Gedo senki (Tales from Earthsea) Goro Miyazaki (2006) Japão


Um dia, um jovem pré-adolescente neglegenciado pela sua família vê-se o centro das atenções de um dos membros de uma comunidade de magos quando é identificado como tendo o potencial para vir a ser o maior feiticeiro de todos os tempos.
Após alguns precalços envolvendo a sua inexperiênca com o seu talento mágico recém-descoberto, o jovem é enviado para estudar no colégio da magia gerida pelo próprio arquimago que supervisiona a formação de todos os jovens feiticeiros e coordena todas as disciplinas mágicas que a escola lecciona.
Nesse velho Colégio de Magia, as aulas são dadas por professores específicos para cada uma das artes da magia, cada um com a sua personalidade e sendo o melhor na sua Arte.
Ao chegar á Escola da Magia, o jovem cruza-se com outro da mesma idade completamente arrogante que o desdenha por vir de familias humildes e faz tudo para o humilhar continuadamente, até ao dia em que os dois numa aposta de Magia que corre mal libertam um mal antigo “sem nome” que será a base do resto da aventura.
Bem-vindos ao mundo de  [“O Feiticeiro de Terramar“].
Bem-vindos a [“Tales from Earthsea“].

Se calhar pensavam que eu ia dizer Harry Potter não ?

A verdade é que “Harry Potter” pura e simplesmente gerou tanto dinheiro que a sua máquina publicitária fez esquecer que todos os mesmos conceitos base já existiam antes na clássica obra de Fantasia conhecida pela trilogia de Terramar da autora Ursula K.Le Guin .
Escrito nos anos 60, o primeiro livro da série já contêm tudo o que depois se tornou popular na obra de J.K.Rowling, desde a escola de magia, aos professores feiticeiros, ás aulas de feitiços, a Dumbledorn, a Harry Potter e rivalidade com Malfoy, a Valdemort, á sombra, etc, etc, etc.
No entanto quantos fãs de Harry Potter conhecem esse facto ?…
Até muitos dos críticos omitiram em absoluto toda e qualquer referência ás influências de “O Feiticeiro de Terramar” na criação de J.K.Rowling, chegando inclusivamente a elogiar a autora pela extraordinária originalidade do conceito, ignorando por completo a existência da série clássica “Earthsea“.
Coisa que magoou a verdadeira autora do conceito da Escola de Magia de HogwartsUrsula K.Le Guin e não J.K.Rowling, pois nunca ninguém ligado ao franchising de Potter alguma vez emitiu uma nota de agradecimento pela “inspiração” e importância que a série de Terramar certamente teve na criação do mundo do feiticeiro inglés por muito que tentem ignorar públicamente todas as coincidências entre as obras.
O facto é que pelo menos oficialmente nunca houve sequer um reconhecimento público pela inspiração inicial que inevitávelmente “O Feiticeiro de Terramar” forneceu á autora de Harry Potter.

É que afinal coincidências existem, mas tanta coincidência também já é demais especialmente quando um simples agradecimento e pelo menos uma referência cordial seria bem vinda por parte de quem realmente criou o conceito daquele universo e no entanto ficou totalmente posta de parte perante o poder do dólar.
A única diferença entre a escola de Potter e a escola de Ged, é que uma se situa num mundo medieval de fantasia e a outra em inglaterra. O professor Dumbledorn é o mesmo personagem prácticamente nas duas obras, as cenas das aulas de magia com os seus professores específicos para cada arte mágica são decalcadas do trabalho de Le Guin, o puto rival de Ged em “O Feiticeiro de Terramar” tem não só o seu equivalente em Draco Malfoy presente em Harry Potter como básicamente são o mesmo personagem até na maneira como o confronto entre os dois se desenrola nos primeiros livros de ambas as séries. E isto entre muitos outros detalhes que poderão comparar se lerem “O Feiticeiro de Terramar”.

Embora J.K.Rowling depois tenha sabido habilmente contornar a situação nas sequelas do seus livros já mais personalizadas e imaginativas, as “coincidências” são tantas com o conceito inicial de Ursula K Le Guin que os próprios fãs de Potter deram um tiro no pé na altura em que a mini-série do “Feiticeiro de Terramar” estreou e todos eles bradavam aos céus nos foruns contra “Earthsea” porque só podia ser “óbviamente” um descarado plágio de Harry Potter. O que se virmos as coisas apenas pelo prisma de fazer dinheiro á custa da moda foi certamente a única razão porque a mini-série americana foi produzida.
No entanto segundo muitos fãs, “Earthsea” nem merecia ter sido colocado no ar por ter roubado tantas ideias, situações, conceitos e acima de tudo personagens que seria um desrespeito á original obra de J.K.Rowling.
O que não deixa de ser hilariante, pois no momento em que estes se indignam ao ponto de acusar “Earthsea“.  de plágio, essa própria acusação acaba por fazer o “feitiço virar-se contra o feiticeiro” (haha) e mostrar que afinal quem criou mesmo todo o conceito da velha escola de magia foi na realidade Ursula K Le Guin e nunca J.K.Rowling.

Óbviamente que não se pode tirar o mérito á autora de Potter de depois ter desenvolvido as continuações, agora seria no mínimo justo que a própria tivesse ao menos um dia referenciado a obra de de Ursula Le Guin pois a matriz dos livros do jovem feiticeiro é por demais evidente para continuar a ser ignorada.
E no entanto quantos fãs de Potter ao atacarem “Earthsea” nos foruns faziam ideia de que este tinha sido baseado numa série de livros de fantasia ? Eu não encontrei nenhuns na altura e até hoje mesmo duvido que os encontre, afinal os livros originais não estão na moda e para muita gente significa logo que não têm qualquer importância ou nem sequer existem.

Mas o marketing é uma coisa fascinante. É impressionante como consegue criar modas na cabeça do público de uma forma tão negativa que apaga por completo os trabalhos originais. E conseguem fazê-lo actualmente até mesmo com obras tão consagradas como a série de Terramar o que só demonstra o poder da publicidade numa época em que os livros quase que se tornam produtos de fast-food onde ninguém se interessa de onde vieram os ingredientes de que são compostos mas toda a gente come porque o anúncio diz que é bom e os amigos também comem.
E já não bastava a mini-série de Tv ter sido uma desgraça no que toca á total ausência de uma adaptação fiel dos romances origiais, ao ponto da própria autora se ter insurgido públicamente contra a produção televisiva, como ainda por cima as poucas coisas que realmente pertenciam aos livros de Terramar foram depois acusadas de terem sido roubadas a Harry Potter pelo público.
Mais sobre a reacção da autora á péssima adaptação dos seus livros na série de Tv, aqui.

Neste mundo moderno da suposta informação global é impressionante até que ponto chega o desconhecimento das pessoas.
Muito bom crítico ao atacar o conceito de “Earthsea” afirmando que este estaria a tentar plagiar os filmes e os livros de Harry Potter , na realidade deveria era antes ter elogiado o trabalho não por ser uma série de tv da treta mas por ao menos ter mostrado de onde veio o universo de Magia que agora as pessoas pensam ter sido uma criação original moderna para Harry Potter e não foi.
É que a série televisiva é má, mas ao menos poderia ter servido para repor a legitimidade da autoria do conceito e nem para isso teve utilidade pois os próprios produtores voltaram a deixar de fora a autora da história e fizeram o que bem entenderam com o argumento que no fim se pareceu mais com um episódio do Dungeons & Dragons do que com qualquer livro de Ursula Le Guin.
Actualmente só aqueles apreciadores de Fantasia que sempre leram romances do género porque gostavam e não apenas porque é moda, sabem o quanto tudo isto é injusto.

O que nos leva até [“Tales from Earthsea“].

Apesar de ter o mesmo título que o último romance da série publicado há um par de anos, este (primeiro) filme de Goro Miyazaki, (filho de Hayao Miyazaki), é no entanto uma história completamente independente e que nada tem a ver com o livro.
Também não adapta nenhum dos outros romances e portanto isto nem sequer é uma adaptação de “O Feiticeiro de Terramar” ou de qualquer das suas sequelas.
No entanto, faz algo particularmente interessante, pois vai buscar referências a todos os romances e cria uma verdadeira tapeçaria de detalhes que infelizmente só poderão ser devidamente apreciados porque quem leu e gosta dos livros originais.

Muitas coisas que apenas são referidas brevemente nos livros são agora mostradas em [“Tales from Earthsea“] e outras que nunca existiram em qualquer parte são também acrescentadas, criando uma estranha mistura entre o mundo de Terramar (Earthsea) e qualquer outra coisa que não se sabe bem o que é e que umas vezes resulta em pleno mas outras nem por isso, o que torna este filme num produto único dentro do universo de produções do Estúdio Ghibli e nem sempre pelas melhores razões.
Isto porque se [“Tales from Earthsea“] consegue ser capaz de nos mostrar o melhor, a sua estrutura algo errática também contribui para que o filme não tenha sido aquilo que todos os fãs de Terramar gostariam que tivesse sido e entre os quais me incluo também.

É que á força de tentarem criar uma história única dentro do universo de Terramar, os detalhes perdem-se um pouco, pois nunca se percebe bem se a intenção foi criar um filme para quem conhece os livros ou para quem nunca ouviu falar deles. A verdade é que tudo isto fica a meio caminho de algo que poderia ter sido fantástico mas por vários motivos não chegou a sê-lo.
O filme tem momentos absolutamente mágnificos e totalmente dentro do espírito das novelas de Ursula K Le Guin mas depois noutras alturas dispersa-se por algo que não tem de forma nenhuma o ambiente de Terramar e por outro lado essa parte também nunca é suficientemente desenvolvida para ganhar uma identidade própria que pudesse equilibrar as coisas.

O facto da narrativa ser algo errática também não ajuda, pois em certas alturas parece que a vontade de mostrar conteúdo foi tanta que acaba por não se passar nada durante largos minutos e onde até o ritmo dos próprios diálogos parece reflectir essa falta de coisas para dizer ou acrescentar á história nesses momentos. Como resultado, o filme parece maior do que precisava de ter sido e isso não é própriamente um ponto positivo para uma obra que deveria ter mantido o espectador completamente entusiasmado do princípio ao fim, afinal estamos a falar do mundo do Feiticeiro de Terramar e toda a gente que gostou dos livros desejava certamente tal como eu gostar deste filme muito mais do que gostamos. Especialmente tratando-se de um produto Ghibli merecia ter sido muito melhor.

Há coisas muito estranhas em [“Tales from Earthsea“].
Soube-se que a produção não foi pacifica e o próprio Hayao Miyazaki parece que teve constantes atritos criativos com o seu filho que realizou esta obra e as coisas nunca ficaram muito bem resolvidas. A  própria Ursula K Le Guin, mais uma vez deixada de parte no processo de adaptação foi das primeiras a vir dizer que o filme era bom mas infelizmente não era de forma nenhuma o seu Terramar, embora não tenha sido a desgraça que a mini-série americana “EarthSea” foi.
Basicamente as coisas não correram bem durante o processo criativo e isso infelizmente nota-se muito no ecran pois a partir de uma certa altura ficamos sempre com a sensação de que o filme é um imenso vazio no que toca a ambientes visuais.

Uma das coisas mais evidentes e também mais estranhas, em [“Tales from Earthsea“], é a sua óbvia falta de orçamento, pois visualmente não está de forma alguma á altura das outras obras dos estúdios Ghibli, parecendo em certos momentos mais um mau desenho animado de sábado de manhã do que uma obra com a assinatura do nome Miyazaki por detrás.
Não que o filme não contenha alguns visuais absolutamente lindissimos, mas practicamente esgotam-se nos cenários das grandes cidades e num par de paisagens campestres do mundo de Terramar. São verdadeiramente fabulosos, com muita atmosfera, um detalhe incrível e muito movimento de personagens, mas depois o resto do filme é de uma pobreza visual incompreensível, com muito poucos cenários dignos desse nome e os que tem, são tão básicos que nem sequer em termos de design ultrapassam o típico castelo construido á base de formas geométricas primárias sem qualquer detalhe adicional que lhe dê sequer uma identidade gráfica interessante, quanto mais algo que pertencesse ao mundo de Terramar tal como este foi imaginado nos livros.

Os grandes planos neste filme são mais que muitos, talvez de propósito para os desenhadores não terem que pintar mais cenários por detrás dos personagens e á medida que [“Tales from Earthsea“] se aproxima dos seus momentos finais as coisas vão ficando cada vez mais pobres gráficamente culminando numa demasiado longa e aborrecida sequência de acção onde não há practicamente nada para contemplar e totalmente baseada nos mais primários clichés do Anime de acção contrariando tudo o que estamos habituados a ver nos filmes dos Estúdios Ghibli onde cada detalhe parece sempre pensado ao limite e onde existe sempre uma atmosfera de imaginação visual a enquandrar tanto o argumento como as cenas de acção.
Em [“Tales from Earthsea“] isso está completamente ausente e é pena pois a cada minuto que passa o filme vai perdendo a sua magia.

Isto não quer dizer que não contenha esporádicamente alguns momentos fabulosos e verdadeiramente poéticos. E são esses que nos trazem de novo de volta ao mundo de Terramar.
Muito se falou da surpresa que o estilo gráfico Anime causou quando as primeiras imagens de Terramar foram dadas a conhecer ao público, pois na verdade ninguém alguma vez conseguiu imaginar como ficaria o mundo imaginado por Ursula Le Guin quando transposto para o estilo oriental.
Muitos fãs dos livros não gostaram do que viram e o filme começou logo por ser muito criticado porque o seu ambiente visual não seguia a atmosfera dos romances.

Na verdade não é isso que me preocupa, pois bem vistas as coisas, as descricções dos livros podem caber em qualquer identidade gráfica que se queira atribuir e por isso não percebo porque não podiam ser representados num estilo Anime se este estivesse bem imaginado.
E na minha opinião está, não só perfeito, como dotou esta visão de Terramar de um estilo que nunca ninguém esperava ver. Na minha opinião o Terramar de Goro Miyazaki limpa o chão com os clichés de Dungeons & Dragons que foram usados para a péssima adaptação americana na série “Earthsea“.

O problema de [“Tales from Earthsea“], não está na sua representação oriental do mundo de Terramar. Está sim no facto deste aparentemente não ter tido qualquer orçamento decente para que os artistas pudessem ter realmente nos mostrado o Terramar que todos queriamos ver e do qual temos apenas alguns fabulosos vislumbres ocasionais. E mesmo nessas cenas nota-se que o colorido disfarça muito mais a falta de detalhe do que seria desejável.
No entanto as bases estão lá todas e nota-se que houve uma grande tentativa para se criarem ambientes numa escala realmente épica que pudesse demonstrar a vastidão do poético mundo polvilhado de ilhas.

Muitos dos cenários acertam em cheio na maneira como traduzem o ambiente marítimo e a poesia daquele mundo e nem nos cenários rurais menos detalhados a magia se perde apesar dos poucos pormenores.
O problema é realmente o pouco uso deste tipo de ilustração mais complexa para que o mundo de Terramar tivesse realmente sido aberto ao espectador como todos aqueles que gostam dos livros esperavam encontrar numa obra produzida pela Ghibli e que no entanto ficou-se por um produto que pouco mais é do que uma boa obra. Talvez mesmo muito boa, apesar de tudo, mas não deixa de ser extremamente deprimente sentirmos em alguns momentos aquilo que poderia ter sido e nunca foi.

Como habitualmente não irei revelar aqui nada da história, mas só lhes posso dizer que espero que tenham lido os livros de Terramar antes, pois podem ter a certeza que [“Tales from Earthsea“] ganhará outra vida.
Se não leram, também não faz mal, mas infelizmente se calhar não irão ficar com muita vontade de os conhecer depois.
Na verdade, as partes que funcionam da história são precisamente aquelas com as inúmeras referências aos livros. É bom encontrar a personagem que Ged salvou em “Os Túmulos de Atuan” e ficar a saber o que lhe aconteceu por exemplo.

O uso desse personagem e a forma como interage com os outros cria uma ligação fantástica aos livros originais e que passa óbviamente pelo arquimago, mais uma vez em filme representado como um homem branco, para descontentamento da autora dos livros que nunca o imaginou puramente caucasiano. Mas sinceramente isso não me chateia por aí além. Ao menos aqui, Ged tem a personalidade certa e não parece saído de uma Boys-Band americana como acontece na série de Tv produzida nos States.

Uma coisa perfeita neste filme é no entanto a sua banda sonora. Todo o score é absolutamente mágico e hipnótico e é um dos detalhes mais responsáveis pela atmosfera Terramar que percorre os melhores e mais genuínos momentos do filme.
A sequência com a miuda a cantar no cimo da colina é simplesmente poética e poderia ter sido parte de qualquer cena nos romances originais. O mesmo acontece á cenas mais emotivas onde precisa haver uma ligação entre o espectador e os personagens sem precisarem de entrar em diálogos para transmitir emoções. Aqui a música é imprescindível e não poderia ter feito melhor trabalho em capturar esses momentos. Algumas das cenas mais bonitas em [“Tales from Earthsea“] são precisamente aquelas em que não há diálogo e existe uma junção perfeita entre a paisagem de Terramar e o seu ambiente musical completamente etéreo que alterna entre a música celta e uma sonoridade imediatamente reconhecível como japonesa, o que na minha opinião é o estilo musical perfeito para se ilustrar o mundo de Terramar e como tal a banda sonora, juntamente com algumas paisagens e desenvolvimento de personagens serão possivelmente os melhores momentos do filme e aquilo que o impede de ser apenas um produto muito mediano.

Só é pena, as outras alturas do filme não manterem o mesmo nível de qualidade e cuidado presente nas melhores sequências pois se [“Tales from Earthsea“] tivesse sido um produto mais equilibrado teriamos tido aqui um dos melhores filmes de Fantasia Anime de sempre mas infelizmente a coisa ficou-se pelo caminho, dizem as más-linguas por haver demasiadas pessoas criativas a quererem impor a sua vontade.

O que é pena, pois perdeu-se mais uma oportunidade de se conseguir fazer a adaptação definitiva do mundo de Terramar, embora ainda contenha alguns momentos bem atmosféricos e por exemplo, um final bucólico muito bonito que nos faz apetecer querer ver outra aventura.

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CLASSIFICAÇÃO:

Um filme algo decepcionante pela oportunidade perdida que representa e mais uma tentativa relativamente falhada de trazer para o grande ecran o mundo de Terramar.
No entanto tem alguns pontos positivos e é um bom Anime. Não sei no entanto se agradará mais a quem conhece a obra de Ursula K Le Guin ou a quem nunca ouviu falar de “O Feiticeiro de Terramar”.
Apesar de tudo, leva quatro tigelas de noodles só porque é um filme de Terramar e eu não consigo dar menos mesmo apesar das suas fraquezas. No entanto, se calhar nao merece quatro tigelas, por isso retirem-lhe uma se não conhecerem nada dos romances em que este filme é baseado pois grande parte do seu encanto está no facto do público conhecer as referências dos livros.
Por outro lado talvez não…
Estão por vossa conta, embora na minha opinião se gostam dos filmes Ghibli este é outra compra obrigatória porque mesmo sendo dos mais fracos é no entanto superior a muita coisa que anda por aí e mesmo como adaptação do mundo de Terramar ao menos não é a desgraça que a mini-série americana foi.
Por isso quatro tigelas de noodles.

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A favor: a banda sonora é perfeita, consegue adaptar o mundo de Terramar ao estilo Anime e tem personalidade, tentou criar uma história cheia de referências dos romances originais, os personagens principais, as cenas finais cheias de ambiente.
Contra: para um filme passado em Terramar há terra a mais e mar a menos no ecrã, quem não leu os livros não vai apreciar devidamente a história, o trailer dá ideia de que o filme tem um ambiente visual mais detalhado do que acontece na realidade, á medida que avança o filme fica cada vez mais pobre gráficamente, os vilões não têm qualquer interesse ou carísma, as cenas de acção do final são no mínimo aborrecidas e extremamente pobres gráficamente, a narrativa arrasta-se durante longos minutos em muitos momentos do filme onde parece que nem há nada para dizer, o excesso de referências acaba por se tornar prejudicial pois fica a meio termo entre a adaptação de algo e o vazio de ideias quando não usa material dos livros originais.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=C5ehRnwNDs8

Comprar filme

Excelente edição na Amazon Uk bem baratinha

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0495596/

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Comprar os Livros
Podem comprar a trilogia, (composta por quatro livros…(sim…eu sei…)), aqui nesta edição única que ficarão muito bem servidos com os quatro primeiros romances de Terramar.
Ou então comprar cada um em separado.
A Wizard of Earthsea
Tombs of Atuan
The Farthest Shore
Tehanu

Depois podem adquirir as novelas mais recentes escritas há um par de anos também, pois completam plenamente o universo Earthsea e quem gosta deste mundo não vai querer perder, tanto:
The Other Wind como o Tales from Earthsea

Apenas uma nota para dizer que a única semelhança entre este último livro e o filme Anime está apenas no titulo, pois o livro é composto por uma série de contos que completam muitas das histórias abertas ao longo da obra original escrita nos anos 60 e não tem nada a ver com o argumento do filme realizado agora por Goro Myiazaki.

Em portugal, os trés primeiros livros foram há muito editados na excelente e clássica colecção de ficção-científica “Argonauta”, mas actualmente a editorial Presença lançou-os na sua excelente colecção de romances juvenis onde já se contam editados alguns dos melhores romances de Fantasia actuais.
Não deixa no entanto de ser interessante como em Portugal se continua a associar o género da Fantasia apenas a livros para crianças e nem a um clássico como Terramar foi dado o devido destaque que merecia pela editora, tendo enterrado esta obra numa secção infantil das livrarias onde muito pouco adulto interessado em Fantasia alguma vez irá espreitar.

De qualquer maneira aqui ficam os links para a actual edição portuguesa da Trilogia de Terramar:

LIVRO 1  –O Feiticeiro de Terramar” – (agora renomeado como “O Feiticeiro e a Sombra“, sabe-se lá porquê).
LIVRO 2 –Os Túmulos de Atuan
LIVRO 3 –O Outro Lado do Mundo” – (agora renomeado como “A Praia mais Longinqua“).
LIVRO 4 – “Tehanu – O Nome da Estrela
Curiosamente o “The Other Wind“, já está editado não na mesma colecção infanto-juvenil, mas teve uma outra edição isolada numa colecção de aspecto “já mais adulto” e intitulado “Num Vento Diferente“.

O que deve ser mesmo bom para confundir as pessoas e as levar a começar a ler esta história pelo quinto volume em vez de terem começado pelo “O Feiticeiro de Terramar“. Ás vezes pergunto-me quem terá estas ideias.
Pela descrição que a Presença tem no site, também não consigo perceber se misturaram ou não, este livro com o “Tales of Earthsea” (que a editora chama “Tales of Earth and Sea” (?!)
Será que ninguém lê os próprios livros que editam ?! Será que não repararam que a expressão “Earthsea” é a alma e a base do romance ?!… Estou baralhado. Terão juntado os últimos dois livros e lançado tudo num único volume aqui em Portugal ?
Não sei, nem me interessa. Estão por vossa conta meus amigos, mas se gostam de Fantasia recomendo a leitura dos romances. De preferência até antes de verem este filme de Goro Myiazaki pois será muito mais apreciado por quem conhece e gosta dos romances originais do que pelo espectador casual de Anime.

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Se gostou deste vai gostar de:

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Fukkatsu no hi (Virus) Kinji Fukasaku (1980) Japão


E agora, uma obra de que muito pouca gente deve ter alguma vez ouvido falar.
Estive em dúvida entre colocar este filme aqui ou passá-lo para o meu novo blog sobre cinema antigo de ficção científica, “Universos Esquecidos“, mas por agora optei por apresentá-lo no “Cinema ao Sol Nascente”.
Até porque se trata essencialmente, não apenas de mais um filme japonês, mas de uma das maiores produções que alguma vez tiveram lugar dentro do cinema de antecipação saído daquele país.
Sentem-se na cadeira e enervem-se um bocadinho, pois não pensem que o cinema oriental só tem histórias de amor fofinhas.
Depois de verem [“Virus“], se calhar é boa ideia terem uma love-story á mão para descontrair.
Bem-vindos ao possível futuro próximo da humanidade meus amigos.

Se calhar vou começar logo pelas boas notícias já que o filme é tão catastrófico, temáticamente falando.
A boa notícia é que desta vez não vão precisar de comprar nada (ou de fazerem downloads ilegais algures) para poderem ver um filme recomendado neste blog.
Apesar de ter existido até há pouco tempo uma boa edição de [“Virus“], em dvd, se não precisarem de extras também não precisam de gastar dinheiro, pois este filme encontra-se actualmente na condição de domínio público e está já disponível para download gratuíto no conhecido website “Internet Archive” que se dedica a colecionar obras abrangidas por este estatuto.
Todos os detalhes sobre isto no final desta review.

Por agora fiquem a saber também logo que existem duas versões do filme.
A versão original de 155 minutos, e a versão internacional com menos uma hora.
Quem por volta de 1983/84 chegou a ver [“Virus“] no cinema (quando estreou em Portugal), apenas conheceu a versão curta remontada para distribuição americana.
Fora do Japão apenas essa versão ficou disponível e até há bem pouco tempo atrás [“Virus“], na sua versão integral era um daqueles filmes procurados por quem como eu coleciona obras de ficção científica.
A versão curta até nem é propriamente difícil de se arranjar. Eu sei, eu comprei uma das edições em dvd quando ainda não havia mais nenhuma. Agora posso garantir-vos que se não foi o pior disco digital que alguma vez me passou pela frente, andou mesmo muito lá perto e como tal nem vou entrar em pormenores pois até fico doente de pensar que dei dinheiro por aquele pedaço de plástico inútil na altura.

E por falar em doentes…
Gostam de filmes sobre o fim do mundo ?
Gostavam de ver uma obra que realmente conseguisse transmitir uma escala apocalíptica a um nível internacional mas sem parecer um pedaço de plástico fabricado em CGI  realizado em Hollywood pelo Roland Emerich ?
Então estão no filme certo.
Puxem do sofá e não se esqueçam de ter uma caixa de lenços de papel á mão.
Não que o filme seja propriamente para chorar, mas se por acaso começarem a tossir e a espirrar durante o filme é melhor ter logo algo ao pé para não se esquecerem de que afinal os efeitos da doença que vêem no filme ainda não passaram para o vosso lado do ecran.
Mas já agora juntem também uma caixa de aspirinas. Não que lhes servisse de muito se a visão apocalíptica do mundo presente em [“Virus“], pudesse de repente fazer parte da nossa realidade mas convém que estejam convenientemente apetrechados para verem o filme e entrarem plenamente dentro do seu terrível e assustador conceito.

Basicamente fiquem a saber que os americanos deram cabo do mundo de vez.
No início dos anos 80 ao tentarem criar a arma microbiológica que pudesse dissuadir os russos de atacarem os EUA com armas nucleares, a situação escapou ao controlo dos militares que encomendaram o serviço e o planeta vê-se a braços com uma epídemia global de um novo tipo de gripe que mata em trés dias após a incubação.
Um terrível vírus que se transmite como uma vulgar constipação e para o qual não existe nem poderá existir vacina, especialmente quando quem a poderia eventualmente descobrir também ter morrido vitíma da praga que acaba literalmente causando o fim do mundo tal como nós o conhecemos.
Apenas nas regiões com temperaturas abaixo de zero o virus permanece inactivo e como tal um grupo de oitocentos sobreviventes vê-se obrigado a permanecer para sempre nas regiões geladas sem poder voltar aos seus países que pura e simplesmente deixaram de existir enquanto tal.
O problema é que dessas oito centenas de pessoas, apenas restam algumas mulheres, o que serve para o filme colocar também algumas questões interessantes sobre as relações afectivas humanas.

É certo que este tipo de história já conheceu várias interpretações nos ecrans, mas podem ter a certeza que nunca a viram tão bem retratada como em [“Virus“].
Claro que falo da versão integral do filme e não da montagem americana.
Como cinema pode ter imensas fraquezas (que as tem) mas numa coisa acerta em cheio. Quando sai do estilo telenovela e ganha uma estrutura quase de documentário, torna-se num dos filmes mais assustadores que vocês poderão encontrar sobre o final dos tempos.
E nem precisou de entrar por conotações relígiosas para conseguir esse efeito no espectador.
As sequências de pânico mundial estão absolutamente perfeitas e ás vezes transmite mesmo a sensação de que estamos a assistir em directo ás imagens de um qualquer telejornal.
Só a distância que nos separa agora dos anos 80 atenua um pouco essa ilusão mas nem por isso [“Virus“], deixa de conter sequências absolutamente aterradoras, especialmente tendo em conta todas as possibilidades que existem hojem em dia de algo semelhante poder vir a acontecer.

Por muito que não queiramos [“Virus“], impressiona e não podemos deixar de pensar como seria se isto acontecesse. O filme mete medo e causa grande impacto sem recorrer a efeitos especiais para nos dar cabo dos nervos. A coisa mais próxima de um efeito especial aqui, será possivelmente uma boa quantidade de bons matte-paintings que ajudam a retratar a devastação mundial, um par de maquetes bem conseguidas e algumas explosões.
Tirando isto, todo o ambiente de medo é fruto da intensidade da própria realização e da excelente direcção de figurantes durante as cenas de pânico e caos mundial.
O que nos leva ao casting internacional.

Neste filme só deve faltar mesmo um Português, pois a produção foi buscar actores a todas as partes do mundo para compor cada segmento relativo aos principais países representados na história e isso é uma das grandes mais valias em [“Virus“], pois dá ainda mais autitencidade ao filme, visto que inclusive muitos dos personagens até falam nas respectivas linguas. Curiosamente se calhar até o que ainda se fala menos no filme é precisamente o Japonês.
Desde Chuck Connors a Robert Vaugh passando por um jovem Edward James Olmos o filme conta com um casting excelente embora nem sempre aproveitado, talvez devido á dificuldade de dar algo para fazer a tanto personagem.
Inevitávelmente muitos dos diálogos são em inglés, porque as partes de aventura e suspanse são precisamente á volta do perigo de ameça nuclear, que, apesar de metade do mundo ter sido destruído pela gripe, ainda paira no entanto sobre a humanidade. Isto graças aos militares americanos sempre prontos para carregar no botão e mandar os russos para os anjinhos juntamente com o que resta do planeta.

E aqui destaca-se o grande Henry Silva num dos seus habituais papeis de gajo destestável.
Vão adorar o seu personagem de general militarísta patriótico americano. Isto apesar de até ser uma das inúmeras fraquezas do filme, mas não por culpa do actor que até se deve ter divertido á brava.
A caracterização de personagens é um dos grandes problemas em [“Virus“]. Os altos comandos militares são todos doidos, os políticos são todos inúteis, os cientistas são uns desgraçados e as mulheres estão no filme para sofrer e chorar muito.
O que atira o filme para o pior terreno  da telenovela televisiva onde não precisava ter entrado.
Quando [“Virus“], sai do seu modo-catástrofe, a coisa perde-se um bocado e até se arrasta penosamente em alguns momentos, o que confere um ritmo narrativo algo estranho ao trabalho, como se o filme fosse na verdade uma colagem de dois ou trés outros géneros metidos num só e com uns diálogos a ligar tudo.

Isto acontece claramente porque a intenção de criar uma atmosfera internacional muito povoada por seres humanos, obrigou a que o filme introduzisse personagens em todo o lado e depois a maior parte das vezes estes não têm muito para fazer na história. Embora se note que o realizador tenha tentado criar um momento especial para cada um deles, daí a excessiva fragmentação do trabalho.
Não que isto me chateie particularmente, mas se calhar o filme deveria ter tido outra abordagem, pois a verdade é que actualmente não pode deixar de nos parecer um produto algo datado precisamente pela forma como filma as situações-tipo dos filmes catástrofe e desenvolve o previsivel relacionamento entre personagens.
Na verdade é um produto de 1980 e isso nota-se.

Mas não deixem que isso vos impeça de espreitarem [“Virus“], (ainda por cima de borla), até porque apesar do seu estilo retro excessivamente televisivo em certas alturas, consegue noutras ser um excelente exemplo de cinema catástrofe, com algumas imagens muito bem cuidadas e uma boa fotografia.
Acima de tudo, se procuram um filme sobre o fim do mundo, não vão mais longe.
Na minha opinião enquanto filme catástrofe este é um dos melhores exemplos que poderão encontrar actualmente.
Não é um filme de efeitos especiais, não pensem que vão ver outro “The Sinking of Japan” porque não vão, mas podem ter a certeza que encontrarão um filme oriental único com uma extraordinária atmosfera de medo e que consegue manter a sua identidade enquanto cinema oriental.
Mesmo com a quantidade de actores ocidentais que participam no filme, [“Virus“], nunca deixa de ser um filme essencialmente japonês e um excelente exemplo de boa ficção-científica daquela que só a é, porque ainda não aconteceu.

A propósito, se descarregarem a versão longa do filme no site do “Internet Archive”, poderão também retirar as respectivas legendas em inglés para as partes faladas em japonês. Existe depois um tutorial no site que explica como poderão gravar com elas o vosso próprio dvd.
Mas se não as quiserem tirar, podem ver o filme sem legendas sem grandes problemas, pois grande parte dele é falado em inglés e até as partes em japonês são perfeitamente compreensíveis apenas pelo que se passa nas imagens, porque felizmente [“Virus“], apesar do seu estilo televisivo é no entanto um produto extremamente visual e quase que podia ser falado em Checo que não teriamos problemas em seguir a sua narrativa, por isso não se preocupem muito.

Agora esqueçam a versão curta deste filme. As partes de caos e porrada estão lá quase todas, mas a montagem dessa versão reduzida é tão diferente que quase parece um filme novo em certos aspectos pois ainda torna mais vazios a maior parte dos personagens. Isto porque os americanos retiraram tudo o que era desenvolvimento de situações e só deixaram no filme mesmo o que interessava para o tornar numa espécie de blockbuster á moda americana que nunca poderia ter sido porque [“Virus“], é essencialmente um drama assustador e perturbante e não um festival de aventura juvenil e efeitos especiais.

A um nível pessoal, este é um filme que me marcou quando era puto. Vi-o com uns amigos aos 13 anos numa noite de verão num cinema de Portimão ao ar livre pensando que seria uma espécie de imitação de Star Wars e no entanto saiu-nos uma coisa completamente inesperada que nenhum de nós esqueceu.
Em Portugal o filme quando passou nos cinemas de província, chamava-se [“Ameaça Planetária“] e tinha um cartaz que dava a ideia de que o filme ia ser uma espécie de space-opera com invasões espaciais.
Resultado, na altura levamos com um filme que não esperavamos mas já na altura marcou-nos pelo seu ambiente, embora só tivessemos visto a versão reduzida, claro está.
Lembro-me que em anos seguintes acabei por revê-lo ainda no cinema, pois na altura gostei já o suficiente do filme para me apetecer ver outra vez.
Isto numa altura em que ainda não estreavam sucessos cinematográficos fora de Lisboa e Porto e os cinemas de província levavam anos a passar os mesmos filmes que rodavam ciclicamente entre salas em cópias que só paravam de ser exploradas quando queimavam em plena projecção.
A long time ago…no início dos anos 80.

E chega de paleio,  porque espero que a esta altura já estejam pelo menos com curiosidade para ver este filme.
Quando o revi há um par de anos na cópia atroz em dvd que adquiri na altura, detestei o filme em absoluto, mas afinal a qualidade do dvd também não ajudava e além disso foi o cut americano que hoje já não parece tão impressionante como me parecia quando o vi no cinema há mais de 25 anos.
No entanto, quando vi pela primeira vez a versão integral um par de dias atrás, a magia desta obra voltou a conquistar-me e a assustar-me por isso resolvi recomendar aqui esta excelente obra esquecida.
A propósito, isto também não são só tragédias, pois o filme contém ainda uma simples mas eficaz história de amor como não podia deixar de ser num filme oriental. Não deslumbra, mas fica bem.

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CLASSIFICAÇÃO:

Filme completamente imprescindível para quem gosta de cinema catástrofe e quer ver um daqueles filmes que realmente representa muito bem o fim do mundo.
É mesmo muito bom e só não é melhor porque actualmente se encontra algo datado e sente-se ao longo do filme uma falta de equílibrio entre géneros de cinema que não foram plenamente misturados como seria de desejar.
Portanto, trés tigelas e meia de noodles porque é melhor que bom e merece mesmo ser visto nem que seja uma vez.

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A favor: o casting internacional funciona muito bem mesmo com alguns personagens estéreotipados, o clima de medo e pânico está extremamente bem criado o que confere ao filme um estilo quase documental em algumas partes, o ambiente apocalíptico de fim do mundo é fantástico e muito perturbante, contém um par de sequência psicológicamente pesadas dentro do contexto do conceito do filme, tem um bom argumento que resulta bem de uma forma geral, as cenas com as cidades mundiais devastadas cheias de cadáveres a apodrecerem na desolação não podiam ser melhores, tem alguns bons momentos de suspanse e aventura, tem uma atmosfera realmente épica e completamente internacional o que confere uma atmosfera muito real ás cenas apocalípticas, é muito assustador e cada vez está mais actual, não é um filme de terror mas se calhar ficará mais na memória colectiva de quem o vir do que muitas outras coisas mais populares.
Contra: é um filme de 1980 e nota-se, o excessivo tom de télenovela que percorre os estereotipos das partes dramáticas, tem persongagens a mais e por isso não há tempo para desenvolver a história de cada um deles como deveria de ser, a caracterização unidimensional dos militares e dos vilões é muito cartoonesca, tem uma realização demasiado televisiva para uma obra cinematográfica.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
Esta apresentação é um bocado fraquinha e se calhar acaba até por ser a pior coisa do filme, pois não se sente bem no trailer a dimensão apocalíptica que depois o filme tem.
http://www.youtube.com/watch?v=JXKPkpcviKM

Comprar Versão Integral
Este pack, contém a versão integral de Virus, mas pelo visto acabou de esgotar…
http://www.amazon.com/Sonny-Chiba-Action-Virus-Bullet/dp/B000GETUBK

Comprar nova edição em dvd da versão curta remontada pelos americanos e com menos uma hora.
http://www.moviesunlimited.com/musite/product.asp?sku=D73736

Download da versão integral (public domain) com excelente qualidade, no site internet archive.
http://www.archive.org/details/Virus_Fukkatsu_no_hi

Download da versão curta distribuída internacionalmente no cinema fora do Japão no início dos anos 80.
http://www.archive.org/details/cco_virus

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0080768/

Uma gigantesca review adicional em inglés, mas carregada de *spoilers*
Sugiro que não a leiam antes de verem o filme para depois compararem-na com a vossa própria opinião mais tarde. Estão por vossa conta.
http://www.braineater.com/virus.html
Tem coisas com que eu concordo e outras com que discordo mas não há dúvida que é uma das mais gigantescas críticas que me lembro de encontrar na net sobre um filme oriental.
Infelizmente é um daqueles textos que revela cada pormenor do filme não deixando absolutamente nada á descoberta. Ficam avisados. 😉

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Filmes semelhantes de que poderá gostar:

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Kairo (Kairo) Kiyoshi Kurosawa (2001) Japão


Antes de mais, espero que ainda não tenham visto o trailer do remake americano deste filme.
Se o viram, então espero que já não se lembrem dele.
E isto, porque o trailer do remake americano, não só revela a história toda como ainda se dá ao trabalho de explicar tudo muito bem explicadinho.
Nem sequer esconderam o final do filme que infelizmente temos o azar de ser semelhantel ao da obra original japonesa e por isso se o virmos logo no trailer americano, lá se vai o impacto psicológico da história.
Embora tenha que ser justo e o remake nem sequer é dos piores…mas quando comparado com o original asiático é melhor nem dizer mais nada.
No entanto, se quiserem apreciar devidamente a versão original deste excelente filme sobrenatural oriental , afastem-se por favor do trailer do remake americano chamado “Pulse” pois precisam chegar ao filme japonês sem saberem muito dele.
Agora que estão avisados, bem-vindos a [“Kairo“].

Esta versão original japonesa consegue assustar e inquietar mais o espectador em dez minutos do que a videocliptica versão americana consegue em noventa. Tudo isto sem efeitos especiais daqueles que dominam os filmes da terra do tio Sam. Sem perseguições, cenas de acção e muito menos sem super-vilões sobrenaturais ao estilo Freddy-Kreuger como parece que alguém nos states achou que seria necessário introduzir no remake. Deve ter sido para os teenagers do milho terem algum “mau” para se assustarem nos intervalos das cenas em que admiram as mamas das rapariguinhas modelos que povoam a versão ocidental e que não servem absoutamente para nada a não ser de carne para canhão na habitual contagem de cadáveres á Scream.
Sim, porque foi num Scream que os americanos transformaram este excelente [“Kairo“] que apesar de ser um filme com adolescentes e jovens adultos felizmente é também um filme com personagens pelo qual nos importamos, ao contrário do que acontece no body-count americano.

Portanto, para quem pensar que [“Kairo“], é o equivalente japonês dos filmes de teenagers americanos, é melhor esquecer este filme.
[“Kairo“], é um filme lento.
Muito lento. Muito leeeeeeeeeeeeeento mesmo.
Não é uma lentidão ao estilo Manoel de Oliveira nos seus melhores dias, mas não é de forma nenhuma um filme sobrenatural com uma montagem MTV ou sequer algo que se possa considerar uma montagem ocidental.
E isto não é uma coisa negativa, pois aqui a lentidão no desenvolvimento da história é acima de tudo usada para criar um clima de inquietação constante no espectador que resulta plenamente e dá uma identidade única ao filme.

Este filme nota-se á distância que é um produto japonês, só pelo tempo que demora a criar ambiente. Não tem pressa na montagem para dizer muita coisa e muito menos para explicar o que está a acontecer e por isso este pode ser um filme complicado de seguir para qualquer público que não esteja habituado ao estilo japonês de contar histórias, ou apenas se interessar pela imediatez dos ritmos narrativos cinematográficos americanos.

Por outro lado, também não se assustem com esta descrição, porque não estamos a falar de puro cinema de autor, isto naquele sentido mais Artístico ou intelectualoide cheio de metáforas sobre a vida, a essencia do Ser ou a natureza dos cogumelos.
[“Kairo“], não quer mais do que nos dar cabo dos nervos com uma boa história, que se calhar nem notamos a uma primeira visão, porque é verdade que o ritmo lento do filme pode desarmar-nos quando espreitamos esta obra pela primeira vez.

Confesso que quando vi isto tendo lido apenas um par de críticas na net que garantiam que [“Kairo“], era a coisa mais maravilhosa do planeta dentro do cinema sobrenatural, fiquei bastante decepcionado.
Mas a verdade, é que a montagem errática desta obra me desarmou pois não estava nada á espera de encontrar um filme tão estranho em todos os sentidos.

É estranho, porque na verdade não deixa de ser um filme comercial, mas ao mesmo tempo o seu ritmo narrativo quase que o remete para o cinema de autor e [“Kairo“], quase que acaba por ficar numa espécie de limbo entre os dois géneros.
O que é bom, pois é precisamente de situações no limbo que esta fantástica história sobrenatural trata.
E notem que eu ainda não me referi a [“Kairo“], como filme de terror. Repararam ?
O filme pode ser japonês, ter um estilo estranho, mas tem a grande vantagem de nem sequer tentar imitar o já clássico “Ringu” que definiu as regras modernas do género e só este facto é logo motivo para prestarmos mais atenção a esta obra.
Na verdade se “Ringu” criou um estilo, depois popularizado em mil clones do género como por exemplo a saga “Ju-On”, já [“Kairo“], pode dizer-se que criou uma segunda fórmula seguida também por um par de outras obras menos conhecidas.

[“Kairo“], não é um filme de terror oriental naquele sentido em que nos assusta pelo que mostra, ou por imagens demasiado gráficas, mas por aquilo que não mostra. [“Kairo“], assusta porque não nos explica nada e apenas nos vai mostrando uma sucessão de acontecimentos que adensam o mistério, criando muito devagar e sem pressas nenhumas um clima de medo e tensão insuportável, que nos dá lentamente cabo dos nervos.
A certa altura o espectador dá por si sem saber porque raio é que está tão perturbado, ou o que raio se está a passar na história, ou como irá acabar, mas agora o realizador do filme poderia ter colocado o Bugs Bunny no ecran que metade do público se ainda se conseguisse mexer correria imediatamente para o interruptor da luz, isto antes se não tropeçar em metade da mobilia.

Acima de tudo,  [“Kairo“] não é uma história para assustar momentaneamente em segmentos para nos fazer saltar da cadeira, mas sim para provocar medo e transportar o espectador para o mundo que a pouco e pouco vai criando e que leva o filme a terminar de uma forma extremamente atmosférica, que só nos dá vontade de ver uma sequela quando o filme acaba.
Mas afinal isto é sobre o quê ?

Sem querer revelar muito da história, e partindo do princípio que vocês tiveram a sorte de ainda não terem visto o remake ou o trailer do remake americano, [“Kairo“] conta a história de um grupo de jovens que se começam a suicidar depois de passarem inúmeras horas obcecados com um misterioso website que encontram na internet.

Quando alguns deles começam a investigar o sucedido após inúmeras pessoas desaparecerem aparentemente sem motivo nenhum estes descobrem que a realidade é algo bem mais perturbante do que alguma vez imaginaram e onde a resposta a todas as suas questões pode não apenas trazer a solução do enigma mas também colocar em perigo o destino do mundo, porque os mortos estão á espreita em todo o lado e não haverá nenhum local no planeta onde nos possamos esconder.

Mas não pensem que estamos perante um filme de mortos-vivos, pois  [“Kairo“] apesar de conter uma atmosfera bem semelhante em alguns momentos é mais um filme sobre a morte enquanto dimensão paralela do que própriamente terá algo a ver com um filme do Romero.

Na verdade este filme tem tudo a ver com o ambiente do jogo Silent Hill. Quem gostar do título e procurar um filme de terror com uma atmosfera assombrada muito semelhante e onde o mesmo tipo de inquietação está sempre presente, então não pode perder isto. Apesar de não conter as sequências sangrentas do jogo para a PS2,  [“Kairo“] acaba por ser mais um Silent Hill do que a própria recente adaptação cinematográfica do jogo.

Para começar tem na minha opinião os fantasmas mais “realísticos” de sempre num filme de terror, nunca os vemos bem, aparecem como sombras furtivas no canto do olho e o realizador ainda consegue pregar um par de bons sustos com excelentes momentos inesperados apenas jogando com silhuetas e sombras que se movem. E isto sem ser necessário recorrer ao habitual som ALTO para assustar. Ou melhor, para pregar sustos.

Em [“Kairo“], o silêncio mete mais medo do que qualquer truque cinematográfico á americana e este filme asiático é um bom exemplo de como se constroi um clima de horror sem precisarmos de usar muitos truques baratos ou efeitos especiais caros completamente desnecessários.

E pronto, se calhar é melhor ficar por aqui, pois este é outro daqueles filmes orientais que merecem ser descobertos por vocês mesmo.
Se procuram um bom filme sobrenatural japonês com um toque de horror que ficará na memória mesmo que não lhes impressione muito á primeira por causa do seu estranho ritmo narrativo, não vão mais longe.
Este filme tem atmosfera, uma história intrigante e ainda um par de imagens perturbantes ao melhor estilo Silent Hill.

Não é o melhor filme de terror oriental de sempre, mas tem uns fantasmas que já definiram um estilo dentro do género e que lhes vão mesmo dar cabo dos nervos. E quanto a mim tem um final excelente, que embora um pouco ambiguo deixa-nos com vontade de ver uma continuação que infelizmente não existe.

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CLASSIFICAÇÃO:

Um filme diferente dentro do género sobrenatural. Contorna bem os clichés do cinema oriental e cria uma atmosfera de horror crescente em redor de acontecimentos perturbantes e com ajuda de uns excelentes fantasmas que os farão começar a olhar duas vezes para todas as sombras que têm em vossa casa.
Quatro tigelas e meia de noodles.

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A favor: a atmosfera perturbante assusta mesmo, a fotografia sombria, os silêncios e as sombras, os fantasmas arrepiantes, o sentimento de horror crescente, os sons inquietantes, o final do filme, quem gosta do jogo Silent Hill vai gostar disto.
Contra: a história tem falhas na sua estrutura e pode ser algo confusa de seguir ao inicio, a montagem é errática e a narrativa tem muitos ritmos estranhamente diferentes o que quebra um pouco os momentos de medo e horror, talvez tenha duração a mais pois a parte do meio da história arrasta-se um pouco.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailers
http://www.youtube.com/watch?v=Ubu7hVI48no
http://www.youtube.com/watch?v=y_JFO-Nrk5c&feature=related

Comprar
Existem um par de boas edição lá fora deste filme, e se não estou enganado, até uma edição em Português apenas com som em 2.0, por isso se tiverem 5€ sugiro a compra imediata desta edição
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7m-77-3-49-en-15-pulse-70-610.html pois contém um bom som e apesar do filme ser muito escuro a imagem até nem seja má de todo. Não é brilhante, mas pelo preço não precisam de mais para apreciar este filme. Eu tenho esta cópia e estou muito contente com ela.

IMDB (cuidado com os *spoilers*)
http://www.imdb.com/title/tt0286751/usercomments

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Se gostam deste poderão gostar de:

A Tale of Two Sisters Dark Water

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Mirai shônen Konan (Conan o rapaz do futuro / Conan Future Boy) Hayao Miyazaki (1978) Japão


Cônaaaaaaaaaaaaaaaaaaan !
Lanaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa !
Jimsyyiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii !
Desculpem, não resisti. 🙂
E quem conhece bem esta já quase mítica série do inicio dos anos 80 sabe bem porquê.
Quem viu e gostou desta série de aventuras nunca mais esqueceu estes clássicos gritos dos personagens principais que se tornaram mesmo numa imagem de marca da série.
Bem-vindos a [“Conan Future Boy“], mais conhecido em Portugal como [“Conan, o rapaz do futuro“].

Tenho que dizer logo aqui á partida que para mim [“Conan Future Boy“], não só é uma das melhores series Anime, como acima de tudo é um dos melhores “filmes” de ficção cientifica de sempre.
Na minha opinião perfeitamente comparável a qualquer um dos grandes clássicos do género e portanto não fica nada a dever a um “Blade Runner” e até mesmo a “2001 Odisseia no Espaço” por muito blasfemo que isto pareça a alguns puristas fundamentalistas da ficção-ciêntifica.
Não tentemos menosprezar esta obra prima de Miyazaki só porque é um produto televisivo de baixo orçamento; [“Conan Future Boy“], não é só um triunfo da realização como ainda consegue ser muito mais ficção-cientifica a sério do que muita teledisco MTV que hoje passa por sê-lo nos cinemas.
Por tudo isto, na minha opinião este trabalho merece um lugar de destaque dentro de qualquer lista de referência com boas obras do género.

[“Conan Future Boy“],  tem não só uma história original e muito bem concebida como também, apesar dos seus momentos de acção não tem pressa em meter estilo só para apresentar sequências anime com pinta como depois se tornou infelizmente tão comum dentro do género televisivo.
Enquanto ficção-ciêntifica na minha opinião é uma obra prima e mesmo não sendo uma adaptação fiel do romance, transformou o seu conceito em algo que transcendeu a escrita original.
Conseguiu pegar num romance sem grandes características juvenis e transformá-lo num produto televisivo que deve ser o expoente máximo do equílibrio perfeito entre o filme de aventuras infanto-juvenil e uma história para adultos apreciadores de boa ficção ciêntifica clássica.

Técnicamente, apesar das suas enormes limitações de orçamento  [“Conan Future Boy“], quase que se pode considerar um milagre, isto porque esteve para não ser completado por várias vezes e deve a sua existência ao esforço do seu criador Hayao Miyazaki e do seu sócio que chegaram ao ponto de serem eles a desenhar e pintar á mão não só grande parte dos cenários da série, como ainda por cima tiveram de lidar com milhares de frames colorindo cada uma das imagens durante meses a fio. O que quase torna esta série no maior filme semi-amador jamais produzido.
Até porque na época simplesmente não havia muita verba para continuar a manter a equipa de produção inicial e ninguém queria apostar muito no projecto, apesar de nesta altura ambos já terem algum nome no mercado devido ao enorme sucesso das séries Heidi e Marco que foram dos primeiros Anime a serem exportados para o ocidente com enorme sucesso durante os anos 70.
No entanto [“Conan Future Boy“], foi o primeiro trabalho realizado na totalidade por Miyazaki e como tal os apoios eram poucos.

Mas o sacríficio e as noites em claro acabaram por valer a pena porque o sucesso de  [“Conan Future Boy“], foi tão grande em todo o mundo que permitiu que os seus criadores acabassem por fundar no inicio dos anos 80, o agora famoso e muito reconhecido Estúdio Ghibli onde mais recentemente produziram “A Viagem de Chihiro” e “O Castelo Andante”.
E lembrem-se tudo isto muito antes da era dos computadores pessoais pois tudo nesta série foi construído por processos tradicionais o que lhe dá ainda mais valor.
Na altura a sua primeira produção para cinema foi uma espécie de remake não oficial de  [“Conan Future Boy“] na forma do fabuloso “Laputa Castle in the Sky” onde recuperaram os personagens de Conan e Lana, agora com nomes diferentes e uma história diferente.
Mas tudo teve origem nesta fabulosa série de ficção-científica que no entanto só estreou em Portugal em 1984.

Curiosamente [“Conan Future Boy“], foi uma das séries mais populares de sempre na televisão Iraquiana e um sucesso absoluto nos países árabes por onde passou, tendo sido um verdadeiro embaixador da ficção-cientifica junto daquelas culturas.
Curiosamente também, nunca passou no entanto na televisão de Inglaterra e teve grande dificuldade em conquistar o mercado americano na altura.
Em Portugal, como toda a gente com pelo menos trinta e poucos anos sabe, foi talvez o maior sucesso de animação de sempre e o único programa de ficção-cientifica que se pode comparar em popularidade e estatuto de culto com o Espaço 1999.

[“Conan Future Boy“], passa-se num futuro próximo e onde todos os continentes do planeta Terra estão practicamente submerso debaixo dos oceanos.
Devido a um conflito nuclear em 2008, os polos derreteram e os mares subiram para um nível que transformou practicamente toda a superficie terrestre num conjunto de ilhas isoladas onde os sobreviventes perderam muito do contacto com o mundo exterior que ainda restou.
O sistema político que conhecemos foi substituído por uma ditadura das grandes coorporações que souberam aproveitar-se da tragédia mundial para dominarem pela força e pela técnologia todas as populações da Terra, pois neste mundo futuro apenas eles detêm o poder.

Neste mundo devastado, numa pequena ilha isolada Conan vive com o seu avô desde que nasceu e nunca viu nenhum ser humano além deste durante os seus poucos anos de vida e quando a história começa, Conan encontra-se no seu passatempo favorito mergulhando no oceano e explorando as ruínas submersas de cidades que ele nunca conheceu.
Este conceito simples, serve para nos minutos iniciais do primeiro episódio, o espectador ficar a conhecer o ambiente geral da história e para levar logo com a primeira sequência de acção exagerada ao melhor estilo Anime.
A primeira entre muitas que contribuiram para tornar inesquécivel toda esta série.
Neste caso, Conan captura com as próprias mãos um tubarão gigante que depois transporta alegremente á cabeça quando sai da água numa das cenas mais memoráveis desta história.

É durante esta sequência que Conan conhece Lana, uma miuda da idade dele e o primeiro ser humano que ele encontra na sua vida para além do seu avô. Lana encontra-se desmaiada numa das praias da ilha e Conan mesmo sem saber de onde ela veio, imediatamente a transporta para a sua pequena casa mal sabendo ele que a sua vida iria mudar para sempre a partir daquele momento.
Depois de algumas peripécias Lana é raptada por representantes de Indústria, a poderosa coorporação que domina o que ainda resta do mundo e o avô de Conan também morre deixando-o sózinho na pequena ilha.
Como tal o rapaz resolve partir para tentar salvar Lana, encontrando pelo caminho os mais diversos e divertidos personagens que contribuiram para tornar esta série inesquecivel na mente de toda a gente que a viu quando passou pela primeira vez em Portugal no verão de 1984.

Muita coisa acontece ao longo dos 26 episódios que compõem [“Conan Future Boy“],mas esta história sempre conseguiu manter um extraordinário equilibrio entre a aventura juvenil e uma narrativa de ficção-cientifica que pode ser apreciada por pessoas de todas as idades e é essa a sua grande magia pois contém vários níveis de profundidade por debaixo de uma capa aparente filme de animação infanto-juvenil.
Para isto contribuiu uma excelente construcão de personagens tornando-os muito mais do que apenas desenhos que se movimentam no ecran e já aqui Miyazaki mostrava o seu talento para dotar os seus filmes de personalidade.

Não há verdadeiramente personagens maus nem bons nesta história mas sim pessoas com defeitos e virtudes. Tirando os herois todos aqueles que passam no seu caminho, são caracterizados de uma forma indefinida e se num momento fazem parte dos “maus”, no decorrer da história se calhar poderão não ser tão vilões assim. Isto contribuiu para que nesta história nunca haja muita previsibilidade, até mesmo na forma como a narrativa progride, pois raramente o espectador consegue adivinhar o que poderá acontecer a seguir.

Tudo isto é por demais conhecido de todos aqueles que eram crianças ou adolescentes no inicio dos anos 80, mas o que importa aqui é mesmo apresentar esta série ás novas gerações.
Por tudo isto [“Conan Future Boy“], não só é obrigatório e totalmente recomendável para todos aqueles que gostaram da série quando crianças, como principalmente para quem nunca ouviu falar dela. Especialmente se gostarem de ficção-cientifica ao melhor estilo clássico.
Para quem se lembra dela, esta é uma das poucas séries que não envelheceram e como tal garanto-vos que não será uma decepção nostálgica. Até porque agora revendo-a em quando adultos, vocês irão olhar para esta obra de uma nova forma.
Para quem nunca a viu, poderá ser uma descoberta absolutamente fascinante, se estiverem interessados em ver um história muito bem escrita e acima de tudo muito bem realizada.

Para quem nunca ouviu falar de  [“Conan Future Boy“], mas no entanto conhece a carreira de Kevin Costner, deve estar a pensar que esta série é estranhamente semelhante ao famoso fracasso “Waterworld“.
Curiosamente, o filme de Costner pode não ser um desenho animado, mas no entanto é um produto mil vezes mais infantil do que este Anime clássico, o que torna  [“Conan Future Boy“],  num excelente exemplo de como estas coisas dos bonecos animados serem filmes infantis se calhar tem muito que se lhe diga, ao contrário do que se pensa em Portugal onde tudo o que é desenhado é logo publicitado como filme para crianças.

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CLASSIFICAÇÃO:

Um dos melhores filmes de ficção-cientifica de sempre pois contém uma profundidade que vai muito para além da banal aventura para crianças, o que torna esta série não só num excelente Anime, como acima de tudo é uma obra essencial tanto para quem gosta de animação e de bons contos de ficção-científica com um sabor clássico onde a história é bem mais importante que as cenas de acção.
A prova de que o facto de ser Anime não implica de modo nenhum que seja um objecto menor de Cinema só porque é um desenho animado. E neste caso, a prova de que até um produto televisivo pode ter uma qualidade mais cinemática do que muito filme feito para o grande ecrãn.
Na minha opinião é uma obra prima da animação e é definitivamente o meu “filme” favorito deste realizador.
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award como selo de qualidade excepcional sem qualquer sombra de dúvida.

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A favor: Os personagens são excelentes e muito pouco unidimensionais, as sequências de acção são geniais e muito divertidas e imaginativas, a história é absolutamente perfeita e aproveita ao máximo o conceito do planeta Terra estar submerso como ainda explora muito bem a questão do excesso de poder político das grandes coorporações e o seu papel na destruição do mundo natural em busca de poder, o humanísmo presente em todos os personagens, é possivelmente a melhor das piores adaptações de um livro alguma vez passada ao ecran pois acerta em cheio naquilo que vai buscar ao romance original e adapta o ambiente de forma perfeita, técnicamente é um verdadeiro milagre tendo em conta a origem conturbada deste trabalho, sabe criar uma excelente atmosfera gráfica usando um estilo invitávelmente minimalísta para uma obra que não tinha orçamento para mais, Cônaaaaaaaan ! 🙂
Contra: Absolutamente népia !
Mas se calhar para muitos putos de hoje que não conseguem prestar atenção a um filme que não tenha pelo menos duzentas imagens por segundo na montagem esta série pode parecer um bocado lenta além disso nem mete estilo nem nada.

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Genérico/Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=ZTQB6hPlJI4

Website
http://www.highharbor.net/en/

Leiam o Livro Original aqui:
Quem quiser conhecer o romance original, actualmente só tem uma hipótese de o ler se descarregar o pdf aqui neste website, pois este livro já deixou de estar disponível há décadas e como tal só por milagre encontrarão uma cópia em inglés.
http://hinomaru.megane.it/cartoni/Conan/Inglese/index.html

Comprar
Apesar de já existirem algumas edições legítimas desta série por toda a europa, eu no entanto comprei há muitos anos atrás uma edição manhosa quando ainda não existia nada oficial no mercado. Curiosamente está inclusivamente ainda á venda na Amazon americana e tudo.
É uma edição oriental bootleg , tem muitos defeitos mas não a troco por nenhuma edição a sério. Gosto muito do grafismo, tem a melhor capa de todas as que andam no mercado, tem uma imagem que serve perfeitamente e vem tudo em 3 discos numa caixa com um grafismo excelente e muito bem concebida pois inclui uma protecção de plástico para a embalagem e tudo.
Além disso ocupa muito pouco espaço na prateleira, e custou-me na época menos de 20€. Ao contrário da edição legítima Portuguesa da New Age que quando foi lançada em Portugal dividiram toda a série em duas caixas com metade dos episódios em cada uma e custava 50€ cada caixa na altura. Isto no nosso País é só rentabilizar dê lá por onde der.
Por isso tenho a certeza que ainda vão encontrar a edição Portuga no mercado, talvez agora que a editora faliu , até encontrem a série mais barata.

Eu por mim estou muito contente com a minha edição mas aviso-vos já que no entanto contém muitos defeitos, caso estejam interessados em seguir os meus passos e encontrem ainda algures á venda o dvd com a capa igual áquela que deixei mais acima.
Por exemplo, não tem uma imagem espantosamente nítida, (embora não seja de forma alguma má), mas a legendagem em inglés é do piorio. É que nem sequer se pode considerar uma lengendagem em inlgés, pois na realidade é mais em “Engrish“.
A coisa é de tal modo atroz que a meio da série, já alguém mudou o nome dos personagens e sem qualquer razão para isso. Por exemplo, “Conan” passa-se a chamar “Gaoli” na tradução e o mesmo acontece com todos os outros o que irá certamente deixar completamente baralhado quem nunca viu esta série antes. E isto acontece muito mais vezes ao longo dos episódios, pois “Conan” nesta tradução em “Engrish” chega a ter pelo menos trés nomes diferentes, só para terem uma ideia.
E a coisa chega ao cúmulo de a meio do terceiro dvd, termos pelo menos trés episódios que não contêm legendas de espécie nenhuma !
Não posso dizer que me tenha importado muito, porque felizmente  esta série é extremamente visual e a própria história nem sequer precisa de muitos diálogos. Por isso não se preocupem muito, porque garanto-vos que conseguirão seguir a narrativa sem grandes problemas, o que só comprova o génio do realizador para a narração visual.

Devem pensar que estou maluco, por gostar de uma cópia destas em função de qualquer outra, mas a verdade é que falo por mim e por qualquer motivo gosto muito desta edição, talvez  porque foi a primeira que consegui arranjar numa altura em que ainda não havia qualquer edição legítima da série.
Apenas não gosto de uma coisa. A minha cópia não contém nenhum genérico dos episódios e como tal aquela música da banda sonora não existe, pois todos os episódios estão colados e montados como se todos os mais de 600 minutos fossem tudo parte de um filme enorme.

No entanto, tenho lido que actualmente a minha própria edição já foi revista e corrigida e em muitos aspectos actualmente é bem superior á versão inicial que eu comprei há mais de cinco anos atrás, por isso se calhar até nem perdem muito em arriscar comprá-la se não tiverem problemas em adquirir um produto bootleg e a conseguirem ainda encontrar. Não confundir com edições pirata.
De qualquer forma no momento em que actualizo este texto (Agosto 2010) já existem disponíveis opções oficiais para comprarem.
O próprio realizador Miyazaki tem uma opinião curiosa a propósito desta distribuição não oficial dos seus filmes. Numa entrevista há alguns anos foi o primeiro a dizer que mesmo que ele não ganhe dinheiro com isso, o facto das pessoas distribuirem a sua obra significa que a longo prazo só lhe trará boa publicidade pois quem gostar mesmo dos filmes ficará interessado no seu trabalho e depois certamente quererá comprar as edições oficiais por causa dos extras e da melhor qualidade técnica.

Nota Importante: Provavelmente não será bem o caso com as edições Europeias de Conan, mas normalmente recomendo que tentem comprar qualquer edição Japonesa (ou oriental), porque no que toca aos trabalhos do Estúdio Ghibli, muitas edições ocidentais são regra geral baseadas nos “cuts” americanos da Disney e que ao longo dos anos se entreteu a “remover” alguns (largos) segundos das versões originais por estas aparentemente conterem coisas politicamente incorrectas que não seriam adequadas ás sensibilidades americanas.
Onde isto está por exemplo muito evidente é no que a Disney fez com a série “Conan Future Boy” quando passou na televisão, onde decidiram remover todas as cenas onde Conan e Jimsy formam uma amizade fumando juntos alguns cigarros e que pura e simplesmente foram cenas que os americanos nunca viram.
Practicamente todos os filmes do Estúdio Ghibli distribuídos pela Disney contêm ligeiras alterações, pequenos cortes e até segundo consta, alguns diálogos alterados para não ferir susceptibilidades das ciancinhas e dos paizinhos ocidentais, (leia-se “americanos”).
O exemplo mais recente disto, foram também os cortes na versão americana do “Princessa Mononoke”.

Em principio no que toca a esta série as edições europeias não devem conter cortes, por isso quem quiser uma lista das edições legítimas clique aqui.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0077013/

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Honogurai mizu no soko kara (Dark Water) Hideo Nakata (2002) Japão


Embora o filme “Ringu”, conhecido em inglés como “The Ring” tenha definindo practicamente todos os clichés que encontramos actualmente nos filmes sobrenaturais orientais, nunca foi uma obra que me tenha fascinado particularmente e por isso Hideo Nakata nem sequer faz parte dos meus cineastas de culto, embora reconheça a sua importância dentro do género.
Como “Ringu” não me assustou por aí além, e a sua decepcionante sequela muito menos, levei algum tempo até ganhar coragem para comprar este [“Honogurai mizu no soko kara“], mais conhecido no ocidente pelo seu seu titulo em inglés [“Dark Water“], embora não estejamos a falar do remake americano, mas sim do original Japonês.

Achei [“Dark Water “],  muito superior a “Ringu”.
Gostei mesmo muito da atmosfera triste e melancólica e a ideia do filme ser essencialmente um drama pontuado por acontecimentos sobrenaturais está muito bem trabalhada pois cria no espectador uma angústia que se transforma aos poucos numa sensação de medo e impotência por não podermos ajudar as pessoas que vemos no ecrã.

Ao contrárido de filmes orientais como “Ju-on” em que as pessoas são meros acessórios para criar ambiente e pregar sustos, aqui em [“Dark Water“], acontece precisamente o contrário pois o sobrenatural é usado para dar vida aos personagens e justificar as situações dramáticas que lhes alteram o quotidiano e contribuiem para que o espectador se sinta cada vez mais ligado aos protagonistas á medida que o filme avança.
Isto faz no entnato com que [“Dark Water“], não seja um filme de terror oriental normal e certamente não irá agradar a quem espera muitos sustos fáceis ou constantes sequências inesperadas.

Na verdade, há muito pouco de inesperado neste filme asiático no que toca a grandes reviravoltas de argumento. De tal forma, que até o mistério da parte sobrenatural da história acaba por ser algo decepcionante pois o seu desfecho é tão previsível que a certa altura quase que torna a narrativa mais arrastada do que na realidade é.
Isto porque, quanto mais se aproxima do seu final, mais o espectador já calcula o que vai acontecer a seguir e no entanto o filme parece continuar como se o realizador ainda estivesse a pensar que ia surpreender alguém com alguma reviravolta inesperada. Não surpreende pois o filme nem sequer contém qualquer twist ao contrário do que é comum no cinema oriental.
Quem ficar surpreendido com a resolução do mistério, então certamente deve ter-se deixado dormir com o estilo calmo da narrativa e não apanhou todas as pistas.

[“Dark Water“], não é um filme de terror japonês comum pois é dos poucos filmes orientais dentro do género que consegue dar a volta aos próprios clichés que usa e tal como aconteceu em “A Tale of Two Sisters“, também este é mais assustador porque nos identificamos com as consequências  do sobrenatural na vida dos personagens do que própriamente porque nos prega sustos á volta de situações que nunca viveriamos.

Aqui o medo é uma consequência da angústia que sentimos porque tudo se passa ao redor de coisas perfeitamente banais e não sentimos que se trata de uma realidade fabricada num estúdio de cinema.
O apartamento em [“Dark Water“], poderia ser a casa de qualquer um de nós se tivessemos o azar de nos vermos na situação em que a personagem principal se encontra, os personagens são pessoas absolutamente normais e até o aspecto sobrenatural é perfeitamente baseado nesse conceito.

O filme conta a história de uma mãe em processo de divórcio e a risco de perder a custódia da sua pequena filha. Em virtude disso, é obrigada a mudar-se para um apartamento numa área degradada da cidade ao mesmo tempo que tenta refazer a sua vida e manter o seu precário novo emprego.
Um dia a menina encontra no terraço uma mochila vermelha de criança ganhando-lhe uma obsessiva afeição. A partir daí começa a sentir-se uma presença sobrenatural no condomínio que se manifesta de formas discretas mas perturbantes acabando não só por interferir na relação entre mãe e filha como ainda por cima coloca em risco a custódia da menina para desespero da mãe que não sabendo como lidar sózinha com o que lhe está a acontecer e sem posses económicas para mudar novamente de apartamento é arrastada para uma sucessão de acontecimentos que a levarão até ao desfecho final.
E tudo começa com uma estranha infiltração de água no tecto.

Essencialmente, estamos na presença de um filme oriental de terror psicológico.
Como tal [“Dark Water “], apesar de seguir uma lógica narrativa habitual este não se enquadrará propriamente dentro do cinema comercial se o virmos por um prisma a que estamos habituados.
Acima de tudo é uma obra de Hideo Nakata e isso nota-se, o que automáticamente quase que classifica o filme como Cinema-de-Autor naquele sentido mais negativo para algumas pessoas.
O filme decorre a um ritmo lento, e não tem pressa em mostrar o que o espectador espera ver por isso poderá ser até classificado por muita gente como “filme chato”, daqueles onde não há um pingo de acção, nem monstros, nem sangue a jorros e muito menos efeitos especiais daqueles que o povo tanto gosta.
Mas tem um clima assombrado, muito bem conseguido pela sombria fotografia e pela maneira como usa a arquitectura minimalista do prédio para nos assustar.

Aliás uma das melhores coisas em [“Dark Water“], é precisamente o facto de não precisar recorrer a efeitos especiais pirotécnicos ou cenas chocantes cheias de sangue para assustar. Não há maus, não há bons, não há tiros, não há facadas, não há loiras em t-shirts molhadas e também não tem perseguições de automóvel nem fantasmas em CGI.
E já lhes disse que o filme é lento ?
Tudo é construído com base numa transfiguração do quotidiano mais simples em algo que nos fará pensar duas vezes da próxima vez que estivermos em situações semelhantes. Pelo menos eu já não consigo olhar para uma poça de água sem me lembrar do que acontece neste filme e entrar sózinho em elevadores em prédios suspeitos também não me apetece muito. E banheiras cheias de água de repente também deixaram de ter muita piada.

Resumindo, se gostarem de cinema de terror com identidade e um estilo próprio, recomendo este filme asiático pois sabe como criar um ambiente e apesar da história muito previsível consegue ultrapassar essa limitação provocando-nos alguns bons arrepios. Especialmente se gostarem de filmes de terror com criancinhas de aspecto perturbante e uns fantasmas infantis á mistura.

Uma nota final para o último segmento do filme pois costuma ser alvo de muita discussão em reviews espalhadas pela net.
Muita gente parece ter achado desnecessário o epílogo, mas na minha opinião este é uma das melhores coisas de todo o filme.
Não só fecha a história de uma forma interessante, como o faz criando um dos melhores ambientes de medo que acontecem durante todo o filme.
Já lhes disse que [“Dark Water“], tem um ritmo narrativo lento embora perturbante, mas neste segmento final esse estilo dá origem a uma atmosfera ainda mais assustadora, pois toda esta parte é baseada no silêncio e na gestão desses momentos criando no espectador uma espectativa pesadamente macabra que nos faz estar á espera que algo aconteça a qualquer momento e no entanto parece nunca mais acontece fazendo-nos afundar na cadeira e parar de respirar por momentos.
Para mim fecha com chave de ouro um filme que não sendo uma obra prima do género é no entanto uma excelente proposta para quem gosta de se assustar com estas coisas.

Bom filminho oriental para ser visto pela noite dentro quando vocês estiverem sózinhos em casa e para vos fazer deixar de tomar banho durante os próximos meses também.

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CLASSIFICAÇÃO:
Um óptimo filme asiático de fantasmas e onde a simplicidade compensa e vale mais um ambiente perturbante do que mil efeitos especiais, monstros, zombies,gore ou CGIs.
Vale a pena ser visto e é uma excelente compra para quem gosta do género e é suficientemente corajoso para ver filmes destes feitos por orientais.
Embora contenha momentos assustadores esperava assustar-me mais do que na realidade aconteceu e como tal na retiro-lhe uma tigela de noodles á classificação.
Não lhe dou mais também porque para mim a previsibilidade da história decepcionou-me mesmo muito e quebrou bastante o tom realistico que o filme tinha até ao momento da óbvia revelação do mistério.
Quatro tigelas de noodles. Mas pode valer até mais. Depende muito da disposição de cada um para ver isto na altura. Arrisquem porque vale a pena se gostarem de bons filmes de casas assombradas e se gostarem muito de cinema de terror oriental.

A favor: o clima de medo, a tensão latente nos silêncios, mete criancinhas vivas e mortas brrrr, tem muito poucos efeitos especiais e tudo é construído com base na atmosfera, o tom assombrado é excelente, os últimos minutos metem medo.
Contra: o mistério do argumento é demasiado previsível e um clima de tensão tão bom pedia uma história mais imaginativa. O excelente clima de medo do épilogo chega tarde demais e deveria ter-se sentido mais vezes ao longo do filme.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=_mt0_a68SSc

Comprar
Existe uma edição portuguesa deste filme, practicamente identica á que eu comprei mas também está já á venda muito barata na Amazon Uk a menos de 5€. É aproveitar.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0308379/

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Filmes semelhantes de que poderá gostar:

A Tale of Two Sisters

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