In-lyu-myeol-mang-bo-go-seo (Doomsday Book) Pil-Sung Yim – Kim Jee-Woon (2012) Coreia do Sul


Aviso, este texto poderá conter pequenos *spoilers*. Se ainda não viram o filme se calhar torna-se bem mais fascinante se o virem primeiro sem saber absolutamente nada sobre o que irão ver e como tal não sei se recomendo que leiam já o que vou escrever a seguir. Não revelo nada de mais, mas se calhar este é um daqueles filmes que é para mergulhar nele sem fazer a miníma ideia do que irão encontrar. Por isso estão por vossa conta. 😉

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Comecei a ver [“Doomsday Book”] da melhor forma. Sem saber nada sobre ele. Pela capa parecia-me algo de ficção científica e portanto não podia deixar de o espreitar.
Comecei a ver [“Doomsday Book”] e ainda nem tinham passado cinco minutos e já eu estava a pensar criar uma nova secção neste blog apenas para WTF filmes. Ou seja, ainda o primeiro episódio presente neste filme ia a meio e eu só pensava, what the fuck ?!! Mais uma vez o cinema da coreia do sul surpreende e quando eu pensava que já tinha visto tudo, dei por mim a não conseguir adivinhar o que iria aparecer a seguir, o que é sempre bom sinal num mundo cheio de histórias mil vezes repetidas. Especialmente quando a primeira história envolve os habituais zombies tresloucados.

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Por outro lado, WTF ?!! É bom sermos originais, mas quando vocês virem o primeiro episódio disto vão perceber, porque razão agora não tenho palavras para o descrever.
[“Doomsday Book”] é aquele tipo de filme que eu normalmente odeio. Ou seja, em pouco mais de 100 minutos temos direito a trés curtas metragens independentes realizadas por várias pessoas (uma delas do mesmo realizador de “The Host“, as outras do realizador de “Hansel & Gretel“) o que é algo que me costuma logo afastar deste tipo de produtos.

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Neste caso, temos três histórias muito diferentes e tenho que dizer que me surpreenderam pela positiva. O cinema oriental não costuma levar muito a sério as suas histórias de ficção-científica e aqui também não é excepção. Na verdade, mais ou menos. Em três histórias que poderiam perfeitamente pertencer a uma boa antologia de contos do género temos direito a duas histórias completamente alucinadas e uma totalmente sci-fi num tom sério bem mais próximo de um bom conto de Philip K.Dick do que própriamente dentro do que se costuma ver pelo cinema oriental.
Temáticamente o  segundo conto está até perto do excelente “Natural City” que para mim é uma espécie de Blade Runner 2 não oficial made in Coreia do Sul e portanto se o assunto da inteligência artificial é algo que gostam de ver abordado no cinema não ficarão desapontados.

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Isto poderia ter desequilibrado [“Doomsday Book”] enquanto filme, mas a verdade é que há aqui algo que funciona bastante bem.
Agora preparem-se para algumas surpresas.
A primeira história é completamente indiscritível. Vocês já viram muitas histórias apocalípticas com zombies mas se calhar nunca viram uma como esta.
O primeiro conto, é ao mesmo tempo hilariante, absolutamente nojento e perturbante. Ah, e é romântico também.

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Eu disse romântico ? Bem, se vocês procuram uma história e amor entre dois zombies esta poderá ser a lovestory que queriam ver. Ou talvez não. Como disse isto é dificil de explicar sem lhes estragar o prazer da descoberta. Se calhar digo-lhes só que se vocês não gostam de carne têm no primeiro episódio a razão para tornar tornar toda a gente vegetariana neste planeta.
A primeira história é essencialmente o típico filme catástrofe sobre um virus que contamina o mundo inteiro e transforma a população em mortos vivos. Mortos vivos que nem por isso abdicam do seu telemóvel, o que dá logo um tom de sátira ao consumismo a esta pequena história inicial, tão intensa quanto repugnante, numa mistura entre amor, podridão, consumismo e comédia tresloucada ao melhor estilo Sul Coreano. Nisto tudo ainda consegue criar uma mini-história de amor ao melhor estilo caótico habitual por aquelas paragens. E mais não digo.

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A segunda história é o coração do filme. Se procuram apenas um pequeno grande filme de FC sem partes parvas ou personagens cartoonescos, podem saltar o primeiro filme de [“Doomsday Book”] e passar logo ao segundo “episódio” que é tudo o que vocês gostariam de ver se procuram uma daquelas histórias de ficção-cientifica dentro da tradição mais tecnológica e hardcore dentro do género. Como disse antes, esta história podia ter sido escrita por Philip K.Dick nos anos 70 ou até mesmo por Arthur C.Clarke pois é bem o género do que eles produziam. Se gostam do trabalho de algum desses escritores vão adorar o segundo conto.

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Esta segunda parte conta a história de um técnico de robots que num futuro próximo onde os robots fazem parte do nosso dia-a-dia, é chamado a um mosteiro budista para confirmar se o robot do templo é ou não a reencarnação de Buda.
A partir daí a história desenrola-se num tom algo gélido e quase clínico que na minha opinião era desnecessário, mas por outro lado lhe dá uma certa atmosfera cyberpunk Kubrikiana a fazer lembrar o ambiente frio dos diálogos com Hal em 2001 Odisseia no Espaço.

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O trailer de [“Doomsday Book”] engana muito bem o espectador. Faz-nos crer que o filme será bem mais ligeiro e divertido do que na realidade qualquer um dos episódios é. O primeiro episódio é algo nojento e doentio, este segundo chega a ser deprimente pela atmosfera fria de toda a história e o terceiro e último episódio parece uma espécie de comédia sem graça.

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De qualquer forma, este segundo conto sobre o robot que pode ser Buda reencarnado é uma história excelente e um daqueles conceitos que já fazia falta ao cinema de ficção-científica que hoje se resume mais a efeitos especiais do que a nos maravilhar com ideias. Neste segundo episódio o fascínio não vem do excelente personagem do robot e dos efeitos especiais mas sim do intenso conteúdo filosófico que envolve toda a discussão sobre o direito de uma máquina a ter um sentimento religioso.

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Em nenhum momento este episódio se torna chato, mesmo apesar do conteúdo filósófico ser bem denso por vezes, embora talvez o personagem do dono da corporação cibernética esteja um bocado á parte no tom geral da história pois achei o seu discurso algo forçado como se o argumentista tentasse criar um manifesto qualquer sobre inteligência artificial e tivesse despejado tudo o que pensa nos discursos exacerbados deste personagem.
De qualquer forma este segundo conto em [“Doomsday Book”] é fantástico. Grande ideia, muito bem executada, excelente atmosfera e com um final bem simples que pode deixar no ar muitos temas para o espectador continuar a discutir muito para além do filme ter acabado.

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Mas o filme não acaba sem passarmos primeiro pela terceira história.
Nela, o mundo também vai acabar porque uma criancinha no seu computador encomenda num site “alienígena(?)” uma bola de snooker numero 8 e esta vem dos confins do universo em entrega especial e em tamanho gigante chocar com a Terra na morada assinalada…

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Eu repito…
O mundo também vai acabar porque uma criancinha no seu computador encomenda num site “alienígena(?)” uma bola de snooker numero 8 e esta vem dos confins do universo numa entrega especial para em tamanho gigante chocar com a Terra na morada assinalada…

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Se eu tinha ficado baralhado com a primeira história mais baralhado fiquei com esta última. Ao ler algumas reviews do filme pela net, consta que isto é suposto ser uma comédia mas sinceramente não lhe achei particularmente graça…a não ser pelo visual com que os personagens ficam depois de passarem 10 anos a viver num bunker debaixo de terra após o apocalipse acontecer…por causa da bola de snooker…
O que dizer disto ? A verdade é que é divertido e bem original.
Este episódio tem uma estrutura muito alucinada mas onde entre falsas emissões e falsos debates televisivos sobre o fim do mundo nunca sobra muito tempo para desenvolver os personagens no tempo que resta e por isso talvez a sua única fraqueza não é a falta de graça (se é que isto era suposto ser para rir), mas sim o fraco desenvolvimento dos personagens, pois a história chega ao seu (ainda mais estranho) final e como espectadores nunca estivemos particularmente cativados por aquelas pessoas.

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Por outro lado, a ideia para a história é muito original e satírica e tudo funciona bem dentro da trilogia de histórias completamente diferentes que compõem [“Doomsday Book”].

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CLASSIFICAÇÃO

Mais um excelente exemplo de como podem ser originais os filmes orientais que nunca chegam aos cinemas desta parte do mundo.
O trailer deste engana, não é o filme em tom ligeiro que parece ser mas são sim trés histórias separadas com uma atmosfera algo doentia (muitos momentos repugnantes no primeiro conto) e até clinica e deprimente em muitas alturas e que o trailer não reproduz de todo por isso estão avisados.
Sci-fi fria e crua mas com muitos momentos de ironia á mistura como só poderia ser feito num cinema daquela parte do mundo.
Mais uma vez a coreia do sul mostra como ainda se pode fazer cinema de ficção-científica bem original e irá agradar a quem procura algo do género longe das formulas comic book infantis que estamos habituados a ver saídos de Hollywood.
Quem gosta de FC deve espreitar isto sem sombra de dúvida. Especialmente quem gosta de LER ficção-científica pois contém trés dos melhores contos do género que vi em muito tempo apesar de algumas fragilidades.
Trés tigelas e meia de noodles porque é bastante bom mas podia ter sido muito melhor se o segundo episódio sobre o robot Buda tivesse sido desenvolvido no filme inteiro. Não foi e é pena.

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A favor: Trés histórias de ficção científica originais que poderiam ser contos de uma boa antologia em livro, apesar de ser caótico por vezes [“Doomsday Book”] é sempre cativante pois nunca sabemos bem o que pode acontecer a seguir, o primeiro episódio é completamente alucinado e até repugnante mas contém personagens de que ficamos a gostar logo em pouco tempo, o segundo conto é o melhor do filme e é uma daquelas histórias de ficção-científica que vale mesmo a pena ver (quem estiver ligado ao Budismo irá adorar certamente), o personagem do robot está fantástico apesar de bem simples, o terceiro conto fecha bem a trilogia de histórias bem originais e apesar de não ser particularmente divertido é no entanto fascinante na mesma por ser imprevisível.

Contra: A segunda história deveria ter sido o filme todo e não durar apenas pouco menos de cinquenta minutos, [“Doomsday Book”] pode ser demasiado caótico e até impróprio para estômagos mais sensíveis por toda a atmosfera repulsiva que envolve o primeiro conto, o terceiro conto pode ser demasiado estranho e não funciona como comédia como supostamente deveria ser.

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NOTAS ADICIONAIS:

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Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=9GGfa0EybCI

Comprar
Existe edição ocidental em blu-ray que poderão encontrar aqui.

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IMDB
http://www.imdb.com/title/tt2297164

Não vou colocar nenhum link para download pois estes nunca tardam em desaparecer e não pretendo deixar que o blog se inunde de broken links como já tenho muitos por aqui. De qualquer forma é só procurarem o filme em Torrents que o encontram facilmente.

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Filmes “semelhantes” de que poderá gostar:

capinha_natural_city capinha_host capinha_hansel-and-gretel capinha-the_flu capinha-happiness-of-the-katakuris

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Cinema_oriental_no_facebook

 

Kei hei hup (Metallic Attraction Kung Fu Cyborg) Jeffrey Lau (2009) China


Toda a gente a ir ver este filme já !
Toda a gente a ir ver este filme porque eu não quero ser o único a ficar com o cérebro ao contrário.

“Metallic Attraction Kung Fu Cyborg” ?
Metallic Attraction ?!!
A do Kung-Fu + Cyborg eu até comia, mas não fosse o proeminente Robot Gigante no cartaz do filme e ainda pensaria que Mettalic Attraction seria uma comédia qualquer sobre magnetos e fãs dos Iron Maiden ou quem sabe dos Metallica.
Afinal não é.
Não pensem no entanto, que isto é um filme de Kung Fu.
Confusos ?
Não estão, não porque ainda não viram o filme.

A propósito, também tenho sérias dúvidas se isto será um filme.
[“Metallic Attraction Kung Fu Cyborg“], é um produto muito estranho e completamente alucinado.
Eu não tenho nada contra o espírito deste género de obras, afinal ” A Chinese Tall Story ” ainda continua a ser um dos meus filmes orientais favoritos apesar do seu estilo completamente over the top.
Este filme não é mau por ser estranho ou alucinado, [“Metallic Attraction Kung Fu Cyborg“] perde em todas as frentes de uma forma absolutamente inacreditável porque nunca se consegue definir enquanto filme.
Nos primeiros cinco minutos eu já pensava que iria atribuir uma classificação fantástica a este produto, pois os momentos iniciais são mesmo divertidos e tudo apontava para que estivesse na presença de um daqueles filmes mesmo especiais. Até o genérico do filme é muito bom e cheio de humor.

No entanto, dez minutos depois já começava a pensar que algo esquisito se passava no ecran. Isto porque a partir de certa altura a história parece entrar por um registo de comédia bucólica e rural que estranhamente me fez lembrar daquele cinema francês ao estilo Louis de Funées.
Algo muito estranho para um filme que supostamente meteria Kung-Fu e Robots estilo Transformers.
E por falar em Transformers

Pessoalmente a série Hollywoodesca dos Transformers é um dos meus ódios de estimação e o Michael Bay não será propriamente o meu realizador favorito pois por mim poderia deixar de filmar amanhã que não se perdia nada. No entanto isto de ser ateu tem as suas desvantagens e  como tal é óbvio que Deus não ouve as minhas preces.
E é pena, porque também se poderia juntar o nome do realizador de [“Metallic Attraction Kung Fu Cyborg“] á lista de gente a reter longe de uma câmera a todo o custo. Só posso concluir que Deus não gosta de Cinema.

Descobri tarde demais que o realizador deste filme também esteve ligado a outro dos filmes orientais que mais detestei, Kung-Fu-Hustle. Se tivesse sabido disso nem teria gasto o meu tempo a tentar ver [“Metallic Attraction Kung Fu Cyborg“] pois não é de estranhar que o estilo dos filmes seja semelhante com a desvantagem de que agora nesta tentativa a coisa não resultou de todo. Possivelmente porque Jeff Lau não é Stephen Chow pois este último apesar de tudo ainda consegue criar alguma unidade no caos presente nos seus filmes. Eu não gosto, mas nunca atinge o vazio deste filme com robots sem robots.

Jeff Lau, falha redondamente onde Stephen Chow normalmente até consegue algum equilibrio e este [“Metallic Attraction Kung Fu Cyborg“] é um bom exemplo de que não basta ter uma quantidade de sequências completamente desvairadas para que um filme estilo cartoon tenha piada ou nos apeteça segui-lo até ao fim.

Trinta minutos depois do filme começar, o espectador começa a perguntar-se se não se terá enganado na capa ou se terá visto o trailer com o nome do filme errado, pois kung-fu nem vê-lo e robots estilo transformers é que parecem não ter qualquer motivo para fazer alguma aparição no argumento deste filme.
É que vocês não sabem, mas…
[“Metallic Attraction Kung Fu Cyborg“] é uma história de amor !! (?!!)

Esqueçam a porrada estilo Michael Bay em versão Hong Kong, olá filme estilo Julia Roberts versão chinesa.
Mas mete robots.
Perdão, cyborgs.
Ou melhor, mete uma espécie de “mecha”
Reconheceram a expressão “mecha” ? Lembra-lhes algo ?
Exacto “A.I. Artificial Inteligence”, o (quanto a mim fabuloso), filme de ficção-científica realizado por Steven Spielberg com Haley Joel Osment e Jude Law no papel de Gigolo Joe.
E por falar em Gigolo Joe, o que dizer da imagem abaixo…

Lembra-lhes alguém ? 🙂
[“Metallic Attraction Kung Fu Cyborg“] é um filme oriental muito estranho. Já lhes disse isto ?
Mete um clone chinês grunho do Gigalo Joe que por acaso também é um robot com a mania que tem graça e age como um verdadeiro pinga-amor pois inevitávelmente apaixona-se pela rapariga da história deste filme.
Um filme que apesar de querer á força ser uma história de amor daquelas realmente emotivas ao melhor estilo oriental, pelo meio entra pelo estilo cómico com uma escolha de estilo de humor absolutamente rasca, completamente popular e de riso fácil com gags semi-escatológicos, piadas infantis, directas e tudo o que possam imaginar ao pior estilo “Malucos do Riso“. E se vocês me estão a ler a partir de Portugal, sabem bem como isto é grave.

Especialmente para um filme que parece nunca andar para a frente porque insiste em tentar cativar-nos com uma história de amor absolutamente sem química nenhuma. Muito por culpa das partes “cómicas” do argumento e das palhaçadas dos personagens verdadeiramente cartoonescos mas sem qualquer identidade.
Acho que nunca tinha visto uma história de amor num filme oriental tão descaracterizada e tão sem alma.
[“Metallic Attraction Kung Fu Cyborg“] enquanto filme romântico (acreditam nisto ?), é tão vazio e desinteressante que faz com que coisas como Shinobi, Duelist ou Bichunmoo pareçam clássicos de histórias de amor !

Então mas e os Transformers do trailer do filme ? – Perguntam vocês…
Perguntam bem.
Kung-fu, neste filme deve haver uns cinco ou talvez dez minutos de algo semelhante. Isto em duas horas de história.
Robots gigantes ao murro, temos direito a duas sequências. Uma mais ou menos a meio do filme. Dura pouco mais cinco minutos e é do piorio pela sua simplicidade, lugares-comuns e falta de espectacularidade o que para um filme que assenta o seu marketing na comparação com os blockbusters de Hollywood não é nada bom.
Os CGIs também são muito pobrezinhos mas isso teve a ver com o baixo orçamento da produção por isso acho que os técnicos fizeram o melhor que puderam certamente.

Depois temos mais umas cenas na “batalha final” como era de prever mas tudo é tão … nem sei como descrever. Só vocês vendo mesmo. Não resulta ponto final.
E eu gosto de filmes maus. Aliás eu adoro filmes maus, séries B e Sci-Fi obscura.
No entanto não posso com maus filmes e [“Metallic Attraction Kung Fu Cyborg“] é um mau filme porque tenta ser muita coisa ao mesmo tempo e falha redondamente em tudo não fazendo nada.

Como comédia é do piorio. Como história de amor perde-se por completo e nem sequer a miuda do filme nos causa qualquer empatia. O que não é normal nestas histórias de amor orientais onde normalmente o casal central ou o triangulo amoroso é bem definindo em termos humanos e nada disso se passa aqui.
Aliás nem a miuda do filme é minimamente fofinha sequer e isto é o pior que poderia ter acontecido a uma história de amor oriental. É quase um sacrilégio.
Ou então sou eu que não acho o estilo – Funcionária subserviente ao Estado – algo particularmente erótico ou minimamente apelativo românticamente falando…

Tudo isto, aliado ao facto do terceiro elemento do triangulo amoroso ser um mau clone do Gigolo Joe com propensão para graças infantis e piadas semi-escatológicas, faz com que [“Metallic Attraction Kung Fu Cyborg“] seja um filme que não tem ponta por onde se lhe pegue.
Vai desagradar por completo aos fãs de cinema de acção, os fãs de Robots gigantes vão detestá-lo pela quase total ausência deles no ecrã durante o filme todo e o pessoal que ainda se poderia interessar pela história de amor vai achá-lo um verdadeiro desperdício de argumento e atmosfera.
E por falar em atmosfera…

Talvez uma das coisas mais irritantes do filme seja precisamente isso.
[“Metallic Attraction Kung Fu Cyborg“] tem uma atmosfera mágnifica no que toca á criação de ambiente.
Toda a história passa-se numa pequena aldeia no meio do campo e o ambiente bucólico rural do lugar é realmente cativante e muito bem captado dotando o filme de uma identidade Chinesa quase idílica.
Verdadeiramente deprimente é vê-la tão desperdiçada com uma história do piorio e personagens sem alma que não sabem habitar aquele espaço que pedia algo realmente especial em vez de um filme tão pouco definido.

O filme tem outra coisa muito interessante…todo o seu argumento parece uma metáfora encapotada para a revolta e a liberdade de expressão o que não deixa de ser curioso por isto ser um produto Chinês. Pelo meio da história colocam-se algumas questões interessantes sobre a legitimidade de uma “pessoa” se poder ou não rebelar contra a “programação” instituida por um superior hierárquico supostamente no poder e muito desse segmento da história tem a ver com a discussão da liberdade de escolha individual. Tudo debaixo da capa da ficção-científica claro. O que não deixa de ser mesmo muito curioso e pedia se calhar um melhor desenvolvimento…por outro lado se calhar foi melhor para os produtores disto não agitarem muitas bandeiras individuais…não fosse o diabo tece-las e o próximo filme ser um documentário sobre as cadeias do Regime Chinês…

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CLASSIFICAÇÃO:

Um total desperdicio de ambiente. Está tudo dito no texto acima.
Começa muito bem, mas depois a cada minuto que passa se torna mais aborrecido. Comecei com vontade de dar classificação máxima a isto e acabei na mínima no final do filme. Foi a primeira vez que tal me aconteceu.
Uma tigela de noodles porque nem a boa fotografia o salva.

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A favor: o genérico, a sequência dos primeiros cinco minutos de filme, o ambiente bucólico e rural em toda a história, a fotografia do filme que até faz alguns milagres com os medianos CGIs, apesar de tudo tem um bom estilo visual com algumas imagens e enquadramentos muito bem conseguidos e nessas alturas o filme parece brilhar, a carga de subversão subliminar que o argumento parece querer fazer passar ao espectador quando advoga o direito á liberdade e á negação da programação.
Contra: engana por completo quem vê o trailer, não é um filme de acção, não tem batalhas com robots gigantes practicamente nenhumas, tenta ser uma história de amor em practicamente 80% do filme, falha redondamente enquanto história de amor e é possivelmente o argumento do género mais descaracterizado e sem alma que me recordo de ver no cinema oriental que normalmente é genial a produzir histórias românticas, o humor básico é absolutamente irritante, o personagem clone do Gigolo Joe é tem uma caracterização absolutamente errática e nunca se define, a miuda da história não cativa minimamente, as cenas de acção são chatas e parecem arrastar-se mesmo quando duram breves minutos, o filme é completamente indefinido e com um ritmo descaracterizado que nos faz desejar que tudo acabe depressa pois já não há mais pachorra, a tentativa de ter um desfecho dramático para a história de amor é uma anedota pois – nobody cares !

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
Não se deixem enganar por ele. Isto não é o filme que parece…estão avisados. 😉
http://www.youtube.com/watch?v=_saGdBMw33E

Comprar
Se gostarem mesmo muito podem comprá-lo baratinho aqui na minha loja do costume.
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7n-77-2-49-en-15-metallica+attraction-70-3kai-43-9.html
Se quiserem confirmar antes a coisa, podem espreitar o filme usando este motor de busca muito útil aqui.

IMDB
http://www.imdb.pt/title/tt1494775/

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Filmes “semelhantes” de que poderá gostar:

A Chinese Tall Story Shinobi

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Tenkû no shiro Rapyuta ( Laputa – Castle in the Sky ) Hayao Miyazaki ( 1986 ) Japão


Lembram-se de “Conan-O Rapaz do Futuro” ?
Para muita gente, uma das melhores séries de animação de sempre, especialmente para aqueles que eram adolescentes no início dos anos 80.
O que algumas pessoas não sabem é que quando o realizador Hayao Miyazaki fundou o estúdio de animação Ghibli no inicio dos anos 80, umas das suas primeiras incursões no formato de longa metragem foi precisamente uma espécie de regresso aos personagens que lhe deram fama, – Conan e Lana – embora neste filme não se chamem assim.
O resultado foi [“Laputa – Castle in the Sky“]. Na verdade não é um remake de “Conan-O Rapaz do Futuro”, mas tem suficientes semelhanças em toda a sua estrutura para agradar aos mais saudosistas da série de televisão que lhe serviu de rascunho.

Situada numa espécie de Europa alternativa, talvez algures nos finais do sec.XIX, [“Laputa – Castle in the Sky“] conta a história de um rapaz, de uma rapariga que possuiu um cristal mágico e de uma cidade flutuante que muitos julgam ser apenas uma lenda mas que contém um poder extraordinário no seu interior.

Naturalmente temos depois os vilões, sempre caracterizados como políticos, donos de coorporações ou militaristas sem escrúpulos, tal como é comum na obra do realizador e algum enquadramento ecológico sobre a importância da conservação do mundo natural como também é a habitual preocupação nas produções Ghibli.
Além disso existem ainda os semi-vilões humorísticos para aliviar a carga dramática e proporcionar espectaculares momentos de perseguição ao longo do filme.
Todo o conjunto embrulhado numa atmosfera mágica mas sempre fundamentada na realidade apesar dos elevados níveis de imaginação e criatividade presentes em todo o filme.
Adicionamos a tudo isto uma banda sonora com um toque de poesia musical e temos uma obra absolutamente mágnifica.
Tudo certo portanto.

O que dizer então mais sobre este filme sem estragar por completo a descoberta da sua magia ?…Isto complica imenso a minha review mas a verdade é que este é um daqueles filmes que quanto menos detalhes revelamos sobre ele melhor, pois é uma verdadeira maravilha artística do inicio ao fim.
Desde os ambientes steampunk , até ao visual gráfico absolutamente criativo presente ao longo de todo o filme, estamos perante uma verdadeira obra prima, não só da animação, mas também da ilustração de fantasia com cenários lindíssimos que já são uma referência no mundo da animação.

Além disso os personagens são mais uma vez a alma da história. Não só é bom voltar a ver o “conan” e a “lana” agora numa longa metragem a sério, como [“Laputa – Castle in the Sky“] apresenta-nos muitos mais que se tornaram figuras de culto, tal como os imaginativos robots guardiões de Laputa que se tornaram extremamente populares no Japão transformando-se mesmo num dos ícones do design dentro do género com todo o mérito pois são verdadeiramente um personagem inesquecível pela sua simplicidade.

A obra de Miyazaki, só muito recentemente se deu a conhecer ao grande público em Portugal, através da estreia (miraculosa) no cinema do filme “A Princesa Mononoke” (que não me impressionou particularmente), e dos seus filmes posteriores, “A Viagem de Chihiro” e mais recentemente “O Castelo Andante”.
Todos os trés com edição Portuguesa em dvd.
É no entanto uma pena que o resto da obra produzida pelo estúdio Ghibli continue ainda sem ser editada no nosso país, pois na minha opinião todos os trabalhos antigos são muito superiores a qualquer uma das novas longas metragens tão populares actualmente, mas que me parecem mais uma reciclagem de tudo o que já foi feito antes.

[“Laputa – Castle in the Sky“] , no entanto é um caso especial dentro da filmografia do estúdio Ghibli e espero sinceramente que alguém no nosso país se lembre também de lançar este filme por cá.

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CLASSIFICAÇÃO:

Um dos melhores filmes de fantasia de sempre com um estilo steampunk excelente e uma profundidade que vai muito para além da banal aventura para crianças. Ponto final.
A prova de que o facto de ser Anime não implica de modo nenhum que seja um objecto menor de Cinema só porque é um desenho animado.
Na minha opinião é uma obra prima da animação e é definitivamente o meu filme favorito do realizador.
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award como selo de qualidade excepcional sem qualquer sombra de dúvida.

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A favor: tudo. Personagens, história, conceito, paisagens, banda sonora, ambiente.
Contra: ??! Não haver uma parte 2 igual ?…

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer (*spoilers*):
http://www.youtube.com/watch?v=IpHG0UXHcLA

Opiniões adicionais:
http://www.asia.cinedie.com/laputa.htm
http://www.nausicaa.net/miyazaki/laputa/

COMPRAR
Opções de compra para [“Laputa – Castle in the Sky“], é coisa que não falta, pois basicamente existem edições deste filme em todo o lado, excepto Portugal, claro.
Aproveitem os preços baixos para o cinema oriental na Amazon Uk e comprem já este DVD.

Agora se tiverem a sorte de encontrar esta fabulosa edição especial Japonesa ainda á venda, isto sim é que seria uma compra perfeita. Espreitem só isto:
http://www.ghibliworld.com/laputacollection.html

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Quem tocar guitarra e quiser aprender os acordes da banda-sonora pode espreitar aqui:
http://www.youtube.com/watch?v=butX_chr0GM&feature=related

IMDB:
http://www.imdb.com/title/tt0092067/

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Se gostou deste vai gostar de:

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Natural City – Min Byeong-Cheon (2003) Coreia do Sul


Agora que Blade Runner parece estar de novo na moda por causa da sequela que irá sair em 2017, achei que estava na altura de voltar a dar destaque a [“NATURAL CITY“] por muitas e variadas razões que se prendem com o filme original de Riddley Scott.

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Não só porque este filme, continua a ser um título verdadeiramente “esquecido” em Portugal ( como todo o cinema fabuloso do do oriente ); mas principalmente porque está neste momento á venda novametne no mercado numa nova edição a sério depois de estar esgotado durante muito tempo.
Finalmente foi lançado com uma edição Bluray que não só é – region free ( ignorem o “A” na descrição ) – como ainda por cima é verdadeiramente especial, até porque vem acompanhada de um livro com muito material de making of e concept art criado na altura para além de conteúdos adicionais; ( e legendas em inglés ).

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Portanto, não há melhor altura para voltar a recomendar este filme do que esta, até porque estamos quase no Natal e a sua edição especial em bluray é a prenda que qualquer admirador de cinema oriental que goste de FC irá querer pedir ás renas.
E despachem-se pois estas edições são sempre mesmo muito limitadas e quando acabar se quiserem ter o filme têm que se contentar com a edição tuga.
Sim ! Curiosamente [“NATURAL CITY“] é um título que foi lançado em Portugal há alguns anos atrás numa edição DVD-Fantasporto na que será provavelmente uma das piores edições dvd que alguma vez vi em Portugal e da qual poderão saber mais no final desta review.
Desde já lhes digo que no nosso país á beira-mar-naufragado parece que alguém achou que [“NATURAL CITY“] ficaria muito bem, intitulado: “2080 – Amor Cibernético“… Juro !

Se calhar é melhor passarmos ao filme, não ?…

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O filme, [“NATURAL CITY“] poderia muito bem chamar-se Blade Runner II pois o universo em que decorre a acção é practicamente idéntico.
Isto não só a nível temático mas principalmente no que toca ao ambiente visual, onde nem sequer faltam os carros voadores flutuando por entre anuncios de néon colocados em grandes edíficios de inspiração retro-futurística numa atmosfera em tudo semelhante ao filme protagonizado por Harrison Ford duas décadas atrás.

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Apesar de ser obviamente muito inspirado no filme de Riddley Scott e quase um plágio na forma como trata o tema dos “replicants”, na verdade este filme funciona mais como um remake modernizado e não tanto como a sequela directa que na realidade nunca tentou ser. Por outro lado como Blade Runner foi buscar muito do seu estilo visual ao oriente, para mim [“NATURAL CITY“] quase que completa um ciclo e devolve este universo á sua origem.
Não me espantaria por isso se um destes dias esta obra fosse distribuída a sério no ocidente com um daqueles titulos ao estilo – Riddley Scott apresenta – “Natural City”.

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No entanto no que toca á sensibilidade ocidental este é um daqueles filmes que não conhece meio termo quando falamos de críticas do público.
A tendência tem sido, ou se gosta ou se detesta; até porque este filme tem tudo para ser imediatametne desvalorizado pelo típico espectador de cinema de centro comercial.
Tem um trailer que promete muita acção mas depois o filme contém apenas duas grandes sequências ao longo das suas quase duas horas de duração.
Uma no inicio e outra no fim.

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O resto do filme é composto por aquelas partes chatas em que “nunca se passa nada” e para desalento de muita gente nem mete tiros nem perseguições nem nada, o que é suficiente para afastar logo metade do público habituado ao estilo blockbuster americano onde de X em X tempo tem de haver uma perseguição qualquer para não aborrecer as plateias enquanto comem milho.
Ainda por cima, [“NATURAL CITY“] tem um argumento complexo que requer mais atenção do espectador do que apenas saber quem são o bom e o mau da história. O que complica logo tudo para muita gente e faz com que imediatametne deixe pelo caminho muitos espectadores habituados pelo cinema comercial americano a terem tudo explicado de bandeja.

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Existe ainda outra coisa no filme que afasta logo o publico mais pipoqueiro tal como aconteceu com “Blade Runner” quando estreou em 1984.
Ou seja, [“NATURAL CITY“] também não tem herois.
Uma das grandes críticas que lhe fazem é o facto de não conter qualquer personagem simpático. O que, traduzindo quer dizer que não encontrarão nesta história um heroi à americana.
Apresenta-nos um anti-heroi á primeira vista tão antipático (grunho e estúpido), que qualquer pessoa que espere encontrar aqui o típico “bom” definido pela habitual fórmula de Hollywood irá ficar muito decepcionada com a maneira como o percurso do personagem nos é apresentado neste caso.

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Por causa disto muita gente afirma que a história de amor não resulta porque o público não tem qualquer empatia com os protagonistas e aqui eu estou totalmente em desacordo. A love-story embora nada convencional (tal como em Blade Runner), é aquilo que dá alma ao final de [“NATURAL CITY“] e o torna num dos filmes mais poéticos dentro da FC desde…bem, desde Blade Runner.

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Alguns, criticam o facto da “replicant” pelo qual o heroi está apaixonado ser caracterizada de uma forma demasiado vazia. Mais uma vez eu discordo.
O personagem tem 3 dias de vida e perdeu todas as faculdades “humanas” não passando apenas de uma boneca “insuflável” avançada. Um brinquedo tecnológico prestes a ser desligado por falta de bateria e apenas com uma leve memória daquilo que foi.

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Neste aspecto a actriz faz um trabalho fantástico e acreditamos mesmo que ela não passa mesmo de uma boneca prestes a ser desligada, tal é o “vazio” que transparece da sua caracterização. E é isto que faz com que a trágica história de amor resulte num final que alterna entre o espectacular em termos de sequências de acção e o intimismo trágico de um amor impossível ao melhor estilo do cinema oriental romântico; muito longe da parolice americana no que toca a histórias de amor.
Para mim este filme tem um dos melhores finais em termos de sentimento dentro da FC moderna; a fazer mesmo recordar um pouco a poética morte de Rutger Hauer no Blade Runner.
Quem gostou da poesia desse momento no filme de Riddley Scott, vai gostar da forma como é resolvida agora a relação entre o policia sem rumo e a boneca com tempo de vida contado.

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Uma nota para a banda sonora do filme, que apesar de não se fazer notar muito ao longo da história, tem um par de momentos realmente mágicos.
Nomeadamente numa breve sequência subaquática a meio do filme (que irá agradar muito aos fãs de filmes como The Big Blue (Le Grand Bleu) de Luc Besson e em particular do compositor Eric Serra), mas principalmente brilha nos minutos finais da história, acentuando musicalmente a forma poética como o filme termina.

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Mas [“Natural City“] não é apenas uma história de amor.
Ao contrário do Blade Runner, este filme divide-se entre o drama romântico de FC e um filme de acção técnológico. Na verdade se [“NATURAL CITY“] tem uma fraqueza , ela está precisamente aqui.
Não pelo facto de ter momentos de acção excelentes, mas porque a meio se perde um bocado, pois parece que o realizador está indeciso entre fazer um drama ou um filme de acção, resultando por isso numa falha de equílibrio entre os dois géneros que nunca se chegam a misturar como deviam e isso torna-se evidente na própria montagem a partir da primeira metade da história.
Mas grande parte da culpa , está no facto deste filme (para mim) só ter um verdadeiro problema.
O vilão não é o Rutger Hauer.

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Enquanto que Blade Runner tinha um Roy Batty, aqui temos um vilão que mais parece fazer parte de um videogame sem qualquer identidade característica do que pertencer ao universo personalizado  em que a história decorre.
O vilão de [“NATURAL CITY“] não tem qualquer carísma, é demasiado unidimensional e a sua presença no filme mais parece uma justificação para se conseguir meter acção pelo meio do que outra coisa qualquer.
Para complicar ainda mais as coisas, a sua ligação á base romântica do argumento parece um bocado inserida a martelo, precisamente porque o vilão parece estar noutro filme á parte.

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Por causa disso a sua colagem á parte dramática da história não funciona tão bem como seria desejável e o filme a meio perde-se um bocado numa montagem algo…remendada.
[“NATURAL CITY“] parece-se demasiado com dois filmes diferentes a todo o instante; e nenhum deles liga com o outro. Um é uma boa história dramática de FC com contornos românticos muito atmosféricos, o outro não passa de um conjunto de sequências de acção que poderiam fazer parte de qualquer – cut scene – de um videogame para a PS4 que não se notaria qualquer diferença.

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Por causa disso, as cenas de acção, só não são mais espectaculares porque no meio de tudo isto parece que apenas lá estão para contentar quem espera ver um filme mais hollywoodesco e como espectadores nunca temos uma ligação emocional entre essas cenas de acção e a parte mais humanizada do argumento por muito que o realizador se esforce.
Por outro lado as estilizadas cenas de porrada também não prejudicam o resultado final e quem gostou do estilo visual presente em filmes como o “Pacto dos Lobos“, vai adorar as sequências de combate presentes nesta obra de ficção-científica coreana.

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Por tudo isto, este é um filme para ser visto pelo menos duas vezes, pois tenho a certeza que quem nunca o viu, vai ter exactamente a mesma reacção que eu tive (e muita gente teve) ao vê-lo pela primeira vez.
Devido a estarmos tão habituados ao estilo americano de contar histórias, quando vemos [“NATURAL CITY“] pela primeira vez, este parece-nos um filme demasiado vazio, especialmente porque inicialmente é dificil encontrarmos uma ligação com os persongens porque a história salta demasiado entre dois géneros que se interrompem durante toda a narrativa e não colam de todo.

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Depois, o anti-heroi é completamente antipático a um primeiro olhar, a heroina nem se mexe pois está quase sem bateria, o vilão parece não pertencer á mesma história, o amigo do heroi ainda é mais antipático que ele e sem qualquer personalidade vísivel, a rapariga humana do filme tem potencial mas parece que fica um bocado á parte em tudo, etc, etc, etc.

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Por isso não fiquem desapontados se o filme vos parecer um bocado estranho ao inicio. Primeiro estranha-se , mas podem crer que depois entranha-se e a cada vez que o revemos encontramos novos pormenores que nos fazem valoriza-lo ainda mais.
Um pouco tal como aconteceu com o clássico de Ridley Scott no inicio dos anos 80, também agora este filme precisa de uma apreciação posterior.
Por tudo isto, recomenda-se vivamente a quem gostaria de ter um Blade Runner moderno para ver e nunca o encontrou no cinema made-in ocidente até hoje que não perca [“NATURAL CITY“].
Até porque posso estar enganado, mas isto ainda virá a ser considerado um melhor -“Blade Runner 2”- do que até aquele verdadeiro que está para estrear em 2017…digo eu…

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Isto porque [“NATURAL CITY“], apesar de ser um clone…se calhar não imita ninguém.
E só vão perceber esta afirmação quando virem este filme pelo menos duas vezes.
Tecnicamente e apesar de ser um filme já com 13 anos, é no entanto bastante impressionante. Excelentes cenários, bons efeitos especiais com maquetas tradicionais, algum CGI antigo bastante aceitável e uma óprima fotografia que alterna bastante bem entre ambientes acolhedores e atmosferas frias e desencantadas ou pura e simplesmente tecnologicas.

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Um grande filme de FC, que para mim apesar das suas falhas leva uma nota excelente sem qualquer hesitação pois gostei realmente desta obra e tornou-se um dos filmes da minha vida.
Embora volto a dizer, [“NATURAL CITY“] seja um daqueles filmes que nunca será devidamente apreciado num primeiro visionamento.
Especialmente se estivermos muito acostumados á moderna formula americana de se fazer cinema.

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Mas se sempre imaginaram como seria um bom “Blade Runner” de ambiente moderno não procurem mais longe pois [“NATURAL CITY“] poderá muito bem ser o que procuravam.
Vejam-no, revejam-no e irão descobrir um dos mais belos e poéticos filmes de FC dos ultimos anos e um verdadeiro filme de culto á espera de ser descoberto.

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CLASSIFICAÇÃO:

Se calhar até nem merecerá a classificação máxima que lhe atribuo; por causa do vilão de videogame que descaracteriza a história, mas a verdade é que [“NATURAL CITY“] é mesmo um dos meus filmes favoritos de sempre pela sua atmosfera “Blade Runner” modernizada e bem conseguida.

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É daqueles filmes que nunca me canso de rever apesar das suas fragilidades por demais evidentes e que fazem realmente grande mossa no que poderia ter sido uma obra prima dentro do género.
Não será no entanto uma obra prima do cinema, mas de cada vez que o revejo gosto mais dele e descubro sempre novos pormenores em que ainda não tinha reparado antes.
Este é outro daqueles que em bluray parece um filme novo e que justifica plenamente um upgrade para a alta-definição.
Por isso…

Cinco Planetas Saturno e um Gold Award sim senhor.

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Se eu pensar racionalmente no caso em termos de recomendar isto a um público genérico se calhar não valerá mais de quatro Planetas Saturno mesmo pois como já disse não irá agradar a muita gente mais habituada a fórmulas americanas; mas a verdade é que não existem por aí tantos “Blade Runners” com a alma que este tem e como tal só pela empatia e pelo final bastante poético ganha muitos pontos.

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E mais uma vez os orientais demonstram que ninguém cria histórias de amor como eles as fazem. Ponto final.

A favor: ambiente, banda sonora, personagens, sequências de acção, efeitos especiais, fotografia e design, é uma excelente história de amor high-tech. Conseguiu modernizar a atmosfera de um “Blade Runner” sem precisar de o plagiar.

Contra: vilão sem identidade, montagem irregular, falta de ligação coerente entre a história high-tech e a história de amor; o estilo video-game nas partes menos interessantes é muito frustrante e decepcionante, tem estilização a mais em certas sequências que eram totalmente dispensáveis, toda a vertente tecnológica da história é desinteressante como o raio.

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NOTAS ADICIONAIS:

TRAILERS
EVITEM a todo o custo o TRAILER OCIDENTAL/AMERICANO se quiserem descobrir o filme por vocês mesmo.
É o trailer que mais facilmente encontram no Youtube, por isso não o abram se for o de lingua inglesa !!
Se encontrarem um trailer de Natural City com aquele habitual narrador gringo de voz profunda a meter estilo por todo o lado, fujam !
O trailer americano, não só conta a história toda, como ainda explica em detalhe tudo o que acontece com cada personagem, não vá os espectadores das pipocas depois não conseguirem compreender o filme.
O trailer americano é por isso mais outro atestado de estupidez aos espectadores, obviamente remontado em Hollywood.
Evitem-no a todo o custo, pois este filme merece ser descoberto sem ideias pré-concebidas.

VEJAM ANTES o TRAILER ORIGINAL COREANO ABAIXO, pois transmite não só o ambiente real do filme como também um pouco da sua poesia ( e sem spoilers ):

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COMPRAR EM DVD – REGIÃO 2 – EDIÇÃO UK
Está editado há já algum tempo em Inglaterra no formato DVD.

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https://www.amazon.co.uk/gp/product/B0002HSDSC/ref=as_li_tl?ie=UTF8&camp=1634&creative=6738&creativeASIN=B0002HSDSC&linkCode=as2&tag=cinaosolnas00-21

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COMPRAR EM BLURAY – REGIÃO ZERO – EDIÇÃO COREIA DO SUL
Esta é a edição moderna em Bluray e que apenas existe na Coreia do Sul.
Apesar de estar designada como sendo – Região “A” – felizmente é na verdade região zero, o que significa que podem vê-lo no vosso leitor de bluray europeu.
Está legendado em Inglés, traz um livro com muito concept art original e a cópia é definitvamente a única a ver a partir de agora.
Quem já tiver isto em DVD, até o pode deitar fora e comprar este bluray, pois a qualidade não tem nada a ver. Mesmo.

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http://www.yesasia.com/global/natural-city-blu-ray-korea-version/1044176064-0-0-0-en/info.html

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A EDIÇÃO PORTUGUESA em DVD…
ATENÇÃO: Evitem a todo o custo a edição Portuguesa deste filme em DVD, (
se ainda a encontrarem ); pois tem uma qualidade técnica do piorio!
Em Portugal tem o rídiculo título de “2o80 Amor cibernético” ; a edição é muito má mesmo ( do piorio ) e tem esta capa. Fujam !

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Pior que uma cópia pirata sacada da net o que é absolutamente incrível, pois tratando-se de algo que inclusivamente foi tão conceituado pelo próprio Fantasporto, esperava-se pelo menos alguma atenção nestas edições com o nome do festival. Os dvds do Fantasporto são talvez das piores edições de sempre neste formato em Portugal… e pior que esta, só a edição deles do fabuloso “The Promise“…

Mais sobre isto das edições rascas em Portugal, neste artigo aqui.

Portanto…
Se for para verem o filme numa cópia de má resolução vejam a versão que está no Youtube de borla, pois em termos de qualidade não anda longe da edição Fantasporto. Ao menos não gastam dinheiro no dvd… a não ser que precisem mesmo de legendas em Pt porque este mau dvd-rip do Youtube está legendado em Inglés.

Por falar em inglés, para uma review com mais imagens, espreitem aqui: http://www.shuqi.org/asiancinema/reviews/naturalcity.shtml

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0378428/

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Filmes semelhantes de que poderá gostar:

2009 Lost Memories capinha_5-cm-per-second

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