A girl at my door (Dohee-ya) July Jung (2014) Coreia do Sul


FILME NÚMERO 200
Uma jovem comandante da polícia com um passado atribulado, é destacada para capitanear uma esquadra localizada numa remota região da Coreia do Sul onde os costumes ainda não acompanharam as leis modernas e onde qualquer estranho nunca é bem recebido pelos locais.
Ao chegar depara-se com uma miuda de 14 anos que pela vila piscatória é diáriamente abusada, espancada e torturada não apenas pelo padrasto como também pela avó perante o olhar impávido da população local que prefere ignorar o óbvio a reconhecer que um dos seus será capaz de tais actos.
Uma noite esta miuda bate à porta da jovem comandante da polícia pedindo-lhe ajuda.
E é tudo o que vocês precisam saber sobre [“A girl at my door”].

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[“A girl at my door”] inesperadamente foi um dos melhores dramas deste género que vi em muito, muito tempo e como tal, o filme que eu tinha planeado recomendar agora em comemoração da review número 200 aqui neste blog, acabou de ficar para depois. Sim, já escrevi sobre 200 filmes no “Cinema ao Sol Nascente”.
[“A girl at my door”] é o filme número 200 de que falo aqui neste blog e é a recomendação certa para comemorar duas centenas de reviews.

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É um daqueles filmes que nos agarra por completo e ao início não percebemos bem porquê, até porque visualmente ou em termos de narrativa nem parece ter muito de original para lá do que estamos acostumados a ver neste tipo de histórias sobre criancinhas espancadas pela família.
Acontece que [“A girl at my door”] tem um trunfo na manga. Não é bem um twist, mas trata-se do rumo que o argumento segue a partir de um determinado momento.
Quando percebemos o que vai acontecer isso ainda cria mais tensão na história pois agora somos nós que estamos á frente dos personagens.
A partir de uma certa cena, o espectador dá-se conta que este filme ou irá ter uma história espectacular até ao fim ou irá afundar-se por completo se não a souber aproveitar.
Tem uma história espectacular até ao fim.

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E mais uma vez é impossível para mim agora comentar este título da forma que gostaria pois para o poder fazer teria que revelar-lhes precisamente aquilo que os irá apanhar em choque frontal quando virem [“A girl at my door”].
E não, não é um filme de terror com um twist surpreendente. O twist aqui está no tom que a história segue e quando damos por nós já não conseguimos mais sair de frente do ecran; até porque nunca temos bem a certeza de como os personagens irão acabar. E os personagens são o grande trunfo deste filme, muito para lá da história propriamente dita.

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[“A girl at my door”] conta com interpretações fantásticas e incrívelmente intensas que nos deixa constantemente com os nervos à flor da pele e com vontade de roer o sofá de uma ponta a outra a todo o instante.
O trio de protagonistas é do melhor; ganhou com todo o mérito o direito à ovação em pé com que foi aclamado no festival de Cannes e merece por completo todos os prémios de representação arrecadados entretanto por onde o filme tem passado.

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Isto para além dos prémios que o filme ganhou tanto pela realização como pelo argumento.
Tudo merecido.
Mais uma vez o pequeno cinema independente dá cartas na qualidade e [“A girl at my door”] é um dos melhores exemplos de que se calhar cinema que nos prende do inicio ao fim  nem precisa de grandes orçamentos para nada quando tem uma equipa criativa por detrás de uma boa história.

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O elenco é perfeito para isto e nem nos lembramos que são actores. A miudinha é notável na forma como é ao mesmo tempo frágil e perturbante reagindo ao trauma da constante violência sem sentido na sua vida torturada; o padrasto vai dar-lhes cabo dos nervos (e este actor até então só tinha sido o heroi de comédias românticas ligeiras, o que não deixa de ser surpreendente); mas o grande destaque vai para a actriz Bae Doona (que provavelmente reconhecerão como Doona Bae no ocidente) e que já tinha aparecido naquele que é um dos meus filmes favoritos e para mim um dos melhores filmes (e história) de FC de todos os tempos – “Cloud Atlas” (dos irmão Washowski criadores de Matrix) – onde a actriz brilhou e fez vários personagens inesperados; tendo aparecido depois também mais recentemente no mediano –“Jupiter Ascending”– do mesmo par de realizadores ocidentais.
Curiosamente Bae Doona participou de graça em [“A girl at my door”] o que causou inclusivamente grande burburinho lá pela Coreia do Sul na altura da estreia.

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[“A girl at my door”] é também o filme de estreia da realizadora Sul Coreana, July Jung
e se este é o primeiro, mal posso esperar pelo segundo, pois o argumento agora também é dela e como estreia isto não podia ter corrido melhor.
A realização é fantásticamente invisível; a tal ponto que no início o filme nos parece simples demais e sem grandes qualidades por aí além. Toda a história é filmada de uma forma algo claustrofóbica por vezes, previligiando os espaços fechados e o vazio dos ambientes. Talvez para fazer com que o espectador também se sinta encurralado com os personagens. O que ao início parece uma fraqueza, na verdade vem depois a revelar-se precisamente o oposto.

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A verdade é que este é um daqueles filmes que não se nota que a câmera está lá.
Ao espreitarmos o making of com tanta gente atrás da câmera o tempo todo nas filmagens ainda nos deixa mais fascinados pelo ambiente solitário e angustiante que é captado à frente da lente, quando os bastidores do filme são absolutamente simpáticos.
Apesar de [“A girl at my door”] ser um filme essencialmente de actores, isto não quer dizer que de vez em quando também não se abra em escala para mostrar brevemente a atmosfera do bonito local onde a história é filmada. [“A girl at my door”] passa-se numa pequena vila piscatória com imensas ilhas no horizonte e todo o ambiente edílico ainda dá mais força dramática aos acontecimentos que o argumento retrata.

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Outro pormenor curioso é a maneira como a música é usada. Vão esquecer que lá está alguma coisa na banda sonora. Ela está lá, mas está nos pontos certos e portanto não esperem a típica banda sonora constante a que estamos habituados a ver nas produções americanas. Aqui a música complementa as emoções, não nos diz como nos devemos sentir. Ponto positivo que pouca gente irá notar mas que é também uma das mais valias desta pequena produção independente Sul Coreana, já multi-premiada.

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Se procuram um drama intenso, com uma história verdadeiramente bem pensada e que os fará ficar constantemente na incerteza de como se irá desenrolar, trocando-lhes as voltas um par de vezes (não pelas surpresas mas pelo rumo da história), então é este.
No entanto [“A girl at my door”] não é para todos os espíritos, como a única crítica negativa que está no imdb bem exemplifica. Haverá gente que de certeza irá odiar o filme só pela temática; portanto eu gostava de lhes dar um melhor aviso, mas não posso senão estrago-lhes o filme.

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Pessoas de moralidade sensível, abstenham-se. Se não suportam ver histórias de violência cruel contra crianças se calhar eu passava à frente e ia ver o filme com gatos que recomendei no post anterior em vez deste.
[“A girl at my door”] não será um filme de terror mas poderá assustar mais que todos os filmes de terror feitos em Hollywood com teenagers nos últimos anos. Ah e não esperem remake americano deste pois jamais passaria num cinema dos states.

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Também não é um drama nos moldes do fabuloso “Hope” que recomendei há dias. Enquanto esse é uma espécie de –“feel good movie”– [“A girl at my door”] insiste em ser um  verdadeiro –“feel like shit”, mas no melhor dos sentidos. Mais uma vez tenho que estar calado para não lhes estragar a história toda.
Se pretendem ver o filme, lembrem-se, afastem-se de tudo o que existe sobre ele na internet e vejam-no como eu vi. Sem saberem o que vão ver.
Podem ver o trailer à vontade pois está muito bem montado e define bem a ideia da história. Também podem ver o mini-making-of no final deste texto, pois é muito interessante e não contém qualquer spoiler.

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[“A girl at my door”] no entanto não é perfeito. Quanto a mim concordo com algumas reviews e também acho que falha mesmo um bocado na explicação da motivação para que o padrasto da miuda seja um animal tão grande para com a criança.
O argumento insere algumas razões mas sabem a pouco e parecem algo forçadas contrariando toda a imaginação do resto do argumento, pois na verdade não explicam a razão para tanta violência sobre a rapariga.
Por outro lado o filme mesmo assim já tem duas horas e muito provávelmente uma história paralela desenvolvida iria quebrar o ritmo dos acontecimentos dramáticos centrais por isso não é grave.

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Até porque o fica a menos na história pessoal da familia da miuda, sobra na intensidade cruel e completamente grunha da personalidade do seu padrasto; (não esquecer também a -avó-) e o actor dá muito bem conta do recado “preenchendo” algumas lacunas com a intensidade da sua prestação incrivelmente natural, assustadora e ao mesmo tempo totalmente credível e carismática.

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CLASSIFICAÇÃO:

Os dramas Sul Coreanos começam a surpreender-me (pela forma como trabalham velhos temas com uma estrutura muito actual e criativa) mas deste não estava nada à espera, especialmente quando os primeiros minutos pareceram tão simples e tudo indicava um drama curioso mas mediano. Enganei-me.

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Portanto [“A girl at my door”] leva sem sombra de dúvida também a classificação mais alta neste blog pois a história é do melhor para quem gosta de vibrar com temas intensos que agitam consciências.
Não irão rever isto muitas vezes, mas enquanto dura é de nos deixar em estado de trepidação até ao último minuto.
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award porque só os actores valem o filme.

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A favor: as actrizes e o actor principal são excelentes, alguns secundários idem, a história começa de forma simples mas depois desenvolve-se de uma forma que nos agarra até ao minuto final, o local onde filmaram isto é muito bonito, a realização é excelente e nem damos por ela, o filme tem duas horas e nem damos por o tempo passar.
Contra: falta desenvolvimento na motivação da crueldade contra a rapariga por parte do padrasto pois a explicação presente não parece suficiente para que o tipo e o resto da família sejam umas bestas, contém um par de histórias muito terciárias que não encaixam também muito bem pela mesma razão de saberem a pouco em termos de pormenores para a motivação dos personagens ou acontecimentos (ver, o emigrante indiano por exemplo).

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

 

MAKING OF

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt3661798

E agora passemos ao filme 201 , a ver quando chegamos por aqui aos 300.
Este blogo começou em 2008 e levou 8 anos para atingir 200 filmes, embora na verdade tenha estado parado mais de um ano por vários motivos.
Portanto vamos seguir em frente pois bons títulos para recomendar parecem não faltar ultimamente.

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Se gostou da intensidade deste , poderá gostar de:

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“Hope”/Wish (So-won) Joon-ik Lee (2013) Coreia do Sul


Ora bem, vamos lá simplificar isto.
Review: [“Hope”] é um drama Sul Coreano sobre uma criança violada a caminho da escola numa manhã de chuva.

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CLASSIFICAÇÃO:
Cinco tigelas de noodles e um Gold Award na classificação e é porque não posso dar mais.
Este rebenta a escala por todos os lados.

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Agarrem-se bem nas cadeiras.
Não percam tempo.
Até à próxima sugestão de cinema.

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Ainda está alguém aí ?..
Querem saber mais ?

Bem, para começar NÃO VEJAM OS TRAILERS LEGENDADOS EM INGLÊS que inundam o Youtube !!! Contêm o final do filme e montanhas de *spoilers* inacreditáveis. Mais uma vez a distribuição americana precisa de uma apresentação que explique muito bem o filme todo sabe-se lá porquê…
Vejam apenas este videoclip  (no lugar do trailer) e depois sigam para o filme.
Melhor ainda, sigam já para o filme e não vejam nem leiam mais nada.

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Já que insistem em continuar aqui…
[“Hope”]
foi um daqueles filmes que me atingiu como um tijolo e acho que ainda estou zonzo do embate !
Sinceramente nunca tinha ouvido falar dele e felizmente não tinha visto o trailer todo, porque gostei imediatamente do estilo visual nos primeiros segundos e senti que seria um bom título a ver sem saber demasiado sobre ele. O meu instinto estava certo.
[“Hope”] é certamente um dos melhores filmes Sul-Coreanos que vi até hoje e sem sobra de dúvida o melhor drama neste estilo que alguma vez me passou pela frente em muito tempo.

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E é também um manual visual que demonstra ponto por ponto tudo aquilo que eu costumo referir a propósito da forma natural como se humanizam personagens no cinema oriental. E desta vez não sou apenas eu que o digo, mas também muito crítico profissional que teve o prazer de também ter levado com este filme em cima desprevenidamente; citando precisamente esse aspecto dos personagens como ponto central que distingue o que vemos actualmente no cinema oriental e o plástico formulático que sai de Hollywood até em termos de “caracterização de personagens” dentro do cinema comercial.

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[“Hope”] se tivesse sido um filme americano, teria sido um dos dramas neste estilo mais premiados de sempre. Teria levado pilhas de Oscares para casa, estaria por todas as salas de Portugal disribuído pela máquina publicitária de Hollywood e seria falado até hoje apesar de já contar com três anos desde que foi produzido.
Como é cinema oriental, ninguém por cá ouviu falar dele, óbviamente.
E segundo rezam as crónicas foi não só um dos maiores sucessos de sempre lá pelo oriente a nível de público quando estreou, como inclusivamente uniu a crítica profissional e a popular numa aclamação geral, o que não deixa de ser um feito surpreendente.

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Ainda hoje, curiosamente até mesmo sites e publicações americanas recomendam [“Hope”]  como um dos dramas mais obrigatórios que surgiram nos últimos anos e eu nem sabia que o filme tinha sequer sido lançado no ocidente, quanto mais nos estados unidos. Foi num par desses sites que descobri este titulo; (aqui e aqui (pequenos spoilers included nas reviews em ingles)).

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[“Hope”] pelo oriente, arrecadou prémios em tudo o que foi festival de cinema por onde passava, ao mesmo tempo que devastava milhares de plateias desprevenidas que sairam certamente do cinema como se tivessem sido atropeladas por um camião-Tir em hora de ponta.
Pessoalmente nada me preparava para este título. Sinceramente estava à espera que fosse bom, mas que não fugisse muito àquilo que já vimos mil vezes naqueles telefilmes americanos sobre –“a desgraça do dia”-, que em Portugal costumavam passar a toda a hora nas televisões generalistas.
A coisa, não prometia de todo, pois [“Hope”] é a história de uma miudinha de 8 anos que é violada a caminho da escola e de todo o frenesim mediático que se gera à volta da familia até que o culpado é julgado em tribunal.

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Vêem ? Não vimos já isto mil vezes ?
Aposto que até já estão a adivinhar o filme todo. Certo ?
Errado.
[“Hope”] parece, mas não é esse tipo de filme, mesmo sendo.
Confusos ? É simples.

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[“Hope”] é baseado num caso real ocorrido há alguns anos na Coreia do Sul e pelo que li o filme é fiel aos acontecimentos. Acontece que sendo uma história baseada num caso assim, que quase parece um manual para como se inventa uma história com uma criancinha, que sofre muito , coitadinha, etc… a verdade é que esta obra tem um pormenor a destacar.
Este filme tem o fantástico mérito de não fugir daquilo que é normamente o típico cliché neste género de drama, mas contorna-o de uma forma extraordinária; precisamente fazendo aquilo que só o cinema oriental sabe fazer bem e nunca, nunca teria a mesma abordagem simples se isto fosse um produto de Hollywood, podem ter a certeza.
[“Hope”] não está baseado na captura do criminoso, o seu julgamento nem sequer é o principal do filme, não é sobre o sofrimento atroz que a criança tem que carregar (da forma que vocês pensam), não tem vilões no sentido em que vocês imaginam mas é um filme sobre a aproximação entre um pai e uma filha. Tudo construído através de uma espantosa naturalidade e humanização de cada um dos personagens que integra cada acontecimento.

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[“Hope”] é sobre a esperança de recuperação e consegue o feito de ser um dos melhores -“Feel Good Movies“- de todos os tempos , mesmo tendo por base uma violação de uma criança mais um par de twists devastadores que são um verdadeiro murro no estômago e que levam ao desenlace da história sobre o futuro da vítima.
Estou aqui a tentar descrever isto, tentando transmitir-lhes a originalidade de [“Hope”]  mas o problema é que para poder detalhar-lhes o que realmente é extraordinário na execução deste argumento, automáticamente eu estaria a estragar-lhes os melhores momentos da história. Por isso meus amigos, se procuram uma boa história dramática não percam mais tempo. Esta não vão esquecer tão cedo.

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Consegue também o feito de ser um dos dramas com mais adrenalina que alguma vez vi. Não é um filme de acção, não é um drama de tribunal no sentido americano mas tem uma tensão fantástica, o que faz de [“Hope”] um daqueles títulos que nos fazem estar constantemente – “on the edge of your seat” – no sentido mais literal. Agarrem-se bem às cadeiras, sofás e principalmente travesseiros. Não digam que não avisei.
[“Hope”] é com todo o direito um verdadeiro -thriller- dramático sem nunca perder o humanismo e a naturalidade. Nunca por algum momento nos lembramos que estamos a ver um filme e muito menos um grupo e actores.

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A realização é excelente e nem notamos que lá está, pois dez minutos depois de começar nem nos lembramos que estamos a ver um filme. A direcção de actores só pode ter sido incrível, especialmente no que toca à prestação das criancinhas.
O pessoal que fez o casting deste filme está absolutamente de parabéns. As crianças são absolutamente perfeitas, com um carisma e uma empatia extraordinárias; isto para nem falar da forma como vivem também todo o drama que centraliza a história.
A miudinha principal é notável num papel que nem imagino como se planeia isto com uma criança que tinha apenas 7 anos quando a rodagem começou. Não fica nem um milimetro atrás do par de actores veteranos que interpretam os seus pais em termos de prestação convicente e absolutamente dramática.

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Aliás, a empatia entre ela e o actor que interpreta o seu pai no filme é absolutamente incrível !
Idem para o jovem rapazinho que interpreta o menino que gosta da menina violentada. Não sei o que metem na água dos miudos na Coreia do Sul, mas se o resultado for a produção de pequenos actores deste nível espero que continuem.

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Aliás [“Hope”] arrecadou prémios para actores por todo o lado, o que demonstra claramente que estamos na presença de um daqueles titulos com um casting de sonho em termos de qualidade dramática. Não só os protagonistas são excelentes como todo o elenco secundário brilha em pequenos momentos; o amigo do pai da miuda, a amiga da mãe, a terapeuta, os policiais, etc. Absolutamente perfeito em termos de composição dramática. E um grande destaque para o actor que faz de violador pois tem um dos melhores momentos deste filme, numa cena que os irá arrepiar até à medula e fazer com que vocês atirem pedras de calçada ao televisor num dos pontos de maior tensão dramática na história.

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Por falar em tensão, nunca vemos a violação da criança em [“Hope”], mas vemos o seu resultado imediato e por isso, pessoas impressionáveis preparem-se psicológicamente, pois este não é o telefilme da HBO que estão habituados a ver passar nas tardes da TVI para entreter as avózinhas.
Não estamos em Hollywood e se isto é para ser dramático a um nível realístico mesmo, podem ter a certeza que vai ser , pois aqui pelas bandas da Coreia do Sul ninguém se preocupa muito em ser politicamente correcto nas histórias de cinema; o que só lhes fica bem; (e eu nem lhes vou mostrar a fotografia da caracterização inicial da miuda após a violação). Se calhar é por isso que depois conseguem atirar cá para fora títulos com a qualidade de um filme assim.

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CLASSIFICAÇÃO:

Um dos melhores e mais consistentes filmes dramáticos que sairam do oriente em vários anos. Nomeadamente da Coreia do Sul.
Dentro deste estilo de história nunca vi nada que chegasse aos pés deste filme pelas razões que referi já no texto mais atrás.
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award (ao cubo) porque é absolutamente inesquecível e um daqueles filmes que apetece rever só para voltar a acompanhar aqueles personagens e admirar cada interpretação.

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A favor: história muito bem planeada cheia de momentos insqueciveis e que são usados para mais uma vez humanizar cada personagem a um nível que só o cinema oriental parece conseguir fazer, os actores têm prestações incríveis a todos os níveis, está cheio de personagens excelentes, as crianças-actores são notáveis, a realização é invisivelmente perfeita, tem um ritmo frenético e em certos momentos mais parece um thriller do que um drama apesar de não ser própriamente um filme de acção, cria uma empatia notável com o espectador até nos momentos que envolvem o violador, dá-nos cabo dos nervos, tem momentos fantasticamente fofinhos ao melhor estilo do cinema sul coreano que já conhecem, todo o argumento está fantásticamente bem escrito e manipula o espectador emocionalmente de uma forma extraordinária com pausas nos sitios certos e murros no estômago de cair para o lado nos pontos chave.
Contra: ehm… nada ?!… Ok, pronto…deixa cá ver…hmmm….espera, deixem-me pensar…hmmm…ah, olha, se calhar o epílogo está a mais e o filme poderia ter acabado um par de minutos antes na sequência final realmente emblemática entre o pai e a filha…

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NOTAS ADICIONAIS:

TRAILER – AVISO !
NÃO VEJAM O TRAILER que está espalhado pelo youtube legendado em Inglês pois está cheio de *SPOILERS* inacreditáveis. Esse é o trailer da distribuição americana e conta o filme todo de uma ponta à outra !!! Inclusivamente revela o final !!!

VIDEOCLIP (substituindo o trailer)
Se quiserem espreitar algumas cenas do filme vejam isto aqui.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt3153634

COMPRAR DVD (legendas em Inglés apenas no filme e não nos extras).
http://www.yesasia.com/us/hope-2013-dvd-korea-version/1035288953-0-0-0-en/info.html

E agora que escrevi tudo isto, vou rever o filme.

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Outros títulos dramáticos de que poderá gostar:

Be With You Il Mare The Classic

Love Phobia cyborg_she_capinha_73x

concerto_capinha_73x My Sassy Girl

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11 A.M. (Yeolhansi) Hyun-seok Kim (2013) Coreia do Sul


Agora que Blade Runner vai ter mesmo uma sequela oficial produzida por Ridley Scott prevista para estrear em 2017, se calhar começo esta review por dizer que o melhor que todos os fãs de Blade Runner (que gostem de cinema oriental) podem fazer, (se ainda não o fizeram), é ver o excelente “Natural City” produzido há alguns anos na Coreia do Sul.

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Se alguma vez imaginaram como seria um bom Blade Runner de sabor oriental, se alguma vez desejaram encontrar um universo cinematográfico semelhante ao do Blade Runner original mas que não fosse estragado por qualquer tentativa de remake americano, recomendo vivamente que não percam “a versão” Sul Coreana, até para depois poderem comparar.
Por esta altura vocês já devem estar a pensar que se enganaram na review. Não estão enganados, este texto agora é mesmo sobre [“11 A.M.” (Yeolhansi)], mais um raro título de ficção científica Sul Coreano pois história do género parecem continuar a aparecer a conta-gotas na filmografia daquela parte do mundo, sabe-se lá porquê.

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Continuo a achar fascinante que do oriente saiam regularmente um sem fim de bons épicos históricos, excelentes histórias de amor, óptimo cinema de terror, algumas comédias originais e até um bom numero de filmes de aventuras e de fantasia, mas no que toca a ficção científica séria nos moldes que podemos ver no ocidente é raro depararmo-nos com algo que fique na memória pela sua qualidade. Sendo assim, aproveito este texto agora, para fazer um apanhado geral do que tem sido a ficção-científica saída do oriente pois não tem sido um género muito popular até junto de quem gosta de cinema vindo daquela parte do mundo.

Natural City

Da China, não me recordo de nada que seja particularmente marcante dentro do género da ficção-científica cinematográfica com excepção talvez do divertido “Love In Space” que passa pelo género mas apenas como cenário de fundo para situar uma divertida  love story e nada mais.
O Japão parece criar excelentes histórias de FC em Anime (às vezes em tom bastante sério e adulto; “The place promised in our early days“;”Wings of Honeamise ), mas depois quando tenta reproduzir essa qualidade em cinema parece não conseguir passar das fórmulas televisivas mais kitsch, infantis ou foleiras e o melhor que consegue deitar cá para fora são coisas como “Space Battleship Yamato” (uma péssima tentativa de imitar o estilo Michael Bay em versão Japonesa), “Gatchaman” e/ou sucessivos clones de Power Rangers/Godzillas ( também em modo “Casshern que não contribuiem de todo para que do Japão tenhamos ainda um bom título de ficção-científica live-action até hoje para as salas de cinema.
Salvo talvez as excepções de “Sayonara Jupiter” e até mesmo “Returner” que ao menos parecem ter tentado fazer algo para dinamizar o género pelo Japão, a ficção científica não é coisa que pareça interessar o público japonês para lá dos Anime que todos nós conhecemos.

Wings of Honeamise

Já na Coreia do Sul o panorama da FC parece mais animador pois têm aparecido bons títulos embora esporádicamente.
Não são muitos, mas normalmente quando arriscam algum dinheiro numa produção mais séria, o resultado tem sido muito bom; com titulos como o dinâmico “2009 Lost Memories” ou o já mencionado “Natural City” (que embora com falhas não deixa de ser o melhor filme de FC produzido até agora no oriente naqueles moldes).  Não esquecendo também o fabuloso “Cyborg She” que por detrás de uma capa de comédia juvenil contém uma das melhores histórias sobre viagens no tempo que eu vi (ou li) até hoje, pela forma como humaniza os personagens e nos dá a volta à cabeça com os inúmeros twists do argumento;  (sim, melhor que o clássico “The Time Machine” e melhor que “Back to the Future”.)
Até no género cinema-catástrofe a Coreia do Sul produziu excelentes exemplos de cinema espectáculo; temos o fantástico “Flu” que quem gosta de filmes sobre virus que matam pessoas pelo mundo fora não deve perder de todo pois tem uma energia fantástica ou “The Host” que mostrou ao mundo que os filmes de monstros também podem ser FC séria e dramática. Ainda do mesmo realizador de “The Host”, saiu recentemente o excelente “Snowpiercer“, uma história sobre um futuro negro e distópico (com actores ocidentais) e que foi alvo de uma tentativa de censura nos estados unidos pelo tom negro que apresenta.

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O que nos leva então ao filme deste dia; [“11 A.M.” (Yeolhansi)].
[“11 A.M.” (Yeolhansi)] é assim uma espécie de “Alien” em ambiente subaquático, mas sem monstros; onde estes são substituidos por consequências de viagens no tempo.
Quero com isto dizer que estamos na presença do típico thriller de ficção-científica em que os personagens vão sendo mortos um a um seguindo a habitual fórmula que toda a gente já conhece e viu mil vezes no cinema ocidental para filmes com bichos que mastigam pessoas. Apenas aqui o inimigo é outro. A fórmula é a mesma.

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[“11 A.M.” (Yeolhansi)] é um filme de baixo orçamento, talvez mesmo o de mais baixo orçamento de toda a lista de filmes que mencionei atrás.
Os cenários são muito desinspirados embora se note que houve aqui e ali uma tentativa de fazer com que o ambiente visual do filme parecesse mais elaborado do que na realidade é.
Tirando um par de pequenos cenários “mais detalhados” como por exemplo a sala de comando central da base submarina que mesmo assim está por demais despida de detalhe; os outros cenários ou são pequenos corredores claustrofóbicos, salas essencialmente vazias ou então localizações reais que foram aproveitadas para simular tecnologia de ponta futurista (por exemplo o reactor é claramente filmado num qualquer laboratório real).
Nota-se uma grande diferença entre aquilo que são cenários e localizações reais e isso contribui um pouco para que nunca acreditemos muito que aquela base submarina seja um local a sério.

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Mas na verdade isso nem sequer é o ponto mais fraco de [“11 A.M.” (Yeolhansi)].
Apesar do baixo orçamento, sente-se que houve neste título uma tentativa de se criar uma história de ficção-científica adulta a sério. No entanto enquanto filme o resultado não é muito interessante por vários motivos.
Primeiro, a história de viagens no tempo apesar de muito bem executada, por seguir tanto à risca todas as fórmulas já conhecidas não apresenta absolutamente nada de novo que surpreenda o espectador.

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Em nenhum momento estamos atrás do argumento, isto porque é tão fácil adivinhar o que vai acontecer a seguir que até impressiona pela negativa. Isso retira logo toda a carga dramática que poderia haver em [“11 A.M.” (Yeolhansi)] e sem isso a história perde todo o impacto. Muito menos esperem surpresas. Não há. Até o suposto twist do epílogo não apanha ninguém de surpresa e se não estivesse lá também não fazia diferença nenhuma.

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Apesar de ser uma boa e sólida história do género, não deslumbra e quando uma história sobre viagens no tempo não contém qualquer coisa que nos apanhe de surpresa, mau sinal.
Comparem este argumento com o fabuloso exemplo de “Cyborg She” e vão perceber como  [“11 A.M.” (Yeolhansi)] é realmente um desperdício de potencial quando colocado lado a lado com o que se pode fazer numa história realmente criativa sobre viagens no tempo.
[“11 A.M.” (Yeolhansi)] leva-se demasiado a sério mas essa seriedade não consegue injectar qualquer interesse ou qualquer carga dramática à história. Já “Cyborg She” é o contrário, pois parece mais uma comédia adolescente desmiolada mas contém a história de viagens no tempo que este filme agora gostaria de ter sido.

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[“11 A.M.” (Yeolhansi)] nem seria tão fraquinho se ao menos tivesse bons personagens; mas estranhamente, mais uma vez, o mesmo cinema que no género romântico ou dramático consegue humanizar os seus protagonistas de uma forma fabulosa, quando chegamos à ficção científica parece que o estilo oriental perde todo esse dom e acabamos sempre com personagens-tipo absolutamente desinteressantes e que não criam qualquer empatia com o público. Se calhar porque os argumentistas que gostam de ficção-científica estão mais interessados na história calculista própriamente dita do que em desenvolver personagens, mas por outro lado, volto a dizer, temos “Cyborg She“como exemplo de como se pode ter excelente FC sobre viagens no tempo, precisamente suportada por personagens com muita alma.

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Sendo assim [“11 A.M.” (Yeolhansi)] não tem desculpa por falhar precisamente nos personagens. Se este tivesse contado com pessoas mais interessantes, se calhar até acompanhariamos com muito mais entusiasmo o previsível desenvolvimento desta história corriqueira sobre viagens no tempo.
Acontece que não nos importamos minimamente com o destino de qualquer uma das pessoas que vive esta aventura e isso é o pior que pode acontecer num filme de suspense baseado numa história previsível. Ainda há pelo meio a tentativa de inserir um par de trágicas histórias de amor a ver se pega, mas são tão forçadas que acabam por ter o efeito contrário.

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Os herois não têm qualquer química entre eles e pior ainda, em momento algum acreditamos que aquelas pessoas são cientistas de verdade pois tudo é um enorme vazio na composição dos personagens. O suporte dramático para muitas das suas motivações não tem qualquer credibilidae e não resulta de todo pois as pessoas deste filme parecem não acreditar nas vidas que vivem.
E não é um problema de actores. Nota-se que toda a gente aqui se esforça ao máximo por encarnar aqueles cientístas. No entanto é óbvio que no papel não havia nada onde um actor se pudesse agarrar para tornar a sua prestação mais interessante.

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[“11 A.M.” (Yeolhansi)] conta a história de um cientista que está obcecado com a descoberta das viagens no tempo (para tentar salvar a sua mulher que morreu anos atrás) e que juntamente com um grupo de colegas financiados pela união soviética (?!), trabalham num laboratório subaquático algures nas profundezas do oceano ao melhor estilo “The Abyss”; onde está instalado um protótipo de uma máquina que pode viajar no tempo e que quando o filme começa já tem a capacidade de conseguir viajar 15 minutos para o futuro. Prestes a serem encerrados por falta de resultados mais expansivos e imediatos, os cientistas decidem fazer um último teste e tentar alcançar um período mais longo; o que leva um par deles a conseguir transportar-se para 24 horas depois.

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Acontece que, quando chegam a esse breve futuro, deparam-se com toda a sua base destruida, o equipamento incendiado e o local abandonado.
O que aconteceu ? Para onde foi toda a gente nas últimas 24 horas e porque estará todo o laboratório à beira de implodir ?
É este o mistério que se torna desde logo para lá de evidente e totalmente previsível.
E sim, estamos num filme passado numa base subaquática. É claro que no momento em que toda a gente podia simplesmente pirar-se dali para fora, há uma tempestade à superfície que impede a evacuação imediata… … … (really ?!)

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Para sermos justos, na realidade [“11 A.M.” (Yeolhansi)] não é um mau filme de ficção-científica. É apenas desinteressante, embora numa filmografia oriental onde a ficção-científica escasseia não deixe de ser uma tentativa bem vinda ao género. Por outro lado, é um titulo tão simples que desilude quando podia ter sido realmente uma história excelente se o argumento contivesse as surpresas e a humanização de personagens de um “Cyborg She” ou a atmosfera de um “Natural City“.

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[“11 A.M.” (Yeolhansi)] faz tudo bem no sentido em que não se pode dizer que seja um filme mal feito. De todo. Até mesmo o que falha em termos de argumento não deixa de ser interessante a nível técnico apesar da previsibilidade. Quem gosta tanto como eu de cinema de baixo orçamento não pode deixar de ver este titulo pois nesse contexto tem algumas qualidade pelo esforço que demonstra em tentar ser mais do que na realidade é.
Os últimos dez minutos de [“11 A.M.” (Yeolhansi)] até conseguem ser divertidos quando tudo entra em total modo caótico e surpreendentemente tem um epílogo curioso que expande o filme para além do que é costume vermos neste tipo de produções. No entanto, é tudo por demais mediano quando merecia ter sido fantástico.

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Não é o baixo orçamento que deita tudo a perder, não são os cenários pobrezinhos que estragam o ambiente, nem sequer são os actores que arruinam a história.
É apenas o argumento. Parece um argumento daqueles que já vimos mil vezes em qualquer episódio banal de série televisiva que tenta criar uma história sobre viagens no tempo como história da semana.
Até a realização parece televisiva em muitos momentos num filme carregado de grandes planos do rosto dos actores em vez de abrir o ambiente com planos mais alargados. Por outro lado se assim não fosse notar-se-ia muito mais a simplicidade de toda a produção.

—————————————————————————————————————CLASSIFICAÇÃO:

Quem gosta de viagens no tempo e procura um titulo de ficção-científica no cinema oriental, tem em [“11 A.M.” (Yeolhansi)] uma opção interessante. Não irá supreender-se, mas por outro lado se não esperar muito também não ficará desiludido por aí além.
É uma produção de baixo orçamento competente, vê-se bem, apenas não deslumbra.
É um bom filme dentro das suas limitações. Nem mais, nem menos.
Três tigelas de noodles.

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A favor: temos mais um filme de ficção-cientifica séria no cinema oriental, é uma história sobre viagens no tempo bem estruturada, alguns cenários mesmo pobrezinhos são bastante interessantes e atmosféricos, os últimos 10 minutos são divertidos pois a história apesar de simples está bem resolvida.
Contra: é totalmente previsível ao pormenor desde o princípio ao final, os personagens não têm qualquer interesse, suspanse zero, realização algo televisiva que retira algum ambiente ao filme pois nunca mostra muito, é um daqueles filmes que logo esquecemos ainda mal acabou.

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NOTAS ADICIONAIS:

TRAILER

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt3281394

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Se gostou deste poderá gostar de:

Natural City capinha_sayonarajupiter73x 2009 Lost Memories  cyborg_she_capinha_73x

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Palwolui Christmas (Christmas in August) Jin-ho Hur (1998) Coreia do Sul


Já tentei mas não compreendo todo o hype á volta deste filme.
[“Christmas in August“] é suposto ser uma obra prima qualquer dentro do género dramático sul-coreano mas por mais que eu tente, não compreendo mesmo porquê.

Parece inclusivamente que este filme é usado nas escolas de cinema como exemplo de como se escreve um argumento, serve de modelo a aulas sobre narrativa cinematográfica e inspirou até o autor de “My Sassy Girl” a escrever o seu clássico.
Uhm ?!!! …
Será que eu andei estes anos todos a ver e a rever uma cópia incompleta qualquer e ainda não notei ?! É que eu comprei o dvd !!

[“Christmas in August“] foi mais um daqueles dvds que eu comprei sem pestanejar sequer, pois as reviews espalhadas pela net eram tão extraordinárias e a suposta importância deste filme para o cinema oriental  é tão elevada que eu pensei que não me poderia enganar com esta história de amor.
Da primeira vez que o vi, nem o consegui ver todo pois fartei-me a meio.
Depois disso nestes anos todos tentei revê-lo pelo menos duas vezes por ano, (a ver se me tinha escapado alguma coisa) mas de cada vez que o revia ainda consolidava mais a minha opinião.

É que [“Christmas in August“] é realmente muito interessante, mas… não mais do que isso. Não compreendo de todo o porquê de tanta reverência á volta deste filme.
A história é banalíssima, mas não é por isso que o filme perde alguma coisa pois é verdade que está cheio de pequenos pormenores que lhe dão bastante humanidade.
No entanto, na minha opinião tem humanidade mas não tem chama. Falta-lhe de todo aquele toque especial que normalmente me agarra no cinema asiático e aqui isso não acontece.

Os personagens não me emocionaram de todo e isso para mim, depois de ter lido em todo o lado que [“Christmas in August“] era uma verdadeira obra prima do cinema-choradeira , foi uma verdadeira decepção. É que nem sequer me causou a mais pequena lágrima e tal deixou-me estupefacto.
Tem bastantes aspectos tocantes e supostamente a sua narrativa é uma obra prima da manipulação emocional mas no entanto nada nesta história foi suficiente para me causar o mesmo efeito que por exemplo “My Sassy Girl“, “The Classic“, “Fly me to Polaris“, “Il Mare” ou “Be With You” me causaram.

É que até “My Girl & I” tem mais emotividade que [“Christmas in August“] e no entanto um é desprezado pela crítica enquanto o outro é quase tratado como um objecto religioso dentro do cinema romântico oriental ?!
E “My Girl & I” é quase um plágio de [“Christmas in August“] pois a sua estrutura base é practicamente a mesma, mas tomara [“Christmas in August“] conseguir a mesma atmosfera.
Vocês sabem, vocês já viram este filme antes, muitas vezes até se gostarem de cinema romântico Sul Coreano.
Casal de apaixonados, muito amor platónico e depois um deles tem uma doença grave e morre no fim. Acabou o filme.

Se vocês gostam de cinema romântico Sul Coreano, sabem bem que não é por causa deste tipo de argumento que o género perde a sua força e sendo assim eu não estava nada á espera que uma suposta obra prima tão conceituada como [“Christmas in August“] não tivesse practicamente força nenhuma.
Não me interpretem mal, é um filme bonito de estutura básica mas totalmente funcional, cheio de pormenores que até prometem fazer-nos pensar sobre muita coisa, mas no entanto há algo que falha e lhe retira logo a intensidade de muitos outros filmes semelhantes criados posteriormente dentro do cinema oriental ou cinema sul coreano em particular.

Uma das razões de [“Christmas in August“] ser tão conceituado é porque segundo consta, este foi o filme que revolucionou o cinema romântico Sul Coreano moderno e definiu por completo o género modernizando-o em 1998.
Até então, parece que nada daquilo que nós hoje conhecemos nestas histórias de amor no cinema oriental existia nos moldes que agora nos fascinam e sendo assim segundo rezam as crónicas, o cinema romãntico Sul Coreano renasceu com esta obra que practicamente definiu o estilo – boy meets girl, boy looses girl, boy gets girl again, girl/boy dies, boy/girl ends up alone.

Por este prisma, eu sou o primeiro a reconhecer o seu valor.
Hoje claro, já vimos este tipo de estrutura mil vezes mas se calhar na altura foi mesmo capaz de ter causado um grande impacto nas plateias ao melhor estilo choradeira-lovestory anos 70.
Agora o que me surpreende é toda a gente continuar ainda hoje maravilhado com o filme quando já existem pelo menos uma dezena de melhores, mais drámaticos e mais eficazes exemplos dentro do género.
Se vocês já viram tudo o que tenho aconselhado aqui neste blog dentro do género romântico muito certamente também irão ter a mesma opinião que eu quando agora forem ver [“Christmas in August“].
Digam-me qualquer coisa pois gostaria muito de saber o que vocês acham sobre a enorme fama deste filme.

De resto não há muito mais para se dizer sobre ele.
É um bom produto, boas interpretações, miuda fofinha, história triste mas bonita e tudo o mais que normalmente há de bom neste tipo de cinema made-in-coreia do sul.
Não posso deixar de recomendá-lo também se já viram tudo o resto de que tenho falado, pois na verdade [“Christmas in August“] não tem propriamente nada de mau que se possa apontar nele.
Apenas tem uma carga de emotividade algo inóqua e não percebi até hoje o porquê disto ser assim.

——————————————————————————————————————CLASSIFICAÇÃO:

Se já viram tudo o resto dentro do género romântico que recomendei até hoje, devem então juntar este filme á vossa lista de coisas a ver.
Até por uma questão histórica pois supostamente este foi o filme que reinventou o género e o modernizou no que toca ás histórias de amor made-in-coreia-do-sul que hoje vocês conhecem.
De resto, na minha opinião quando comparado com o que já foi feito nestes últimos anos, [“Christmas in August“] não passa apenas de mais um pequeno e muito interessante filme mas nem de longe nem de perto será a obra-prima maior do género romântico oriental como practicamente todas as reviews o designam.
Não o colocaria no topo da minha lista de filmes a ver se tivesse chegado apenas agora ao género romântico sul-coreano.
Duas tigelas e meia de noodles pois é muito interessante mesmo mas não mais do que isso e dúvido se lhes ficará sequer na memória.

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A favor: história simples e bem contada, alguma poesia e atmosfera, excelente naturalidade nos personagens, é um filme fofinho.
Contra: na verdade não há nada de negativo neste filme, apenas falta-lhe algo para criar realmente o mesmo nível de emoção que obras posteriores como “My Sassy Girl“, “The Classic“, “Fly me to Polaris“, “Il Mare” ou “Be With You” conseguiram atingir. Por qualquer motivo não me emocionou minimamente, não deu a mínima vontade de chorar e isso é o pior que poderia ter acontecido num drama romântico Sul Coreano. Até o bem mediano “My Girl & I” tem mais emotividade e poesia que [“Christmas in August“] e não estava nada á espera disso tendo em conta a reputação de obra-prima deste filme.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
Parece que não há trailer disto em lado nenhum por isso fica aqui um videoclip.
http://www.youtube.com/watch?v=GQzq_Un-1Xc&feature=related


COMPRAR

A edição que eu tenho (capa acima) parece já não existir mas podem comprar esta aqui.
Christmas In August [DVD]

Imdb
http://www.imdb.com/title/tt0140825/

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Outros títulos românticos (bem mais) recomendados:

Be With You My Sassy Girl Il Mare The Classic Fly me to Polaris

Love Phobia concerto_capinha_73x cyborg_she_capinha_73x

ditto_capinha_73x midnightsun_capinha my_girl_and_i_minicapinha

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Superman ieotdeon sanai (A Man who was Superman/If I was Superman/A Man Once Superman) Yoon-Chul Jeong (2008) Coreia do Sul


Este é mais um daqueles filmes orientais de que me apetecia gostar mesmo muito.

O conceito é absolutamente simples mas cheio de potencialidades por explorar, os personagens prometem e as referências ao universo do Super-Homem são absolutamente deliciosas, particularmente os pormenores sacados ao filme realizado por Richard Donner com Christopher Reeve.

Infelizmente este é mais um daqueles filmes asiáticos que fica a meio caminho de tudo aquilo que poderia e deveria ter sido, por muitas e diversas razões que vou tentar resumir agora.
De qualquer forma também é bom começar por dizer que apesar da minha desilusão com o filme, [“The Man Who Was Superman“] é no entanto um daqueles obrigatórios não só para quem gosta do género dramático sul-coreano como principalmente para os fãs do Super-Homem.
Então se viram o primeiro filme com Christopher Reeve não podem perder “esta versão”  que apesar das suas muitas fraquezas tem ainda alguns bons motivos para que vocês o queiram ver pelo menos uma vez.

[“The Man Who Was Superman“], conta a história de um homem que anda pelas ruas de uma cidade Sul Coreana convencido de que está em Metropolis e é nada mais nada menos que o próprio Super-Homem.
Sendo assim, o seu dia-a-dia é passado tentando ajudar as pessoas que encontra ao mesmo tempo que procura super-vilões e ainda tem tempo para salvar o planeta agindo de forma ecológica, obrigando as pessoas a não despejar lixo no chão entre outros feitos heroicos.

O filme segue a relação deste personagem com uma jornalista frustrada que a princípio pretende aproveitar-se dele para realizar um documentário sobre o pretenso Super-Homem e ganhar uns cobres com a estação de TV local, mas depois aos poucos começa a ver-se envolvida com o misterioso homem quando o passado trágico daquela figura trágico-cómica se começa a revelar.

Os minutos iniciais de [“The Man Who Was Superman“] são absolutamente geniais. Tudo aquilo que envolve a caracterização do “Super-Homem” é não só completamente divertida, mas principalmente fascinante  e não conseguimos tirar os olhos desta história.
O actor que faz de “Super-Homem” não só consegue incoorporar por completo o personagem como principalmente compõe a melhor imitação de Christopher Reeve que poderão encontrar pela frente.

O que não deixa de ser extraordinário em muitos sentidos, pois a meio do filme quase que nos esquecemos que estamos a ver um “Super-Homem/Clark Kent” de traços orientais tal é a genial caracterização que o actor consegue produzir a partir de todas aquelas referências que conhecemos dos filmes de Richard Donner dos anos 70.
Se [“The Man Who Was Superman“] dependesse deste Super-Homem para ser um filme fantástico, eu dava-lhe já a nota máxima.

Infelizmente, todo o genial trabalho de composição do actor acaba por se perder um bocado pelo meio do filme á medida que a história avança e é mesmo pena.
Culpa de um argumento que nunca consegue criar uma transição fluida entre a comédia e o drama, pois o registro do filme muda de um segundo para o outro e é por demais errático ao longo de toda a estrutura da história o que cria no espectador uma constante incerteza sobre que tipo de história está a ver pois nunca há uma transição bem conseguida entre géneros e ás vezes temos a sensação que estamos a ver dois filmes diferentes remendados um ao outro.

Isto faz com que as partes humoristicas (ou de homenagem) não tenham tempo para respirar e criar uma identidade e também retira algum interesse á parte dramática pois o filme balança demasiado bruscamente entre os dois géneros. É bastante complicado explicar isto melhor, mas quando vocês virem o filme vão perceber o que quero dizer.

Quando a história entra pela gradual revelação sobre o passado do personagem principal, o conceito á volta do “Super-Homem” parece algo abandonado como se este tivesse apenas servido para introduzir o filme e pouco mais.
[“The Man Who Was Superman“] primeiro fascina-nos com todas as referências ao super-heroi, cria a personalidade do personagem central com base nesse material mas depois a meio do filme retira-nos essas referências do centro da história e a coisa entre por um estilo de drama clínico, frio, algo esterelizado e nem a presença da personagem feminina consegue amenizar a sensação de que de repente estamos a ver um filme diferente.

E por falar em personagem feminina, quanto a mim uma das grandes fraquezas do filme está precisamente nos personagens. Talvez seja da fascinante caracterização inicial do personagem principal no inicio do filme, mas a verdade é que (talvez comparadas com ele) todas os outros personagens nos parecem desinteressantes e algo antipáticas.
A inevitável ligação romântica do filme não resulta plenamente porque nem a miúda do filme nos atrai particularmente, talvez fruto de uma caracterização que se foca demasiado no estilo rebelde e não passa daí o que lhe dá uma dimensão algo limitada.

Percebe-se que a ideia seria criar uma Lois Lane oriental, mas quanto a mim á força de a quererem caracterizar como mulher independente os argumentistas acabaram por se esquecer de a humanizar ao mesmo nível que trabalharam o personagem do “Super-Homem”.
No entanto, estas fraquezas estão todas principalmente nos 50 minutos centrais do filme, como se depois de um inicio fantástico os autores da história não tivessem sabido bem o que fazer com o resto da ideia.
[“The Man Who Was Superman“] tem um inicio excelente, uma parte central desajustada fria e desinteressante (mesmo apesar da gradual revelação sobre a identidade do misterioso “Super-Homem”) e um final muito bom que quase alcança o mesmo nível do inicio do filme.

Só não atinge o interesse e a qualidade inicial, porque entra por um registro completamente óbvio no que toca ao estilo de sequências de acção com ambiente dramático e por isso, ainda o filme tem pelo menos 20 minutos para acabar e já o espectador imagina o que acontece em cada minuto seguinte. Afinal quantas cenas com incêndios é que todos nós já vimos ? A cena final não é excepção e por isso não vão encontrar nada que mantenha qualquer suspanse nesta sequência e é pena.

Mas, apesar da previsibilidade da sequência de acção final, subitamente o filme ganha vida.
De repente até nos identificamos com a tristeza de “Lois Lane” e o resultado final do acto de heroísmo do “Super-Homem”  parece-nos digno de nos fazer sentir algo mais do que decepção com o rumo que o filme tinha tomado na sua parte central.

Resumindo, a parte final salva o dia e se gostarem dos primeiros vinte minutos da história, vão adorar o desenlace da mesma, com destaque para os segundos finais que encerram o filme, pois regressam todas as referências á obra de Richard Donner e [“The Man Who Was Superman“] acaba de uma forma muito bonita, deixando-nos com a sensação de que acabamos de ver uma história que poderia ter sido um clássico instantâneo e um verdadeiro filme de culto á volta do mundo dos Comics e no entanto algo se perdeu pelo caminho.

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CLASSIFICAÇÃO:

Uma oportunidade perdida.
Poderia ter sido bem melhor mas perdeu-se um bocado porque não soube aproveitar a imaginação do conceito inicial.
No entanto se gostam do Super-Homem, este é um dos melhores e mais originais filmes sobre o universo dos super-herois que poderão encontrar e sendo assim vocês precisam mesmo de ver isto porque independentemente das suas fraquezas é apesar disso uma boa tentativa de se criar um produto original.
É um bom filme, nem mais, nem menos. Não os vai maravilhar mas é uma boa maneira de passarem algum tempo em frente ao ecran.
Trés tigelas de noodles. Acrescentem mais meia por vossa conta se gostarem mesmo muito do Super-Homem ou do universo dos comics americanos.

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A favor: o trabalho do actor principal na caracterização do “Super-Homem/Clark Kent” é fantástico, o espírito de Christopher Reeve deve andar por este filme, os primeiros vinte minutos da história são muito cativantes, as referências ao universo do Super-Homem são excelentes e muitas estão escondidas em pequenos pormenores, a ligação com o filme de Richard Donner presta-lhe uma boa homenagem (tem a “nave estrela” do filme e tudo), tem um bom final apesar de previsível, apesar de ser um produto mediano por culpa da falta de imaginação no desenvolvimento do coração do filme é um filme que fica na memória, ainda consegue ter um mini-twist curioso no final, apetece-nos gostar muito mais dele do que na realidade podemos gostar.
Contra: não se define enquanto género pois não é uma comédia um drama ou um filme romântico mas ao mesmo tempo é tudo isso sem conseguir manter uma identidade ao longo da sua duração, parece maior do que na realidade é e isso nunca é bom sinal, os personagens secundários não são particularmente cativantes, a parte central do filme acaba por se tornar aborrecida porque o registo da história não soube equilibrar bem entre o humor e o drama, a “Lois Lane” não cativa, a parte romântica nunca alcança um registo emocional que a história merecia, o “Super-Homem” desaparece demasiado da história em determinados momentos quando todo o fio condutor deveria ter seguido o registo inicial na minha opinião, as partes de suspanse no final do filme são absolutamente previsíveis e perdem algum do impacto.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=-qFG-XO56Ss&feature=related

Comprar
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7h-49-en-15-a+man+who+was+superman-70-37uw.html

Ver na Web
http://asianspace.blogspot.com/2009/06/man-who-was-superman-2008.html

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1119199/

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Outros títulos românticos recomendados:

Be With You My Sassy Girl Il Mare The Classic Fly me to Polaris

Love Phobia concerto_capinha_73x cyborg_she_capinha_73x

ditto_capinha_73x midnightsun_capinha my_girl_and_i_minicapinha

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