The Assassination Classroom (Ansatsu kyôshitsu) Eiichirô Hasumi (2015) Japão


Se são daqueles que sempre pensaram que o que faltava no filme “Dead Poets Society/O Clube dos Poetas Mortos” eram umas pistolas e uns assassinatos então , [“The Assassination classroom“] é para vocês !

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Quando eu pensava que já tinha visto tudo, eis que o Japão volta à carga com mais um titulo absolutamente indiscritível e verdadeiramente inclassificável.
Por falta de tempo não costumo acompanhar o que se passa no mundo das séries Anime ou dos Manga, mas consta que este filme é a adaptação live-action de uma das mais populares séries animadas do momento em termos de objecto de culto.
Depois do filme, acho que vou ter mesmo que ver a série…

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Para aqueles que andam sempre a dizer que já não existem conceitos originais, tomem lá este.
Um extraterrestre que se parece com um polvo gigante amarelinho e com o rosto sorridente do -smile- um dia destroi mais de metade da lua (esculpindo-a para sempre em forma de meia-lua) e dirige-se para o nosso planeta Terra para voltar a fazer o mesmo, porque sim.
Para evitar que tal tragédia aconteça o governo do Japão faz um acordo com o alienígena e na troca deste poupar a Terra por mais uns meses, aceita dar-lhe emprego como professor de liceu.

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Sim, leram bem.
Mas não é um professor qualquer. É um professor de –assassinato– num liceu que treina os adolescentes para serem assassinos profissionais porque sim.
O objectivo na sala de aula, é por isso, assassinar o professor. Se não o conseguirem fazer até um determinado prazo, o extraterrestre amarelinho irá destruir também o planeta Terra porque lhe apetece.
Ainda está alguém aí ?… … …

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E mais; tudo isto parece passar-se numa espécie de Japão alternativo, ou pelo menos num futuro próximo onde a sociedade e o mundo escolar está dividido entre aqueles que têm boas notas nos estudos e por isso irão pertencer à elite e aqueles que são medianos mas que estão para sempre condenados a servir os ricos , um pouco como nas castas indianas.
Esses alunos são remetidos para a turma-E onde são treinados como assassinos para servir o governo.
Ah e a professora de Inglés chama-se “miss Bitch”.
Vic Bitch.

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E pronto, a partir daqui o que mais se pode dizer…
[“The Assassination classroom“] poderia ter sido um dos mais geniais filmes de…qualquer coisa…desde…ehm…qualquer outro…
O problema é que este filme tem pelo menos meia hora a mais e isso retira-lhe logo muito do divertimento que parece ir gerar à partida quando apanhamos com o conceito de tudo isto.

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Talvez porque tem a necessidade de apresentar inúmeras personagens ao mesmo tempo que tenta fundamentar este universo totalmente alucinado, [“The Assassination classroom“] acaba por gastar muito tempo naqueles momentos de exposição em que se fala muito sobre coisas em vez dessas coisas nos serem mostradas. Curiosamente isto parece ser a típica praga que assola grande parte do cinema live-action Japonês quando entra por este tipo de histórias mais Anime e [“The Assassination classroom“]  ressente-se disso, pois não fosse tão repetitivo na sua estrutura e tudo poderia ter sido fantástico. Algo me diz que a sequela (e sim vai ter sequela), irá ser bem mais consistente precisamente porque já não tem de apresentar personagens.

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É também um filme em termos geográficos muito restrito e tudo practicamente se passa ou dentro da sala de aula ou no recreio do liceu. Raramente abre a acção ou o drama para outro sitio qualquer salvo um par de breves momentos. Pessoalmente estou sempre á espera de ambientes épicos neste tipo de filme que se cola de certa forma ao estilo -super herois- de uma maneira ou de outra e quando isso não acontece sinto sempre que falta algo. Mas isto é uma opinião pessoal mesmo. De qualquer forma practicamente toda esta primeira história se passa dentro da sala de aula e pouco mais.

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Por outro lado, personagens completamente loucos é o que não falta por aqui. Desde o super-puto tipo Dragon Ball que voa e luta com os cabelos, até à colega de turma que é assim uma espécie de super computador em versão monólito do 2001 mas num estilo teenager fofinha; tudo em [“The Assassination classroom“] parece existir para desorientar o espectador apanhado de surpresa. Mas resulta ?
Por acaso até resulta. Até o puto esquisito tem pinta.

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Tirando a repetição constante das situações, algumas cenas que não levam a lado nenhum (os rapazes irem espreitar o dormitório das raparigas) e o excesso de diálogos de exposição, a verdade é que ainda sobra muita coisa realmente divertida que nos faz ficar hipnotizados sem conseguir sair de frente do ecran só para saber o que raio nos vai parecer pela frente de seguida.

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[“The Assassination classroom“] tem também a vantagem de contar com efeitos especiais fantásticos no seu geral. Algumas cenas de acção mais digitais resultam plenamente, a estética visual é totalmente Anime mas reproduzida em live-action e nada se pode apontar de negativo em termos técnicos a esta produção. Simplesmente esquecemo-nos muitas vezes que estamos a ver efeitos especiais e isso é o melhor que se pode dizer deste trabalho nesse aspecto.
A animação digital do personagem alienígena Kersensei é simplesmente espectacular e não conseguimos distinguir quando foi usada animação digital ou um efeito práctico com um boneco insuflável real no set.

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Todas as aventuras alucinantes do alien sorridente são acompanhadas por animação fabulosa, fluída e absolutamente notável, sendo este filme um bom exemplo para mostrar aquele pessoal que ainda pensa que só em Hollywood se fazem efeitos especiais a sério.
Quem gosta daquelas sequências de acção em estilo Dragon Ball ou Pokemon, vai delirar com algumas das cenas deste filme pois devem ser das mais fieis ao estilo Manga que vi até agora.

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[“The Assassination classroom“] é um filme de efeitos especiais, mas ao contrário de coisas como por exemplo “Transformers”, aqui os efeitos são sempre usados para complementar a história e não apenas para exibir o boneco (e ficamos a gostar muito do boneco sorridente também (apesar do riso irritante)). Teria sido muito simples terem entrado por esse caminho, mas felizmente que o argumento ainda se preocupa com os personagens. Infelizmente nem sempre resulta, pois são personagens a mais para duas horas de filme, mas pelo menos (embora algo vazios) nunca sentimos que estejam apenas por ali à deriva, pois alguns até têm momentos importantes, principalmente nas tentativas de assassinato do professor.

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O filme falha no entanto quando tenta dramatizar algumas situações, por exemplo no final. Há tanto personagem no filme que quando a história precisa de tentar meter alguma emoção para criar empatia com o espectador no que toca ao destino de certos personagens a coisa não resulta de todo e tudo parece metido a martelo porque era preciso e mais nada.
E não resulta porque precisamente não há grande desenvolvimento de personalidades ao longo da história. Todo o filme é focado no alien e como resultado o personagem mais humanizado acaba mesmo por ser ele. O que nem é particularmente negativo.

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Este é um filme muito estranho, não só pelo tema, mas pela estrutura. Na verdade não se passa grande coisa nele a não ser assistirmos constantemente às inumeras tentativas de assassinato do professor. Algumas divertidas, outras espectaculares, outras nem por isso.
Ha por aqui algures uma sátira politica e um comentário social, mas perde-se um bocado porque o que importa é mesmo o boneco amarelo. Por outro lado nem é grave, pois o que importa mesmo é mesmo o boneco amarelo e sendo assim…venha ele.

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Portanto [“The Assassination classroom“] recomenda-se a quem ? Bem, a quem conhece o Anime original talvez. Também se recomenda a quem quer ver um filme completamente alucinado pois a verdade é que é realmente uma ideia original muito bem executada técnicamente. Só pela originalidade vale a pena espreitarem.
Tem algum humor, é fofinho quanto baste e apesar da enorme quantidade de armas , não é propriamente um filme violento, embora tenha aqui e ali umas pitadas de politicamente incorrecto muito bem colocadas, o que só lhe fica bem.

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A verdade é que senti que há por aqui algo com um enorme potentencial, mas que fica a meio caminho precisamente porque isto é essencialmente um filme introdução.
Este universo tem de ser explicado, deixa pontas soltas no ar no final e tudo aponta para que a sequela resolva tudo o que fica a pairar nesta primeira parte.
Por outro lado, tem momentos divertidos e a sua originalidade é totalmente cativante.

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CLASSIFICAÇÃO:

Estava a pensar dar uma classificação menor a [“The Assassination classroom“] porque tem realmente meia hora a mais e as cenas de exposição tornam a história algo maçadora e repetitiva quando a história chega a meio; no entanto ninguém poderá negar a originalidade deste filme e só por isso merece ser destacado. Ainda por cima tecnicamente está fantástico e portanto é um daqueles que se recomenda a toda a gente que pensa que já viu tudo.

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Quatro tigelas de noodles porque sinto que a sequela deverá ser melhor, mas este vale pela originalidade acima de tudo.

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A favor: a originalidade e a loucura de todo o conceito, o personagem do alien amarelo é genial, os efeitos especiais digitais são de alta qualidade, boa fotografia, torna-se num filme verdadeiramente hipnótico a partir de certa altura.
Contra: deveria ser mais curto e ter menos momentos de exposição redundantes, é algo repetitivo quando passa a novidade do conceito, são duas horas onde não acontece grande coisa para além do que se repete constantemente e o final fica no ar.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER


IMDB

http://www.imdb.com/title/tt3853452

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Se gosta de filmes alucinados e originais:

capinha_the-great-yokai-war capinha_Mr-Go capinha_attack_the_gas_station capinha-happiness-of-the-katakuris capinha_20th

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Doragon heddo (Dragon Head) Jôji Iida (2003) Japão


Finalmente um filme catástrofe com uma atmosfera do caraças !
Até que enfim que encontrei aquilo que procurava em Tidal Wave ou 2022 Tsunami e não me tinha aparecido ainda pela frente pois [“Dragon Head“] é mesmo o meu tipo de filme catástrofe e um dos melhores produtos do género que vi ultimamente dentro do cinema oriental.
Muito apocalíptico, uma incerteza total sobre as razões do fim do mundo ter chegado e milhares de mortos com ruínas por todo o lado a uma escala inimaginável tudo regado com uma boa dose de situações perturbantes carregadas de mistério constante ao longo de toda a narrativa.

Eu fico parvo quando algumas reviews no Imdb dizem que este filme não presta porque é lento.
Lento ?!! Só porque não tem sequências de acção espectaculares a todo o instante intercaladas com cenas pseudo dramáticas que só funcionam como intervalo entre cenas de porrada como se vê habitualmente nos filmes do Rolland Emerich ?!…

A “lentidão” deste [“Dragon Head“] é o seu grande trunfo, pois não tem pressa de ir a lado nenhum e nunca coloca o espectador á frente dos personagens. É um filme perfeito na forma como consegue fazer com que o espectador faça quase parte da história, pois faz-nos ir descobrindo o que se passou a pouco e pouco ao mesmo tempo que os personagens e isso é a sua grande mais valia ao contrário do que costuma acontecer neste tipo de cinema onde tudo é devidamente explicado logo de início e depois só resta ao espectador acompanhar o destino dos protagonistas á medida que vão morrendo á vez por entre as cenas de acção e suspanse do costume.
Não aqui.

Um grupo de estudantes viaja de comboio pelo Japão. Ao atravessarem um túnel uma luz e uma onda de choque incríveis faz com que practicamente toda a gente a bordo morra de forma ultra-violenta quando o túnel desaba por completo e o que resta do comboio com apenas trés sobreviventes fica preso no interior da montanha.
A partir daí vamos acompanhando o destino dos sobreviventes á medida que conseguem encontrar uma saída até á superfície e descobrem da pior maneira que o mundo nunca mais será o mesmo.

Nada é explicado ao espectador, os primeiros 40 minutos de filme são completamente claustrofóbicos pois passam-se totalmente no interior do túnel. Depois quando o cenário se abre, as coisas adquirem um tom ainda mais misterioso á medida que acompanhamos o destino dos sobreviventes e este filme japonês chega a um climax algo dúbio mas nem por isso menos interessante.  Deixa-nos um gosto amargo mas faz-nos desejar que alguém tivesse feito uma sequela deste bom exemplo do cinema oriental de catástrofe apocalíptica.
Na minha opinião este é um daqueles filmes asiáticos que apetece continuar a ver e pela minha parte nem dei por terem passado duas horas. Mesmo apesar do tal suposto “ritmo lento” que muita gente refere no Imdb.

Quanto a mim [“Dragon Head“] é um dos melhores filmes catástrofe que vi em muito tempo e pela própria abordagem do tema nem sei se não terá sido o melhor. É um produto de cinema oriental simples sem pretenções, sabe construir um mistério, mantém o espectador interessado no cataclísmo enigmático e consegue ainda ter espaço para nos atirar com um par de personagens algo perturbantes e até de conceito algo inesperado, doentio (e até ilógicamente descontextualizado da própria história)…logo percebem quando virem as criancinhas creepy

Não entendo como se pode achar este filme lento. [“Dragon Head“] não teria o mesmo impacto e atmosfera perturbante se tivesse um ritmo sempre a abrir onde estivessem sempre a acontecer mais cenas de efeitos especiais a todo o instante só para contentar as plateias do milho em baldes.
A narrativa enigmática agarra desde o primeiro momento e não é por falta de mais CGIs que o filme perde o interesse bem pelo contrário.

E também não é pela falta de efeitos cataclísmicos a todo o instante que o filme perde a tensão dentro do género do cinema catástrofe, pois se procuram um titulo que os recompensará por completo com inúmeras imagens de total destruição devastadora e consegue criar realmente a ideia de que o mundo acabou de vez [“Dragon Head“] contém tudo o que esperam nessa capítulo.

A forma como este filme japones nos apresenta o fim do mundo é não só perfeita como cria aquela ideia de que não há mesmo salvação possível ou forma de tudo poder voltar a ser como era, o que contribui imenso para uma excelente sensação de realísmo em toda a narrativa e nos agarra ainda mais ao destino dos personagens.
É que aqui ao contrário de por exemplo “2012“, quando acaba o mundo acabam também os telemóveis. Quando muito sobrevivem as baratas e estas ainda não têm SMS incorporado.

As interpretações do filme são algo histéricas e farsolas, pá, pois são. E depois ?
[“Dragon Head“] é como um bom série-B com ambiente de grande produção em versão cinema oriental que não precisa mais do que um par de personagens-tipo que façam avançar o mistério. O que para mim contradiz logo também a ideia de algumas pessoas no Imdb quando dizem que o filme não tem história.
Se calhar não tem, mas tem tão pouca história quanto um bom filme do “John Carpenter” e esses também não precisam de ser mais do que são para geralmente serem filmes excelentes.
A recordar-me algo, [“Dragon Head“] recorda-me os melhores momentos do realizador de “The Thing” e isso agradou-me desde o início.

Esta ideia que muitas pessoas parecem ter de que para um filme resultar tem que obrigatóriamente ter um estilo espectacular e uma história que vai de A a B e termina em Z com tudo muito bem explicadinho, causa-me mesmo confusão. Houve um tempo em que as coisas não eram assim e pelo menos até ao final dos anos 80 esse tipo de conceito não parecia estar entranhado na cabeça do público que hoje parece que não consegue ter mais atenção para qualquer coisa que não se pareça imediatamente com um videogame cheio de estilo MTV.
[“Dragon Head“] a ser alguma coisa é um bom e velho série-B na melhor fórmula anos 80 mas conseguido através do recurso a técnologia moderna para elevar no ecran aquilo que óbviamente nem terá sido um orçamento muito alto.

A haver alguma coisa má neste bom filme asiático, na minha opinião, isso reflete-se  na maioria dos personagens secundários. São todos demasiado excêntricos como se depois do fim do mundo não restassem pessoas normais e toda a gente se transformasse em malucos psicopatas…por outro lado eu também nunca passei pelo fim do mundo por isso é melhor não comentar muito mais.
No entanto achei que o estilo road-movie ficou um bocado estragado por causa das excentricidades que os protagonístas vão encontrando pelo caminho.

O argumento perde um bocado por causa desses personagens secundários, pois a partir de certa altura parece que eles dividem demasiado o filme em episódios que acabam por não resultar num todo. O que faz com que [“Dragon Head“] mais pareça uma colagem de vários episódios de 20 minutos com estilos diferentes do que própriamente um filme com principio, meio e fim. E claro que o final episódico em estilo aberto também deixa alguma insatisfação. Não porque não conclui verdadeiramente a história que seguimos mas porque nos deixa com vontade de continuar a ver a odisseia dos protagonístas e depois não há mais para ver. Com muita pena minha.

Parece que [“Dragon Head“] é uma adaptação de mais uma Manga japonesa do mesmo nome. Assim sendo, é possivelmente um dos melhores filmes asiáticos baseados numa banda-desenhada oriental que vi até hoje, pois normalmente as adaptações de Manga ou Anime que me passaram pela frente foram sempre muito más enquanto filme, salvo raras excepções.
Agora fiquei com vontade de ler a banda-desenhada pois se o filme estiver bem adaptado gostava de saber como termina a história, pois muita coisa fica no ar. Confirma-se a razão da catástrofe ? O mundo acabou mesmo ?

São questões que ficam pendentes mas que nem por isso tornam este pequeno grande filme catástrofe num produto menor.
Bem pelo contrário, pois toda a incerteza que deixa seria a mesma que teriamos se estivessemos realmente a viver o desastre ao lado dos protagonístas e como tal quando o filme segue essa estrutura seria depois irrealístico vir no final explicar tudo muito bem explicadinho.

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CLASSIFICAÇÃO :

Isto para mim é sempre complicado atribuir uma classificação alta a este tipo de filmes FC orientais, quando “Natural City” é um dos meus filmes favoritos de todos os tempos e no entanto aqui nem sequer lhe dei uma nota totalmente fantástica.
Sendo assim [“Dragon Head“] não será um filme oriental que irei rever tantas vezes quanto já revi “Natural City” mas acho que merece mesmo assim mais meia tigela de noodles do que esse meu filme favorito pois penso que tem realmente menos falhas enquanto produto.
Enquanto dura é uma história totalmente cativante se gostam do género catástrofe e procuram um cataclísmo misterioso em vez de uma sessão de efeitos especiais CGI.
Cinco tigelas de noodles, pois apesar das suas falhas diverti-me á brava com isto e nem dei pelas duas horas passarem. Poderá não ser tão bom a uma segunda visão mas por agora tenho que dizer que me surpreendeu mesmo bastante e recomendo-o a quem procura um bom filme deste tipo dentro do cinema japonês ou cinema asiático em geral.

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A favor: tem uma atmosfera de mistério constante que cativa o espectador que não procure um filme de porrada ou de efeitos CGI, alguns bons momentos de suspanse, sabe usar pequenos cenários extendidos por matte-paintings para criar um ambiente vasto de exteriores, o ambiente de devastação é total, tem imensas sequências apenas ilustrando a destruição de tudo o que nos rodeia, muito cadáver e sangue quanto baste por todo o lado, o par protagonista embora algo histérico é cativante, tem um bom sabor a cinema de “John Carpenter” pela forma como a narrativa não tem pressa de ir a lado nenhum e demora o seu tempo a criar atmosfera, é um filme moderno com sabor a série-B dos anos 80, é mais cativante que todos os blockbusters de Rolland Emerich juntos,  é um filme bem mais interessante do que parece á primeira vista pelo cartaz algo foleiro e formulático.
Contra: falta-lhe alguma força emocional e não nos cativa propriamente por esse aspecto, tem uma estrutura episódica que não resulta plenamente por causa da excentricidade de practicamente todos os personagens secundários sobreviventes, deixa-nos com vontade de continuar a ver mais um bocadinho e não há mais. O titulo [“Dragon Head“] soa um bocado estúpido pois parece mais um nome de uma banda Heavy-Metal pirosa e cria a ideia de que este filme oriental será pior do que na realidade é.

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
Fica aqui o trailer mas não recomendo que o vejam antes de verem o filme pois grande parte do fascínio está precisamente em irem descobrindo as coisas com os personagens e ainda não terem visto nenhumas imagens do que sucede. Estão por vossa conta mas o trailer contêm *SPOILERS*

Comprar
Dragonhead (2pc) (Ws Dub Sub) [DVD] [2005] [Region 1] [US Import] [NTSC]

ou aqui
http://www.yesasia.com/global/dragon-head-us-version/1004415210-0-0-0-en/info.html

Podem no entanto espreitá-lo antes se o forem buscar aqui (legendas em Inglés)

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0384055/

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Filmes semelhantes de que poderá gostar:

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Isto para mim é sempre complicado atribuir uma classificação alta a este tipo de filmes FC orientais, quando “Natural City” é um dos meus filmes favoritos de todos os tempos e no entanto aqui nem sequer lhe dei uma nota totalmente fantástica.
Sendo assim [“Dragonhead“] não será um filme que irei rever tantas vezes quanto já revi “Natural City” mas acho que merece mesmo assim mais meia tigela de noodles do que esse meu filme favorito pois penso que tem realmente menos falhas enquanto produto.

Pandora´s Booth (Pandora´s Booth) Derek Yee (2009) China


Da mesma forma que “My Sassy Girl” inventou um novo género no cinema sul coreano e gerou inúmeros clones desde o seu lançamento, também “Il Mare” parece continuar a definir um estilo á parte dentro do cinema romântico oriental e [“Pandora´s Booth“] é mais um bom exemplo deste género de histórias que envolvem romances através do tempo.

Tivemos “Il Mare” com uma caixa do correio, “Ditto” com um aparelho de rádio-amador, “Secret” com uma partitura de piano e agora é a vez de uma cabine telefónica que permite uma breve comunicação com o passado e tem um papel importante num romance de consequências dramáticas em duas épocas distintas.

Essencialmente se vocês já viram “Il Mare” já sabem com o que podem contar agora em [“Pandora´s Booth“]. A estrutura é mais ou menos a mesma, mas de todos os clones (assumidos ou não assumidos) do conceito original dentro do cinema oriental este é o filme com características mais adolescentes e como tal poderá não agradar totalmente mesmo a quem gostou muito de “Il Mare”.

A história de amor é interessante, mas a meio do filme começamos a perder a paciência para as birras hormonais do protagonísta masculino que parece agir de forma algo errática mesmo havendo alguma justificação para tal e sendo assim o romance perde alguma força pois o espectador mais crescido deixará certamente de se identificar com o namorico adolescente e isso retira logo grande parte do impacto dramático daquilo que deveria ser acima de tudo uma boa história romântica envolvendo também um lado adulto.

Essencialmente em [“Pandora´s Booth“] acompanhamos a história de um técnico de electricidade, divorciado, com uma filha adolescente e uma má relação com a ex-mulher.
Ao fazer a ronda por uma área da cidade, numa noite de tempestade aparece-lhe “por magia” uma velha cabine telefónica onde 30 anos antes ele costumava telefonar quando namorava na adolescência e o inesperado acontece.

Ao encontrar um velho contacto, o homem liga para esse número e logo descobre que quem atende do outro lado é a sua jovem paixão de há trinta anos atrás que julga no entanto estar a falar com a versão adolescente do electricista.
A partir daqui as peripécias sucedem-se e se vocês viram “Il Mare”  já estão a perceber o que se irá passar até ao final desta história, algo inóqua  em emoção mas não menos interessante pois se gostam deste tipo de histórias irão passar também bons momentos com esta. Não deslumbra mas segue-se com interesse.

Não será o mais fraco de todos os filmes semelhantes, (pois gostei menos de “Secret” por exemplo), mas poderia ter sido bem melhor. Porém isso também se deve ao facto de nem chegar a ter 90 minutos sequer e mesmo assim tentar ter uma história complexa e cheia de pequenas pistas e detalhes que servem para criar o inevitável “twist” destinado a surpreender o espectador. No entanto quase não temos tempo para pensar nelas devido á velocidade da própria narrativa e como tal quando as revelações começam  ficamos com a sensação de que parecem cair do céu pois ainda não tivemos tempo de interpretar as pistas e isso retira logo muito do interesse que o filme poderia ter conseguido manter.

Não fiquei particularmente fascinado com [“Pandora´s Booth“] mas gostei muito da reviravolta final pois não esperava que os argumentistas entrassem por aquele caminho, até porque eu nem sequer tinha dado muita importância a um diálogo que acontece a meio da história e já pensava que o filme iria acabar com a resolução da relação entre o protagonista e a mulher. Bom pormenor, pois é precisamente este tipo de coisas que me fazem gostar de acompanhar o cinema asiático e em particular aumentar o meu fascinio pelas histórias românticas contadas pelo cinema oriental por muito comercial que este seja.
No entanto se este filme tivesse tido mais vinte minutos para colocar tudo de uma forma mais calma se calhar teria permitido que o espectador entrasse mesmo muito mais dentro do mistério.  Assim com 87 minutos quase que obriga a que nós não consigamos interiorizá-lo como o deveriamos poder fazer para disfrutar da sua premisa.

Não acho que este filme oriental tenha algo particularmente de errado. É uma produção Chinesa e por isso o romance tem um tom diferente do que costuma existir nas histórias de amor Sul Coreanas. Pela minha parte não consigo deixar sempre de sentir que falta algo no cinema romântico deste género quando produzido na China, onde salvo raras excepções (“Fly me to Polaris” , “An Empress and the Warriors” , “In the Mood For Love“) pouco me costumam cativar emocionalmente. No entanto [“Pandora´s Booth“] é um filminho asiático muito interessante que se recomenda a toda a gente que gosta do estilo “Il Mare” e não se importa de ver mais uma história semelhante embora fique muito, mas muito atrás do produto original em todos os sentidos pois limita-se a contar a história quase em piloto automático sem dar tempo para que os personagens ganhem uma personalidade que cative o espectador.

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CLASSIFICAÇÃO:

Não recomendo que vão a correr ver este filme mas se estiverem numa de procurar mais uma história de amor através de viagens pelo tempo têm aqui um produto simpático dentro do cinema oriental.
Não tem nada verdadeiramente mau, nem de verdadeiramente extraordinário. Tem no entanto a audácia de tentar criar um ambiente romântico asiático usando persistentemente “As Time Goes By” como tema de amor o que não deixa de ser um pormenor mesmo curioso pois até nem se sai nada mal com esse atrevimento se vermos isto por uma perspectiva de cinéfilos puristas.
Poderão ver por aí coisas muito piores e sendo assim não há muito mais a dizer sobre [“Pandora´s Booth“].
Trés tigelas de noodles. Bom filminho.

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A favor: é mais uma boa história no estilo de “Il Mare” mas só no estilo de premisa, tem um pequeno “twist” final bem imaginado embora simples, apesar de algo inóquo em emoção ainda tem um par de cenas românticas genuínamente naturais e cativantes, usa e abusa de “As Time Goes By” como banda sonora e sai-se bem com isso.
Contra: tem uma duração demasiado curta para poder desenvolver bem as pistas que apresenta e como tal quando as surpresas acontecem ainda o espectador não teve tempo de digerir o que se passou anteriormente e as coisas parecem cair do céu quando na realidade se virem [“Pandora´s Booth“] uma segunda vez até reparam que contém muita coisa em que não reparam á primeira, devido á velocidade do próprio filme para tudo caber em menos de 90 minutos os personagens perdem-se um bocado por serem demasiado esquemáticos e nunca chegam a cativar muito o espectador, a versão adolescente do protagonista do filme é algo irritante e por momentos quase que transporta a história de amor teen para um patamar de telenovela pirosa que o filme não pedia.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer:
Não encontro o trailer disto em lado nenhum.



Comprar
Está á venda na Play-Asia a bom preço.
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7j-49-en-70-3msp.html

Podem no entanto ir buscá-lo aqui para ver se gostam.

IMDB
Não está sequer ainda listado no IMDB.

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Outros títulos semelhantes de que poderá gostar:

Il Mare ditto_capinha_73x Fly me to Polaris Be With You
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Heung joh chow heung yau chow (Turn Left Turn Right) Johnnie To/Ka-Fai Wai (2003) China


Desde o início deste blog que ando para falar neste filme asiático mas até agora nunca me apeteceu verdadeiramente escrever sobre ele e nunca percebi bem porquê.
Sendo assim, agora é que é e portanto bem-vindos a [“Turn Left, Turn Right“], provavelmente uma das histórias de amor mais – simpáticas – que encontrarão no cinema oriental.

Simpática, é mesmo a palavra certa para descrever esta história. É que o filme na verdade nem tem nada que o destaque pela negativa e talvez a pior coisa que se pode dizer de [“Turn Left, Turn Right“] é que podia ser um filme americano e não se notaria grande diferença.
Na verdade, agora que penso nisso, é bastante semelhante até ao posterior “Serendipity” com John Cusak…será coincidência ?

É complicado falar desta obra pois a descoberta dos seus pormenores é uma das grandes mais-valias deste filme oriental e não gostaria de revelar demais.
Acima de tudo, [“Turn Left, Turn Right“] tem mesmo muito boa onda e esse sentimento está sempre presente ao longo da sua duração o que lhe dá um charme muito especial e o distingue de tantas outras tantas histórias de amor que poderão encontrar no mercado.

A ideia para o argumento é extremamente simples mas está mesmo muito bem aproveitada e todo o filme tem uma estrutura milimétrica no desenvolvimento da narrativa que é absolutamente fascinante pela forma como usa os pequenos detalhes para nos agarrar, conseguindo manter um suspanse de roer as unhas  de cada vez que o destino troca mais uma vez as voltas aos protagonistas das formas mais imaginativas e inesperadas evitando novamente o seu reencontro até um ponto em que o espectador já nem sabe quando (ou se) este irá mesmo acontecer.

Á medida que a história avança, os pormenores divertidos multiplicam-se e os inúmeros caminhos cruzados que dão vida ao argumento tornam-se cada vez mais hipnotizantes não nos deixando tirar os olhos da história até ao seu desenlace final.
A maneira como duas pessoas vivem duas vidas semelhantes absolutamente paralelas chega até a dar que pensar se alguma vez  não nos terá acontecido algo semelhante naquele sentido em que se calhar já nos cruzamos com uma pessoa importante na nossa vida mas que nunca nos tocou por nunca termos sequer reparado nela.

Depois temos um final completamente alucinado ao melhor estilo oriental que só não estraga o filme porque quando tudo acontece o espectador já nem se importa com o que vê pois nessa altura só desejamos poder entrar para dentro do filme e juntar de uma vez por todas o par de protagonistas depois de acompanharmos tantos desencontros sucessivos.

Sem revelar muito disto, [“Turn Left, Turn Right“] conta a históra de duas pessoas, um rapaz e uma rapariga que vivem paredes meias em dois apartamentos contiguos mas nunca se encontram pois ambos saiem sempre de casa por portas diferentes e em direcções diferentes.
Um dia encontram-se num jardim, apaixonam-se trocam números de telefone e cada um vai á sua vida.

Entretanto o destino intervém e ambos perdem os contactos um do outro, nunca suspeitando que na realidade sempre foram vizinhos durante o tempo todo e continuam inclusivamente a dormir com a cabeça encostada á mesma parede todas as noites.
O tempo passa e após tentarem individualmente voltar a encontrar o outro sem qualquer resultado eis que surgem nas suas vidas duas novas pessoas.

Na vida do rapaz, entra agora uma entregadora de pizzas viciada em futebol completamente alucinada que imediatamente se apaixona por ele uma noite quando vai a sua casa e depois desse dia parece nunca mais descolar do local para desespero do jovem.
Na vida da rapariga surge um médico de sucesso que claro se interessa por ela romanticamente e que é capaz de tudo para a conquistar.
As coisas complicam-se ainda mais quando a entregadora de pizzas e o médico descobrem o interesse mútuo do par romântico um pelo outro e é aqui que o filme ganha um novo ângulo quando eles resolvem unir-se para se certificarem que os dois protagonistas nunca se possam mesmo encontrar.

Como se o destino já não fosse suficientemente cruel quando encena os mais geniais desencontros do par ao longo do filme, os dois eternos desencontrados ainda têm que contar com a verdadeira sabotagem romântico-terrorista dos seus respectivos obcecados pretendentes que não olham a meios para evitar que os dois apaixonados descubram que afinal vivem no prédio contíguo um do outro.

Obviamente que já estão a ver como tudo isto vai acabar; no entanto não imaginam os pormenores que os levarão até ao inevitável (?) final e que conseguem fazer com que [“Turn Left, Turn Right“] mantenha um suspanse absolutamente delirante até ao ultimo segundo quando tudo se resolve da maneira mais inesperada e completamente fora do contexto de uma forma que os irá surpreender e divertir.

Aliás, um pormenor curioso deste divertido filme oriental, é também o facto de mesmo a uma segunda ou terceira visão quando já sabemos de cor tudo o que acontece, damos no entanto por nós novamente em suspanse como se o estivessemos a ver pela primeira vez.
Isto só valoriza o discreto mas muito eficaz trabalho do realizador pois a sua gestão de todos os pormenores da história e a maneira como filma o argumento é absolutamente perfeita e resulta plenamente para divertimento do espectador.

Uma nota final para os actores e personagens. O par romântico embora não se afastando muito do habitual é totalmente cativante e credível no seu desespero apaixonado e isto ainda fica melhor quando como contraponto tem o par secundário de sabotadores-românticos num registo cartoon-Manga e que impede que o filme caia numa repetitição em que facilmente poderia ter resvalado tendo em conta a própria base labirintíca do argumento que assenta essencialmente no mesmo tipo de desencontros.

[“Turn Left, Turn Right“] não tem pontos negativos dignos dessa conotação.
Não é um filme asiático brilhante, falta-lhe algo para se tornar imprescindível pois talvez tenha tentado ser demasiado internacional para apelar ao mercado americano, mas não se pode negar que é um filme cativante e se calhar não precisa mais do que isso para ser mais uma história de amor totalmente recomendável e que fica muito bem em qualquer colecção romântica oriental.

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CLASSIFICAÇÃO:

Falta-lhe algo para ser inesquecivel mas é uma excelente comédia romântica cheia de personalidade e totalmente recomendável a quem procura algo do género e já viu tudo o que tenho recomendado.
Quatro tigelas e meia de noodles pois de certa forma é mais uma história de amor imprescindível.

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A favor: o argumento labirintico e a forma como cruza os diversos caminhos do destino dos protagonistas, os personagens da entregadora de pizzas+médico alucinados e os seus planos para evitarem o reencontro dos protagonistas, mantém o suspanse até ao final e agarra-nos mesmo que já tenhamos visto o filme muitas vezes antes, o desenlace é completamente estúpido pela falta de contexto na história que até então vimos mas resulta de uma forma genial e até hilariante por ser tão inesperada, é uma comédia romântica com muito charme e excelentes personagens não só secundários como até terciários se contarmos com a história de amor paralela envolvendo os senhorios dos protagonistas.
Contra: não tem nada que lhe dê uma identidade particularmente oriental e esforça-se demasiado por se parecer com um filme comercial americano dentro do estilo romântico. Não havia necessidade mesmo a produção estando ligada a uma Major americana como está.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailers
http://www.youtube.com/watch?v=bDP85dOe9BM
http://www.youtube.com/watch?v=8WyO77qW79A

Comprar
Infelizmente neste momento parece que o dvd está esgotado em todo o lado e já não vão encontrar á venda a edição que eu tenho. Cuidado com a edição japonesa do filme que ainda se encontra á venda pois não tem legendas em inglés.
Podem no entanto ver o filme se o forem buscar aqui. E a sua banda sonora também.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0367174/

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Outros títulos românticos recomendados:

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Minyeo-neun goerowo (200 Pounds Beauty) Yong-hwa Kim (2006) Coreia do Sul


Para quem gosta de cinema oriental porque esta cinematografia consegue na maioria das vezes criar produtos comerciais sem deixar de ter uma identidade própria vai achar o filme seguinte algo ambiguo.

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Possivelmente a pior coisa que se pode dizer sobre [“200 Pounds Beauty“] é que podia ser uma produção americana e  não se notava grande diferença.
A história é tipicamente aquela que se costuma encontrar naquelas comédias sem graça nenhuma made-in-hollywood e como tal ainda se torna mais surpreendente descobrirmos que este foi o filme mais rentável de sempre na Coreia do Sul na altura em que estreou no cinema por aquelas bandas. Inclusivamente bateu o recorde de bilheteira de “My Sassy Girl” o que ainda me faz mais confusão.

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Não que [“200 Pounds Beauty“] seja um filme oriental abjecto, porque não o é, mas não deixa de ser uma produção estranha porque na verdade não tem absolutamente nada que o destaque da habitual história telenoveleira sem imaginação e sendo assim ter tido tamanho sucesso é algo que sinceramente me ultrapassa.
A história não tem interesse, o final é do mais previsivel possível, sem qualquer twist daqueles mágnificos que costumamos encontrar no cinema romântico da Coreia do Sul e os personagens são de cartão, pois salvo uma ou duas excepções estão desprovidos daquela alma que costuma caracterizar as produções Sul Coreanas no que toca a cinema romântico.

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Até o sub-tema da história está repleto de clichés do costume. Se tal como eu, já não podem mais com a típica história da jovem aspirante a Britney Spears que quer ser cantora pop famosa e até atingir a fama passa pelas habituais atribulações de estúdio, managers, starlets rivais aramadas em divas e facadas nas costas em geral, então se calhar é melhor não se aproximarem deste filme pois é um verdadeiro catálogo de lugares comuns e ao contrário de filmes bem mais simples dentro do cinema asiático como “Midnight Sun“, em que o mesmo sub-tema também é parte fundamental do argumento, aqui em [“200 Pounds Beauty“] não há paciência para tanto estéreotipo.

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Isto porque esses lugares comuns, acabam por empacar a parte central da história o que faz com que o filme se arraste mais do que deveria e faz com com que as supostas partes cómicas se percam por entre algo que nunca se percebe se pretende ser uma comédia ou um drama de pacotilha.
É que parece que supostamente [“200 Pounds Beauty“] seria uma comédia.

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Na verdade enquanto comédia tem um par de bons momentos e uma ou duas piadas que poderão arrancar uma gargalhada a alguém que já não estiver a bocejar no momento em que as partes de humor aparecem na história, mas se isto é suposto ser uma comédia romântica oriental, tem na verdade muito poucas partes que nos façam realmente rir.
E talvez porque o grande problema seja a falta de identificação do espectador com os personagens, pois ao contrário do que é costume, estes não passam de bonecos de cartão na sua maioria e por isso se não nos importamos muito com eles também pouca graça têm as suas desventuras.

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Essencialmente [“200 Pounds Beauty“] conta a história de uma rapariga muito gorda que apesar de cantar fabulosamente bem nunca poderá ter uma carreira musical por causa da sua aparência.
No entanto a miuda é a verdadeira voz por detrás da imagem da estrela do estúdio. Uma tipa insuportável, estilo Britney Spears oriental mimada e que se arma em diva a todo o instante. Afinal o mundo não suspeita que esta apenas se limita a fazer playback das canções gravadas pela miuda gordinha que vive na sombra de um sucesso que deveria ter sido o seu.
Já estão a bocejar ?

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Agora vem a melhor parte, um dia por milagre da ciência a rapariga obesa, recorrendo á cirurgia plástica perde todos os quilos em excesso e transforma-se numa verdadeira modelo, o que óbviamente vai colocar em risco o reinado da starlet diva, pois nesse momento as atenções de todos começam a virar-se para a nova descoberta, pois afinal não só é uma rapariga lindíssima como ainda por cima canta bem e a sua imagem já está de acordo com o padrão de beleza aceite para as estrelas da música pop. No entanto há um segredo por revelar. Ninguém sabe que a nova cantora anteriormente fora a jovem gorda que entretanto um dia sumiu de circulação.
Claro que pelo meio disto tudo, há um triangulo amoroso, pois um dos produtores do estúdio é o típico jovem executivo de sucesso pelo qual as duas rivais se apaixonam e portanto já estão a ver no que vai dar.

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Pontos positivos.
Ao contrário do que tudo isto prenuncia e ao contrário do que se calhar parece no trailer, [“200 Pounds Beauty“] não é uma daquelas comédias que explora a obesidade para fazer rir.
Ou melhor, ao contrário do que seria de esperar se fosse uma produção americana, por acaso este filme Sul Coreano consegue surpreender nesse aspecto e o personagem da miuda gorda nunca é ridicularizado, ou usado de uma forma mais abusiva no que toca a gags que envolvem a sua obesidade.

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Na verdade as melhores partes do filme até estão nas sequências iniciais em que o personagem ganha uma humanidade que depois infelizmente se perde no momento em que a rapariga se torna uma gaja boa porque todo o desenvolvimento do argumento se torna absolutamente previsível.
Mas é sempre positivo, encontrarmos numa comédia que se centra nas consequências da obesidade o cuidado em tratar o tema de uma forma menos óbvia do que seria de esperar.

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Apesar do argumento débil e estrutura de história muito óbvia, [“200 Pounds Beauty“] consegue no entanto colocar bem a questão da importância da imagem e das consequências da obesidade nas mulheres no que toca ao seu relacionamento com o mundo moderno e talvez tenha sido isso que tornou este filme um sucesso tão grande na Coreia do Sul pois aparentemente muitas raparigas se identificaram com o personagem ao ponto de terem esgotado bilheteiras para verem uma história que de outra forma não teria absolutamente mais nada que a destacasse.

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[“200 Pounds Beauty“] poderia ( e deveria ) ter sido muito melhor. Talvez o seu único grande problema é que nunca se torna uma história que nos verdadeiramente nos envolva emocionalmente e como tal a suposta parte romântica soa a plástico por todo o lado, o que anula qualquer identificação do espectador com os personagens. Se esperam encontrar aqui aquela poesia e emoção de um “My Sassy Girl” nos momentos finais, esqueçam.
Tem momentos em que parece que finalmente o romance nos vai agarrar mas depois perde-se igualmente em lugares comuns que se tornam ainda mais banais por tudo se passar num meio musical onde inevitávelmente levamos com a habitual banda-sonora ao melhor estilo Celine Dion versão oriental e onde não falta o momento de glória da protagonista.

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Uma coisa gira no entanto é realmente a transformação da actriz que faz de miuda gorda. O fato de obesidade com que a caracterizaram é realmente muito bom e temos que fazer pausa no dvd para nos certificarmos de que é realmente a mesma actriz quando esta depois a meio da história perde as dezenas de quilos a mais.

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CLASSIFICAÇÃO:
Apesar de tudo é uma boa comédia romântica oriental made in coreia do sul.
Não tem nada que a destaque e por vezes torna-se bocejante e até irritante pela sua previsibilidade e falta de alma. Mas a maneira como trata o tema da obesidade e a sua relação com os estereotipos de beleza no mundo moderno dá-lhe uns pontos a mais.
É um filme oriental fofinho mas ao contrário do habitual não agarra o espectador. Aposto que não irá agarrar nem aqueles que gostam de histórias de amor fofinhas, pois infelizmente o filme nunca se define bem. Não sabemos se pretende ser uma comédia (sem grande humor) , um drama telenovelístico, ou uma história de amor. Fica a meio termo entre todos os géneros e perde muito por isso.
De qualquer forma, trés tigelas de noodles porque é um daqueles filmes asiáticos porreiros para ser visto com toda a familia num domingo á tarde quando estiver a chover.
No entanto poderá agradar áquelas pessoas que se identificarem mesmo muito com a protagonista e se assim for até podem acrescentar uma tigela á minha classificação.

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A favor: a maneira como o argumento trata a obesidade da protagonista nunca a utilizando para gags desumanizantes ou apenas rídiculos, o fato de miuda gorda está muito bem feito e nunca parece a mesma actriz quando a vemos depois já magrinha, tem alguns momentos de humor divertidos, é um filme romântico mediano mas que se vê muito bem.
Contra: o argumento é banal, os personagens são na sua maioria estereotipos que se perdem ainda mais na história completamente previsível, nunca se define se pretende ser uma comédia, um drama ou uma história de amor, é um filme musical sem nunca o ser na sua plenitude e se calhar deveria ter entrado mais por aí, a parte romântica não nos emociona e é pena.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER
http://www.youtube.com/watch?v=Cj4ZGKanyJ4&hl=pt-BR

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COMPRAR
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7h-49-en-15-200+pound+beauty-70-25gt.html

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0940642/

DOWNLOAD
http://www.movieloo.info/2009/07/200-pounds-beauty-2006-dvdrip.html

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Outros títulos românticos recomendados:

Be With You My Sassy Girl Il Mare The Classic Fly me to Polaris

Love Phobia concerto_capinha_73x cyborg_she_capinha_73x

ditto_capinha_73x midnightsun_capinha my_girl_and_i_minicapinha

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