Failan (Failan) Hae-sung Song (2001) Coreia do Sul


[“Failan“] é um daqueles filmes que gera consenso no que toca á qualidade dentro do cinema sul coreano e percebe-se porquê; apesar de não deixar de ser estranho ter-se tornado tão conhecido quando foge bastante ao que costuma ser popular dentro do cinema comercial e ter mais a ver com um cinema mais intimista do que própriamente com aquilo que costuma vender dentro do género romântico.

Se [“Failan“] fosse um filme de Hollywood teria sido outro fracasso tão grande como “A Mexicana“, que falhou redondamente nas bilheteiras porque o público americano estava á espera de ver  Brad Pitt e  Julia Roberts a namorar no ecran e estes passam o filme todo separados com cenas independentes sem se tocar.
Tal como acontece agora neste filme oriental mas com uma estrutura bem menos ligeira e muito mais real.
Antes de ser uma história de amor, [“Failan“] é essencialmente um drama e muito provávelmente será o melhor filme dramático que surgiu até hoje na cinematografia da Coreia do Sul, tanto pela originalidade desta história de amor como pela intensidade dramática que consegue atingir sem precisar de ser própriamente um tearjerker de fazer chorar as pedras da calçada naquele sentido mais comercial.

Todo o drama nesta história é absolutamente notável e extremamente contido fazendo-nos importar realmente com os personagens de uma forma que ainda não tinha encontrado neste género de filmes.
Não estranhem…se estranharem não sentir grande vontade de chorar com [“Failan“] ao longo de quase toda a sua duração, pois este é um filme que nos manipula mas de uma forma particularmente subliminar.
Ficamos tristes quando acompanhamos as vidas vazias daquelas pessoas e contentes quando conseguem pequenas vitórias mas tudo é tão interessante e focado nos pequenos detalhes que nunca sentimos que o realizador nos está a mostrar algo para nos fazer chorar de propósito.
As situações são apresentadas de uma forma extremamente natural, especialmente nas sequências com o personagem da Cecilia Cheung o que torna [“Failan“] quase na antítese perfeita de “Fly Me to Polaris” também com a mesma actriz mas onse se assumiu totalmente o estilo melodramático para nos dar cabo do stock de lencos de papel a todo o instante.  O que não acontece agora nesta produção Sul Coreana que já conta com dez anos.

[“Failan“] segue o caminho oposto, é extremamente contido durante a sua duração e tudo para culminar num final absolutamente devastador com um impacto emocional a que certamente não irão ficar indiferentes pois esta história tem um final absolutamente perfeito, totalmente coerente com a história e com um par de minutos que vocês não irão esquecer antes de rolarem os créditos.
Este é mais outro daqueles filmes que recomendo totalmente que o vejam sem saber nada sobre ele.
Se nunca leram grandes detalhes sobre a sua história, ou temática, não leiam mais nada a não ser este meu texto e vejam o filme a seguir.
Garanto-vos que irão surpreender-se bastante com toda a sua estrutura particularmente original.

[“Failan“] é uma das melhores e mais originais histórias de amor saídas do cinema oriental nos últimos anos, embora seja essencialmente um drama humano onde o amor é apenas  o motor de todo o seu coração emocional, mas poderia ter sido outro tema qualquer, por isso não esperem um daqueles filmes românticos fofinhos habituais.
[“Failan“] é um filme frio, desencantado e muito triste mas de uma forma bastante natural.
Não é um daqueles filmes tristes que são tristes porque é preciso atirar desgraça atrás de desgraça para fazer o espectador chorar baba e ranho a todo o instante.
É um filme triste, porque a vida das pessoas que acompanhamos é realmente penosa, o que nos faz desejar a todo o momento poder entrar pela história a dentro e ajudar aquelas pessoas.

E parecem pessoas mesmo. Esquecemo-nos por completo dos actores por detrás dos personagens e esta é uma das grandes forças deste filme, pois tanto Min-sik Choi (o inesquécivel actor de “Old Boy”) como Cecilia Cheung (“Fly Me to Polaris” e “The Promise“), têm aqui talvez a melhor prestação das suas carreiras e se calhar isso não se nota a uma primeira visão pois vocês vão estar a importar-se tanto com o triste destino das pessoas que dão corpo e alma a esta história  que nem se lembrarão que estão a ver um filme até rolarem os créditos finais.

Pessoalmente nunca tinha prestado grande atenção ao trabalho de Cecilia Cheung mas depois deste filme, entra directamente para a minha pequena lista de actrizes a tomar muita atenção e como [“Failan“] já é uma produção de 2001 se calhar tenho que me actualizar um bocadinho em relação a esta rapariga. Quando vejo isto é que ainda me surpreende mais como foi mal tão utilizada em “The Promise” onde serviu apenas para mostrar uma cara bonita no ecran e pouco mais.
O dvd [“Failan“] contém um excelente pequeno making-of com boas imagens de bastidores e entre elas tem uma cena extraordinária com a Cecilia Cheung que realmente me surpreendeu depois que vi o filme.
Em [“Failan“] existe uma pequena cena absolutamente angustiante pela tristeza que provoca com um simples momento em que uma lágrima cai espontaneamente pela face da personagem num momento de grande tensão e crueldade humana.

O making of desse pequeno instante é absolutamente fascinante, porque num momento assistimos a um ambiente de total descontração nos bastidores com a actriz a rir e a brincar com a equipa e no segundo em que o realizador diz – “Acção” – a transfiguração é total e Cecilia chora espontaneamente no momento exacto, não apena num mas em vários takes numa prestação de extraordinária naturalidade dramática. Algo que me deixa sempre surpreendido em várias actrizes orientais pois fico sempre espantado com a capacidade delas conseguirem chorar e representar cenas absolutamente trágicas com uma naturalidade espantosa especialmente quando precisam de chorar, mas nunca tinha visto este processo em acção num momento de bastidores.
Vejam o filme e depois se tiverem o dvd duplo, espreitem o making of pois o contraste entre o divertimento nos bastidores e o tom triste e melancólico do filme é notável.
A propósito, o dvd Sul Coreano que comprei só trás legendas em inglés no filme e nada mais. Embora no making of nem seja necessário é mesmo pena o comentário audio não estar legendado pois certamente seria fascinante.

[“Failan“] é outro daqueles dvds que comprei anos atrás quando comecei a explorar o cinema oriental mas quando o vi pela primeira vez foi mais um dos filmes que na altura não me impressionou particularmente porque me apanhou totalmente de surpresa com uma estrutura completamente diferente daquilo que eu estava habituado na altura. O facto de não estar também muito virado para ambientes tão tristes como o que percorre este filme também ajudou á minha fraca impressão disto na altura, certamente.
No entanto, ficou-me na memória e sempre achei que deveria dar-lhe uma segunda hipótese mais tarde quando o pudesse ver já com um segundo olhar sabendo de antemão com o que contar.
Por isso ainda não tinha falado deste filme aqui no blog pois sempre achei que seria um daqueles que ganharia muito a uma nova visão e não me enganei.

[“Failan“] conta a história de duas pessoas que nunca se chegam a encontrar mas que foram casadas.
Num ambiente urbano de grande violência e tensão conhecemos Kang-jae, um gangster de meia tigela que não é própriamente muito bom no que faz porque ao contrário dos restantes capangas, Kang-jae é um bandido de bom coração que essencialmente só se meteu no mundo do crime para acompanhar o seu amigo de infância que chegou a lider da máfia local graças á sua crueldade. O mesmo amigo que agora o trata abaixo de cão e o ridiculariza a torto e direito.
Kang-jae ama o mar e o seu grande sonho é regressar á sua cidade, comprar um barco e viver feliz até ao fim dos seus dias, mas não tem dinheiro para o barco e além disso tem medo de enfrentar o seu chefe e antigo amigo pois ninguém sai vivo daquele gang.

Longe dali, no outro lado do país,  uma jovem rapariga chamada Failan, chega á Coreia do Sul, acabada de emigrar da China. Perdeu a sua mãe e não tem ninguém no mundo a não ser uma morada de uma velha tia que supostamente deveria habitar numa pequena cidade piscatória mas que na verdade emigrou há muito para os Estados Unidos sem avisar ninguém e como tal a jovem volta a encontrar-se sózinha, desta vez num país estranho e sem sequer falar a lingua.
Ao tentar encontrar emprego numa agência de trabalho temporário algo manhosa, fica a saber que a única maneira de conseguir permanecer no país sem família, será se casar com um Sul Coreano e como tal acaba por aceitar contraír matrimónio com alguém que não conhece apenas a um nível burocrático pois nem sequer precisa de conhecer o futuro marido ou de ter qualquer relação com ele.
Este apenas receberá em troca, uma quantia em dinheiro e o casamento fica oficializado, pois essencialmente a agência com ligações a actividades ilegais, recruta trabalhadores para as mais diversas tarefas duvidosas e tem meios de fazer entrar no país quem pretende utilizar para algo, nomeadamente encontrar miúdas para bares de alterne e fins semelhantes.

É assim que o gangster sem vocação Kang-jae se vê casado e com algum dinheiro que lhe servirá para contribuir para o seu sonho de ter um barco e livrar-se do mundo do crime.
Mas as coisas complicam-se e como não quero revelar muito mais, depois de algumas complicações no meio da máfia originadas pela extrema violência do líder do gang eis que Kang-jae se vê perante um dilema e uma encruzilhada decisiva na sua vida e no seu sonho de liberdade.
Isto ao mesmo tempo que recebe notícias de alguém que já nem se lembrava que existia.
Failan a sua jovem esposa escreveu-lhe uma carta.

Essencialmente é esta a base da história de [“Failan“] e se vocês pensam que já contei demais não se preocupem. Isto é apenas o princípio e há muito para verem á medida que vão acompanhando as vidas destas duas pessoas que acabam por se entrelaçar numa das mais originais histórias de amor que poderão encontrar no cinema Sul Coreano e até hoje ainda não teve igual.

[“Failan“] tem uma estrutura fascinante e algo única. Por momentos não conseguimos perceber que raio de filme estamos a ver, pois essencialmente durante os primeiros 40 minutos assistimos apenas a um típico filme de máfias, yakuzas e afins que alterna entre momentos de violência extrema e sequências estilo Irmãos Metralha.
Não passa muito tempo sem que o espectador se pergunte como raio é que este argumento conseguirá integrar algures pelo meio uma história de amor. Mas consegue. E de que maneira !
Se forem como eu e não tiverem grande paciência para filmes de máfias, aguentem o início da história e prestem atenção aos detalhes. No meu caso, se calhar uma das razões porque não gostei muito do filme quando o vi pela primeira vez há muitos anos, foi precisamente porque metade deste parece apenas um típico filme de gangsters e isso talvez me tenha distanciado da história porque não estava á espera daquilo quando procurava apenas uma história de amor mais comercial na altura.

O que me leva a outro ponto. [“Failan“] é um filme comercial, mas se calhar não será propriamente comercial no sentido mais pipoca, por isso tenho a certeza de que agradará mais a quem também gosta de algum cinema de autor do que a quem apenas está habituado a coisas mais no estilo Hollywood. Por isso não esperem a típica produção fofinha oriental costumeira no género romântico.
[“Failan“] é um drama adulto, num tom intimista e muito melancólico. Contém um par de cenas com muito humor mas perfeitamente naturais e provavelmente vocês nem as notarão no meio de tanta temática séria e introspectiva.

Essencialmente [“Failan“] é um filme corajoso que se arriscou a quebrar o molde do cinema romântico oriental.
Apanhou os pedaços, voltou a colá-los noutras posições e inventou uma nova fórmula que na minha opinião só não voltou a ser copiada até á exaustão (como aconteceu com a fórmula de “My Sassy Girl” por exemplo), por causa da sua estrutura intimista e menos comercial decerto.
Uma grande história de amor onde os protagonistas nunca estão juntos que resulta de uma forma extraordinária por nos parecer tudo tão real.
No entanto é um filme absolutamente romântico no seu aspecto mais humano e natural, com duas pessoas que se amaram á distância em tempos diferentes e quase em vidas diferentes também que deixará o espectador sem fôlego nos momentos finais do desenlace desta história. É um daqueles filmes que acabam e nós não conseguimos deixar de acompanhar os créditos até ao fim (memo em Coreano) só porque precisamos mesmo de pensar em tudo o que vimos e absorver toda a sua alma e poesia.

Paralelamente é também um filme sobre solidão com um sentido poético que os irá deixar com um nó na garganta.

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CLASSIFICAÇÃO:

Mais um drama com uma história de amor do que uma história de amor com drama, mas um filme que não esquecerão tão cedo, acima de tudo pelas suas personagens completamente cativantes, naturais e porque é um romance com muita alma, poesia, bastante melancolia e muita humanidade.
Será possivelmente o melhor filme dramático dentro deste estilo que a Coreia do Sul produziu até hoje e merece ser visto por toda a gente que procura uma história de amor original e já viu tudo o que há para ver que tenho recomendado do género romântico neste blog.
Se não o absorverem muito bem a uma primeira visão, deixem passar um par de meses e voltem a ele. Primeiro estranha-se mas depois entranha-se e bem.
Preparem os lenços, mas no bom sentido porque esta história merece-os.
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award, claro.

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A favor: a originalidade da estrutura da história, a intensidade do romance entre duas pessoas que nunca se encontram apesar dos seus destinos se terem cruzado um dia, os personagens (todos), as interpretações extraordinárias de Min-shik Choi e Cecilia Cheung, a banda sonora totalmente discreta e subliminar que nem se nota mas que dita a atmosfera em muitos dos melhores momentos, a contenção da realização totalmente eficaz e que se “apaga” para deixar os actores e a história brilharem bem alto, como drama é fantástico, a forma como mistura o género de filme de gangsters ultra violento com o género romântico na sua forma mais humana e natural, cada vez que o revemos encontramos novos pormenores que não tinhamos notado, excelente fotografia também.
Contra: pode ser demasiado intimista para quem procura uma história de amor num estilo mais comercial, não conseguimos entrar pelo ecran a dentro e ajudar aquelas pessoas, o trailer é bem mauzinho não tem alma nem transmite bem o que o filme realmente é.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=I-uN9Gu1yVQ

Comprar
É um fime cada vez mais dificil de encontrar á venda. A edição antiga de dois discos que eu tenho está totalmente esgotada e só existem umas edições de um disco sobre as quais não tenho qualquer informação.

Download aqui com legendas em inglés

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0289181

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Outros títulos semelhantes de que poderá gostar:

concerto_capinha_73x 

Be With You Il Mare The Classic Love Phobia

 Fly me to Polaris My Sassy Girl

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Palwolui Christmas (Christmas in August) Jin-ho Hur (1998) Coreia do Sul


Já tentei mas não compreendo todo o hype á volta deste filme.
[“Christmas in August“] é suposto ser uma obra prima qualquer dentro do género dramático sul-coreano mas por mais que eu tente, não compreendo mesmo porquê.

Parece inclusivamente que este filme é usado nas escolas de cinema como exemplo de como se escreve um argumento, serve de modelo a aulas sobre narrativa cinematográfica e inspirou até o autor de “My Sassy Girl” a escrever o seu clássico.
Uhm ?!!! …
Será que eu andei estes anos todos a ver e a rever uma cópia incompleta qualquer e ainda não notei ?! É que eu comprei o dvd !!

[“Christmas in August“] foi mais um daqueles dvds que eu comprei sem pestanejar sequer, pois as reviews espalhadas pela net eram tão extraordinárias e a suposta importância deste filme para o cinema oriental  é tão elevada que eu pensei que não me poderia enganar com esta história de amor.
Da primeira vez que o vi, nem o consegui ver todo pois fartei-me a meio.
Depois disso nestes anos todos tentei revê-lo pelo menos duas vezes por ano, (a ver se me tinha escapado alguma coisa) mas de cada vez que o revia ainda consolidava mais a minha opinião.

É que [“Christmas in August“] é realmente muito interessante, mas… não mais do que isso. Não compreendo de todo o porquê de tanta reverência á volta deste filme.
A história é banalíssima, mas não é por isso que o filme perde alguma coisa pois é verdade que está cheio de pequenos pormenores que lhe dão bastante humanidade.
No entanto, na minha opinião tem humanidade mas não tem chama. Falta-lhe de todo aquele toque especial que normalmente me agarra no cinema asiático e aqui isso não acontece.

Os personagens não me emocionaram de todo e isso para mim, depois de ter lido em todo o lado que [“Christmas in August“] era uma verdadeira obra prima do cinema-choradeira , foi uma verdadeira decepção. É que nem sequer me causou a mais pequena lágrima e tal deixou-me estupefacto.
Tem bastantes aspectos tocantes e supostamente a sua narrativa é uma obra prima da manipulação emocional mas no entanto nada nesta história foi suficiente para me causar o mesmo efeito que por exemplo “My Sassy Girl“, “The Classic“, “Fly me to Polaris“, “Il Mare” ou “Be With You” me causaram.

É que até “My Girl & I” tem mais emotividade que [“Christmas in August“] e no entanto um é desprezado pela crítica enquanto o outro é quase tratado como um objecto religioso dentro do cinema romântico oriental ?!
E “My Girl & I” é quase um plágio de [“Christmas in August“] pois a sua estrutura base é practicamente a mesma, mas tomara [“Christmas in August“] conseguir a mesma atmosfera.
Vocês sabem, vocês já viram este filme antes, muitas vezes até se gostarem de cinema romântico Sul Coreano.
Casal de apaixonados, muito amor platónico e depois um deles tem uma doença grave e morre no fim. Acabou o filme.

Se vocês gostam de cinema romântico Sul Coreano, sabem bem que não é por causa deste tipo de argumento que o género perde a sua força e sendo assim eu não estava nada á espera que uma suposta obra prima tão conceituada como [“Christmas in August“] não tivesse practicamente força nenhuma.
Não me interpretem mal, é um filme bonito de estutura básica mas totalmente funcional, cheio de pormenores que até prometem fazer-nos pensar sobre muita coisa, mas no entanto há algo que falha e lhe retira logo a intensidade de muitos outros filmes semelhantes criados posteriormente dentro do cinema oriental ou cinema sul coreano em particular.

Uma das razões de [“Christmas in August“] ser tão conceituado é porque segundo consta, este foi o filme que revolucionou o cinema romântico Sul Coreano moderno e definiu por completo o género modernizando-o em 1998.
Até então, parece que nada daquilo que nós hoje conhecemos nestas histórias de amor no cinema oriental existia nos moldes que agora nos fascinam e sendo assim segundo rezam as crónicas, o cinema romãntico Sul Coreano renasceu com esta obra que practicamente definiu o estilo – boy meets girl, boy looses girl, boy gets girl again, girl/boy dies, boy/girl ends up alone.

Por este prisma, eu sou o primeiro a reconhecer o seu valor.
Hoje claro, já vimos este tipo de estrutura mil vezes mas se calhar na altura foi mesmo capaz de ter causado um grande impacto nas plateias ao melhor estilo choradeira-lovestory anos 70.
Agora o que me surpreende é toda a gente continuar ainda hoje maravilhado com o filme quando já existem pelo menos uma dezena de melhores, mais drámaticos e mais eficazes exemplos dentro do género.
Se vocês já viram tudo o que tenho aconselhado aqui neste blog dentro do género romântico muito certamente também irão ter a mesma opinião que eu quando agora forem ver [“Christmas in August“].
Digam-me qualquer coisa pois gostaria muito de saber o que vocês acham sobre a enorme fama deste filme.

De resto não há muito mais para se dizer sobre ele.
É um bom produto, boas interpretações, miuda fofinha, história triste mas bonita e tudo o mais que normalmente há de bom neste tipo de cinema made-in-coreia do sul.
Não posso deixar de recomendá-lo também se já viram tudo o resto de que tenho falado, pois na verdade [“Christmas in August“] não tem propriamente nada de mau que se possa apontar nele.
Apenas tem uma carga de emotividade algo inóqua e não percebi até hoje o porquê disto ser assim.

——————————————————————————————————————CLASSIFICAÇÃO:

Se já viram tudo o resto dentro do género romântico que recomendei até hoje, devem então juntar este filme á vossa lista de coisas a ver.
Até por uma questão histórica pois supostamente este foi o filme que reinventou o género e o modernizou no que toca ás histórias de amor made-in-coreia-do-sul que hoje vocês conhecem.
De resto, na minha opinião quando comparado com o que já foi feito nestes últimos anos, [“Christmas in August“] não passa apenas de mais um pequeno e muito interessante filme mas nem de longe nem de perto será a obra-prima maior do género romântico oriental como practicamente todas as reviews o designam.
Não o colocaria no topo da minha lista de filmes a ver se tivesse chegado apenas agora ao género romântico sul-coreano.
Duas tigelas e meia de noodles pois é muito interessante mesmo mas não mais do que isso e dúvido se lhes ficará sequer na memória.

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A favor: história simples e bem contada, alguma poesia e atmosfera, excelente naturalidade nos personagens, é um filme fofinho.
Contra: na verdade não há nada de negativo neste filme, apenas falta-lhe algo para criar realmente o mesmo nível de emoção que obras posteriores como “My Sassy Girl“, “The Classic“, “Fly me to Polaris“, “Il Mare” ou “Be With You” conseguiram atingir. Por qualquer motivo não me emocionou minimamente, não deu a mínima vontade de chorar e isso é o pior que poderia ter acontecido num drama romântico Sul Coreano. Até o bem mediano “My Girl & I” tem mais emotividade e poesia que [“Christmas in August“] e não estava nada á espera disso tendo em conta a reputação de obra-prima deste filme.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
Parece que não há trailer disto em lado nenhum por isso fica aqui um videoclip.
http://www.youtube.com/watch?v=GQzq_Un-1Xc&feature=related


COMPRAR

A edição que eu tenho (capa acima) parece já não existir mas podem comprar esta aqui.
Christmas In August [DVD]

Imdb
http://www.imdb.com/title/tt0140825/

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Outros títulos românticos (bem mais) recomendados:

Be With You My Sassy Girl Il Mare The Classic Fly me to Polaris

Love Phobia concerto_capinha_73x cyborg_she_capinha_73x

ditto_capinha_73x midnightsun_capinha my_girl_and_i_minicapinha

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Um Grito de Amor desde o Centro do Mundo (Crying Out Love in the Center of the World / Socrates in Love – “My Girl and I”) – O Livro


Antes de mais bom Natal para todos, Ho, Ho, Ho e tudo o mais. 🙂

Caso tenham visto e gostado muito do filme “My Girl & I” que recomendei alguns meses atrás, se calhar também vão gostar de saber que o livro que originou o filme,”Um Grito de Amor desde o Centro do Mundo”  acabou de ser editado em lingua portuguesa precisamente em Portugal.
Na verdade “Um Grito de Amor desde o Centro do Mundo” é o romance original que depois foi adaptado ao cinema no Japão com o titulo inglés  “Crying Out Love in the Center of the World” e não a história original de “My Girl & I” embora sejam idênticas em muitas coisas pois a adaptação Sul Coreana manteve muita coisa do filme japonês.
Acontece que eu ainda não falei aqui da adaptação original porque por acaso gostei mais do remake Sul Coreano, mas agora que o livro saiu em Português vou aproveitar a onda e por isso podem contar com uma análise desse filme para breve aqui também pois já o comprei há anos e tenho adiado falar dele até agora  não sei bem porquê.

E claro que  irei colocar aqui uma review deste romance original pois estou bem curioso, visto que o livro foi a história de amor mais vendida de todos os tempos no japão e daí a popularidade do filme por aquelas bandas também, a tal ponto que os próprios Sul Coreanos fizeram “My Girl & I” com base no mesmo trabalho literário.
O facto do livro ser um daqueles muito dificeis de encontrar até agora ainda aguça mais a minha curiosidade, pois até há bem pouco tempo só se econtrava editado em Japonês nem sequer havendo uma versão inglesa, (que julgo ainda nem há). Penso que no ocidente ainda só existe neste momento a tradução espanhola e a portuguesa se não me engano.
Sendo assim, não queria deixar de divulgar isto por aqui.
Mais novidades sobre o assunto  para breve.

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UPDATE (28-12-2009):
Há coincidências mesmo curiosas.
Andava há anos atrás deste livro, há seculos para colocar aqui a review da adaptação cinematográfica japonesa e agora parece que estou a ser perseguido pela obra em todo o lado.
Este Natal recebi um outro romance japonês comprado na amazon.co.uk chamado “Socrates in Love“. Comprei-o porque depois de ter lido o fabuloso pequeno romance “Be With You” estava intrigado sobre as histórias românticas made-in-japan e quando vi este “Socrates in Love” editado em Inglés mandei vir o livro sem sequer tentar saber muito mais sobre ele além de ter notado que tinha uma excelente review.
Ontem, ao procurar mais críticas sobre o mesmo, notei que o livro também já estava adaptado ao cinema e comecei logo a tentar encontrar o filme na net. Sem qualquer resultado, apesar de muita gente garantir ser uma história bem popular.
Ao procurar pelo trailer de “Socrates in Love” no YouTube, invariávelmente ia ter a resultados que mostravam imagens de “My Girl & I” e já estava a dar em maluco pois parecia que alguém se tinha enganado na associação, até porque no Tube também aparecem imagens da série televisiva igualmente adaptada do livro. E para mais ainda existe um Manga baseada no mesmo romance !!
Qual não é o meu espanto, quando descubro que “Socrates in Love” é o titulo inglés do romance original japonês que deu origem ao filme “Crying Out Love in the Center of  the World” ! O mesmo romance que agora foi editado em Portugal com precisamente o titulo de  “Um Grito de Amor desde o Centro do Mundo” !
Resumindo, por um pouco ia comprando a edição Portuguesa na mesma semana em que recebi ao romance em inglés. Isto porque o titulo da edição Lusa vai precisamente buscar a associação ao nome do filme que originalmente adaptou “Socrates in Love” e não usou uma tradução directa do titulo original japonês ou da sua versão em inglés.
Confusos ?!…Eu estava.

Sendo assim, quem quiser agora espreitar o romance que deu origem ao filme “My Girl & I” e a ” Crying Out Love in the Center of the World” (de que falarei aqui em breve), tem duas boas opções. Pode adquirir a versão Portuguesa aqui, ou então optar pela edição Inglesa comprando-a na amazon.co.uk .
Ou então compram o Manga em inglés também na Amazon (penso eu que isto seja o Manga)…

Espero que já não estejam confusos. 😉