A moment to remember (Nae meorisokui jiwoogae ) John H. Lee (2004) Coreia do Sul


Update: Esta review foi actualizada a 1-6-2014 também com a classificação para a versão longa do filme, mais abaixo.

[“A Moment to remember”], intitula-se originalmente – “Uma borracha na minha cabeça” – e é um filme sobre Alzheimer. Sobre o que acontece quando as nossas memórias pura e simplesmente são apagadas e sobre o que resta daquilo que fomos; colocando a questão – “será que ainda somos nós” ?…O que é que nos define ?…
Se investigarem este título na net, irão notar que será provavelmente a história de amor Sul Coreana que mais tocou o público ocidental; o que o torna talvez no mais popular filme romântico de que ninguém ouviu falar. Isto claro quando comparado com o cinema que consumimos nesta nossa parte do mundo. Ia haver um remake americano em estilo telefilme, mas consta que ficou no limbo, por isso deixem-no estar que assim é que está bem.

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Até eu que sou um fã total de cinema romântico oriental, fiquei bastante surpreendido com a adoração da qual este filme é alvo em praticamente todo o lado. Isto porque apesar de ser uma história excelente, nunca pensei que tivesse algo de extraordinário que o pudesse colocar ao lado de outros títulos que adoro com por exemplo “The Classic” (com a mesma actriz), ou “Be With You” (para mim o melhor filme romântico de sempre no cinema oriental).

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[“A Moment to remember”] parece ter tocado muito toda a gente que o viu e pelo que me tenho apercebido as pessoas ficam bastante emocionadas com o choque que apanham ao verem a forma como o filme retrata um doente de Alzheimer. Estou em crer que quem não passa por uma situação semelhante não faz mesmo ideia da realidade ao redor da doença e portanto acredito que muita gente ao ver esta história não estava nada preparada para os seus pormenores…perturbantes. Até porque o filme, por debaixo da sua capa de história de amor comercial não hesita em colocar muitas questões pertinentes sobre o tema e uma das suas mais valias está precisamente na forma como aborda a doença sem pudor ou sem tentar ir mais para além daquilo que a doença já traz de dramático.

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Curiosamente eu comprei este Dvd há uns dez anos, pouco tempo depois do filme ter saído, só o tinha visto na altura e tem permanecido na minha prateleira de coisas a rever este tempo todo. Isto porque inicialmente eu não tinha ficado particularmente impressionado com ele quando o vi pela primeira vez. Lembro-me de ter gostado mas de não me ter atingido com a mesma força de coisas como “The Classic”, “Be With You”, “Il Mare” ou “My Sassy Girl” por exemplo. No entanto nunca me saiu da memória, há anos que ando para o rever e falar sobre ele aqui neste blog, mas precisava distanciar-me do seu tema a nível pessoal, para poder voltar a pegar neste filme.

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E isto porque na verdade, se calhar a principal razão porque o filme não me tocou particularmente da primeira vez que o vi, foi porque eu estaria com todas a minhas defesas sobre o tema do Alzheimer activadas no máximo e portanto estaria naturalmente predisposto a que uma história assim não me atingisse de forma tão forte quanto atingiu muito do público que ainda hoje considera [“A Moment to remember”] possívelmente o melhor filme romântico Sul Coreano.
E não podia atingir-me da forma que me atingiu agora quando o revi ontem, porque na altura a história de [“A Moment to remember”] retratava essencialmente a minha própria história e mostrava essencialmente o meu dia-a-dia nessa altura. Como tal eu próprio estaria anestesiado perante tudo aquilo que o filme mostra e pelo visto chocou e tocou os outros espectadores que evidentemente não estariam inteirados do que se passa á volta do mundo da doença de Alzheimer, não só a nível do doente mas principalmente da perspectiva do prestador de cuidados.

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Acreditem-me nada na história de [“A Moment to remember”] se encontra exagerado. Nada se encontra “trabalhado” de forma a servir de truque cinematográfico para fazer as plateias chorar. Se [“A Moment to remember”] é considerado demasiado melodramático por algumas pessoas e é acusado de ser demasiado xaroposo, açucarado ou demasiado “inventado”, então é porque essas pessoas nunca viveram uma situação como a que é mostrada no filme na sua vida real.
Eu vivi.
Posso garantir-lhes que [“A Moment to remember”] se tem algum defeito é porque suaviza demasiado muitas das situações.
Se [“A Moment to remember”] tivesse entrado pormenorizadamente por alguns momentos que mostra na história, este teria sido um filme de terror insuportável para muita gente e deixaria de ser uma história romântica que o público conseguisse aguentar emocionalmente.

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Se o que podemos ver nesta história de amor Sul Coreana, é melodramático demais para ser real, é porque felizmente 99% do mundo não tem que viver a situação retratada no filme no seu dia-a-dia.
Acreditem-me. A realidade é muito mais melodramática do que poderão encontrar nesta produção sul coreana.
Eu sei, porque eu a vivi com os meus pais e tal como acontece com o personagem de [“A Moment to remember”] eu nunca poderia de forma nenhuma ter escolhido desistir. Portanto, meus amigos esqueçam a ideia que a história de amor deste filme está demasiado exagerada ou açucarada. Quando muito estará até algo contida visto a produção óbviamente ter preocupações comerciais.

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Outra das coisas que lhe apontam é a velocidade da degeneração mental da personagem principal, pois no filme tudo parece acontecer demasiado rápido, mas aí penso que é apenas um problema de montagem e do próprio “pacing” narrativo da história. Se calhar teria sido mais claro se tivesse havido uma melhor identificação visual da passagem do tempo.
Aliás, essa passagem do tempo sente-se na resolução das duas pequenas mini-histórias paralelas do filme que de um momento para o outro aparecem resolvidas sem darmos por isso.
Descobri há tempo que [“A Moment to remember”] tem duas versões; a versão distribuída fora da Coreia do Sul e a versão -longa- original que passou nos cinemas da região, que segundo me recordo de ter lido terá uns vinte minutos de cenas a mais.

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O dvd que eu tenho tem quase duas horas mas tudo se foca essencialmente nos personagens principais. De acordo como que li, parece que a versão longa do filme desenvolve muito mais em detalhe toda a parte da história a propósito da mãe do protagonista e também explica muito do que acontece em relação ao seu velho tutor. Tanto a mãe, como o personagem do tutor aparecem quase do nada a meio do filme e tudo parece ramificar-se na direcção dessas pequenas histórias. No entanto deixa-se de conhecer quaisquer detalhes do seu desenvolvimento e subitamente no final do filme esses dois personagens reaparecem de uma forma totalmente diferente e com os conflitos resolvidos sem que nós tivéssemos visto alguma coisa sobre isso.
Segundo o que li há um par de anos atrás, as cenas que foram retiradas para fazer a versão curta focavam precisamente esse aspecto e sinceramente não sei porque raio fizeram uma versão curta, pois os personagens secundários mesmo assim aparentam ser muito fortes e seria interessante podermos ver como todo o seu arco dramático em relação ao protagonista masculino desta história tinha sido resolvido.

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Talvez por isso, a versão curta crie uma excessiva ilusão de velocidade na parte que retrata o desenvolvimento da doença de Alzheimer na jovem protagonista. O meu conselho quando virem o filme é que não pensem muito no assunto e assumam todo o processo degenerativo da sua condição como natural, até porque por experiência própria posso garantir-lhes que num caso como é retratado no filme, uma pessoa pode realmente mudar em pouco mais de um ano e portanto esqueçam aqueles comentários que dizem que tudo está demasiado dramatizado para se tornar melodramático. Não está.

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Esquecendo agora o tema do Alzheimer por momentos, como filme romântico [“A Moment to remember”] é realmente um triunfo.
O facto de ser um produto comercial não lhe retira de todo o mérito, porque acima de tudo ao contrário daquilo que costuma passar por cinema romântico made-in-hollywood, mais uma vez temos aqui uma história de amor oriental com personagens realmente vivos e com muita alma.
Cedo nos esquecemos que estamos a ver um filme, pois toda a gente nesta história poderiam ser pessoas reais e isto é uma das coisas que [“A Moment to remember”] faz muito bem.

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Inclusivamente, até em relação aos personagens secundários. A química entre os protagonístas e por exemplo o pai da jovem rapariga é excelente e nem por um momento nos lembramos que estamos a ver um trabalho de representação.
E por falar em representação, o trabalho dos dois actores que representam o casal do filme é absolutamente notável. [“A Moment to remember”] pode inclusivamente ser o exemplo perfeito daquilo que os Sul Coreanos melhor sabem fazer no que toca à criação de histórias de amor, por uma simples razão; ninguém melhor que eles sabem como criar personagens verdadeiramente humanos onde mal notamos que existe um trabalho de representação por de detrás. Este filme é mais uma verdadeira aula de como se consegue criar uma história com empatia no género romântico, inclusivamente sem precisar de fugir aos clichés do género. Está tudo na forma como se humaniza as relações e nesse aspecto o cinema da Coreia do Sul sabe muito bem o que faz.

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A primeira metade de [“A Moment to remember”] é extraordinária na forma como nos cativa para a relação daquelas duas pessoas e é um verdadeiro manual de como se criam personagens românticos aparentemente sem esforço algum. Tudo na história inicialmente nos agarra. A forma como o casal se conhece e todas as sequências e peripécias em que se envolvem até ficarem juntos são retratadas de uma forma fantástica, cheia de momentos de humor perfeitamente naturais e é impossível não ficarmos totalmente cativados pela vida daquelas duas pessoas.

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O realizador é brilhante na forma como usa o humor e o balança com pequenos vislumbres daquilo que irá ser uma tragédia. E faz isto tão bem, que mesmo já tendo visto o filme mais do que uma vez, dei por mim a desejar que nada de errado acontecesse com os protagonistas precisamente pela forma divertida e ligeira com que a relação deles está filmada logo ao inicio.
Depois a meio do filme o realizador tira-nos o tapete dos pés e (principalmente) o espectador que não sabe nada sobre a doença de Alzheimer apanha um choque de meia noite com o resto do desenvolvimento da história. Talvez por isso esta seja tão inesquecível para tanta gente.

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Pelo meio da parte trágica [“A Moment to remember”] consegue sempre inserir algum humor e nisso é um trabalho de mestre pois há partes do filme que balançam incrivelmente entre a comédia sul-coreana típicamente alucinada com o drama mais intenso. Quem teve a ideia de colocar o médico especialista de Alzheimer com aquele visual de cientista maluco em estilo Einstein colocou no filme um toque de génio, pois as cenas em que o personagem entra são ao mesmo tempo divertidas, tristes, trágicas, ligeiras e dramáticas. E ás vezes nem precisa aparecer muito tempo no écran para resultar em pleno.
Outro pormenor interessante é a forma como usa a música para criar ambiente e em particular música latina ao melhor estilo canção-cubana (?) em sequências que remetem bastante para o tipo de universo que encontramos em “In the Mood for Love” de Wong Kar Wai. Muito bom e diferente.

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[“A Moment to remember”] pode já ter alguns anos, mas continua realmente a ser uma das grandes histórias de amor Sul Coreanas. É o tipo de filme que inevitávelmente será sempre acusado de ser delicodoce e excessivamente comercial por ter sido cozinhado de modo a fazer com que as plateias chorem baba e ranho, mas eu sinceramente não entendo porque isso será motivo para se atacar o resultado, ou já agora este tipo de cinema em que os sul coreanos são mestres absolutos.
Se no cinema de terror ninguém se queixa quando todos os clichés estão bem usados e resultam em filmes assustadores, porque razão se deverá atacar o cinema romântico por ser melodramático se isso resultar em algo que toque realmente a alma das pessoas ?….
É que ao menos o melodrama no cinema oriental prácticamente resulta sempre em personagens realmente humanos. Tomara o cinema americano poder dizer o mesmo.
O filme é comercial ? É pois.
Melodramático ? Claro ! E neste caso com todo o direito pois a realidade que retrata é até bem mais melodramática do que eles apresentaram no écran.
E resulta ?
Se resulta !!!

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O final desta história é absolutamente demolidor pela forma subjectiva com que termina. Mesmo que o resto do filme não os impressione por aí além, se estiverem atentos aos pormenores e chegarem ao seu desenlace final sem gastarem umas boas fronhas de travesseiros, então é porque vocês não têm um batimento cardíaco e já estão mortos.
[“A Moment to remember”] é um título perfeito para justificar os segundos finais e de certa forma justifica plenamente este título permanecer na memória de tanta gente como uma das melhores histórias de amor saídas do cinema da Coreia do Sul nos últimos anos.

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CLASSIFICAÇÃO – para a VERSÃO CURTA (1hora e 57 minutos)

É realmente bem melhor do que eu me lembrava de ter sido quando o vi pela primeira vez há quase dez anos.
Se chegaram a esta blog procurando por cinema romântico oriental, então não perdem nada em começar por este título. Não será o meu favorito mas é uma das melhores histórias de amor que saíram da Coreia do Sul com toda a certeza, e até certo ponto, apesar de formulário é bem original pela forma séria como retrata a doença de Alzheimer.
Cinco tigelas de noodles forque é realmente excelente, especialmente nos minutos finais.
Não leva um Golden Award porque guardo a nota máxima para quando conseguir ver a versão integral um destes dias.

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A favor: a forma realística e sem preocupações politicamente correctas como retrata a doença de Alzheimer, a forma como a própria doença está usada para se contar uma história de amor formulática mas nem por isso menos cativante, o trabalho extraordinário dos actores, a química entre todos os personagens principais ou secundários, a primeira metade do filme e a forma como nos faz apaixonar por aquelas pessoas, a segunda metade do filme e a forma como destrói aquelas pessoas, a subtileza do humor nos momentos mais inesperados, a inesperada banda sonora com músicas latinas cria uma atmosfera romântica curiosa, os minutos finais da história e a imagem com que termina.

Contra: o constante – product placement – à Coca-Cola é um bocado evidente e até algo irritante por ser tão “forçado(?)“, aparentemente existem duas versões disto e a mais curta que é a que temos acesso tem alguns problemas de ritmo narrativo pois há cenas que aparecem e desaparecem sem grande explicação, na versão curta as histórias da mãe do protagonista e da sua relação com o seu mentor estão demasiado aceleradas, na versão curta a passagem do tempo não é bem demonstrada e cria a ilusão de que a doença da protagonista se desenvolve em pouco tempo, ainda há pessoas que pensam que a forma como a doença de Alzheimer está representada neste filme é exagerada…

NOTA: Estou a tentar encontrar o “directors cut” com a versão longa e conto conseguir ver o filme em breve. Assim que o vir podem contar com comentários adicionais sobre o mesmo aqui neste texto.

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—————————————UPDATE 1-6-2014———————————
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CLASSIFICAÇÃO – VERSÃO LONGA (2h e 25 minutos)

Acabei de ver finalmente a versão integral deste filme e como eu já esperava, a versão longa leva sem qualquer problema a classificação máxima.

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Além de tudo o que já referi na review a propósito da versão curta, esta versão integral resolve alguns dos buracos narrativos que agora deixam de existir.
Não só encaixam as cenas que estavam a menos envolvendo a mãe do protagonista como inclusivamente a passagem do tempo já se sente mais presente e real pois o filme inclui até bastantes pequenos pormenores sobre o que se passa no ambiente doméstico em redor quando alguém tem de prestar cuidados a um doente de Alzheimer.
Isto é mais uma vez dificil de explicar, mas além das cenas mais longas e que óbviamente tinham sido retiradas da versão curta; a meia hora de filme a mais inclui dezenas de breves momentos que ás vezes nem duram dois segundos no écran mas onde se visualizam muitos pormenores que só quem está neste momento a passar por uma situação semelhante ou tal como eu, passou por uma situação semelhante irá reconhecer e que no contexto do filme acabam por si só fazer toda a difrença, (por exemplo o maior destaque dado ás anotações por toda a casa (com que eu me identifico bastante)), entre muitos outros pormenores que dão realmente uma profundidade diferente à história.
Se a versão curta já era uma boa representação do que é a doença de Alzheimer, as dezenas de pequenos pormenores às vezes em meros segundos de écran na versão longa, fazem com que este filme practicamente não tenha falhas na forma como aborda a doença de Alzheimer ao contrário do que alguns críticos têm apontado. Mais uma vez volto a dizer. Se [“A Moment to remember”] é melodramático, não é por ter tiques de telenovela pirosa, mas sim porque a doença de Alzheimer É melodramática. E bem mais do que o próprio filme apresenta até. Confiem em mim.

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Meia hora faz uma grande diferença em termos de filme. Não o modifica própriamente e não perdem nada em ver apenas a versão curta mas não há dúvida que a versão longa é muito mais densa e bem mais cuidada. Inclusivamente o próprio “moment to remember” do filme ganha uma nova vida na versão grande, isto porque na versão pequena ficava-se com a ideia de que o momento especial do fim seria realmente toda a experiência da rapariga a partir do momento *spoiler* em que regressa à loja onde tudo começou. Na versão longa o ênfase está realmente naquilo que é o verdadeiro coração do filme no que toca à história de amor – a palavra “amo-te” – que não é colocada no centro do momento fulcral na versão curta por faltarem pequenos segundos de diálogo entre o pai da rapariga e o marido desta que já estão presentes na totalidade na versão longa. Como tal, o “moment to remember” na versão integral tem ainda um impacto maior por se tornar ainda mais simples e evidente. *fim do spoiler*.

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Portanto qual a versão a ver ? Qualquer uma delas, mas a versão longa é realmente mais profunda. Não só nos pormenores sobre o Alzheimer mas também na forma como solidifica a relação de todos os personagens ao longo do filme, inclusivamente dos secundários.
Por outro lado se vocês não estiverem muito por dentro do que é lidar com o Alzheimer se calhar não irão notar uma diferença substancial entre a meia hora a menos da versão curta e a meia hora  mais da versão longa.

Cinco tigelas de noodles e um Golden Award para a versão longa porque é realmente uma grande história de amor tendo por base uma situação real muito bem retratada ao longo de todo o filme.

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A favor: As cenas adicionais trazem nova vida a esta história e aprofundam bastante tudo o que parecia faltar na versão curta. O foco do momento final torna-se mais simples e ainda mais poderoso e inesquecível.

Contra: O personagem do mentor do protagonista continua um bocado á deriva apesar de tudo pois grande parte das novas cenas mais longas serviram essencialmente para aprofundar a relação entre o protagonista e a mãe.

 

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
O trailer contém spoilers mas sinceramente penso que não há qualquer problema pois não tem nada que vocês não estejam à espera e portanto não vai retirar o prazer e o impacto do filme.
https://www.youtube.com/watch?v=uo9WSLv-lzs&feature=kp

Videoclip
O mesmo vale para o videoclip. Com spoilers mas não vai estragar o filme, de todo.
https://www.youtube.com/watch?v=BP4cnZeubyg

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Comprar
A versão curta que eu tenho em dvd já está esgotada. Encontrei uma edição do director´s cut aqui…também esgotada, mas poderá aparecer de novo a qualquer momento. Estejam atentos.
http://www.yesasia.com/us/a-moment-to-remember-blu-ray-directors-cut-first-press-limited-edition/1024648818-0-0-0-en/info.html

Bluray na amazon.uk
http://www.amazon.co.uk/gp/offer-listing/B009P1VEPA/ref=dp_olp_0?ie=UTF8&condition=all

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0428870

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Outros títulos românticos totalmente recomendados:

My Sassy Girl capinha_love_in_space capinha_in-the-mood-for-love capinha_midnight-sun

Be With You Il Mare The Classic Fly me to Polaris

concerto_capinha_73x cyborg_she_capinha_73x capinha_my-girl-and-i

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Cinema_oriental_no_facebook

 

Siworae ( Il Mare ) Hyun-seung Lee ( 2000 ) Coreia do Sul


Mais de metade das pessoas que chegam a este blog, fazem-no pesquisando nos motores de busca pela expressão – “filme romântico japonês”, ou através de frases semelhantes.
Como o cinema oriental romântico não tem qualquer divulgação no nosso país será lógico assumir que este interesse das pessoas é essencialmente fruto de um “passa-a-palavra” por entre aqueles que o descobriram e agora procuram mais da mesma poesia e originalidade que já não existe no cinema romântico de Hollywood mas que os asiáticos parecem produzir cada vez melhor e do qual [“Il Mare“] é um exemplo perfeito.

Isto porque um bom filme romântico oriental é muito mais do que a banal telenovela, pirosa, formulática e cheia de nomes sonantes Holywoodescos que passa habitualmente por romance aos olhos do público ocidental que não conhece mais nada.
Sendo assim, porque bons filmes orientais não faltam e porque muita gente parece estar interessada em cinema romântico, vou continuar a recomendar aqueles que na minha opinião são filmes obrigatórios.
E nada melhor do que lhes apresentar o que para mim é não só um dos melhores filmes orientais que poderão encontrar mas acima de tudo uma das grandes obras primas do cinema romântico em qualquer parte do mundo.
Bem-vindos a [“Il Mare“].

[“Il Mare“] foi o filme que me fez ficar a gostar mesmo de cinema oriental e é definitivamente um dos meus filmes românticos favoritos.
Na verdade, para mim existem pelo menos oito filmes absolutamente imprescindíveis dentro do cinema asiático do género; “My Sassy Girl“, “The Classic“, “Be With You“, “In The Mood For Love“, “Fly me to Polaris”, “My Blueberry Nights“, “2046” e [“Il Mare“].
Quem quiser ter uma excelente introdução ao bom cinema romântico que se faz do outro lado do mundo, não pode de forma alguma perder qualquer um destes filmes. Nos seus estilos mais diversos resumem bem a versatilidade, criatividade e principalmente a alma e a poesia que pode haver neste género cinematográfico mas que há tantos anos anda muito longe dos produtos fabricados em Hollywood.

[“Il Mare“], tem logo á partida, outra característica curiosa. Na minha opinião é o perfeito exemplo de que o chamado Cinema de Autor, não tem necessáriamente que significar – filme secante para intelectuais – e pode ser um excelente filme comercial sem no entanto perder a sua identidade muito pessoal e intimista.
Neste caso, estamos perante uma história de amor de contornos não só extremamente poéticos, mas também com uma pitada de ficção-cientifica plenamente baseada na String Theory.
Mas não se preocupem, aqueles que já estão a torcer o nariz. [“Il Mare“], não é um filme de ficção-científica pois o facto da sua história contar de certa forma com universos paralelos e viagens através do tempo, essa vertente nunca é o ponto central da narrativa e nem sequer é explicada ao espectador. Apenas nos é pedido para entrarmos no conceito e deixar-mo-nos levar pelo seu resultado poético e emocional e pela forma como os personagens são afectados pelos acontecimentos inexplicáveis que lhes permite desenvolver a sua história de amor.

Como resumir então [“Il Mare“], sem estragar a magia da descoberta a quem ainda não o viu…
Basicamente conta a história de duas pessoas que vivem separadas por dois anos. O rapaz vive em 1998 e a rapariga em 2000 mas ambos trocam correspondência através de uma mágica (?) caixa do correio que se situa á entrada de uma casa de praia chamada precisamente “Il Mare”.
Não há qualquer exlicação para esse acontecimento (nem interessa) e apenas ficamos a saber que os dois protagonistas conseguem comunicar através daquilo que colocam na caixa de correio e que misteriosamente é transportado de um lado para o outro atravessando o tempo ao longo de dois anos até á respectiva data no calendário em que cada um deles vive.
Inicialmente ambos viveram na mesma casa mas em alturas diferentes. O rapaz viveu em “Il Mare” entre 1997 e 1999 e a rapariga entre 99 e o início do ano 2000 quando ele já lá não habitava, altura em que depois se mudou para a cidade para estar perto do seu emprego como actriz de vozes para Anime.
Ambos têm um passado marcado por mágoas na sua vida, a rapariga continua apaixonada pelo ex-namorado que a deixou por outra pessoa e o mesmo acontece com o rapaz que também perdeu a namorada por um motivo semelhante.

Através da caixa de correio, estabelecem então uma relação de amizade que aos poucos se transforma em amor, até que um dia combinam encontrar-se cara-a-cara numa praia deserta algures numa ilha da Coreia do Sul. Para a rapariga, o dia do encontro será na próxima semana a contar do seu calendário de 2000, mas para o rapaz esse dia no seu calendário de 1998 ainda está a dois anos de distância,  o que cria desde logo uma das situações mais interessantes do filme e que não pretendo agora aqui revelar como se desenvolve pois estaria a estragar a descoberta dos pormenores mais mágicos e emocionais desta original e muito poética história de amor.
Só posso dizer que vão adorar a maneira como  [“Il Mare“], usa os paradoxos temporais para criar situações românticas verdadeiramente bonitas e muito atmosféricas que os fará certamente apreciar tanto este filme quanto eu se embarcarem no seu conceito e se identificarem com os personagens.

Ao mesmo tempo que é ligeiro na sua abordagem narrativa, [“Il Mare“] é no entanto um filme extremamente intímista, carregado de paisagens interiores que são plenamente traduzidas visualmente na associação gráfica que o realizador constroi usando a imagem da mágnifica e original casa de praia denominada precisamente “Il Mare” e que serve de ligação não só entre o romance dos personagens mas principalmente entre as suas emoções.
[“Il Mare“], é por isso um filme de poucas palavras. Aqui os personagens não precisam passar o enredo todo a dizer que se amam muito como acontece nas banais pseudo-histórias de amor americanas.
Na verdade [“Il Mare“] é construído com base nos silêncios e no que não é dito, mas que compreendemos perfeitamente graças ao extraordinário trabalho do realizador que nos transmite visualmente tudo o que não precisa de ser descrito por palavras.
Esta é uma das grandes razões porque este filme funciona tão bem a um nível emocional, pois faz-nos sentir e compreender o que os personagens sentem sem ter que passar o tempo todo em truques melodramáticos de pacotilha telenovelística para conquistar o espectador.

Mas não esperem encontrar aqui o típico filme de autor secante para intelectuais de café.
[“Il Mare“], está cheio de metáforas visuais, mas tudo é colocado de uma forma directa ao sabor do argumento e para servir a história da forma menos chata possível, o que não deixa de ser um feito pois o filme tem realmente uma atmosfera calma e muito relaxante ao mesmo tempo que não nos larga até á sua conclusão.

É também, talvez um dos filmes que melhor aborda o tema do isolamento e da solidão nas grandes cidades sem entrar por caminhos deprimentes ou pretenciosos. Sempre de uma forma subliminarmente séria e muito poética que nos deixa a pensar embalados pelo seu ambiente hipnótico e contemplativo muito suportado também pela extraordinária música presente em todo o filme.
A combinação música/imagem ás vezes faz até lembrar os momentos mais poéticos de Blade Runner no que toca a uma criação de atmosfera de solidão ilustrada de uma forma que chega a ser bonita apesar de nos fazer pensar em muito mais do que esperaríamos quando julgavamos que iamos apenas ver um banal filme romântico, coisa que [“Il Mare“] não é.

Um dos grandes trunfos na criação deste ambiente está também na extraordinária banda sonora composta por originais de Jazz made-in-Coreia do Sul e que se adaptam perfeitamente a cada fotograma criando uma atmosfera única que complementa perfeitamente todo a poesia visual e também cada emoção que percorre o filme.
Conseguindo inclusivamente numa questão de segundos passar de um momento dramático a um tom mais ligeiro sem perder identidade, transmitir saudade, melancolia ou alegria como no caso da cena dos noodles que liga os dois personagens na mesma actividade embora separados por dois anos no calendário.

Como tal o que há a dizer mais sobre este pequeno grande filme ?…
Foi um fracasso de bilheteira monumental na Coreia do Sul quando estreou. Essencialmente devido á sua campanha de marketing atroz que já ficou como um exemplo da maneira de como um filme não deve ser publicitado. Teve um trailer oficial tão mau, mas tão mau que afastou o público todo do filme ainda este não tinha sequer estreado. Graças ao trailer oficial que não tem absolutamente nada a ver com a verdadeira atmosfera do filme, as salas de cinema ficaram ás moscas, porque as pessoas pensaram que [“Il Mare“] seria um melodrama estilo cinema-de-autor intelectualoide a atirar para o deprimente e não um filme tão romântico e simples como mais tarde toda a gente descobriu que afinal este era.
Entretanto tornou-se um enorme sucesso de vendas em dvd por aqueles lados do oriente e um verdadeiro filme de culto, pois tal como em Blade Runner as pessoas foram-no descobrindo e recomendando aos amigos que por sua vez o recomendaram a outros amigos e assim por diante, tornando este filme tão popular que até os americanos compraram os direitos para fazer um dos piores remakes de filmes orientais de que há memória, com o nome “The Lake House”; onde destruiram por completo a poesia da obra original e a deixaram sem o mínimo vestígio da magia que tem nesta primeira versão Sul-Coreana.
Está nos meus planos em breve colocar aqui uma review de comparação entre a versão original e a desgraça Americana, assim que preparar o cérebro e a paciência para conseguir rever o remake.

Entretanto, passemos á frente.

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CLASSIFICAÇÃO:

Poético, original e uma obra prima do cinema romântico que ninguém interessado no género pode ficar sem ver.
Completamente imprescindível para quem não tem medo de ver um filme calmo onde a atmosfera faz o filme. Recomendo o uso de um bom sistema surround para tirarem realmente partido do filme, pois a música em [“Il Mare“] é absolutamente essencial.
Bom filme também para quem se interessa por univeros paralelos e String Theory, apesar de não ser uma obra de ficção-científica.
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award como selo de absoluta qualidade.
Mais um filme que rebenta a escala.

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A favor: tudo, poesia, personagens, ambiente, banda sonora, romantismo, fotografia, realização, inteligência de argumento, a maneira como a música é usada, a estética das imagens, o design de produção, o equilíbrio perfeito entre o cinema-de-autor e o cinema comercial, é um filme calmo sem ser chato.
Contra: contra ?!…Só se for o trailer original que é absolutamente enigmático e não tem absolutamente nada a ver com o filme. [“Il Mare“], também pode ser muito calmo para quem estiver demasiado habituado ao cinema americano ou procurar uma telenovela com tudo explicadinho, pois aqui neste filme não há vilões, perseguições, traições ou triangulos amorosos de pacotilha.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer:
Na falta de um trailer decente, felizmente existe um videoclip que reproduz fielmente a verdadeira atmosfera do filme e embora contenha uns *spoilers* menores recomendo mesmo que o vejam.
http://www.youtube.com/watch?v=2aLttFT27K4
Se gostarem da atmosfera do teledisco, comprem o dvd pois o filme é exactamente assim.

No entanto, o trailer japonês também capta bem o ambiente e é bem melhor que o trailer original.

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Comprar:
Devido ao sucesso que foi obtendo de forma muito gradual e talvez ao facto de ter sido um fracasso nas salas Sul-Coreanas quando estreou, [“Il Mare“] foi inicialmente lançado em dvd de uma forma não muito profissional, pois pelo visto ninguém dava nada pelo filme.
Por causa disto practicamente todas as cópias que existem no mercado asiático têm problemas, ou de imagem ou de legendagem.
Ao longo do tempo tenho colecionado edições do filme na esperança de que da próxima vez é que alguém resolva lançá-lo nas condições que merece por isso posso dar-vos uma ideia do que poderão encontrar á venda se o quiserem comprar.

Apesar da sua legendagem inacreditávelmente amadora, a minha edição favorita deste filme é a edição simples Chinesa
A imagem não é anamórfica, contém alguns artefactos, mas é no formato widescreen original o que mantém a beleza dos enquandramentos intactos, tal como foram pensados pelo realizador e se há uma coisa de que este filme não tem falta é de imagens bonitas por isso gosto muito deste dvd chinês apesar de todas as suas falhas.
O som 5.1 é muito bom e o DTS é na minha opinião fantástico pois aproveita plenamente a banda-sonora do filme criando uma experiência tridimensional sonora absolutamente perfeita.
A legendagem em inglés é uma anedota.
O inglés de quem traduziu o filme é no mínimo duvidoso (cómico) e grande parte das frases nas legendas não cabem no ecran o que dá origem a uma quantidade enorme de expressões que terminam subitamente sem deixar rasto. Se isto pode parecer problemático, não se preocupem. O que está escrito dá perfeitamente para compreendermos a intenção e o sentido dos diálogos e não é por isso que vão deixar de disfrutar deste filme.
Penso que já não a encontram com a capa inicial (e caixa de cartão), mas podem adquirir a nova edição do mesmo disco aqui em embalagem normal.
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7j-49-en-15-il+mare-70-ckk.html

Depois desta edição inicial, devido ao sucesso das vendas, surgiu no mercado mais outra edição chinesa. Neste caso adaptada da versão original Coreana e que de novo trouxe uma caixinha toda atmosférica em cartão grosso com um fecho magnético e um grafismo já mais bonito embora tão esquisito quanto os novos e estéticamente amadores menus que também trouxe de novo.
A imagem desta vez já não é em letterbox mas preenche agora todo o ecran. Embora não esteja cortada, pessoalmente eu não gosto de ver as imagens assim pois parece que os enquadramentos perderam a magia e a grandiosidade com que foram originalmente concebidos.
É uma edição de dois discos com bastantes extras (e que parecem mesmo interessantes), mas infelizmente apenas o filme está legendado em inglés e por isso não podemos disfrutar devidamente do conteúdo adicional, o que é pena pois o making of é excelente mesmo totalmente em Coreano.
Penso que esta já nem se encontra á venda por isso não coloco aqui qualquer link.

Por último há ainda outra edição especial em 3 discos, da imagem acima, que na práctica é a exactamente a mesma edição que referi atrás, mas agora com uma bonita e muito cuidada nova embalagem.
Esta edição (que já está quase esgotada em todo o lado), tem ainda um bonús imprescindível para quem gostou do filme, pois contém um CD com toda a banda sonora de [“Il Mare“].
O que nos coloca num dilema…pessoalmente recomendo a básica (e má) edição chinesa inicial porque apesar de tudo mantém o formato de ecran original em que o filme foi fotografado, mas por outro lado…vocês querem mesmo ter esta bonita caixinha com os 3 discos. Acreditem-me.

Aproveitem agora que o dollar está baixo e façam como eu, comprem as duas. E aconselho-vos a ser rápidos se ainda quiserem o CD da banda sonora.
Curiosamente o melhor local para se comprar esta edição actualmente é na Amazon americana. Seller de confiança e preço porreiro. Até porque apesar de na caixa dizer que os dvds são região 3, na verdade esta edição está livre de qualquer região, sendo portanto região ZERO e caso não possuam um leitor multi-regiões poderão na mesma ver este filme indispensável.

DOWNLOAD AQUI com legendas em PT/Br

OST original para download

IMDB:
http://www.imdb.com/title/tt0282599/

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