Mah nakorn (Citizen Dog) Wisit Sasanatieng (2004) Tailândia


 

Não estava nada á espera que a surpresa cinematográfica deste ano de 2011, me viesse caír em cima vinda da Tailândia, mas foi o que aconteceu agora com este surpreendente e originalmente mágico [“Citizen Dog“].
E estranho como o raio também !

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Tinha este título na lista de filmes para ver há séculos mas até hoje nunca tinha tido muita curiosidade porque nunca pensei que um filme no mais puro estilo Photoshop, ainda por cima saído da Tailândia, pudesse ser algo tão extraordinário.
Adoro quando me aparecem estes filmes que me trocam as voltas e me surpreendem para além das expectativas.

Não tenho grande opinião do cinema Tailandês especialmente daquele que envolve muito trabalho com efeitos digitais, porque sinceramente practicamente tudo o que vi até hoje não me surpreendeu de todo pela positiva.
Depois de levar com coisas como “2022 Tsunami” e outros títulos Tailandeses que nem cheguei a referir ainda aqui por serem maus demais, a minha ideia sobre o cinema daquele país não é  própriamente a melhor pois sempre me pareceu demasiado esquizófrenico; com uma identidade demasiado marcada por múltiplas referências que na minha opinião raramente combinam de forma agradável ou eficaz numa linguagem visual que resulte.

Como eu sei que mais de metade das visitas a este blog, chegam até aqui á procura de sugestões para filmes românticos em estilo fofinho oriental, achei que estava na altura de recomendar mais outra coisa do género. O problema é que depois de já ter falado de prácticamente todas as minhas histórias de amor favoritas (até ao momento) por cá, queria voltar ao género com algo realmente que valesse mesmo a pena recomendar.

Como tal, em busca de novos estilos de histórias de amor resolvi insistir um pouco mais no cinema Tailandês e  voltar-me agora para o cinema romântico dessas paragens que ainda não explorei convenientemente por falta de boas referências.
E não podia ter começado melhor, pois [“Citizen Dog“] é absolutamente notável em todos os aspectos e um digno candidato de figurar no meu top de cinema fofinho futuramente.
Como descrever isto ?…

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[“Citizen Dog“] tem acima de tudo uma característica que o torna extraordinário logo á partida. É um daqueles filmes em que não conseguimos de todo imaginar o que irá acontecer a seguir e muito menos fazemos a mais pequena ideia do que nos irá aparecer pela frente na próxima cena !! E como este não existem já muitos filmes.
Começa logo bem, com um genérico que já é considerado dos mais criativos dos últimos tempos e um daqueles que as pessoas gostam de rever vezes sem fim; quanto mais não seja porque a melodia é genialmente hipnótica. Oiçam-na uma vez e vão ficar com esta canção na cabeça o dia inteiro.
Vale a pena espreitarem como o filme começa:

Se gostaram da atmosfera, vão gostar do filme. Ah, e o final tem uma versão rock alternativa da canção inicial que ainda é melhor.
[“Citizen Dog“] Tem outra característica fantástica. Podem até ver o trailer que irão surpreender-se na mesma com o resultado do filme no seu todo e não vão deixar de gostar muito de o seguir por já conhecerem algo sobre ele.
Isto se entrarem no espírito da coisa, porque [“Citizen Dog“] não é propriamente um filme …digamos, normal…

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Faz imediatamente lembrar o genial “Amélie” de  Jean Pierre Jeunet, tanto pela sua estética como pela sua estrutura narrativa que remete imediatamente para uma “Amélie” oriental.
No entanto [“Citizen Dog“] não é de forma alguma uma imitação pois tem uma identidade muito própria; inclusivamente o seu estilo oriental ainda o torna mais fascinante e divertido.
No entanto, se não gostaram de “Amélie” muito provavelmente também não irão gostar nada deste pois insere-se na mesma  onda.

Há filmes que têm efeitos especiais a mais e por isso são desastrosos enquanto cinema, no entanto aquilo que muita gente chama cinema-photoshop nem sempre pode ser usado de forma depreciativa e [“Citizen Dog“] é um excelente exemplo de como um filme não seria o mesmo se tivesse tido medo de usar e abusar da sua estética extremamente gráfica para não ser conotado negativamente com um filme de puros efeitos especiais.
[“Citizen Dog“] usa mas não abusa dos efeitos especiais digitais e assume plenamente a sua estética artificial.
Aliás, não só assume o estilo photoshop na sua plenitude como o usa de forma perfeita para criar a sua identidade cinemática. Apesar do excesso de imagens digitais, estas estão lá para servir a história e nunca o contrário.
Este mundo não seria o mesmo se o digital não existisse e assim aquilo que poderia ter destruido o filme, torna-se num dos seus grandes pontos altos.

Nem que seja para continuarmos a ver imagens tão bonitas desejamos continuar a acompanhar o filme até ao fim.
Já  “The Promise” tinha entrado deliberadamente pela estética artificial para reproduzir o seu mundo saido de um livro de conto de fadas e [“Citizen Dog“] faz aqui exactamente o mesmo, embora se calhar ainda o faça melhor.
É no entanto um filme com um visual extramente kitsh onde as cores em modo histérico predominam e a piroseira gráfica generalizada pode ser demasiado para muitos espectadores, por isso é preciso entrar na onda deste universo para apreciarmos realmente todo o trabalho incrível que existe neste pequeno e surpreendente filme saído inesperadamente da Tailândia.

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É que essencialmente estamos na presença de mais um conto de fadas, neste caso quase uma espécie de fábula urbana.
[“Citizen Dog“] é também um filme de Fantasia, mas não no estilo aventuras medievais a que estamos habituados, nem no estilo conto de fadas tradicional.
É sim uma espécie de conto de fadas moderno e visualmente tem momentos em que nos parece estarmos apenas a ler uma banda-desenhada com imagens em movimento.

 

Há de tudo neste filme. Herois apaixonados, princesas um bocadinho parvas, um motard-morto-vivo, um gajo que anda de autocarro para se esfregar nas gajas boas, um tipo que lambe tudo e muito mais que irão adorar descobrir.
E esperem só até ver a pequena Mam mais o seu ursinho de peluche !!
E mais não digo…para não ser acusado de pedófilo.

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[“Citizen Dog“] é um filme brilhante por muitos motivos, mas um dos mais fortes é o seu sentido de humor muito gráfico e original e onde nenhuma piada nos é atirada á cara, mas onde nos fartamos de rir quanto mais não seja pelo inesperado das situações e personagens.
Os gags são mais que muitos, e muitas vezes aparecem onde menos se espera. Podem ser uma frase, podem ser visuais e muitas das vezes estamos a rir mesmo quando o filme nem sequer nos parece tão cómico assim, o que não deixa de ser estranho.

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[“Citizen Dog“] é um filme muito estranho. Não se assume como uma comédia, mas tem momentos hilariantes, não será exactamente um filme romântico dentro dos moldes habituais mas tem por base uma história de amor, não é um filme de fantasia mas apresenta-nos um dos mais encantadores e originais universos paralelos urbanos do cinema recente, não é um drama mas ainda tem tempo para nos falar de um par de temas que darão bons motivos para conversas.

Visualmente é não só brilhante como tem momentos lindíssimos e com paisagens artificiais tão bonitas por todo o lado que é daquelas obras que vale a pena rever quanto mais não seja para poder captar melhor todos os detalhes presentes em cada enquadramento pois cada imagem desta história podia ser um quadro com vida própria.
Não é um filme musical, mas a música está sempre presente nas alturas certas e é quase uma personagem subliminar ao longo de toda a história.
[“Citizen Dog“] está cheio de pequenas melodias que quase não notamos mas que damos por nós com elas na cabeça depois do filme acabar. Não só a música do genérico não pára de tocar na nossa imaginação, como toda a banda sonora está cheio de pequenos interlúdios músicais que dão muita vida a este universo.

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[“Citizen Dog“] conta a história de um rapaz do campo que vem viver para a cidade onde conhece uma rapariga pela qual se apaixona. Como ela não lhe liga nenhuma o rapaz vai arranjando profissões sucessivas de modo a se adaptar ás necessidades da miuda e conseguir estar sempre presente na sua vida.
Mas a conquista não será fácil, pois ela só se interessa por um misterioso livro de capa branca que um dia encontrou e com o qual está totalmente obcecada.

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Leva o livro branco para todo o lado e o seu maior sonho é conseguir um dia perceber aquilo que insiste em continuar a ler mesmo não conhecendo a lingua na qual o texto está escrito. E isto é apenas o inicio da história.
Pelo meio ainda temos o tipo muito fixe que apesar de estar morto continua a andar de mota porque curte ser taxista-motard,  a avó do heroi que reencarnou numa osga e o amigo do heroi que anda de autocarro para se esfregar nas gajas boas em hora de …ponta.

Isto e tudo o mais que vocês nem imaginam até que o enigma do misterioso livro branco é resolvido e a coisa termina no inevitável happy-end.
Sim, porque [“Citizen Dog“] é um filme Tailandês, não é uma história Sul Coreana ou Japonesa por isso não esperem histórias de amor para chorar.
Este é um filme completamente boa onda, cujo o objectivo é fazer-nos felizes e como tal o resultado não poderia ser melhor.

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Desde as músicas totalmente cheias de boas vibrações, ao tom colorido do universo, ao humor que nos atinge em cheio nas sequências mais inesperadas, até á história de amor completamente diferente daquilo a que estamos habituados no cinema romântico oriental, tudo em [“Citizen Dog“] está orquestrado para nos fazer sentir bem.
É um filme fantástico para aqueles momentos mais tristes pois conseguirá colocar-lhes um sorriso no rosto e muito provávelmente irá meter-lhes a música do genérico na cabeça durante dias.
E garanto-vos que depois do filme acabar vocês voltarão ao genérico só para curtir a boa onda.

Depois de ter visto tantos maus exemplos de cinema Tailandês nos últimos anos, foi uma verdadeira surpresa ter encontrado um filme assim tão refrescante.
Não só tem uma identidade muito própria como consegue agarrar do primeiro ao último minuto.
Se calhar nem funciona particularmente bem enquanto história romântica; não irão ficar com [“Citizen Dog“] na memória pela história de amor em particular mas garanto-vos que se irão lembrar deste filme por muito tempo pelo resto.
Na verdade a ter alguma falha, na minha opinião, está no facto de tendo por base uma história de amor nunca levou esse registo a um nível que se calhar deveria ter levado.

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Não é por nos importarmos particularmente com a história de amor dos protagonistas que [“Citizen Dog“] resulta e se calhar deveria ter sido esse mais o seu ponto central, pois o filme parece estar algo fragmentado em dois actos. O primeiro em que conhecemos todo o universo do heroi e ficamos a saber da sua paixão pela rapariga e o segundo acto mais centrado na obsessão desta pela ecologia o que acaba por deixar para segundo plano o sentimento do heroi em relação ao seu amor.

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[“Citizen Dog“] apesar de ser uma comédia romântica, tem muito pouca emotividade no que toca á história de amor e por isso o final feliz não tem aquele impacto emocional que poderia ter tido.
Não tem, porque toda a história está carregada de uma boa onda tal, que nunca existe na verdade um núcleo dramático que nos fizesse duvidar por momentos do inevitável final feliz.
A faltar alguma coisa neste filme, falta-lhe algum suspanse romântico e o segmento final perde muita da emotividade que poderia ter tido na minha opinião.
De qualquer forma é um pequeno grande filme romântico com dezenas de outras coisas para ver e muito, muito bom humor com alguns gags particularmente inesperados e hilariantes até pela forma como são usados para fazer avançar a história.

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[“Citizen Dog“] está cheio de piadas mas todas colocadas cirurgicamente de forma a servirem para qualquer coisa no contexto geral.
Não parece, mas [“Citizen Dog“] é um daqueles filmes que pedem uma segunda e até uma terceira visão até que percebamos o quanto é bom e como está carregado de detalhes a que não prestamos atenção quando o vemos de forma desprevenida pela primeira vez.
De qualquer forma vocês voltarão a ele muitas vezes certamente, quanto mais não seja para curtirem o genérico. E se virem o genérico, têm de continuar a ver o resto, mesmo já sabendo o que acontece. E tudo acontece neste filme.
[“Citizen Dog“] é totalmente hipnótico. Único, divertido e visualmente brilhante.
Uma pequena grande surpresa saida da Tailandia á espera de ser descoberto hoje mesmo.

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CLASSIFICAÇÃO:

Absolutamente  obrigatório para quem gosta de bom cinema romântico com muita  imaginação visual.
Não estará propriamente na linha de um  ”The Classic“, “Be With You“, “My Sassy Girl”, “Fly me to Polaris“ ou “Il Mare“ mas é uma proposta totalmente diferente com um estilo de conto de fadas urbano que resulta plenamente e os irá divertir se gostaram por exemplo de “Amélie” de Jean Pierre Jeunet.

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Cinco tijelas de noodles e um Golden Award como selo de qualidade, sem qualquer hesitação por tudo e mais alguma coisa, apesar de eu ter ficado algo desapontado pela ausência de um conteúdo mais dramático na história de amor central.
No entanto finalmente aparece algo saído do cinema Tailandês que se destaca pela positiva e só por isso merece a nota máxima, até porque o filme é mesmo bom.

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Se gostarem deste e ainda não viram um dos filmes anteriores do mesmo realizador, o fabuloso “TEARS OF THE BLACK TIGER” nem sei do que estão à espera, pois é ainda melhor.

A favor: o estilo conto de fadas urbano, o visual do filme é fabuloso, cores incriveis e cada imagem é um quadro, tem um sentido de humor genial e contém momentos hilariantes, os personagens são inesqueciveis, nunca conseguimos adivinhar o que vai aparecer a seguir, arrisca ser politicamente incorrecto, a música é perfeitamente hipnótica, a abertura do filme é genial com uma sequência musical muito divertida, excelente exemplo de como se pode fazer cinema em total estilo photoshop sem perder qualidades cinemáticas, é um filme que se revê com prazer e onde se descobre sempre uma coisa nova a nova visão, excelente filme familiar também, finalmente um filme Tailandês em condições !!

Contra: quem não gosta do estilo gráfico excessivamente artificial não vai gostar disto, a história de amor não tem nenhum suspanse romântico ou um coração dramático tão forte quanto eu gostaria de ter visto  e como tal o final feliz perde alguma força.

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer 1

Trailer 2

Créditos finais

 

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Comprar
Eu bem que queria ter isto mas parece ser impossível de se encontrar actualmente.
Se souberem onde está á venda digam qualquer coisa.

Supreendentemente este é um dos raros filmes orientais que ainda se encontram na net, com legendas em Português.
Podem fazer o Download aqui !

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0444778/combined

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Filmes estéticamente semelhantes de que poderá gostar:

The Promise capinha_tears-o-the-black-tiger

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Boku no kanojo wa saibôgu (Cyborg She/Cyborg Girl) Jae-young Kwak (2008) Coreia do Sul/Japão


Estamos a 11 de Janeiro de 2009 e podem começar a contar os meses até que os americanos comprem também os direitos deste filme para fazer o inevitável remake made-in-Hollywood.
Podem escrever o que digo. Vai acontecer.
E já agora, fica aqui o seguinte aviso…afastem-se de todas as reviews deste filme, não tentem informar-se sobre ele no IMDB e nem queiram ler mais nada a não ser este meu texto antes de verem a obra.
Eu não lhes irei revelar nada que estrague o prazer da descoberta deste argumento.

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[“Cyborg She“] é um daqueles filmes que dependem por completo do (quase) total desconhecimento do espectador sobre aquilo que irá ver, por isso meus amigos não o estraguem procurando saber mais sobre ele.
Posto isto…
Para quem pensa que já viu tudo no que toca a filmes românticos e para quem acha que consegue sempre adivinhar os finais das histórias… meus amigos, toda a gente a ir buscar este filme aqui, já !
Embora eu recomende a compra imediata disto se vocês adoram filmes românticos orientais e histórias de viagens no tempo. Especialmente agora que o DVD está mesmo baratinho na Amazon Uk e tudo. Baratinho mesmo !
Este filme tem um som tão bom que vai ser uma pena se o virem pela primeira vez apenas numa cópia pirata…

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Se gostarem podem ter a certeza que também o irão querer comprar pois este é mais outro daqueles filmes completamente indispensáveis em qualquer colecção dvd de cinema romântico oriental mas não só.
Totalmente imperdível para quem gosta de ficção científica inteligente mesmo quando ela vem disfarçada de comédia romântica para adolescentes. Para mim [“Cyborg She“] é o equivalente oriental ao clássico Back to the Future de Robert Zemekis por isso se gostaram de um vão adorar o outro. É melhor encomendarem já o DVD porque vão querer ter este filme. 😉

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Para não variar, é outro título do mesmo realizador de “My Sassy Girl“,  ”The Classic“, ou “Windstruck” e eu sei que já sou supeito em dizer isto, mas sinceramente não consigo evitar. Para mim actualmente não há ninguém que consiga escrever histórias românticas com mais imaginação e criatividade do que Jae-young Kwak .
Quando eu já pensava que ele não poderia inovar mais o género, aparece-me pela frente este [“Cyborg She“] e mais uma vez não sei bem em que categoria colocar um filme deste realizador.
É uma obra extremamente comercial, um verdadeiro blockbuster intensamente romântico e totalmente adolescente, mas também é uma comédia alucinada e se calhar um filme de super-herois até certo ponto.

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Porém o termo “comédia-romântica” é por demais redutor pois o filme é muito mais do que isso apesar de ser um produto bem comercial. Se isto fosse um filme americano seria mais uma daqueles filmes para adolescentes sem cérebro com pouco mais que efeitos para meter pinta e sem qualquer carga de emoção. Mas não é um filme americano. Ainda.
O que complica ainda mais as coisas, pois como habitualmente nada do que Jae-young Kwak escreve se proporciona a qualquer rótulo. Especialmente áqueles rótulos que estamos habituados a serem colocados nos filmes americanos.
Ainda por cima [“Cyborg She“] na minha opinião é também um daqueles filmes de ficção-científica como há bastante tempo não se via pela frente.
Quem gostar de histórias sobre viagens no tempo, tem aqui não só possivelmente a mais romântica de sempre como ainda por cima leva com um daqueles finais inesperados que o fará  querer rever o filme só para tentar perceber o que lhe passou ao lado, (mesmo com a detalhada explicação final).

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A ser parecido com alguma coisa [“Cyborg She“] será assim uma espécie de “My Sassy Girl”  em versão ficção-científica em que se cruzam elementos de outros filmes que não posso agora aqui revelar pois seria estragar-lhes o prazer da descoberta desta mágnifica história de amor que se calhar dentro de uma certa falta de originalidade tendo em conta as suas referências é definitivamente um dos filmes românticos mais originais que poderão ver este ano.
E se não gostam de ficção científica, não se preocupem porque se fazem parte daqueles que chegam a este blog procurando por cinema romântico oriental não se podem enganar com este filme novinho em folha.

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Mais uma vez este realizador consegue criar uma personagem feminina cativante e novamente conta conta com uma actriz que soube muito bem dar conta do recado.
A miúda que faz de Cyborg tem um desempenho absolutamente perfeito e não passa muito tempo sem que nos esqueçamos por completo que a actriz é de carne e osso.
A sua interpretação cativa-nos por completo e também é um dos pontos fortes do filme pois consegue mesmo ilustrar aquele ambiente de amor impossível sobre o qual assenta o argumento até nos trocar as voltas com o seu excelente final.

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Aliás, tal como já tinha sucedido em  “My Sassy Girl” novamente o protagonismo está todo nos dois personagens principais e sente-se de novo aquela magia do “original”, algo que tinha ficado bastante aquém em “Windstruck” que se centrava essencialmente na personagem feminina.
Em [“Cyborg She“] regressa o equílibrio entre os dois protagonistas da história de amor e voltamos a ter outro filme oriental que essencialmente assenta sobre o trabalho de dois excelentes actores que ao longo de duas horas nos fazem mesmo acreditar que aqueles personagens existem, mesmo quando no ecran se passam as loucuras mais inesperadas pois este é mais outro daqueles filmes em que o espectador a partir de certa altura apesar de não adivinhar nada já espera ver tudo.
E vê, especialmente aquilo que não espera.

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Como bom blockbuster de ficção-científica também [“Cyborg She“] precisa de assentar em efeitos especiais sólidos. Podem não parecer nada de especial ao início, mas esperem só pelo final meus amigos…esperem só pelo final…
Este é outro daqueles filmes perfeitos para vocês mostrarem áquele vosso amigo que ainda acha que só em Hollywood se fazem filmes com efeitos especiais a sério.
Eu adorava poder dar aqui um par de exemplos, mas estaria a estragar-lhes logo um dos melhores momentos do filme por isso vou ficar calado.

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No entanto é curioso, que apesar deste meu entusiasmo a verdade é  que cheguei a pensar que seria a obra mais fraca do realizador até ao momento porque há uma coisa de diferente neste [“Cyborg She“] em relação aos outros trabalhos de Jae-young Kwak.
Apesar de desde o início o filme ser muito divertido, a verdade é que o estilo de humor quase Anime em imagem real me distanciou do coração emocional do filme durante muito tempo após este ter começado.
Ao contrário dos outros filmes do realizador só a meio da história os personagens me agarraram verdadeiramente e pelo menos no que me toca, isto foi algo que ainda não tinha encontrado numa obra dele.
Mas não deixem que a minha opinião lhes condicione a maneira como possam olhar para  [“Cyborg She“].
Na verdade se há uma coisa de que o filme não tem falta é de momentos poéticos que contrastam em absoluto com as alturas de comédia caótica e equilibram muito bem todo o conjunto.

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A cena da viagem ao passado a meio do filme deve ser uma das sequências mais bonitas e nostálgicas alguma vez filmadas dentro do género sci-fi.
M
esmo tendo por pano de fundo um ambiente totalmente japonês irá certamente fazer com que muita gente se identifique com as emoções da sequência que é simplesmente perfeita e executada de forma muito original guiando o espectador por um passeio ao passado absolutamente poético e que é um dos pontos altos do filme.
E já agora fica aqui um destaque especial para a fotografia, que tem nesta sequência de viagem no tempo alguns dos melhores momentos visuais de todo o conjunto pela maneira como as paisagens rurais são fotografadas e todas as emoções dessas cenas são transmitidas quase sem palavras.

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[“Cyborg She“] é um filme diferente de Jae-young Kwak por outra razão. É a primeira vez que o realizador Sul-Coreano filma no japão, em japonês e com um casting local. Isto tem uma razão que é absolutamente indispensável para a história do filme mas claro que também não lhes vou dizer qual é.
Sendo assim e porque não quero correr o risco de revelar aqui algo que não devo…

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CLASSIFICAÇÃO:

Outro dos melhores filmes românticos (para todas as idades) que poderão encontrar no mercado e que irá agradar a muita gente. Se não gostam do estilo do realizador poderá não ser para vocês, mas se gostaram de “My Sassy Girl” ou “Windstruck” nem hesitem.
Não procurem saber mais nada sobre [“Cyborg She”] antes de verem o filme.
E de preferência nem queiram ver o trailer. Vão por mim.
É um excelente filme de ficção científica, um blockbuster com um par de sequências impressionantes e uma comédia romântica divertida cheia de poesia e muita alma.
Completamente obrigatório em qualquer colecção de cinema romântico em dvd sem esquecer os igualmente fabulosos “My Sassy Girl” , ”The Classic“,  “Windstruck” e até mesmo “Be With You“ que de certa forma está dentro do género.
Este é outro daqueles filmes que na minha opinião rebenta a escala por ser um excelente exemplo de que um filme ultra comercial não precisa de ser um produto para adolescentes imbecis.
É um excelente exemplo de um filme cheio de efeitos especiais mas com muita alma e poesia.
Ainda não foi desta que este realizador fez um filme mau ou sequer mediano.
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award por tudo e mais alguma coisa.

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A favor: o final do filme irá surpreender-vos, a poética sequência de viagem ao passado a meio do filme, a atmosfera romântica que resulta mesmo no meio de um argumento ultra-comercial, os actores principais são fabulosos com destaque para a interpretação da miúda cyborg, os efeitos especiais das sequências estilo blockbuster são mágnificos, é uma das melhores histórias de viagens no tempo contemporâneas, excelente equilibrio entre vários géneros de cinema comercial, excelente história de amor-impossível ao melhor estilo clássico mas com um twist genial.
Contra: não agradará a quem não gosta do estilo de filmes deste realizador pois é mais do “mesmo”, os inevitáveis pequenos paradoxos que se encontram sempre nestas histórias de viagens no tempo se pensarmos muito no assunto (por isso não pensem), o seu sentido de humor algo caótico ao melhor estilo Anime pode desviar por momentos o espectador do coração emocional do filme, a história é uma mistura de elementos que já vimos antes em outras histórias e por isso nunca se consegue assumir por completo como um produto verdadeiramente original…quer dizer…até ao desenlace final claro.

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer:
Fica aqui o trailer, mas recomendo mesmo que não o vejam antes de verem o filme.
Estão por vossa conta.

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Comprar
Neste momento (Verão de 2010) está á venda mesmo muito baratinho na Amazon Uk. Não percam.

IMDB
Nem pensem nisso antes de verem o filme.

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Filmes semelhantes de que certamente irão gostar:

My Sassy Girl cyborg_she_windstruckcapinha1 The Classic

Fly me to Polaris Be With You Il Mare

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Madeleine (Madeleine) Kwang-chun Park (2003) Coreia do Sul


[“Madeleine“] é um filme oriental muito bonito mas se calhar não se nota á primeira, pois é uma love-story asiática particularemente discreta.
Não tem o habitual estilo excessivamente melodramático muito característico do cinema romântico Coreano e por isso não nos causa aquele impacto inicial que muitas obras nos provocam.
Quando vi [“Madeleine“] pela primeira vez fiquei sem perceber se tinha gostado muito do filme, ou nem por isso.
Achei que lhe faltava algo, pois senti falta daquela emoção imediata de outros filmes como “The Classic” por exemplo e por isso pareceu-me particularmente ambiguo.
No entanto, apesar de ter arrumado o filme na prateleira, por qualquer motivo não me consegui esquecer dele ou tirar a sua história da cabeça; dei por mim até a comparar outras love-stories que vi posteriormente com [“Madeleine“] e aos poucos comecei a perceber porque muitas críticas de cinema  falam deste filme de uma forma especial.

[“Madeleine“], é um filme Sul Coreano diferente. Á primeira vista parece ser uma cópia de “My Sassy Girl ” com dois personagens até semelhantes e uma estrutura parecida. No entanto o filme revela-se um trabalho mais contido e as emoções dos personagens são trabalhadas de uma forma diferente, o que afasta a história de ser apenas um eventual clone e lhe confere uma identidade asiática muito própria com contornos mais realisticos do que é habitual no cinema romântico da Coreia do Sul.

[“Madeleine“], conta a história de um rapaz e de uma rapariga que se conhecem desde o liceu, mas não se viam desde esses tempos. Até ao dia em que o rapaz vai cortar o cabelo e encontra a sua antiga colega que sonhava ser designer de penteados mas não conseguiu ir muito além do emprego de cabeleireira que arranjou.
Sem nada em comum antes, também agora os dois não têm grandes motivos para se voltar a encontrar, mas no entanto acontece precisamente o contrário e desta vez esse facto atrai-os para uma nova relação de amizade que naturalmente vai evoluindo para um amor mais a sério.
Apesar de nenhum deles querer admiti-lo, pois afinal apesar de tudo parecer certo quando estão juntos continuam a não ter absolutamente nada em comum um com o outro.
Assim um dia combinam namorar durante um mês e nenhum dos dois pode acabar a relação antes desse período seja porque motivo for.
Isto a titulo de experiência e se tal não resultar cada um seguirá o seu caminho sem qualquer ressentimento.
Mas obviamente que as coisas não são assim tão simples.

Amores antigos regressam subitamente á vida dos dois protagonistas e a situação complica-se.
Mas não pensem que vão encontrar aqui os habituais triangulos amorosos formuláticos.
Isto é muito dificil de explicar mas tudo neste filme parece real e até as partes que se prestariam a uma abordagem mais típica de um filme de amor para adolescentes em [“Madeleine“], são apresentadas de uma forma perfeitamente natural.
Por exemplo do lado do rapaz, surge uma história paralela envolvendo uma amiga que depois do liceu se tornou vocalísta de uma banda rock e agora se encontra bastante interessada numa relação romântica com o protagonista ao mesmo tempo que tenta alcançar a fama.
Ora se isto fosse um filme romântico com adolescentes americanos made-in-hollywood, haveria logo de meter imensas traições e cenas com a heroína a descobrir o heroi nos braços de outra rapariga ou vice versa. E como o filme mete adolescentes e bandas de rock, inevitávelmente seria também uma daquelas histórias em que os protagonistas sonham ser estrelas rock e pelo caminho percorrem todos os clichés deste género de história tão repetido no cinema americano.
Não em [“Madeleine“].

A forma como [“Madeleine“], trata este tema é completamente refrescante pois evita todos os clichés do género e nunca cai no melodrama corriqueiro nem no típico filme para adolescentes sem cérebro.
Aliás na verdade quase que nem se sente uma carga dramática ao longo do filme.
As situações estão lá, mas parece que o espectador só as consegue verdadeiramente sentir quando estas já passaram.
Um pouco como acontecia com o personagem da robot-cyborg em “2046” de Hong-Kar-Wai, que tinha reacções emocionais atrasadas, neste filme parece que só quando as situações passam é que damos por nós a pensar nelas e só então apanhamos com o seu impacto emocional.
Como lhes disse isto é dificil de explicar porque este é realmente um filme muito diferente dentro do género romântico oriental o que o torna numa obra original.
Nem sequer é cinema de autor, mas tem uma carga intimista que não tinha visto num filme comercial com adolescentes, á excepção de “Nana” de que em breve irei também falar.
Até a parte sobre a banda de rock, que num filme americano dava logo motivo para muita história da treta sobre jovenzinhos que querem ser famosos, aqui serve apenas de suporte para a forma como as relações dos personagens são construídas.
Mas isto não impede que [“Madeleine“], tenha no entanto uma banda sonora com um par de temas rock excelentes, pois a banda que aparece no filme é mesmo real e a actriz que interpreta a sua vocalista está na verdade a interpretar-se a si mesma.

Outro tema absolutamente bem tratado e que se torna de certa forma o coração do filme é o tema do aborto. E mais uma vez não pensem que vão ver aquilo de que estão á espera.
O filme nem é contra nem a favor do aborto e na verdade apresenta-nos uma realidade que quase se torna uma terceira tomada de posição sobre o assunto, pois está muito baseada na cultura oriental e na forma filosófica como algumas religiões não católicas vêem de forma muito natural, extremamente poética e espiritual aquilo que para muita gente nascida debaixo de um severo catolicismo Mediterrânico será um pecado mortal que levará directamente ao inferno.
[“Madeleine“], aborda por momentos a questão e numa simples frase justifica de uma forma muito bonita aquilo que para muita gente será algo inconcebível, colocando este filme num patamar ainda mais elevado, pois se isto fosse um filme americano eu nem quero imaginar o tom moralista que estaria a envolver todo este pequeno segmento da história.

O titulo [“Madeleine“], vem no entanto não de qualquer personagem, mas sim de um bolo.
Madeine é o nome de um bolo, que julgo em Portugal chamar-se precisamente “Madalenas” e está no título do filme, porque é um elemento que liga vários personagens e simboliza essencialmente os bons momentos simples e felizes que podemos ter na nossa vida e que a que se calhar nem damos o devido valor.
As cenas envolvendo o respectivo bolo, são quase uma coisa á parte dentro do argumento principal do filme, mas no entanto são precisamente o coração emocional da história e que acaba por nos emocionar mais no final com uma das cenas mais bonitas onde os personagens partilham pela última vez um bocado de bolo de uma Madalena em tamanho grande.

Não há muito mais para dizer, pois este é um daqueles filmes orientais que não precisa de descrição, porque a simplicidade das suas imagens e personagens não precisa de mais nada para tornar [“Madeleine“], num filme romântico oriental muito bonito que nos toca mais do que parece fazer a uma primeira visão.

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CLASSIFICAÇÃO:

Uma história de amor sem história onde a simplicidade dos personagens e situações diz tudo.
Muito bonito, poético e cheio de alma e mais um excelente exemplo de como a Coreia do Sul produz actualmente as melhores e mais originais histórias de amor.
Cinco tigelas de noodles porque as merece plenamente.

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A favor: a simplicidade das situações e personagens, não entra por nenhum cliché de filmes adolescentes, tem um argumento inteligente, é poético sem se evidenciar a todo o momento, é um filme de adolescentes com um tratamento adulto que agradará a todas as faixas etárias, aborda temas polémicos de uma forma natural e muito bonita, nunca tenta pregar qualquer moral ou filosofia.
Contra: o seu estilo diferente pode retirar-lhe algum impacto emocional inicial. Por isso vejam-no pelo menos duas vezes porque este é um filme para ser interiorizado.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
Este é um filme muito dificil de ser encontrado como deve de ser actualmente.
Como nem sequer um trailer existe no YouTube, fiquem antes com um dos videoclips da banda sonora pois serve perfeitamente como trailer porque mostra plenamente a atmosfera do filme.
http://www.youtube.com/watch?v=OYkrJ3D9yBE

Comprar
Aqui estão com azar…
Este filme não se encontra já em parte alguma, por isso se o conseguirem descobrir nem hesitem em comprá-lo imediatamente. É uma edição de dois discos e o segundo é o CD da banda sonora com todas as músicas do filme remasterizadas com um som fantástico.
Estejam de olho neste link, pois o filme pode ter uma nova edição a qualquer momento e poderão depois comprá-lo aqui.
http://global.yesasia.com/en/PrdDept.aspx/did-90/code-k/section-videos/pid-1002531967/
Ah…e por qualquer motivo, alguém ainda me há de explicar porque raio é que a capa do dvd deste filme não tem absolutamente NADA a ver com o conteúdo do mesmo. Nada !
Os personagens de [“Madeleine“], nem sequer são parecidos com os que aparecem nas capas do dvd !Não entendo mesmo esta…Se visse alguma destas capas numa loja jamais me passaria pela cabeça que lá dentro das caixas estaria o filme [“Madeleine“].

O dvd do filme parece não estar já á venda, mas não terão grande dificuldade em descobri-lo nos torrents, porque [“Madeleine“], já se tornou um filme de culto dentro do género romântico Coreano, precisamente por ser diferente e ter uma aura de Rock muito bem apanhada.
Também está disponível no Youtube mas não recomendo de forma alguma aquela cópia, até porque o devido á banda sonora do filme, seria preferível poderem vê-lo com um som a condizer.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0345603/

Outra review
http://www.kfccinema.com/reviews/drama/madeleine/madeleine.html

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