Musa (Musa the Warrior) Sung-su Kim (2001) Coreia do Sul


Este foi um dos primeiros dvds orientais que eu comprei já há alguns anos atrás e um dos filmes que me fizeram ficar a gostar muito do cinema daquela parte do mundo.
Estou para falar de [“Musa the Warrior“] desde que criei este blog  e na verdade até era para ter sido o primeiro filme aqui comentado não fosse por uma coisa.

Na altura quando me preparava para escrever sobre esta obra de aventura medieval descobri que infelizmente a versão que eu tinha comprado não era a versão integral do filme. Apesar da edição dvd que eu tenho ser uma edição chinesa comprada na Play Asia (caixinha com excelente grafismo e muita pinta), não é no entanto a versão completa e portanto resolvi adiar o meu comentário sobre esta obra para um dia em que eu conseguisse ter acesso ao filme integral. Isto porque a montagem curta parece ter sido apenas criada para o mercado exterior ao da Coreia do Sul.

Quando vi [“Musa the Warrior“] pela primeira vez gostei muito mas não fiquei particularmente impressionado por aí além. Sempre achei que lhe faltava qualquer coisa mesmo sem saber na altura que havia uma versão bem maior.
Algo não batia certo. Practicamente todas as reviews que eu encontrava consideravam-no extraordinário e no entanto eu continuava a achá-lo uma boa aventura mas pouco mais e não percebia de todo porque isto era tão considerado por tudo quanto era sítio.

Ao investigar melhor depois apercebi-me que [“Musa the Warrior“] seria um filme com muito mais do que apenas excelentes sequências de acção, mas para meu azar só conseguia encontrar a versão curta á venda em dvd e nem em torrents se econtrava o original que parecia guardado a sete chaves na coreia do sul sabe-se lá porque razão.
Aliás, agora que vi finalmente a versão integral é caso mesmo para perguntar o que raio deu na cabeça de alguém para fazer uma versão curta disto apenas com as cenas de porrada, pois 25 minutos a menos fazem (e de que maneira) muita diferença nesta extraordinária história de honra e amizade ao melhor estilo oriental.

O dvd com a versão integral continua pelos vistos extinto em todo o lado excepto se o quiserem comprar na Austrália, embora também já exista um torrent com esta versão e portanto recomendo que o vão buscar aqui antes que volte a sumir.
[“Musa the Warrior“] na sua versão integral é um daqueles filmes que vocês precisam mesmo de ver, por muitas e variadas razões.
A Coreia do Sul não é conhecida por produzir Wuxias com a qualidade que costuma sair da China e é mais prolífera a deitar cá para fora filmes de porrada estilizados para adolescentes em estilo videogame do que própriamente tem conseguido criar épicos históricos memoráveis, por isso não deixa de ser uma verdadeira surpresa um filme como [“Musa the Warrior“] ter saído precisamente daquele país.

Embora na verdade, isto não seja propriamente um Wuxia no verdadeiro sentido da palavra e na realidade também não será um épico histórico apesar da espectacularidade das cenas de acção.
[“Musa the Warrior“] na sua versão original é um grande filme medieval até com uma surpreendente carga intimista devido á fantástica caracterização humana de todos os seus personagens a um nível que raramente se encontra em filmes de porrada medieval.

Contém possivelmente das melhores cenas de luta á espada e batalhas tradicionais que alguma vez vi dentro deste estilo. Há outros filmes com cenas de guerra fabulosas como por exemplo “The Warlords” e que em escala épica ultrapassam em muito o que se pode ver em [“Musa the Warrior“], mas isto é porque são filmes com centenas de figurantes nas cenas de batalha enquanto [“Musa the Warrior“] se centra mais em pequenas escaramuças e no combate homem a homem espada contra espada.
Se alguma vez pensaram como seria um verdadeiro filme de Conan o Bárbaro se este retratasse correctamente no ecran a carnificina individual que se encontra na banda desenhada não vão mais longe, pois este extraordinário filme de aventuras Sul Coreano é esse filme.

[“Musa the Warrior“] tem dos melhores, mais realísticos e mais crueis combates á espada que vi em cinema até hoje e provavelmente será dos filmes que melhor retrata a realidade destes ambientes históricos nesse sentido.
Até eu que já vi dezenas de épicos históricos com sangue quanto baste, fico surpreendido quando revejo [“Musa the Warrior“] e mais surpreendido fiquei agora que o revi na sua verdadeira versão pois contém ainda mais snippets de sangue explícito que a versão remontada para o ocidente largamente difundida pelo mundo quem nem imagina o que perde por só ter acesso apenas a 130 minutos de 154 originais.

Se procuram um filme com gente decepada, membros cortados de todas as maneiras e feitios e ainda com as decapitações mais viscerais de tudo o que já viram em cinema, não podem perder [“Musa the Warrior“] pois é dificil descrever em palavras a quantidade de sangue presente nas inúmeras batalhas. Sobretudo tem cenas de batalha individual que são mesmo de ver para crer e pela sua crueza, realismo e emotividade são o antídoto perfeito para quem já está farto de filmes de espada plásticos feitos em Hollywood onde o politicamente correcto se sobrepõe ao realismo de divertidas decapitações como deve de ser.

Mas nem só de tripas e sangue vive este filme. Se virem apenas a versão curta remontada de 130 minutos, essencialmente [“Musa the Warrior“] é apenas um movimentado filme de aventuras que no entanto tem um ritmo narrativo algo estranho. No entanto,  apesar da acção não pode ser totalmente atirado para a categoria de filmes de guerra ou porrada pura e simples. Isto porque como já referi , sente-se a falta de algo  mais na versão curta, mas nota-se que haverá algo por lá que não estamos a ver.
A versão curta apesar de funcionar bem enquanto filme de aventuras resulta num produto ambiguo apesar de tudo.
Agora, se vocês virem a versão integral vão ter uma boa surpresa e não é apenas por causa das quantidades adicionais de sangue no ecran.

[“Musa the Warrior“] na sua versão completa além de ter cenas de violência medieval incríveis, tem provavelmente a melhor caracterização de personagens que poderão encontrar num filme com estas características.
Aliás, os personagens são tão  bons que de repente as cenas de luta até ganham uma outra dimensão, pois muitos daqueles bonecos que na versão curta nos pareciam apenas figurantes colocados no filme para andarem á espadeirada subitamente tornam-se pessoas com que realmente nos importamos.
[“Musa the Warrior“] é extraordinário na forma como caracteriza toda a gente neste filme e a força dos seus personagens é sem sombra de dúvida a grande mais valia desta história simples mas que ganha uma dimensão dramática que não esperavamos que tivesse.

Não há um personagem neste filme de que não gostemos.
Toda a gente tem o seu momento e a sua função na história. Não só os personagens principais são excelentes como o cuidado colocado nos secundários é absolutamente notável o que dá uma dimensão dramática extraordinária á versão integral de [“Musa the Warrior“] que não encontramos de todo na versão curta, pois essencialmente os 25 minutos a mais que estão no filme completo são as cenas em que conhecemos as pessoas envolvidas na aventura.
Em [“Musa the Warrior“] até quando morre um figurante conseguimos sentir empatia com a pessoa pois todo o background é tão bem estruturado que confere uma profundidade única dentro de um filme que se calhar nem pedia mais do que ser aquilo que está na versão curta, ou seja apenas um bom filme de aventura medieval e no entanto consegue atingir o nível de um excelente drama na versão integral de forma inesperada.

Outra das coisas geniais a nivel de personagens em [“Musa the Warrior“] é o facto de não haver vilões de serviço. Não há maus, não há super-vilões e todo o conflito se passa essencialmente entre várias facções de pessoas que estão em guerra pelos motivos politicos e históricos habituais. No entanto toda a história de [“Musa the Warrior“] poderia ser contada do lado “dos vilões” que o espectador ganharia empatia com aqueles personagens também.
É quase um filme anti-guerra sem ser panfletário, pois foca bastante o facto de nem sequer os personagens saberem bem porque precisam de lutar e chega-se a notar o facto de que qualquer um destes soldados poderia mudar de campo que não faria difrença.
Isto é inclusivamente um pequeno sub-plot dentro da própria história principal que é bastante bem usado também para tornar bastante humano aquilo que é o mais próximo que este filme tem de um vilão. Um persoangem que também é apresentado como um comandante com grande sentido de honra e respeito pelo adversário, o que contribui bastante para a carga humanista da própria história e eleva este filme muito para lá do típico filme de porrada com espadas.

Na verdade [“Musa the Warrior“] é um dos melhores filmes com anti-herois de todos os tempos na minha opinião. Ninguém é verdadeiramente bom ou mau e toda a gente se comporta de uma forma bastante humana onde momentos de cobardia ou medo por se encontrar no meio de uma guerra se cruzam com feitos heroicos com honra e grande camaradagem e isto sente-se tanto do lado “dos herois” como do lado de quem os persegue e é um dos grandes pontos fortes deste filme.
A sua versão integral é para mim realmente a obra prima do cinema medieval que muitas reviews apregoavam há alguns anos atrás e eu não conseguia perceber a razão de tamanho elogío. A versão curta embora seja uma boa opção para quem procura apenas cenas de acção, não faz de forma nenhuma justiça ao poder dramático e emotivo da versão completa.

Curiosamente, este é também um filme diferente a nível de actores, pois encontramos a atlética e versátil Zhang Ziyi num papel dramático diferente do habitual. Ao contrário do que é costume e do que se esperava ela não tem em [“Musa the Warrior“] qualquer cena de luta, pois desta vez limita-se a fazer o papel da Princesa da história sem qualquer envolvimento nas sequências de batalha.
Muita gente lamenta esse facto mas quanto a mim foi uma boa opção, pois este personagem precisava de alguém com a qualidade dramática da actriz que pudesse humanizar aquela que é uma das personagens mais humanas e fascinantes da história sobre a qual gira toda a tragédia sem sentido.

Na verdade estou a tentar lembrar-me de algo realmente mau para referir sobre este título na sua versão integral e não consigo; com excepção de um pormenor que mencionarei no final do texto.
O guarda roupa é outro pormenor extraordinário por exemplo. Tudo neste filme tem texturas extraordinárias em tons sépia e ocre e dá uma atmosfera realística a [“Musa the Warrior“] onde nem sequer nos lembramos que estamos a ver actores vestidos com fatos de cinema e tudo nos parece real como se estivessemos a acompanhar um documentário histórico através de uma qualquer máquina do tempo.

Uma nota especial para a realização que soube como ninguém equilibrar as sangrentas cenas de luta espectaculares com os momentos mais dramáticos e humanos de toda a história com um estilo tão natural e orgânico que nem sentimos a presença do realizador por detrás da câmara; muito menos nos parece estarmos a acompanhar um argumento para cinema pois tudo nos parece extremamente real.
Além disso [“Musa the Warrior“] conta com uma colecção de cenários naturais que irá agradar bastante a quem gosta de ambientes orientais exóticos, especialmente se gostarem de aventuras passadas em desertos ou na Rota da Seda onde se misturam todo o tipo de culturas orientais. Não há grande variedade em termos de locais mas o que existe está fantástico e cheio de atmosfera, especialmente o forte em ruinas do final junto ao mar.

[“Musa the Warrior“] na minha opinião tem um pormenor muito fraco que se o filme não fosse tão bom poderia ter arruinado por completo todo o trabalho extraordinário que foi feito na criação de ambiente.
A banda sonora é péssima !
Muito, muito má mesmo !
Salvo o main theme e um par de melodias mais tradicionais ao longo do filme que são excelentes, tudo o resto é composto por ambientes sonoros com uma sonoridade totalmente contemporânea, onde até se usa e abusa do sintetizadores ao pior estilo anos 80.

Não compreendo de todo como raio se coloca uma música destas num filme deste. Até nos créditos finais, ainda mal estamos a absorver o excelelente final dramático entra-nos pelos ouvidos uma canção pop completamente deslocada de toda a atmosfera e isto é um bom exemplo do que acontece várias vezes ao longo do filme. Felizmente não nos colocam mais canções pop pelo meio mas é horrivel estarmos a ver uma sequência de acção fantástica de depois toda a envolvência musical é composta por melodias em estilo moderno e efeitos sonoros de sintetizador que parecem pertencer a tudo menos ao filme medieval que supostamente deveriam ajudar a ilustrar.
Não fosse tudo o resto em [“Musa the Warrior“] tão bom e esta banda sonora incompreensível teria arruinado por completo todo o trabalho da equipa de produção.
Salva-se o main theme que está no trailer, mas o resto das músicas é mesmo muito mau e completamente ilógico.

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CLASSIFICAÇÃO:

Não há muito mais que eu possa dizer além do que já referi nas linhas acima.
A versão integral de [“Musa the Warrior“] é absolutamente notável em todos os aspectos, salvo na banda sonora muito fraca.
Quem não procura mais que um bom filme de aventuras com alguma profundidade pode perfeitamente comprar o dvd com a versão curta de 130 minutos que ficará muito bem servido, embora essa não valha mais do que quatro tigelas de noodles se eu a fosse classificar aqui.
No entanto quem quiser ver um extraordinário filme medieval com lutas inesquéciveis, decapitações clássicas, sangue em baldes e tudo complementado por uma carga dramática fantástica onde até os personagens secundários são inesquecíveis não pode de forma nenhuma perder a versão integral que infelizmente ainda só se encontra apenas em torrents e é um verdadeiro mistério não ter sido esta a versão editada em dvd fora da Coreia do Sul.
De qualquer forma, cinco tigelas de noodles e um golden award para a versão integral de [“Musa the Warrior“] pois é absolutamente genial em todos os sentidos, excepto na péssima banda sonora.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg gold-award.jpg

A favor: os personagens são fantásticos e todos têm o seu momento e importância para a história, o filme na sua versão inegral tem uma carga dramática excelente que nos faz ainda vibrar mais com as batalhas, não tem herois nem vilões mas apenas pessoas em guerra, tem as melhores cenas de luta á espada que encontrarão num filme medieval, decapitações inesquecíveis e montes de tripas e baldes de sangue por tudo o que é frame neste filme, grande sentido de aventura cruzando com um bom drama humano, tudo muito bem equilibrado por uma excelente realização e direcção de actores naturalmente, se gostam de paisagens com desertos vão adorar isto, grande guarda roupa, as cores e texturas por todo o lado e o ambiente totalmente realistico, tem uma boa história de amor embora bastante contida, esquecemo-nos que estamos a ver um filme e os 155 minutos da versão integral passam mais rápido que os 130 da versão reduzida.
Contra: salvo o main theme a banda sonora é do piorio com muitos sintetizadores e sonoridade contemporânea que quase arruinam toda a atmosfera visual desta obra prima medieval, curiosamente tem muitas semelhanças com o “Warriors of Heaven and Earth” e quem já tiver visto o outro não apanha surpresas nenhumas com o final deste [“Musa the Warrior“]

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=C7Vg1HcgL8U

Comprar a versão curta editada fora da Coreia do Sul (130 min)
Está a preço da chuva na Amazon Uk

Comprar Versão Integral na Austrália
http://www.ezydvd.com.au/item.zml/230719

Download da Versão Integral (154 min)

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0275083/combined

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Ye yan (The Banquet/Legend of the Black Scorpion) Xiaogang Feng (2006) China


Serei eu o único que já não pode mais com “adaptações” do Hamlet/Otello baseadas em obras de Shakespeare ?!
Serei eu o único a achar que repetirem pela milésima vez a mesma história retira por completo qualquer força e suspanse dum filme mesmo que este se passe em locais diferentes, exóticos e até sumptuosos ?

Pessoalmente o género de intriga palaciana aborrece-me de morte. Não posso com histórias de traições e manipulações políticas baseadas em esquemas de bastidores e muito menos quando envolvem a inevitável mulher fatal ambiciosa que vai limpando tudo e todos até chegar ao poder e descobrir que alguém também lhe quer fazer uma limpeza.

E não posso com o género de intriga palaciana precisamente porque parecem-me todos iguais e todos cópias do que Shakespeare tornou famoso.
Fico sempre com a sensação de que os autores deste tipo de filme o parecem querer elevar a um nível intelectual qualquer só pelo facto do trabalho poder depois ser comparado á obra de um escritor de renome.
E a coisa parece funcionar junto de alguma crítica “iluminada” pois só o facto de uma história ser mais outra adaptação de Hamlet  é logo garantia de reviews excelentes como se muitos críticos tivessem medo de serem desconsiderados por falarem negativamente sobre algo baseado numa obra mui considerada.

Comprei este filme oriental no Natal de 2008 e foi a pior compra do ano. Comprei-o porque o trailer me tinha agradado e parecia-me ser um Wuxia imaginativo. Na verdade fui completamente enganado pelo seu visual fabuloso, até porque o trailer de [“The Banquet“] é mais um daqueles que não tem nada a ver com aquilo que depois o filme é.
Se pensam que vão ver um Wuxia cheio de estilo e sequências de acção podem tirar o cavalinho da chuva.
[“The Banquet“] não é o que parece no trailer. É apenas mais um filme de intriga politica e esquemas de bastidores envolvendo traições, seduções e envenenamentos onde não existe a mais pequena centelha de suspanse !

A tensão deste filme oriental é absolutamente zero.
Se não conhecerem as peças de Shakespeare ou nunca tiverem visto qualquer adaptação de Hamlet ou de Otello se calhar ainda poderão encontrar algo de inesperado nesta história e conseguir acompanha-la com algum agrado.
Mas se já viram mil vezes a mesma intriga adaptada de todas as maneiras possíveis e imaginárias noutros lados podem ter a certeza que não vão encontrar absolutamente nada de novo ou de fascinante neste [“The Banquet“] e se forem como eu e não lhes interessar o género de intriga palaciana possivelmente irão achar este filme chinês aborrecido de morte.

E isto mesmo com todo o visual absolutamente incrível (e incrivemente desperdiçado) presente em [“The Banquet“].
Este filme asiático não só tem uma das melhores atmosferas negras de estilo quase gótico que poderão alguma vez encontrar num filme oriental como ainda por cima todo o ambiente cénico é plenamente usado suportar a história.
O problema é que nem isso a consegue salvar de ser aborrecidamente previsível e por isso por mais que eu me tenha forçado a adorar este filme por tudo o que aparece no ecran em termos de qualidade técnica a verdade é que achei tudo um enorme desperdício de recursos pois toda a alma do produto se evapora na total falta de interesse da intriga.
Uma história nem sempre faz um filme e o cinema oriental está cheio de filmes com histórias banais que no entanto são absolutamente fascinantes, mas para isso é preciso que os personagens também o sejam e consigam transmitir alguma emoção ao espectador. Coisa que não acontece nesta obra.

[“The Banquet“] é apena uma extraordinária colecção de imagens absolutamente notáveis, salpicadas por um par de sequências de acção bem coreografadas mas pouco emocionantes porque toda a gente já sabe como acabarão ainda os personagens nem deram a primeira estocada ou salto no ar. Tudo porque já vimos esta história e estas cenas de acção antes.
É muito dificil falar deste filme. Por um lado apetece-me cascar-lhe á força toda pela falta de ambição em procurar ser algo mais original a nível de argumento, por outro lado se conseguem disfrutar de um trabalho cinematográfico apenas pela perspectiva visual, não podem perder [“The Banquet“] porque é realmente incrivel e dos poucos filmes orientais que se podem comparar visualmente com “Curse of the Golden Flower“.

Não há muito mais que eu possa dizer sobre isto.
Bom casting, aliás,  Zhang Ziyi tem aqui uma das suas melhores prestações no papel da ambiciosa e muito Evil gaja má do filme pois consegue fazer passar o seu lado humano e todo o restante elenco cumpre perfeitamente embora em personagens de cartão.
A fotografia é do melhor e toda a parte cénica do filme está muito bem cuidada a um ponto tal que até acaba por irritar pois tudo é tão desperdiçado nesta história absolutamente previsível e banal já levada ao ecran dezenas e dezenas de vezes.

Se calhar estou a ser injusto mas este foi um dos filmes orientais mais desinteressantes que vi dentro do género Wuxia. E não parece ser esse tipo de filme no trailer.
O que mais irrita é que não é um filme que se possa dizer que seja mau. Na verdade não há nada de muito grave que se lhe possa apontar. Ou negativo sequer.
No entanto por debaixo de tanta ostentação encontra-se apenas um produto extremamente mediano e isso não deveria ter acontecido.
Teria sido bem mais simples dizer que o filme não presta, mas não seria justo faze-lo.
Espreitem porque poderão talvez gostar.
Pessoalmente se eu pudesse teria devolvido o dvd e ido buscar de volta o dinheiro que paguei por ele. Curiosamente este foi um daqueles dvds que eu comprei convencido que iria adorar o filme, pois como já disse o trailer realmente enganou-me por completo e não estava nada á espera que isto fosse mais um clone de Shakespeare sem qualquer ponto imaginativo.

Ainda por cima ia quase comprando o filme em dvd duas vezes !!! É que aqui no ocidente ele está editado duas vezes. Uma com o titulo [“The Banquet“] e outra com o titulo “Legend of the Black Scorpion“, ambos com trailers diferentes inclusive.
Por isso cuidado. São os dois o mesmo filme !!
A única diferença é que o dvd do “Legend of the Black Scorpion” tem uma edição como deve de ser em que o formato original de imagem é respeitado, enquanto que (ainda por cima) o dvd [“The Banquet“] que comprei tem a imagem adulterada dos lados não respeitando os enquadramentos.
Por isso cuidado.

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CLASSIFICAÇÃO:

Poderei estar a ser injusto mas este filme não me disse grande coisa e inclusivamente não me deixou vontade nenhuma de o rever tão cedo apesar de ser incrivel a nível visual.
Se gostarem do género intriga palaciana, adoraram “Curse of the Golden Flower“, então têm aqui algo que irão gostar de ver certamente apesar da total previsibilidade do argumento.
Se forem como eu e não poderem com filmes de intriga politica, traições e venenos então sugiro que saltem este filme pois não é o Wuxia de acção que aparenta ser no trailer.
Por detrás de todo o visual espantoso está um produto bastante banal, previsivel e sem chama que pode aborrecer de morte muita gente, não por ser um mau filme pois não é, mas porque merecia ter-se tornado num clássico. Só precisava de um argumento com imaginação.
Quanto a mim leva duas tigelas e meia de noodles apenas porque é apenas um filme muito interessante e devia ter sido inesquecivel.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2emeia.jpg

A favor: o visual é absolutamente notável e provavelmente uma obra prima nesse aspecto, o design é fantástico, a fotografia idem, parece uma colecção de incriveis fotografias em movimento, guarda roupa idem, as paisagens naturais, a interpretação de Zhang Ziyi é fantástica e totalmente carismática.
Contra: não fiquei com a minima vontade de o rever tão cedo, nem a fantástica interpretação da protagonista do filme consegue evitar que a história seja do mais aborrecido e previsível que possam imaginar, não é o Wuxia que aparenta ser no trailer e as cenas de acção não têm grande impacto emocional apesar das boas coreografias, a previsibilidade retirou todo o suspanse do filme, o casting é bom mas os personagens são de cartão e a maioria está no filme para morrer e pouco mais, quanto clones mais das peças de Shakespeare é que vocês conseguem aguentar ?

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=a4D9JwtqFyY&feature=related

COMPRAR
The Banquet [2006] [DVD]

Legend Of The Black Scorpion (a.k.a. The Banquet) [DVD] [2006] [Region 1] [US Import] [NTSC]

Podem no entanto espreitar o filme antes aqui.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0465676/

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Joong-cheon (The Restless) Dong-oh Cho (2006) Coreia do Sul


Este é outro daqueles filmes asiáticos que se calhar não merecia que eu tivesse gostado tanto dele.
Não é de modo nenhum um grande filme oriental, tem as suas fraquezas, tem problemas no desenvolvimento de personagens e cheira a plástico por todo o lado.
No entanto, se tivesse mais meia hora poderia ter sido um daqueles filmes de fantasia imprescindíveis, por isso na minha opinião é pena só ter mesmo 105 minutos porque este [“The Restless“] tinha mesmo muito potencial.

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Para começar, eu que já não acreditava que a Coreia do Sul pudesse conseguir acertar com um filme do género Wuxia fiquei bastante surpreendido quando já me preparava para arrasar nest blog, mais esta tentativa. Depois de coisas como “Bichunmoo” e “Duelist” (entre outros), que me deixaram mais que decepcionado eu já olhava de lado tudo o que fossem supostos Wuxias Sul Coreanos e se eu tivesse sabido que  [“The Restless“] era mais um, nem o tinha sequer comprado. Na verdade achei piada ao trailer e encomendei o filme pensando que seria mais uma obra de fantasia Chinesa.
Tarde demais reparei que era mais um Wuxia Coreano e não o podia cancelar pois o dvd já vinha a caminho.
Ainda bem.

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Ainda bem porque este deve ter sido um dos filmes de pura Fantasia oriental de que mais gostei desde “The Promise”.
Aliás, [“The Restless“] faz lembrar um parente pobre desse filme Chinês. Parece um “The Promise” feito com pouco dinheiro mas tentando disfarçar ao máximo todo o pequeno orçamento com muita imaginação plástica ao melhor estilo cinema-photoshop.
Portanto se não gostaram de “The Promise”  esqueçam este filme.  [“The Restless“] segue o mesmo estilo como todos os excessos visuais extremamente artificiais que caracterizava o outro filme oriental só que em versão mais contida devido ás suas limitações de orçamento.
Para quem gostou do filme Chinês e quiser “mais do mesmo” tem aqui uma compra á altura e um Wuxia de pura Fantasia muito recomendável mesmo.

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Este não é um filme oriental para aquelas pessoas que detestam ver gajos a voar por tudo o por nada, lutas á espada sem qualquer lógica “credível” e muito menos é um filme para quem acha que o estilo “livro ilustrado” a Photoshop não tem muito a ver com cinema.
É verdade,  [“The Restless“] tem muitas fraquezas, não será um daqueles filmes asiáticos ou de fantasia que fica na memória pelo selo de qualidade, mas é definitivamente não só o melhor Wuxia Sul Coreano até ao momento, como principalmente é uma obra de Fantasia com um vasto mundo para o espectador explorar se decidir ignorar os seus defeitos e deixar-se levar pela atmosfera e principalmente pelo ambiente visual das suas geografias imaginárias.

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[“The Restless“] tem como título original, [“Joong-cheon“] que em Coreano significa qualquer coisa como “o mundo entre Mundos” e se quiserem uma analogia ocidental, todo este filme se passa naquilo que na religião Católica se poderá designar como “Purgatório“. Só que na tradição Sul-Coreana este lugar não é um conceito abstracto, mas um mundo cheio de vida e tão real como o nosso plano Terrestre. Apenas em Joong-cheon as regras da Natureza são ligeiramente diferentes.

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O filme narra a história (e as aventuras) de um guerreiro que na Terra pertencia a um esquadrão de caçadores de demónios e que um dia se vê lançado no mundo de Joong-cheon.
Acontece que para surpresa dos seus habitantes, esse guerreiro passeia-se pelo purgatório ainda vivo e claro que esse estranho facto tem uma explicação que deixarei para descobrirem quando virem o filme.
Ao chegar a Joong-cheon, o guerreiro encontra a mulher que amava na Terra mas ela não o reconhece apesar de todas as tentativas do heroi para que esta se lembre dele.  Tendo morrido de uma forma trágica quando foi queimada como bruxa ela não tem qualquer memória da sua vida terrestre, o que como imaginam é perfeito para alimentar o segmento romântico do filme.
Para além disto, óbviamente que a história conta com o vilão do costume que é um gajo mau que se farta mas se quiserem saber mais, vejam o filme pois eu não tenho paciência nenhuma para descrever estas coisas. Nem gosto, pois para mim metade do prazer em ver cinema está em não sabermos nada sobre o que vamos ver.

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Apenas referi este bocadinho de argumento para poder apontar logo aquilo que será talvez o maior problema de [“The Restless“].
Quando eu digo que este filme merecia ter pelo menos mais meia hora é porque precisava de ter tido esse tempo no início para poder apresentar-nos os seus personagens e infelizmente isso não acontece.
O argumento, entra logo a abrir e os personagens quase que nos caiem em cima em estado acelerado. De cada vez que a história nos apresenta uma nova pessoa, normalmente a montagem entra por uma sequência fragmentada, que, ou nos leva para uma cena de acção ou então para mais um flashback que tenta narrar em breves minutos (breves mesmo) todo o background da história do novo personagem.
Se isto torna os personagens secundários completamente redundantes, (os antigos “amigos”(?) do heroi por exemplo), também não ajuda nada a situar aquilo que supostamente é a alma do filme, ou seja a inevitável história de amor.

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[“The Restless“] tinha tudo para ter sido um Wuxia tão romântico e emocional quanto “An Empress and the Warriors“, mas falha nesse aspecto porque não dá tempo ao espectador de criar uma empatia com o passado dos personagens. E quando esse passado é essencial para criar emoção para a história presente, o filme nunca consegue transportar-nos verdadeiramente para o seu coração emocional.
No ecran tudo é visualmente muito bonito mas o facto de [“The Restless“] não conseguir puxar emocionalmente o espectador para o seu mundo torna todos os cenários em Photoshop ainda mais artificiais e é pena, pois este filme oriental pedia uma envolvência total e nunca nos consegue puxar verdadeiramente para dentro dele. Embora verdade seja dita que se nota perfeitamente o realizador a tentar criar emoção e dotar a história de alguma alma. Infelizmente a estrutura do argumento, a falta de tempo e uma montagem algo errática em alguns momentos torna a sua tarefa bem dificil.
Outra coisa que também não ajuda são as sequências de acção.
Infelizmente [“The Restless“] não é um filme Chinês e isso nota-se.

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Ao contrário dos Wuxias Chineses onde as coreografias de acção nos maravilham ou surpreendem com toda a sua variedade, este filme Sul Coreano nunca consegue chegar ao mesmo nível.
[“The Restless“] é essencialmente um filme de acção e possivelmente um dos mais dinâmicos filmes de pura Fantasia que poderão encontrar pela frente. No entanto todo o dinamismo nunca se traduz em variedade.
Ou seja, o filme tem acção, porrada de meia noite, gajos a voar por todos os lados, espadeirada quanto baste, mas tudo parece sempre mais do mesmo.
Enquanto um Wuxia Chinês nos impressiona pelas coreografias imaginativas, [“The Restless“] tenta impressionar-nos pelo estilo e pela pinta que tenta meter á força. É aqui que se nota que esta obra é mesmo um produto Sul Coreano e não Chinês.
Montagem televisiva ultra-rápida em estilo videoclip MTV, herois em poses cheias de tiques Anime e muito Cgi de plástico a embrulhar tudo a todo o momento.

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Aliás há um par de momentos no filme em que pensei que se calhar a compra do dvd não teria sido lá muito boa ideia. Isto porque algumas sequências ao mais puro estilo Anime ( a puxar para o Dragon Ball ), fizeram-me pensar por minutos que tinha comprado mais outro “Shinobi” e que as coisas iam descambar noutro clone em overdose de porrada Cgi. E vocês sabem o quanto eu gostei do Shinobi.
No entanto, felizmente as coisas compõem-se. E apesar do constante esforço que se nota no filme para meter estilo nas cenas de porrada a verdade é que o resultado final até poderia ter sido bem pior.
Estou para aqui a reclamar, mas [“The Restless“] se vocês quiserem ver um bom filme de porrada com muita Fantasia visual, têm aqui uma boa opção que conta inclusive com um par de sequências de acção muito entusiasmantes.
Por exemplo a cena em que o heroi com uma simples espada limpa sózinho o sebo a um exército de milhares de gajos feios é um verdadeiro prazer cinéfilo-chunga-estiloso e vale o filme se a esta altura vocês já tiverem deixado o cérebro algures.

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E pronto, essencialmente estamos conversados sobre os aspectos menos bons de [“The Restless“].
Quanto a coisas positivas…
Bem, para começar lá para o final a história de amor quase que resulta e ajudada por visuais lindissímos temos um vislumbre daquilo que o coração emocional do filme poderia ter sido se tivesse tido a tal meia hora de introdução de personagens que não teve.
E por falar em visuais… os cenários podem ser de Photoshop mas que são fabulosos isso são. Quem quiser um filme de Fantasia oriental, (já viu o “The Promise” ), e adorar histórias em que os herois percorrem em estilo road-movie uma variedade imensa de geografias imaginárias cheias de ambiente então não pode perder [“The Restless“].
Sente-se de facto que o mundo de Joong-cheon é um mundo á parte, não só mágico como imenso e muito imaginativo.

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Os cenários virtuais são espectaculares e muito vastos, a cenografia é excelente e muito atenta ao pormenor e a cor é usada de uma forma absolutamente perfeita, tornando este filme num verdadeiro Anime em “imagem real” como se estivessemos a ver uma graphic-novel pintada a óleo sempre em movimento.
Apesar de bastante plástico e muito artificial, quanto a mim nota alta não só para o design de todo o filme como principalmente pela imaginação que conseguiu colocar no ecran com um pequeno orçamento.
Nota positiva também para a banda sonora. Embora em alguns momentos tenha uns tiques de música contemporanea que me chateiam particularmente, noutras alturas consegue uma atmosfera perfeita para algumas sequências. Por mim o filme teria uma música mais épica que fizesse o ambiente abrir-se ainda mais, mas não se pode dizer que as melodias estraguem o filme.

E como tal…

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CLASSIFICAÇÃO:

Não será o melhor filme de Fantasia do mundo, mas quem gosta do género tem aqui uma excelente opção.
Se gostou de “The Promise”  e quiser mais do mesmo tem aqui o seu parente pobrezinho mas com muita substância e imaginação. Quem não gostou de “The Promise” se calhar é melhor evitar este filme a todo o custo.
Pode não ser Cinema com “C” grande mas é um excelente filme pipoca para quem procura um divertimento de Fantasia e gosta do estilo oriental.
Recomendo vivamente e leva quatro tigelas de noodles na boa apesar das suas falhas.
Se calhar merecia menos, mas é um filme de Fantasia divertido e não há muito deste estilo por aí.

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A favor: para quem gosta de explorar mundos de fantasia a partir do sofá da sala, tem muita imaginação, o conceito do mundo “purgatório” está muito variado e cheio de pormenores criativos, tem um excelente ambiente e passa a sensação de que o mundo é realmente vasto, usa muito bem os cenários naturais, apesar de plástico e artificial contém paisagens em estilo Photoshop fabulosas, as cores do filme são mágnificas e a cenografia está cheia de detalhes que ainda ganham mais vida a uma segunda visão, em algumas cenas de acção o uso do Cgi é mágnifico, a história de amor apesar de não agarrar o espectador tem um par de momentos bonitos, algumas cenas de acção são excelentes embora repetitivas, a breve cena de porrada em que um gajo devasta um exército á espadeirada é demais e completamente Anime/Manga, a banda sonora poderia ser mais épica mas não está mal. Quem joga “Perfect World” vai gostar muito deste filme que bem que se poderia chamar “Perfect World – The Movie” e ninguém iria queixar-se.
Contra: o filme precisava de pelo menos mais meia hora no início para apresentar os personagens como esta história merecia, os personagens são demasiado esquemáticos e sem grande alma ou personalidade, as histórias que tentam humanizar os personagens em estilo flashback não resultam, apesar de haver uma história para o vilão este acaba apenas sendo o mau do costume que só está no filme para morrer no fim, falta uma verdadeira carga dramática no filme e é pena, a montagem por vezes tenta contar muita coisa em segundos e como resultado os acontecimentos não têm grande substância nem conseguem contribuir para que os personagens sejam menos de cartão, a história de amor nunca atinge o seu potencial nem tem grande emoção salvo raros momentos, o espectador nunca é verdadeiramente transportado para dentro do filme, algumas cenas de acção são demasiado Shinobi/Dragon Ball e isso quase que estraga o ambiente do filme, embora muito dinâmicas todas as cenas de acção parecem sempre mais do mesmo, o filme tenta disfarçar a falta de variedade da acção com uma montagem acelerada estilo MTV em muitos dos momentos que pediam uma boa coreografia e em vez disso apenas têm estilo a mais, as poses Anime dos persongens quando andam á porrada acabam por perder a piada porque repetem-se constantemente, nunca se percebe se o filme quer ser um Wuxia de fantasia ou um Anime em imagem real e fica a meio caminho entre os dois.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=lXVNZqKd_Bo

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Comprar
Recomendo  a edição R1 americana.
Excelente imagem e som, com um óptimo documentário de making-of e tudo legendado em inglés.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0929261/

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Se gostou deste poderá gostar de:

The Promise A Chinese Tall Story

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Kwong saan mei yan (An Empress and the Warriors) Siu-Tung Ching (2008) China


Desde que comprei o dvd, tive este filme durante semanas a fio na estante á espera de arranjar vontade para o ver e por isso ainda bem que o arrependimento não mata senão isto era o fim do blog.
Se procurarem na net, irão encontrar inúmeras reviews de dvds ou críticas de cinema e nenhuma delas está particularmente impressionada com esta obra, coisa que acabou também por me afastar do dvd durante este tempo todo pois estava plenamente convencido que [“An Empress and the Warriors“] não seria nada de especial.

Na verdade acho que nunca encontrei nenhuma crítica realmente negativa ao filme mas também o nível de entusiasmo nunca foi muito e sinceramente agora que o vi não compreendo de todo a razão deste não ter tido o reconhecimento que na minha opinião merece e pelo visto também na opinião de mais algumas pessoas que comentaram muito positivamente sobre ele no imdb.
Um desses comentários tem por título “much better than any many US boring movies” e acho que de uma forma geral quase que resume uma das grandes razões porque este filme merece ser muito mais popular do que aparentemente é.

E resume por uma simples razão, [“An Empress and the Warriors“] se fosse um produto americano seria outro daqueles filmes que já vimos mil vezes, com os ingredientes do costume, com as cenas de acção habituais e com os personagens-tipo que aparecem sempre neste género de história.
Se [“An Empress and the Warriors“]  fosse um filme made-in Hollywood seria certamente mais um daqueles “policiais” de acção que os americanos produzem ás carradas cheios de aventura, romance de cordel e porrada de plástico quanto baste.
Acontece que lá para os lados da China, o equivalente oriental do filme de acção americano actualmente já nem são os filmes de Karaté ou os de Máfia com Tríades mas sim parece estar na moda o género do Épico Histórico.

Desde que “O Tigre e o Dragão” modernizou o estilo Wuxia e o tornou comercial no ocidente, parece não haver época do ano em que a China não produza mais uma epopeia medieval. Quem sabe a tentar de novo ter um sucesso além fronteiras como aquele que ocidentalizou o género.
Sendo assim não há dúvida nenhuma que [“An Empress and the Warriors“] é um filme asiático comercial, diria mesmo, muito comercial e isso nota-se perfeitamente a todo o momento porque ao longo da sua duração acaba por fazer algumas concessões que se calhar poderia ter evitado. Não que isto o tenha prejudicado particularmente mas teria sido um filme oriental mais especial se na verdade não se tivesse esforçado por ser tão ligeiro a todo o instante.

[“An Empress and the Warriors“] tem um aura imediatamente tão comercial que quando começou, a primeira coisa que pensei foi que já me tinha lixado e tinha comprado outro “Shinobi” porque o filme parecia esforçar-se tanto para meter estilo que fiquei imediatamente com receio de que o resto tivesse ficado para segundo plano. Felizmente enganei-me.
Há muito tempo que não me divertia tanto com um filme de aventuras medievais.
A partir de certa altura [“An Empress and the Warriors“] remeteu-me imediatamente para algo equivalente no ocidente áqueles filmes (já mais antigos) sobre o Rei Artur e a Távola Redonda cheios de castelos, cavaleiros, armaduras e onde nem falta uma “Excalibur” chinesa.
Apenas aqui tudo tem um ambiente oriental tão bem trabalhado que quase coloca esta obra dentro do género -Fantasia- pela forma como toda a atmosfera está criada.

A história não tem um pingo de originalidade e básicamente tudo gira á volta da típica intriga de sucessão real onde há sempre um “mau” que quer ser “califa no lugar do califa” e por isso pelo caminho resolve limpar o sebo a todos os “bons” que se colocam na sua frente.
Apenas desta vez a personagem principal em vez de ser um príncipe que herdou o trono, é uma princesa o que inevitávelmente é logo motivo também para introduzir no filme a inevitável história de amor com o triangulo amoroso do costume mas mais uma vez muito bem trabalhado, evitando até algum cliché mais dramático e que serve muito bem como história paralela á intriga sobre a sucessão do trono e divisão de reinos.

É verdade que já vimos isto antes, mas possivelmente o que ainda não viram foi uma obra tão comercial dentro deste estilo asiático com os elementos tão bem equilibrados.
A maneira como a falta de originalidade da história é contornada visualmente é logo uma mais valia.
Não sendo uma mega produção [“An Empress and the Warriors“] soube contornar as suas limitações com duas coisas que para mim tornam este filme muito especial.
Para começar o design do guarda roupa é absolutamente fascinante. Eu que nem ligo muito a este aspecto desta vez foi logo a primeira coisa que me chamou a atenção. Practicamente todo o filme é composto por personagens de armadura e tudo é absolutamente notável pois os seus pormenores visuais dão uma identidade única a este filme mesmo para quem já viu dezenas de filmes medievais.
Se gostam muito de filmes com cavaleiros pelo romantismo que a própria idumentária dos personagens evoca, este é o vosso filme.

Mas não só de guarda roupa vive um filme e se os personagens não tivessem um mundo igualmente imaginativo para povoarem tudo poderia ter falhado redondamente, no entanto [“An Empress and the Warriors“] apesar de não ter tido orçamento para nos mostrar uma grande variedade de ambientes soube aproveitar ao máximo não só as mágnificas paisagens naturais da China como principalmente os cenários que foram construídos. Acreditem-me, vocês vão adorar as paisagens desta história simples mas muito bem contada.
Este filme deve ter a melhor “casa da floresta” que já apareceu numa história deste estilo e só esse local é suficiente para transportar este conto medieval quase para o género da pura Fantasia ao melhor estilo Lord of the Rings. Embora sem elfos ou dragões, algumas cenas deste filme são absolutamente mágicas na sua simplicidade e transportam-nos imediatamente para um mundo “imaginário” que por acaso até se passa numa China antiga mas pelo seu ambiente bem que se poderia passar na Terra Média ou num planeta distante bem longe da Terra, que não haveria diferença.

Isto e mais um par de pormenores visuais que deixo para vocês descobrirem acabam por dar uma identidade ao filme que nos faz gostar de o acompanhar do princípio ao fim sem se instalar qualquer sensação de monotonia.
Também mais uma vez a capacidade dos orientais para pegarem em clichés de argumento mil vezes já vistos e no entanto conseguirem dotá-los de alma e humanidade volta a surpreender.
Não só toda a parte de intriga e aventura resulta plenamente, como ainda por cima [“An Empress and the Warriors“] é um filme absolutamente romântico ao melhor estilo do cinema do género oriental e consegue equilibrar de uma forma absolutamente perfeita a parte bélica com o coração emocional da história, ligando tudo por um fio condutor que acima de tudo, mais uma vez se baseia na humanização dos personagens; facto que continua a ser um dos grandes trunfos do cinema oriental hoje em dia face ao plástico encenado que nos chega habitualmente de Hollywood salvo raras excepções.

Mais uma vez, personagens que á primeira vista também desta vez pareciam de cartão, vão ganhando (sabe-se lá como) uma alma á medida que o filme evolui; de tal forma, que a meio da história já nos prendem por completo e conseguem colocar o espectador a torcer pelo seu destino até á excelente e clássica resolução final para todos eles, com que esta obra termina.
Isto com a mais valia de que, como disse alguém no imdb, ao contrário daqueles “”…many US boring movies” no cinema oriental por muito formulático que seja nunca há propriamente a garantia de que as coisas tenham uma resolução prevísivel ao estilo americano. Coisa que mais uma vez também se demonstra com esta obra, conseguindo criar um certo grau de incerteza no espectador até ao fim pois felizmente não estamos mesmo na presença de um filme americano e como tal, tudo o que pode acontecer, acontece mesmo.

A esta altura já vocês estão a perguntar pelas cenas de porrada não é ? Afinal isto é ou não um filme com cavaleiros, espadeirada e batalhas épicas ?
Bem, essencialmente na verdade é uma história de amor com armaduras, mas isto não quer dizer que não tenha a sua dose de cenas de acção e muito boas por sinal.
Este é um daqueles filmes que não desagradará a quem procura boas cenas de guerra medieval num tom realístico. Há várias sequências de batalha espalhadas ao longo do filme e todas são não só diferentes, como emocionantes de se acompanhar e ainda por cima estão muito bem filmadas pois é nestas alturas que o filme ganha uma adrenalina e uma intensidade que depois vem justificar muito bem o equílibrio com a parte romântica da história.

Apesar de curtas, visualmente as batalhas são mágnificas, o ambiente é excelente e a montagem é perfeita criando uma espectacularidade emocionante nas coreografias de luta, tanto nas cenas de movimentações de exércitos em carga total como nas cenas de combate individual.
Fica aqui uma nota para o espectacular trabalho dos duplos que é verdadeiramente extraordinário e vai impressioná-los certamente pois neste aspecto, [“An Empress and the Warriors“] é um daqueles filmes á antiga, onde o Cgi é raramente exibido e onde aquilo que está no ecran, por mais impressionante que seja foi conseguido através do trabalho de pessoas a arriscar o pescoço para nosso divertimento. Já agora, prestem atenção ás arrepiantes sequências com quedas de cavalos neste filme pois ainda estou a tentar perceber como não mataram metade dos animais para conseguir aquelas cenas.
A faltar alguma coisa neste filme oriental, será talvez algum sangue pois por muito impressionantes que as batalhas sejam, muitas das vezes sente-se que tudo é demasiado limpo para tal carnificina em batalha.

Tivesse este filme chinês a mesma quantidade de baldes de sangue que por exemplo “Mongol” teve e teria sido um filme de guerra perfeito. Por outro lado, um minuto de sequências de batalha em [“An Empress and the Warriors“] tem mais adrenalina que meia hora de porrada em “Mongol” por isso se calhar o sangue não será tão necessário assim até porque são estilos de filmes diferentes.
No que toca a emoção nas cenas de batalha, este filme é tão entusiasmante quanto por exemplo “The Warlords” pois acerta em tudo aquilo que “Mongol” falha.
Mas ficava giro ter mais um bocadinho de emoglobina.

É precisamente aqui que se percebe perfeitamente que esta é realmente uma obra muito comercial e de certa forma “á moda antiga”, pois das duas uma, ou não houve orçamento para comprar sangue falso, ou houve aqui uma clara intenção de tornar este filme o mais familiar possível de modo a tentar puxar um público mais genérico ás salas.
Por outro lado, posso estar errado, pois “The Warlords” essencialmente é um drama e na verdade [“An Empress and the Warriors“] acima de tudo apresenta-se-nos quase como um conto de fadas com acção, por isso se calhar a falta de sangue e gore até nem é tão despropositada quanto isso.

Essencialmente estamos na presença não só de um excelente filme de acção asiático mas na minha opinião este é outro daqueles que merece estar junto a qualquer colecção de cinema romântico oriental pois apesar de simples tem muita alma e consegue equilibrar muito bem as cenas de guerra com uma simples mas muito bonita história de amor contendo um par de cenas românticas que tenho a certeza se gostam do género não vão esquecer.
Uma nota especial também para a mágnifica banda sonora que é uma daquelas que não sendo verdadeiramente inesquecíveis é no entanto perfeita para ilustrar esta história. Excelentes sinfonias bélicas, bonitas melodias românticas e ainda uma inesperada atmosfera de inspiração (?) Celtica compõem a musica que ilustra esta obra.

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CLASSIFICAÇÃO:

Um pequeno grande filme oriental que não merece passar tão despercebido. Não inova, mas tudo o que faz, faz muito bem.
Se procurarem um filme medieval comercial sem pretenções de ser mais que um excelente divertimento de aventuras asiáticas não procurem mais pois  [“An Empress and the Warriors“]  é esse filme.
Inesperadamente também é um excelente filme romântico ao melhor filme oriental e cheio de momentos muito bonitos com um final perfeito.
Não é uma obra inesquecível, mas é uma produção muito sólida que faz tudo bem e ainda consegue ter um ambiente que quase o tornam num verdadeiro filme de -Fantasia- que de certo irá aguardar a quem procura aquele ambiente estilo Lord of the Rings num filme oriental, embora sem elfos, dragões ou hobbits.
É um daqueles filmes que recomendo totalmente a quem procurar um bom filme de aventuras com alma, romantismo, poesia e espadeirada quanto baste.
Ainda por cima o dvd é bom e barato.
Merece plenamente a minha classificação alta pois á segunda vez que o vi ainda gostei mais dele e só não lhe dou um golden award porque poderia ter ido mais longe para poder rebentar a escala.
No entanto é um grande filme de aventuras com princesas e cavaleiros, onde nem falta uma espécie de Obi-Wan-Kenobi ou um gajo que parece uma versão decadente do Saruman.
Cinco tigelas de noodles sem qualquer problema.

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A favor: é um óptimo filme de aventuras, é um filme romântico com alma apesar da simplicidade da história de amor, tem uma atmosfera que o aproxima totalmente do género de -Fantasia- mais clássico, é um conto de fadas sem ser infantil, é um filme de acção com adrenalina, as coreografias de luta são muito dinâmicas e entusiasmantes, o trabalho dos duplos é extraordinário, o Cgi não é usado para impressionar, o design do guarda roupa é mágnifico, tem um par de cenários fabulosos e totalmente dignos de um filme de fantasia (casa na floresta), a fotografia em mais do que uma vez está muito bem conseguida e o filme tem alguns momentos visuais lindíssimos, pode agradar a vários tipos de público pois é um excelente exemplo de bom cinema muito comercial sem ser estúpido, bons personagens e actores, a realização não deslumbra mas é segura e nada se perde ou aborrece neste filme, transformou a previsibilidade em ambiente e consegue criar alguma dúvida até ao seu desenlace final, o final é excelente.
Contra: por mim tinha um bocadinho mais de sangue nas cenas de guerra pois tanta adrenalina e ferocidade fica um bocado perdida quando tudo parece demasiado limpinho, a história já foi vista dezenas de vezes e poderia ter sido mais criativa.

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=_vC_ybSafNc

Comprar
Recomendo vivamente esta edição bem baratinha em DVD.
Capinha com estilo, excelente qualidade técnica, óptimo Dts e contém um documentário de Making Of que em pouco mais de dez minutos consegue ser melhor do que muitos gigantescos exemplos do género e  é absolutamente indispensável para quem gostou de ver o filme.
Também disponível em BLU-Ray e este é daqueles filmes que ganha bastante pelo formato.

Imdb

http://www.imdb.com/title/tt1186803/

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Se gostou deste poderá gostar de:

The Promise

A Chinese Tall Story

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Tian di ying xiong (Warriors of Heaven & Earth) Ping He (2003) China


Gostei muito de [“Warriors of Heaven & Earth“], pois em certos momentos até fez-me lembrar um filme de Riddley Scott.
Estéticamente há um pouco de “Gladiator” ou de “Kingdom of Heaven“, neste filme chinês que mesmo assim consegue manter a sua identidade cultural apesar do ambiente, a fotografia e até a realização terem algumas semelhanças com o trabalho de Scott.  Se este tivesse nascido na China possívelmente teria realizado este simples mas divertido filme medieval oriental.
[“Warriors of Heaven & Earth“], tem sabor a série B com aura de Western clássico embora situado numa China antiga e na sua simplicidade é para mim um dos melhores filmes filmes de aventuras que poderão ver se quiserem passar um par de horas descontraídas.

Não é nenhuma obra prima, não ficará na história do género mas é muito melhor do que aparenta ser no péssimo trailer que existe por aí.
Pela apresentação ficamos com a ideia que [“Warriors of Heaven & Earth“], pretende ser um filme wuxia sério, algo violento e muito dramático quando na verdade o seu espírito está bem mais perto de um Indiana Jones do que própriamente tentará ser um “Hero” ou um “Curse of the Golden Flower“.
O trailer (americano?), deste filme deve ter uma das piores narrações que me lembro de ter ouvido nos últimos anos e aposto que foi um dos principais responsáveis por [“Warriors of Heaven & Earth“], não ter sido um filme particularmente popular pois passou bastante despercebido a quando da sua estreia e continua a não ter grandes reviews. O que me surpreende bastante, pois tem tudo para se tornar num filme de culto dentro do cinema de aventuras de espírito mais clássico.

Talvez seja por isso que [“Warriors of Heaven & Earth“], não agrade muito ás audiências modernas, mais habituadas a filmes cheios de estilo e estética videoclip com montagens rápidas e muitos efeitos especiais do que a uma narrativa mais tradicional.
[“Warriors of Heaven & Earth“], é um filme oriental á moda antiga, com personagens á moda antiga e acção ao estilo mais clássico e real sem grandes rasgos de imaginação digital. Mas isto não quer dizer que não tenha excelentes momentos de acção e até mesmo alguns (desnecessários) efeitos especiais, porque afinal este é um filme sempre em movimento que não perde tempo em grandes considerações e mantém o espectador  interessado até ao seu final, previsível mas nem por isso menos conseguido.

Pelo meio ainda temos direito a um dos vilões mais divertidos, unidimensionais e estéreotipados que me lembro de ter visto num filme oriental, só comparado ao gajo “mau” de “Returner”. Mas que neste filme está perfeitamente de acordo com o espírito ligeiro desta aventura e até acaba por lhe dar ainda mais identidade, notando-se que o actor se deve ter divertido muito a fazer este papel.
Embora eu não negue que se [“Warriors of Heaven & Earth“], tivesse tido outro tipo de vilão, se calhar teria sido uma obra mais apreciada e levada a sério por quem agora não lhe dá o devido valor só porque o filme tem um espírito quase juvenil na forma como retrata esta aventura.

Sinceramente estou para aqui a tentar encontrar algo de verdadeiramente negativo para mencionar sobre [“Warriors of Heaven & Earth“], mas não me lembro de nada.
A realização é boa, tem um ritmo narrativo excelente, as cenas de acção cumprem perfeitamente, os personagens-tipo são divertidos, são variados e têm personalidade.
Além disso o filme conta com cenários naturais absolutamente fantásticos e muito, muito bem utilizados para dar uma dimensão bem mais épica a este filme, do que aparenta ter no péssimo trailer.
Aliás uma das coisas que mais gostei foi precisamente a forma como o ambiente está baseado nos grandes espaços abertos presentes ao longo de toda a história e transforma as mágnificas paisagens naturais da China quase num personagem á parte.

Pelo péssimo trailer ficamos com a ideia de que [“Warriors of Heaven & Earth“], seria uma espécie de filme de guerra ao estilo antigo, cheio de batalhas e estratégias militares com personagens muito sérios, dramas militaristas intensos e pouco mais. Mas na verdade o filme tem um estilo bem diferente. As cenas de acção são menos épicas e mais pequenas e encontram-se espalhadas ao longo da história centrando-se em cada um dos personagens e criando um ambiente quase de banda desenhada que resulta muito bem e onde até nem faltam alguns ligeiros mas divertidos momentos de humor a equilibrar as coisas e claro também uns pózinhos de história de amor ao estilo oriental.

Curiosamente, o filme tem no entanto uma coisa estranha. Ou isto é muita, muita coincidência, ou  [“Warriors of Heaven & Earth“], será uma espécie de plágio (remake?) não assumido em estilo ligeiro de um outro filme oriental do género chamado “Musa – The Warrior” realizado alguns anos antes.
É que a história é semelhante em muitos aspectos, segue a mesma estrutura, alguns personagens parecem clones e até a parte final do filme é exactamente idêntica quando tudo se desenrola á volta da típica situação em que os herois estão sitiados numa fortaleza no meio do deserto cercados de inimigos.

Em ambiente são duas obras diferentes, pois “Musa – The Warrior” está realmente muito mais perto do estilo de um “Braveheart” oriental e  [“Warriors of Heaven & Earth“], segue uma linha mais juvenil mas têm muitos pontos de contacto o que até nem sequer é uma coisa negativa.

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CLASSIFICAÇÃO:

Um óptimo filme de aventuras oriental para quem não procura mais do que um par de horas bem passadas.
Ignorem o péssimo trailer, pois o filme é bem mais interessante do que aparenta ser.
Recomendo vivamente e só não lhe dou uma classificação mais elevada porque lhe falta um toque especial.
Mas que é bom é.
Quatro tigelas e meia de noodles.

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A favor: personagens, história de aventuras á moda antiga, boa realização a piscar o olho ao estilo Riddley Scott, excelente aproveitamento das mágnificas paisagens naturais, banda sonora a condizer.
Contra: o trailer dá uma ideia errada do filme. Tirando isto não há própriamente nada que seja verdadeiramente negativo para quem não estiver á espera de mais do que ver um bom filme de aventuras.

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NOTAS ADICIONAIS:

Mau Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=9V2VGs1yaGU

Comprar
Por acaso, até existe uma boa edição Portuguesa deste filme e certamente não terão muita dificuldade em encontrá-lo numa Worten, Fnac ou qualquer hipermercado.
No entanto caso queiram comprar a edição inglesa (também com legendas em Português) podem fazê-lo na Amazon Uk por menos de 5€.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0374330/

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The Myth The Promise

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