Missing (Missing) Tsuy Hark (2008) China


Parece que ultimamente ando a dar nos filmes sobrenaturais/terror mas tem sido pura coincidência.
Na minha busca por histórias originais procuro sempre ver aquilo que mais me desperta a atenção e neste caso isso trouxe-me agora até [“Missing“].
Se eu procurava originalidade, originalidade foi aquilo que obtive o que só prova que se calhar ás vezes não é boa ideia conseguirmos aquilo que queremos.

Sabem aqueles filmes que nunca mais acabam ?
Aqueles que parecem durar para sempre, não por serem chatos mas porque de cada vez que nos preparamos para nos levantarmos da cadeira parece que afinal ainda há mais qualquer coisa para ver, e depois mais qualquer coisa, e mais e mais…
E mais.
E finalmente…
Ainda mais.
[“Missing“] é um desses filmes, mas testa a nossa paciência até ao limíte de uma forma que ainda não tinha encontrado.
Não há nada de errado com twists e reviravoltas quanto baste quando temos pela frente uma história que nos agarra. O pior é quando o argumento de um filme é tão desconjuntado e sem ponta por onde se lhe pegue que uma pessoa fica farta.
[“Missing“] é um filme assim. É a versão cinematográfica do Coelho da Duracell só que em versão “pilha dos chineses“.

E pior ainda é quando ficamos fartos, não porque a história seja desinteressante, mas porque na realidade tem tanto potencial que se torna extremamente irritante estarmos a acompanhar a sua total destruição no ecran sem conseguirmos tirar os olhos dele porque apesar de tudo há sempre mais qualquer coisa a surgir para nos tentar trocar as voltas.
Eu só me pergunto, com tanto que poderia ter sido feito á volta do primeiro argumento para cinema sobre as fantásticas ruínas de Yonaguni e o melhor que sai cá para fora á volta deste polémico e fascinante tema é um filme como [“Missing“] ?!! Mas que raio é isto ?!!

E menos ainda compreendo quando inclusivamente parece que a produção se deu ao trabalho de filmar sequências subaquáticas nas próprias ruínas de Yonaguni, que tem inclusivamente fama de não ser um local nada fácil para se mergulhar.
Para quê ?! [“Missing“]  poderia ter sido passado á volta de umas ruínas fictícias quaisquer filmadas no fundo de uma piscina em Hong Kong que não faria qualquer diferença para a história e eu detesto este sub-aproveitamento de potencialidades em cinema. A última foi a do Michael Bay no Transformers-3 quando usa a fascinante polémica da Apollo 11 + supostas ruínas lunares para introduzir mais robots gigantes para outra sessão de porrada, mas de hollywood já não se espera muito no que toca a imaginação.
A verdade é que [“Missing“] é uma desilusão e não é apenas por causa do sub-aproveitamento de Yonaguni. Seria bom que o fosse.

Começa muito bem, o genérico promete, a estética do filme tem qualquer coisa de estranho mas com uma boa identidade visual, os personagens parecem interessantes á partida e isto para não falar de toda a atmosfera que se gera logo á volta do mistério de Yonaguni e das boas cenas de mergulho captadas no local.
Vinte minutos depois do início, começamos a ter indícios de que qualquer coisa estranha se está a passar com o argumento mas nada nos prepara para a confusão geral de temáticas, géneros e ideias que nos cairá em cima no par de horas seguintes culminando naquele final absolutamente interminável que dura e dura e dura e dura …

Mas afinal o que há de tão errado em [“Missing“] ? Bem, na verdade tudo.
Na ideia de serem os mais originais possíveis, os criadores deste filme parece que se excederam um bocadinho e misturaram géneros que vistos isoladamente até poderiam ter funcionado bem, mas tal qual certos ingredientes nunca se conseguem misturar naturalmente numa receita, também aqui o bolo sai algo indefinido.

[“Missing“] (não) tenta ser um filme de aventuras, (não) tenta ser um filme de terror, (não) tenta ser um filme sobrenatural, (não) tenta ser um filme romântico e consegue falhar em tudo. Quanto mais houvesse mais este filme falharia redondamente e a partir de certa altura torna-se quase angustiante assistirmos aquilo que mais parecem tentativas do realizador e do argumentista para remendar um barco a se afundar do que a outra coisa qualquer e o pior é que parecem não querer desistir ! E dura, e dura, e dura…

Não é que o filme tenha falta de ritmo, o problema está mesmo na falta de ligação entre as ideias.
Como filme de aventuras (até mesmo ficção-científica) é nulo, continua como filme sobrenatural mas não se percebe qual é a ideia afinal, finalmente entra pelo filme de terror mas mais parece uma comédia que não dá vontade de rir e muito menos mete medo (embora contenha um susto excelente pelo meio) e termina em estilo thriller de acção com uma pitada de twilight zone que não tem ponta por onde se lhe pegue. Muito menos o tão esperado twist tem qualquer impacto pois nessa altura o espectador já está tão farto de tentar aturar esta história pela sua incoerência que já nada importa.
Mas a coisa não acaba aqui.

Depois da reviravolta final, ainda entra pelo drama psicológico durante alguns minutos e depois acaba em força em estilo de drama romântico oriental com uma particularidade.
Vocês nunca viram história de amor mais rasca, vazia e banal do que esta. Banal e extremamente irritante !
Este filme faz coisas como “Duelist“, “Bichunmoo” e “Shinobi” parecerem épicos românticos !!!
Ao longo de [“Missing“] a colagem ao género love-story é notório, mas isto ganha contornos de epidemia num dos múltiplos finais da história onde a suposta relação amorosa dos protagonístas se calhar deveria colocar-nos a chorar.
Pois bem, falharam redondadamente.
Por esta altura a gente só quer que eles se lixem  !

Há muito tempo que não via um filme que assenta essencialmente numa história pretensamente carregada de romantismo com tanta falta de emotividade !
A propósito querem saber do que trata [“Missing“] ?
A sério ? Ok, está bem…já que tem que ser…

Uma rapariga conhece e apaixona-se por um rapaz que tem uma irmã, vão todos numa expedição de mergulho a Yonaguni onde o rapaz sofre um misterioso acidente e desaparece. Obcecada por saber o que afinal aconteceu ao amor da sua vida a rapariga vai tentar resolver o mistério que entretanto mete fantasmas bonzinhos, assombrações manhosas, zombies, doentes mentais, psiquiatras que comem na tromba, cientistas que não servem para nada na história além de serem apunhalados pelas costas, gajas alucinadas , fantasmas secundários e montes de amor e choradeira romântica a um ponto que os irá fazer ir ás lágrimas.
De tédio.

No final disto tudo, eis que descubro a razão porque o filme era assim.
Afinal tudo [“Missing“] é mais um filme de Tsuy Hark e eu ainda não tinha reparado !!!
Aliás, só notei agora quando o fui procurar no IMDB e não deixa de ser fascinante como mais uma vez outro dos piores filme orientais que vi na minha vida tem a assinatura deste mesmo realizador !! (?!!)
Nunca hei de entender tanta reverência á volta deste tipo. Acho que nunca vi um filme deste homem que não fosse um produto todo desconjuntado e nem sei como não tinha reconhecido o estilo antes !
Talvez porque estou mais habituado a Tsuy Hark a (tentar) filmar histórias medievais , arte-marciais ou de fantasia wuxia do que própriamente histórias de amor supostamente fofinhas e não deixa de ser interessante constatar que Tsuy Hark afinal também NÃO sabe fazer filmes de aventura, muito menos de terror e espero sinceramente que não volte a tentar fazer outra história de amor.
Se for esta a primeira história de amor oriental que tiverem o azar de ver na vossa vida, olhem que o género não é todo assim !!!

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CLASSIFICAÇÃO:

Talvez a pior história de amor oriental que alguma vez vi e um péssimo exemplo do género para aquelas pessoas que tiverem o azar de começar por aqui  quando em busca de dramas românticos.
Um dos piores e menos assustadores filmes sobrenaturais ou de terror que vi até hoje em qualquer cinematografia.
Uma história completamente desconjuntada sem ponta por onde se lhe pegue e com um final que irrita mais do que emociona. Ou melhor, não emociona nada ! A não ser que a irritação possa ser considerada uma verdadeira emoção saída desta história.
Muito, muito mau e não é de forma nenhuma a história que as ruinas de Yonaguni estavam a pedir há tanto tempo.
Uma tigela e meia de noodles. Na verdade só vale uma, mas dou mais meia por ser passado em Yonaguni um dos meus locais misteriosos favoritos do planeta e é sempre bom ver imagens do local.

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A favor: o genérico, as cenas subaquáticas em Yonaguni, tem uma identidade visual interessante, tem um susto excelente !
Contra: é um emaranhado de boas ideias totalmente mal desenvolvidas, falha em todos os géneros que tenta introduzir a martelo, como filme de terror é quase para rir, é o pior filme romântico que me lembro de ter encontrado em muito muito tempo, tem finais múltiplos que nunca mais acabam numa tentativa de remendar um argumento já totalmente afundado, a quimica romântica entre personagens é nula, Yonaguni não serve para nada.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailers
http://www.youtube.com/watch?v=Bpic0qKzr0c&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=Bpic0qKzr0c&feature=related

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Download aqui

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0896815/combined

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Hum ?!!!

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Jisatsu sâkuru (Suicide Club ou Suicide Circle) Shion Sono (2001) Japão


Interesso-me sempre por espreitar primeiras obras de novos realizadores. Especialmente dentro do cinema oriental claro está.
Então quando estamos na presença de uma primeira incursão no género de terror da autoria de um gajo que até á data apenas tinha realizado filmes porno-gay asiáticos, é caso mesmo para não perder um segundo de [“Suicide Club“] pois a coisa promete.
Sim, porno-gay. 🙂

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Passar da pornografia para o chamado cinema normal nunca é tarefa fácil, mas há que convir que este tipo tem qualquer coisa de interessante e de certa forma até conseguiu ser bem sucedido apesar deste filme ser absolutamente estranho. Ou será … estúpido ?…
Se procurarem pela net, encontrarão inclusivamente no Imdb, bastantes pessoas convencidas de que perceberam o filme. Não se deixem iludir por esses comentários pois essa gente deve andar a dar na coca.
Mas não deixa de ser curioso, parecer haver tanta gente a querer interpretar [“Suicide Club“] ás vezes com conotações absolutamente hilariantes á força de tentarem parecer inteligentes em demasia.

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Esqueçam. Este filme japonês não tem lógica e se calhar nem é para ter.
Podem arranjar as explicações que quiserem para o final, esmiuçar todas as implicações sociais, filosóficas e intelectualoides que não vale a pena. Este argumento não tem ponta por onde se lhe pegue. O que é estranho pois no que toca a uma narrativa coerente ao longo de toda a sua duração até transporta o espectador por pelo menos cinco histórias diferentes de uma forma bastante interessante pois não há dúvida que este realizador sabe criar tensão e ambiente.

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Ao contrário da história noutro filme que deixa muita gente confusa, o fabuloso “A Tale of  Two Sisters“, aqui em [“Suicide Club“] não há mesmo ponta por onde se lhe pegue por uma simples razão. As histórias paralelas que apresenta permanecem practicamente sempre isoladas. Podiam ser de filmes orientais independentes sem qualquer ligação ao suposto mistério central que não se notava nada.

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Por muito que não pareça em “A Tale of  Two Sisters” há mesmo uma história e na realidade é tão simples que parece bem mais complexa do que é,  mas que é fácilmente desmontada quando ordenamos as peças do puzzle pela cronologia temporal correcta e percebemos quais as relações entre os personagens (onde nem falta uma pista excelente no próprio poster do filme).

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Nada disso se passa em [“Suicide Club“]. No fundo resume-se a uma mistura de cinco boas histórias isoladas que poderiam qualquer uma delas dar excelentes filmes de terror mas que nunca são aproveitadas na sua plenitude pois o elemento condutor que supostamente as liga é tão obscuro e críptico que faz com que a história nem tenha uma resolução final satisfatória como merecia.
O problema de [“Suicide Club“] é que é nem sequer disfarça, mas sente-se plenamente que é um daqueles filmes a querer armar a inteligente.

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A sua atitude cinéfila ao estilo do eu sou tão confuso que só pessoas muito espertas é que me poderão interpretar e chegar realmente á minha essência profunda acaba por se tornar profundamente irritante quando chegamos ao final e nada do que é estruturado ao longo da narrativa tem realmente uma resolução objectiva.

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Esse sentimento quanto a mim está presente ao longo de todo o filme e acho que é definitivamente o seu grande ponto negativo.
É um daqueles trabalhos de cinema oriental que na verdade não precisava de estar a mostrar a sua inteligência a todo o instante e no entanto o constante toque artístico a meter pinta de cinema-de-autor á força acaba por se tornar na sua fraqueza.

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Tirando isto, no entanto na verdade não se pode dizer que [“Suicide Club“] seja um mau filme de terror porque não é.
Tirando os enervantes tiques a cinema-artístico, quando entra por momentos de tensão e verdadeiro mau gosto no que toca a banhos de sangue é um excelente espectáculo para quem gosta de muita hemoglobina no ecran e pensa que já viu tudo em matéria de conceitos horrorosos para nos encherem os ecrans com sangue.

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É que se gostam de sangue, não vão ficar decepcionados. [“Suicide Club“] tem momentos verdadeiramente arrepiantes, se calhar não pelo que mostra mas mais porque sabe criar uma tensão no espectador que depois aproveita muito bem na hora de nos despejar o sangue em cima.
[“Suicide Club“] além disso tem uma atmosfera doentia que só lhe fica bem. Está carregado de cenas de suícido colectivo genialmente tensas e ainda por cima tem uma certa carga de pedófilia subliminar que só o torna ainda mais enervante e enigmático daquela forma que só os japoneses conseguem fazer ou o cinema asiático consegue proporcionar.

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E também não custa muito a acreditar que o realizador tenha vindo da pornografia homossexual, o que só adensa ainda mais a atmosfera deste produto verdadeiramente único dentro do cinema de terror.
Por outro lado….se isto é um filme “normal” , eu nem consigo imaginar que fantasmas ou taras sexuais verdadeiramente pervesas poderão estar na filmografia pornográfica do tipo que filmou [“Suicide Club“]. Eu por mim dispenso qualquer filme porno deste senhor, seja gay ou étero. Prefiro nem imaginar.

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Sendo assim, o que dizer de [“Suicide Club“] ?
Eu recomendo. Se gostam de filmes de terror orientais este é um daqueles que deve ser visto pelo menos uma vez.
E se gostam de filmes em que adolescentes fofinhas saltam em grupo  para linhas de metro ficando desfeitas em milhares de bocadinhos sangrentos, então este filme é para vocês meus amigos.

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CLASSIFICAÇÃO:

Adolescentes fofinhas aos bocados, dedos cortados, cabeças decepadas, suicidios ao molhe, pedófilia subliminar e homossexualidade artística tudo condimentado com alguns baldes de sangue e muita pretenção a filme de arte.
O que poderia ser melhor ?

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Bom, o filme poderia ser menos pretencioso.
Por causa disso só leva duas tigelas e meia. É um filme de terror muito interessante  e recomendo-o mesmo a quem gosta do género pois tem tudo para agradar. No entanto poderia ter sido melhor se a sua história levasse a lado algum sem ser necessária uma interpretação quase filosófica ou sociológica da parte do espectador.

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A favor: tem um par de boas histórias pelo meio, o mistério é interessante, as cenas de suicídio são fantásticas e arrepiantes, excelentes momentos doentios cheios de tensão, muita gente aos bocados e baldes de sangue quanto baste.
Contra: arma-se demasiado em filme artístico e leva-se demasiado a sério, as histórias são demasiado independentes e nunca ligam como deveriam de ter ligado para nos apresentar o final que este filme oriental merecia ter tido, tem pretenção a mais e por isso não é tão divertido quanto deveria ter sido pois arrasta-se por momentos a tentar parecer uma obra mais inteligente do que precisava de ter sido.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=1Dx3_fwEbM4

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Comprar
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-aa-49-en-15-suicide+club-70-361k.html
Atenção que existe há venda uma versão censurada.

Caso queiram vê-lo antes de o comprar podem ir buscá-lo aqui ao AsianSpace.

Review adicional, para tentarem compreender o filme depois de o verem.
Tenta uma corajosa interpretação possível da coisa.
http://www.bocadoinferno.com/romepeige/artigos/suicide.html

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0312843/

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Kansen (Infection – Infecção) Masayuki Ochiai (2004) Japão


Parece que estou a escrever reviews de cinema oriental aos pares mas o facto de ir agora recomendar outro filme de terror é apenas pura coincidência simplesmente porque me lembrei que ainda não tinha falado deste filme e [“Infecção“] é um daqueles filmes asiáticos que têm um lugar curioso na minha colecção.

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Não é propriamente um grande filme, não é definitivamente o melhor filme de terror do mundo nem sequer será o mais assustador, mas é uma pequena obra que tenho sempre vontade de rever quando me apetece ver “cinema-pipoca” ao estilo oriental dentro do género.
Além disso mete Hospitais e seringas portanto só poderia ser um filme totalmente recomendável para todos aqueles que tal como eu têm pavor de médicos e odeiam cheiro a consultório.

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Sendo assim, se não gostam de ambientes hospitalares, não têm qualquer vocação para medicina e muito menos conseguem compreender como raio é que alguém vai para médico, têm aqui em [“Infecção“] um filme simpático para passarem uns 90 minutos muito divertidos no mais arrepiante dos sentidos.

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Basicamente, a história não interessa para nada, fiquem apenas a saber que algures num hospital anda á solta uma espécie de infecção absolutamente nojenta que transforma o pessoal do corpo clínico em mortos-vivos e os faz ter uma boa apetência por se espetarem com seringas por dá cá aquela palha.
Se gostam de cenas com baba nojenta a pingar por cima de inocentes vítimas, cadáveres em decomposição de aspecto vomitável e sequências de assombração clássica  também não vão mais longe pois este filme é para vocês.

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Volto a dizer, [“Infecção“] não é propriamente um grande filme de terror. Poderão notar que não lhe dou uma grande classificação, mas não deixem que o meu aparente fraco entusiasmo na sua atribuição os afaste deste bom produto sobrenatural. Até porque este está editado em Portugal e tudo e poderão encontrá-lo certamente algures num daqueles cestos de promoções num centro comercial perto de vós.

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[“Infecção“] não é brilhante, mas tudo o que faz, faz bem. Nota-se que é mesmo um produto de baixo orçamento dentro do cinema de terror oriental mas é notório que houve um grande esforço por parte dos seus criadores para tirar partido de tudo o que pudessem usar para nos impressionar e assustar.

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Uma das melhores coisas que este filme tem é precisamente o facto de não só nos conseguir impressionar com cenas nojentas e arrepiantes (seringas, seringas), mas também contém uma atmosfera clássica de filme de fantasmas e em certos momentos acerta em cheio na forma como trabalha a atmosfera sobrenatural sem precisar de efeitos especiais ou de nos mostrar mais cenas repugnantes.

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Inclusivamente, as cenas que nos causam mais calafrios não serão aquelas cheias de gore repugnante (uma pessoa habitua-se) mas sim as sequências mais tradicionais em que o filme entra pelo género de cinema-de-casa-asssombrada e nos arrepia com um par de cenas bem colocadas no argumento que funcionam perfeitamente para nos provocar aquele efeito de frio na espinha que normalmente não existe neste tipo de cinema de terror essencialmente gore.

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Este é um daqueles raros filmes que é simplesmente bom.
Não será muito bom, mas também é muito melhor do que um produto que fosse apenas interessante.
[“Infecção“] é um bom filme de terror. Nem mais nem menos e recomenda-se para toda a gente que gosta deste género de filmes. Especialmente se gostar do estilo sobrenatural do cinema asiático.

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A realização é boa, o argumento tem suficientes reviravoltas para nos manter interessados ao longo de quase 90 minutos de puro divertimento para quem gosta de coisas deste género.
Se falha em alguma coisa, será provavelmente nunca conseguir ir mais longe com o material que tenta apresentar.
Ou seja, por muito nojento que o filme tente ser nota-se alguma repetição no tipo de sequências que mostra e isso certamente será devido ao seu baixo orçamento, depois por causa do gore também fica a meio caminho como filme de fantasmas mas nunca será propriamente um filme de zombies.
Poderá ser visto como uma espécie de Evil Dead com uma pitada de Silent Hill ao estilo oriental passado num hospital embora nunca seja tão violento como o filme de Sam Raimi.
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CLASSIFICAÇÃO:

Um daqueles raros filmes que é simplesmente bom e divertido. Nem mais nem menos.
Se gostarem de cinema de terror vão divertir-se com [“Infecção“]. Se gostam de cenas nojentas ou de histórias com fantasmas mais clássicos tem neste filme uma pequena colecção de bons momentos dos dois géneros de cinema sobrenatural.

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Apesar de ser cinema de terror japonês, não se cola ao habitual estilo de Ringu ou Ju-On e tenta dar-nos um bocadinho de tudo sendo talvez essa a sua única grande fraqueza pois fica a meio caminho entre todos os géneros que tenta apresentar no ecran em menos de noventa minutos.
Trés tigelas de noodles na boa e não deixem que esta aparente crítica mediana os afaste desta pequena obra que essencialmente pretende divertir, especialemente se gostarem do género na sua vertente oriental.
Muito fixe o filminho. Está de boa saúde e recomenda-se.

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A favor: tenta aproveitar ao máximo o baixo orçamento e o elenco limitado de que dispõe, tem seringas, tem cenas nojentas divertidas, tem seringas, além das cenas repugnantes tem um par de momentos com fantasmas mais clássicos que funcionam perfeitamente, tem seringas, tenta ter um argumento com algum dinamismo e criatividade, tem seringas, não se cola a um género específico, não brilha mas cumpre perfeitamente o seu propósito e diverte-nos tanto quanto nos consegue arrepiar. Já lhes disse que o filme tem cenas com seringas ?
Contra: apesar de atmosférico fica a meio caminho entre vários géneros, repete-se um bocadinho nas cenas nojentas, o argumento tenta ser muito dinâmico e variado mas acaba por se embrulhar um bocado na reviravolta final.

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NOTAS ADICIONAIS:

TRAILER
http://www.youtube.com/watch?v=eGWuqC-t9xQ

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COMPRAR
Se tiverem sorte, aqui em Portugal poderão encontrá-lo no cesto de promoções de um qualquer hipermercado a menos de 10€.
Caso queiram comprar a edição chinesa encontram-na como habitualmente na Play-Asia a um preço decente também.
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7m-49-en-15-infection-70-24go.html

E está a um preço estupidamente baixo na Amazon através do mercado dos Sellers.

IMDB

http://www.imdb.com/title/tt0418778/

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Dark Water

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Hansel & Gretel (Hansel & Gretel) Pil-Sung Yim (2007) Coreia do Sul


Mais uma vez dentro do cinema oriental estamos na presença de uma boa tentativa Sul Coreana para produzir algo original.
Á primeira vista pode parecer que [“Hansel & Gretel“] é apenas mais um filme de terror asiático igual a tantos outros, mas este filme tenta realmente ser diferente.

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Se calhar procurar essa diferença foi precisamente a sua única fraqueza pois na verdade fica algures entre dois géneros.
Não é suficientemente assustador para poder ser incluído na categoria de terror, mas também  tem uma atmosfera demasiado assombrada e perturbante para poder ser visto como um mero produto de fantasia.

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[“Hansel & Gretel“] apesar de se basear no popular conto infantil sobre a famosa casa cheia de doces perdida no bosque, tem mais semelhanças com um bom e alargado episódio da série The Twilight Zone do que com uma adaptação directa da história clássica em que vai buscar inspiração.

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No entanto, não quero com isto dizer que o filme é desinteressante, muito pelo contrário.
Pode não ter grandes surpresas para quem já conhece este género de histórias ou já leu muita fantasia mas ainda consegue manter um excelente clima de incerteza ao longo do seu desenvolvimento muito graças ás boas interpretações do elenco e a uma atmosfera assombrada sem no entanto ser um filme de fantasmas.

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Quem gosta de filmes de terror com criancinhas arrepiantes tem aqui uma excelente opção pois os trés protagonistas infantis são uma das melhores coisas que esta história tem. Com um registo que varia entre o totalmente fofinho e o perturbantemente ameaçador todos os mini-actores deste filme têm um desempenho perfeito que faz esta história funcionar até ao seu segundo final mesmo quando já não contem nenhuma revelação por aí além.

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Apesar de não se conseguir enquadrar dentro de nenhum género específico o filme equilibra bastante bem pequenos momentos comuns a vários estilos, inclusivamente o drama que mais uma vez acaba por humanizar os seus personagens e contribui perfeitamente para o tocante final que conclui muito bem esta história sobrenatural Sul Coreana.

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Basicamente [“Hansel & Gretel“] é sobre um jovem que se perde um dia numa floresta após ter tido um acidente e vai parar a uma casa onde habitam trés felizes criancinhas juntamente com os seus pais.
Tudo naquele lar é perfeito, as crianças passam a vida a brincar, á hora das refeições só se comem doces e toda a gente vive permanentemente feliz num ambiente de arquitectura muito colorida onde existem briquedos por todo o lado.

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Ao tentar voltar para a civilização no dia seguinte o jovem descobre então que todos os caminhos para fora da floresta o levam de volta á mesma casa onde o aguardam as criancinhas. É então que as coisas se complicam quando aos poucos o jovem começa a explorar os locais menos habitados do edificio e arredores e todo o trágico passado se revela perante ele.

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Essencialmente estamos perante um filme de suspanse com uma atmosfera negra por isso [“Hansel & Gretel“] é um bom titulo para todos aqueles que sempre tiveram curiosidade em espreitar filmes sobrenaturais orientais mas têm medo de filmes de terror.
Não se irão assustar particularmente com isto, mas se gostam de suspense têm aqui um bom motivo para passarem um par de horas.
Para aqueles que gostaram de A Tale of Two Sisters têm aqui algo com uma atmosfera no mesmo estilo, embora muito mais simplificado e sem o mesmo resultado sobrenatural ou dramático.

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Um dos grandes trunfos de [“Hansel & Gretel“] está no seu visual. O tratamente de cor é fantástico e a cenografia da casa é tão bonita quanto perturbante. Essencialmente este deverá ser o filme “de terror” mais colorido de sempre e com uma atmosfera tão bonita e luminosa que cria um contraste perfeito entre o tom inquietante da história.
Quanto mais não seja é um filme que vale a pena ser visto por toda a gente que gosta ver cinema com imagens bem bonitas e onde cada enquadramento parece uma ilustração.

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CLASSIFICAÇÃO:

Um excelente filme “de terror” para quem tem medo de ver filmes de terror.
É um bom filme fantástico que só perde porque á força de tentar ser original acaba por ficar algo a meio entre géneros sem nunca desenvolver todos os bons caminhos arrepiantes por onde poderia ter ido e não foi.

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No entanto quem gosta de filmes de Fantasia com uma atmosfera bem negra e quase natalícia vai adorar este.
Não lhe dou uma classificação mais elevada porque a sua história não me surpreendeu tanto quanto eu pensava que iria surpreender-me e na verdade não fiquei com muita vontade de o rever tão cedo apesar das suas muitas virtudes.
Trés tigelas e meia porque é mesmo muito bom e merece mesmo ser visto pelo menos uma vez por toda a gente que gosta de cinema fantástico.

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A favor: o elenco é excelente com destaque para as criancinhas actores, o grafismo e o design do filme são absolutamente perfeitos para ilustrar uma história como esta, a maneira como a cor é usada não nos deixa tirar os olhos do ecran, o tom assombrado e o clima perturbante que percorre a história está muito bem conseguido, mais uma vez o cinema oriental consegue aos poucos humanizar os personagens, o sub-plot que revela o mistério (embora previsivel) está bem pensado e executado criando alguns dos momentos mais tensos e dramáticos do argumento, o final do filme adequa-se perfeitamente e tem um par de momentos tocantes que fecham em beleza a história.
Contra: apesar de atmosférico tudo é demasiado previsivel e já vimos esta história antes, não mete medo nenhum nem nos assusta particularmente, a parte central da história arrasta-se um pouco sempre com mais momentos do estilo que já nos foram mostrados antes, o facto de ficar a meio termo  entre vários géneros não o ajuda pois nunca se desenvolve num sentido da forma que merecia, não nos deixa muita vontade de o revermos tão cedo.

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NOTAS ADICIONAIS:

TRAILER
http://www.youtube.com/watch?v=sprTGLw8f-s

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COMPRAR

Aproveitem esta excelente edição á venda na Amazon Uk agora que está bem baratinha.

Caso queiram espreitar antes o filme poderão encontrar aqui uma boa cópia legendada em inglés também.

IMDB

http://www.imdb.com/title/tt1002567/

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A Tale of Two Sisters

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Kairo (Kairo) Kiyoshi Kurosawa (2001) Japão


Antes de mais, espero que ainda não tenham visto o trailer do remake americano deste filme.
Se o viram, então espero que já não se lembrem dele.
E isto, porque o trailer do remake americano, não só revela a história toda como ainda se dá ao trabalho de explicar tudo muito bem explicadinho.
Nem sequer esconderam o final do filme que infelizmente temos o azar de ser semelhantel ao da obra original japonesa e por isso se o virmos logo no trailer americano, lá se vai o impacto psicológico da história.
Embora tenha que ser justo e o remake nem sequer é dos piores…mas quando comparado com o original asiático é melhor nem dizer mais nada.
No entanto, se quiserem apreciar devidamente a versão original deste excelente filme sobrenatural oriental , afastem-se por favor do trailer do remake americano chamado “Pulse” pois precisam chegar ao filme japonês sem saberem muito dele.
Agora que estão avisados, bem-vindos a [“Kairo“].

Esta versão original japonesa consegue assustar e inquietar mais o espectador em dez minutos do que a videocliptica versão americana consegue em noventa. Tudo isto sem efeitos especiais daqueles que dominam os filmes da terra do tio Sam. Sem perseguições, cenas de acção e muito menos sem super-vilões sobrenaturais ao estilo Freddy-Kreuger como parece que alguém nos states achou que seria necessário introduzir no remake. Deve ter sido para os teenagers do milho terem algum “mau” para se assustarem nos intervalos das cenas em que admiram as mamas das rapariguinhas modelos que povoam a versão ocidental e que não servem absoutamente para nada a não ser de carne para canhão na habitual contagem de cadáveres á Scream.
Sim, porque foi num Scream que os americanos transformaram este excelente [“Kairo“] que apesar de ser um filme com adolescentes e jovens adultos felizmente é também um filme com personagens pelo qual nos importamos, ao contrário do que acontece no body-count americano.

Portanto, para quem pensar que [“Kairo“], é o equivalente japonês dos filmes de teenagers americanos, é melhor esquecer este filme.
[“Kairo“], é um filme lento.
Muito lento. Muito leeeeeeeeeeeeeento mesmo.
Não é uma lentidão ao estilo Manoel de Oliveira nos seus melhores dias, mas não é de forma nenhuma um filme sobrenatural com uma montagem MTV ou sequer algo que se possa considerar uma montagem ocidental.
E isto não é uma coisa negativa, pois aqui a lentidão no desenvolvimento da história é acima de tudo usada para criar um clima de inquietação constante no espectador que resulta plenamente e dá uma identidade única ao filme.

Este filme nota-se á distância que é um produto japonês, só pelo tempo que demora a criar ambiente. Não tem pressa na montagem para dizer muita coisa e muito menos para explicar o que está a acontecer e por isso este pode ser um filme complicado de seguir para qualquer público que não esteja habituado ao estilo japonês de contar histórias, ou apenas se interessar pela imediatez dos ritmos narrativos cinematográficos americanos.

Por outro lado, também não se assustem com esta descrição, porque não estamos a falar de puro cinema de autor, isto naquele sentido mais Artístico ou intelectualoide cheio de metáforas sobre a vida, a essencia do Ser ou a natureza dos cogumelos.
[“Kairo“], não quer mais do que nos dar cabo dos nervos com uma boa história, que se calhar nem notamos a uma primeira visão, porque é verdade que o ritmo lento do filme pode desarmar-nos quando espreitamos esta obra pela primeira vez.

Confesso que quando vi isto tendo lido apenas um par de críticas na net que garantiam que [“Kairo“], era a coisa mais maravilhosa do planeta dentro do cinema sobrenatural, fiquei bastante decepcionado.
Mas a verdade, é que a montagem errática desta obra me desarmou pois não estava nada á espera de encontrar um filme tão estranho em todos os sentidos.

É estranho, porque na verdade não deixa de ser um filme comercial, mas ao mesmo tempo o seu ritmo narrativo quase que o remete para o cinema de autor e [“Kairo“], quase que acaba por ficar numa espécie de limbo entre os dois géneros.
O que é bom, pois é precisamente de situações no limbo que esta fantástica história sobrenatural trata.
E notem que eu ainda não me referi a [“Kairo“], como filme de terror. Repararam ?
O filme pode ser japonês, ter um estilo estranho, mas tem a grande vantagem de nem sequer tentar imitar o já clássico “Ringu” que definiu as regras modernas do género e só este facto é logo motivo para prestarmos mais atenção a esta obra.
Na verdade se “Ringu” criou um estilo, depois popularizado em mil clones do género como por exemplo a saga “Ju-On”, já [“Kairo“], pode dizer-se que criou uma segunda fórmula seguida também por um par de outras obras menos conhecidas.

[“Kairo“], não é um filme de terror oriental naquele sentido em que nos assusta pelo que mostra, ou por imagens demasiado gráficas, mas por aquilo que não mostra. [“Kairo“], assusta porque não nos explica nada e apenas nos vai mostrando uma sucessão de acontecimentos que adensam o mistério, criando muito devagar e sem pressas nenhumas um clima de medo e tensão insuportável, que nos dá lentamente cabo dos nervos.
A certa altura o espectador dá por si sem saber porque raio é que está tão perturbado, ou o que raio se está a passar na história, ou como irá acabar, mas agora o realizador do filme poderia ter colocado o Bugs Bunny no ecran que metade do público se ainda se conseguisse mexer correria imediatamente para o interruptor da luz, isto antes se não tropeçar em metade da mobilia.

Acima de tudo,  [“Kairo“] não é uma história para assustar momentaneamente em segmentos para nos fazer saltar da cadeira, mas sim para provocar medo e transportar o espectador para o mundo que a pouco e pouco vai criando e que leva o filme a terminar de uma forma extremamente atmosférica, que só nos dá vontade de ver uma sequela quando o filme acaba.
Mas afinal isto é sobre o quê ?

Sem querer revelar muito da história, e partindo do princípio que vocês tiveram a sorte de ainda não terem visto o remake ou o trailer do remake americano, [“Kairo“] conta a história de um grupo de jovens que se começam a suicidar depois de passarem inúmeras horas obcecados com um misterioso website que encontram na internet.

Quando alguns deles começam a investigar o sucedido após inúmeras pessoas desaparecerem aparentemente sem motivo nenhum estes descobrem que a realidade é algo bem mais perturbante do que alguma vez imaginaram e onde a resposta a todas as suas questões pode não apenas trazer a solução do enigma mas também colocar em perigo o destino do mundo, porque os mortos estão á espreita em todo o lado e não haverá nenhum local no planeta onde nos possamos esconder.

Mas não pensem que estamos perante um filme de mortos-vivos, pois  [“Kairo“] apesar de conter uma atmosfera bem semelhante em alguns momentos é mais um filme sobre a morte enquanto dimensão paralela do que própriamente terá algo a ver com um filme do Romero.

Na verdade este filme tem tudo a ver com o ambiente do jogo Silent Hill. Quem gostar do título e procurar um filme de terror com uma atmosfera assombrada muito semelhante e onde o mesmo tipo de inquietação está sempre presente, então não pode perder isto. Apesar de não conter as sequências sangrentas do jogo para a PS2,  [“Kairo“] acaba por ser mais um Silent Hill do que a própria recente adaptação cinematográfica do jogo.

Para começar tem na minha opinião os fantasmas mais “realísticos” de sempre num filme de terror, nunca os vemos bem, aparecem como sombras furtivas no canto do olho e o realizador ainda consegue pregar um par de bons sustos com excelentes momentos inesperados apenas jogando com silhuetas e sombras que se movem. E isto sem ser necessário recorrer ao habitual som ALTO para assustar. Ou melhor, para pregar sustos.

Em [“Kairo“], o silêncio mete mais medo do que qualquer truque cinematográfico á americana e este filme asiático é um bom exemplo de como se constroi um clima de horror sem precisarmos de usar muitos truques baratos ou efeitos especiais caros completamente desnecessários.

E pronto, se calhar é melhor ficar por aqui, pois este é outro daqueles filmes orientais que merecem ser descobertos por vocês mesmo.
Se procuram um bom filme sobrenatural japonês com um toque de horror que ficará na memória mesmo que não lhes impressione muito á primeira por causa do seu estranho ritmo narrativo, não vão mais longe.
Este filme tem atmosfera, uma história intrigante e ainda um par de imagens perturbantes ao melhor estilo Silent Hill.

Não é o melhor filme de terror oriental de sempre, mas tem uns fantasmas que já definiram um estilo dentro do género e que lhes vão mesmo dar cabo dos nervos. E quanto a mim tem um final excelente, que embora um pouco ambiguo deixa-nos com vontade de ver uma continuação que infelizmente não existe.

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CLASSIFICAÇÃO:

Um filme diferente dentro do género sobrenatural. Contorna bem os clichés do cinema oriental e cria uma atmosfera de horror crescente em redor de acontecimentos perturbantes e com ajuda de uns excelentes fantasmas que os farão começar a olhar duas vezes para todas as sombras que têm em vossa casa.
Quatro tigelas e meia de noodles.

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A favor: a atmosfera perturbante assusta mesmo, a fotografia sombria, os silêncios e as sombras, os fantasmas arrepiantes, o sentimento de horror crescente, os sons inquietantes, o final do filme, quem gosta do jogo Silent Hill vai gostar disto.
Contra: a história tem falhas na sua estrutura e pode ser algo confusa de seguir ao inicio, a montagem é errática e a narrativa tem muitos ritmos estranhamente diferentes o que quebra um pouco os momentos de medo e horror, talvez tenha duração a mais pois a parte do meio da história arrasta-se um pouco.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailers
http://www.youtube.com/watch?v=Ubu7hVI48no
http://www.youtube.com/watch?v=y_JFO-Nrk5c&feature=related

Comprar
Existem um par de boas edição lá fora deste filme, e se não estou enganado, até uma edição em Português apenas com som em 2.0, por isso se tiverem 5€ sugiro a compra imediata desta edição
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7m-77-3-49-en-15-pulse-70-610.html pois contém um bom som e apesar do filme ser muito escuro a imagem até nem seja má de todo. Não é brilhante, mas pelo preço não precisam de mais para apreciar este filme. Eu tenho esta cópia e estou muito contente com ela.

IMDB (cuidado com os *spoilers*)
http://www.imdb.com/title/tt0286751/usercomments

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A Tale of Two Sisters Dark Water

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