Quing Ren Jie (A Time to Love) Jianqi Huo (2005) China


Se há coisa que eu já não posso ver mais pela frente são versões do Romeu & Julieta de Shakespeare, onde a conhecida história é por demais repetida até á exaustão em todos os detalhes e mais alguns.
Não consigo perceber para quê tantos autores continuarem a insistir naquela narrativa a esta altura quando já milhares de vezes foi  transformada em tudo e mais alguma coisa, desde filmes do Franco Zefirelli até pornos da Ginger Lynn.

Como tal, quando eu comprei há muitos anos atrás o dvd de [“A Time to Love“] sem saber nada sobre o filme e depois descobri que se tratava da bilionéssima história inspirada por “Romeu & Julieta”, a minha vontade foi a de devolver isto á Play Asia ou trocá-lo por um filme romântico qualquer com o Steven Seagal aos tiros.
Toma lá para não comprares filmes pelo aspecto gráfico da (excelente) capa !
Por isso quando vi esta história pela primeira vez (já que tinha que ser) nem sequer lhe prestei grande atenção.
Ainda por cima eu estava á procura de algo mais no estilo sul-coreano e [“A Time to Love“] tinha uma atmosfera marcadamente chinesa, algo a que eu não estava ainda habituado, pois são estilos muito diferentes dentro do cinema romântico.

Apesar de não me ter causado uma impressão por aí além na altura, surpreendentemente ficou-me na memória e esteve na minha lista de filmes a rever com outros olhos por muito tempo, até ontem.
Ficou-me na memória, não só pela abordagem á história clássica ter-me surpreendido como principalmente algumas das suas bonitas imagens acabaram ficando gravadas na minha imaginação até hoje, pois já na altura o visual do filme me surpreendeu.
Toda a paleta cromática de [“A Time to Love“]  é composta por tons ferrugem contrastando com verde das árvores e tons de sombra intensa o que lhe dá logo desde o início uma estética que nos agarra todos os sentidos pelo seu estilo quase steampunk pois mal o filme começa somos logo transportados para um úniverso único e bastante poético.

E surpresa das surpresas, agora que revi o filme ainda estou para saber o que raio é que foi que não me cativou na altura em que o vi pela primeira vez !
[“A Time to Love“] é um filme absolutamente lindíssimo em muitos aspectos mas se calhar é capaz de não se notar mesmo a uma primeira visão. Especialmente se entrarem com preconceitos anti-Romeu & Julieta como eu entrei nisto anos atrás quando vi o dvd.

Portanto, para começar eu já não me lembrava nada do filme e agora foi como se o tivesse visto pela primeira vez e não podia ter ficado, não só mais surpreendido como também mais satisfeito com o que (re)vi ontem.
Se calhar [“A Time to Love“] poderá ter uma altura certa para ser visto e muito provavelmente funcionará muito melhor com o público adulto do que com pessoas mais novas talvez, com menos experiência de vida ou algo assim. Isto porque pode ser uma história de amor com adolescentes, mas tudo é narrado num tom dramático mais adulto e até teatral, pois este filme tem uma assinatura tão característica que julgo se poderá incluir algures entre o cinema comercial e o dito cinema de autor pela sua abordagem algo intímista.

[“A Time to Love“] como filme é realmente um espectáculo (nem acredito que estou a dizer isto); primeiro, porque consegue pegar não só no tema mas também em alguma da estrutura de Romeu & Julieta e no entanto, milagre dos milagres apresenta-o com uma abordagem realmente refrescante. Conseguindo inclusivamente uma coisa que eu julgava impossível de ser feita…nomeadamente [“A Time to Love“] tem um suspanse romântico de cortar á faca pois até quase literalmente ao último segundo o espectador fica completamente na espectativa de como irá terminar desta vez esta história de amor com o seu final por demais conhecido.
Conseguirão desta vez os dois amantes ficar juntos ?
Apenas lhes posso dizer que o final de [“A Time to Love“] é extraordináriamente simples mas muito poderoso em termos de emoção e não lhes digo mais nada, pois o trabalho da actriz protagonista no último enquadramento visual desta história vai deixar-vos totalmente cativados e emocionados de uma forma que ainda não tinha visto num filme oriental.
Adorei o final deste filme.

E já que falo na actriz principal, nunca pensei que esta rapariga fosse tão incrivel. Estava habituado a vê-la em produções bem mais comerciais essencialmente em papeis de muita acção (“Warriors of Heaven & Earth”  –  “So Close“) e nem sequer pensava que ela seria capaz de carregar ás costas metade de um filme como [“A Time to Love“], onde bem mais que apenas uma história de amor ao estilo habitual oriental, é acima de tudo um drama bem mais complexo que se centra apenas numa história de amor impossível, (quase uma tragédia na verdade, sempre a piscar o olho a Shakespeare).

Tanto ela, como o seu co-protagonista masculino brilham neste drama.
Irão encontrar em [“A Time to Love“] um dos pares românticos com mais carísma que apareceu até hoje dentro deste estilo de histórias de amor orientais. A química entre os dois actores é total e enquanto espectadores a partir de certa altura esquecemo-nos por completo que estamos a ver um filme pois deixamo-nos levar por aqueles dois personagens até ao desenlace final desta história. Uma história que surpreendentemente de forma tão cativante consegue dar-nos um Romeu & Julieta com suspanse suficiente para nos fazer roer as almofadas até ao último segundo (sem parecer que está a fazer qualquer coisa de importante sequer), o que já é por si só uma boa característica para algo que seria á partida totalmente previsível.
Usa inclusivamente o próprio livro com a peça de Romeu & Julieta original para nos garantir que [“A Time to Love“]  é Romeu & Julieta por mais do que uma vez. O que é bom para confundir o espectador.

Não pensem no entanto, que [“A Time to Love“] é um filme romântico oriental ao estilo que estão habituados, se virem por exemplo produtos sul-coreanos ou japoneses.
Uma das características da maior parte dos dramas românticos chineses está no facto deste país preocupar-se mais com uma história de amor enquanto objecto dramático dentro daquele aspecto teatral mais sério e menos com a ligeireza do estilo narrativo. Por isso, [“A Time to Love“] é um filme sem pressas. Embora tenha um ritmo narrativo sempre constante, muitas vezes conta a sua história não por palavras mas por ambientes, imagens atmosferas e silêncios. Um pouco talvez como “Il Mare” o fez e com um tom melancólico semelhante, embora um pouco mais triste neste caso devido á carga trágica da própria base da história.

E por falar em silêncios, [“A Time to Love“] tem dois momentos absolutamente fantásticos na minha opinião que jogam precisamente com o silêncio para criar uma intensidade de emoções espectacular e que nos faz entrar em total empatia com o casal de apaixonados desta história.
É certo que o filme vai aos poucos trabalhando a carga emotiva sem o espectador notar, tanto na criação de ambientes como também pelo que não mostra e como tal quando surge um dos momentos mais bonitos a meio do filme, nem sequer precisa colocar os actores com qualquer diálogo para a cena romântica resultar com uma força incrível.

Falo particularmente de uma breve e pequenina cena a meio do filme, em que o rapaz e a rapariga estão de ambos os lados de uma vedação de arame e onde sem palavras o realizador consegue transmitir uma carga romântica não só totalmente natural como acima de tudo cria um momento emocional fantástico apenas recorrendo ao toque das mãos, a silêncios e a olhares breves para nos transmitir tudo o que os personagens sentem.

A segunda cena semelhante tem a ver com os segundos finais da história, mas de que não posso aqui falar porque lhes estragaria o suspanse todo e vocês ficariam a saber se [“A Time to Love“] acaba como a peça que lhe deu inspiração ou não. Apenas lhes garanto que se chegarem até aos momentos finais desta história totalmente cativados pelo destino dos personagens até se vão passar com o trabalho da actriz nos momentos finais onde apenas com um olhar concluiu tudo o que havia para concluir e proporciona ao espectador um momento final daqueles que os fará não esquecer este filme tão cedo se gostarem tanto dele quanto eu gostei desta segunda vez que o vi.
Não esperem é explicações de bandeja ao estilo, – “o que aconteceu foi…” – porque isto não é um filme desses.

[“A Time to Love“] é uma daquelas raras histórias de amor em cinema que resultam plenamente do trabalho não só dos actores principais mas também das interpretações de um elenco poderoso em termos dramáticos. Não sei se este pessoal será tudo actores de teatro mas todos os personagens nesta história são fascinantes e irão tocar-lhes emocionalmente em muitos aspectos surpreendentes.
Juntem a isto uma realização fantástica e têm todos os ingredientes para gostarem também muito deste filme se procuram por outra boa história de amor e já espreitaram tudo o que tenho recomendado neste blog.

Em termos visuais, [“A Time to Love“] é um dos filmes mais poéticos que me passaram pela frente em muito tempo dentro deste género estético.
Para começar a fotografia é incrível e vão encontrar aqui imagens absolutamente notáveis pois este é mais um daqueles filmes em que vão querer fazer pausa a todo o instante só para apreciar as pinturas de luz e sombra que ele contém practicamente em todo e qualquer frame.
Não só os ambientes são depois também fascinantes como está carregado de texturas e pormenores por todo o lado, tornando-o num filme totalmente obrigatório também para quem gosta muito de rever um filme muitas vezes só para curtir os pormenores. Pode ser uma sombra, pode ser uma textura, uma luz, uma cor, ou uma paisagem, mas garanto-vos que mesmo que nem gostem muito do género, visualmente vão achar este filme uma pequena joia perdida que importa descobrir em termos visuais quanto antes.

Não faço ideia se a arquitectura presente em [“A Time to Love“] existe mesmo ou se isto serão cenários criados para o filme. De qualquer forma, esta obra conta com espaços arquitectónicos fascinantemente poéticos que vão adorar contemplar ao longo da história. Desde, fábricas abandonadas, a prédios em decadência, passando por ruas e becos fabris, tudo aquilo que poderia parecer um ambiente deprimente é transformado num mundo quase mágico, parecendo por momentos saído de um verdadeiro conto de fadas ou de um filme de Fantasia.
[“A Time to Love“] quanto mais não seja, é um filme para contemplar, por muitos e bons motivos. Vão por mim, é fantástico visualmente.

Recomendo este filme a toda a gente que já espreitou tudo o que tenho apresentado no blog dentro do estilo romântico, ou então como contraponto a histórias de amor mais comerciais.
Não é que [“A Time to Love“] não seja comercial, mas o seu estilo muito chinês, intensamente dramático e bastante introspectivo em alguns momentos poderá talvez tornar-se algo chato ou arrastado para o pessoal que não gosta de coisas mais pausadas.

[“A Time to Love“] é um filme que demora o seu tempo e muitas vezes conta a sua história mais por olhares e silêncios do que por palavras e isto poderá afastar algum público.
O facto de ser uma história muito triste mesmo apesar de todo o ambiente poético, poderá afastar quem procurar um daqueles filmes totalmente –feel good– pois este usa a própria tristeza e melancolia para criar grandes incertezas no espectador sobre o desenlace da história. Nesse aspecto não poderia resultar melhor, mas ao mesmo tempo é um filme com uma carga algo deprimente por breves momentos a fazer lembrar o muito poético mas algo triste “The Floating Landscape” ; curiosamente outra produção chinesa.

Posto isto, se quiserem ver um filme muito bonito e diferente do habitual neste género tão estereotipado, se calhar [“A Time to Love“] é um título  a terem em conta. E se não gostarem á primeira, dêem-lhe segunda oportunidade, pois ainda acabam a gostar tanto dele quanto eu gosto agora.

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CLASSIFICAÇÃO:

Estava tentado a atribuir a [“A Time to Love“] apenas cinco tigelas de noodles por ser realmente excelente.
Mas a verdade é que agora que o revi, este filme não me sai da cabeça e apetece-me vê-lo novamente em vez de ir espreitar outra coisa nova qualquer, por isso se calhar será justo dar-lhe a minha classificação máxima deste blog, pois de outra forma estaria a enganar-me a mim próprio se não lhe desse também um Golden Award.
Quanto mais não seja pelo trabalho dos actores, pela fotografia do filme e por ter conseguido criar suspanse na história de Romeu & Julieta, o que é obra !
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award por muitos e variados motivos.

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A favor: o trabalho dos actores, o par protagonista tem uma química no ecrã fantástica e um desempenho totalmente cativante, esquecemo-nos que estamos a ver um filme o que não poderia ser melhor elogio, consegue o feito notável de recriar a velha história de Romeu & Julieta numa china moderna desencantada mas muito poética e fá-lo com total suspanse romântico até ao último olhar da protagonísta, a fotografia é fabulosa, os cenários são lindissimos e em muitos momentos parece que tudo se passa num qualquer mundo de fantasia encantada, mais do que uma história de amor comercial normal  é um drama intenso e duro por vezes, a cena da vedação de arame mesmo durando menos de um minuto é memorável, idem para o desempenho da actriz nos segundos finais da história onde só com o olhar nos transmite toda uma vida, muita poesia visual, o tom intimista e o excelente trabalho do realizador que alterna os momentos mais intimistas com os mais tragicos ou românticos de uma forma totalmente orgânica e bastante natural, nem vão notar a banda sonora mas esta vai entrar-lhes pela alma nos melhores momentos.
Contra: é mais um drama generalizado do que uma história de amor especificamente por isso não esperem o estilo fofinho oriental dos filmes japoneses porque este é chinés mesmo, pode parecer menos comercial do que na realidade é e algum público poderá não ficar particularmente cativado, Romeo & Julieta again…and again…and again…

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=3NaS55XOylw

Videoclip 1
Embora curiosamente a música não faça parte do filme, pois foi criada para a promoção. Aposto que foi para dar um ambiente mais comercial á obra pois esta é na verdade bastante intimista e não tão comercial como aparenta aqui.
http://www.youtube.com/watch?v=y3TNcyS-IWw&feature=related

Videoclip 2
Este com uma das músicas que entra no filme e com a particularidade de ser um videoclip com dezenas de cenas cortadas que não aparecem no próprio filme, o que só demonstra que devem ter filmado pilhas de coisas que ficaram de fora e só é pena muitas destas cenas não estarem como deleted scenes no dvd porque parecem cheias de atmosfera também.
http://www.youtube.com/watch?v=krChsULuIbM&feature=related

Comprar
http://www.fivestarlaser.com/movies/13766.html

Download aqui com legendas em Inglés.

IMDB

http://www.imdb.com/title/tt0450099/

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Outros títulos semelhantes de que poderá gostar:

concerto_capinha_73x 

Be With You My Sassy Girl Il Mare The Classic Love Phobia

 Fly me to Polaris cyborg_she_capinha_73x

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Kumo no mukô, yakusoku no basho (The Place Promised in Our Early Days) Makoto Shinkai (2004) Japão


Existem filmes que são simplesmente poéticos.
[“The Place Promised in Our Early Days“] é uma dessas obras, porque por detrás de toda a sua atmosfera técnologica contém também muita humanidade na maneira como os seus personagens cruzam emoções ao longo de uma história que na realidade não serve para muito mais a não ser para nos mostrar a intimidade de cada um deles.

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Existem filmes que podem ser chatos como o caraças !
[“The Place Promised in Our Early Days“] é uma dessas obras porque  toda a sua atmosfera técnológica parece  não levar a lado nenhum e contém momentos em que o paleio científico em demasia quebra a beleza da narrativa emocional dos personagens de uma forma que ainda parece mais despropositada quando se chega ao final do filme e ficamos com a sensação que a vertente de thriller e ficção-científica da história afinal não foi a lado nenhum.

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Este foi um daqueles raros filmes que me custaram imenso a ver. Comprei-o meses atrás no mesmo pack que continha o excelente “Voices of a Distant Star” e por mais de cinco vezes tentei vê-lo de uma ponta á outra nunca conseguindo aguentar mais do que uma meia hora seguida sem me deixar dormir. O que é estranho, pois desde os primeiros minutos se percebe que [“The Place Promised in Our Early Days“] é um dos melhores Anime que andam por aí, independentemente do seu potencial para curar insónias ou não.
Na verdade sempre que o tentei ver foi noite dentro e se calhar este é um daqueles filmes que não deve de forma nenhuma ser visto fora de horas porque todas as suas mágnificas qualidades acabam por não ser suficientes para evitar um bocejo no espectador que se arrisque a ver isto a altas horas da noite.

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No entanto, não deixem que este meu comentário os desencoraje pois [“The Place Promised in Our Early Days“] é um daqueles filmes que merecem mesmo ser vistos, quer gostem de Anime ou não. Na verdade irá certamente agradar mais até aquelas pessoas que não gostam de Anime, pois não contém nenhuma das estruturas habituais neste tipo de cinema que habitualmente atrai os chamados fãs do género. Não tem sequências de porrada com montagem rápida e uma multitude de planos estáticos sucessivos, não tenta meter estilo Anime, não tem maus nem bons, não tem vilões com superpoderes, nem tem nada daquilo a que o habitual espectador está habituado a ver. Tem apenas muita atmosfera.

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Acima de tudo [“The Place Promised in Our Early Days“], é cinema. Esqueçam o Anime.
O facto de ser um filme de animaçao é algo completamente secundário.
[“The Place Promised in Our Early Days“] é puro cinema-de-autor. Cenas chatas e “vazias” cheias de interpretações existenciais incluidas. Muito.
Por isso não esperem encontrar aqui um Samurai-X, DragonBall ou Naruto, porque Naruto é que este filme não é.

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É sim uma obra com uma beleza visual fabulosa e um produto muito dificil de descrever, pois é um daqueles filmes que mesmo quem não gosta, nunca o esquece.
Essencialmente é uma história de amor e amizade de contornos filosóficos e muito existencialistas, perfeita para agradar até ao mais exigente intelectual de café e onde o espectador é levado por caminhos que o próprio argumento nem parece estar a seguir.

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Se por um lado parece estarmos na presença de uma pura história de ficção-científica totalmente hardcore, na verdade esse detalhe não tem qualquer importância para o que se pasa na verdadeira história. [“The Place Promised in Our Early Days“] poderia ser passado no seculo XIV que não se notaria diferença no resultado final.
Este filme tem mesmo uma característica muito interessante, pois demonstra claramente que boas histórias existenciais cheias de humanidade e realismo psicológico não têm necessáriamente que estar apenas ligadas a temas ditos, – sérios e realísticos – baseados no dia-a-dia do homem comum á la woody allen mas podem perfeitamente surgir de contos extremamente tecnológicos e de conceitos saidos da mais pura fantasia sem nunca perderem a sua base.

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Mas não se deixem assustar pelas minhas palavras. Este é um Anime com uma história mais profunda do que aparenta, com um trio de personagens com uma densidade psicológica sólida e cativante, mas acima de tudo é um filme muito bonito que deixa marcas no espectador. E isto é muito dificil de explicar a qualquer pessoa que ainda não tenha visto a obra mas [“The Place Promised in Our Early Days“] tem mesmo qualquer coisa de especial.

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Talvez seja a sua simplicidade por detrás de uma suposta complexidade.
Pois por entre uma narrativa cheia de emaranhados quânticos e paleio ciêntifico sobre universos paralelos quanto baste, o que sobressai é uma sensação de poesia que nos deixa a flutuar numa espécie de transe contemplativo até mesmo quando a história chega ao seu abrupto e “incompleto(?)” final.

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Visualmente mais uma vez o filme é uma obra prima da ilustração. Desta vez o realizador já não fez todo o filme sózinho fechado no quarto (ver “Voices of a Distant Star“), teve uma equipa profissional com quem trabalhar, mas o seu estilo continua presente por cada fotograma.
Continua o ênfase nas paisagens, o que me agrada mesmo muito, pois compreendo perfeitamente a paixão do realizador pelas mesmas porque também eu lhes dou a mesma importância nos meus próprios trabalhos.

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[“The Place Promised in Our Early Days“] como o realizador diz nas entrevistas é uma história contada por paisagens.
Ao contrário dos outros Anime, nos filmes de Makoto Shinkai não são os personagens e os seus dramas que humanizam o argumento pelas suas acções. É sim o ambiente de cada sequência que cria o estado emocional na narrativa e portanto não há imagem neste filme que não esteja baseada num background extremamente detalhado e na sua maioria das vezes muito bonito e cheio de poesia visual.
E antes que me esqueça, a banda sonora é absolutamente perfeita, cheia de momentos subliminares e com um tema que espelha por completo toda a poesia presente nas paisagens e nas emoções dos personagens. Adorei a musica deste filme.

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A nível artistico, o uso de cor neste filme é absolutamente notável e portanto se vocês se interessam por ilustração este é mais um daqueles que não devem perder pois é uma verdadeira escola de desenho e pintura. Tudo o que vocês possam querer saber sobre iluminação e enquadramentos num background ou numa paisagem podem aprender num filme de Makoto Shinkai. O que não deixa de ser fascinante pois tudo isto é essencialmente um trabalho de alguém que começou como auto-didacta e contemplarmos os seus filmes é como disfrutarmos do triunfo do talento e do empenho sobre um qualquer curso superior muitas vezes tão sobrevalorizado, especialmente nesta terra. O trabalho deste realizador é um verdadeiro exemplo da vitória do talento sobre “o canudo”.
Nunca deixo de me surpreender como alguns dos melhores cineastas actuais no mundo nunca passaram por qualquer escola e Makoto Shinkai é ainda mais um a fazer companhia a por exemplo Hong-Kar-Way com todo o mérito.

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Já devem ter notado que mais uma vez eu não conto nada sobre a história. Na verdade este é mais um daqueles que na minha opinião deve ser apreciado por quem não sabe muito sobre ele e sendo assim… 😉
Essencialmente é mais uma vez um filme sobre o isolamento e a solidão, como parece ser a marca deste realizador mas não deixem que isto os deprima pois a história é bem positiva.

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CLASSIFICAÇÃO:

Só não lhe dou a nota máxima com um Golden Award incluido porque ainda acho que tem algum incoerência no ritmo da narrativa e a parte de ficção-científica é completamente redundante. O que me decepcionou pois adoro ficção-científica baseada em fisica quântica e estava a espera de mais no argumento. Embora depois de o ver tenha a perfeita consciência que o filme nem sequer é sobre isso pois o que importa são mesmo os personagens.
Este é mais um daqueles filmes de hora e meia que certamente teria sido muito melhor se tivesse sido uma curta metragem de meia hora como foi o primeiro filme do mesmo realizador.

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Estamos na presença de um filme que quase não se pode dizer que seja de animação, porque tal como no primeiro trabalho do realizador também aqui toda a estrutura do mesmo é baseada quase em imagens estáticas em estilo “slide” onde só apenas um pequeno pormenor é animado e tudo se sucede como se estivessemos a ver uma espécie de banda-desenhada no ecran em que muito pouca coisa se move. Contém com inúmeras cenas de diálogos em que a imagem nem se mexe durante segundos a fio.
Sendo assim leva “apenas” cinco tigelas de noodles, porque é um dos melhores Anime que poderão encontrar no mercado, mas atenção porque não será de certeza um filme que agrade a todos, pois o seu estilo cinema-de-autor poderá afastar muita gente.

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A favor: a poesia visual e toda a caracterização psicológica dos sentimentos dos personagens principais, a banda sonora é lindíssima e não se nota, artisticamente é um dos mais bem desenhados Anime que andam por aí no que toca a paisagens pormenorizadas, é um daqueles filmes bonitos que não conseguimos explicar porquê a quem ainda não o viu, fica na memória mesmo quando pensamos que não gostamos muito dele.
Contra: não esperem uma resolução para a parte da história de ficção-científica/thriller, tem cenas a mais que na verdade não servem para muito, tem alguns problemas de ritmo e alguns personagens de cartão que não servem para muito, o final pode deixar muito a desejar a quem espera encontrar uma resolução qualquer para o mistério ou para a aventura e só irá encontrar a conclusão da parte emocional dos personagens.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=07186dk9CPk

voices-pack2

Comprar edição especial
http://www.amazon.com/Shinkai-Collection/dp/B000BKSJ5W/ref=pd_bbs_2?ie=UTF8&s=dvd&qid=1220623921&sr=8-2
Recomendo vivamente esta edição em dvd pois além do filmes [“The Place Promised in Our Early Days“] e [“Voices of a Distant Star“] contém ainda um par de extras muito interessantes como por exemplo o primeiro desenho animado feito por Shinkai e que pelo visto já se tornou um filme de culto. Chama-se “She and her cat” e como já notaram é um filme sobre gatos. É uma pequena experiência a preto e branco cheia de atmosfera e também aqui o dvd tem o filme em 3 versões sendo a de maior duração a versão de 5 minutos.
Mas o melhor desta edição é mesmo os dois livros impresos em papel de excelente qualidade onde se narra visualmente com dezenas de esboços e desenhos a cores do próprio realizador todo o making-of dos dois filmes. Absolutamente imperdível para quem se interessa por desenho.


IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0381348/

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