“CITY OF LIFE AND DEATH” ( “Nanjing! Nanjing!”) Chan Lu (2010) CHINA


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“Warning: This film hurts”

Começa assim uma review no IMDb para [“City of Life and Death”] e provavelmente deveria ter sido esta a tagline oficial do filme, pois essencialmente a frase resume tudo.
Não podia ter havido melhor filme para eu regressar aqui ao blog depois de alguns meses de pausa e também para comemorar ter ultrapassado as 400.000 leituras; mas [“City of Life and Death”] está a revelar-se ser uma das reviews mais difíceis de escrever que já coloquei aqui nestes anos todos, pois é realmente um daqueles filmes que tem que ser visto.

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Se espreitarem abaixo a minha classificação final para este título vão encontrar uma nota máxima excedida com mais um Gold Award do que costumo atribuir quando um filme para mim rebenta a escala.
Tenho a certeza que não irão voltar a encontrar uma nota assim por aqui tão cedo pois não me deparo todos os dias com filmes assim.
Na verdade acho que nunca tinha visto nada como isto e já perdi a conta aos dramas sobre guerra que me passaram pela frente. Aliás tendo em conta que isto é um filme de 2010 ainda me pergunto como raio [“City of Life and Death”] me passou completamente ao lado. Só o vi agora porque encontrei o bluray na amazon Uk bem baratinho e resolvi espreitar sem saber nada sobre o filme. Mal sabia eu o que me ia cair em cima.

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[“City of Life and Death”] é para mim o melhor filme que até hoje recomendei neste blog sem qualquer sombra de dúvida. Se eu medir a minha admiração pelo cinema através do impacto que um título me provoca, (seja pela parte técnica, pela história e tudo mais), então este terá sido o filme que mais me marcou talvez nas últimas décadas e não estava nada á espera disto.
Não me lembro da última vez que vi um filme que tivesse transmitido uma empatia tão grande e criado uma tensão tal, a ponto de a meio eu ter que fazer uma pausa para poder respirar e aconteceu agora com [“City of Life and Death”].

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O filme narra os acontecimentos que levaram á devastação da cidade de Nanking em 1937 quando o sul da China foi invadido por tropas Japonesas com intenções expansionistas e é apenas baseado em relatos de sobreviventes, nos diários deixados pelos protagonistas da verdadeira história e na recriação das imagens documentais mais importantes que se conhece dos filmes contrabandeados na época para fora da região por membros do partido Nazi chocados com o massacre que ocorreu. Sim, Nazis chocados com o que viram.
Se nunca ouviram falar no tema, aposto que só com esta, ficaram curiosos.

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[“City of Life and Death”] recria umas boas dezenas de momentos dramáticos e de horror que se sucediam em Nanking quando um par de comandantes Japoneses decidiram exterminar toda a população com requintes de tortura que, dizem os Historiadores nem os próprios Nazis conseguiram igualar; isto porque os Alemães criaram um sistema de extermínio sistematizado enquanto que os Japoneses mataram tudo o que lhes aparecia pela frente sem qualquer critério e com requintes de tortura inimagináveis até para o III Reich na altura.

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Curiosamente a história do massacre de Nanking não é de perto nem de longe tão conhecido como tudo o que envolveu os campos de concentração Alemães, talvez porque a realidade inacreditável do que por lá se passou tenha chegado primeiro aos olhos de Hitler; mas isto são pormenores que recomendo vivamente que se interessem por conhecer vendo pelo os bons documentários que existem sobre o assunto ( e mais um par de filmes de que irei falar em breve também por aqui).

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[“City of Life and Death”] tem a intenção de recriar apenas os relatos dos sobreviventes (vítimas e agressores) concentrando a narrativa num grupo de personagens baseados em pessoas reais sempre que possível embora juntando também alguns testemunhos compostos noutros mais secundários de forma a poder reproduzir o mais fielmente possível visualmente toda a tragédia absolutamente inacreditável que se passou em seis semanas de terror que tenho a certeza fará até muito adepto de cinema de horror se afundar na cadeira quando vir o que foi conseguido neste filme em termos de crueldade. Especialmente se depois compararem algumas das imagens recriadas em [“City of Life and Death”] com as imagens filmadas na altura; isto porque inclusivamente os Japoneses tinham por hábito filmar tudo o que faziam e portanto filme da época para recriar é coisa que nunca faltou. O problema foi mesmo decidir o que incluir no filme.

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Por causa disso [“City of Life and Death”] é uma história com uma narrativa que inicialmente se estranha mas depois já não conseguimos largar. [“City of Life and Death”] é essencialmente contado sempre que possível por imagens, pela recriação dos eventos e só quando mesmo necessário é que os diálogos são usados.
Desenganem-se quem pensar que isto é um qualquer exercício estilístico de cinema de autor armado em inteligente. [“City of Life and Death”] apenas não segue uma estrutura comum para uma história de cinema porque não se quer parecer com uma história de cinema. Muito menos quer ser cinema americano.

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[“City of Life and Death”] quer parecer-se com uma máquina do tempo.
Quer chocar o espectador até à medula.
Não pelo choque gratuito apenas porque sim mas para nos fazer prestar uma atenção diferente daquela que teríamos prestado se estivéssemos apenas a ver um dos bons documentários que há sobre o tema e distanciados no conforto do sofá de algo que aconteceu há mais de meio século.
[“City of Life and Death”] quer quebrar a distância que há entre o espectador e um produto visual.

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[“City of Life and Death”] quis transformar-nos a todos em testemunhas.
Como se tivéssemos viajado no tempo e estivéssemos lá presentes em Nanking quando o Japão cometeu atrocidades que fazem um filme do SAW parecer um conto da Disney, mas sem podermos fazer nada para mudar a história.
Se o cinema é uma máquina do tempo provavelmente [“City of Life and Death”] será uma das mais incríveis viagens que realizou em muitos anos no que toca a colocar o espectador no local do acontecimento.

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E consegue. Nas suas duas horas e meia faz-nos esquecer por completo que estamos a ver cinema. Para começar foi todo filmado a preto e branco com vários níveis de grão e tratamento de imagem dependendo do que pretendia mostrar para de uma forma subliminar criar no espectador todo o tipo de reacções viscerais aquilo que mostra sem pudores.
Depois apesar de ter uma estrutura aparentemente episódica consegue ligar cada personagem de uma forma absolutamente notável o que nos transmite uma perspectiva global sobre tudo o que aconteceu sempre com a intenção de ser o mais fiel aos documentos e testemunhos em que se baseia, mesmo quando usa um par de personagens “fíciticios” para poder condensar os acontecimentos num momento ou dois.

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Talvez por isso [“City of Life and Death”] ao contrário do que muita gente na China esperava e apesar do horror inacreditável que os personagens Japoneses infligem em toda a cidade, estes não são apresentados apenas como monstros. Os Japoneses aqui não são vilões de um filme de guerra ou tortura; [“City of Life and Death”] apresenta os monstros que há na humanidade mas também joga com a humanidade que pode haver num monstro. O que não caiu nada bem, tendo inclusivamente o realizador e família sido alvo de ameaças de morte na China por ter tido a coragem de mostrar todos os personagens como seres humanos e não apenas como heróis ou vilões.
O filme quase que foi impedido de estrear mas foi salvo por um próprio membro do Partido Comunista que o apoiou dentro do Governo.
O filme saiu e segundo li foi um sucesso incrível de bilheteira por todo o lado.
Todo o lado excepto no ocidente claro, pois não foi distribuído por Hollywood, então não existiu claro. Muito menos em Portugal.
Muita gente na China ficou chocada pelo filme mostrar Japoneses com sentimentos quando a ferida Nanking ainda é algo totalmente contemporâneo no país.

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Não só o realizador na China, como os actores Japoneses foram alvo de ameaças de morte. Isto porque no Japão existe ainda hoje em dia uma corrente ultra-nacionalista que venera os assassinos de Nanking como heróis nacionais e semi-deuses e não gostaram nada de ver um filme como [“City of Life and Death”] ser o sucesso que parece ter sido por toda a ásia, excepto no Japão onde continua ainda proibido, porque oficialmente o massacre de Nanking pelos Japoneses nunca aconteceu e inclusivamente está totalmente banido dos livros de história. Nenhum aluno liceal no Japão alguma vez conhecerá de forma oficial o que o seu país fez décadas atrás porque tudo o que se refere a Nanking está simplesmente apagado da memória popular desde á décadas, excepto nos templos que foram eregidos aos comandantes – herois – que foram elevados a estatuto de semi-deuses no Japão apesar de tudo o que se passou.

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[“City of Life and Death”] levou 4 anos a ser filmado e foi uma verdadeira odisseia em termos de produção. Para começar os actores Japoneses que aceitaram participar no projecto tiveram a sua vida complicada , quase ao ponto de terem sido proibidos de sair do país para trabalharem no filme. A coisa só não se complicou mais porque o governo Japonês teve a inteligência de não agitar muito o assunto publicamente para que o tema Nanking não fosse de repente alvo de atenção dos media locais.
Nenhum actor Japonês de topo aceitou participar no filme; uns porque tiveram medo, outros porque foram proibidos de o fazer pelos próprios agentes.
Todos os actores Japoneses em [“City of Life and Death”] eram até este filme sair, actores de segunda linha, principiantes ou figuras televisivas mais ou menos anónimas. O que não se nota, pois as suas prestações são absolutamente geniais.

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Do lado Chinês, [“City of Life and Death”] tem a particularidade de ter contado com 20.000 voluntários que se prontificaram a entrar no filme. Sim, leram bem.
20.000 voluntários entre estudantes universitários e população anónima que quis entrar na produção em homenagem a tudo o que se passou décadas atrás; o que como imaginam deu ao realizador material humano mais que suficiente para encenar cenas de massacres que não lhes irão sair tão cedo da memória.
Quando em [“City of Life and Death”] virem cenas com milhares de pessoas no écran, não são efeitos especiais, nem é CGI.
É simplesmente incrível e assustador quando nos lembramos que [“City of Life and Death”] recria factos reais que podemos depois comparar nos documentários.
Como por exemplo os três dias em que os Japoneses assassinaram 300.000 pessoas de seguida, fuzilando, decapitando, queimando e enterrando vivos todos os soldados Chineses capturados a quando da invasão inicial da cidade.
E isto foi apenas o começo.
O pior veio mesmo depois. Não em número mas em horror.

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Já vi muito cinema pesado, mas acho que nunca tinha visto cenas de violação como [“City of Life and Death”] nos mostra.
Eu pensava que as cenas de violação em “Ensaio sobre a Cegueira” baseado no livro de Saramago eram potentes até ver isto há dois dias.
Eu que sou essencialmente imune a filmes de terror ultra violentos, tive que fazer uma pausa a meio do filme para tentar assimilar o que via e dizer a mim próprio que isto era apenas cinema. Mesmo baseado numa realidade… apenas cinema…

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Sinceramente não sei se muitas espectadoras aguentarão passar do meio de um filme como  [“City of Life and Death”] a partir do momento em que se foca nas cenas de violações com mulheres e crianças. Não é pela forma explícita do que mostra, mas pelo incrível aspecto psicológico do que envolve essas sequências que são tudo menos cenas politicamente correctas e principalmente porque a história vai construíndo subliminarmente o suspense até rebentar de uma forma ainda mais grotesca do que poderiamos estar á espera.
Não posso explicar isto melhor sem estragar o impacto dessa parte da história, mas quero deixar aqui o aviso ao público feminino pois duvido que alguma vez tenham visto algo no contexto em que [“City of Life and Death”] encena todas as incríveis cenas de violação. Não mostra as 20.000 mulheres que a História registou como vítimas mas também não mostra apenas uma ou duas…
Quem se impressione facilmente, avance com cuidado seja de que género for.

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Aliás quase parece mentira mas [“City of Life and Death”] está censurado.
O Governo Chinês até mais do que proibir , pediu ao realizador que não incluísse tudo o que estava nas filmagens originais da época, pois acharam que se o filme fosse demasiado minucioso politicamente ainda hoje em dia a coisa podia dar para o torto.
Por essa razão [“City of Life and Death”] não inclui o duelo de decapitações que dois comandantes Japoneses fizeram durante dois dias onde decapitaram cada um mais de 100 pessoas; homens, mulheres e crianças  para ver quem matava mais Chineses num curto espaço de tempo.
Essas cenas foram filmadas mas não foram incluídas na montagem final.

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E [“City of Life and Death”] também não inclui as partes de violação das mulheres grávidas que depois foram esquartejadas e cujo as barrigas foram abertas para que os bebés fossem retirados e decepados na hora como se fossem carne para um talho pelos soldados Japoneses.
Essas nem sequer foram filmadas, porque o próprio elenco não aguentava.
Mas não pensem que [“City of Life and Death”] é um filme mais suave por não incluir essas partes.
As sequências em que os soldados vagueiam pelas ruas e invadem as casas à procura de sexo constante sem olhar a meios e ao que fazem ás mulheres e crianças , são suficientes para que muita gente desista pura e simplesmente de acompanhar a história até ao final. [“City of Life and Death”] volto a dizer, acredito ser um filme particularmente duro para o público feminino.

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“Warning: This film hurts” – Acreditem que sim.
[“City of Life and Death”] é duro. Tão duro que mais provavelmente irão estar tão chocados com o que testemunham que mal se lembrarão de respirar; quanto mais ainda ter tempo para derramar lágrimas. Não é um daqueles para chorar baba-e-ranho pela simples razão de que para ter vontade de chorar precisamos de estar a respirar em condições…
O filma magoa de formas como eu não me lembro de ter visto… talvez nunca numa produção de cinema. Precisamente porque não se sente como sendo um filme.
A tal ponto que alguns actores tiveram acompanhamento de psiquiatras no set,  durante as filmagens e tudo teve de ser espaçado a intervalos que permitissem uma descompressão para que os intervenientes na produção pudessem respirar o mundo real por momentos. Inclusivamente houve pessoas que desistiram pois não aguentaram e precisaram simplesmente de se afastar definitivamente.

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Mas se [“City of Life and Death”] é algo tão dificil assim, porque razão deve o leitor querer ver este título ?
Para além do que representa em termos históricos todo o acontecimento, [“City of Life and Death”] visualmente é um filme incrível. Até mesmo representando um horror inimaginável consegue estar cheio de imagens lindíssimas do ponto de vista cinematográfico.
Terá talvez a melhor fotografia a preto-e-branco desde Casablanca ou Manhattan , se não for até melhor e um estilo narrativo que torna o filme numa verdadeira experiência emocional interactiva.
Está cheio de personagens inesquecíveis, momentos humanos fabulosos e ainda um par de histórias de amor a sério sem Hollywoodices à mistura. Além disso tem um final que posso dizer aqui sem spoilers, é positivo e portanto não irão sair de [“City of Life and Death”] chocados apenas porque sim. O filme pode ser negro mas tudo aponta para uma luz ao fundo do túnel que irão sentir plenamente satisfatória quando lerem nos créditos finais sobre o que aconteceu a cada uma das pessoas.

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Irão sair de [“City of Life and Death”] a pensar e irão pensar neste filme e em tudo o que representa por dias e dias a fio. Até porque tendo em conta o que se passa hoje em dia no nosso próprio mundo , isto é tudo menos ficção em muitos aspectos.
Além disso como eu já disse, [“City of Life and Death”] não é um torture-porn de forma alguma. Tudo tem um propósito.
É mil vezes mais assustador do que praticamente tudo o que vocês viram até hoje no suposto cinema de terror gringo sem sombra de dúvida, vão torcer-se todos nas cadeiras mas duvido que consigam tirar os olhos do écran.
Especialmente se já conhecem os documentários ou já leram algo sobre o assunto.

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Está cheio de actores orientais com prestações incríveis, figurantes absolutamente perfeitos e conta ainda com um pequeno grupo de actores ocidentais que interpretam os médicos, jornalistas, diplomatas e pessoal que rodeava o empresário Nazi que no meio de todo o caos acabou por salvar também a vida a mais de 200.000 chineses; embora  [“City of Life and Death”] não seja exactamente sobre este pormenor pois é algo já bastante focado noutras produções mas nem por isso limita as interpretações daquele pequeno grupo de actores com personagens ocidentais simples mas totalmente carismáticos, com destaque para quem interpreta o empresário Nazi – John Rabe.
Quanto a mim [“City of Life and Death”] deveria ser daqueles filmes obrigatórios desde logo nas escolas pois se o cinema tem o poder de influenciar tudo ao seu redor, este é um título para moldar consciências desde cedo; especialmente na era da informação onde anda tanta gente desenformada. É um daqueles filmes que deveriam ser mostrados aos putos, fechar toda a gente numa sala e á chave e só abrir a porta para levar algum desmaiado para o Hospital ou quando o filme acabasse. Tratamento de choque em termos moldar consciências não deve haver melhor que isto.
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CLASSIFICAÇÃO

Apesar do que procurei descrever acima [“City of Life and Death”] foi um dos raros filmes que na minha vida me deixou sem palavras. Nem ar.
Por isso é para mim o melhor título oriental que já recomendei neste blog e não poderia ter aparecido filme melhor para eu comemorar aqui as 400.000 visitas de Cinema ao Sol Nascente.

Cinco Tijelas de Noodles + um Gold Award + um Gold Award EXTRA como excepção.

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Recomendo vivamente que explorem depois , ou até antes os documentários que existem sobre o tema. Estão cheios de imagens que depois verão recriadas no filme o que ainda lhes causará mais impacto.
É que por incrível que pareça, o filme foi alvo de censura e parece que está bastante suave comparado com o que aconteceu na realidade. Na China foi bastante atacado por ter suavizado demais o que se passou realmente.
Links abaixo.
A favor: a fotografia a preto-e-branco é incrível, a realização não podia ser melhor, os actores idem, as cenas de guerra são espectaculares como habitualmente no cinema de guerra oriental, as cenas de horror vão muito para lá de assustar ou impressionar, a escala épica de tudo o que aparece no écran, a quantidade de figurantes, o final positivo, não tem maus nem bons, poderia ter sido um filme-propaganda muito facilmente e nunca entra por aí, a importância do cinema enquanto guardião de uma memória colectiva em filmes como este.

Contra: haverá cínicos por aí e muito homem de barba rija que irá achar que a exposição dos horrores recriados neste filme são apenas manipulação e exploração de emotividade com toda a certeza. Os nerds picuinhas da História irão apontar este ou aquele detalhe que teve de ser comprimido no filme por questões dramáticas embora a crítica especializada tenha sido unânime no que toca à atmosfera geral e á qualidade da recriação histórica de todo o acontecimento.
O Japão continua oficialmente a negar que tais eventos tenham acontecido.
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NOTAS ADICIONAIS

DOCUMENTÁRIO

TRAILER

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IMDb
http://www.imdb.com/title/tt1124052

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Artigo sobre o filme.

http://english.cri.cn/6666/2009/04/21/1461s477172_1.htm

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Pohwasogeuro (71: Into the Fire) John H. Lee (2010) Coreia do Sul


Um par de amigos meus costumam dizer-me que não têm interesse nenhum em conhecer cinema oriental porque este nunca se comparará em escala e espectacularidade com o que sai de Hollywood e por isso os filmes nunca terão grande interesse.
[“71: Into the FIre“] é mais um bom exemplo de um daqueles títulos que poderia contrariar esta ideia na cabeça de muitas pessoas se muita gente não insistisse em ver apenas o que lhes é vendido nos centros comerciais, até porque prova uma coisa; não é necessário um orçamento megalómano de centenas de milhões de dólares para se produzirem filmes de acção numa escala épica.

[“71: Into the FIre“] foi produzido apenas por 10 milhões de dolares na Coreia do Sul, o que técnicamente quer dizer que não passa de um verdadeiro série-B quando comparado com o que costumam ser as centenas de milhões que se gastam em Hollywood para produzir o mesmo efeito.
Mas se isto foi produzido por 10 milhões de dólares eu nem quero imaginar como o filme seria se pudesse ter contado com um orçamento ao estilo Avatar !

Nunca tive grande fascínio por filmes de guerra. Quando era pequeno curtia aqueles clássicos americanos mas depois desinteressei-me do género. Não gostei particularmente do Saving Private Ryan de Spielberg pelo seu tom de panfleto patriótico e portanto durante alguns anos não prestei muita atenção ao que saia dentro desse tipo de filmes pois pensei que seria tudo mais do mesmo.
Até que me apareceram para frente dois filmes orientais que da noite para o dia mudaram a minha perspectiva sobre o cinema de guerra. Os fantásticos, “Brotherhood of War” e “Assembly” que foram provavelmente os filmes de guerra mais espectaculares que me passaram pela frente e com um nível de violência politicamente incorrecta que fez com que o filme de Spielberg de repente parecesse menos inovador do que se calhar realmente pareceu ser no ocidente.

Além disso, tanto “Brotherhood of War” como “Assembly” tinham uma alma no que toca a personagens humanos que ainda não tinham encontrado no típico filme de guerra. Não tiveram apenas as cenas de batalha mais impressionantes que alguma vez vi (também com orçamentos reduzidos) como acima de tudo contaram histórias personagens com que me importei e onde tudo não se resumia apenas aos bons-contra-os-maus.

[“71: Into the FIre“] é mais outro titulo Sul-Coreano que segue a mesma fórmula, o que não quer dizer que seja algo negativo. Poderá ser visto talvez como apenas mais um filme de guerra porque na verdade não contém nada que vocês não tenham visto antes, especialmente se já viram os dois titulos Sul-Coreanos que referi atrás, mas por outro lado foi buscar o melhor desses filmes e aquilo que perde em grandiosidade por força de ser um titulo de baixo orçamento, conseguiu compensar em personagens com que o espectador se vai identificando ao longo do filme.

Desde os herois cercados de inimigos por todo o lado, até inclusivamente ao excelente vilão do filme tudo contribui para que [“71: Into the FIre“] comece de uma forma entusiasmante e depois vá ganhando suspanse quanto baste até ao seu dramático e muito sangrento acto final.
O filme essencialmente conta a história de um grupo de alunos de uma escola Sul-Coreana que décadas atrás resistiram ao invasor Norte-Coreano barricados na sua escola á espera de uma ajuda que tardou em chegar.

Não há muito que se possa dizer mais sobre este título. Os personagens são excelentes, as cenas de acção conseguem ser espectaculares e muito sangrentas e dramáticamente funciona bastante bem pois aqueles personagens vão ganhando a nossa admiração.
Não posso deixar de destacar o personagem do general Norte-Coreano. Além de ter um carisma fantástico que rouba a atenção em todas as cenas que protagoniza, é caracterizado de uma forma bastante interessante e até algo ambigua, o que o humaniza quando se calhar para o filme resultar até nem precisava de ser mais que um bom boneco de cartão.

Quem gosta do cinema de Samuel Fuller ou Sam Pekinpah vai curtir muito o estilo politicamente incorrecto e o desenlace desta história. As cenas de batalha disfarçam muito bem o baixo-orçamento do filme e não há nada de verdadeiramente negativo em [“71: Into the FIre“].
Se gostam de cinema de guerra este é mais um título obrigatório. Se ainda não viram “Brothers of War” e “Assembly”, provavelmente vão ficar até impressionados com o realísmo das cenas de violência. Caso já tenham visto os outros filmes no entanto, tal como acontece comigo provavelmente não ficarão particularmente entusiasmados com esta obra, mas tenho a certeza que os irá divertir bastante se gostam do género.

Além disso consegue ser um filme político sem o parecer e pelo menos pelo que me apercebi trata bastante bem o tema da divisão da Coreia sem tomar realmente partido por qualquer um dos lados. Ás vezes parece ser um documentário de um qualquer reality-show pois a excelente realização consegue apagar-se por entre as cenas que são fcaptadas de uma forma perfeitamente natural e totalmente realística e por mais do que uma vez faz-nos esquecer de que estamos a ver apenas uma recriação histórica de um evento já com várias décadas.

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CLASSIFICAÇÃO:

Se já viram muito cinema de guerra Sul Coreano ou Chinés moderno, não irão ficar particularmente impressionados com  [“71: Into the FIre“]. No entanto é um excelente filme de guerra que devem adicionar obrigatóriamente á vossa lista de filmes a ver se gostam muito do género.
Quatro tigelas de noodles porque é muito bom. Não deslumbra, mas tudo o que faz, faz mesmo muito bem.

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A favor: é impressionante aquilo que se consegue fazer com um baixo orçamento que nos estados unidos nem chegaria para pagar a uma estrela de Hollywood, as cenas de guerra parecem mais épicas do que na realidade até são e todas as limitações técnicas estão muito bem contornadas para apresentar ao espectador mais um excelente filme de guerra, é muito sangrento e politicamente incorrecto quanto baste, contém um grupo de personagens que cria empatia com o espectador e inclusivamente o vilão é bem melhor do que precisaria de ser para que o filme funcionasse perfeitamente na mesma, tiros bombas e socos nas trombas com muito sangue e tripas quanto baste.
Contra: se já viram outros títulos de guerra produzidos recentemente pelo cinema oriental este filme poderá não os impressionar por aí além.

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=Ud5g_aGxIEo

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Download aqui com legendas em PT/Br

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1587729

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Mo gong ( Battle of Wits – aka – Battle of the Warriors) Chi Leung ‘Jacob’ Cheung (2006) China


No outro dia ao desiludir-me bastante com “Red Cliff“, lembrei-me que este era bastante semelhante a outro titulo mais antigo que eu tinha comprado há anos mas de que ainda não tinha falado aqui, pois por qualquer motivo é um daqueles dvds que nunca mais tinha revisto e como tal, decidi tirar o pó do disco a [“Battle of Wits“] porque esta é mesmo a altura certa para falar deste filme no blog até por uma questão de comparação entre títulos semelhantes.

Tanto “Red Cliff” como [“Battle of Wits“] são filmes de guerra semelhantes, porque essencialmente assentam mais sobre as estratégias de guerra, tácticas de movimentação de exércitos, planos de combate e intrigas políticas ou palacianas do que própriamente sobre herois e heroínas que vivem aventuras em mundos Wuxia ou de ambiente medieval e como tal são filmes com uma estrutura muito parecida.

Em ambos os casos, temos dois exércitos em confronto que se analisam um ao outro e onde a maior parte das cenas se passam naquela guerra de muralhas e paliçadas onde as estratégias de invasão se sobrepõem á sequências de acção pura e simples.
Também a nível de personagens os filmes se tocam pois tanto “Red Cliff” como [“Battle of Wits“] contam com os inevitáveis generais caracterizados da forma habitual, com os guerreiros heroicos em estilo solitário, grandes estrategas militares, imperadores decadentes ou corruptos e claro, com a miúda gira da história que neste caso também é muito boa a andar á bulha pelo meio das cenas de batalha, pois é uma oficial de cavalaria.

Achei portanto, que tanto “Red Cliff” como [“Battle of Wits“] poderiam ter sido o mesmo filme. Se se trocassem os cenários e o guarda roupa, provavelmente o resultado teria sido o mesmo nos dois filme e ambos manteriam a sua identidade apenas por causa de um grande pormenor que os distingue.
[“Battle of Wits“] ostenta muito menos opulência visual que “Red Cliff” e como tal não tem aquele sabor a grande épico cinematográfico que exala por todos os frames desse filme e que tornou a obra de John Woo imediatamente muito menos interessante na minha opinião; apenas porque por detrás de tanto estilo visual espantoso tudo aquilo sempre me pareceu demasiado plástico e como espectador nunca consegui entrar naquele mundo pois tudo me pareceu fabricado para cinema e muito pouco real.

Algo que não me aconteceu de todo agora em [“Battle of Wits“].
Ainda o filme não tinha começado á dez minutos e já eu me tinha esquecido que estava a ver um épico cinematográfico. Isto porque pura e simplesmente, nada em [“Battle of Wits“] nos lembra que são cenários contruidos para um filme e nada no estilo visual chama constantemente a atenção para o que aparece no ecrã.
Acompanhar [“Battle of Wits“] é como espreitar por uma máquina do tempo e contemplar o passado; ter acompanhado “Red Cliff” para mim foi como estar a desfolhar um livro sobre design e construção de cenários para cinema. Por muito que eu tenha adorado o fantástico estilo visual do filme de John Woo prefiro mil vezes a contenção estética de [“Battle of Wits“] e o estilo completamente natural dos ambientes e arquitecturas pois transportam o espectador para o passado. Não o deixam do outro lado da televisão a contemplar ambientes gráficos quando estes deveriam servir os personagens e não gritar – superprodução cinematográfica – a todo o instante.

Portanto, em comparação, nota alta para [“Battle of Wits“] logo por este início. Tudo nesta história parece visualmente real e quem gostou da estética realística e crua de Musa the Warrior tem aqui um filme muito semelhante gráficamente falando que  irá certamente agradar a quem procura este tipo de atmosfera visual.
Infelizmente a nível de argumento, também [“Battle of Wits“] é um daqueles filmes que me custa bastante a absorver, mas isto é uma questão de gosto pessoal pois como já referi em posts anteriores, o género de intriga politica e palaciana é algo que me aborrece de morte. Portanto para mim foi muito dificil arrastar-me pelos primeiros vinte minutos deste filme.

No entanto a sua atmosfera cativou-me e cedo também os personagens se começaram a delinear bem mais interessantes do que em por exemplo, mais uma vez “”Red Cliff“.
Não quero parecer estar aqui a ser muito duro com o filme de John Woo até porque gostei do que vi, mas é impossível não compará-lo com [“Battle of Wits“] pois são bastante semelhantes temáticamente e estruturalmente e como tal em termos de gosto puramente pessoal eu penso que esta produção bem menos extravagante é muito mais interessante.

Muita gente em reviews na net critica um pouco os personagens deste filme por causa de serem um bocado estereotipados e parecerem apenas ter sido criados para fazer brilhar as estrelas Pop chinesas que pelo visto entram nisto. Eu como não conheço nenhum destes gajos que entram nos papeis secundários, por mim estão todos muito bem e nem me pareceu sequer que o personagem do soldado arqueiro tenha sido criado para imitar o “Elfo Legolas” do “Lord of the Rings” embora perceba a razão de muita gente referir essa sensação pois o seu papel e dinâmica em [“Battle of Wits“] pode ser semelhante.
Como no entanto, a mim nem me pareceu que isto estrague própriamente o filme por mim que se lixe e passa á frente.

Coisas boas. [“Battle of Wits“] tem muito ambiente e conta com além de Andy Lau sempre seguro, também com o carismático actor sul-coreano que vocês vão reconhecer de “Musa the Warrior” onde personificava o velho e sábio guerreiro veterano e que neste caso faz de general invasor.
Se bem que este filme também seja cativante pelo facto de não ter herois e vilões mas sim, tal como em “Musa the Warrior“, apenas guerreiros em facções politicas opostas e sobre este detalhe [“Battle of Wits“] conta com uma simples e fascinante cena em frente da fortaleza cercada, onde os dois oponentes se encontram cara a cara e que define todo o tom da história; onde a haver vilões, estes serão claro está, os políticos que tudo manobram nos bastidores e que causarão mais mortos e tragédia do que quem faz a guerra por eles, o que não deixa de ser uma mensagem subliminar sempre interessante neste tipo de histórias.

E por falar em cenas de guerra, não só todas as batalhas têm um tom de guerra fascinante como ao vê-las nem me lembrei que estava a ver cenas coreografadas para um filme. Bem ao contrário do que me aconteceu em “Red Cliff” onde além de as cenas de invasão da parte final terem sabido a pouco e nem sequer terem sido particularmente impressionantes a nível criativo tudo me pareceu apenas guerra cinematográfica a todo o instante; coisa que nunca me aconteceu notar agora em [“Battle of Wits“].

Não só todas as cenas de invasão são muito variadas, como a nível de argumento as ideias para estratégias e planos de guerra são todas muito criativos e até bem surpreendentes em alguns momentos. E o melhor é que tudo isto é conseguido sem dar a impressão que estamos apenas a ver um filme, o que quanto a mim é o melhor trunfo que um épico histórico pode ter. Conseguir transportar o espectador para o passado e [“Battle of Wits“] consegue-o bastante bem na minha opinião.

A nível de história, não será propriamente algo tão interessante assim, e neste campo talvez até “Red Cliff” tenha tentado ser melhor e ir mais longe, mas [“Battle of Wits“] é essencialmente um filme sobre estratégias militares e sobre um combate de teimosias entre dois comandantes em ambos os lados da paliçada. A tal “battle of wits” que não tem uma verdadeira correspondente tradução directa na nossa lingua, mas que também se poderia traduzir por algo como “guerra de determinação” ou algo semelhante, pois é esse o coração do filme na sua essência.
[“Battle of Wits“] é um filme sobre dois homens, sobre os poderes que estão á sua volta e sobre o facto de só um deles poder sair vencedor de uma guerra que na verdade não tem qualquer sentido a não ser o de cimentar a sua honra e reputação ao melhor estilo filme de guerra medieval chinés.

Tudo gira á volta da invasão e defesa de uma cidade e tudo tem a ver com guerra, estratégia e politica, mas [“Battle of Wits“] tem ainda tempo para dedicar algumas sequências á inevitável história de amor. Neste caso, talvez mais para abrir o filme ao público feminino do que propriamente para criar algo memorável dentro do género romântico em filmes de guerra.
Por exemplo não encontrarão aqui a assumidamente romântica história de amor de “An Empress and the Warriors“, mas mesmo assim quem procura um toque de romantismo ao melhor estilo cinema oriental, penso que também irá ficar satisfeito com o que [“Battle of Wits“] tem para contar neste aspecto.
Tudo muito breve, mas resulta bem e humaniza o personagem de Andy Lau que até então mais parecia uma espécie de Obi-Wan-Kenobi da estratégia militar pois faz parte de uma ordem de guerreiros quase mística e do qual nunca se sabe muito ao longo de todo o filme.

As cenas românticas, são sempre muito secundárias e complementam bem toda a conversa estratégica, política e militarista do resto do argumento e ainda bem que os criadores deste filme as incluiram, porque conseguem criar uma carga de grande suspanse adicional no segmento final da história que agarra o espectador ao ecrã mesmo sem notarmos que não conseguimos desviar o olhar desses momentos. O desenlace romântico não foge muito ao habitual mas acaba também por transmitir um tom poético ao final de [“Battle of Wits“] o que é sempre bem-vindo.

Consta que isto é a adaptação de um Manga muito popular no Japão, mas como eu não o conheço nem nunca o li, não posso tirar grandes considerações sobre o mesmo. Por outro lado também acho que nem interessariam muito, pois mesmo que isto nem sequer seja uma grande adaptação da banda-desenhada, quanto a mim é um dos filmes mais interessantes de guerra em estilo super-produção que saiu da China recentemente e nesse aspecto bem mais carismático que “Red Cliff” sem precisar de tanta opulência gráfica para ser notado e apreciado.

Quem procura um épico de guerra chinés, penso que irá gostar bastante.
Na minha opinião, [“Battle of Wits“] talvez tenha duração a mais e não lhe fazia mal ficar sem uns quinze minutos talvez, isto porque se repete um pouco quando não há muito mais para dizer sobre honra, dedicação e patriotismo sem começar a tornar-se mais do mesmo. No entanto, como a história romântica intercala bem tudo o resto a coisa equilibra-se e não será por aqui que o filme perderá grandes pontos. Apenas poderia ter tido uma montagem mais dinâmica talvez.

Penso que irá agradar a quem procurar cenas de guerra medieval com grandes exércitos. As batalhas são muito variadas e divertidas, mesmo quando não são espectaculares. Neste campo é onde se nota o melhor do trabalho do realizador, pois penso que ele é fantástico a gerir toda a movimentação de figurantes e a transformar o pouco em muito.
Consegue algumas cenas bem espectaculares e acima de tudo divertidas pois são bem entusiasmantes ao longo de todas as cenas de guerra e quando um filme é essencialmente composto por cenas de batalha e pouco mais é notável como se consegue manter sempre equilibrado sem se tornar monótono.

Por outro lado, [“Battle of Wits“] não é um daqueles filmes de guerra com milhares de figurantes a lutar em cenas de exércitos gigantes no meio de planícies ou algo assim. É um filme de guerra de cerco e que se calhar já merece ser classificado como um sub-género dentro do cinema deste estilo.
Em vez de cenas épicas com milhares de figurantes temos cenas muito dinâmicas com algumas centenas de gajos a matarem e morrerem de todas as formas e mesmo assim, uma cena de cinco minutos de guerra deste filme tem mais entusiasmo do que quase duas horas de  “Mulan” o que já não é mau de todo.

Por falar em mau, [“Battle of Wits“] só tem uma coisa péssima.
Os maus efeitos digitais quase que arruinam algumas das cenas de batalha. Sejam a mostrar exércitos com soldadinhos feitos em CGI a marchar algo amadoramente em termos técnicos no que toca a animação, seja em muito fogo digital ou ainda em sequências inteiras com homens e cavalos tudo muito mal integrado na acção, por momentos ás vezes parece que [“Battle of Wits“] poderá tornar-se mesmo bastante foleiro e piroso quando tenta ser espectacular.
O que vale é que se calhar muita gente nem vai notar, pois felizmente são poucos e breves. Além disso a variedade do que acontece nas batalhas também contribui para distrair bastante o espectador e como tal penso que não se deve penalizar muito este filme por isto também.

Também poderia ter tido mais sangue. Num filme de guerra com tanta acção corpo a corpo e sequências em estilo cru com alguma violência tem muito pouca gente cortada aos bocados e practicamente nenhum sangue a espirrar; o que não deixa de ser estranho pois retira-lhe logo algum do dramatismo que poderia ter tido nas cenas de guerra. Se ás vezes sentirem que falta qualquer coisa no meio de tantas cenas de acção, já sabem. Falta sangue, pois surpreendentemente [“Battle of Wits“] é uma produção bastante politicamente correcta quando comparada com outras coisas semelhantes como “The Warlords” ou “Musa the Warrior“.

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CLASSIFICAÇÃO:

Não será propriamente o meu filme de guerra medieval chinês favorito, mas é uma boa alternativa a quem procura um bom épico neste estilo e gostou da atmosfera visual de por exemplo, “Musa the Warrior“.
Tem atractivos suficientes para divertir e é bem mais variado e épico que “Mulan” por exemplo sem sequer se esforçar por sê-lo. E aposto que irá agradar muito a quem procura um bom filme de guerra onde a estratégia de batalha é o centro da história e terá ficado tão desiludido com “Red Cliff” quanto eu fiquei.
Sendo assim, quatro tigelas e meia de noodles porque é mesmo muito bom e só não leva mais porque achei que tem duração a mais e arrasta-se algo pelo meio.

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A favor: excelente ambiente cénico pois nem nos lembramos que são cenários construídos para um filme, boas e muito variadas cenas de batalha com estratégias de combate divertidas e imaginativas além de muitas vezes serem empolgantes, excelente realização particularmente na gestão das cenas de acção e na forma como as narrativas se cruzam, os personagens não são originais mas são na sua grande parte muito carismáticos, dois excelentes actores como antagonistas, é um filme de guerra com alma e muito para dizer mesmo subliminarmente, boa e simpática história de amor que ainda consegue arrancar um excelente momento de suspanse na parte final.
Contra: tem duração a mais e talvez se repita em alguns pontos já antes abordados, arrasta-se um bocado a meio da sua duração, os efeitos digitais são muito fraquinhos mesmo em alguns momentos, os personagens poderiam ter sido mais originais embora eu compreenda que isto não seja nada fácil de fazer, falta-lhe sangue pois tem carnificina aos montes mas é demasiado politicamente correcto no uso de cenas gore e nem tem sequer uma decapitaçãozinha nem nada, é um bom filme mas não lhes ficará na memória pois falta-lhe qualquer coisa para ser realmente fantástico.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=WdX_cNu9dCw

Comprar DVD ou  BluRay na Amazon Uk bem baratinhos

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IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0485863

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Hua Mulan (Mulan) Jingle Ma/Wei Dong (2009) China


Antes de mais se esperam encontrar o dragão vermelho da Mulan nesta versão é melhor voltarem para o desenho animado da Disney, porque isto aqui só tem cavalos e mesmo assim [“Mulan“] não parece ter tido verba para comprar muitos.
Vi este filme apenas há alguns dias e já nem me lembro grande coisa dele, por isso vamos lá ver se não me esqueço de mencionar algum detalhe importante neste texto.

Se virem o trailer, podem ficar com a ideia de que isto é uma das habituais super-produções chinesas, mas desenganem-se, pois se isto é um épico histórico,  [“Mulan“] será o épico histórico mais mediano que alguma vez vi.
Nota-se um esforço constante para parecer mais grandioso do que na realidade é e talvez seja esse o seu grande problema. Ou seja, [“Mulan“] preocupa-se mais em tentar parecer algo que se nota á distância que não é do que em contornar as suas limitações.

No entanto começa muito bem. Ainda o filme não começou há dez minutos e já estamos a adorar os personagens, o que não deixa de ser notável, especialmente quando outros filmes realmente épicos como “Red Cliff” gastam 300 minutos e os personagens não criam a mesma empatia com o público.
A actriz principal que dá corpo e alma á heroína histórica, está perfeita e nunca será por causa dela que [“Mulan“] filme, perde qualquer ponto pois ela é uma Mulan excelente.
O resto do elenco também é bastante cativante. No que toca aos herois da história, os personagens são simples mas com personalidades divertidas e interessantes que nos mantêm interessados nos seus destinos ao longo da narrativa e portanto também não é por aqui que o filme pode ser penalizado.

O vilão no entanto, é um bocado ridiculo e estereotipado e esta caracterização subitamente retira [“Mulan“] da carga dramática que pretende ter pois quando os vilões estão em cena, tudo mais parece saído de uma banda desenhada do que própriamente do épico histórico dramático que eu pensava que este filme queria ser e isto não tem grande lógica.
[“Mulan“] é também estranho enquanto épico de guerra pois tem uma atmosfera de filme para adolescentes demasiado carregada, o que me muito me surpreendeu.
Em muitas alturas fez-me lembrar o “Starship Troopers” mas sem aliens, pois tudo gira á volta dos soldados adolescentes, das suas aventuras na guerra e dos seus amores e desamores.

Tudo em [“Mulan“] sabe a pouco. Os personagens são interessantes e carísmaticos mas depois a história não é particularmente interessante, nunca se definindo entre o épico de guerra que não consegue ser pois não tem escala suficiente ou a história de amor oriental que não funciona particularmente bem porque depois tem um filme de guerra pelo meio e as duas coisas nunca se ligam muito bem.

E por falar em escala, as batalhas em [“Mulan“] podem parecer muito épicas no trailer, mas sabem a pouco e são incrivelmente repetitivas e redundantes. Tudo é filmado em pequenos takes onde se tentar dar a impressão de que existem muitos figurantes e onde se predominam as sequências de luta á espada corpo a corpo no meio de muito pó para que o realizador não tenha que mostrar que tem menos figurantes nas batalhas do que quer fazer crer.

Como tal sente-se sempre que falta alguma coisa naquilo que deveria ser a parte espectacular do filme e no entanto apesar de não se poder propriamente dizer que falha, não deixa de ser estranhamente mediana e até desinteressante em muita alturas, o que não é algo particularmente bom para se dizer sobre um filme que supostamente deveria contar uma épica história de guerra.

Na verdade não há muito mais para dizer sobre [“Mulan“].
Boa fotografia, um par de imagens bonitas, uma história sem grande chama e sequências de acção medianas e desinspiradas.

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CLASSIFICAÇÃO:

Não tem nada de particularmente mau, mas se vocês já viram muitos épicos históricos não vão ficar nada impressionados com este pois é por demais mediano em tudo.
Trés tigelas de noodles pois é um bom filme, mas vão esquece-lo rapidamente e dúvido que lhes apeteça rever isto tão cedo quando há tanta coisa espectacular no mercado.

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A favor: excelente trabalho da actriz principal como Mulan, os personagens cativam o espectador ainda o filme mal começou, o design das armaduras é muito cool, tem algumas cenas de acção engraçadas.
Contra: o vilão parece saido de uma banda desenhada banal, a história de amor não cativa particularmente e é suposto ser o coração emocional do filme, as cenas de batalha são muito pouco épicas e repetitivas, não há grande variedade de ambientes cénicos e tudo parece não sair do mesmo lugar, parece um filme para adolescentes com armaduras e pouco mais tem que agarre quem procure um épico histórico mais adulto.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=gTAETFTIo_I

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http://www.amazon.co.uk/Mulan-DVD-Wei-Zhao/dp/B003ATD7OY/ref=sr_1_3?ie=UTF8&qid=1306765339&sr=8-3
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OST em mp3

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1308138/

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The Promise

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Chi bi/Chi bi xia: Jue zhan tian xia (Red Cliff / Red Cliff 2 – Versão Integral Original com 300 minutos) John Woo (2008/2009) China


Comecei a ver [“Red Cliff“] no início de Janeiro e curiosamente embora tenha gostado do primeiro dvd, quando o primeiro  filme acabou não fiquei com vontade nenhuma de continuar a acompanhar esta saga apesar de ter deixado a história a meio e como tal só me decidi a ver o segundo disco ontem quase seis meses depois porque achei que estava na altura de falar sobre este título tão popular por aqui.
Se este blog não existisse é bem provável que não visse o resto do filme tão cedo o que não deixa de ser estranho até para mim que não costumo deixar coisas destas a meio.

Portanto, como já imaginam [“Red Cliff“] não me impressionou por aí além.
No entanto percebo porque tem tanto hype á sua volta, pois além de ser o regresso de John Woo á China visualmente é na verdade extraordináriamente apelativo e na minha opinião é precisamente o aspecto visual que cria aquela ilusão de que esta saga será a tal obra prima que muitos gostariam que fosse mas que não é de forma alguma.

Talvez John Woo tenha apanhado alguns maus hábitos por ter passado 16 anos a fazer filmes nos Estados Unidos pois [“Red Cliff“] é um claro exemplo de uma super-produção onde o estilo se sobrepõe e muito á substância. Neste caso, se calhar em vez do estilo poderemos até dizer que a opulência se sobrepõe á substância, pois garanto-vos que vão ficar impressionados com a escala visual deste épico sobre estratégia de guerra.

Por outro lado, épicos históricos saídos da China é coisa que não falta no mercado e cenas de batalha com milhares de figurantes já todos nós vimos muitas também e como tal nem nisso [“Red Cliff“]  difere muito do que é costume, nem na verdade acrescenta o que quer que seja de novo. Pelo contrário até.
No entanto, [“Red Cliff“]  é fantástico a criar a ilusão de que tudo é espantosamente  épico e apesar de se notar que falta ali qualquer coisa a todo o instante, o espectador consegue acompanhar com interesse toda a história precisamente porque visual não lhe falta.

Ficamos  essencialmente hipnotizados pelo estilo gráfico deste filme que é absolutamente fantástico embora em muitas alturas pareça bastante plástico o que contradiz um pouco aquela ideia de reconstituição histórica que pretende ser pois os seus ambientes são tão gráficos e artificiais que perdem muito da naturalidade que costumamos encontrar nos ambientes da maior parte dos épicos históricos orientais.
[“Red Cliff“]  é uma saga militar grandiosa mas sente-se constantemente o lado cinematográfico presente, naquele sentido em que apesar da opulência não se livra daquele sabor a cenário para cinema.

Ao contrário do que costuma acontecer-me com estes filmes, [“Red Cliff“]  não me transportou minimamente para dentro do seu universo e nunca por um momento me fez esquecer que estava a ver um filme, pois enquanto espectador sempre me senti totalmente distanciado do que estava a acontecer no ecran e isso para mim é o pior que me pode acontecer quando estou a ver uma história deste estilo.
Por mais que uma vez, dei por mim a olhar para o relógio do leitor para ver se ainda faltava muito para aquilo acabar e não foi por desejar que [“Red Cliff“]  durasse mais uns minutos. Isto aconteceu-me tanto na primeira parte como na segunda.

Como alguém também já referiu algures numa review,  [“Red Cliff“] não consegue criar qualquer empatia entre os espectadores e os personagens, pois pouco nos importamos com o seu destino, salvo uma ou duas excepções.
São muitos e variados mas na verdade podem morrer todos que pouco importa e por isso há aqui qualquer coisa que falha. Nota-se uma excessiva tentativa de caracterização nuns (o que alonga o filme em cenas inconsequentes que muitas vezes parecem desnecessárias), enquanto outros que até são importantes para a carga dramática da história pouco tempo têm de ecran e são apenas usados como peões nas extraordinárias coreografias de movimentação de exército para que o espectador possa saber quem é quem.

Nota-se uma tentativa de humanizar alguns deles através do recurso ao drama romântico pelo meio da história, mas as histórias de amor também não têm qualquer interesse ou atmosfera. Uma perde-se totalmente pelo meio de tanta estratégia militar e outra perde demasiado tempo a ser totalmente previsivel sem conseguir construir uma base emocional que a fizesse resultar no inevitavel desfecho e como tal pouco nos importa quando este acontece.

[“Red Cliff“]  também não se define bem enquanto género. Não é de forma nenhuma um filme de aventuras ou de acção medieval apesar das suas inúmeras sequências porque essas cenas apenas complementam as intrigas palacianas do costume e as sequências de estratégia militar. Por isso não esperem encontrar em [“Red Cliff“]  um blockbuster com um ritmo definido ou um espírito de aventura e preparem-se para intermináveis minutos onde se conta essencialmente uma história sobre estratégia política e militar que á força de não ter própriamente personagens cativantes se torna algo aborrecida e até demasiado técnica em certos aspectos.
Por outro lado quem gostar muito de estratégia militar, tem aqui em [“Red Cliff“]  provavelmente o melhor filme de todos os tempos, pois toda a sua acção gira á volta de tácticas de movimentação de exércitos, intrigas políticas, alianças e traições.

O que me leva a outra coisa que me desapontou e muito. Esperava muito mais de [“Red Cliff“]  nas cenas de acção tendo em conta que isto é um filme de John Woo. Não que estas não sejam espectaculares, mas não vão encontrar nada que já não tenham visto noutros filmes antes e como tal não vão encontrar aqui cenas de acção que os deixem completamente fascinados pela inovação.
Todas as batalhas são fantásticas, mas falta-lhes alguma identidade pois a sua espectacularidade vem mais do estilo gráfico do filme e da quantidade estúpida de figurantes no ecran do que própriamente nos cativam por nos preocuparmos com o rumo da história ou com os personagens que estão envolvidos nas lutas.

Até porque grande parte das vezes as batalhas são travadas pelos figurantes enquanto os personagens principais ficam sentados a controlar as estratégias á distância num épico jogo de xadrez humano. Isto salvo excepções claro mas não consegui evitar sentir um total distanciamento das cenas de acção de [“Red Cliff“], o que muito me surpreendeu , pois estava preparado para me divertir totalmente com as batalhas épicas destes filmes e tal não aconteceu de forma alguma ao nível que eu esperava e que já encontrei antes em filmes como “The Warlords” por exemplo, onde a escala e a produção poderá ser menor mas a eficácia cinematográfica é bem superior porque conseguiu criar uma ilusão de realísmo que John Woo não conseguiu reproduzir de todo.

Notei uma gritante falta de sangue nestas batalhas. Em muitos momentos parecia que estava a ver um filme americano. Batalhas gigantes, montes de gente á espadeirada mas muito poucos salpicos e cabeças cortadas.
Isto depois de já ter visto tanta batalha extraordináriamente realística ultimamente em épicos de menor escala faz com que [“Red Cliff“]  ainda pareça ser uma produção mais plástica e desinteressante do que merecia ter sido.
Não quero dizer com isto no entanto, que as cenas de acção sejam chatas, não são; apenas a fama do filme faz com entremos nele á espera de uma coisa e depois não surpreende de todo e salvo raras excepções nem notamos que isto será um filme de John Woo pois falta-lhe alguma identidade.

Com tudo isto, pode parecer que detestei este filme e na verdade isso não é assim. [“Red Cliff“]  tem alguns momentos fantásticos. Por exemplo, todas as ideias para estratégias de batalha são absolutamente geniais e quanto a mim , o plano para os herois conseguirem arranjar flechas extra para os exércitos é dos momentos mais divertidos e brilhantes da história que marca definitivamente o que há de melhor nesta saga.
O primeiro filme também tem uma cena de batalha fabulosa com outra táctica de movimentação de exércitos incrível e que os irá surpreender. Curiosamente será talvez a melhor batalha do filme todo e surpreendeu-me não terem guardado este momento para o final da história pois todas essas cenas de guerra no primeiro [“Red Cliff“]  são bem mais entusiasmantes que o plástico ataque final que supostamente deveria ser o climax do filme e no entanto sabe a pouco.
Tal como os mais de 300 minutos de duração que a versão integral contém apesar de terem muita coisa positiva.

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CLASSIFICAÇÃO:

[“Red Cliff“] mesmo não sendo aquele acontecimento cinematográfico que tanta gente gostaria que fosse, é no entanto um bom filme sobre estratégia militar e intriga politica e palaciana que apesar do seu argumento algo disperso ainda contém um par de boas surpresas no que toca á parte de espionagem entre exércitos que os irá divertir.
Será talvez vitima do próprio peso de mostrar que é um épico histórico gigantesco e como tal a megalómania dos cenários e dos efeitos gráficos sobrepõe-se ao divertimento, o que é pena.
De qualquer forma, quatro tigelas de noodles porque é bastante bom mesmo e irá agradar muito a quem gosta de coisas sobre estratégia militar.

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A favor: visualmente é sumptuoso e com uma escala épica incrível a nível de produção, está cheio de paisagens fabulosas, a batalha do primeiro disco é fantástica e muito criativa, as cenas de espionagem são divertidas e com bastante humor o que foi algo inesperado de encontrar num filme tão sério sobre alianças e estratégias militares, uma das love-stories quase resulta e é divertida de seguir, contém um par de sequências de acção individuais muito boas mesmo, a cena do roubo das flechas no segundo disco é absolutamente clássica e muito engraçada, um elenco fabuloso que se esforça por dar vida a personagens que não cativam particularmente.
Contra: esforça-se demasiado para nos fazer notar que é um épico a todo o instante e com isso torna-se muito artificial, tem cenas longas e desnecessárias que repetem informação que já se sabe, não cria qualquer empatia com os personagens salvo uma ou duas excepções, muita acção mas não se percebe bem que tipo de filme estamos a ver, falta-lhe sangue, a batalha final não tem nada de surpreendente, nota-se o CGI e isso retira-nos automáticamente do ambiente do filme nos raros momentos em que quase conseguimos abstrair-nos de que estamos a ver um filme.

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Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=GPF6jaaBW7M&feature=related

Comprar Blu-Ray bem baratinho na Amazon Uk- Contém os dois filmes
http://www.amazon.co.uk/Cliff-Special-Blu-ray-Tony-Leung/dp/B002GDM2S2/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1306617909&sr=8-1

Download Red Cliff com legendas em PT/Br
Download Red Cliff 2 com legendas em PT/Br

IMDB – Red Cliff
http://www.imdb.com/title/tt0425637/
IMDB – Red Cliff 2
http://www.imdb.com/title/tt1326972/

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