The Sorcerer and the White Snake (The Sorcerer and the White Snake) Siu-Tung Ching (2011) China


Se julgam o cinema de fantasia pela qualidade dos efeitos especiais então fujam !
[“The Sorcerer and the White Snake“] tem efeitos digitais tão maus que fazem as sequências de “Blood – The Last Vampire” parecerem cenas do Avatar em comparação.
Por isso se um mau filme na vossa opinião se define pelo lado técnico dos efeitos é melhor esquecerem este desde já pois não vão gostar de todo.

Se no entanto, conseguirem abstrair-se das piores criações em CGI dos últimos anos, entrarem na onda visual do filme e não se importarem com “renders” que mais parecem saídos de uma introdução de um velho jogo para a PS-ONE do que material produzido para cinema feito em 2011, então bem-vindos a [“The Sorcerer and the White Snake“].
Especialmente se gostam de filmes de fantasia.

Esta produção pode ter defeitos que nunca mais acabam a nível técnico, mas tem imenso charme e acima de tudo tem uma coisa que para mim dá logo imenso valor a um projecto; está sempre a surpreender no que toca a imaginação e parece continuamente apostado em atirar á cara do espectador momentos inesperados especialmente quando pensamos que já vimos tudo e nada nos pode apanhar de surpresa. E isto no sentido positivo e no negativo. O que de de certa forma serve como ponto de reviravolta na nossa opinião sobre o que aparece no ecran.

Perdi a conta dos momentos em que só pensava que tudo era tão mau, tão mal feito , tão piroso e tão foleiro que só poderia ser totalmente viciante, naquele sentido do é tão mau que só pode ser de propósito e portanto se torna automáticamente genial.
Por outro lado também perdi a conta dos momentos realmente bons deste filme.
Não o são, própriamente pela história ou carísma dos personagens porque na verdade não têm nada de especial ou sequer muito cativante, mas pelo resultado global desta produção que tanto pode ser genialmente má como extraordináriamente boa ás vezes com uma diferença de segundos entre cenas.

Isto porque como já disse [“The Sorcerer and the White Snake“] é um filme cheio de imaginação. Daqueles que sabem usar as suas limitações técnicas para muitas das vezes criar cenas memoráveis. Já vi este título há um par de semanas e continua a não sair-me da cabeça, nomeadamente por causa de muitas das suas imagens cheias de ambiente, paisagens fabulosas e muita criatividade no design visual.

[“The Sorcerer and the White Snake“] está cheio de geografias fantásticas, criaturas fofinhas e carismáticas (que deveriam ter tido mais tempo de antena), ao mesmo tempo que contém algumas cenas de acção bem divertidas e que culminam num final absolutamente épico.
Tão épico que se nota perfeitamente que os criadores deste projecto não tinham orçamento nem para metade do que quiseram mostrar mas mostraram na mesma, numa onda total de : “que se lixe !”
Por isso nota alta para tanta ambição e pela total falta de receio em alienar logo metade do público com tanto mau CGI.

Nota-se que houve aqui uma escolha óbvia; ou faziam um final pequenino sem grande chama e dentro do dinheiro que haveria para produzir uns efeitos mais aceitáveis…ou… entravam á maluca por um final para lá de épico sem terem meios para o realizar técnicamente como deveria ter sido filmado. Por mim, ainda bem que escolheram o total avacalhamento visual , pois [“The Sorcerer and the White Snake“] tem no seu final alguns dos melhores momentos de sempre dentro daquele género de cinema-tão-mau-que-só-pode-ser-bom !

Portanto se gostam de cinema de fantasia eu recomendo vivamente este filminho. Agora têm de gostar de Fantasia dentro do género conto-popular-chinês, em puro modo de conto-de-fadas com um bocadinho de porrada e artes marciais. Se procuram algo no estilo ocidental em jeito de Lord of the Rings, esqueçam, [“The Sorcerer and the White Snake“] é puro cinema de fantasia ao melhor estilo “The Promise” mas produzido sem o mesmo orçamento.

Quando isto começou, a primeira sensação que tive foi a de que estava a ver uma espécie de sequela não declarada de “The Forbidden Kingdom” mas sem o Jackie Chan ou o puto americano que não servia para nada.
Parecia que alguém na China esteve a ver esse filme, percebeu o que estaria a mais nele e resolveu criar a sua própria versão integralmente chinesa (visto Forbidden Kingdom ter sido uma co-produção China/América).
Isto porque inclusivamente o personagem de Jet Li até parece o mesmo e tudo, só que desta vez bem melhor usado dentro do contexto geral da história.

[“The Sorcerer and the White Snake“] é no entanto um filme bem mais infantil que “The Forbidden Kindom” (se é que tal é possível), isto porque em muitos momentos até parece uma produção da Disney ou da Dreamworks, devido ás sequências com criaturas fofinhas e animais inteligentes a piscar o olho ao estilo Shrek até).
Mas ainda bem que elas estão na história, pois são um dos seus pontos fortes. Quebram a monotonia da óbvia, clássica e algo aborrecida história de amor central e equilibram muito bem alguns dos momentos de acção mais fracos até.
Da minha parte só tenho pena que o filme não tenha tido mais criaturas como estas ao longo da história. Mas como está, está bem e curiosamente os efeitos digitais nesses momentos nem são nada maus não senhor.

Essencialmente [“The Sorcerer and the White Snake“] é um conto de fadas chinês. Conta a história de uma espécie de serpente milenar que se apaixona por um humano e se transforma em mulher para poder viver com ele. Claro que o pobre coitado nem suspeita do verdadeiro aspecto da senhora e muito menos imagina que existe uma ordem de monges que ao melhor estilo Terminator em versão Shaolin percorrem o mundo eliminando todo o tipo de criaturas que não forem humanas porque as consideram demoníacas , só porque sim; o que acaba por se revelar um dos pontos interessantes na moral da história também e provavelmente será a tónica do conto original que não parece esquecida no desenlace final desta aventura. Nota positiva também para isto.

Basicamente estamos na presença de um filme de aventuras divertido, passado numa China de Fantasia ao melhor estilo conto de fadas clássico oriental. Não se chateiem muito com o visual dos maus efeitos especiais e deixem-se levar pelo universo da história pois [“The Sorcerer and the White Snake“]  é um pequeno grande “mau” filme simplesmente perfeito para quem procura um titulo divertido e ligeiro. Nota-se que houve um constante esforço para apresentarem um produto criativo mesmo apesar das limitações técnicas e nem sempre encontramos algo assim que sabe tirar uma nota tão positiva daquilo que á partida poderia ter sido a morte do filme.

O seu único problema é que a história nem é particularmente divertida e o facto de se basear essencialmente numa espécie de comédia de costumes envolvendo uma história de amor também não ajuda a dar-lhe grande carísma no aspecto humano. Isto porque os personagens são todos muito superficiais e portanto não esperem encontrar aquela intensidade romântica de um “An Empressa and the Warriors” por exemplo e essa é uma das grandes falhas do filme, pois supostamente o amor seria o motor de todas as situações da história mas os personagens nunca nos cativam da forma que é habitual encontrarmos no cinema romântico oriental.
Como resultado disso, a parte dramática deveria criar uma grande empatia com o espectador para ajudar a terminar em beleza o segmento final da história, mas não funciona muito bem em termos emocionais pois tudo nos parece artificial demais ao contrário do que costuma ser costume em produções românticas orientais.

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CLASSIFICAÇÃO:

É um filme carregado de pequenos pormenores que lhe dão imensa vida. Tudo o que não envolve a história de amor central, dá imensa energia ao filme; o que no fundo é uma mais valia pois este enquanto fantasia romântica simplesmente nunca funcionaria muito bem por causa da superficialidade de toda a trama de amor.
Boas cenas e acção, monstros divertidos, criaturas fofinhas quanto baste, alguma comédia bem conseguida, quilos de maus efeitos especiais que não deixam de ter imensa personalidade mesmo assim e um final tão épico que nem cabe no orçamento do filme.
Como filme de fantasia totalmente no estilo conto-de-fadas-chinês, não será melhor que “The Promise” ou mesmo que “An Empress and the Warriors“, mas mesmo apesar dos maus efeitos especiais penso que é mais cativante do que “The Restless” e mais criativo que “The Forbidden Kingdom” também.
Por isso e porque o raio do filme não me sai da cabeça mesmo depois destas semanas todas, quatro tigelas e meio de noodles porque sendo mau demais é realmente muito bom mesmo ! E já que estamos no Natal é uma óptima escolha para espreitarem enquanto esperam pelo dia de abrir as prendas também.

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A favor: soube tirar partido da sua muita imaginação mesmo apesar dos péssimos efeitos CGI, está carregado de pequenos pormenores criativos a todos os níveis, algumas paisagens são fabulosas, tem um final tão épico que quase não cabe no orçamento do filme o que o torna ainda mais divertido, esforça-se a todo o instante por ultrapassar as suas limitações técnicas tentando surpreender o espectador com coisas novas e pequenas reviravoltas, tem um par de monstros bem creepy e divertidos, alguns efeitos digitais até nem são maus de todo não senhor, tem um par de criaturas fofinhas bem conseguidas, grande parte do design é excelente com destaque para o visual das duas serpentes irmãs em estilo sereia flutuante, boas e variadas cenas de acção eficazes quanto baste, alguns momentos de comédia divertidos.
Contra: quem odeia o estilo cinema-photoshop presente em “The Promise” vai abominar este filme totalmente,  a história de amor deveria ser o coração da história mas perde-se algures entre o drama que nunca poderia ser e a comédia que não sabe se quer ser, os personagens não têm grande profundidade e por isso a parte humana da história fica um bocadinho áquem do que é costume em produções românticas orientais, em 2011 é um filme com efeitos digitais do meio dos anos 90 no mínimo…mas por outro lado, who cares !

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=YOXg1SL60nk

Comprar
http://www.yesasia.com/us/the-sorcerer-and-the-white-snake-dvd-china-version/1025644242-0-0-0-en/info.html

Download aqui com legendas me PT/Br

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0865556/combined

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Filmes “semelhantes” de que poderá gostar:

A Chinese Tall Story The Promise

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The Forbidden Kingdom (The Forbidden Kingdom) Rob Minkoff (2008) EUA/Italia/China


Quando eu me preparava para cascar forte e feio  neste título eis que sou obrigado a engolir as minhas ideias pré-concebidas pois não contava nada com isto.
Depois do deboche que foi o post anterior, falemos então de [“The Forbidden Kingdom“], um filminho de artes marciais americano para toda a família…produzido por uma italiana (Rafaela De Laurentis) e rodado com uma equipa internacional cheia de chineses. Na china.

Quando vi pela primeira vez o trailer disto, na altura em que o filme saiu, fiquei plenamente convencido de que iria ser um filme de que nunca iria falar aqui no blog. Primeiro porque era um produto directamente ligado a Hollywood, depois o heroi era o típico puto americano e portanto não me parecia um bom candidato para ser comentado num blog como este.

Além disso o trailer parecia-me um vazio e nem o facto desta história contar com Jet Li contracenando com Jackie Chan me deu grande motivo para espreitar aquilo que essencialmente mais me parecia um hibrido falhado entre o melhor do cinema oriental e aquilo que os americanos achariam que o cinema oriental supostamente deveria ser.
Ou seja, porrada de karaté com gajos de olhos em bico e um heroi americano para salvar a China.

Ao longo do tempo, comecei a notar que muitos blogs e sites sobre cinema oriental acabavam sempre por falar deste filme mas para dizer a verdade acho que nunca li uma review sequer e como tal continuei a ignorar [“The Forbidden Kingdom“] até há dois dias atrás.
Descobri este dvd em promoção no Hipermercado Jumbo aqui em Portugal apenas a 1.99€ a edição de 2 discos e não resisti. Era agora ou nunca.
Como tinha comprado o dvd, lá tinha então que ver o filme, mas parti para ele plenamente convencido de que iria ver um pedaço de plástico do piorio.
Enganei-me.

Quer dizer, mais ou menos.
É um pedaço de plástico mas … não é que o raio do filme é surpreendentemente uma pequena grande aventura de fantasia muito divertida ?!! Desta não estava á espera.
Para começar não estava á espera que tivesse um ambiente visual tão fantástico e detalhado.
No que toca ao aproveitamento de paisagens naturais [“The Forbidden Kingdom“] está de parabéns. Esta aventura soube mesmo criar uma atmosfera de mundo de fantasia muito para além daquilo com que eu estava a contar.
Ou seja, mesmo quando as paisagens são aumentadas por CGIs, tudo tem um visual fascinante, muito imaginativo e cheio de ambiente, o que começou logo por ser um ponto extremamente positivo num filme que não pedia mais do que ser uma colecção de cenas de porrada chinesa filmada por um americano.

A verdade é que [“The Forbidden Kingdom“] conta com um universo realmente muito bem concebido que nos faz mergulhar numa china antiga de fantasia quase como se fosse uma espécie de Terra Média oriental (inclusivamente a expressão é usada no filme para descrever a geografia desse mundo).

Adorei e fiquei logo plenamente cativado por todo o visual daquele universo imaginário. Este filme contém algumas das melhores e bonitas paisagens criadas para um mundo de fantasia cinematográfico que alguma vez vi num produto americano e nota-se que houve mesmo muito cuidado na criação de toda a geografia imaginária de modo a dar ao espectador um bom palco para todas as cenas de kung-fu. Gostei.
[“The Forbidden Kingdom“] visualmente é uma espécie de cruzamento entre “The Promise” e “The Restless” com um certo sabor a “The Neverending Story” oriental, embora sem qualquer criatura fofinha pelo meio.

Como eu não esperava um titulo violento ou minimamente realístico a nível de cenas de guerra e batalhas, o facto do filme ser totalmente limpinho no que toca a cenas de sangue e tripas pelos ares comuns nos épicos medievais orientais, também não me chateou muit0 que [“The Forbidden Kingdom“] fosse essencialmente uma aventura para toda a família no mais básico estilo americano.
Isto porque o filme pode ser um título quase para crianças, mas tem o mérito de não alienar o público adulto que goste do género de fantasia e aprecie particularmente filmes orientais com muito kung-fu á mistura.

[“The Forbidden Kingdom“] tem tudo para agradar ao público mais jovem, mas por outro lado está carregado de referências visuais para fazer com que o pessoal que já conhece bem outros titulos do género oriental possa olhar para esta aventura americana como uma espécie de caça ao tesouro.
Nota-se que quem criou este produto hibrido entre várias culturas e estilos de cinema conhece bem o que foi produzido no cinema clássico oriental do género no passado e resolveu polvilhar todo o argumento por demais simples a uma primeira vista com dezenas de pequenos pormenores que homenageiam tudo desde á série “Monkey”, aos filmes com o “Drunken Master” e até ao próprio cinema de Tsuy Hark.

Portanto, se vocês gostarem muito de filmes de kung-fu e conhecerem bem os titulos clássicos vão conseguir curtir muito mais [“The Forbidden Kingdom“] do que qualquer outra pessoa que não consome cinema do oriente, pois este filme está cheio de sequências que não são mais do que homenagens aos produtos originais. E resulta.
Por isso nota positiva também para o facto do argumento parecer muito básico, mas na verdade conter mais substância do que aparenta.

Ok, tem um heroi adolescente americano que não serve para nada.
Podia ter-se feito este filme sem recorrer a qualquer referência americana que este resultaria na mesma, mas afinal há que vender isto ao público ocidental e claro que não bastaria contar com Jet Li e Jackie Chan para fazer o filme render nas bilheteiras americanizadas do mundo inteiro. Tinha que haver um heroi americano teenager.

Surpreendentemente, apesar do personagem ser perfeitamente dispensável nisto tudo, a verdade é que temos em [“The Forbidden Kingdom“] um bom personagem adolescente que contrariamente ao que eu esperaria não é de todo um daqueles adolescentes saídos de uma boys-band para vender posters ás meninas que costumam polvilhar este tipo de filmes mais infantís.

Na verdade o heroi teen deste filme até é um tipo simpático e que podia ser perfeitamente uma pessoa comum. Até aqui nota-se um cuidado da produção para criar um personagem central que se integrasse na narrativa e não recorreram apenas a uma estrela com carinha laroca para fazer suspirar o público teenager. Obviamente que é um bocado estéreotipado, mas está definido dentro das próprias regras deste tipo de história e consegue realmente o feito de ser um adolescente num filme americano que não dá cabo dos nervos ás audiências adultas que já não podem mais com High School Musicals.

De resto não há muito mais para dizer, além de que muita gente parece ter ficado algo decepcionada porque o primeiro encontro cinematográfico de duas lendas como Jet Li e Jackie Chan tenha ocorrido num filme tão pouco violento e tão ligeiro, mas a mim não me chateou minimamente. Embora verdade seja dita me pareça (até pelo making of) que ambos entraram nisto mais pelo cheque do que por qualquer outra razão.

Penso que tanto Jet Li, como Jackie Chan cumprem perfeitamente, as suas sequências de luta são muito criativas visualmente, divertidissimas de acompanhar e ambos os personagens têm carísma suficiente para conseguirem uma boa química no ecran quando ambos estão presentes e acho que ambos equilibram muito bem o filme ao redor do personagem teen principal.
Ah, e a miúda é fofinha quanto baste também.

Uma nota positiva para o realizador. Sinceramente não estava nada á espera que um filme americano conseguisse captar aquela magia de um produto oriental no que toca a este género de cinema de kung-fu mas penso que o realizador está de parabéns.
Além de dotar [“The Forbidden Kingdom“] de uma identidade própria, conseguiu equilibrar muito bem aquilo que os americanos supostamente devem achar que deverá ser um filme de kung-fu com o melhor daquilo que realmente é um bom filme de kung-fu. Mesmo kung-fu para crianças.

Os personagens nunca andam perdidos, o filme tem um ritmo excelente e montes de atmosfera e  nem o facto dos vilões serem totalmente de cartão impede que o produto final seja uma aventura de fantasia muito divertida que consegue demonstrar o que pode haver de melhor no cinema pipoca americano e oriental sem ter que sacrificar nenhuma das suas características.
[“The Forbidden Kingdom“] é assim uma espécie de aventura totalmente série-B, mas filmada com muito dinheiro.

O facto de tudo ter sido filmado na China, também ajudou imenso e já agora recomendo vivamente que espreitem os pequenos documentários de making of se comprarem a edição de dois discos que eu tenho. O segundo disco com extras não tem mais de meia hora , mas contém um par de pormenores de bastidores que vão gostar de conhecer, dos quais destaco a fantástica cidade cenário que existe na china e que os vai deixar fascinados.

A propósito, se tiverem uma sensação de dejá-vu ao verem [“The Forbidden Kingdom“] no que toca a cenários…é porque  já viram muitos deles em filmes como “Curse of the Golden Flower” por exemplo. Apenas agora neste filme estão decorados de forma ligeiramente diferente o que permitiu á produção fazer com que esta aventura de fantasia pareça ter custado mais a produzir do que na realidade custou em orçamento. Muitas das coisas já existiam construidas na china para outros filmes e por isso também vão curtir prestar atenção aos cenários e tentar lembrarem-se onde é que já os viram antes.

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CLASSIFICAÇÃO:

É um filme básico, é pipoca total, não tem nada que os impressione na história e o suspanse dramático é totalmente inexistente, mas lá que é uma pequena grande aventura de fantasia isso é. Acima de tudo é um filme simpático e muito divertido para quem decidir entrar no espírito da coisa. Bem melhor do que aparentava ser no trailer e totalmente recomendável a quem procura um bom filme de familia dentro do género de fantasia passado num mundo imaginário visualmente fantástico e cheio de identidade.
Ainda pensei dar-lhe apenas trés tigelas de noodles, mas a verdade é que estaria a ser injusto se não lhe atribuisse mais uma e portanto fica com quatro. É um filme simples mas como cinema puramente pipoca é muito bom mesmo.
Não peçam muito dele e vão gostar. Especialmente se comprarem o dvd edição dupla a 1.99€ como eu comprei nos Hipermercados Jumbo em promoção especial.

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A favor: cenários e ambientes de fantasia muito atmosféricos e visualmente criativos, personagens simpáticos e com carísma no ecran, espectaculares coreografias de acção criativas quanto baste, é uma aventura de fantasia muito divertida embora banal, está carregado de referências a filmes clássicos orientais, é um bom filme pipoca “oriental” surpreendentemente bem realizado por um americano.
Contra: não tem qualquer suspanse seja a que nível for, não tem um pingo de originalidade, os vilões são totalmente de cartão.

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=e66Og0lOCcE

Comprar
DVD – http://www.amazon.co.uk/Forbidden-Kingdom-DVD-Jackie-Chan/dp/B001EY5VJQ/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1314827804&sr=8-1
BluRay – http://www.amazon.co.uk/The-Forbidden-Kingdom-Blu-ray/dp/B001D07Q2Q/ref=sr_1_2?ie=UTF8&qid=1314827804&sr=8-2
Se estiverem em Portugal devem encontrar o dvd duplo á venda nos Hipermercados Jumbo por 1.99€ (neste mês de Agosto de 2011).

Download aqui com legendas me PT/Br

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0865556/combined

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Filmes “semelhantes” de que poderá gostar:

A Chinese Tall Story The Myth The Promise

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Majo no takkyubini (Kiki´s Delivery Service) Hayao Miyazaki (1989) Japão


Actualmente começar uma review de [“Kiki´s Delivery Service“], sem mencionar as semelhanças com Harry Potter seria disfarçar o óbvio e portanto começemos logo por aí.
[“Kiki´s Delivery Service“], pode ter muitos pontos de contacto com o moderno feiticeiro dos livros, mas foi uma produção de Hayao Miyazaki muito antes do feiticeiro inglés começar a voar e já existia em forma de livro pelo menos dez anos antes de JK Rowling sequer ter pensado em escrever o primeiro volume da sua série. Quem sabe até se [“Kiki´s Delivery Service“],  não chegou a ser uma das inspirações para esta criar Potter ?…

Aqueles que tal como eu nunca tiveram grande fascínio por Harry Potter (e muito menos paciência para o seu culto), nesta altura já devem estar com vontade de passar á frente, mas esperem um bocadinho.
Apesar de [“Kiki´s Delivery Service“], ser um filme que irá agradar muito áqueles que procuram encontrar alguma da magia de Potter num desenho animado, esta é no entanto uma criação bem mais original do que “o seu sucessor” pois a sua origem está mais próxima de uma matriz inspirada no conto tradicional do que a vasta colecção de referências pop new-age anglo-saxónicas em que Potter está fundamentado.

[“Kiki´s Delivery Service“], foi a criação de uma escritora infantil japonesa chamada Kadono Eiko e foi esta a responsável pela primeira popularização no livro com o mesmo nome do conceito de jovens feiticeiros que percorrem os céus montados nas suas vassouras, escolas de magia e tradição mágica adolescente.
E apesar de já ser reconhecida antes no seu país, o facto desta obra ter sido depois adaptada ao cinema por Miyazaki (não sem algumas queixas da autora), fez com que o conceito atravessasse as fronteiras da Ásia, e o filme acabou por ser popular no ocidente. Inclusivamente foi uma das primeiras longas metragens de Miyazaki a serem dobradas em “americano” há mais ou menos 20 anos atrás.

[“Kiki´s Delivery Service“], é acima de tudo um grande trabalho de imaginação e simplicidade, pois Miyazaki partiu mais uma vez de uma história que nem sequer tem grande complexidade, momentos dramáticos, vilões ou grandes coisas a acontecer durante o filme todo e criou uma obra prima da animação cheia não só de ambiente como principalmente de magia.
Tudo sem precisar de recorrer a combates entre bons e maus, raios mágicos a sairem de varinhas ou filosofia new-age pré-fabricada.
No mundo de Kiki tudo é intensamente real, e até o próprio “universo paralelo” com uma Europa ficticia onde a história se passa nos parece tão legítimo como qualquer período histórico conhecido. Tudo isto graças á enorme quantidade de detalhes que esta animação contém e que o espectador só conseguirá captar plenamente numa segunda ou terceita visão.

Ao fazer 13 anos Kiki, atingiu a idade em que a tradição manda que as buxinhas saiam de casa e começem a sua vida sózinhas practicando o bem e servindo a população, por isso uma noite Kiki agarra na vassoura da sua mãe e parte para o mundo atravessando o céu estrelado, tendo apenas por companhia o seu gato falante.
Em pouco tempo encontra uma bonita cidade junto ao mar e começa a explora-la discretamente sempre atenta para tentar perceber se os seus habitantes precisarão dos serviços de uma bruxa. Após algumas peripécias faz amizade com os donos de uma padaria e passa a viver nessa loja o que lhe dá a ideia de usar a sua magia para criar um serviço de entregas rápidas.

E pronto, acabou a história. Óbviamente que há mais para contar, mas não precisam de saber mais nada para apreciarem [“Kiki´s Delivery Service“],  até porque o resto do filme mantém a mesma simplicidade e toda a acção tem por base coisas tão simples que contadas nem pareceriam interessantes. Por isso aconselho-vos a ver imediatamente este filme pois toda a sua magia está precisamente na descoberta dos detalhes que nos envolvem até ao seu final com muita aventura e fantásticas cenas animadas com vôos em vasouras.
E tudo sem perseguições, vilões, tiros, feiticeiros maus, magias negras ou qualquer outra coisa que não seja de uma simplicidade inesperada.

Mas não pensem que por causa desta simplicidade [“Kiki´s Delivery Service“], contenha poucos momentos mágicos. Se procuram uma atmosfera de magia única e acima de tudo uma história completamente -boa onda-, muito positiva e totalmente anti-depressiva têm aqui um filme a ver obrigatóriamente.
Recomendado a toda a gente que gosta de histórias com muita Magia, imaginação e algum romântismo clássico com visuais absoltuamente perfeitos e sequências de acção em vassouras voadoras.
[“Kiki´s Delivery Service“], é por tudo isto cinema obrigatório até mesmo para quem ainda pensa que não gosta de Anime ou do estilo Manga.
E não pensem que lá por ser desenho animado o filme será menos Cinema. Isto não é a vulgar série de televisão Anime que estão habituados a desprezar habitualmente.
[“Kiki´s Delivery Service“], fica bem em qualquer dvdteca de quem gosta de bom cinema.

Como habitualmente na obra do realizador, também [“Kiki´s Delivery Service“],   é um filme que pode ser apreciado tanto pelos mais novos como pelos mais velhos sem deixar de agradar a nenhuma das faixas etárias precisamente por causa do seu argumento inteligente que nem trata os putos como estúpidos e muito menos os adultos como crianças imbecis, criando um filme mágico extramente bem equilibrado e que agradará certamente a quem não tem medo de sentir-se de novo criança por um par de horas, sendo definitivamente uma das melhores obras de Miyazaki sem qualquer sombra de dúvida e muito superior ao que ele tem lançado actualmente.

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CLASSIFICAÇÃO:

Outro dos melhores filmes de fantasia Anime que poderão encontrar e um dos melhores trabalhos deste realizador.
A prova de que o facto de ser Anime não implica de modo nenhum que seja um objecto menor de Cinema só porque é um desenho animado.
Na minha opinião é mais uma obra prima da animação.
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award como selo de qualidade excepcional sem qualquer sombra de dúvida.
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A favor: Tudo. Personagens, história, conceito, paisagens, detalhes dos desenhos, a banda sonora original, ambiente mágico e poético, o gato da Kiki.
Contra: a versão dobrada em “americano” pela Disney com uma atmosfera toda pop ao pior estilo “High-School Musical” e uma sonoridade Britney Spears. Subitamente o desenho animado parece um produto americano do mais televisivo e banal.
Vejam primeiro a versão japonesa porque auditivamente a atmosfera é logo outra e muito mais genuína.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer Original
http://www.youtube.com/watch?v=qktI3VQdryM
http://www.youtube.com/watch?v=05lrfA-GJnQ&feature=related

Trailer Americano (versão onde até parece que o filme é da Disney)
http://www.youtube.com/watch?v=_dkLobz4bpw

Comprar:
Opções de compra para [“Kiki´s Delivery Service“],  é coisa que não falta, pois basicamente existem edições deste filme em todo o lado, excepto Portugal, claro.
Existem actualmente duas boas opções de compra.
Podem adquirir a edição legal e oficalizada por exemplo aqui na amazon inglesa a um preço excelente.

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Guitarra
http://www.youtube.com/watch?v=eHIzvKjTlOE
http://www.youtube.com/watch?v=FamSGT4coMo&feature=related
Piano
http://www.youtube.com/watch?v=77yxsLgMtmg&feature=related

IMDB
http://www.imdb.com/find?s=all&q=kiki+delivery+service&x=10&y=5

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Se gostou deste vai gostar de:

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Tenkû no shiro Rapyuta ( Laputa – Castle in the Sky ) Hayao Miyazaki ( 1986 ) Japão


Lembram-se de “Conan-O Rapaz do Futuro” ?
Para muita gente, uma das melhores séries de animação de sempre, especialmente para aqueles que eram adolescentes no início dos anos 80.
O que algumas pessoas não sabem é que quando o realizador Hayao Miyazaki fundou o estúdio de animação Ghibli no inicio dos anos 80, umas das suas primeiras incursões no formato de longa metragem foi precisamente uma espécie de regresso aos personagens que lhe deram fama, – Conan e Lana – embora neste filme não se chamem assim.
O resultado foi [“Laputa – Castle in the Sky“]. Na verdade não é um remake de “Conan-O Rapaz do Futuro”, mas tem suficientes semelhanças em toda a sua estrutura para agradar aos mais saudosistas da série de televisão que lhe serviu de rascunho.

Situada numa espécie de Europa alternativa, talvez algures nos finais do sec.XIX, [“Laputa – Castle in the Sky“] conta a história de um rapaz, de uma rapariga que possuiu um cristal mágico e de uma cidade flutuante que muitos julgam ser apenas uma lenda mas que contém um poder extraordinário no seu interior.

Naturalmente temos depois os vilões, sempre caracterizados como políticos, donos de coorporações ou militaristas sem escrúpulos, tal como é comum na obra do realizador e algum enquadramento ecológico sobre a importância da conservação do mundo natural como também é a habitual preocupação nas produções Ghibli.
Além disso existem ainda os semi-vilões humorísticos para aliviar a carga dramática e proporcionar espectaculares momentos de perseguição ao longo do filme.
Todo o conjunto embrulhado numa atmosfera mágica mas sempre fundamentada na realidade apesar dos elevados níveis de imaginação e criatividade presentes em todo o filme.
Adicionamos a tudo isto uma banda sonora com um toque de poesia musical e temos uma obra absolutamente mágnifica.
Tudo certo portanto.

O que dizer então mais sobre este filme sem estragar por completo a descoberta da sua magia ?…Isto complica imenso a minha review mas a verdade é que este é um daqueles filmes que quanto menos detalhes revelamos sobre ele melhor, pois é uma verdadeira maravilha artística do inicio ao fim.
Desde os ambientes steampunk , até ao visual gráfico absolutamente criativo presente ao longo de todo o filme, estamos perante uma verdadeira obra prima, não só da animação, mas também da ilustração de fantasia com cenários lindíssimos que já são uma referência no mundo da animação.

Além disso os personagens são mais uma vez a alma da história. Não só é bom voltar a ver o “conan” e a “lana” agora numa longa metragem a sério, como [“Laputa – Castle in the Sky“] apresenta-nos muitos mais que se tornaram figuras de culto, tal como os imaginativos robots guardiões de Laputa que se tornaram extremamente populares no Japão transformando-se mesmo num dos ícones do design dentro do género com todo o mérito pois são verdadeiramente um personagem inesquecível pela sua simplicidade.

A obra de Miyazaki, só muito recentemente se deu a conhecer ao grande público em Portugal, através da estreia (miraculosa) no cinema do filme “A Princesa Mononoke” (que não me impressionou particularmente), e dos seus filmes posteriores, “A Viagem de Chihiro” e mais recentemente “O Castelo Andante”.
Todos os trés com edição Portuguesa em dvd.
É no entanto uma pena que o resto da obra produzida pelo estúdio Ghibli continue ainda sem ser editada no nosso país, pois na minha opinião todos os trabalhos antigos são muito superiores a qualquer uma das novas longas metragens tão populares actualmente, mas que me parecem mais uma reciclagem de tudo o que já foi feito antes.

[“Laputa – Castle in the Sky“] , no entanto é um caso especial dentro da filmografia do estúdio Ghibli e espero sinceramente que alguém no nosso país se lembre também de lançar este filme por cá.

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CLASSIFICAÇÃO:

Um dos melhores filmes de fantasia de sempre com um estilo steampunk excelente e uma profundidade que vai muito para além da banal aventura para crianças. Ponto final.
A prova de que o facto de ser Anime não implica de modo nenhum que seja um objecto menor de Cinema só porque é um desenho animado.
Na minha opinião é uma obra prima da animação e é definitivamente o meu filme favorito do realizador.
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award como selo de qualidade excepcional sem qualquer sombra de dúvida.

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A favor: tudo. Personagens, história, conceito, paisagens, banda sonora, ambiente.
Contra: ??! Não haver uma parte 2 igual ?…

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer (*spoilers*):
http://www.youtube.com/watch?v=IpHG0UXHcLA

Opiniões adicionais:
http://www.asia.cinedie.com/laputa.htm
http://www.nausicaa.net/miyazaki/laputa/

COMPRAR
Opções de compra para [“Laputa – Castle in the Sky“], é coisa que não falta, pois basicamente existem edições deste filme em todo o lado, excepto Portugal, claro.
Aproveitem os preços baixos para o cinema oriental na Amazon Uk e comprem já este DVD.

Agora se tiverem a sorte de encontrar esta fabulosa edição especial Japonesa ainda á venda, isto sim é que seria uma compra perfeita. Espreitem só isto:
http://www.ghibliworld.com/laputacollection.html

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Quem tocar guitarra e quiser aprender os acordes da banda-sonora pode espreitar aqui:
http://www.youtube.com/watch?v=butX_chr0GM&feature=related

IMDB:
http://www.imdb.com/title/tt0092067/

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