Uchû daikaijû Girara (The X from Outer Space) Kazui Nihonmatsu (1967) Japão


Quando um filme de ficção científica mete um OVNI que é uma tarte de maçã, a gente percebe logo que este só pode ser um filme dos anos 60 onde certamente a droga seria de boa qualidade e distribuída de borla pelo japão, pois só isso justifica a existência de:

Depois de ver um drama tão melancólico quanto “Failan“, achei que seria melhor descomprimir um pouco e lembrei-me que ainda não tinha visto [“The X from outer space“], mas provavelmente teria sido melhor ter estado quieto pois acho que ainda não recuperei do choque cultural.
Até eu que adoro filmes lixo e sci-fi clássica acho que não estava preparado para esta obra prima do “coiso que veio do espaço” e como tal agora não consigo tirar as imagens do filme da cabeça o que certamente não será muito bom para a saúde.

Quando eu pensava que “The Green Slime” seria o exemplo máximo da ficção-científica ultra pirosa produzida nos anos 60, eis que descubro que o Japão um ano antes se tinha superado a si próprio ao produzir algo realmente inclassificável que é um verdadeiro teste á paciência do espectador mais desprevenido e provávelmente não é mais conhecido porque metade do público se deve ter suicidado antes do filme acabar.
Até quem gosta dos clássicos Godzilla vai arrepiar-se até á medula com este clone genialmente mau a um nível que ultrapassa qualquer crítica humanamente reproduzível por palavras.

Se a mãe de Godzilla tivesse sido violada por um caracol gigante fruto de uma relação extra-conjugal do seu pai com uma galinha no cio, o resultado teria sido o monstro presente em [“The X from outer space“] pois este será porventura o pior criatura cinematográfica alguma vez criada. O detalhe das anteninhas a dar-a-dar é absolutamente notável o que só comprova como o LSD no japão estaria também bastante divulgado por alturas dos anos 60.

Quando pensamos que precisamente na mesma altura em que [“The X from outer space“] e também “The Green Slime” estariam a ser filmados, Stanley Kubrik estava a construir o seu “2001 Odisseia no Espaço” começamos a acreditar que se calhar a existência de realidades pararelas não será algo tão estranho assim de conceber nas nossas mentes.
[“The X from outer space“] é demasiado mau para ser verdade. Até dentro do cinema mesmo mau, este filme é mau como o raio ! Logo é bom. Genialmente bom, porque é mau a um nível que não tem classificação. Perceberam ?
E é groovy meus ! Totalmente grooooooooooovy baby !!

Algures no futuro nós até temos bases na lua e tudo e estamos agora a tentar chegar a Marte. Todas as nossas expedições para alcançar o planeta vermelho falharam por motivos misteriosos e por isso nada melhor do que voltar a tentar de novo, mas desta vez usando uma tripulação completamente imbecil para tripular a nave.
[“The X from outer space“] terá possívelmente o pior conjunto de personagens que alguma vez apareceu numa aventura espacial e logo é de visão obrigatória porque essencialmente isto é mesmo de ver para crer.

Nada falta aqui, o piloto heroico mas que não serve para nada, a cientista genial mas que é totalmente loira burra, o técnico espacial sem jeito para o stand-up mas que supostamente será o palhaço da tripulação e tudo o mais que imaginam e também o que não conseguem imaginar.
Quando vão a caminho da lua metade da aventura gira á volta do médico da tripulação que se sente mal porque não faz ideia que pode enjoar no espaço, o que demonstra logo de início  o nível de inteligência e realísmo deste argumento.
Claro que a partir daqui as coisas só poderiam descambar ainda mais.

Chegados á lua, o que a malta quer é curtir.
Estão de partida para a missão mais importante da humanidade, mas o pessoal está mais interessado em participar em novas festas , adivinharam, – totalmente groovy – que pelo visto ocorrem regularmente na Lua a todo o instante onde o que interessa é engatar gajas e confraternizar em ambientes lounge podres de swinging sixties a fazer inveja ao pior visto em Austin Powers.
Pelo meio temos ainda umas cenas com saunas e quando tudo isto acaba os nossos herois regressam á nave para continuar a missão a Marte, coisa pouca, mas desta vez sem o médico que ficou para trás porque pelo visto enjoava muito no espaço.

As chefias á última hora voluntariam um outro gajo lá na Lua para substituir o médico e que fica muito aborrecido por ser obrigado a participar naquela missão histórica, isto  porque a mulher estava á espera dele em casa e ficará muito chateada se ele tiver que passar por Marte antes.
Como resultado este génio passa o segmento seguinte da aventura a fazer os maiores disparates a bordo da nave porque está farto daquilo e quer é voltar para casa rápidamente porque senão ainda arranja problemas com a esposa. O que inclui passar-se dos carretos e tentar acelerar a nave á força para regressar á Lua mesmo percebendo tanto de pilotagem como pelo visto o médico anterior perceberia de medicina.
Resultado pifa o carburador da nave.

As coisas complicam-se quando aparece a torta voadora, perdão, o OVNI que insiste em passear pelo espaço sem qualquer razão plausível e atacar todas as naves vindas da terra penduradas em fios que tentam chegar a Marte; disparando-lhes…coisas…
Este faz umas razias por perto da nave dos nossos herois, anda de um lado para o outro e deposita uns esporos no tubo de escape que são depois recolhidos e trazidos para bordo por astronautas pendurados em cabos contra um cenário de cartão.
Entretanto a Lua envia uma outra missão de salvamento para recuperar este bando de imbecis que saltam, pulam de contentamento e acenam para os ecrans de televisão como colegiais no cio de cada vez que a jovem Michiko aparece na imagem como se nunca a tivessem visto na vida ou esta fosse a melhor visão do mundo.
A jovem Michiko será certamente a mãe da Sandra Benes do Espaço 1999 pois a semelhança é notável. Outro dos pontos altos deste filme no que toca a personagens.

A seguir, voltam todos para casa nada chateados pela missão a Marte ter falhado outra vez e para descomprimir vão para outra festa groovy beber mais uns cocktails, embora pelo estilo do filme cá para mim aquilo contenha umas pastilhas ilegais pelo meio.
Antes disso assistimos a uma das melhores cenas científicas que alguma vez poderão encontrar no cinema de ficção científica e onde a loira burra (a melhor cientísta da tripulação) com umas colheres analisa em cima da mesa do escritório lá do chefe  os tais esporos que trouxeram do espaço numa breve cena com toda a gente á volta sem qualquer protecção ou cuidado especial.
No entanto, esta cena científica não demora muito,  porque afinal o pessoal não se pode atrasar para a festa seguinte e deixa a experiência a meio com a primeira prova de vida extraterrestre lá abandonada á sua sorte no escritório porque a curtição chama mais alto que a ciência.
O facto de haver um mistério á volta de um OVNI e de se ter comprovado a existência de vida extraterrestre parece nem ter grande interesse quando comparado com a importância de se ir beber uns copos com as amigas.

Resultado os esporos transformam-se numa galinha gigante que destroi Tokio e metade do Japão, há muita porrada pelo meio, inúmeras maquetes e brinquedos são estilhaçados e o monstro é abatido no final; reduzido a esporos e devolvido ao espaço quem sabe á espera de uma sequela, (que parece existir e tudo).
Não sem antes assistirmos a uma das melhores perseguições de sempre da história do cinema com a galinha gigante atrás de um jipe pelas estradas do Japão num momento de tensão tão tenso que acho que ainda não consegui fazer os músculos que controlam o sorriso voltar á posição natural até este momento.
Aposto que o Spielberg viu este filme, pois esta cena faz lembrar intensamente as melhores cenas de acção de “Os Salteadores da Arca Perdida”, naquela sequência com Indiana Jones á porrada por entre carros e camiões em movimento. Mas isto se calhar sou eu que já tenho o cérebro afectado. Não liguem.
Quanto ao OVNI em forma de tarte de maçã, isso também não interessa para nada mas se vocês quiserem comprar galinhas gigantes recomendo que o procurem algures entre Marte e a Lua no local habitual.

Resumindo, [“The X from outer space“] é um filme incrível. É tão mau que não há classificação possível, mas ao mesmo tempo se calhar é um daqueles que merece cinco tigelas de noodles e um Golden Award pois é realmente uma experiência única dentro deste género de filmes. Por outro lado, se calhar talvez não…
Mesmo quem pensa que já viu tudo o que seria possível de se fazer de mau dentro do estilo japonês de Godzilla, se calhar pensa assim porque ainda não viu isto.
E é melhor ver, porque uma formação cultural nunca estará completa sem a inclusão deste título na vossa memória cinéfila, pois será possívelmente o Casablanca do cinema lixo japonês do final dos anos 60 e um titulo que faz com que “The Green Slime” , “War in Space“, “Message from Space” ou “Bye Bye Jupiter” pareçam ser filmes sérios e totalmente científicos.

Vejam OVNIS em forma de tarte, vejam naves penduradas com fios, vejam uma galinha gigante sem penas com anteninhas de caracol, vejam actores a flutuar em cenas com anti-gravidade saltando em camas elásticas escondidas atrás das crateras de cartão nos cenários, vejam como afinal Tokio é toda feita de cartão, vejam como alguém deu novo uso aos seus tanques de guerra e carrinhos de infância para fazer efeitos nada especiais, vejam os piores e mais descontraídos herois que alguma vez apareceram num filme de destruição apocalíptica e vejam outro filme cheio de actores americanos totalmente desconhecidos filmado no japão.

E por falar nisto…
O que raio é que se passou no Japão nos anos 60 para haver tanto americano a fazer de heroi em filmes de ficção científica japoneses da altura ?!!
Os americanos não tinham bombardeado o país ainda há pouco mais de vinte anos atrás ?! De onde surgiu esta moda de dotar estas super-produções orientais com montes de péssimos actores americanos ou ocidentais que nunca vimos em mais lado nenhum ?!!  Seriam ex-prisioneiros de guerra do Japão obrigados a entrar no cinema pós-guerra japonês como castigo ?
Há algo que me escapa da história do cinema de FC oriental desta época e tenho que investigar isto melhor pois esta coisa dos ocidentais com papeis de destaque nas aventuras espaciais japonesas desde os anos 60 até aos 80 é algo que me ultrapassa  por completo e de que só me lembro nestas alturas.

E por falar em anos 60, o horror não estaria completo sem falar na música deste [“The X from outer space“].
Não há palavras !

——————————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO:

Possívelmente o melhor filme da história do mau cinema.
Só a musiquinha da banda sonora vale a agonia de o tentarem acompanhar até ao fim, embora se recomende a sua visão estando podres de bêbados antes. E se notarem que a banda sonora se repete constantemente não é efeito do alcóol.
Uma tigela e meia de noodles porque até mesmo dentro do cinema-lixo é mau demais para ser verdade e no cinema de culto será uma espécie de anti-filme-de-culto e por isso de culto obrigatório, se é que isto faz algum sentido.

noodle2.jpg

A favor: é o pior clone do Godzilla de todos os tempos, tem uma galinha gigantes que destroi cidades de cartão, tem naves penduradas com fios, tem um elenco internacional cheio de actores atrozes, tem cenas na lua todas cool, tem montes de maquetes e cenários contruidos com brinquedos de plástico, tem uma estética toda groovy, tem a banda sonora mais deslocada de sempre num filme de ficção científica com um par de canções que os fará arrepiar até á medula e nunca mais deixará de ressoar nos reconditos do vosso cérebro, tem os piores personagens de que há memória numa aventura espacial, tem naves com fios, tem uma tarte de maçã que viaja pelo espaço, é mau demais para ser verdade.
Contra: a primeira metade tem montes de personalidade kitsh mas depois quando a galinha gigante começa a destruir tudo o filme repete-se como o raio até ao final, tem pilhas de personagens que não têm nada para fazer no filme, muita maqueta destruida até á exaustão mas practicamente nenhumas cenas com população em pânico, quem não gosta de cinema-lixo ou não percebe a piada dos filmes de culto maus como o raio vai odiar este filme de morte, poderá causar danos irreparáveis ao cérebro.

—————————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=BpdpPdoQpDw

Comprar
Se aguentarem as legendas em espanhol, podem comprá-lo na Dvdgo.

Download com legendas em Inglés

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0062411

——————————————————————————————————————

Se gostou deste irá gostar de:

capinha_sayonarajupiter73x capinha_mesagefromspace73x x-bomber04_capinha capinha_warinspace73x

——————————————————————————————————————

Wakusei daisenso (War in Space – Guerra no Espaço) Jun Fukuda (1977) Japão


Rezam as crónicas que este filme asiático estreou nos cinemas em 1977 sete meses após StarWars ter surgido do nada e esgotado bilheteiras por todo o mundo.
O que não aconteceu própriamente com esta produção japonesa feita a todo o vapor.
A tanto vapor que até as naves ainda deitam fumo do escape quando voam pelo universo.
Parece que algures no Japão, alguém achou que seria possível criar de raiz em poucos meses algo que se pudesse bater comercialmente com o filme de George Lucas e o resultado foi este [“War in Space“] que inclusivamente teve honras de passar nos cinemas portugueses e tudo.

war-in-space08

[“War in Space“] é conhecido não só como o primeiro clone oficial de StarWars mas também como a space-opera que mais rapidamente foi produzida tentanto aproveitar o sucesso do género.
Se calhar ninguém melhor que os japoneses para conseguirem produzir um filme de efeitos especiais de forma quase instantânea e portanto este filme é um excelente exemplo do que um estúdio consegue fazer á pressa para tentar apanhar o barco de um sucesso contemporaneo e sacar também umas massas ao público que pede mais.

war-in-space09

Isto pode ser o primeiro clone de StarWars mas na verdade não se pode comparar pois apesar de ser também uma space-opera a nível de história não tem nem tenta ter nada a ver com a saga imaginada por George Lucas.
Felizmente que os produtores de [“War in Space“] sabiam que não tinham muito dinheiro e muito menos tinham tempo e portanto nem sequer tentaram recriar um universo muito fora da nossa realidade. Sendo assim este filme não se passa numa galáxia muito, muito distante, mas sim na nossa santa Terrinha que mais uma vez é invadida por uns extraterrestres maus.

war-in-space01

E não só são maus, como desta vez absolutamente rídiculos e hilariantes. Neste aspecto nota alta para o equivalente ao Chewbacca (?) que aparece em [“War in Space“] e quando vocês virem o gajo tipo boi com um machado de plástico enorme e uns cornos de envergadura a condizer vão perceber o que quero dizer.
Tudo é mau em [“War in Space“] e sendo assim tudo é bom e se calhar não poderia ser melhor porque na realidade seria dificil fazer pior. Nota alta portanto para tudo isto se é que me entendem.

war-in-space04

Na verdade este filme não é uma desgraça porque tudo nele é mau no que toca a argumento, interpretações ou efeitos especiais. [“War in Space“] fracassa apenas por causa de um pormenor.
Tinha tudo para ser um daqueles filmes genialmente maus totalmente recomendáveis mas comete um erro que na minha opinião lhe retira imediatamente muitos pontos valiosos. Leva bastante tempo até começar a aparecer no ecran aquilo que supostamente seria o seu propósito.

war-in-space05

Afinal, se este filme pretendia seguir as pisadas de StarWars, seria de esperar que não demorasse muito a nos mostrar cenas porreiras com muitas batalhas no espaço, tiroteios laser em corredores com os nossos herois encurralados, etc.
Acontece que o filminho não teve um orçamento por aí além e isso nota-se, pois o filme começa e até que se passe realmente alguma coisa divertida temos de esperar pelo menos uma meia hora.

war-in-space07

Até começar aquilo que o pessoal quer ver, (porrada espacial), o espectador leva com uma espécie de história de espionagem que envolve agentes secretos extraterrestres que se disfarçam de humanos, cenas de acção passadas em escritórios e cenários perfeitamente mundanos e corriqueiros e as inevitáveis tentativas de desenvolvimento de personagens que são um vazio absoluto pois nenhum dos personagens tem qualquer carísma ou interesse. Convenhamos, um tipo não foi ver [“War in Space“] para ver cenas com senhores de fato e gravata, diálogos políticos e escritórios banais.

war-in-space11

E por falar em personagens…o que raio se passava com o cinema estilo blockbuster japonês nos anos 70 ? Porque razão tinha sempre um elenco internacional que metia actores americanos absolutamente obscuros e cada um pior que o outro ? Tal como em “Bye-Bye Jupiter” também um dos pontos altos de [“War in Space“] é precisamente o facto desta história meter personagens americanos porque sim.

war-in-space06

Sendo assim o que dizer de tudo isto ? Este é um filme oriental muito estranho. Não se pode dizer que seja um filme de culto porque não é suficientemente divertido e leva algum tempo a desenvolver mas no entanto é um daqueles que vale mesmo a pena ser visto por quem se interessa pelo género space-opera.
Pelo menos a segunda metade do filme recomenda-se vivamente.
Mal os herois chegam a Venus e começa a porradaria espacial o filme ganha uma nova identidade e tudo aquilo que o pessoal adora odiar nestes filmes está presente.

war-in-space10

Vocês vão adorar as naves com fios, as batalhas espaciais com maquetes ridiculas e  as cenas de tiros em corredores. Além disso por qualquer motivo a heroína do filme quando é raptada alguém lhe vestiu uns calções curtinhos sabe-se lá porquê e portanto já estão a ver que [“War in Space“] é uma aventura espacial com classe.
E se vocês acham aque a coisa ainda não poderia ficar mais hilariante então é porque ainda nem viram o aspecto do vilão. Digo-lhes apenas que não será propriamente o Darth-Vader…

war-in-space02

Os cenários são típicamente japoneses, o guarda roupa é de ver para crer e os efeitos são tudo menos especiais.
Desenvolvimento de personagens não há. A não ser que conte a tocante (snif) cena em que o heroi gringo descobre que a família foi toda morta pelos bichos maus ou a parte em que o comandante da nave se resolve matar para salvar toda a gente.
Ooops, revelei o final da história…oh pá…

——————————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO:

Podia ter sido um filme de culto, mas tem pequenos aspectos desinteressantes que o impedem de ser realmente o filme divertido que merecia ter sido.
No entanto, apesar da minha baixa classificação é um daqueles filmes que merece ser visto pelo menos uma vez por toda a gente que gosta de aventuras no espaço.
Infelizmente não estamos na presença de um filme genialmente mau e é pena pois tinha tudo para ser um daqueles guilty-pleasures que temos vontade de rever vezes sem conta. De qualquer forma vale a pena espreitarem. No entanto se são bons clones do StarWars que procuram sugiro antes que espreitem StarCrash e Starchaser, longe do cinema oriental.
Duas tigelas de noodles porque é um pequeno filminho interessante mas não mais do que isso e porque é mais aborrecido do que tinha o direito e o dever de ter sido pois estamos na presença de uma verdadeira oportunidade falhada para terem criado um filme de culto.

noodle2.jpg noodle2.jpg

A favor: as naves horrorosas penduras com fios são geniais, tem um submarino espacial que parece um revolver gigante mas não serve para grande coisa e portanto é mágnifico, as naves deitam fumo do escape no espaço, tem um alien que parece um boi gigante e miudas em calções curtinhos sem qualquer motivo para tal, o vilão é de ver para crer pois faz qualquer personagem dos Power Rangers parecer a sério, visualmente tem uma atmosfera gráfica estranhamente agradável e com uma boa fotografia a condizer, tem porrada espacial e tiros por tudo e por nada a partir da segunda metade do filme, os efeitos especiais são do piorio e portanto são mágnificos, quem em criança viu isto no cinema em Portugal quando passou por cá no final dos anos 70 óbviamente vai querer mesmo rever isto.
Contra: foi feito á pressa para aproveitar a moda do sucesso de StarWars e nota-se, de todas as space-operas japonesas do final dos anos 70 esta é a menos interessante porque lhe falta carísma, se não deixarem o cérebro á porta vão detestar este filme em absoluto, poderia ter sido muito divertido mas nunca consegue atingir aquela categoria do “tão-mau-que-se-torna-genial” devido a tentar levar-se demasiado a sério quando não teve orçamento para isso, leva demasiado tempo até se tornar divertido, os personagens não têm um pingo de interesse ou carísma, ainda não percebi se o design é do piorio ou genialmente criativo, é impressão minha ou neste filme todos os cenários foram construídos em salas quadradas ?

——————————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS:

TRAILER
http://www.youtube.com/watch?v=HzTh_Z-AsDE

war-in-space03

COMPRAR
Eu tenho esta edição e recomendo a compra deste DVD. Técnicamente é excelente com uma óptima qualidade de imagem e um par de extras muito informativos sobre o making of do filme que valem a pena ser consultados.

Podem procurá-lo na net mas eu nunca o encontrei para sacar.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0076902/

——————————————————————————————————————

Se gostou deste poderá gostar de:

capinha_sayonarajupiter73x capinha_mesagefromspace73x x-bomber04_capinha

——————————————————————————————————————

Gwoemul (The Host) Joon-ho Bong (2006) Coreia do Sul


Já que da última vez recomendei de seguida trés histórias de amor orientais, agora para equilibrar as coisas vamos lá falar sobre um excelente filme com montes de pessoas muito bem mastigadas e também engolidas vivas.
Bem-vindos a [“The Host“].

Este filme tem sido comparado a “Jaws“, o clássico “Tubarão” de Steven Spielberg e embora na minha opinião não esteja de forma alguma ao mesmo nível é num entanto um excelente filme de monstros. Provavelmente mesmo o melhor filme de monstros desde o primeiro “Tubarão” e muito acima de qualquer outra coisa que tenha surgido vinda de Hollywood dentro do estilo Godzilla.
Já agora será melhor avisa-los desde já que também [“The Host“] vai ter em breve um remake made-in-usa por isso têm mais um motivo para se despacharem a ver este original o quanto antes.
Até porque [“The Host“] não é de forma nenhuma mais um “Godzilla” ao estilo Rolland Emerich e sim um filme bem mais original do que aparenta ser no trailer.

Para começar, se calhar é melhor avisar logo que o trailer pode enganar muita gente. [“The Host“], não é de forma alguma o filme oriental de acção frenética ao estilo blockbuster americano para mastigarmos pipocas que aparenta ser na apresentação.
Nem sequer o monstro é o centro da narrativa e logo isso vai ser suficiente para desiludir todos aqueles que esperam encontrar aqui algo semelhante a um puro filme de efeitos especiais á americana.
[“The Host“], não é um filme sobre um monstro que aterroriza uma cidade ou sobre um heroi que salva o mundo porque é o personagem principal do filme.  Este filme é essencialmente sobre uma familia como tantas outras e sobre a forma como esta se une para conseguir salvar um dos seus membros mais jovens das garras do monstro.
[“The Host“], deve ser o primeiro filme de monstros, cheio de efeitos especiais, que mantém uma característica muito intimista, pois acima de tudo é sobre os efeitos que uma tragédia pode ter numa família disfuncional e sobre aquilo que os seus membros fazem para se manterem unidos e com esperança quando o mundo á sua volta não lhes liga absolutamente nenhuma.

Um perigoso químico é negligentemente lançado ao rio que atravessa uma grande cidade da Coreia do Sul e provoca uma mutação numa das criaturas que lá habitam ao ponto desta crescer até um tamanho gigantesco e começar a alimentar-se dos habitantes locais.  De um dia para o outro estes dão por si a viver paredes meias junto a uma espécie de lula gigante com pernas e extremamente carnívora que ninguém consegue capturar por esta ser incrivelmente ágil e ninguém saber onde habita.
Mas como já disse, [“The Host“], não é sobre o monstro, pois este é apenas a razão para os personagens ganharem vida e como tal o filme conta a história de uma pequena família que tem um pequeno quiosque de comes & bebes junto ás margens do rio.
Essa familia é composta pelo avô, os seus trés filhos e uma neta adolescente filha de um deles. Neste caso, filha de um rapaz que tem uma clara limitação de inteligência e anda bem próximo do atraso mental.
Por causa dessa deficiência a sua esposa, mãe da adolescente um dia abandonou a familia e nunca mais ninguém soube nada dela.

Uma manhã, o monstro invade as margens do rio e rapta a miuda levando-a para o seu covil deixando não só a população da cidade em estado de sítio, como também a familia em desespero pois recusam-se a acreditar que a miuda tenha sido comida apesar de todas as autoridades o garantirem.
O resto do filme, é sobre a forma como toda a familia se une para procurar a miuda, sobre como o pai contorna a sua deficiência mental e se torna um heroi e como a sociedade se pode tornar num inimigo bem mais perigoso do que qualquer monstro quando uma pessoa tenta apenas fazer o que acha certo.
E se pensam que já viram tudo, só lhes posso dizer que pelo menos o final deste filme podem ter a certeza que não viram.
Aliás, aposto tudo o que quiserem em como a versão americana de [“The Host“], vai ter um final diferente.
E mais não conto.

Apesar deste filme oriental não ser propriamente um filme de aventuras com monstros ao estilo americano, isto não quer dizer que não tenha possivelmente algumas das melhores sequências com bichos que vocês viram até hoje.
Ao contrário do que é habitual na formula Hollywood, aqui a maior sequência de acção deste filme, está não no seu final cheio de pirotécnia digital, mas no início do filme.
[“The Host“], contém definitivamente a melhor sequência de pânico nas ruas dos ultimos anos dentro do cinema catástrofe. A longa cena de acção em que o monstro invade as ruas quando sai pela primeira vez do rio é simplesmente inesquecível para quem gosta de ver grandes massas humanas em pânico e a serem mastigadas, espezinhadas e comidas vivas a cada segundo.
E não pensem que isto é filmado ao estilo politicamente correcto de filmes de monstros para a familia, afinal isto ainda é um filme oriental ! Em [“The Host“], o que não falta é sangue e violência gráfica que leva este filme por caminhos a que não estamos habituados a ver e o dá um tom ainda mais realistico.
Afinal se isto fosse verdade e existisse mesmo um monstro assim a comer pessoas pelas ruas, certamente que sangue e tripas seria coisa que não iria faltar e nisto o filme está de parabéns, pois se tem que mostrar tripas e sangue, mostra mesmo.

A partir dessa longa sequência de acção inicial, o filme alterna entre o tom intímista com inúmeros momentos de comédia e drama ao melhor estilo coreano e o filme de suspanse típico dentro do género, até chegar depois á habitual sequência final que mesmo assim ainda contêm um par de coisas que ainda ninguém tinha visto e que os vão deixar tão enojados quanto divertidos.
[“The Host“], está polvilhado de pequenas cenas de acção, mas não é um filme-tipo do género. Não é um filme linear com um heroi central, mas sim um puzzle de personagens muito bem construidos e onde não existe o heroi típico a que estamos habituados a seguir nos filmes americanos. Todos os personagens são herois e todos têm o seu momento que contribui totalmente para o final único e original deste filme sem nunca perder a coerência.

[“The Host“], tem cenas emocionantes, cenas cómicas, cenas dramáticas, cenas nojentas com muita baba gelatinosa e efeitos digitais quanto baste obtendo com isso um resultado excelente.
O que não deixa de ser surpreendente porque o filme nem sequer tem um grande orçamento.
Perto das grandes produções americanas, [“The Host“], é um verdadeiro série-B sem dinheiro. De tal forma que até o filme teve muita poucas cenas em estúdio e foi quase todo filmado em localizações reais porque não havia dinheiro para grandes construções. Como resultado disto, até foram filmar para uma rede de esgotos real onde toda a produção teve de apanhar vacinas contra o tétano  e inclusive os actores filmavam metidos no meio dos dejectos com ratos mortos a lhes passarem por debaixo das pernas.
Está tudo no making off e vale a pena ser visto.

No entanto, olhando para o filme, ninguém diria que [“The Host“], não é a grande super-produção que aparenta ser. Os cenários são mágnificos (porque são reais), a fotografia não podia ser melhor dando um tom fantástico ás cenas passadas nos esgotos e os efeitos digitais são mesmo muito, muito bons contendo inclusivamente muitos pormenores originais.
Acima de tudo, é a prova de que o cinema comercial pode no entanto ser cinema a sério sem precisar de entrar pelos facilistimos plásticos que habitualmente vemos nos filmes-pipoca americanos.
[“The Host“], tem não só estilo, como ainda por cima tem alma. E segundo os actores que entraram nele, tem muito cheiro também.

——————————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO:

Cinco tigelas de noodles completamente á vontade.
Se calhar estou a cometer uma injustiça não lhe atribuíndo também um Gold Award, mas a verdade é que acho que apesar de ser um filme excelente faltou-lhe ainda qualquer coisa que não sei bem explicar. A verdade é que apesar de me ter divertido, a parte dramática não me emocionou particularmente e por isso este nem sequer seja um daqueles filmes que me apetece sempre rever. Portanto se não é um daqueles que quando penso nele não me apetece reve-lo de imediato então não lhe atribuo um Gold Award.
Mas só por isso, porque de resto recomenda-se vivamente e é definitivamente indispensável para quem gosta de filmes com monstros e cenas de multidão em pânico no meio de muito sangue.
Por outro lado, também não vão á espera de um puro filme de terror, pois este é essencialmente um filme de monstros.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg

A favor: as cenas de pânico iniciais são fantásticas, o monstro, os actores e os seus personagens, as situações em que se envolvem, o tom de comédia negra por vezes hilariante mesmo quando não deveriamos rir (a cena do funeral), as cenas de acção, o estilo visual do filme, a realização, a fotografia, é um blockbuster com alma, o final original e inesperado do filme.
Contra: não me ocorre nada, embora ache que lhe falta qualquer coisa que me faça ter vontade de estar sempre a revê-lo.
Quem espera o típico filme de acção á americana também pode sair desiludido, pois o estilo do filme é bem mais intimista do que aparenta no trailer.

——————————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS

Trailer Coreano
http://www.youtube.com/watch?v=bNbZE8NX0nk
Trailer Internacional
http://www.youtube.com/watch?v=hJnq9sm4Zxk&feature=related

Comprar
Eu tenho esta excelente edição Uk, em dois discos com excelente qualidade de imagem, som a condizer e muitos extras sobre todo o making of do filme. Aproveitem os descontos da Amazon para o cinema asiático. 😉

Se quiserem podem optar pela edição de 1 disco em DVD ou em vez disso comprarem o Blu-Ray, tudo bem baratinho.

No entanto este parece ser um daqueles raros filmes orientais que por acaso até tem uma excelente edição portuguesa, que aliás, parece ser idêntica á edição inglesa que eu tenho.
Podem encontrá-la aqui.
http://www.precos.com.pt/filmes-dvd-c3452/the-host-a-criatura-p22313582.html

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0468492/