“Busanhaeng” (“Train To Busan”) Sang-ho Yeon (2016) Coreia do Sul


O que se pode dizer de mais um filme de zombies que ainda não tenha sido dito sobre o género ?…
Bem para começar, [“TRAIN TO BUSAN”] terá sido o primeiro filme com mortos-vivos a sair de Cannes com uma reputação melhor do que a que tinha quando chegou ao festival e agora que Hollywood vai fazer um remake disto; ( para quê ?!!! ), recomendo vivamente que o procurem e vejam-no quanto antes.
E sim, é tão bom quanto parece no trailer.
Aliás, é melhor.

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É verdade, o que se pode dizer de mais um filme de zombies que ainda não tenha sido dito sobre o género ?…
Bem sobre [“TRAIN TO BUSAN”] pode dizer-se que não tem um pingo de originalidade no conceito, pois obviamente que todos nós já vimos isto milhões de vezes antes mas conta logo á partida com uma coisa que o cinema oriental sabe fazer muito bem e que o difere de todos os plásticos que Hollywood poderá produzir quando aparecer o inevitável remake
[“TRAIN TO BUSAN”] tem personagens verdadeiramente cativantes.

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Como habitualmente no cinema oriental, nem o caos de uma história como esta, nem o monte de efeitos especiais que isto mete faz com que a pirotecnia se sobreponha aquilo que importa. Os personagens.
Contrariamente ao que acontece normalmente no cinema espectáculo de Hollywood onde os bonecos estão lá apenas para enquadrar as cenas de porrada, efeitos e acção, em [“TRAIN TO BUSAN”] são as cenas de porrada, os efeitos e a acção que enquadram um grupo de pessoas.
Pessoas com que começamos por nem ter grande empatia, mas que sabe-se lá como a meio do filme já estamos realmente a torcer pelas suas histórias pessoais.
Em alguns momentos isto faz lembrar inclusivamente outro grande filme de monstros Sul Coreano, o excelente “THE HOST” de que já falei por aqui há alguns anos.

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[“TRAIN TO BUSAN”] não tem absolutamente nada de original a não ser o facto de ser cinema puramente oriental precisamente na forma como consegue humanizar cada uma daquelas pessoas que acompanhamos e talvez tenha sido por isso que causou tanto impacto em Cannes, pois o público ocidental não está habituado a acompanhar personagens bem construídos neste tipo de cinema saído de Hollywood e por isso terá ficado bastante surpreendido.
[“TRAIN TO BUSAN”] é um daqueles filmes que quando acaba nos deixa completamente exaustos psicológicamente e mais do que torcermos pelos heróis da história , torcemos pela história daquelas pessoas que a meio do filme esquecemos por completo que são ficção.

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Estranhamente [“TRAIN TO BUSAN”] irá agradar até a quem se calhar não gosta de filmes com zombies, especialmente se essas pessoas tiverem visto e adorado outro filme Sul Coreano fabuloso, o drama “HOPE”. Quem gostou de “HOPE” irá gostar deste; apenas este mete mortos vivos pelo meio.
Á primeira vista podem não ter nada a ver mas [“TRAIN TO BUSAN”] cria exactamente o mesmo tipo de empatia que aquela outra história também sobre pai e filha conseguiu criar em toda a gente que apanhou com ela de surpresa quando saiu e a tornou já no filme de culto oriental que é.
Portanto meus amigos, mesmo que os mortos vivos não sejam a vossa coisa favorita, se calhar eu espreitava quanto antes [“TRAIN TO BUSAN”].
Especialmente antes de Hollywood vomitar cá para fora mais um remake atroz de outro filme oriental e os trailers gringos lhes estragarem o suspense todo.
Não percam [“TRAIN TO BUSAN”] enquanto este ainda é único.

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Consta que este filme já se tornou no maior êxito comercial de todos os tempos por aquelas bandas da Coreia do Sul o que só demonstra que para algo assim ter acontecido, [“TRAIN TO BUSAN”] tem mesmo que ter muito mais conteúdo e conseguir criar mais empatia do que se apenas fosse o típico filme de zombies em que toda a gente passa o tempo todo a correr de mortos vivos.
E mais uma vez, [“TRAIN TO BUSAN”] não tem nada de original. 
A sua originalidade está na empatia que cria pois ficamos mesmo a gostar dos personagens.

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[“TRAIN TO BUSAN”] é capaz de ter sido dos filmes com mais adrenalina que vi pelo menos nos últimos dois anos dentro de um certo tipo de thriller.
É o tipo de filme que nos deixa a tremer por todos os lados com cada situação que apresenta. Não só pela forma como a montagem cria uma sensação de claustrofobia fantástica mesmo em espaços abertos como principalmente na forma variada como apresenta e inventa situações de nos fazer roer o sofá de uma ponta á outra pois nunca temos bem a certeza se alguém irá morrer a seguir.

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Até porque depois [“TRAIN TO BUSAN”] também não é propriamente politicamente correcto.
Aposto tudo o que vocês quiserem em como Hollywood quando refizer isto, irá sem qualquer sombra de dúvida mudar o final, porque os americanos não irão aguentar o contexto dramático verdadeiramente intenso desta história e que mais uma vez a distingue do habitual.

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[“TRAIN TO BUSAN”] é um excelente cruzamento entre, a adrenalina de “SNOWPIERCER” ou de “THE TERROR LIVE“, o contexto de “THE HOST” ( curiosamente ambos do mesmo realizador ), o suspense de “MIDNIGHT FM” , a tensão de “FLU” e a empatia de “HOPE”; apenas mete mortos vivos á mistura.
Se gostaram de qualquer um dos filmes que mencionei atrás, irão gostar de [“TRAIN TO BUSAN”] porque tal como em todos esses filmes também o espectador nunca tem bem a certeza do que irá ver a seguir.
É essa a grande mais valia de [“TRAIN TO BUSAN”].
Numa história já vista mil vezes consegue ser imprevisível em muitos aspectos, especialmente a nível de destino de personagens.
Não se livra dos clichés é certo, mas esses vêem inevitavelmente por arrasto com a fórmula deste tipo de filmes com mortos vivos e se fossem evitados [“TRAIN TO BUSAN”] já não seria um verdadeiro filme de zombies.

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Tal como aconteceu quando o muito intenso “28 Days Later” de Danny Boyle estreou anos atrás, irá haver gente que acusará [“TRAIN TO BUSAN”] de não ser um verdadeiro filme de mortos vivos porque também aqui estes mortos correm como o raio e não andam feitos estúpidos em modo … ehm, zombie em câmera lenta pelos cenários.
Estes mortos estão muito vivos, extremamente activos e incrivelmente raivosos o que dá a [“TRAIN TO BUSAN”] uma adrenalina raramente encontrada no género.

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Não só a realização é fantástica pois todo o ritmo narrativo está excepcionalmente bem cozinhado para nos ir perturbando apenas quanto baste antes de nos jogar com baldes de adrenalina em cima, como [“TRAIN TO BUSAN”] nem precisa de pregar sustos com SOM ALTO para meter medo.
Aliás, este filme não recorre a nenhum desses truques baratos, porque nem precisa.
A meio da história já estamos tão arrepiados com o sobe e desce dos níveis de adrenalina que qualquer coisa nos assusta.
Nem o filme precisa de ser particularmente gore embora não fuja dele.

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Curiosamente [“TRAIN TO BUSAN”] não é mesmo muito gore.
Consegue assustar e meter impressão sem precisar de meter propriamente nojo e por isso nunca abusa dos efeitos prostéticos ao contrário do que costumamos ver neste tipo de cinema hoje em dia.
 Não precisa.
[“TRAIN TO BUSAN”] tem uma coisa diferente. Não sei se terão contratado contorcionistas para alguns papeis de zombies mas a expressão corporal destes mortos vivos é não só completamente original como extraordinariamente expressiva.
Muitos deles arrepiam-nos só com os movimentos que fazem.
[“TRAIN TO BUSAN”] tem definitivamente uma das melhores coreografias no que toca a movimento de multidões que vi ultimamente neste tipo de cinema.

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É também o filme perfeito para quem ficou muito decepcionado com aquele vazio chamado “World War – Z” ( talvez uma das piores adaptações de um bom livro de sempre também ).
Brad Pitt não entra nisto, nem precisa.
Um bom filme de mortos vivos só precisa de criatividade nas situações e de saber como provocar grande adrenalina no espectador. Nesse campo mais do que meter medo [“TRAIN TO BUSAN”] mete-nos os nervos em franja até mais com o que imaginamos do que com aquilo que vemos e essa subjectividade é aquilo que fará sempre um bom filme de terror.

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CLASSIFICAÇÃO

[“TRAIN TO BUSAN”] é obrigatório se gostam de filmes com zombies.
Já viram isto mil vezes mas se calhar ainda tem muita coisa que não viram.
Se para vocês o cinema de terror tem que ter mais coisas para mostrar do que apenas coisas que metem medo então vão adorar a empatia que cria com os personagens ao melhor estilo que só o cinema oriental é capaz de nos dar.

Cinco Tigelas de Noodles e um Gold Award


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Pode não ser um daqueles filmes para rever muitas vezes, pode já nem ter suspense á segunda vez que o virmos, mas da primeira é uma verdadeira montanha-russa emocional e de adrenalina que diverte do princípio ao fim e não precisa mais do que isso para ser excelente.

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A Favor: a adrenalina que provoca, o suspense, não é politicamente correcto, as cenas de acção, a humanização dos personagens, a criancinha actriz é fantástica, intercala de forma excelente o drama com o thriller de zombies.

Contra: já viram isto mil vezes em termos de conceito. Vai ter remake americano sabe-se lá para quê…

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

COMPRAR
Está em pre-order na amazon uk. Sai em bluray no mês de Fevereiro.
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https://www.amazon.co.uk/gp/product/B01KZFXJKW/ref=as_li_tl?ie=UTF8&camp=1634&creative=6738&creativeASIN=B01KZFXJKW&linkCode=as2&tag=cinaosolnas00-21
IMDb

http://www.imdb.com/title/tt5700672

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Khun krabii hiiroh (Sars Wars: Bangkok Zombie Crisis) Taweewat Wantha (2004) Tailândia)


Quando o trailer do filme é o próprio a dizer coisas como:
Warning ! Please have some toilet paper handy while watching this movie because you might shit yourself laughing !”  a gente percebe logo que [“Sars Wars“] só pode ser cinema do bom !

Além de ser  cinema do bom, será provavelmente a comédia com as piadas mais imbecis dos últimos anos, o que o torna também logo num filme hilariante e como tal o trailer até terá razão embora não estejamos própriamente a rir pela objectiva veia cómica dos argumentistas. Ou se calhar isto é uma obra prima do nonsense ao melhor nível dos MontyPython em versão Tailândia, não faço ideia…

[“Sars Wars“] é um trash-movie como há bastante tempo não me aparecia pela frente. Chunga, com piadas que nunca mais acabam mas todas sem nexo nenhum, baldes de sangue mas tudo muito cartoon, miúdas giras que passam o filme todo mais preocupadas em parecer sexys do que em representar, montes de tiros e gente cortada aos bocados de todas as formas e feitios, mortos vivos que nunca mais acabam, sequências em Anime pelo meio e … uma cobra gigante !! (?)…

Como descrever esta coisa ?
Tudo é mau em [“Sars Wars“], logo…tudo é bom.
Melhor, logo, tudo é genial !
A começar pela auto-paródia dos próprios criadores do projecto pois passam o filme todo a constatar como tudo aquilo é mau demais assumindo que tudo isto foi feito apenas para sacar guito aos espectadores.
E sendo assim, como não concordar com eles e achar também que este filme só pode ser bom porque é realmente mau ?!

[“Sars Wars“] mete coisas demais para poder contar aqui sem me baralhar todo. E todas elas falham redondamente tornando o filme num daqueles filmes-lixo absolutamente irresistiveis. Embora [“Sars Wars“] seja menos divertido do que aparenta ser no trailer.
Aliás, o trailer é excelente e dá uma ideia errada até do próprio ritmo da coisa.
O filme tem tanta referência metida pelo meio que acaba por ser algo completamente desconjuntado e com um ritmo muito estranho que anula em alguns momentos aquele efeito divertido que aparenta ter no trailer.

No entanto, não deixa de ter momentos absolutamente geniais de tão maus que são.
Desde os mortos-vivos que mais parecem figurantes rejeitados do Thriller de Michael Jackson, até ás heroínas sexy que fazem com que a saga Resident Evil pareça ser o Casablanca, tudo em [“Sars Wars“] se mistura numa combinação explosiva que os irá divertir ao longo da sua duração.

E já lhes disse que isto mete uma cobra gigante ?!
[“Sars Wars“] é assim uma espécie de mistura de Zombies do Romero com o Jaws do Spielberg mas com uma cobra gigante á mistura que parece um gráfico da Playstation One. Pelo meio ainda tem tempo de se parecer com o Resident Evil, piscar o olho ao Matrix e a todos os filmes de porrada do John Woo. Ah, e mete light-sabres também… e sexo badalhoco.
Além disso, como habitualmente no cinema Tailandês, os efeitos de CGI são absolutamente do piorio.
O que me leva ao feto/aborto-zombie…ou se calhar é melhor não…

Essencialmente não há muito mais para dizer sobre [“Sars Wars“], até porque é muito dificil encontrarmos palavras para dizer o que quer que seja sobre isto de uma forma coerente.
Deve haver qualquer coisa na água da Tailândia que faz com que practicamente 99% dos filmes saídos daquela terra sejam…indiscritíveis, no mínimo…
E este [“Sars Wars“] não é excepção porque só visto mesmo.

As piadas não têm graça, e por isso são hilariantes, as cenas de acção são do piorio mas resultam porque se espalham em tudo o que tentam fazer com pinta, tem gore e sangue aos montes mas é tudo tão cartoon que isto quase que se torna um filme para crianças do Road Runner em versão chunga, é um filme de terror, é uma comédia, é um filme de acção e falha redondamente em tudo o que se propõe. Sendo assim, acerta em cheio e o resultado não poderia ter sido melhor porque não poderia ter sido pior. Perceberam ? Pronto.

O mundo está todo virado do avesso. Uma nova variante do virus SARS tomou conta do mundo inteiro (ou quase) e só a Tailândia se safou (?!).
Apesar do mundo ter acabado (?) e essencialmente o pessoal ter todo morrido ou virado morto-vivo, parece que na Tailândia a vida decorre como normalmente (?!) até ao momento em que um homem de negócios que vem do estrangeiro infectado começa a contagiar toda a gente num prédio que rapidamente é isolado pelas autoridades.

Acontece que nesse prédio também estão  um bando de gangsters que não ficam a dever nada aos Irmãos Metralha e que acabaram de raptar a filha de um dos maiores mafiosos da Tailândia (inteligente esta malta) e exigem uma pipa de massa em troca da rapariga ou então…querem fazer-lhe …coisas…

Lógicamente só havia uma solução e essa foi a contratação do maior mestre estilo-Jedi (?!) da Tailândia para ir buscar a miúda que é tudo menos inocente e fofinha. Para complicar temos ainda uma cientista podre de sexy e um jovem aprendiz de heroi que tem um bom gosto extremo na forma como se veste e parte em missão de salvamento também.

Ah, e também há uma rave-party a decorrer no mesmo prédio.
Isto para nem falar na cobra.

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CLASSIFICAÇÃO:

Para quem pensa que já viu tudo o que se poderia fazer dentro do cinema de terror com mortos vivos, se calhar irá surpreender-se com isto.
[“Sars Wars“] tem sido comparado ao Braindead ou ao Bad Taste do Peter Jackson e a coisa não está mal vista não senhor. A onda é a mesma, mas o resultado é pior, por isso é bom.
Quem gosta de filmes do Ed Wood, tem aqui mais uma vez saído da Tailândia como de costume, outro equivalente ao Plan 9 from Outer Space (históricamente considerado como o pior filme do mundo…algo injustamente), mas agora em versão gore, anime, comédia e violência extrema sem sentido nenhum mas onde tudo resulta num cozinhado muito divertido.
Só mesmo na Tailândia é que se conseguiria fazer uma coisa assim sem se tornar insuportável.
Ou se calhar até é.
Já não sei, estou totalmente baralhado, mas apetece-me rever o filme o que no fim de contas não pode ser mau de todo.
Trés tijelas de noodles na boa porque [“Sars Wars“] é bom por ser mau demais.

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A favor: tem zombies, tem miudas giras, tem baldes de sangue, tem cobras gigantes, tem espadas de luz, tem abortos que voam, tem tiros, tem herois indescritíveis, tem gente cortada aos bocados, tem gangsters, tem piadas sem graça, tem CGIs absolutamente inclassificáveis, tem cenas de acção em total modo histérico, é tão bom quanto qualquer filme de Ed Wood agora em versão Tailândesa chunga e tem homens nus para as miudas apreciarem. É divertido porque nunca viram nada assim, quem odeia o Resident Evil vai adorar odiar este também. O próprio filme não se leva nunca a sério , sabe que é mau, assume isso plenamente e por isso merece logo ser visto por quem gosta de cinema-lixo.
Contra: o trailer é mais divertido que o filme porque se [“Sars Wars“] tivesse tido a mesma montagem que está no clip poderiamos estar na presença de uma obra prima do cinema lixo mas infelizmente fica um bocado aquém do que merecia e poderia ter sido.
Mas não se deixem enganar pela minha singela classificação, [“Sars Wars“]  merece ser visto por quem gosta do género e é totalmente obrigatório para quem coleciona filmes com mortos vivos porque nunca se viu nada assim.

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=i1qskrW0U34

Comprar
http://www.amazon.co.uk/Sars-Wars-Unlikely-Hero/dp/B004PYSPU4/ref=sr_1_3?ie=UTF8&qid=1304775881&sr=1-3

Download aqui

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1262945/combined

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Quê ?!!…

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Kansen (Infection – Infecção) Masayuki Ochiai (2004) Japão


Parece que estou a escrever reviews de cinema oriental aos pares mas o facto de ir agora recomendar outro filme de terror é apenas pura coincidência simplesmente porque me lembrei que ainda não tinha falado deste filme e [“Infecção“] é um daqueles filmes asiáticos que têm um lugar curioso na minha colecção.

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Não é propriamente um grande filme, não é definitivamente o melhor filme de terror do mundo nem sequer será o mais assustador, mas é uma pequena obra que tenho sempre vontade de rever quando me apetece ver “cinema-pipoca” ao estilo oriental dentro do género.
Além disso mete Hospitais e seringas portanto só poderia ser um filme totalmente recomendável para todos aqueles que tal como eu têm pavor de médicos e odeiam cheiro a consultório.

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Sendo assim, se não gostam de ambientes hospitalares, não têm qualquer vocação para medicina e muito menos conseguem compreender como raio é que alguém vai para médico, têm aqui em [“Infecção“] um filme simpático para passarem uns 90 minutos muito divertidos no mais arrepiante dos sentidos.

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Basicamente, a história não interessa para nada, fiquem apenas a saber que algures num hospital anda á solta uma espécie de infecção absolutamente nojenta que transforma o pessoal do corpo clínico em mortos-vivos e os faz ter uma boa apetência por se espetarem com seringas por dá cá aquela palha.
Se gostam de cenas com baba nojenta a pingar por cima de inocentes vítimas, cadáveres em decomposição de aspecto vomitável e sequências de assombração clássica  também não vão mais longe pois este filme é para vocês.

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Volto a dizer, [“Infecção“] não é propriamente um grande filme de terror. Poderão notar que não lhe dou uma grande classificação, mas não deixem que o meu aparente fraco entusiasmo na sua atribuição os afaste deste bom produto sobrenatural. Até porque este está editado em Portugal e tudo e poderão encontrá-lo certamente algures num daqueles cestos de promoções num centro comercial perto de vós.

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[“Infecção“] não é brilhante, mas tudo o que faz, faz bem. Nota-se que é mesmo um produto de baixo orçamento dentro do cinema de terror oriental mas é notório que houve um grande esforço por parte dos seus criadores para tirar partido de tudo o que pudessem usar para nos impressionar e assustar.

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Uma das melhores coisas que este filme tem é precisamente o facto de não só nos conseguir impressionar com cenas nojentas e arrepiantes (seringas, seringas), mas também contém uma atmosfera clássica de filme de fantasmas e em certos momentos acerta em cheio na forma como trabalha a atmosfera sobrenatural sem precisar de efeitos especiais ou de nos mostrar mais cenas repugnantes.

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Inclusivamente, as cenas que nos causam mais calafrios não serão aquelas cheias de gore repugnante (uma pessoa habitua-se) mas sim as sequências mais tradicionais em que o filme entra pelo género de cinema-de-casa-asssombrada e nos arrepia com um par de cenas bem colocadas no argumento que funcionam perfeitamente para nos provocar aquele efeito de frio na espinha que normalmente não existe neste tipo de cinema de terror essencialmente gore.

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Este é um daqueles raros filmes que é simplesmente bom.
Não será muito bom, mas também é muito melhor do que um produto que fosse apenas interessante.
[“Infecção“] é um bom filme de terror. Nem mais nem menos e recomenda-se para toda a gente que gosta deste género de filmes. Especialmente se gostar do estilo sobrenatural do cinema asiático.

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A realização é boa, o argumento tem suficientes reviravoltas para nos manter interessados ao longo de quase 90 minutos de puro divertimento para quem gosta de coisas deste género.
Se falha em alguma coisa, será provavelmente nunca conseguir ir mais longe com o material que tenta apresentar.
Ou seja, por muito nojento que o filme tente ser nota-se alguma repetição no tipo de sequências que mostra e isso certamente será devido ao seu baixo orçamento, depois por causa do gore também fica a meio caminho como filme de fantasmas mas nunca será propriamente um filme de zombies.
Poderá ser visto como uma espécie de Evil Dead com uma pitada de Silent Hill ao estilo oriental passado num hospital embora nunca seja tão violento como o filme de Sam Raimi.
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CLASSIFICAÇÃO:

Um daqueles raros filmes que é simplesmente bom e divertido. Nem mais nem menos.
Se gostarem de cinema de terror vão divertir-se com [“Infecção“]. Se gostam de cenas nojentas ou de histórias com fantasmas mais clássicos tem neste filme uma pequena colecção de bons momentos dos dois géneros de cinema sobrenatural.

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Apesar de ser cinema de terror japonês, não se cola ao habitual estilo de Ringu ou Ju-On e tenta dar-nos um bocadinho de tudo sendo talvez essa a sua única grande fraqueza pois fica a meio caminho entre todos os géneros que tenta apresentar no ecran em menos de noventa minutos.
Trés tigelas de noodles na boa e não deixem que esta aparente crítica mediana os afaste desta pequena obra que essencialmente pretende divertir, especialemente se gostarem do género na sua vertente oriental.
Muito fixe o filminho. Está de boa saúde e recomenda-se.

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A favor: tenta aproveitar ao máximo o baixo orçamento e o elenco limitado de que dispõe, tem seringas, tem cenas nojentas divertidas, tem seringas, além das cenas repugnantes tem um par de momentos com fantasmas mais clássicos que funcionam perfeitamente, tem seringas, tenta ter um argumento com algum dinamismo e criatividade, tem seringas, não se cola a um género específico, não brilha mas cumpre perfeitamente o seu propósito e diverte-nos tanto quanto nos consegue arrepiar. Já lhes disse que o filme tem cenas com seringas ?
Contra: apesar de atmosférico fica a meio caminho entre vários géneros, repete-se um bocadinho nas cenas nojentas, o argumento tenta ser muito dinâmico e variado mas acaba por se embrulhar um bocado na reviravolta final.

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NOTAS ADICIONAIS:

TRAILER
http://www.youtube.com/watch?v=eGWuqC-t9xQ

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COMPRAR
Se tiverem sorte, aqui em Portugal poderão encontrá-lo no cesto de promoções de um qualquer hipermercado a menos de 10€.
Caso queiram comprar a edição chinesa encontram-na como habitualmente na Play-Asia a um preço decente também.
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7m-49-en-15-infection-70-24go.html

E está a um preço estupidamente baixo na Amazon através do mercado dos Sellers.

IMDB

http://www.imdb.com/title/tt0418778/

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Dark Water

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Katakuri-ke no kôfuku (The Happiness of the Katakuris) Takashi Miike (2001) Japão


Cantem todos !
– ” The hills are alive, with the Sound of…screaming !?”  🙂

Se calhar não se nota, mas [“The Happiness of the Katakuris“] é uma comédia e a frase acima é o seu slogan publicitário oficial.
A sério.
Agora depende muito do vosso sentido de humor, porque garanto-vos, este filme não é para toda a gente. E não é por causa do sangue ou do excesso de cenas gore nojentas, mas sim porque é um filme musical.
Confusos ?
Ainda não viram nada.
É que a haver um filme completamente inclassificavel será certamente este, senão vejamos…
É mau como o raio, mas é por isso que é uma verdadeira obra prima do cinema oriental, porque o objectivo era mesmo que fosse mau e neste aspecto [“The Happiness of the Katakuris“], não podia ser melhor.

Só um realizador com talento e muito seguro do seu trabalho conseguiria criar de propósito um mau filme. E já que falamos de cinema oriental, se calhar não haveria ninguém mais credenciado do que o veterano Takashi Miike para fazer uma … coisa destas.
Não que ele seja já um velho cineasta oriental venerado ao estilo Kurosawa, mas porque na verdade deve ser o realizador que mais rapidamente trabalha no mundo e sempre com resultados que, ou são excelentes ou muitíssimo bons, pois por mais que se tente procurar é dificil encontrarmos um mau filme de Miike no mercado.
Quando muito descobre-se algo mediano, o que não é o caso desta vez.
E se juntarmos o facto dele em pouco mais de dez anos de carreira ter já feito mais de 60 filmes (leram bem), ainda custa mais a acreditar que ele consiga surpreender a cada novo projecto e seja um dos realizadores mais originais que poderão encontrar a trabalhar actualmente.
Acho que na carreira Miike só deve faltar um porno.
Embora [“The Happiness of the Katakuris“] não ande muito longe disso…
Não porque tenha sexo explícito ou sequer nudez, mas porque é um filme tão piroso, mas tão piroso que se torna quase pornográfico se interpretarmos o conceito por uma definição de excesso.
Mas de que trata então esta…hem…obra ?…
Acreditam se eu lhes disser que isto é um remake Japonês do “Música no Coração” ?…

Não será própriamente um remake da história do filme de Robert Wize, porque [“The Happiness of the Katakuris“], é uma nova versão de um dos clássicos do cinema Sul-Coreano intitulado originalmente  – “The Quiet Family”.
Mas é um herdeiro absoluto do espírito feliz de “Música no Coração” e a um nível emocional é o seu remake a 100%, apesar de contar com uma quantidade considerável de cadáveres á mistura.
É que vocês nem imaginam como este filme é feliz.

Se conseguirem entrar no espírito,  “The Happiness of the Katakuris“] é um verdadeiro antídoto para a depressão e uma das obras mais originalmente bem dispostas que poderão encontrar.
Começa de forma estranha. Tão estranha que a início nem sabemos bem se estamos a gostar do filme ou não, mas depois culmina numa parte emocional tão feliz, mas tão feliz que se torna contagiante e damos por nós a entrar no espírito e com vontade de começar a cantar canções fofinhas pirosas em japonês e a flutuar de alegria acima do sofá da sala.
O que não deixa de ser estranho, porque a parte final é sobre o suícidio. 🙂

Não, não estou a gozar.
Mas afinal o que há de tão estranho nesta obra ?
Bem, é pirosa. Mas pirosa mesmo, com um kitsch tão exagerado que faz os Enapá 2000, parecerem ingénuos.
The Happiness of the Katakuris“], é piroso de propósito e não pensem que isto é fácil de ser feito. Mal pensado, tudo teria resultado num falhanço absoluto pois se não conseguisse transportar o espectador para aquele universo sem o contestar Takashi Miike teria se espalhado ao comprido e o filme seria apenas mau a um nível que nem conseguiriamos suportar.
Mas passa-se exactamente o contrário e tudo no ecrã nos impede que tiremos os olhos da televisão pois, primeiro nem acreditamos (ou compreendemos verdadeiramente) o que estamos a ver, depois temos mesmo que saber o que vai acontecer a seguir, quanto mais não seja para podermos contar ás pessoas o que vimos.
É essa a grande magia do filme. Apesar de nos apetecer deitar fora o dvd nos primeiros minutos, depois agarra-nos, conquistando-nos com a sua felicidade transbordante.
Isto enquanto mete assassinatos, catástrofes naturais, telediscos de música propositadamente má, estética pimba do mais pimba que possam imaginar e personagens do outro mundo.
E já lhes falei nos mortos vivos ?… 🙂

Se calhar é melhor não dizer mais nada.
Aliás, eu que não gosto de revelar o argumentos dos filmes, sobre este então, é que não vou dizer practicamente nada, pois o prazer aqui está precisamente em não imaginarem o que lhes irá cair em cima a seguir.
Fiquem apenas a saber que “The Happiness of the Katakuris“], narra as sangrentas desventuras de uma familia tradicional japonesa que por acaso teve o azar de ter comprado um velho hotel no meio de uma montanha onde quase não passam turistas. E quando passam, os que se hospedam nos seus quartos acabam mortos no dia seguinte, o que dá origem ás mais inimagináveis e engraçadas situações.
Mas se o filme é extremamente feliz no seu tom, isto deve-se não só ás inacreditáveis canções pimba e números músicais que o percorrem, mas principalmente aos personagens.
O filme tem um casting absolutamente perfeito com personagens-tipo geniais e muito bem interpretados. Desde o avô até á criancinha da família todos têm o seu momento no filme e ajudam mesmo a criar aquela ilusão de família unida que é a alma e o coração do filme.

E por falar em personagens, há um que se destaca e já se tornou uma figura de culto.
Não pertence aos membros da familia, mas garanto-vos que não se vão esquecer do “Richard” tão cedo.
Podem espreitar a sua canção na secção de videoclips deste site se quiserem ter um pequeno vislumbre da sua personalidade e do que o personagem faz no contexto da história porque o seu segmento é um bom exemplo do que poderão encontrar se arriscarem a ver este filme.
Só para terem uma ideia, “Richard” é a versão oriental do Richard Gere em “Oficial e Cavalheiro”, mas com tendências extremamente narcísistas e um bocadinho psicópatas.
Vão adorar.

Portanto é assim, gostam de histórias com pessoas cortadas aos bocados e música pimba japonesa ?
Gostam do “Evil Dead” e sempre imaginaram que daria um bom musical ?
Acham que o suícidio pode servir de inspiração para canções ao sabor de “Música no Coração” ?
E vulcões ? Gostam de filmes com vulcôes ?

Então não podem perder esta obra, pois mesmo que a fiquem a odiar, podem ter a certeza de que se irão lembrar dela por muito, muito tempo. E ter as suas musiquinhas na cabeça também. 😉

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CLASSIFICAÇÃO:

Um dos filmes mais originais que poderão encontrar. Ideal para quem reclama constantemente que o cinema de hoje em dia é todo igual.
Agora cuidado, pois pode induzir a níveis de vómito inimagináveis. Aproximem-se com cuidado então.
Mesmo assim, não posso deixar de dar cinco tigelas de noodles e um Golden Award como selo de qualidade.
Embora cuidado com a minha classificação, pois se não entrarem neste filme preparados, se calhar para muitos de vocês ele nem valerá sequer meia tigela.
Não é o meu caso, pois além de eu ser admirador da capacidade inventiva do realizador a alegria contagiante do final deste filme merece em absoltuto a nota máxima.
Mas é preciso estar com espírito para ver isto, pois apesar de muito ligeiro e comercial, não é de forma alguma um filme fácil de assimilar (especialmente para o publico ocidental).
É que para uma comédia, nem sequer é propriamente um filme hilariante, mas tem os seus momentos de humor muito bem conseguidos.
O que não impede que seja verdadeiramente uma obra-prima do cinema feliz…se é que este género existe…

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A favor: a originalidade, a extrema alegria contagiante que aumenta de nível á medida que o filme se aproxima dos momentos finais, os personagens, as musicas pimba, a realização certamente sobre o efeito de ganza em excesso, o humor negro, o “Richard”.
Contra: as animações em plasticina stop-motion apesar de excelentes irritam-me profundamente, a mistura de géneros de filme é tanta e tão confusa que o filme tem umas variações de ritmo narrativo algo estranhas.

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NOTAS ADICIONAIS

Recomendo vivamente que vejam o Trailer pois transmite perfeitamente o ambiente que irão encontrar durante o filme todo.
http://www.youtube.com/watch?v=nIXyiJqMLJI&feature=related

Se quiserem comprar o dvd, sugiro a edição UK, pois é fantástica.

Excelentes (e pirosos) menús animados, excelente qualidade de imagem numa transferência anamórfica muito boa e um som perfeito não só em 5.1 como em DTS. Além disso contém óptimos extras, inclusivamente uma boa entrevista com o realizador que merece ser vista, quanto mais não seja para apreciarem a pinta gangster-hiphop-japonês do homem. Scary…

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0304262/

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Attack the gas station

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