Visage (Visage) Ming-liang Tsai (2009) China – Taiwan – França


A menor classificação que dei a um filme por aqui até hoje foi de 1 tigela de noodles, mas já há muito que eu  procurava por algo realmente abjecto que tivesse a honra de inaugurar a pior classificação de sempre neste blog.
Só que isto pedia alguns critérios; sim porque eu não poderia atribuir a pior classificação de sempre apenas porque um filme era mau. A coisa teria de ir para além do mau, até porque filmes maus é coisa que não falta por aí.

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Muitos inclusivamente já me passaram pela frente e eu nem sequer os mencionei por aqui, porque sempre achei que nem valia a pena perder tempo com eles. Eram simplesmente maus e pronto. Pode-se até dizer, foram insignificantemente maus e sendo assim também teria sido injusto para muitos se eu tivesse feito reviews sobre eles. Apenas porque se eu atribuísse a pior classificação de sempre neste blog a um deles, em breve muitos nas mesma condições também teriam de ser mencionados e classificados como tal, o que retiraria qualquer força posterior á pior classificação de sempre.

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Não. A pior classificação de sempre teria de ser realmente bem merecida e para isso não bastava um filme ser fraco, desinteressante, ou mau. Muito menos poderia ser baseado em qualquer obra potencialmente mal filmada, até porque como comprovei agora com o filme que irei referir de seguida, o – filmar bem – não é para aqui chamado, pois não garante de todo um bom filme. Na verdade, o que não falta por aí são filmes geniais precisamente por muitos deles estarem tão mal filmados, montados ou produzidos que depois se tornam divertidissimos.

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Sendo assim como atribuir a pior classificação de sempre neste blog a um filme ?
É simples. Trés conceitos.
– A capacidade para – estupfactar – (sim eu sei, inventei agora um verbo novo);
– A capacidade para aborrecer de morte até moscas que já faleceram no ano passado;
– A capacidade para ser irritante como o raio ! Mas irritante ao ponto de sentirmos vontade de esmurrar o realizador e obrigar os produtores a explicarem onde estavam com a cabeça quando investiram nisto !

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Mas acima de tudo, aliado a estes três factores, o filme ideal para receber a pior classificação de sempre por aqui teria de ser pretensioso como o “#$#%”$ ! Pretencioso ao nível de – tá aqui, tá a levar um estalo na cara !
Bem vindos a [“Visage”], outro filme do realizador de “Goodbye Dragon Inn”, que já tinha sido um produto estranho mas ao menos não tinha ainda atingido o nível de –“instalação artística” que supostamente esta obra prima agora almejou alcançar…e pelo visto para muito crítico iluminado por aí, alcançou mesmo.
Aliás, segundo certa crítica iluminada, parece que [“Visage”] é de uma genialidade insuperável. Um filme onde se filma os momentos mortos que ocorrem entre uma história em vez de se filmar a história própriamente dita, o que tem deixado muito intelectual de festival de cinema europeu extasiado.

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Não tenho nada contra o conceito. Por acaso é uma boa ideia e nas mãos de Hong Kar Way poderia ser absolutamente poético, só que o realizador Ming-Liang-Tsai não é de todo Hong-Kar-Way embora o trailer desta obra até aponte para algo dentro do género, o que devo confessar, me fez ficar bastante interessado no filme.
Curiosamente o realizador aqui nesta entrevista refere que ofereceu o papel principal feminino á actriz Maggie Cheung e não entende porque esta recusou entrar no filme !!! (?!) Jura… Porque será…
Ainda bem que este dvd me foi oferecido por uma amiga minha que sabendo do meu interesse por cinema oriental, decidiu procurar um dvd que eu ainda não tivesse visto. Acertou em cheio. Pelo menos, o trailer é altamente !
[“Visage”] foi possivelmente um dos filmes mais irritantes que alguma vez vi. Mais que cinema é essencialmente uma instalação artística de duas horas e meia e é dificil descrever por palavras o quão pretensiosa esta coisa é.

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Na primeira meia hora de filme, iniciamos a “história” com um plano de uma chávena de bica em cima de uma mesa de café onde durante mais ou menos cinco minutos ouvimos conversas casuais. Depois passamos para o interior de uma cozinha de um apartamento onde assistimos a um homem lavando a loiça quando rebenta um cano e em tempo real durante largos minutos de plano fixo, assistimos ás tentativas do senhor para impedir que a água se espalhe pela casa.
Seguidamente com a casa toda alagada, a cena muda para aquilo que supostamente será o quarto onde está a mãe do senhor acamada e quase catatónica. O senhor aproxima-se da mulher, destapa-lhe a barriga e começa a aplicar-lhe uma pomada durante mais um par de minutos, até á altura em que a mulher lhe agarra na mão, a coloca dentro das suas cuecas e começa a masturbar-se com a mão do filho.

Eu repito…
O senhor aproxima-se da mulher, destapa-lhe a barriga e começa a aplicar-lhe uma pomada durante mais um par de minutos, até á altura em que a mulher lhe agarra na mão, a coloca dentro das suas cuecas e começa a masturbar-se com a mão do filho.

Bem, o filme [“Visage”] está classificado como – comédia – por isso, acho que esta foi a parte para rir.

É arte.
É metáfora.
É poesia.
É subversão.
É um statement sobre a solidão na terceira idade.
É um filme porno para doentes de alzheimer.
É cinema !
É só rir !

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E o cinema continua…lembrem-se que o filme vai no inicio e faltam ainda duas horas de looooooooooooooooooooooooooooooooonga metragem para nos extasiarmos com:
Cenas na neve com gente a correr numa floresta á volta de espelhos; cenas na neve com gente numa floresta a dançar á volta de espelhos; cenas na neve com gente numa floresta a cantar canções espanholas (mexicanas, venezuelanas(?)) á volta de espelhos e finalmente cenas na cidade… não, estava a brincar; são mais cenas na neve com gente numa floresta a falar ao telémovel. Está bem, estou a exagerar…é só uma pessoa a falar ao telemóvel. Numa floresta…com neve…e espelhos.
Na secção cenas sem neve…ainda numa floresta, temos a excitante sequência onde a meio da noite sabe-se lá porquê o realizador tem um encontro tipo cruising com outro tipo atrás das moitas e … bom, vocês já estão a ver a ideia. Grande momento de tensão sexual aqui também. Deve ser a parte de suspanse do filme. Ou a parte romântica, tipo – amo-te muito, joga-me a boca fachavor que eu tenho de passar á próxima cena sem qualquer lógica depois deste interlúdio em que fazemos o amor nas moitas.
Só é pena não sabermos porque tudo isto acontece. Não é o pseudo-erotismo gay que irrita, mas sim a total ausência de contexto para a cena existir !
Por outro lado, veados não faltam neste filme também…nos sítios mais inesperados…deve ser surrealismo inteligente concerteza…

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Pelo meio, temos a Flabella do Astérix que entra neste filme para fazer de gaja boa a cantar, gaja boa a ser apalpada por outras gajas boas e gaja boa para tapar vidros e espelhos com fita cola preta em tempo real por várias vezes, cortando e colando fita a fita enquanto olhamos maravilhados para esta treta a acontecer; o que naturalmente será outra metáfora inteligente sobre a negação da beleza ou uma estupidez qualquer. Ou então não…isto sou eu a armar-me.
Duas horas depois percebemos que o filme tem algo a ver com o Louvre pois aparece uma cena em que alguém sai de uma das suas paredes por debaixo de um quadro. Algo me diz que essa cena foi inserida à pressão quando o realizador se lembrou que o museu do Louvre tinha financiado esta -obra de arte- e ele ainda nem sequer tinha colocado nenhuma cena passada no seu interior.
É que o financiamento do Louvre teve por base a produção de obras de arte que tivessem a ver com o próprio museu. Devem ter ficado extasiados de contentamento quando descobriram que a única referência ao local foi o realizador ter mostrado uma parede com um quadro. Bora lá filmar uma parede porque ninguém nota e assim o Louvre entra “na história”. Fascinante. Tanta Arte junta é verdadeiramente sublime.

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E quando percebemos que gastamos tempo precioso da nossa vida a contemplar esta obra de arte, ainda somos brindados com um final magnifico em duas partes. Na primeira o realizador do filme dentro do filme está dentro de um saco de plástico, numa banheira rodeado por porcos abatidos pendurados em ganchos de um talho e uma gaja boa em bikini despeja-lhe concentrado de tomate em cima. Teoricamente a simbolizar sangue, digo eu que também sou iluminado. Depois várias raparigas desnudas dançam e apalpam-se ao seu redor em estilo dança indiana eventualmente simbolizando a deusa Khali com vários braços ou algo assim…(daqui pouco também já posso ir aos festivais extasiar-me)…
A cena muda para mais uma câmera fixa onde se vê um lago de jardim com gente a passar durante alguns minutos, aparece outro veado e o filme rola os créditos finais.

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Isto ultrapassa em muito todo o lixo intelectualoide pretensamente surrealista que já foi inclusivamente produzido cá por Portugal, um país que durante anos foi especialista em produzir “obras” semelhantes a esta maravilha. Aliás , [“Visage”] é tão mau e ridículo que poderia ser perfeitamente mais uma produção portuguesa destinada a mais um daqueles festivais para clubes de amigos onde se perpétua este tipo de cinema para conhecedores gourmet e que habitualmente é também produzido aqui neste meu Portugal à beira mar naufragado.
Em Portugal já filmamos de tudo; desde relva a crescer em tempo real, velhos a contarem pintelhos e até filmes com telas pretas (sim meus amigos do Brasil, Portugal fez um filme onde a tela está preta durante mais de metade da narrativa e os “espectadores” (ou)viam o filme (no escuro) como se fosse um … audio-book. No cinema. Chama-se “Branca de Neve” (a sério); procurem, vão “adorar”…e não o vosso televisor não estará estragado. O écran é mesmo para estar negro o tempo todo)…Como não podia deixar de ser, foi mais um filme do produtor portuga Paulo Branco, especialista em sustentar génios do cinema nacional que gastam dinheiro a fazer “instalações” cá por estas bandas e [“Visage”] não destoaria de todo de uma dessas obras de arte.

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Repito, [“Visage”]  é tão mau que podia perfeitamente ser um filme português !
O problema aqui nem é a total inexistência de uma história, mas sim a subjectividade da narrativa. Atiram-nos com vinhetas aparentemente isoladas (que se esticam por demais no tempo) e nunca há um contexto para as coisas acontecerem. Qualquer cena em tom níilista poderia ser atirada para esta montagem que não se notaria diferença. Estou seriamente convencido que o argumentista e realizador disto terá um grave problema existêncial. Se calhar queria ser realizador em Portugal mas nasceu Chinês !
Supostamente isto é suposto ser sobre as filmagens de uma versão de “Salomé” que está a ser produzida por uma equipa de cinema em França tendo por realizador um tipo Tailandês e portanto a coisa estará cheia de metáforas a condizer que farão paralelo com a obra pretensamente em produção; mas meus amigos…isto simplesmente não resulta.
E não resulta apenas pela inexistência de um contexto para as coisas acontecerem, mas principalmente por causa da aura “Artsy” que emana de cada fotograma desta coisa, como se o importante fosse a criação artística no sentido mais hermético e pessoal e não o filme.
Onde claro, nem sequer faltam as inevitáveis referências literárias que são o próprio equivalente em prosa desta maravilha cinematográfica.
Alguém se esqueceu que o cinema supostamente deveria ser feito para os espectadores e não apenas para contemplar o umbigo do realizador…pensando bem, se calhar este Ming até terá uma costela Portuguesa e não sabe…
Essencialmente esta obra de arte, estaria bem melhor numa daquelas galerias podres de modernas do que numa sala de cinema.

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É que na verdade não é o facto de [“Visage”] ser cinema de autor que enerva. Enerva por ser precisamente por causa de instalações artísticas como esta que o cinema de autor tem o mau nome que tem junto de muito público por cá !
Se eu pela minha parte não suporto cinema americano estilo Michael Bay, X-Men e pastilhas elásticas que tais por serem o exemplo perfeito da comercialidade levada a extremos secantes e previsíveis onde desaparece toda a magia do cinema, também não suporto o seu extremo oposto no que toca a cinema fora do circuito comercial. Esta coisa do cinema de autor para certos génios, ter que parecer obrigatóriamente muito hermético, inteligente e cheio de simbolismo tem um efeito tão mau e desinteressante como Hollywood só produzir pastilhas elásticas previsíveis sem graça.

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Aquela ideia de que um lixo intelectualoide e pretensioso como [“Visage”] será automáticamente um produto superior à pior pastilha elástica Hollywoodiana é precisamente a razão porque coisas como esta ainda continuam a ser produzidas sabe-se lá com que apoios, porque na verdade tão mau é o pior blockbuster gringo quanto a pretensiosa instalação artística seja de que país fôr.
Depois vêm com a história do “surrealismo” como se essa treta fosse a desculpa para tudo e quem não gosta, é porque não atinge o conceito, etc, etc, etc.
O facto de [“Visage”] se colar a Fellini em certas alturas não nos faz abrir a boca maravilhados pela audácia da homenagem; faz ter vontade de partir o écran o tempo todo ! E olhem que eu gosto muito de Fellini. Mais uma vez, isto é mesmo dificil de explicar. Só vendo mesmo.
O facto é que isto não se torna mais inteligente porque mete a martelo referências a tudo o que supostamente será “Arte” conceituadíssima. Acho que até há por aqui um toque de cinema no estilo Ken Russel algures… a atmosfera gélida de muitas cenas pseudo-eróticas tem ali qualquer coisa de cinema -artístico- inglés também…

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Portanto…
Capacidade para “estupefactar” o espectador desprevenido…
CHECK !
Aborrecer de morte até quem já está a dormir…
CHECK !
Irritar como o raio quem ainda consegue estar acordado…
CHECK !
Ser insuportávelmente pretencioso…
CHECK, CHECK , CHECK !

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Vão me perguntar se esta coisa não tem coisas positivas…
Tem sim senhor. O problema disto não é a realização mas sim o próprio conceito. O filme contêm alguns bons momentos esporádicos em termos visuais e a maneira como usa a música está bastante interessante, o que em certas alturas parece que vai fazer o filme descolar para algo realmente surreal e despretensioso.
Infelizmente depois voltamos à realidade…
Se ainda estivermos acordados…ou o televisor estiver intacto.

De qualquer forma como eu não percebo nada disto, aproveito desde já para deixar aqui também um link para uma review de um senhor que parece saber do que fala, caso queiram espreitar outra opinião antes de confirmarem as minhas conclusões finais…

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CLASSIFICAÇÃO

Tão mau que não merece sequer qualquer comentário adicional apenas desprezo por irritar por demais. Definitivamente o pior filme oriental que já me passou pela frente.
Tão mau que parece cinema Português com tudo o que o cinema-de-autor portuga acarreta. [“Visage”] está a esse nível e por vezes ultrapassa-o.
Foi o segundo pior filme de autor que vi nesta onda pseudo-surrealista.
O primeiro prémio continua a ir para um filme português de que um destes dias ainda falarei noutro blog, quando o tentar rever…

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Relembro que este [Visage] está classificado como – COMÉDIA… o que deve ser a única piada ligada ao filme… a não ser que a cena de incesto seja cómica e eu não apanhei o humor da coisa.

ZERO TIGELAS DE NOODLES

A favor: O trailer faz lembrar o melhor de um cruzamento entre uma homenagem a Fellini e o estilo Hong Kar Way na forma como usa a música; banda sonora com canções hipnóticas que dão um certo charme ao filme mas dura pouco.

Contra: Não passa de uma enorme e insuportável instalação artística cinematográfica ao pior nível, a total abstracção e subjectividade das sequências evidencia em demasia o esforço para mostrar o quanto este argumento será inteligente durante o tempo todo, é longo como o raio e parece maior por causa das típicas cenas onde se pode ficar a ver a relva a crescer durante dez minutos sem qualquer razão para isso…metafóricamente falando que eu também me quero armar em iluminado. Tenta ser subversivo e chocar pelo sexo mas depois nunca tem coragem suficiente para ir mais longe e fica a meio caminho entre um erotismo sem nexo e um porno que nunca foi feito, a fragmentação episódica da narrativa é absolutamente enervante, está cheio de diálogos que não servem para nada… a não ser que sejam -arte- e eu não tenha notado…Total desperdício dos excelentes actores franceses que sabe-se lá porque carga de água aceitaram participar nesta estupidez, consta que é uma comédia.

AVISO: Este filme pode prejudicar gravemente a vossa intenção de dar uma oportunidade ao cinema de autor. Não deixem que esta -obra de arte- os impressione, pois há cinema de autor muito divertido e empolgante. Se quiserem dar uma oportunidade ao género recomendo que comecem pelo cinema de Wong Kar Way pois actualmente é uma boa entrada. Ou então espreitem um Fellini dos anos 70 que é sempre bem mais divertido do que esta imitação imbecil e descaracterizada.

Se tiverem mesmo que ver isto, então recomendo que antes para se prepararem psicológicamente espreitem o bastante mais interessante “Goodbye Dragon Inn” do mesmo realizador e que embora não deixe de ser uma seca descomunal, ao menos não tem a aura pretenciosa de [“Visage”].

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
https://www.youtube.com/watch?v=uQJRR7OxnC8

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Comprar na FNAC portuguesa
http://www.fnac.pt/Face-Visage-sem-especificar/a670634

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1262420

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Filmes semelhantes…

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Red Cliff – de John Woo – Editado em Portugal


Está já á venda em Portugal a 15€ a versão curta do filme Red Cliff realizado por John Woo, o que é sempre de louvar porque a escassez de bom cinema oriental continua a fazer-se notar por este cantinho á beira-mar plantado e é sempre positivo quando alguém resolve lançar um destes filmes orientais. Nem que seja na sua versão reduzida.
Consta que o filme é fantástico mas como ainda não o vi não posso dizer grande coisa sobe ele e não sei muito sobre esta versão curta produzida para ser lançada na América mas provavelmente será inferior á versão original.
A versão curta tem pouco mais de 140 minutos na totalidade e a versão original está dividida em duas partes que chegam a ter 150 minutos cada por isso aposto que muito ficou de fora na versão remontada para ser ditribuída no ocidente.
Pela minha parte não espero ver o filme na versão reduzida tão cedo pois quero ver primeiro o original mas esta edição agora em PT poderá ser uma boa escolha para quem faz questão de ter legendas em Português numa edição dvd.
Podem encontrar o trailer aqui e comprar as duas partes da versão longa aqui e aqui.
Para quem quiser espreitar o filme antes também na sua versão longa, podem encontrar as duas parte no Asian Space , aqui e aqui com legendas em Pt/Br.
Um destes dias quando tiver tempo para espreitar o filme logo darei a minha opinião sobre o mesmo.
A capa da edição portuguesa do dvd é semelhante á que vêem na imagem e aposto que o disco é o mesmo da versão á venda na Amazon.uk.
De qualquer forma seria bom que esta edição tivesse sucesso por cá, pois incentivaria certamente as editoras a apostarem mais no cinema asiático.

Jisatsu sâkuru (Suicide Club ou Suicide Circle) Shion Sono (2001) Japão


Interesso-me sempre por espreitar primeiras obras de novos realizadores. Especialmente dentro do cinema oriental claro está.
Então quando estamos na presença de uma primeira incursão no género de terror da autoria de um gajo que até á data apenas tinha realizado filmes porno-gay asiáticos, é caso mesmo para não perder um segundo de [“Suicide Club“] pois a coisa promete.
Sim, porno-gay. 🙂

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Passar da pornografia para o chamado cinema normal nunca é tarefa fácil, mas há que convir que este tipo tem qualquer coisa de interessante e de certa forma até conseguiu ser bem sucedido apesar deste filme ser absolutamente estranho. Ou será … estúpido ?…
Se procurarem pela net, encontrarão inclusivamente no Imdb, bastantes pessoas convencidas de que perceberam o filme. Não se deixem iludir por esses comentários pois essa gente deve andar a dar na coca.
Mas não deixa de ser curioso, parecer haver tanta gente a querer interpretar [“Suicide Club“] ás vezes com conotações absolutamente hilariantes á força de tentarem parecer inteligentes em demasia.

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Esqueçam. Este filme japonês não tem lógica e se calhar nem é para ter.
Podem arranjar as explicações que quiserem para o final, esmiuçar todas as implicações sociais, filosóficas e intelectualoides que não vale a pena. Este argumento não tem ponta por onde se lhe pegue. O que é estranho pois no que toca a uma narrativa coerente ao longo de toda a sua duração até transporta o espectador por pelo menos cinco histórias diferentes de uma forma bastante interessante pois não há dúvida que este realizador sabe criar tensão e ambiente.

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Ao contrário da história noutro filme que deixa muita gente confusa, o fabuloso “A Tale of  Two Sisters“, aqui em [“Suicide Club“] não há mesmo ponta por onde se lhe pegue por uma simples razão. As histórias paralelas que apresenta permanecem practicamente sempre isoladas. Podiam ser de filmes orientais independentes sem qualquer ligação ao suposto mistério central que não se notava nada.

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Por muito que não pareça em “A Tale of  Two Sisters” há mesmo uma história e na realidade é tão simples que parece bem mais complexa do que é,  mas que é fácilmente desmontada quando ordenamos as peças do puzzle pela cronologia temporal correcta e percebemos quais as relações entre os personagens (onde nem falta uma pista excelente no próprio poster do filme).

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Nada disso se passa em [“Suicide Club“]. No fundo resume-se a uma mistura de cinco boas histórias isoladas que poderiam qualquer uma delas dar excelentes filmes de terror mas que nunca são aproveitadas na sua plenitude pois o elemento condutor que supostamente as liga é tão obscuro e críptico que faz com que a história nem tenha uma resolução final satisfatória como merecia.
O problema de [“Suicide Club“] é que é nem sequer disfarça, mas sente-se plenamente que é um daqueles filmes a querer armar a inteligente.

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A sua atitude cinéfila ao estilo do eu sou tão confuso que só pessoas muito espertas é que me poderão interpretar e chegar realmente á minha essência profunda acaba por se tornar profundamente irritante quando chegamos ao final e nada do que é estruturado ao longo da narrativa tem realmente uma resolução objectiva.

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Esse sentimento quanto a mim está presente ao longo de todo o filme e acho que é definitivamente o seu grande ponto negativo.
É um daqueles trabalhos de cinema oriental que na verdade não precisava de estar a mostrar a sua inteligência a todo o instante e no entanto o constante toque artístico a meter pinta de cinema-de-autor á força acaba por se tornar na sua fraqueza.

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Tirando isto, no entanto na verdade não se pode dizer que [“Suicide Club“] seja um mau filme de terror porque não é.
Tirando os enervantes tiques a cinema-artístico, quando entra por momentos de tensão e verdadeiro mau gosto no que toca a banhos de sangue é um excelente espectáculo para quem gosta de muita hemoglobina no ecran e pensa que já viu tudo em matéria de conceitos horrorosos para nos encherem os ecrans com sangue.

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É que se gostam de sangue, não vão ficar decepcionados. [“Suicide Club“] tem momentos verdadeiramente arrepiantes, se calhar não pelo que mostra mas mais porque sabe criar uma tensão no espectador que depois aproveita muito bem na hora de nos despejar o sangue em cima.
[“Suicide Club“] além disso tem uma atmosfera doentia que só lhe fica bem. Está carregado de cenas de suícido colectivo genialmente tensas e ainda por cima tem uma certa carga de pedófilia subliminar que só o torna ainda mais enervante e enigmático daquela forma que só os japoneses conseguem fazer ou o cinema asiático consegue proporcionar.

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E também não custa muito a acreditar que o realizador tenha vindo da pornografia homossexual, o que só adensa ainda mais a atmosfera deste produto verdadeiramente único dentro do cinema de terror.
Por outro lado….se isto é um filme “normal” , eu nem consigo imaginar que fantasmas ou taras sexuais verdadeiramente pervesas poderão estar na filmografia pornográfica do tipo que filmou [“Suicide Club“]. Eu por mim dispenso qualquer filme porno deste senhor, seja gay ou étero. Prefiro nem imaginar.

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Sendo assim, o que dizer de [“Suicide Club“] ?
Eu recomendo. Se gostam de filmes de terror orientais este é um daqueles que deve ser visto pelo menos uma vez.
E se gostam de filmes em que adolescentes fofinhas saltam em grupo  para linhas de metro ficando desfeitas em milhares de bocadinhos sangrentos, então este filme é para vocês meus amigos.

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CLASSIFICAÇÃO:

Adolescentes fofinhas aos bocados, dedos cortados, cabeças decepadas, suicidios ao molhe, pedófilia subliminar e homossexualidade artística tudo condimentado com alguns baldes de sangue e muita pretenção a filme de arte.
O que poderia ser melhor ?

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Bom, o filme poderia ser menos pretencioso.
Por causa disso só leva duas tigelas e meia. É um filme de terror muito interessante  e recomendo-o mesmo a quem gosta do género pois tem tudo para agradar. No entanto poderia ter sido melhor se a sua história levasse a lado algum sem ser necessária uma interpretação quase filosófica ou sociológica da parte do espectador.

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A favor: tem um par de boas histórias pelo meio, o mistério é interessante, as cenas de suicídio são fantásticas e arrepiantes, excelentes momentos doentios cheios de tensão, muita gente aos bocados e baldes de sangue quanto baste.
Contra: arma-se demasiado em filme artístico e leva-se demasiado a sério, as histórias são demasiado independentes e nunca ligam como deveriam de ter ligado para nos apresentar o final que este filme oriental merecia ter tido, tem pretenção a mais e por isso não é tão divertido quanto deveria ter sido pois arrasta-se por momentos a tentar parecer uma obra mais inteligente do que precisava de ter sido.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=1Dx3_fwEbM4

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Comprar
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-aa-49-en-15-suicide+club-70-361k.html
Atenção que existe há venda uma versão censurada.

Caso queiram vê-lo antes de o comprar podem ir buscá-lo aqui ao AsianSpace.

Review adicional, para tentarem compreender o filme depois de o verem.
Tenta uma corajosa interpretação possível da coisa.
http://www.bocadoinferno.com/romepeige/artigos/suicide.html

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0312843/

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Filmes semelhantes de que poderá gostar:

A Tale of Two Sisters Dark Water hanselgretel100x73 kairo73x100

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Zhan shen chuan shuo (MoonWarriors) Sammo Hung Kam-Bo (1993) China


Se entendermos o Cinema por Ilusão, então [“MoonWarriors“] será provavelmente um dos melhores exemplos desse tipo de magia no que toca a filmes saídos do oriente.
Não por ser um grande filme oriental, ou por nos transportar para um mundo cheio de fantasia, mas porque sem recorrer a efeitos especiais modernos (sem CGIs), consegue uma coisa que se torna absolutamente divertida quando revemos o filme uma segunda vez.
E mais não digo porque desta vez o filme nem tem qualquer surpresa. Não esperem propriamente um twist daqueles que lhes trocam as voltas, mas esperem o inesperado.

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Vamos fazer uma coisa, eu mais á frente irei revelar algo com que não contam (conscientemente) e por isso quem ainda não conhece este filme asiático, tente vê-lo sem cair na tentação de ir espreitar o final desta review onde falarei sobre o assunto.
A sério, não façam batota. E façam-me o favor de nem tentarem ler mais reviews disto na net.
Vejam simplesmente [“MoonWarriors“] e divirtam-se.
Depois quando o virem uma primeira vez, voltem aqui a esta review, porque quando lerem o que tenho para lhes contar mais abaixo e depois forem rever o filme, garanto-lhes que estarão a ver um filme oriental completamente novo.

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[“MoonWarriors“] é como um bom truque de magia em que o espectador nem repara que o está a ver quando acompanha esta obra pela primeira vez. Mas, ao contrário de um truque de magia, neste caso quando ficamos a saber como fomos enganados o filme não perde o seu encanto. Muito pelo contrário pois ganha uma nova vida, agora podem ter a certeza de que nunca mais o irão ver da mesma maneira quando conhecerem o seu segredo, por isso aproveitem bem uma primeira visão porque nunca mais a irão repetir.

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Vão notar que nem sequer vou dar uma classificação muito espectacular [“MoonWarriors“], mas não é porque o filme seja fraco. Apenas este é uma daquelas obras tão flutuantes que depende muito da nossa disposição aquilo que achamos dele. Umas vezes adoro-o, outras nem me parece nada de especial e por isso o mais justo é dizer-lhes logo que é realmente um bom filme chinês. Sem mais nem menos. É bom e com espaço suficiente para que o espectador insira depois uma classificação maior ou menor consoante aquilo que retirar dele.

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Na verdade [“MoonWarriors“] quanto a mim é um daqueles filmes orientais únicos dentro do estilo. O que não falta no cinema oriental são Wuxias de todos os tipos, mas normalmente seguem sempre um fórmula exacta. Não própriamente apenas na história mas principalmente na criação de atmosfera e no tom de cada filme.
Talvez com excepção de “Hero”, raramente o género Wuxia se afasta muito daquilo que o espectador espera encontrar e normalmente até quando se afasta o resultado nem tem sido dos melhores pois as obras ou entram por um forçado estilo de cinema de autor (salvo raras excepções como o fabuloso “Ashes of Time” de Hong Kar Wai), ou então ficam a meio caminho entre o cinema de aventuras ou de kung-fu puro e simples.

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No caso de [“MoonWarriors“] o resultado foi bem diferente. Este é um daqueles exemplos que tinha tudo para ser uma salganhada mal cozinhada de vários estilos mas no entanto tudo resulta. E o mais extraordinário é que nenhum dos estilos está sequer particularmente bem conseguido nesta obra de cinema oriental.
Resulta também porque tem um design particularmente cuidado e onde também tudo parece muito mais sumptuoso do que na realidade é. Nota alta portanto para o aproveitamento de ambientes naturais e  cenográficos onde ainda se incluiem um par de bons cenários como por exemplo a aldeia do heroi junto ao mar.

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[“MoonWarriors“] é uma estranha mistura entre filme Wuxia, cinema de aventuras, filme de kung-fu, comédia desbragada, cinema de Fantasia (com umas referências a “Legend” ao estilo Riddley Scott) e onde nem sequer faltam um par de cenas gore com baldes de sangue quanto baste atirados á cara do espectador da forma mais estúpida e ridiculamente hilariantes. E mais não digo…
Ah…e também tem uma pitada de “Free Willy” o que dá ao filme alguns momentos ainda mais pirosos.

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No entanto, pelo meio de todo este cozinhado, ainda consegue ter um par de momentos sérios, pois muita da motivação de alguns personagens está bem assente em pensamentos puramente filosóficos que nos fazem conseguir acompanhar as cenas mais “parvas” do filme aceitando os personagens como eles são pois apesar de toda a loucura visual nunca sentimos que os personagens são de cartão. O que é ainda mais estranho pois nem sequer estão particularmente bem trabalhados ao nível da história. Se é que podemos dizer que o filme tem uma história, pois é do mais cliché que possam imaginar.

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Mas [“MoonWarriors“] é verdadeiramente divertido.
Não é um grande filme, mas a sua (falta de) originalidade cativa-nos.
Além diso está cheio de bons actores e actrizes entre as quais a sempre excelente Maggie Cheung (“In The Mood For Love”) que é a principal protagonista da história.

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Um aviso, quem odeia filmes orientais com gajos e espadas a voar da forma mais ridicula por tudo quanto é lado pendurados por fios “invisíveis” vai detestar esta obra por isso não se dê ao trabalho.
Quem espera um filme de kung-fu puro e duro cheio de sequências de porrada de criar bicho também é melhor não perder tempo.
Agora quem quiser ver algumas das sequências de acção com fios mais alucinantes do cinema oriental e não se ofender com a falta de realismo e o estilo cartoon Bugs Bunny de algumas sequências tem aqui uns bons 90 minutos para passar.

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E depois que souber do que lhes vou contar a seguir ainda vão curtir mais o filminho.
Por isso meus amigos…
SE AINDA NÃO VIRAM O FILME,
PAREM IMEDIATAMENTE DE LER
ISTO !
Não estraguem metade da piada que há em verem [“MoonWarriors“].

Se já viram [“MoonWarriors“] então selecionem o texto do parágrafo abaixo e leiam o seguinte:

POR ACASO NÃO ME ESTÃO A ENGANAR ?
VEJAM O FILME ANTES DE LEREM ISTO !
Estão avisados.

[“MoonWarriors“] está cheio de curiosidades geniais sobre o making of. Se comprarem o Dvd, irão contar com um comentário áudio absolutamente extraordinário onde se revelam muitas das coisas de que agora vou falar aqui e que são a razão de eu classificar o filme como um dos melhores exemplos sobre a criação de ilusão no cinema que poderão encontrar no mercado.
Notaram que eu referi que a actriz Maggie Cheung é uma importante protagonista feminina deste filme.
O que vocês nem imaginam é que ela apesar de entrar em practicamente toda a história só filmou durante dois dias para [“MoonWarriors“]. E melhor ainda, não gravou practicamente nada para a sua participação apesar de entrar em todas as cenas importantes da história e “contracenar” com todos os actores do filme.

O que me dizem vocês se eu lhes contar que Maggie Cheung só se encontrou uma vez com os seus colegas de elenco ? Em [“MoonWarriors“] só existe uma única cena com os quatro actores principais do filme realmente juntos no ecran e ainda por cima é apenas uma breve imagem do grupo montado a cavalo e que dura apenas  segundos sem sequer ter diálogos !
Por acaso repararam no extraordinário design do chapéu que Maggie Cheung usa neste filme ? O que vocês nem imaginam é que aquele look (que se tornou famoso e muito elogiado como uma peça importantissima do design criativo de [“MoonWarriors“]), na realidade nem sequer foi pensado e foi criado á pressa quando os criadores do filme souberam que só iriam contar com a actriz durante dois dias.
Esse adereço de guarda roupa, está no filme apenas com uma finalidade, o de esconder o mais possível o rosto da actriz de forma a que depois o realizador possa usar uma dupla para as cenas que não estavam no contrato de Maggie Cheung.
Topem-me só isto…vão ver o filme de novo…

TODAS as cenas em que não se vê o rosto de Maggie Cheung em que ela esteja a olhar directamente para a câmara (não conta o perfil), foram filmadas com uma dupla da actriz. Até mesmo as partes que nem sequer são de acção. Os breves segundos que vocês poderão encontrar ao longo do filme em que vêem realmente Maggie Cheung a falar para a camara foram os únicos segmentos gravados por ela para [“MoonWarriors“]. Tudo o mais sempre que não lhe vêem a cara foi filmado com outra pessoa. E nem sempre foi com uma mulher. Algumas sequências em que o espectador julgava estar a ver Maggie na realidade foram até filmadas com um homem usando o seu fato !
Agora percebem porque até vestida de Ninja a Maggie andou. Isto de só se verem os olhos tem as suas vantagens para o realizador quando a actriz principal nem sequer entra practicamente no filme. Alguma vez tinham pensado nisto quando assistiram ao filme ?
Há muito mais, mas teria de escrever um texto só para isto. Se quiserem descobrir mais segredos muito interessantes dos making of, sugiro que oiçam o comentário audio do dvd pois é daqueles que vale mesmo a pena e onde vão saber por exemplo que a cena onde a heroina do filme transporta o heroi ferido ás costas durante uma longa caminhada foi apenas filmada num único local e onde a camara era a única coisa que se mexia em redor dos actores para dar a ilusão de que caminhavam pelo cenário.
Ah, e se virem um campo de flores no filme, fiquem a saber que elas foram todas plantadas uma por uma pela equipa na noite anterior pois o filme foi quase todo feito num único local e não havia nada do género para o ambiente que pretendiam dar.

Sendo assim e como não há muito mais de relevante que possa agora ser contado em poucas palavras fiquem então com a classificação.

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CLASSIFICAÇÃO:

Um Wuxia divertido e cheio de surpresas que lhe dão uma nova vida quando conhecemos alguns segredos de bastidores.
Não é brilhante, mas é um daqueles filmes orientais que são simplesmente bons. Nem mais nem menos.
Quem gosta de filmes asiáticos com gajos a voarem com espadas em coreografias do outro mundo pendurados por fios “invisiveis” vai adorar este. Isto se não se importar com um estilo algo anárquico que vai do kung-fu ao cartoon tipo Road Runner.
Trés tigelas e noodles. Acrescentem ou diminuam mais ou menos uma a vosso gosto, porque este é um daqueles que uma vez se curte imenso , outras nem por isso. Depende da disposição do momento e da pachorra para o estilo.

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A favor: A cenografia da aldeia piscatória, as cenas de porrada com fios, kung-fu quanto baste, alguns litros de sangue nos locais mais inesperados e uma decepação de cabeça hilariante, o estilo humoristico que nem por isso deixa de equilibrar com a parte dramática, alguns pensamentos filosóficos muito interessantes introduzidos no desenvolvimento de um par de personagens, a piroseira atmosférica das cenas com a baleia, os poucos cenários construidos são bem aproveitados e filmados ao detalhe, Maggie Cheung (não) está genial.
Contra: a história não tem interesse, a lovestory muito menos, os personagens são de cartão na maior parte das vezes, o vilão não mete respeito nenhum, as coreografias são tão hilariantes que se tornam mais do mesmo e perdem um pouco da energia á medida que o filme avança, a falta de cenários grandiosos ou variados prejudica o ambiente pois sente-se sempre que lhe falta algo que o torne verdadeiramente naquele épico Wuxia que poderia ter sido, o design de produção até é bom, mas já vimos tudo aquilo em dezenas de outros produtos do género, a realização não deslumbra e a fotografia sofre em alguns momentos daquele estilo videoclip horroroso com focos de luz por todo o lado e muito fumo para disfarçar a falta de cenários ou paisagens, foi literalmente filmado num “quintal” á volta da produtora e nota-se apesar do enorme esforço do realizador para disfarçar a inexistência de cenários.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer

http://www.youtube.com/watch?v=Cw4t6XxGd_0

Comprar
moonwarriors16

Podem comprá-lo em separado, mas recomendo a edição que eu tenho e que faz parte desta bonita caixinha que ainda devem poder encontrar á venda numa loja da FNAC perto de vocês aqui em Portugal e que foi onde eu comprei a minha por 15€ há um bom par de meses.
Em alternativa está á venda na Amazon Uk por um bom preço.
Os outros filmes são, o clássico Dragon Inn e um dos Wuxias que supostamente veio reavivar o género chamado The Swordsman que pessoalmente acho um vazio absoluto. Mas a caixa  vale a pena , especialmente porque contém um excelente comentário audio em MoonWarriors.

Se preferirem podem comprá-lo isoladamente também na Amazon Uk em Sellers de confiança.

IMDB (cuidado com os Spoilers)
http://www.imdb.com/title/tt0108650/

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Se gostou deste poderá gostar de:

Shinobi The Promise A Chinese Tall Story

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Boku no kanojo wa saibôgu (Cyborg She/Cyborg Girl) Jae-young Kwak (2008) Coreia do Sul/Japão


Estamos a 11 de Janeiro de 2009 e podem começar a contar os meses até que os americanos comprem também os direitos deste filme para fazer o inevitável remake made-in-Hollywood.
Podem escrever o que digo. Vai acontecer.
E já agora, fica aqui o seguinte aviso…afastem-se de todas as reviews deste filme, não tentem informar-se sobre ele no IMDB e nem queiram ler mais nada a não ser este meu texto antes de verem a obra.
Eu não lhes irei revelar nada que estrague o prazer da descoberta deste argumento.

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[“Cyborg She“] é um daqueles filmes que dependem por completo do (quase) total desconhecimento do espectador sobre aquilo que irá ver, por isso meus amigos não o estraguem procurando saber mais sobre ele.
Posto isto…
Para quem pensa que já viu tudo no que toca a filmes românticos e para quem acha que consegue sempre adivinhar os finais das histórias… meus amigos, toda a gente a ir buscar este filme aqui, já !
Embora eu recomende a compra imediata disto se vocês adoram filmes românticos orientais e histórias de viagens no tempo. Especialmente agora que o DVD está mesmo baratinho na Amazon Uk e tudo. Baratinho mesmo !
Este filme tem um som tão bom que vai ser uma pena se o virem pela primeira vez apenas numa cópia pirata…

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Se gostarem podem ter a certeza que também o irão querer comprar pois este é mais outro daqueles filmes completamente indispensáveis em qualquer colecção dvd de cinema romântico oriental mas não só.
Totalmente imperdível para quem gosta de ficção científica inteligente mesmo quando ela vem disfarçada de comédia romântica para adolescentes. Para mim [“Cyborg She“] é o equivalente oriental ao clássico Back to the Future de Robert Zemekis por isso se gostaram de um vão adorar o outro. É melhor encomendarem já o DVD porque vão querer ter este filme. 😉

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Para não variar, é outro título do mesmo realizador de “My Sassy Girl“,  ”The Classic“, ou “Windstruck” e eu sei que já sou supeito em dizer isto, mas sinceramente não consigo evitar. Para mim actualmente não há ninguém que consiga escrever histórias românticas com mais imaginação e criatividade do que Jae-young Kwak .
Quando eu já pensava que ele não poderia inovar mais o género, aparece-me pela frente este [“Cyborg She“] e mais uma vez não sei bem em que categoria colocar um filme deste realizador.
É uma obra extremamente comercial, um verdadeiro blockbuster intensamente romântico e totalmente adolescente, mas também é uma comédia alucinada e se calhar um filme de super-herois até certo ponto.

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Porém o termo “comédia-romântica” é por demais redutor pois o filme é muito mais do que isso apesar de ser um produto bem comercial. Se isto fosse um filme americano seria mais uma daqueles filmes para adolescentes sem cérebro com pouco mais que efeitos para meter pinta e sem qualquer carga de emoção. Mas não é um filme americano. Ainda.
O que complica ainda mais as coisas, pois como habitualmente nada do que Jae-young Kwak escreve se proporciona a qualquer rótulo. Especialmente áqueles rótulos que estamos habituados a serem colocados nos filmes americanos.
Ainda por cima [“Cyborg She“] na minha opinião é também um daqueles filmes de ficção-científica como há bastante tempo não se via pela frente.
Quem gostar de histórias sobre viagens no tempo, tem aqui não só possivelmente a mais romântica de sempre como ainda por cima leva com um daqueles finais inesperados que o fará  querer rever o filme só para tentar perceber o que lhe passou ao lado, (mesmo com a detalhada explicação final).

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A ser parecido com alguma coisa [“Cyborg She“] será assim uma espécie de “My Sassy Girl”  em versão ficção-científica em que se cruzam elementos de outros filmes que não posso agora aqui revelar pois seria estragar-lhes o prazer da descoberta desta mágnifica história de amor que se calhar dentro de uma certa falta de originalidade tendo em conta as suas referências é definitivamente um dos filmes românticos mais originais que poderão ver este ano.
E se não gostam de ficção científica, não se preocupem porque se fazem parte daqueles que chegam a este blog procurando por cinema romântico oriental não se podem enganar com este filme novinho em folha.

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Mais uma vez este realizador consegue criar uma personagem feminina cativante e novamente conta conta com uma actriz que soube muito bem dar conta do recado.
A miúda que faz de Cyborg tem um desempenho absolutamente perfeito e não passa muito tempo sem que nos esqueçamos por completo que a actriz é de carne e osso.
A sua interpretação cativa-nos por completo e também é um dos pontos fortes do filme pois consegue mesmo ilustrar aquele ambiente de amor impossível sobre o qual assenta o argumento até nos trocar as voltas com o seu excelente final.

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Aliás, tal como já tinha sucedido em  “My Sassy Girl” novamente o protagonismo está todo nos dois personagens principais e sente-se de novo aquela magia do “original”, algo que tinha ficado bastante aquém em “Windstruck” que se centrava essencialmente na personagem feminina.
Em [“Cyborg She“] regressa o equílibrio entre os dois protagonistas da história de amor e voltamos a ter outro filme oriental que essencialmente assenta sobre o trabalho de dois excelentes actores que ao longo de duas horas nos fazem mesmo acreditar que aqueles personagens existem, mesmo quando no ecran se passam as loucuras mais inesperadas pois este é mais outro daqueles filmes em que o espectador a partir de certa altura apesar de não adivinhar nada já espera ver tudo.
E vê, especialmente aquilo que não espera.

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Como bom blockbuster de ficção-científica também [“Cyborg She“] precisa de assentar em efeitos especiais sólidos. Podem não parecer nada de especial ao início, mas esperem só pelo final meus amigos…esperem só pelo final…
Este é outro daqueles filmes perfeitos para vocês mostrarem áquele vosso amigo que ainda acha que só em Hollywood se fazem filmes com efeitos especiais a sério.
Eu adorava poder dar aqui um par de exemplos, mas estaria a estragar-lhes logo um dos melhores momentos do filme por isso vou ficar calado.

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No entanto é curioso, que apesar deste meu entusiasmo a verdade é  que cheguei a pensar que seria a obra mais fraca do realizador até ao momento porque há uma coisa de diferente neste [“Cyborg She“] em relação aos outros trabalhos de Jae-young Kwak.
Apesar de desde o início o filme ser muito divertido, a verdade é que o estilo de humor quase Anime em imagem real me distanciou do coração emocional do filme durante muito tempo após este ter começado.
Ao contrário dos outros filmes do realizador só a meio da história os personagens me agarraram verdadeiramente e pelo menos no que me toca, isto foi algo que ainda não tinha encontrado numa obra dele.
Mas não deixem que a minha opinião lhes condicione a maneira como possam olhar para  [“Cyborg She“].
Na verdade se há uma coisa de que o filme não tem falta é de momentos poéticos que contrastam em absoluto com as alturas de comédia caótica e equilibram muito bem todo o conjunto.

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A cena da viagem ao passado a meio do filme deve ser uma das sequências mais bonitas e nostálgicas alguma vez filmadas dentro do género sci-fi.
M
esmo tendo por pano de fundo um ambiente totalmente japonês irá certamente fazer com que muita gente se identifique com as emoções da sequência que é simplesmente perfeita e executada de forma muito original guiando o espectador por um passeio ao passado absolutamente poético e que é um dos pontos altos do filme.
E já agora fica aqui um destaque especial para a fotografia, que tem nesta sequência de viagem no tempo alguns dos melhores momentos visuais de todo o conjunto pela maneira como as paisagens rurais são fotografadas e todas as emoções dessas cenas são transmitidas quase sem palavras.

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[“Cyborg She“] é um filme diferente de Jae-young Kwak por outra razão. É a primeira vez que o realizador Sul-Coreano filma no japão, em japonês e com um casting local. Isto tem uma razão que é absolutamente indispensável para a história do filme mas claro que também não lhes vou dizer qual é.
Sendo assim e porque não quero correr o risco de revelar aqui algo que não devo…

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CLASSIFICAÇÃO:

Outro dos melhores filmes românticos (para todas as idades) que poderão encontrar no mercado e que irá agradar a muita gente. Se não gostam do estilo do realizador poderá não ser para vocês, mas se gostaram de “My Sassy Girl” ou “Windstruck” nem hesitem.
Não procurem saber mais nada sobre [“Cyborg She”] antes de verem o filme.
E de preferência nem queiram ver o trailer. Vão por mim.
É um excelente filme de ficção científica, um blockbuster com um par de sequências impressionantes e uma comédia romântica divertida cheia de poesia e muita alma.
Completamente obrigatório em qualquer colecção de cinema romântico em dvd sem esquecer os igualmente fabulosos “My Sassy Girl” , ”The Classic“,  “Windstruck” e até mesmo “Be With You“ que de certa forma está dentro do género.
Este é outro daqueles filmes que na minha opinião rebenta a escala por ser um excelente exemplo de que um filme ultra comercial não precisa de ser um produto para adolescentes imbecis.
É um excelente exemplo de um filme cheio de efeitos especiais mas com muita alma e poesia.
Ainda não foi desta que este realizador fez um filme mau ou sequer mediano.
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award por tudo e mais alguma coisa.

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A favor: o final do filme irá surpreender-vos, a poética sequência de viagem ao passado a meio do filme, a atmosfera romântica que resulta mesmo no meio de um argumento ultra-comercial, os actores principais são fabulosos com destaque para a interpretação da miúda cyborg, os efeitos especiais das sequências estilo blockbuster são mágnificos, é uma das melhores histórias de viagens no tempo contemporâneas, excelente equilibrio entre vários géneros de cinema comercial, excelente história de amor-impossível ao melhor estilo clássico mas com um twist genial.
Contra: não agradará a quem não gosta do estilo de filmes deste realizador pois é mais do “mesmo”, os inevitáveis pequenos paradoxos que se encontram sempre nestas histórias de viagens no tempo se pensarmos muito no assunto (por isso não pensem), o seu sentido de humor algo caótico ao melhor estilo Anime pode desviar por momentos o espectador do coração emocional do filme, a história é uma mistura de elementos que já vimos antes em outras histórias e por isso nunca se consegue assumir por completo como um produto verdadeiramente original…quer dizer…até ao desenlace final claro.

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer:
Fica aqui o trailer, mas recomendo mesmo que não o vejam antes de verem o filme.
Estão por vossa conta.

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Comprar
Neste momento (Verão de 2010) está á venda mesmo muito baratinho na Amazon Uk. Não percam.

IMDB
Nem pensem nisso antes de verem o filme.

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My Sassy Girl cyborg_she_windstruckcapinha1 The Classic

Fly me to Polaris Be With You Il Mare

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