2022 Tsunami Wan Sang-Haan Lohk (2022 Tsunami) Toranong Srichua (2009) Tailândia


Existem obras que parecem querer testar o meu fascinio pelo cinema oriental.
Ás vezes esqueço-me que existe no mundo cinema realmente muito mau e não é só em Hollywood que se faz plástico do piorio. Pelo visto a Tailândia também se está a tornar num sério candidato á piroseira cinéfila.

Quanto mais vejo cinema Tailandês mais me parece que aquele país é assim uma espécie de Ed Wood do planeta terra.
O cinema comercial Tailandês parece ter sempre as melhores e mais sérias intenções mas salvo raras e honrosas excepções parece que produzem um conjunto de filmes sempre tão maus que quase desafiam as estatísticas.
E um dos piores será certamente este [“2022 Tsunami“] com muita pena minha.

Se calhar não parece, pela imagem acima, mas acreditem-me…vocês não vão acreditar no que verão se decidirem espreitar este filme. Uma tragédia que poderia ter sido absolutamente hilariante não fosse o facto de ser tão mau que se torna irritante a partir de certa altura.

E por falar em filmes genialmente maus, neste fim de semana fui ver a “nova comédia” do Rolland Emerich saida de Hollywood chamada “2012” e diverti-me á brava com o filme.
Como eu adoro cinema catástrofe em que morrem gajos aos molhes por dá cá aquela palha saí de “2012” com grande adrenalina e a pensar se não haveria pelo oriente algo novo que me pudesse divertir com mais umas cenas fixes de morte e destruição.

Não tardou muito que encontrasse não um, mas dois titulos orientais completamente novinhos em folha para meu contentamento e curiosamente ambos os filmes têm como tema os Tsunamis pois foram inspirados na tragédia real do Natal de 2004 de que todos nos recordamos certamente. Este filme até usa imagens reais de arquivo para tentar criar ainda mais dramatismo sobre o assunto.
Tanto a Coreia do Sul como a Tailândia pegaram na ideia e produziram as suas versões do que aconteceria se o fenómeno se repetisse de novo mas a uma escala realmente apocalíptica e os resultados não poderiam ter sido mais diferentes.

Por agora falemos da versão Tailandesa.
Eu sei que se calhar isto parece injusto, mas tenho que dizer que [“2022 Tsunami“] foi um dos filmes mais pirosos e sopeiros que alguma vez vi. E não estava nada á espera disto num filme catástrofe.
Todos nós sabemos que o género nunca escapa aquele estilo telenoveleiro, mas esta tentativa Tailandesa atinge um grau de anedota que eu próprio julgava impossível de ser atingido.

Se virem muitas das fotografias estáticas, certamente ficarão com curiosidade suficiente para ver o filme, especialmente se gostam do género pois quando as coisas não se mexem até criam a ilusão de que estaremos na presença de algo realmente divertido e com suspanse quanto baste. Não se iludam.

Se [“2022 Tsunami“] fosse uma música pimba (música brega para o pessoal do Brasil), seria certamente um sucesso pois nada falta nesta letra…perdão, neste argumento…
Tudo é tão mau que eu nem sei por onde começar.
Os personagens são hilariantes, os diálogos são atrozes ( e duvido que seja da legendagem), a realização não tem ponta por onde se lhe pegue em termos de identidade e a montagem deve ter sido feita por algum estagiário despedido a seguir. Isto para nem falar dos efeitos especiais…

Ninguém mais do que eu deve adorar maus efeitos especiais.
Eu sou um fã absoluto de FC obscura, séries B marados e filmes de baixo orçamento. Mas para que a coisa funcione é preciso que um filme tenha um certo charme, o que não acontece de todo neste [“2022 Tsunami“].
Isto porque este se leva tão a sério que atinge um nível de dramatismo e piroseira que só nos faz rir a todo o instante ou então bocejar de tédio até nas partes catastróficas que deveriam pelo menos ter algum impacto mas falham redondamente.

A começar pelos personagens pois  pouco nos importamos com o seu destino e depois porque os efeitos de animação… são tão…animados… que não contribuem de todo para criar aquele clima trágico que a obra pelo visto pretendia ter tido.
Não é suficientemente divertida para ser um grande série B e não consegue atingir a carga dramática para poder ser levada a sério, muito por culpa da excessiva dramatização da personalidade dos personagens que só nos dá vontade de rir ou de chorar e não pelas melhores razões.

Mais uma vez insisto, a única palavra que encontro para descrever [“2022 Tsunami“] é – “piroseira”.
Eu sei que isto não é muito cinéfilo mas é a única sensação que o filme me transmitiu e passada meia hora já estava farto de aturar aquelas pseudo-caracterizações psicológicas tão ridiculas. Primeiro são cómicas mas depois tornam-se absolutamente repetitivas e irritantes transportando o filme para um patamar que o torna aborrecido em vez de entusiasmante e nem as cenas de destruição conseguem salvar o resultado final pois tudo é tão exagerado em termos humanos e estereotipos de personagens de cartão que os efeitos ainda nos parecem se calhar muito piores do que na realidade até são.

Há de tudo nesta história. Um heroi que tem medo do mar porque a familia morreu no Tsunami de 2004 e de cada vez que se chega junto á agua produz as mais hilariantes caretas que podem encontrar num filme dramático, uma heroína que também perdeu a familia toda há vinte anos, um primeiro ministro cheio de boas intenções, um cientista maluco com umas barbas perfeitas para serem colocadas de molho, uma aldeia piscatória com pessoas muito boazinhas e um grupo de mafiosos com intenções muito más.
E já lhes falei das sequências homo-eróticas ?

Ok, eu não tenho nada contra as preferências sexuais de cada um, mas que raio ?!…Para que serve aquele angulo na história ?
Um gajo está a ver um filme supostamente dramático e depois saido do nada vê-se um cu de um tipo saído do nada iniciando-se de seguida uma espécie de pequena cena de amor um bocado atabalhoada e sem qualquer sentido ?
Surpreendeu-me mais que o resto do filme todo.

Gostaria de lhes poder explicar de uma forma mais coerente como este filme oriental é mau, mas sinceramente este é um daqueles que é de ver para crer.
Na verdade isto é quase um caso á parte, pois -“mau”- nem sequer será a palavra correcta para classificar o estilo desta obra. É um produto muito estranho.
A realização é completamente incoerente. Muito trabalho de câmara ao ombro mas tudo é demasiado evidente e a partir de certa altura estamos mais atentos á maneira de filmar do que á própria história ou aos personagens nela o que não abona a favor do trabalho do realizador que parece querer afirmar-se acima da obra a todo o instante.

E o pior de tudo é o tom paternalista do proprio argumento, a certa altura apetece-nos gritar ao ecran para aqueles gajos pararem de dizer frases ecológicas sobre como a humanidade está a dar cabo da natureza ! Já chega ! Já se ouviu ! Não sejam tão “subtis” a passar a mensagem !
No final do filme pelo menos a mim só me apetecia pegar nuns contentores de lixo e ir até á Tailândia despejar tudo naquele país na esperança de que pelo menos este estúdio fosse atingido por um verdadeiro maremoto que o impedisse de fazer uma sequela desta verdadeira tragédia cinematográfica.
É com muito pena minha que digo que [“2022 Tsunami“] é tão “mau” que até faz com que os blockbusters americanos do Rolland Emerich pareçam bons filmes e quando assim é…

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CLASSIFICAÇÃO:
Não consigo compreender qual é o problema de muito do cinema Tailandês. Parece que pelo facto de se levar demasiado a sério nunca consegue atingir a seriedade das filmografias dos seus vizinhos asiáticos.
Talvez seja por piscar demasiado o olho ao cinema ocidental sem conseguir criar uma identidade própria ou por não conseguir produzir argumentos particularmente interessantes, o facto é que falta algo no cinema Tailandês e este filme é um excelente catálogo de todas as fraquezas que habitualmente encontramos nesta filmografia.
Este [“2022 Tsunami“] tinha tudo para ser um divertido filme catástrofe mas por qualquer razão afunda-se por completo muito antes de a água chegar.
Uma tigela de noodles porque é realmente muito desinteressante apesar de não parecer ser a uma primeira vista.
E se calhar merecia menos ainda.

noodle2.jpg

A favor: apesar de tudo ainda contém cenas de destruição apocaliptica engraçadas, apesar de falhar redondamente tenta ter uns CGIs modernaços para representar o maremoto.
Contra: os personagens são hilariantes e aborrecidos ao mesmo tempo, leva-se demasiado a sério, o tom paternalista ecológico torna-se verdadeiramente enervante, tenta ser tão dramático a todo o instante que se torna completamente piroso, alguns actores são atrozes mas se calhar a culpa nem é deles, ás vezes parece um filme amador no pior dos sentidos, os diálogos são hilariantes ou do piorio, as cenas de pânico parecem filmadas na banheira, o desastre não impressiona de todo, não atinge sequer aquele patamar do tão mau que se torna bom e é pena pois tinha potencial.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=zDqMJ5_v-AI&feature=related

Comprar
Não faço ideia onde isto está á venda, mas vocês não o vão querer adquirir de qualquer maneira.
Este é um daqueles casos em que a pirataria faz um favor ao consumidor, por isso sugiro que o espreitem aqui.

Imdb
Quê ?!… 🙂

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Filmes semelhantes de que poderá gostar:
Vejam antes  “The Sinking of Japan”.
Este sim, é um excelente exemplo de cinema catástrofe made-in-oriente.

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Katakuri-ke no kôfuku (The Happiness of the Katakuris) Takashi Miike (2001) Japão


Cantem todos !
– ” The hills are alive, with the Sound of…screaming !?”  🙂

Se calhar não se nota, mas [“The Happiness of the Katakuris“] é uma comédia e a frase acima é o seu slogan publicitário oficial.
A sério.
Agora depende muito do vosso sentido de humor, porque garanto-vos, este filme não é para toda a gente. E não é por causa do sangue ou do excesso de cenas gore nojentas, mas sim porque é um filme musical.
Confusos ?
Ainda não viram nada.
É que a haver um filme completamente inclassificavel será certamente este, senão vejamos…
É mau como o raio, mas é por isso que é uma verdadeira obra prima do cinema oriental, porque o objectivo era mesmo que fosse mau e neste aspecto [“The Happiness of the Katakuris“], não podia ser melhor.

Só um realizador com talento e muito seguro do seu trabalho conseguiria criar de propósito um mau filme. E já que falamos de cinema oriental, se calhar não haveria ninguém mais credenciado do que o veterano Takashi Miike para fazer uma … coisa destas.
Não que ele seja já um velho cineasta oriental venerado ao estilo Kurosawa, mas porque na verdade deve ser o realizador que mais rapidamente trabalha no mundo e sempre com resultados que, ou são excelentes ou muitíssimo bons, pois por mais que se tente procurar é dificil encontrarmos um mau filme de Miike no mercado.
Quando muito descobre-se algo mediano, o que não é o caso desta vez.
E se juntarmos o facto dele em pouco mais de dez anos de carreira ter já feito mais de 60 filmes (leram bem), ainda custa mais a acreditar que ele consiga surpreender a cada novo projecto e seja um dos realizadores mais originais que poderão encontrar a trabalhar actualmente.
Acho que na carreira Miike só deve faltar um porno.
Embora [“The Happiness of the Katakuris“] não ande muito longe disso…
Não porque tenha sexo explícito ou sequer nudez, mas porque é um filme tão piroso, mas tão piroso que se torna quase pornográfico se interpretarmos o conceito por uma definição de excesso.
Mas de que trata então esta…hem…obra ?…
Acreditam se eu lhes disser que isto é um remake Japonês do “Música no Coração” ?…

Não será própriamente um remake da história do filme de Robert Wize, porque [“The Happiness of the Katakuris“], é uma nova versão de um dos clássicos do cinema Sul-Coreano intitulado originalmente  – “The Quiet Family”.
Mas é um herdeiro absoluto do espírito feliz de “Música no Coração” e a um nível emocional é o seu remake a 100%, apesar de contar com uma quantidade considerável de cadáveres á mistura.
É que vocês nem imaginam como este filme é feliz.

Se conseguirem entrar no espírito,  “The Happiness of the Katakuris“] é um verdadeiro antídoto para a depressão e uma das obras mais originalmente bem dispostas que poderão encontrar.
Começa de forma estranha. Tão estranha que a início nem sabemos bem se estamos a gostar do filme ou não, mas depois culmina numa parte emocional tão feliz, mas tão feliz que se torna contagiante e damos por nós a entrar no espírito e com vontade de começar a cantar canções fofinhas pirosas em japonês e a flutuar de alegria acima do sofá da sala.
O que não deixa de ser estranho, porque a parte final é sobre o suícidio. 🙂

Não, não estou a gozar.
Mas afinal o que há de tão estranho nesta obra ?
Bem, é pirosa. Mas pirosa mesmo, com um kitsch tão exagerado que faz os Enapá 2000, parecerem ingénuos.
The Happiness of the Katakuris“], é piroso de propósito e não pensem que isto é fácil de ser feito. Mal pensado, tudo teria resultado num falhanço absoluto pois se não conseguisse transportar o espectador para aquele universo sem o contestar Takashi Miike teria se espalhado ao comprido e o filme seria apenas mau a um nível que nem conseguiriamos suportar.
Mas passa-se exactamente o contrário e tudo no ecrã nos impede que tiremos os olhos da televisão pois, primeiro nem acreditamos (ou compreendemos verdadeiramente) o que estamos a ver, depois temos mesmo que saber o que vai acontecer a seguir, quanto mais não seja para podermos contar ás pessoas o que vimos.
É essa a grande magia do filme. Apesar de nos apetecer deitar fora o dvd nos primeiros minutos, depois agarra-nos, conquistando-nos com a sua felicidade transbordante.
Isto enquanto mete assassinatos, catástrofes naturais, telediscos de música propositadamente má, estética pimba do mais pimba que possam imaginar e personagens do outro mundo.
E já lhes falei nos mortos vivos ?… 🙂

Se calhar é melhor não dizer mais nada.
Aliás, eu que não gosto de revelar o argumentos dos filmes, sobre este então, é que não vou dizer practicamente nada, pois o prazer aqui está precisamente em não imaginarem o que lhes irá cair em cima a seguir.
Fiquem apenas a saber que “The Happiness of the Katakuris“], narra as sangrentas desventuras de uma familia tradicional japonesa que por acaso teve o azar de ter comprado um velho hotel no meio de uma montanha onde quase não passam turistas. E quando passam, os que se hospedam nos seus quartos acabam mortos no dia seguinte, o que dá origem ás mais inimagináveis e engraçadas situações.
Mas se o filme é extremamente feliz no seu tom, isto deve-se não só ás inacreditáveis canções pimba e números músicais que o percorrem, mas principalmente aos personagens.
O filme tem um casting absolutamente perfeito com personagens-tipo geniais e muito bem interpretados. Desde o avô até á criancinha da família todos têm o seu momento no filme e ajudam mesmo a criar aquela ilusão de família unida que é a alma e o coração do filme.

E por falar em personagens, há um que se destaca e já se tornou uma figura de culto.
Não pertence aos membros da familia, mas garanto-vos que não se vão esquecer do “Richard” tão cedo.
Podem espreitar a sua canção na secção de videoclips deste site se quiserem ter um pequeno vislumbre da sua personalidade e do que o personagem faz no contexto da história porque o seu segmento é um bom exemplo do que poderão encontrar se arriscarem a ver este filme.
Só para terem uma ideia, “Richard” é a versão oriental do Richard Gere em “Oficial e Cavalheiro”, mas com tendências extremamente narcísistas e um bocadinho psicópatas.
Vão adorar.

Portanto é assim, gostam de histórias com pessoas cortadas aos bocados e música pimba japonesa ?
Gostam do “Evil Dead” e sempre imaginaram que daria um bom musical ?
Acham que o suícidio pode servir de inspiração para canções ao sabor de “Música no Coração” ?
E vulcões ? Gostam de filmes com vulcôes ?

Então não podem perder esta obra, pois mesmo que a fiquem a odiar, podem ter a certeza de que se irão lembrar dela por muito, muito tempo. E ter as suas musiquinhas na cabeça também. 😉

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CLASSIFICAÇÃO:

Um dos filmes mais originais que poderão encontrar. Ideal para quem reclama constantemente que o cinema de hoje em dia é todo igual.
Agora cuidado, pois pode induzir a níveis de vómito inimagináveis. Aproximem-se com cuidado então.
Mesmo assim, não posso deixar de dar cinco tigelas de noodles e um Golden Award como selo de qualidade.
Embora cuidado com a minha classificação, pois se não entrarem neste filme preparados, se calhar para muitos de vocês ele nem valerá sequer meia tigela.
Não é o meu caso, pois além de eu ser admirador da capacidade inventiva do realizador a alegria contagiante do final deste filme merece em absoltuto a nota máxima.
Mas é preciso estar com espírito para ver isto, pois apesar de muito ligeiro e comercial, não é de forma alguma um filme fácil de assimilar (especialmente para o publico ocidental).
É que para uma comédia, nem sequer é propriamente um filme hilariante, mas tem os seus momentos de humor muito bem conseguidos.
O que não impede que seja verdadeiramente uma obra-prima do cinema feliz…se é que este género existe…

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A favor: a originalidade, a extrema alegria contagiante que aumenta de nível á medida que o filme se aproxima dos momentos finais, os personagens, as musicas pimba, a realização certamente sobre o efeito de ganza em excesso, o humor negro, o “Richard”.
Contra: as animações em plasticina stop-motion apesar de excelentes irritam-me profundamente, a mistura de géneros de filme é tanta e tão confusa que o filme tem umas variações de ritmo narrativo algo estranhas.

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NOTAS ADICIONAIS

Recomendo vivamente que vejam o Trailer pois transmite perfeitamente o ambiente que irão encontrar durante o filme todo.
http://www.youtube.com/watch?v=nIXyiJqMLJI&feature=related

Se quiserem comprar o dvd, sugiro a edição UK, pois é fantástica.

Excelentes (e pirosos) menús animados, excelente qualidade de imagem numa transferência anamórfica muito boa e um som perfeito não só em 5.1 como em DTS. Além disso contém óptimos extras, inclusivamente uma boa entrevista com o realizador que merece ser vista, quanto mais não seja para apreciarem a pinta gangster-hiphop-japonês do homem. Scary…

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0304262/

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Filmes “semelhantes” de que poderá gostar:

Attack the gas station

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