Kaze no tani no Naushika (Nausicaa of the Valley of the Wind – (“Warriors of the Wind”/”Os Guerreiros do Vento”)) Hayao Miyazaki (1984) Japão


Os mais velhinhos que me estão a ler em Portugal, devem lembrar-se daqueles anos, um par de décadas atrás em que algumas Câmaras Municipais (Prefeituras para o pessoal que me lê no Brasil) a meio dos anos 80, montavam antenas parabólicas em pontos altos das suas autarquias de modo a transmitir emissões de televisão estrangeiras de borla para toda a população.
Foi graças a isto que consegui pela primeira vez descobrir aquele que imediatamente se tornou um dos meus filmes de fantasia/Fc favoritos em animação dentro do cinema oriental , [“Nausicaa of the Valley of the Wind“].

Quem tivesse uma antena no telhado, estivesse perto do transmissor ou então comprando um amplificador de sinal que o tornava mais próximo, (esgotaram todos onde vivo durante meses a fio), conseguia apanhar o velhinho e já extinto canal de cinema “Premiére” que além de ter sido dos primeiros a trazer ás nossas salas-de-estar aqueles filmes que só se podiam ver no cinema foi também uma estação que apresentou as primeiras longas metragens de cinema asiático e Anime que vi.

Isto alguns anos antes de eu inclusive ter conseguido que a minha mãe me comprasse aquilo que era o sonho de todos os putos que gostavam de filmes nessa altura, um videogravador VHS. De duas cabeças apenas claro porque não havia dinheiro para um mais caro e estas coisas custavam os olhos da cara nesses dias. Tempos nostálgicos.
Foi a primeira vez que vi [“Nausicaa of the Valley of the Wind“]. Na altura ainda não o sabia mas mesmo tendo gostado tanto do filme, na verdade ainda não o tinha visto na versão integral.

Isto porque o “Premiére” costumava passar não a versão original do filme mas sim a sua versão remontada para distribuição nos Estados Unidos dobrada em inglés.
Conhecida por “Warriors of the Wind” pouco mais de 80 minutos tinha, mas mesmo assim tornou-se logo uma referência até para o meu próprio imaginário pois muito do meu estilo de ilustração de paisagens teve origem na admiração por esta obra e pelo mundo que nos fazia habitar até mesmo naquela versão condensada.

A mesma que depois ainda revi algumas vezes numa cópia Betamax de um amigo meu (que era rico porque tinha um gravador de video) e que na altura tinha gravado do Premiére,  [“Nausicaa of the Valley of the Wind“] naquela versão “Warriors of the Wind” que chegou inclusivamente a ser (horrivelmente mal) editada mais tarde numa cópia VHS em Portugal debaixo do titulo “Os Guerreiros do Vento” e estranhamente com uma capa que nada tinha a ver com o filme e mais parecia uma má cópia Espanhola dos “Cavaleiros do Zodíaco”.

Nem vale a pena esconder nesta altura que vou atribuir a nota máxima a este filme e na realidade eu dar-lhe-ia na mesma cinco tigela de noodles e um Golden Award se estivesse apenas a falar dele na sua inferior versão “Warriors of the Wind” porque sinceramente em termos de impacto continuo a achar que o filme é fantástico. Aliás, tão fantástico que podem numa altura ter-lhe cortado vinte minutos e o filme continuou a ser uma obra prima, tanto  do cinema oriental como do cinema de animação em geral na minha opinião.

Claro que não recomendo a niguém que veja a versão curta em vez da versão original que quase alcança as duas horas, mas se a escolha for entre só terem acesso á versão de 80 minutos dobrada ou não verem o filme, não deixem de ver [“Nausicaa of the Valley of the Wind“] mesmo que ele se chame apenas “Warriors of the Wind / Os Guerreiros do Vento“, especialmente se gostam de boas histórias do género com personagens carismáticos e ambientes imaginários cheios de identidade e adoram o estilo de animação presente nos filmes orientais do género.

O filme costuma ser comparado com “Dune” principalmente por causa das criaturas no estilo “Sandworm” que também povoam este universo e pela forma como as motivações políticas são encadeadas para formar esta história única. Muitos do pormenores que mais tarde encontramos duplicados nos trabalhos seguintes do Estúdio Ghibli apareceram primeiro neste trabalho e portanto se por acaso alguns momentos do filme os fizer recordar de “A Princesa Mononoke” isso não será coincidência, especialmente no que toca á constante temática da protecção da natureza que costuma estar sempre presente nos trabalhos de Miyazaki.

Pessoalmente, tenho achado a fase mais moderna do estúdio Ghibli algo decepcionante pois as mais recentes obras não me cativaram tanto quanto os filmes antigos. “Totoro”, “Kiki“, “Laputa“, “Grave of Fireflies”, “Porco Rosso” e [“Nausicaa of the Valley of the Wind“] são definitivamente os meus filmes japoneses favoritos dentro do Anime e como tal recomendo a toda a gente que começe por esses títulos se chegar agora á obra do estúdio Ghibli.

Não há muito mais que eu possa dizer sobre [“Nausicaa of the Valley of the Wind“] que não lhes estrague o prazer da descoberta se nunca o viram. Só posso dizer que é realmente tão bom quanto o pintam em quase todas as reviews de filmes asiáticos espalhadas pela net.
Os personagens são cativantes, o universo é fantástico e o argumento é extremamente interessante.

Essencialmente conta a história do que aconteceu um dia, mil anos após aquilo que básicamente se tornou no fim do mundo conhecido onde a maior parte do ecosistema da Terra foi destruído. Toda a humanidade encontra-se agora espalhada pelo planeta em pequenas povoações e dívidida em vários impérios que no entanto se encontram isolados uns dos outros por uma misteriosa floresta onde tudo é tóxico mas apesar disso é no entanto habitada por uma variedade extraordinária de plantas e insectos gigantes.

Nausicaa é o nome da princesa do pequeno reino do Vale do Vento, que procura explorar sózinha estas florestas letais para o ser humano e um dia se vê inesperadamente envolvida numa aventura que não esperava e onde o seu próprio papel poderá decidir o futuro do mundo. Contem com muitas batalhas, insectos gigantes, princesas, aviões gigantes e muita atmosfera steampunk.

Contém excelentes sequências de acção e alguns momentos mais contemplativos para equilibrar quanto baste, tudo coreografado numa realização quanto a mim do melhor que existiu até hoje no Anime pois independentemente disto ser um desenho animado ou não, na minha opinião [“Nausicaa of the Valley of the Wind“] é um dos melhores filmes disponíveis por aí e um titulo obrigatório para quem gosta de FC ou simplesmente de filmes japoneses ou orientais no geral e não tem preconceitos com a animação ou o Anime.

Estou para falar disto há seculos aqui no blog mas até hoje nunca o tinha feito porque pensava que o filme seria por demais conhecido e toda a gente interessada nele já o tinha visto, até porque existem muitas críticas de cinema espalhadas pela net que falam dele.
No entanto ás vezes esqueço-me que este espaço também é lido pelo pessoal mais novo, pessoal que tem agora 14,15,16 anos e ao conversar com o meu filho (15 anos) no outro dia é que me bateu a ideia de que já há por aí uma geração que porventura conhecerá muito melhor um Dragon Ball e o Naruto do que estes filmes Anime que no fundo pertencem ás origens de tudo o que hoje é popular em produtos televisivos saidos do cinema de animação oriental.

Portanto espero que esta recomendação agora pelo menos sirva para quem nunca soube da existência deste filme oriental o tente procurar pois quanto a mim é dos melhores filmes de aventura em animação que existem no mercado e na verdade causa-me sempre um problema. Se eu tivesse que escolher o meu favorito dos primeiros filmes Ghibli não conseguiria pois este é realmente tão bom quanto “Laputa” ou “Kiki” por exemplo. Para nem falar de “Totoro” que também acho absolutamente brilhante e do qual falarei em breve por aqui.

——————————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO:

Outro dos melhores filmes de fantasia Anime que poderão encontrar, um dos melhores exemplos da qualidade do cinema oriental em geral e mais uma vez outro dos melhores trabalhos deste realizador. Na verdade foi a primeira longa metragem do estúdio Ghibli e foi o seu sucesso que originou depois todos os outros fantásticos trabalhos que agora conhecemos.
Na minha opinião é mais uma obra prima da animação. Não só do cinema Anime japonês mas de uma forma geral.
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award como selo de qualidade excepcional sem qualquer sombra de dúvida.
noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg gold-award.jpg

A favor: Tudo. Personagens em geral, conta com uma personagem feminina cheia de personalidade, história, conceito, paisagens, detalhes dos desenhos, a banda sonora original, ambiente apocalíptico, os insectos gigantes tão inesquéciveis quanto os sandwordms de Dune.
Contra: Nada ! Mas possivelmente a versão dobrada em inglés poderá não ter tanta piada, por isso vejam primeiro a versão japonesa. Quem não gosta de Anime ou FC não vai ficar a gostar.

—————————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=7wSba9hwCaU

COMPRAR em DVD
A quantidade de versões dos produtos Ghibli á venda na net pode ser um pesadelo porque existem inúmeras edições bootleg (tenho uma delas realmente excelente que já não se encontra á venda contendo as versões originais dos filmes).

No entanto a edição oficial UK á venda na Amazon é do melhor que actualmente poderão encontrar e vale mesmo a pena, por isso se não se contentarem com apenas sacarem o filme da net e quiserem realmente colocar este filme na vossa estante sigam o link abaixo porque esta edição vale mesmo a pena.

Nausicaa of the Valley of the Wind [DVD]

Manga
Esta história também está contada em BD por isso se gostarem do filme provavelmente irão querer ter a versão em Manga também disponível na Amazon.uk

Nausicaa of the Valley of the Wind Volume 1 (Nausicaa of the Valley of the Wind)

Nausicaa of the Valley of the Wind Volume 2

Nausicaa of the Valley of the Wind volume 3

——————————————————————————————————————

Se gostou deste vai gostar de:

——————————————————————————————————————

Gedo senki (Tales from Earthsea) Goro Miyazaki (2006) Japão


Um dia, um jovem pré-adolescente neglegenciado pela sua família vê-se o centro das atenções de um dos membros de uma comunidade de magos quando é identificado como tendo o potencial para vir a ser o maior feiticeiro de todos os tempos.
Após alguns precalços envolvendo a sua inexperiênca com o seu talento mágico recém-descoberto, o jovem é enviado para estudar no colégio da magia gerida pelo próprio arquimago que supervisiona a formação de todos os jovens feiticeiros e coordena todas as disciplinas mágicas que a escola lecciona.
Nesse velho Colégio de Magia, as aulas são dadas por professores específicos para cada uma das artes da magia, cada um com a sua personalidade e sendo o melhor na sua Arte.
Ao chegar á Escola da Magia, o jovem cruza-se com outro da mesma idade completamente arrogante que o desdenha por vir de familias humildes e faz tudo para o humilhar continuadamente, até ao dia em que os dois numa aposta de Magia que corre mal libertam um mal antigo “sem nome” que será a base do resto da aventura.
Bem-vindos ao mundo de  [“O Feiticeiro de Terramar“].
Bem-vindos a [“Tales from Earthsea“].

Se calhar pensavam que eu ia dizer Harry Potter não ?

A verdade é que “Harry Potter” pura e simplesmente gerou tanto dinheiro que a sua máquina publicitária fez esquecer que todos os mesmos conceitos base já existiam antes na clássica obra de Fantasia conhecida pela trilogia de Terramar da autora Ursula K.Le Guin .
Escrito nos anos 60, o primeiro livro da série já contêm tudo o que depois se tornou popular na obra de J.K.Rowling, desde a escola de magia, aos professores feiticeiros, ás aulas de feitiços, a Dumbledorn, a Harry Potter e rivalidade com Malfoy, a Valdemort, á sombra, etc, etc, etc.
No entanto quantos fãs de Harry Potter conhecem esse facto ?…
Até muitos dos críticos omitiram em absoluto toda e qualquer referência ás influências de “O Feiticeiro de Terramar” na criação de J.K.Rowling, chegando inclusivamente a elogiar a autora pela extraordinária originalidade do conceito, ignorando por completo a existência da série clássica “Earthsea“.
Coisa que magoou a verdadeira autora do conceito da Escola de Magia de HogwartsUrsula K.Le Guin e não J.K.Rowling, pois nunca ninguém ligado ao franchising de Potter alguma vez emitiu uma nota de agradecimento pela “inspiração” e importância que a série de Terramar certamente teve na criação do mundo do feiticeiro inglés por muito que tentem ignorar públicamente todas as coincidências entre as obras.
O facto é que pelo menos oficialmente nunca houve sequer um reconhecimento público pela inspiração inicial que inevitávelmente “O Feiticeiro de Terramar” forneceu á autora de Harry Potter.

É que afinal coincidências existem, mas tanta coincidência também já é demais especialmente quando um simples agradecimento e pelo menos uma referência cordial seria bem vinda por parte de quem realmente criou o conceito daquele universo e no entanto ficou totalmente posta de parte perante o poder do dólar.
A única diferença entre a escola de Potter e a escola de Ged, é que uma se situa num mundo medieval de fantasia e a outra em inglaterra. O professor Dumbledorn é o mesmo personagem prácticamente nas duas obras, as cenas das aulas de magia com os seus professores específicos para cada arte mágica são decalcadas do trabalho de Le Guin, o puto rival de Ged em “O Feiticeiro de Terramar” tem não só o seu equivalente em Draco Malfoy presente em Harry Potter como básicamente são o mesmo personagem até na maneira como o confronto entre os dois se desenrola nos primeiros livros de ambas as séries. E isto entre muitos outros detalhes que poderão comparar se lerem “O Feiticeiro de Terramar”.

Embora J.K.Rowling depois tenha sabido habilmente contornar a situação nas sequelas do seus livros já mais personalizadas e imaginativas, as “coincidências” são tantas com o conceito inicial de Ursula K Le Guin que os próprios fãs de Potter deram um tiro no pé na altura em que a mini-série do “Feiticeiro de Terramar” estreou e todos eles bradavam aos céus nos foruns contra “Earthsea” porque só podia ser “óbviamente” um descarado plágio de Harry Potter. O que se virmos as coisas apenas pelo prisma de fazer dinheiro á custa da moda foi certamente a única razão porque a mini-série americana foi produzida.
No entanto segundo muitos fãs, “Earthsea” nem merecia ter sido colocado no ar por ter roubado tantas ideias, situações, conceitos e acima de tudo personagens que seria um desrespeito á original obra de J.K.Rowling.
O que não deixa de ser hilariante, pois no momento em que estes se indignam ao ponto de acusar “Earthsea“.  de plágio, essa própria acusação acaba por fazer o “feitiço virar-se contra o feiticeiro” (haha) e mostrar que afinal quem criou mesmo todo o conceito da velha escola de magia foi na realidade Ursula K Le Guin e nunca J.K.Rowling.

Óbviamente que não se pode tirar o mérito á autora de Potter de depois ter desenvolvido as continuações, agora seria no mínimo justo que a própria tivesse ao menos um dia referenciado a obra de de Ursula Le Guin pois a matriz dos livros do jovem feiticeiro é por demais evidente para continuar a ser ignorada.
E no entanto quantos fãs de Potter ao atacarem “Earthsea” nos foruns faziam ideia de que este tinha sido baseado numa série de livros de fantasia ? Eu não encontrei nenhuns na altura e até hoje mesmo duvido que os encontre, afinal os livros originais não estão na moda e para muita gente significa logo que não têm qualquer importância ou nem sequer existem.

Mas o marketing é uma coisa fascinante. É impressionante como consegue criar modas na cabeça do público de uma forma tão negativa que apaga por completo os trabalhos originais. E conseguem fazê-lo actualmente até mesmo com obras tão consagradas como a série de Terramar o que só demonstra o poder da publicidade numa época em que os livros quase que se tornam produtos de fast-food onde ninguém se interessa de onde vieram os ingredientes de que são compostos mas toda a gente come porque o anúncio diz que é bom e os amigos também comem.
E já não bastava a mini-série de Tv ter sido uma desgraça no que toca á total ausência de uma adaptação fiel dos romances origiais, ao ponto da própria autora se ter insurgido públicamente contra a produção televisiva, como ainda por cima as poucas coisas que realmente pertenciam aos livros de Terramar foram depois acusadas de terem sido roubadas a Harry Potter pelo público.
Mais sobre a reacção da autora á péssima adaptação dos seus livros na série de Tv, aqui.

Neste mundo moderno da suposta informação global é impressionante até que ponto chega o desconhecimento das pessoas.
Muito bom crítico ao atacar o conceito de “Earthsea” afirmando que este estaria a tentar plagiar os filmes e os livros de Harry Potter , na realidade deveria era antes ter elogiado o trabalho não por ser uma série de tv da treta mas por ao menos ter mostrado de onde veio o universo de Magia que agora as pessoas pensam ter sido uma criação original moderna para Harry Potter e não foi.
É que a série televisiva é má, mas ao menos poderia ter servido para repor a legitimidade da autoria do conceito e nem para isso teve utilidade pois os próprios produtores voltaram a deixar de fora a autora da história e fizeram o que bem entenderam com o argumento que no fim se pareceu mais com um episódio do Dungeons & Dragons do que com qualquer livro de Ursula Le Guin.
Actualmente só aqueles apreciadores de Fantasia que sempre leram romances do género porque gostavam e não apenas porque é moda, sabem o quanto tudo isto é injusto.

O que nos leva até [“Tales from Earthsea“].

Apesar de ter o mesmo título que o último romance da série publicado há um par de anos, este (primeiro) filme de Goro Miyazaki, (filho de Hayao Miyazaki), é no entanto uma história completamente independente e que nada tem a ver com o livro.
Também não adapta nenhum dos outros romances e portanto isto nem sequer é uma adaptação de “O Feiticeiro de Terramar” ou de qualquer das suas sequelas.
No entanto, faz algo particularmente interessante, pois vai buscar referências a todos os romances e cria uma verdadeira tapeçaria de detalhes que infelizmente só poderão ser devidamente apreciados porque quem leu e gosta dos livros originais.

Muitas coisas que apenas são referidas brevemente nos livros são agora mostradas em [“Tales from Earthsea“] e outras que nunca existiram em qualquer parte são também acrescentadas, criando uma estranha mistura entre o mundo de Terramar (Earthsea) e qualquer outra coisa que não se sabe bem o que é e que umas vezes resulta em pleno mas outras nem por isso, o que torna este filme num produto único dentro do universo de produções do Estúdio Ghibli e nem sempre pelas melhores razões.
Isto porque se [“Tales from Earthsea“] consegue ser capaz de nos mostrar o melhor, a sua estrutura algo errática também contribui para que o filme não tenha sido aquilo que todos os fãs de Terramar gostariam que tivesse sido e entre os quais me incluo também.

É que á força de tentarem criar uma história única dentro do universo de Terramar, os detalhes perdem-se um pouco, pois nunca se percebe bem se a intenção foi criar um filme para quem conhece os livros ou para quem nunca ouviu falar deles. A verdade é que tudo isto fica a meio caminho de algo que poderia ter sido fantástico mas por vários motivos não chegou a sê-lo.
O filme tem momentos absolutamente mágnificos e totalmente dentro do espírito das novelas de Ursula K Le Guin mas depois noutras alturas dispersa-se por algo que não tem de forma nenhuma o ambiente de Terramar e por outro lado essa parte também nunca é suficientemente desenvolvida para ganhar uma identidade própria que pudesse equilibrar as coisas.

O facto da narrativa ser algo errática também não ajuda, pois em certas alturas parece que a vontade de mostrar conteúdo foi tanta que acaba por não se passar nada durante largos minutos e onde até o ritmo dos próprios diálogos parece reflectir essa falta de coisas para dizer ou acrescentar á história nesses momentos. Como resultado, o filme parece maior do que precisava de ter sido e isso não é própriamente um ponto positivo para uma obra que deveria ter mantido o espectador completamente entusiasmado do princípio ao fim, afinal estamos a falar do mundo do Feiticeiro de Terramar e toda a gente que gostou dos livros desejava certamente tal como eu gostar deste filme muito mais do que gostamos. Especialmente tratando-se de um produto Ghibli merecia ter sido muito melhor.

Há coisas muito estranhas em [“Tales from Earthsea“].
Soube-se que a produção não foi pacifica e o próprio Hayao Miyazaki parece que teve constantes atritos criativos com o seu filho que realizou esta obra e as coisas nunca ficaram muito bem resolvidas. A  própria Ursula K Le Guin, mais uma vez deixada de parte no processo de adaptação foi das primeiras a vir dizer que o filme era bom mas infelizmente não era de forma nenhuma o seu Terramar, embora não tenha sido a desgraça que a mini-série americana “EarthSea” foi.
Basicamente as coisas não correram bem durante o processo criativo e isso infelizmente nota-se muito no ecran pois a partir de uma certa altura ficamos sempre com a sensação de que o filme é um imenso vazio no que toca a ambientes visuais.

Uma das coisas mais evidentes e também mais estranhas, em [“Tales from Earthsea“], é a sua óbvia falta de orçamento, pois visualmente não está de forma alguma á altura das outras obras dos estúdios Ghibli, parecendo em certos momentos mais um mau desenho animado de sábado de manhã do que uma obra com a assinatura do nome Miyazaki por detrás.
Não que o filme não contenha alguns visuais absolutamente lindissimos, mas practicamente esgotam-se nos cenários das grandes cidades e num par de paisagens campestres do mundo de Terramar. São verdadeiramente fabulosos, com muita atmosfera, um detalhe incrível e muito movimento de personagens, mas depois o resto do filme é de uma pobreza visual incompreensível, com muito poucos cenários dignos desse nome e os que tem, são tão básicos que nem sequer em termos de design ultrapassam o típico castelo construido á base de formas geométricas primárias sem qualquer detalhe adicional que lhe dê sequer uma identidade gráfica interessante, quanto mais algo que pertencesse ao mundo de Terramar tal como este foi imaginado nos livros.

Os grandes planos neste filme são mais que muitos, talvez de propósito para os desenhadores não terem que pintar mais cenários por detrás dos personagens e á medida que [“Tales from Earthsea“] se aproxima dos seus momentos finais as coisas vão ficando cada vez mais pobres gráficamente culminando numa demasiado longa e aborrecida sequência de acção onde não há practicamente nada para contemplar e totalmente baseada nos mais primários clichés do Anime de acção contrariando tudo o que estamos habituados a ver nos filmes dos Estúdios Ghibli onde cada detalhe parece sempre pensado ao limite e onde existe sempre uma atmosfera de imaginação visual a enquandrar tanto o argumento como as cenas de acção.
Em [“Tales from Earthsea“] isso está completamente ausente e é pena pois a cada minuto que passa o filme vai perdendo a sua magia.

Isto não quer dizer que não contenha esporádicamente alguns momentos fabulosos e verdadeiramente poéticos. E são esses que nos trazem de novo de volta ao mundo de Terramar.
Muito se falou da surpresa que o estilo gráfico Anime causou quando as primeiras imagens de Terramar foram dadas a conhecer ao público, pois na verdade ninguém alguma vez conseguiu imaginar como ficaria o mundo imaginado por Ursula Le Guin quando transposto para o estilo oriental.
Muitos fãs dos livros não gostaram do que viram e o filme começou logo por ser muito criticado porque o seu ambiente visual não seguia a atmosfera dos romances.

Na verdade não é isso que me preocupa, pois bem vistas as coisas, as descricções dos livros podem caber em qualquer identidade gráfica que se queira atribuir e por isso não percebo porque não podiam ser representados num estilo Anime se este estivesse bem imaginado.
E na minha opinião está, não só perfeito, como dotou esta visão de Terramar de um estilo que nunca ninguém esperava ver. Na minha opinião o Terramar de Goro Miyazaki limpa o chão com os clichés de Dungeons & Dragons que foram usados para a péssima adaptação americana na série “Earthsea“.

O problema de [“Tales from Earthsea“], não está na sua representação oriental do mundo de Terramar. Está sim no facto deste aparentemente não ter tido qualquer orçamento decente para que os artistas pudessem ter realmente nos mostrado o Terramar que todos queriamos ver e do qual temos apenas alguns fabulosos vislumbres ocasionais. E mesmo nessas cenas nota-se que o colorido disfarça muito mais a falta de detalhe do que seria desejável.
No entanto as bases estão lá todas e nota-se que houve uma grande tentativa para se criarem ambientes numa escala realmente épica que pudesse demonstrar a vastidão do poético mundo polvilhado de ilhas.

Muitos dos cenários acertam em cheio na maneira como traduzem o ambiente marítimo e a poesia daquele mundo e nem nos cenários rurais menos detalhados a magia se perde apesar dos poucos pormenores.
O problema é realmente o pouco uso deste tipo de ilustração mais complexa para que o mundo de Terramar tivesse realmente sido aberto ao espectador como todos aqueles que gostam dos livros esperavam encontrar numa obra produzida pela Ghibli e que no entanto ficou-se por um produto que pouco mais é do que uma boa obra. Talvez mesmo muito boa, apesar de tudo, mas não deixa de ser extremamente deprimente sentirmos em alguns momentos aquilo que poderia ter sido e nunca foi.

Como habitualmente não irei revelar aqui nada da história, mas só lhes posso dizer que espero que tenham lido os livros de Terramar antes, pois podem ter a certeza que [“Tales from Earthsea“] ganhará outra vida.
Se não leram, também não faz mal, mas infelizmente se calhar não irão ficar com muita vontade de os conhecer depois.
Na verdade, as partes que funcionam da história são precisamente aquelas com as inúmeras referências aos livros. É bom encontrar a personagem que Ged salvou em “Os Túmulos de Atuan” e ficar a saber o que lhe aconteceu por exemplo.

O uso desse personagem e a forma como interage com os outros cria uma ligação fantástica aos livros originais e que passa óbviamente pelo arquimago, mais uma vez em filme representado como um homem branco, para descontentamento da autora dos livros que nunca o imaginou puramente caucasiano. Mas sinceramente isso não me chateia por aí além. Ao menos aqui, Ged tem a personalidade certa e não parece saído de uma Boys-Band americana como acontece na série de Tv produzida nos States.

Uma coisa perfeita neste filme é no entanto a sua banda sonora. Todo o score é absolutamente mágico e hipnótico e é um dos detalhes mais responsáveis pela atmosfera Terramar que percorre os melhores e mais genuínos momentos do filme.
A sequência com a miuda a cantar no cimo da colina é simplesmente poética e poderia ter sido parte de qualquer cena nos romances originais. O mesmo acontece á cenas mais emotivas onde precisa haver uma ligação entre o espectador e os personagens sem precisarem de entrar em diálogos para transmitir emoções. Aqui a música é imprescindível e não poderia ter feito melhor trabalho em capturar esses momentos. Algumas das cenas mais bonitas em [“Tales from Earthsea“] são precisamente aquelas em que não há diálogo e existe uma junção perfeita entre a paisagem de Terramar e o seu ambiente musical completamente etéreo que alterna entre a música celta e uma sonoridade imediatamente reconhecível como japonesa, o que na minha opinião é o estilo musical perfeito para se ilustrar o mundo de Terramar e como tal a banda sonora, juntamente com algumas paisagens e desenvolvimento de personagens serão possivelmente os melhores momentos do filme e aquilo que o impede de ser apenas um produto muito mediano.

Só é pena, as outras alturas do filme não manterem o mesmo nível de qualidade e cuidado presente nas melhores sequências pois se [“Tales from Earthsea“] tivesse sido um produto mais equilibrado teriamos tido aqui um dos melhores filmes de Fantasia Anime de sempre mas infelizmente a coisa ficou-se pelo caminho, dizem as más-linguas por haver demasiadas pessoas criativas a quererem impor a sua vontade.

O que é pena, pois perdeu-se mais uma oportunidade de se conseguir fazer a adaptação definitiva do mundo de Terramar, embora ainda contenha alguns momentos bem atmosféricos e por exemplo, um final bucólico muito bonito que nos faz apetecer querer ver outra aventura.

——————————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO:

Um filme algo decepcionante pela oportunidade perdida que representa e mais uma tentativa relativamente falhada de trazer para o grande ecran o mundo de Terramar.
No entanto tem alguns pontos positivos e é um bom Anime. Não sei no entanto se agradará mais a quem conhece a obra de Ursula K Le Guin ou a quem nunca ouviu falar de “O Feiticeiro de Terramar”.
Apesar de tudo, leva quatro tigelas de noodles só porque é um filme de Terramar e eu não consigo dar menos mesmo apesar das suas fraquezas. No entanto, se calhar nao merece quatro tigelas, por isso retirem-lhe uma se não conhecerem nada dos romances em que este filme é baseado pois grande parte do seu encanto está no facto do público conhecer as referências dos livros.
Por outro lado talvez não…
Estão por vossa conta, embora na minha opinião se gostam dos filmes Ghibli este é outra compra obrigatória porque mesmo sendo dos mais fracos é no entanto superior a muita coisa que anda por aí e mesmo como adaptação do mundo de Terramar ao menos não é a desgraça que a mini-série americana foi.
Por isso quatro tigelas de noodles.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg

A favor: a banda sonora é perfeita, consegue adaptar o mundo de Terramar ao estilo Anime e tem personalidade, tentou criar uma história cheia de referências dos romances originais, os personagens principais, as cenas finais cheias de ambiente.
Contra: para um filme passado em Terramar há terra a mais e mar a menos no ecrã, quem não leu os livros não vai apreciar devidamente a história, o trailer dá ideia de que o filme tem um ambiente visual mais detalhado do que acontece na realidade, á medida que avança o filme fica cada vez mais pobre gráficamente, os vilões não têm qualquer interesse ou carísma, as cenas de acção do final são no mínimo aborrecidas e extremamente pobres gráficamente, a narrativa arrasta-se durante longos minutos em muitos momentos do filme onde parece que nem há nada para dizer, o excesso de referências acaba por se tornar prejudicial pois fica a meio termo entre a adaptação de algo e o vazio de ideias quando não usa material dos livros originais.

—————————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=C5ehRnwNDs8

Comprar filme

Excelente edição na Amazon Uk bem baratinha

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0495596/

—————————————————-

Comprar os Livros
Podem comprar a trilogia, (composta por quatro livros…(sim…eu sei…)), aqui nesta edição única que ficarão muito bem servidos com os quatro primeiros romances de Terramar.
Ou então comprar cada um em separado.
A Wizard of Earthsea
Tombs of Atuan
The Farthest Shore
Tehanu

Depois podem adquirir as novelas mais recentes escritas há um par de anos também, pois completam plenamente o universo Earthsea e quem gosta deste mundo não vai querer perder, tanto:
The Other Wind como o Tales from Earthsea

Apenas uma nota para dizer que a única semelhança entre este último livro e o filme Anime está apenas no titulo, pois o livro é composto por uma série de contos que completam muitas das histórias abertas ao longo da obra original escrita nos anos 60 e não tem nada a ver com o argumento do filme realizado agora por Goro Myiazaki.

Em portugal, os trés primeiros livros foram há muito editados na excelente e clássica colecção de ficção-científica “Argonauta”, mas actualmente a editorial Presença lançou-os na sua excelente colecção de romances juvenis onde já se contam editados alguns dos melhores romances de Fantasia actuais.
Não deixa no entanto de ser interessante como em Portugal se continua a associar o género da Fantasia apenas a livros para crianças e nem a um clássico como Terramar foi dado o devido destaque que merecia pela editora, tendo enterrado esta obra numa secção infantil das livrarias onde muito pouco adulto interessado em Fantasia alguma vez irá espreitar.

De qualquer maneira aqui ficam os links para a actual edição portuguesa da Trilogia de Terramar:

LIVRO 1  –O Feiticeiro de Terramar” – (agora renomeado como “O Feiticeiro e a Sombra“, sabe-se lá porquê).
LIVRO 2 –Os Túmulos de Atuan
LIVRO 3 –O Outro Lado do Mundo” – (agora renomeado como “A Praia mais Longinqua“).
LIVRO 4 – “Tehanu – O Nome da Estrela
Curiosamente o “The Other Wind“, já está editado não na mesma colecção infanto-juvenil, mas teve uma outra edição isolada numa colecção de aspecto “já mais adulto” e intitulado “Num Vento Diferente“.

O que deve ser mesmo bom para confundir as pessoas e as levar a começar a ler esta história pelo quinto volume em vez de terem começado pelo “O Feiticeiro de Terramar“. Ás vezes pergunto-me quem terá estas ideias.
Pela descrição que a Presença tem no site, também não consigo perceber se misturaram ou não, este livro com o “Tales of Earthsea” (que a editora chama “Tales of Earth and Sea” (?!)
Será que ninguém lê os próprios livros que editam ?! Será que não repararam que a expressão “Earthsea” é a alma e a base do romance ?!… Estou baralhado. Terão juntado os últimos dois livros e lançado tudo num único volume aqui em Portugal ?
Não sei, nem me interessa. Estão por vossa conta meus amigos, mas se gostam de Fantasia recomendo a leitura dos romances. De preferência até antes de verem este filme de Goro Myiazaki pois será muito mais apreciado por quem conhece e gosta dos romances originais do que pelo espectador casual de Anime.

——————————————————————————————————————

Se gostou deste vai gostar de:

——————————————————————————————————————

Majo no takkyubini (Kiki´s Delivery Service) Hayao Miyazaki (1989) Japão


Actualmente começar uma review de [“Kiki´s Delivery Service“], sem mencionar as semelhanças com Harry Potter seria disfarçar o óbvio e portanto começemos logo por aí.
[“Kiki´s Delivery Service“], pode ter muitos pontos de contacto com o moderno feiticeiro dos livros, mas foi uma produção de Hayao Miyazaki muito antes do feiticeiro inglés começar a voar e já existia em forma de livro pelo menos dez anos antes de JK Rowling sequer ter pensado em escrever o primeiro volume da sua série. Quem sabe até se [“Kiki´s Delivery Service“],  não chegou a ser uma das inspirações para esta criar Potter ?…

Aqueles que tal como eu nunca tiveram grande fascínio por Harry Potter (e muito menos paciência para o seu culto), nesta altura já devem estar com vontade de passar á frente, mas esperem um bocadinho.
Apesar de [“Kiki´s Delivery Service“], ser um filme que irá agradar muito áqueles que procuram encontrar alguma da magia de Potter num desenho animado, esta é no entanto uma criação bem mais original do que “o seu sucessor” pois a sua origem está mais próxima de uma matriz inspirada no conto tradicional do que a vasta colecção de referências pop new-age anglo-saxónicas em que Potter está fundamentado.

[“Kiki´s Delivery Service“], foi a criação de uma escritora infantil japonesa chamada Kadono Eiko e foi esta a responsável pela primeira popularização no livro com o mesmo nome do conceito de jovens feiticeiros que percorrem os céus montados nas suas vassouras, escolas de magia e tradição mágica adolescente.
E apesar de já ser reconhecida antes no seu país, o facto desta obra ter sido depois adaptada ao cinema por Miyazaki (não sem algumas queixas da autora), fez com que o conceito atravessasse as fronteiras da Ásia, e o filme acabou por ser popular no ocidente. Inclusivamente foi uma das primeiras longas metragens de Miyazaki a serem dobradas em “americano” há mais ou menos 20 anos atrás.

[“Kiki´s Delivery Service“], é acima de tudo um grande trabalho de imaginação e simplicidade, pois Miyazaki partiu mais uma vez de uma história que nem sequer tem grande complexidade, momentos dramáticos, vilões ou grandes coisas a acontecer durante o filme todo e criou uma obra prima da animação cheia não só de ambiente como principalmente de magia.
Tudo sem precisar de recorrer a combates entre bons e maus, raios mágicos a sairem de varinhas ou filosofia new-age pré-fabricada.
No mundo de Kiki tudo é intensamente real, e até o próprio “universo paralelo” com uma Europa ficticia onde a história se passa nos parece tão legítimo como qualquer período histórico conhecido. Tudo isto graças á enorme quantidade de detalhes que esta animação contém e que o espectador só conseguirá captar plenamente numa segunda ou terceita visão.

Ao fazer 13 anos Kiki, atingiu a idade em que a tradição manda que as buxinhas saiam de casa e começem a sua vida sózinhas practicando o bem e servindo a população, por isso uma noite Kiki agarra na vassoura da sua mãe e parte para o mundo atravessando o céu estrelado, tendo apenas por companhia o seu gato falante.
Em pouco tempo encontra uma bonita cidade junto ao mar e começa a explora-la discretamente sempre atenta para tentar perceber se os seus habitantes precisarão dos serviços de uma bruxa. Após algumas peripécias faz amizade com os donos de uma padaria e passa a viver nessa loja o que lhe dá a ideia de usar a sua magia para criar um serviço de entregas rápidas.

E pronto, acabou a história. Óbviamente que há mais para contar, mas não precisam de saber mais nada para apreciarem [“Kiki´s Delivery Service“],  até porque o resto do filme mantém a mesma simplicidade e toda a acção tem por base coisas tão simples que contadas nem pareceriam interessantes. Por isso aconselho-vos a ver imediatamente este filme pois toda a sua magia está precisamente na descoberta dos detalhes que nos envolvem até ao seu final com muita aventura e fantásticas cenas animadas com vôos em vasouras.
E tudo sem perseguições, vilões, tiros, feiticeiros maus, magias negras ou qualquer outra coisa que não seja de uma simplicidade inesperada.

Mas não pensem que por causa desta simplicidade [“Kiki´s Delivery Service“], contenha poucos momentos mágicos. Se procuram uma atmosfera de magia única e acima de tudo uma história completamente -boa onda-, muito positiva e totalmente anti-depressiva têm aqui um filme a ver obrigatóriamente.
Recomendado a toda a gente que gosta de histórias com muita Magia, imaginação e algum romântismo clássico com visuais absoltuamente perfeitos e sequências de acção em vassouras voadoras.
[“Kiki´s Delivery Service“], é por tudo isto cinema obrigatório até mesmo para quem ainda pensa que não gosta de Anime ou do estilo Manga.
E não pensem que lá por ser desenho animado o filme será menos Cinema. Isto não é a vulgar série de televisão Anime que estão habituados a desprezar habitualmente.
[“Kiki´s Delivery Service“], fica bem em qualquer dvdteca de quem gosta de bom cinema.

Como habitualmente na obra do realizador, também [“Kiki´s Delivery Service“],   é um filme que pode ser apreciado tanto pelos mais novos como pelos mais velhos sem deixar de agradar a nenhuma das faixas etárias precisamente por causa do seu argumento inteligente que nem trata os putos como estúpidos e muito menos os adultos como crianças imbecis, criando um filme mágico extramente bem equilibrado e que agradará certamente a quem não tem medo de sentir-se de novo criança por um par de horas, sendo definitivamente uma das melhores obras de Miyazaki sem qualquer sombra de dúvida e muito superior ao que ele tem lançado actualmente.

——————————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO:

Outro dos melhores filmes de fantasia Anime que poderão encontrar e um dos melhores trabalhos deste realizador.
A prova de que o facto de ser Anime não implica de modo nenhum que seja um objecto menor de Cinema só porque é um desenho animado.
Na minha opinião é mais uma obra prima da animação.
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award como selo de qualidade excepcional sem qualquer sombra de dúvida.
noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg gold-award.jpg

A favor: Tudo. Personagens, história, conceito, paisagens, detalhes dos desenhos, a banda sonora original, ambiente mágico e poético, o gato da Kiki.
Contra: a versão dobrada em “americano” pela Disney com uma atmosfera toda pop ao pior estilo “High-School Musical” e uma sonoridade Britney Spears. Subitamente o desenho animado parece um produto americano do mais televisivo e banal.
Vejam primeiro a versão japonesa porque auditivamente a atmosfera é logo outra e muito mais genuína.

—————————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS

Trailer Original
http://www.youtube.com/watch?v=qktI3VQdryM
http://www.youtube.com/watch?v=05lrfA-GJnQ&feature=related

Trailer Americano (versão onde até parece que o filme é da Disney)
http://www.youtube.com/watch?v=_dkLobz4bpw

Comprar:
Opções de compra para [“Kiki´s Delivery Service“],  é coisa que não falta, pois basicamente existem edições deste filme em todo o lado, excepto Portugal, claro.
Existem actualmente duas boas opções de compra.
Podem adquirir a edição legal e oficalizada por exemplo aqui na amazon inglesa a um preço excelente.

——————————————————————————————————————

Guitarra
http://www.youtube.com/watch?v=eHIzvKjTlOE
http://www.youtube.com/watch?v=FamSGT4coMo&feature=related
Piano
http://www.youtube.com/watch?v=77yxsLgMtmg&feature=related

IMDB
http://www.imdb.com/find?s=all&q=kiki+delivery+service&x=10&y=5

——————————————————————————————————————

Se gostou deste vai gostar de:

——————————————————————————————————————

Tenkû no shiro Rapyuta ( Laputa – Castle in the Sky ) Hayao Miyazaki ( 1986 ) Japão


Lembram-se de “Conan-O Rapaz do Futuro” ?
Para muita gente, uma das melhores séries de animação de sempre, especialmente para aqueles que eram adolescentes no início dos anos 80.
O que algumas pessoas não sabem é que quando o realizador Hayao Miyazaki fundou o estúdio de animação Ghibli no inicio dos anos 80, umas das suas primeiras incursões no formato de longa metragem foi precisamente uma espécie de regresso aos personagens que lhe deram fama, – Conan e Lana – embora neste filme não se chamem assim.
O resultado foi [“Laputa – Castle in the Sky“]. Na verdade não é um remake de “Conan-O Rapaz do Futuro”, mas tem suficientes semelhanças em toda a sua estrutura para agradar aos mais saudosistas da série de televisão que lhe serviu de rascunho.

Situada numa espécie de Europa alternativa, talvez algures nos finais do sec.XIX, [“Laputa – Castle in the Sky“] conta a história de um rapaz, de uma rapariga que possuiu um cristal mágico e de uma cidade flutuante que muitos julgam ser apenas uma lenda mas que contém um poder extraordinário no seu interior.

Naturalmente temos depois os vilões, sempre caracterizados como políticos, donos de coorporações ou militaristas sem escrúpulos, tal como é comum na obra do realizador e algum enquadramento ecológico sobre a importância da conservação do mundo natural como também é a habitual preocupação nas produções Ghibli.
Além disso existem ainda os semi-vilões humorísticos para aliviar a carga dramática e proporcionar espectaculares momentos de perseguição ao longo do filme.
Todo o conjunto embrulhado numa atmosfera mágica mas sempre fundamentada na realidade apesar dos elevados níveis de imaginação e criatividade presentes em todo o filme.
Adicionamos a tudo isto uma banda sonora com um toque de poesia musical e temos uma obra absolutamente mágnifica.
Tudo certo portanto.

O que dizer então mais sobre este filme sem estragar por completo a descoberta da sua magia ?…Isto complica imenso a minha review mas a verdade é que este é um daqueles filmes que quanto menos detalhes revelamos sobre ele melhor, pois é uma verdadeira maravilha artística do inicio ao fim.
Desde os ambientes steampunk , até ao visual gráfico absolutamente criativo presente ao longo de todo o filme, estamos perante uma verdadeira obra prima, não só da animação, mas também da ilustração de fantasia com cenários lindíssimos que já são uma referência no mundo da animação.

Além disso os personagens são mais uma vez a alma da história. Não só é bom voltar a ver o “conan” e a “lana” agora numa longa metragem a sério, como [“Laputa – Castle in the Sky“] apresenta-nos muitos mais que se tornaram figuras de culto, tal como os imaginativos robots guardiões de Laputa que se tornaram extremamente populares no Japão transformando-se mesmo num dos ícones do design dentro do género com todo o mérito pois são verdadeiramente um personagem inesquecível pela sua simplicidade.

A obra de Miyazaki, só muito recentemente se deu a conhecer ao grande público em Portugal, através da estreia (miraculosa) no cinema do filme “A Princesa Mononoke” (que não me impressionou particularmente), e dos seus filmes posteriores, “A Viagem de Chihiro” e mais recentemente “O Castelo Andante”.
Todos os trés com edição Portuguesa em dvd.
É no entanto uma pena que o resto da obra produzida pelo estúdio Ghibli continue ainda sem ser editada no nosso país, pois na minha opinião todos os trabalhos antigos são muito superiores a qualquer uma das novas longas metragens tão populares actualmente, mas que me parecem mais uma reciclagem de tudo o que já foi feito antes.

[“Laputa – Castle in the Sky“] , no entanto é um caso especial dentro da filmografia do estúdio Ghibli e espero sinceramente que alguém no nosso país se lembre também de lançar este filme por cá.

——————————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO:

Um dos melhores filmes de fantasia de sempre com um estilo steampunk excelente e uma profundidade que vai muito para além da banal aventura para crianças. Ponto final.
A prova de que o facto de ser Anime não implica de modo nenhum que seja um objecto menor de Cinema só porque é um desenho animado.
Na minha opinião é uma obra prima da animação e é definitivamente o meu filme favorito do realizador.
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award como selo de qualidade excepcional sem qualquer sombra de dúvida.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg gold-award.jpg

A favor: tudo. Personagens, história, conceito, paisagens, banda sonora, ambiente.
Contra: ??! Não haver uma parte 2 igual ?…

——————————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS:

Trailer (*spoilers*):
http://www.youtube.com/watch?v=IpHG0UXHcLA

Opiniões adicionais:
http://www.asia.cinedie.com/laputa.htm
http://www.nausicaa.net/miyazaki/laputa/

COMPRAR
Opções de compra para [“Laputa – Castle in the Sky“], é coisa que não falta, pois basicamente existem edições deste filme em todo o lado, excepto Portugal, claro.
Aproveitem os preços baixos para o cinema oriental na Amazon Uk e comprem já este DVD.

Agora se tiverem a sorte de encontrar esta fabulosa edição especial Japonesa ainda á venda, isto sim é que seria uma compra perfeita. Espreitem só isto:
http://www.ghibliworld.com/laputacollection.html

——————————————————————————————————————

Quem tocar guitarra e quiser aprender os acordes da banda-sonora pode espreitar aqui:
http://www.youtube.com/watch?v=butX_chr0GM&feature=related

IMDB:
http://www.imdb.com/title/tt0092067/

——————————————————————————————————————

Se gostou deste vai gostar de:

——————————————————————————————————————