Missing (Missing) Tsuy Hark (2008) China


Parece que ultimamente ando a dar nos filmes sobrenaturais/terror mas tem sido pura coincidência.
Na minha busca por histórias originais procuro sempre ver aquilo que mais me desperta a atenção e neste caso isso trouxe-me agora até [“Missing“].
Se eu procurava originalidade, originalidade foi aquilo que obtive o que só prova que se calhar ás vezes não é boa ideia conseguirmos aquilo que queremos.

Sabem aqueles filmes que nunca mais acabam ?
Aqueles que parecem durar para sempre, não por serem chatos mas porque de cada vez que nos preparamos para nos levantarmos da cadeira parece que afinal ainda há mais qualquer coisa para ver, e depois mais qualquer coisa, e mais e mais…
E mais.
E finalmente…
Ainda mais.
[“Missing“] é um desses filmes, mas testa a nossa paciência até ao limíte de uma forma que ainda não tinha encontrado.
Não há nada de errado com twists e reviravoltas quanto baste quando temos pela frente uma história que nos agarra. O pior é quando o argumento de um filme é tão desconjuntado e sem ponta por onde se lhe pegue que uma pessoa fica farta.
[“Missing“] é um filme assim. É a versão cinematográfica do Coelho da Duracell só que em versão “pilha dos chineses“.

E pior ainda é quando ficamos fartos, não porque a história seja desinteressante, mas porque na realidade tem tanto potencial que se torna extremamente irritante estarmos a acompanhar a sua total destruição no ecran sem conseguirmos tirar os olhos dele porque apesar de tudo há sempre mais qualquer coisa a surgir para nos tentar trocar as voltas.
Eu só me pergunto, com tanto que poderia ter sido feito á volta do primeiro argumento para cinema sobre as fantásticas ruínas de Yonaguni e o melhor que sai cá para fora á volta deste polémico e fascinante tema é um filme como [“Missing“] ?!! Mas que raio é isto ?!!

E menos ainda compreendo quando inclusivamente parece que a produção se deu ao trabalho de filmar sequências subaquáticas nas próprias ruínas de Yonaguni, que tem inclusivamente fama de não ser um local nada fácil para se mergulhar.
Para quê ?! [“Missing“]  poderia ter sido passado á volta de umas ruínas fictícias quaisquer filmadas no fundo de uma piscina em Hong Kong que não faria qualquer diferença para a história e eu detesto este sub-aproveitamento de potencialidades em cinema. A última foi a do Michael Bay no Transformers-3 quando usa a fascinante polémica da Apollo 11 + supostas ruínas lunares para introduzir mais robots gigantes para outra sessão de porrada, mas de hollywood já não se espera muito no que toca a imaginação.
A verdade é que [“Missing“] é uma desilusão e não é apenas por causa do sub-aproveitamento de Yonaguni. Seria bom que o fosse.

Começa muito bem, o genérico promete, a estética do filme tem qualquer coisa de estranho mas com uma boa identidade visual, os personagens parecem interessantes á partida e isto para não falar de toda a atmosfera que se gera logo á volta do mistério de Yonaguni e das boas cenas de mergulho captadas no local.
Vinte minutos depois do início, começamos a ter indícios de que qualquer coisa estranha se está a passar com o argumento mas nada nos prepara para a confusão geral de temáticas, géneros e ideias que nos cairá em cima no par de horas seguintes culminando naquele final absolutamente interminável que dura e dura e dura e dura …

Mas afinal o que há de tão errado em [“Missing“] ? Bem, na verdade tudo.
Na ideia de serem os mais originais possíveis, os criadores deste filme parece que se excederam um bocadinho e misturaram géneros que vistos isoladamente até poderiam ter funcionado bem, mas tal qual certos ingredientes nunca se conseguem misturar naturalmente numa receita, também aqui o bolo sai algo indefinido.

[“Missing“] (não) tenta ser um filme de aventuras, (não) tenta ser um filme de terror, (não) tenta ser um filme sobrenatural, (não) tenta ser um filme romântico e consegue falhar em tudo. Quanto mais houvesse mais este filme falharia redondamente e a partir de certa altura torna-se quase angustiante assistirmos aquilo que mais parecem tentativas do realizador e do argumentista para remendar um barco a se afundar do que a outra coisa qualquer e o pior é que parecem não querer desistir ! E dura, e dura, e dura…

Não é que o filme tenha falta de ritmo, o problema está mesmo na falta de ligação entre as ideias.
Como filme de aventuras (até mesmo ficção-científica) é nulo, continua como filme sobrenatural mas não se percebe qual é a ideia afinal, finalmente entra pelo filme de terror mas mais parece uma comédia que não dá vontade de rir e muito menos mete medo (embora contenha um susto excelente pelo meio) e termina em estilo thriller de acção com uma pitada de twilight zone que não tem ponta por onde se lhe pegue. Muito menos o tão esperado twist tem qualquer impacto pois nessa altura o espectador já está tão farto de tentar aturar esta história pela sua incoerência que já nada importa.
Mas a coisa não acaba aqui.

Depois da reviravolta final, ainda entra pelo drama psicológico durante alguns minutos e depois acaba em força em estilo de drama romântico oriental com uma particularidade.
Vocês nunca viram história de amor mais rasca, vazia e banal do que esta. Banal e extremamente irritante !
Este filme faz coisas como “Duelist“, “Bichunmoo” e “Shinobi” parecerem épicos românticos !!!
Ao longo de [“Missing“] a colagem ao género love-story é notório, mas isto ganha contornos de epidemia num dos múltiplos finais da história onde a suposta relação amorosa dos protagonístas se calhar deveria colocar-nos a chorar.
Pois bem, falharam redondadamente.
Por esta altura a gente só quer que eles se lixem  !

Há muito tempo que não via um filme que assenta essencialmente numa história pretensamente carregada de romantismo com tanta falta de emotividade !
A propósito querem saber do que trata [“Missing“] ?
A sério ? Ok, está bem…já que tem que ser…

Uma rapariga conhece e apaixona-se por um rapaz que tem uma irmã, vão todos numa expedição de mergulho a Yonaguni onde o rapaz sofre um misterioso acidente e desaparece. Obcecada por saber o que afinal aconteceu ao amor da sua vida a rapariga vai tentar resolver o mistério que entretanto mete fantasmas bonzinhos, assombrações manhosas, zombies, doentes mentais, psiquiatras que comem na tromba, cientistas que não servem para nada na história além de serem apunhalados pelas costas, gajas alucinadas , fantasmas secundários e montes de amor e choradeira romântica a um ponto que os irá fazer ir ás lágrimas.
De tédio.

No final disto tudo, eis que descubro a razão porque o filme era assim.
Afinal tudo [“Missing“] é mais um filme de Tsuy Hark e eu ainda não tinha reparado !!!
Aliás, só notei agora quando o fui procurar no IMDB e não deixa de ser fascinante como mais uma vez outro dos piores filme orientais que vi na minha vida tem a assinatura deste mesmo realizador !! (?!!)
Nunca hei de entender tanta reverência á volta deste tipo. Acho que nunca vi um filme deste homem que não fosse um produto todo desconjuntado e nem sei como não tinha reconhecido o estilo antes !
Talvez porque estou mais habituado a Tsuy Hark a (tentar) filmar histórias medievais , arte-marciais ou de fantasia wuxia do que própriamente histórias de amor supostamente fofinhas e não deixa de ser interessante constatar que Tsuy Hark afinal também NÃO sabe fazer filmes de aventura, muito menos de terror e espero sinceramente que não volte a tentar fazer outra história de amor.
Se for esta a primeira história de amor oriental que tiverem o azar de ver na vossa vida, olhem que o género não é todo assim !!!

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CLASSIFICAÇÃO:

Talvez a pior história de amor oriental que alguma vez vi e um péssimo exemplo do género para aquelas pessoas que tiverem o azar de começar por aqui  quando em busca de dramas românticos.
Um dos piores e menos assustadores filmes sobrenaturais ou de terror que vi até hoje em qualquer cinematografia.
Uma história completamente desconjuntada sem ponta por onde se lhe pegue e com um final que irrita mais do que emociona. Ou melhor, não emociona nada ! A não ser que a irritação possa ser considerada uma verdadeira emoção saída desta história.
Muito, muito mau e não é de forma nenhuma a história que as ruinas de Yonaguni estavam a pedir há tanto tempo.
Uma tigela e meia de noodles. Na verdade só vale uma, mas dou mais meia por ser passado em Yonaguni um dos meus locais misteriosos favoritos do planeta e é sempre bom ver imagens do local.

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A favor: o genérico, as cenas subaquáticas em Yonaguni, tem uma identidade visual interessante, tem um susto excelente !
Contra: é um emaranhado de boas ideias totalmente mal desenvolvidas, falha em todos os géneros que tenta introduzir a martelo, como filme de terror é quase para rir, é o pior filme romântico que me lembro de ter encontrado em muito muito tempo, tem finais múltiplos que nunca mais acabam numa tentativa de remendar um argumento já totalmente afundado, a quimica romântica entre personagens é nula, Yonaguni não serve para nada.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailers
http://www.youtube.com/watch?v=Bpic0qKzr0c&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=Bpic0qKzr0c&feature=related

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Download aqui

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0896815/combined

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Filmes semelhantes de que poderá gostar

Hum ?!!!

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Do-Ma-Baen (Love Phobia) Kang Ji-eun (2006) Coreia do Sul


Não estava nos meus planos recomendar agora uma love-story mas no entanto, quando eu pensava que já nada me surpreendia dentro do cinema romântico Coreano eis que me aparece pela frente outro filme inesperado.
Chama-se [“Love Phobia“] e podem ter a certeza que não chegarão ao seu final sem apanharem algumas surpresas.

Para quem não conhece o género, o cinema romântico da Coreia do Sul tem normalmente algumas características que o tornam muito diferente dos habituais enlatados supostamente românticos made-in-Hollywood.
Para começar os trailers do cinema oriental, não têm a tendência de nos explicar como vai ser o filme todo e até nos escondem as surpresas da história e tudo, imaginem só !

Numa história romântica Coreana, nunca há qualquer garantia de que haverá um final feliz, embora isto não se traduza automáticamente numa história deprimente.
Apenas a noção de final feliz, não implica obrigatóriamente que o par da história tenha de ficar junto no fim e que depois os personagens vivam felizes para sempre sobe pena dos espectadores não gostarem do filme caso este não acabe assim.
Tudo pode acontecer até ao ultimo minuto de projecção, pois uma das características mais interessantes do cinema romântico coreano, é o facto de existirem muitos finais felizes em que inclusivamente acontecem as maiores desgraças aos protagonistas das histórias e no entanto o espectador acaba de ver o filme sentindo-se reconfortado, positivo, quase sempre identificado com os personagens mas principalmente dando por si a pensar em temas que jamais esperaria encontrar no momento em que se decidiu a espreitar um destes filmes de olhos em bico.
E isto, sem que esses temas lhe sejam atirados á cara estilo panfleto humanitário ao contrário do que é habitual no estilo contemporâneo de cinema comercial americano.

Em [“Love Phobia“] o próprio tema só se dá a conhecer quase no fim do filme e apenas quando este se torna essencial para a história. Até isso entrar em cena o espectador não imagina sequer o que lhe vai cair em cima !
E mesmo depois dessa parte se começar a desenrolar, as surpresas não ficam por aí pois de repente o espectador conhece respostas para perguntas que até esse momento nem fazia ideia que tinha e isto é uma das coisas mais empolgantes deste filme.

Tudo isto é muito dificil de explicar sem revelar aquilo que é precisamente a força do seu argumento.
Tal como nada é revelado no trailer (que até dá uma ideia banal da história), também eu não posso sequer comentar muito detalhadamente o que poderão encontrar pois estaria a estragar-lhes o filme todo.
Como habitualmente em filmes do género, o final divide opiniões.
Há quem entre no espírito e goste e há quem ache que deveria ter ido por outro caminho. Pela minha parte, não me chateia em absoluto qualquer cliché mais emocional quando tem por base uma história como esta que não se limita apenas a ser uma love-story por isso eu gostei embora não me tenha tocado tanto como seria de esperar.
Como tal, o resumo possível da história de [“Love Phobia“] é o seguinte:

Anos atrás duas crianças, um menino e uma menina conhecem-se na escola.
A menina que anda sempre com uma gabardine amarela, assusta todos os colegas da turma quando insiste em dizer que vem de um planeta distante e que carrega uma maldição pois quem lhe tocar pode sofrer muitos acidentes e até correr perigo de vida. O que vem a comprovar-se num par de sequências iniciais quando as pessoas á sua volta sofrem os mais variados acidentes de cada vez que lhe tocam.
No entanto o único que parece imune á maldição é o menino que fica cada dia que passa mais fascinado pela amiga.
Especialmente quando repara que ela habita num mosteiro á guarda de um misterioso monge do qual se sabe muito pouco.
Um dia o menino fica doente e quando volta á escola descobre que a menina nunca mais voltará a sentar-se ao seu lado pois simplesmente desapareceu e nem está mais no mosteiro ou na cidade.

10 anos se passam.
Agora com 18 anos, o rapaz, recebe um telefonema de uma rapariga que se vem a revelar como a sua antiga amiguinha que subitamente entra de novo na sua vida. Após o inicio de uma relação entre os dois, a rapariga volta a referir que vem de um planeta distante encontrando-se na terra apenas á espera que a sua nave a venha buscar no dia em que ela conseguir contactar outros da sua espécie, usando a ajuda do seu grupo de amigos. Um grupo de astrónomos amadores fascinados por crop circles mas que obviamente não a levam a sério apesar de também não saberem para onde ela vai quando desaparece da face da terra.
E como esperado, um dia a rapariga volta a desaparecer misteriosamente.
Mais 8 anos se passam e como anteriormente aconteceu, subitamente ela reentra na vida do rapaz aparecendo do nada. Isto  após ele ter passado anos a fio contratando detectives privados , tentando em vão, encontrá-la.
E pronto. Isto é o que se pode contar do início da história sem estragar o resto para quem não viu o filme.
Quem é a rapariga ? De onde vem ? Porque desaparece sempre durante anos a fio sem ninguém a encontrar ? Virá ela de um planeta distante ? O que tem tudo isto a ver com UFOs e crop circles ?

Sugiro que procurem as respostas em mais este filme que vai passar completamente despercebido em Portugal até que Hollywood resolva fazer também o remake disto. E acreditem que a história tem potencial.
Como filme em si, artisticamente nem tem nada por aí além.  Boa fotografia, uma realização que cumpre mas não deslumbra nem dá particular cunho pessoal ao filme, boas interpretações e pouco mais.
Mas a sua força está na originalidade da história e só por isso vale a pena e merece ser visto.

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CLASSIFICAÇÃO:

Um óptimo filme romântico que se recomenda vivamente.
Não é no entanto tão bom quanto por exemplo Il Mare, My Sassy Girl ou The Classic, talvez porque lhe falte qualquer coisa mais que nos ligue emocionalmente aos personagens. Talvez se a realização não fosse tão discreta.
No entanto é uma excelente love-story com muitas surpresas que valem mesmo a visão do filme.
Quem gosta do género não deve perder de forma alguma.
Leva por isso quatro tijelas de noodles.

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A favor: a história e as surpresas da mesma.
Contra: não fica na memória enquanto objecto de cinema a não ser pela história,  apesar da maneira original como trata o tema que aborda.

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NOTAS ADICIONAIS:

Podem espreitar aqui o trailer
http://www.youtube.com/watch?v=TizfWSTDoLw

Aviso:
Se estiverem interessados em ver isto como deve de ser, não leiam antes os inúmeros comentários sobre o filme que poderão encontrar no YouTube (ou no imdb), pois contêm inúmeros spoilers e estão lá posts que lhes vão destruir por completo todas as surpresas do filme e subsequentemente a sua força.

Encontrarão no entanto aqui um par de reviews sem *spoilers*:
http://www.asianmovieweb.com/en/reviews/love_phobia.htm
http://www.hancinema.net/korean_movie_Love_Phobia.php

[“Love Phobia“] embora á partida pelo trailer nem pareça um daqueles filmes particularmente especiais, conta também no entanto com alguns excelentes momentos de humor discretamente inseridos e que ajudam a humanizar ainda mais todos os personagens.
O filme está á venda aqui:
Boa edição com óptima imagem, excelente DTS e alguns extras, entre eles um making-of interessante.
Recomenda-se portanto.

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Filmes semelhantes de que certamente irão gostar:

Be With You My Sassy Girl Love Phobia The Classic Fly me to Polaris

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