“KEEPER OF DARKNESS” (“Tor dei gui mou yan”) Nick Cheung (2015) China


Este será mais um post em paralelo com o meu blog sobre cinema esquecido porque é inevitável visto estarmos a falar de um filme que irá passar ao lado de practicamente toda a gente.
É também o título perfeito para começarmos em grande este ano de 2017 aqui no blog.
Enquanto meio mundo há algum tempo atrás andava horrorizado a discutir quão mau era, ou iria ser o novo filme “Ghostbusters” eu descobria um dos filmes sobrenaturais mais surpreendentes dos últimos tempos, [“KEEPER OF DARKNESS”].

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E o que tem uma coisa a ver com a outra ? Bem…
Pessoalmente nunca hei de entender a fama de “Ghostbusters” e só encontro explicação para o sucesso por ter sido um dos filmes mais carregados de efeitos especiais a aparecer numa época em que os efeitos eram uma novidade nunca vista naqueles moldes e levavam muita gente ás salas só para verem raios e explosões animadas quanto baste pois os blockbusters modernos ainda estavam na sua infância e eram por isso uma novidade.
Nunca fui minimamente fascinado pelo franchise “Ghostbusters”, em 1984 não me disse grande coisa (mesmo tendo-o visto no cinema aos 14 anos) e para lá de achar o conceito muito original sempre detestei aqueles personagens.
O facto de hoje o filme tresandar ao pior dos anos 80 em termos de Hollywood ainda agravou mais o meu desprezo actual de todas as vezes que ao longo dos anos o tentei rever. Para mim “Ghostbusters” para mim sempre foi um franchising frustrante, pois sempre achei que haveria por ali algures uma boa história bem mais criativa para ser contada e há muito tempo que eu pensava que aquele conceito sobrenatural com fantasmas e caçadores de espíritos poderia ser algo divertido.
Por isso gostei agora tanto de [“KEEPER OF DARKNESS”]

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[“KEEPER OF DARKNESS”] é o “Ghostbusters” sério ( e a sério ) que eu sempre achei que deveria ter sido feito.
Não porque [“KEEPER OF DARKNESS”] envolva um grupo de “super-heróis” quotidianos que cacem fantasmas mas porque esta aventura Chinesa também é toda construída à volta da ideia de que partilhamos o nosso quotidiano com almas penadas; apenas não as conseguimos ver.
Nós não, mas algumas pessoas sim.
E [“KEEPER OF DARKNESS”] gira precisamente à volta de uma dessas pessoas; um tipo com capacidades –mediúnicas– que volta e meia vê-se envolvido em confrontos e exorcismos com todo o tipo de ectoplasmas chatos como o caraças que insistem em possuir ou assombrar o cidadão comum.

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Mas não pensem que o nosso herói aqui é uma espécie de versão masculina da personagem “Melinda Gordon” na série “Ghost Whisperers” empenhada em ajudar alminhas perdidas. Aqui o nosso exorcista de serviço – Fatt – tem conecções à máfia de rua de Hong-Kong, é amigo de um bando de vândalos mafiosos que percorrem as ruas “mafiando” ao mesmo tempo que tentam praticar algumas boas acções pelo caminho também; ( porque é bom para o Karma ) e vive com o fantasma de uma miúda que não quer partir “para o Outro-Lado” porque está apaixonada por ele e não quer ainda reencarnar.

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Tudo isto quando pelo meio de um par de exorcismos que correm de forma irregular Fatt detecta que apareceu nas ruas um novo espírito sedento de vingança e que pretende eliminar um por um todos os exorcistas das redondezas até chegar à pessoa responsável pela sua morte anos atrás num incêndio.
Para ajudar à festa, temos ainda o ajudante de Fatt, uma espécie de mafioso de quinta categoria em estilo-fashion-mete-nojo-hilariante mas que quer desesperadamente conseguir tornar-se também num exorcista e uma jornalista, que ao tentar desmascarar Fatt como impostor acaba por descobrir um mundo com que nunca sonhou e pelo meio apaixonar-se sem esperar. 
Mas há mais !

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Há mais, mas até já falei demais. Como sabem não gosto nada de contar as histórias dos filmes por aqui pois para mim um filme deverá ser visto sem saberem nada ou o mínimo sobre ele, mas desta vez precisava colocar a minha opinião dentro de um contexto concreto.
A verdade é que [“KEEPER OF DARKNESS”] tem mesmo um certo sabor a “Ghostbusters”, tanto nas cenas divertidas de exorcismo com os fantasmas, como na forma como usa a comédia com bom efeito até para fazer a narrativa avançar de um ponto a outro.

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Mas se [“KEEPER OF DARKNESS”] tem uma coisa absolutamente fascinante é o facto de conseguir equilibrar um monte de géneros dentro de uma só história e fazer tudo combinar sabe-se lá como !
Este filme numa questão de segundos consegue passar de uma comédia de efeitos especiais a drama pesado, consegue passar de cinema de aventura a cinema de terror ( com um par de bons arrepios pelo meio ), passa por um estilo blockbuster misturado com o cinema-de-Crime quando navega por ambientes com marginais mafiosos e ainda tem tempo para nos dar uma das melhores histórias de amor saídas do cinema chinês dos últimos anos.

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Aliás, se [“KEEPER OF DARKNESS”] funciona tão bem a todos os níveis e em todos os géneros que inclui no seu argumento desde o início é porque no seu coração está uma história de amor absolutamente divertida em modo fofinho oriental com dois protagonistas únicos.
Boas histórias de amor saídas do oriente normalmente partem do Japão ou da Coreia do Sul que tornaram o género quase numa forma de arte mas a China nunca conseguiu criar grande empatia quando tenta entrar por uma atmosfera de romance no seu cinema. 
Embora já tenha havido algumas excepções quando procuramos por cinema Chinês normalmente esperamos mais encontrar bons épicos históricos ou cinema de acção.

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Ora desta vez e tal como já aconteceu com “A TIME TO LOVE” ou “LOVE IN SPACE”, [“KEEPER OF DARKNESS”] acerta em cheio no coração emocional do filme. 
A história de amor entre Fatt e a fantasminha apaixonada que assombra o seu apartamento vai buscar o melhor do drama de “A time to Love” com a comédia contida mas romanticamente divertida de “Love in Space” e consegue momentos verdadeiramente atmosféricos que criam uma grande empatia com espectador e centralizam também todos os outros aspectos que compõem o filme.

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A fantasma pode ser fofinha mas ainda nos prega um susto valente ou dois bem colocados e o seu registo varia também entre a comédia e o drama algo angustiante por vezes numa questão de segundos, o que demonstra claramente que o realizador de [“KEEPER OF DARKNESS”] sabe muito bem o que está a fazer conseguido transportar o espectador ao longo da história numa verdadeira montanha russa de emoções inesperadas nos momentos mais inesperados também.

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[“KEEPER OF DARKNESS”] tem também um certo sabor ao cinema de Wong Kar Wai, o que só lhe fica bem neste caso. Não que a tentativa de homenagem a um certo estilo bem reconhecível seja por demais persistente mas nota-se aqui e ali a influencia do realizador de “In the Mood for Love” e isto sempre no melhor dos sentidos.
Quem gosta do cinema de Wong Kar Wai vai gostar deste filme por razões estéticas também. Aliás nem falta aqui Karina Lau, uma das actrizes recorrentes do cinema de Wai.
Se Wong Kar Wai um destes dias decidisse filmar algo bem mais comercial poderia inclusivamente criar a sequela para este filme pois o seu estilo iria enquadrar-se bastante bem.

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Acima de tudo estamos na presença de mais um filme com cenas espectaculares e montes de efeitos digitais que não se esquece do principal.
Os personagens e a humanização dos mesmos.
Se falha em alguma coisa será apenas no vilão pois a sua história ( e motivações ) no final acabam por parecer que não se integram tão bem quanto todo o resto do filme até ao desenlace final da aventura…

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Talvez por isso [“KEEPER OF DARKNESS”] seja um daqueles filmes com múltiplos finais, como se o realizador tivesse consciência de que parte de aventura nem sequer fosse o mais importante e resolvesse acabar a história do filme de uma forma mais humana.
A gente agradece.
 E o final “final” também é fixe.
Agora o que eu quero mesmo é uma sequela.

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CLASSIFICAÇÃO

Se procuram por cinema sobrenatural com almas penadas e um sabor a aventura urbana com um toque de terror, drama, comédia e uma excelente love story para rematar não vão mais longe.
 Ignorem as más reviews no IMDb pois como de costume foram postadas por americanos que se trocam todos quando não percebem de que género é um filme.
[“KEEPER OF DARKNESS”] é original, divertido, assustador, espectacular, dramático e tocante.
Tudo num único filme que resulta muito bem.

Cinco Tigelas de Noodles e um Gold Award


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Se calhar nem merece o Gold Award pois tem um par de falhas que lhe retira alguns pontos na história central envolvendo o vilão sobrenatural, mas a verdade é que este foi um dos filmes Chineses que mais me divertiu nos últimos anos.

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Comprei o Bluray na China ( região zero ) e acho que ainda gostei mais dele agora que o revi do que quando o vi pela primeira vez; pois da primeira vez a mistura de géneros pode deixar-nos um bocado aturdidos e impedir-nos de notarmos como [“KEEPER OF DARKNESS”] é realmente bom; por ser também algo único dentro do género.

A favor: a mistura entre géneros que funciona perfeitamente sabe-se lá como, o sentido de humor negro, a historia de amor, a química romantica dos protagonistas, as cenas assustadoras , a atmosfera sobrenatural, os personagens, a carga dramática , as cenas de acção, os efeitos especiais, mais uma vez a humanização dos personagens.

Contra: algum CGI podia ser melhor, a parte dramática ao redor do vilão parece algo deslocada do resto do filme e sente-se que está um bocadinho forçada para poder encaixar.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER
Nota:
o filme não é o blockbuster de acção que aparenta no trailer. É bem mais contido e intimista contrariamente ao espectáculo de efeitos que o trailer aparenta mostrar.

IMDb
http://www.imdb.com/title/tt5157030/

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Blood: The Last Vampire (Blood: The Last Vampire) Chris Nahon (2009) Hong-Kong/China, França


Devo confessar que se há uma coisa que eu gosto no cinema comercial moderno é de filmes franceses que tentam parecer-se com produções americanas á força toda. Daqueles que se colam á estética podre de chique gringa ao pior estilo cinema-de-super-herois made-in-hollywood onde tudo parece igual.
Só muda o design dos monstros que na verdade parecem-se todos com o mesmo boneco musculado saído de livros da Marvel onde só se altera a cor do uniforme de capítulo para capítulo.

Por isso eu gosto muito de cinema francês em estilo Hollywood porque falha redondamente em tudo o que pretende fazer para se colar ao estilo americano.
Não sei o que há com estas produções europeias, que apesar de fazerem sempre tudo bem e de seguirem á risca a cartilha pipoca americana a verdade é que eu acho que se espalham todas no resultado final.
Tudo o que é filme francês de acção moderno que se tenta colar ao cinema do outro lado do oceano atlântico acaba sempre por se ficar por um resultado estranhamente hibrido que nem é carne nem é peixe. O mesmo acontece agora com este [“Blood: The Last Vampire“] uma estranha co-produção entre a Europa e Hong-Kong em piloto automático estilo Hollywood.

Mais uma vez temos um filme francês que á força de querer parecer-se com um filme americano acerta ao lado em tudo e na verdade ainda bem que assim é.
Ainda bem porque é essa falta de pontaria constante do moderno cinema-clónico francês que lhe dá imensa identidade e transforma qualquer produção europeia de efeitos especiais e acção á bruta numa coisa mais interessante do que costuma acontecer com as pipocas pré-fabricadas americanas. Talvez porque a europa use moldes diferentes.
Por muito que se tente estragar um filme rasca na europa tentando imitar o plástico americano, pelo menos eu fico sempre com a sensação de que o resultado é sempre bem mais carismático e isso ajuda a salvar da banalidade muita coisa que de outra forma poderia tornar-se absolutamente insuportável.

Há qualquer coisa de bom num mau filme pipoca europeu quando este tenta imitar o cinema de Hollywood e melhor ainda quando além de tentar imitar o cinema americano tenta ao mesmo tempo parecer-se com cinema oriental em estilo Hong-Kong.
Por isso eu gostei bastante de [“Blood: The Last Vampire“].
Estamos na presença de um bom filme de acção totalmente braindead no sentido mais positivo do termo e que mesmo com tanta mistura de estilo consegue ainda assim manter uma atmosfera europeia com um sabor intenso a baguette francesa de que não se consegue livrar apesar da overdose de pirotécnica digital á americana e kung-fu com fios á la Hong Kong.

Além disso, fiquei bastante surpreendido por este titulo ser protagonizado pela minha “Sassy Girl” favorita do cinema oriental que parece ter escolhido este papel para se tentar projectar internacionalmente, que é como quem diz, mostrar que também poderá ser uma boa escolha para filmes mais …americanos.
Quase que custamos a acreditar que esta é a mesma actriz que protagonizou também “Il Mare” num registo que não poderia ser mais oposto.

E por acaso acho que esta miúda foi a escolha perfeita para este papel. Eu não conheço bem o anime original mas do pouco que vi do desenho animado, penso que Jeon Ji-hyun (aqui com o pseudónimo internacional “Gianna Jun”), está fantástica apesar de em muitas alturas sentirmos que não estará muito confortável com os diálogos em inglés.
Sim porque [“Blood: The Last Vampire“] é um filme francês co-produzido com a China a tentar imitar o cinema americano com diálogos tanto em inglés como em japonês protagonizado por uma actriz Sul Coreana… Confusos ? Não se preocupem a coisa resulta.

Muita gente ataca [“Blood: The Last Vampire“] por causa dos seus péssimos efeitos digitais, nomeadamente o sangue em bolinhas 3D Studio em efeitos nada especiais que parecem saidos de um render amador criado para uma introdução de um jogo da Playstation-One. Tudo verdade. É quase mau demais para ser real e damos por nós a pensar como raio é que alguém deitou cá para fora um filme com efeitos tão datados assim e pensou que poderia competir com o que de mais moderno se faz no cinema deste mesmo estilo em Hollywood.
Por mim, que se lixe. Sim, o filme tem efeitos atrozes e até ridiculamente amadores e sim, aquele demónio é mau demais para ser verdade mas desde quando é que maus efeitos especiais fazem um mau filme ?

[“Blood: The Last Vampire“] apesar de todo o emaranhado de influências visuais consegue no entanto ser um produto comercial muito bem executado e com uma realização segura. Penso que o realizador francês conseguiu aqui um trabalho com personalidade e fiquei com a sensação de que só não fez melhor mais por culpa do argumento do que por causa dos péssimos efeitos especiais que tanta gente contesta.

Quanto a mim, [“Blood: The Last Vampire“] tem uma primeira metade totalmente cativante. Sequências de acção divertidas, uma estética de comercial de shampoo que resulta, actores carismáticos e uma atmosfera visual que por momentos faz lembrar Blade Runner em certos aspectos, nomeadamente no ambiente nocturno.
Infelizmente , achei que a segunda metade do filme perdeu toda a piada. Não sei o que se passou mas a partir de certa altura parece que mudaram de argumentista e todo o desenvolvimento deixa de conseguir envolver o espectador. Isto porque a história deixa de ser interessante não apenas por se tornar ainda mais previsível mas principalmente porque tudo culmina num climax que não tem particular entusiasmo ou grande espectacularidade.

No entanto, eu gostei muito da primeira metade do filme. Abre com uma sequência entusiasmante, continua com alguns personagens carismáticos, situações digitalmente sangrentas bem divertidas e a coisa resulta até meio onde de repente se instala alguma monotonia geral até ao final embora os actores bem se esforcem para dar vida a um argumento já em piloto automático no pior dos sentidos.
Não que seja própriamente muito grave, mas a verdade é que achei que este filme merecia ter-se mantido muito divertido até ao fim e na minha opinião isso não acontece como deveria ter sido.

Se há uma coisa que me aborrece de morte no cinema estilo super-herois á americana é a banalidade do típico confronto final com o vilão e achei muito decepcionante que a única vez em que [“Blood: The Last Vampire“]  se parece mesmo com um filme de Hollywood seja precisamente naquela parte em que se calhar deveria ter-se parecido mais com um produto de Hong-Kong pois a sequência final aborreceu-me pela sua previsibilidade e total falta de interesse previligiando mais a pirotécnia digital do que o carisma dos personagens e a criatividade das sequências de acção.

De qualquer forma, [“Blood: The Last Vampire“]  é um produto pipoca divertido e que se recomenda a quem não pedir mais do que ver uma boa aventura com vampiros e uma heroína cheia de personalidade suportada por um bom elenco internacional onde se destaca Liam Cunningham um actor que por vezes parece estar a incoorporar o espírito do ainda bem vivo Jean Reno na construção do seu personagem de agente da CIA que estará algures entre o “Leon” e o “Enzo” presentes nos fabulosos filmes de Luc Besson.
Só é pena que acabe por ser desprediçado dentro do próprio argumento.

Muitos fãs do anime, não gostaram da personagem teenager americana que pelo visto foi inserida a martelo nesta versão da história porque acusam-na de existir apenas para agradar ao mercado americano. Pessoalmente eu gostei da rapariga. Acho que tem um personagem dinâmico e que conduz bem o filme por entre as sequências protagonizadas por Jeon Ji-hyun e ajuda até a actriz principal a brilhar pois evita que nos concentremos demasiado no inglés limitado da actriz Sul Coreana que apesar de conseguir fazer um excelente trabalho nesta sua estreia “internacional” esteve sempre um bocadinho limitada pela lingua inglesa para poder ir mais longe e conseguir carregar sózinha o protagonismo de um filme assim.

Por isso, resumindo, eu curti.

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CLASSIFICAÇÃO:

Um estranho hibrido entre filme comercial americano, cinema francês e estilo Hong-Kong que só não resulta totalmente porque o argumento perde-se na banalidade a partir da segunda metade do filme e tenta depender demasiado de maus efeitos especiais para o climax da história quando esta pedia mais atenção aos personagens talvez.
De qualquer forma é um produto pipoca muito divertido, com uma primeira parte dinâmica e cheia de personalidade, uma actriz Sul Coreana que parece não conseguir ser má até quando tem limitações de idioma contra ela.
Não é um filme pipoca brilhante, mas recomenda-se bastante.
Trés tigelas e meia de noodles sem problemas mas com muita pena minha pois [“Blood: The Last Vampire“] merecia ter sido bem melhor e a culpa disso nao ter acontecido não é dos maus efeitos especiais como muita gente parece achar, mas sim de um argumento que poderia ter sido bem mais imaginativo.

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A favor: o elenco é excelente com destaque para a protagonista Sul Coreana que dá tudo para conseguir fazer um bom trabalho num idioma que lhe é claramente dificil de dominar, a primeira metade do filme tem pinta e uma atmosfera visual excelente, a realização faz milagres em conseguir manter todas as diversas influências coerentes ao longo do filme, contém algumas cenas de acção estilo Hong-Kong divertidas.
Contra: a segunda metade do filme parece apagada, o climax do filme depende demasiado dos maus efeitos especiais digitais que percorrem toda a história, os vilões não têm carisma nenhum e em nenhum momento causam qualquer tensão na história por tudo ser tão banalmente previsivel e vazio na sua própria caracterização.

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=Fk2L8Mgxd5Q

Comprar
Bem baratinho na Amazon Uk em DVD e em BluRay também.

Download com legendas em PT/Br

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0806027

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Filmes “semelhantes” de que poderá gostar:

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Kansen (Infection – Infecção) Masayuki Ochiai (2004) Japão


Parece que estou a escrever reviews de cinema oriental aos pares mas o facto de ir agora recomendar outro filme de terror é apenas pura coincidência simplesmente porque me lembrei que ainda não tinha falado deste filme e [“Infecção“] é um daqueles filmes asiáticos que têm um lugar curioso na minha colecção.

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Não é propriamente um grande filme, não é definitivamente o melhor filme de terror do mundo nem sequer será o mais assustador, mas é uma pequena obra que tenho sempre vontade de rever quando me apetece ver “cinema-pipoca” ao estilo oriental dentro do género.
Além disso mete Hospitais e seringas portanto só poderia ser um filme totalmente recomendável para todos aqueles que tal como eu têm pavor de médicos e odeiam cheiro a consultório.

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Sendo assim, se não gostam de ambientes hospitalares, não têm qualquer vocação para medicina e muito menos conseguem compreender como raio é que alguém vai para médico, têm aqui em [“Infecção“] um filme simpático para passarem uns 90 minutos muito divertidos no mais arrepiante dos sentidos.

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Basicamente, a história não interessa para nada, fiquem apenas a saber que algures num hospital anda á solta uma espécie de infecção absolutamente nojenta que transforma o pessoal do corpo clínico em mortos-vivos e os faz ter uma boa apetência por se espetarem com seringas por dá cá aquela palha.
Se gostam de cenas com baba nojenta a pingar por cima de inocentes vítimas, cadáveres em decomposição de aspecto vomitável e sequências de assombração clássica  também não vão mais longe pois este filme é para vocês.

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Volto a dizer, [“Infecção“] não é propriamente um grande filme de terror. Poderão notar que não lhe dou uma grande classificação, mas não deixem que o meu aparente fraco entusiasmo na sua atribuição os afaste deste bom produto sobrenatural. Até porque este está editado em Portugal e tudo e poderão encontrá-lo certamente algures num daqueles cestos de promoções num centro comercial perto de vós.

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[“Infecção“] não é brilhante, mas tudo o que faz, faz bem. Nota-se que é mesmo um produto de baixo orçamento dentro do cinema de terror oriental mas é notório que houve um grande esforço por parte dos seus criadores para tirar partido de tudo o que pudessem usar para nos impressionar e assustar.

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Uma das melhores coisas que este filme tem é precisamente o facto de não só nos conseguir impressionar com cenas nojentas e arrepiantes (seringas, seringas), mas também contém uma atmosfera clássica de filme de fantasmas e em certos momentos acerta em cheio na forma como trabalha a atmosfera sobrenatural sem precisar de efeitos especiais ou de nos mostrar mais cenas repugnantes.

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Inclusivamente, as cenas que nos causam mais calafrios não serão aquelas cheias de gore repugnante (uma pessoa habitua-se) mas sim as sequências mais tradicionais em que o filme entra pelo género de cinema-de-casa-asssombrada e nos arrepia com um par de cenas bem colocadas no argumento que funcionam perfeitamente para nos provocar aquele efeito de frio na espinha que normalmente não existe neste tipo de cinema de terror essencialmente gore.

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Este é um daqueles raros filmes que é simplesmente bom.
Não será muito bom, mas também é muito melhor do que um produto que fosse apenas interessante.
[“Infecção“] é um bom filme de terror. Nem mais nem menos e recomenda-se para toda a gente que gosta deste género de filmes. Especialmente se gostar do estilo sobrenatural do cinema asiático.

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A realização é boa, o argumento tem suficientes reviravoltas para nos manter interessados ao longo de quase 90 minutos de puro divertimento para quem gosta de coisas deste género.
Se falha em alguma coisa, será provavelmente nunca conseguir ir mais longe com o material que tenta apresentar.
Ou seja, por muito nojento que o filme tente ser nota-se alguma repetição no tipo de sequências que mostra e isso certamente será devido ao seu baixo orçamento, depois por causa do gore também fica a meio caminho como filme de fantasmas mas nunca será propriamente um filme de zombies.
Poderá ser visto como uma espécie de Evil Dead com uma pitada de Silent Hill ao estilo oriental passado num hospital embora nunca seja tão violento como o filme de Sam Raimi.
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CLASSIFICAÇÃO:

Um daqueles raros filmes que é simplesmente bom e divertido. Nem mais nem menos.
Se gostarem de cinema de terror vão divertir-se com [“Infecção“]. Se gostam de cenas nojentas ou de histórias com fantasmas mais clássicos tem neste filme uma pequena colecção de bons momentos dos dois géneros de cinema sobrenatural.

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Apesar de ser cinema de terror japonês, não se cola ao habitual estilo de Ringu ou Ju-On e tenta dar-nos um bocadinho de tudo sendo talvez essa a sua única grande fraqueza pois fica a meio caminho entre todos os géneros que tenta apresentar no ecran em menos de noventa minutos.
Trés tigelas de noodles na boa e não deixem que esta aparente crítica mediana os afaste desta pequena obra que essencialmente pretende divertir, especialemente se gostarem do género na sua vertente oriental.
Muito fixe o filminho. Está de boa saúde e recomenda-se.

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A favor: tenta aproveitar ao máximo o baixo orçamento e o elenco limitado de que dispõe, tem seringas, tem cenas nojentas divertidas, tem seringas, além das cenas repugnantes tem um par de momentos com fantasmas mais clássicos que funcionam perfeitamente, tem seringas, tenta ter um argumento com algum dinamismo e criatividade, tem seringas, não se cola a um género específico, não brilha mas cumpre perfeitamente o seu propósito e diverte-nos tanto quanto nos consegue arrepiar. Já lhes disse que o filme tem cenas com seringas ?
Contra: apesar de atmosférico fica a meio caminho entre vários géneros, repete-se um bocadinho nas cenas nojentas, o argumento tenta ser muito dinâmico e variado mas acaba por se embrulhar um bocado na reviravolta final.

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NOTAS ADICIONAIS:

TRAILER
http://www.youtube.com/watch?v=eGWuqC-t9xQ

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COMPRAR
Se tiverem sorte, aqui em Portugal poderão encontrá-lo no cesto de promoções de um qualquer hipermercado a menos de 10€.
Caso queiram comprar a edição chinesa encontram-na como habitualmente na Play-Asia a um preço decente também.
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7m-49-en-15-infection-70-24go.html

E está a um preço estupidamente baixo na Amazon através do mercado dos Sellers.

IMDB

http://www.imdb.com/title/tt0418778/

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Dark Water

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Suwîto rein: Shinigami no seido (Sweet Rain) Masaya Kakei (2008) Japão


Se procurarem reviews deste filme na net, descobrirão que existe alguma tendência de [“Sweet Rain“] ser comparado com o americano “Meet Joe Black” até de uma forma algo depreciativa.
Na minha opinião, apesar de ambos os filmes terem como protagonìsta – a Morte – e terem mais ou menos o mesmo estilo de atmosfera, são no entanto duas obras diferentes e sem grandes pontos de contacto apesar das aparências.
Eu gosto muito dos dois e não tenho dúvida que [“Sweet Rain“] tem também um lugar á parte dentro deste género de cinema sobrenatural pois acima de tudo é um filme oriental com algum charme.

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Algo fúnebre, mas muito ligeiro e poético. Além disso, acima de tudo tem uma coisa que para mim será sempre imprescindível para que este tipo de história  funcione. Ou seja, é um filme filosófico daqueles que nos faz pensar e pelo meio ainda tem um sentido de humor subliminar muito divertido que aparece sempre nos momentos certos e ás vezes inesperados.
[“Sweet Rain“] é também um daqueles filmes ideais para quem tem medo de morrer, ou se calhar para quem perdeu alguém recentemente, pois como já referi contém um argumento filosófico que acaba por colocar algumas questões existenciais e no final deixa-nos com uma sensação de leveza, de confiança numa vida-depois-da-morte e até de felicidade, tudo através de um final particularmente simples mas poético e que resulta em pleno.

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Logo nos primeiros momentos sente-se que o filme irá ser especial. A breve sequência introdutória, embora de desfecho previsível define imediatamente a atmosfera e agarra o espectador fazendo-nos ficar mesmo com vontade de continuar a ver o que irá acontecer a seguir.
E o que acontece é cada vez mais curioso. A maneira como o universo da Morte está retratado é não só muito divertida, como atmosférica e bastante original pois parece que no Além, ser “Morte” deve ser uma espécie de profissão (estilo Terminator mas em versão bonzinho).
Ao contrário do que os humanos pensam, não há apenas uma Morte (neste caso, “um…Morte”), mas vários. Um verdadeiro esquadrão de “Mortes” profissionais que levam o seu trabalho não só muito a sério como até de forma divertida e além de serem absolutamente fascinados por música humana, custam a perceber porque razão as pessoas têm medo de morrer quando o processo é tão simples, natural e tudo não passa de uma continuídade.

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E isto porque ao contrário do que as pessoas pensam, a Morte quando aparece não vem para tirar a vida a ninguém, mas sim para guiar o espírito da pessoa que morre até ao próximo plano de existência. Curiosamente na minha banda desenhada também usei um conceito parecido e por isso lá se vai a minha pseudo abordagem original…Bolas pá.
[“Sweet Rain“] contém outro pormenor fascinante e só é pena não ter sido usado mais ao longo do filme. A “Morte” percorre o nosso mundo com um ajudante que tem a forma de um cão e com o qual tem alguns diálogos divertidos que são dos melhores momentos pela forma criativa como nos são apresentados.
Não lhes dou mais detalhes porque vão gostar de descobri-los e só é pena, na verdade não servirem para muito dentro do próprio argumento do filme pois estas trocas de opiniões pouco mais fazem do que transmitir um par de informações ao personagem principal num determinado momento, o que torna o cão quase num adereço visual quando poderia ter sido um personagem fabuloso.

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[“Sweet Rain“] tinha tudo para ser um daqueles pequenos grandes filmes orientais, mas infelizmente há uma coisa que quase estraga todo o resultado final. Apesar de tentar funcionar como um todo, o argumento está dividido entre trés episódios completamente distintos apenas interligados por se tratarem de missões do personagem principal e pela ligação no destino de alguns personagens.
A primeira parte do filme passa-se em 1985, a segunda em 2006 e a terceira em 2028 e neste aspecto a coisa parece logo de início muito prometedora. O problema é que o argumento parece nunca usar as potencialidades do próprio conceito imaginado. Nunca é dado grande destaque ás particularidades de cada época distinta, a falta de jeito da Morte para conviver com a humanidade uma vezes é evidenciada e explorada noutras parece que não se passa nada, a ligação emocional dos personagens nunca é devidamente desenvolvida e para culminar tudo isto, o segundo segmento do filme parece completamente deslocado do resto do argumento.

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É que subitamente a história entra por uma atmosfera de filme de gangsters Yakuza sem grande interesse (até pela banalidade do que sucede) e só mais tarde nos apercebemos de qual a ligação de um novo personagem ao fio condutor do argumento. Mas quando isso acontece já é tarde, pois o filme já se arrastou por um segmento de meia hora completamente desajustado para com o tom inicial da primeira história que pedia algo mais cativante e que mantivesse o interesse gerado pela muito boa primeira meia hora de [“Sweet Rain“].

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A única coisa que salva este segundo segmento completamente desinteressante e deslocado são os contidos mas hilariantes momentos com as outras Mortes que aparecem nos sitios mais divertidos criando uma justificação para algumas das cenas mais tensas do segundo episódio.
Esta segunda parte, não é no entanto tão má quanto muitas reviews espalhadas pela net a pintam, mas a verdade é que parece não pertencer ao filme que nos cativa nos primeiros trinta minutos iniciais e é pena pois criou-se um buraco artificial nesta história quando ela pedia uma continuidade que nos transportasse até á terceira parte.

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Felizmente que no terceiro acto as coisas voltam a compôr-se e subitamente o personagem – Morte – volta a parecer ser a mesma pessoa de que ficamos a gostar no primeiro segmento. Volta também a atmosfera poética desta vez com um sabor rural que cria um ambiente ainda mais especial e acolhedor que nos prepara para o inevitável e previsivel desfecho da história mas nem por isso menos bonito e positivo.
A terceira parte tem lugar no ano 2028 e conta com uma personagem Cyborg.  Mas mais uma vez também esta não passa apenas de uma peça de cenário quando poderia ter sido usada para acentuar o tom filosófico do argumento mas tal nunca acontece.

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[“Sweet Rain“] é acima de tudo uma grande oportunidade perdida de se ter construido um filme asiático do caraças sobre o quão positivo, natural e até bonito será morrermos.  Este argumento tinha tudo para ser um objecto cinematográfico cheio de filosofia e questões pertinentes e no entanto parece que tudo se escapou por entre os dedos dos seus criadores, seja por um argumento que nunca aproveita os conceitos mesmo imaginativos que contém como pelo filme ter uma natureza episódica que nunca é bem interligada mesmo usando o personagem principal da – Morte – e é mesmo pena que isto tenha acontecido.  Este é uma daquelas obras orientais de que nos apetece mesmo gostar muito, até porque é um filme reconfortante e com um par de momentos bem bonitos e muito positivos sobre um tema que assusta grande parte da humanidade mas aqui é retratado de uma forma bem simples e com uma atmosfera quase mágica em algumas alturas.

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Pior do que um filme sem ideias é um filme oriental cheio de ideias não aproveitadas e [“Sweet Rain“] é um dos mais frustrantes exemplos deste tipo de situação que me apareceu pela frente nos últimos tempos.
E por isso é uma obra estranha. É um filme que acaba e não nos sai da cabeça, mas mais por causa do que poderia ter sido e que a gente gostaria de ter visto do que pelo que realmente vimos. É um filme que projecta na nossa mente uma imagem de algo que não é e no entanto no meu caso, fiquei com vontade de o rever e com a certeza de que este será mais um daqueles pequenos filmes “especiais” que ainda irei ver muitas vezes no futuro.
É um filme asiático estranho em muitos sentidos. Artisticamente anda algures entre o filme comercial e o cinema de autor. Ou se calhar é por ser uma obra Japonesa e isso sente-se. É um filme calmo, muito contido ao expressar emoções e que depende muito de imagens contemplativas silênciosas para produzir empatia com o público que se identificar (e sentir) a sua poesia.

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Tivesse sido um trabalho Sul-Coreano e aposto que o resultado teria sido bem diferente. Uma coisa é certa, a pequena história de amor teria sido desenvolvida na sua plenitude de certeza absoluta. [“Sweet Rain“] por momentos parece que vai entrar por um caminho romântico mas depois tal não se concretiza e é pena. No início ficamos mesmo com vontade de vermos  a – Morte- começar a conhecer o que é ser humano ao principiar apaixonar-se por uma das suas “clientes” mas depois o filme fragmenta-se por completo ao entrar no episódio Yakuza e quando o tema é ligeiramente abordado no final já o espectador perdeu a ligação emocional á história perdendo-se assim mais uma oportunidade no argumento desta obra que nos poderia ter transportado para um final ainda mais emocional.

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De resto, tem uma boa fotografia e um actor principal que encarna uma -Morte- quase perfeita e só não faz melhor porque o próprio argumentista parece não saber bem quem é o personagem e por onde este deverá ir.
Mas não deixem que esta minha apreciação menos entusiasmada os impeça de ver este [“Sweet Rain“].

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CLASSIFICAÇÃO:

Apesar de todo o potencial desperdiçado é ainda assim um filme oriental com momentos muito bonitos e um par de questões filosóficas que proporcionarão boas discussões entre amigos.
Se gostarem de temas sobrenaturais, interessa-vos a temática da vida-depois-da-morte e quiserem ver um filme muito positivo sobre o assunto não vão mais longe.
Se calhar não merece tanto mas não deixa de ser um filme diferente que nos cativa pela atmosfera, por isso quatro tigelas de noodles sem grandes reservas.

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Aliás recomendo mesmo a compra se acham que gostam deste tipo de histórias pois está barato e a edição em dvd tem uma caixa com um dos melhores grafismos que andam no mercado.

A favor: está cheio de ideias imaginativas, os diálogos com o cão introduzem um toque especial no estilo do filme e estão apresentados de uma forma tão simples quanto criativa, o filme tem uma atmosfera mágica em alguns momentos, tem imenso sentido de humor ( e nem sequer é humor negro) contido, o personagem principal é muito bom embora algo esquemático e mal desenvolvido, as outras – Mortes – são muito engraçadas a tentarem disfarçar a sua existência, a primeira e a terceira parte são muito boas e estão cheias de momentos filosóficos e alguma poesia, o final do filme é bonito e muito positivo, é um bom filme para quem tem medo da morte ou perdeu alguém recentemente, tem uma terceira parte reconfortante e mesmo atmosférica. A caixa do dvd tem um design fantástico.
Contra: o segundo segmento de meia hora do filme com a história sobre mafiosos Yakuza é completamente deslocado do resto do argumento e não deveria existir nestes moldes, apesar da história se passar em trés épocas muito distintas o argumento nunca aproveita esse facto para trabalhar os personagens ou criar situações, o potencial para uma história de amor é completamente desperdiçado e como resultado perde-se uma oportunidade de humanização do personagem da -Morte- que poderia ter sido usada para um final ainda mais intenso, o personagem do cão é brilhante na sua simplicidade e mais uma vez o seu potencial é completamente desperdiçado parecendo mais um adereço do que outra coisa a tal ponto que nem sequer entra na parte final do filme, a natureza episódica da própria narrativa acaba por fragmentar muito o filme e há muitas quebras na sua fluidez que ás vezes (especialmente no segundo segmento) nos fazem dispersar a atenção.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=QYuu7np3DXU

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Comprar
Excelente edição de Hong Kong com legendas em inglés.
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7j-49-en-15-sweet+rain-70-34xq.html

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1067086/

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