The Drumer – O Coração da Montanha (Zhan. gu) Kenneth Bi (2007) China-Hong Kong


Gosto quando me aparecem pela frente filmes orientais de que eu nunca tinha ouvido falar e em particular quando encontro esses filmes à venda em dvd selado por apenas 1€.
Ainda mais surpreendido fico quando encontro edições portuguesas com cinema oriental que não é apenas cinema de porrada. Alguém deve-se ter enganado ao editar isto por cá…

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Este [“The Drummer”], foi realmente uma surpresa a vários níveis. Primeiro por ter encontrado à venda em Portugal aqui mesmo ao lado de casa um filme oriental que não era de Kung-Fu (embora como se demonstra bem na história não deixe de ser sobre uma arte-marcial de pleno direito também); depois por não ser um filme de Kung-Fu quando inclusivamente o actor principal curiosamente é filho do Jackie Chan.

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Desconhecia por completo a existência deste filme apesar de já datar de 2007 e nem fazia ideia que o Jackie Chan tinha um filho, quanto mais um filho actor; por isso foi com enorme curiosidade que comprei este verdadeiro filme oriental perdido aqui pelo reino de Portugal e dos Algarves. E ainda bem que o fiz, pois [“The Drummer”] foi realmente um achado apesar das suas fragilidades.

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Na net alguém descreve esta história como uma espécie de cruzamento entre o “Karate Kid” e o “Scarface” e penso que acerta em cheio, pois foi exactamente o que eu também pensei.
Na verdade não se pode dizer que o filme seja particularmente original. Já vimos esta história mil e uma vezes, tanto na sua vertente gangster como na sua vertente mais Zen.
Mais uma vez levamos com a velha história do puto rebelde que ao encontrar uma comunidade com que se identifica, vai aos poucos se inserindo naquele mundo, treinando, evoluindo e aprendendo as inevitáveis lições de vida pelo caminho, que de vermos tantos filmes iguais também já todos nós as decoramos.

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Não há mesmo nada de original em [“The Drummer”].
A parte mafiosa então ainda é mais formulática do que a  vertente budista e não fosse tudo isto estar particularmente bem filmado, o filme poderia ser bastante esquecível no seu todo, pois a nível de argumento tudo é por demais mediano e sem particulares surpresas ou grandes pontos de interesse.
No entanto [“The Drummer”] é uma curiosa mistura de dois géneros que funcionam mesmo muito bem como um todo produzindo um filme coerente muito agradável de se ver ao longo dos seus 108 minutos de duração que se suportam facilmente.

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A parte gangster está narrada com bastante energia, intensidade e até consegue sugerir maior violência do que na realidade se calhar tem. Aqui nota alta, para o veterano Tony Leung Ka Fai (não confundir com o Tony Leung dos filmes e Wong Kar Wai), que tem aqui uma das melhores e mais carismáticas interpretações que me lembro de ter visto dele em vários anos. É excelente na pelo do gangster ultra-violento mas nem por isso menos falível e até humano que está no centro de toda a narrativa mafiosa da história.
Aliás se há uma coisa que [“The Drummer”] tem de excelente é todo o casting.  Inclusivamente Chan que dá perfeitamente conta do recado como protagonista.

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Jaycee Chan compõe um bom personagem central e apesar do estereotipo de todo o argumento consegue passar muito para além do típico personagem de cartão que se esperaria. Tenho que procurar trabalhos mais recentes deste tipo com toda a certeza.
Curiosa escolha também em termos de filme, pois pela minha parte esperaria que um filho de Jackie Chan andasse pelo mesmo género de cinema acrobático do pai; neste caso nota-se que o actor provavelmente tentou realmente evitar o estereotipo e em vez disso escolheu um filme como este que propõe uma carga filosófica em vez de distribuir cargas de porrada.
Não que o argumento seja grande maravilha, espiritualmente falando, mas é uma boa tentativa de criar mais uma história do género usando algo que normalmente não se encontra neste tipo de narrativas.

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Em vez de levarmos com mais outro filme de Karaté desta vez temos um filme sobre a milenar arte chinesa do tambor e diga-se de passagem que proporciona momentos empolgantes ao longo da história pois todas as sequências que envolvem o instrumento são interpretadas pela verdadeira banda U-Theater, que pelo visto será bastante popular, mesmo a nível mundial dentro deste género de performances musicais. Aliás quase todos os personagens secundários ligados a essa parte de inspiração budista na história são interpretados pelos verdadeiros membros do grupo e não por actores profissionais e tudo resulta perfeitamente.

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De resto não há grande coisa mais a dizer sobre este filme. Se o encontrarem em dvd a 1€ também é de compra obrigatória pois é um daqueles filmes que faz tudo bem, tem alguns momentos muito intensos e até bastante divertidos e vale mesmo a pena juntarem á vossa colecção de cinema oriental.
Penso que a sua única falha estará apenas na falta de originalidade total do argumento e nem a mistura de géneros, bem feita por sinal, resolve a coisa.
Curiosamente temos aqui um filme que não explora propriamente o inevitável romance entre o “casal” da história. Ao contrário do que eu estava à espera por acaso desta vez toda relação dos protagonístas é tratada de uma forma mais contida do que eu estava à espera de encontrar e nem sequer entra pelo triângulo amoroso do costume que poderia muito bem ter entrado.

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Na verdade ainda não me decidi se a falta de cliché romântico mais exacerbado neste caso será um ponto positivo ou negativo. Por tudo o resto ser tão inconsequente em termos de verdadeira emotividade, se calhar não ficaria nada mal a [“The Drummer”] também ter entrado pelo lado mais comercial da costumeira história de amor ao estilo cinema oriental. Isto porque apesar da coisa neste caso não se ter tornado um cliché, se calhar deveria ter seguido esse caminho também, já que o faz no resto do filme todo mas no que toca à história de amor parece que se conteve demais. Pelo menos eu fiquei com essa ideia. Talvez porque os personagens estão bem caracterizados e de certa forma toda a parte romântica ser tão contida acabou por desperdiçar o trabalho dos actores. Digo eu…na verdade ainda estou a pensar sobre isto. Também não interessa muito para o resultado final.

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Portanto relativamente a coisas menos boas, o único que realmente se pode apontar a [“The Drummer”] será não surpreender, nem ter própriamente grande suspanse em lado nenhum, o que em última análise acaba por descaracterizar um pouco a história e o esforço dos actores em comporem bons personagens que foram algo desperdiçados no meio de tanta mediania.
O filme balança algures entre a intensidade violenta de um “Scarface” e o mais surporífero de um “Karaté Kid”.
Em algumas partes também pisca o olho a cinema mais contemplativo na linha do “Primavera, Verão, Outono, Inverno” do conceituado cineasta-autor Kim Ki Duk embora sem o estilo gélido.
Nota-se isso até na forma como a natureza está filmada muitas das vezes. Apenas está lá. Visualmente nunca é muito trabalhada em termos de filtros e são essencialmente imagens “cruas” dos locais.

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E por falar nisso, apesar de [“The Drummer”] ser algo fechado em termos de ambiente, pois foca-se mais nas personagens do que própriamente nos ambientes, não deixa de se abrir em certos momentos e quando o filme mostra paisagens podemos contar com imagens bastante atmosféricas. Não serão propriamente épicas, mas este também não é um filme que necessite delas. É quase um bonús, mais para evidenciar a carga contemplativa e a própria filosofia budista do que própriamente porque a história necessitaria de imagens assim.

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CLASSIFICAÇÃO

[“The Drummer”]  é um filme muito simpático que se recomenda vivamente.
Já viram isto mil vezes, mas este tem a vantagem de ter um bom par de personagens carismáticas e cativantes.
Não é de todo a maravilha de filme que a publicidade presente nos festivais ocidentais apregoa nos cartazes mas também não tem nada de mau. Podia ser um daqueles que se vê e se esquece rápidamente mas graças a uma boa realização, uma história com alguma energia, boas interpretações e personagens carismáticos consegue ser um daqueles filminhos que ficará bem em qualquer colecção, que se recomenda vivamente para ser visto pelo menos uma vez e quem sabe até nem seja um daqueles que mais tarde ou mais cedo acabaremos por ter vontade de o rever.
Trés tigelas e meia de noodles. Só não leva mais por causa da falta total de originalidade que lhe retira muito do seu brilho e acaba até por embaciar o excelente trabalho que os actores fazem neste filme muito interessante mesmo.

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A favor: alterna bem entre dois estilos de cinema, tem um par de personagens carismáticos, o trabalho de todos os actores globalmente é excelente pois raramente esta história contém um personagem desinteressante, a parte gangster tem momentos bem violentos e intensos que contrastam totalmente com a parte Zen, o lado mais filosófico  não deixa de ter o seu carísma, a história consegue contornar alguns clichés e segue por pequenos rumos agradáveis de seguir, todas as sequência que envolvem tambores são fascinantes e apetece-nos ir bater num tambor a seguir a isto.
Mal ou bem, é mil vezes melhor que o remate gringo do Karaté Kid. Na verdade é bem melhor que qualquer Karaté Kid original até. E de certa forma até mais educativo.

Contra: já vimos isto mil vezes e quem já não pode mais com o cliché do “Karaté Kid” sobre o puto que vai treinar artes marciais com velhos mestres então é melhor evitar isto. Os dois estilos de filme também podem irritar tanto quem procura apenas um filme de gangsters como quem procura apenas algo mais contemplativo porque neste caso estão os dois em momentos alternados.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
https://www.youtube.com/watch?v=fV-66ZoKVjY&feature=kp

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Comprar
No ocidente não existe, no oriente está esgotado, em Portugal se ainda econtrarem o dvd provavelmente estará no cesto das promoções esquecidas de qualquer shopping ou casa dos penhores (onde eu descobri o meu, selado ainda).

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IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0831386

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Outro filme que cruza o género gangster com um segundo estilo:

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Baek Ji Young – Sarang Ahn Hae – ( I won´t love) , de novo no Youtube e desta vez com legendagem.


Porque isto da censura chateia-me um bocado se calhar iniciava este pequeno preview da nova fase deste blog, não com um trailer ou uma review de um filme mas sim com algo que muita gente até pensa pertencer a uma banda sonora de uma longa metragem mas que na realidade foi um videoclip criado para o mercado Sul Coreano há um par de anos para ilustrar uma balada romântica ao melhor estilo do cinema orental.

Acontece que este videoclip continua a ser retirado sistemáticamente do ar no Youtube ao longo dos anos.
Volta e meia alguém o coloca de novo, mas não tarda muito até a contagem decrescente começar e este ser removido pelo youtube como já é habitual.
Incialmente consta que o motivo era o facto de ser considerado um video indecente que foi alvo de muitas reclamações (calculo que dos internautas americanos) que parece estarem sempre á espreita de quando este surge no site para o voltarem a “denunciar”…

Mas o que há de tão chocante neste video musical para certas pessoas ? Bem, é uma história de amor entre duas raparigas que horror dos horrores são menores e o video apresenta a história delas como sendo a coisa mais bonita, poética, natural e romântica do mundo. CHOQUE !!!!
Inicialmente parece que alguém se queixou ao Youtube que o video promovia a pedófilia e o amor indencente e por isso o video foi eliminado por ter conteúdo impróprio.
Depois esteve alguns meses sumido e reapareceu novamente para novamente voltar a ser eliminado por novas queixas e isto tem sido assim desde que ele surgiu sempre com queixas americanas.
Entretanto por causa disso, aquilo que já era um dos videos e uma das baladas mais populares no oriente (onde inclusivamente passa na MTV oriental), tornou-se também num video de culto no ocidente, especialmente para quem como eu adora cinema oriental e em particular o bom e original cinema romântico que se faz por aquelas bandas desde o inicio dos anos 90.

Agora surgiu de novo no youtube e desta vez, para desespero de muita gente certamente, agora vem legendado em inglés, por isso agora será contar as semanas até que ele seja retirado do site. A não ser que a malta que se queixa desista de uma vez de o tentar censurar, apenas porque conta uma história de amor adolescente entre duas miúdas, e bem bonita por sinal.
Pessoalmente eu prefiro versão não legendada pois as legendas atrapalham a poesia visual da história e penso que este videoclip deveria ser apreciado por cada um de nós imaginando o próprio argumento, mas de momento temos esta versão que não deixa de ser curiosa pois eu não fazia a minima ideia de qual seria a letra disto.
Curiosamente uma das jovens protagonistas desta visualmente poética história de amor com final triste e nostálgico, suicidou-se alguns meses depois deste video estar completo, precisamente por causa de uma depressão causada por um motivo amoroso segundo constou nas notícias na altura o que ainda torna este video numa história ainda mais emocional.

Acho este videoclip fantástico pela atmosfera, pela história e pelo ambiente totalmente cinemático que leva muita gente continuar a procura de um filme que não existe pois muitas pessoas continuam a pensar que isto partiu de um filme.
Como já sei que irá ser retirado do ar em breve, este post irá ser um daqueles que irão encontrar repetido ao longo do tempo, tanto por aqui como nos meus blogs pois não vou deixar de continuar a divulgá-lo pois na sua simplicidade continua a ser um dos meus “filmes” orientais favoritos por ser quase uma curta metragem cinemáticamente falando. 😉

E é fofinho também. Quase um Anime.

 

Lista com Bandas-Sonoras de Cinema Oriental para download.


Parece que houve um maluco que resolveu compilar esta lista gigantesca cheia de links com dezenas de albuns completos contendo as bandas-sonoras de muitos dos vossos filmes orientais favoritos para download. 😉

O único senão é procurarmos os filmes pelos seus titulos originais…mas usem o meu blog como guia e vão encontrar muita coisa boa practicamente impossível de ser adquirida de outra forma.
Da última vez que verifiquei não me lembro de ver CDs com musica de filmes orientais á venda em Portugal…
Os meus agradecimentos então,  para o cidadão asiático que resolveu divulgar esta arca do tesouro em mp3.
http://www.douban.com/group/topic/5165019/

Have fun !

Taiyô no uta (Midnight Sun) Norihiro Koizumi (2006) Japão


Não era minha intenção recomendar mais um filme oriental romântico neste momento, mas para variar caiu-me em cima outra daquelas obras completamente inesperadas e como tal não posso mesmo deixar de falar de [“Midnight Sun“] porque este é mais um daqueles que não merece mesmo ficar esquecido e eu sei que vocês chegam a este blog á procura de sugestões de filmes românticos asiáticos.

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Desculpem mas não consigo evitar.
Mais uma vez ainda o filme não tinha passado da primeira meia hora inicial e eu só pensava: -“Mas porque raio é que Hollywood não se conseguem fazer filmes assim ??!”
[“Midnight Sun“] é mais um daqueles filmes orientais que eu costumo adorar principalmente por uma razão e que é aquilo que na minha opinião mais valoriza o cinema oriental romântico.
[“Midnight Sun“] “não tem” história nenhuma !!!

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Explicando melhor…se entendermos por – ter uma história – que um filme normalmente siga sempre uma fórmula que envolva determinados elementos “dramáticos” então [“Midnight Sun“] é um vazio absoluto.
Neste filme oriental não encontrarão:  triangulos amorosos, amores não correspondidos, relações proíbidas, ódio entre familias rivais, amores escondidos, amores proíbidos, inveja, intrigas amorosas, gajas más que estragam os namoros das amigas, gajos maus que são grunhos, traições, hormonas aos saltos, reconciliações ou sequer zangas de namorados.
Neste filme não encontram NADA !

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[“Midnight Sun“] conta a história de uma adolescente que sofre de uma doença que não lhe permite apanhar a mais pequena réstea de sol e como tal toda a sua existência é feita de noite. Da sua janela consegue ver uma paragem de autocarro onde durante meses observa um rapaz desconhecido e inevitávelmente se apaixona por ele.
A miúda tem no entanto um sonho de ser compositora/cantora e de noite costuma ir para o meio de uma praça onde toca as suas canções para o vazio.

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Uma noite encontra o rapaz e declara-se a este que apesar de ficar muito surpreendido fica no entanto muito curioso sobre a rapariga. Inevitavelmente as coisas avançam para um namoro essencialmente nocturno até ao momento que os acontecimentos evoluem até ao habitual final á cinema romântico oriental do qual eu não vou agora revelar mais nada mas que certamente todos vocês já sabem qual é.
Acabou a história.
Não tem mais nada. Não esperem o habitual cliché dos filmes adolescentes ao estilo americano. Não irão encontrar aqui nem um vestígio de qualquer lugar comum que estão habituados a ver nas sopeiradas telenovelísticas que passam por cinema romântico com adolescentes nos EUA e arredores.

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Até mesmo naquilo que poderia ter desgraçado logo o filme se este fosse um produto americano, [“Midnight Sun“] mantêm a sua identidade e qualidade. Falo claro, da parte musical da história, do desejo da rapariga de um dia poder vir a ser cantora e gravar um disco com as suas composições.
Num filme para adolescentes americanos, isto levaria imediatamente ao habitual drama sobre a rapariguinha que queria ser famosa mas depois seria enganada por um produtor qualquer que lhe quereria saltar para a cueca , etc, etc, etc.

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Não em [“Midnight Sun“]. Neste filme oriental não se passa nada disso. Toda a parte do argumento que foca o sonho da adolescente tem por base um tratamento emocional absolutamente discreto conseguindo transmitir ao espectador não uma imagem de um personagem que está a tentar ser famosa mas sim as emoções de uma rapariga que poderia ser nossa amiga e que a meio do filme já desejamos que ela tenha realmente sucesso sem que o realizador nos tenha conduzido “emocionalmente” pela mão. Em [“Midnight Sun“] ninguém nos “explica” como nos devemos sentir em relação aos personagens. A partir de certa altura damos apenas por nós a desejarmos poder também ser amigos daquelas pessoas e está aqui a grande magia deste pequeno filme japonês.

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Tem também outra característica muito curiosa.
Para um ocidental, habituado ao estilo video-clip americano deste género de filmes de amor com adolescentes, um filme sobre música que não tem qualquer tique de videoclip MTV quase que não faz sentido.
Neste aspecto, [“Midnight Sun“] é quase a antítese do cinema para adolescentes imbecis, pois acima de tudo apresenta-nos uma história com adolescentes, também para adolescentes, mas não aponta apenas para essa audiência.
Ou seja, desde os personagens que têm uma caracterização profundamente humana até ao espectador que é tratado como um adulto seja qual for a idade de quem estiver a ver este filme, tudo aqui funciona para essencialmente contar a história da forma mais simples e sem artíficios possível.

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Como resultado disto, quando eu penso que este filme japonês foi um grande sucesso no oriente inclusivamente junto do público adolescente quase que nem consigo acreditar numa coisa destas.
É que vocês sabem, se por exemplo um filme destes aparecesse em Portugal, podem ter a certeza que 99% do pessoal que  esgota as sessões dos “Transformers2” e do “17 Again”  iria logo dizer que [“Midnight Sun“] era uma seca do “#$%&. Podem apostar.
Da mesma forma que nenhum puto (ou espectador de cinema de shopping-center) alguma vez irá acreditar que um filme como “In The Mood For Love” foi um sucesso comercial especialmente junto do público adolescente oriental, também aqui no caso deste pequeno grande filme romântico jamais o classificariam de outra coisa que não de filme de autor para intelectuais.

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[“Midnight Sun“] não é de forma nenhuma um filme asiático para adolescentes americanizados, é um filme musical cheio de alma que é a perfeita antítese de um “High School Musical” e o antídoto perfeito para quem já não acredita que se podem fazer filmes com adolescentes, sobre adolescentes e com música pop sem tudo descambar numa piroseira para criancinhas de hormonas aos saltos.
Não tem uma montagem estilo MTV, e na verdade ao longo das suas mais de duas horas até pode parecer por vezes um filme lento. Muito lento.
Lento mesmo.
É um daqueles filmes que não tem pressa de ir a lado nenhum, pois a sua magia nem sequer está na história por demais previsível, mas sim na humanidade dos personagens. É um daqueles filmes orientais  em que ficamos mesmo a gostar daquelas pessoas pois fazem-nos esquecer por completo que são actores a representar um papel.

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Neste aspecto nota alta para os personagens dos pais da rapariga. Ao contrário do que seria habitual num “drama” ocidental, estes não têm qualquer oposição ao facto da filha começar a gostar de um rapaz, mesmo quando ela tem aquele tipo de doença. Não esperem encontrar em [“Midnight Sun“] os habituais dramas de pacotilha ao estilo: – “afasta-te da minha filha”.
Aliás não esperem encontrar nada neste filme japonês que esperam encontrar se o tentarem ver por um prisma de comparação com o cinema para adolescentes americanos.
Os personagens dos pais da rapariga são verdadeiramente únicos dentro deste estilo de histórias e a maneira como estes são usados para ainda tornar mais emocional todo o drama é absolutamnte notável, pois o próprio facto daquelas pessoas nunca entrarem nas histerias telenovelisticas a que estamos habituados torna-os absolutamente humanos nas cenas em que precisam de nos transmitir as suas emoções. Tudo num trabalho cinco estrelas dos próprios actores que á força de parecerem ter personagens que não servem para muito, acabam por potenciar tudo aquilo que o espectador depois irá sentir no final perante o desenlace da história de amor dos dois adolescentes principais da história.

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Eu sei que o texto já vai longo, mas não posso terminar sem referir aquilo que é verdadeiramente um personagem á parte dentro do filme; as próprias imagens e ambientes presentes em cada fotograma. Não porque nos mostram paisagens fabulosas, mas porque conseguem criar um ambiente intimista que ao mesmo tempo romantiza ainda mais a história e cria um pequeno mundo á parte dentro do mundo fechado em que a protagonista do filme é obrigada a viver.
Vão adorar a discreta fotografia deste filme oriental e ainda vão descobrir um par de imagens inesquecíveis, nomeadamente a que envolve gira-sois e mais não digo, pois tal como no também japonês e fabuloso “Be With You” também em [“Midnight Sun“] esta flor tem um significado muito importante e que dota toda a história de uma poesia extra que se calhar nem seria necessária mas que uma vez no ecran vos vai fazer recordar este filme asiático por muito mais tempo.

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CLASSIFICAÇÃO:

Mais uma história de amor oriental fantástica pela sua simplicidade.
Não há muito mais a dizer sobre este filme asiático e só não lhe dou melhor nota porque a sua história base não foge muito ao habitual lugar comum deste género de histórias dentro do cinema oriental.
É no entanto um filme indispensável para quem gostar de boas histórias de amor e quiser ver mais uma que certamente não irá esquecer e onde a poesia da mesma compensa todas as suas pequenas falhas que nem sequer são muitas.
Quatro tigelas de noodles.

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A favor: é assim que se faz um filme musical com adolescentes, mais uma vez o humanismo da caracterização dos personagens, o excelente trabalho dos actores que se apagam dentro das pessoas que incorporam nesta história, os pequenos pormenores românticos que percorrem todo o filme, a simplicidade das sequências musicais que nos fazem esquecer por completo que este até é um filme com música e adolescentes, a banda sonora, a simplicidade da história e do seu desenvolvimento, é o filme perfeito para quem já não podem mais com fitas de adolescentes americanos, o trabalho do realizador é discretamente notável, a maneira como os ambientes se tornam num personagem á parte, é um filme sem pressa com uma atmosfera contemplativa intensamente triste e poética ao mesmo tempo a fazer lembrar o melhor de “Il Mare“, é um filme com adolescentes para adolescentes sem insultar a inteligencia do espectador, irá agradar a todas as idades, os girassois no final.
Contra: a história base poderia ter sido mais inovadora, poderá ser um filme demasiado contemplativo para quem estiver habituado a uma montagem mais estilo “Michael Bay”.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=gqpKakxKKr4

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Comprar
O filme está absolutamente barato na Play-Asia numa edição com um DTS excelente por isso pessoal é aproveitar porque este é um daqueles filmes que merece ser ouvido com um som em condições e visto numa cópia a sério.
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7j-77-1-49-en-15-midnight+sun-70-1zf9.html

Podem sacar o filme para espreitarem no excelente AsianSpace blog, mas atenção que a cópia lá disponibilizada é mesmo muito, muito fraca e inclusivamente está ripada no formato errado. Só o conseguirão ver em 16:9 se configurarem o vosso dvd para 4:3 e simularem as barras em cima e em baixo.
Se viverem em Portugal também não irão gostar nada da legendagem em Pt do Brasil pois está tudo num calão demasiado “galera” e isso aos olhos de muitos de nós aqui do outro lado do oceano pode tornar-se extremamente enervante pois quase dá cabo da intensidade dramática da história pelo “colorido tropical” das legendas que se torna quase insuportável.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0844347/

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Outros títulos românticos recomendados:

Be With You My Sassy Girl Il Mare The Classic Fly me to Polaris

Love Phobia concerto_capinha_73x cyborg_she_capinha_73x

ditto_capinha_73x my_girl_and_i_minicapinha

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2046 (2046) Wong-Kar-Wai (2004) China


Quando pensamos em ficção-científica o nome de Nat-King-Cole não será própriamente aquele que nos vem à ideia quando imaginamos um futuro em ambiente Blade Runner, mas eu já não consigo ouvir as suas canções ; (principalmente as canções em Espanhol ) sem imaginar imediatamente prédios imensos rodeados por neons coloridos, carros flutuantes, vielas escuras ou á meia-luz e um ambiente noir intensamente romântico assente numa aura nostálgica de solidão e saudade.
Bem vindos a [“
2046“].

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Bem-vindos ao terceiro filme de uma trilogia que por acaso até nem existe.

Se [“2046“] fosse cinema Lusitano seria um filme sobre Fado.
Um filme sobre vielas escuras, candeiros á meia luz, almas em câmera-lenta, destinos errantes, amores perdidos e muita Saudade.

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[“2046“] pode não ser um filme Português, mas esta história podia ter saído perfeitamente de qualquer poema presente nos nossos Fados.
[“2046“] é verdadeiramente um filme Chinês embora com uma imensa e inesperada alma Lusitana.
Isto apesar do argumento ser também em grande parte uma narrativa de ficção-científica que não fica nada a dever ao universo de Blade Runner.

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Aliás, se alguma vez houve uma “sequela” inesperada para um drama romântico, [“2046“] ganha esse prémio sem sombra de dúvida, pois a última coisa que se esperava era que Wong Kar Wai fosse continuar não só a história de [“In The Mood For Love“] como ainda por cima o fizesse usando um cenário futurista que mete cyborgs ao melhor estilo “replicant” e tudo.
A primeira vez que li a notícia dizendo que [“2046“] daria continuidade a “In The Mood For Love” pensei que seria uma piada de 1 de Abril, pois por mais que tentasse não conseguia conceber como raio se pegava num filme tão classicamente romântico para o transformar numa história com contornos de ficção-cientifica.

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Mal sabia eu que afinal [“2046“] não só, era uma continuação não oficial de “In The Mood For Love” como ainda por cima também uma “sequela” quase directa para [“Days of Being Wild“] outro dos filmes mais antigos do realizador e que por sua vez, também já tinha servido de base para “In The Mood For Love“.
Confusos ?
Ainda não viram nada, mas para saberem mais detalhes sobre tudo isto, recomendo que depois leiam sem falta a minha review sobre – [“Days of Being Wild“] o “primeiro” filme desta “trilogia”, num link que darei mais á frente para não os baralhar agora ainda mais.
Para já voltemos a  [“2046“].

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Lembram-se da famosa cena romântica de Blade Runner em que Rick Deckard seduz a Rachel ao som do icónico tema de saxofone composto por Vangelis ?
Pois bem, em [“2046“] é como se o realizador Wong Kar Wai tivesse pegado nesse ambiente que em Blade Runner dura pouco mais de cinco minutos para criar um filme de duas horas com o mesmo estilo de atmosfera romântica; onde não só as imagens importam mas principalmente a música é absolutamente essencial para traduzir em emoções um argumento que não precisa de diálogos para ser intensamente poético.

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Mas afinal,  [“2046“] é uma “sequela” para “In The Mood For Love” porquê ?
É muito simples…Tal como em “Days of Being Wild” conhecemos a juventude da personagem interpretada pela actriz Maggie Cheung tanto nesse filme como depois mais tarde em “In The Mood For Love“, também agora aqui em  [“2046“], ficamos a saber de que forma foi afectada a vida do personagem interpretado por Tony Leung após ter encontrado o amor da sua vida nesse “segundo” filme.
Em  [“2046“] ele é um novo homem; passaram-se alguns anos desde “In The Mood For Love“, estamos a meio dos anos 60 em Hong-Kong e longe vão os tempos do jornalista tímido e recatado completamente apaixonado por alguém que sabia nunca poder vir a ter nos seus braços.

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Agora toda a sua vida não passa de uma sucessão de mulheres, casas de alterne, casinos e clubes nocturnos por onde ele se cruza com outras almas tão perdidas quanto a dele, vivendo a vida e a noite ao sabor da saudade, da recordação de amores perdidos e da constante procura desse amor antigo sempre numa nova pessoa errada.
Uma constante solidão colectiva que Wong Kar Wai filma como ninguém e faz deste filme uma experiência cinematográfica inesquecível para todos aqueles que já gostavam de “In The Mood For Love” e querem voltar a encontrar aqueles dois personagens.

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Só que desta vez, Maggie Cheung, já não está presente.
Apenas a sua breve imagem aparece quase como um sonho que percorre alma do personagem de Tony Leung acentuando a eterna saudade que o move por todo este filme e o leva a escrever um conto de ficção-cientifica que na realidade é o espelho do que ele sente mas nunca demonstra a nenhuma das mulheres que agora em  [“2046“] percorrem a sua vida.
Nesse conto, passado precisamente no ano 2046, a humanidade conseguiu criar cyborgs extremamente avançados que se assemelham a humanos, em tudo menos numa coisa.
São incapazes de reconhecer emoções de uma forma imediata.

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Nesse ano futuro, cujo a data é precisamente baseada no número do quarto onde em “In The Mood For Love” o personagem interpretado por Leung se encontrava com a mulher da sua vida, um rapaz encontra-se apaixonado por um cyborg feminino ao melhor estilo replicant e essa máquina a pouco e pouco também se vai apercebendo que o ama.
Mas existe um grave problema pois a replicant tem uma característica especial e todas as suas emoções contêm um atraso temporal.
Só várias horas depois de viver um acontecimento é que ela reage emocionalmente a esse momento. Antes não o consegue fazer.

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O que na história provoca um dilema romântico na sua relação com o jovem humano que não reconhece esse facto e julga que estará a desperdiçar o seu amor numa máquina que jamais será capaz de lhe corresponder desconhecendo no entanto que esta também o ama embora só consiga reagir ao seu amor muitas horas depois quando os dois já não se encontram juntos.

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Quem conhece bem “In The Mood For Love” já está aqui a ver o parelelismo entre o amor platónico da “segunda” parte e esta história que o personagem interpretado por Tony Leung tenta agora metafóricamente passar para o papel como forma de confessar secretamente as suas verdadeiras emoções e confessar a saudade que ainda sente pela personagem de Maggie Cheung tantos anos depois.
Isso leva a que seja agora incapaz de viver um novo amor com as mulheres que o rodeiam; mulheres que o amam agora de verdade mas tal como ele, estão condenadas a viver presas á saudade de um amor que nunca poderá existir.
E basicamente esta é a história de  [“2046“].

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Não esperem um filme de ficção-cientifica com aventura, vilões e perseguições mas sim a continuação de uma inesquecível história de amor vista de uma perspectiva completamente inesperada, atmosférica e muito original.
Wong Kar Wai, filma essencialmente -a saudade- e de que forma esse sentimento pode impedir que um novo amor surja na vida de qualquer pessoa que se mantenha pressa ao passado.
Neste campo, uma nota especial, para os trés novos interesses românticos de Tony Leung. Nomeadamente para as actrizes Bai Ling, Zhang Ziyi (que desta vez não anda envolvida em combates de artes-marciais) e Carina Lau que regressa ao universo desta história.
Todas com interpretações emocionalmente extraordinárias que quase fazem esquecer a ausência de Maggie Cheung embora esta esteja sempre presente no tema da saudade que percorre o filme.

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Carina Lau, inesperadamente retoma aqui a personagem que foi anteriormente o centro de “Days of Being Wild”,  o que liga de forma genial todos os três filmes desta trilogia.
Um trilogia, que segundo o próprio Kar Wai nem se pode considerar oficial pois simplesmente aconteceu e nunca foi minimamente planeada.
E quem conhece o cinema do realizador e a forma como ele trabalha, não tem qualquer dificuldade em acreditar nisto.
A verdade é que o resultado mais uma vez não podia ter sido melhor e Kar Wai voltou a criar um filme romântico completamente original que vale por si próprio embora não seja para todos os públicos.

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Na verdade não é obrigatório que se conheçam “os filmes anteriores” para poderem apreciar  [“2046“], mas podem ter a certeza que se os conhecerem e principalmente se gostarem deles, esta “terceira parte” ganha nova vida e torna-se um filme ainda mais indispensável para quem gosta de cinema verdadeiramente romântico com muita alma e extraordinária poesia visual.

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Mas atenção; tal como em relação aos “filmes anteriores”, também  [“2046“] é puro cinema-de-autor ao melhor estilo Art-House.
É muito sofisticado, é certo, mas não é de forma alguma cinema comercial romântico ao estilo de um “The Classic“, por isso pode não ser um filme para todas as audiências.
Mas se gostarem de filmes românticos e quiserem experienciar uma história verdadeiramente única dentro do género, não podem de forma alguma deixar de ver pelo menos “In The Mood For Love” e este  [“2046“].

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Até mesmo quem procura um bom filme de ficção-científica tem aqui uma excelente proposta pois esse segmento em ambiente Blade Runner embora seja relativamente secundário dentro da história é no entanto absolutamente fascinante e a actriz que faz de cyborg é simplesmente perfeita  na composição da replicant que perde o seu primeiro amor porque não consegue demonstrar os seus sentimentos quando seria a altura certa.

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E claro depois disto, terão obrigatóriamente de querer ver “Days of Being Wild” porque a “primeira parte” tornar-se-á verdadeiramente indispensável.
Mas só a devem ver quando virem a “segunda” e esta “terceira” pelo menos uma vez.
Antes não.
Se já estão completamente confusos tudo está explicado aqui na minha review de [“Days of Being Wild“] originalmente publicada no meu site sobre cinema oriental.

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Se conhecem [“My Blueberry Nights“] ( o primeiro filme ocidental do mesmo realizador protagonizado por Norah Jones e Jude Law ) , se gostaram desse filme e do seu ritmo narrativo lento e hipnótico muito baseado na interacção com a banda-sonora então não tenham medo de arriscar ver  tanto “In The Mood For Love” como  [“2046“], pois o estilo visual é o mesmo, embora “My Blueberry Nights” seja ligeiramente mais comercial.

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Se virem os filmes sem ideias pré-concebidas sobre cinema-de-autor, irão descobrir uma trilogia de filmes românticos únicos e inesquecíveis, que podem divertir não pelas explosões mas sim pelas emoções, especialmente se vocês se identificarem com a alma dos personagens.
E mais uma vez, tal como aconteceu com “In The Mood For Love” depois de verem isto, nunca mais vão deixar de associar Nat-King-Cole ao universo de Wong Kar Wai.

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A maneira como ele usa em [“2046“], “The Christmas Song” cria uma atmosfera nostálgica única e é um verdadeiro mini-videoclip para a emoção dessa canção.
Aliás a banda sonora, como acontece sempre no cinema deste realizador mais uma vez é um personagem á parte dentro do filme, pois a forma como é usada para contar a história é um exemplo perfeito da sua forma única de fazer cinema onde a música é tão indispensável quanto a camera de filmar ou o director de fotografia.

E tal como acontece também no seu filme “My Blueberry Nights“, também em [“2046“], o espectador assiste a toda a história como se fosse a passar e por acaso; como se vislumbrasse sem querer uma cena entre duas pessoas ou ouvisse uma conversa que não deveria ouvir. Esta abordagem é verdadeiramente fascinante criando algumas das mais belas imagens que poderão encontrar no moderno cinema romântico seja de onde for.

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[“2046“] apesar de já ter alguns anos continua a ser visualmente um filme incrível, tal como “In the Mood for Love” já o era; e uma das minhas grandes referências também quando crio qualquer trabalho de ilustração.
E portanto…

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CLASSIFICAÇÃO:

Excelente filme de autor que ganha uma dimensão extraordinária se conhecerem as histórias de “In The Mood For Love” e “Days of Being Wild“.
Se gostaram do mais recente filme de Wong Kar Wai, “My Blueberry Nights” têm aqui algo de que muito provavelmente irão gostar também.

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Quanto a mim este é mais um daqueles filmes perfeitos. Embora não seja um filme fácil, todo o seu experimentalismo Art-House recompensa plenamente o espectador pelo romântismo que ilustra e será possivelmente um dos melhores filmes sobre – a Saudade – jamais feitos.
Com uma banda sonora extraordinária e uma fotografia absolutamente perfeita que junto com a fantástica e intimista realização de Wong Kar Wai, elevam este filme a um patamar único dentro do cinema romântico e até mesmo dentro da ficção-científica – menos comercial.

Cinco Tigelas de Noodles e um Gold Award

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Para conhecerem tudo sobre a trilogia de que este filme (não) faz parte, leiam a minha review de Days of Being Wild

A favor: tudo, poesia, personagens, ambiente, banda sonora, romantismo, fotografia, realização e argumento, a maneira como a música é usada, a estética das imagens, o design de produção, as partes de ficção cientifica intimistas, alguns discretos mas inesperados momentos de humor que equilibram a carga dramática do filme, o trabalho das actrizes é fantástico.

Contra: absolutamente nada ! Embora para muita gente este possa ser um daqueles filmes “pa intelectuais” onde não se passa népia e tudo anda muito devagar sem tiros.

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TRAILER

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https://www.amazon.co.uk/gp/product/B0007NBJ00/ref=as_li_tl?ie=UTF8&camp=1634&creative=6738&creativeASIN=B0007NBJ00&linkCode=as2&tag=cinaosolnas00-21

IMDb
http://www.imdb.com/title/tt0212712/

Curta metragem (publicitária) inédita de Wong-Kar-Wai para quem quiser ver mais um trabalho deste autor que não se encontra editado em lado nenhum.
http://www.youtube.com/watch?v=gBsbEopulOM&feature=related

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E se gostaram deste não vão querer perder

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