Rent a Cat (Rentaneko) Naoko Ogigami (2012) Japão


Este [“Rent a Cat”] é mais um daqueles sérios candidatos a “-WTF Movie-” do ano, designação que por si só merece ser um sub-género único dentro do cinema oriental.

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Ou seja, estamos mais uma vez na presença de um daqueles filmes inclassificáveis. Daqueles que só apetece gritar WTF !!!
Na verdade um “-WTF Movie-“ não quer necessáriamente dizer que seja um mau filme.
Por um lado pode ser verdadeiramente atroz como por exemplo, “Visage(provavelmente o pior e mais pretencioso filme (oriental) que alguma vez vi e o único que levou -zero- tigelas de noodles neste blog) que recomendo vivamente que não tentem sequer ver.
Por outro, pode ser uma surpresa agradável como por exemplo “Kamome Diner“, que apesar de ser um verdadeiro título -indie- também com vários momentos -WTF, é no entanto um filme muito simpático, cheio de personalidade, que se vê agradavelmente e fica na memória como algo muito diferente mas com substância. A mesma coisa não se pode dizer de “Visage”...

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Se refiro agora “Kamome Diner“, é porque [“Rent a Cat”] é mais um pequeno filme independente da mesma realizadora, contando inclusivamente com a mesma actriz principal como protagonista, que segundo sei já se tornou uma espécie de musa do cinema independente, pois conta com uma beleza estranha e diferente da que estamos habituados a ver na tradicional história romântica e segundo esses moldes tem-se encaixado bastante bem no outro cinema mais indie, estando a ganhar excelente reputação.

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E sim, [“Rent a Cat”] é outro -WTF Movie- sim senhor, porque eu passei o filme todo a tentar perceber o que estava a ver e a murmurar para mim – wtf ?!
Não que a história seja particularmente dificil de se entender, mas o objectivo do que estava a ver…na verdade deixou-me baralhado por completo.

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Baralhado e aborrecido de morte. Eu não costumo ser daqueles tipos alérgicos a cinema de autor mas há titulos que me custa muito conseguir ver do princípio ao fim e este surpreendentemente foi mais um desses. Curiosamente “Kamome Diner” não foi tão dificil de ver quanto [“Rent a Cat”], pois este agora foi um daqueles raros filmes que eu tive que ver em duas vezes, pois da primeira não consegui passar do meio. Mais por estar irritado do que por aborrecimento. Chegou a uma altura que eu disse, chega desta “#$%& !!!

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Agora, aviso já que esta review vai parecer totalmente esquizofrénica e muito do que eu disser se calhar não irá fazer sentido, mas não se preocupem pois será o exemplo perfeito daquilo que [“Rent a Cat”] é enquanto um daqueles filmes que apanha as pessoas desprevenidas e lhes dá a volta ao cérebro.
O cinema oriental, parece desde há muito ter inventado um novo género, vulgarmente denominado nas reviews por –“dramady”. Ou seja, tanto o Japão como a Coreia do Sul parecem ser prolíferos em produzir um estranho tipo de filme que não se encaixa em género nenhum e anda ali entre a comédia (mas não tem graça) e o drama (mas também não é dramático).

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[“Rent a Cat”] é precisamente um “dramady” absolutamente exemplar. Aliás, enquanto “dramady” é capaz de ser possivelmente um dos melhores saídos do cinema indie japonês nos últimos anos.
Então porque o achei tão difícil de ver ? É simples, o filme irritou-me como o raio !
Aquela personagem principal é de arrancar os cabelos e atirar coisas ao televisor a todo o instante. Porta-se de forma absolutamente incompreensível o tempo todo e ainda por cima tem o hábito de andar a gritar “rentaneko” (alugue um gato) pela cidade com um megafone durante o filme todo de forma absolutamente enervante.

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[“Rent a Cat”] conta a história de uma rapariga de trinta e poucos anos que vive sózinha com dezenas de gatos em luto permanente pela sua avó que morreu há anos e que percorre as margens do rio da cidade com um carrinho cheio de bichanos que tenta alugar às pessoas que passam. Naturalmente é considerada por toda a gente como a louca da cidade mas ela parece nem notar, pois o seu objectivo é nobre.

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Ela pretende alugar um gato a cada pessoa que estiver solitária, pois segundo ela a companhia de um gato é o melhor remédio para a solidão e portanto percorre as ruas tentando mitigar o sofrimento das pessoas com que se cruza, alugando-lhes gatos de companhia.
Vive sózinha, è absolutamente incapaz de se relacionar com as pessoas em redor, mas tem o sonho de um dia se casar e ir passar a lua de mel no Havai e todo o filme gira à volta desta dinâmica sem no entanto se passar nada na história por aí além ou que leve a qualquer resolução final.
Isto é suposto ser a parte dramática.

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A parte “cómica” vem pelo personagem da sua vizinha bisbilhoteira (por qualquer razão um actor em dragg vestido de mulher) e que está sempre a atirar-lhe bocas em como a miuda é uma falhada, feia, banal, etc. Essa é suposto ser a parte para rir, o que me deixa um bocado estupefacto, pois não só a caracterização do personagem é também particularmente irritante como o seu papel se repete constantemente ao longo da história desaparecendo logo a seguir.

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Aliás a repetição é ao mesmo tempo aquilo que torna o filme dificil de se seguir e aquilo que em última análise lhe dá uma identidade muito particular.
Neste campo, destaque para a longa sequência de um sonho, onde a protagonista sonha que vai a uma agência de rent-a-cat para alugar um gato, onde ocorre um longo e pausado diálogo com a empregada que lá trabalha e que nunca viu entrar um cliente na loja antes. Essa sequência é depois repetida ao pormenor minutos depois quando já no mundo real a protagonista descobre que a loja existe mesmo mas em vez se ser uma rent-a-cat é na verdade uma rent-a-car; embora depois toda a sequência que se segue aconteça tal como no ocorreu no sonho, mas onde os diálogos que envolviam gatos, agora são sobre o aluguer de carros. Confusos ? Eu também.

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Na verdade é óbvio que [“Rent a Cat”] pretende ser uma história sobre a solidão nas grandes cidades. Todos os personagens que a rapariga encontra refletem precisamente isso. Desde a velhota que mora sózinha porque o filho já adulto saiu de casa há muito, até ao homem de negócios que vive num apartamento vazio porque o trabalho o obriga a ficar longe da familia passando pela rapariga que trabalha na rent-a-car e nunca viu entrar um cliente na loja, é óbvio que o filme pretende reflectir sobre a solidão de uma forma ligeira e divertida (?).

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A protagonista é a principal metáfora para tudo o que a rodeia, pois ela aluga gatos a pessoas sózinhas quando ela própria vive rodeada de gatos mas nunca consegue encontrar o conforto que ela julga poder dar a quem leva um dos seus gatos para casa.
O problema em [“Rent a Cat”] é que parece que se passa num universo onde só existem pessoas excêntricas e por demais irritantes. Se a intenção foi produzir uma qualquer metáfora visual sobre a alienação da sociedade em geral e coisa e tal, tudo bem, mas… será que não havia maneira de meterem um personagem neste filme que não fosse absolutamente enervante a níveis estratosféricos de ridiculo ?!

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É que a protagonista parece ter consciência de que a sua excentricidade é aquilo que lhe impede de encontrar companhia mas depois em nenhum momento faz qualquer coisa para tentar mudar de vida e ter mais chances de encontrar alguém que lhe mitigue a solidão.
Ainda por cima nem os gatos são particularmente fofinhos (ou têm qualquer destaque) , o que é a pior coisa que poderia acontecer num filme que supostamente é sobre a empatia que podemos criar com um gato.
E eu adoro gatos.

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Em termos de dinâmica, não acontece nada no filme durante duas horas. A história passa episódicamente por vários personagens solitários que alugam um gato, passa pela própria excentricidade da protagonista e quando finalmente até parece que vai conseguir criar alguma empatia com o espectador apresentando algo mais normal como uma possível perspectiva de um relacionamento amoroso entre a protagonista e um velho colega de escola, também esse personagem é tão enervante (e grunho) que percebemos logo que não irá servir para nada na história.

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O que não quer dizer que isto não traga originalidade ao filme. Tal como em “Kamome Diner” da mesma realizadora, também aqui é dificil classificar este filme. Por um lado é irritante como o raio, mesmo concordando que é um estudo sobre a solidão e tem o seu quê de original. Por outro lado, não é um daqueles filmes de autor pretenciosos. Muito pelo contrário, o que só lhe fica bem. Tem até um certo charme que não nos deixa esquecê-lo facilmente.

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Visualmente é muito bonito e incrivelmente detalhado; em particular no que toca aos cenários típicamente japoneses, como o do interior da casa da rapariga, as roupas que enverga e principalmente as cores. Em termos de paleta de cor [“Rent a Cat”] é um espectáculo  se calhar não se nota logo porque estamos a tentar perceber o que raio estamos a ver.
Excelente fotografia, bons actores sem sombra de dúvida e a realização é definitivamente um estilo adquirido que já é uma marca desta realizadora, goste-se ou não do trabalho dela. É um filme eficaz dentro do género e muito bem feito.

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Não é o tom lento que me chateia no filme, mas em última análise os personagens e a sua (falta de) motivação; os diálogos excêntricos e por vezes histéricos durante toda a história quanto a mim separa-nos daquele universo, pois é tão estranho e sem lógica quando comparado com a nossa realidade do dia a dia que quanto a mim é muito dificil criarmos uma verdadeira empatia com o que vemos. Por outro lado, reconheço qual a intenção por detrás desta abordagem, mas sinceramente isso não faz com que o filme seja menos irritante de se ver.
Ao mesmo tempo, é o facto de ser tão irritante, (e deprimente em alguns momentos) que lhe dá uma aura muito especial. Estou baralhado. Gostei e achei o filme insuportável ao mesmo tempo.

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Pode parecer estranho, mas até eu não tenho dúvidas que este vai ser um daqueles títulos que irei começar a gostar bastante dele gradualmente e se calhar daqui a um par de anos refaço a classificação que lhe vou dar agora e dou-lhe mais uns pontos.
É que o raio do filme custou-me mesmo a ver até ao fim, mas o facto é que este não me sai da cabeça há vários dias e deixou-me uma quantidade enorme de imagens (e ambientes) bem marcados no pensamento. Por isso se calhar até gostei mais dele do que admito, para além da profunda irritação que a personagem principal e todos os “malucos” desta história me causaram.

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[“Rent a Cat”] estranhamente, ou talvez não está a tornar-se aos poucos um filme de culto junto de muitas pessoas e curiosamente até está bem cotado no imdb o que não é muito comum com cinema de autor nestes moldes. No entanto a ideia principal de [“Rent a Cat”] parece ter tocado o coração de muita gente que se calhar se identificou com a imagem muito forte que este filme transmite sobre a solidão nas grandes cidades; ao ponto de estarem a começar a surgir pessoas que abriram de verdade um negócio de -alugar gatos- precisamente inspirados pela heroina deste filme. Podem ler sobre um destes exemplos da vida real inspirados por [“Rent a Cat”] se clicarem aqui. E não é único.

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Actualmente podem espreitar [“Rent a Cat”] facilmente no youtube na sua versão integral. Inclusivamente conta com um excelente cópia a 720p, legendada em inglés e portanto só por isto já vale a pena irem ver este filme para me dizerem o que acham e de que forma os atingiu também.

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CLASSIFICAÇÃO:

Tal como em “Kamome Diner” da mesma realizadora, se estiverem á procura de um drama, esqueçam. Se estiverem á procura de uma comédia esqueçam.

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É mais uma vez uma história original com o seu mérito próprio e que pelo que tenho visto pelas reviews espalhadas pela net irá atingir as pessoas de várias maneiras. Pessoalmente achei-o insuportávelmente irritante mas ao mesmo tempo extremamente cativante e um daqueles títulos que ficam no pensamento. Por isso se calhar é bom.
Três tigelas de noodles para já, mas se calhar no futuro irá ganhar mais.

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A favor: o conceito e a ideia geral da história, a atmosfera visual, a actriz principal, o design, a fotografia.
Contra: não vai a lado nenhum para além de ser um estudo sobre a solidão, as motivações dos personagens são por demais excêntricas, a protagonista é totalmente enervante, alguns diálogos são insuportáveis e irritantes como o raio, pode ser incrivelmente chato porque não nos identificamos com os personagens mesmo quando nos indentificamos com o seu vazio, os gatos não têm qualquer carísma o que é o pior que podia acontecer num filme supostamente sobre gatos também…

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt2246953

FILME COMPLETO
No Youtube – Legendado em Inglés.

 

Rent a cat (de verdade)
http://www.themoscowtimes.com/business/article/rent-a-cat-service-comes-to-kiev/487892.html

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Filmes de autor “semelhantes”

capinha_all-about-lily-chou-chou capinha_godbye_dragon_inn capinha_kamome_diner

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Cinema_oriental_no_facebook

 

Hello, Schoolgirl (Soon-jeong-man-hwa) Jang-ha Ryu (2008) Coreia do Sul


Não. Isto não é um thriller sobre pedófilos babados que fazem esperas às miudas das escolas para lhes oferecerem chupa-chupas.
Mas podia…
No entanto, eu sei que [“Hello, Schoolgirl”] soa um bocado … creepy em estilo pedófilo… ou pelo menos indica logo que o filme vai ser daqueles fofinhos de meter vómito. Pois é…

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Acontece que este é mais do que isso também, sendo uma pequena surpresa e portanto tinha mesmo que o recomendar aqui. Não é obrigatório, mas é um excelente complemento se já viram tudo o que tenho recomendado de melhor neste género romantico oriental.
Além disso pertence àquele tipo de cinema típicamente sul-coreano que nem é comédia, nem é drama pois na verdade é quase um estilo à parte e quando é bem feito tem imenso charme o que é o caso.

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Vocês não sabem, mas eu vejo muitos mais filmes do que aqueles que normalmente até recomendo aqui neste blog. Inclusivamente tenho bastantes que já vi mas que por uma razão ou outra ainda não me apeteceu falar deles.
Pelo meio de tanto filme de vez em quando a minha procura por bom cinema romântico oriental para satisfazer os pedidos reflectidos nas estatísticas deste blog, faz com que me depare com bastantes filmes genéricos do género, pois a Coreia do Sul está cheia de produções assim e à partida parecem todas iguais, pois no oriente também se faz cinema banal.

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Já tenho visto muita coisa de que simplesmente nem vale a pena falar por aqui. Ás vezes nem são maus de todo, mas simplesmente não têm nada que me faça gastar tempo para falar bem ou mal desses títulos.
Por outro lado, este é mais um daqueles que me pedem para recomendar , pois a procura por filmes românticos continua em alta neste blog e sendo assim não podia deixar de passar este título. Simples mas que se recomenda.

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À primeira vista este [“Hello, Schoolgirl”] parecia mais do mesmo e o título não prometia muito também. No entanto deparei-me com alguns comentários pela net que o recomendavam pois parece que o trailer não transmitia a verdadeira essência da história. Sendo assim, fui espreitar e fiquei agradávelmente surpreendido.
Na verdade a principal razão porque estou agora aqui a falar de [“Hello, Schoolgirl”] é porque este é mais um excelente exemplo de um filme muito simpático e cheio de personalidade, mas que jamais seria produzido pelo cinema americano.
É mais um título daqueles que demonstra bem a diferença entre aquilo que são histórias românticas escritas no oriente e os enlatados produzidos a metro sem alma que passam por romance no habitual cinema saído do Hollywood comercial onde tudo tem que ter uma fórmula reconhecível e testada.

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Imagino os autores desta história a tentar encontrar financiamento para
[“Hello, Schoolgirl”] em Hollywood:

– Então e a vossa história é sobre o quê ?…
– Bem na verdade é sobre nada.
– Hm ?
– É sobre dois pares de protagonistas que se apaixonam, sobre guarda-chuvas, estações de metro e máquinas fotográficas.
– E sexo, mete tensão sexual ?
– Bem, o nosso protagonista tem 30 anos e apaixona-se por uma estudante de 18 anos e…
– Isso é  bom, isso é bom…já estamos a ver, máquinas fotográficas, estudantes de liceu, internet…sexo online.
– O senhor não está a perceber a ideia…Também temos um rapaz de de 22 que mente na idade para se aproximar de uma rapariga de 29 anos pois apaixonou-se por ela no metro e…
– Ah, vai ter triângulos amorosos com adolescentes já vi, sexo e…
– Não mete sexo.
– E traições ? Rivalidades , cornos…
– Bem, não… não há conflito entre os personagens de espécie alguma…temos a mãe da rapariga que fica um bocado incomodada por um homem de 30 anos gostar da sua filha e vai lá a casa para f…
– Ah… e esse gajo come a mãe da miuda ! Já estou a ver, a pita chega a casa  e encontra a mãe debaixo do trintão…já estou a ver , isto poderia chamar-se as… 30 Sombras da Traição … é bom, é bom…isto filma-se… já estou a ver a Natalie Portman…
– Mas… ela vai lá a casa só para falar com ele, porque…
– E depois têm a outra de 29 anos que também está desejando de saltar para cima do outro puto, não é ? Já estou a ver as bilheteiras … a polémica…
– Na verdade não. Não se passa nada disso…não há intrigas de qualquer espécie, apenas personagens que passeiam, vão ao cinema, tiram fotos, apanham chuva…
– Vão ao cinema ? Passeiam ?…
– … ehm…de mãos dadas…
– Está a brincar comigo… e accção, porrada, tecnologia ?!
– … e depois eles tiram bonecos de peluche de máquinas de jogos…
– Alguém que me chame o Michael Bay por favor !!!

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[“Hello, Schoolgirl”] distingue-se precisamente por isto. Mais uma vez estamos na presença de uma história romântica que não segue qualquer cliché que estamos habituados a ver no cinema americano; muito menos no cinema sobre adolescentes. [“Hello, Schoolgirl”] apesar do título teen, é mais um daqueles pequenos filmes que se calhar irá agradar muito mais aos mais crescidos, pelos sub-tópicos que aborda sem nunca nos atirar coisas à cara.

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[“Hello, Schoolgirl”] é uma história sobre diferença de idades, mas não da forma melodramática que vocês esperam, faz-nos pensar no assunto sem no entanto pregar qualquer moral ou manipular opiniões; é também um filme sobre o isolamento e a solidão que pode ocorrer na rotina das grandes cidades; ao mesmo tempo é sobre saudade e sobre a forma como esta se pode tornar numa prisão e impedir que coisas boas aconteçam porque não estamos a prestar atenção quando elas aparecem. E é um filme sobre o amor na forma mais simples, sem dramas, preconceitos ou convenções sociais.

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Tudo filmado por entre um argumento que parece nem existir. [“Hello, Schoolgirl”] não tem realmente qualquer tensão dramática da forma que estamos habituados a ver no cinema ocidental e no entanto consegue passar muitas das mesmas mensagens sem precisar de recorrer à tipica cena que já estamos fartos de ver. Aqui não há cruzamentos, mal-entendidos, separações por ciúmes, brigas adolescentes e teen angst ao estilo ocidental.

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[“Hello, Schoolgirl”] é uma história sobre crescer. Sobre o que isso acarreta, sobre o que traz de bom e sobre o que aquilo que parece bom na liberdade de sermos adultos também pode traduzir-se em solidão e incompatibilidade com o mundo em redor.
O filme tem uma duração muito anómala para este tipo de filmes. [“Hello, Schoolgirl”] parecia ser à partida uma daquelas comédias juvenis românticas Sul Coreanas que não chegam aos 90 e no entanto tem practicamente duas horas que passam a correr.
Quando damos por nós, estamos agarrados pelos personagens.

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Curiosamente contêm algumas surpresas, nomeadamente no que toca à resolução das histórias de amor…rapaz de 30, miuda de 29, rapaz de 23, miuda de 18… pronto, está visto onde elas se vão cruzar. Bem, na verdade como boa história de amor sul-coreana, também aqui há um twist. Não é nada do outro mundo, não esperem surpresa, mas justifica o coração emocional do filme e liga vários personagens secundários à trama principal…ou à aparente falta dela.
[“Hello, Schoolgirl”] é realmente um bom exemplo de como podem ser simples as histórias de amor orientais sem nos darem aquilo que sempre esperamos enquanto espectadores.

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Sendo assim, é mais um pequeno grande filme muito simpático que se recomenda vivamente. Os actores são carismáticos, a sua realidade é perfeitamente credível, as suas histórias criam empatia e é um daqueles filmes com alguns momentos fofinhos de meter vómito mas que no entanto resultam e nos fazem entrar para aquele mundo.

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É também um exemplo perfeito daquilo que eu costumo chamar “cinema telemóvel” e que só existe no oriente. Estamos mais uma vez na presença de uma história que só existe nestes moldes porque se inventaram as redes móveis, o wifi e as comunicações móveis. Sub-género em que os Sul Coreanos e os Japoneses são mestres, pois muitos dos diálogos cativantes são precisamente trocados gráficamente com sms no ecran entre os protagonistas em estilo pop-up colorido.

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CLASSIFICAÇÃO

Segundo li, parece que [“Hello, Schoolgirl”] é a adaptação de um Manga ou de um Anime televisivo de segunda linha mas de sucesso e pelo que consta é bastante fiel ao espírito do trabalho original em termos de personagens.
Independentemente de tudo é um título simpático que agradará a quem quiser mais um filminho romântico oriental, daqueles que é um prazer seguirmos até ao fim.
É melhor,  mais adulto e mais profundo do que aparenta no trailer.

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Trés tigelas e meia de noodles sem qualquer problema.

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A favor: é uma história com um sub-texto mais complexo do que aparenta, bons personagens, evita um par de clichés de forma excelente, boas interpretações, tudo muito simpático e duas boas histórias de amor que evoluiem de forma algo diferente do costume, agradará não apenas aos adolescentes mas talvez faça pensar um adulto ou dois.

Contra: o trailer faz o filme parecer mais adolescente do que na realidade é, a história muito simples com uma duração tão longa por vezes equivale a um ou dois momentos desnecessários que quebram um bocado o ritmo a meio do filme.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER


IMDB

http://www.imdb.com/title/tt1210837

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Outros títulos românticos de que poderá gostar:

Be With You Il Mare The Classic

Love Phobia cyborg_she_capinha_73x

concerto_capinha_73x My Sassy Girl

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Cinema_oriental_no_facebook

 

Bu san (Goodbye Dragon Inn) Ming-liang Tsai (2003) China/Taiwan


A minha primeira reacção a [“Goodbye Dragon Inn“] foi a pior possível e já me preparava para vir para aqui dizer o quanto tinha detestado este típico exemplo de cinema-de-autor no pior dos sentidos, pois há muito que não via um filme tão enervantemente secante !
Este é daqueles que a uma primeira visão pode criar um verdadeiro teste á nossa força de vontade para não carregarmos no botão de fast-forward dezenas de vezes.

Até eu que tenho “Solaris” (versão Tarkovsky), como um dos meus filmes favoritos, ao ver [“Goodbye Dragon Inn“] pela primeira vez só pude dizer: –“MAS CA GRANDA SECA DO #$#”%& !”
O “Solaris” soviético original comparado com isto é um filme do Michael Bay.
E não, não tentem imaginar, pois sem verem [“Goodbye Dragon Inn“] vocês não irão mesmo conseguir conceber a lentidão desta obra que não fica nada a dever ao mais clássico filme do Manoel de Oliveira, talvez com a diferença de que os do realizador Português têm uma montagem muito rápida em comparação…

Isto porque [“Goodbye Dragon Inn“] é o típico filme com que toda a gente goza !
(Pessoal do Brasil podem parar de rir, porque isto quer dizer outra coisa em Portugal e este não é um filme desses…) 😉
[“Goodbye Dragon Inn“] é um daqueles filmes em que básicamente se aponta uma câmara para o chão e depois filma-se em tempo real a erva a crescer, por isso estão avisados.
E a história também é semelhante. Pelo menos á primeira vista.
[“Goodbye Dragon Inn“] é lento. MUITO LENTO ! Diria, até PARADO !
Basta dizer que tem uma sequência (genial?), em que se vê apenas um plano único que dura 4 minutos (sim, QUATRO MINUTOS) com uma sala vazia, por isso meus amigos, quem acha o “2001 Odisseia no Espaço” chato e vazio, nem imagina o que o espera aqui e só pela experiência vale a pena espreitarem.

Essencialmente, o filme é constituído por planos únicos e longos. Muito, muito, muito, muito, muito looooooooooongos (numa atmosfera algo deprimente, fria ou até doentia) e o primeiro diálogo entre personagens ocorre aos 40 minutos de um filme que só tem 80, por isso já estão a ver ideia.
Por isso, [“Goodbye Dragon Inn“] é um daqueles filmes de que é fácil não gostar.

No entanto…
O problema, é que ao vê-lo pela primeira vez, mesmo após ter-me arrastado ao longo dos seus penosos 80 minutos de duração, o raio do filme ficou-me na memória durante o dia todo e por mais que me preparasse para vir para aqui desancar este título, a verdade é que [“Goodbye Dragon Inn“] não se tinha tornado  tão simples de detestar quanto a frustração inicial que me causou. Só havia uma coisa a fazer.
Voltar a vê-lo.

E não é que a uma segunda visão, as coisas começam a tornar-se mais fascinantes ?
É que ao contrário do que é costume, apesar de ser lento, (ok,ok… chato), na verdade não tem aquela carga pretenciosa carregada de génio égocentrico que muitos filmes de autor costumam exalar de uma forma insuportável quando um realizador com pretenções a Artista plástico está mais interessado em fazer maravilhosas instalações artísticas videográficas cheias de metáforas e intervenção sociológica do que filmar uma história.

[“Goodbye Dragon Inn“] é um filme secante como há muito não me passava pela frente.
Por causa disso é um daqueles titulos que corre logo á partida o risco de alienar metade da audiência pois a sua estrutura faz com que o espectador casual passe ao lado um filme único sem lhe dar mais qualquer hipótese por este sair do tipo de cinema mais fácil de digerir.
Muita gente não aguentará vinte minutos disto sequer, mas quem conseguir vê-lo até ao fim, muito provavelmente ficará com muita da sua atmosfera assombrada no pensamento durante horas a seguir.

Quem ganhar coragem para o voltar a ver, então se calhar é porque também foi apanhado por aquilo que de certa forma torna esta obra especial e a sua falta de prentenciosismo para se armar em “inteligente” é uma mais valia, ao contrário do que costuma acontecer em muito cinema de autor supostamente Iluminado logo á partida.
Pode ser uma opinião pessoal, mas a ideia com que fiquei disto é que o realizador filmou assim porque simplesmente faz parte do seu estilo visual e nada mais e por isso se partirem para [“Goodbye Dragon Inn“] uma segunda vez e conseguirem acompanhá-lo  já conhecendo a forma como ele está apresentado, não estranhem se de repente começarem a ver esta história com outros olhos.

Se alguma vez tiveram na vossa cidade uma sala de cinema de que gostaram muito e que talvez tenha feito parte da vossa infância ou juventude mas que agora já não passa de uma relíquia do passado tendo sido substituída pelos plásticos cineplexes dos shoppings, se calhar encontrará em [“Goodbye Dragon Inn“] alguma magia e irão identificar-se com a sua nostálgica tristeza, pois apesar de “não ter história nenhuma” é um filme sobre a magia do Cinema e se calhar de como este era bem melhor (e bem mais mágico) quando o viamos, não com som DTS em cadeiras almofadadas e em salas de ar condicionado mas em cinemas antigos com som mono, ecrans de pano rasgados,  fitas queimadas e moscas quanto baste; em sessões onde ainda as pessoas viam os filmes caladas, era proíbido comer nas salas e estavamos numa altura em que não estreava um blockbuster todas as semanas que já estará esquecido na semana seguinte.

É esse o tema subliminar de [“Goodbye Dragon Inn“], apenas não usa uma história para falar desses tempos mas sim mostra os ambientes actualmente solitários que outrora tiveram dias de glória.
É chato ? É pois.
É uma seca do camandro ? Pois é.
Mas resulta ?
Resulta pois !

Não se deixem enganar com as comparações deste filme com o “Cinema Paradiso“. É certo que a sua alma é a mesma, mas a sua forma não tem nada de idêntico por isso não esperem o mesmo tipo de filme. No final a sua magia é a mesma, mas [“Goodbye Dragon Inn“] exige uma predesposição para o aturar que não era necessária no poético filme de Tornatore. No entanto ambos os filmes acabam por ir dar ao mesmo e ambos recordam uma época que já não volta mais no que toca á velha relação do público com a magia do Cinema e só por isso também vale a pena tentarem espreitar esta produção made-in-Taiwan.
No entanto façam-no por vossa conta e risco. 😉

Mas afinal o que fazem os personagens neste filme ?
Não se preocupem com *spoilers* pois em [“Goodbye Dragon Inn“] isto não se poderá aplicar de todo e até poderá ajudar á navegação do pessoal que não está muito habituado a espreitar este género de cinema.
Resumindo:
Essencialmente acompanhamos várias histórias que representam as várias fases de glória de um velho cinema clássico através da presença e do olhar de quatro ou cinco personagens. A maioria nem sequer abre a boca durante o filme todo mas cada um conta um pouco da história do Cinema em geral.
Estamos na última noite antes de um velho cinema ir fechar para sempre e pela última vez, passam na última sessão um dos clássicos do cinema de artes marciais chinés, chamado precisamente “Dragon Inn“.

Outrora algo que enchia a velha sala com espectadores com o passar das décadas e o aparecimento dos novos cinemas modernos a situação inverteu-se e no momento presente em que [“Goodbye Dragon Inn“] decorre o filme Dragon Inn, atrai apenas almas solitárias que parecem tão deslocadas do ambiente da sala quanto a sala está isolada no tempo. Incapazes de comunicar uns com os outros, a única coisa que têm em comum é o facto de todos estarem presentes nesta última sessão e essencialmente o filme “filma” a sua presença nesse ambiente e nesse momento como se fosse o registo final de uma Era que apenas tem o tempo de vida da duração da última projecção de Dragon Inn.

Acompanhamos a empregada do cinema que deambula como um fantasma do passado pelos corredores do edifício com a sua deficiência física – (uma sombra da beleza que também ela teve um dia?) – tentando discretamente captar a atenção (romântica?) do projecionista como se fosse uma última tentativa para se fazer notar.
E enquanto o filme decorre na sala principal, observamos um turista homosexual japonês solitário que procura algo mais do que cinema, assistimos ao seu encontro incómodo com outro homem num corredor onde nada se passa mas onde se menciona que o edificio poderá estar cheio de fantasmas.
Simbólicos ou literais ?

Observamos ainda duas velhas estrelas do filme Dragon Inn original (os verdadeiros actores) que agora já idosos assistem á sua juventude perdida no ecran daquele cinema vazio mas em locais separados sem nunca notarem a presença um do outro. Essencialmente , estes e mais um par de outros personagens formam um padrão de figurantes que compõem toda a essência de [“Goodbye Dragon Inn“] e transportam o filme até ao seu final em que se mostra apenas a sala vazia, – (seriam alguns desses espectadores na verdade fantasmas ?)

A empregada e o projeccionista abandonam pela última vez a velha sala de cinema sem se cruzarem (seriam reais?) ao mesmo tempo que deixam para trás um passado que já não voltará e talvez também uma possível relação romântica que já não terá oportunidade de florescer, ao mesmo tempo que toda a emotividade do momento é resumida numa canção tradicional chinesa sobre a saudade e nostálgia.
The End
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CLASSIFICAÇÃO:
Hesitei entre dar-lhe apenas trés tigelas de noodles ou quatro, apenas porque é realmente um filme díficil…ok, chato !
No entanto decidi-me pelas quatro tigelas de noodles porque realmente há aqui qualquer coisa de especial e se entrarmos na onda enquanto espectadores quanto mais detalhes descobrimos naqueles planos únicos de 4 minutos, menos secante o filme nos parece.
Por isso e para prevenir logo isto, por agora fica com quatro tigelas embora algo me diga que um dia destes ainda lhe aumento a classificação.
No entanto isto não quer dizer que eu recomende [“Goodbye Dragon Inn“] a toda a gente e muito menos a quem chega agora á procura de cinema oriental “normal”, pois provavelmente se vir isto assim sem qualquer aviso prévio  se calhar não quererá ver mais nada depois.
De qualquer forma, é um filme que merece uma oportunidade.
Se estiverem habituados a cinema de autor provavelmente irão adorar, se não estiverem e quiserem começar por uma coisa mais levezinha dentro do género sempre podem começar pelo “In the Mood For Love” , pelo “Days of Being Wild” ou “2046” antes de experimentarem [“Goodbye Dragon Inn“]. 

Mas não deixem um dia destes de lhe dar uma chance.
É o antídoto perfeito para uma dose dupla do “Transformers” do Michael Bay. Vão por mim.
E sim, [“Goodbye Dragon Inn“], é uma seca descomunal, mas vale quatro tigelas de noodles na boa.
Se é que não vale até mais…

A favor: para além da seca inicial que pode provocar a uma primeira visão tem uma profundidade que na realidade nem precisa de diálogos para nada, a atmosfera assombrada, tem alma e evoca nostálgia, só tem 80 minutos, tem um bom estilo visual, não é um filme pretencioso e apesar de ser “art-house” tem uma identidade modesta e genuína sem pretenções, quanto mais se revê menos secante parece e mais fascinante se torna, será uma história sobrenatural ?
Contra: quem nunca viu cinema de autor é melhor não começar por este, planos fixos de 4 minutos com salas vazias é capaz de ser demais para muita gente, idem para muitas outras sequências de plano fixo ao longo do filme, a atmosfera assombrada ás vezes pode ser algo doentia a fazer lembrar um filme de terror, é uma seca do caraças se não estiverem com predisposição para o que irão encontrar pela frente.

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=zHMxMJ6qkOU



Comprar

Só o apanharão em Sellers da Amazon americana

Ou Podem ir buscá-lo aqui.

IMDB
Goodbye Dragon Inn

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Filmes semelhantes de que poderá gostar:

*Não tenho nada semelhante neste blog*

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Superman ieotdeon sanai (A Man who was Superman/If I was Superman/A Man Once Superman) Yoon-Chul Jeong (2008) Coreia do Sul


Este é mais um daqueles filmes orientais de que me apetecia gostar mesmo muito.

O conceito é absolutamente simples mas cheio de potencialidades por explorar, os personagens prometem e as referências ao universo do Super-Homem são absolutamente deliciosas, particularmente os pormenores sacados ao filme realizado por Richard Donner com Christopher Reeve.

Infelizmente este é mais um daqueles filmes asiáticos que fica a meio caminho de tudo aquilo que poderia e deveria ter sido, por muitas e diversas razões que vou tentar resumir agora.
De qualquer forma também é bom começar por dizer que apesar da minha desilusão com o filme, [“The Man Who Was Superman“] é no entanto um daqueles obrigatórios não só para quem gosta do género dramático sul-coreano como principalmente para os fãs do Super-Homem.
Então se viram o primeiro filme com Christopher Reeve não podem perder “esta versão”  que apesar das suas muitas fraquezas tem ainda alguns bons motivos para que vocês o queiram ver pelo menos uma vez.

[“The Man Who Was Superman“], conta a história de um homem que anda pelas ruas de uma cidade Sul Coreana convencido de que está em Metropolis e é nada mais nada menos que o próprio Super-Homem.
Sendo assim, o seu dia-a-dia é passado tentando ajudar as pessoas que encontra ao mesmo tempo que procura super-vilões e ainda tem tempo para salvar o planeta agindo de forma ecológica, obrigando as pessoas a não despejar lixo no chão entre outros feitos heroicos.

O filme segue a relação deste personagem com uma jornalista frustrada que a princípio pretende aproveitar-se dele para realizar um documentário sobre o pretenso Super-Homem e ganhar uns cobres com a estação de TV local, mas depois aos poucos começa a ver-se envolvida com o misterioso homem quando o passado trágico daquela figura trágico-cómica se começa a revelar.

Os minutos iniciais de [“The Man Who Was Superman“] são absolutamente geniais. Tudo aquilo que envolve a caracterização do “Super-Homem” é não só completamente divertida, mas principalmente fascinante  e não conseguimos tirar os olhos desta história.
O actor que faz de “Super-Homem” não só consegue incoorporar por completo o personagem como principalmente compõe a melhor imitação de Christopher Reeve que poderão encontrar pela frente.

O que não deixa de ser extraordinário em muitos sentidos, pois a meio do filme quase que nos esquecemos que estamos a ver um “Super-Homem/Clark Kent” de traços orientais tal é a genial caracterização que o actor consegue produzir a partir de todas aquelas referências que conhecemos dos filmes de Richard Donner dos anos 70.
Se [“The Man Who Was Superman“] dependesse deste Super-Homem para ser um filme fantástico, eu dava-lhe já a nota máxima.

Infelizmente, todo o genial trabalho de composição do actor acaba por se perder um bocado pelo meio do filme á medida que a história avança e é mesmo pena.
Culpa de um argumento que nunca consegue criar uma transição fluida entre a comédia e o drama, pois o registro do filme muda de um segundo para o outro e é por demais errático ao longo de toda a estrutura da história o que cria no espectador uma constante incerteza sobre que tipo de história está a ver pois nunca há uma transição bem conseguida entre géneros e ás vezes temos a sensação que estamos a ver dois filmes diferentes remendados um ao outro.

Isto faz com que as partes humoristicas (ou de homenagem) não tenham tempo para respirar e criar uma identidade e também retira algum interesse á parte dramática pois o filme balança demasiado bruscamente entre os dois géneros. É bastante complicado explicar isto melhor, mas quando vocês virem o filme vão perceber o que quero dizer.

Quando a história entra pela gradual revelação sobre o passado do personagem principal, o conceito á volta do “Super-Homem” parece algo abandonado como se este tivesse apenas servido para introduzir o filme e pouco mais.
[“The Man Who Was Superman“] primeiro fascina-nos com todas as referências ao super-heroi, cria a personalidade do personagem central com base nesse material mas depois a meio do filme retira-nos essas referências do centro da história e a coisa entre por um estilo de drama clínico, frio, algo esterelizado e nem a presença da personagem feminina consegue amenizar a sensação de que de repente estamos a ver um filme diferente.

E por falar em personagem feminina, quanto a mim uma das grandes fraquezas do filme está precisamente nos personagens. Talvez seja da fascinante caracterização inicial do personagem principal no inicio do filme, mas a verdade é que (talvez comparadas com ele) todas os outros personagens nos parecem desinteressantes e algo antipáticas.
A inevitável ligação romântica do filme não resulta plenamente porque nem a miúda do filme nos atrai particularmente, talvez fruto de uma caracterização que se foca demasiado no estilo rebelde e não passa daí o que lhe dá uma dimensão algo limitada.

Percebe-se que a ideia seria criar uma Lois Lane oriental, mas quanto a mim á força de a quererem caracterizar como mulher independente os argumentistas acabaram por se esquecer de a humanizar ao mesmo nível que trabalharam o personagem do “Super-Homem”.
No entanto, estas fraquezas estão todas principalmente nos 50 minutos centrais do filme, como se depois de um inicio fantástico os autores da história não tivessem sabido bem o que fazer com o resto da ideia.
[“The Man Who Was Superman“] tem um inicio excelente, uma parte central desajustada fria e desinteressante (mesmo apesar da gradual revelação sobre a identidade do misterioso “Super-Homem”) e um final muito bom que quase alcança o mesmo nível do inicio do filme.

Só não atinge o interesse e a qualidade inicial, porque entra por um registro completamente óbvio no que toca ao estilo de sequências de acção com ambiente dramático e por isso, ainda o filme tem pelo menos 20 minutos para acabar e já o espectador imagina o que acontece em cada minuto seguinte. Afinal quantas cenas com incêndios é que todos nós já vimos ? A cena final não é excepção e por isso não vão encontrar nada que mantenha qualquer suspanse nesta sequência e é pena.

Mas, apesar da previsibilidade da sequência de acção final, subitamente o filme ganha vida.
De repente até nos identificamos com a tristeza de “Lois Lane” e o resultado final do acto de heroísmo do “Super-Homem”  parece-nos digno de nos fazer sentir algo mais do que decepção com o rumo que o filme tinha tomado na sua parte central.

Resumindo, a parte final salva o dia e se gostarem dos primeiros vinte minutos da história, vão adorar o desenlace da mesma, com destaque para os segundos finais que encerram o filme, pois regressam todas as referências á obra de Richard Donner e [“The Man Who Was Superman“] acaba de uma forma muito bonita, deixando-nos com a sensação de que acabamos de ver uma história que poderia ter sido um clássico instantâneo e um verdadeiro filme de culto á volta do mundo dos Comics e no entanto algo se perdeu pelo caminho.

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CLASSIFICAÇÃO:

Uma oportunidade perdida.
Poderia ter sido bem melhor mas perdeu-se um bocado porque não soube aproveitar a imaginação do conceito inicial.
No entanto se gostam do Super-Homem, este é um dos melhores e mais originais filmes sobre o universo dos super-herois que poderão encontrar e sendo assim vocês precisam mesmo de ver isto porque independentemente das suas fraquezas é apesar disso uma boa tentativa de se criar um produto original.
É um bom filme, nem mais, nem menos. Não os vai maravilhar mas é uma boa maneira de passarem algum tempo em frente ao ecran.
Trés tigelas de noodles. Acrescentem mais meia por vossa conta se gostarem mesmo muito do Super-Homem ou do universo dos comics americanos.

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A favor: o trabalho do actor principal na caracterização do “Super-Homem/Clark Kent” é fantástico, o espírito de Christopher Reeve deve andar por este filme, os primeiros vinte minutos da história são muito cativantes, as referências ao universo do Super-Homem são excelentes e muitas estão escondidas em pequenos pormenores, a ligação com o filme de Richard Donner presta-lhe uma boa homenagem (tem a “nave estrela” do filme e tudo), tem um bom final apesar de previsível, apesar de ser um produto mediano por culpa da falta de imaginação no desenvolvimento do coração do filme é um filme que fica na memória, ainda consegue ter um mini-twist curioso no final, apetece-nos gostar muito mais dele do que na realidade podemos gostar.
Contra: não se define enquanto género pois não é uma comédia um drama ou um filme romântico mas ao mesmo tempo é tudo isso sem conseguir manter uma identidade ao longo da sua duração, parece maior do que na realidade é e isso nunca é bom sinal, os personagens secundários não são particularmente cativantes, a parte central do filme acaba por se tornar aborrecida porque o registo da história não soube equilibrar bem entre o humor e o drama, a “Lois Lane” não cativa, a parte romântica nunca alcança um registo emocional que a história merecia, o “Super-Homem” desaparece demasiado da história em determinados momentos quando todo o fio condutor deveria ter seguido o registo inicial na minha opinião, as partes de suspanse no final do filme são absolutamente previsíveis e perdem algum do impacto.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=-qFG-XO56Ss&feature=related

Comprar
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7h-49-en-15-a+man+who+was+superman-70-37uw.html

Ver na Web
http://asianspace.blogspot.com/2009/06/man-who-was-superman-2008.html

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1119199/

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Outros títulos românticos recomendados:

Be With You My Sassy Girl Il Mare The Classic Fly me to Polaris

Love Phobia concerto_capinha_73x cyborg_she_capinha_73x

ditto_capinha_73x midnightsun_capinha my_girl_and_i_minicapinha

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Yeonae soseol (Lover´s Concerto) Han Lee (2002) Coreia do Sul


concerto16

Jack trabalha no McDonalds onde passa o dia a atender clientes ao som da última musica pop da Hanah Montana e vive uma vida saída de um teledisco onde tudo é jovem, muito cool e cheio de “rebeldia”. Claro que Jack também adora desporto e não perde um jogo de futebol americano na televisão.
Um dia Jack conhece Mindy e Cindy que por acaso entram no McDonalds para comprar Coca-Cola e imediatamente se apaixona por Cindy a mais tímida das duas raparigas. Tímida mas nem por isso menos na moda pois Cindy tal como Mindy envergam o último grito fashion teen. Mas enquanto Mindy apresenta-se com um estilo punk inspirado na melhor moda tipo geração rebelde, Cindy é o espelho da jovenzinha intelectual mas nem por isso menos sexy.
Num acto tresloucado de rebeldia juvenil Jack manda o patrão para o caraças ao mesmo tempo que debita uma daquelas frases emblemáticas para a câmara e cheio de estilo enceta uma perseguição pela cidade ao som de outra música pop enquanto segue as duas jovens que entretanto sairam do McDonalds mas entraram no Burger Ranch.
Quando as encontra de novo Jack em grandes planos de câmara lenta dá-se a conhecer de corpo inteiro de modo a que o espectador possa perceber bem que marca é que ele veste. Claro que o look boys-band do rapaz é suficiente para que Cindy imediatamente se apaixone por ele.
Então os trés começam a sair juntos, (ao som de mais música pop claro) e o inevitável acontece, claro que Mindy também se apaixona por Jack e surge o óbvio triangulo amoroso. Um dia Cindy apanha Jack a beijar Mindy e acaba tudo com ele.
Claro que Mindy estava só a curtir com Jack para fazer ciumes á amiga e este apercebendo-se disso resolve tentar fazer as pazes com Cindy que entretanto tinha ido parar ao Hospital porque estava muito deprimida por ter acabado o namoro.
Jack então faz-lhe uma serenata e diz muitas vezes “i love you”, esta cura-se de todas as maleitas e eles vivem felizes para sempre. The End.
Ao som de outra musica pop claro.

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A esta altura vocês já devem estar a pensar que eu me passei de vez.
Que isto de estar meses sem escrever no blog e a fazer banda desenhada me deu cabo da mona por completo.
Ainda não flipei.
Vou falar-vos de [“Lover´s Concerto“] e o que escrevi atrás tem uma razão de ser.
Se alguma vez houve uma obra oriental que espelha bem a extraordinária diferença entre um filme romântico com adolescentes made-in-Hollywood e um filme romântico com adolescentes feito na Coreia do Sul, então [“Lover´s Concerto“] é esse filme.

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Imaginem prácticamente a mesma história que lhes contei acima com os habituais tiques Hollywoodescos mas retirem-lhe todos os clichés que estão habituados a encontrar no cinema pseudo-romântico para adolescentes americanos e encontrarão uma história com uma identidade absolutamente real em que nos esquecemos por completo que estamos a ver actores a representar um papel.
Mesmo sendo um filme asiático que nem sequer tenta particularmente fugir aos habituais clichés dentro do próprio cinema comercial romântico Sul Coreano [“Lover´s Concerto“] é um produto com alma e desta vez nem sequer é por causa da história pois pessoalmente nem a achei particularmente interessante.

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Tem no entanto uma coisa extraordinária e que justifica plenamente a sua visão por quem gosta de cinema romântico sul coreano. O trio de protagonistas tem um carísma absolutamente perfeito e desde o primeiro minuto em que se encontram nos parecem pessoas reais e não os habituais adolescentes formatados para encaixarem em todas as étnias de modo a não insultarem nenhuma raça ao exclui-la da história.
Em [“Lover´s Concerto“] nenhum dos adolescentes nos parece um personagem de cartão.
Não falam de maneira cool a todo o instante, não se vestem para nos vender a roupa da moda e muito menos ouvem qualquer música pop para nos vender discos e nenhum deles tem um amigo (como personagem secundário) de uma étnia que esteja na moda não descriminar.

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Além disto, [“Lover´s Concerto“] difere também no próprio estilo de filme romãntico, pois na verdade por muito cliché que seja, acaba por contornar todos os lugares comuns ao apresentar o romance mais como consequência de uma grande amizade do que própriamente como sendo a habitual paixoneta teen ou o amor impossível menino-pobre-menina-rica que vemos nos produtos ocidentais.
Se alguma vez procurarem um filme romântico em que o verdadeiro amor representado no filme está na amizade das trés personagens que compõem um triangulo amoroso, não procurem mais longe.

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É uma história de amor oriental em que na realidade, o amor é quase secundário face á força da amizade que une os personagens e está aqui a força deste argumento.
Um argumento que nem sequer tem muito para contar, mas consegue fazer-nos pensar no que será verdadeiramente amar alguém sem precisar de nos espetar constantemente com esse tema de forma óbvia em diálogos de telenovela.
Os Sul Coreanos são mestres em fazer histórias de amor em que raramente se ouve alguém dizer “amo-te” e esta não é excepção.

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Ao contrário dos argumentistas Americanos, os Sul Coreanos parecem há muito ter descoberto que o espectador consegue mais sentir uma emoção contida num personagem do que sentimos alguma coisa ao assistir a intermináveis linhas de diálogo em modo histérico adolescente estilo telenovela que faz com que todos os supostos filmes românticos teen saídos de Hollywood sejam habitualmente intragáveis para o público mais velho.

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Quanto a mim uma das grandes virtudes do cinema Sul Coreano é a de conseguir produzir filmes românticos com adolescentes, para adolescentes, mas que contêm sempre muitas camadas (ás vezes até bem filosóficas) para além daquilo que seria de esperar e neste caso [“Lover´s Concerto“] não é excepção.
Não é de forma alguma a melhor história de amor oriental que poderão encontrar, mas poderá ser talvez a melhor e mais humana história de amizade/amor(?) entre adolescentes no mercado dvd dentro do estilo asiático.

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Também não será um grande filme Sul Coreano pois não tem nada na verdade que o distinga na sua realização de outros tantos produtos do género quase a roçar o estilo televisivo.
Se calhar por apresenta-nos um universo tão real que quase nos faz esquecer que tem um design de produção e muito trabalho de fotografia por detrás. Isso acaba por ser um trunfo mas também ao mesmo tempo será aquilo que o faz parecer um produto normal. No entanto é um daqueles filmes em que o realizador não teve problemas em desaparecer para dar lugar aos personagens da história.
Tirando os trés extraordinários protagonistas com os seus personagens humanamente perfeitos [“Lover´s Concerto“] não parece ter muito mais para nos deslumbrar. No entanto, acreditem, chega perfeitamente e é essa a sua mais valia.

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Tem inevitávelmente um twist na sua história, mas tenho que confessar que não me surpreendeu particularmente da primeira vez que o vi. Não porque o tivesse adivinhado, mas porque na verdade acho que nem reparei nele pois a segunda metade do filme torna-se algo fragmentada e se não estivermos com atenção podemos perder muito daquilo que seria o impacto final da história.
Um conselho…estejam muito atentos aos nomes dos personagens e decorem bem cada um. Isso ajudar-vos-á a seguir como deve ser o segmento final.

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[“Lover´s Concerto“] é um daqueles filmes orientais que recomendo pela sua humanidade a toda a gente que chega a este blog á procura de críticas sobre filmes românticos deste estilo, pois acreditem-me que vão gostar muito daqueles personagens. É uma história humanamente muito bem escrita e onde até nos consegue fazer sentir uma grande empatia pelo personagem mais terciário que se envolve lateralmente á história principal. E não posso dizer mais nada para não estragar o filme. Não é nenhuma surpresa mas é mais um daqueles pequenos momentos que enriquecem humanamente o argumento.

concerto01

Deixo-vos apenas com uma pequena nota triste. Uma das actrizes do filme, que vêem na foto acima suicidou-se há um par de anos surpreendendo toda a gente e deixando a Coreia do Sul em estado de choque. Segundo consta devido a uma depressão de amor, o que não deixa de ser curioso.

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CLASSIFICAÇÃO:

Um filme indispensável em qualquer dvdteca de cinema romântico Sul Coreano ou de cinema oriental em geral apesar de não ser uma obra extraordinária dentro de uma conotação mais cinéfila-intelectual-de-café.
É um filme asiático  simples, cheio de lugares comuns, mas que conta com trés dos melhores personagens adolescentes que poderão encontrar no cinema romântico oriental e é uma história de amizade perfeita que se calhar ainda fará pensar um espectador ou dois.
Ao contrário do que acontece nos filmes pseudo-românticos com adolescentes made-in-Hollywood [“Lover´s Concerto“] tem muita alma e irá agradar até ao público mais velhinho.

noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg noodle2.jpg

A favor: o humanismo da história, a sua simplicidade é viciante, os personagens são totalmente carismáticos e parecem pessoas verdadeiras, o trabalho dos actores é extraordinário na sua simplicidade e esquecemo-nos por completo que estão a representar, a pequena história de amor paralela com uma das irmãs de um dos personagens principais resulta plenamente apesar da sua brevidade e extrema simplicidade, tem um twist fixe no final embora não seja nada do outro mundo, faz-nos pensar no conceito amizade/amor sem sequer meter “i love you” a todo o instante.
Contra: visualmente não tem nada de extraordinário ou sequer de muito cinemático, a segunda metade da história parece correr demasiado depressa e as motivações dos próprios personagens não nos parecem tão reais quanto na primeira metade, o final tem um tom estranho que faz com este pareça pertencer a um filme completamente diferente e com isso quebra bastante do impacto emocional que [“Lover´s Concerto“] merecia ter tido.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER
http://www.youtube.com/watch?v=obdytjJPdDg

concerto10_capa

COMPRAR
Eu comprei esta. Não é propriamente uma edição espantosa a nivel de imagem mas tem um Dts excelente e um making off porreiro.
No entanto podem comprar a edição americana R1 se preferirem pois é exactamente a mesma com uma capa mais ocidental e um preço porreiro também quando convertido para Euros por exemplo.

IMDB
Não recomendo que espreitem o imdb antes de verem o filme, pois algumas reviews podem estragar-lhes todas as surpresas da história.

http://www.imdb.com/title/tt0328675/

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Outros títulos românticos recomendados:

Be With You My Sassy Girl Love Phobia

Il Mare The Classic Fly me to Polaris

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