Detective Dee and the Mystery of the Phantom Flame (Di Renjie: Tong tian di guo ) Tsui Hark/Hark Tsui (2010) China


Dentro do cinema oriental, Tsui Hark é um dos meus ódios de estimação, pois por mais que tente não consigo de todo entender porque é considerado um génio do cinema e praticamente todos os seus filmes aborrecem-me de morte salvo raras excepções. Curiosamente ainda não vi, aquele que é considerado um dos seus clássicos, o “Once Upon a Time In China” porque sinceramente…não confio nada naquilo. Comprei o dvd há já quase dez anos e até hoje continua na prateleira a apanhar pó.
Talvez por isso eu ache que Tsui Hark me persegue.

detective-dee-phantom-flame02

Todos os anos pelo Natal tenho por hábito comprar pelo menos um dvd/blu-ray oriental sem saber nada dele. Olho para a capa e compro. Isto surgiu um pouco para combater aquela frustração de hoje em dia já não conseguirmos manter-nos afastados da enxurrada de informação que existe sobre os filmes ainda eles mal saíram. Por isso uma coisa que eu gosto é de tentar recuperar aquele ambiente de infância quando íamos a uma sala de cinema sem saber absolutamente nada sobre o que iríamos ver para além do que estava nos cartazes de cartão pendurados á entrada do cinema. Isto para quem cresceu nos anos 70/80 claro. A partir daí, com a invenção dos multiplexes à americana com pipocas nas salas foi a desgraça e o fim do cinema também.

detective-dee-phantom-flame25

Todos os anos pelo Natal compro um filme do Tsui Hark !!!
Não sei que raio de pontaria é que eu tenho tido ultimamente pois até já tenho medo de olhar para a contracapa do dvd e ler “directed by Tsui Hark”… outra vez.
E outra…
E outra…

detective-dee-phantom-flame05

Das duas uma, ou há aqui algo que me agrada bastante nas capas dos blu-rays dos filmes dele ou então parece que o universo conspira contra mim, tentando demonstrar-me como este realizador será realmente um génio e pelo visto só eu não quero reconhecer o seu lendário talento para filmes de acção…zzzzzz
Uhm ?!!
Bom, desta vez quase me convenceram; [“Detective Deee – Mystery of the Phantom Flame”] conseguiu surpreender-me.
Á segunda tentativa.
Da primeira acho que estava tão traumatizado por ter comprado outro blu-ray deste realizador que acho que nem dei grande hipótese ao filme. Vi-o porque tinha que ver, já que tinha gasto o dinheiro naquela coisa e quando o vi pela primeira vez naturalmente só notei tudo aquilo que eu odeio no cinema de Tsui Hark. Como tal, o blu-ray ficou na prateleira por mais dois anos. Estranhamente, apesar de não ter gostado nada do filme (e me ter deixado dormir a meio, como é costume quando vejo cinema do Hark), este manteve-se na minha memória e como aconteceu há um par de anos com o fabuloso “A Time to Love” que eu também tinha detestado a uma primeira visão, agora quando ontem revi [“Detective Deee – Mystery of the Phantom Flame”] fiquei agradavelmente surpreendido e portanto esta é mais uma daquelas raras vezes em que eu revejo um filme que detestei e acabo também por rever a minha posição inicial sobre ele. Estranhamente neste caso, para melhor.

detective-dee-phantom-flame03

Apesar de eu ainda não ter visto o “Once upon a time in China”, tirando esse, penso que já vi pelo menos 80% de toda a filmografia de Tsui Hark. E em 90% das vezes detestei, ou nem consegui ver os filmes até ao fim porque apesar de conterem sempre bastante acção têm na verdade sobre mim um efeito sorporifero perfeito para combater insónias, (um pouco como nos filmes de super-herois gringos actualmente).
A última xaropada de artes marciais que vi de Hark, foi o secante “Seven Swords” do qual já estou para falar dele aqui há séculos… Ou melhor, ainda estou para tentar acabar de vê-lo pela primeira vez, pois já por três vezes me sentei para o ver do início ao fim e em todas desisti bem antes de chegar a meio.
Mas então se eu detesto tanto o Tsui Hark, como raio é que eu estou sempre a ver os filmes dele ? – Perguntam vocês…e perguntam bem.
Bem, como já referi eu tenho o mau hábito de comprar filmes do Tsui Hark, sabe-se lá como !
Se calhar foi por causa do guito que já gastei com cinema dele que o homem parece ser tão importante pois eu ando a comprar filmes dele sem saber, há decadas já. Cada um pior que o outro.
Pensavam que eu estava a brincar quando disse que este realizador me persegue ?…
Primeiro foi com as cassetes VHS pois alguns filmes chegaram a portugal, depois foi com o dvd e agora parece que ando a comprar coisas dele em Blu-ray também…Até em torrents eu já saquei Tsui Harks sem saber, (alguns incluídos já neste blog também)…
Se calhar devia ir à bruxa…

detective-dee-phantom-flame07

Portanto, recapitulando ontem decidi rever [“Detective Deee – Mystery of the Phantom Flame”]. Pois como já sabia o que continha de mau, a ideia foi tentar ignorar aqueles tiques Tsui Hark que detesto e tentar procurar pelas coisas boas que descurei quando vi o filme há dois anos pela primeira vez acompanhado das minhas baixas espectativas.
E não é que desta vez adorei ?…

detective-dee-phantom-flame18

Ok, não adorei, adorei… Não fiquei extasiado…
Adorei…
Explicando…a verdade é que sabe-se lá como, ontem o raio do filme divertiu-me bastante.
É claro que mais uma vez contem tudo o que eu odeio no cinema de Hark mas acho que desta vez também lá está muita coisa boa que não costuma existir…
No que toca a coisas que eu odeio no cinema de Hark, também em [“Detective Deee – Mystery of the Phantom Flame”], tudo o que é mau continua…péssimo!
Como raio é que este tipo continua a ser considerado um bom realizador ultrapassa totalmente a minha compreensão.

detective-dee-phantom-flame12

Desenvolvimento de personagens é mentira. Mais uma vez o filme está cheio de gente totalmente desinteressante que nunca cria qualquer empatia com o espectador; as tentativas para humanizarem os heróis com a inevitável história de amor aqui caem por terra novamente pois os personagens não têm profundidade, as sequências de acção são ultra estilizadas e são sempre todas iguais, (ao que já eram em todos os filmes anteriores também). Além do mais temos ainda, o habitual desiquilibrio narrativo entre cenas de porrada repetitivas, “artificiais” e sem qualquer carisma que ainda por cima são bem curtas.
[“Detective Deee – Mystery of the Phantom Flame”] é um filme de kung-fu que irá desagradar bastante a quem procura um filmes de artes marciais, pois toda a acção embora abundante é sempre muito curta e sempre mais do mesmo do início ao fim da história…se exceptuarmos as cenas com os v…já lá vamos…

detective-dee-phantom-flame15

Ainda por cima embora neste filme a coisa já esteja mais suavizada, Hark continua a filmar como se estivesse nos anos 80. Não só pela forma como algumas sequências estão montadas como principalmente conta com uma das coisas que eu mais detesto ver em cinema e em particular no cinema deste realizador pois inevitávelmente é algo que podemos sempre esperar dele ainda hoje em dia como se o homem tivesse parado no tempo e continuasse fã daqueles filmes do Dario Argento dos anos 70 onde tudo era iluminado a lâmpadas de lava e papel de celofane ás cores azuis e vermelhas. Incrivelmente também neste filme continuamos a ver aqueles cenários iluminados por holofotes azuis e brancos que fazem com que grande parte do filme pareça ser um cenário de um videoclipfuturista” do início dos anos 80 ou um teledisco das Bangles em finais dessa década. Todos os estereótipos visuais pirosos dos anos 80 estão presentes no cinema de Hark ainda hoje e isso é das coisas que eu mais detesto nos filmes dele, pois retiram-me imediatamente de dentro do universo em que o filme esteja a decorrer para me transportar algures para um videoclip dos Duran Duran ou dos Classics Nouveaux circa 1981…blargh !

detective-dee-phantom-flame20

Esse tique visual ao pior estilo Hark em [“Detective Deee – Mystery of the Phantom Flame”] é aquilo que quase arruina o filme para mim novamente. Ocorre bem demarcado a meio da história e é precisamente por causa disto que de repente todo o trabalho espantoso de cenografia e atmosfera que finalmente foi conseguido num filme deste realizador cai por terra. Isto porquê ? Porque de repente parece que alguém decidiu ir filmar para uns esgotos subterrâneos, iluminou tudo como se fosse um video do Michael Jackson e encenou mais uma cena de luta estilizada que neste caso ainda se torna mais desinteressante pois a qualquer momento esperamos que a Madonna entre por ali a cantar o Like a Virgin.

detective-dee-phantom-flame16

Ou pior ainda, de repente [“Detective Deee – Mystery of the Phantom Flame”] deixa de ser um filme de fantasia e visualmente entra durante largos minutos por um estilo telenovela da TVI. E quem me está a ler em Portugal sabe o quanto isso é atroz !!! Iluminação televisiva do pior.
O que irrita ainda mais, pois curiosamente até meio do filme [“Detective Deee – Mystery of the Phantom Flame”] até estava a ir tão bem. Mesmo visualmente. Apesar do óbvio CGI por todo o lado, a verdade é que desta vez Tsui Hark até acertou e o filme tinha um ambiente fantástico logo desde o inicio, com cenários épicos, excelente design e uma fotografia realmente luminosa que deu à história logo uma vida bem diferente do que é costume encontrarmos no cinema de Hark.
Mas depois o gajo a meio estraga tudo quando vai para os “esgotos” filmar focos de luz nas paredes.

detective-dee-phantom-flame23

Não só desaparece toda aquela atmosfera épica que até então o filme tinha, como ainda por cima entra em total contraste visual com tudo o que supostamente estaria a ocorrer na história. Nesta parte do argumento, o bando de heróis é suposto estarem a visitar uma espécie de mundo perdido, uma cidade encantada de atmosfera negra ao melhor estilo fantasia clássica mas depois de uns mate paintings digitais um bocadinho apressados para estabelecer o aspecto desse mundo, Tsui Hark parece que joga fora todo esse design inicial e o filme parece não pertencer de todo a esse universo. Subitamente parece que estamos num outro filme despido de detalhes e com excesso de focos de luz por todo o lado.

detective-dee-phantom-flame22

Felizmente que esta sequência na cidade perdida não é longa, mas infelizmente é um verdadeiro catálogo de tudo o que é mau no cinema de acção de Tsui Hark. Porrada repetitiva, desinspirada, focos de luz ás cores por todo o lado, realização em estilo anos 80 e mais personagens de cartão sem qualquer carísma que parecem ter entrado no filme apenas para justificar a gravação de cenas no “esgoto” porque, sabe-se lá como [“Detective Deee – Mystery of the Phantom Flame”] até aí quase que nem parecia um trabalho deste realizador e o homem deve ter começado a entrar em pânico porque desta vez o filme até estava indo bem demais e os espectadores ainda estavam acordados.

detective-dee-phantom-flame26

De qualquer forma, felizmente que após este interlúdio visualmente piroso, [“Detective Deee – Mystery of the Phantom Flame”] entra novamente pelos eixos e dali até ao final continua bastante divertido e até algo carismático pois aquilo que falta em desenvolvimento de praticamente 90% dos personagens depois é compensado com uma história dinâmica cheia de reviravoltas onde se nota que houve um esforço para tentar realmente enganar o espectador no que toca à resolução do mistério.
Não me enganou a mim, mas ainda conseguiu guiar-me por um par de detalhes que eu não esperava por isso acho que quem escreveu isto está de parabéns, pois ao menos tentou realmente dar uma boa história ao público e quanto a mim conseguiu.
Tivesse este filme contado com um realizador capaz de criar algo mais do que personagens de cartão e [“Detective Deee – Mystery of the Phantom Flame”] teria sido um filme de aventuras extraordinário.

detective-dee-phantom-flame11

Assim como está, é realmente um bom filme de aventuras e provavelmente o melhor produto que Tsui Hark fez em décadas de cinema conceituado (sabe-se lá como) mas nem por isso menos pimba. Ao menos desta vez não aborrece de morte o espectador, pois as habituais cenas de acção repetitivas não duram muito, a história e conceito são excelentes e o final também é bastante bom.
O personagem do Detective Dee é um boneco excelente e espero sinceramente que na sequela já o tenham dotado de mais personalidade. A imperatriz é o melhor do filme inteiro, pois apesar de parecer um bocado à deriva pelo meio da história, é na verdade um grande personagem pela forma como está caracterizada, não sendo nem uma heroína, nem uma vilã. Como dizem alguns utilizadores no IMDB foi uma oportunidade perdida para se fazer algo mais com esta personagem na história, mas tendo em conta que isto é um filme de Hark, como está já é um verdadeiro milagre ter resultado.

detective-dee-phantom-flame09

[“Detective Deee – Mystery of the Phantom Flame”] essencialmente é o equivalente chinês dos novos filmes de Sherlock Holmes com o Robert Downey Jr.
Nota-se que a ideia foi fazer um blockbuster nos moldes ocidentais ao melhor estilo do bom cinema de aventuras criado em Hollywood mas honra seja feita a Tsui Hark isso não impediu que tivesse mantido a sua identidade oriental na mesma.
Se vocês procuram um bom cruzamento entre o Indiana Jones, o novo Sherlock Holmes para cinema e um Wuxia no estilo do O Tigre e o Dragão têm aqui uma boa proposta, pois apesar dos tiques Hark pelo meio não há dúvida que como entretenimento pipoca despretensioso é um filme muito agradável mesmo.
E divertido.

detective-dee-phantom-flame19

[“Detective Deee – Mystery of the Phantom Flame”] é um daqueles filmes que apesar das suas fraquezas nos faz ficar com vontade de ver uma sequela e sei que esta já existe…realizada por Hark novamente…
Só posso ter esperança que a segunda aventura já tenha corrigido os defeitos da primeira, tenha dado realmente vida aos personagens e por todos os deuses chineses, acabem-me com aqueles holofotes de teledisco da Maddona em inicio de carreira !!!

detective-dee-phantom-flame13

[“Detective Deee – Mystery of the Phantom Flame”] essencialmente é um mistério no estilo Sherlock Holmes tradicional, só que este sabe andar à porrada com kung-fu e tem um pouco do cinísmo de Indiana Jones o que só lhe fica bem.
Parece que este detective existiu mesmo no período retratado no filme, mas óbviamente a sua actuação como investigador policial do reino terá sido um bocadinho diferente do que aparece aqui nesta versão pipoca.
Esta aventura adapta um dos livros de um autor curiosamente do norte da europa e que supostamente serão bastante populares algures por aí…tenho que investigar isto…

detective-dee-phantom-flame04

Neste caso, a história gira à volta de assassinatos misteriosos envolvendo combustão humana espontânea e essa foi uma das melhores ideia do filme, pois apesar de usar muito o CGI nessas cenas de mortes, mesmo assim tem um estilo gore bem gráfico e sangrento que certamente nos estados unidos seria censurado mas aqui é mostrado em cada detalhe ardente de cada vez que uma vítima começa a pegar fogo espontaneamente até que morre carbonizada aos nossos olhos. Em pormenor.
Muito giro.
Essencialmente não há muito para dizer sem lhes estragar o prazer da descoberta. Resta dizer que … aquele “actor” ocidental que aparece no inicio do filme a fingir que é um navegador – Espanhol – é de ver para crer e rir até às lágrimas de cada vez que abre a boca (como se a sua barba não fosse suficientemente hilariante). Parece que foi interpretado por um conhecido… alpinista… francês…
Não perguntem…

detective-dee-phantom-flame21

E já agora se vocês pensam que já viram tudo depois deste “espanhol” completamente inútil para o argumento e que aparece sabe-se lá porquê no inicio do filme…então preparem-se para as cenas de kung-fu com veados.
Eu disse, cenas de kung-fu com veados.

detective-dee-phantom-flame08

São filmes do Tsui Hark e filmes com veados. Ultimamente parece que ando a ser perseguido por eles também…
Agora é não só um filme do Tsui Hark como também mete veados. Um verdadeiro dois-em-um com o universo a conspirar contra mim.
Eu devo ter um karma qualquer…

—————————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO

Haja milagre. Um bom filme do Tsui Hark !!! Por acaso divertiu-me bastante assim que consegui ultrapassar o meu desprezo pelos tiques visuais deste realizador e só não lhe dou uma nota mais alta por dois motivos. Primeiro por causa desses mesmos tiques visuais que se intrometem a meio do filme de forma realmente intrusiva e quase estragam o ambiente todo; segundo, porque como esta aventura já tem sequela guardo a nota melhor para quando vir a continuação disto, pois espero sinceramente que consiga evoluir favoravelmente porque potencial não falta aqui, para se fazer uma excelente série de blockbusters pipoca orientais de forma a mostrar que bom cinema espectáculo não sai apenas de Hollywood como muita gente ainda pensa.
Excelente aventura apesar das falhas do costume. Aguardam-se desenvolvimentos.

Trés tigelas e meia de noodles (com possibilidade de subir no futuro) pois vale mesmo a pena espreitarem. E se tiverem blu-ray recomendo a compra deste disco pois tem uma qualidade técnica do outro mundo.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2emeia.jpg

A favor: É uma aventura divertida, tenta ter uma história intricada e quase consegue dar a volta ao espectador, visualmente apesar do excesso de cgi é um filme com uma identidade chinesa espectacular, já conta com uma montagem bem melhor do que costuma haver nos filmes de Hark, muitos cenários apesar de artificiais ao olho são realmente fantásticos, excelente design de produção em alguns momentos com cenários grandiosos num estilo steampunk que parece cada vez mais popular pelo oriente, tem um par de personagens com potencialidade, as cenas de combustão humana espontânea estão muito engraçadas, o final deixa-nos com vontade de ver uma nova aventura. Tem Kung-Fu com veados e “espanhóis” com sotaque francês…e barbas…ridículas…

Em certos momentos tem um certo sabor a “Young Sherlock Holmes” que muitos de vocês se recordam dos anos 80 e que em Portugal ficou conhecido como “O Enigma da Pirâmide”. Só que este agora mete Kung-Fu.

Contra: é um filme Tsui Hark com tudo o que isso acarreta de mau, não se vão escapar do estilo visual tipo videoclip pindérico anos 80 com holofotes cheios de cor azul e branca nas paredes, 95% dos personagens são de cartão, Hark não tem qualquer talento para filmar histórias de amor e por isso esta não cria qualquer empatia com o espectador, as cenas de luta são as do costume que já viram mil vezes em todos os outros filmes do realizador, a realização alterna entre um estilo bem moderno e uma estética retro que de repente quase que arrasta o filme para o pior dos anos 80, o cgi tem um design excelente mas nota-se demasiado que tudo é animação de computador.
—————————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
https://www.youtube.com/watch?v=-3N9n-0lpGo

Comprar Dvd
http://www.amazon.co.uk/Detective-Dee-Mystery-Phantom-Flame/dp/B004N6WXE8/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1399928636&sr=8-1&keywords=detective+dee

detective-dee-phantom-flame29

Comprar Blu-ray
http://www.amazon.co.uk/Detective-Dee-Mystery-Phantom-Blu-ray/dp/B004N6WXDY/ref=sr_1_2?ie=UTF8&qid=1399928636&sr=8-2&keywords=detective+dee

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1123373

detective-dee-phantom-flame28

detective-dee-phantom-flame14

Por agora (Maio 2014) o filme todo está à borla no youtube com legendas em inglês.
https://www.youtube.com/watch?v=tZiu2jqa3f0

——————————————————————————————————————

Se gostou deste poderá gostar de:

Shinobi The Promise   capinha_zu_warriors_from_the_magic_mountain_01

——————————————————————————————————————

Blood: The Last Vampire (Blood: The Last Vampire) Chris Nahon (2009) Hong-Kong/China, França


Devo confessar que se há uma coisa que eu gosto no cinema comercial moderno é de filmes franceses que tentam parecer-se com produções americanas á força toda. Daqueles que se colam á estética podre de chique gringa ao pior estilo cinema-de-super-herois made-in-hollywood onde tudo parece igual.
Só muda o design dos monstros que na verdade parecem-se todos com o mesmo boneco musculado saído de livros da Marvel onde só se altera a cor do uniforme de capítulo para capítulo.

Por isso eu gosto muito de cinema francês em estilo Hollywood porque falha redondamente em tudo o que pretende fazer para se colar ao estilo americano.
Não sei o que há com estas produções europeias, que apesar de fazerem sempre tudo bem e de seguirem á risca a cartilha pipoca americana a verdade é que eu acho que se espalham todas no resultado final.
Tudo o que é filme francês de acção moderno que se tenta colar ao cinema do outro lado do oceano atlântico acaba sempre por se ficar por um resultado estranhamente hibrido que nem é carne nem é peixe. O mesmo acontece agora com este [“Blood: The Last Vampire“] uma estranha co-produção entre a Europa e Hong-Kong em piloto automático estilo Hollywood.

Mais uma vez temos um filme francês que á força de querer parecer-se com um filme americano acerta ao lado em tudo e na verdade ainda bem que assim é.
Ainda bem porque é essa falta de pontaria constante do moderno cinema-clónico francês que lhe dá imensa identidade e transforma qualquer produção europeia de efeitos especiais e acção á bruta numa coisa mais interessante do que costuma acontecer com as pipocas pré-fabricadas americanas. Talvez porque a europa use moldes diferentes.
Por muito que se tente estragar um filme rasca na europa tentando imitar o plástico americano, pelo menos eu fico sempre com a sensação de que o resultado é sempre bem mais carismático e isso ajuda a salvar da banalidade muita coisa que de outra forma poderia tornar-se absolutamente insuportável.

Há qualquer coisa de bom num mau filme pipoca europeu quando este tenta imitar o cinema de Hollywood e melhor ainda quando além de tentar imitar o cinema americano tenta ao mesmo tempo parecer-se com cinema oriental em estilo Hong-Kong.
Por isso eu gostei bastante de [“Blood: The Last Vampire“].
Estamos na presença de um bom filme de acção totalmente braindead no sentido mais positivo do termo e que mesmo com tanta mistura de estilo consegue ainda assim manter uma atmosfera europeia com um sabor intenso a baguette francesa de que não se consegue livrar apesar da overdose de pirotécnica digital á americana e kung-fu com fios á la Hong Kong.

Além disso, fiquei bastante surpreendido por este titulo ser protagonizado pela minha “Sassy Girl” favorita do cinema oriental que parece ter escolhido este papel para se tentar projectar internacionalmente, que é como quem diz, mostrar que também poderá ser uma boa escolha para filmes mais …americanos.
Quase que custamos a acreditar que esta é a mesma actriz que protagonizou também “Il Mare” num registo que não poderia ser mais oposto.

E por acaso acho que esta miúda foi a escolha perfeita para este papel. Eu não conheço bem o anime original mas do pouco que vi do desenho animado, penso que Jeon Ji-hyun (aqui com o pseudónimo internacional “Gianna Jun”), está fantástica apesar de em muitas alturas sentirmos que não estará muito confortável com os diálogos em inglés.
Sim porque [“Blood: The Last Vampire“] é um filme francês co-produzido com a China a tentar imitar o cinema americano com diálogos tanto em inglés como em japonês protagonizado por uma actriz Sul Coreana… Confusos ? Não se preocupem a coisa resulta.

Muita gente ataca [“Blood: The Last Vampire“] por causa dos seus péssimos efeitos digitais, nomeadamente o sangue em bolinhas 3D Studio em efeitos nada especiais que parecem saidos de um render amador criado para uma introdução de um jogo da Playstation-One. Tudo verdade. É quase mau demais para ser real e damos por nós a pensar como raio é que alguém deitou cá para fora um filme com efeitos tão datados assim e pensou que poderia competir com o que de mais moderno se faz no cinema deste mesmo estilo em Hollywood.
Por mim, que se lixe. Sim, o filme tem efeitos atrozes e até ridiculamente amadores e sim, aquele demónio é mau demais para ser verdade mas desde quando é que maus efeitos especiais fazem um mau filme ?

[“Blood: The Last Vampire“] apesar de todo o emaranhado de influências visuais consegue no entanto ser um produto comercial muito bem executado e com uma realização segura. Penso que o realizador francês conseguiu aqui um trabalho com personalidade e fiquei com a sensação de que só não fez melhor mais por culpa do argumento do que por causa dos péssimos efeitos especiais que tanta gente contesta.

Quanto a mim, [“Blood: The Last Vampire“] tem uma primeira metade totalmente cativante. Sequências de acção divertidas, uma estética de comercial de shampoo que resulta, actores carismáticos e uma atmosfera visual que por momentos faz lembrar Blade Runner em certos aspectos, nomeadamente no ambiente nocturno.
Infelizmente , achei que a segunda metade do filme perdeu toda a piada. Não sei o que se passou mas a partir de certa altura parece que mudaram de argumentista e todo o desenvolvimento deixa de conseguir envolver o espectador. Isto porque a história deixa de ser interessante não apenas por se tornar ainda mais previsível mas principalmente porque tudo culmina num climax que não tem particular entusiasmo ou grande espectacularidade.

No entanto, eu gostei muito da primeira metade do filme. Abre com uma sequência entusiasmante, continua com alguns personagens carismáticos, situações digitalmente sangrentas bem divertidas e a coisa resulta até meio onde de repente se instala alguma monotonia geral até ao final embora os actores bem se esforcem para dar vida a um argumento já em piloto automático no pior dos sentidos.
Não que seja própriamente muito grave, mas a verdade é que achei que este filme merecia ter-se mantido muito divertido até ao fim e na minha opinião isso não acontece como deveria ter sido.

Se há uma coisa que me aborrece de morte no cinema estilo super-herois á americana é a banalidade do típico confronto final com o vilão e achei muito decepcionante que a única vez em que [“Blood: The Last Vampire“]  se parece mesmo com um filme de Hollywood seja precisamente naquela parte em que se calhar deveria ter-se parecido mais com um produto de Hong-Kong pois a sequência final aborreceu-me pela sua previsibilidade e total falta de interesse previligiando mais a pirotécnia digital do que o carisma dos personagens e a criatividade das sequências de acção.

De qualquer forma, [“Blood: The Last Vampire“]  é um produto pipoca divertido e que se recomenda a quem não pedir mais do que ver uma boa aventura com vampiros e uma heroína cheia de personalidade suportada por um bom elenco internacional onde se destaca Liam Cunningham um actor que por vezes parece estar a incoorporar o espírito do ainda bem vivo Jean Reno na construção do seu personagem de agente da CIA que estará algures entre o “Leon” e o “Enzo” presentes nos fabulosos filmes de Luc Besson.
Só é pena que acabe por ser desprediçado dentro do próprio argumento.

Muitos fãs do anime, não gostaram da personagem teenager americana que pelo visto foi inserida a martelo nesta versão da história porque acusam-na de existir apenas para agradar ao mercado americano. Pessoalmente eu gostei da rapariga. Acho que tem um personagem dinâmico e que conduz bem o filme por entre as sequências protagonizadas por Jeon Ji-hyun e ajuda até a actriz principal a brilhar pois evita que nos concentremos demasiado no inglés limitado da actriz Sul Coreana que apesar de conseguir fazer um excelente trabalho nesta sua estreia “internacional” esteve sempre um bocadinho limitada pela lingua inglesa para poder ir mais longe e conseguir carregar sózinha o protagonismo de um filme assim.

Por isso, resumindo, eu curti.

——————————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO:

Um estranho hibrido entre filme comercial americano, cinema francês e estilo Hong-Kong que só não resulta totalmente porque o argumento perde-se na banalidade a partir da segunda metade do filme e tenta depender demasiado de maus efeitos especiais para o climax da história quando esta pedia mais atenção aos personagens talvez.
De qualquer forma é um produto pipoca muito divertido, com uma primeira parte dinâmica e cheia de personalidade, uma actriz Sul Coreana que parece não conseguir ser má até quando tem limitações de idioma contra ela.
Não é um filme pipoca brilhante, mas recomenda-se bastante.
Trés tigelas e meia de noodles sem problemas mas com muita pena minha pois [“Blood: The Last Vampire“] merecia ter sido bem melhor e a culpa disso nao ter acontecido não é dos maus efeitos especiais como muita gente parece achar, mas sim de um argumento que poderia ter sido bem mais imaginativo.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2emeia.jpg

A favor: o elenco é excelente com destaque para a protagonista Sul Coreana que dá tudo para conseguir fazer um bom trabalho num idioma que lhe é claramente dificil de dominar, a primeira metade do filme tem pinta e uma atmosfera visual excelente, a realização faz milagres em conseguir manter todas as diversas influências coerentes ao longo do filme, contém algumas cenas de acção estilo Hong-Kong divertidas.
Contra: a segunda metade do filme parece apagada, o climax do filme depende demasiado dos maus efeitos especiais digitais que percorrem toda a história, os vilões não têm carisma nenhum e em nenhum momento causam qualquer tensão na história por tudo ser tão banalmente previsivel e vazio na sua própria caracterização.

—————————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=Fk2L8Mgxd5Q

Comprar
Bem baratinho na Amazon Uk em DVD e em BluRay também.

Download com legendas em PT/Br

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0806027

——————————————————————————————————————

Filmes “semelhantes” de que poderá gostar:

——————————————————————————————————————

Xin shu shan jian ke (Zu Warriors from the Magic Mountain) Hark Tsui (1983) China


Eu devo ser masoquista porque por qualquer motivo não páro de tentar ver filmes do Tsuy-Hark.
O facto deste realizador ser tão considerado por todo o lado, especialmente no ocidente como sendo um daqueles génios orientais do cinema ultrapassa-me por completo e por isso acho que continuo na minha quest pessoal para tentar encontrar uma obra dele que me provoque algo mais do que sono, só porque não compreendo de todo tanta consideração pelos seus filmes.

Já tinha comprado este dvd há mais de quatro anos atrás num daqueles cestos de promoção em supermercados com filmes rascas por 2€ apenas mas como depois notei que o realizador era Tsuy-Hark fui deixando o filme na minha prateleira até hoje. Isto porque na altura já tinha visto tantos outros filmes dele que me aborreceram de morte que não me apetecia nada espreitar o dvd.
Aliás isto ainda me acontece com o “Era Uma Vez na China” também. Já o comprei há anos e continua á espera de ser visto pelos mesmos motivos, porque ainda acho que estou a tentar acordar de filmes como “Seven Swords” de que ainda não falei aqui, porque sinceramente nem sei o que dizer.

Portanto, agora com [“Zu Warriors of the Magic Mountain“] a coisa custou, mas foi. Já vi o dvd.
Estava farto de ler por todo o lado o quanto este filme é uma qualquer obra prima do cinema de fantasia, particularmente do cinema feito na China e portanto a curiosidade levou a melhor.
Além disso como já tinha visto (e comprado para desgraça minha) o seu remake moderno (também realizado por Tsuy-Hark), o indescritívelmente plástico “Zu Warriors” de que já falei por aqui no blog, estava na hora de espreitar a verão original e maravilhar-me então com este suposto grande clássico do cinema.

E por acaso, não está nada mal não senhor.
Parece que Tsuy-Hark quase que acertou num filme.
Embora esta produção de 1983 contenha já o catálogo de tudo o que nunca resulta no seu cinema, (história vazia, personagens sem interesse, montagem completamente errática, acção, acção,acção e efeitos do piorio) a verdade é que [“Zu Warriors of the Magic Mountain“] tem um certo charme por ser uma produção tão ingénua mas claramente feita com grande dedicação na altura. E é essa alma e dedicação que se nota no filme e transparece para o espectador, pois tudo é tão inacreditávelmente artesanal que isto mais parece um filme amador com uma grande produção mas sem meios técnicos absolutamente nenhuns.

Sofre do habitual problema dos filmes de Tsuy-Hark; acção, acção,acção,acção e mais acção, acção,acção tudo alinhavado numa montagem que mais parece não sê-lo pois todas as cenas parecem estar remendadas umas ás outras quanto mais não seja para aproveitar frames filmados e todo o conjunto geral a partir de certa altura começa a tornar-se insuportável.

Embora [“Zu Warriors of the Magic Mountain“] comece de uma forma bastante divertida com momentos de acção engraçados e humor quanto baste, logo que passa ao ambiente mais mágico a coisa descamba no habitual leque de duelos mágicos sucessivos que a partir de certa altura já nos parecem todos iguais e onde não faltam os tradicionais diálogos ao melhor estilo : “o meu poder é maior que o teu” espalhados pelo filme todo.

No entanto [“Zu Warriors of the Magic Mountain“] tem algo cativante. O facto de parecer um filme tão artesanal (e foi) a todo o instante dá-lhe muito mais personalidade do que depois o péssimo remake moderno veio a (não) ter.
[“Zu Warriors of the Magic Mountain“] filmado em 1983 com efeitos especiais dignos dos anos 50 e onde se veêm os fios onde os actores estão pendurados o tempo todo tem muito mais pinta e identidade do que a versão moderna cheia de CGIs ao milhar.

Se para alguma coisa a versão moderna serviu terá sido para revelar as verdadeiras fragilidades do original. Ou seja, com efeitos modernos todo o espirito artesanal da obra desapareceu e ficamos só com os personagens mal estruturados, com a montagem do piorio e com a história sem qualquer suspanse ou interesse.
Tudo isto já está presente em [“Zu Warriors of the Magic Mountain“] versão 1983, mas ao menos nesta o espírito da obra é tão amador e ingénuo que todo esse ambiente quase que anula as típicas fraquezas do cinema do realizador e torna a versão original num clássico absoluto do mau cinema ou pelo menos do cinema totalmnte kitsh.

A história deste original embora semelhante ao que depois foi apresentado no remake, tem no entanto mais pormenores engraçados e um sentido de humor que funciona em muitas partes do filme. Além disso os personagens vão ganhando alguma identidade com o desenrolar da história e como tal [“Zu Warriors of the Magic Mountain“] até se torna um filme divertido se deixarmos o cérebro á porta e entrarmos no espirito da coisa.

Curiosamente é muito parecido em estilo totalmente histérico com o igualmente esquizofrénico “A Chinese Tall Story” e por isso se conseguirem aguentar tanta overdose de maus efeitos especiais tradicionais e sequências de acção indiscritivelmente atabalhoadas em [“Zu Warriors of the Magic Mountain“], irão conseguir ver também “A Chinese Tall Story” do principio ao fim e olhem que não é fácil.
E quem sabe se depois não gostarão também do remake “Zu Warriors“…

[“Zu Warriors of the Magic Mountain“] pode tornar-se incrivelmente chato por ter tanta sequência de acção atabalhoada a todo o instante que cansa, mas por outro lado, se gostam de produções de baixo orçamento com aquele ambiente onde nada funciona mas tudo resulta, então este é um filme a espreitar. E o facto de ser um produto de 1983 ainda lhe dá mais charme.
Como filme falha em tudo e mais alguma coisa, no entanto resulta como excelente divertimento de fantasia onde o melhor de tudo é ver o pessoal pendurado com fios a todo o instante.

Nota alta também para os efeitos especiais.
São todos do piorio, maus demais mesmo, mas não há dúvida que houve aqui muita criatividade para tentar ultrapassar as limitações técnicas tanto a nivel de efeitos como a nível de design de criaturas.
Nunca tinha visto um filme em que os monstros fossem feitos de lençois e disparassem toalhas das mãos, mas não é que isto resulta ?!! Tem momentos de batalha muito divertidos e só é pena usar e abusar dessas sequências porque se isto tivesse uma narrativa mais pausada, uma boa montagem e uma história mais bem estruturada [“Zu Warriors of the Magic Mountain“] poderia ter sido realmente a obra-prima de Fantasia que supostamente parece ser para muito crítico.

Assim como está, é uma obra-prima de qualquer coisa sim, mas não se percebe bem do quê.
Pela breve mas excelente entrevista a um dos actores presente no dvd edição PT, nota-se que houve um claro esforço para se fazer um bom filme na altura com os meios e os conhecimentos que havia e se pensarmos bem nisto tudo, [“Zu Warriors of the Magic Mountain“] é realmente um bom filme por esse prisma, pois tirando uma melhor estruturação do argumento e uma montagem como merecia ter, se calhar foi mesmo dificil terem conseguido fazer melhor do que isto.

[“Zu Warriors of the Magic Mountain“] tem muitas falhas. O excesso de acção descabido e as sequências que nunca mais parecem acabar são um dos maiores entraves para que isto se torne tão divertido como aparenta ser nos primeiros minutos, mas não há dúvida que há aqui algo único e especial.
Sendo assim…

——————————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO:

Bem melhor do que o remake embora sofra exactamente das mesmas falhas. No entanto os efeitos especiais totalmente artesanais dão-lhe muita personalidade e é realmente um filme de fantasia único no género.
É muito parecido com o histérico “A Chinese Tall Story” e por isso quem gostou desse vai gostar de [“Zu Warriors of the Magic Mountain“], pois é tão bom ou tão mau quanto esse, menos os CGIs que ainda não tinham sido inventados.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg

A favor: há fios a pendurar actores por todo o lado, os efeitos especiais são totalmente amadores mas muito muito criativos, tem monstros feitos de lençois que disparam toalhas das mãos e fitas de pano como raios, tem bons cenários de interiorres construidos em estúdio que parecem cenários construídos em estúdio, tem maus cenários de exteriores contruídos em estúdio que parecem maus cenários de exteriores contruídos em estúdio com muito cartão e papel, tem um bom sentido de humor e alguns gags são muito engraçados, tem muita imaginação visual, os personagens são um vazio mas vão ganhando algum carísma com o desenrolar da porrada, é um filme com algum charme e uma obra-prima falhada com muita identidade.
Contra: tem porrada a mais e especialmente tem porrada looooooooonga demais, parece que nunca mais acaba (pelo visto o esta mania do Tsuy-Hark para finais que nunca mais acabam já vem de longe), a montagem é do piorio em muitos momentos e ás vezes faz um filme do Michael Bay parecer cinema de autor do Manuel de Oliveira em contraste, a história tem potencial mas está totalmente esfrangalhada por tanta cena de porrada mágica a todo o segundo, é um filme algo vazio e não é por culpa dos maus efeitos especiais.

——————————————————————————————————————

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=JZHEn1MxEV4

Comprar
Aqui em Portugal está por todo o lado (promoções de filmes rascas em supermercados) numa boa edição DVD a um preço da chuva ainda. Comprei-o há mais de quatro  anos de anos por 2€  já na altura.
Fora daqui, podem comprá-lo na Amazon americana e pouco mais pois parece esgotado em todo o resto do mundo.
http://www.amazon.com/gp/product/B00023BN2E/ref=pd_lpo_k2_dp_sr_1?pf_rd_p=1278548962&pf_rd_s=lpo-top-stripe-1&pf_rd_t=201&pf_rd_i=6305261385&pf_rd_m=ATVPDKIKX0DER&pf_rd_r=1CQTD3JY9THJ76K4GWH1

Download aqui com legendas em inglés.

Download do remake moderno com legendas em PT/br

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0086308

——————————————————————————————————————

Se gostou deste poderá gostar de:

Shinobi The Promise A Chinese Tall Story

——————————————————————————————————————

Joheunnom nabbeunnom isanghannom (The Good The Bad The Weird) Jee-woon Kim (2008) Coreia do Sul


A última coisa que eu esperava ver deste realizador a seguir a um filme de terror tão fascinante quanto “A Tale of Two Sisters” seria um Western e no entanto é isso que [“The Good The Bad The Weird“] é de uma forma tão genuína que nos confunde totalmente pelo facto disto não ser um filme americano e onde se troca o velho Oeste pela Manchuria nos anos 30.

[“The Good The Bad The Weird“] sendo embora absolutamente genial é no entanto um dos filmes mais difíceis que alguma vez tive de comentar aqui neste blog por muitas e variadas razões e portanto aviso já que o texto a seguir poderá parecer-lhes não só totalmente ilógico como se calhar absolutamente  esquizofrénico e sem sentido algum.

Isto porque como podem ver pela classificação que lhe atribuo abaixo, embora bastante boa acaba por nem ser a espectacular nota que este filme se calhar merecia que eu lhe desse, porque na verdade acho-o absolutamente brilhante em muitos aspectos e quanto a mim é uma obra prima do cinema de acção e contém das melhores sequências dentro do cinema de aventura puramente clássico talvez desde a primeira aventura de Indiana Jones. Isto no que toca a filmes com pistolas, balas, gajos com chapéus de abas e tiroteios.

Tudo no que toca a atmosfera e adrenalina é absolutamente genial em [“The Good The Bad The Weird“] e como produto de acção é realmente uma obra prima, pela sua frescura, sentido de aventura e originalidade quanto baste.
Visualmente é do outro mundo. Mais uma vez o realizador enche um filme de imagens inesquecíveis e onde cada frame é um quadro, que muitas vezes neste caso presta homenagem a dezenas de enquadramentos famosos da história dos westerns (e não só) que todos nós conhecemos até mesmo se não formos viciados em filmes de cábois.

O cuidado colocado em cada decor é absolutamente notável e merece que façamos uma pausa no filme só para apreciarmos todas as texturas, detalhes e cores que enchem [“The Good The Bad The Weird“] do principio ao fim. Na verdade isto visualmente é tão bom que mesmo que o filme não tivesse nenhuma cena de acção não conseguiriamos tirar os olhos do ecran desde o início pois toda a estética aqui é absolutamente fantástica dentro do mesmo estilo já encontrado em “A Tale of Two Sisters” mas desta vez aplicado a um universo visual de puro Western americano…embora com Sul Coreanos, Japoneses, Chineses e indios, perdão…Mongois.

E mais do que uma colecção enorme de referências cinéfilas puramente americanas, [“The Good The Bad The Weird“] é um verdadeiro achado para quem adora  Western Spaghetti e particularmente quem conhece bem o trabalho de Sérgio Leone. É que [“The Good The Bad The Weird“] é uma espécie de “O Bom O Mau e O Vilão” em esteróides !
Se Sergio Leone filmasse em estilo videoclip moderno cruzando westerns com serials de aventura o resultado seria algo muito semelhante a isto.
E refiro-o como um elogio.

Então se [“The Good The Bad The Weird“] é tão genial o que é que falha ?
Bem, infelizmente não tem o argumento de um filme de Sérgio Leone e muito menos se pode comparar a “Salteadores da Arca Perdida” nesse aspecto também.
[“The Good The Bad The Weird“] é o típico exemplo de um filme em que a estética sobrepõe-se a tudo a todo o instante. Talvez o facto de visualmente isto ser um produto tão absolutamente perfeito, essa perfeição lhe tenha retirado qualquer hipótese de poder conter um argumento realmente tão entusiasmante que a pudesse complementar ou equiparar.

É verdade que já vimos se calhar dezenas de filmes sem história que resultam apenas como cinema de acção, mas se calhar nunca vimos um produto tão cuidado a pedir desesperadamente por um argumento imaginativo. A última peça que tornaria [“The Good The Bad The Weird“] numa obra prima do cinema de aventura de pleno direito ao lado de todos os clássicos do género; uma marca que não consegue plenamente atingir porque enquanto espectadores gostariamos mesmo de ter algo interessante para acompanhar entre a obra prima visual que são as sequências de tiroteio e não há nada.
É um vazio total !!!

A forma como começa é a forma como acaba. Não há qualquer intriga interessante pelo meio, os personagens não sofrem qualquer evolução ou causam qualquer surpresa e só não são completamente aborrecidos de acompanhar porque [“The Good The Bad The Weird“] consegue ter um sentido de humor bastante divertido que por momentos parece que vai dar vida a todos aqueles bonecos de cartão.

É certo que como o próprio título indica, a base de tudo são na verdade personagens-tipo, mas bolas, será que não se poderiam ter tornado aquelas pessoas realmente interessantes ?!!
Isto nem parece ter sido criado pelo mesmo autor que conseguiu tanto humanismo nas personagens centrais de “A Tale of Two Sisters” e por isso não se compreende de todo tamanha ausência de identidade agora neste argumento a nível de personagens.
É que até os Westerns de Sérgio Leone mesmo quando parecem filmar o vazio nunca deixaram de ter personagens fortes e carismáticas, muitas vezes sem precisar de haver qualquer linha de diálogo entre eles sequer.
É isto que falha em [“The Good The Bad The Weird“] e falha redondamente mesmo.

Parece que o filme foi todo construído com base na estética e na homenagem visual a todos os clássicos e mais alguns dentro do género de aventura mas depois não houve tempo para tornar os bonecos que andam aos tiros o tempo todo mais interessantes nos intervalos da porrada embora haja umas tentativas para remendar isso através do humor ao melhor estilo cartoon.

Já ando para falar deste filme por aqui, desde que o vi há anos, mas como das cinco vezes que o tentei rever, nunca consegui chegar ao fim sem estar a cair de sono, sempre me foi muito dificil arrumar as ideias para ter algo coerente para dizer aqui.
Já vi muita coisa má que deu sono, mas nunca me tinha passado pela frente um produto com tanta qualidade como [“The Good The Bad The Weird“] que me tivesse provocado esse efeito. Muito menos um filme visualmente tão apelativo e com tanto tiro e barulho a todo o instante que me deveria ter mantido mais acordado.

O que ainda se torna mais estranho é o facto de estar carregado de sequências de acção fabulosas e acho que nunca vi um filme de cowboys com tanto tiroteio também, por isso ter-me quase arrastado para tentar ver isto do príncipio ao fim ainda se torna mais estranho. É que eu adorei mesmo as cenas de acção e aventura disto !!
Agora, se calhar o [“The Good The Bad The Weird“] tem duração a mais. Para um filme com mais de duas horas onde pelo menos 100 minutos são passados com cenas de tiros e pancadaria não deixa de ser muito estranho isto tornar-se um produto tão aborrecido quando não há gente aos tiros no ecran a todo o instante.

A história não interessa e nem o tema da caça ao tesouro lhe dá qualquer carísma, os personagens quando não andam á porrada não cativam nem servem para nada, tem personagens a mais por todo o lado mas só lá estão para andar aos tiros e como tal o suposto twist final também não tem impacto nenhum porque é precisamente construido á volta da origem de um personagem com o qual não temos grande relação e parece apenas servir para efeito cómico no filme não diferindo muito do heroi que se limita a ser o bom ou do vilão que é mau como as cobras porque sim.

O que salva [“The Good The Bad The Weird“] , além do seu fabuloso ambiente é ter tanta adrenalina nas cenas de acção e por isso é mesmo uma obra-prima falhada dentro do género apenas porque estas na verdade acabam para não servir para muito além de mostrarem o talento do realizador para o género.
Este filme com uma história cativante e personagens de que ficassemos a gostar teria sido absolutamente do outro mundo.
E por falar em outro mundo…

Nunca me tinha passado pela cabeça que a Manchuria dos anos 30 pudesse ser um cenário para cinema de aventura tão genial e carismático. Estamos a ver [“The Good The Bad The Weird“] e o filme poderia ser passado num outro planeta que não notariamos diferença, pois todos os décors são tão alienígenas para a nossa própria cultura que isto poderia ser uma aventura passada em marte que não estranhariamos nada.

Estava a ver o filme e toda a sua estética só me fazia lembrar a genial série western-scifi “Firefly” com a sua excelente conclusão cinematográfica “Serenity“, isto porque todas as texturas e ambientes são muito semelhantes e tudo se passa numa atmosfera oriental onde muitas culturas se misturam num canto perdido do mundo. Quanto a mim se um destes dias fizessem uma sequela para “Serenity“, se calhar não seria nada má ideia contratarem o realizador de [“The Good The Bad The Weird“] para o dirigir com Joss Whedon a escrever pois seria uma combinação fantástica certamente.

Ah, já me ia esquecendo precisamente daquilo que na minha opinião é um dos pontos altos do filme e que quase nos faz perdoar todas as falhas até aí.
[“The Good The Bad The Weird“]  tem uma das melhores, mais entusiasmantes e mais divertidas perseguições de todos os tempos no cinema de aventura e só por isso vale a pena espreitarem este filme.
São mais de dez minutos de uma sequência como nunca viram dentro do género. Um tipo numa mota de  side-car a ser perseguido num deserto por todo o elenco deste filme. E quando eu digo todo, quero mesmo dizer todo o elenco deste filme, gangs de mongois, assaltantes chineses, assassinos profisionais, soldados japoneses, cowboys de todas as raças, samurais foras da lei, montes de cavalos, jipes, canhões, gajos bons, gajos maus, gajos assim-assim tudo numa das maiores perseguições em estilo todos-contra-todos onde não faltam, tiros, bombas, socos nas trombas, facadas, balas de canhão, saltos de veículos em movimento, cavalos pelos ares, gajos a explodir, cavalos a explodir, carros a explodir, motas a explodir, lutas á espada, e tudo numa sequência de antologia que marca a fasquia por onde a partir de agora toda a gente que fizer uma cena de perseguição terá que se guiar, pois é absolutamente notável em todos os aspectos.

Essa perseguição quase no fim do filme e o assalto ao comboio da sequência de créditos iniciais são dos melhores momentos de cinema de acção que lhes irá passar pela frente em muito tempo e se ainda não viram [“The Good The Bad The Weird“] só por estas duas cenas vale mesmo a pena espreitar o filme.
Tudo começa de uma forma tão fantástica que o espectador fica plenamente convencido que depois irá continuar a ter mais do mesmo ou que as coisas só poderão ficar melhores. Não ficam.
Infelizmente depois é apenas mais do mesmo , mas felizmente que o mesmo continua a ser de elevada qualidade com excelentes momentos de humor e montes de imaginação nas cenas de aventura. É mesmo pena que um bocado dessa imaginação não tenha sido também usada para a história.

Básicamente [“The Good The Bad The Weird“] conta a história da existência de um mapa de tesouro que todos querem e pelo qual todos matam. Do príncipio ao fim do filme. Acabou a história. A sério, não há mais.
Um tipo tem o mapa no inicio, um assassino é contratado para o roubar, outro gajo rouba-o em vez dele e assim por diante. O mapa vai passando de personagem em personagem até que se descobre qual era afinal o tesouro (por acaso uma ideia bem engraçada) e o filme acaba com o típico duelo entre cowboys ao cair da tarde junto ao local onde todas as riquezas estão enterradas.

E pronto, é isto… espero que estejam tão confusos quanto eu.

——————————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO:

Não é de forma nenhuma a obra-prima que muitas reviews em festivais afirmam que é.
Por outro lado, é uma obra prima no que toca a cenas de aventura e sequências de acção e por isso é mesmo com muita pena que constato que falta ali algures um filme pelo meio de tudo isto.
Se procuram um verdadeiro western oriental no estilo mais puro e comercial da coisa mas com montes de qualidades, [“The Good The Bad The Weird“] irá agradar-lhes bem mais que “Sukyiaki Western Django” (esse verdadeiramente um produto falhado a muitos mais níveis).

Também será um Western Oriental que irá agradar a mais gente do que “Tears of the Black Tiger” que apesar de ser brilhante tem um toque de cinema experimental que não agradará a quem procura um Western puro e nesse aspecto [“The Good The Bad The Weird“] é bem mais directo e principalmente comercial.
Portanto e por tudo o que já referi acima, quatro tigelas de noodles porque é mesmo muito bom por um lado e tem momentos absolutamente brilhantes. Por outro lado, sinto até que deveria atribuir-lhe menos pois a suas fraquezas quase que destroiem um filme que merecia ser mesmo uma obra prima do cinema e não apenas no que toca a sequências de acção.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg

A favor: a sequência de abertura do assalto ao comboio é do melhor e mais clássico que poderia ter sido, tem a melhor perseguição final jamais vista no cinema de aventuras com estas características num verdadeiro festival de porrada em andamento com todos contra todos e caos total, as sequências de acção neste filme são em regra todas totalmente fantásticas, muitas mortes com pinta, tiros que nunca mais acabam, muito sangue e torturas com dedos e peças de corpos aos bocados, muitas cenas de acção com grande sentido de humor e gags bem engraçados, as inúmeras homenagens visuais a tudo o que é western clássico muito particularmente ao western spaghetti também, o toque mexicano na banda sonora é do outro mundo e faz o filme ganhar vida quando aparece nos melhores momentos de perseguição, visualmente é incrível com com pormenores e texturas por todo o lado, existe no dvd um final alternativo muito bom (na verdade o final original do filme quando este passou na Coreia do Sul).
Contra: é um vazio absoluto quando não tem cenas de tiros e aventura, mudem a roupa nos personagens e não se nota diferença, o actor que faz de “Weird” repete exactamente o mesmo papel que já tinha feito em “The Host” mas agora num ambiente western, poderá fazer-vos adormecer o que não deixa de ser um feito espantoso tendo em conta tanta porrada ao longo do filme, o filme é demasiado grande tendo em conta que não se passa nada na história além de perseguições e do mapa a mudar de mãos até ao confronto final, ás vezes faz lembrar muito “Duelist pela falta de uma boa história que ligue tanta perseguição non-stop alucinante sem grandes motivos a não ser passar o mapa de um personagem para o outro.

——————————————————————————————————————

Trailers
http://www.youtube.com/watch?v=Zjm9gAjgRuU
http://www.youtube.com/watch?v=8Zew2yWGDC8

Comprar
Isto está a um preço tão estúpidamente baixo que se gostarem do filme é de aproveitar na Amazon Uk, tanto em DVD (muitos extras) como em Blu-Ray simples ou Blu-Ray edição especial.

Download aqui com legendas em PT/Br

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0901487/combined

——————————————————————————————————————

Alguns titulos semelhantes em alguns aspectos :

——————————————————————————————————————

Puen yai jon salad (Pirates of Langkasuka, aka Queens of Langkasuka – aka The Tsunami Warrior, aka Legend of the Tsunami Warrior) Nonzee Nimibutr (2008) Tailândia


Quem procura um equivalente oriental de “Os Piratas das Caraíbas” provavelmente irá achar bastante piada a este [“Queens of Langkasuka“] que também poderia ter como sub-titulo ” O meu canhão é maior que o teu !”

Essencialmente estamos na presença de uma aventura cheia de gajos machos que essencialmente dependem do tamanho …dos canhões… para impressionarem a maralha e conquistar o reino de Langkasuka.
Um reino que é assim uma espécie de gráfico feito em Photoshop localizado numa qualquer paisagem turística balnear algures na Tailândia.

Se virem mais abaixo, notarão que não atribuo grande classificação a [“Queens of Langkasuka“].
Na verdade o filme não tem nada de realmente mau, apenas também não tem nada de extraordináriamente bom que o faça ser algo mais do que apenas um filme de aventuras realmente muito interessante e vagamente agradável de seguir.
Isto porque a ter alguma falha de maior, na minha opinião essa falha está no facto de não ser uma aventura particularmente divertida e tinha o dever de o ter sido !

AVISO: Não se deixem enganar pelo trailer. O filme não é tão espectacular e muito menos tão divertido como parece e o apregoado orçamento de 20 milhões de dólares em vez de ser uma mais valia torna-se algo bastante negativo quando o resultado é o que se vê. Mais valia nem terem colocado essa no trailer, pois se [“Queens of Langkasuka“] passasse por filme de baixo orçamento ainda poderia ter alguma desculpa pelas suas falhas.

Em termos de ingredientes nada falta a [“Queens of Langkasuka“]. Reinos distantes, piratas maus, piratas bons, princesas, paisagens exóticas, batalhas navais, porrada com espadas, porrada sem espadas, herois clássicos, princesas guerreiras, forças mágicas, forças menos mágicas, feiticeiros tipo Obi-Wan-Kenobi, homens místicos, uma Força misteriosa, cenas subaquáticas, batalhas épicas, background histórico com Holandeses e mais uma vez Portugueses á mistura, miúdas fofinhas, história de amor, drama romântico, intriga palaciana, cientistas malucos, batalhas áereas (estilo X-Wing atacando Death-Star), canhões pequenos, canhões grandes, baleias, peixinhos e eu sei lá que mais !!!

Este filme tem tanta coisa que a única coisa que não tem é sexo.
Até tem gajos que parecem portugueses  por todo o lado. Não só (actores portugas?!) desta vez a representarem aliados históricos tal como acontecia já noutra produção Tailandesa “A Lenda de Suriyothai” como macacos me mordam se este senhor abaixo não parece o Sr Manuel da mercearia !!

Precisamente por ter muita coisa, [“Queens of Langkasuka“] cai exactamente na mesma armadilha em que caiu o filme anterior que comentei ontem aqui neste blog e que podem encontrar no post abaixo deste.
[“Queens of Langkasuka“] tenta ter demasiado conteúdo e acaba por não conseguir integrar todas as suas boas ideias no tempo que tem para contar uma história. Este filme parece ser um grande catálogo de todos aqueles conceitos que adoramos em filmes de piratas com uma pitada de Fantasia á mistura que só lhe fica bem, mas depois não passa disso.

Tem personagens a mais, situações a mais, sub-plots que nunca mais acabam e nunca são devidamente desenvolvidos, os vilões são de cartão, os herois são mais que muitos e as cenas e acção não conseguem pontuar devidamente tanta confusão.
O pior nisto tudo, é que [“Queens of Langkasuka“] poderia ter sido uma aventura divertida de seguir mesmo com todas estas referências mal alinhavadas, mas pura e simplesmente não é. Por uma simples razão…

[“Queens of Langkasuka“] leva-se demasiado a sério !
Enquanto, por exemplo “Piratas das Caraíbas” optou pelo humor e a própria aventura parece a todo o instante piscar o olho aos maus filmes e serials antigos, [“Queens of Langkasuka“] tenta entrar a todo o instante pelo drama profundo. Pela tragédia seríssima e pior ainda quer desesperadamente mostrar que é acima de tudo um épico histórico ! E quando eu digo épico, quero mesmo dizer ÉPICO histórico !

A todo o instante nota-se no ecran o esforço da produção para mostrar serviço e [“Queens of Langkasuka“] leva toda a sua duração a atirar á cara do espectador que estamos MESMO a ver UM ÉPICO histórico. Quer queiramos, quer não, isto é UM ÉPICO HISTÓRICO meus amigos !
Perceberam ? Olhem para as paisagens ÉPICAS, olhem para o guarda roupa ÉPICO, olhem para as cenas de acção ÉPICAS ! E as batalhas navais, olhem só para as batalhas ÉPICAS !!
E efeitos especiais. Já lhes falamos dos efeitos especiais ?! Eu quase que arriscaria a dizer que são ÉPICOS também !

O problema é que tudo isto resulta de uma forma artificial e distrai daquilo que deveria ser o coração do filme, ou seja os seus personagens e a sua história.
Se no meio de todas as ideias que [“Queens of Langkasuka“] contém, tivessem escolhido umas trés ou quatro e tivessem feito um par de filmezinhos mais sem tanta pretenção a épico histórico, se calhar a coisa tinha resultado bastante bem e teriamos agora uma simpática trilogia de piratas made-in-tailândia.

Assim, como está ao tentarem concentrar demasiado conteúdo embrulhado em tanto desejo óbvio para que o filme seja considerado um épico, acabaram por dar um tiro no pé na minha opinião e [“Queens of Langkasuka“] perdeu não só toda a personalidade apesar do esforço em contrário evidente como se tornou numa aventura algo insípida de seguir, para não dizermos até chata e bastante aborrecida apesar de visualmente conter bastantes momentos muito bons que a todo o momento nos parecem querer garantir que estamos enganados e que o filme é realmente melhor do que aquilo que nos parece.

Ainda o filme não ia a meio e eu já estava farto da suposta aventura. Há algo no ritmo desta história que não resulta e ainda não percebi bem o quê. As cenas de acção tentam entrar pelo estilo de pancadaria executada em trabalho de arames ao melhor estilo Wuxia Chinês, mas depois o que transparece é isso mesmo, cenas de acção executadas em trabalho de arames evidente e sem grande rasgo criativo nas coreografias ou qualquer momento particularmente espectacular que nos faça entrar dentro do filme ao contrário do que acontece nos verdadeiros épicos históricos chineses.

A sensação com que se fica é que mais uma vez, o cinema Tailândes tentou ir para além do seu orçamento e esticou-o tanto para tentar tornar um filme opulento que acabou por criar um produto algo hibrido. Se por um lado visualmente conta com uma fotografia fantástica (a cor do filme é incrível em muitos momentos), tem inúmeras sequências filmadas em cenários naturais oceanicos lindíssimos cheios de atmosfera e contém um excelente design de produção em prácticamente todos os pormenores, por outro parece que tentou ter efeitos demasiados especiais com o dinheiro que restou e estes acabam por ridicularizar de alguma forma o resultado final e quebrar toda a magia da aventura.

É dificil entrarmos no suspanse de uma sequência quando de repente encontramos uma quantidade de montagens fotográficas criadas “de forma amadora” em Photoshop pelo meio.
Isto aliado ao excesso de referências do argumento, faz com que o filme perca muita da força que merecia ter tido pois [“Queens of Langkasuka“] tinha tudo para ser um grande filme de piratas e princesas; no entanto chega a ser chato de seguir mesmo apesar do seu ritmo diabólico em alguns momentos.

Simplesmente porque pouco nos importam os personagens ou os seus problemas e isso é o pior que podia ter acontecido a um filme cheio de piratas que tinham pelo menos o direito de ser bem mais divertidos ou pelo menos assustadores e não são nem uma coisa nem outra.

——————————————————————————————————————

CLASSIFICAÇÃO:

Quem procura um filme de piratas orientais acho que deve espreitar isto. Não é brilhante, nem sequer é particularmente divertido mas é o que se pode arranjar e até tem bastantes atractivos para que possam gostar de o acompanhar. Apenas me parece que não irão certamente ficar totalmente fascinados por isto.
É um filme muito interessante mesmo, mas tinha o dever de ter sido fantástico ou pelo menos fantásticamente divertido, afinal estamos a falar de um filme com piratas.
Duas tigelas e meia por ser uma proposta interessante que vale a pena espreitarem mas pouco mais.

noodle2.jpg noodle2.jpg  noodle2emeia.jpg

A favor: está cheio de boas ideias, tem um bom design de produção, boa fotografia (cores fantasticas em muitos momentos), excelentes ambientes em cenários naturais junto ao oceano, óptimo visual e guarda roupa a condizer.
Contra: não se deixem enganar pelo trailer pois o filme é chato e sem qualquer chama, as boas ideias nunca são aproveitadas no seu potencial, tem ideias a mais, personagens a mais, estranhamente não é um filme divertido, a love-story não interessa para nada, os efeitos digitais têm um estilo demasiado amador, as cenas de acção não têm personalidade e são sempre mais do mesmo, tenta desesperadamente ser um ÉPICO histórico a todo o momento e não se cansa de nos apontar o porquê a todo o instante.

—————————————————————————————————————

NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=_NhG3TVxStE

Comprar
http://www.amazon.com/Legend-Tsunami-Warrior-Blu-ray-Libby/dp/B00393SFTI/ref=atv_avod_discplus?ie=UTF8&m=ATVPDKIKX0DER

Download aqui

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1262945/combined

——————————————————————————————————————

Se gostou deste poderá gostar de:

——————————————————————————————————————