Joheunnom nabbeunnom isanghannom (The Good The Bad The Weird) Jee-woon Kim (2008) Coreia do Sul


A última coisa que eu esperava ver deste realizador a seguir a um filme de terror tão fascinante quanto “A Tale of Two Sisters” seria um Western e no entanto é isso que [“The Good The Bad The Weird“] é de uma forma tão genuína que nos confunde totalmente pelo facto disto não ser um filme americano e onde se troca o velho Oeste pela Manchuria nos anos 30.

[“The Good The Bad The Weird“] sendo embora absolutamente genial é no entanto um dos filmes mais difíceis que alguma vez tive de comentar aqui neste blog por muitas e variadas razões e portanto aviso já que o texto a seguir poderá parecer-lhes não só totalmente ilógico como se calhar absolutamente  esquizofrénico e sem sentido algum.

Isto porque como podem ver pela classificação que lhe atribuo abaixo, embora bastante boa acaba por nem ser a espectacular nota que este filme se calhar merecia que eu lhe desse, porque na verdade acho-o absolutamente brilhante em muitos aspectos e quanto a mim é uma obra prima do cinema de acção e contém das melhores sequências dentro do cinema de aventura puramente clássico talvez desde a primeira aventura de Indiana Jones. Isto no que toca a filmes com pistolas, balas, gajos com chapéus de abas e tiroteios.

Tudo no que toca a atmosfera e adrenalina é absolutamente genial em [“The Good The Bad The Weird“] e como produto de acção é realmente uma obra prima, pela sua frescura, sentido de aventura e originalidade quanto baste.
Visualmente é do outro mundo. Mais uma vez o realizador enche um filme de imagens inesquecíveis e onde cada frame é um quadro, que muitas vezes neste caso presta homenagem a dezenas de enquadramentos famosos da história dos westerns (e não só) que todos nós conhecemos até mesmo se não formos viciados em filmes de cábois.

O cuidado colocado em cada decor é absolutamente notável e merece que façamos uma pausa no filme só para apreciarmos todas as texturas, detalhes e cores que enchem [“The Good The Bad The Weird“] do principio ao fim. Na verdade isto visualmente é tão bom que mesmo que o filme não tivesse nenhuma cena de acção não conseguiriamos tirar os olhos do ecran desde o início pois toda a estética aqui é absolutamente fantástica dentro do mesmo estilo já encontrado em “A Tale of Two Sisters” mas desta vez aplicado a um universo visual de puro Western americano…embora com Sul Coreanos, Japoneses, Chineses e indios, perdão…Mongois.

E mais do que uma colecção enorme de referências cinéfilas puramente americanas, [“The Good The Bad The Weird“] é um verdadeiro achado para quem adora  Western Spaghetti e particularmente quem conhece bem o trabalho de Sérgio Leone. É que [“The Good The Bad The Weird“] é uma espécie de “O Bom O Mau e O Vilão” em esteróides !
Se Sergio Leone filmasse em estilo videoclip moderno cruzando westerns com serials de aventura o resultado seria algo muito semelhante a isto.
E refiro-o como um elogio.

Então se [“The Good The Bad The Weird“] é tão genial o que é que falha ?
Bem, infelizmente não tem o argumento de um filme de Sérgio Leone e muito menos se pode comparar a “Salteadores da Arca Perdida” nesse aspecto também.
[“The Good The Bad The Weird“] é o típico exemplo de um filme em que a estética sobrepõe-se a tudo a todo o instante. Talvez o facto de visualmente isto ser um produto tão absolutamente perfeito, essa perfeição lhe tenha retirado qualquer hipótese de poder conter um argumento realmente tão entusiasmante que a pudesse complementar ou equiparar.

É verdade que já vimos se calhar dezenas de filmes sem história que resultam apenas como cinema de acção, mas se calhar nunca vimos um produto tão cuidado a pedir desesperadamente por um argumento imaginativo. A última peça que tornaria [“The Good The Bad The Weird“] numa obra prima do cinema de aventura de pleno direito ao lado de todos os clássicos do género; uma marca que não consegue plenamente atingir porque enquanto espectadores gostariamos mesmo de ter algo interessante para acompanhar entre a obra prima visual que são as sequências de tiroteio e não há nada.
É um vazio total !!!

A forma como começa é a forma como acaba. Não há qualquer intriga interessante pelo meio, os personagens não sofrem qualquer evolução ou causam qualquer surpresa e só não são completamente aborrecidos de acompanhar porque [“The Good The Bad The Weird“] consegue ter um sentido de humor bastante divertido que por momentos parece que vai dar vida a todos aqueles bonecos de cartão.

É certo que como o próprio título indica, a base de tudo são na verdade personagens-tipo, mas bolas, será que não se poderiam ter tornado aquelas pessoas realmente interessantes ?!!
Isto nem parece ter sido criado pelo mesmo autor que conseguiu tanto humanismo nas personagens centrais de “A Tale of Two Sisters” e por isso não se compreende de todo tamanha ausência de identidade agora neste argumento a nível de personagens.
É que até os Westerns de Sérgio Leone mesmo quando parecem filmar o vazio nunca deixaram de ter personagens fortes e carismáticas, muitas vezes sem precisar de haver qualquer linha de diálogo entre eles sequer.
É isto que falha em [“The Good The Bad The Weird“] e falha redondamente mesmo.

Parece que o filme foi todo construído com base na estética e na homenagem visual a todos os clássicos e mais alguns dentro do género de aventura mas depois não houve tempo para tornar os bonecos que andam aos tiros o tempo todo mais interessantes nos intervalos da porrada embora haja umas tentativas para remendar isso através do humor ao melhor estilo cartoon.

Já ando para falar deste filme por aqui, desde que o vi há anos, mas como das cinco vezes que o tentei rever, nunca consegui chegar ao fim sem estar a cair de sono, sempre me foi muito dificil arrumar as ideias para ter algo coerente para dizer aqui.
Já vi muita coisa má que deu sono, mas nunca me tinha passado pela frente um produto com tanta qualidade como [“The Good The Bad The Weird“] que me tivesse provocado esse efeito. Muito menos um filme visualmente tão apelativo e com tanto tiro e barulho a todo o instante que me deveria ter mantido mais acordado.

O que ainda se torna mais estranho é o facto de estar carregado de sequências de acção fabulosas e acho que nunca vi um filme de cowboys com tanto tiroteio também, por isso ter-me quase arrastado para tentar ver isto do príncipio ao fim ainda se torna mais estranho. É que eu adorei mesmo as cenas de acção e aventura disto !!
Agora, se calhar o [“The Good The Bad The Weird“] tem duração a mais. Para um filme com mais de duas horas onde pelo menos 100 minutos são passados com cenas de tiros e pancadaria não deixa de ser muito estranho isto tornar-se um produto tão aborrecido quando não há gente aos tiros no ecran a todo o instante.

A história não interessa e nem o tema da caça ao tesouro lhe dá qualquer carísma, os personagens quando não andam á porrada não cativam nem servem para nada, tem personagens a mais por todo o lado mas só lá estão para andar aos tiros e como tal o suposto twist final também não tem impacto nenhum porque é precisamente construido á volta da origem de um personagem com o qual não temos grande relação e parece apenas servir para efeito cómico no filme não diferindo muito do heroi que se limita a ser o bom ou do vilão que é mau como as cobras porque sim.

O que salva [“The Good The Bad The Weird“] , além do seu fabuloso ambiente é ter tanta adrenalina nas cenas de acção e por isso é mesmo uma obra-prima falhada dentro do género apenas porque estas na verdade acabam para não servir para muito além de mostrarem o talento do realizador para o género.
Este filme com uma história cativante e personagens de que ficassemos a gostar teria sido absolutamente do outro mundo.
E por falar em outro mundo…

Nunca me tinha passado pela cabeça que a Manchuria dos anos 30 pudesse ser um cenário para cinema de aventura tão genial e carismático. Estamos a ver [“The Good The Bad The Weird“] e o filme poderia ser passado num outro planeta que não notariamos diferença, pois todos os décors são tão alienígenas para a nossa própria cultura que isto poderia ser uma aventura passada em marte que não estranhariamos nada.

Estava a ver o filme e toda a sua estética só me fazia lembrar a genial série western-scifi “Firefly” com a sua excelente conclusão cinematográfica “Serenity“, isto porque todas as texturas e ambientes são muito semelhantes e tudo se passa numa atmosfera oriental onde muitas culturas se misturam num canto perdido do mundo. Quanto a mim se um destes dias fizessem uma sequela para “Serenity“, se calhar não seria nada má ideia contratarem o realizador de [“The Good The Bad The Weird“] para o dirigir com Joss Whedon a escrever pois seria uma combinação fantástica certamente.

Ah, já me ia esquecendo precisamente daquilo que na minha opinião é um dos pontos altos do filme e que quase nos faz perdoar todas as falhas até aí.
[“The Good The Bad The Weird“]  tem uma das melhores, mais entusiasmantes e mais divertidas perseguições de todos os tempos no cinema de aventura e só por isso vale a pena espreitarem este filme.
São mais de dez minutos de uma sequência como nunca viram dentro do género. Um tipo numa mota de  side-car a ser perseguido num deserto por todo o elenco deste filme. E quando eu digo todo, quero mesmo dizer todo o elenco deste filme, gangs de mongois, assaltantes chineses, assassinos profisionais, soldados japoneses, cowboys de todas as raças, samurais foras da lei, montes de cavalos, jipes, canhões, gajos bons, gajos maus, gajos assim-assim tudo numa das maiores perseguições em estilo todos-contra-todos onde não faltam, tiros, bombas, socos nas trombas, facadas, balas de canhão, saltos de veículos em movimento, cavalos pelos ares, gajos a explodir, cavalos a explodir, carros a explodir, motas a explodir, lutas á espada, e tudo numa sequência de antologia que marca a fasquia por onde a partir de agora toda a gente que fizer uma cena de perseguição terá que se guiar, pois é absolutamente notável em todos os aspectos.

Essa perseguição quase no fim do filme e o assalto ao comboio da sequência de créditos iniciais são dos melhores momentos de cinema de acção que lhes irá passar pela frente em muito tempo e se ainda não viram [“The Good The Bad The Weird“] só por estas duas cenas vale mesmo a pena espreitar o filme.
Tudo começa de uma forma tão fantástica que o espectador fica plenamente convencido que depois irá continuar a ter mais do mesmo ou que as coisas só poderão ficar melhores. Não ficam.
Infelizmente depois é apenas mais do mesmo , mas felizmente que o mesmo continua a ser de elevada qualidade com excelentes momentos de humor e montes de imaginação nas cenas de aventura. É mesmo pena que um bocado dessa imaginação não tenha sido também usada para a história.

Básicamente [“The Good The Bad The Weird“] conta a história da existência de um mapa de tesouro que todos querem e pelo qual todos matam. Do príncipio ao fim do filme. Acabou a história. A sério, não há mais.
Um tipo tem o mapa no inicio, um assassino é contratado para o roubar, outro gajo rouba-o em vez dele e assim por diante. O mapa vai passando de personagem em personagem até que se descobre qual era afinal o tesouro (por acaso uma ideia bem engraçada) e o filme acaba com o típico duelo entre cowboys ao cair da tarde junto ao local onde todas as riquezas estão enterradas.

E pronto, é isto… espero que estejam tão confusos quanto eu.

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CLASSIFICAÇÃO:

Não é de forma nenhuma a obra-prima que muitas reviews em festivais afirmam que é.
Por outro lado, é uma obra prima no que toca a cenas de aventura e sequências de acção e por isso é mesmo com muita pena que constato que falta ali algures um filme pelo meio de tudo isto.
Se procuram um verdadeiro western oriental no estilo mais puro e comercial da coisa mas com montes de qualidades, [“The Good The Bad The Weird“] irá agradar-lhes bem mais que “Sukyiaki Western Django” (esse verdadeiramente um produto falhado a muitos mais níveis).

Também será um Western Oriental que irá agradar a mais gente do que “Tears of the Black Tiger” que apesar de ser brilhante tem um toque de cinema experimental que não agradará a quem procura um Western puro e nesse aspecto [“The Good The Bad The Weird“] é bem mais directo e principalmente comercial.
Portanto e por tudo o que já referi acima, quatro tigelas de noodles porque é mesmo muito bom por um lado e tem momentos absolutamente brilhantes. Por outro lado, sinto até que deveria atribuir-lhe menos pois a suas fraquezas quase que destroiem um filme que merecia ser mesmo uma obra prima do cinema e não apenas no que toca a sequências de acção.

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A favor: a sequência de abertura do assalto ao comboio é do melhor e mais clássico que poderia ter sido, tem a melhor perseguição final jamais vista no cinema de aventuras com estas características num verdadeiro festival de porrada em andamento com todos contra todos e caos total, as sequências de acção neste filme são em regra todas totalmente fantásticas, muitas mortes com pinta, tiros que nunca mais acabam, muito sangue e torturas com dedos e peças de corpos aos bocados, muitas cenas de acção com grande sentido de humor e gags bem engraçados, as inúmeras homenagens visuais a tudo o que é western clássico muito particularmente ao western spaghetti também, o toque mexicano na banda sonora é do outro mundo e faz o filme ganhar vida quando aparece nos melhores momentos de perseguição, visualmente é incrível com com pormenores e texturas por todo o lado, existe no dvd um final alternativo muito bom (na verdade o final original do filme quando este passou na Coreia do Sul).
Contra: é um vazio absoluto quando não tem cenas de tiros e aventura, mudem a roupa nos personagens e não se nota diferença, o actor que faz de “Weird” repete exactamente o mesmo papel que já tinha feito em “The Host” mas agora num ambiente western, poderá fazer-vos adormecer o que não deixa de ser um feito espantoso tendo em conta tanta porrada ao longo do filme, o filme é demasiado grande tendo em conta que não se passa nada na história além de perseguições e do mapa a mudar de mãos até ao confronto final, ás vezes faz lembrar muito “Duelist pela falta de uma boa história que ligue tanta perseguição non-stop alucinante sem grandes motivos a não ser passar o mapa de um personagem para o outro.

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Trailers
http://www.youtube.com/watch?v=Zjm9gAjgRuU
http://www.youtube.com/watch?v=8Zew2yWGDC8

Comprar
Isto está a um preço tão estúpidamente baixo que se gostarem do filme é de aproveitar na Amazon Uk, tanto em DVD (muitos extras) como em Blu-Ray simples ou Blu-Ray edição especial.

Download aqui com legendas em PT/Br

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0901487/combined

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Alguns titulos semelhantes em alguns aspectos :

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Pandora´s Booth (Pandora´s Booth) Derek Yee (2009) China


Da mesma forma que “My Sassy Girl” inventou um novo género no cinema sul coreano e gerou inúmeros clones desde o seu lançamento, também “Il Mare” parece continuar a definir um estilo á parte dentro do cinema romântico oriental e [“Pandora´s Booth“] é mais um bom exemplo deste género de histórias que envolvem romances através do tempo.

Tivemos “Il Mare” com uma caixa do correio, “Ditto” com um aparelho de rádio-amador, “Secret” com uma partitura de piano e agora é a vez de uma cabine telefónica que permite uma breve comunicação com o passado e tem um papel importante num romance de consequências dramáticas em duas épocas distintas.

Essencialmente se vocês já viram “Il Mare” já sabem com o que podem contar agora em [“Pandora´s Booth“]. A estrutura é mais ou menos a mesma, mas de todos os clones (assumidos ou não assumidos) do conceito original dentro do cinema oriental este é o filme com características mais adolescentes e como tal poderá não agradar totalmente mesmo a quem gostou muito de “Il Mare”.

A história de amor é interessante, mas a meio do filme começamos a perder a paciência para as birras hormonais do protagonísta masculino que parece agir de forma algo errática mesmo havendo alguma justificação para tal e sendo assim o romance perde alguma força pois o espectador mais crescido deixará certamente de se identificar com o namorico adolescente e isso retira logo grande parte do impacto dramático daquilo que deveria ser acima de tudo uma boa história romântica envolvendo também um lado adulto.

Essencialmente em [“Pandora´s Booth“] acompanhamos a história de um técnico de electricidade, divorciado, com uma filha adolescente e uma má relação com a ex-mulher.
Ao fazer a ronda por uma área da cidade, numa noite de tempestade aparece-lhe “por magia” uma velha cabine telefónica onde 30 anos antes ele costumava telefonar quando namorava na adolescência e o inesperado acontece.

Ao encontrar um velho contacto, o homem liga para esse número e logo descobre que quem atende do outro lado é a sua jovem paixão de há trinta anos atrás que julga no entanto estar a falar com a versão adolescente do electricista.
A partir daqui as peripécias sucedem-se e se vocês viram “Il Mare”  já estão a perceber o que se irá passar até ao final desta história, algo inóqua  em emoção mas não menos interessante pois se gostam deste tipo de histórias irão passar também bons momentos com esta. Não deslumbra mas segue-se com interesse.

Não será o mais fraco de todos os filmes semelhantes, (pois gostei menos de “Secret” por exemplo), mas poderia ter sido bem melhor. Porém isso também se deve ao facto de nem chegar a ter 90 minutos sequer e mesmo assim tentar ter uma história complexa e cheia de pequenas pistas e detalhes que servem para criar o inevitável “twist” destinado a surpreender o espectador. No entanto quase não temos tempo para pensar nelas devido á velocidade da própria narrativa e como tal quando as revelações começam  ficamos com a sensação de que parecem cair do céu pois ainda não tivemos tempo de interpretar as pistas e isso retira logo muito do interesse que o filme poderia ter conseguido manter.

Não fiquei particularmente fascinado com [“Pandora´s Booth“] mas gostei muito da reviravolta final pois não esperava que os argumentistas entrassem por aquele caminho, até porque eu nem sequer tinha dado muita importância a um diálogo que acontece a meio da história e já pensava que o filme iria acabar com a resolução da relação entre o protagonista e a mulher. Bom pormenor, pois é precisamente este tipo de coisas que me fazem gostar de acompanhar o cinema asiático e em particular aumentar o meu fascinio pelas histórias românticas contadas pelo cinema oriental por muito comercial que este seja.
No entanto se este filme tivesse tido mais vinte minutos para colocar tudo de uma forma mais calma se calhar teria permitido que o espectador entrasse mesmo muito mais dentro do mistério.  Assim com 87 minutos quase que obriga a que nós não consigamos interiorizá-lo como o deveriamos poder fazer para disfrutar da sua premisa.

Não acho que este filme oriental tenha algo particularmente de errado. É uma produção Chinesa e por isso o romance tem um tom diferente do que costuma existir nas histórias de amor Sul Coreanas. Pela minha parte não consigo deixar sempre de sentir que falta algo no cinema romântico deste género quando produzido na China, onde salvo raras excepções (“Fly me to Polaris” , “An Empress and the Warriors” , “In the Mood For Love“) pouco me costumam cativar emocionalmente. No entanto [“Pandora´s Booth“] é um filminho asiático muito interessante que se recomenda a toda a gente que gosta do estilo “Il Mare” e não se importa de ver mais uma história semelhante embora fique muito, mas muito atrás do produto original em todos os sentidos pois limita-se a contar a história quase em piloto automático sem dar tempo para que os personagens ganhem uma personalidade que cative o espectador.

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CLASSIFICAÇÃO:

Não recomendo que vão a correr ver este filme mas se estiverem numa de procurar mais uma história de amor através de viagens pelo tempo têm aqui um produto simpático dentro do cinema oriental.
Não tem nada verdadeiramente mau, nem de verdadeiramente extraordinário. Tem no entanto a audácia de tentar criar um ambiente romântico asiático usando persistentemente “As Time Goes By” como tema de amor o que não deixa de ser um pormenor mesmo curioso pois até nem se sai nada mal com esse atrevimento se vermos isto por uma perspectiva de cinéfilos puristas.
Poderão ver por aí coisas muito piores e sendo assim não há muito mais a dizer sobre [“Pandora´s Booth“].
Trés tigelas de noodles. Bom filminho.

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A favor: é mais uma boa história no estilo de “Il Mare” mas só no estilo de premisa, tem um pequeno “twist” final bem imaginado embora simples, apesar de algo inóquo em emoção ainda tem um par de cenas românticas genuínamente naturais e cativantes, usa e abusa de “As Time Goes By” como banda sonora e sai-se bem com isso.
Contra: tem uma duração demasiado curta para poder desenvolver bem as pistas que apresenta e como tal quando as surpresas acontecem ainda o espectador não teve tempo de digerir o que se passou anteriormente e as coisas parecem cair do céu quando na realidade se virem [“Pandora´s Booth“] uma segunda vez até reparam que contém muita coisa em que não reparam á primeira, devido á velocidade do próprio filme para tudo caber em menos de 90 minutos os personagens perdem-se um bocado por serem demasiado esquemáticos e nunca chegam a cativar muito o espectador, a versão adolescente do protagonista do filme é algo irritante e por momentos quase que transporta a história de amor teen para um patamar de telenovela pirosa que o filme não pedia.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer:
Não encontro o trailer disto em lado nenhum.



Comprar
Está á venda na Play-Asia a bom preço.
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Podem no entanto ir buscá-lo aqui para ver se gostam.

IMDB
Não está sequer ainda listado no IMDB.

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Outros títulos semelhantes de que poderá gostar:

Il Mare ditto_capinha_73x Fly me to Polaris Be With You
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Palwolui Christmas (Christmas in August) Jin-ho Hur (1998) Coreia do Sul


Já tentei mas não compreendo todo o hype á volta deste filme.
[“Christmas in August“] é suposto ser uma obra prima qualquer dentro do género dramático sul-coreano mas por mais que eu tente, não compreendo mesmo porquê.

Parece inclusivamente que este filme é usado nas escolas de cinema como exemplo de como se escreve um argumento, serve de modelo a aulas sobre narrativa cinematográfica e inspirou até o autor de “My Sassy Girl” a escrever o seu clássico.
Uhm ?!!! …
Será que eu andei estes anos todos a ver e a rever uma cópia incompleta qualquer e ainda não notei ?! É que eu comprei o dvd !!

[“Christmas in August“] foi mais um daqueles dvds que eu comprei sem pestanejar sequer, pois as reviews espalhadas pela net eram tão extraordinárias e a suposta importância deste filme para o cinema oriental  é tão elevada que eu pensei que não me poderia enganar com esta história de amor.
Da primeira vez que o vi, nem o consegui ver todo pois fartei-me a meio.
Depois disso nestes anos todos tentei revê-lo pelo menos duas vezes por ano, (a ver se me tinha escapado alguma coisa) mas de cada vez que o revia ainda consolidava mais a minha opinião.

É que [“Christmas in August“] é realmente muito interessante, mas… não mais do que isso. Não compreendo de todo o porquê de tanta reverência á volta deste filme.
A história é banalíssima, mas não é por isso que o filme perde alguma coisa pois é verdade que está cheio de pequenos pormenores que lhe dão bastante humanidade.
No entanto, na minha opinião tem humanidade mas não tem chama. Falta-lhe de todo aquele toque especial que normalmente me agarra no cinema asiático e aqui isso não acontece.

Os personagens não me emocionaram de todo e isso para mim, depois de ter lido em todo o lado que [“Christmas in August“] era uma verdadeira obra prima do cinema-choradeira , foi uma verdadeira decepção. É que nem sequer me causou a mais pequena lágrima e tal deixou-me estupefacto.
Tem bastantes aspectos tocantes e supostamente a sua narrativa é uma obra prima da manipulação emocional mas no entanto nada nesta história foi suficiente para me causar o mesmo efeito que por exemplo “My Sassy Girl“, “The Classic“, “Fly me to Polaris“, “Il Mare” ou “Be With You” me causaram.

É que até “My Girl & I” tem mais emotividade que [“Christmas in August“] e no entanto um é desprezado pela crítica enquanto o outro é quase tratado como um objecto religioso dentro do cinema romântico oriental ?!
E “My Girl & I” é quase um plágio de [“Christmas in August“] pois a sua estrutura base é practicamente a mesma, mas tomara [“Christmas in August“] conseguir a mesma atmosfera.
Vocês sabem, vocês já viram este filme antes, muitas vezes até se gostarem de cinema romântico Sul Coreano.
Casal de apaixonados, muito amor platónico e depois um deles tem uma doença grave e morre no fim. Acabou o filme.

Se vocês gostam de cinema romântico Sul Coreano, sabem bem que não é por causa deste tipo de argumento que o género perde a sua força e sendo assim eu não estava nada á espera que uma suposta obra prima tão conceituada como [“Christmas in August“] não tivesse practicamente força nenhuma.
Não me interpretem mal, é um filme bonito de estutura básica mas totalmente funcional, cheio de pormenores que até prometem fazer-nos pensar sobre muita coisa, mas no entanto há algo que falha e lhe retira logo a intensidade de muitos outros filmes semelhantes criados posteriormente dentro do cinema oriental ou cinema sul coreano em particular.

Uma das razões de [“Christmas in August“] ser tão conceituado é porque segundo consta, este foi o filme que revolucionou o cinema romântico Sul Coreano moderno e definiu por completo o género modernizando-o em 1998.
Até então, parece que nada daquilo que nós hoje conhecemos nestas histórias de amor no cinema oriental existia nos moldes que agora nos fascinam e sendo assim segundo rezam as crónicas, o cinema romãntico Sul Coreano renasceu com esta obra que practicamente definiu o estilo – boy meets girl, boy looses girl, boy gets girl again, girl/boy dies, boy/girl ends up alone.

Por este prisma, eu sou o primeiro a reconhecer o seu valor.
Hoje claro, já vimos este tipo de estrutura mil vezes mas se calhar na altura foi mesmo capaz de ter causado um grande impacto nas plateias ao melhor estilo choradeira-lovestory anos 70.
Agora o que me surpreende é toda a gente continuar ainda hoje maravilhado com o filme quando já existem pelo menos uma dezena de melhores, mais drámaticos e mais eficazes exemplos dentro do género.
Se vocês já viram tudo o que tenho aconselhado aqui neste blog dentro do género romântico muito certamente também irão ter a mesma opinião que eu quando agora forem ver [“Christmas in August“].
Digam-me qualquer coisa pois gostaria muito de saber o que vocês acham sobre a enorme fama deste filme.

De resto não há muito mais para se dizer sobre ele.
É um bom produto, boas interpretações, miuda fofinha, história triste mas bonita e tudo o mais que normalmente há de bom neste tipo de cinema made-in-coreia do sul.
Não posso deixar de recomendá-lo também se já viram tudo o resto de que tenho falado, pois na verdade [“Christmas in August“] não tem propriamente nada de mau que se possa apontar nele.
Apenas tem uma carga de emotividade algo inóqua e não percebi até hoje o porquê disto ser assim.

——————————————————————————————————————CLASSIFICAÇÃO:

Se já viram tudo o resto dentro do género romântico que recomendei até hoje, devem então juntar este filme á vossa lista de coisas a ver.
Até por uma questão histórica pois supostamente este foi o filme que reinventou o género e o modernizou no que toca ás histórias de amor made-in-coreia-do-sul que hoje vocês conhecem.
De resto, na minha opinião quando comparado com o que já foi feito nestes últimos anos, [“Christmas in August“] não passa apenas de mais um pequeno e muito interessante filme mas nem de longe nem de perto será a obra-prima maior do género romântico oriental como practicamente todas as reviews o designam.
Não o colocaria no topo da minha lista de filmes a ver se tivesse chegado apenas agora ao género romântico sul-coreano.
Duas tigelas e meia de noodles pois é muito interessante mesmo mas não mais do que isso e dúvido se lhes ficará sequer na memória.

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A favor: história simples e bem contada, alguma poesia e atmosfera, excelente naturalidade nos personagens, é um filme fofinho.
Contra: na verdade não há nada de negativo neste filme, apenas falta-lhe algo para criar realmente o mesmo nível de emoção que obras posteriores como “My Sassy Girl“, “The Classic“, “Fly me to Polaris“, “Il Mare” ou “Be With You” conseguiram atingir. Por qualquer motivo não me emocionou minimamente, não deu a mínima vontade de chorar e isso é o pior que poderia ter acontecido num drama romântico Sul Coreano. Até o bem mediano “My Girl & I” tem mais emotividade e poesia que [“Christmas in August“] e não estava nada á espera disso tendo em conta a reputação de obra-prima deste filme.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
Parece que não há trailer disto em lado nenhum por isso fica aqui um videoclip.
http://www.youtube.com/watch?v=GQzq_Un-1Xc&feature=related


COMPRAR

A edição que eu tenho (capa acima) parece já não existir mas podem comprar esta aqui.
Christmas In August [DVD]

Imdb
http://www.imdb.com/title/tt0140825/

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Outros títulos românticos (bem mais) recomendados:

Be With You My Sassy Girl Il Mare The Classic Fly me to Polaris

Love Phobia concerto_capinha_73x cyborg_she_capinha_73x

ditto_capinha_73x midnightsun_capinha my_girl_and_i_minicapinha

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Yeonae soseol (Lover´s Concerto) Han Lee (2002) Coreia do Sul


concerto16

Jack trabalha no McDonalds onde passa o dia a atender clientes ao som da última musica pop da Hanah Montana e vive uma vida saída de um teledisco onde tudo é jovem, muito cool e cheio de “rebeldia”. Claro que Jack também adora desporto e não perde um jogo de futebol americano na televisão.
Um dia Jack conhece Mindy e Cindy que por acaso entram no McDonalds para comprar Coca-Cola e imediatamente se apaixona por Cindy a mais tímida das duas raparigas. Tímida mas nem por isso menos na moda pois Cindy tal como Mindy envergam o último grito fashion teen. Mas enquanto Mindy apresenta-se com um estilo punk inspirado na melhor moda tipo geração rebelde, Cindy é o espelho da jovenzinha intelectual mas nem por isso menos sexy.
Num acto tresloucado de rebeldia juvenil Jack manda o patrão para o caraças ao mesmo tempo que debita uma daquelas frases emblemáticas para a câmara e cheio de estilo enceta uma perseguição pela cidade ao som de outra música pop enquanto segue as duas jovens que entretanto sairam do McDonalds mas entraram no Burger Ranch.
Quando as encontra de novo Jack em grandes planos de câmara lenta dá-se a conhecer de corpo inteiro de modo a que o espectador possa perceber bem que marca é que ele veste. Claro que o look boys-band do rapaz é suficiente para que Cindy imediatamente se apaixone por ele.
Então os trés começam a sair juntos, (ao som de mais música pop claro) e o inevitável acontece, claro que Mindy também se apaixona por Jack e surge o óbvio triangulo amoroso. Um dia Cindy apanha Jack a beijar Mindy e acaba tudo com ele.
Claro que Mindy estava só a curtir com Jack para fazer ciumes á amiga e este apercebendo-se disso resolve tentar fazer as pazes com Cindy que entretanto tinha ido parar ao Hospital porque estava muito deprimida por ter acabado o namoro.
Jack então faz-lhe uma serenata e diz muitas vezes “i love you”, esta cura-se de todas as maleitas e eles vivem felizes para sempre. The End.
Ao som de outra musica pop claro.

concerto12

A esta altura vocês já devem estar a pensar que eu me passei de vez.
Que isto de estar meses sem escrever no blog e a fazer banda desenhada me deu cabo da mona por completo.
Ainda não flipei.
Vou falar-vos de [“Lover´s Concerto“] e o que escrevi atrás tem uma razão de ser.
Se alguma vez houve uma obra oriental que espelha bem a extraordinária diferença entre um filme romântico com adolescentes made-in-Hollywood e um filme romântico com adolescentes feito na Coreia do Sul, então [“Lover´s Concerto“] é esse filme.

concerto20

Imaginem prácticamente a mesma história que lhes contei acima com os habituais tiques Hollywoodescos mas retirem-lhe todos os clichés que estão habituados a encontrar no cinema pseudo-romântico para adolescentes americanos e encontrarão uma história com uma identidade absolutamente real em que nos esquecemos por completo que estamos a ver actores a representar um papel.
Mesmo sendo um filme asiático que nem sequer tenta particularmente fugir aos habituais clichés dentro do próprio cinema comercial romântico Sul Coreano [“Lover´s Concerto“] é um produto com alma e desta vez nem sequer é por causa da história pois pessoalmente nem a achei particularmente interessante.

concerto17

Tem no entanto uma coisa extraordinária e que justifica plenamente a sua visão por quem gosta de cinema romântico sul coreano. O trio de protagonistas tem um carísma absolutamente perfeito e desde o primeiro minuto em que se encontram nos parecem pessoas reais e não os habituais adolescentes formatados para encaixarem em todas as étnias de modo a não insultarem nenhuma raça ao exclui-la da história.
Em [“Lover´s Concerto“] nenhum dos adolescentes nos parece um personagem de cartão.
Não falam de maneira cool a todo o instante, não se vestem para nos vender a roupa da moda e muito menos ouvem qualquer música pop para nos vender discos e nenhum deles tem um amigo (como personagem secundário) de uma étnia que esteja na moda não descriminar.

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Além disto, [“Lover´s Concerto“] difere também no próprio estilo de filme romãntico, pois na verdade por muito cliché que seja, acaba por contornar todos os lugares comuns ao apresentar o romance mais como consequência de uma grande amizade do que própriamente como sendo a habitual paixoneta teen ou o amor impossível menino-pobre-menina-rica que vemos nos produtos ocidentais.
Se alguma vez procurarem um filme romântico em que o verdadeiro amor representado no filme está na amizade das trés personagens que compõem um triangulo amoroso, não procurem mais longe.

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É uma história de amor oriental em que na realidade, o amor é quase secundário face á força da amizade que une os personagens e está aqui a força deste argumento.
Um argumento que nem sequer tem muito para contar, mas consegue fazer-nos pensar no que será verdadeiramente amar alguém sem precisar de nos espetar constantemente com esse tema de forma óbvia em diálogos de telenovela.
Os Sul Coreanos são mestres em fazer histórias de amor em que raramente se ouve alguém dizer “amo-te” e esta não é excepção.

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Ao contrário dos argumentistas Americanos, os Sul Coreanos parecem há muito ter descoberto que o espectador consegue mais sentir uma emoção contida num personagem do que sentimos alguma coisa ao assistir a intermináveis linhas de diálogo em modo histérico adolescente estilo telenovela que faz com que todos os supostos filmes românticos teen saídos de Hollywood sejam habitualmente intragáveis para o público mais velho.

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Quanto a mim uma das grandes virtudes do cinema Sul Coreano é a de conseguir produzir filmes românticos com adolescentes, para adolescentes, mas que contêm sempre muitas camadas (ás vezes até bem filosóficas) para além daquilo que seria de esperar e neste caso [“Lover´s Concerto“] não é excepção.
Não é de forma alguma a melhor história de amor oriental que poderão encontrar, mas poderá ser talvez a melhor e mais humana história de amizade/amor(?) entre adolescentes no mercado dvd dentro do estilo asiático.

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Também não será um grande filme Sul Coreano pois não tem nada na verdade que o distinga na sua realização de outros tantos produtos do género quase a roçar o estilo televisivo.
Se calhar por apresenta-nos um universo tão real que quase nos faz esquecer que tem um design de produção e muito trabalho de fotografia por detrás. Isso acaba por ser um trunfo mas também ao mesmo tempo será aquilo que o faz parecer um produto normal. No entanto é um daqueles filmes em que o realizador não teve problemas em desaparecer para dar lugar aos personagens da história.
Tirando os trés extraordinários protagonistas com os seus personagens humanamente perfeitos [“Lover´s Concerto“] não parece ter muito mais para nos deslumbrar. No entanto, acreditem, chega perfeitamente e é essa a sua mais valia.

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Tem inevitávelmente um twist na sua história, mas tenho que confessar que não me surpreendeu particularmente da primeira vez que o vi. Não porque o tivesse adivinhado, mas porque na verdade acho que nem reparei nele pois a segunda metade do filme torna-se algo fragmentada e se não estivermos com atenção podemos perder muito daquilo que seria o impacto final da história.
Um conselho…estejam muito atentos aos nomes dos personagens e decorem bem cada um. Isso ajudar-vos-á a seguir como deve ser o segmento final.

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[“Lover´s Concerto“] é um daqueles filmes orientais que recomendo pela sua humanidade a toda a gente que chega a este blog á procura de críticas sobre filmes românticos deste estilo, pois acreditem-me que vão gostar muito daqueles personagens. É uma história humanamente muito bem escrita e onde até nos consegue fazer sentir uma grande empatia pelo personagem mais terciário que se envolve lateralmente á história principal. E não posso dizer mais nada para não estragar o filme. Não é nenhuma surpresa mas é mais um daqueles pequenos momentos que enriquecem humanamente o argumento.

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Deixo-vos apenas com uma pequena nota triste. Uma das actrizes do filme, que vêem na foto acima suicidou-se há um par de anos surpreendendo toda a gente e deixando a Coreia do Sul em estado de choque. Segundo consta devido a uma depressão de amor, o que não deixa de ser curioso.

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CLASSIFICAÇÃO:

Um filme indispensável em qualquer dvdteca de cinema romântico Sul Coreano ou de cinema oriental em geral apesar de não ser uma obra extraordinária dentro de uma conotação mais cinéfila-intelectual-de-café.
É um filme asiático  simples, cheio de lugares comuns, mas que conta com trés dos melhores personagens adolescentes que poderão encontrar no cinema romântico oriental e é uma história de amizade perfeita que se calhar ainda fará pensar um espectador ou dois.
Ao contrário do que acontece nos filmes pseudo-românticos com adolescentes made-in-Hollywood [“Lover´s Concerto“] tem muita alma e irá agradar até ao público mais velhinho.

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A favor: o humanismo da história, a sua simplicidade é viciante, os personagens são totalmente carismáticos e parecem pessoas verdadeiras, o trabalho dos actores é extraordinário na sua simplicidade e esquecemo-nos por completo que estão a representar, a pequena história de amor paralela com uma das irmãs de um dos personagens principais resulta plenamente apesar da sua brevidade e extrema simplicidade, tem um twist fixe no final embora não seja nada do outro mundo, faz-nos pensar no conceito amizade/amor sem sequer meter “i love you” a todo o instante.
Contra: visualmente não tem nada de extraordinário ou sequer de muito cinemático, a segunda metade da história parece correr demasiado depressa e as motivações dos próprios personagens não nos parecem tão reais quanto na primeira metade, o final tem um tom estranho que faz com este pareça pertencer a um filme completamente diferente e com isso quebra bastante do impacto emocional que [“Lover´s Concerto“] merecia ter tido.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER
http://www.youtube.com/watch?v=obdytjJPdDg

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COMPRAR
Eu comprei esta. Não é propriamente uma edição espantosa a nivel de imagem mas tem um Dts excelente e um making off porreiro.
No entanto podem comprar a edição americana R1 se preferirem pois é exactamente a mesma com uma capa mais ocidental e um preço porreiro também quando convertido para Euros por exemplo.

IMDB
Não recomendo que espreitem o imdb antes de verem o filme, pois algumas reviews podem estragar-lhes todas as surpresas da história.

http://www.imdb.com/title/tt0328675/

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Outros títulos românticos recomendados:

Be With You My Sassy Girl Love Phobia

Il Mare The Classic Fly me to Polaris

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Wakusei daisenso (War in Space – Guerra no Espaço) Jun Fukuda (1977) Japão


Rezam as crónicas que este filme asiático estreou nos cinemas em 1977 sete meses após StarWars ter surgido do nada e esgotado bilheteiras por todo o mundo.
O que não aconteceu própriamente com esta produção japonesa feita a todo o vapor.
A tanto vapor que até as naves ainda deitam fumo do escape quando voam pelo universo.
Parece que algures no Japão, alguém achou que seria possível criar de raiz em poucos meses algo que se pudesse bater comercialmente com o filme de George Lucas e o resultado foi este [“War in Space“] que inclusivamente teve honras de passar nos cinemas portugueses e tudo.

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[“War in Space“] é conhecido não só como o primeiro clone oficial de StarWars mas também como a space-opera que mais rapidamente foi produzida tentanto aproveitar o sucesso do género.
Se calhar ninguém melhor que os japoneses para conseguirem produzir um filme de efeitos especiais de forma quase instantânea e portanto este filme é um excelente exemplo do que um estúdio consegue fazer á pressa para tentar apanhar o barco de um sucesso contemporaneo e sacar também umas massas ao público que pede mais.

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Isto pode ser o primeiro clone de StarWars mas na verdade não se pode comparar pois apesar de ser também uma space-opera a nível de história não tem nem tenta ter nada a ver com a saga imaginada por George Lucas.
Felizmente que os produtores de [“War in Space“] sabiam que não tinham muito dinheiro e muito menos tinham tempo e portanto nem sequer tentaram recriar um universo muito fora da nossa realidade. Sendo assim este filme não se passa numa galáxia muito, muito distante, mas sim na nossa santa Terrinha que mais uma vez é invadida por uns extraterrestres maus.

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E não só são maus, como desta vez absolutamente rídiculos e hilariantes. Neste aspecto nota alta para o equivalente ao Chewbacca (?) que aparece em [“War in Space“] e quando vocês virem o gajo tipo boi com um machado de plástico enorme e uns cornos de envergadura a condizer vão perceber o que quero dizer.
Tudo é mau em [“War in Space“] e sendo assim tudo é bom e se calhar não poderia ser melhor porque na realidade seria dificil fazer pior. Nota alta portanto para tudo isto se é que me entendem.

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Na verdade este filme não é uma desgraça porque tudo nele é mau no que toca a argumento, interpretações ou efeitos especiais. [“War in Space“] fracassa apenas por causa de um pormenor.
Tinha tudo para ser um daqueles filmes genialmente maus totalmente recomendáveis mas comete um erro que na minha opinião lhe retira imediatamente muitos pontos valiosos. Leva bastante tempo até começar a aparecer no ecran aquilo que supostamente seria o seu propósito.

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Afinal, se este filme pretendia seguir as pisadas de StarWars, seria de esperar que não demorasse muito a nos mostrar cenas porreiras com muitas batalhas no espaço, tiroteios laser em corredores com os nossos herois encurralados, etc.
Acontece que o filminho não teve um orçamento por aí além e isso nota-se, pois o filme começa e até que se passe realmente alguma coisa divertida temos de esperar pelo menos uma meia hora.

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Até começar aquilo que o pessoal quer ver, (porrada espacial), o espectador leva com uma espécie de história de espionagem que envolve agentes secretos extraterrestres que se disfarçam de humanos, cenas de acção passadas em escritórios e cenários perfeitamente mundanos e corriqueiros e as inevitáveis tentativas de desenvolvimento de personagens que são um vazio absoluto pois nenhum dos personagens tem qualquer carísma ou interesse. Convenhamos, um tipo não foi ver [“War in Space“] para ver cenas com senhores de fato e gravata, diálogos políticos e escritórios banais.

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E por falar em personagens…o que raio se passava com o cinema estilo blockbuster japonês nos anos 70 ? Porque razão tinha sempre um elenco internacional que metia actores americanos absolutamente obscuros e cada um pior que o outro ? Tal como em “Bye-Bye Jupiter” também um dos pontos altos de [“War in Space“] é precisamente o facto desta história meter personagens americanos porque sim.

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Sendo assim o que dizer de tudo isto ? Este é um filme oriental muito estranho. Não se pode dizer que seja um filme de culto porque não é suficientemente divertido e leva algum tempo a desenvolver mas no entanto é um daqueles que vale mesmo a pena ser visto por quem se interessa pelo género space-opera.
Pelo menos a segunda metade do filme recomenda-se vivamente.
Mal os herois chegam a Venus e começa a porradaria espacial o filme ganha uma nova identidade e tudo aquilo que o pessoal adora odiar nestes filmes está presente.

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Vocês vão adorar as naves com fios, as batalhas espaciais com maquetes ridiculas e  as cenas de tiros em corredores. Além disso por qualquer motivo a heroína do filme quando é raptada alguém lhe vestiu uns calções curtinhos sabe-se lá porquê e portanto já estão a ver que [“War in Space“] é uma aventura espacial com classe.
E se vocês acham aque a coisa ainda não poderia ficar mais hilariante então é porque ainda nem viram o aspecto do vilão. Digo-lhes apenas que não será propriamente o Darth-Vader…

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Os cenários são típicamente japoneses, o guarda roupa é de ver para crer e os efeitos são tudo menos especiais.
Desenvolvimento de personagens não há. A não ser que conte a tocante (snif) cena em que o heroi gringo descobre que a família foi toda morta pelos bichos maus ou a parte em que o comandante da nave se resolve matar para salvar toda a gente.
Ooops, revelei o final da história…oh pá…

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CLASSIFICAÇÃO:

Podia ter sido um filme de culto, mas tem pequenos aspectos desinteressantes que o impedem de ser realmente o filme divertido que merecia ter sido.
No entanto, apesar da minha baixa classificação é um daqueles filmes que merece ser visto pelo menos uma vez por toda a gente que gosta de aventuras no espaço.
Infelizmente não estamos na presença de um filme genialmente mau e é pena pois tinha tudo para ser um daqueles guilty-pleasures que temos vontade de rever vezes sem conta. De qualquer forma vale a pena espreitarem. No entanto se são bons clones do StarWars que procuram sugiro antes que espreitem StarCrash e Starchaser, longe do cinema oriental.
Duas tigelas de noodles porque é um pequeno filminho interessante mas não mais do que isso e porque é mais aborrecido do que tinha o direito e o dever de ter sido pois estamos na presença de uma verdadeira oportunidade falhada para terem criado um filme de culto.

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A favor: as naves horrorosas penduras com fios são geniais, tem um submarino espacial que parece um revolver gigante mas não serve para grande coisa e portanto é mágnifico, as naves deitam fumo do escape no espaço, tem um alien que parece um boi gigante e miudas em calções curtinhos sem qualquer motivo para tal, o vilão é de ver para crer pois faz qualquer personagem dos Power Rangers parecer a sério, visualmente tem uma atmosfera gráfica estranhamente agradável e com uma boa fotografia a condizer, tem porrada espacial e tiros por tudo e por nada a partir da segunda metade do filme, os efeitos especiais são do piorio e portanto são mágnificos, quem em criança viu isto no cinema em Portugal quando passou por cá no final dos anos 70 óbviamente vai querer mesmo rever isto.
Contra: foi feito á pressa para aproveitar a moda do sucesso de StarWars e nota-se, de todas as space-operas japonesas do final dos anos 70 esta é a menos interessante porque lhe falta carísma, se não deixarem o cérebro á porta vão detestar este filme em absoluto, poderia ter sido muito divertido mas nunca consegue atingir aquela categoria do “tão-mau-que-se-torna-genial” devido a tentar levar-se demasiado a sério quando não teve orçamento para isso, leva demasiado tempo até se tornar divertido, os personagens não têm um pingo de interesse ou carísma, ainda não percebi se o design é do piorio ou genialmente criativo, é impressão minha ou neste filme todos os cenários foram construídos em salas quadradas ?

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NOTAS ADICIONAIS:

TRAILER
http://www.youtube.com/watch?v=HzTh_Z-AsDE

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COMPRAR
Eu tenho esta edição e recomendo a compra deste DVD. Técnicamente é excelente com uma óptima qualidade de imagem e um par de extras muito informativos sobre o making of do filme que valem a pena ser consultados.

Podem procurá-lo na net mas eu nunca o encontrei para sacar.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0076902/

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