Jisatsu sâkuru (Suicide Club ou Suicide Circle) Shion Sono (2001) Japão


Interesso-me sempre por espreitar primeiras obras de novos realizadores. Especialmente dentro do cinema oriental claro está.
Então quando estamos na presença de uma primeira incursão no género de terror da autoria de um gajo que até á data apenas tinha realizado filmes porno-gay asiáticos, é caso mesmo para não perder um segundo de [“Suicide Club“] pois a coisa promete.
Sim, porno-gay. 🙂

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Passar da pornografia para o chamado cinema normal nunca é tarefa fácil, mas há que convir que este tipo tem qualquer coisa de interessante e de certa forma até conseguiu ser bem sucedido apesar deste filme ser absolutamente estranho. Ou será … estúpido ?…
Se procurarem pela net, encontrarão inclusivamente no Imdb, bastantes pessoas convencidas de que perceberam o filme. Não se deixem iludir por esses comentários pois essa gente deve andar a dar na coca.
Mas não deixa de ser curioso, parecer haver tanta gente a querer interpretar [“Suicide Club“] ás vezes com conotações absolutamente hilariantes á força de tentarem parecer inteligentes em demasia.

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Esqueçam. Este filme japonês não tem lógica e se calhar nem é para ter.
Podem arranjar as explicações que quiserem para o final, esmiuçar todas as implicações sociais, filosóficas e intelectualoides que não vale a pena. Este argumento não tem ponta por onde se lhe pegue. O que é estranho pois no que toca a uma narrativa coerente ao longo de toda a sua duração até transporta o espectador por pelo menos cinco histórias diferentes de uma forma bastante interessante pois não há dúvida que este realizador sabe criar tensão e ambiente.

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Ao contrário da história noutro filme que deixa muita gente confusa, o fabuloso “A Tale of  Two Sisters“, aqui em [“Suicide Club“] não há mesmo ponta por onde se lhe pegue por uma simples razão. As histórias paralelas que apresenta permanecem practicamente sempre isoladas. Podiam ser de filmes orientais independentes sem qualquer ligação ao suposto mistério central que não se notava nada.

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Por muito que não pareça em “A Tale of  Two Sisters” há mesmo uma história e na realidade é tão simples que parece bem mais complexa do que é,  mas que é fácilmente desmontada quando ordenamos as peças do puzzle pela cronologia temporal correcta e percebemos quais as relações entre os personagens (onde nem falta uma pista excelente no próprio poster do filme).

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Nada disso se passa em [“Suicide Club“]. No fundo resume-se a uma mistura de cinco boas histórias isoladas que poderiam qualquer uma delas dar excelentes filmes de terror mas que nunca são aproveitadas na sua plenitude pois o elemento condutor que supostamente as liga é tão obscuro e críptico que faz com que a história nem tenha uma resolução final satisfatória como merecia.
O problema de [“Suicide Club“] é que é nem sequer disfarça, mas sente-se plenamente que é um daqueles filmes a querer armar a inteligente.

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A sua atitude cinéfila ao estilo do eu sou tão confuso que só pessoas muito espertas é que me poderão interpretar e chegar realmente á minha essência profunda acaba por se tornar profundamente irritante quando chegamos ao final e nada do que é estruturado ao longo da narrativa tem realmente uma resolução objectiva.

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Esse sentimento quanto a mim está presente ao longo de todo o filme e acho que é definitivamente o seu grande ponto negativo.
É um daqueles trabalhos de cinema oriental que na verdade não precisava de estar a mostrar a sua inteligência a todo o instante e no entanto o constante toque artístico a meter pinta de cinema-de-autor á força acaba por se tornar na sua fraqueza.

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Tirando isto, no entanto na verdade não se pode dizer que [“Suicide Club“] seja um mau filme de terror porque não é.
Tirando os enervantes tiques a cinema-artístico, quando entra por momentos de tensão e verdadeiro mau gosto no que toca a banhos de sangue é um excelente espectáculo para quem gosta de muita hemoglobina no ecran e pensa que já viu tudo em matéria de conceitos horrorosos para nos encherem os ecrans com sangue.

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É que se gostam de sangue, não vão ficar decepcionados. [“Suicide Club“] tem momentos verdadeiramente arrepiantes, se calhar não pelo que mostra mas mais porque sabe criar uma tensão no espectador que depois aproveita muito bem na hora de nos despejar o sangue em cima.
[“Suicide Club“] além disso tem uma atmosfera doentia que só lhe fica bem. Está carregado de cenas de suícido colectivo genialmente tensas e ainda por cima tem uma certa carga de pedófilia subliminar que só o torna ainda mais enervante e enigmático daquela forma que só os japoneses conseguem fazer ou o cinema asiático consegue proporcionar.

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E também não custa muito a acreditar que o realizador tenha vindo da pornografia homossexual, o que só adensa ainda mais a atmosfera deste produto verdadeiramente único dentro do cinema de terror.
Por outro lado….se isto é um filme “normal” , eu nem consigo imaginar que fantasmas ou taras sexuais verdadeiramente pervesas poderão estar na filmografia pornográfica do tipo que filmou [“Suicide Club“]. Eu por mim dispenso qualquer filme porno deste senhor, seja gay ou étero. Prefiro nem imaginar.

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Sendo assim, o que dizer de [“Suicide Club“] ?
Eu recomendo. Se gostam de filmes de terror orientais este é um daqueles que deve ser visto pelo menos uma vez.
E se gostam de filmes em que adolescentes fofinhas saltam em grupo  para linhas de metro ficando desfeitas em milhares de bocadinhos sangrentos, então este filme é para vocês meus amigos.

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CLASSIFICAÇÃO:

Adolescentes fofinhas aos bocados, dedos cortados, cabeças decepadas, suicidios ao molhe, pedófilia subliminar e homossexualidade artística tudo condimentado com alguns baldes de sangue e muita pretenção a filme de arte.
O que poderia ser melhor ?

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Bom, o filme poderia ser menos pretencioso.
Por causa disso só leva duas tigelas e meia. É um filme de terror muito interessante  e recomendo-o mesmo a quem gosta do género pois tem tudo para agradar. No entanto poderia ter sido melhor se a sua história levasse a lado algum sem ser necessária uma interpretação quase filosófica ou sociológica da parte do espectador.

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A favor: tem um par de boas histórias pelo meio, o mistério é interessante, as cenas de suicídio são fantásticas e arrepiantes, excelentes momentos doentios cheios de tensão, muita gente aos bocados e baldes de sangue quanto baste.
Contra: arma-se demasiado em filme artístico e leva-se demasiado a sério, as histórias são demasiado independentes e nunca ligam como deveriam de ter ligado para nos apresentar o final que este filme oriental merecia ter tido, tem pretenção a mais e por isso não é tão divertido quanto deveria ter sido pois arrasta-se por momentos a tentar parecer uma obra mais inteligente do que precisava de ter sido.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=1Dx3_fwEbM4

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Comprar
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-aa-49-en-15-suicide+club-70-361k.html
Atenção que existe há venda uma versão censurada.

Caso queiram vê-lo antes de o comprar podem ir buscá-lo aqui ao AsianSpace.

Review adicional, para tentarem compreender o filme depois de o verem.
Tenta uma corajosa interpretação possível da coisa.
http://www.bocadoinferno.com/romepeige/artigos/suicide.html

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0312843/

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Taegukgi hwinalrimyeo (The Brotherhood of War/Irmãos de Guerra) Je-gyu Kang (2004) Coreia do Sul


Lamento o atraso na colocação de novas reviews, mas tenho andado muito ocupado a publicitar o meu trabalho de banda-desenhada (podem descarregar os PDFs GRÁTIS no meu website) e por isso apesar de ter visto inúmero cinema oriental nas ultimas semanas tem sido complicado arranjar tempo para escrever. Mas vamos a isto…

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Como eu tenho a mania de que não gosto particularmente de filmes de guerra, mantive este dvd na prateleira (literalmente) desde o último Natal pois apesar de o ter comprado na amazon.uk junto com mais um par de filmes orientais em promoção nunca tive muita vontade de o ver.
Agora que já o vi trés vezes em menos de cinco semanas, se calhar gostei mesmo muito mais disto do que alguma vez pensei que iria admitir.

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Antes de mais, se calhar é melhor dizer logo que este filme tem uma boa edição em dvd portuguesa e de certeza que ainda o encontram á venda nos cestos de promoções dos hipermercados e wortens, pois há alguns meses pelo menos aqui pelo Algarve eram aos quilos a menos de €5 na altura. E eu burro, nem assim comprei o filme, pois como já disse, parece que tenho a mania de que não gosto de filmes de guerra e não me apeteceu comprar o dvd.
Não sejam burros como eu e se encontrarem a edição portuga disto á venda sugiro que se joguem a ela pois ao contrário da edição inglesa que eu tenho, a portuguesa até trás extras e tudo. O que é de estranhar pois normalmente as edições portuguesas de cinema oriental são do piorio.

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Rezam as crónicas que este filme foi criado pela mesma equipa técnica que produziu o impressionante “Assembly” e deixem-me dizer-vos que se nota !
Aliás, eu que fiquei absolutamente surpreendido com a escala épica das cenas de guerra desse filme posterior, devo dizer que se calhar ainda prefiro as sequências de batalha neste [“The Brotherhood of War“] pois têm uma atmosfera diferente, bem mais dramática, sangrenta e estão cheias de momentos politicamente incorrectos que  não são habituais num filme de guerra made-in-hollywood.

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Enquanto em “Assembly” a guerra era representada de uma forma épica com centenas de soldados aos tiros em [“The Brotherhood of War“] a violência é mostrada quase isoladamente num estilo caso a caso, criando um suspanse e uma angústia permanente no espectador pela quantidade de sequências com muito sangue, lutas corpo a corpo, tripas e baionetas quanto baste. Neste aspecto, o filme cumpre totalmente enquanto cinema de guerra e vão poder ver nele muita coisa que nunca viram mostrada desta forma.

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Isto não quer dizer que não tenha também os seus momentos épicos com imagens fabulosas. [“The Brotherhood of War“] está cheio de sequências com milhares de soldados em cenas de guerra grandiosas que irão agradar até ao mais devoto fã do Soldado Ryan.
Todo o filme tem um sentido épico único, até mesmo nas cenas em que não existe guerra no ecrã, isto porque cheira a super-produção por todo o lado e em cada frame que vemos temos sempre uma orquestração de personagens e ambientes em grande escala que não desapontará quem gosta de histórias maiores do que a vida.

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Mas a grande mais valia de [“The Brotherhood of War“], está no facto de apesar de ser um filme oriental visualmente esplendoroso, nunca se esquece dos seus personagens.
Como sabem, quanto a mim um dos grandes trunfos do cinema oriental face ás modernas produções americanas está no facto dos orientais conseguirem sempre dotar de humanidade até o mais simples personagem e também aqui não é excepção, pois as sequências podem ser espectaculares mas muito dessa espectacularidade vem do facto de haver um grande suspanse perante o destino dos personagens, isto porque o espectador fica realmente a gostar daquelas pessoas.

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Outro grande ponto positivo é que em [“The Brotherhood of War“], não existem maus nem bons.
Aliás, duvido que este filme alguma vez pudesse ter sido produzido na América onde as audiências-teste ditam os resultados do que se vê no ecran.
Se [“The Brotherhood of War“] tivesse sido alvo de um desses testes, aposto convosco que mais de metade das audiências americanas a meio do filme já nem haveriam de perceber quem era o heroi.
E pior ainda, haveria de haver pessoas que ficariam muito baralhadas pois nesta história nada é o que parece e muitos dos twists de argumento em [“The Brotherhood of War“] seriam suficientes para fazer com que muita gente não gostasse do filme porque os herois “são maus”. Resumindo nesta história não há herois de guerra á americana e logo irão perceber o que quero dizer quando acompanharem esta história fabulosa.

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Estamos perante um grande filme de guerra, com guerra, mas também sobre a guerra e sobre o que esta pode fazer a pessoas simples quando são confrontadas com uma realidade da qual não podem escapar.
Custa-me estar aqui a escrever sem lhes revelar logo grande parte da história, por isso se calhar é melhor estar calado e não dizer muito mais. Apenas lhes posso garantir que [“The Brotherhood of War“] é tudo menos uma narrativa com uma estrutura previsível e é esse o seu grande trunfo.
Até mesmo quando parece que vai tomar o partido da Coreia do Sul e vilanizar a Coreia do Norte, o argumento volta a surpreender com um par de twists que os vão deixar agarrados á cadeira e a questionar tudo e mais alguma coisa a partir desse momento até ao final.

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Já agora uma nota muito positiva para a parte romântica da história.
Nunca paro de me surpreender como o cinema oriental consegue criar histórias de amor grandiosas recorrendo na sua maioria das vezes a pormenores minimalistas que quase nem se notam ou parecem ser particularmente importantes.
Em [“The Brotherhood of War“] a parte dedicada ao romance dos protagonistas nem deve ocupar ao todo dez minutos de ecran num filme que tem mais de duas horas e meia, no entanto se gostam habitualmente de cinema oriental romantico, sugiro que espreitem também este filme, mesmo até que nem gostem de cinema de guerra pois não se irão arrepender.
Há mais humanidade em 10 minutos de sequências emocionais envolvendo o pequeno romance dos personagens nesta história do que em muitas supostas histórias de amor saídas do mercado americano ultimamente e portanto posso garantir-vos que se procuram um bom filme de guerra com uma pitada (tão pequena que nem se nota) de romance quanto baste [“The Brotherhood of War“] é o vosso filme. Preparem os lenços de papel.

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Não posso deixar de falar também na fantástica banda-sonora deste filme asiático feito na coreia do sul. Na verdade não há muito para dizer, apenas que a música é perfeita para enquadrar todo o ambiente e faz um trabalho excelente na criação de emotividade em muitas sequências. Como tal se gostam de grandes partituras orquestrais épicas com um sabor melodioso intermédio vão adorar também a música que ilustra esta história.

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CLASSIFICAÇÃO:

Uma verdadeira surpresa e um dos melhores filmes com guerra que alguma vez vi. Provavelmente um dos melhores filmes de guerra de todos os tempos dentro do cinema comercial. Como blockbuster poderá ser uma obra prima do cinema oriental pela sua qualidade de entretenimento que não fica nada atrás do que melhor se produz na América.
Joga perfeitamente com um sentido épico de espectáculo que nos diverte, horroriza e ao mesmo tempo nos emociona ao longo das suas duas horas e meia que passam num instante sem darmos por isso.
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award porque este é um daqueles filmes que merece ser revisto.

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A favor: é assim que se faz um filme de guerra, mais uma vez o humanismo da caracterização dos personagens, o excelente trabalho de todos os actores com destaque para os protagonistas inclusivamente o actor mais velho, as constantes reviravoltas da história, a total variedade das sequências de acção que nunca se repetem ao longo de todo o filme, os fabulosos efeitos especiais a todos os níveis, ultra-violento e cheio de sangue e balas quanto baste, completamente politicamente incorrecto nos dias que correm no que toca á caracterização de “maus” e “bons”, contém uma minuscula mas inesquécivel história de amor que culmina num dos pontos altos de maior suspanse em todo o filme e os fará roer as almofadas, a banda sonora é excelente, fotografia idem, tem um ritmo narrativo perfeito que nunca se perde num emaranhado de sequências de guerra e onde há sempre espaço para os personagens respirarem, há já algum tempo que não via um filme Sul Coreano com uma cena de despedida numa estação de comboios e já estava a sentir falta disto. Ninguém filma cenas de despedida com comboios como os Sul Coreanos !
Contra: não escapa aquele estilo épico comercial a que inclusivamente estamos habituados no cinema americano no entanto neste caso isto nem sequer é algo particularmente negativo…apenas não me lembro de mais nada verdadeiramente detestável para referir. O estilo “fofinho” habitual nas histórias de amor orientais pode enervar quem não pode com isso apesar desta até ser apenas uma breve sequência.

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TRAILER

http://www.youtube.com/watch?v=DCnyJZafn-w&feature=related


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Comprar
A edição de 1 disco que eu comprei foi esta. Aproveitem porque está a menos de 4 libras. 😉
Brotherhood [DVD] [2004]

Sem extras mas com uma qualidade fantástica a nível de som e imagem.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0386064/

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Kansen (Infection – Infecção) Masayuki Ochiai (2004) Japão


Parece que estou a escrever reviews de cinema oriental aos pares mas o facto de ir agora recomendar outro filme de terror é apenas pura coincidência simplesmente porque me lembrei que ainda não tinha falado deste filme e [“Infecção“] é um daqueles filmes asiáticos que têm um lugar curioso na minha colecção.

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Não é propriamente um grande filme, não é definitivamente o melhor filme de terror do mundo nem sequer será o mais assustador, mas é uma pequena obra que tenho sempre vontade de rever quando me apetece ver “cinema-pipoca” ao estilo oriental dentro do género.
Além disso mete Hospitais e seringas portanto só poderia ser um filme totalmente recomendável para todos aqueles que tal como eu têm pavor de médicos e odeiam cheiro a consultório.

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Sendo assim, se não gostam de ambientes hospitalares, não têm qualquer vocação para medicina e muito menos conseguem compreender como raio é que alguém vai para médico, têm aqui em [“Infecção“] um filme simpático para passarem uns 90 minutos muito divertidos no mais arrepiante dos sentidos.

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Basicamente, a história não interessa para nada, fiquem apenas a saber que algures num hospital anda á solta uma espécie de infecção absolutamente nojenta que transforma o pessoal do corpo clínico em mortos-vivos e os faz ter uma boa apetência por se espetarem com seringas por dá cá aquela palha.
Se gostam de cenas com baba nojenta a pingar por cima de inocentes vítimas, cadáveres em decomposição de aspecto vomitável e sequências de assombração clássica  também não vão mais longe pois este filme é para vocês.

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Volto a dizer, [“Infecção“] não é propriamente um grande filme de terror. Poderão notar que não lhe dou uma grande classificação, mas não deixem que o meu aparente fraco entusiasmo na sua atribuição os afaste deste bom produto sobrenatural. Até porque este está editado em Portugal e tudo e poderão encontrá-lo certamente algures num daqueles cestos de promoções num centro comercial perto de vós.

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[“Infecção“] não é brilhante, mas tudo o que faz, faz bem. Nota-se que é mesmo um produto de baixo orçamento dentro do cinema de terror oriental mas é notório que houve um grande esforço por parte dos seus criadores para tirar partido de tudo o que pudessem usar para nos impressionar e assustar.

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Uma das melhores coisas que este filme tem é precisamente o facto de não só nos conseguir impressionar com cenas nojentas e arrepiantes (seringas, seringas), mas também contém uma atmosfera clássica de filme de fantasmas e em certos momentos acerta em cheio na forma como trabalha a atmosfera sobrenatural sem precisar de efeitos especiais ou de nos mostrar mais cenas repugnantes.

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Inclusivamente, as cenas que nos causam mais calafrios não serão aquelas cheias de gore repugnante (uma pessoa habitua-se) mas sim as sequências mais tradicionais em que o filme entra pelo género de cinema-de-casa-asssombrada e nos arrepia com um par de cenas bem colocadas no argumento que funcionam perfeitamente para nos provocar aquele efeito de frio na espinha que normalmente não existe neste tipo de cinema de terror essencialmente gore.

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Este é um daqueles raros filmes que é simplesmente bom.
Não será muito bom, mas também é muito melhor do que um produto que fosse apenas interessante.
[“Infecção“] é um bom filme de terror. Nem mais nem menos e recomenda-se para toda a gente que gosta deste género de filmes. Especialmente se gostar do estilo sobrenatural do cinema asiático.

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A realização é boa, o argumento tem suficientes reviravoltas para nos manter interessados ao longo de quase 90 minutos de puro divertimento para quem gosta de coisas deste género.
Se falha em alguma coisa, será provavelmente nunca conseguir ir mais longe com o material que tenta apresentar.
Ou seja, por muito nojento que o filme tente ser nota-se alguma repetição no tipo de sequências que mostra e isso certamente será devido ao seu baixo orçamento, depois por causa do gore também fica a meio caminho como filme de fantasmas mas nunca será propriamente um filme de zombies.
Poderá ser visto como uma espécie de Evil Dead com uma pitada de Silent Hill ao estilo oriental passado num hospital embora nunca seja tão violento como o filme de Sam Raimi.
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CLASSIFICAÇÃO:

Um daqueles raros filmes que é simplesmente bom e divertido. Nem mais nem menos.
Se gostarem de cinema de terror vão divertir-se com [“Infecção“]. Se gostam de cenas nojentas ou de histórias com fantasmas mais clássicos tem neste filme uma pequena colecção de bons momentos dos dois géneros de cinema sobrenatural.

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Apesar de ser cinema de terror japonês, não se cola ao habitual estilo de Ringu ou Ju-On e tenta dar-nos um bocadinho de tudo sendo talvez essa a sua única grande fraqueza pois fica a meio caminho entre todos os géneros que tenta apresentar no ecran em menos de noventa minutos.
Trés tigelas de noodles na boa e não deixem que esta aparente crítica mediana os afaste desta pequena obra que essencialmente pretende divertir, especialemente se gostarem do género na sua vertente oriental.
Muito fixe o filminho. Está de boa saúde e recomenda-se.

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A favor: tenta aproveitar ao máximo o baixo orçamento e o elenco limitado de que dispõe, tem seringas, tem cenas nojentas divertidas, tem seringas, além das cenas repugnantes tem um par de momentos com fantasmas mais clássicos que funcionam perfeitamente, tem seringas, tenta ter um argumento com algum dinamismo e criatividade, tem seringas, não se cola a um género específico, não brilha mas cumpre perfeitamente o seu propósito e diverte-nos tanto quanto nos consegue arrepiar. Já lhes disse que o filme tem cenas com seringas ?
Contra: apesar de atmosférico fica a meio caminho entre vários géneros, repete-se um bocadinho nas cenas nojentas, o argumento tenta ser muito dinâmico e variado mas acaba por se embrulhar um bocado na reviravolta final.

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NOTAS ADICIONAIS:

TRAILER
http://www.youtube.com/watch?v=eGWuqC-t9xQ

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COMPRAR
Se tiverem sorte, aqui em Portugal poderão encontrá-lo no cesto de promoções de um qualquer hipermercado a menos de 10€.
Caso queiram comprar a edição chinesa encontram-na como habitualmente na Play-Asia a um preço decente também.
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7m-49-en-15-infection-70-24go.html

E está a um preço estupidamente baixo na Amazon através do mercado dos Sellers.

IMDB

http://www.imdb.com/title/tt0418778/

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Ju-On 1 & 2 (Ju-On 1 & 2) Takashi Shimizu (2000 e 2003) Japão


Esta review vai em formato de dois em um, porque na verdade falar do primeiro [“Ju-On“] e não falar logo do segundo seria desperdiçar espaço e repetir a temática num texto futuro.

Até porque o segundo filme começa exactamente onde o primeiro acaba e continua a mesma história.
E já que falo no argumento nem me vou dar ao trabalho de o resumir, pois no caso de [“Ju-On“] como diria Teresa Guilherme, isso agora não interessa nada.
E não interessa porquê ? Porque simplesmente o ténuo fio de história não passa apenas de uma justificação para uma colagem de sucessivos segmentos extremamente arrepiantes e assustadores que percorrem os dois filmes e onde o realizador desenvolve as mais variadas e inesperadas ideias sempre com o propósito de nos dar cabo dos nervos e apresentar-nos motivos suficientes para nunca mais dormirmos debaixo de cobertores, tomar banho de chuveiro ou andar de elevador.

Neste aspecto, [“Ju-On“] na minha opinião não podia ser melhor e mais eficaz, pois acho que deve ser um dos melhores filmes de terror que anda por aí, se valorizarmos o género pela criação de atmosfera.
[“Ju-On“], não precisa de história para nada, não é isso que interessa. Ninguém vai ver este filme para ver um drama com desenvolvimento de personagens. Vemos isto para nos assustarmos e nesse aspecto, pelo menos para mim este filme é uma das grandes obras primas do cinema de terror contemporaneo, porque mesmo que o veja dezenas de vezes continua a meter medo.

Isto porque não é um filme que dependa da história ou até mesmo das surpresas para assustar. [“Ju-On“], é essencialmente uma obra que assusta pelo ambiente que cria e este não está dependente de nenhum argumento, ou sequer de pregar sustos “inesperados” com som ALTO á moda dos filmes de pseudo-terror para teenagers americanos.
Não quer dizer que não recorra também a um par de momentos que nos fazem saltar da cadeira, mas curiosamente os mais eficazes são aqueles baseados no extremo silêncio de algumas sequências e não na súbita imagem nojenta que pudesse aparecer.
[“Ju-On“], é terror de puro ambiente e ambos os filmes seguem essa linha muito, muito bem.

Curiosamente o remake “americano” foi filmado pelo mesmo realizador dos originais, o que dotou as versões americanas de muito mais identidade do que é costume, embora quem já tenha visto estes originais não vai já achar grande novidade ou impacto nos remakes produzidos por Hollywood e como tal são na mesma completamente dispensáveis pois pouco mais fazem do que reproduzir o que já foi feito mas com caras conhecidas americanas. Aliás, não se percebe mesmo para que raio é que se deram ao trabalho de refazer um filme que já era perfeito, até porque o remake é practicamente idéntico em tudo embora um bocadinho mais plástico, pois apesar de manter a sua identidade sente-se sempre a influência do estilo americano por detrás, nomeadamente no facto de ter muitos mais sustos de som ALTO do que precisava ter.
Takashi Shimizu, o realizador practicamente construiu uma carreira a refazer sempre o mesmo filme [“Ju-On“]. Além dos filmes originais e dos remakes americanos, realizou também outros remakes para a televisão japonesa e parece condenado a não produzir mais nada de original enquanto isso.

No entanto, não há dúvida que [“Ju-On“] no seu original japonês, é realmente um grande filme de terror. Pode não ser para toda a gente, mas para mim é um daqueles mesmo perfeitos para ser visto noite dentro, sózinho, de luzes apagadas e a chover lá fora.
Além disso, quem gosta de filmes de terror com criancinhas absolutamente creepy tem aqui algo que o manterá congelado no sofá ao ponto de nem sequer notar que o filme tem para lá uma história qualquer que nem interessa nada.
E a quem sofra do coração, se calhar é melhor não ver [“Ju-On“] com o telemovel ligado ao lado.

Na sua simplicidade e apesar de recorrer a todos os truques do cinema de terror oriental moderno inaugurados pelo já clássico “Ringu”, é um filme que faz tudo bem para nos arrepiar e como tal na minha opinião é um pequeno produto low-budget sem falhas que mereçam ser apontadas.
Podem ver o primeiro [“Ju-On“] sem precisar de ver o segundo e até podem ver o segundo [“Ju-On 2“] sem ver o primeiro, mas se virem os dois juntos estes formam um excelente filme de terror com uma duração de aproximadamente 3 horas onde não se passa mais nada a não ser momentos de puro medo e também algumas cenas nojentas no segundo filme que não serão própriamente aconselhadas a mulheres grávidas…

Não esperem uma estrutura ao estilo americano. Este não é um filme de suspanse com base nos habituais clichés de hollywood e se calhar até pode ser um filme parado para muito boa gente, pois aqui o horror é totalmente construído com base em silêncio e não em violência e pirotécnia á americana.

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CLASSIFICAÇÃO:
Dois excelentes filmes de terror que podem ser vistos isoladamente mas perfeitos para serem vistos de seguida.
A prova de que ás vezes a simplicidade compensa e vale mais um ambiente perturbante do que mil efeitos especiais.
Não há muito mais a dizer.
Os dois filmes são assustadores como o “#$%% e por isso levam cinco tigelas de noodles sem qualquer sombra de dúvida, embora o primeiro [“Ju-On“] seja melhor e mais assustador que o segundo. Embora não sejam muito diferentes e a única razão porque isso acontece é porque no segundo já vamos á espera daquilo com que podemos contar e a surpresa não será tanta.

A favor: o clima de medo, a tensão, os silêncios angústiantes, apesar de básica a história serve perfeitamente o filme e as situações estão muito bem ligadas numa estrutura de puzzle, tem uma criancinha fantasma absolutamente arrepiante, tem muito poucos efeitos especiais e tudo é construído com base na atmosfera.
Contra: não se afasta dos clichés habituais do cinema de terror oriental.

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=e8R1dODSbzU

Comprar
Existem óptimas edições nacionais, que poderão encontrar ainda em toda a parte. Inclusive nos cestos de promoções em hipermercados ou nas FNAC espalhadas pelo país.
Em alternativa podem encontrar o primeiro filme e o segundo filme em DVD a um preço fantástico na Amazon Uk por isso é de aproveitar.

IMDB
Ju-On –  http://www.imdb.com/title/tt0330500/
Ju-On 2 – http://www.imdb.com/title/tt0367913/

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Filmes semelhantes de que poderá gostar:

A Tale of Two Sisters

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Gwoemul (The Host) Joon-ho Bong (2006) Coreia do Sul


Já que da última vez recomendei de seguida trés histórias de amor orientais, agora para equilibrar as coisas vamos lá falar sobre um excelente filme com montes de pessoas muito bem mastigadas e também engolidas vivas.
Bem-vindos a [“The Host“].

Este filme tem sido comparado a “Jaws“, o clássico “Tubarão” de Steven Spielberg e embora na minha opinião não esteja de forma alguma ao mesmo nível é num entanto um excelente filme de monstros. Provavelmente mesmo o melhor filme de monstros desde o primeiro “Tubarão” e muito acima de qualquer outra coisa que tenha surgido vinda de Hollywood dentro do estilo Godzilla.
Já agora será melhor avisa-los desde já que também [“The Host“] vai ter em breve um remake made-in-usa por isso têm mais um motivo para se despacharem a ver este original o quanto antes.
Até porque [“The Host“] não é de forma nenhuma mais um “Godzilla” ao estilo Rolland Emerich e sim um filme bem mais original do que aparenta ser no trailer.

Para começar, se calhar é melhor avisar logo que o trailer pode enganar muita gente. [“The Host“], não é de forma alguma o filme oriental de acção frenética ao estilo blockbuster americano para mastigarmos pipocas que aparenta ser na apresentação.
Nem sequer o monstro é o centro da narrativa e logo isso vai ser suficiente para desiludir todos aqueles que esperam encontrar aqui algo semelhante a um puro filme de efeitos especiais á americana.
[“The Host“], não é um filme sobre um monstro que aterroriza uma cidade ou sobre um heroi que salva o mundo porque é o personagem principal do filme.  Este filme é essencialmente sobre uma familia como tantas outras e sobre a forma como esta se une para conseguir salvar um dos seus membros mais jovens das garras do monstro.
[“The Host“], deve ser o primeiro filme de monstros, cheio de efeitos especiais, que mantém uma característica muito intimista, pois acima de tudo é sobre os efeitos que uma tragédia pode ter numa família disfuncional e sobre aquilo que os seus membros fazem para se manterem unidos e com esperança quando o mundo á sua volta não lhes liga absolutamente nenhuma.

Um perigoso químico é negligentemente lançado ao rio que atravessa uma grande cidade da Coreia do Sul e provoca uma mutação numa das criaturas que lá habitam ao ponto desta crescer até um tamanho gigantesco e começar a alimentar-se dos habitantes locais.  De um dia para o outro estes dão por si a viver paredes meias junto a uma espécie de lula gigante com pernas e extremamente carnívora que ninguém consegue capturar por esta ser incrivelmente ágil e ninguém saber onde habita.
Mas como já disse, [“The Host“], não é sobre o monstro, pois este é apenas a razão para os personagens ganharem vida e como tal o filme conta a história de uma pequena família que tem um pequeno quiosque de comes & bebes junto ás margens do rio.
Essa familia é composta pelo avô, os seus trés filhos e uma neta adolescente filha de um deles. Neste caso, filha de um rapaz que tem uma clara limitação de inteligência e anda bem próximo do atraso mental.
Por causa dessa deficiência a sua esposa, mãe da adolescente um dia abandonou a familia e nunca mais ninguém soube nada dela.

Uma manhã, o monstro invade as margens do rio e rapta a miuda levando-a para o seu covil deixando não só a população da cidade em estado de sítio, como também a familia em desespero pois recusam-se a acreditar que a miuda tenha sido comida apesar de todas as autoridades o garantirem.
O resto do filme, é sobre a forma como toda a familia se une para procurar a miuda, sobre como o pai contorna a sua deficiência mental e se torna um heroi e como a sociedade se pode tornar num inimigo bem mais perigoso do que qualquer monstro quando uma pessoa tenta apenas fazer o que acha certo.
E se pensam que já viram tudo, só lhes posso dizer que pelo menos o final deste filme podem ter a certeza que não viram.
Aliás, aposto tudo o que quiserem em como a versão americana de [“The Host“], vai ter um final diferente.
E mais não conto.

Apesar deste filme oriental não ser propriamente um filme de aventuras com monstros ao estilo americano, isto não quer dizer que não tenha possivelmente algumas das melhores sequências com bichos que vocês viram até hoje.
Ao contrário do que é habitual na formula Hollywood, aqui a maior sequência de acção deste filme, está não no seu final cheio de pirotécnia digital, mas no início do filme.
[“The Host“], contém definitivamente a melhor sequência de pânico nas ruas dos ultimos anos dentro do cinema catástrofe. A longa cena de acção em que o monstro invade as ruas quando sai pela primeira vez do rio é simplesmente inesquecível para quem gosta de ver grandes massas humanas em pânico e a serem mastigadas, espezinhadas e comidas vivas a cada segundo.
E não pensem que isto é filmado ao estilo politicamente correcto de filmes de monstros para a familia, afinal isto ainda é um filme oriental ! Em [“The Host“], o que não falta é sangue e violência gráfica que leva este filme por caminhos a que não estamos habituados a ver e o dá um tom ainda mais realistico.
Afinal se isto fosse verdade e existisse mesmo um monstro assim a comer pessoas pelas ruas, certamente que sangue e tripas seria coisa que não iria faltar e nisto o filme está de parabéns, pois se tem que mostrar tripas e sangue, mostra mesmo.

A partir dessa longa sequência de acção inicial, o filme alterna entre o tom intímista com inúmeros momentos de comédia e drama ao melhor estilo coreano e o filme de suspanse típico dentro do género, até chegar depois á habitual sequência final que mesmo assim ainda contêm um par de coisas que ainda ninguém tinha visto e que os vão deixar tão enojados quanto divertidos.
[“The Host“], está polvilhado de pequenas cenas de acção, mas não é um filme-tipo do género. Não é um filme linear com um heroi central, mas sim um puzzle de personagens muito bem construidos e onde não existe o heroi típico a que estamos habituados a seguir nos filmes americanos. Todos os personagens são herois e todos têm o seu momento que contribui totalmente para o final único e original deste filme sem nunca perder a coerência.

[“The Host“], tem cenas emocionantes, cenas cómicas, cenas dramáticas, cenas nojentas com muita baba gelatinosa e efeitos digitais quanto baste obtendo com isso um resultado excelente.
O que não deixa de ser surpreendente porque o filme nem sequer tem um grande orçamento.
Perto das grandes produções americanas, [“The Host“], é um verdadeiro série-B sem dinheiro. De tal forma que até o filme teve muita poucas cenas em estúdio e foi quase todo filmado em localizações reais porque não havia dinheiro para grandes construções. Como resultado disto, até foram filmar para uma rede de esgotos real onde toda a produção teve de apanhar vacinas contra o tétano  e inclusive os actores filmavam metidos no meio dos dejectos com ratos mortos a lhes passarem por debaixo das pernas.
Está tudo no making off e vale a pena ser visto.

No entanto, olhando para o filme, ninguém diria que [“The Host“], não é a grande super-produção que aparenta ser. Os cenários são mágnificos (porque são reais), a fotografia não podia ser melhor dando um tom fantástico ás cenas passadas nos esgotos e os efeitos digitais são mesmo muito, muito bons contendo inclusivamente muitos pormenores originais.
Acima de tudo, é a prova de que o cinema comercial pode no entanto ser cinema a sério sem precisar de entrar pelos facilistimos plásticos que habitualmente vemos nos filmes-pipoca americanos.
[“The Host“], tem não só estilo, como ainda por cima tem alma. E segundo os actores que entraram nele, tem muito cheiro também.

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CLASSIFICAÇÃO:

Cinco tigelas de noodles completamente á vontade.
Se calhar estou a cometer uma injustiça não lhe atribuíndo também um Gold Award, mas a verdade é que acho que apesar de ser um filme excelente faltou-lhe ainda qualquer coisa que não sei bem explicar. A verdade é que apesar de me ter divertido, a parte dramática não me emocionou particularmente e por isso este nem sequer seja um daqueles filmes que me apetece sempre rever. Portanto se não é um daqueles que quando penso nele não me apetece reve-lo de imediato então não lhe atribuo um Gold Award.
Mas só por isso, porque de resto recomenda-se vivamente e é definitivamente indispensável para quem gosta de filmes com monstros e cenas de multidão em pânico no meio de muito sangue.
Por outro lado, também não vão á espera de um puro filme de terror, pois este é essencialmente um filme de monstros.

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A favor: as cenas de pânico iniciais são fantásticas, o monstro, os actores e os seus personagens, as situações em que se envolvem, o tom de comédia negra por vezes hilariante mesmo quando não deveriamos rir (a cena do funeral), as cenas de acção, o estilo visual do filme, a realização, a fotografia, é um blockbuster com alma, o final original e inesperado do filme.
Contra: não me ocorre nada, embora ache que lhe falta qualquer coisa que me faça ter vontade de estar sempre a revê-lo.
Quem espera o típico filme de acção á americana também pode sair desiludido, pois o estilo do filme é bem mais intimista do que aparenta no trailer.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer Coreano
http://www.youtube.com/watch?v=bNbZE8NX0nk
Trailer Internacional
http://www.youtube.com/watch?v=hJnq9sm4Zxk&feature=related

Comprar
Eu tenho esta excelente edição Uk, em dois discos com excelente qualidade de imagem, som a condizer e muitos extras sobre todo o making of do filme. Aproveitem os descontos da Amazon para o cinema asiático. 😉

Se quiserem podem optar pela edição de 1 disco em DVD ou em vez disso comprarem o Blu-Ray, tudo bem baratinho.

No entanto este parece ser um daqueles raros filmes orientais que por acaso até tem uma excelente edição portuguesa, que aliás, parece ser idêntica á edição inglesa que eu tenho.
Podem encontrá-la aqui.
http://www.precos.com.pt/filmes-dvd-c3452/the-host-a-criatura-p22313582.html

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0468492/