Mo gong ( Battle of Wits – aka – Battle of the Warriors) Chi Leung ‘Jacob’ Cheung (2006) China


No outro dia ao desiludir-me bastante com “Red Cliff“, lembrei-me que este era bastante semelhante a outro titulo mais antigo que eu tinha comprado há anos mas de que ainda não tinha falado aqui, pois por qualquer motivo é um daqueles dvds que nunca mais tinha revisto e como tal, decidi tirar o pó do disco a [“Battle of Wits“] porque esta é mesmo a altura certa para falar deste filme no blog até por uma questão de comparação entre títulos semelhantes.

Tanto “Red Cliff” como [“Battle of Wits“] são filmes de guerra semelhantes, porque essencialmente assentam mais sobre as estratégias de guerra, tácticas de movimentação de exércitos, planos de combate e intrigas políticas ou palacianas do que própriamente sobre herois e heroínas que vivem aventuras em mundos Wuxia ou de ambiente medieval e como tal são filmes com uma estrutura muito parecida.

Em ambos os casos, temos dois exércitos em confronto que se analisam um ao outro e onde a maior parte das cenas se passam naquela guerra de muralhas e paliçadas onde as estratégias de invasão se sobrepõem á sequências de acção pura e simples.
Também a nível de personagens os filmes se tocam pois tanto “Red Cliff” como [“Battle of Wits“] contam com os inevitáveis generais caracterizados da forma habitual, com os guerreiros heroicos em estilo solitário, grandes estrategas militares, imperadores decadentes ou corruptos e claro, com a miúda gira da história que neste caso também é muito boa a andar á bulha pelo meio das cenas de batalha, pois é uma oficial de cavalaria.

Achei portanto, que tanto “Red Cliff” como [“Battle of Wits“] poderiam ter sido o mesmo filme. Se se trocassem os cenários e o guarda roupa, provavelmente o resultado teria sido o mesmo nos dois filme e ambos manteriam a sua identidade apenas por causa de um grande pormenor que os distingue.
[“Battle of Wits“] ostenta muito menos opulência visual que “Red Cliff” e como tal não tem aquele sabor a grande épico cinematográfico que exala por todos os frames desse filme e que tornou a obra de John Woo imediatamente muito menos interessante na minha opinião; apenas porque por detrás de tanto estilo visual espantoso tudo aquilo sempre me pareceu demasiado plástico e como espectador nunca consegui entrar naquele mundo pois tudo me pareceu fabricado para cinema e muito pouco real.

Algo que não me aconteceu de todo agora em [“Battle of Wits“].
Ainda o filme não tinha começado á dez minutos e já eu me tinha esquecido que estava a ver um épico cinematográfico. Isto porque pura e simplesmente, nada em [“Battle of Wits“] nos lembra que são cenários contruidos para um filme e nada no estilo visual chama constantemente a atenção para o que aparece no ecrã.
Acompanhar [“Battle of Wits“] é como espreitar por uma máquina do tempo e contemplar o passado; ter acompanhado “Red Cliff” para mim foi como estar a desfolhar um livro sobre design e construção de cenários para cinema. Por muito que eu tenha adorado o fantástico estilo visual do filme de John Woo prefiro mil vezes a contenção estética de [“Battle of Wits“] e o estilo completamente natural dos ambientes e arquitecturas pois transportam o espectador para o passado. Não o deixam do outro lado da televisão a contemplar ambientes gráficos quando estes deveriam servir os personagens e não gritar – superprodução cinematográfica – a todo o instante.

Portanto, em comparação, nota alta para [“Battle of Wits“] logo por este início. Tudo nesta história parece visualmente real e quem gostou da estética realística e crua de Musa the Warrior tem aqui um filme muito semelhante gráficamente falando que  irá certamente agradar a quem procura este tipo de atmosfera visual.
Infelizmente a nível de argumento, também [“Battle of Wits“] é um daqueles filmes que me custa bastante a absorver, mas isto é uma questão de gosto pessoal pois como já referi em posts anteriores, o género de intriga politica e palaciana é algo que me aborrece de morte. Portanto para mim foi muito dificil arrastar-me pelos primeiros vinte minutos deste filme.

No entanto a sua atmosfera cativou-me e cedo também os personagens se começaram a delinear bem mais interessantes do que em por exemplo, mais uma vez “”Red Cliff“.
Não quero parecer estar aqui a ser muito duro com o filme de John Woo até porque gostei do que vi, mas é impossível não compará-lo com [“Battle of Wits“] pois são bastante semelhantes temáticamente e estruturalmente e como tal em termos de gosto puramente pessoal eu penso que esta produção bem menos extravagante é muito mais interessante.

Muita gente em reviews na net critica um pouco os personagens deste filme por causa de serem um bocado estereotipados e parecerem apenas ter sido criados para fazer brilhar as estrelas Pop chinesas que pelo visto entram nisto. Eu como não conheço nenhum destes gajos que entram nos papeis secundários, por mim estão todos muito bem e nem me pareceu sequer que o personagem do soldado arqueiro tenha sido criado para imitar o “Elfo Legolas” do “Lord of the Rings” embora perceba a razão de muita gente referir essa sensação pois o seu papel e dinâmica em [“Battle of Wits“] pode ser semelhante.
Como no entanto, a mim nem me pareceu que isto estrague própriamente o filme por mim que se lixe e passa á frente.

Coisas boas. [“Battle of Wits“] tem muito ambiente e conta com além de Andy Lau sempre seguro, também com o carismático actor sul-coreano que vocês vão reconhecer de “Musa the Warrior” onde personificava o velho e sábio guerreiro veterano e que neste caso faz de general invasor.
Se bem que este filme também seja cativante pelo facto de não ter herois e vilões mas sim, tal como em “Musa the Warrior“, apenas guerreiros em facções politicas opostas e sobre este detalhe [“Battle of Wits“] conta com uma simples e fascinante cena em frente da fortaleza cercada, onde os dois oponentes se encontram cara a cara e que define todo o tom da história; onde a haver vilões, estes serão claro está, os políticos que tudo manobram nos bastidores e que causarão mais mortos e tragédia do que quem faz a guerra por eles, o que não deixa de ser uma mensagem subliminar sempre interessante neste tipo de histórias.

E por falar em cenas de guerra, não só todas as batalhas têm um tom de guerra fascinante como ao vê-las nem me lembrei que estava a ver cenas coreografadas para um filme. Bem ao contrário do que me aconteceu em “Red Cliff” onde além de as cenas de invasão da parte final terem sabido a pouco e nem sequer terem sido particularmente impressionantes a nível criativo tudo me pareceu apenas guerra cinematográfica a todo o instante; coisa que nunca me aconteceu notar agora em [“Battle of Wits“].

Não só todas as cenas de invasão são muito variadas, como a nível de argumento as ideias para estratégias e planos de guerra são todas muito criativos e até bem surpreendentes em alguns momentos. E o melhor é que tudo isto é conseguido sem dar a impressão que estamos apenas a ver um filme, o que quanto a mim é o melhor trunfo que um épico histórico pode ter. Conseguir transportar o espectador para o passado e [“Battle of Wits“] consegue-o bastante bem na minha opinião.

A nível de história, não será propriamente algo tão interessante assim, e neste campo talvez até “Red Cliff” tenha tentado ser melhor e ir mais longe, mas [“Battle of Wits“] é essencialmente um filme sobre estratégias militares e sobre um combate de teimosias entre dois comandantes em ambos os lados da paliçada. A tal “battle of wits” que não tem uma verdadeira correspondente tradução directa na nossa lingua, mas que também se poderia traduzir por algo como “guerra de determinação” ou algo semelhante, pois é esse o coração do filme na sua essência.
[“Battle of Wits“] é um filme sobre dois homens, sobre os poderes que estão á sua volta e sobre o facto de só um deles poder sair vencedor de uma guerra que na verdade não tem qualquer sentido a não ser o de cimentar a sua honra e reputação ao melhor estilo filme de guerra medieval chinés.

Tudo gira á volta da invasão e defesa de uma cidade e tudo tem a ver com guerra, estratégia e politica, mas [“Battle of Wits“] tem ainda tempo para dedicar algumas sequências á inevitável história de amor. Neste caso, talvez mais para abrir o filme ao público feminino do que propriamente para criar algo memorável dentro do género romântico em filmes de guerra.
Por exemplo não encontrarão aqui a assumidamente romântica história de amor de “An Empress and the Warriors“, mas mesmo assim quem procura um toque de romantismo ao melhor estilo cinema oriental, penso que também irá ficar satisfeito com o que [“Battle of Wits“] tem para contar neste aspecto.
Tudo muito breve, mas resulta bem e humaniza o personagem de Andy Lau que até então mais parecia uma espécie de Obi-Wan-Kenobi da estratégia militar pois faz parte de uma ordem de guerreiros quase mística e do qual nunca se sabe muito ao longo de todo o filme.

As cenas românticas, são sempre muito secundárias e complementam bem toda a conversa estratégica, política e militarista do resto do argumento e ainda bem que os criadores deste filme as incluiram, porque conseguem criar uma carga de grande suspanse adicional no segmento final da história que agarra o espectador ao ecrã mesmo sem notarmos que não conseguimos desviar o olhar desses momentos. O desenlace romântico não foge muito ao habitual mas acaba também por transmitir um tom poético ao final de [“Battle of Wits“] o que é sempre bem-vindo.

Consta que isto é a adaptação de um Manga muito popular no Japão, mas como eu não o conheço nem nunca o li, não posso tirar grandes considerações sobre o mesmo. Por outro lado também acho que nem interessariam muito, pois mesmo que isto nem sequer seja uma grande adaptação da banda-desenhada, quanto a mim é um dos filmes mais interessantes de guerra em estilo super-produção que saiu da China recentemente e nesse aspecto bem mais carismático que “Red Cliff” sem precisar de tanta opulência gráfica para ser notado e apreciado.

Quem procura um épico de guerra chinés, penso que irá gostar bastante.
Na minha opinião, [“Battle of Wits“] talvez tenha duração a mais e não lhe fazia mal ficar sem uns quinze minutos talvez, isto porque se repete um pouco quando não há muito mais para dizer sobre honra, dedicação e patriotismo sem começar a tornar-se mais do mesmo. No entanto, como a história romântica intercala bem tudo o resto a coisa equilibra-se e não será por aqui que o filme perderá grandes pontos. Apenas poderia ter tido uma montagem mais dinâmica talvez.

Penso que irá agradar a quem procurar cenas de guerra medieval com grandes exércitos. As batalhas são muito variadas e divertidas, mesmo quando não são espectaculares. Neste campo é onde se nota o melhor do trabalho do realizador, pois penso que ele é fantástico a gerir toda a movimentação de figurantes e a transformar o pouco em muito.
Consegue algumas cenas bem espectaculares e acima de tudo divertidas pois são bem entusiasmantes ao longo de todas as cenas de guerra e quando um filme é essencialmente composto por cenas de batalha e pouco mais é notável como se consegue manter sempre equilibrado sem se tornar monótono.

Por outro lado, [“Battle of Wits“] não é um daqueles filmes de guerra com milhares de figurantes a lutar em cenas de exércitos gigantes no meio de planícies ou algo assim. É um filme de guerra de cerco e que se calhar já merece ser classificado como um sub-género dentro do cinema deste estilo.
Em vez de cenas épicas com milhares de figurantes temos cenas muito dinâmicas com algumas centenas de gajos a matarem e morrerem de todas as formas e mesmo assim, uma cena de cinco minutos de guerra deste filme tem mais entusiasmo do que quase duas horas de  “Mulan” o que já não é mau de todo.

Por falar em mau, [“Battle of Wits“] só tem uma coisa péssima.
Os maus efeitos digitais quase que arruinam algumas das cenas de batalha. Sejam a mostrar exércitos com soldadinhos feitos em CGI a marchar algo amadoramente em termos técnicos no que toca a animação, seja em muito fogo digital ou ainda em sequências inteiras com homens e cavalos tudo muito mal integrado na acção, por momentos ás vezes parece que [“Battle of Wits“] poderá tornar-se mesmo bastante foleiro e piroso quando tenta ser espectacular.
O que vale é que se calhar muita gente nem vai notar, pois felizmente são poucos e breves. Além disso a variedade do que acontece nas batalhas também contribui para distrair bastante o espectador e como tal penso que não se deve penalizar muito este filme por isto também.

Também poderia ter tido mais sangue. Num filme de guerra com tanta acção corpo a corpo e sequências em estilo cru com alguma violência tem muito pouca gente cortada aos bocados e practicamente nenhum sangue a espirrar; o que não deixa de ser estranho pois retira-lhe logo algum do dramatismo que poderia ter tido nas cenas de guerra. Se ás vezes sentirem que falta qualquer coisa no meio de tantas cenas de acção, já sabem. Falta sangue, pois surpreendentemente [“Battle of Wits“] é uma produção bastante politicamente correcta quando comparada com outras coisas semelhantes como “The Warlords” ou “Musa the Warrior“.

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CLASSIFICAÇÃO:

Não será propriamente o meu filme de guerra medieval chinês favorito, mas é uma boa alternativa a quem procura um bom épico neste estilo e gostou da atmosfera visual de por exemplo, “Musa the Warrior“.
Tem atractivos suficientes para divertir e é bem mais variado e épico que “Mulan” por exemplo sem sequer se esforçar por sê-lo. E aposto que irá agradar muito a quem procura um bom filme de guerra onde a estratégia de batalha é o centro da história e terá ficado tão desiludido com “Red Cliff” quanto eu fiquei.
Sendo assim, quatro tigelas e meia de noodles porque é mesmo muito bom e só não leva mais porque achei que tem duração a mais e arrasta-se algo pelo meio.

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A favor: excelente ambiente cénico pois nem nos lembramos que são cenários construídos para um filme, boas e muito variadas cenas de batalha com estratégias de combate divertidas e imaginativas além de muitas vezes serem empolgantes, excelente realização particularmente na gestão das cenas de acção e na forma como as narrativas se cruzam, os personagens não são originais mas são na sua grande parte muito carismáticos, dois excelentes actores como antagonistas, é um filme de guerra com alma e muito para dizer mesmo subliminarmente, boa e simpática história de amor que ainda consegue arrancar um excelente momento de suspanse na parte final.
Contra: tem duração a mais e talvez se repita em alguns pontos já antes abordados, arrasta-se um bocado a meio da sua duração, os efeitos digitais são muito fraquinhos mesmo em alguns momentos, os personagens poderiam ter sido mais originais embora eu compreenda que isto não seja nada fácil de fazer, falta-lhe sangue pois tem carnificina aos montes mas é demasiado politicamente correcto no uso de cenas gore e nem tem sequer uma decapitaçãozinha nem nada, é um bom filme mas não lhes ficará na memória pois falta-lhe qualquer coisa para ser realmente fantástico.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=WdX_cNu9dCw

Comprar DVD ou  BluRay na Amazon Uk bem baratinhos

Download aqui com legendas em PT/Br

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0485863

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Fah talai jone (Tears of the Black Tiger) Wisit Sasanatieng (2000) Tailândia


[“Tears of the Black Tiger“] é um filme absolutamente único por vários motivos e se há um título que merece sem sombra de dúvida um excelente estatuto de filme de culto é este.

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Contrariamente ao que seria de esperar quando pensamos em Westerns, os Estados Unidos não foram os maiores produtores ( em quantidade ) de filmes de cowboys ao longo dos anos. Nem sequer foram os Italianos com a sua variante “Spaghetti” filmada normalmente em Itália ou no sul de Espanha.
Foram os Tailândeses.

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Em termos estatísticos parece que para desconhecimento total de todos nós, a Tailândia produziu uma tonelada de Westerns desde que o cinema chegou àquelas bandas. Na sua maioria títulos que nunca sairam do país mas que se tornaram em verdadeiros objectos de culto. Não propriamente pela sua qualidade mas sim pela sua originalidade, tal como é bem demonstrado aqui neste clip que um amigo me enviou há pouco ( pertencente ao filme Tailandês “San Basilio” de 1981 ). Foi a razão de eu hoje me ter lembrado que também estava na altura de recomendar [“Tears of the Black Tiger“] aqui no blog e portanto a ocasião não poderia ter sido melhor.
Vamos a isto. Viajemos até à terra dos cowboys, dos rancheiros, dos indios…A Tailândia.

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Não se assustem. [“Tears of the Black Tiger“] não é um “San Basilio” mas sim uma homenagem ao género, procurando não só reproduzir a atmosfera clássica “technicolor” da época como inclusivamente quer ainda recuperar o estilo kitsh ( em total modo pimba foto-novelístico), acertando em cheio na execução da ideia.
A tal ponto que muita gente pensa que este filme ou “é antigo” ou “está mal feito; (porque a imagem não presta)”

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Parece que a Tailândia tem mantido um verdadeiro fascinio com o cinema Western norte americano  bem longe do conhecimento do publico ocidental.
Como se já não bastasse imaginarmos duelos de cowboys pelo meio de arrozais ( sim, campos de arroz no oriente ) depois a Tailândia ao logo das décadas foi misturando géneros ao Western até tudo ter dado origem a um estilo de cinema de cowboys verdadeiramente único, verdadeiramente desconhecido e verdadeiramente chunga, num certo sentido pimba divertido.

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Isto porque os filmes Tailandeses ainda hoje não se livram daquela aura absolutamente inépta e amadora que torna o Cinema daquela região possivelmente no pior do oriente, pois são poucos os filmes Tailandeses que se conseguem suportar…
Tenho a certeza que se Ed Wood se tivesse nascido Tailandês teria sido certamente aclamado como o maior realizador do país, pois o cinema daquela terra continua a ser verdadeiramente “Edwoodiano”…para não lhe chamar outra coisa; ( especialmente desde que descobriram o CGI pois não deve existir pior utilização dessas técnicas modernas no cinema contemporâneo do que aquilo que a Tailândia faz actualmente com o digital…)
Mas como em tudo, há excepções absolutamente brilhantes e pelo visto ainda há quem saiba fazer cinema extraordinário na Tailandia.

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Como alguém referiu um dia numa review, [“Tears of the Black Tiger“] é definitivamente um daqueles filmes que são a razão de muita gente se apaixonar pelo Cinema, enquanto 7ºArte.
Se o cinema se pode definir pela arte de contar histórias por imagens tentando ser o mais original e eficaz possível sem nunca esquecer que as mesmas também podem invocar poesia e emoção então como já foi escrito, este é um dos melhores títulos de sempre nesse aspecto; tanto pelo visual como pela própria atmosfera única desta história que nos hipnotiza por completo mal nos deixamos transportar para aquele universo adentro.

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Nunca pensei recomendar um filme oriental dizendo isto, mas…
Quem adorar a obra literária de Gabriel Garcia Marquez, nomeadamente livros como “O Amor em Tempos de Cólera“, ou porque não, “Cem anos de solidão“, vai adorar [“Tears of the Black Tiger“].
Se Garcia Marquez tivesse sido realizador este teria sido o tipo de cinema que certamente faria adaptando muitos dos seus romances. Há por aqui aquela magia e aquele sentido de “realísmo mágico” característico da sua escrita, o que dá imensa personalidade a este filme.

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Agora é que me meti mesmo em sarilhos pois vai ser muito complicado explicar o que quero dizer com isto, mas sinceramente espero que algum produtor coloque os olhos neste realizador e o obrigue a fazer um novo remake para cinema de “O Amor em Tempos de Cólera“, ou até mesmo uma adaptação de “Memórias das minhas putas tristes“.
Até pode ser tudo transposto em termos de ambiente para a Tailândia que irá ter mais alma, poesia e atmosfera “Marqueziana” genuína do que a última tentativa em piloto automática saida de Hollywood para adaptar “O Amor em Tempos de Cólera“ que foi absolutamente esquecível em todos os aspectos e um verdadeiro desperdício de um dos melhores livros de todos os tempos.

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[“Tears of the Black Tiger“] sem adaptar “O Amor em Tempos de Cólera“ ou qualquer outro livro de Garcia Marquez tem mais a ver com o seu universo literário do que qualquer coisa que Hollywood tenha tentado colocar no ecran nas últimas décadas.

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Definir o que quero dizer ainda se torna mais complicado, se eu lhes disser agora que [“Tears of the Black Tiger“] é uma espécie de romance que Garcia Marquez nunca escreveu mas que poderia ter escrito se as suas histórias também metessem cowboys tailândeses pelo meio por entre palmeiras e campos de arroz.
Confusos ? Eu não.

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Logo desde os primeiros segundos [“Tears of the Black Tiger“] remete para uma atmosfera totalmente Garcia Marquez, o visual clássico da protagonísta de características étnicas ocidentais, o ambiente cénico a fazer lembrar aquela arquitectura colonial presente nos romances do escritor, as cores e os estimulos visuais que poderia ter sido decalcados de obras como “Cem anos de solidã0” e até o sentido de humor no estilo em que está presente em “O Amor em tempos de cólera“, tudo me fez ter a sensação de que estava a assistir no ecran à melhor adaptação de um livro que Garcia Marquez nunca escreveu e o resultado não poderia ter sido melhor.

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Depois de eu ter visto tanto filme mau saído da Tailândia nos últimos tempos, não deixa de ser fascinante quando agora três dos melhores filmes que vi  saídos daquela região tenham sido  criados pelo mesmo realizador-argumentista.
O criativo Wisit Sasanatieng ; cineasta que entrou já para a minha lista de realizadores favoritos por causa de: “Citizen Dog“, “The Unseen” e [“Tears of the Black Tiger“].

Até hoje ainda não quero crer que [“Tears of the Black Tiger“]  me passou ao lado estes anos todos apesar de já ter sido filmado em 2000 !
Temos aqui mais um bom exemplo de outro título que pode agradecer a sua actual popularidade no nicho do cinema de culto à existência de internet. Se ainda vivessemos num mundo de há trinta anos atrás fechados nos nossos próprios países, alguém como eu jamais conseguiria ter acesso a este tipo de cinema, quanto mais ouvir falar dele; até porque aqui em Portugal, tudo o que não vem de Hollywood não existe desde sempre.

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[“Tears of the Black Tiger“] visualmente é absolutamente fascinante. Tem uma estética artificial quase teatral mas onde tudo foi construído tradicionalmente através de cenários, efeitos gráficos e pinturas, o que lhe dá uma atmosfera extranhamente natural apesar do histerísmo visual de practicamente todas as cenas e lhe confere um efeito muito menos plástico do que veio depois a acontecer em “Citizen Dog” onde tudo foi criado digitalmente.

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O filme resulta em muitos níveis. Como drama romântico é genial. Ou melhor, diria mesmo, como tragédia romântica é genial, pois vai buscar aquele estilo melodramático totalmente over-the-top dos romances de cordel dos anos 30 e 40 e mistura tudo com a maior quantidade de clichés do Western mais puro num resultado final absolutamente surpreendente por muitos e variados motivos.
E ainda por cima enquanto filme de acção tem momentos clássicos a fazer lembrar o melhor e mais cru do trabalho de realizadores como Sam Peckinpah ou Samuel Fuller de uma forma divertidissima.

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[“Tears of the Black Tiger“] está cheio de tiroteios e baldes de sangue por todo o lado, o que o torna na primeira história de amor intensamente romântica com cenas gore absolutamente geniais, (vão adorar a bala pelos dentes).
Enquanto história de amor é fabuloso, não só visualmente como ainda tem muita alma e poesia pelo meio e nem o seu estilo totalmente melodramático em tom histérico de fazer chorar as pedras da calçada lhe retira o mérito de ser uma das melhores histórias de amor orientais ( e de todos os tempos ).
Muito pelo contrário pois é intensamente romântico ao melhor estilo clássico.

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Enquanto filme de porrada, ou melhor, enquanto filme-de-cábois é totalmente divertido. Não só a violência é estupidamente intensa a todo o instante embora totalmente cartoon, como está filmado num estilo que anda por ali algures entre os Westerns do final dos anos 60 e o cinema-exploitation do meio dos 70.
Muito daquilo que vocês viram Robert Rodriguez tentar recriar agora recentemente em filmes como Desperado, Planet Terror ou até mesmo Machete está aqui reproduzido em [“Tears of the Black Tiger“] de uma forma genuína para nos surpreender e divertir.

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Curiosamente o filme apesar de parecer ser uma espécie de dois-em-um com duas partes totalmente separadas que poderiam ser filmes isolados por si só, a coisa resulta plenamente quando a história de amor se junta ao western tailandês no acto final da novela.
Até lá parece que estamos a ver dois filmes diferentes ao mesmo tempo, inclusivamente com tratamentos visuais ligeiramente diferentes; por isso não se surpreendam.
Em [“Tears of the Black Tiger“] acompanhamos a história de amor no seu estilo telenovela melodramática em ambiente colonial por um lado, mas também um western-exploitation em modo ultra-violento por outro que depois irão cruzar-se num único ponto.
E não é que tudo isto resulta ?!

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Quem viu “Citizen Dog” e gostou, vai adorar [“Tears of the Black Tiger“].
Desde os enquadramentos até ao tratamento de cor, tudo neste filme está no ecran para nos maravilhar e fazer entrar num mundo de fantasia muito próprio e incrivelmente único onde as referências clássicas abundam e nos obrigam a voltar ao filme por muito mais vezes só porque nos escaparam detalhes á primeira.
O estilo western-chunga é genial e o uso do technicolor dos anos 50 para a história de amor tem resultados não só intensamente românticos como visualmente fabulosos.
A cor na cena da praia por exemplo está extraordinária e o filme tem ainda um intenso sabor a “IN THE MOOD FOR LOVE“.
Portanto se sabem do que estou a falar, irão adorar [“Tears of the Black Tiger“] por muitos motivos.

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Em termos de história, haveria bastante para contar, mas como não quero estragar o prazer da descoberta acho que mais uma vez basta apenas referir que quem também gostou de livros como “O Amor em tempo de cólera” vai curtir muito [“Tears of the Black Tiger“]. Garanto-vos.
Não terá a complexidade de argumento de um romance de Garcia Marquez mas tem a sua alma e acima de tudo contém uma poesia semelhante, tanto no seu visual único e extraordinário como no próprio coração emocional da história.

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Quem quiser ver um filme de porrada completamente estilizado a fazer lembrar o melhor cinema chunga surpreendentemente vai encontrá-lo no meio de uma história de amor cheia de atmosfera.
Quem procura uma história de amor cheia de atmosfera surpreendentemente vai encontrá-la no meio de um filme cheio de tiros, bocados de pessoas a saltar por todo o lado e violência gratuíta quanto baste.
Ah e a banda sonora é fabulosa.

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CLASSIFICAÇÃO

Um dos filmes românticos mais bonitos e originais saidos da ásia que me apareceram pela frente até agora; até porque tem um estilo visual absolutamente clássico ao mesmo tempo que mete baldes de sangue e bocados de pessoas a saltar por todo o lado.
O mais incrível é que consegue criar uma história de amor com que nos importamos e consegue misturar dois géneros de filmes que nunca chocam nem parecem metidos a martelo.

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Absolutamente notável em todos os sentidos e um dos filmes mais originais que já recomendei em qualquer dos meus  blogs de cinema.
Nunca viram nada assim.

Cinco Tigelas de Noodles e um Gold Award

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Porque é realmente surpreendente e muito criativo mas acima de tudo porque nos transporta para um mundo que nunca vimos e quase que nos apresenta uma espécie de realidade paralela em todos os aspectos.

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A favor: um visual fabuloso, excelente banda sonora, personagens com que nos importamos, boa história de amor totalmente melodramática mas perfeitamente adequada, parece um livro do Gabriel Garcia Marquez se este escrevesse histórias com cowboys e baldes de sangue passadas na Tailândia, a fotografia estilo technicolor na sequência da praia, é muito divertido, tem cenas gore e gente cortada aos bocados, tem muita alma e é um exercicio de poesia visual, consegue ser cómico emocionante e dramático ao mesmo tempo que tudo resulta num filme completamente coerente, é de fazer chorar as pedras da calçada ao melhor estilo fotonovela das revistas clássicas.
Tudo o que falhou em Sukiyaki Western Django resulta plenamente em [“Tears of the Black Tiger“].

Contra: quem não gosta do estilo gráfico excessivamente artificial não vai gostar disto, pode ser demasiado estranho para quem procura algo mais mainstream…afinal não tem indios…

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailers ( que vale a pena verem ):

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COMPRAR DVD – REGIÃO 2 – EDIÇÃO UK
dvd
Boa edição para um filme que se está a tornar bem raro.
Infelizmente ainda não existe em bluray por isso é aproveitar em Dvd, porque está baratinho.
https://www.amazon.co.uk/gp/product/B00005UWPC/ref=as_li_tl?ie=UTF8&camp=1634&creative=6738&creativeASIN=B00005UWPC&linkCode=as2&tag=cinaosolnas-21

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0269217

Podem ir buscá-lo aqui.

Nota curiosa: A actriz principal, pouco depois do filme concluído foi vítima de uma doença rara que quase a matou. Foi internada já inconsciente e quando acordou tinham-lhe amputado uma das pernas para a salvar. Actualmente encontra-se bem.

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Filmes estéticamente semelhantes de que poderá gostar:

The Promise capinha_citizen_dog

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Palwolui Christmas (Christmas in August) Jin-ho Hur (1998) Coreia do Sul


Já tentei mas não compreendo todo o hype á volta deste filme.
[“Christmas in August“] é suposto ser uma obra prima qualquer dentro do género dramático sul-coreano mas por mais que eu tente, não compreendo mesmo porquê.

Parece inclusivamente que este filme é usado nas escolas de cinema como exemplo de como se escreve um argumento, serve de modelo a aulas sobre narrativa cinematográfica e inspirou até o autor de “My Sassy Girl” a escrever o seu clássico.
Uhm ?!!! …
Será que eu andei estes anos todos a ver e a rever uma cópia incompleta qualquer e ainda não notei ?! É que eu comprei o dvd !!

[“Christmas in August“] foi mais um daqueles dvds que eu comprei sem pestanejar sequer, pois as reviews espalhadas pela net eram tão extraordinárias e a suposta importância deste filme para o cinema oriental  é tão elevada que eu pensei que não me poderia enganar com esta história de amor.
Da primeira vez que o vi, nem o consegui ver todo pois fartei-me a meio.
Depois disso nestes anos todos tentei revê-lo pelo menos duas vezes por ano, (a ver se me tinha escapado alguma coisa) mas de cada vez que o revia ainda consolidava mais a minha opinião.

É que [“Christmas in August“] é realmente muito interessante, mas… não mais do que isso. Não compreendo de todo o porquê de tanta reverência á volta deste filme.
A história é banalíssima, mas não é por isso que o filme perde alguma coisa pois é verdade que está cheio de pequenos pormenores que lhe dão bastante humanidade.
No entanto, na minha opinião tem humanidade mas não tem chama. Falta-lhe de todo aquele toque especial que normalmente me agarra no cinema asiático e aqui isso não acontece.

Os personagens não me emocionaram de todo e isso para mim, depois de ter lido em todo o lado que [“Christmas in August“] era uma verdadeira obra prima do cinema-choradeira , foi uma verdadeira decepção. É que nem sequer me causou a mais pequena lágrima e tal deixou-me estupefacto.
Tem bastantes aspectos tocantes e supostamente a sua narrativa é uma obra prima da manipulação emocional mas no entanto nada nesta história foi suficiente para me causar o mesmo efeito que por exemplo “My Sassy Girl“, “The Classic“, “Fly me to Polaris“, “Il Mare” ou “Be With You” me causaram.

É que até “My Girl & I” tem mais emotividade que [“Christmas in August“] e no entanto um é desprezado pela crítica enquanto o outro é quase tratado como um objecto religioso dentro do cinema romântico oriental ?!
E “My Girl & I” é quase um plágio de [“Christmas in August“] pois a sua estrutura base é practicamente a mesma, mas tomara [“Christmas in August“] conseguir a mesma atmosfera.
Vocês sabem, vocês já viram este filme antes, muitas vezes até se gostarem de cinema romântico Sul Coreano.
Casal de apaixonados, muito amor platónico e depois um deles tem uma doença grave e morre no fim. Acabou o filme.

Se vocês gostam de cinema romântico Sul Coreano, sabem bem que não é por causa deste tipo de argumento que o género perde a sua força e sendo assim eu não estava nada á espera que uma suposta obra prima tão conceituada como [“Christmas in August“] não tivesse practicamente força nenhuma.
Não me interpretem mal, é um filme bonito de estutura básica mas totalmente funcional, cheio de pormenores que até prometem fazer-nos pensar sobre muita coisa, mas no entanto há algo que falha e lhe retira logo a intensidade de muitos outros filmes semelhantes criados posteriormente dentro do cinema oriental ou cinema sul coreano em particular.

Uma das razões de [“Christmas in August“] ser tão conceituado é porque segundo consta, este foi o filme que revolucionou o cinema romântico Sul Coreano moderno e definiu por completo o género modernizando-o em 1998.
Até então, parece que nada daquilo que nós hoje conhecemos nestas histórias de amor no cinema oriental existia nos moldes que agora nos fascinam e sendo assim segundo rezam as crónicas, o cinema romãntico Sul Coreano renasceu com esta obra que practicamente definiu o estilo – boy meets girl, boy looses girl, boy gets girl again, girl/boy dies, boy/girl ends up alone.

Por este prisma, eu sou o primeiro a reconhecer o seu valor.
Hoje claro, já vimos este tipo de estrutura mil vezes mas se calhar na altura foi mesmo capaz de ter causado um grande impacto nas plateias ao melhor estilo choradeira-lovestory anos 70.
Agora o que me surpreende é toda a gente continuar ainda hoje maravilhado com o filme quando já existem pelo menos uma dezena de melhores, mais drámaticos e mais eficazes exemplos dentro do género.
Se vocês já viram tudo o que tenho aconselhado aqui neste blog dentro do género romântico muito certamente também irão ter a mesma opinião que eu quando agora forem ver [“Christmas in August“].
Digam-me qualquer coisa pois gostaria muito de saber o que vocês acham sobre a enorme fama deste filme.

De resto não há muito mais para se dizer sobre ele.
É um bom produto, boas interpretações, miuda fofinha, história triste mas bonita e tudo o mais que normalmente há de bom neste tipo de cinema made-in-coreia do sul.
Não posso deixar de recomendá-lo também se já viram tudo o resto de que tenho falado, pois na verdade [“Christmas in August“] não tem propriamente nada de mau que se possa apontar nele.
Apenas tem uma carga de emotividade algo inóqua e não percebi até hoje o porquê disto ser assim.

——————————————————————————————————————CLASSIFICAÇÃO:

Se já viram tudo o resto dentro do género romântico que recomendei até hoje, devem então juntar este filme á vossa lista de coisas a ver.
Até por uma questão histórica pois supostamente este foi o filme que reinventou o género e o modernizou no que toca ás histórias de amor made-in-coreia-do-sul que hoje vocês conhecem.
De resto, na minha opinião quando comparado com o que já foi feito nestes últimos anos, [“Christmas in August“] não passa apenas de mais um pequeno e muito interessante filme mas nem de longe nem de perto será a obra-prima maior do género romântico oriental como practicamente todas as reviews o designam.
Não o colocaria no topo da minha lista de filmes a ver se tivesse chegado apenas agora ao género romântico sul-coreano.
Duas tigelas e meia de noodles pois é muito interessante mesmo mas não mais do que isso e dúvido se lhes ficará sequer na memória.

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A favor: história simples e bem contada, alguma poesia e atmosfera, excelente naturalidade nos personagens, é um filme fofinho.
Contra: na verdade não há nada de negativo neste filme, apenas falta-lhe algo para criar realmente o mesmo nível de emoção que obras posteriores como “My Sassy Girl“, “The Classic“, “Fly me to Polaris“, “Il Mare” ou “Be With You” conseguiram atingir. Por qualquer motivo não me emocionou minimamente, não deu a mínima vontade de chorar e isso é o pior que poderia ter acontecido num drama romântico Sul Coreano. Até o bem mediano “My Girl & I” tem mais emotividade e poesia que [“Christmas in August“] e não estava nada á espera disso tendo em conta a reputação de obra-prima deste filme.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
Parece que não há trailer disto em lado nenhum por isso fica aqui um videoclip.
http://www.youtube.com/watch?v=GQzq_Un-1Xc&feature=related


COMPRAR

A edição que eu tenho (capa acima) parece já não existir mas podem comprar esta aqui.
Christmas In August [DVD]

Imdb
http://www.imdb.com/title/tt0140825/

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Outros títulos românticos (bem mais) recomendados:

Be With You My Sassy Girl Il Mare The Classic Fly me to Polaris

Love Phobia concerto_capinha_73x cyborg_she_capinha_73x

ditto_capinha_73x midnightsun_capinha my_girl_and_i_minicapinha

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Um Grito de Amor desde o Centro do Mundo (Crying Out Love in the Center of the World / Socrates in Love – “My Girl and I”) – O Livro


Antes de mais bom Natal para todos, Ho, Ho, Ho e tudo o mais. 🙂

Caso tenham visto e gostado muito do filme “My Girl & I” que recomendei alguns meses atrás, se calhar também vão gostar de saber que o livro que originou o filme,”Um Grito de Amor desde o Centro do Mundo”  acabou de ser editado em lingua portuguesa precisamente em Portugal.
Na verdade “Um Grito de Amor desde o Centro do Mundo” é o romance original que depois foi adaptado ao cinema no Japão com o titulo inglés  “Crying Out Love in the Center of the World” e não a história original de “My Girl & I” embora sejam idênticas em muitas coisas pois a adaptação Sul Coreana manteve muita coisa do filme japonês.
Acontece que eu ainda não falei aqui da adaptação original porque por acaso gostei mais do remake Sul Coreano, mas agora que o livro saiu em Português vou aproveitar a onda e por isso podem contar com uma análise desse filme para breve aqui também pois já o comprei há anos e tenho adiado falar dele até agora  não sei bem porquê.

E claro que  irei colocar aqui uma review deste romance original pois estou bem curioso, visto que o livro foi a história de amor mais vendida de todos os tempos no japão e daí a popularidade do filme por aquelas bandas também, a tal ponto que os próprios Sul Coreanos fizeram “My Girl & I” com base no mesmo trabalho literário.
O facto do livro ser um daqueles muito dificeis de encontrar até agora ainda aguça mais a minha curiosidade, pois até há bem pouco tempo só se econtrava editado em Japonês nem sequer havendo uma versão inglesa, (que julgo ainda nem há). Penso que no ocidente ainda só existe neste momento a tradução espanhola e a portuguesa se não me engano.
Sendo assim, não queria deixar de divulgar isto por aqui.
Mais novidades sobre o assunto  para breve.

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UPDATE (28-12-2009):
Há coincidências mesmo curiosas.
Andava há anos atrás deste livro, há seculos para colocar aqui a review da adaptação cinematográfica japonesa e agora parece que estou a ser perseguido pela obra em todo o lado.
Este Natal recebi um outro romance japonês comprado na amazon.co.uk chamado “Socrates in Love“. Comprei-o porque depois de ter lido o fabuloso pequeno romance “Be With You” estava intrigado sobre as histórias românticas made-in-japan e quando vi este “Socrates in Love” editado em Inglés mandei vir o livro sem sequer tentar saber muito mais sobre ele além de ter notado que tinha uma excelente review.
Ontem, ao procurar mais críticas sobre o mesmo, notei que o livro também já estava adaptado ao cinema e comecei logo a tentar encontrar o filme na net. Sem qualquer resultado, apesar de muita gente garantir ser uma história bem popular.
Ao procurar pelo trailer de “Socrates in Love” no YouTube, invariávelmente ia ter a resultados que mostravam imagens de “My Girl & I” e já estava a dar em maluco pois parecia que alguém se tinha enganado na associação, até porque no Tube também aparecem imagens da série televisiva igualmente adaptada do livro. E para mais ainda existe um Manga baseada no mesmo romance !!
Qual não é o meu espanto, quando descubro que “Socrates in Love” é o titulo inglés do romance original japonês que deu origem ao filme “Crying Out Love in the Center of  the World” ! O mesmo romance que agora foi editado em Portugal com precisamente o titulo de  “Um Grito de Amor desde o Centro do Mundo” !
Resumindo, por um pouco ia comprando a edição Portuguesa na mesma semana em que recebi ao romance em inglés. Isto porque o titulo da edição Lusa vai precisamente buscar a associação ao nome do filme que originalmente adaptou “Socrates in Love” e não usou uma tradução directa do titulo original japonês ou da sua versão em inglés.
Confusos ?!…Eu estava.

Sendo assim, quem quiser agora espreitar o romance que deu origem ao filme “My Girl & I” e a ” Crying Out Love in the Center of the World” (de que falarei aqui em breve), tem duas boas opções. Pode adquirir a versão Portuguesa aqui, ou então optar pela edição Inglesa comprando-a na amazon.co.uk .
Ou então compram o Manga em inglés também na Amazon (penso eu que isto seja o Manga)…

Espero que já não estejam confusos. 😉

Be With You – O Livro


Para quem leu a minha review de [“Be With You“] e gostou tanto do filme quanto eu, se calhar vai gostar também muito da seguinte recomendação.
Eu sei que isto é suposto ser um blog sobre cinema oriental mas não posso deixar de falar agora do romance original que deu origem á adaptação cinematográfica porque na sua simplicidade é um daqueles pequenos grandes livros que não merecem ficar esquecidos, muito especialmente por quem viu e gostou mesmo do filme.

bewithyoubookNão tenho por hábito ler muitas novelas românticas, mas de vez em quando aparecem-me pela frente obras que se tornam dificeis de esquecer.
Aconteceu-me com os fabulosos “O Amor em Tempos de Cólera” e “Memórias das Minhas Putas Tristes” de Gabriel Garcia Marquez e voltou agora a acontecer com este pequeno romance original japonês.
[“Be With You“] em livro, não será própriamente uma obra maior da literatura ao contrário do que Garcia Marquez produziu, mas nem por isso deixa de ser a nível emocional uma fabulosa história de amor daquelas que não se esquece. Até mesmo para quem já conhece a surpresa final que fecha com chave de ouro a sua adaptação ao cinema.
E já agora, ao contrário da adaptação ao cinema de “O Amor em Tempos de Cólera”, esta adaptação de [“Be With You“] reproduz por completo toda a emoção da história original. É certo que as obras não se comparam em termos de complexidade mas nem por isso [“Be With You“] se poderá considerar uma história de amor menor por ser apenas um pequeno livro comercial que pretende apenas emocionar o leitor.
Quanto a mim não tenho problemas em dizer que [“Be With You“] foi uma das melhores histórias românticas que li em muito tempo e é certamente um daqueles livros que voltarei a reler bastantes vezes, porque acima de tudo e tal como acontece no filme está carregado de humanismo e personagens inesquecíveis além de ser um daqueles livros que se lê de seguida quase de um só fôlego. Até mesmo já conhecendo a história do filme e sabendo o que nos espera na reviravolta final.

bewithyoubook2Aliás, na verdade ao contrário do que costuma ser habitual nestas coisas, se calhar não recomendo que leiam o livro antes de verem o filme.
É certo que o filme lhes irá estragar a surpresa da história original, mas penso que isso não prejudica de modo nenhum a leitura do romance, até porque este tem ainda algumas diferenças que vocês vão gostar muito de descobrir. Inclusivamente contém um pequeno twist relacionado com a sexualidade do casal que foi pura e simplesmente suprimido na adaptação para cinema e que de certeza ainda vão achar mais fascinante se lerem o livro depois de verem o filme e de seguida voltarem novamente ao filme á procura de algo a que se calhar nunca prestaram atenção.
Não quero falar muito mais do livro porque este contém diferenças suficientes para entreter ainda até quem já viu o filme e por isso sugiro que o descubram por vocês mesmo.
O que foi mudado para o filme foi muito bem alterado mesmo e por isso redescobrir esta história mesmo depois de terem visto a adaptação cinematográfica ainda lhes irá certamente agradar muito. Posso garantir-vos que se gostaram do filme vão sair deste livro sem conseguir decidir qual é o melhor meio para ilustrar esta história pois este é um daqueles raros casos que se complementam perfeitamente.

Este é inclusivamente um livro excelente para quem ainda tem medo de arriscar a ler em inglés, pois é de uma escrita muito simples e directa e portanto perfeito para quem sempre teve curiosidade em tentar ler algo mas nunca quis arriscar a ler um livro que não fosse em português.
Claro que podem esquecer uma tradução Portuguesa pois [“Be With You“] só existe ainda em Japonês e em Inglés.
Podem encontrar o livro á venda na Amazon Uk onde eu comprei o meu exemplar: Be with You

Quem ainda não viu o filme, descobri que o blog AsianSpace está a disponibilizá-lo para download (legendado em PT do Brasil) caso queiram espreitar antes de o comprarem. E este recomendo MESMO a compra se gostarem do filme, pois [“Be With You“] na sua versão em DVD tem um som em DTS 5.1 absolutamente fabuloso que enche de magia sonora tridimensional os melhores momentos do final da história e como tal até me dá pena saber que muitos de vocês apenas o irão ver (e ouvir apenas em 2.0) na versão descarregada da net, mas olhem, o que interessa é que vejam o filme.
E se gostarem estão lixados pois vão querer mesmo ler o livro. Garanto-vos.

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