Blood: The Last Vampire (Blood: The Last Vampire) Chris Nahon (2009) Hong-Kong/China, França


Devo confessar que se há uma coisa que eu gosto no cinema comercial moderno é de filmes franceses que tentam parecer-se com produções americanas á força toda. Daqueles que se colam á estética podre de chique gringa ao pior estilo cinema-de-super-herois made-in-hollywood onde tudo parece igual.
Só muda o design dos monstros que na verdade parecem-se todos com o mesmo boneco musculado saído de livros da Marvel onde só se altera a cor do uniforme de capítulo para capítulo.

Por isso eu gosto muito de cinema francês em estilo Hollywood porque falha redondamente em tudo o que pretende fazer para se colar ao estilo americano.
Não sei o que há com estas produções europeias, que apesar de fazerem sempre tudo bem e de seguirem á risca a cartilha pipoca americana a verdade é que eu acho que se espalham todas no resultado final.
Tudo o que é filme francês de acção moderno que se tenta colar ao cinema do outro lado do oceano atlântico acaba sempre por se ficar por um resultado estranhamente hibrido que nem é carne nem é peixe. O mesmo acontece agora com este [“Blood: The Last Vampire“] uma estranha co-produção entre a Europa e Hong-Kong em piloto automático estilo Hollywood.

Mais uma vez temos um filme francês que á força de querer parecer-se com um filme americano acerta ao lado em tudo e na verdade ainda bem que assim é.
Ainda bem porque é essa falta de pontaria constante do moderno cinema-clónico francês que lhe dá imensa identidade e transforma qualquer produção europeia de efeitos especiais e acção á bruta numa coisa mais interessante do que costuma acontecer com as pipocas pré-fabricadas americanas. Talvez porque a europa use moldes diferentes.
Por muito que se tente estragar um filme rasca na europa tentando imitar o plástico americano, pelo menos eu fico sempre com a sensação de que o resultado é sempre bem mais carismático e isso ajuda a salvar da banalidade muita coisa que de outra forma poderia tornar-se absolutamente insuportável.

Há qualquer coisa de bom num mau filme pipoca europeu quando este tenta imitar o cinema de Hollywood e melhor ainda quando além de tentar imitar o cinema americano tenta ao mesmo tempo parecer-se com cinema oriental em estilo Hong-Kong.
Por isso eu gostei bastante de [“Blood: The Last Vampire“].
Estamos na presença de um bom filme de acção totalmente braindead no sentido mais positivo do termo e que mesmo com tanta mistura de estilo consegue ainda assim manter uma atmosfera europeia com um sabor intenso a baguette francesa de que não se consegue livrar apesar da overdose de pirotécnica digital á americana e kung-fu com fios á la Hong Kong.

Além disso, fiquei bastante surpreendido por este titulo ser protagonizado pela minha “Sassy Girl” favorita do cinema oriental que parece ter escolhido este papel para se tentar projectar internacionalmente, que é como quem diz, mostrar que também poderá ser uma boa escolha para filmes mais …americanos.
Quase que custamos a acreditar que esta é a mesma actriz que protagonizou também “Il Mare” num registo que não poderia ser mais oposto.

E por acaso acho que esta miúda foi a escolha perfeita para este papel. Eu não conheço bem o anime original mas do pouco que vi do desenho animado, penso que Jeon Ji-hyun (aqui com o pseudónimo internacional “Gianna Jun”), está fantástica apesar de em muitas alturas sentirmos que não estará muito confortável com os diálogos em inglés.
Sim porque [“Blood: The Last Vampire“] é um filme francês co-produzido com a China a tentar imitar o cinema americano com diálogos tanto em inglés como em japonês protagonizado por uma actriz Sul Coreana… Confusos ? Não se preocupem a coisa resulta.

Muita gente ataca [“Blood: The Last Vampire“] por causa dos seus péssimos efeitos digitais, nomeadamente o sangue em bolinhas 3D Studio em efeitos nada especiais que parecem saidos de um render amador criado para uma introdução de um jogo da Playstation-One. Tudo verdade. É quase mau demais para ser real e damos por nós a pensar como raio é que alguém deitou cá para fora um filme com efeitos tão datados assim e pensou que poderia competir com o que de mais moderno se faz no cinema deste mesmo estilo em Hollywood.
Por mim, que se lixe. Sim, o filme tem efeitos atrozes e até ridiculamente amadores e sim, aquele demónio é mau demais para ser verdade mas desde quando é que maus efeitos especiais fazem um mau filme ?

[“Blood: The Last Vampire“] apesar de todo o emaranhado de influências visuais consegue no entanto ser um produto comercial muito bem executado e com uma realização segura. Penso que o realizador francês conseguiu aqui um trabalho com personalidade e fiquei com a sensação de que só não fez melhor mais por culpa do argumento do que por causa dos péssimos efeitos especiais que tanta gente contesta.

Quanto a mim, [“Blood: The Last Vampire“] tem uma primeira metade totalmente cativante. Sequências de acção divertidas, uma estética de comercial de shampoo que resulta, actores carismáticos e uma atmosfera visual que por momentos faz lembrar Blade Runner em certos aspectos, nomeadamente no ambiente nocturno.
Infelizmente , achei que a segunda metade do filme perdeu toda a piada. Não sei o que se passou mas a partir de certa altura parece que mudaram de argumentista e todo o desenvolvimento deixa de conseguir envolver o espectador. Isto porque a história deixa de ser interessante não apenas por se tornar ainda mais previsível mas principalmente porque tudo culmina num climax que não tem particular entusiasmo ou grande espectacularidade.

No entanto, eu gostei muito da primeira metade do filme. Abre com uma sequência entusiasmante, continua com alguns personagens carismáticos, situações digitalmente sangrentas bem divertidas e a coisa resulta até meio onde de repente se instala alguma monotonia geral até ao final embora os actores bem se esforcem para dar vida a um argumento já em piloto automático no pior dos sentidos.
Não que seja própriamente muito grave, mas a verdade é que achei que este filme merecia ter-se mantido muito divertido até ao fim e na minha opinião isso não acontece como deveria ter sido.

Se há uma coisa que me aborrece de morte no cinema estilo super-herois á americana é a banalidade do típico confronto final com o vilão e achei muito decepcionante que a única vez em que [“Blood: The Last Vampire“]  se parece mesmo com um filme de Hollywood seja precisamente naquela parte em que se calhar deveria ter-se parecido mais com um produto de Hong-Kong pois a sequência final aborreceu-me pela sua previsibilidade e total falta de interesse previligiando mais a pirotécnia digital do que o carisma dos personagens e a criatividade das sequências de acção.

De qualquer forma, [“Blood: The Last Vampire“]  é um produto pipoca divertido e que se recomenda a quem não pedir mais do que ver uma boa aventura com vampiros e uma heroína cheia de personalidade suportada por um bom elenco internacional onde se destaca Liam Cunningham um actor que por vezes parece estar a incoorporar o espírito do ainda bem vivo Jean Reno na construção do seu personagem de agente da CIA que estará algures entre o “Leon” e o “Enzo” presentes nos fabulosos filmes de Luc Besson.
Só é pena que acabe por ser desprediçado dentro do próprio argumento.

Muitos fãs do anime, não gostaram da personagem teenager americana que pelo visto foi inserida a martelo nesta versão da história porque acusam-na de existir apenas para agradar ao mercado americano. Pessoalmente eu gostei da rapariga. Acho que tem um personagem dinâmico e que conduz bem o filme por entre as sequências protagonizadas por Jeon Ji-hyun e ajuda até a actriz principal a brilhar pois evita que nos concentremos demasiado no inglés limitado da actriz Sul Coreana que apesar de conseguir fazer um excelente trabalho nesta sua estreia “internacional” esteve sempre um bocadinho limitada pela lingua inglesa para poder ir mais longe e conseguir carregar sózinha o protagonismo de um filme assim.

Por isso, resumindo, eu curti.

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CLASSIFICAÇÃO:

Um estranho hibrido entre filme comercial americano, cinema francês e estilo Hong-Kong que só não resulta totalmente porque o argumento perde-se na banalidade a partir da segunda metade do filme e tenta depender demasiado de maus efeitos especiais para o climax da história quando esta pedia mais atenção aos personagens talvez.
De qualquer forma é um produto pipoca muito divertido, com uma primeira parte dinâmica e cheia de personalidade, uma actriz Sul Coreana que parece não conseguir ser má até quando tem limitações de idioma contra ela.
Não é um filme pipoca brilhante, mas recomenda-se bastante.
Trés tigelas e meia de noodles sem problemas mas com muita pena minha pois [“Blood: The Last Vampire“] merecia ter sido bem melhor e a culpa disso nao ter acontecido não é dos maus efeitos especiais como muita gente parece achar, mas sim de um argumento que poderia ter sido bem mais imaginativo.

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A favor: o elenco é excelente com destaque para a protagonista Sul Coreana que dá tudo para conseguir fazer um bom trabalho num idioma que lhe é claramente dificil de dominar, a primeira metade do filme tem pinta e uma atmosfera visual excelente, a realização faz milagres em conseguir manter todas as diversas influências coerentes ao longo do filme, contém algumas cenas de acção estilo Hong-Kong divertidas.
Contra: a segunda metade do filme parece apagada, o climax do filme depende demasiado dos maus efeitos especiais digitais que percorrem toda a história, os vilões não têm carisma nenhum e em nenhum momento causam qualquer tensão na história por tudo ser tão banalmente previsivel e vazio na sua própria caracterização.

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=Fk2L8Mgxd5Q

Comprar
Bem baratinho na Amazon Uk em DVD e em BluRay também.

Download com legendas em PT/Br

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0806027

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Filmes “semelhantes” de que poderá gostar:

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Nae yeojachingureul sogae habnida (Windstruck) Kwak Jae-young (2004) Coreia do Sul


Alguém deveria proíbir este realizador de fazer mais filmes para o resto da vida porque isto assim não vale !
Este tipo chamado Kwak Jae-young parece estar empenhado em sabotar os esforços de quem tem blogs sobre cinema oriental pois quem gosta de aconselhar filmes tentando ter por base alguma lógica de classificação fica logo sem poder ter uma comparação coerente quando se depara com outro trabalho deste realizador porque o homem continua a produzir trabalhos únicos.
Este gajo insiste em continuar a surpreender até mesmo quando se imita a si próprio e cria uma obra que há primeira vista até nem parece ser dos seus melhores filmes.
Basicamente estou lixado.

Depois do que tinha lido pela net não estava á espera de que [“Windstruck“] fosse alguma coisa por aí além, porque desde o seu aparecimento as reviews parecem andar todas entre o bom e o medianamente alto mas quase nenhuma lhe atribui o mesmo valor que por exemplo “My Sassy Girl” alcançou na opinião da critica em geral surpreendendo toda a gente a quando do seu lançamento nas salas de cinema orientais.
Talvez esteja aí o problema. Isto de um realizador se estrear com algo realmente único e que define um estilo está mais que visto, tem de certeza as suas desvantagens pois parece que a partir desse momento qualquer coisa que ele faça a seguir será inevitávelmente comparado ao seu primeiro filme.

Neste caso parece que Kwak Jae-young carrega a maldição de não conseguir fazer mais nada que não seja imediatamente comparado desfavorávelmente com a inovação de “My Sassy Girl” e portanto por mais que este se esforce, para muitos críticos não pode existir mais nada depois do primeiro filme que alcançe o mesmo nível e portanto a partir daí a escala de valor foi sempre a descer.
Não posso discordar mais em absoluto !
Não posso discordar mais e por causa de me ter deixado influenciar pela quantidade de reviews menos espectaculares acabei por entrar na onda e só ontem me decidi a ver [“Windstruck“] também convencido que iria ser giro mas nada de extraordinário.
Resultado, acho que apanhei a surpresa do ano no que toca a filmes orientais pois realmente não estava nada á espera disto.

Se gostaram de “My Sassy Girl” então [“Windstruck“] é de visão mais que obrigatória por todos os motivos e mais alguns.
Primeiro porque depois da quantidade más de imitações que o original gerou (inclusivamente um remake americanoide), o realizador Kwak Jae-young parece que decidiu colocar ordem na casa e mostrar como se faz outro “My Sassy Girl” a sério, provando de uma vez por todas que não basta ter uma personagem estilo gaja-boé-da-maluca para criar boa comédia.  Com [“Windstruck“] Kwak Jae-young mais uma vez mostra que nem toda a gente pode ter o seu talento para realizar este tipo de cinema e que apesar de comerciais cada vez mais se pode dizer que os seus filmes são verdadeiros exemplo de cinema de autor pois o seu estilo já se torna completamente identificável.
Ainda a história não começou há minutos e percebemos logo que é um trabalho do mesmo autor de “My Sassy Girl” e “The Classic” porque na verdade não dá mesmo para imitar o que este tipo faz por muito simples e comercial que o seu Cinema pareça.

Actualmente não deve haver ninguém que equilibre tão bem a comédia e o drama como Kwak Jae-young o faz e isto é daquelas coisas que não dá mesmo para traduzir em palavras para quem nunca viu um trabalho deste realizador.
Nos seus filmes tudo pode acontecer como mais uma vez se demonstra claramente em [“Windstruck“], por exemplo na sequência do suícidio no cimo do prédio que é uma daquelas absolutamente indescritíveis.

E se pensam que estou aqui a revelar muita coisa vocês não fazem a mais pequena ideia do que vos espera quando virem este filme pois nunca viram uma cena sobre suícidio como esta.
[“Windstruck“] essencialmente é um “My Sassy Girl” parte 2 em versão não oficial (por muitos mais motivos do que vocês possam imaginar mas que não posso agora revelar).
Visto que dada a conclusão do “primeiro” filme não haveria grande hipótese de continuar a narrar a história dos dois primeiros personagens pois isso seria esticar demais a corda da credibilidade (até mesmo para este realizador), a solução que Kwak Jae-young parece ter encontrado foi a de contar uma nova história com mais ou menos a mesma estrutura e mais ou menos nos mesmos moldes.

Mas como nem tudo é o que parece, se vocês já estão a pensar que [“Windstruck“] volta a ser mais do mesmo… pois se calhar estão certos.
É mais do mesmo sim senhor, só que apesar de ter um estilo semelhante e um personagem principal bem sassy que podia ser o mesmo ,inclusivamente interpretado pela mesma actriz do filme original não pensem que vão ver uma repetição da mesma história.
É que se “My Sassy Girl” misturou como nunca a comédia adolescente com o drama romântico adulto num equílibrio absolutamente perfeito, desta vez [“Windstruck“] vai mais longe.
O novo filme é uma extraordinária (alucinante) e surpreendente mistura de:
– Comédia adolescente
– Cinema romântico extremamente poético
– Drama sobre a morte e a solidão do abandono
– Filme policial
– Comédia splapstick
– Cinema de gangsters
– Filme de porrada chunga (com explosões a condizer e tudo)
– Conto de fadas medieval (?!)
– Comédia romântica
– Filme sobrenatural
E acho que não me esqueci de nada…

E isto resulta ? Se resulta meus amigos.
Não só resulta como tudo neste argumento tem um equílibrio narrativo absolutamente extraordinário que leva ao extremo o estilo do realizador que já tinhamos visto em “My Sassy Girl” ou até mesmo no “The Classic”  onde numa breve cena de poucos minutos o realizador consegue fazer-nos rir e no segundo a seguir colocar-nos a chorar com uma facilidade como se aquilo que estamos a ver no ecran fosse a coisa mais fácil de conseguir fazer.
E neste [“Windstruck“] o efeito ainda é mais extendido pois na mesma cena além de nos conseguir fazer rir e chorar ainda nos coloca em suspanse ou até nos entusiasma com um par de cenas de acção á primeira vista completamente deslocadas de tudo o resto mas que no fundo pertencem perfeitamente ao universo que foi criado para este filme e onde só temos que aceitar as regras e divertirmo-nos com o que estamos a ver.

Uma coisa é certa [“Windstruck“] é um daqueles filmes orientais em que o espectador não consegue mesmo fazer ideia do que raio poderá acontecer a seguir pois pensamos que já vimos tudo quando nos cai outra coisa em cima que nos deixa a pensar que realmente há mesmo muita frescura e inovação no moderno cinema comercial Sul Coreano.
As semelhanças com “My Sassy Girl” são tantas no entanto, que muita gente já anda completamente baralhada sem saber se [“Windstruck“] é uma sequela ou uma prequela e não posso dizer muito mais sem estragar um dos melhores momentos deste filme.

E não, [“Windstruck“] não tem qualquer ligação a “My Sassy Girl“. A referência no filme é claramente uma in-joke, uma piada pessoal do realizador e um piscar de olho a toda a gente que certamente já se prepararia para acusar o filme de não passar apenas de mais uma imitação da anterior fórmula de sucesso e como tal o seu autor antecipa-se a isso colocando no filme uma das entradas mais geniais que vai deixar fascinada toda a gente que adorou “My Sassy Girl” e é definitivamente um dos pontos altos deste novo filme que fará as delícias de quem viu o “primeiro” antes de ver [“Windstruck“] e recomenda-se que assim seja.

Mais uma vez, prova-se que o cinema romântico sul-coreano está de boa saúde e continua a limpar o chão de uma forma quase humilhante com tudo aquilo que costuma passar por cinema romântico feito em Hollywood actualmente.
[“Windstruck“] no meio de toda a loucura que transporta no seu argumento tem coração, muita alma e poesia. Não só é cinema romântico de qualidade e cheio de humanismo como acima de tudo apresenta-nos mais uma original história de amor que irá certamente surpreender muita gente pois é muito raro encontrarmos um filme tão alucinado que nos consiga emocionar nos momentos mais inesperados como este filme consegue.

Na minha opinião este é mais uma daqueles filmes românticos orientais completamente obrigatórios e que devem quanto antes juntar á vossa colecção se forem fãs de histórias de amor originais, divertidas e muito humanas. Podem juntá-lo aos igualmente fabulosos ”The Classic“, “Be With You“,  “Fly me to Polaris“ , “Il Mare“ e claro, o mais que obrigatório “My Sassy Girl“.

Se [“Windstruck“] tiver uma falha, na minha opinião é o facto de se notar que é um produto concebido para fazer brilhar a actriz principal que entretanto se tornou uma estrela devido precisamente ao sucesso de “My Sassy Girl” e ao fenómeno de culto em que se tornou também “Il Mare“.
Tudo no filme gira mais do que nunca á volta da actriz principal e parece que não existe um enquadramento nesta nova obra que não esteja pensado para demonstrar a sensualidade e a beleza da rapariga. Não que isso me chateie muito, mas nota-se que ao contrário do primeiro filme este agora é uma produção que gira á volta de uma estrela principal.
Isto faz com que ao contrário do que acontecia em “My Sassy Girl“, o par romântico já não seja própriamente o centro do filme no que concerne ao trabalho de dois actores a interagirem em simultâneo.

Aqui, o personagem masculino serve mais para localizar as emoções da personagem feminina do que própriamente para também ocupar o centro da história, algo que está bem presente nas sequências de sonho em que básicamente quem brilha é a jovem actriz e tudo o resto está lá para servir as emoções da sua personagem.

Isto não será propriamente uma coisa negativa mas nota-se que apesar de parecer, se calhar [“Windstruck“] afinal não é uma cópia tão óbvia assim do primeiro filme do realizador pois em muitos momentos tem uma dinâmica diferente embora felizmente se mantenha sempre o excelente equilíbrio entre géneros e tanto a comédia como o drama continue a resultar em pleno.

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CLASSIFICAÇÃO:

Mais uma vez o realizador Kwak Jae-young acerta em cheio e eleva a fasquia da dificuldade ao criar um argumento ainda mais complexo que o do seu primeiro filme, pois desta vez practicamente triplicou a mistura de géneros numa única história.
É um daqueles filmes que cativa quem aceita as suas regras pelo simples facto de que nunca pára de surpreender o espectador até ao último minuto pois nunca sabemos o que poderá acontecer a seguir e isso é o seu maior trunfo.
Além disso estamos perante mais uma excelente e emocional história de amor cheia de originalidade, poesia e alma com personagens que acima de tudo parecem seres humanos reais mesmo por entre tamanha loucura que constantemente se passa no ecran perante os nossos olhos.
Completamente obrigatório em qualquer colecção de filmes românticos sem esquecer os igualmente fabulosos ”The Classic“, “Be With You“, “In The Mood For Love“, “Fly me to Polaris“, “My Blueberry Nights“, “2046“ e “Il Mare“.
Cinco tijelas de noodles e um Golden Award porque este é mais um daqueles filmes que na minha opinião rebenta qualquer escala, apesar de no início nem parecer nada de especial.

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A favor: tudo ! A inteligência do argumento, as duas personagens principais, casting e interpretações , banda sonora e o excelente equilíbrio entre a comédia alucinada e o mais poético drama romântico, a referência ao “My Sassy Girl” é absolutamente mágnifica.
Contra: tanta alucinação e tanta mistura de géneros num só único filme pode afastar muita gente que não se preparar logo de início para aceitar as regras que definem o próprio universo da história.

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Trailers
http://www.youtube.com/watch?v=B5BqUquq0jU

Comprar
Infelizmente este é um filme particularmente dificil de se arranjar actualmente, pois parece que todas as boas edições já se encontram esgotadas. Uma das melhores está ainda á venda na Amazon americana mas o seu preço é demasiado proíbitivo.
Amazon http://www.amazon.com/Windstruck-Directors-Cut-disc-set/dp/B000H0SSCU

Saiu também uma edição simples que vou comprar mas neste momento não posso dar ainda qualquer referência sobre a mesma.
SoDrama http://www.sodrama.com/store/catalog/product_reviews_info.php?products_id=503&reviews_id=92

IMDB
(cuidado com os *spoilers*)
http://www.imdb.com/title/tt0409072/usercomments

Filme na Web
Não tenho por regra fazer downloads de filmes orientais na internet, mas neste caso como queria muito vê-lo antes de o comprar e cinema oriental da Coreia do Sul não é própriamente algo que se encontre num videoclube português, achei que valia a pena procurá-lo na web.
Até porque devido ao fraco entusiasmo com que a crítica recebeu este filme, também eu não estava muito certo se iria gostar dele ao ponto de me arriscar a comprar o dvd á confiança (mesmo se o conseguisse encontrar á venda).
Sendo assim já que o encontrei na net e ainda por cima com legendas em Português recomendo que quem quiser espreitar o filme antes de o comprar se dirija até aqui para o filme e aqui para as legendas em Pt.
Se não gostarem, pouparão dinheiro, agora posso garantir-vos que se gostarem tanto quanto eu gostei também irão querer comprar o dvd original.
Por isso se algum de vocês encontrar uma boa edição a um preço decente digam-me qualquer coisa porque tenho receio de comprar a edição estranhamente simples que anda por aí e depois encontrar mais tarde uma boa re-edição da versão de dois discos que era a que eu gostaria mesmo de adquirir.

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Filmes semelhantes de que certamente irão gostar:

My Sassy Girl Il Mare The Classic Fly me to Polaris Be With You

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Yeopgijeogin Geunyeo ( My Sassy Girl ) Kwak Jae-yong ( 2001 ) Coreia do Sul


Agora que inevitávelmente a cópia americana, vai chegar ás nossas salas de cinema não tarda nada , é urgente que se recomende vivamente o original antes que o remake estrague os twists desta história a quem ainda não a viu como ela foi inicialmente pensada. Isto partindo do princípio que os americanos não mudaram também a segunda metade do filme por ser demasiado poética e filosófica para as audiências ocidentais.

O [“My Sassy Girl“] original na minha opinião é definitivamente a melhor comédia romântica de sempre e um marco completamente á parte dentro dos filmes com adolescentes.
Não só é uma comédia com um conceito original e hilariante, como consegue na segunda metade ser um drama romântico com alma, poesia e muita imaginação na maneira como está construído e como nos faz gostar dos personagens.
O original [“My Sassy Girl“], tem possivelmente dois dos melhores protagonistas de filmes com adolescentes. Os personagens têm personalidade e não são a banal casca vazia estereotipada que se costuma ver nas chamadas comédias românticas para teenagers americanos. Apesar de toda a loucura que nos é apresentada no ecran, parece que estamos a ver pessoas reais e esquecemos que estamos perante dois (excelentes) actores.
Este facto serve para que a meio do filme, [“My Sassy Girl“], consiga passar da comédia absolutamente anárquica ao drama mais sério numa questão de segundos sem nunca perder a sua identidade ou ficar a meio termo entre dois géneros de cinema.

Este filme tem provavelmente o melhor equilíbrio de argumento dentro deste género que me recordo de ter visto até hoje o que não deixa de ser surpreendente pois a sua versão longa tem 132 minutos, todos eles plenamente suportados pelos dois actores principais de uma forma magistral pois estão constantemente em cena. Muito pouco espaço é dado aos personagens secundários visto tudo se centralizar na relação absolutamente caótica dos dois protagonistas.

Supostamente o argumento é baseado num famoso caso real passado na Coreia no final dos anos 90 e basicamente conta a história dum rapaz que uma noite encontra numa estação uma rapariga completamente embriagada e a salva de cair na linha quando o comboio vai passar.

A partir daí a sua vida fica completamente caótica pois sem saber como, o rapaz torna-se emocionalmente dependente da miúda que salvou por muito que tente disfarçar perante os amigos. Esta domina-lhe o quotidiano das formas mais hilariantes e inesperadas que poderão encontrar numa comédia e os dois entram numa espécie de relação romântica nunca assumida mas sempre com resultados completamente originais e muito divertidos.
A miúda, além de ter uma grande imaginação e obrigar constantemente o rapaz a ter que ouvir as suas más histórias que escreve no seu caderno, ainda por cima tem hilariantes ataques de fúria e não há humilhação que não provoque ao seu novo amigo para divertimento do espectador que nunca faz ideia do que pode acontecer a seguir e esse é um dos grandes trunfos deste [“My Sassy Girl“] que resulta plenamente em vários níveis.
Não só é uma comédia fantástica como ainda por cima consegue ser um drama romântico do melhor que poderão encontrar pela frente.

Por isso sugiro que procurem esta versão original coreana antes que o remake americano apareça em Portugal e apanhem com a inevitável chuva de trailers, making-ofs e material promocional que certamente lhes irá explicar e contar o filme todo de uma ponta a outra estragando tudo o que este tem de bom no seu conceito original.

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CLASSIFICAÇÃO:

Possivelmente a melhor comédia adolescente de sempre e um dos melhores filmes românticos (para todas as idades) que poderão encontrar no mercado.
Completamente obrigatório em qualquer colecção de dvd sem esquecer os igualmente fabulosos “The Classic“, “Be With You“, “In The Mood For Love“, “Fly me to Polaris“, “My Blueberry Nights“, “2046” e “Il Mare“.
Cinco tijelas de noodles e um prémio adicional porque este é outro daqueles filmes que rebenta qualquer escala.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg gold-award.jpg

A favor: tudo ! A inteligência do argumento, as duas personagens principais, casting e interpretações , banda sonora e o excelente equilíbrio entre a comédia alucinada e o mais poético drama romântico.
Contra: absolutamente nada a não ser que não o consigam ver antes de apanharem com o remake americano e este lhes estrague todas as surpresas ou pior, passe a ideia de que o original é tão banal como certamente o remake será, a julgar pelo péssimo exemplo que já tivemos com o remake do “Il Mare”.

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NOTAS ADICIONAIS:

Antes do trailer, sugiro que vejam o videoclip, pois não revela nada das surpresas e captura perfeitamente o ambiente poético do filme original.
http://www.youtube.com/v/uCadYmp_UnQ

Trailer:
http://www.youtube.com/watch?v=mZQCHWOM9bw

Opiniões adicionais:
http://www.asia.cinedie.com/sassy_girl.htm
http://www.kfccinema.com/reviews/comedy/sassy/sassy.html

E como sei que vão querer comprar isto sugiro esta edição se quiserem a versão longa – Director´s cut
http://www.hkflix.com/xq/asp/filmID.1719/qx/details.htm
Ou a versão normal onde também não perdem nada pois os dez minutos a mais do cut longo são apenas algumas cena extendidas de alguns gags.
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7h-49-en-15-my+sassy+girl-70-122k.html
Ambas as versões são excelentes.

IMDB (cuidado com os *spoilers*):
http://www.imdb.com/title/tt0293715/

E já agora, para quem toca guitarra, espreitem também este cover da banda sonora:
http://www.youtube.com/watch?v=pQBW7GO2HSM&feature=related
Poderão encontrar muitos mais no youtube.

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Filmes semelhantes de que certamente irão gostar:

Be With You Il Mare Love Phobia The Classic Fly me to Polaris

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Acabei de ver o trailer do remake americano de [“My Sassy Girl“] e apetece-me comprar uma arma.
Deve a isto que chamam stress-pós-traumático.
Pelo trailer já se percebe que transformaram tudo o que é simbólico e poético no filme original em gags banais para adolescentes e aparentemente parece que estes não vão ter outro propósito no filme a não ser meter umas sequências ao estilo “Jackass” mas com uma gaja boé da maluca de modo a depois no final embrulhar tudo no happy-end do costume para reconfortar americanos e plateias de centro comercial comedoras de milho.
http://www.youtube.com/watch?v=_-P0kJsyCOg&feature=related
Ninguém diz que a coisa não vai até ser um produto divertido. Mas não passará disso, um produto e daqui a dois meses vai estar esquecido nas promoções de dvds dos supermercados de certeza absoluta. O remake parece ser muita coisa mas não é definitivamente [“My Sassy Girl“].
Pelo que se pode ver no trailer da versão americana é mais do que certo que tal como aconteceu na versão  americana do fabuloso “Il Mare” coreano, a alma da história também aqui vai ser substituída pelo estilo videoclip, por muita musica pop de usar e deitar fora, por muito jovem modelo a ditar o que vai ser a moda teen do próximo verão-inverno e muito poucos vestígios da atmosfera da história original.
O que se passa com o actual cinema americano ?! Além de ter que ir buscar as “suas” histórias originais ao oriente, refaz os filmes quase a papel-químico mas depois deixa pelo caminho o verdadeiro espírito e conteúdo original dos mesmos ?!…
É como copiarem um ovo e reproduzirem apenas a casca pois já é suficiente para o vender porque acham que o design faz a obra !