Katakuri-ke no kôfuku (The Happiness of the Katakuris) Takashi Miike (2001) Japão


Cantem todos !
– ” The hills are alive, with the Sound of…screaming !?”  🙂

Se calhar não se nota, mas [“The Happiness of the Katakuris“] é uma comédia e a frase acima é o seu slogan publicitário oficial.
A sério.
Agora depende muito do vosso sentido de humor, porque garanto-vos, este filme não é para toda a gente. E não é por causa do sangue ou do excesso de cenas gore nojentas, mas sim porque é um filme musical.
Confusos ?
Ainda não viram nada.
É que a haver um filme completamente inclassificavel será certamente este, senão vejamos…
É mau como o raio, mas é por isso que é uma verdadeira obra prima do cinema oriental, porque o objectivo era mesmo que fosse mau e neste aspecto [“The Happiness of the Katakuris“], não podia ser melhor.

Só um realizador com talento e muito seguro do seu trabalho conseguiria criar de propósito um mau filme. E já que falamos de cinema oriental, se calhar não haveria ninguém mais credenciado do que o veterano Takashi Miike para fazer uma … coisa destas.
Não que ele seja já um velho cineasta oriental venerado ao estilo Kurosawa, mas porque na verdade deve ser o realizador que mais rapidamente trabalha no mundo e sempre com resultados que, ou são excelentes ou muitíssimo bons, pois por mais que se tente procurar é dificil encontrarmos um mau filme de Miike no mercado.
Quando muito descobre-se algo mediano, o que não é o caso desta vez.
E se juntarmos o facto dele em pouco mais de dez anos de carreira ter já feito mais de 60 filmes (leram bem), ainda custa mais a acreditar que ele consiga surpreender a cada novo projecto e seja um dos realizadores mais originais que poderão encontrar a trabalhar actualmente.
Acho que na carreira Miike só deve faltar um porno.
Embora [“The Happiness of the Katakuris“] não ande muito longe disso…
Não porque tenha sexo explícito ou sequer nudez, mas porque é um filme tão piroso, mas tão piroso que se torna quase pornográfico se interpretarmos o conceito por uma definição de excesso.
Mas de que trata então esta…hem…obra ?…
Acreditam se eu lhes disser que isto é um remake Japonês do “Música no Coração” ?…

Não será própriamente um remake da história do filme de Robert Wize, porque [“The Happiness of the Katakuris“], é uma nova versão de um dos clássicos do cinema Sul-Coreano intitulado originalmente  – “The Quiet Family”.
Mas é um herdeiro absoluto do espírito feliz de “Música no Coração” e a um nível emocional é o seu remake a 100%, apesar de contar com uma quantidade considerável de cadáveres á mistura.
É que vocês nem imaginam como este filme é feliz.

Se conseguirem entrar no espírito,  “The Happiness of the Katakuris“] é um verdadeiro antídoto para a depressão e uma das obras mais originalmente bem dispostas que poderão encontrar.
Começa de forma estranha. Tão estranha que a início nem sabemos bem se estamos a gostar do filme ou não, mas depois culmina numa parte emocional tão feliz, mas tão feliz que se torna contagiante e damos por nós a entrar no espírito e com vontade de começar a cantar canções fofinhas pirosas em japonês e a flutuar de alegria acima do sofá da sala.
O que não deixa de ser estranho, porque a parte final é sobre o suícidio. 🙂

Não, não estou a gozar.
Mas afinal o que há de tão estranho nesta obra ?
Bem, é pirosa. Mas pirosa mesmo, com um kitsch tão exagerado que faz os Enapá 2000, parecerem ingénuos.
The Happiness of the Katakuris“], é piroso de propósito e não pensem que isto é fácil de ser feito. Mal pensado, tudo teria resultado num falhanço absoluto pois se não conseguisse transportar o espectador para aquele universo sem o contestar Takashi Miike teria se espalhado ao comprido e o filme seria apenas mau a um nível que nem conseguiriamos suportar.
Mas passa-se exactamente o contrário e tudo no ecrã nos impede que tiremos os olhos da televisão pois, primeiro nem acreditamos (ou compreendemos verdadeiramente) o que estamos a ver, depois temos mesmo que saber o que vai acontecer a seguir, quanto mais não seja para podermos contar ás pessoas o que vimos.
É essa a grande magia do filme. Apesar de nos apetecer deitar fora o dvd nos primeiros minutos, depois agarra-nos, conquistando-nos com a sua felicidade transbordante.
Isto enquanto mete assassinatos, catástrofes naturais, telediscos de música propositadamente má, estética pimba do mais pimba que possam imaginar e personagens do outro mundo.
E já lhes falei nos mortos vivos ?… 🙂

Se calhar é melhor não dizer mais nada.
Aliás, eu que não gosto de revelar o argumentos dos filmes, sobre este então, é que não vou dizer practicamente nada, pois o prazer aqui está precisamente em não imaginarem o que lhes irá cair em cima a seguir.
Fiquem apenas a saber que “The Happiness of the Katakuris“], narra as sangrentas desventuras de uma familia tradicional japonesa que por acaso teve o azar de ter comprado um velho hotel no meio de uma montanha onde quase não passam turistas. E quando passam, os que se hospedam nos seus quartos acabam mortos no dia seguinte, o que dá origem ás mais inimagináveis e engraçadas situações.
Mas se o filme é extremamente feliz no seu tom, isto deve-se não só ás inacreditáveis canções pimba e números músicais que o percorrem, mas principalmente aos personagens.
O filme tem um casting absolutamente perfeito com personagens-tipo geniais e muito bem interpretados. Desde o avô até á criancinha da família todos têm o seu momento no filme e ajudam mesmo a criar aquela ilusão de família unida que é a alma e o coração do filme.

E por falar em personagens, há um que se destaca e já se tornou uma figura de culto.
Não pertence aos membros da familia, mas garanto-vos que não se vão esquecer do “Richard” tão cedo.
Podem espreitar a sua canção na secção de videoclips deste site se quiserem ter um pequeno vislumbre da sua personalidade e do que o personagem faz no contexto da história porque o seu segmento é um bom exemplo do que poderão encontrar se arriscarem a ver este filme.
Só para terem uma ideia, “Richard” é a versão oriental do Richard Gere em “Oficial e Cavalheiro”, mas com tendências extremamente narcísistas e um bocadinho psicópatas.
Vão adorar.

Portanto é assim, gostam de histórias com pessoas cortadas aos bocados e música pimba japonesa ?
Gostam do “Evil Dead” e sempre imaginaram que daria um bom musical ?
Acham que o suícidio pode servir de inspiração para canções ao sabor de “Música no Coração” ?
E vulcões ? Gostam de filmes com vulcôes ?

Então não podem perder esta obra, pois mesmo que a fiquem a odiar, podem ter a certeza de que se irão lembrar dela por muito, muito tempo. E ter as suas musiquinhas na cabeça também. 😉

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CLASSIFICAÇÃO:

Um dos filmes mais originais que poderão encontrar. Ideal para quem reclama constantemente que o cinema de hoje em dia é todo igual.
Agora cuidado, pois pode induzir a níveis de vómito inimagináveis. Aproximem-se com cuidado então.
Mesmo assim, não posso deixar de dar cinco tigelas de noodles e um Golden Award como selo de qualidade.
Embora cuidado com a minha classificação, pois se não entrarem neste filme preparados, se calhar para muitos de vocês ele nem valerá sequer meia tigela.
Não é o meu caso, pois além de eu ser admirador da capacidade inventiva do realizador a alegria contagiante do final deste filme merece em absoltuto a nota máxima.
Mas é preciso estar com espírito para ver isto, pois apesar de muito ligeiro e comercial, não é de forma alguma um filme fácil de assimilar (especialmente para o publico ocidental).
É que para uma comédia, nem sequer é propriamente um filme hilariante, mas tem os seus momentos de humor muito bem conseguidos.
O que não impede que seja verdadeiramente uma obra-prima do cinema feliz…se é que este género existe…

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A favor: a originalidade, a extrema alegria contagiante que aumenta de nível á medida que o filme se aproxima dos momentos finais, os personagens, as musicas pimba, a realização certamente sobre o efeito de ganza em excesso, o humor negro, o “Richard”.
Contra: as animações em plasticina stop-motion apesar de excelentes irritam-me profundamente, a mistura de géneros de filme é tanta e tão confusa que o filme tem umas variações de ritmo narrativo algo estranhas.

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NOTAS ADICIONAIS

Recomendo vivamente que vejam o Trailer pois transmite perfeitamente o ambiente que irão encontrar durante o filme todo.
http://www.youtube.com/watch?v=nIXyiJqMLJI&feature=related

Se quiserem comprar o dvd, sugiro a edição UK, pois é fantástica.

Excelentes (e pirosos) menús animados, excelente qualidade de imagem numa transferência anamórfica muito boa e um som perfeito não só em 5.1 como em DTS. Além disso contém óptimos extras, inclusivamente uma boa entrevista com o realizador que merece ser vista, quanto mais não seja para apreciarem a pinta gangster-hiphop-japonês do homem. Scary…

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0304262/

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Filmes “semelhantes” de que poderá gostar:

Attack the gas station

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Juyuso seubgyuksageun ( Attack the Gas Station ) Sang-Jin Kim ( 1999 ) Coreia do Sul


Ainda alguém me há de explicar porque raio é que este filme oriental é tão considerado em todo o lado.
É rara a crítica espalhada pela net que não considere [“Attack the Gas Station“] quase uma obra prima da comédia e ainda estou para compreender o porquê mesmo depois de já ter lido uma boa dezena de reviews.

O conceito é realmente original e de vez em quando aparecem uns gags bem divertidos, mas nunca ao ponto de fazer disto aquela comédia que supostamente mantém o espectador a rir do início ao fim.
Os personagens na sua maioria ou são irritantes ou absolutamente detestáveis e a esta sina nem a miúda da história escapa o que anula também logo a suposta sequência romântica do filme. Se bem que dizer que este fime tem partes românticas é exagerar um bocado.
[“Attack the Gas Station“] é sobre hooligans e apresenta-os como uma espécie de herois só porque destroiem bombas de gasolina á porrada porque não têm mais nada para fazer.
A não ser que o leitor destas linhas também se identifique com este “passatempo” não estou a ver como se conseguirá identificar com os personagens ao ponto de os querer acompanhar ao longo do filme ou importar-se com o seu destino. O que na minha opinião retira logo metade da magia de [“Attack the Gas Station“] pois pelo menos a mim apetece-me mais partir a cara aos protagonistas do que própriamente rir com as suas supostas divertidas “travessuras” de destruição só porque lhes apetece meter estilo a partir coisas.
Aliás, talvez o que mais enerva neste filme asáitico é que dá estilo aos personagens e passa ao espectador a ideia de que ser um holligan é tão cool como andar vestido á Matrix.

Isto é ao mesmo tempo, o que mais irrita no filme e o que lhe dá uma identidade muito própria pois há que reconhecer que estilísticamente o realizador conseguiu ilustrar aqui de forma muito glamorosa uma suposta sub-cultura urbana que se calhar não precisaria deste incentivo, pois segundo consta este passatempo de destruir bombas de gasolina só porque sim (que já existia antes), ganhou contornos de epidemia após o sucesso de [“Attack the Gas Station“]  na Coreia do Sul com a policia a ter problemas com jovens admiradores do filme que viram nele um incentivo para também irem brincar ao mesmo com a justificação de que era tão cool e rebelde como ser surfista ou practicar um qualquer desporto radical.

Por isso, pelo menos para mim, é-me muito dificil analisar este filme oriental de uma forma coerente (ou se calhar, justa), mas a verdade é que a glorificação do tema presente no filme me irrita particularmente.
É que se isto é suposto ser uma sátira, há aqui algo que falha pois na minha opinião aponta mais para o contrario e para uma exposição de uma sub-cultura urbana violenta, aligeirando-a através do humor.
O que é pena, pois como já disse o conceito do filme tem ideias absolutamente geniais que se perdem pelo facto dos personagens serem detestáveis.
O estilo visual do filme tem personalidade e as cenas de acção são realmente divertidas. O problema é que entre esses momentos e o resto do que se passa na história, a coisa arrasta-se com conflitos entre personagens que não são particularmente interessantes precisamente porque são de um vazio absoluto.
A isto junta-se uma montagem algo desiquilibrada, ou pelo menos é essa a ideia que passa, pois os momentos de acção são plenamente conseguidos, mas quando não há porrada-de-criar-bicho a acontecer faz com que cinco minutos de filme pareçam meia hora até que venha a cena de violência estilo cartoon seguinte.

No entanto, se há algo que quase redime este filme de todas as suas falhas, é o seu final que contém uma batalha hilariante entre vários gangs de entregadores de pizzas.
Sim, leram bem…eu digo de novo – gangs de entregadores de pizzas  !
Estou convencido que é este pormenor no conceito do filme que o faz parecer a comédia brilhante aos olhos de muita gente quando na realidade não é assim tão genial como querem fazer crer.
Mas é verdade que a ideia dos gangs de entregadores de pizzas em conflito por território sobre o qual gira uma parte da segunda metade do filme é realmente muito engraçada e ainda por cima porque culmina numa batalha campal entre gangs rivais verdadeiramente genial e que torna quase obrigatória a visão deste filme para quem gosta de comédias alucinadas com momentos únicos.
Só por esta parte quase que uma pessoa sente a tentação de gostar mais do filme, mas se esquecermos esses momentos há que reconhecer que um gag absolutamente brilhante não faz uma comédia genial.
O que é pena, pois [“Attack the Gas Station“]  tivesse seguido mais pelo caminho com que acaba se calhar o filme mereceria mesmo todos os elogios que recebe actualmente em quase todo o lado quando na verdade não deveria.

Se estiverem interessados em comprar o filme, sugiro esta versão á venda na amazon americana.
http://www.amazon.com/Attack-Gas-Station-Sung-jae-Lee/dp/B0001Z3ILM
Atenção no entanto que é uma versão R1 da minha cópia R3 e que é de uma qualidade absolutamente atroz em todos os sentidos. Péssima codificação de imagem (com artefactos no ecran maiores que um botão de comando remoto), som sem força, pan&scan disfarçado de letterbox, etc.
O pior é que não existe propriamente á venda uma edição deste filme que se possa dizer que seja melhor. Todas as versões existentes têm problemas e talvez por causa disso é cada vez mais dificil encontrarmos este filme em dvd.
No entanto, se acharem que vão gostar, recomendo a compra apesar de tudo.

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CLASSIFICAÇÃO:

Se conseguirem ultrapassar o facto do filme glorificar (e desculpar) pelo humor uma sub-cultura urbana absolutamente marada, daquelas que só mesmo no oriente é que poderia existir, então têm em [“Attack the Gas Station“] uma proposta que lhes irá agradar.
Apesar disso, se esquecermos os personagens e nos concentrarmos no conceito, o filme contém alguns bons momentos de diversão e pelo menos um ou dois gags absolutamente hilariantes perdidos no meio de muita banalidade supostamente humorística.
Além disso contém uma batalha final entre gangs de entregadores de pizzas que merece ser vista pois é o equivalente urbano do “BraveHeart”.
Concluindo, [“Attack the Gas Station“] não é um mau filme apesar de tudo, mas agora não é de forma alguma a obra prima da comédia que muitos querem fazer crer,
Trés tijelas de noodles embora se calhar talvez mereça menos. Leva mais meia tijela por causa da cena de pancadaria final.

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A favor: o conceito dos gangs de entregadores de pizza, alguns gags bem conseguidos, a batalha final, o estilo visual em alguns momentos.
Contra: os personagens principais irritam e são um vazio absoluto, há momentos de violência que são apenas estúpidos e não são nada humorísticos sem servir absolutamente para mais nada (nem sequer como humor negro), quando não há violência cartoonesca o filme arrasta-se, o dvd tem uma qualidade do piorio.

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer:
http://www.youtube.com/watch?v=hFgtINKmWiA

Opiniões adicionais:
http://www.kfccinema.com/reviews/comedy/attackgas/attackgas.html
http://www.koroshiya.co.uk/attackgasstation.htm
http://www.lovehkfilm.com/panasia/attack_the_gas_station.htm

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0262246/

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Filmes “semelhantes” de que poderá gostar:

The Happiness of the Katakuris

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