Novo website de ilustração.


Olá a todos, em breve estarei de volta aqui ás reviews de filmes orientais pois há muito para aconselhar nos próximos tempos.
O blog tem estado parado por motivos profissionais pois o meu trabalho de ilustração não me tem dado tempo para escrever reviews tão regularmente quanto gostaria e até nem tenho tido grandes oportunidades de ver novos filmes. Embora tenha algumas novidades para recomendar que irei detalhar em breve.

Por agora fiquem com o meu novo site, o blog e a minha página de facebook sobre ilustração e concept art.

Children book illustration website
My main illustration website.

Se gostam de ilustração de fantasia, ficção-científica ou de livros para crianças com mundos imaginários, paisagens de fantasia, dragões e aliens visitem os meus sites e ajudem-me na sua divulgação. 😉

Visitem:
http://www.icreateworlds.net

https://www.facebook.com/luisperesillustration

https://ablogformyart.wordpress.com/

5 Centimeters Per Second (Byôsoku 5 senchimêtoru) Makoto Shinkai (2007) Japão


Quem conhece o trabalho de Makoto Shinkai compreenderá quando digo que todos os seus filmes se passam em universos verdadeiramente únicos pela sua simplicidade e poesia visual com que as suas histórias são contadas.
[“5cm per second”] é não só um exemplo perfeito, como para mim é o seu melhor filme e uma das melhores histórias de amor que já vi no cinema.
E só tem 57 minutos !

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[“5cm per second”] desta vez não tem a ver com FC mas demonstra plenamente como sem precisar de ser passado em ambientes alienígenas um filme consegue transportar-nos para um universo muito particular.
Não era para voltar a escrever sobre este título, até porque já falei dele no meu blog sobre cinema oriental mas hoje a minha esposa ofereceu-me um edição espanhola em BLURAY (audio Japonês/legendas Castelhano) e não podia deixar de divulgar [“5cm per second”] aqui também, especialmente continua a ser um daqueles filmes extraordinários que continua a passar despercebidos em Portugal.
Sendo assim…

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Para mim, Makoto Shinkai é actualmente o melhor realizador de cinema do mundo , sendo considerado também por muita gente como um dos maiores cineastas de animação de todos os tempos, já apelidado de – novo Myiazaki – com todo o mérito.
Para mim actualmente supera até Myiazaki.
Para muitos o facto de Makoto Shinkai não trabalhar “com imagem real”, mas sim com animação poderá parecer algo menor. Ainda por cima não é americano e portanto tudo indica que apesar da popularidade dos seus trabalhos no oriente, Makoto Shinkai no ocidente irá continuar a ser (apenas) um realizador de culto que a nível mainstream muito poucos conhecem no ocidente. E claro será também ignorado por outros tantos, especialmente aquele público que ainda acha que a animação é para crianças.
Por tudo isto é também um candidato perfeito para ser divulgado neste blog, até porque alguns dos seus trabalhos assentam em universos de ficção-científica e há que divulgar o trabalho de Makoto Shinkai pois este demonstra por completo que o Anime também pode ser cinema adulto e nem todos os desenhos animados saídos do Japão têm que se parecer com o Dragon Ball ao contrário do que muita gente ainda pensa.

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Quem no entanto gostar de cinema de animação e já tiver empatia com o cinema romântico absolutamente original que se produz no oriente, depois de ver os primeiros 25 minutos de [“5cm per second”] provavelmente irá ficar sem palavras com a simplicidade e beleza da primeira história.
A tal ponto que aposto, até lhe custará ver o segundo conto que vem a seguir nesta grande – pequena metragem – que só dura 57 minutos, mas que vale cada instante da sua duração, pois está carregado de ilustrações lindíssimas que por vezes não têm mais que um décimo de segundo no ecran.

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[“5cm per second”] poderia ter acabado perfeitamente aos 25 minutos e seria genial na mesma. Isto porque a primeira história é absolutamente arrebatadora em todos os sentido e tudo poderia ter ficado por ali.
No entanto porque tem quase uma hora, está dividido em três pequenos segmentos que na verdade contam a história de um relacionamento ao longo do tempo e que garanto-vos, se procuram por cinema romântico com verdadeira alma bem longe dos enlatados americanos em estilo telenovela, têm aqui nesta  história de amor Japonesa algo que não irão esquecer tão cedo. Só o impacto do segundo final, vale todo o filme.

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Sendo uma grande história de amor com uma simplicidade incrível consegue fazer aquilo que todas as histórias de amor deveriam ser obrigadas a fazer. Consegue fazer-nos apaixonar pelos personagens uma e outra vez, não importa que conheçamos o filme de trás para a frente porque mesmo depois de o vermos dezenas de vezes há sempre um pormenor novo a descobrir.
Isto devido á qualidade de detalhes que Makoto Shinkai colocou em cada frame, usando ilustrações incrivelmente pormenorizadas, até quando muitas vezes aparecem apenas uma fracção de segundo no filme.
Eu próprio agora ao procurar imagens para ilustrar este texto deparei-me com dezenas de coisas que nunca tinha sequer notado nas paisagens incríveis que dão alma a esta história de amor.

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Outra coisa absolutamente fascinante em [“5cm per second”]  está em conseguir continuar a ter suspanse mesmo quando já o vimos vezes e vezes sem conta.
Talvez porque consegue criar uma empatia tão grande com o espectador que ficamos a gostar mesmo daquelas pessoas e de cada vez que revemos o filme damos por nós a torcer novamente pelo destino daquele casal sem nos apercebermos disso.

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[“5cm per second”] é de uma aparente simplicidade incrível em termos de história.
A maior parte do pessoal quando ouve a expressão – “história de amor”- torce-se todo pois imagina logo aquelas xaropadas em estilo telenovela que normalmente inundam as nossas televisões e praticamente tudo aquilo que passa por cinema romântico em Hollywood.
Quem pensa que o cinema romântico oriental tem alguma comparação, então [“5cm per second”]  é um bom filme para lhes mostrar o que é uma história de amor bem filmada, com muita alma e onde aqueles bonecos pintados em computador têm mais vida e existência “real” que todos os adolescentes de cartão que vimos ao longo dos anos naqueles supostos dramas românticos cozinhados em piloto automático na américa.

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[“5cm per second”] é mais outra prova saída do cinema oriental de que se podem criar histórias de amor incríveis com personagens adolescentes sem criar qualquer barreira de empatia com o espectador mais velho.
Garanto-vos que se tiverem 80 anos e virem esta história irão emocionar-se tanto como se tivessem 18; precisamente porque não é estereotipada e é uma daquelas raras histórias de amor cinematográficas que acerta em cheio naquilo que há de universal no primeiro amor.
Portanto, não esperem encontrar aqui qualquer drama de pacotilha usual.

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Não há encontros e desencontros da forma que vocês pensam que irá haver, não há traições, não há rivalidades, não há separações e reconciliações e não esperem de todo que aqui o herói tenha aquele amigo cómico que é normalmente o palhaço das histórias ou que a heroína tenha aquela amiga fofoqueira e todas aquelas tretas que já vimos mil vezes. Esqueçam os estereótipos.
[“5cm per second”] é uma história sobre a velocidade a que precisamos de viver as nossas vidas, de que forma essa velocidade faz com que um dia possamos voltar a ter a chance de encontrar algo bom que perdemos e de como o primeiro amor pode conduzir os nossos passos mesmo quando já não está presente.

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O titulo refere-se precisamente á velocidade a que caiem as pétalas desde que são libertadas de uma árvore até que atingem o chão com todas as reviravoltas possíveis que podem ocorrer até chegarem ao seu destino.
Tudo em [“5cm per second”]  tem a ver com velocidade, mas não da forma que imaginam. A “velocidade” a que cruzamos uma porta, a velocidade em que pensamos na outra pessoa, a velocidade em que caminhamos sem destino. Será que duas pessoas afastadas pela distância caminham em sincronia sem o saberem até que os seus passos criam as coincidências da vida que poderão permitir um reencontro ?
Será que se eu me tivesse voltado um segundo mais cedo na fila de um banco teria voltado a encontrar alguém que mudaria a minha vida ? Será que se eu tivesse levado menos um segundo a cruzar uma porta isso teria feito com que tivesse visto alguém que pertenceu ao meu passado ?

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É esta a ideia por detrás da história dos dois personagens. Uma história que está fragmentada em três pequenas partes que duram menos de uma hora mas que vocês não irão esquecer tão cedo. Em particular se procuram por um daqueles títulos românticos indispensáveis.
E desenganem-se aqueles que pensam que isto é um filme para crianças.
Como habitualmente o cinema de Makoto Shinkai está na antítese total do Naruto e do Dragon Ball, por isso se ainda têm esse preconceito para com o cinema de animação japonês [“5cm per second”]  é um bom titulo para os fazer apanhar o queixo do chão em menos de uma hora.

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Não esperem um Anime com sequências de acção a duzentos frame por segundo. Aliás não esperem um Anime de acção.
Isto é essencialmente um drama, apenas está filmado em desenho animado.
Embora não seja um drama comum, pois como já disse não há aqui qualquer cliché a que vocês estejam habituados.
Quem já conhece o cinema de Makoto Shinkai, sabe o que esperar. Tudo tem a ver com ambiente, luz, sombra, atmosfera e poesia visual tendo por base trabalhos de ilustração incríveis.

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Também aqui, podemos contar com uma narrativa que é feita essencialmente de paisagens e fundos absolutamente notáveis e totalmente poéticos, onde por vezes nem animação existe.
Como habitualmente a narrativa avança essencialmente por pequenos pormenores e toda a montagem do filme está assente em desenhos magníficos que por vezes nem focam a acção própriamente dita mas sim o que se passa ao seu redor.
São os detalhes e não as acções que definem a atmosfera de [“5cm per second”] sendo  isso que torna o filme tão especial e o cinema de Makoto Shinkai tão único.

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Por essa razão podemos imediatamente empatizar com o que o personagem sente sem sequer precisar de olhar para ele.
Muitas vezes em vez de nos mostrar um boneco a chorar, Makoto Shinkai anima chuva a cair, o vento simboliza a solidão e a saudade, etc.
Mas fiquem descansados que o cinema de Shinkai não é nenhuma seca intelectualoide ao estilo daquela desgraça pretensiosa chamada “Visage” que comentei há um par de anos no meu blog sobre cinema oriental.
Makoto Shinkai sem qualquer pretensão, poética e artisticamente limpa o chão em 57 minutos com todas a pretensas obras de arte e ” instalações artísticas” que há por aí disfarçadas de cinema com cinco vezes mais tempo de duração; portanto o melhor conselho que posso dar é que espreitem este filme.

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Habitualmente é dificil encontrar boas imagens de alguns títulos para ilustrar os meus textos, mas no caso de [“5cm per second”] acontece precisamente o contrário. Eu podia estar perfeitamente calado e só encher este post com imagens.
Espreitem algumas delas (praticamente todas não estão mais que um par de segundos no écran). Vão perceber o nível da qualidade de ilustração que há também aqui neste titulo e porque já é uma imagem de marca do realizador.

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O que vocês não sabem é que também este filme foi produzido praticamente de forma caseira, o que para mim é outra das grandes razões porque eu considero Shinkai o melhor realizador do mundo actualmente.
Mais uma vez outro filme dele foi produzido em casa e desta vez com uma equipa de 13 pessoas.
Sim leram bem. 13 pessoas !! Três centralmente a desenhar ( Makoto e uma rapariga nos cenários juntamente com um outro amigo nos bonecos ); e o resto a funcionar como uma linha de montagem criativa num processo de colaboração imediata o mais caseiro possível.
Olhem para a qualidade visual de [“5cm per second”]  e depois pensem em 13 pessoas fechadas no apartamento do realizador durante um ano e meio a trabalhar nisto da forma mais amadora que se calhar vocês nunca julgaram ser possível naquilo que será animação profissional altamente conceituada.

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O trabalho mais repetitivo de colorir os trames de animação foi distribuído pelos restantes 1o amigos e colaboradores que Shinkai voltou a contratar como habitualmente e que se separam de novo a cada projecto terminado indo cada um á sua vidinha.
Actualmente de cada vez que vejo aquelas promoções sobre os filmes de animação americanos onde se atiram números para impressionar o espectador eu já me farto de rir. Se Makoto Shinkai com 13 amigos consegue um resultado destes, com tanta alma e poesia pela minha parte ouvir dizer que um filme de animação americano em total regime de blockbuster levou três anos para ser feito, precisou de equipas com mais de 600 pessoas como habitualmente acontece em Hollywood e por isso temos todos que o ir adorar, já não fico particularmente impressionado.

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Se gostarem de [“5cm per second”] recomendo vivamente a entrevista com o realizador que vem no dvd de edição UK ou no Bluray de edição Espanhola, pois lá ele explica em detalhe como costuma produzir o seu cinema e vão poder ver inúmeras fotografias da equipa de amigos a trabalhar fechados em casa dele durante mais de um ano.
Muito curioso, fascinante e divertido.
A única parte do filme que foi produzida profissionalmente foi mesmo a gravação das vozes e claro a banda sonora que foram gravados em estúdio.
Quem não conhece o percurso de Makoto Shinkai recomendo vivamente que espreitem as minhas outras reviews sobre trabalhos dele, pois se calhar irão surpreender-se com a sua origem totalmente autodidacta que detalho numa das minhas outras reviews.
Não deixem de ler os meus textos sobre “Voices of a distant star” ; “The place promised in our early days” e “Journey to Agartha”.
Shinkai tem já outro filme mais recente “Garden of words” de que falarei em breve e que é absolutamente fascinante também.

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[“5cm per second”] conta a história de dois adolescentes que se apaixonam quando o ano lectivo está a terminar e um deles vai viver para milhares de Km de distância. É um filme sobre a saudade e de que forma um amor está presente mesmo quando a distância eliminou a comunicação e separou duas vidas para sempre. Isto só para começar, pois essencialmente é um título não só romântico mas até filosófico, o que lhe dá uma identidade ainda mais marcada, mas nunca pretenciosa.

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A primeira história parece ser simples mas garanto-vos que tem um suspanse de cortar á faca. Vocês vão roer até a almofada torcendo para que os dois personagens se reencontrem e toda a viagem de comboio tem sequências de dar cabo dos nervos.
Também aqui Makoto Shinkai é um mestre em criar suspanse sem nunca utilizar sequer uma cena de acção, uma sequência de perigo ou qualquer outro recurso a que estamos habituados a ver ser usado para criar tensão num argumento mais ao estilo americano.
A primeira história mostra como o menino, resolve um dia meter-se num comboio e viajar até á pequena terra para onde a menina foi viver de modo a conseguirem voltar a encontrar-se por uns momentos na estação.
E garanto-vos que nunca viram nada assim.

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Tudo neste segmento é de uma beleza incrível, tanto na forma como os ambientes estão reproduzidos, como essencialmente na maneira como o tempo e principalmente a velocidade é usada para colocar o espectador em total estado de ansiedade.
Quem costuma acompanhar o cinema romântico oriental, já deve ter notado que ninguém melhor que os japoneses e os sul-coreanos usam as estações de comboio (e muita chuva) para contar histórias de amor impossíveis.
E aqui mais uma vez também Makoto Shinkai demonstra como a poesia deve ser algo entranhado no ADN oriental, pois voltamos a contar com ambientes perfeitamente normais e quotidianos mas mostrados da forma mais poética possível. Tudo através de jogos de luz, sombras e cor refletindo o que se passa no coração dos personagens e transportando o espectador constantemente para dentro daquele universo.

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Se vocês espreitarem o IMDB hão de notar que desta vez o consenso é geral. Depois da história de amor que aparece nos primeiros 25 minutos praticamente toda a gente é de opinião que seria impossível Shinkai ter superado o início do filme nos minutos que faltavam para contar o resto da história e realmente se [“5cm per second”] tem alguma “falha” é apenas essa. Se calhar só deveria ter tido um episódio.

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Por outro lado, a gente não se chateia nada em continuar a acompanhar o destino destes personagens. Infelizmente a história do meio, não é particularmente tocante, mas também depois do que se passou na primeira, como poderia ?…
A segunda história é sobre o menino da primeira parte, agora alguns anos mais velho e sobre uma outra rapariga da sua turma que está totalmente apaixonada por ele e tudo gira novamente á volta do tempo e da velocidade.
Neste caso á volta do conceito de – momento certo. Qual a altura, qual o segundo, qual o momento preciso em que uma declaração de amor poderá mudar a vida de uma pessoa ?…
Não quero contar demais para não estragar. Penso que poderão não ficar particularmente emocionados com esta história, embora os personagens continuem excelentes e a nova personagem feminina é fantástica. Não desmoralizem porque o filme continuará a ser bastante bonito.
Apenas a segunda história não é a primeira.
O que não é nenhum crime.

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A terceira parte, tem apenas uns  dez minutos de duração e mostra o que aconteceu ao menino e á menina uns doze anos depois quando ambos já são jovens adultos.
Embora pequenino este segmento fecha em beleza a história pois conta com um videoclip que em jeito de montagem final narra brilhantemente tudo o que se passou e consegue de forma fantástica resumir por completo todas as emoções do filme.
Pode parecer deslocado á primeira vista mas é brilhante na forma como de repente consegue fazer ver ao espectador que se calhar a segunda parte do filme até foi bastante mais emocional do que pensávamos e este nunca seria o mesmo se esta não existisse.

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A cena final é absolutamente arrebatadora e atinge o espectador com um verdadeiro murro no estômago que acabou por ser a sequência mais comentada de todo o filme, pois a sua simplicidade é incrível e demonstra claramente como se usa o poder da montagem para criar emoção.
“5cm per second”] é uma daquelas histórias de amor fantásticas que parece ter-se tornado inesquecível à conta de dois segundos de animação final mas é verdade.
Não procurem saber nada de adicional sobre este filme antes de o verem, mas depois visitem o IMDb e irão reparar na quantidade de pessoas que mencionam os segundos finais como sendo a cena mais inesquecível de toda a história.

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[“5cm per second”] termina com um sabor nostálgico que vai deixar muita gente a pensar, outros a chorar, outros emocionados pela beleza de todo o conjunto, mas nunca indiferentes e isto é o melhor que se pode dizer de uma história de amor sobre adolescentes que á partida nas mãos erradas tinha tudo para ter descambado na piroseira borbulhenta do costume mas nas mãos de Makoto Shinkai na minha opinião transformou-se numa das mais bonitas e filosóficas histórias de amor que já vi no cinema oriental (e não só).

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CLASSIFICAÇÃO

Bem, depois de tudo o que eu escrevi, não há muito mais para dizer. Se gostam de cinema romântico oriental, este é de comprar. Se não gostam, muito provavelmente passarão a gostar. A não ser que estejam a fingir que não se fartaram de chorar com isto.

Cinco Tigelas de noodles e um Gold Award a rebentar a escala por todos os lados.

 

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Acima de tudo porque é outra daquelas histórias de amor orientais absolutamente fascinantes, muito humanas e totalmente poéticas a um nível que nunca pensamos encontrar num filme de animação.
Absolutamente notável em todos os sentidos.

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 A favor: a primeira história é uma obra prima, está cheio de suspanse sem precisar de disparar um tiro sequer, tem três personagens extraórdinariamente humanos, os desenhos são do outro mundo, um dos melhores filmes românticos de sempre, consegue um final que recupera o mesmo nível de emoção da primeira parte, adoro a banda sonora toda composta á volta da melodia da canção final. E depois há o segundo final da história que ficou na memória de toda a gente…
Essencialmente uma obra-prima do Cinema.
Em termos românticos, no cinema ocidental, comparado a isto só mesmo Cinema Paradiso.

Contra: Depois da carga emocional da primeira história o que vem a seguir nem se compara (embora o videoclip final seja fabuloso).

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer

COMPRAR DVD

MANG3081 Inlay
https://www.amazon.co.uk/gp/product/B0037B2WP0/ref=as_li_tl?ie=UTF8&camp=1634&creative=6738&creativeASIN=B0037B2WP0&linkCode=as2&tag=cinaosolnas00-21

 

COMPRAR BLURAY edição ESPANHOLA ( audio Japonês / legendas Castelhano)
bluray

https://www.amazon.es/Cent%C3%ADmetros-Por-Segundo-Blu-ray/dp/B00GIMV0TY/ref=sr_1_2?ie=UTF8&qid=1479487364&sr=8-2&keywords=5cm+por+segundo

Clip
Contém *Spoilers*
Por outro lado, se não viram o filme, também não irão notar. Estão por vossa conta. 😉

Com legendas
https://www.youtube.com/watch?v=egCHrY_gHGg

O filme também está disponível numa copia legendada no youtube mas não vejam o filme num simples ecran de computador.

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E por falar em música.
https://www.youtube.com/watch?v=lilLEaKJfic
https://www.youtube.com/watch?v=O5hiqmjtJbg
https://www.youtube.com/watch?v=MIDj-Gtnelk

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IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0983213

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Está aqui uma pequena review em video, que vale a pena espreitarem se ainda não estiverem convencidos por tudo o que eu já escrevi.

BANDA DESENHADA
Quem gostar do filme e quiser reviver a magia de uma forma diferente, esta história foi editada no formato Manga com uma versão bem mais longa e pormenorizada, contendo inclusivamente um final mais extenso onde se percebe em detalhe o que aconteceu a cada personagem depois do fim do filme.
manga

LEIAM A MINHA REVIEW EM DETALHE AQUI:

RECOMENDO VIVAMENTE pois é uma verdadeira novela gráfica com QUASE 500 PÁGINAS que valem cada momento.

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COMPREM-NA AQUI EM ESPANHOL
https://www.amazon.es/Cm-Por-Segundo-Makoto-Shinkai/dp/8416476454/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1479487364&sr=8-1&keywords=5cm+por+segundo

COMPREM-NA AQUI EM INGLÉS
https://www.amazon.co.uk/gp/product/1932234969/ref=as_li_tl?ie=UTF8&camp=1634&creative=6738&creativeASIN=1932234969&linkCode=as2&tag=cinaosolnas00-21

 

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Se gostou deste vai gostar certamente de:

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Ligeira mudança de visual no Blog


Como já devem ter notado, decidi renovar um bocadinho o visual da página.

A versão anterior apesar de ser mais arrumadinha, não era nada prática porque o posicionamento dos widgets não servia para nada e assim vi-me obrigado a procurar um template alternativo que fosse mais user-friendly.
O site tem um novo cabeçalho também.
Ainda irei personalizar mais tudo isto, mas por agora fica assim até que eu tenha tempo para me dedicar mais sériamente a criar um design realmente específico para o site.
Espero que gostem.

Luis

As Aventuras do Príncipe Ziph – BD completa com 200 páginas


Olá a todos, demorou mas parece que consegui e a minha banda-desenhada de fantasia está finalmente terminada.
Após cinco anos a desenhar,deixo-vos o resultado final da minha Bd a ser editada em breve no formato hardcover.
Poderão encontrar mais detalhes sobre o projecto nas páginas finais do livro quando clicarem na capa.

Nota: as pranchas que agora podem ler se clicarem na capa acima, são de uma versão ainda não totalmente corrigida por isso poderão encontrar algumas gralhas ortográficas ou letras em falta.
A versão final que enviei agora para impressão do livro já se encontra sem problemas.
Se tudo correr bem esta Bd, estará  á venda na Amazon.com dentro de algumas semanas.

Sendo assim, eu sei que isto não tem a ver com cinema oriental, mas…como terminei a Bd, isso significa que dentro de alguns dias estarei de volta aqui ao blog com novas reviews de cinema asiático.
Entretanto vão lendo a minha bdzinha fachavor e têm muito para ler afinal são 200 páginas desta coisa. 😉

Luis

Oban Star-Racers (Oban Star-Racers) Savin Yeatman-Eiffel (Japão – França) 2006


Pelo logotipo que está na capa da edição portuguesa, esta série anime já foi emitida na SIC. Mas, até eu ter comprado os trés primeiros volumes que encontrei no fundo de um daqueles cestos de promoções da Rádio-Popular, nunca tinha visto isto pela frente.

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[“Oban Star-Racers“] a um primeiro olhar pareceu-me ser apenas mais um daqueles clones abjectos do Pokemon, mas o seu aspecto gráfico era bastante interessante e assim por 9€ acabei por comprar os 3 dvds que encontrei.
A primeira impressão é a de que isto certamente não passa de uma imitação infantil e rasca do conceito criado pelo George Lucas quando transpôs as corridas de quadrigas do Ben-Hur para um ambiente sci-fi e “inventou”  as corridas de Pod Racers para o “Star Wars – Episode One”.
Na verdade se Star Wars não tivesse existido se calhar , esta série também nunca teria visto a luz do dia, porque sim, a sua história gira mesmo á volta de corridas que poderiam ser realmente etapas galácticas da prova que vemos em Star Wars.

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Isto seria logo meio caminho andado para que [“Oban Star-Racers“] não fosse mais que uma sucessão daqueles episódios infantis em que a história basicamente se resume ao: – “o meu pião é mais forte que o teu”; e portanto comecei a ver a série preparado para apanhar uma seca descomunal convencido de que tinha deitado 9€ á rua.
Ainda por cima, nem gosto particularmente do Star Wars – Episode One e esperar que [“Oban Star-Racers“] fosse menos infantil parecia uma utopia.

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Por isso não estava nada á espera que [“Oban Star-Racers“] se revelasse como a série de qualidade que na minha opinião é. E olhem que não é fácil para mim dizer isto de uma série desenhada e pintada toda em digital. Pois a mim quem me tira desenhos pintados com pinceis verdadeiros e tintas daquelas a sério tira-me tudo; (eu por mais que tente não consigo aderir ao digital para criar as minhas ilustrações ou banda-desenhada pois sinto sempre que estou a enganar as pessoas).

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No entanto tenho que reconhecer que embora colorida “a Photoshop”, o resultado artístico de [“Oban Star-Racers“], apesar de não se livrar daquela aura plástica “artificial” conseguiu superar o que se costuma encontrar naqueles desenhos animados para putos de sábado de manhã que parecem todos ser produzidos á pressa e a metro. Isso não se sente de todo.
As paisagens presentes nesta série são excelentes, criativas, detalhas, bem coloridas e muito variadas. Além disso, as sequências 3D criadas no estilo “cell-shading” são absolutamente entusiasmantes e também perfeitamente integradas nas ilustrações 2d tradicionais.

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Também gostei do facto dos personagens terem um design que fica algures entre o Anime oriental e a Banda Desenhada Francesa/Belga. Aliás, tanto no aspecto dos bonecos como nos próprios ambientes quem que a história decorre, esta série por vezes faz lembrar uma das minhas banda desenhadas favoritas europeias, a saga de “Valerian – Agente Espacio Temporal“. Precisamente uma coisa que me agradou bastante nisto, foi o facto de me recordar mais a banda desenhada “Valérian” do que “Star Wars” apesar dos pod-racers serem o centro das atenções.
Curiosamente,  [“Oban Star-Racers“]  agora, tem muito mais sabor a “Valerian” do que a própria versão semi-Anime da própria banda-desenhada que saiu há um par de anos e é verdadeiramente atroz e desprovida de qualquer ambiente original da banda desenhada europeia.

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Em alguns momentos certas atmosferas e personagens de [“Oban Star-Racers“] têm um certo sabor aos desenhos de Mézieres que só lhe dá ainda uma melhor identidade e o distancia de um normal Anime televisivo onde hoje em dia parece que os bonecos saiem todos do mesmo molde. Estranhamente deve ser também o primeiro Anime em que os personagens humanos simplesmente não têm nariz, o que tem gerado inúmeras apreciações negativas em algumas reviews. Mas um tipo habitua-se.
Por isso nota alta para o design e geral aspecto gráfico deste produto televisivo.
Mas há mais.

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Logo no primeiro episódio fica-se imediatamente com a sensação de que há muito mais no seu argumento do que a palha para imbecilizar putos que esperariamos encontrar.
O primeiro episódio acabou e fiquei imediatamente com vontade de ver mais um só para saber o que acontecia a seguir.  Depois, como o segundo episódio acabou precisamente no melhor, claro está lá tive que ver o terceiro. Quando dei por mim já tinha visto os cinco episódios contidos no primeiro dvd e ainda bem que o disco não tinha mais nenhum porque já não teria dormido até ver o resto.
Nada mau para uma série para putos que há primeira vista parecia ser um vazio absoluto pois tinha tudo para não precisar ser mais do que uma colecção de sequências cool para impressionar pre-adolescentes amamentados a doses de jogos Playstation.
Nada mau mesmo.

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[“Oban Star-Racers“] surpreendentemente vai para além da sua premisa inicial.
As corridas espaciais estão lá, há sempre uma cena de acção em cada episódio mas inesperadamente tudo isto está presente para servir os personagens de uma forma que não costuma ser comum nas habituais produções contemporaneas para crianças.
No primeiro episódio ficamos com a ideia de que alguns dos personagens até parecem ter alguma profundidade mas ainda nos custa a acreditar.
Coisa que depois em episódios sucessivos acaba por se confirmar pois á medida que a história avança damos por nós a gostar bastante daquelas pessoas estilizadamente desenhadas.

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Não há muito mais que eu possa dizer para recomendar esta série sem lhes estragar o prazer da descoberta. É uma co-produção entre o Japão e a França, daí o seu estilo ambiguo mas que na verdade junta o melhor dos dois lados do mundo e onde nem a inspiração sacada ao “SW-Episode One” ou alguma estética videogame consegue estragar o resultado final que limpa o chão com todos os Pokemons do mundo.
E como tal:

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CLASSIFICAÇÃO:

Não será uma obra prima da animação televisiva, nem um daqueles Anime geniais, mas é definitivamente uma série televisiva altamente recomendada. Especialmente a quem tem crianças em casa e normalmente tem que gramar com intermináveis desenhos animados para putos debiloides que habitualmente inundam a televisão e as edições dvd.
[“Oban Star-Racers“] é suficientemente infantil para agradar ás crianças, mas não é um desenho animado que irá aborrecer de morte os adultos. Especialmente publico adulto que goste de ficção-científica.
Esta série está muito bem equilibrada e se por um lado as histórias parecem extremamente simples para que os mais novos gostem de acompanhá-las, na verdade têm bem mais camadas de profundidade do que aparentam á primeira vista e todo o produto tem muito para agradar a uma vasta faixa etária de público.
Se virem os primeiros trés episódios e não ficarem agarrados então isto não é para vocês. Se gostarem, estão lixados pois cada episódio tem apenas vinte minutos e acaba sempre no melhor, com um daqules “cliffhangers” ao estilo dos serials antigos e como tal nós temos mesmo de continuar a ver.
Quatro tigelas de noodles na boa porque é uma excelente série de animação sci-fi e suficientemente pequena para não durar para sempre com mais do mesmo, pois afinal só tem 26 episódios para concluir toda a história.
Recomendo vivamente.

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A favor: excelente ambiente, bons personagens que vão evoluindo ao logo de cada episódio, o argumento tem muitos níveis e pode ser apreciado tanto pelos mais novos quanto pelos mais velhos, ás vezes parece um trabalho de Myiazaki embora o veterano realizador não tenha nada a ver com isto, pequenas mas excelentes sequências de acção 3D, óptimo nível artístico 2D que com simples cenários consegue criar uma atmosfera perfeita, óptima variedade de cenários, a duração de cada episódio é de apenas 20 minutos mas nada se perde ou é desperdiçado, o suspanse que cada final de episódio suscita deixa-nos sempre com vontade de ver o próximo, tem um certo sabor a banda desenhada europeia que só lhe fica bem sem perder o estilo Anime.
Contra: não é por nada mas parece-me que a série não está toda editada em portugal…e visto que encontrei os trés primeiros volumes num cesto de promoções não me parece que venha a ser completada…acho.
De resto talvez a única coisa “negativa” seja o facto de apesar de tudo [“Oban Star-Racers“] ainda é uma série televisiva juvenil e como tal nunca se consegue livrar muito daquela estrutura ao estilo “o meu pod-racer é mais rápido que o teu”. No entanto garanto-vos que isto não é de forma nenhuma um impedimento para que venham a gostar menos deste produto que vale a pena espreitarem.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=Qq1VPllZ9PU&feature=related

Genérico de episódio na versão francesa
http://www.youtube.com/watch?v=TIKQBNlwhHA

Comprar
Atenção: Pode ser impressão minha por só ter conseguido encontrar trés volumes á venda da edição portuguesa nos cestos de promoções, mas estou com a sensação de que esta série não estará toda editada em Portugal…
Como em Português só encontrei 14 episódios fiquei com a ideia de que a série estará incompleta aqui no nosso país.
Por isso se calhar não será recomendável comprarem a série mesmo em promoção como eu comprei porque não a terão na integra.
O que provoca aqui um problema…eu voltei a comprar isto mas comprei a edição inglesa.
Um pack muito bom com todos os episódios, mas se calhar se vocês tiverem crianças em casa não vão conseguir comprar isto porque como é óbvio a edição UK não tem a dobragem em português e como tal não vai servir para entreter os putos convenientemente…
Sendo assim, se tiverem crianças em casa, sugiro que tentem descobrir se a série está toda editada em Portugal, (o que deve rondar os 5 dvds).
No entanto se gostarem de animação de uma forma genérica e quiserem apenas seguir a minha recomendação, sugiro que comprem esta série na Amazon Uk. Ainda por cima está á venda a um bom preço no momento em que escrevo isto.

A edição UK contém um som 5.1 muito bom.
A edição portuga como habitualmente, contém apenas uma pista em stereo 2.0 na dobragem nacional.

cover

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0813808/

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