Inu to watashi no 10 no yakusoku (10 Promises to my dog) Katsuhide Motoki (2008) Japão


Na minha incessante busca por filme fofinhos de meter vómito ás vezes deparo-me com coisas absolutamente inesperadas, mas nada fazia prever que iria encontrar algo como [“10 Promises to my dog“] quando resolvi entrar em modo masoquista e procurar pelo filme mais piroso que conseguisse encontrar pela frente só porque me apetecia mesmo falar mal de um filme desses.

Na minha incessante busca por filmes fofinhos de meter vómito, segundo as minhas próprias regras habituais inspiradas, no que costuma sair de Hollywood dentro do estilo “passem-me o saco de vómito fachavor” lembrei-me logo de passear pela net a ver se descobria um filme oriental com cães, gatos ou qualquer outra coisa que abanasse a cauda.
Não podia falhar, seria piroseira e banalidade garantida.
Eis que me deparo com o candidato ideal [“10 Promises to my dog“] e quando eu já esfregava as mãos de contente e me preparava para ver algo realmente do piorio, saiu-me por completo o tiro pela culatra e não estava nada á espera disto. Toma que é para aprenderes !

Ainda não tinha passado vinte minutos de filme e já eu sabia que [“10 Promises to my dog“] seria algo bem mais especial do que eu alguma vez teria previsto. Cinquenta minutos depois, já eu tinha feito pausa na minha cópia pirata e ido comprar o dvd na Play-Asia. E porquê ? – perguntam vocês.
Porque este filme recordou-me imediatamente “Be With You” pelo seu estilo incrivelmente simples, estética visual muito semelhante, uma fotografia em tons sépia muito bonita e personagens centrais dentro do mesmo registo low-key mas completamente cativantes com uma humanização que se entranha no espectador sem este dar por isso.

E mais, contrariamente ao esperado [“10 Promises to my dog“] contorna habilmente todas as armadilhas, manipulações emocionais e clichés de que todos vocês estarão á espera mal espreitem a capa do dvd ou o cartaz do filme.
Se isto tivesse sido um filme Disney, o espectador levaria com sucessivas sequências em que o cãozinho se perdia durante minutos a fio, sofria imenso, encontrava pessoa más, chorava para a câmera,etc, etc, etc e no fim encontraria os donos enquanto correria em câmera lenta em direcção a todos nós. The End.

Pois bem, [“10 Promises to my dog“] passa lateralmente por esses lugares comuns nem sequer se demora muito com esses detalhes e muito menos os torna na parte central do argumento.
Ao contrário do que vocês esperam, o cãozinho fofinho não é o centro da história o que parece uma total contradição pois tudo gira á volta da sua presença na vida dos personagens humanos.
Isto é bastante dificil de explicar, mas irão compreender o que quero dizer quando virem o filme e é este pormenor que o torna num produto único dentro deste género de cinema. Eu pela minha parte não estava nada á espera disto.

[“10 Promises to my dog“] é um filme oriental acima de tudo sobre humanos e sobre as escolhas que temos de fazer na vida. Sobre o facto de ás vezes uma decisão tão aparentemente simples como dar ou não atenção a um animal de estimação durante uns minutos poder mudar o rumo da história pessoal de quem um dia decide trazer um cão para casa.
Este é um pequeno grande filme japonês sobre a responsabilidade do que é ter um animal e de que forma essa “banal” decisão nos pode tornar pessoas diferentes.
Se alguma vez tiveram um cão ou pensaram ter um, [“10 Promises to my dog“] é um filme completamente obrigatório pois garanto-vos que lhes fará pensar em coisas que certamente nunca lhes passaram pela cabeça.

A força deste filme oriental, está no facto de conseguir fazer tudo isso sem nunca dar a entender essa intenção. Ao contrário do que é costume neste género de filmes no ocidente, o argumento não nos atira constantemente á cara lições de moral para nos dizer como nos devemos sentir, mas faz-nos pensar em muita coisa, inclusivamente muitos minutos depois das cenas já terem passado.
Não nos obriga a viver – no momento – em que o realizador decide em que agora quer meter toda a plateia a chorar porque o cãozinho está perdido, mas faz-nos pensar muitos minutos depois na importância do que levou certa coisa acontecer, sem nos tentar explicar nada ou demonstrar por A+B porque isso tinha de acontecer.

Essencialmente [“10 Promises to my dog“] é uma história sobre a vida de um cão, não do ponto de vista daquilo que lhe acontece ao longo dos seus anos de vida, mas sim daquilo que a sua presença significou para os seres humanos que o rodearam.
Se existe um bom filme sobre o impacto invisível que cada um de nós pode ter sobre o mundo de outra pessoa sem sequer termos uma consciência disso, este é esse filme.
O cão aqui não é apenas um catalisador para haver duas horas de pelicula com um bando de personagens humanos estilo cartão que mais não fazem na história do que proporcionar motivos para o cão brilhar e fazer chorar as plateias. Esqueçam.

Em [“10 Promises to my dog“] o cão nunca é filmado dessa maneira,mesmo quando por momentos tudo parece que vai descambar no cliché do costume; felizmente logo muito bem contornado pela ligeireza com que o realizador aborda todos aqueles pequenos segmentos que fora do cinema oriental seriam o ponto central da cena e o fulcro de muita chantagem emocional em modo histérico junto do espectador.
[“10 Promises to my dog“] é um filme sobre um cão mas não esquece os personagens humanos e consegue ser tão bem sucedido nesse aspecto que lá para o fim da história, enquanto espectadores já o olhamos mais como outro personagem humano do que própriamente como sendo o animal de estimação da familia.

Isto torna o pequeno “twist” presente no fim da  história em algo que noutro lado poderia parecer forçado, mas que tendo em conta a caracterização do personagem canino ao longo do filme, enquanto espectadores, nem sequer questionamos a legitimidade da pequena surpresa relativa ao ponto de vista do cão e que se nos depara no final com o pai e a filha á entrada da casa. Mais um ponto positivo neste filme que poderia ter sido absolutamente básico e plástico e no entanto surpreende pela positiva pela forma como os pormenores são abordados.

Estava a ver a cena da morte do bicho (sim, o bicho morre) e fiquei absolutamente fascinado pelo facto de a estar a sentir não pelo ponto de vista de ser mais uma cena com a morte de um bichinho, mas porque a senti como se fosse um personagem humano que morre de velhice rodeado na sua cama por todos os que o amam e quanto a mim é neste ponto que acho que [“10 Promises to my dog“] leva logo uma nota alta que o distingue dos restantes filmes com cães fofinhos que já vi ao longo dos anos.
A grande lição a tirar desta história é que nos faz pensar num animal de estimação como um amigo e faz-nos sentir essa sensação sem precisar de um argumento que nos explique em estilo paternalista como nos devemos estar a sentir ao contrário do que é costume assistirmos.
Na verdade se formos a ver muito pouca coisa é explicada neste filme. Apenas sentimos e não questionamos. O que quanto a mim é um bom exemplo do trabalho do realizador que soube como ninguém como gerir esta história.

Como já disse [“10 Promises to my dog“] só aparentemente é uma história sobre um cão. Na sua simplicidade este argumento consegue ainda abordar temas como a solidão, a responsabilidade, o sucesso e a morte e nesse aspecto podem ter a certeza que os fará pensar sobre muita coisa, muito mais do que esperam.
A forma ligeira como aborda o tema da morte não lhe retira a sua força mas é bastante interessante. Nada neste argumento é desperdiçado e nunca sentimos que existem cenas a mais (com uma excepção).
Um bom exemplo disto é a cena da morte da mãe da protagonista onde a coisa se passa e o espectador só minutos mais tarde se dá conta. E isto tem uma razão dentro da própria estrutura do argumento que joga muito bem todos aqueles pormenores que nem notamos.

Basicamente, adorei este filme e não estava nada á espera disto. Há muito tempo que não via um filme tão bonito e tão bem trabalhado num género assim. Poderia fácilmente não ter sido mais do que um bom produto para crianças e se calhar nem precisava de ser mais do que isso para ser um filme simpático, mas no entanto insinua-se por entre o espectador com pormenores muito mais interessantes que o elevam a um patamar acima do que é comum encontrarmos neste tipo de filmes que normalmente as crianças gostam mas que provocam bocejos nos adultos.
Se tem uma falha está apenas no facto de haver uma total falta de química entre o par protagonista da vertente romântica da história. O que não é nada normal no cinema oriental nem seria de prever neste filme, pois practicamente todo o elenco é simplesmente perfeito, com destaque para o elenco infantil. No entanto as versões adultas das crianças da história sofrem de alguma falta de química entre si e a sua história de amor nunca resulta tão convicente quanto tudo o resto.

Outra falha (quanto a mim grave), está nos cinco minutos finais passados numa igreja. São absolutamente desnecessários, cortam todo o estado emocional da sequência da morte do bicho e entram por uma atmosfera foleira que por momentos ameaça fazer com que [“10 Promises to my dog“] termine em absoluta piroseira. É pena.
Por mim cortava os últimos cinco minutos de filme, mas também não é por isso que deixo de gostar menos dele.

Já o vi há mais de 24 horas, não me sai da cabeça e ando a recomendá-lo a toda a gente feito estúpido sem conseguir explicar ao pessoal que [“10 Promises to my dog“] não é mais um “Benji” ou “Marley & Eu” mas sim algo com uma alma completamente diferente e que transmite uma sensação genuína muito credível. Pelo menos na minha opinião.
Por um lado, se calhar não é um filme que eu possa recomendar ao público em geral.

Poderá ser apenas um daqueles que só poderá ser devidamente valorizado por quem já teve um cão (ou gato) e para todos os restantes parecerá um filme absolutamente banal, até porque não é propriamente uma obra maior do cinema (nem tenta ser), não terá nada de absolutamente extraordinário nem ficará para a história sequer do género (com muita pena minha); um pouco por culpa do próprio realizador, pois ao escolher um estilo tão “invisível” e verdadeiramente low-key para narrar esta história acabou por criar se calhar um produto que parecerá bem mais banal do que na verdade é.

Sendo assim, sinto que para ser justo tal com já fiz antes neste blog, também este filme terá agora dois tipos de classificações. Vamos a isto:

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CLASSIFICAÇÃO PESSOAL:

Se já tiveram um cão não podem perder este filme.
Se estão a pensar ter um cão (e nunca tiveram um), então é de visionamento obrigatório pois funciona quase como uma espécie de exposição a tudo o que poderão ter de enfrentar e principalmente aborda pequenos pormenores que se calhar vocês nem nunca imaginaram que poderiam ser importantes perante a responsabilidade de se ter um bicho.
[“10 Promises to my dog“] é uma verdadeira pérola perdida no meio do género filme-fofinho pois acaba por ser muito mais sério e acima de tudo interessante do que poderá parecer á primeira vista.
Não esperem que este seja apenas mais um filme com cãezinhos ao estilo matinée Disney pois é bem mais do que parece na capa.
Foi uma das melhores surpresas que tive nos últimos tempos e um filme que irei rever muitas vezes certamente.
Pode não ser um grande objecto de cinema, mas também não precisa de ser mais para ser um filme muito bonito, cheio de atmosfera e significado quanto baste.
Quem gostou da atmosfera e do estilo de filme que encontrou em “Be With You” e nunca mais conseguiu ver um filme assim, tem neste [“10 Promises to my dog“] um pequeno produto comercial obrigatório, onde nem falta um pequeno mas discreto e simbólico “twist” quase no final.
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award.
Se eu alguma vez eu voltar a ter um cão e calhar ser um Golden Retriever, podem ter a certeza que se irá chamar “Socks“. 🙂

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A favor: comete a proeza de não ser apenas uma colecção de cenas fofinhas com cachorros em vez de ser um filme, a história não está centrada á volta do cão da forma que vocês julgam que vai estar, mais uma vez a humanidade da caracterização dos personagens, toda a naturalidade nunca se perde mesmo quando parece ir enveredar pelo habitual lugar-comum dentro deste género de filme, o ambiente visual conta com algumas imagens lindíssimas que aproveitam bem a fotografia em tons de sépia, a realização nem se nota mas é completamente eficaz a levar-nos pela história até ao seu final inevitável mas muito bem gerido a nível emocional, consegue humanizar o personagem do cão e no final já nem o olhamos como sendo um animal de estimação, o elenco infantil tem uma química fantástica, é outro filme oriental que vai buscar a sua banda sonora novamente á minha música clássica favorita “Canon de Pachelbel” tal como antes “The Classic” e “My Sassy Girl” já o tinham feito também com excelentes resultados, excelente aproveitamento de uma música dos anos 80 que sempre detestei “Time After Time” da Cindy Lauper, tem mais um par de cachorros hilariantes com destaque para o cão com cabelo em estilo de cubo (logo percebem), é um filme que vos irá fazer pensar muito mais em certos assuntos do que alguma vez imaginaram quando começarem a vê-lo, a maneira ligeira  como lida com o tema da morte, solidão e responsabilidade sem nunca perder a poesia, é um filme com alma, contorna habilmente todas as armadilhas que poderiam ter estragado tudo, é o melhor filme com animais e principalmente sobre animais que vi até hoje, não se parece com um produto americano e tem uma identidade perfeitamente oriental, se se identificarem com o coração emocional do filme arriscam-se a gastar pacotes de lenços de papel sucessivamente mas se calhar não pelos motivos que julgam ir encontrar pelo tipo de filme que é…
Se gostaram de “Be With You” não podem perder [“10 Promises to my dog“] pois o tom emocional é semelhante.
Contra: não deslumbra enquanto objecto cinematográfico pois todo o filme apaga-se nos personagens e na história que conta mas se calhar isto é também uma mais-valia, as caudas de CGI que colocaram no cão para lhe tentar dar mais expressividade em alguns momentos (gimmick infantil e desnecessário que quase arruina algumas das melhores partes do filme), a química romântica entre o par protagonista anda próximo do zero e pelo menos a mim nunca me convenceram do potencial dramático que a história de amor deveria ter tido, tem cinco minutos a mais de filme no final pois as cenas na igreja não servem absolutamente para nada além de amenizarem o impacto emocional com que a história conseguiu terminar no que toca á vida do cachorro, apesar de tudo é um filme com elevado grau de cenas fofinhas e isso poderá enervar quem detesta este tipo de cinema oriental.

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Para o público em geral, para os cinéfilos mais sérios ou para quem não gosta particularmente de animais:
CLASSIFICAÇÃO :
Trés tigelas de noodles, porque consegue ser um bom filme que contorna habilmente os clichés do género (mesmo sem os evitar) e que não insulta a inteligencia de quem procura apenas passar um par de horas com um produto simples bem feito e onde não falta um toque de poesia quanto baste. É um excelente filme de familia e mantém uma boa identidade oriental sem se parecer com os habituais produtos semelhantes ao estilo Disney.
Não tem nada particularmente mau, mas deve ser evitado por quem odeia de morte filmes com ambiente cute.
Quem nunca soube o que é ter um cão poderá não se identificar particularmente com nada deste filme, por outro lado não se admirem se depois de verem [“10 Promises to my dog“] lhes apetecer arranjar um.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER
http://www.youtube.com/watch?v=1t7o31J8nOo

COMPRAR
Podem encontrar adquirir este filme por exemplo aqui nesta loja. Bom serviço e com muitos outros títulos á escolha.

Se o quiserem espreitar antes…podem ir buscá-lo aqui neste blog por exemplo (legendas inglés).

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1179271/

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Filmes semelhantes de que certamente irão gostar:

Be With You

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Madeleine (Madeleine) Kwang-chun Park (2003) Coreia do Sul


[“Madeleine“] é um filme oriental muito bonito mas se calhar não se nota á primeira, pois é uma love-story asiática particularemente discreta.
Não tem o habitual estilo excessivamente melodramático muito característico do cinema romântico Coreano e por isso não nos causa aquele impacto inicial que muitas obras nos provocam.
Quando vi [“Madeleine“] pela primeira vez fiquei sem perceber se tinha gostado muito do filme, ou nem por isso.
Achei que lhe faltava algo, pois senti falta daquela emoção imediata de outros filmes como “The Classic” por exemplo e por isso pareceu-me particularmente ambiguo.
No entanto, apesar de ter arrumado o filme na prateleira, por qualquer motivo não me consegui esquecer dele ou tirar a sua história da cabeça; dei por mim até a comparar outras love-stories que vi posteriormente com [“Madeleine“] e aos poucos comecei a perceber porque muitas críticas de cinema  falam deste filme de uma forma especial.

[“Madeleine“], é um filme Sul Coreano diferente. Á primeira vista parece ser uma cópia de “My Sassy Girl ” com dois personagens até semelhantes e uma estrutura parecida. No entanto o filme revela-se um trabalho mais contido e as emoções dos personagens são trabalhadas de uma forma diferente, o que afasta a história de ser apenas um eventual clone e lhe confere uma identidade asiática muito própria com contornos mais realisticos do que é habitual no cinema romântico da Coreia do Sul.

[“Madeleine“], conta a história de um rapaz e de uma rapariga que se conhecem desde o liceu, mas não se viam desde esses tempos. Até ao dia em que o rapaz vai cortar o cabelo e encontra a sua antiga colega que sonhava ser designer de penteados mas não conseguiu ir muito além do emprego de cabeleireira que arranjou.
Sem nada em comum antes, também agora os dois não têm grandes motivos para se voltar a encontrar, mas no entanto acontece precisamente o contrário e desta vez esse facto atrai-os para uma nova relação de amizade que naturalmente vai evoluindo para um amor mais a sério.
Apesar de nenhum deles querer admiti-lo, pois afinal apesar de tudo parecer certo quando estão juntos continuam a não ter absolutamente nada em comum um com o outro.
Assim um dia combinam namorar durante um mês e nenhum dos dois pode acabar a relação antes desse período seja porque motivo for.
Isto a titulo de experiência e se tal não resultar cada um seguirá o seu caminho sem qualquer ressentimento.
Mas obviamente que as coisas não são assim tão simples.

Amores antigos regressam subitamente á vida dos dois protagonistas e a situação complica-se.
Mas não pensem que vão encontrar aqui os habituais triangulos amorosos formuláticos.
Isto é muito dificil de explicar mas tudo neste filme parece real e até as partes que se prestariam a uma abordagem mais típica de um filme de amor para adolescentes em [“Madeleine“], são apresentadas de uma forma perfeitamente natural.
Por exemplo do lado do rapaz, surge uma história paralela envolvendo uma amiga que depois do liceu se tornou vocalísta de uma banda rock e agora se encontra bastante interessada numa relação romântica com o protagonista ao mesmo tempo que tenta alcançar a fama.
Ora se isto fosse um filme romântico com adolescentes americanos made-in-hollywood, haveria logo de meter imensas traições e cenas com a heroína a descobrir o heroi nos braços de outra rapariga ou vice versa. E como o filme mete adolescentes e bandas de rock, inevitávelmente seria também uma daquelas histórias em que os protagonistas sonham ser estrelas rock e pelo caminho percorrem todos os clichés deste género de história tão repetido no cinema americano.
Não em [“Madeleine“].

A forma como [“Madeleine“], trata este tema é completamente refrescante pois evita todos os clichés do género e nunca cai no melodrama corriqueiro nem no típico filme para adolescentes sem cérebro.
Aliás na verdade quase que nem se sente uma carga dramática ao longo do filme.
As situações estão lá, mas parece que o espectador só as consegue verdadeiramente sentir quando estas já passaram.
Um pouco como acontecia com o personagem da robot-cyborg em “2046” de Hong-Kar-Wai, que tinha reacções emocionais atrasadas, neste filme parece que só quando as situações passam é que damos por nós a pensar nelas e só então apanhamos com o seu impacto emocional.
Como lhes disse isto é dificil de explicar porque este é realmente um filme muito diferente dentro do género romântico oriental o que o torna numa obra original.
Nem sequer é cinema de autor, mas tem uma carga intimista que não tinha visto num filme comercial com adolescentes, á excepção de “Nana” de que em breve irei também falar.
Até a parte sobre a banda de rock, que num filme americano dava logo motivo para muita história da treta sobre jovenzinhos que querem ser famosos, aqui serve apenas de suporte para a forma como as relações dos personagens são construídas.
Mas isto não impede que [“Madeleine“], tenha no entanto uma banda sonora com um par de temas rock excelentes, pois a banda que aparece no filme é mesmo real e a actriz que interpreta a sua vocalista está na verdade a interpretar-se a si mesma.

Outro tema absolutamente bem tratado e que se torna de certa forma o coração do filme é o tema do aborto. E mais uma vez não pensem que vão ver aquilo de que estão á espera.
O filme nem é contra nem a favor do aborto e na verdade apresenta-nos uma realidade que quase se torna uma terceira tomada de posição sobre o assunto, pois está muito baseada na cultura oriental e na forma filosófica como algumas religiões não católicas vêem de forma muito natural, extremamente poética e espiritual aquilo que para muita gente nascida debaixo de um severo catolicismo Mediterrânico será um pecado mortal que levará directamente ao inferno.
[“Madeleine“], aborda por momentos a questão e numa simples frase justifica de uma forma muito bonita aquilo que para muita gente será algo inconcebível, colocando este filme num patamar ainda mais elevado, pois se isto fosse um filme americano eu nem quero imaginar o tom moralista que estaria a envolver todo este pequeno segmento da história.

O titulo [“Madeleine“], vem no entanto não de qualquer personagem, mas sim de um bolo.
Madeine é o nome de um bolo, que julgo em Portugal chamar-se precisamente “Madalenas” e está no título do filme, porque é um elemento que liga vários personagens e simboliza essencialmente os bons momentos simples e felizes que podemos ter na nossa vida e que a que se calhar nem damos o devido valor.
As cenas envolvendo o respectivo bolo, são quase uma coisa á parte dentro do argumento principal do filme, mas no entanto são precisamente o coração emocional da história e que acaba por nos emocionar mais no final com uma das cenas mais bonitas onde os personagens partilham pela última vez um bocado de bolo de uma Madalena em tamanho grande.

Não há muito mais para dizer, pois este é um daqueles filmes orientais que não precisa de descrição, porque a simplicidade das suas imagens e personagens não precisa de mais nada para tornar [“Madeleine“], num filme romântico oriental muito bonito que nos toca mais do que parece fazer a uma primeira visão.

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CLASSIFICAÇÃO:

Uma história de amor sem história onde a simplicidade dos personagens e situações diz tudo.
Muito bonito, poético e cheio de alma e mais um excelente exemplo de como a Coreia do Sul produz actualmente as melhores e mais originais histórias de amor.
Cinco tigelas de noodles porque as merece plenamente.

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A favor: a simplicidade das situações e personagens, não entra por nenhum cliché de filmes adolescentes, tem um argumento inteligente, é poético sem se evidenciar a todo o momento, é um filme de adolescentes com um tratamento adulto que agradará a todas as faixas etárias, aborda temas polémicos de uma forma natural e muito bonita, nunca tenta pregar qualquer moral ou filosofia.
Contra: o seu estilo diferente pode retirar-lhe algum impacto emocional inicial. Por isso vejam-no pelo menos duas vezes porque este é um filme para ser interiorizado.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
Este é um filme muito dificil de ser encontrado como deve de ser actualmente.
Como nem sequer um trailer existe no YouTube, fiquem antes com um dos videoclips da banda sonora pois serve perfeitamente como trailer porque mostra plenamente a atmosfera do filme.
http://www.youtube.com/watch?v=OYkrJ3D9yBE

Comprar
Aqui estão com azar…
Este filme não se encontra já em parte alguma, por isso se o conseguirem descobrir nem hesitem em comprá-lo imediatamente. É uma edição de dois discos e o segundo é o CD da banda sonora com todas as músicas do filme remasterizadas com um som fantástico.
Estejam de olho neste link, pois o filme pode ter uma nova edição a qualquer momento e poderão depois comprá-lo aqui.
http://global.yesasia.com/en/PrdDept.aspx/did-90/code-k/section-videos/pid-1002531967/
Ah…e por qualquer motivo, alguém ainda me há de explicar porque raio é que a capa do dvd deste filme não tem absolutamente NADA a ver com o conteúdo do mesmo. Nada !
Os personagens de [“Madeleine“], nem sequer são parecidos com os que aparecem nas capas do dvd !Não entendo mesmo esta…Se visse alguma destas capas numa loja jamais me passaria pela cabeça que lá dentro das caixas estaria o filme [“Madeleine“].

O dvd do filme parece não estar já á venda, mas não terão grande dificuldade em descobri-lo nos torrents, porque [“Madeleine“], já se tornou um filme de culto dentro do género romântico Coreano, precisamente por ser diferente e ter uma aura de Rock muito bem apanhada.
Também está disponível no Youtube mas não recomendo de forma alguma aquela cópia, até porque o devido á banda sonora do filme, seria preferível poderem vê-lo com um som a condizer.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0345603/

Outra review
http://www.kfccinema.com/reviews/drama/madeleine/madeleine.html

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Se gostaram deste irão certamente gostar de:

Be With You My Sassy Girl Love Phobia

Il Mare The Classic Fly me to Polaris

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Xing yuan (Fly me to Polaris) Jingle Ma (1999) China


Como a procura de titulos de cinema romântico neste blog se mantem constantemente elevada por parte de todos vocês que o visitam, então está  na altura certa para vos apresentar um filme muito especial.
É daqueles que não irão esquecer tão cedo pois dentro do estilo romântico asiático [“Fly Me To Polaris“] é inclusive uma obra á parte por um motivo curioso e pouco comum.
Tudo o que habitualmente estraga por completo um filme romântico, desta vez é precisamente aquilo que lhe dá uma enorme magia e o transforma numa das histórias de amor mais bonitas que poderão encontrar dentro do cinema ultra-ultra-ultra comercial oriental.

Este é um filme oriental absolutamente extraordinário pela sua simplicidade.
Não tem um pingo de originalidade, não tem grande imaginação, e ainda por cima é possivelmente a maior colecção de clichés romântico-pirosos que vocês alguma vez poderão encontrar reunidos num só filme.
As situações dramáticas em [“Fly Me To Polaris“] não ficariam deslocadas numa canção da Ágata, numa letra do Tony Carreira ou num argumento de uma telenovela TVI.
Imaginem o lugar-comum mais óbvio que já lhes impingiram numa história romântica televisiva e multipliquem-no quase ao infinito. Adicionem-lhe uns pózinhos esotéricos de filosofia pseudo New Age comercial, reguem tudo com umas melodias de saxofone ultra melosas e suaves ao melhor estilo Kenny-G e obterão um dos melhores filmes românticos orientais que (quase já não) poderão encontrar actualmente no mercado dvd.

O filme oriental perfeito para ver com a namorada ou esposa em noite romântica, ou quem sabe, para conquistarem uma pessoal especial.  Não antes de se munirem com uma quantidade considerável de lenços de papel porque [“Fly Me To Polaris“] usa todos os truques e mais alguns para vos colocar de lágrima nos olhos.
Por isso recomendo muitos lenços de papel. Diria, até mesmo…boé !
Estão avisados.
É que este filme asiático tal como aconteceu com”The Classic” também já é famoso pelo tsunami de lágrimas que provoca. Não vale a pena resistirem pois se estiverem vivos, ainda tiverem um batimento cardíaco e se identificarem minimamente com os personagens, garanto-vos que se vão fartar de berrar baba e ranho mesmo que não queiram.
E vão divertir-se muito com isso pois faz parte do espírito da coisa.
É que o filme além de ser muito bonito também é extremamente positivo, isto apesar da choradeira galopante que consegue provocar nas incautas plateias que não imaginam sequer o que lhes vai cair em cima quando começam a ver este festival de aparente piroseira.
Posso acrescentar inclusivamente que já reduziu muitos gajos feios porcos e maus ao seu estado mais sensível, levando-os não só a comprarem o dvd horas depois de terem visto o filme, como também ainda meteram no cesto de compras “The Classic“, “Be With You“, “My Sassy Girl” e “Il Mare“, o que prova definitivamente que a malta do metal lá no fundo também são almas poéticamente sensíveis.
Mas afinal, que raio de filme oriental é este ?

[“Fly Me To Polaris“], não é suposto ser uma piroseira do piorio ?!
É sim. Este filme chinês só pode ser mesmo comparável á melhor história trágica publicada na revista Maria ou á desgraça da semana ao melhor estilo TVI.
Mas ninguém pode negar que tem muita alma !
[“Fly Me To Polaris“], é um verdadeiro milagre de realização e criação de atmosfera.
Tinha tudo para ser um filme pseudo-romântico absolutamente abjecto, detestável e primário, no entanto posso garantir-vos que é uma verdadeira obra prima da manipulação de emoções.
Tudo o que normalmente é extremamente negativo em produções semelhantes, aqui tem precisamente o efeito contrário, muito graças ao talento do realizador que soube como ninguém equilibrar todas as referências mais populares dentro do género para obter uma obra que se destaca por ser extremamente original usando a maior falta de originalidade possível…se é que isto faz algum sentido.
Este é um filme asiático quase interactivo que a partir de certa altura agarra o espectador e só nos larga quando nos joga contra a parede, nos espreme muito bem espremidos e ainda por cima nos faz ficar felizes por termos tido a sorte de continuar a ver este dvd mesmo quando de início [“Fly Me To Polaris“], não parecia absolutamente nada de especial.

Óbviamente que será apenas cinema oriental para quem gosta de cinema romântico. Nem que seja secretamente.
Diria mesmo, do bom cinema romântico; e neste caso nem o facto de ser um produto extremamente comercial consegue torná-lo num objecto cinéfilo menor. Muito pelo contrário.
[“Fly Me To Polaris“], é a prova de que até mesmo com um argumento cheio de lugares-comuns, se tivermos um realizador que os sabe trabalhar e usa-los de forma criativa, então o resultado pode superar todas as expectativas e surpreender muita gente.
Neste caso o trabalho ainda é mais valorizado porque o estilo do filme é tão ligeiro, que nem sentimos uma marca muito vincada no trabalho de realização. O realizador está lá, mas não se impõe durante todo o filme e só nos apercebemos do valor do seu trabalho no final, quando de repente nos damos conta que estamos completamente enfeitiçados pela atmosfera da história sem sabermos como, pois em muitos aspectos a realização até parece nem ter nada de especial.

Não é um filme asiático que se evidencie pela montagem original ou sequer pelos enquadramentos artísticos. Muitas das vezes até parece um telefilme, tal é a sua aparente leveza visual e narrativa.
No entanto, está cheio de humanismo na forma como trata a simplicidade dos personagens e sem notarmos vai envolvendo aos poucos o espectador até chegar ao momento absolutamente romântico e mágico com a devastadora cena da varanda no final, quando o par da história ouve no rádio as dedicatórias que vos irão fazer sentir sucessivos nós na garganta durante largos minutos e fazer-vos ficar completamente apaixonados pela maneira como o realizador consegue um momento tão poético sem precisar de pouco mais do que duas pessoas e um rádio.
Este é outro daqueles filmes que recomendo a compra imediata a toda a gente que gosta de cinema oriental do género mesmo sem o verem, porque é melhor pouparem tempo. Garanto-vos se virem [“Fly Me To Polaris“], vão querer guardá-lo na vossa colecção de dvds junto de outras grandes obras do cinema romântico pois no meio de toda a sua comercialidade consegue ir muito mais além do que apenas ser um filme pipoca banal. Considerem-no um filme pipoca com coração e muita poesia.

[“Fly Me To Polaris“], conta a história de um rapaz ceguinho, muito bonzinho, que vive numa instituição de caridade e está apaixonado pela muito bonita e muito boazinha enfermeira que cuida dele (ao melhor estilo Floribela). E sim, estou a usar diminuitivo…zinhos, de propósito.
Os dias do rapaz ceguinho só ganham cor (ahah), quando é a hora diária da visita da rapariga que ama e que ele tenta a todo o custo fazer com ela o deixe de ver apenas como mais um paciente.
Coisa que com o passar do tempo acaba por acontecer e ambos se apaixonam inevitávelmente um pelo outro e esse momento de felicidade parece durar para sempre.
Para sempre, até o ceguinho ser atropelado á saída do hospital e morrer nos braços do seu amor.
Parem de rir, [“Fly Me To Polaris“], é um drama para chorar ! A sério…
E já lhes disse que o rapazinho, além de ser ceguinho, também é mudo ?
Juro !
Continuemos…

Quando a alma do jovem chega ao Céu, um sitio que parece uma repartição de finanças só que onde tudo é branco, ele menciona o seu enorme amor pela jovem enfermeira que ficou ainda no mundo dos vivos e consegue que o anjo de serviço lhe dê alguns dias de vida temporária para que possa estar perto da rapariga que ama durante durante mais algum tempo.
Mas com uma condição.
O rapaz tem de voltar á Terra num corpo novo, bem diferente do que tinha antes e não pode dizer á jovem enfermeira que ele é o seu amor temporáriamente reencarnado, o que como imaginam coloca um problema para que a relação dos dois possa vir a ser retomada.
E as coisas complicam-se porque a enfermeira também já tem também como pretendente um jovem médico de sucesso o que origina automáticamente o habitual triangulo amoroso, desta vez com contornos sobrenaturais e que dá origem a algumas sequências engraçadas ao longo do filme.
E mais não conto.

Apesar da minha descrição em tom humorístico, o filme contem um bom equílibrio entre a comédia romântica e o drama e pelo meio de tudo isto ainda tem tempo para ser uma obra com personalidade e muito charme.
Vejam-no como um cruzamento entre “Ghost” e “Heaven Can Wait” e não andarão muito longe de [“Fly Me To Polaris“].
Não posso terminar este texto sem deixar no entanto de referir um dos aspectos mais importantes do filme e aquilo que faz com que tudo funcione tão bem. A sua banda sonora.

Para muitos o facto de eu lhes dizer que a música principal deste filme é um par de melodias de saxofone ao melhor estilo Kenny-G poderá ser logo motivo suficiente para afastar muita gente desta obra. Eu como não tenho nada contra o tipo, e ainda por cima adoro saxofone não poderia estar mais contente com a escolha deste instrumento para ilustrar musicalmente todas as emoções que a história pretende transmitir. Neste caso não poderiam ter escolhido um estilo melódico mais adequado.
Não há muito que se possa dizer sobre as melodias de saxofone presentes neste filme a não ser que são perfeitas e ajudam a criar uma atmosfera á parte dentro deste género de cinema.
Depois de verem [“Fly Me To Polaris“], se gostarem do filme, nunca mais vão conseguir ouvir uma melodia de saxofone deste estilo sem se recordarem imediatamente desta história de amor cinematográfica, um pouco como também depois de verem “In The Mood For Love” não mais conseguimos ouvir Nat King Cole sem o associarmos aos ambientes de Wong-Kar-Wai.

Mas não só de melodias de saxofone vive este filme oriental. Sendo cinema puramente comercial tem naturalmente uma banda sonora a condizer e por toda a história muitas das emoções são ilustradas ao sabor de canções pop que, graças ao talento do realizador para usar magistralmente aquilo que noutras mãos seria material de deitar fora, transformam-se em peças chave para manipular emocionalmente o espectador de uma forma absolutamente fantástica.
A sequência em que o jovem cego tem a confirmação de que o seu amor também é retribuido pela enfermeira, musicalmente ilustrada por uma vulgar canção pop deve ser um dos momentos cinematográficos que melhor conseguiu captar até hoje num filme a sensação de alegria de se estar apaixonado e ainda por cima consegue plenamente transmitir todas as emoções do personagem ao espectador, criando um momento de empatia verdadeiramente mágico e único que só valoriza ainda mais o discreto mas muito eficaz trabalho do realizador em [“Fly Me To Polaris“].
Posto isto, não há muito mais que lhes possa dizer sobre o filme, pois na verdade é muito dificil conseguir resumir em palavras como este é realmente muito melhor do que parece ao primeiro momento.

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CLASSIFICAÇÃO:

Um filme oriental muito bonito que supera todas as limitações de ser um produto muito comercial de uma forma totalmente inesperada tornando-se verdadeiramente único e original dentro da sua própria falta de originalidade.
Totalmente indispensável para quem gosta de cinema romântico oriental.
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award como selo de qualidade pois na minha opinião estamos perante uma obra prima do cinema comercial que prova que filmes ligeiros também podem ter muita poesia sem precisarem de ser mais do que são.

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A favor: o filme tem muita alma, o ambiente, os personagens, o trabalho do realizador que manipula as emoções do espectador usando apenas aquilo que parece banal, a fantástica e adequada banda-sonora, a poesia que percorre todo o filme, a cena final na varanda a ouvirem rádio é um clássico absoluto do género.
Contra: ehm…estou a tentar lembrar-me de algo mas não consigo. Quem não gosta mesmo de cinema romântico provavelmente não irá gostar…ou se calhar até vai, mas como irá certamente sair deste filme de lágrima ao canto do olho muito provavelmente nunca o irá admitir.

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Trailer
Na falta de uma boa apresentação oficial, podem espreitar um dos videoclips, embora nem de longe consiga transmitir o real ambiente do filme, mas é o que se pode arranjar de momento.
http://www.youtube.com/watch?v=yCYOoYRnU_o

Outra Review
http://www.kfccinema.com/reviews/drama/flymepolaris/flymeplaris.html

Comprar
Este filme está a esgotar-se rápidamente em todo o lado pois a cada dia que passa, o dvd desaparece das prinicipais lojas e não parece que vá haver uma reedição tão cedo apesar da enorme popularidade do filme nos foruns e de já ser um verdadeiro filme de culto.
O único sitio que ainda tem  a edição igual á minha para venda é esta loja:
http://www.chinesetapes.com/movie_chinese/fly_me_to_polaris.html embora eu não possa dar grandes referências sobre a mesma pois nunca comprei nenhum filme nesta gráficamente amadora loja de aspecto assustador.

Nesta outra encontrei uma edição que não conheço, embora pareça ser semelhante á minha
http://www.dvdasian.com/_e/Hong_Kong/product/13099/Fly_Me_to_Polaris.htm
Ao menos a dvdasian é uma loja de aspecto mais “confiável” que a anterior embora eu também ainda não tenha comprado nada aqui para poder comentar sobre a qualidade do serviço.

Também podem encontrar nesta loja outra edição (incrivelmente barata), que até há minutos atrás nunca tinha visto http://www.ecrater.com/product.php?pid=342505 onde eu também nunca comprei nada.
Basicamente, estão por vossa conta.
De qualquer maneira se gostarem do género, este é um daqueles filmes que não podem perder de forma alguma.

Sempre podem procurar o filme nos torrents embora eu nunca o tenha visto em lado nenhum.
Embora, este seja um daqueles filmes que é essencial ser visto com um excelente sistema de som pois a música é peça fundamental para a sua mágica atmosfera. Como tal não é aconselhável que apenas o vejam num simples stereo 2.0 de cópia sacada em torrent.

Mais opiniões neste fórum
http://asianfanatics.net/forum/lofiversion/index.php/t81991.html

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Se gostaram deste irão certamente gostar de:

Be With You My Sassy Girl Love Phobia Il Mare The Classic

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Algumas opiniões que reflectem bem o espírito do filme e os seus efeitos no espectador.
http://asianfanatics.net/forum/lofiversion/index.php/t81991.html

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0213314/

Fa yeung nin wa (In the Mood For Love) Wong Kar Wai (2000) China


Este é o “segundo filme” da “trilogia” romântica de Wong Kar Wai, e portanto será uma prequela para [“2046“] continuando já uma história que se iniciou de certa forma em “Days of Being Wild”.
Antes de mais, [“In The Mood For Love“] é um excelente exemplo do quanto as audiências orientais têm uma relação com o cinema bem diferente das americanas (e das americanizadas) aqui no ocidente.
O facto de [“In The Mood For Love“] ter sido no oriente um enorme sucesso junto do público adolescente é algo verdadeiramente extraordinário.
É quase inacreditável poder dizer a alguém aqui no nosso lado do planeta que este filme, esgotou salas no oriente com sessões repletas durante semanas a fio e principalmente com público adolescente o que é quase impossível de aceitar actualmente.

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Os adolescentes orientais inesperadamente, adoptaram como sua esta nostálgica e poética história de amor adulta e de alguma forma identificaram-se plenamente com as emoções presentes neste filme tendo-o elevado a um estatuto que certamente será muito dificil de compreender para o nosso típico teenager, especialmente aqui por Portugal onde já existe uma geração alimentada essencialmente a “Transformers” e filmes da Marvel completamente insensíveis a qualquer coisa que não seja projectada á velocidade da luz.
O que me leva a concluír que se calhar por muito alucinados que os teens orientais nos pareçam, lá bem no fundo haverá por ali um nível de maturidade  emocional superior até ap de muito adulto ocidental americanizado; alimentado a plástico á base de dietas blockbusters made-in-Hollywood.
No ocidente mostrem [“In The Mood For Love“] a muita gente e ninguém aguentará olhar para ele sequer meia hora, pois certamente irão dizer de imediato que o filme não tem história, que não se passa nada naquilo e que é uma seca descomunal. Especialmente os tugas.

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Aliás, notou-se bem isso quando o filme saiu nos videoclubes em Portugal.
Cheguei a ver  um cliente dizer ao dono da loja que nunca mais voltava lá porque este lhe tinha impingido um filme “pa intelectuais” que nem gravado todo no dvd estava (?!) e tudo, porque segundo aquele crâneo, [“In The Mood For Love“], intitulado em português [“Disponível para Amar“], parece que acabava de repente a meio e não se percebia nada.
Está mais que claro que nem precisamos ir junto dos adolescentes consumidores de filmes do Michael Bay para obter este tipo de comentários.
Mostrem [“In The Mood For Love“], a um português adulto consumidor do genérico cinema da moda e imediatamente ele remeterá este filme para aquela categoria de cinema de autor no pior dos sentidos.

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No entanto, a popularidade deste título no oriente junto do público que geralmente consome cinema comercial, foi absolutamente extraordinária, ao ponto dos seus actores terem atingindo com esta obra um estatuto de estrelas de rock ao nível de uns Rolling Stones ou uma Madonna por aquelas bandas gerando enorme comoção por onde passavam.
Foi tal a histeria que provocavam a cada aparição pública para promover este filme, que os seus personagens se tornaram desde então verdadeiras figuras de culto dentro do cinema romântico, ao ponto de Wong Kar Wai o realizador, as ter ido buscar de novo para o seu filme seguinte, o também extraordinário [“2046“].
Segundo o próprio, a melhor não-sequela que poderia ter feito de [“In The Mood For Love“].
Foi certamente foi a mais inesperada.
Talvez uma das “sequelas” mais inesperadas de sempre dentro de qualquer género como já poderam ver pelo início deste meu longo post nesta versão 2 em 1.

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Na verdade Wong Kar Wai começou a gravar coisas para [“2046”] ainda durante as filmagens de [“In The Mood For Love“], mas mesmo ele nem sabia para que serviriam os takes abstractos sem qualquer lógica que foi filmando pelo caminho.
Isto ao ponto de chegar a desesperar os actores e a equipa técnica que nunca percebeu que raio de filme é que estariam a fazer e só viram o resultado quando Kar Wai apresentou a primeira montagem no festival de Cannes tendo deixado toda a gente de queixo caído perante a beleza de cada imagem e a poesia que mostrou no ecrã, onde cada textura se liga com a musica criando um ambiente românticamente assombrado único e original.

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Como resultado limpou basicamente os prémios mais importantes de Cannes nesse ano.
O que tornou [“In The Mood For Love“],  num filme ainda mais extraordinário, até porque Kar Wai raramente tem um script minimamente completo ou sequer pensado quando faz algum filme, pois é famoso por ir inventado á medida que filma e os takes que não servem, aproveita-os para o filme seguinte num processo onde nada se perde e tudo se transforma.
Aliás é por esta razão que muitas das cenas cortadas no dvd do [“In The Mood For Love“], parecem na realidade pertencer mais ao filme seguinte [“2046”],  que ainda nem sequer existia na cabeça do realizador do que a [“In The Mood For Love“] a ser filmado na altura; o que não deixa de ser engraçado.

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Mas a verdade é que este filme por muito inacreditável que isto pareça a muita gente, tornou-se realmente num enorme éxito comercial em quase todo o lado.
O que é ainda mais estranho pois deve ter sido o primeiro filme completamente ligado ao chamado Cinema-de-Autor a ter feito não só muito dinheiro como ainda a ter transformado o seu realizador e actores em verdadeiras estrelas.
Claro que foi um éxito comercial em todo o lado, menos na Europa e nos EUA, onde óbviamente também teve sucesso mas apenas dentro daquele circuito fechado das salas que só passam cinema-de-autor pois seria pedir muito que um filme como este pudesse ser apreciado pelas audiências que habitualmente levam com overdoses de blockbusters americanos a 200 á hora e consomem milho á mesma velocidade enquanto falam ao telémovel durante as projecções quando “não se passa nada” em filmes como este.
Mas passemos á frente.

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Não há muito que se possa dizer sobre [“In The Mood For Love“], pois este é um daqueles filmes em que realmente não se passa nada e portanto pouco se pode contar sobre a sua história, porque o cinema de Wong-Kar-Wai não depende de histórias mas sim de detalhes.
Na verdade se há algo em que Wong-Kar-Wai é realmente bom, será a fazer filmes “sobre nada”.
O verdadeiro conteúdo dos seus filmes não está nas histórias, mas sim nas emoções que este consegue transmitir e fazer o espectador sentir apenas com as coisas mais simples.
Um candeeiro á chuva, os ponteiros de um relógio, um livro, um espelho, tudo serve para criar atmosfera.

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Alguém disse um dia que nos filmes de Wong-Kar-Wai até o fumo é belo e transmite mais emoção e poesia do que horas intermináveis de diálogos pseudo-românticos nas supostas love-stories americanas formuláticas.
É realmente uma boa definição das extraordinárias capacidades deste autor para fazer transparecer emoções através das coisas mais simples e nisto [“In The Mood For Love“],  é um dos seus exemplos mais perfeitos.

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Correndo o risco de fazer fugir as pessoas, a história de [“In The Mood For Love“], é a seguinte:
– No início dos anos 60, em Hong Kong, um casal aluga um quarto numa pensão familiar. A mulher é secretária numa empresa de exportações, o marido trabalha agora na marinha mercante e passa practicamente meses a fio sem vir a casa.
Como resultado, o casamento dos dois, é algo quase inexistente e de conveniência pois naquela época, especialmente na China da altura o divórcio era a maior desonra que poderia cair em cima de uma jovem mulher a seguir ao adultério.
No mesmo dia em que este casal aluga o seu quarto, também outro casal, um jovem jornalista e a sua mulher, alugam o quarto ao lado. Este trabalha para um jornal, mas o seu verdadeiro sonho é ser escritor de pulp-ficition ao melhor estilo de artes marciais, algo que segundo o filme seria bem popular na altura em Hong-Kong.

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Também ele se sente sózinho pois desconfia que a sua mulher o trai e por vias do destino, encontra-se com a sua solitária vizinha de quarto ocorrendo óbviamente uma enorme atracção entre os dois.
Uma atracção com base numa amizade criada pelo facto de ambos gostarem de romances de artes marciais e de se sentirem também absolutamente sózinhos.

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Um dia descobrem por acaso, que a mulher do jovem jornalista é na verdade amante do marido da jovem secretária e que este não faz apenas longas viagens em trabalho mas principalmente usa-as como desculpa para trair a mulher com a esposa do jornalista.
E esta é a história inteira do filme.
Não se passa absolutamente mais nada em [“In The Mood For Love“], que possa ser descrito.
E perguntam vocês – então mas onde raio está o interesse nesta telenovela banal ?

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Wong Kar Wai pega nesta simples ideia e transforma-a numa verdadeira sinfonia de emoções músicais, onde cada imagem é um poema visual e onde a música aliada a enquadramentos absolutamente inesperados transporta o espectador para uma posição quase de espectador casual fazendo-o entrar no filme como se tivesse sem querer escutado uma conversa que não deveria ouvir mas de que não consegue deixar de querer saber mais porque ficou a gostar das pessoas que ouviu.

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É esta a grande força narrativa do filme, e Kar Wai, usa-a para criar um suspanse poético como nunca tinha acontecido numa história de amor.
Todo o filme gira á volta do facto de obviamente os dois protagonistas se amarem e serem realmente almas gémeas que nunca se poderão tocar.

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Não podem arriscar uma relação física entre eles, pois num meio tão pequeno onde todos saberiam imediatamente o que se passava os dois são obrigados a viver de aparências enquanto têm uma relação platónica que também tem de ser mantida secreta porque senão a reputação da rapariga poderia ficar manchada para sempre naqueles austeros anos 60 onde o divórcio nem sequer era opção.

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No meio de tudo isto, eles chegam a encontrar-se num quarto de hotel , precisamente o número “2046” onde Wong kar Wai nos deixará para sempre na dúvida se algo mais realmente aconteceu entre os dois, pois esse número é precisamente o centro da “sequela” no filme [“2046”],  cujo o título se refere precisamente á saudade que o protagonista tem do quarto onde por uma vez na vida viveu um amor de verdade e que é relatado agora em [“In The Mood For Love“].

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Tudo isto é colocado em imagens musicadas pelo génio de Wong Kar Wai de uma forma que é realmente muito dificil de ser descrita em palavras pois todo o filme é um bailado de imagens e enquandramentos indo buscar poesia até ao mais comum dos objectos.
[“In The Mood For Love“], é como um filme musical onde ninguém canta, mas onde a música está sempre presente e é essencial para contar a história e transmitir emoções.
É como um videoclip absolutamente romântico que dura hora e meia e que não precisa de muitos diálogos para contar uma história, fazer-nos sentir e acima de tudo identificarmo-nos com aquelas duas pessoas que poderiam ser qualquer um de nós.

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Uma coisa vos garanto, depois deste filme, nunca mais vão ouvir uma música de Nat-King-Cole da mesma maneira, pois será impossível não pensarem em [“In The Mood For Love“] e nesta história de amor.
E quem pensa que não gosta de Nat-King-cole passa a gostar.

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CLASSIFICAÇÃO

Uma das melhores histórias de amor de todos os tempos e provavelmente uma das mais simples.
Um filme onde até o fumo é algo que poderiamos ficar a olhar durante sequências a fio sem nos aborrecermos e um dos objectos cinematográficos mais visualmente poéticos de todos os tempos.

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É aquele tipo de filme onde podemos fazer pausa a cada segundo e temos uma pintura absolutamente poética no ecran, pois a fotografia desta história de amor é do outro mundo.

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A favor: a poesia, a história e a maneira como foi trabalhada, a extraordinária banda sonora, os personagens inesquecíveis, o trabalho dos actores, a realização é absolutamente notável em todos os sentidos, a fotografia fabulosa, os enquadramentos subliminares, a paixão, a alma do filme, o melhor filme-de-autor “comercial” de todos os tempos ponto final.

Contra: o final é estranho pois parece que não pertence ao resto do filme e não ter nada a ver com a história que acabamos de ver (as cenas apagadas no dvd explicam bem melhor o que aconteceu), não será por isso um filme propriamente apontado ao típico frequentador de salas de cinema de centros comerciais Portuguesas apesar de as ter esgotado no oriente durante semanas a fio.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILERS

Um dos trailers oficiais é na verdade quase uma curta-metragem. Uma versão mini do próprio [“In The Mood For Love“] e espelha muito bem o estilo visual e narrativo do filme. Conta com uma música interpretada por Brian Ferry chamada precisamente “In the mood for love” e apesar desta música não fazer parte da banda sonora dentro do filme, tornou-se no entanto indisociável da obra.
Espreitem que vale a pena, pois acima de tudo é um excelente videoclip montado pelo próprio realizador.

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NÃO COMPRAR EM DVD ou BLURAY…muito menos em Portugal !
Já existe em bluray mas infelizmente apenas para a região A .
Também está actualmente esgotado em DVD pelas bandas da Inglaterra e só existe uma edição Alemã sem legendas nenhumas…
É aguardar melhores dias para comprar isto…

Atenção: Esqueçam a edição portuguesa, pois só o facto de conter o filme APENAS em stereo 2.0 é razão suficiente para a ignorarem. Num filme em que a música é quase um personagem, terem em Portugal mais uma vez lançado uma edição completamente básica de um filme oriental como este é um verdadeiro insulto ao consumidor, quando este filme é para ser visto com o extraordinário som 5.1 que está na edição Uk.
Não comprem a edição portuga da Lusomundo só por causa das legendas, pois entre ver [“In The Mood For Love“], em stereo e não o verem, sugiro mesmo que não o vejam, pois este filme precisa de um som 5.1 e DTS de preferência para poder realmente transmitir todas as emoções e magia que contém.
Além disso a edição portuga só trás um making of, que até nem é nada mau, mas quando comparado com a enorme quantidade de material extra da edição inglesa até mete impressão que editem filmes como este com tanto conteúdo disponível apenas em edições básicas como fizeram em Portugal com este absolutamente imprescindível filme para quem gosta de bom cinema romântico.
A capa da edição Portuguesa é parecida a esta:

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0118694/

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E se gostaram de [“In The Mood For Love”], então irão certamente gostar dos filmes seguintes.
No caso de “My Blueberry Nights” vão adorar as semelhanças de ambiente, até porque segundo Kar-Wai, esse pode ser considerado um remake em versão inglesa do “In The Mood For Love”, e logo vão perceber porquê.
[“In The Mood For Love“], é na verdade o segundo filme de uma trilogia que não existe oficialmente. E desta trilogia, é o primeiro filme que deverão ver, mas para saberem mais sobre isto consultem a minha review sobre “Days of Being Wild” sem falta.

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E como curiosidade, que quiser espreitar uma curta metragem (publicitária) inédita de Wong-Kar-Wai siga o link abaixo pois não ficará desiludido se gosta do estilo visual do realizador.
http://www.youtube.com/watch?v=gBsbEopulOM&feature=related