Pohwasogeuro (71: Into the Fire) John H. Lee (2010) Coreia do Sul


Um par de amigos meus costumam dizer-me que não têm interesse nenhum em conhecer cinema oriental porque este nunca se comparará em escala e espectacularidade com o que sai de Hollywood e por isso os filmes nunca terão grande interesse.
[“71: Into the FIre“] é mais um bom exemplo de um daqueles títulos que poderia contrariar esta ideia na cabeça de muitas pessoas se muita gente não insistisse em ver apenas o que lhes é vendido nos centros comerciais, até porque prova uma coisa; não é necessário um orçamento megalómano de centenas de milhões de dólares para se produzirem filmes de acção numa escala épica.

[“71: Into the FIre“] foi produzido apenas por 10 milhões de dolares na Coreia do Sul, o que técnicamente quer dizer que não passa de um verdadeiro série-B quando comparado com o que costumam ser as centenas de milhões que se gastam em Hollywood para produzir o mesmo efeito.
Mas se isto foi produzido por 10 milhões de dólares eu nem quero imaginar como o filme seria se pudesse ter contado com um orçamento ao estilo Avatar !

Nunca tive grande fascínio por filmes de guerra. Quando era pequeno curtia aqueles clássicos americanos mas depois desinteressei-me do género. Não gostei particularmente do Saving Private Ryan de Spielberg pelo seu tom de panfleto patriótico e portanto durante alguns anos não prestei muita atenção ao que saia dentro desse tipo de filmes pois pensei que seria tudo mais do mesmo.
Até que me apareceram para frente dois filmes orientais que da noite para o dia mudaram a minha perspectiva sobre o cinema de guerra. Os fantásticos, “Brotherhood of War” e “Assembly” que foram provavelmente os filmes de guerra mais espectaculares que me passaram pela frente e com um nível de violência politicamente incorrecta que fez com que o filme de Spielberg de repente parecesse menos inovador do que se calhar realmente pareceu ser no ocidente.

Além disso, tanto “Brotherhood of War” como “Assembly” tinham uma alma no que toca a personagens humanos que ainda não tinham encontrado no típico filme de guerra. Não tiveram apenas as cenas de batalha mais impressionantes que alguma vez vi (também com orçamentos reduzidos) como acima de tudo contaram histórias personagens com que me importei e onde tudo não se resumia apenas aos bons-contra-os-maus.

[“71: Into the FIre“] é mais outro titulo Sul-Coreano que segue a mesma fórmula, o que não quer dizer que seja algo negativo. Poderá ser visto talvez como apenas mais um filme de guerra porque na verdade não contém nada que vocês não tenham visto antes, especialmente se já viram os dois titulos Sul-Coreanos que referi atrás, mas por outro lado foi buscar o melhor desses filmes e aquilo que perde em grandiosidade por força de ser um titulo de baixo orçamento, conseguiu compensar em personagens com que o espectador se vai identificando ao longo do filme.

Desde os herois cercados de inimigos por todo o lado, até inclusivamente ao excelente vilão do filme tudo contribui para que [“71: Into the FIre“] comece de uma forma entusiasmante e depois vá ganhando suspanse quanto baste até ao seu dramático e muito sangrento acto final.
O filme essencialmente conta a história de um grupo de alunos de uma escola Sul-Coreana que décadas atrás resistiram ao invasor Norte-Coreano barricados na sua escola á espera de uma ajuda que tardou em chegar.

Não há muito que se possa dizer mais sobre este título. Os personagens são excelentes, as cenas de acção conseguem ser espectaculares e muito sangrentas e dramáticamente funciona bastante bem pois aqueles personagens vão ganhando a nossa admiração.
Não posso deixar de destacar o personagem do general Norte-Coreano. Além de ter um carisma fantástico que rouba a atenção em todas as cenas que protagoniza, é caracterizado de uma forma bastante interessante e até algo ambigua, o que o humaniza quando se calhar para o filme resultar até nem precisava de ser mais que um bom boneco de cartão.

Quem gosta do cinema de Samuel Fuller ou Sam Pekinpah vai curtir muito o estilo politicamente incorrecto e o desenlace desta história. As cenas de batalha disfarçam muito bem o baixo-orçamento do filme e não há nada de verdadeiramente negativo em [“71: Into the FIre“].
Se gostam de cinema de guerra este é mais um título obrigatório. Se ainda não viram “Brothers of War” e “Assembly”, provavelmente vão ficar até impressionados com o realísmo das cenas de violência. Caso já tenham visto os outros filmes no entanto, tal como acontece comigo provavelmente não ficarão particularmente entusiasmados com esta obra, mas tenho a certeza que os irá divertir bastante se gostam do género.

Além disso consegue ser um filme político sem o parecer e pelo menos pelo que me apercebi trata bastante bem o tema da divisão da Coreia sem tomar realmente partido por qualquer um dos lados. Ás vezes parece ser um documentário de um qualquer reality-show pois a excelente realização consegue apagar-se por entre as cenas que são fcaptadas de uma forma perfeitamente natural e totalmente realística e por mais do que uma vez faz-nos esquecer de que estamos a ver apenas uma recriação histórica de um evento já com várias décadas.

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CLASSIFICAÇÃO:

Se já viram muito cinema de guerra Sul Coreano ou Chinés moderno, não irão ficar particularmente impressionados com  [“71: Into the FIre“]. No entanto é um excelente filme de guerra que devem adicionar obrigatóriamente á vossa lista de filmes a ver se gostam muito do género.
Quatro tigelas de noodles porque é muito bom. Não deslumbra, mas tudo o que faz, faz mesmo muito bem.

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A favor: é impressionante aquilo que se consegue fazer com um baixo orçamento que nos estados unidos nem chegaria para pagar a uma estrela de Hollywood, as cenas de guerra parecem mais épicas do que na realidade até são e todas as limitações técnicas estão muito bem contornadas para apresentar ao espectador mais um excelente filme de guerra, é muito sangrento e politicamente incorrecto quanto baste, contém um grupo de personagens que cria empatia com o espectador e inclusivamente o vilão é bem melhor do que precisaria de ser para que o filme funcionasse perfeitamente na mesma, tiros bombas e socos nas trombas com muito sangue e tripas quanto baste.
Contra: se já viram outros títulos de guerra produzidos recentemente pelo cinema oriental este filme poderá não os impressionar por aí além.

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=Ud5g_aGxIEo

Comprar
Em DVD e em BluRay

Download aqui com legendas em PT/Br

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1587729

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Joheunnom nabbeunnom isanghannom (The Good The Bad The Weird) Jee-woon Kim (2008) Coreia do Sul


A última coisa que eu esperava ver deste realizador a seguir a um filme de terror tão fascinante quanto “A Tale of Two Sisters” seria um Western e no entanto é isso que [“The Good The Bad The Weird“] é de uma forma tão genuína que nos confunde totalmente pelo facto disto não ser um filme americano e onde se troca o velho Oeste pela Manchuria nos anos 30.

[“The Good The Bad The Weird“] sendo embora absolutamente genial é no entanto um dos filmes mais difíceis que alguma vez tive de comentar aqui neste blog por muitas e variadas razões e portanto aviso já que o texto a seguir poderá parecer-lhes não só totalmente ilógico como se calhar absolutamente  esquizofrénico e sem sentido algum.

Isto porque como podem ver pela classificação que lhe atribuo abaixo, embora bastante boa acaba por nem ser a espectacular nota que este filme se calhar merecia que eu lhe desse, porque na verdade acho-o absolutamente brilhante em muitos aspectos e quanto a mim é uma obra prima do cinema de acção e contém das melhores sequências dentro do cinema de aventura puramente clássico talvez desde a primeira aventura de Indiana Jones. Isto no que toca a filmes com pistolas, balas, gajos com chapéus de abas e tiroteios.

Tudo no que toca a atmosfera e adrenalina é absolutamente genial em [“The Good The Bad The Weird“] e como produto de acção é realmente uma obra prima, pela sua frescura, sentido de aventura e originalidade quanto baste.
Visualmente é do outro mundo. Mais uma vez o realizador enche um filme de imagens inesquecíveis e onde cada frame é um quadro, que muitas vezes neste caso presta homenagem a dezenas de enquadramentos famosos da história dos westerns (e não só) que todos nós conhecemos até mesmo se não formos viciados em filmes de cábois.

O cuidado colocado em cada decor é absolutamente notável e merece que façamos uma pausa no filme só para apreciarmos todas as texturas, detalhes e cores que enchem [“The Good The Bad The Weird“] do principio ao fim. Na verdade isto visualmente é tão bom que mesmo que o filme não tivesse nenhuma cena de acção não conseguiriamos tirar os olhos do ecran desde o início pois toda a estética aqui é absolutamente fantástica dentro do mesmo estilo já encontrado em “A Tale of Two Sisters” mas desta vez aplicado a um universo visual de puro Western americano…embora com Sul Coreanos, Japoneses, Chineses e indios, perdão…Mongois.

E mais do que uma colecção enorme de referências cinéfilas puramente americanas, [“The Good The Bad The Weird“] é um verdadeiro achado para quem adora  Western Spaghetti e particularmente quem conhece bem o trabalho de Sérgio Leone. É que [“The Good The Bad The Weird“] é uma espécie de “O Bom O Mau e O Vilão” em esteróides !
Se Sergio Leone filmasse em estilo videoclip moderno cruzando westerns com serials de aventura o resultado seria algo muito semelhante a isto.
E refiro-o como um elogio.

Então se [“The Good The Bad The Weird“] é tão genial o que é que falha ?
Bem, infelizmente não tem o argumento de um filme de Sérgio Leone e muito menos se pode comparar a “Salteadores da Arca Perdida” nesse aspecto também.
[“The Good The Bad The Weird“] é o típico exemplo de um filme em que a estética sobrepõe-se a tudo a todo o instante. Talvez o facto de visualmente isto ser um produto tão absolutamente perfeito, essa perfeição lhe tenha retirado qualquer hipótese de poder conter um argumento realmente tão entusiasmante que a pudesse complementar ou equiparar.

É verdade que já vimos se calhar dezenas de filmes sem história que resultam apenas como cinema de acção, mas se calhar nunca vimos um produto tão cuidado a pedir desesperadamente por um argumento imaginativo. A última peça que tornaria [“The Good The Bad The Weird“] numa obra prima do cinema de aventura de pleno direito ao lado de todos os clássicos do género; uma marca que não consegue plenamente atingir porque enquanto espectadores gostariamos mesmo de ter algo interessante para acompanhar entre a obra prima visual que são as sequências de tiroteio e não há nada.
É um vazio total !!!

A forma como começa é a forma como acaba. Não há qualquer intriga interessante pelo meio, os personagens não sofrem qualquer evolução ou causam qualquer surpresa e só não são completamente aborrecidos de acompanhar porque [“The Good The Bad The Weird“] consegue ter um sentido de humor bastante divertido que por momentos parece que vai dar vida a todos aqueles bonecos de cartão.

É certo que como o próprio título indica, a base de tudo são na verdade personagens-tipo, mas bolas, será que não se poderiam ter tornado aquelas pessoas realmente interessantes ?!!
Isto nem parece ter sido criado pelo mesmo autor que conseguiu tanto humanismo nas personagens centrais de “A Tale of Two Sisters” e por isso não se compreende de todo tamanha ausência de identidade agora neste argumento a nível de personagens.
É que até os Westerns de Sérgio Leone mesmo quando parecem filmar o vazio nunca deixaram de ter personagens fortes e carismáticas, muitas vezes sem precisar de haver qualquer linha de diálogo entre eles sequer.
É isto que falha em [“The Good The Bad The Weird“] e falha redondamente mesmo.

Parece que o filme foi todo construído com base na estética e na homenagem visual a todos os clássicos e mais alguns dentro do género de aventura mas depois não houve tempo para tornar os bonecos que andam aos tiros o tempo todo mais interessantes nos intervalos da porrada embora haja umas tentativas para remendar isso através do humor ao melhor estilo cartoon.

Já ando para falar deste filme por aqui, desde que o vi há anos, mas como das cinco vezes que o tentei rever, nunca consegui chegar ao fim sem estar a cair de sono, sempre me foi muito dificil arrumar as ideias para ter algo coerente para dizer aqui.
Já vi muita coisa má que deu sono, mas nunca me tinha passado pela frente um produto com tanta qualidade como [“The Good The Bad The Weird“] que me tivesse provocado esse efeito. Muito menos um filme visualmente tão apelativo e com tanto tiro e barulho a todo o instante que me deveria ter mantido mais acordado.

O que ainda se torna mais estranho é o facto de estar carregado de sequências de acção fabulosas e acho que nunca vi um filme de cowboys com tanto tiroteio também, por isso ter-me quase arrastado para tentar ver isto do príncipio ao fim ainda se torna mais estranho. É que eu adorei mesmo as cenas de acção e aventura disto !!
Agora, se calhar o [“The Good The Bad The Weird“] tem duração a mais. Para um filme com mais de duas horas onde pelo menos 100 minutos são passados com cenas de tiros e pancadaria não deixa de ser muito estranho isto tornar-se um produto tão aborrecido quando não há gente aos tiros no ecran a todo o instante.

A história não interessa e nem o tema da caça ao tesouro lhe dá qualquer carísma, os personagens quando não andam á porrada não cativam nem servem para nada, tem personagens a mais por todo o lado mas só lá estão para andar aos tiros e como tal o suposto twist final também não tem impacto nenhum porque é precisamente construido á volta da origem de um personagem com o qual não temos grande relação e parece apenas servir para efeito cómico no filme não diferindo muito do heroi que se limita a ser o bom ou do vilão que é mau como as cobras porque sim.

O que salva [“The Good The Bad The Weird“] , além do seu fabuloso ambiente é ter tanta adrenalina nas cenas de acção e por isso é mesmo uma obra-prima falhada dentro do género apenas porque estas na verdade acabam para não servir para muito além de mostrarem o talento do realizador para o género.
Este filme com uma história cativante e personagens de que ficassemos a gostar teria sido absolutamente do outro mundo.
E por falar em outro mundo…

Nunca me tinha passado pela cabeça que a Manchuria dos anos 30 pudesse ser um cenário para cinema de aventura tão genial e carismático. Estamos a ver [“The Good The Bad The Weird“] e o filme poderia ser passado num outro planeta que não notariamos diferença, pois todos os décors são tão alienígenas para a nossa própria cultura que isto poderia ser uma aventura passada em marte que não estranhariamos nada.

Estava a ver o filme e toda a sua estética só me fazia lembrar a genial série western-scifi “Firefly” com a sua excelente conclusão cinematográfica “Serenity“, isto porque todas as texturas e ambientes são muito semelhantes e tudo se passa numa atmosfera oriental onde muitas culturas se misturam num canto perdido do mundo. Quanto a mim se um destes dias fizessem uma sequela para “Serenity“, se calhar não seria nada má ideia contratarem o realizador de [“The Good The Bad The Weird“] para o dirigir com Joss Whedon a escrever pois seria uma combinação fantástica certamente.

Ah, já me ia esquecendo precisamente daquilo que na minha opinião é um dos pontos altos do filme e que quase nos faz perdoar todas as falhas até aí.
[“The Good The Bad The Weird“]  tem uma das melhores, mais entusiasmantes e mais divertidas perseguições de todos os tempos no cinema de aventura e só por isso vale a pena espreitarem este filme.
São mais de dez minutos de uma sequência como nunca viram dentro do género. Um tipo numa mota de  side-car a ser perseguido num deserto por todo o elenco deste filme. E quando eu digo todo, quero mesmo dizer todo o elenco deste filme, gangs de mongois, assaltantes chineses, assassinos profisionais, soldados japoneses, cowboys de todas as raças, samurais foras da lei, montes de cavalos, jipes, canhões, gajos bons, gajos maus, gajos assim-assim tudo numa das maiores perseguições em estilo todos-contra-todos onde não faltam, tiros, bombas, socos nas trombas, facadas, balas de canhão, saltos de veículos em movimento, cavalos pelos ares, gajos a explodir, cavalos a explodir, carros a explodir, motas a explodir, lutas á espada, e tudo numa sequência de antologia que marca a fasquia por onde a partir de agora toda a gente que fizer uma cena de perseguição terá que se guiar, pois é absolutamente notável em todos os aspectos.

Essa perseguição quase no fim do filme e o assalto ao comboio da sequência de créditos iniciais são dos melhores momentos de cinema de acção que lhes irá passar pela frente em muito tempo e se ainda não viram [“The Good The Bad The Weird“] só por estas duas cenas vale mesmo a pena espreitar o filme.
Tudo começa de uma forma tão fantástica que o espectador fica plenamente convencido que depois irá continuar a ter mais do mesmo ou que as coisas só poderão ficar melhores. Não ficam.
Infelizmente depois é apenas mais do mesmo , mas felizmente que o mesmo continua a ser de elevada qualidade com excelentes momentos de humor e montes de imaginação nas cenas de aventura. É mesmo pena que um bocado dessa imaginação não tenha sido também usada para a história.

Básicamente [“The Good The Bad The Weird“] conta a história da existência de um mapa de tesouro que todos querem e pelo qual todos matam. Do príncipio ao fim do filme. Acabou a história. A sério, não há mais.
Um tipo tem o mapa no inicio, um assassino é contratado para o roubar, outro gajo rouba-o em vez dele e assim por diante. O mapa vai passando de personagem em personagem até que se descobre qual era afinal o tesouro (por acaso uma ideia bem engraçada) e o filme acaba com o típico duelo entre cowboys ao cair da tarde junto ao local onde todas as riquezas estão enterradas.

E pronto, é isto… espero que estejam tão confusos quanto eu.

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CLASSIFICAÇÃO:

Não é de forma nenhuma a obra-prima que muitas reviews em festivais afirmam que é.
Por outro lado, é uma obra prima no que toca a cenas de aventura e sequências de acção e por isso é mesmo com muita pena que constato que falta ali algures um filme pelo meio de tudo isto.
Se procuram um verdadeiro western oriental no estilo mais puro e comercial da coisa mas com montes de qualidades, [“The Good The Bad The Weird“] irá agradar-lhes bem mais que “Sukyiaki Western Django” (esse verdadeiramente um produto falhado a muitos mais níveis).

Também será um Western Oriental que irá agradar a mais gente do que “Tears of the Black Tiger” que apesar de ser brilhante tem um toque de cinema experimental que não agradará a quem procura um Western puro e nesse aspecto [“The Good The Bad The Weird“] é bem mais directo e principalmente comercial.
Portanto e por tudo o que já referi acima, quatro tigelas de noodles porque é mesmo muito bom por um lado e tem momentos absolutamente brilhantes. Por outro lado, sinto até que deveria atribuir-lhe menos pois a suas fraquezas quase que destroiem um filme que merecia ser mesmo uma obra prima do cinema e não apenas no que toca a sequências de acção.

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A favor: a sequência de abertura do assalto ao comboio é do melhor e mais clássico que poderia ter sido, tem a melhor perseguição final jamais vista no cinema de aventuras com estas características num verdadeiro festival de porrada em andamento com todos contra todos e caos total, as sequências de acção neste filme são em regra todas totalmente fantásticas, muitas mortes com pinta, tiros que nunca mais acabam, muito sangue e torturas com dedos e peças de corpos aos bocados, muitas cenas de acção com grande sentido de humor e gags bem engraçados, as inúmeras homenagens visuais a tudo o que é western clássico muito particularmente ao western spaghetti também, o toque mexicano na banda sonora é do outro mundo e faz o filme ganhar vida quando aparece nos melhores momentos de perseguição, visualmente é incrível com com pormenores e texturas por todo o lado, existe no dvd um final alternativo muito bom (na verdade o final original do filme quando este passou na Coreia do Sul).
Contra: é um vazio absoluto quando não tem cenas de tiros e aventura, mudem a roupa nos personagens e não se nota diferença, o actor que faz de “Weird” repete exactamente o mesmo papel que já tinha feito em “The Host” mas agora num ambiente western, poderá fazer-vos adormecer o que não deixa de ser um feito espantoso tendo em conta tanta porrada ao longo do filme, o filme é demasiado grande tendo em conta que não se passa nada na história além de perseguições e do mapa a mudar de mãos até ao confronto final, ás vezes faz lembrar muito “Duelist pela falta de uma boa história que ligue tanta perseguição non-stop alucinante sem grandes motivos a não ser passar o mapa de um personagem para o outro.

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Trailers
http://www.youtube.com/watch?v=Zjm9gAjgRuU
http://www.youtube.com/watch?v=8Zew2yWGDC8

Comprar
Isto está a um preço tão estúpidamente baixo que se gostarem do filme é de aproveitar na Amazon Uk, tanto em DVD (muitos extras) como em Blu-Ray simples ou Blu-Ray edição especial.

Download aqui com legendas em PT/Br

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0901487/combined

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Alguns titulos semelhantes em alguns aspectos :

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Taegukgi hwinalrimyeo (The Brotherhood of War/Irmãos de Guerra) Je-gyu Kang (2004) Coreia do Sul


Lamento o atraso na colocação de novas reviews, mas tenho andado muito ocupado a publicitar o meu trabalho de banda-desenhada (podem descarregar os PDFs GRÁTIS no meu website) e por isso apesar de ter visto inúmero cinema oriental nas ultimas semanas tem sido complicado arranjar tempo para escrever. Mas vamos a isto…

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Como eu tenho a mania de que não gosto particularmente de filmes de guerra, mantive este dvd na prateleira (literalmente) desde o último Natal pois apesar de o ter comprado na amazon.uk junto com mais um par de filmes orientais em promoção nunca tive muita vontade de o ver.
Agora que já o vi trés vezes em menos de cinco semanas, se calhar gostei mesmo muito mais disto do que alguma vez pensei que iria admitir.

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Antes de mais, se calhar é melhor dizer logo que este filme tem uma boa edição em dvd portuguesa e de certeza que ainda o encontram á venda nos cestos de promoções dos hipermercados e wortens, pois há alguns meses pelo menos aqui pelo Algarve eram aos quilos a menos de €5 na altura. E eu burro, nem assim comprei o filme, pois como já disse, parece que tenho a mania de que não gosto de filmes de guerra e não me apeteceu comprar o dvd.
Não sejam burros como eu e se encontrarem a edição portuga disto á venda sugiro que se joguem a ela pois ao contrário da edição inglesa que eu tenho, a portuguesa até trás extras e tudo. O que é de estranhar pois normalmente as edições portuguesas de cinema oriental são do piorio.

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Rezam as crónicas que este filme foi criado pela mesma equipa técnica que produziu o impressionante “Assembly” e deixem-me dizer-vos que se nota !
Aliás, eu que fiquei absolutamente surpreendido com a escala épica das cenas de guerra desse filme posterior, devo dizer que se calhar ainda prefiro as sequências de batalha neste [“The Brotherhood of War“] pois têm uma atmosfera diferente, bem mais dramática, sangrenta e estão cheias de momentos politicamente incorrectos que  não são habituais num filme de guerra made-in-hollywood.

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Enquanto em “Assembly” a guerra era representada de uma forma épica com centenas de soldados aos tiros em [“The Brotherhood of War“] a violência é mostrada quase isoladamente num estilo caso a caso, criando um suspanse e uma angústia permanente no espectador pela quantidade de sequências com muito sangue, lutas corpo a corpo, tripas e baionetas quanto baste. Neste aspecto, o filme cumpre totalmente enquanto cinema de guerra e vão poder ver nele muita coisa que nunca viram mostrada desta forma.

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Isto não quer dizer que não tenha também os seus momentos épicos com imagens fabulosas. [“The Brotherhood of War“] está cheio de sequências com milhares de soldados em cenas de guerra grandiosas que irão agradar até ao mais devoto fã do Soldado Ryan.
Todo o filme tem um sentido épico único, até mesmo nas cenas em que não existe guerra no ecrã, isto porque cheira a super-produção por todo o lado e em cada frame que vemos temos sempre uma orquestração de personagens e ambientes em grande escala que não desapontará quem gosta de histórias maiores do que a vida.

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Mas a grande mais valia de [“The Brotherhood of War“], está no facto de apesar de ser um filme oriental visualmente esplendoroso, nunca se esquece dos seus personagens.
Como sabem, quanto a mim um dos grandes trunfos do cinema oriental face ás modernas produções americanas está no facto dos orientais conseguirem sempre dotar de humanidade até o mais simples personagem e também aqui não é excepção, pois as sequências podem ser espectaculares mas muito dessa espectacularidade vem do facto de haver um grande suspanse perante o destino dos personagens, isto porque o espectador fica realmente a gostar daquelas pessoas.

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Outro grande ponto positivo é que em [“The Brotherhood of War“], não existem maus nem bons.
Aliás, duvido que este filme alguma vez pudesse ter sido produzido na América onde as audiências-teste ditam os resultados do que se vê no ecran.
Se [“The Brotherhood of War“] tivesse sido alvo de um desses testes, aposto convosco que mais de metade das audiências americanas a meio do filme já nem haveriam de perceber quem era o heroi.
E pior ainda, haveria de haver pessoas que ficariam muito baralhadas pois nesta história nada é o que parece e muitos dos twists de argumento em [“The Brotherhood of War“] seriam suficientes para fazer com que muita gente não gostasse do filme porque os herois “são maus”. Resumindo nesta história não há herois de guerra á americana e logo irão perceber o que quero dizer quando acompanharem esta história fabulosa.

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Estamos perante um grande filme de guerra, com guerra, mas também sobre a guerra e sobre o que esta pode fazer a pessoas simples quando são confrontadas com uma realidade da qual não podem escapar.
Custa-me estar aqui a escrever sem lhes revelar logo grande parte da história, por isso se calhar é melhor estar calado e não dizer muito mais. Apenas lhes posso garantir que [“The Brotherhood of War“] é tudo menos uma narrativa com uma estrutura previsível e é esse o seu grande trunfo.
Até mesmo quando parece que vai tomar o partido da Coreia do Sul e vilanizar a Coreia do Norte, o argumento volta a surpreender com um par de twists que os vão deixar agarrados á cadeira e a questionar tudo e mais alguma coisa a partir desse momento até ao final.

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Já agora uma nota muito positiva para a parte romântica da história.
Nunca paro de me surpreender como o cinema oriental consegue criar histórias de amor grandiosas recorrendo na sua maioria das vezes a pormenores minimalistas que quase nem se notam ou parecem ser particularmente importantes.
Em [“The Brotherhood of War“] a parte dedicada ao romance dos protagonistas nem deve ocupar ao todo dez minutos de ecran num filme que tem mais de duas horas e meia, no entanto se gostam habitualmente de cinema oriental romantico, sugiro que espreitem também este filme, mesmo até que nem gostem de cinema de guerra pois não se irão arrepender.
Há mais humanidade em 10 minutos de sequências emocionais envolvendo o pequeno romance dos personagens nesta história do que em muitas supostas histórias de amor saídas do mercado americano ultimamente e portanto posso garantir-vos que se procuram um bom filme de guerra com uma pitada (tão pequena que nem se nota) de romance quanto baste [“The Brotherhood of War“] é o vosso filme. Preparem os lenços de papel.

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Não posso deixar de falar também na fantástica banda-sonora deste filme asiático feito na coreia do sul. Na verdade não há muito para dizer, apenas que a música é perfeita para enquadrar todo o ambiente e faz um trabalho excelente na criação de emotividade em muitas sequências. Como tal se gostam de grandes partituras orquestrais épicas com um sabor melodioso intermédio vão adorar também a música que ilustra esta história.

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CLASSIFICAÇÃO:

Uma verdadeira surpresa e um dos melhores filmes com guerra que alguma vez vi. Provavelmente um dos melhores filmes de guerra de todos os tempos dentro do cinema comercial. Como blockbuster poderá ser uma obra prima do cinema oriental pela sua qualidade de entretenimento que não fica nada atrás do que melhor se produz na América.
Joga perfeitamente com um sentido épico de espectáculo que nos diverte, horroriza e ao mesmo tempo nos emociona ao longo das suas duas horas e meia que passam num instante sem darmos por isso.
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award porque este é um daqueles filmes que merece ser revisto.

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A favor: é assim que se faz um filme de guerra, mais uma vez o humanismo da caracterização dos personagens, o excelente trabalho de todos os actores com destaque para os protagonistas inclusivamente o actor mais velho, as constantes reviravoltas da história, a total variedade das sequências de acção que nunca se repetem ao longo de todo o filme, os fabulosos efeitos especiais a todos os níveis, ultra-violento e cheio de sangue e balas quanto baste, completamente politicamente incorrecto nos dias que correm no que toca á caracterização de “maus” e “bons”, contém uma minuscula mas inesquécivel história de amor que culmina num dos pontos altos de maior suspanse em todo o filme e os fará roer as almofadas, a banda sonora é excelente, fotografia idem, tem um ritmo narrativo perfeito que nunca se perde num emaranhado de sequências de guerra e onde há sempre espaço para os personagens respirarem, há já algum tempo que não via um filme Sul Coreano com uma cena de despedida numa estação de comboios e já estava a sentir falta disto. Ninguém filma cenas de despedida com comboios como os Sul Coreanos !
Contra: não escapa aquele estilo épico comercial a que inclusivamente estamos habituados no cinema americano no entanto neste caso isto nem sequer é algo particularmente negativo…apenas não me lembro de mais nada verdadeiramente detestável para referir. O estilo “fofinho” habitual nas histórias de amor orientais pode enervar quem não pode com isso apesar desta até ser apenas uma breve sequência.

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TRAILER

http://www.youtube.com/watch?v=DCnyJZafn-w&feature=related


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Comprar
A edição de 1 disco que eu comprei foi esta. Aproveitem porque está a menos de 4 libras. 😉
Brotherhood [DVD] [2004]

Sem extras mas com uma qualidade fantástica a nível de som e imagem.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0386064/

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Ji jie hao (Assembly) Xiaogang Feng (2007) China


O chamado Filme de Guerra não será propriamente o meu género favorito. Mas de vez em quando aparece-me pela frente uma daquelas obras que por momentos me fazem realmente duvidar se gostarei tão pouco assim de filmes de guerra ou não.
[“Assembly“] é um desses filmes.

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É um daqueles que está na minha lista de coisas que nunca me apetece muito rever, mas se o coloco no dvd já não consigo parar de olhar para ele até surgirem os créditos finais, por isso se calhar até devo gostar mais de filmes de guerra do que penso.

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Acho que ainda estou traumatizado com a decepção que apanhei no – Saving Private Ryan – que deve ser possivelmente um dos filmes que mais me aborreceram no cinema em muitos anos.
Na altura apesar de ter ficado impressionado com a sua violenta e entusiasmante abertura, detestei em absoluto todo o tom patriótico americano com a sua estrutura absolutamente previsível que acompanhava o resto do filme de Spielberg. Sendo assim mantive-me afastado de cinema do género durante anos e só regressei a ele há muito pouco tempo.

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Um dia apeteceu-me comprar a série – Band of Brothers – e para grande surpresa minha fiquei tão impressionado com aquilo que dei por mim procurando por coisas semelhantes que pudessem entusiasmar-me tanto aquela série televisiva o fez.
Não fazia ideia nenhuma que existia uma produção de guerra made-in-china como esta.
Já tinha visto e adorado – The Warlords – e por causa de ter ficado tão bem impressionado com o filme decidi espreitar se os chineses teriam filmado algo mais contemporaneo que eu desconhecesse.

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Encontrei então este [“Assembly“] num torrent e saquei-o só para espreitar, pois apesar de ter ficado impressionado com o trailer o estigma do Soldado Ryan estava ainda na minha mente e não me apetecia comprar outra coisa semelhante.
No entanto, depois de ver os primeiros vinte minutos da cópia sacada parei o filme e fui comprar o dvd na amazon Uk pois inclusivamente na altura estava a uns meros 3€ já com portes numa daquelas promoções especiais de Natal.

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[“Assembly“] na minha opinião limpa o chão com a sequência inicial do filme de Spielberg e consegue incluir um segmento dramático a condizer na sua metade final sem precisar de recorrer a esvoaçares de bandeira e a sentimentos de soap-opera pré-fabricados e formuláticos para americano bater continência.
No entanto, [“Assembly“] não deixa de ser um filme patriótico. Aliás, nota-se claramente que é um produto que tenta passar uma imagem humanizada do exército comunista chinês e certamente terá tido o apoio do partido na sua produção.
Acontece que consegue realmente passar uma imagem humanizada do soldado comum.
Um dos grandes trunfos deste filme é que consegue contornar o facto de eventualmente poder ter sido um filme de propaganda mas nunca nos atira isso á cara quando nos apresenta os personagens.

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Os soldados de [“Assembly“] apenas por acaso pertencem ao exército vermelho, pois poderiam pertencer a um exército de qualquer país. Toda a sua caracterização assenta sempre nas pessoas que vivem uma guerra e não na política que a envolve ou sequer na pose de herois orgulhosos de servirem a pátria ou qualquer bandeira esvoaçante num estrelado céu azul. A honra militar está sempre presente mas nunca nos é atirada á cara em linhas de diálogo ou sequer importa para a caracterização humanizada dos personagens.

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O último lugar em que o soldado comum de [“Assembly“] quer estar é na guerra em que se vê envolvido, está-se borrifando para a política que serve e apenas gostava de estar longe dali.
Toda a base do drama está na importância das pessoas e não na importância patriótica de uma missão ou sequer de uma ideologia ou maneira de se achar posicionado no mundo.
Os personagens não se acham salvadores de nada, não estão interessados em serem herois e apenas gostariam de sobreviver.

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Essencialmente este filme oriental dá-nos provavelmente uma das imagens mais reais do que será estar no meio de um campo de batalha e por esse prisma consegue efectivamente passar uma boa imagem do que será pertencer ao exército chinês sem precisar de o anunciar como um panfleto patriótico ao estilo do que é costume no cinema americano, o que não deixa de ser estranho pois realmente a parte final deste filme poderia ter descambado numa total apologia óbvia do regime chinês e de como tudo é bom no seu exército.
Portanto, ponto positivo, a maneira como contorna o mais que pode, a evidente “influência” do regime político a que este filme pertence e nos apresenta um filme sobre pessoas.

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[“Assembly“] pode ser um filme sobre pessoas, mas também é um filme sobre muitos bocadinhos de pessoas, pois o que não falta nisto são pessoas aos bocados. Há para todos os gostos, pessoas estripadas, pessoas a arder, pessoas decepadas, pessoas que explodem e cabeças que voam. Tudo isto regado a baldes de sangue e tripas com o aspecto mais real que alguma vez vi num filme sobre guerra.

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Se gostaram dos primeiros vinte minutos do Soldado Ryan pela sua crueza e violência preparem-se para levar com o mesmo elevado ao cubo mas agora durante mais de 70 minutos quase seguidos (com as devidas pausas dramáticas para descansar o espectador claro está).
[“Assembly“] impressiona.
Quem pensa que já viu tudo no que toca a sequências de batalha pode preparar-se para ficar impressionado. Este é um daqueles filmes que é de ver para crer e ainda não sei se os chineses não terão morto metade do elenco para filmar as cenas de guerra que esta obra contém.
Este é mais outros daqueles filmes perfeitos para vocês mostrarem áquele vosso amigo que ainda pensa que só se fazem cenas de acção e efeitos especiais a sério em Hollywood.

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Básicamente conta a história de um único soldado que sobreviveu a uma grande batalha e passou os seguintes anos da sua vida a tentar provar que todos os seus homens foram esquecidos pelo regime chinês. A batalha foi tão violenta que se perderam todas as provas de que um batalhão de homens alguma vez terá participado nela e como tal tudo gira á volta do que se passou para que depois um único homem tenha conseguido contra tudo e contra todos sózinho elevar todos os seus soldados perdidos á categoria de herois nacionais.

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Quem já pensa que revelei demais, se calhar é melhor ver então o filme, pois estranhamente este é mais um daqueles em que o espectador nunca tem bem a certeza de quem vai morrer e muito menos de quem serão “os herois”, porque essencialmente [“Assembly“] apesar de ter características de blockbuster felizmente não tem de forma nenhuma a estrutura que costumamos encontrar no cinema americano do género.

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Por causa disso pode provocar até alguma estranheza no espectador, porque depois de duas primeiras partes absolutamente espectaculares em termos de sequências de batalha, baldes de sangue e efeitos especiais, subitamente o filme entra por uma última parte bastante calma, intimísta e até algo poética.
Sendo assim aproveitem bem os primeiros 80 minutos de porrada absolutamente hipnótica e espectacular, mas preparem-se para uns últimos 40 ou cinquenta de cenas bem mais calmas e essencialmente dramáticas que concluem toda a demanda de um só homem para resgatar a reputação de dezenas de soldados perdidos.

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Já agora, nota alta para os actores e em especial para o protagonísta da história que tem um daqueles desempenhos que ficam na memória até muito mais do que os próprios efeitos especiais absolutamente impressionantes deste filme e portanto até aqui [“Assembly“] consegue muito bem equilibrar a pirotécnia com o humanismo em que assenta uma história que pode até exaltar os valores humanistas de pessoas que nasceram debaixo de um regime comunista mas que numa última análise conta a história de todos os soldados do mundo.

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CLASSIFICAÇÃO:

Possivelmente o filme de guerra com as cenas de batalha mais espectaculares que poderão ver na vossa vida até este momento. Quem acha que o – Saving Private Ryan – teve uns 20 minutos iniciais impressionantes, esperem só até verem os 70 “minutos iniciais” de [“Assembly“].
Nota alta para o som do dvd que quase nos faz baixar a cabeça e desviar-nos das balas a todo o instante.
Um filme visualmente muito complexo em termos técnicos mas que nunca esquece o humanismo dos personagens e consegue manobrar habilmente por entre ideologias políticas apresentando-nos um filme sobre o soldado universal e os efeitos da guerra sem nos atirar directamente com um filme-panfleto a exaltar virtudes do exército chinês. Não deixa de ser um inevitávelmente um filme panfletário que tenta humanizar o exército vermelho mas nunca nos tenta impingir nada e consegue ter um tom universal.
Recomendo completamente.
E se gostarem mesmo de filmes de guerra então podem acrescentar mais meia tigela de noodles á minha classificação e até um Golden Award pois [“Assembly“] é um dos melhores filmes de guerra do mercado, ponto final.
Se estão a pensar comprar um projector, este é um daqueles filmes que justifica tal compra e será o dvd perfeito para o estrearem, pois isto no meu ecranzinho de mais de trés metros é absolutamente brutal (com surround a condizer) !
A minha classificação é mais dirigida a todos aqueles que como eu se calhar ainda pensam que nem gostam muito de filmes de guerra…sendo assim, quatro tigelas e meia de noodles, talvez até algo injustamente.

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A favor: o humanismo dos personagens suplanta sempre o eventual tom panfletário de apoio ao regime chinês, a realização é absolutamente incrivel nas cenas de acção e perfeitamente contida no segmento final mais intimista e dramático, as cenas de batalhas são absolutamente reais e até vão ter que limpar as cinzas de cima de vocês, os personagens e a incerteza sobre o seu destino, casting e interpretações , banda sonora, cenografia a condizer com uma fotografia perfeita, a montagem nas cenas de guerra é perfeita, o sentido de espectáculo que nunca se perde, os fabulosos efeitos especiais, nunca perde a carga dramática e o seu final intimista embora algo desconcertante depois de vermos quase hora e meia de bombas e tiros é no entanto muito bom.
Contra: quem espera um filme de aventuras não o irá encontrar aqui, algumas pessoas poderão achar a parte final algo lenta e deslocada especialmente depois de verem tanto tiro o bombas e socos nas trombas durante mais de 70% do filme, o inevitável estilo panfletário está presente embora plenamente contido.

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NOTAS ADICIONAIS:

TRAILER
http://www.youtube.com/watch?v=8KJKgAefkwA

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COMPRAR
Esta excelente edição Inglesa ainda continua a um preço fantástico na Amazon Uk. Comprem o DVD.

Se preferirem o Blu-Ray…está a um óptimo preço também e quanto a mim é de aproveitar.

E para quem quiser espreitar o filme antes, encontra-o no blog do Asian Space se clicar aqui mas não esperem levar aquele impacto que levariam se vissem isto com um som como deve de ser em dvd ou blu-ray…

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0881200/

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Tau ming chong (The Warlords) Peter Chan . Way Man Yip (2007) China


Estou de regresso embora ainda não a cem por cento. Devido á avaria do meu computador deixei muito trabalho de design para trás e tenho que o terminar antes de me voltar a dedicar sériamente a isto dos blogs.
Mas…
Como comprei umas novidades, não podia deixar desde já de recomendar o filme seguinte.

Na minha opinião este filme contém á partida duas coisas que o tornam imeditamente numa obra a espreitar por quem gosta de grandes épicos de guerra com sabor oriental.
Primeiro, apesar de [“The Warlords“] se situar históricamente mesmo já no final do século XIX, o espectador esquece-se por completo desse facto pois é impressionante como toda a atmosfera nos transporta para um ambiente medieval. O que não deixa de ser estranho pois é bem curioso pensarmos que na mesma altura em que toda esta história se passa na China, já o ocidente estaria a entrar em tudo aquilo que tomamos por referência relativamente ao que conhecemos do mundo moderno.
Encontrarmos então um filme situado a poucos anos do século XX e onde os seus protagonistas passam o tempo todo a lutar em sangrentas batalhas usando lanças e espadas medievais é algo particularmente interessante se pararmos para pensar no assunto, o que ainda torna o filme ainda mais cativante.

A segunda coisa pelo qual recomendo vivamente [“The Warlords“] é precisamente pelas batalhas.
Se tal como eu, vocês já estão fartos de ver guerras animadas em CGIs made-in-hollywood, irão encontrar neste filme chinês o antídoto perfeito, pois tudo aqui está feito á moda antiga e o resultado é uma das mais realísticas e sangrentas batalhas que possam imaginar. Violenta, politicamente incorrecta e completamente crua e espectacular com baldes de sangue quanto baste e um par de decapitações á mistura para animar as coisas.

Ao contrário do que acontece nos blockbusters americanos, desta vez a grande batalha do filme ocorre practicamente logo no início da história mas garanto-vos que não é por isso que irão entusiasmar-se menos com ela.
É que ainda por cima todos os soldados que poderão encontrar na imagem não são bonequinhos feitos em computador mas sim 5000 gajos de verdade, pois se há uma coisa de que a china pelo visto não tem falta é de figurantes para filmes de guerra e a julgar pelo que se pode ver neste [“The Warlords“] cada vez encena melhor grandes batalhas com milhares de pessoas reais para divertimento de todos nós que já estamos fartos de tanto plástico americano.

Mas nem só de grandiosas cenas de batalha vive [“The Warlords“].
Todas essas sequências são memoráveis e do melhor que poderão encontrar actualmente no grande ecran, mas na verdade não seriam nada se os personagens fossem um vazio e felizmente isso não acontece de todo.
Quem procurar apenas um filme de porrada é melhor não esperar muito mais além das primeiras batalhas pois a partir desse momento a história deixa de se centrar na espectacularidade das cenas de guerra e passa a ser acima de tudo sobre os efeitos da mesma nas pessoas que a vivem ao longo de anos a fio.
Na verdade um dos grandes trunfos de [“The Warlords“] é que consegue equilibrar muito bem a espectacularidade de um blockbuster de guerra com o intimismo de um drama pessoal e para isso conta com um argumento que não esquece os personagens mesmo quando se calhar o filme até nem pedia mais do que um par de boas cenas de guerra.

Como habitualmente não revelarei grande coisa da história, mas [“The Warlords“] é essencialmente uma história de amizade entre trés homens que sempre viveram pela violência e sobre as consequências dessa mesma violência nas suas vidas e na história da própria China.
Um dos grandes trunfos desta obra está precisamente na forma como explora a personalidade de cada um dos personagens e com isso nos dá trés perspectivas sobre uma guerra (que poderia ser qualquer uma) e que no fim nos deixa a pensar mais do que esperariamos, pois mais uma vez o oriente conseguiu produzir um filme sem maus nem bons e que acaba por ser sempre muito mais do que apenas um espectacular filme de guerra.
Não há herois neste [“The Warlords“] e quando muito se tiver vilões estes serão representados pelos fabulosos (e simples) personagens dos trés velhos políticos que na realidade se formos a pensar bem, são os verdadeiros “senhores da guerra” que dá titulo ao filme.

E como não podia deixar de ser (afinal isto é um filme oriental) ainda temos direito a uma simples mas boa história de amor que serve de contraponto aos trés personagens masculinos e consegue inserir um ambiente ainda mais humano, pois é um segmento dramático que não se perde porque acima de tudo acaba também por ser utilizado para dar a perspectiva feminina sobre a guerra de uma forma subtil que contribui perfeitamente para o equilibrio do resto do filme. Se calhar até seria desnecessária, mas não é algo metido a martelo e muito menos segue os habituais clichés de triangulo amoroso que encontrariamos de certeza se isto fosse um filme made-in-hollywood.
Mais uma vez, os orientais conseguem criar uma história de amor sem nunca entrarem pelos habituais diálogos estilo telenovela. Aliás, não há qualquer diálogo estilo “i love you” durante as cenas mais emocionais e nem precisa pois está tudo nas imagens e na maneira como o realizador filma essencialmente as emoções. Não será própriamente uma história de amor inesquecível mas enquadra-se perfeitamente dentro do filme e permite a Jet Li um registo dramático a que não estamos muito habituados a vê-lo interpretar.

Ao ver [“The Warlords“] fiquei com a certeza de que existem dois Jet Li. Aquele que estamos habituados a ver fazer papeis de cartão nos filmes americanos e o Jet Li actor que é capaz de apenas com a sua presença encher o ecran e fazer-nos mergulhar num personagem esquecendo por completo o seu intérprete como acontece neste filme.
Aliás, além das mágnificas cenas de guerra, este filme vale essencialmente pelos actores pois até o mais secundário tem o seu momento de destaque e contribui para que o argumento resulte tão bem.
Até mesmo eu, que não sou própriamente um grande interessado em filmes sobre intriga política de bastidores não pude deixar de gostar muito desta história pois acho que na verdade [“The Warlords“] não deve ter um único personagem que não nos agarre e nos faça importar com ele a partir do momento em que entra em cena.
Acima de tudo o filme conta uma boa história e merece ser visto e revisto por muito boas e variadas razões sendo um daqueles filmes que de certeza irá agradar a muita gente apesar da sua violência gráfica e psicológica até.
Já o vi duas vezes e aconteceu-me gostar ainda mais dele ao segundo visionamento, porque se calhar da primeira vez que o vi não estaria á espera da estrutura do filme ser como é e da segunda vez já me consegui abstraír totalmente e simplesmente apreciar o filme pelo que ele realmente é.

Nota positiva também para a banda sonora que é simplesmente mágnifica apesar de conter um momento particularmente curioso pois a determinada altura numa cena de guerra, macacos me mordam se aquilo não é a música do “Piratas das Caraíbas” tocada ligeiramente num compasso ao lado…
Os efeitos especiais são do melhor que poderão encontrar e tão bons que vocês nem se vão lembrar que existem efeitos especiais neste filme, pois tudo tem uma atmosfera clássica fantástica até mesmo na forma como os meios técnicos foram usados para criar as cenas mais espectaculares.

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CLASSIFICAÇÃO:

Um dos melhores filmes de guerra que poderão encontrar no mercado actualmente.
No entanto, apesar das espectaculares cenas de batalha,  [“The Warlords“] não é um filme de acção ou aventura por isso que estiver á espera de algo do género poderá não lhe dar o devido valor.
É um filme mais sobre a guerra, do que própriamente -de guerra- e portanto muito assente na relação entre os personagens e não própriamente numa estrutura de filme de porrada ou aventura. Essencialmente se alguma vez houve um “Braverheart” oriental digno desse título  [“The Warlords“]  é esse filme e portanto se gostaram da obra de Mel Gibson não se podem enganar com este filme oriental pois o espírito é essencialmente o mesmo. Mas este tem mais sangue no ecran.
Este é o típico filme que nós vemos e pensamos porque raio é que em vez de se encherem salas de cinema de centro comercial com -“Múmias 3”- não se lança um filme destes por cá, pois podem ter a certeza que isto bem publicitado iria ter tanto sucesso quanto o “Braveheart” teve.
Já agora outra nota importante, apesar do ambiente “medieval”  [“The Warlords“] não é um filme no estilo -Wuxia- ou seja, não é um daqueles filmes de fantasia orientais com combates aereos ou muito baseados em acrobacias com fios.  [“The Warlords“] é um filme de guerra com espadas, membros decepados e muitos baldes de sangue com os pés bem assentes na terra. Em todos os sentidos.
O filme perfeito para convencer aqueles que ainda pensam que filmes visualmente espectaculares só podem vir da América e um daqueles com que os chineses podem chegar junto de Hollywood e dizer : -“vêem, é assim que se faz.” pois [“The Warlords“] é a prova que um filme cheio de acção, violência e efeitos também pode ter alma e não precisa ser um pedaço de plástico só porque é um filme comercial.
Não tem o visual sumptuoso de um “Curse of the Golden Flower” mas também não precisa.
Cinco tijelas de noodles e um Golden Award porque este é um daqueles obrigatórios em qualquer dvdteca, especialmente se gostarem de épicos históricos e se interessarem por histórias de guerra bem contadas.

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A favor: a inteligência do argumento, a realização, as cenas de batalhas absolutamente reais, os personagens, casting e interpretações , banda sonora, cenografia a condizer com uma fotografia perfeita, a complexidade da narrativa, a história de amor, o sentido de espectáculo que nunca se perde e os fabulosos efeitos especiais “invisíveis”.
Contra: quem espera um filme de aventuras não o irá encontrar aqui, mas isto nem sequer é própriamente algo negativo. De resto não me lembro de nada a apontar que seja algo realmente mau neste filme…talvez não tenha uma história particularmente original mas também nem precisava de a ter para ser o excelente filme que é.

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailers
http://www.youtube.com/watch?v=ok_5CKAOch8
http://www.youtube.com/watch?v=wK_iBqODSkw&feature=related

Comprar
A que eu tenho é esta Ediçao de 3 discos onde o filme está estranhamente dividido em dois apesar de ter apenas pouco mais de duas horas.
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-6x-77-2-49-en-15-the+warlords-70-2vy1.html
No entanto a qualidade de imagem é fantástica e o som absolutamente mágnifico até mesmo na pista de 5.1 normal embora contenha também uma faixa DTS.
O terceiro disco contém excelentes documentários de making-of que vale a pena ver e esta edição vem ainda com um bom comentário audio para o filme.
Todos os discos estão legendados em inglés tanto no filme como em todos os extras por isso se gostam de filmes deste género têm aqui uma edição daquelas que vale mesmo a pena comprar. ´
É barata e vem numa caixa fantástica com personalidade apesar do estilo digipak que pode desagradar a alguns. Contém também um livro em papel fotográfico com dezenas de fotos que é desnecessário mas  por outro lado é sempre um brindezinho interessante para compor esta edição já de si excelente e muito recomendável.

Em alternativa encontram já na AMAZON.UK excelentes edições deste filme com tudo e mais alguma coisa também no que toca a extras. Tendo em conta o preço recomendo que escolham qualquer uma destas edições.

The Warlords – Edição DVD de 1 disco.

The Warlords – Edição DVD de 2 discos.

The Warlords – Blu-Ray

PS: Se encontrarem a edição Portuguesa á venda num supermercado fujam !
A edição Pt é mais uma daquelas onde falta uma boa parte da imagem dos lados, por isso meus amigos…comprem na Amazon Uk…

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0913968/

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The Myth The Promise

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