“Hope”/Wish (So-won) Joon-ik Lee (2013) Coreia do Sul


Ora bem, vamos lá simplificar isto.
Review: [“Hope”] é um drama Sul Coreano sobre uma criança violada a caminho da escola numa manhã de chuva.

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CLASSIFICAÇÃO:
Cinco tigelas de noodles e um Gold Award na classificação e é porque não posso dar mais.
Este rebenta a escala por todos os lados.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg gold-award.jpg!!!

Agarrem-se bem nas cadeiras.
Não percam tempo.
Até à próxima sugestão de cinema.

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Ainda está alguém aí ?..
Querem saber mais ?

Bem, para começar NÃO VEJAM OS TRAILERS LEGENDADOS EM INGLÊS que inundam o Youtube !!! Contêm o final do filme e montanhas de *spoilers* inacreditáveis. Mais uma vez a distribuição americana precisa de uma apresentação que explique muito bem o filme todo sabe-se lá porquê…
Vejam apenas este videoclip  (no lugar do trailer) e depois sigam para o filme.
Melhor ainda, sigam já para o filme e não vejam nem leiam mais nada.

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Já que insistem em continuar aqui…
[“Hope”]
foi um daqueles filmes que me atingiu como um tijolo e acho que ainda estou zonzo do embate !
Sinceramente nunca tinha ouvido falar dele e felizmente não tinha visto o trailer todo, porque gostei imediatamente do estilo visual nos primeiros segundos e senti que seria um bom título a ver sem saber demasiado sobre ele. O meu instinto estava certo.
[“Hope”] é certamente um dos melhores filmes Sul-Coreanos que vi até hoje e sem sobra de dúvida o melhor drama neste estilo que alguma vez me passou pela frente em muito tempo.

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E é também um manual visual que demonstra ponto por ponto tudo aquilo que eu costumo referir a propósito da forma natural como se humanizam personagens no cinema oriental. E desta vez não sou apenas eu que o digo, mas também muito crítico profissional que teve o prazer de também ter levado com este filme em cima desprevenidamente; citando precisamente esse aspecto dos personagens como ponto central que distingue o que vemos actualmente no cinema oriental e o plástico formulático que sai de Hollywood até em termos de “caracterização de personagens” dentro do cinema comercial.

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[“Hope”] se tivesse sido um filme americano, teria sido um dos dramas neste estilo mais premiados de sempre. Teria levado pilhas de Oscares para casa, estaria por todas as salas de Portugal disribuído pela máquina publicitária de Hollywood e seria falado até hoje apesar de já contar com três anos desde que foi produzido.
Como é cinema oriental, ninguém por cá ouviu falar dele, óbviamente.
E segundo rezam as crónicas foi não só um dos maiores sucessos de sempre lá pelo oriente a nível de público quando estreou, como inclusivamente uniu a crítica profissional e a popular numa aclamação geral, o que não deixa de ser um feito surpreendente.

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Ainda hoje, curiosamente até mesmo sites e publicações americanas recomendam [“Hope”]  como um dos dramas mais obrigatórios que surgiram nos últimos anos e eu nem sabia que o filme tinha sequer sido lançado no ocidente, quanto mais nos estados unidos. Foi num par desses sites que descobri este titulo; (aqui e aqui (pequenos spoilers included nas reviews em ingles)).

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[“Hope”] pelo oriente, arrecadou prémios em tudo o que foi festival de cinema por onde passava, ao mesmo tempo que devastava milhares de plateias desprevenidas que sairam certamente do cinema como se tivessem sido atropeladas por um camião-Tir em hora de ponta.
Pessoalmente nada me preparava para este título. Sinceramente estava à espera que fosse bom, mas que não fugisse muito àquilo que já vimos mil vezes naqueles telefilmes americanos sobre –“a desgraça do dia”-, que em Portugal costumavam passar a toda a hora nas televisões generalistas.
A coisa, não prometia de todo, pois [“Hope”] é a história de uma miudinha de 8 anos que é violada a caminho da escola e de todo o frenesim mediático que se gera à volta da familia até que o culpado é julgado em tribunal.

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Vêem ? Não vimos já isto mil vezes ?
Aposto que até já estão a adivinhar o filme todo. Certo ?
Errado.
[“Hope”] parece, mas não é esse tipo de filme, mesmo sendo.
Confusos ? É simples.

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[“Hope”] é baseado num caso real ocorrido há alguns anos na Coreia do Sul e pelo que li o filme é fiel aos acontecimentos. Acontece que sendo uma história baseada num caso assim, que quase parece um manual para como se inventa uma história com uma criancinha, que sofre muito , coitadinha, etc… a verdade é que esta obra tem um pormenor a destacar.
Este filme tem o fantástico mérito de não fugir daquilo que é normamente o típico cliché neste género de drama, mas contorna-o de uma forma extraordinária; precisamente fazendo aquilo que só o cinema oriental sabe fazer bem e nunca, nunca teria a mesma abordagem simples se isto fosse um produto de Hollywood, podem ter a certeza.
[“Hope”] não está baseado na captura do criminoso, o seu julgamento nem sequer é o principal do filme, não é sobre o sofrimento atroz que a criança tem que carregar (da forma que vocês pensam), não tem vilões no sentido em que vocês imaginam mas é um filme sobre a aproximação entre um pai e uma filha. Tudo construído através de uma espantosa naturalidade e humanização de cada um dos personagens que integra cada acontecimento.

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[“Hope”] é sobre a esperança de recuperação e consegue o feito de ser um dos melhores -“Feel Good Movies“- de todos os tempos , mesmo tendo por base uma violação de uma criança mais um par de twists devastadores que são um verdadeiro murro no estômago e que levam ao desenlace da história sobre o futuro da vítima.
Estou aqui a tentar descrever isto, tentando transmitir-lhes a originalidade de [“Hope”]  mas o problema é que para poder detalhar-lhes o que realmente é extraordinário na execução deste argumento, automáticamente eu estaria a estragar-lhes os melhores momentos da história. Por isso meus amigos, se procuram uma boa história dramática não percam mais tempo. Esta não vão esquecer tão cedo.

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Consegue também o feito de ser um dos dramas com mais adrenalina que alguma vez vi. Não é um filme de acção, não é um drama de tribunal no sentido americano mas tem uma tensão fantástica, o que faz de [“Hope”] um daqueles títulos que nos fazem estar constantemente – “on the edge of your seat” – no sentido mais literal. Agarrem-se bem às cadeiras, sofás e principalmente travesseiros. Não digam que não avisei.
[“Hope”] é com todo o direito um verdadeiro -thriller- dramático sem nunca perder o humanismo e a naturalidade. Nunca por algum momento nos lembramos que estamos a ver um filme e muito menos um grupo e actores.

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A realização é excelente e nem notamos que lá está, pois dez minutos depois de começar nem nos lembramos que estamos a ver um filme. A direcção de actores só pode ter sido incrível, especialmente no que toca à prestação das criancinhas.
O pessoal que fez o casting deste filme está absolutamente de parabéns. As crianças são absolutamente perfeitas, com um carisma e uma empatia extraordinárias; isto para nem falar da forma como vivem também todo o drama que centraliza a história.
A miudinha principal é notável num papel que nem imagino como se planeia isto com uma criança que tinha apenas 7 anos quando a rodagem começou. Não fica nem um milimetro atrás do par de actores veteranos que interpretam os seus pais em termos de prestação convicente e absolutamente dramática.

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Aliás, a empatia entre ela e o actor que interpreta o seu pai no filme é absolutamente incrível !
Idem para o jovem rapazinho que interpreta o menino que gosta da menina violentada. Não sei o que metem na água dos miudos na Coreia do Sul, mas se o resultado for a produção de pequenos actores deste nível espero que continuem.

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Aliás [“Hope”] arrecadou prémios para actores por todo o lado, o que demonstra claramente que estamos na presença de um daqueles titulos com um casting de sonho em termos de qualidade dramática. Não só os protagonistas são excelentes como todo o elenco secundário brilha em pequenos momentos; o amigo do pai da miuda, a amiga da mãe, a terapeuta, os policiais, etc. Absolutamente perfeito em termos de composição dramática. E um grande destaque para o actor que faz de violador pois tem um dos melhores momentos deste filme, numa cena que os irá arrepiar até à medula e fazer com que vocês atirem pedras de calçada ao televisor num dos pontos de maior tensão dramática na história.

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Por falar em tensão, nunca vemos a violação da criança em [“Hope”], mas vemos o seu resultado imediato e por isso, pessoas impressionáveis preparem-se psicológicamente, pois este não é o telefilme da HBO que estão habituados a ver passar nas tardes da TVI para entreter as avózinhas.
Não estamos em Hollywood e se isto é para ser dramático a um nível realístico mesmo, podem ter a certeza que vai ser , pois aqui pelas bandas da Coreia do Sul ninguém se preocupa muito em ser politicamente correcto nas histórias de cinema; o que só lhes fica bem; (e eu nem lhes vou mostrar a fotografia da caracterização inicial da miuda após a violação). Se calhar é por isso que depois conseguem atirar cá para fora títulos com a qualidade de um filme assim.

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CLASSIFICAÇÃO:

Um dos melhores e mais consistentes filmes dramáticos que sairam do oriente em vários anos. Nomeadamente da Coreia do Sul.
Dentro deste estilo de história nunca vi nada que chegasse aos pés deste filme pelas razões que referi já no texto mais atrás.
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award (ao cubo) porque é absolutamente inesquecível e um daqueles filmes que apetece rever só para voltar a acompanhar aqueles personagens e admirar cada interpretação.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg gold-award.jpg(ao cubo)

A favor: história muito bem planeada cheia de momentos insqueciveis e que são usados para mais uma vez humanizar cada personagem a um nível que só o cinema oriental parece conseguir fazer, os actores têm prestações incríveis a todos os níveis, está cheio de personagens excelentes, as crianças-actores são notáveis, a realização é invisivelmente perfeita, tem um ritmo frenético e em certos momentos mais parece um thriller do que um drama apesar de não ser própriamente um filme de acção, cria uma empatia notável com o espectador até nos momentos que envolvem o violador, dá-nos cabo dos nervos, tem momentos fantasticamente fofinhos ao melhor estilo do cinema sul coreano que já conhecem, todo o argumento está fantásticamente bem escrito e manipula o espectador emocionalmente de uma forma extraordinária com pausas nos sitios certos e murros no estômago de cair para o lado nos pontos chave.
Contra: ehm… nada ?!… Ok, pronto…deixa cá ver…hmmm….espera, deixem-me pensar…hmmm…ah, olha, se calhar o epílogo está a mais e o filme poderia ter acabado um par de minutos antes na sequência final realmente emblemática entre o pai e a filha…

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NOTAS ADICIONAIS:

TRAILER – AVISO !
NÃO VEJAM O TRAILER que está espalhado pelo youtube legendado em Inglês pois está cheio de *SPOILERS* inacreditáveis. Esse é o trailer da distribuição americana e conta o filme todo de uma ponta à outra !!! Inclusivamente revela o final !!!

VIDEOCLIP (substituindo o trailer)
Se quiserem espreitar algumas cenas do filme vejam isto aqui.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt3153634

COMPRAR DVD (legendas em Inglés apenas no filme e não nos extras).
http://www.yesasia.com/us/hope-2013-dvd-korea-version/1035288953-0-0-0-en/info.html

E agora que escrevi tudo isto, vou rever o filme.

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Outros títulos dramáticos de que poderá gostar:

Be With You Il Mare The Classic

Love Phobia cyborg_she_capinha_73x

concerto_capinha_73x My Sassy Girl

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Cinema_oriental_no_facebook

Kim Bok-nam salinsageonui jeonmal (Bedevilled) Chul-soo Jang (2010) Coreia do Sul


Quando eu me preparava para ver apenas mais um exploitation movie daqueles bem chungas em que uma tipa limpa com uma foice metade de uma aldeia eis que apanho uma das surpresas do ano no que toca a cinema oriental.

Já conhecia o filme pelo nome há algum tempo, mas nunca tinha visto sequer o trailer ou lido qualquer review sobre ele e portanto parti para [“Bedevilled“] completamente ás escuras, apenas porque não tinha nada de particularmente interessante para ver no momento e apetecia-me ver um filme de porrada e carnificina japonesa para descomprimir e que não me fizesse pensar muito para além de contar o numero de braços decepados ou cabeças rolantes.
Essencialmente estava com vontade de ver uma comédia e não pedia que este filme fosse algo mais do que um grande mau-filme ao pior estilo série-b oriental, pois estava plenamente convencido que o era.

Acontece no entanto que ainda [“Bedevilled“] mal tinha começado e muito para minha surpresa já eu não conseguia tirar os olhos do ecran.
A personagem pricipal dava-me cabo dos nervos, mas os pormenores da história pareciam cada vez mais cativantes a cada cena que passava e  dei por mim a pensar que se calhar este filme era bem capaz de ser bem mais interessante do que parecia á primeira vista.
Quanto mais não fosse porque em meros minutos conseguiu criar logo suspanse de cortar á faca e ainda por cima construiu um personagem com carísma suficiente para deixar qualquer espectador intrigado. Até porque não percebemos bem se gostamos daquela gaja ou não e por isso temos mesmo de continuar a ver.

De repente aquilo que começa quase como um qualquer thriller policial  entra por um registo diferente e o filme muda para um cenário rural que nada parece ter a ver com o que se passou nos primeiros dez minutos e damos por nós a perguntar o que raio vai acontecer a seguir em [“Bedevilled“] e qual será a direção da história. O que é bom.
Há que dizer que apesar de todo o ambiente rural bucólico que nos aparece pela frente, há qualquer coisa na própria realização do filme que aponta para uma atmosfera claustrofóbica. Não só os próprios enquandramentos até nos exteriores parecem sempre algo contidos como logo se percebe na história que a claustrofobia também será psicológica para condizer com tudo o resto e contrastar totalmente com o ambiente rural em estilo mundo perdido onde tudo se passa.

E de um mundo perdido é aquilo que essencialmente [“Bedevilled“] trata no fundo.
Um mundo perdido daqueles que ainda hoje existe em muitas partes do globo terrestre onde os valores conservadores ultra tradicionais e comportamentos morais que quase se podem considerar primitivos, ainda fazem parte do dia-a-dia de muita gente em muitas comunidades rurais isoladas  onde a mulher ainda é vista como uma espécie de gado.

Portanto, se procuram um filme que constroi todo o suspanse com base nos extremos a que a condição humana pode chegar e nos comportamentos que podem ser atribuidos a tradições quase das cavernas, [“Bedevilled“] é o vosso filme.
Na aldeia bucólica vão encontrar de tudo; escravidão, violência doméstica, violações, prostituição, pedófilia, pedófilia com incesto, crueldade social e todo o tipo de violência fisica e psicológica que só os orientais poderiam colocar num filme e ainda por cima fazê-lo de forma convincente, aterradora e completamente cativante no sentido cinematográfico.

Não porque este seja um grande filme, mas porque soube como poucos pegar num argumento que tinha tudo para ser apenas chunga e quase pornográfico na forma como mostra a violência e no entanto dá-nos uma visão humana totalmente inesperada que nos agarra do primeiro ao último segundo.
Nem sequer se pode dizer que será um filme com vilões, pois até o mais desprezivel parolo desta história parece pertencer áquele lugar, o que automáticamente lhe dá logo uma carga dramática humanizada no sentido em que ninguém é caracterizado como uma besta só porque é mau, mas percebe-se que houve ali a intenção de tentar mostrar como pode o isolamento de uma comunidade presa a valores morais completamente afastados do mundo moderno contribuir para criar pessoas para quem a crueldade é apenas a sua forma de vida. Como alguém diz no filme, não há nada de anormal nas pessoas da ilha porque a vida é mesmo assim.
É esta “normalidade” que acaba por ser a coisa mais assustadora deste argumento.

[“Bedevilled“] é um daqueles filmes com um argumento tão bem apresentado que nem nos lembramos que o realizador existe, o que pode criar á partida aquela ideia de que não há nada de especial com esta obra quando no entanto se calhar está aqui uma das suas grandes mais valias.
O realizador “apaga-se” totalmente para deixar as personagens respirar…ou neste caso, violar, gritar, gemer, chorar ou pior ainda,- ignorar- e dar-nos cabos dos nervos a cada segundo de tensão que passa.
Não encontrarão em [“Bedevilled“] um daqueles filmes com imagens inesquéciveis; com excepção talvez da inesperada imagem da ilha que fecha com chave de ouro uma história que foi muito além do que seria de prever e que tem a ver directamente com o enquadramento imediatamente anterior com a actriz protagonista.

Também não encontrarão uma montagem , digamos, “moderna”. Nem sequer nas sequências de gore ou acção que compõem o climax do filme o que o torna ainda mais surpreendente.
Todo o filme é construido com base numa estrutura perfeitamente clássica e sem recurso a grandes inovações estilisticas ou sequer estilizadas e como tal também é um bom antídoto para quem procura um titulo oriental moderno que não tem pretenções a estilo Anime e sabe contar uma história da forma mais tradicional possível sem recorrer a montagens podres de chiques ou designs arrojados em modo gráfico histérico. [“Bedevilled“]  não necessita de nada disso para ser arrepiantemente eficaz e nos dar cabo dos nervos a cada segundo que a sua história avança em direcção ao sangrento desenlace.

Para quem como eu apenas esperava encontrar apenas um banho de sangue e cabeças abertas com uma montagem estilosa em estilo Anime fiquei bastante surpreendido até na forma como o gore e o sangue é usado nos ultimos 40 minutos de filme. Mantendo-se fiel á estrutura do resto do filme até então, também no apocaliptico e totalmente entusiasmante acto final desta história ultra violenta o suspanse é totalmente controlado de uma forma eficaz e [“Bedevilled“] não entra apenas em modo gore com sangue aos litros mas equilibra toda a tensão com a própria carga dramática que foi construindo á volta dos personagens, (muitas vezes até sem o espectador se ter apercebido).

O que não quer dizer que o filme não tenha um genial banho de sangue no final, porque tem. Quem gosta de decapitações com foices vai curtir [“Bedevilled“] até ao último segundo.
No entanto a grande força do filme está não na violência e no acto final, mas principalmente na forma como usa tudo isso para construir personagens excelentes com particular destaque para as duas protagonistas.

A personagem da tipa toda coquete que nos dá cabo dos nervos é a chave do desenvolvimento dramático em todo o filme e o registo contido da própria interpretação da actriz poderá até parecer mais apagado do que o que se torna evidente na outra protagonista que é alvo de todos os abusos ao longo da história, mas ambas têm um trabalho fantástico que equilibra as duas prestações e contribui em muito para que a tensão da história a partir de certa altura chegue a níveis quase insuportáveis.
Se gostam de filmes em que lhes apetece mandar qualquer coisa contra o televisor, não percam este.
Ainda por cima é um daqueles titulos que compensa plenamente o espectador até ao último segundo por ter acompanhado aqueles personagens que ficam na memória.

Curiosamente devido ao seu tom de extrema violência fisica e psicológica, notei que o filme é algo menosprezado em algumas reviews por o considerarem demasiado exagerado no que toca ao que acontece á rapariga que é abusada e maltratada por toda a aldeia. Muita gente parece achar que algo assim seria impossível nos nossos dias.
Apenas como nota curiosa, posso garantir-vos que o tipo de pensamento e o tipo de tratamento social de extrema crueldade pela parte que me toca ainda estava bem vivo bem no interior do meu Portugal há alguns anos atrás.
Por incrivel que vos pareça, a minha mulher há 17 anos a quando de um anterior casamento que a “raptou” literalmente para as brenhas interiores do distrito de Viseu numa aldeia totalmente isolada, passou por situações tão extremas quanto muitas das coisas que poderão ver representadas neste filme e pelo que ela me relatou, só não acabou por ter a mesma reacção que a protagonista de [“Bedevilled“] porque tinha o filho ainda bébé e conseguiu fugir uma noite de volta para o Algarve escondida de tudo e todos, inclusivamente dos familiares do marido que tinham exactamente a mesma forma de pensar que poderão agora encontrar representada nos personagens das velhas senhoras da aldeia deste fabuloso argumento sul-coreano.

Por isso meus amigos, para quem duvida que este tipo de situações e de aldeias apresentadas no filme realmente possam existir, eu garanto-vos que ainda haverá certamente por este Portugal fora, muito local onde os primos casam com as manas e a tias e o cruzamento de genes não ajudará muito á própria evolução cerebral de certos habitantes. Isto aliado a velhas tradições machistas como as que se podem ver neste filme, (entre marido e mulher não se mete a colher/a mulher tem que fazer o que o marido manda / ir ás putas é de homem, a mulher se apanha nos cornos é porque fez alguma coisa errada, etc), de vez em quando dá numa daquelas notícias em que uma mulher se passa e abre uns buracos no marido com a faca de cozinha.
Por isso podem ter a certeza do que lhes digo [“Bedevilled“] não é de todo um filme exagerado. Vão por mim.

Posto isto, o que posso eu dizer mais sobre este fantástico thriller de suspanse sul coreano extremamente intenso ?
Primeiro não parece um thriller de suspanse, mas também não é um drama própriamente dito. Tem momentos mais arrepiantes que muitos filmes de terror daqueles assumidos mas também não será um filme de terror apesar das decapitações e baldes de sangue. Não será uma aventura, mas vocês passarão toda a parte final a torcer pela protagonista.

Não será um filme erótico, mas tem mais sexo do que seria de esperar embora muito violento mesmo; o que me surpreendeu bastante porque não é algo habitual no cinema oriental e em particular do Japão ou Coreia do Sul mais mainstream.
Aliás, não me lembro de ter visto até agora um filme com uma tensão sexual tão grande quando a que está presente em [“Bedevilled“] e isto de várias formas que os irá deixar em tensão total. Eu disse, tensão.

Não só as cenas de sexo pela sua violência quase que nos parecem explicitas como depois há uma carga dramática envolvendo uma espécie de história de amor lésbica não assumida ao longo de alguns momentos chave nas caracterizações das personagens principais. E isto para nem falar na tensão á volta da pedófilia que está absolutamente arrepiante, pois também aqui mais uma vez o realizador parece que nem lá está e deixa a situação falar por si.

Fiquei muito surpreendido com [“Bedevilled“] e não estava nada á espera disto.
Não será um filme a rever tão cedo, embora continue a não me sair da memória e já o vi há dias atrás; nem será se calhar uma obra prima do cinema ou particularmente um grande filme. Por outro lado se calhar até é.
A verdade é que não lhe consigo apontar qualquer falha relevante pois tudo o que faz, faz muito bem e acima de tudo mantem o espectador agarrado do primeiro ao último minuto com personagens excelentes e uma tensão constante que culmina num final inesquecível, onde ainda há espaço para pequenos pormenores e um par de twists inesperados no epílogo fechando tudo da melhor maneira possível.

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CLASSIFICAÇÃO:

Já disse tudo no texto acima, mas basta só realçar mais uma vez que isto foi a surpresa do ano pois não estava nada á espera que me saísse um filme assim.
Um filme completamente inclassificavel que passa por vários géneros e mistura-os de uma forma fantástica criando uma história cheia de personagens memoráveis com um desempenho extraordinário por parte das protagonistas, nomeadamente a rapariga que é maltratada pela comunidade. O argumento é excelente na forma como liga todos os pormenores invisiveis do filme e como nunca deixa o espectador respirar um segundo , mesmo isto sendo um filme relativamente calmo que não agradará de todo a quem estiver á espera de um filme de terror com psicopatas ou apenas á procura de uns baldes de sangue.
Um grande filme mais pela sua eficácia do que propriamente por ficar na memória cinéfilamente falando.
Fantástico e totalmente recomendado a quem quiser ver um filme de vingança inesquecível e cheio de carísma com sexo e sangue quanto baste. O cinema Sul Coreano continua vivo e de boa saúde até quando não faz filmes de amor fofinhos.
Só quero ver os americanos terem coragem para fazer um remake disto !
Cinco tigelas de noodles e um golden award porque vai deixá-los – on the edge of your seats – garanto-vos.

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A favor: a originalidade da estrutura da história, a frieza e a coragem de se escrever uma história assim, os personagens e as incriveis interpretações especialmente da actriz principal, a tensão sexual da história, a forma como se move entre géneros sempre de forma coerente, a tensão de roer as unhas a cada minuto que passa, os ultimos 40 minutos são fantasticos, montes de sangue também, optimo final, o realizador apaga-se e deixa a história falar por si.
Contra: pode ser demasiado calmo para quem procura um thriller ou um filme de terror apenas.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
NOTA: NÃO VEJAM O TRAILER ANTES DE VEREM O FILME.
*Contem SPOILERS* que nunca mais acabam !
http://www.youtube.com/watch?v=eBq0SLWNF-E&feature=related

Comprar
Em Bluray ou então em DVD baratinhos na amazon.uk

Download aqui com legendas em PT/Br

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1646959

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Se gostou, poderá gostar de:

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Ôdishon (Audition) Takeshi Miike (Japão) 1999


O facto de ir agora falar de  mais um filme que poderá ser classificado de terror é pura coincidência novamente e prometo que dentro em breve coloco aqui novidades dentro do cinema mais romântico. Por outro lado…[“Audition“] não deixa também fazer parte do género…por isso vamos a isto…
Desde que inaugurei o blog há um par de anos que a minha intenção sempre foi a de falar deste filme, mas porque na altura [“Audition“] era por demais falado por todo o lado achei melhor guardar esta sugestão para mais tarde.

O que eu gostava era de ter visto a cara de quem primeiro foi ver [“Audition“]  sem saber absolutamente nada dele !
Eu imagino o choque que devem ter apanhado na altura em que nem sequer o cartaz seria particularmente reconhecivel ou pelo menos passaria ao lado de muita gente.
Por isso agora, é pena que as próprias capas das edições dvd dêem logo a entender que isto não será propriamente um filme fofinho pois este é um daqueles titulos que certamente poderiam provocar ataques cardíacos a muita gente que chegasse até ele totalmente ás escuras.

Quando comprei o dvd muitos anos atrás, fi-lo sem querer saber nada sobre a história e apesar de ter uma ideia de que seria algo perturbante consegui no entanto partir para [“Audition“]  sem saber o que me esperava.
E resultou ! A primeira vez que vi este filme conseguiu dar-me mesmo, mas mesmo cabo dos nervos no melhor dos sentidos enquanto produto de tensão absoluta.
Por isso estou agora aqui a recomendá-lo também, especialmente a todos vós que gostam de emoções fortes.
Façam-me apenas uma coisa.

Se nunca prestaram muita atenção a [“Audition“]  ou não sabem nada dele, continuem assim e por favor nem sequer vejam o trailer.
Aliás, se nunca viram este filme, não sabem nada dele e pretendem vê-lo, então recomendo vivamente que parem de ler este texto neste preciso momento e só voltem cá depois de terem visto esta obra fascinante pois não me responsabilizo pelos *SPOILERS* que poderão vir a seguir.
Se ainda não viram o filme, vão vê-lo e voltem cá mais tarde.

Essencialmente estamos na presença de um titulo com uma estrutura muito interessante.
Começa quase como uma comédia romântica ao melhor estilo oriental e termina de uma forma que só visto mesmo para horror de todos aqueles que têm um coração fraco e pensavam que [“Audition“] seria mais um filme fofinho oriental muito romântico e positivo.

Atenção aos *spoilers* a partir daqui, mas há que contar um bocado desta história para poder dar uma ideia mais precisa daquilo que dá grande força a este filme.
Um produtor viúvo e com um filho pequeno, um par de anos após a sua mulher ter morrido de cancro, é convencido por um amigo a procurar uma nova relação para amenizar a sua solidão e ambos resolvem criar um casting para um projecto fictício apenas com o propósito de conhecer algumas raparigas e encontrar aquela que poderá ser a candidata perfeita a ganhar o coração do senhor.

Tudo isto é apresentado com uma atmosfera muito ligeira onde inclusivamente se inserem momentos de humor com sequências que não destoariam daquilo que se vê no pior dos candidatos aos “Idolos” na televisão e que são realmente divertidas. Nesta altura ainda não sabemos, mas isto é uma verdadeira armadilha á predesposição do espectador para depois Takashi Miike, lhe trocar as voltas mais tarde.

O plano dos dois amigos resulta. Encontram uma rapariga que aparenta ser perfeita para o solitário produtor e a partir daqui [“Audition“] entra por um registo de comédia romântica não muito diferente do que estamos habituados dentro do cinema oriental.
Relação bonita, miuda fofinha quanto baste e tudo parece apontar que estejamos na presença de uma grande história de amor.

Tudo, menos uns interlúdios em por breves momentos se mostra o que se passa na casa da rapariga nas alturas em que está sózinha e que faz com que o espectador comece a ter dúvidas de que [“Audition“] seja própriamente o filme romântico que parecia á primeira vista…
Por outro lado, se isto não é um filme romântico o que raio é que o espectador pensa que poderá acontecer a seguir ?…
É este sentimento que Takashi Miike consegue criar no espectador e que faz com que a partir de certa altura já não consigamos tirar os olhos do ecran.

Por um lado queremos acompanhar a relação romântica dos protagonístas e torcemos para que o viúvo alcance a felicidade pois o senhor é apresentado como sendo uma óptima pessoa, por outro sentimos que há por ali um mistério que precisamos desvendar.
Quando a verdade é revelada já é tarde demais, tanto para o protagonista como para o espectador, ambos apanhados na teia de sedução da cativante miuda oriental e é aqui que o filme resulta.

Pessoalmente eu penso que esta rapariga deve ter tido sérios problemas em conseguir arranjar namorado por muito tempo depois de ter participado neste filme !
Por mais que a gente saiba que isto é ficção, eu consigo imaginar a cara do seu namorado na vida real assim a olhar para ela de lado só no caso de…nunca se sabe…

Se [“Audition“] começa de forma ligeira em tom de comédia romântica e vai aumentando de suspanse pelo meio, quando chega ao final torna-se num filme algo indiscritível.
Não porque mostre até muito, afinal há filmes visualmente mais arrepiantes do que este, mas o facto é que o clima de tensão e suspanse criado pelo realizador é tão elevado que  mais uma vez repito, isto não é um filme apropriado para cardíacos de forma alguma.

E tudo ainda se torna mais arrepiante precisamente porque  Takashi Miike não se esqueceu de nos apresentar o personagem principal como sendo uma pessoa excelente e que não merecia de forma nenhuma o que lhe cai em cima, o que cria automáticamente grande empatia com o público e triplica a tensão sem precisar sequer de recorrer a coisas mais chocantes para nos arrepiar.

O acto final de [“Audition“] é fantástico e não vão conseguir tirar os olhos do ecran torcendo para que tudo acabe bem até ao último segundo.
Curiosamente, até aí, o filme tem uma estrutura que o torna algo lento, quase próximo de um registo de cinema-de-autor , mas usa essa fórmula para ir criando tensão bocadinho a bocadinho sem dar a entender ao espectador que é isso que está a acontecer e portanto quando o caótico capitulo final acontece tudo parece ainda mais arrepiante.

Essencialmente [“Audition“] é um filme fantástico em vários sentidos.
Não é algo que nos apeteça rever muitas vezes, mas é um daqueles perfeitos para mostrar a amigos incautos, especialmente aqueles que nunca ouviram falar do filme.
Ah e se gostam de seringas, vão adorar !

Se quando virem isto andarem durante algum tempo a dizer . “kidikidikidikidikidi !” também não se admirem !
Brrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr !
Depois de [“Audition“] vocês vão desconfiar de todas as miúdas fofinhas na histórias de amor orientais, afinal, a gente sabe lá o que pode acontecer por aquelas bandas…

Só para terem uma ideia, parece que quando isto foi apresentado no Festival de Rotterdam em 2000 teve o maior número record de espectadores que abandonaram a sala antes do filme acabar e na estreia na Suiça um deles teve de sofrer assistência médica pois desmaiou durante a projecção ! Lindo !

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CLASSIFICAÇÃO:
Um dos filmes de suspanse e terror mais eficazes que poderão ver e uma história que arrepia sem precisar de recorrer aos típicos clichés do género para nos assustar. Em vez de um filme sobrenatural , Takashi Miike arrepia-nos com uma “comédia romântica” ao seu estilo e é isso que faz com que vocês nunca tenham visto nada como [“Audition“].
É um daqueles filmes perfeitos para mostrar aos amigos que não suspeitarem de nada (ou para matarem parentes ricos do coração) embora o seu registo algo lento possa afastar muita gente desta obra prima da tensão porque não tem uma estrutura de cinema-pipoca a que estamos habituados no ocidente.
Não desistam e serão recompensados com um final absolutamente inesquecível que os fará olhar de lado para as vossas namoradas durante os próximos dias após isto…afinal, nunca se sabe meus amigos…nunca se sabe…
Cinco tigela de noodles por ser perfeito na sua execução e só não lhe dou mais um Gold Award em cima porque não é um filme que me apeteça muito estar sempre a rever…seria doentio…muito doentio…embora isto para muita gente possa até ser considerado uma comédia…malucos.

A favor: quem não conhece nada sobre o filme irá apanhar a surpresa da sua vida no que toca a histórias românticas orientais, como filme romântico resulta e como filme arrepiante idem, a actriz principal disto nunca mais arranja namorado na vida, contém bons momentos de humor bem colocados na história, a parte final é fantástica e vai fazer-vos roer todas as almofadas do sofá, assusta sem precisar de recorrer a psicopátas com faquinhas ou a temáticas sobrenaturais, mete pedófilia quanto baste e seringas á descrição o que mais vocês querem num filme romântico ?
Contra: tem uma estrutura inicial mais parecida ao que se associa ao cinema-de-autor do que própriamente a um típico filme de terror comercial a que estamos habituados no ocidente e isso poderá afastar muita gente que nem chegará ao capítulo final da história, por outro lado se sofrerem do coração este não é um bom filme para verem sózinhos também, pode ser algo doentio para muito boa gente…

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer – contém *spoilers*
http://www.youtube.com/watch?v=yhsrsWcEspc

Comprar
Está á venda na amazon Uk e US , aqui e aqui.

Download aqui com legendas PT-Br

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0235198/combined

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Filmes semelhantes de que poderá gostar:

A Tale of Two Sisters  Dark Water

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Jisatsu sâkuru (Suicide Club ou Suicide Circle) Shion Sono (2001) Japão


Interesso-me sempre por espreitar primeiras obras de novos realizadores. Especialmente dentro do cinema oriental claro está.
Então quando estamos na presença de uma primeira incursão no género de terror da autoria de um gajo que até á data apenas tinha realizado filmes porno-gay asiáticos, é caso mesmo para não perder um segundo de [“Suicide Club“] pois a coisa promete.
Sim, porno-gay. 🙂

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Passar da pornografia para o chamado cinema normal nunca é tarefa fácil, mas há que convir que este tipo tem qualquer coisa de interessante e de certa forma até conseguiu ser bem sucedido apesar deste filme ser absolutamente estranho. Ou será … estúpido ?…
Se procurarem pela net, encontrarão inclusivamente no Imdb, bastantes pessoas convencidas de que perceberam o filme. Não se deixem iludir por esses comentários pois essa gente deve andar a dar na coca.
Mas não deixa de ser curioso, parecer haver tanta gente a querer interpretar [“Suicide Club“] ás vezes com conotações absolutamente hilariantes á força de tentarem parecer inteligentes em demasia.

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Esqueçam. Este filme japonês não tem lógica e se calhar nem é para ter.
Podem arranjar as explicações que quiserem para o final, esmiuçar todas as implicações sociais, filosóficas e intelectualoides que não vale a pena. Este argumento não tem ponta por onde se lhe pegue. O que é estranho pois no que toca a uma narrativa coerente ao longo de toda a sua duração até transporta o espectador por pelo menos cinco histórias diferentes de uma forma bastante interessante pois não há dúvida que este realizador sabe criar tensão e ambiente.

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Ao contrário da história noutro filme que deixa muita gente confusa, o fabuloso “A Tale of  Two Sisters“, aqui em [“Suicide Club“] não há mesmo ponta por onde se lhe pegue por uma simples razão. As histórias paralelas que apresenta permanecem practicamente sempre isoladas. Podiam ser de filmes orientais independentes sem qualquer ligação ao suposto mistério central que não se notava nada.

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Por muito que não pareça em “A Tale of  Two Sisters” há mesmo uma história e na realidade é tão simples que parece bem mais complexa do que é,  mas que é fácilmente desmontada quando ordenamos as peças do puzzle pela cronologia temporal correcta e percebemos quais as relações entre os personagens (onde nem falta uma pista excelente no próprio poster do filme).

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Nada disso se passa em [“Suicide Club“]. No fundo resume-se a uma mistura de cinco boas histórias isoladas que poderiam qualquer uma delas dar excelentes filmes de terror mas que nunca são aproveitadas na sua plenitude pois o elemento condutor que supostamente as liga é tão obscuro e críptico que faz com que a história nem tenha uma resolução final satisfatória como merecia.
O problema de [“Suicide Club“] é que é nem sequer disfarça, mas sente-se plenamente que é um daqueles filmes a querer armar a inteligente.

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A sua atitude cinéfila ao estilo do eu sou tão confuso que só pessoas muito espertas é que me poderão interpretar e chegar realmente á minha essência profunda acaba por se tornar profundamente irritante quando chegamos ao final e nada do que é estruturado ao longo da narrativa tem realmente uma resolução objectiva.

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Esse sentimento quanto a mim está presente ao longo de todo o filme e acho que é definitivamente o seu grande ponto negativo.
É um daqueles trabalhos de cinema oriental que na verdade não precisava de estar a mostrar a sua inteligência a todo o instante e no entanto o constante toque artístico a meter pinta de cinema-de-autor á força acaba por se tornar na sua fraqueza.

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Tirando isto, no entanto na verdade não se pode dizer que [“Suicide Club“] seja um mau filme de terror porque não é.
Tirando os enervantes tiques a cinema-artístico, quando entra por momentos de tensão e verdadeiro mau gosto no que toca a banhos de sangue é um excelente espectáculo para quem gosta de muita hemoglobina no ecran e pensa que já viu tudo em matéria de conceitos horrorosos para nos encherem os ecrans com sangue.

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É que se gostam de sangue, não vão ficar decepcionados. [“Suicide Club“] tem momentos verdadeiramente arrepiantes, se calhar não pelo que mostra mas mais porque sabe criar uma tensão no espectador que depois aproveita muito bem na hora de nos despejar o sangue em cima.
[“Suicide Club“] além disso tem uma atmosfera doentia que só lhe fica bem. Está carregado de cenas de suícido colectivo genialmente tensas e ainda por cima tem uma certa carga de pedófilia subliminar que só o torna ainda mais enervante e enigmático daquela forma que só os japoneses conseguem fazer ou o cinema asiático consegue proporcionar.

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E também não custa muito a acreditar que o realizador tenha vindo da pornografia homossexual, o que só adensa ainda mais a atmosfera deste produto verdadeiramente único dentro do cinema de terror.
Por outro lado….se isto é um filme “normal” , eu nem consigo imaginar que fantasmas ou taras sexuais verdadeiramente pervesas poderão estar na filmografia pornográfica do tipo que filmou [“Suicide Club“]. Eu por mim dispenso qualquer filme porno deste senhor, seja gay ou étero. Prefiro nem imaginar.

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Sendo assim, o que dizer de [“Suicide Club“] ?
Eu recomendo. Se gostam de filmes de terror orientais este é um daqueles que deve ser visto pelo menos uma vez.
E se gostam de filmes em que adolescentes fofinhas saltam em grupo  para linhas de metro ficando desfeitas em milhares de bocadinhos sangrentos, então este filme é para vocês meus amigos.

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CLASSIFICAÇÃO:

Adolescentes fofinhas aos bocados, dedos cortados, cabeças decepadas, suicidios ao molhe, pedófilia subliminar e homossexualidade artística tudo condimentado com alguns baldes de sangue e muita pretenção a filme de arte.
O que poderia ser melhor ?

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Bom, o filme poderia ser menos pretencioso.
Por causa disso só leva duas tigelas e meia. É um filme de terror muito interessante  e recomendo-o mesmo a quem gosta do género pois tem tudo para agradar. No entanto poderia ter sido melhor se a sua história levasse a lado algum sem ser necessária uma interpretação quase filosófica ou sociológica da parte do espectador.

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A favor: tem um par de boas histórias pelo meio, o mistério é interessante, as cenas de suicídio são fantásticas e arrepiantes, excelentes momentos doentios cheios de tensão, muita gente aos bocados e baldes de sangue quanto baste.
Contra: arma-se demasiado em filme artístico e leva-se demasiado a sério, as histórias são demasiado independentes e nunca ligam como deveriam de ter ligado para nos apresentar o final que este filme oriental merecia ter tido, tem pretenção a mais e por isso não é tão divertido quanto deveria ter sido pois arrasta-se por momentos a tentar parecer uma obra mais inteligente do que precisava de ter sido.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=1Dx3_fwEbM4

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Comprar
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-aa-49-en-15-suicide+club-70-361k.html
Atenção que existe há venda uma versão censurada.

Caso queiram vê-lo antes de o comprar podem ir buscá-lo aqui ao AsianSpace.

Review adicional, para tentarem compreender o filme depois de o verem.
Tenta uma corajosa interpretação possível da coisa.
http://www.bocadoinferno.com/romepeige/artigos/suicide.html

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0312843/

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Hansel & Gretel (Hansel & Gretel) Pil-Sung Yim (2007) Coreia do Sul


Mais uma vez dentro do cinema oriental estamos na presença de uma boa tentativa Sul Coreana para produzir algo original.
Á primeira vista pode parecer que [“Hansel & Gretel“] é apenas mais um filme de terror asiático igual a tantos outros, mas este filme tenta realmente ser diferente.

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Se calhar procurar essa diferença foi precisamente a sua única fraqueza pois na verdade fica algures entre dois géneros.
Não é suficientemente assustador para poder ser incluído na categoria de terror, mas também  tem uma atmosfera demasiado assombrada e perturbante para poder ser visto como um mero produto de fantasia.

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[“Hansel & Gretel“] apesar de se basear no popular conto infantil sobre a famosa casa cheia de doces perdida no bosque, tem mais semelhanças com um bom e alargado episódio da série The Twilight Zone do que com uma adaptação directa da história clássica em que vai buscar inspiração.

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No entanto, não quero com isto dizer que o filme é desinteressante, muito pelo contrário.
Pode não ter grandes surpresas para quem já conhece este género de histórias ou já leu muita fantasia mas ainda consegue manter um excelente clima de incerteza ao longo do seu desenvolvimento muito graças ás boas interpretações do elenco e a uma atmosfera assombrada sem no entanto ser um filme de fantasmas.

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Quem gosta de filmes de terror com criancinhas arrepiantes tem aqui uma excelente opção pois os trés protagonistas infantis são uma das melhores coisas que esta história tem. Com um registo que varia entre o totalmente fofinho e o perturbantemente ameaçador todos os mini-actores deste filme têm um desempenho perfeito que faz esta história funcionar até ao seu segundo final mesmo quando já não contem nenhuma revelação por aí além.

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Apesar de não se conseguir enquadrar dentro de nenhum género específico o filme equilibra bastante bem pequenos momentos comuns a vários estilos, inclusivamente o drama que mais uma vez acaba por humanizar os seus personagens e contribui perfeitamente para o tocante final que conclui muito bem esta história sobrenatural Sul Coreana.

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Basicamente [“Hansel & Gretel“] é sobre um jovem que se perde um dia numa floresta após ter tido um acidente e vai parar a uma casa onde habitam trés felizes criancinhas juntamente com os seus pais.
Tudo naquele lar é perfeito, as crianças passam a vida a brincar, á hora das refeições só se comem doces e toda a gente vive permanentemente feliz num ambiente de arquitectura muito colorida onde existem briquedos por todo o lado.

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Ao tentar voltar para a civilização no dia seguinte o jovem descobre então que todos os caminhos para fora da floresta o levam de volta á mesma casa onde o aguardam as criancinhas. É então que as coisas se complicam quando aos poucos o jovem começa a explorar os locais menos habitados do edificio e arredores e todo o trágico passado se revela perante ele.

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Essencialmente estamos perante um filme de suspanse com uma atmosfera negra por isso [“Hansel & Gretel“] é um bom titulo para todos aqueles que sempre tiveram curiosidade em espreitar filmes sobrenaturais orientais mas têm medo de filmes de terror.
Não se irão assustar particularmente com isto, mas se gostam de suspense têm aqui um bom motivo para passarem um par de horas.
Para aqueles que gostaram de A Tale of Two Sisters têm aqui algo com uma atmosfera no mesmo estilo, embora muito mais simplificado e sem o mesmo resultado sobrenatural ou dramático.

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Um dos grandes trunfos de [“Hansel & Gretel“] está no seu visual. O tratamente de cor é fantástico e a cenografia da casa é tão bonita quanto perturbante. Essencialmente este deverá ser o filme “de terror” mais colorido de sempre e com uma atmosfera tão bonita e luminosa que cria um contraste perfeito entre o tom inquietante da história.
Quanto mais não seja é um filme que vale a pena ser visto por toda a gente que gosta ver cinema com imagens bem bonitas e onde cada enquadramento parece uma ilustração.

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CLASSIFICAÇÃO:

Um excelente filme “de terror” para quem tem medo de ver filmes de terror.
É um bom filme fantástico que só perde porque á força de tentar ser original acaba por ficar algo a meio entre géneros sem nunca desenvolver todos os bons caminhos arrepiantes por onde poderia ter ido e não foi.

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No entanto quem gosta de filmes de Fantasia com uma atmosfera bem negra e quase natalícia vai adorar este.
Não lhe dou uma classificação mais elevada porque a sua história não me surpreendeu tanto quanto eu pensava que iria surpreender-me e na verdade não fiquei com muita vontade de o rever tão cedo apesar das suas muitas virtudes.
Trés tigelas e meia porque é mesmo muito bom e merece mesmo ser visto pelo menos uma vez por toda a gente que gosta de cinema fantástico.

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A favor: o elenco é excelente com destaque para as criancinhas actores, o grafismo e o design do filme são absolutamente perfeitos para ilustrar uma história como esta, a maneira como a cor é usada não nos deixa tirar os olhos do ecran, o tom assombrado e o clima perturbante que percorre a história está muito bem conseguido, mais uma vez o cinema oriental consegue aos poucos humanizar os personagens, o sub-plot que revela o mistério (embora previsivel) está bem pensado e executado criando alguns dos momentos mais tensos e dramáticos do argumento, o final do filme adequa-se perfeitamente e tem um par de momentos tocantes que fecham em beleza a história.
Contra: apesar de atmosférico tudo é demasiado previsivel e já vimos esta história antes, não mete medo nenhum nem nos assusta particularmente, a parte central da história arrasta-se um pouco sempre com mais momentos do estilo que já nos foram mostrados antes, o facto de ficar a meio termo  entre vários géneros não o ajuda pois nunca se desenvolve num sentido da forma que merecia, não nos deixa muita vontade de o revermos tão cedo.

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NOTAS ADICIONAIS:

TRAILER
http://www.youtube.com/watch?v=sprTGLw8f-s

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COMPRAR

Aproveitem esta excelente edição á venda na Amazon Uk agora que está bem baratinha.

Caso queiram espreitar antes o filme poderão encontrar aqui uma boa cópia legendada em inglés também.

IMDB

http://www.imdb.com/title/tt1002567/

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A Tale of Two Sisters

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