês aborrecido de morte.

E isto mesmo com todo o visual absolutamente incrível (e incrivemente desperdiçado) presente em [“The Banquet“].
Este filme asiático não só tem uma das melhores atmosferas negras de estilo quase gótico que poderão alguma vez encontrar num filme oriental como ainda por cima todo o ambiente cénico é plenamente usado suportar a história.
O problema é que nem isso a consegue salvar de ser aborrecidamente previsível e por isso por mais que eu me tenha forçado a adorar este filme por tudo o que aparece no ecran em termos de qualidade técnica a verdade é que achei tudo um enorme desperdício de recursos pois toda a alma do produto se evapora na total falta de interesse da intriga.
Uma história nem sempre faz um filme e o cinema oriental está cheio de filmes com histórias banais que no entanto são absolutamente fascinantes, mas para isso é preciso que os personagens também o sejam e consigam transmitir alguma emoção ao espectador. Coisa que não acontece nesta obra.

[“The Banquet“] é apena uma extraordinária colecção de imagens absolutamente notáveis, salpicadas por um par de sequências de acção bem coreografadas mas pouco emocionantes porque toda a gente já sabe como acabarão ainda os personagens nem deram a primeira estocada ou salto no ar. Tudo porque já vimos esta história e estas cenas de acção antes.
É muito dificil falar deste filme. Por um lado apetece-me cascar-lhe á força toda pela falta de ambição em procurar ser algo mais original a nível de argumento, por outro lado se conseguem disfrutar de um trabalho cinematográfico apenas pela perspectiva visual, não podem perder [“The Banquet“] porque é realmente incrivel e dos poucos filmes orientais que se podem comparar visualmente com “Curse of the Golden Flower“.

Não há muito mais que eu possa dizer sobre isto.
Bom casting, aliás,  Zhang Ziyi tem aqui uma das suas melhores prestações no papel da ambiciosa e muito Evil gaja má do filme pois consegue fazer passar o seu lado humano e todo o restante elenco cumpre perfeitamente embora em personagens de cartão.
A fotografia é do melhor e toda a parte cénica do filme está muito bem cuidada a um ponto tal que até acaba por irritar pois tudo é tão desperdiçado nesta história absolutamente previsível e banal já levada ao ecran dezenas e dezenas de vezes.

Se calhar estou a ser injusto mas este foi um dos filmes orientais mais desinteressantes que vi dentro do género Wuxia. E não parece ser esse tipo de filme no trailer.
O que mais irrita é que não é um filme que se possa dizer que seja mau. Na verdade não há nada de muito grave que se lhe possa apontar. Ou negativo sequer.
No entanto por debaixo de tanta ostentação encontra-se apenas um produto extremamente mediano e isso não deveria ter acontecido.
Teria sido bem mais simples dizer que o filme não presta, mas não seria justo faze-lo.
Espreitem porque poderão talvez gostar.
Pessoalmente se eu pudesse teria devolvido o dvd e ido buscar de volta o dinheiro que paguei por ele. Curiosamente este foi um daqueles dvds que eu comprei convencido que iria adorar o filme, pois como já disse o trailer realmente enganou-me por completo e não estava nada á espera que isto fosse mais um clone de Shakespeare sem qualquer ponto imaginativo.

Ainda por cima ia quase comprando o filme em dvd duas vezes !!! É que aqui no ocidente ele está editado duas vezes. Uma com o titulo [“The Banquet“] e outra com o titulo “Legend of the Black Scorpion“, ambos com trailers diferentes inclusive.
Por isso cuidado. São os dois o mesmo filme !!
A única diferença é que o dvd do “Legend of the Black Scorpion” tem uma edição como deve de ser em que o formato original de imagem é respeitado, enquanto que (ainda por cima) o dvd [“The Banquet“] que comprei tem a imagem adulterada dos lados não respeitando os enquadramentos.
Por isso cuidado.

——————————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO:

Poderei estar a ser injusto mas este filme não me disse grande coisa e inclusivamente não me deixou vontade nenhuma de o rever tão cedo apesar de ser incrivel a nível visual.
Se gostarem do género intriga palaciana, adoraram “Curse of the Golden Flower“, então têm aqui algo que irão gostar de ver certamente apesar da total previsibilidade do argumento.
Se forem como eu e não poderem com filmes de intriga politica, traições e venenos então sugiro que saltem este filme pois não é o Wuxia de acção que aparenta ser no trailer.
Por detrás de todo o visual espantoso está um produto bastante banal, previsivel e sem chama que pode aborrecer de morte muita gente, não por ser um mau filme pois não é, mas porque merecia ter-se tornado num clássico. Só precisava de um argumento com imaginação.
Quanto a mim leva duas tigelas e meia de noodles apenas porque é apenas um filme muito interessante e devia ter sido inesquecivel.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2emeia.jpg

A favor: o visual é absolutamente notável e provavelmente uma obra prima nesse aspecto, o design é fantástico, a fotografia idem, parece uma colecção de incriveis fotografias em movimento, guarda roupa idem, as paisagens naturais, a interpretação de Zhang Ziyi é fantástica e totalmente carismática.
Contra: não fiquei com a minima vontade de o rever tão cedo, nem a fantástica interpretação da protagonista do filme consegue evitar que a história seja do mais aborrecido e previsível que possam imaginar, não é o Wuxia que aparenta ser no trailer e as cenas de acção não têm grande impacto emocional apesar das boas coreografias, a previsibilidade retirou todo o suspanse do filme, o casting é bom mas os personagens são de cartão e a maioria está no filme para morrer e pouco mais, quanto clones mais das peças de Shakespeare é que vocês conseguem aguentar ?

——————————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=a4D9JwtqFyY&feature=related

COMPRAR
The Banquet [2006] [DVD]

Legend Of The Black Scorpion (a.k.a. The Banquet) [DVD] [2006] [Region 1] [US Import] [NTSC]

Podem no entanto espreitar o filme antes aqui.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0465676/

——————————————————————————————————————

Se gostou deste poderá gostar de:

——————————————————————————————————————

Kwong saan mei yan (An Empress and the Warriors) Siu-Tung Ching (2008) China


Desde que comprei o dvd, tive este filme durante semanas a fio na estante á espera de arranjar vontade para o ver e por isso ainda bem que o arrependimento não mata senão isto era o fim do blog.
Se procurarem na net, irão encontrar inúmeras reviews de dvds ou críticas de cinema e nenhuma delas está particularmente impressionada com esta obra, coisa que acabou também por me afastar do dvd durante este tempo todo pois estava plenamente convencido que [“An Empress and the Warriors“] não seria nada de especial.

Na verdade acho que nunca encontrei nenhuma crítica realmente negativa ao filme mas também o nível de entusiasmo nunca foi muito e sinceramente agora que o vi não compreendo de todo a razão deste não ter tido o reconhecimento que na minha opinião merece e pelo visto também na opinião de mais algumas pessoas que comentaram muito positivamente sobre ele no imdb.
Um desses comentários tem por título “much better than any many US boring movies” e acho que de uma forma geral quase que resume uma das grandes razões porque este filme merece ser muito mais popular do que aparentemente é.

E resume por uma simples razão, [“An Empress and the Warriors“] se fosse um produto americano seria outro daqueles filmes que já vimos mil vezes, com os ingredientes do costume, com as cenas de acção habituais e com os personagens-tipo que aparecem sempre neste género de história.
Se [“An Empress and the Warriors“]  fosse um filme made-in Hollywood seria certamente mais um daqueles “policiais” de acção que os americanos produzem ás carradas cheios de aventura, romance de cordel e porrada de plástico quanto baste.
Acontece que lá para os lados da China, o equivalente oriental do filme de acção americano actualmente já nem são os filmes de Karaté ou os de Máfia com Tríades mas sim parece estar na moda o género do Épico Histórico.

Desde que “O Tigre e o Dragão” modernizou o estilo Wuxia e o tornou comercial no ocidente, parece não haver época do ano em que a China não produza mais uma epopeia medieval. Quem sabe a tentar de novo ter um sucesso além fronteiras como aquele que ocidentalizou o género.
Sendo assim não há dúvida nenhuma que [“An Empress and the Warriors“] é um filme asiático comercial, diria mesmo, muito comercial e isso nota-se perfeitamente a todo o momento porque ao longo da sua duração acaba por fazer algumas concessões que se calhar poderia ter evitado. Não que isto o tenha prejudicado particularmente mas teria sido um filme oriental mais especial se na verdade não se tivesse esforçado por ser tão ligeiro a todo o instante.

[“An Empress and the Warriors“] tem um aura imediatamente tão comercial que quando começou, a primeira coisa que pensei foi que já me tinha lixado e tinha comprado outro “Shinobi” porque o filme parecia esforçar-se tanto para meter estilo que fiquei imediatamente com receio de que o resto tivesse ficado para segundo plano. Felizmente enganei-me.
Há muito tempo que não me divertia tanto com um filme de aventuras medievais.
A partir de certa altura [“An Empress and the Warriors“] remeteu-me imediatamente para algo equivalente no ocidente áqueles filmes (já mais antigos) sobre o Rei Artur e a Távola Redonda cheios de castelos, cavaleiros, armaduras e onde nem falta uma “Excalibur” chinesa.
Apenas aqui tudo tem um ambiente oriental tão bem trabalhado que quase coloca esta obra dentro do género -Fantasia- pela forma como toda a atmosfera está criada.

A história não tem um pingo de originalidade e básicamente tudo gira á volta da típica intriga de sucessão real onde há sempre um “mau” que quer ser “califa no lugar do califa” e por isso pelo caminho resolve limpar o sebo a todos os “bons” que se colocam na sua frente.
Apenas desta vez a personagem principal em vez de ser um príncipe que herdou o trono, é uma princesa o que inevitávelmente é logo motivo também para introduzir no filme a inevitável história de amor com o triangulo amoroso do costume mas mais uma vez muito bem trabalhado, evitando até algum cliché mais dramático e que serve muito bem como história paralela á intriga sobre a sucessão do trono e divisão de reinos.

É verdade que já vimos isto antes, mas possivelmente o que ainda não viram foi uma obra tão comercial dentro deste estilo asiático com os elementos tão bem equilibrados.
A maneira como a falta de originalidade da história é contornada visualmente é logo uma mais valia.
Não sendo uma mega produção [“An Empress and the Warriors“] soube contornar as suas limitações com duas coisas que para mim tornam este filme muito especial.
Para começar o design do guarda roupa é absolutamente fascinante. Eu que nem ligo muito a este aspecto desta vez foi logo a primeira coisa que me chamou a atenção. Practicamente todo o filme é composto por personagens de armadura e tudo é absolutamente notável pois os seus pormenores visuais dão uma identidade única a este filme mesmo para quem já viu dezenas de filmes medievais.
Se gostam muito de filmes com cavaleiros pelo romantismo que a própria idumentária dos personagens evoca, este é o vosso filme.

Mas não só de guarda roupa vive um filme e se os personagens não tivessem um mundo igualmente imaginativo para povoarem tudo poderia ter falhado redondamente, no entanto [“An Empress and the Warriors“] apesar de não ter tido orçamento para nos mostrar uma grande variedade de ambientes soube aproveitar ao máximo não só as mágnificas paisagens naturais da China como principalmente os cenários que foram construídos. Acreditem-me, vocês vão adorar as paisagens desta história simples mas muito bem contada.
Este filme deve ter a melhor “casa da floresta” que já apareceu numa história deste estilo e só esse local é suficiente para transportar este conto medieval quase para o género da pura Fantasia ao melhor estilo Lord of the Rings. Embora sem elfos ou dragões, algumas cenas deste filme são absolutamente mágicas na sua simplicidade e transportam-nos imediatamente para um mundo “imaginário” que por acaso até se passa numa China antiga mas pelo seu ambiente bem que se poderia passar na Terra Média ou num planeta distante bem longe da Terra, que não haveria diferença.

Isto e mais um par de pormenores visuais que deixo para vocês descobrirem acabam por dar uma identidade ao filme que nos faz gostar de o acompanhar do princípio ao fim sem se instalar qualquer sensação de monotonia.
Também mais uma vez a capacidade dos orientais para pegarem em clichés de argumento mil vezes já vistos e no entanto conseguirem dotá-los de alma e humanidade volta a surpreender.
Não só toda a parte de intriga e aventura resulta plenamente, como ainda por cima [“An Empress and the Warriors“] é um filme absolutamente romântico ao melhor estilo do cinema do género oriental e consegue equilibrar de uma forma absolutamente perfeita a parte bélica com o coração emocional da história, ligando tudo por um fio condutor que acima de tudo, mais uma vez se baseia na humanização dos personagens; facto que continua a ser um dos grandes trunfos do cinema oriental hoje em dia face ao plástico encenado que nos chega habitualmente de Hollywood salvo raras excepções.

Mais uma vez, personagens que á primeira vista também desta vez pareciam de cartão, vão ganhando (sabe-se lá como) uma alma á medida que o filme evolui; de tal forma, que a meio da história já nos prendem por completo e conseguem colocar o espectador a torcer pelo seu destino até á excelente e clássica resolução final para todos eles, com que esta obra termina.
Isto com a mais valia de que, como disse alguém no imdb, ao contrário daqueles “”…many US boring movies” no cinema oriental por muito formulático que seja nunca há propriamente a garantia de que as coisas tenham uma resolução prevísivel ao estilo americano. Coisa que mais uma vez também se demonstra com esta obra, conseguindo criar um certo grau de incerteza no espectador até ao fim pois felizmente não estamos mesmo na presença de um filme americano e como tal, tudo o que pode acontecer, acontece mesmo.

A esta altura já vocês estão a perguntar pelas cenas de porrada não é ? Afinal isto é ou não um filme com cavaleiros, espadeirada e batalhas épicas ?
Bem, essencialmente na verdade é uma história de amor com armaduras, mas isto não quer dizer que não tenha a sua dose de cenas de acção e muito boas por sinal.
Este é um daqueles filmes que não desagradará a quem procura boas cenas de guerra medieval num tom realístico. Há várias sequências de batalha espalhadas ao longo do filme e todas são não só diferentes, como emocionantes de se acompanhar e ainda por cima estão muito bem filmadas pois é nestas alturas que o filme ganha uma adrenalina e uma intensidade que depois vem justificar muito bem o equílibrio com a parte romântica da história.

Apesar de curtas, visualmente as batalhas são mágnificas, o ambiente é excelente e a montagem é perfeita criando uma espectacularidade emocionante nas coreografias de luta, tanto nas cenas de movimentações de exércitos em carga total como nas cenas de combate individual.
Fica aqui uma nota para o espectacular trabalho dos duplos que é verdadeiramente extraordinário e vai impressioná-los certamente pois neste aspecto, [“An Empress and the Warriors“] é um daqueles filmes á antiga, onde o Cgi é raramente exibido e onde aquilo que está no ecran, por mais impressionante que seja foi conseguido através do trabalho de pessoas a arriscar o pescoço para nosso divertimento. Já agora, prestem atenção ás arrepiantes sequências com quedas de cavalos neste filme pois ainda estou a tentar perceber como não mataram metade dos animais para conseguir aquelas cenas.
A faltar alguma coisa neste filme oriental, será talvez algum sangue pois por muito impressionantes que as batalhas sejam, muitas das vezes sente-se que tudo é demasiado limpo para tal carnificina em batalha.

Tivesse este filme chinês a mesma quantidade de baldes de sangue que por exemplo “Mongol” teve e teria sido um filme de guerra perfeito. Por outro lado, um minuto de sequências de batalha em [“An Empress and the Warriors“] tem mais adrenalina que meia hora de porrada em “Mongol” por isso se calhar o sangue não será tão necessário assim até porque são estilos de filmes diferentes.
No que toca a emoção nas cenas de batalha, este filme é tão entusiasmante quanto por exemplo “The Warlords” pois acerta em tudo aquilo que “Mongol” falha.
Mas ficava giro ter mais um bocadinho de emoglobina.

É precisamente aqui que se percebe perfeitamente que esta é realmente uma obra muito comercial e de certa forma “á moda antiga”, pois das duas uma, ou não houve orçamento para comprar sangue falso, ou houve aqui uma clara intenção de tornar este filme o mais familiar possível de modo a tentar puxar um público mais genérico ás salas.
Por outro lado, posso estar errado, pois “The Warlords” essencialmente é um drama e na verdade [“An Empress and the Warriors“] acima de tudo apresenta-se-nos quase como um conto de fadas com acção, por isso se calhar a falta de sangue e gore até nem é tão despropositada quanto isso.

Essencialmente estamos na presença não só de um excelente filme de acção asiático mas na minha opinião este é outro daqueles que merece estar junto a qualquer colecção de cinema romântico oriental pois apesar de simples tem muita alma e consegue equilibrar muito bem as cenas de guerra com uma simples mas muito bonita história de amor contendo um par de cenas românticas que tenho a certeza se gostam do género não vão esquecer.
Uma nota especial também para a mágnifica banda sonora que é uma daquelas que não sendo verdadeiramente inesquecíveis é no entanto perfeita para ilustrar esta história. Excelentes sinfonias bélicas, bonitas melodias românticas e ainda uma inesperada atmosfera de inspiração (?) Celtica compõem a musica que ilustra esta obra.

——————————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO:

Um pequeno grande filme oriental que não merece passar tão despercebido. Não inova, mas tudo o que faz, faz muito bem.
Se procurarem um filme medieval comercial sem pretenções de ser mais que um excelente divertimento de aventuras asiáticas não procurem mais pois  [“An Empress and the Warriors“]  é esse filme.
Inesperadamente também é um excelente filme romântico ao melhor filme oriental e cheio de momentos muito bonitos com um final perfeito.
Não é uma obra inesquecível, mas é uma produção muito sólida que faz tudo bem e ainda consegue ter um ambiente que quase o tornam num verdadeiro filme de -Fantasia- que de certo irá aguardar a quem procura aquele ambiente estilo Lord of the Rings num filme oriental, embora sem elfos, dragões ou hobbits.
É um daqueles filmes que recomendo totalmente a quem procurar um bom filme de aventuras com alma, romantismo, poesia e espadeirada quanto baste.
Ainda por cima o dvd é bom e barato.
Merece plenamente a minha classificação alta pois á segunda vez que o vi ainda gostei mais dele e só não lhe dou um golden award porque poderia ter ido mais longe para poder rebentar a escala.
No entanto é um grande filme de aventuras com princesas e cavaleiros, onde nem falta uma espécie de Obi-Wan-Kenobi ou um gajo que parece uma versão decadente do Saruman.
Cinco tigelas de noodles sem qualquer problema.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg

A favor: é um óptimo filme de aventuras, é um filme romântico com alma apesar da simplicidade da história de amor, tem uma atmosfera que o aproxima totalmente do género de -Fantasia- mais clássico, é um conto de fadas sem ser infantil, é um filme de acção com adrenalina, as coreografias de luta são muito dinâmicas e entusiasmantes, o trabalho dos duplos é extraordinário, o Cgi não é usado para impressionar, o design do guarda roupa é mágnifico, tem um par de cenários fabulosos e totalmente dignos de um filme de fantasia (casa na floresta), a fotografia em mais do que uma vez está muito bem conseguida e o filme tem alguns momentos visuais lindíssimos, pode agradar a vários tipos de público pois é um excelente exemplo de bom cinema muito comercial sem ser estúpido, bons personagens e actores, a realização não deslumbra mas é segura e nada se perde ou aborrece neste filme, transformou a previsibilidade em ambiente e consegue criar alguma dúvida até ao seu desenlace final, o final é excelente.
Contra: por mim tinha um bocadinho mais de sangue nas cenas de guerra pois tanta adrenalina e ferocidade fica um bocado perdida quando tudo parece demasiado limpinho, a história já foi vista dezenas de vezes e poderia ter sido mais criativa.

—————————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=_vC_ybSafNc

Comprar
Recomendo vivamente esta edição bem baratinha em DVD.
Capinha com estilo, excelente qualidade técnica, óptimo Dts e contém um documentário de Making Of que em pouco mais de dez minutos consegue ser melhor do que muitos gigantescos exemplos do género e  é absolutamente indispensável para quem gostou de ver o filme.
Também disponível em BLU-Ray e este é daqueles filmes que ganha bastante pelo formato.

Imdb

http://www.imdb.com/title/tt1186803/

——————————————————————————————————————

Se gostou deste poderá gostar de:

The Promise

A Chinese Tall Story

——————————————————————————————————————

Man cheng jin dai huang jin jia (Curse of the Golden Flower/A Maldição da Flor Dourada) Yimou Zhang (2006) China


O facto deste filme oriental ser uma milésima variação da peça Otelo de Shakespeare pode á primeira vista parecer um bocado surpreendente para quem esperava algo mais parecido com um filme de acção no estilo “House of the Flying Daggers“.
No entanto, apesar de [“Curse of the Golden Flower“] conter algumas das melhores sequências de acção que vi no género Wuxia, este é essencialmente um drama político.
O que confesso me aborreceu um bocado, pois se existem histórias para o qual não tenho pachorra absolutamente nenhuma são os dramas de intriga palaciana embrulhada em capa de épico histórico.

Não que estivesse á espera de apenas mais um filme asiatico de acção, mas a verdade é que não esperava algo tão intensamente palaciano e tão shakespeareano.
Até porque [“Curse of the Golden Flower“] ao ser uma espécie de Otelo em versão chinesa perde um pouco da sua frescura no que toca a desenvolvimento do argumento pois por mais que nos fascine com as suas imagens nunca nos prende propriamente á história pois esta é por demais previsível ao longo de toda a narrativa.
De cada vez que alguém novo entra em cena, passados minutos percebemos imediatamente qual irá ser o seu destino e qual a sua relação com cada um dos mistérios referidos no argumento. Ora isto, coloca o espectador sempre muito á frente dos personagens e isso na minha opinião faz com que nunca entremos verdadeiramente dentro do filme e tenhamos sempre alguma distância em relação ao que se passa no ecran.

Agora que já falei do único aspecto “negativo” de [“Curse of the Golden Flower“], não me lembro de mais nada que possa impedir-vos de gostarem mesmo muito deste filme.
Como tal, até digo-vos já a minha classificação em adiantado. [“Curse of the Golden Flower“] leva absolutamente cinco tigelas de noodles sem qualquer dúvida. E embora eu não lhe atribua um Golden Award se vocês gostarem mesmo de histórias de intriga política palaciana, considerem-no atribuído pois vão adorar o filme.

Até tenho receio de continuar esta review, porque realmente não há palavras que eu consiga colocar aqui nem fotografias que possam acompanhar esta review que transmitam o incrível visual deste filme. Possivelmente será o Wuxia mais espectacular que vi até hoje no que toca a cenografia e ao tratamento tanto dos enquadramentos como também principalmente na cor.
Enquanto “Hero” do mesmo realizador, estava dividido em vários segmentos cada um com uma tonalidade dominante, desta vez em [“Curse of the Golden Flower“], parece que todas as cores do espectro visível ao olho humano foram colocadas no ecran em cada frame deste filme.´

E o que poderia ter resultado em algo desastroso para os sentidos, ou até mesmo ter tornado o filme num produto algo kitsh a verdade é que não poderia ter funcionado melhor. Cada frame deste filme está tão bem pensado a nível de cor e tratamento fotográfico que temos que o ver pelo menos uma meia dúzia de vezes para conseguirmos reparar em todos os incríveis detalhes que compoem esta extraordinária tapeçaria visual que vos irá deixar absolutamente deslumbrados. Especialmente se tiverem a sorte de poder ver [“Curse of the Golden Flower“] num projector com um ecran de tamanho considerável como eu posso fazer.

Mas não só da cor vive este filme asiático, pois além da fotografia absolutamente perfeita, a quantidade alucinante dos próprios detalhes que estão presentes em cada imagem é de uma pessoa ficar a pensar como raio é que alguém se deu a tanto trabalho apenas por causa de um filme.
Desde ao incrível guarda-roupa absolutamente impressionante na sua combinação de texturas até ao detalhe esculpido em cada adereço este é um daqueles filmes que só podia ter vindo mesmo da china, pois sinceramente é preciso mesmo uma literal paciência de chinês para se conseguir produzir aquilo que poderão ver no ecran se comprarem este filme.
E segundo parece, tirando um par de anacronísmos em alguns detalhes das roupas, consta que no que toca a uma reprodução fiel de ambiente [“Curse of the Golden Flower“] levou uma excelente nota da parte dos historiadores. Até aquilo que nos parece um exesso de cor, supostamente será algo decalcado do que seria a realidade daquela época no que toca á atmosfera que o filme tentou reproduzir.

É que não pensem que estes chineses não tendo exactamente um local adequado para filmar isto se deram apenas ao trabalho de construir um par de cenários. Não meus amigos, já que tinham tanta gente para trabalhar, eles decidiram construír um palácio medieval verdadeiro para que o público pudesse sentir ainda melhor o espírito históricamente fiel da obra.
Tudo o que poderão ver no ecran, não se tratam apenas de cenários pintados, mas sim de locais verdadeiros que foram construídos de propósito para este filme com um nível de realidade tal que o palácio ficou pronto para ser habitado e actualmente parece que foi inclusivamente transformado numa nova atracção turística porque a coisa é tão impressionante que é mesmo de ver para crer.
Podem ter a certeza que isso transparece muito bem pelas imagens quando virem o filme.

Já agora, recomendo que o comprem mesmo, pois este é um daqueles que precisa de uma boa cópia para poder ser devidamente apreciado e duvido que uma cópia sacada de qualquer torrent consiga realmente transmitir com qualidade tudo o que merece ser visto neste filme.
Até porque se a edição portuguesa tiver o mesmo documentário de Making of que eu tenho na edição chinesa esse é um complemento que não devem perder para terem uma ideia do trabalho que [“Curse of the Golden Flower“] deu a produzir. Não só contém as habituais entrevistas aos actores, como mostra a construção de todo o complexo “cenográfico” e ainda nos dá um vislumbre das filmagens das impressionantes sequências de acção presentes no filme.

Embora [“Curse of the Golden Flower“] seja essencialmente um drama de intriga palaciana, pontualmente transforma-se súbitamente num dos filmes de acção mais impressionantes que poderão encontrar pela frente actualmente.
Poderão nem se lembrar da história ou sequer se importarem muito com ela, mas podem ter a certeza que não vão esquecer tão cedo a originalidade das cenas de acção deste filme que nos mostra coisas de um angulo que ainda não tinha aparecido no ecran desta maneira no que toca á encenação de cenas deste estilo.

Eu que já nem podia ouvir a palavra “Ninja“, (por causa daqueles abjectos filmes de porrada americanos dos anos 80), fiquei absolutamente impressionado com a fabulosa e original sequência de acção com os Ninjas neste filme. Nunca tinha visto nada assim e muito menos filmado desta maneira. Só é pena a cena até nem durar muito tempo, mas enquanto dura torna-se inesquecível, pois tudo desde ás coreografias em fios, á fotografia e á própria montagem é simplesmente perfeito. Vai fazer com que vocês fiquem com vontade de irem buscar um facalhão á cozinha e depois de se enrolarem num lençol preto ainda saltem pela janela do apartamento com umas quantas piruetas silenciosas.

Como se esta cena não tivesse sido já visualmente muito original, o final do filme ainda conta com uma outra daquelas batalhas épicas como nunca tinha visto. Pensava eu que nisto de batalhas entre exércitos já estava tudo mostrado quando [“Curse of the Golden Flower“] nos apresenta algo verdadeiramente único.
Além da própria batalha ter em estilo e uma estratégia peculiar composta á base de defesa de gigantescos escudos de metal que servem de barricadas entre dois exércitos, os produtores deste filme ainda acharam que seria giro fazer tudo não soldadinhos de CGI mas sim com gajos mesmo a sério que por acaso até foram buscar ao verdadeiro exército chinês actual só para nos impressionar certamente.
Quando virem aquela gente toda á porrada na batalha não se esqueçam de os contar a todos, pois foram mesmo muitos os chineses que tiveram de vestir armaduras. Já agora, também consta que as armaduras não eram cá de plástico pois foram construídas a sério para dar mais realísmo á coisa. Portanto cada actor e figurante andou a passear por esta cidade cenográfica real com uns bons quilos de metal ás costas só porque sim.

Isto para não falar das actrizes que passaram um mau bocado com os espartilhos dos fatos de época que no entanto resultaram em decotes tão hipnóticos que o próprio Chow Yun Fat não se conseguia concentrar nos olhos da excelente Gong Li que faz de sua mulher no filme e que tem portanto inúmeros diálogos com ele ao longo da história. Actor sofre.

Agora, mais uma vez chamo a atenção para o facto de que [“Curse of the Golden Flower“] não é um Wuxia de acção, mas sim um drama completamente shakespeareano passado nas cortes palacianas chinesas da idade média e pontualmente polvilhado por breves cenas de acção que vos vão deixar absolutamente maravilhados se gostam de bons filmes Wuxia mais tradicionais.

Posto isto passemos ao que interessa e portanto, resumindo:

——————————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO:

Por tudo e mais alguma coisa, cinco tigelas de noodles á vontade.
Visualmente é definitivamente uma obra prima em todos os sentidos, tem uma fotografia absolutamente incrível e o detalhe de cada imagem vai fazer com que a uma segunda visão estejam sempre a fazer pausa e zoom para poder espreitar cada pormenor ao longo das quase duas horas de filme.
Só não lhe atribuo um Golden Award porque a parte de intriga palaciana aborreceu-me imenso, não por ser uma história do estilo mas porque está tão colocada ás obras de Shakespeare que se torna absolutamente previsível e com isso arruina parte do encanto que tanto se esforçaram por obter visualmente.
Mas tirando isso é um filme extraordinário e uma compra obrigatória para quem gosta do estilo e totalmente indispensável para todos os admiradores deste realizador que antes já tinha feito também os fabulosos, “Hero” e “House of the Flying Daggers“.
[“Curse of the Golden Flower“] , é um bom exemplo de um filme que sendo no fundo uma obra de cinema de autor não deixa de ser menos comercial por causa disso, pois tem o equilíbrio perfeito entre os dois géneros.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg

A favor: visualmente é uma obra prima como há muito não se via, a fotografia é mágnifica, os cenários verdadeiros são impressionantes, as cenas de acção são inesquecíveis e até as mais tradicionais contêm coreografias excelentes, a batalha final, os personagens apesar de totalmente Shakespeareanos têm uma identidade não apenas teatral.
Contra: as intrigas palacianas aborrecem-me de morte e pior ainda quando são tão previsíveis como as que constam no argumento deste filme, as cenas de acção ás vezes parece que não seriam própriamente necessárias e apenas estão lá para que o espectador não adormeça com a previsibilidade do argumento.

—————————————————————————————————————

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=tyVv8qSTLRQ

Website Oficial
http://www.sonyclassics.com/curseofthegoldenflower/

COMPRAR
Excelentes e baratinhas edições na Amazon Uk:

Curse of the Golden Flower – DVD

Curse of the Golden Flower + Crouching Tiger Hidden Dragon – DVD

Ou então…

Dvd Edição Chinesa
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7k-77-1-49-en-15-curse+of+the+golden+flower-70-1up9.html
Dvd Edição Portuguesa
http://www.worten.pt/ProductDetail.aspx?pid=03873734

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0473444/

——————————————————————————————————————

Filmes “semelhantes” de que poderá gostar:

The Promise

——————————————————————————————————————