20-seiki shônen: Honkaku kagaku bôken eiga (20th Century Boys) Yukihiko Tsutsumi (2008) Japão


O ano de 2010 começa bem para mim no que toca a boas compras de cinema oriental.

Este é um filme sobre o qual me é muito dificil falar pois é um daqueles produtos de cinema asiático muito dificeis de classificar.
A minha primeira reacção foi a de atribuir-lhe a classificação máxima pois [“20th Century Boys“] é não só muito bom como tem uma coisa que lhe dá logo muitos pontos, é completamente original. Mesmo não parecendo.

Na verdade não me lembro de ter visto nada  assim antes e surpreendeu-me que o filme tivesse uma estrutura inesperada.
Curiosamente o único motivo porque vi o filme foi porque o comprei.
E a única razão porque o comprei foi porque a edição que estava á venda na Amazon Uk (e ainda está) tinha uma relação preço-qualidade que me pareceu muito boa, pois os dois discos vinham dentro de um livro hardcover com 26 páginas a cores e eu não resisto a estas coisas especialmente quando estão á venda por menos de 10€. Comprei o filme a 4 libras um par de semanas atrás.

Tinha visto o trailer há meses e já o podia ter sacado da net há muito tempo para espreitar, mas nem me dei ao trabalho porque [“20th Century Boys“] parecia-me ser precisamente aquele tipo de filme que me aborrece de morte, ou seja algo num estilo super-herois que geralmente não me diz nada e como tal as apresentações nunca me convenceram ao ponto de sequer me fazer ter vontade de ver o filme á borla.
No entanto algo me dizia que [“20th Century Boys“] não seria tão banal quanto me parecia no trailer e devido á sua excelente e barata edição não resisti a comprá-lo.
E ainda bem que o fiz.
Se calhar não se nota pela “suave” classificação que lhe atribuí mais abaixo, mas este filme quanto a mim é absolutamente fantástico e a única razão porque não lhe dou uma nota melhor é porque este é um daqueles produtos que são absolutamente contagiantes quando o vemos pela primeira vez, mas pessoalmente não fiquei com vontade nenhuma de o rever tão cedo.

Não porque [“20th Century Boys“] seja um mau filme, aborrecido ou tenha algum problema grave, mas porque é um daqueles que depende mesmo muito do fascínio que o mistério da história cria no espectador e como tal quando a coisa chega a uma conclusão, mesmo apesar de ser um filme oriental cheio de qualidades há muito pouco que faça o espectador querer voltar a ele muito próximamente.
Pelo menos até ver como a história termina…

[“20th Century Boys“] tem o grave problema de ser uma primeira parte de uma história em trés capitulos. Ou melhor em trés filmes. Além disso a sua originalidade acaba por ser a sua maior virtude e a sua maior fraqueza.
A sua originalidade não está propriamente no estilo, ou até na história, até porque se vocês conhecem obras como Watchmen (tanto o livro como o filme), não vão encontrar algo muito diferente em [“20th Century Boys“], que, quanto a mim é quase uma versão alternativa da Bd de Alan Moore transposta para uma identidade oriental puramente japonesa. Não que seja um plágio, mas o tom da história e até a sua própria estrutura é semelhante.

Segundo consta, esta trilogia de filmes, adapta o Manga mais vendido de sempre no Japão. Algo que me é totalmente alheio pois até agora nunca tinha ouvido falar de tal coisa e como tal parti para este filme como eu gosto. Completamente ás escuras.
O facto de  [“20th Century Boys“] ser a primeira parte da história (em filme) podia até nem ser um problema, pois por exemplo  a primeira parte do Senhor dos Aneis resulta plenamente enquanto filme isolado até ao seu final.
No entanto [“20th Century Boys“] “falha” nesse aspecto porque como alguém já referiu numa outra review na net, parece que os criadores deste projecto se esqueceram que este produto acima de tudo era suposto ser um filme e se calhar não deveria ter seguido tão á risca uma estrutura de banda-desenhada no que toca á sua narrativa.

Por outro lado, esta visão pode ser apenas fruto do nosso olhar ocidental mais habituado ao tipo de estrutura que vemos nos filmes americanos e sendo assim é inevitável que olhemos para [“20th Century Boys“] como um filme algo estranho e inesperado.
Lá ver se consigo explicar isto melhor…olhem que é difícil…
[“20th Century Boys“] é apresentado como um verdadeiro blockbuster “de super-herois” ao estilo japonês. No entanto não se passa nada neste filme asiático ao longo de quase trés horas !!!

Não se passa nada daquilo que vocês pensam que se vai passar se virem os trailers.
As apresentações dão a ideia que o espectador vai ver um blockbuster cheio de acção e cenas de destruição ao melhor estilo de cinema catástrofe e no entanto nada disso acontece  em [“20th Century Boys“].
As poucas cenas de acção e destruição que vocês vão encontrar nesta história são os breves segundos de explosão no aeroporto e no parlamento e isso aparece tudo no trailer sem haver mais nada para mostrar.
As partes de aventura com o robot gigante são practicamente nulas e mais parecem pertencer aos cinco minutos finais de um qualquer episódio de uma série televisiva do que a uma mega-produção que [“20th Century Boys“] apregoa ser em todo o seu marketing.

Ou seja, se esperam um filme de super-herois, ou com uma estrutura (ou espectacularidade) semelhantes ao que estão habituados a ver, esqueçam.
Que achou que Watchmen foi uma seca porque aquilo era muito paleio e pouca acção, então é melhor nem se aproximar de [“20th Century Boys“], pois é trés vezes “mais lento”. O aviso está feito, isto não é o blockbuster que aparenta ser na publicidade (o que muito me agradou).
Ainda por cima quando o filme está precisamente no seu momento mais empolgante ao fim de quase 150 minutos…a imagem pára e aparecem no ecran as palavras “To be continued…” !!!

Curiosamente é um filme oriental bem mais intimista do que eu próprio esperava ter visto.
Practicamente as primeiras duas horas são passadas em desenvolvimento de personagens. Não que isto seja o ponto fraco do filme, mas deixo já o aviso que é muito importante vocês estarem atentos aos nomes dos personagens porque senão vão dar em doidos.
Consta que todos os trés filmes contêm ao todo mais de 300 personagens diferentes e acredito plenamente nisso pois só nesta primeira parte devem passar dos 50. Ainda por cima isto é um filme oriental e como tal…esqueçam o conceito de “heroi” ou personagem principal, pois aqui até o personagem mais secundário é importante para a história e tem o seu momento de ecran específico o que complica bastante a vida ao espectador mais desatento.

Para piorar as coisas, o filme ainda é passado em trés décadas diferentes e como tal apanhamos com os personagens quando crianças em 1970, acompanhamos os mesmos nos anos 90 e ainda os vislumbramos por volta de 2015. O que quer dizer que cada personagem é interpretado por um par de actores diferentes consoante a época em que a história decorre. E muitos deles têm alcunhas em criança e nomes diferentes em adultos…
Resumindo, este filme só pode ter sido um sucesso enorme no japão mesmo.
Metessem isto num cinema americano (ou americanizado) do ocidente e isto seria um fracasso absoluto pois metade das pessoas perder-se-ia por completo no emaranhado da história e personagens infinitamente variados, com a agravante do filme não ter cenas de aventura ou acção intercaladas ao estilo dos argumentos americanos para deixar o cérebro descomprimir.

É que essencialmente [“20th Century Boys“] é um filme oriental de mistério.
E um dos mais intrigantes e completamente hipnóticos que me lembro de ter visto em muito tempo.
Se vocês ficarem intrigados pela história, o seu desenvolvimento não vos vai deixar tirar os olhos do ecran até ao seu final. Final esse que é considerado por muita gente como uma das maiores desilusões do cinema recente.
Isto porque na verdade não corresponde minimamente á ideia de blockbuster com que o filme é vendida no ocidente e como tal era inevitável que muita gente visse as suas expectativas completamente frustradas.

Pessoalmente eu nem queria acreditar no que estava a ver quando o filme parou mesmo no melhor e a expressão “continua” apareceu na imagem.
Nunca tinha visto um filme acabar assim. A sensação com que se fica é que [“20th Century Boys“] acaba ali como podia ter acabado noutro sítio qualquer e isso é um sentimento algo estranho quando como espectadores investimos todo o nosso interesse na história e pelo menos esperávamos que nesta primeira parte algo nos recompensasse os primeiros 150 minutos do nosso entusiasmo.

No entanto…
Superem este pormenor e vão descobrir uma história fascinante suportada por um elenco enorme e cheio de carísma.
O filme practicamente não tem acção (não se deixem enganar pelos trailers), mas nem por isso deixa de ser divertido ou cativante.
Nota alta para o trabalho do realizador que conseguiu manter coeso todo o emaranhado do argumento sem nunca perder o fio á meada e criar um filme divertido e cheio de personalidade. Mesmo sem recorrer a cenas de porrada á americana ou a efeitos especiais ao longo de practicamente todo o filme, [“20th Century Boys“] mantém-nos colados á sua história e interessados no seu desenlace.
Só é pena ainda termos de esperar até ao lançamento do terceiro capitulo para ficar a saber como tudo termina. Isto claro se nunca leram o Manga, cujo o próprio autor é agora o argumentista do filme e talvez seja por isso que esta grande produção pareça ser mais uma banda-desenhada com imagens “reais” em movimento do que propriamente um filme.

Nota alta para o elenco infantil que tem um desempenho absolutamente hipnotizante. Alías, toda a parte passada na infância dos herois é um dos pontos altos do filme a fazer lembrar aquele estilo de história juvenis nostálgicas que normalmente Stephen King costuma contar.
Enquanto espectador não pude deixar de pensar que havia algo de Stand By Me nesta história e isso agradou-me mesmo muito e tenho a certeza irá agradar bastante a todos aqueles que foram crianças nos anos 70 bem antes de existirem computadores, telemóveis, videogames e internet e onde todos nós tinhamos de inventar os nossos próprios mundos de imaginação pois não havia nada do género pré-fabricado. O filme (e a história) capta muito bem o espírito de infância desses anos e sendo assim é mais um dos seus pontos altos.

Como este texto já vai longo e não quero revelar muito sobre o filme vou terminar apenas dando-lhes uma ideia da história.
Essencialmente [“20th Century Boys“] é sobre um misterioso culto religioso centrado num enigmático logotipo e numa figura conhecida apenas como “Friend” e sobre a maneira como esta personagem consegue dominar (e destruir?)  o mundo.
No inicio dos anos 70 um grupo de crianças imaginou uma história de ficção-científica precisamente contendo todos os detalhes que depois se vieram a tornar reais e como tal todo o mistério gira á volta da possibilidae de “Friend” ser na realidade ser uma das crianças do grupo original que de alguma forma conseguiu tornar realidade algo surgido num jogo infantil muitos anos atrás.
Fico-me por aqui pois há muito para descobrirem se virem [“20th Century Boys“].

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CLASSIFICAÇÃO:

Sinto que quando conseguir ver os trés filmes de uma só vez e puder unificar toda a história, hei de voltar a esta review e adicionar mais uns pontos á sua classificação.
Isto porque [“20th Century Boys“] é um filme diferente dos outros porque tem uma estrutura inesperada e como tal devido a isso é quase injusto estar a classificar isoladamente esta primeira parte pois ao contrário de filmes como o primeiro Lord of The Rings, esta não resulta enquanto filme e sente-se mesmo a falta da continuação para podermos ser realmente justos sobre o que dizer sobre o produto final.
No entanto não deixem de ver [“20th Century Boys“] pois é algo absolutamente único e recomenda-se vivamente.
Quatro tigelas de noodles…por agora…

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A favor: também neste filme o argumento labirintico e a forma como cruza os diversos caminhos do destino dos protagonistas, as sequências nostálgicas da infância dos personagens, o elenco e a quantidade enorme de personagens (secundários(?)), apesar da complexidade da história o trabalho do realizador é notável a gerir tudo aquilo, em 150 minutos de filme mesmo sem practicamente acção nenhuma o suspanse mantém-se apenas pela força da história e carísma dos personagens, o estilo de realização tem variações impecáveis que nunca deixam o filme perder o interesse e quase que assistimos a um estilo de filmagem diferente para cada personagem, a fotografia destaca-se especialmente nas sequências dos anos 70, quem gostou de Watchmen irá gostar de [“20th Century Boys“].
Contra: quem espera um blockbuster cheio de acção e estilo cinema catástrofe cheio de efeitos especiais vai ficar muito decepcionado, este primeiro filme não está estruturado enquanto primeiro capitulo com um principio meio e fim e acaba de forma completamente inesperada e sem resolver absolutamente nada do que desenvolve ao longo de quase trés horas, não sentimos que estamos a ver o primeiro filme de uma trilogia mas apenas um bocado do inicio de um qualquer filme de oito horas que subitamente nem sequer fica a meio mas acaba no inicio quando tudo parece ir começar a sério, as cenas de acção que supostamente seriam o climax desta primeira parte são absolutamente desinteressantes e banais mais parecendo a parte final de um qualquer episódio televisivo de uma série desinteressante qualquer com robots gigantes.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=OCFOM5mZx28&feature=related

COMPRAR
A foto acima pertence á edição que eu comprei na Amazon Uk e que recomendo. Os dvds vêm dentro de um bonito livro numa edição hardcover com 24 páginas a cores detalhando muita coisa sobre o universo do filme (cuidado com os spoilers). Tudo com o excelente preço a condizer.
20th Century Boys (2 Discs & 24 Page Book) [2008] [DVD]

Está também já disponível o segundo capitulo numa edição em tudo semelhante á do primeiro caso queiram continuar a colecionar isto em dvds separados.
20th Century Boys Chapter 2 (2Disc & 24 Page Book) [DVD] [2009]

E finalmente o terceiro.
20th Century Boys 3: Redemption (Ws Sub Ac3 Dol) [DVD] [Region 1] [US Import] [NTSC]

Em alternativa, se quiserem já adquirir os 3 filmes de uma só vez também já o podem fazer numa única e muito interessante edição.
20th Century Boys Trilogy – The Complete Saga [DVD] [2010]

Recomendo vivamente a compra das edições dvd acima, mas se quiserem espreitar o filme primeiro podem ir buscá-lo aqui com legendas em Pt(Brasil)

IMDB
http://www.imdb.pt/title/tt1155705/

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Filmes “semelhantes” de que poderá gostar:

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Toki o kakeru shôjo (The Girl Who Leapt Through Time) Mamoru Hosoda (2006) Japão


Ora aqui temos um Anime diferente.
Num mercado saturado de longas metragens cheias de herois anime gráficamente estereotipados onde inevitávelmente todas as sequências de acção seguem sempre as mesmas regras visuais é muito bom encontrar um filme de animação como este.

[“The Girl who Leapt Through Time“] embora não sendo único no estilo é uma obra diferente dentro da animação japonesa.
Primeiro, não é um filme de aventuras, de acção, de super-herois ou sequer de fantasia, por isso é melhor avisar desde já que quem procura o típico filme anime cheio de movimento, montagem acelerada com imensas sequências cheias de estilo e cenas espectaculares não o vai encontrar aqui.
[“The Girl who Leapt Through Time“] é um filme calmo.

Não tem pressa de ir a lado nenhum, demora o seu tempo a estabelecer os seus personagens e por alguns momentos parece ser uma história sobre nada, onde muito pouco se passa, toda a gente fala muito e faz pouco e onde se nota logo de início que não vai haver sequer qualquer vilão na história. Pior ainda, torna-se evidente logo desde os primeiros minutos que isto vai ser essencialmente um “chick flick” vulgo, “filme para gajas” pois tem um tom extremamente feminino o que irá certamente afastar muito público que procuraria algo com mais adrenalina mas por outro lado, aposto irá atrair outro tanto que normalmente até poderá nem ligar a desenhos animados.

A adrenalina aqui, não está nas sequências de acção espectaculares nem no visual estilizado a duzentos fotogramas por segundo, mas principalmente no desenvolvimento da história porque essencialmente [“The Girl who Leapt Through Time“] é principalmente um filme sobre personagens. Melhor ainda, é um filme sobre pessoas e tudo isto poderia ter sido um filme normal em “imagem real” pois na verdade não contém própriamente nada que o obrigasse a ser produzido em anime. No entanto é um desenho animado e enquanto obra do género assemelha-se bastante a “Only Yesterday” um dos filmes do estúdio Ghibli mais obscuros pois são ambos duas histórias essencialmente femininas á primeira vista mas que têm muito mais para dizer do que seria de esperar num produto de animação.

E como se não bastasse [“The Girl who Leapt Through Time“] é quase um filme oriental de animação sobre string theory ou física quântica pois todo o argumento gira á volta da capacidade que a heroína da história tem de conseguir saltar pelo tempo á sua bela vontade e com isso criar muitas realidades alternativas causando o mais variado caos por entre as situações que vive e tenta corrigir.

Essencialmente o filme conta a história de Makoto, uma adolescente japonesa que uma manhã acorda num daqueles dias “não”. Discute com a irmã, fica sem pequeno-almoço, chega atrasada ao liceu, apanha com um teste surpresa na aula de matemática, provoca um incêndio numa aula de culinária, leva com um colega em cima ao passear no recreio, fica sem travões na sua bicicleta ao descer uma rua inclinada e basicamente para terminar o dia em beleza morre trucidada por um comboio quando não consegue parar na passagem de nível por causa da avaria na bicicleta.
Ou talvez não.
É que no preciso momento em que é atropelada pelo comboio, Makoto salta no tempo vendo-se subitamente transportada para alguns segundos antes e percebe que por qualquer motivo a sua morte óbviamente não aconteceu pois afinal a sua bicicleta tinha chocado dessa vez com uma pessoa que ia a passar evitando assim que Makoto sequer se tivesse aproximado da passagem de nível.

Ou talvez não…
Fiquem apenas a saber que Makoto depois do seu acidente, logo descobre que consegue saltar pelo tempo e não passa muito também sem que ela decida começar a usar o seu novo dom para ir alterando umas pequenas coisas aqui e ali no seu quotidiano de modo a equilibrar melhor a sua vida e a dos seus amigos.
No entanto como nem tudo é o que parece, em breve Makoto aprende que não existem pequenas mudanças na vida das pessoas e que qualquer alteração no seu destino pode significar muito mais do que apenas conseguir ter boas notas num teste que subitamente deixou de ser surpresa.
E mais não conto sobre esta parte porque senão o filme perdia a piada.

Embora [“The Girl who Leapt Through Time“] possa nesta altura parecer um anime de ficção-ciêntífica, a verdade é que vai muito mais além da premissa da história e na verdade o conceito é mais usado para depois justificar o desenvolvimento de personagens do que própriamente para agradar a quem esta altura já esperaria uma qualquer maravilha em anime sobre fisíca quântica. Não se esqueçam que afinal, este é um filme sobre personagens, sobre emoções, sobre as escolhas que pode haver na nossa vida e sobre qual o papel principalmente daqueles detalhes que nem julgamos relevantes e que se calhar no fundo são os que mais contam ao mesmo tempo que o filme tenta também demonstrar que se calhar muitas situações que á partida parecem más na altura poderão ser afinal o início de algo muito bom.

Como podem ver este não é um filme tão simples quanto aparenta ser.
Na verdade nem será propriamente um anime comercial, daí talvez a explicação para o grande fracasso de público que foi no oriente a quando do seu lançamento nas salas de cinema, pois muito pouca gente estaria á espera de com este tema de viagens no tempo levar com um anime intimista que mais parece um filme de autor do que própriamente algo talhado para um grande êxito comercial imediato.

Fracassou comercialmente mas não a nível de prémios.
[“The Girl who Leapt Through Time“] tem ganho reconhecimento por todo o sítio onde passa e com isso tem vindo também a ganhar um estatuto de filme de culto que só lhe fica bem. É que este pode ser um daqueles filmes de que não se gosta muito da primeira vez que o vemos (aconteceu-me também a mim), mas também é depois outro daqueles que por qualquer motivo não nos sai da cabeça até que voltamos a ele e já sem ideias pré-concebidas conseguimos apreciá-lo devidamente pelo que ele é e não há dúvida que este é um filme especial.
Os personagens são interessantes com destaque para Makoto que é realmente a alma do filme e um sucesso absoluto no que toca á caracterização humana de um personagem anime, a animação embora não deslumbre também não precisa de o fazer e os cenários são excelentes e conseguem transmitir uma atmosfera muito especial a um filme que na verdade não precisa mais do que já tem.

Além disso, consegue também ser uma excelente história sobre amizade com uma pitada de romance que vai agradar certamente até a quem normalmente nem liga muito a desenho animado mas no entanto gosta de cinema romântico oriental. Até neste ponto [“The Girl who Leapt Through Time“] recomenda-se vivamente pois contém no seu centro uma boa história de amor adolescente daquelas que envergonham qualquer filme teen americano e onde temos excelentes personagens que apesar de não passarem de desenhos nos fazem esquecer por completo que nem são de carne e osso pois no fim de tudo conseguem não só colocar o espectador a pensar com principalmente fazê-lo sentir uma empatia muito bem trabalhada e só esta humanização essencialmente adulta é um bom motivo para espreitarem este filme porque se conseguirem ultrapassar o seu ritmo lento vão certamente dar o vosso tempo por bem empregue.

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CLASSIFICAÇÃO:

Um filme que vai ganhando pontos de cada vez que o revemos. Comecei por lhe atribuir pouco mais de trés tigelas de noodles mas de momento já vou em quatro. Por agora fico-me por esta pontuação mas tenho a certeza que ainda a irei rever no futuro pois este é outro daqueles filmes que tem qualquer coisa especial que nunca sabemos bem o que é e que não nos deixa esquecê-lo.
Quatro tigelas de noodles portanto. Por agora…

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A favor: a humanização dos personagens, a personagem principal é excelente, a vertente de física quântica do filme pois as viagens no tempo são muito bem usadas para tornar reais os personagens, o sentido de humor latente mas nunca demasiado exibido, os cenários do filme, a banda-sonora muito ambiental mas discreta, as emoções que consegue transmitir já na parte final, a realização com o seu ritmo lento mas seguro e cheio de atmosfera, é cinema adulto e dá-nos um par de bons motivos para pensar.
Contra: o filme não deslumbra a uma primeira visão e pode até ser algo estranho e mesmo desinteressante pelo seu ritmo lento, por qualquer motivo não gosto muito do estilo gráfico dos personagens mas isto se calhar sou eu que estou para aqui a inventar, pode ser cinema anime mas não é para todos os públicos pois aproxima-se muito mais do cinema de autor do que do típico anime comercial.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://br.youtube.com/watch?v=Xk9SAmD00Iw&feature=related

Comprar
A Amazon Uk, tem disponíveis duas edições excelentes e baratinhas e tudo.

The Girl Who Leapt Through Time – Edição Simples

The Girl Who Leapt Through Time – Edição Especial

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0808506/

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Apesar de ter mais Anime neste blog, não existe nada semelhante a este filme que possa de momento recomendar.

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Tengoku no honya – koibi (Heaven´s Bookstore) Tetsuo Shinohara (2004) Japão


Este é um daqueles filmes orientais que é dificil de descrever se não contar pelo menos uma boa parte da história por isso espero que não lhes estrague o efeito de surpresa, mas vou começar por aqui desta vez. Não se preocupem pois não haverá *spoilers* de maior.
Bem-vindos á vida depois da morte e ao poéticamente esotérico [“Heaven´s Bookstore“].

Após ter sido despedido da sua orquesta, Kenta, um jovem pianista clássico resolve básicamente enfrascar-se num bar para afogar as mágoas. Mas a coisa não lhe corre bem e o rapaz acorda no dia seguinte numa livraria muito especial sem saber como lá chegou.
O gerente do local, revela-lhe que se encontram no Céu, (esse mesmo) e foi Ele que o trouxe até ali embora nunca lhe revele porquê.
Explica-lhe no entanto que cada ser humano tem sempre 100 anos de vida e se uma pessoa morre antes desse prazo, por exemplo aos 60, terá então de passar os restantes 40 anos no Céu antes de voltar a Terra para uma nova vida.

No Céu, Kenta conhece Shoko uma pianísta que ele admirava quando criança e que morreu alguns anos mais tarde. Formam uma amizade com base no seu amor pelo piano e juntos decidem continuar a compor uma sonata especial que a rapariga deixou incompleta na altura em que morreu.
Entretanto cá em baixo na Terra, Natsuko, a sobrinha de Shoko quer voltar a organizar na sua vila um espectáculo de fogos de artíficio que deixaram de ser apresentados doze anos atrás quando Takimoto, o artesão que fabricava os explosivos resolveu súbitamente abandonar para sempre a sua arte pirotécnica.

Acontece que Takimoto esteve um dia noivo da pianista Shoko mas por causa de um acidente com um dos explosivos do artesão, a jovem perdeu não só a audição num dos ouvidos como desistiu de compor para sempre o que acabou mais tarde por provocar a separação definitiva dos dois amantes.
Meses mais tarde quando Shoko morreu vitíma de doença prolongada, deixou incompleta a mais importante das suas obras, uma composição que tinha por objectivo ilustrar cada sessão de fogo de artíficio criado pelo homem que amava e que a partir desse momento deixou de ter razão para existir pois Takimoto criava essencialmente espectáculos de luz para também celebrar o seu amor por Shoko.

Esta é essencialmente a base de [“Heaven´s Bookstore“], que naturalmente tem ainda um par de outras pequenas histórias envolvendo personagens secundários mas que ficam para vocês descobrirem.
Todo o conceito á volta do Céu é absolutamente perfeito e sem recorrer a qualquer efeito especial o filme consegue criar um ambiente sobrenatural extremamente calmo e celestial que os vai deixar com vontade de passar uns tempos naquele local.

[“Heaven´s Bookstore“], não é um  filme sobre religião mas no entanto consegue criar uma história com um pano de fundo espiritual fascinante ao mesmo tempo que evita qualquer conotação com uma crença religiosa específica e constroi um mundo Celestial que se poderá adaptar a qualquer filosofia apesar de ser plenamente baseado na cultura Japonesa.
O  que em mãos mais ocidentais poderia ser um filme panfletário sobre qualquer crença religiosa Cristã (especialmente se fosse filme americano), em [“Heaven´s Bookstore“],  transforma-se numa obra extremamente atmosférica verdadeiramente universal e com uma textura visual única que enche este filme de pequenos momentos sobrenaturalmente poéticos apenas recorrendo a cenários quotidianos ou a elementos da natureza, transportando o espectador até a uma visão do Paraíso que tenho a certeza ninguém deixará de achar original.

E já que falo nisto, talvez a minha coisa favorita em toda esta história é a representação de Deus.
Eu que me orgulho de ser completamente ateu, embora me interesse imenso pelo lado espiritual e filosófico da nossa existência, sempre que consigo encontrar uma obra que transcenda as limitações de qualquer religião organizada fico logo com vontade de a dar a conhecer.
Embora muito poucos exemplos consigam produzir algo equilibrado neste nosso planeta ainda inexplicávelmente dominado pela religião, temos aqui uma excepção.
Isto agora levar-nos-ia muito longe, mas gosto quando aparecem histórias que retratem Deus, não de uma forma religiosa, mas sim como sendo essencialmente – “um gajo comum” e [“Heaven´s Bookstore“], tem nesse aspecto uma das melhores e mais simples representações de uma entidade supostamente “divina” que encontrei em cinema. Tão simples que quase nem se nota.

Consegue ser suficientemente subjectivo para que cada pessoa lhe atribua a conotação que bem entender fazendo dele um filme universal e talvez seja este o seu grande encanto.
Houve alguém que um dia questionou:  “Se Deus nos explicasse detalhadamente como criou o Universo e nos ensinasse tudo sobre o processo de criação, será que ainda o considerariamos um Deus depois de nós aprendermos todo o segredo” ?

Em [“Heaven´s Bookstore“], nada nos é explicado por “Deus” porque o filme não é sobre Ele.
Mas a maneira como Ele nos é apresentado segue um pouco esta linha de pensamento resultando num Deus bem mais cativante pela sua humanidade, personalidade e simplicidade do que mil interpretações que qualquer religião oficial politicamente correcta continue a impingir á humanidade.
Neste filme, Deus é um tipo simples, um gajo porreiro que se entretém a gerir o centro do Paraíso na sua fascinante livraria/biblioteca contribuindo com isso, para a evolução espiritual de toda a gente que por lá passa através da divulgação do Conhecimento e fomentando o gosto pela Cultura a todas as almas que habitam temporáriamente no Céu.

Nessa livraria, o próprio Deus contribui ele próprio com a leitura das histórias presentes nos livros da biblioteca para quem o quiser ir ouvir naquele espaço e através delas e das suas metáforas ajuda os habitantes do Paraíso a a ultrapassarem as tristezas da sua vida anterior, enquanto aguardam a próxima reencarnação.

No caso da jovem pianista Shoko, aparentemente Deus resolveu aplicar um método diferente e como tal trouxe Kenta para o Céu pois inevitávelmente a interacção entre os dois pianistas serviria não só para ajudar a resolver as mágoas de uma pessoa mas essencialmente de trés almas marcadas pela tristeza. Duas no Céu e uma na Terra, pois o artesão Takimoto continua a sofrer com o seu sentimento de culpa por ter abandonado Shoko quando ela mais precisava dele no momento em que ficou doente.

Essencialmente [“Heaven´s Bookstore“], gira á volta deste conceito e apesar do que contei poder parecer se calhar até demais, quando virem o filme vão perceber que ainda há muito para descobrir nele e nas suas entrelinhas, mas essencialmente fico-me agora por aqui.
Apenas posso dizer que gostei muito deste filme oriental.
Não o achei tão bom quanto por exemplo, um “Il Mare” pois acho que lhe falta qualquer coisa que o torne especial, mas não deixa por isso de ser um filme muito poético e acima de tudo esotérico de uma forma simples que não tenta apresentar verdades absolutas mas sim fazer sonhar o espectador ao mesmo tempo que nos conta uma boa história.

Tem no entanto uma falha que se nota particularmente em alguns momentos do filme e impede que eu lhe dê uma classificação maior.
O argumento de [“Heaven´s Bookstore“], teve origem em dois romances japoneses distintos que foram misturados de modo a criar uma única história e no filme nota-se demasiado essa separação pois as coisas não fluiem tão naturalmente quanto seria de desejar.
Por muito que o realizador tente, a parte passada no Céu embora  excelente nunca liga muito bem com a outra metade passada na Terra (ou vice-versa), pois ambas parecem pertencer a filmes diferentes, o que origina uma quebra de ritmo narrativo que se nota bastante particularmente a meio da história.

E nem o trabalho extraordinário de composição da jovem actriz que neste filme faz dois papeis, consegue ligar as duas metades apesar de ser a mesma pessoa que faz de Shoko no Céu e também de sua sobrinha Natsuko na Terra ( a mesma actriz de “Be With You“).

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CLASSIFICAÇÃO:

Este é um filme de que me apetece gostar muito mais do que na realidade gosto, por isso não é daqueles que recomende como uma prioridade se procurarem histórias de amor embora seja uma boa história.
Na verdade, fiquei algo decepcionado, pois esperava emocionar-me mais do que veio a acontecer porque tinha gostado mesmo muito do trailer e no entanto aquele ambiente que se encontra na apresentação sofre várias quebras ao longo do filme e isto retira-lhe algum do impacto dramático e romântico que merecia ter mas na minha opinião nunca alcança.
No entanto, se já tiverem visto as outras histórias de amor que tenho recomendado neste blog, [“Heaven´s Bookstore“], é uma óptima compra para juntarem a seguir á vossa  colecção pois não é de forma nenhuma um mau filme, muito pelo contrário e só pela atmosfera das cenas passadas no Céu vale mesmo a pena.

Quem gostar de piano (ou se tocar piano), adicionem mais uma tigela de noodles á minha classificação porque o todo o filme gira á volta desse instrumento e por isso tenho a certeza de que irão gostar muito pois está plenamente utilizado para criar a atmosfera do filme.
Quatro tigelas de noodles (mais uma se gostarem mesmo muito de piano clássico).

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A favor: o ambiente do Céu faz com que nos apeteça ir passar la uns tempos, a livraria/biblioteca Celestial, as cenas filmadas na planicie verdejante ao sabor do vento atravessada por uma única estrada que leva “á saída do Céu”, a maneira como a banda sonora é usada para criar uma atmosfera de melancolia, Deus é um bacano de chapéu cool e usa T-Shirts Havaianas – o que se pode pedir mais ?
Contra: a narrativa tem falhas na sua estrutura pois sente-se claramente que são duas histórias separadas a tentarem colar forçadamente, as partes passadas na Terra com os personagens que estão vivos apesar de ligarem com os acontecimentos no Céu nunca são particularmente interessantes porque ainda por cima são demasiado previsíveis, não há nenhuma surpresa de maior na história e se calhar neste caso um bom twist teria ajudado a ligar os dois argumentos, não é o filme romântico que parece ser no trailer e até talvez seja demasiado melancólico e triste.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=h9PWxuGQC7M

Videoclip
http://www.youtube.com/watch?v=CoG-R3-nHyM&feature=related

Comprar
Recomendo esta edição. Excelente em todos os aspectos. Óptima imagem, excelente Dts e Extras a condizer tudo legendado em inglés.
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7j-77-5-49-en-15-heavens+bookstore-70-rbx.html

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0423360/

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Se gostaram deste irão certamente gostar de:

Be With You My Sassy Girl Love Phobia

Il Mare The Classic Fly me to Polaris

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Bichunmoo (Bichunmoo-O Guerreiro) Young-jun Kim (2000) Coreia do Sul


Tens 12 anos, kurtes uma beca de filmes porque têm muita acção e axas a MTV o máximo porque é boé da cool, porque yá, sim e essas cenas ? Então vais adorar [“Bichunmoo“] porque este filme é para ti jovem.

Para o resto do pessoal, tenham medo, muito medo, porque se comprarem este filme, particularmente a sua edição Portuguesa de nome “Bichunmuu-O Guerreiro” (parece nome de churrasqueira), vão desejar antes ter queimado um par de notas porque ao menos isso provocaria alguma reacção emocional.
[“Bichunmoo“] é um dos piores filmes Wuxia que poderão ter o azar de comprar na vossa vida e é tão mau que até faz com que coisas semelhantes como “Shinobi” pareçam ser cinema.

Isto de uma pessoa andar á procura de filmes fora do sistema comercial americano, também tem os seus riscos e de vez em quando por falta de mais informação sobre um titulo (ou excesso de hype á sua volta), lá nos caiem em cima coisas que nem se percebe porque foram feitas.
No caso deste [“Bichunmoo“], infelizmente só se percebe tarde demais quando espreitamos os making of do filme e nos deparamos com os seus criadores a dizerem todos orgulhosos que este foi feito para agradar precisamente á geração MTV e a toda a gente que acha aqueles filmes Wuxia “menores” como “Hero” uma grande seca porque são chatos e assim essas coisas, tás a ver…

Foi pena eu não ter sabido disto antes de comprar este [“Bichunmoo“], pois teria poupado algum dinheiro. Ainda por cima fui idiota o suficiente para comprar a genial edição Portuga em dvd onde mais uma vez se demonstra que neste país não só se editam todos os monos que pareçam ser de Karaté (filmes orientais=karaté), como ainda por cima são editados com condições técnicas no mínimo duvidosas e aparentemente sem grande controlo de qualidade antes do produto ser atirado para os cestos de promoções dos hipermercados.
É que vocês não sabem, mas como se já não bastasse o filme ser mau, ainda por cima parece que alguém aqui no nosso país decidiu transformá-lo numa comédia hilariante porque mais ou menos durante os últimos 40 minutos finais, o som do dvd está completamente dessincronizado pelo menos com sessenta segundos de atraso em relação ao que se passa na imagem.
Se quiserem rir á parva comprem o dvd pois há um par de momentos absolutamente hilariantes durante a parte final por causa deste pormenor no som. Quase que redimem o filme e pela qualidade deste bem que podem agradecer á editora Portuguesa.

Mas afinal qual é o problema com este filme, [“Bichunmoo“] ?
Bem, começa logo por aí, porque de filme tem muito pouco. Parece mais um telefilme, ou pior um episódio dos Power Rangers.
A primeira impressão que se tem quando começa é que a fotografia está um bocado deslocada da atmosfera que a história mereceria ter.
As imagens mais parecem seguir aquele estilo gráfico de telenovela TVI onde todo o cenário está constantemente iluminado com óbvios focos de luzes ás cores por todo o lado, do que própriamente se nota que houve uma preocupação em criar-se uma atmosfera que servisse o argumento.
Por outro lado a malta do MTV vai gostar pois o filme assemelha-se estéticamente a um enorme videoclip de duas horas.
Como resultado, parece mais que estamos a ver um mau produto televisivo em que o estilo de iluminação muda constantemente do que um filme supostamente feito para cinema. Será que despediram sucessivamente vários directores de fotografia ?
Logo neste aspecto se o objectivo dos seus produtores era evitar parecer-se com o filme “Hero” então começaram logo bem pois muito poucas imagens se poderão comparar.
Para já nem falar do resto do filme.

[“Bichunmoo“] supostamente é outra adaptação de uma famosa Manga oriental e como tal muito do seu sucesso deveu-se precisamente a isso, embora sinceramente eu não consiga perceber como raio é que esse tipo de adaptações inevitávelmente dão origem a filmes cada vez piores.
O que se passa com estes orientais ? Quando as suas histórias Wuxia são argumentos originais normalmente o resultado é sempre excelente, mas quando estes adaptam bandas-desenhadas parece que todo o talento asiático para criar cinema do género se evapora e o resultado são sempre produtos completamente desiquilibrados ficando sempre a meio termo entre o filme infantil e o drama para adultos, falhando miserávelmente em ambas as abordagens.
Já tinha contecido em “Shinobi“, aconteceu neste [“Bichunmoo“] e voltou a acontecer no épico “Battle of Wits” também adaptado de outra popular Manga, embora ao menos este último não tenha tido estética de teledisco ao contrário do presente filme.

Em termos de argumento, levamos com a habitual história de vingança do rapazinho que vê a sua aldeia destruída pelo mau de serviço, depois cresce e torna-e um espadachim um bocado traumatizado que basicamente resolve chinar (hehe) o gajo mau que é mesmo mau, diga-se de passagem. Tão mau que até consegue gritar com boca fechada na última metade do filme se estiverem a ver o dvd editado em Portugal.
Não haveria grande mal com este argumento formulático se a realização do filme estivesse á altura, o problema é que parece que alguém achou que o que interessava em [“Bichunmoo“], seriam as sequências de acção e como tal, qualquer coisa que se pareça com um fio de argumento apresentado de uma forma lógica apenas lá está para ligar a próxima cena de porrada super-ultra-cool-mega estilosa que pode ser mal filmada mas nem por isso deixa de ser também ainda por cima muito “bem” iluminada por belos focos multicolores ao melhor estilo teledisco dos anos 80.
É que lá por ter muita acção não quer dizer que estes segmentos sequer estejam particularmente bem feitos o que ainda agrava mais o resultado, pois a própria montagem é do piorio.
Se esperam seguir uma história com alguma lógica narrativa, esqueçam.
A meio do filme nem vocês sabem como as coisas acontecem ou porque acontecem e a história dá saltos completamente inesperados que nem me vou dar ao trabalho de detalhar agora aqui.

Pelo meio, para confundir ainda mais as coisas, o filme de repente muda de estilo e por momentos parece que tenta ser um drama romântico de fazer chorar as pedras da calçada ao melhor estilo oriental. Mas por essa altura tudo o resto já é tão mau e tão irrelevante que pouco nos importamos com o destino do par romântico. Ainda por cima o realizador deve ter pensado que para criar romance e emocionar o espectador bastava usar todos os clichés do género e assim levamos com as mais banais cenas dramáticas ao pior estilo telenovelístico durante os poucos momentos que ainda poderiam ter salvado este filme se tivessem conseguido introduzir nesta história alguma alma.

Acontece que quem realizou [“Bichunmoo“], não possui o talento da pessoa que filmou “Fly Me to Polaris” e portanto, isto de manipular clichés românticos e filmar ao estilo videoclip, tem que se lhe diga pois esse filme provou definitivamente que a “banalidade” romântica também pode ser uma arte quando os seus ingredientes são trabalhados correctamente.
Coisa que não se nota em neste filme, pois mesmo tentando usar os mesmos truques que “Fly Me to Polaris” tão bem usou para nos emocionar, nunca nos consegue tocar minimamente porque a história de amor parece estar mais lá porque faz parte da fórmula e havia que equilibrar a espadeirada de plástico, do que propriamente porque o realizador tenha algum talento para filmar histórias românticas.
É que ainda por cima esta parte parece clonada de “Shinobi“, o que não é propriamente a melhor referência quando a ideia seria criar uma empatia com o espectador.

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CLASSIFICAÇÃO:

Possivelmente o pior filme Wuxia que vi até hoje.
Só comparável a outros monos como “Shinobi” ou “Seven Swords”.
Os próprios produtores do filme afirmam orgulhosamente que [“Bichunmoo“], foi feito a pensar na geração MTV e por isso tirem daqui as vossas conclusões. )
Se calhar até vão gostar, mas sinceramente duvido.

Mais uma vez, cuidado com as reviews que classificam este filme de absoluta maravilha, pois podem acabar com um dvd nas mãos que não vale o disco em que está gravado. 
E atenção que a edição portuguesa tem um problema no áudio e a última metade do filme tem o som com um atraso de mais de um minuto em relação á imagem, o que o torna hilariante.
Mas nem um som em condições conseguiria evitar que este filme fosse tão mau.
Se eu vejo mais um foco de luz azul em estética de videoclip á contraluz acho que derreto este dvd.
Uma tigela de noodles, por tudo e mais alguma coisa, pois nem sequer algumas imagens bonitas esporádicamente localizadas ao longo da história conseguem evitar que este filme seja realmente mau.

noodle2.jpg 

A favor: ao menos com a edição portuguesa dá para rir na última metade do filme por causa do problema de som. Apesar da confusão estilizada na direcção de fotografia, o filme contém algumas imagens bonitas ao melhor estilo oriental. A edição portuguesa contém a pista de som original em coreano. Apesar de tudo é uma compra indispensável para quem tem o culto do “mau” cinema que é tão mau que se torna genial. Se virmos a coisa por esse prisma este filme é uma obra prima do mau cinema.
Contra:  mesmo mau o trailer é muito melhor que o filme, um vazio, os personagens não transmitem qualquer emoção, a estética esforça-se demasiado para ter estilo a todo o momento, não há qualquer empatia com o espectador, a realização do filme é muito má e totalmente desiquilibrada com um estilo televisivo que só o prejudica ainda mais, a história de amor não tem um pingo de interesse, a montagem é péssima, não se percebe se quer ser um filme para adolescentes ou um drama Wuxia a sério, o filme tem duas horas !!
Mais uma vez cuidado com o (incompreensível) hype á volta desta obra em alguns sites e não julguem que este [“Bichunmoo“] é algo semelhante a um “O Tigre e o Dragão”, “Hero” ou “House of the Flying Daggers”. Não é.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=iZH7V2jrUdM

Comprar
Se quiserem comprar a versão com o som todo trocado a partir do meio do filme, podem encontrar a edição portuguesa deste dvd no cesto de promoções em qualquer hipermercado perto de vós.
Se no entanto acharem que vão gostar disto e quiserem comprar uma cópia em condições podem encontrá-la a pouco mais de 3€ actualmente na Play-Asia na sua vertente de edição normal.
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7j-49-en-15-bichunmoo-70-cjq.html

IMDB
Onde poderão ver o quanto este filme divide opiniões.
http://www.imdb.com/title/tt0278351/

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Se gostaram deste poderão gostar de:

Shinobi   A Chinese Tall Story   The Promise      The Myth 

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Gwoemul (The Host) Joon-ho Bong (2006) Coreia do Sul


Já que da última vez recomendei de seguida trés histórias de amor orientais, agora para equilibrar as coisas vamos lá falar sobre um excelente filme com montes de pessoas muito bem mastigadas e também engolidas vivas.
Bem-vindos a [“The Host“].

Este filme tem sido comparado a “Jaws“, o clássico “Tubarão” de Steven Spielberg e embora na minha opinião não esteja de forma alguma ao mesmo nível é num entanto um excelente filme de monstros. Provavelmente mesmo o melhor filme de monstros desde o primeiro “Tubarão” e muito acima de qualquer outra coisa que tenha surgido vinda de Hollywood dentro do estilo Godzilla.
Já agora será melhor avisa-los desde já que também [“The Host“] vai ter em breve um remake made-in-usa por isso têm mais um motivo para se despacharem a ver este original o quanto antes.
Até porque [“The Host“] não é de forma nenhuma mais um “Godzilla” ao estilo Rolland Emerich e sim um filme bem mais original do que aparenta ser no trailer.

Para começar, se calhar é melhor avisar logo que o trailer pode enganar muita gente. [“The Host“], não é de forma alguma o filme oriental de acção frenética ao estilo blockbuster americano para mastigarmos pipocas que aparenta ser na apresentação.
Nem sequer o monstro é o centro da narrativa e logo isso vai ser suficiente para desiludir todos aqueles que esperam encontrar aqui algo semelhante a um puro filme de efeitos especiais á americana.
[“The Host“], não é um filme sobre um monstro que aterroriza uma cidade ou sobre um heroi que salva o mundo porque é o personagem principal do filme.  Este filme é essencialmente sobre uma familia como tantas outras e sobre a forma como esta se une para conseguir salvar um dos seus membros mais jovens das garras do monstro.
[“The Host“], deve ser o primeiro filme de monstros, cheio de efeitos especiais, que mantém uma característica muito intimista, pois acima de tudo é sobre os efeitos que uma tragédia pode ter numa família disfuncional e sobre aquilo que os seus membros fazem para se manterem unidos e com esperança quando o mundo á sua volta não lhes liga absolutamente nenhuma.

Um perigoso químico é negligentemente lançado ao rio que atravessa uma grande cidade da Coreia do Sul e provoca uma mutação numa das criaturas que lá habitam ao ponto desta crescer até um tamanho gigantesco e começar a alimentar-se dos habitantes locais.  De um dia para o outro estes dão por si a viver paredes meias junto a uma espécie de lula gigante com pernas e extremamente carnívora que ninguém consegue capturar por esta ser incrivelmente ágil e ninguém saber onde habita.
Mas como já disse, [“The Host“], não é sobre o monstro, pois este é apenas a razão para os personagens ganharem vida e como tal o filme conta a história de uma pequena família que tem um pequeno quiosque de comes & bebes junto ás margens do rio.
Essa familia é composta pelo avô, os seus trés filhos e uma neta adolescente filha de um deles. Neste caso, filha de um rapaz que tem uma clara limitação de inteligência e anda bem próximo do atraso mental.
Por causa dessa deficiência a sua esposa, mãe da adolescente um dia abandonou a familia e nunca mais ninguém soube nada dela.

Uma manhã, o monstro invade as margens do rio e rapta a miuda levando-a para o seu covil deixando não só a população da cidade em estado de sítio, como também a familia em desespero pois recusam-se a acreditar que a miuda tenha sido comida apesar de todas as autoridades o garantirem.
O resto do filme, é sobre a forma como toda a familia se une para procurar a miuda, sobre como o pai contorna a sua deficiência mental e se torna um heroi e como a sociedade se pode tornar num inimigo bem mais perigoso do que qualquer monstro quando uma pessoa tenta apenas fazer o que acha certo.
E se pensam que já viram tudo, só lhes posso dizer que pelo menos o final deste filme podem ter a certeza que não viram.
Aliás, aposto tudo o que quiserem em como a versão americana de [“The Host“], vai ter um final diferente.
E mais não conto.

Apesar deste filme oriental não ser propriamente um filme de aventuras com monstros ao estilo americano, isto não quer dizer que não tenha possivelmente algumas das melhores sequências com bichos que vocês viram até hoje.
Ao contrário do que é habitual na formula Hollywood, aqui a maior sequência de acção deste filme, está não no seu final cheio de pirotécnia digital, mas no início do filme.
[“The Host“], contém definitivamente a melhor sequência de pânico nas ruas dos ultimos anos dentro do cinema catástrofe. A longa cena de acção em que o monstro invade as ruas quando sai pela primeira vez do rio é simplesmente inesquecível para quem gosta de ver grandes massas humanas em pânico e a serem mastigadas, espezinhadas e comidas vivas a cada segundo.
E não pensem que isto é filmado ao estilo politicamente correcto de filmes de monstros para a familia, afinal isto ainda é um filme oriental ! Em [“The Host“], o que não falta é sangue e violência gráfica que leva este filme por caminhos a que não estamos habituados a ver e o dá um tom ainda mais realistico.
Afinal se isto fosse verdade e existisse mesmo um monstro assim a comer pessoas pelas ruas, certamente que sangue e tripas seria coisa que não iria faltar e nisto o filme está de parabéns, pois se tem que mostrar tripas e sangue, mostra mesmo.

A partir dessa longa sequência de acção inicial, o filme alterna entre o tom intímista com inúmeros momentos de comédia e drama ao melhor estilo coreano e o filme de suspanse típico dentro do género, até chegar depois á habitual sequência final que mesmo assim ainda contêm um par de coisas que ainda ninguém tinha visto e que os vão deixar tão enojados quanto divertidos.
[“The Host“], está polvilhado de pequenas cenas de acção, mas não é um filme-tipo do género. Não é um filme linear com um heroi central, mas sim um puzzle de personagens muito bem construidos e onde não existe o heroi típico a que estamos habituados a seguir nos filmes americanos. Todos os personagens são herois e todos têm o seu momento que contribui totalmente para o final único e original deste filme sem nunca perder a coerência.

[“The Host“], tem cenas emocionantes, cenas cómicas, cenas dramáticas, cenas nojentas com muita baba gelatinosa e efeitos digitais quanto baste obtendo com isso um resultado excelente.
O que não deixa de ser surpreendente porque o filme nem sequer tem um grande orçamento.
Perto das grandes produções americanas, [“The Host“], é um verdadeiro série-B sem dinheiro. De tal forma que até o filme teve muita poucas cenas em estúdio e foi quase todo filmado em localizações reais porque não havia dinheiro para grandes construções. Como resultado disto, até foram filmar para uma rede de esgotos real onde toda a produção teve de apanhar vacinas contra o tétano  e inclusive os actores filmavam metidos no meio dos dejectos com ratos mortos a lhes passarem por debaixo das pernas.
Está tudo no making off e vale a pena ser visto.

No entanto, olhando para o filme, ninguém diria que [“The Host“], não é a grande super-produção que aparenta ser. Os cenários são mágnificos (porque são reais), a fotografia não podia ser melhor dando um tom fantástico ás cenas passadas nos esgotos e os efeitos digitais são mesmo muito, muito bons contendo inclusivamente muitos pormenores originais.
Acima de tudo, é a prova de que o cinema comercial pode no entanto ser cinema a sério sem precisar de entrar pelos facilistimos plásticos que habitualmente vemos nos filmes-pipoca americanos.
[“The Host“], tem não só estilo, como ainda por cima tem alma. E segundo os actores que entraram nele, tem muito cheiro também.

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CLASSIFICAÇÃO:

Cinco tigelas de noodles completamente á vontade.
Se calhar estou a cometer uma injustiça não lhe atribuíndo também um Gold Award, mas a verdade é que acho que apesar de ser um filme excelente faltou-lhe ainda qualquer coisa que não sei bem explicar. A verdade é que apesar de me ter divertido, a parte dramática não me emocionou particularmente e por isso este nem sequer seja um daqueles filmes que me apetece sempre rever. Portanto se não é um daqueles que quando penso nele não me apetece reve-lo de imediato então não lhe atribuo um Gold Award.
Mas só por isso, porque de resto recomenda-se vivamente e é definitivamente indispensável para quem gosta de filmes com monstros e cenas de multidão em pânico no meio de muito sangue.
Por outro lado, também não vão á espera de um puro filme de terror, pois este é essencialmente um filme de monstros.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg

A favor: as cenas de pânico iniciais são fantásticas, o monstro, os actores e os seus personagens, as situações em que se envolvem, o tom de comédia negra por vezes hilariante mesmo quando não deveriamos rir (a cena do funeral), as cenas de acção, o estilo visual do filme, a realização, a fotografia, é um blockbuster com alma, o final original e inesperado do filme.
Contra: não me ocorre nada, embora ache que lhe falta qualquer coisa que me faça ter vontade de estar sempre a revê-lo.
Quem espera o típico filme de acção á americana também pode sair desiludido, pois o estilo do filme é bem mais intimista do que aparenta no trailer.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer Coreano
http://www.youtube.com/watch?v=bNbZE8NX0nk
Trailer Internacional
http://www.youtube.com/watch?v=hJnq9sm4Zxk&feature=related

Comprar
Eu tenho esta excelente edição Uk, em dois discos com excelente qualidade de imagem, som a condizer e muitos extras sobre todo o making of do filme. Aproveitem os descontos da Amazon para o cinema asiático. 😉

Se quiserem podem optar pela edição de 1 disco em DVD ou em vez disso comprarem o Blu-Ray, tudo bem baratinho.

No entanto este parece ser um daqueles raros filmes orientais que por acaso até tem uma excelente edição portuguesa, que aliás, parece ser idêntica á edição inglesa que eu tenho.
Podem encontrá-la aqui.
http://www.precos.com.pt/filmes-dvd-c3452/the-host-a-criatura-p22313582.html

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0468492/