The Monkey King 2 : The Legend Begins (2016) ChinaThe Monkey King 2) Pou-Soi Cheang (


Wow !
Até ao momento [“The Monkey King 2: The Legend Begins“] foi para mim a surpresa do ano em termos de cinema, pois desta não estava nada à espera.
Apanhar com uma sequela assim principalmente depois do primeiro filme ter sido tão …ehm…inclassificável… foi verdadeiramente um prazer no que toca à descoberta de novos filmes de Fantasia.

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O personagem do –Monkey King– apesar de pertencer à própria cultura popular chinesa, para mim sempre foi absolutamente insuportável. Estas versões modernas, não são a primeira adaptação do conceito que trouxe este heroi para o cinema, mas independentemente de que versão tenha aparecido no mercado desde há décadas, para mim este Rei Macaco sempre foi o equivalente oriental ao Jar-Jar-Binks no Star Wars e portanto quem percebe esta referência já está a imaginar a tragédia e o quanto insuportável se pode tornar um personagem num filme de fantasia. E este ainda conseguiu ser pior, se é que tal lhes parece possível.

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[“The Monkey King 2: The Legend Begins“] apesar do subtitulo “The Legend Begins” é na verdade a sequela do filme “The Monkey King” de 2014. Ou melhor, por acaso pareceu-me quase uma espécie de -reboot- não assumido desta franchise oriental. [“The Monkey King 2: The Legend Begins“] está para “The Monkey King” e para a série de adaptações clássicas de filmes Chineses -“Journey to the West”- como o novo Star Wars – The Force Awakens, está para o universo Star Wars.
Apesar de referenciar muitos dos acontecimentos anteriores, [“The Monkey King 2: The Legend Begins“] é muito semelhante ao novo Star Wars na forma como usa tudo o que já foi feito anteriormente em cinema para de certa forma recomeçar a saga de -Journey to the West- e as aventuras de Monkey King com um novo fôlego.
E que fôlego meus amigos !

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Muito raramente se encontra uma sequela que melhore por completo o que foi feito no filme anterior mas [“The Monkey King 2: The Legend Begins“] é definitivamente um verdadeiro manual de como se olha para um primeiro título e se consegue reparar practicamente todos os defeitos e falhas apresentadas na primeira adaptação.
Estava a ver isto e a pensar que quase parecia que o os criadores deste segundo filme tinham lido a minha review do primeiro “The Monkey King“, anotado cada uma das minhas queixas e melhorado tudo o que eu tinha apontado de negativo. Curiosamente, ao ler um par de outras reviews profissionais na internet, notei que também outras pessoas sentiram exactamente o mesmo que eu senti e também pela mesma razão gostaram agora também mesmo muito desta sequela.

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Afinal [“The Monkey King 2: The Legend Begins“] é bom porquê ?
Para dizer a verdade, isto começou e durante os primeiros vinte minutos ou algo assim, eu já pensava – not again – e já me preparava para desancar forte e feio também nesta sequela.
Para quem viu o primeiro capítulo disto (não é obrigatório), certamente também o inicio desta sequela lhes irá parecer mais do mesmo. O personagem continua insuportável, acontecem lutas em animação CGI histérica desde o primeiros segundo sabe-se lá porquê pois não têm grande contexto para nos situar na acção e até se anda à porrada com um típico dragão chinês só porque este tinha mesmo que voltar a aparecer no filme, (pois é realmente muito cool sim senhor) e não havia maneira de certamente o encaixar noutra parte da história.
Portanto, tudo péssimo no início deste filme, sem olharmos para isto em comparação com o que esperávamos que tivesse evoluído desde a primeira aventura.

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No entanto, continuem com o filme e vão descobrir que pouco a pouco irão ficar estranhamente mais interessados em tudo o que se passa no ecran e quando vocês darem por isso já estão a adorar aqueles personagens. Personagens que à partida parecem vir a ser tão rídiculos quanto o heroi mas que quando vocês chegarem ao final deste filme, mal podem esperar para os voltar a ver numa parte 3 que espero sinceramente que seja produzida com a qualidade e identidade deste segundo capítulo.
Atenção, toda a minha review enquadra-se num contexto de cinema de Fantasia. Se vocês não têm qualquer interesse por dragões, feiticeiros, cidades encantadas e montros míticos chineses, então é melhor passarem à frente e irem ver outra coisa qualquer que eu tenha recomendado por aqui.
Se chegaram até aqui, gostam de Fantasia e procuram uma história que se torna absolutamente cativante então estão no sítio certo.

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Aliás, o grande trunfo de [“The Monkey King 2: The Legend Begins“] está no facto de ir melhorando a cada minuto que passa. Este foi para mim um daqueles raros filmes em que senti que o que ainda estava para vir ia ser melhor e felizmente desta vez não me enganei.
Especialmente a nível de personagens.
Felizmente que alguém percebeu que o “The Monkey King” anterior precisava mesmo de uma renovação e de um grande melhoramento a nível de humanização dos herois para deixar de ser apenas o festival técnico de CGI sem alma que caracterizou o primeiro filme.
E é precisamente na humanização dos herois que [“The Monkey King 2: The Legend Begins“] desta vez acerta em cheio.

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Não parece ao início; a quantidade de efeitos digitais em modo ultra histérico continua absolutamente elevada a todo o instante mas mais uma vez se demonstra que se calhar um mau filme não está no exagero de efeitos digitais ou num excesso de cenas com efeitos especiais mas sim no facto de muitos filmes suportados em efeitos não os conseguirem mostrar dentro de um contexto concreto com pesonagens de que fiquemos a gostar.
[“The Monkey King 2: The Legend Begins“] pega em tudo o que falhou no primeiro filme a nível de personagens e exagero de efeitos sem alma, para melhorar tudo isso e desta vez temos uma história que trata tão bem os seus protagonístas que depois o exagero de efeitos já nem parece problemático; isto porque tudo está em perfeito equilíbrio precisamente porque desta vez ficamos mesmo a gostar de acompanhar cada um dos herois sem sentirmos que andam perdidos em intermináveis cenas de ecran verde para nada.

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[“The Monkey King 2: The Legend Begins“] é um filme que sabe quando deve parar. Pelo meio de tanta porrada digital, tanto efeito, tanto design espectacular ainda sobra espaço para um excelente desenvolvimento de personagens. A história está polvilhada de pequenos momentos que humanizam cada heroi (e até a vilã) e ainda consegue arrancar um par de momentos verdadeiramente dramáticos no melhor dos sentidos. É nessa altura que nos apercebemos que se calhar esta filme é bem melhor do que nos parecia pois damos por nós a nos importarmos realmente com a relação entre os personagens.

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E suspense. Este filme consegue ter suspense ! Até mesmo numa história de fantasia algo formulática em termos de estrutura consegue criar um par de momentos de tensão bastante bons que só contribuem para o espírito de aventura geral. E consegue isto até mesmo em cenas completamente afundadas em animação de CGI, o que não deixa de ser um feito notável.
Da mesma forma que os personagens vão ficando mais complexos, também a animação digital vai ficando mais espectacular e as cenas de acção vão se tornando mais histéricas. Só que desta vez tudo resulta, porque todo o filme já encontrou o seu equílibrio à muito.
Deixem-se levar por este universo e vão encontrar um dos melhores mundos de fantasia dos últimos tempos.

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Em termos de acção nota-se um esforço evidente para que cada cena de porrada apresente algo diferente. Nem sempre resulta, mas percebe-se que o filme está cheio de boas tentativas de nos divertir com cenas de luta o mais variadas possível.
[“The Monkey King 2: The Legend Begins“] é um filme de artes marciais dentro daquele estilo –Fantasia– muito assente em acrobacias com fios (que muita gente não gosta), passado num mundo algo semelhante ao de “The Promise” ou “The Restless” e é tudo o que por exemplo o ultra-decepcionante “Monk comes down the mountain” não conseguiu ser no que toca à criação de um universo de fantasia único envolvendo lutas de artes marciais.

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É certo que em [“The Monkey King 2: The Legend Begins“] os efeitos especiais continuam a ser por demais, mas desta vez como tudo está bastante bem equílibrado quanto a mim isso só contribui mais para nos transportar para um verdadeiro mundo encantado, numa China mítica que tem algo a ver também com o espírito das Mil e Uma Noites…e…macacos me mordam se não há por aqui neste filme um par de piscadelas de olho aos filmes de aventuras arábicas do clássico criador de efeitos especiais Ray Harryhausen (filmes de Sinbad dos 50,60,70s); pois a cena da luta contra os esqueletos neste filme parece ser uma verdadeira homenagem à cena clássica do filme com as aventuras de Sinbad que muita gente interessada pelo cinema de Fantasia clássico, conhece.

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Adoro quando um filme de fantasia me consegue realmente transportar para um mundo imaginário e há muito que não via algo que tivesse tido esse efeito da forma como [“The Monkey King 2: The Legend Begins“] o fez agora. Nem os recentes -The Hobbit- de Peter Jackson tiveram esse efeito em mim na sua totalidade e muito menos tinha encontrado qualquer título oriental recente que tivesse conseguido criar um mundo realmente único dentro do género da Fantasia desde “The Promise” há dez anos atrás; talvez com excepção do divertido “Dragons Nest: Warrior´s Dawn” no que toca ao puro cinema de animação.

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[“The Monkey King 2: The Legend Begins“] acerta em cheio na criação de um mundo imaginário. Apesar de ser assumidamente –cinema de Photoshop– essencialmente, consegue no entanto abrir-se a uma escala épica que tinha faltado em absoluto ao primeiro “The Monkey King“. Desta vez já tudo não se passa apenas num único ambiente e os nossos herois fazem realmente uma veradeira viagem por um mundo de fantasia onde encontramos as paisagens mais variadas e imaginativas que para mim são absolutamente essenciais quando se pretende transportar o espectador para um outro universo.

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Os herois viajam por desertos, florestas, vales, montanhas sem neve, montanhas com neve, cidades em ruínas, capitais épicas (com sabor a Mil e Uma Noites), templos perdidos, torres demoníacas, masmorras e todo um sem numero de locais que adorei percorrer e que contribuiram totalmente para solidificar aquele mundo de fantasia que mesmo construído em CGI sente-se no entanto como real; (essencialmente porque assenta em bons personagens).
Em vários momentos parece que estamos  a ver um excelente livro ilustrado com um qualquer conto de fadas muito imaginativo visualmente e portanto nota alta para o concept-design desta aventura.

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E por falar em personagens, o filme pode chamar-se [“The Monkey King 2: The Legend Begins“], mas desta vez, felizmente já tudo não precisa de girar à volta do protagonísta. Na verdade senti que os criadores deste filme perceberam que o -“sindroma Jar-Jar-Binks”– poderia realmente continuar a dar cabo desta saga e desta vez o próprio Monkey King mesmo apesar de continuar histérico com o raio e com um riso absolutamente irritante está no entanto mais contido. Não só tem momentos de pausa muito bons em que podemos vislumbrar uma verdadeira humanização por detrás do personagem, como este faz parte de um grupo mais vasto e funciona mais como complemento central onde toda a história assenta do que própriamente tem o papel central.

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A haver um heroi se calhar é o personagem do monge que tem a missão de viajar para Oeste em busca dos escritos sagrados do Budismo, mas mesmo este não resultaria se não estivesse apoiado pelos restantes membros do grupo de herois e portanto temos aqui um verdadeiro -ensamble cast- em vez da história ser apenas uma desculpa para cenas de acção histéricas com o Monkey King. Todos os personagens importam e tudo resulta por causa dessa química que há entre eles e que nos fazem gostar de acompanhar o seu destino.

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[“The Monkey King 2: The Legend Begins“] é também um filme sobre o vilão da história. Ou melhor, sobre a vilã. Uma verdadeira feiticeira completamente inspirada na bruxa má da história da Branca de Neve (ou pelo menos parece) e que acaba por ser o coração emocional do filme, até na forma como a sua história está depois ligada ao próprio destino do monge e irá afectar toda a acção e desenvolvimento dramático no segmento final da aventura que resulta em pleno.

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Este personagem da feiticeira é um espectáculo. Não só a caracterização e o design são perfeitos, como depois tudo o que envolve efeitos especiais em torno da sua Magia é absolutamente cativante. [“The Monkey King 2: The Legend Begins“] contém realmente muito boa animação CGI e se calhar não se nota, mas é nos momentos mais calmos envolvendo o personagem da vilã que nos damos conta como bons efeitos digitais quando resultam realmente contribuem para nos transportar para um mundo imaginário e nem por um instante nos lembramos que estamos a ver um persoangem de fantasia.

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Já falei sobre a origem desta história noutras reviews, mas para quem não sabe “Journey to the West” é assim uma espécie de saga da literatura clássica chinesa com uma forte tradição budista e em termos de comparação com Portugal é quase o equivalente aos “Lusíadas” só que com muito mais imaginação como podem ver pelos filmes se já os conhecem.
O Rei Macaco é apenas um dos persongens dessa saga mas é um dos herois míticos mais populares da China.
Curiosamente esta nova franchise do “Monkey King” é quase uma sequela (e prequela também) de um dos títulos orientais que já comentei por aqui, chamado “A Chinese Tall Story” e que na verdade é outra adaptação de mais um bocado desse texto clássico chinés (texto por demais enorme para ser adaptado num único título mas com material para aventuras inesgotáveis que certamente ainda iremos continuar a ver muito pelo cinema de fantasia chinês).

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De resto, o que mais dizer sobre este filme ? Falha no quê ?…
Bem, se calhar muitos cenários digitais são exageradamente digitais, se calhar tem alguma acção demasiado exagerada; mas a verdade é que desta vez isso não é de todo um problema. Só o facto de eu estar aqui a tentar esforçar-me para encontrar algo de verdadeiramente mau sobre este filme para postar aqui, é sinónimo de que se calhar achei [“The Monkey King 2: The Legend Begins“] ainda melhor do que eu pensei.

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Ah, e a banda sonora não se nota à primeira, mas é excelente e absolutamente perfeita para este tipo de história. Só me apercebi o quanto a música deste filme tem personalidade quando a estava ouvir nos créditos e fiquei com  vontade de comprar o cd  e tudo.
E por falar em créditos, vejam o filme até ao fim. 😉

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CLASSIFICAÇÃO:

Ainda pensei atribuír-lhe “apenas” cinco tigelas de noodles porque isto afinal não será própriamente o Casablanca e é apenas um filme de efeitos especiais bastante bom, mas a verdade é que eu realmente adorei [“The Monkey King 2: The Legend Begins“].

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Como cinema de Fantasia foi dos títulos que mais gostei nos últimos anos e acima de tudo gostei do facto de não ter gostado dele no início mas depois ao acabar só me apetecia ver uma terceira aventura e é muito raro encontrar cinema de efeitos especiais num modo histérico que me consigam cativar tanto.
Este vou comprar mesmo em Blu-Ray pois aposto que a versão 3D vai ser realmente fantástica, até porque o filme está cheio de momentos visuais que irão resultar muito bem de certeza absoluta nesse formato. Normalmente nem tenho grande curiosidade pelo 3D mas abro uma excepção concerteza para esta aventura.

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Transportou-me verdadeiramente para um mundo imaginário que não questionei de todo e só por isso vale cinco tigelas de noodles e um Golden Award.

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A favor: corrigiram tudo o que estava mal no primeiro filme da saga, desta vez temos personagens de que gostamos, a vilã é fantástica, é muito variado em termos de ambientes e criaturas imaginárias, tenta variar também  nas cenas de luta, consegue criar um mundo de fantasia sólido mesmo com todo o cgi à mistura, excelentes paisagens, parece um livro ilustrado em muitos momentos, bom sentido épico, boa banda sonora, muito divertido, deixa-nos com vontade de continuar a acompanhar aqueles personagens

Contra: os primeiros vinte minutos são algo caóticos e tudo parece banal e mais do mesmo em relação ao primeiro título de 2014, é cinema photoshop e portanto se são alérgicos a efeitos especiais deste género podem não gostar disto, se não gostam de cinema de fantasia em jeito de conto popular chinês esqueçam este título.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

 

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt4591310

Outra review:
http://www.hollywoodreporter.com/review/monkey-king-2-film-review-860996

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Mtime.com

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COMPRAR BLURAY [várias opções à venda no Oriente]

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COMPRAR BLU-RAY REGIAO ZERO/LIVRE na YesAsia
http://www.yesasia.com/us/the-monkey-king-2014-blu-ray-3d-2d-taiwan-version/1035437909-0-0-0-en/info.html

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http://www.dddhouse.hk/products/monkey-king-2-the-3d2d-blu-ray-2016

(Em Hong Kong na Play Asia, sai em Maio de 2016 – várias opções)
BLURAY [região zero]
3D e 2D – http://www.play-asia.com/the-monkey-king-3d2d/13/707qw5
3D apenas – http://www.play-asia.com/the-monkey-king-3d/13/707qvt
2D apenas – http://www.play-asia.com/the-monkey-king-2d/13/707qvx

DVD [região zero(?) por confirmar ainda…]
http://www.play-asia.com/the-monkey-king/13/707qvp

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A Chinese Tall Story capinha_Themonkeyking capinha_sorcerer_and_white_snake capinha_restless capinha_snow-girl

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Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal (Zhong Kui fu mo: Xue yao mo ling) Peter Pau / Tianyu Zhao (2015) China


Quem diria que por detrás deste festival de maus efeitos digitais estava um filme de fantasia tão interessante…

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[“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”] é o tipo de cinema de fantasia que é imediatamente atacado por todos os lados pelo público ocidental apenas porque os seus efeitos CGI não prestam. Está portanto visto que para muita gente actualmente, mau CGI = mau filme porque provavelmente para muito público, o Cinema não deve ter mais nada para além disso.

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Este filme geralmente é atacado na net em muitas opiniões ocidentais apenas por causa dos seus efeitos especiais mediocres, como se os efeitos especiais tivessem alguma coisa a ver com a qualidade do cinema enquanto arte.
Se vocês também são daquelas pessoas que acham que um os efeitos especiais definem o que é um bom filme, então é melhor passarem à frente e ignorarem [“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”]. Porque sim, os efeitos neste filme são do pior. Às vezes as animações estão mesmo ao nível de um mau jogo para a Playstation One , o que  é tecnicamente trágico.

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Por outro lado, se pensarmos nisto enquanto filme no sentido mais tradicional e esquecendo por momentos os efeitos; será realmente tão mau assim ? Será que a realização é má ? A montagem não presta ? Será que a fotografia é amadora ? Será que não tem actores de jeito o que a história é banal ?
Bem, na verdade não.
Tirando os efeitos especiais, [“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”] foi uma boa surpresa e um filme que se torna verdadeiramente agradável e cativante a cada minuto que passa.

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Percebi logo que não ia ser verdadeiramente insuportável como por exemplo foi “Warriors of the Zu Mountain (versão2)“, mas esperava que fosse uma espécie de fantasia em tom algo pimba (-brega- para o pessoal no Brasil) ao estilo de um “A Chinese Tall Story“; (outro filme onde os atrozes efeitos CGI são reis) mas que acaba por ser um filme simpático se o virmos por um contexto WTF. 😉

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Quanto muito esperava que [“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”] fosse divertido nos primeiros minutos mas depois se tornasse apenas em mais uma extravaganza de porrada digital e animações de computador como aconteceu ainda em “The Monkey King” por exemplo que deu um tiro no pé ao tornar-se tão repetitivo e histérico em termos de porradaria digital.
Resumindo, apesar da má onda inicial em termos técnicos, a verdade é que [“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”] parecia ter ali algo mais.

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E felizmente não me enganei, embora quando o filme acabou duas horas depois eu estivesse realmente surpreendido com o resultado final. Os efeitos digitais não melhoram (até pioram), mas este filme surpreendeu em tudo o resto.
Para quem não gosta de cinema de fantasia, esqueçam, vão ver outra coisa. Para quem gosta de cinema de fantasia mas apenas a vê como sendo aquele molde Dungeons & Dragons inspirado pelo trabalho de Tolkien, então também não é o filme para vocês.

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Agora…quem gosta de cinema de fantasia e percebe a lógica e o contexto do género dentro do estilo chinês e da cultura do conto de fadas na china; ou seja, do conto popular chinês, então [“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”] é um filme a não deixar de ver até ao fim, mesmo que o início lhes pareça algo desinteressante ou pouco original.

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Esta é a história de três reinos: o reino dos céus onde moram os deuses, o plano terrestre onde vivem os humanos e por fim, o inferno onde habitam os demónios.
É a história de um jovem caçador de demónios (treinado por um dos Deuses) que um dia se apaixona por uma bonita “princesa” que na verdade é ela própria um demónio que habita no inferno.

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Enquanto o plano terrestre considera o reino dos céus como o lado bom da origem da sua existência e o reino do inferno como o lado mau que é preciso evitar a todo o custo a verdade é um pouco diferente.

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[“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”] é na sua essência uma história sobre o Yin Yang e portanto muito espectador ocidental (nomeadamente evangélicos fundamentalistas) irá ficar chocado quando nesta história o Inferno não é retratado como sendo um lugar de sofrimento (ou um sítio mau) mas sim apenas como um reino diferente do reino dos céus, cujo o único pecado é se calhar não ter tido um bom decorador.

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As diferenças entre esses dois planos espírituais, são apenas artificialmente e culturalmente assinaladas pelos humanos no plano terrestre que essencialmente funciona como sendo a dimensão onde se joga o equílibrio entre as forças divinas; equílibrio esse que é fundamental para a harmonia do próprio universo.
Ou seja, [“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”] é uma história onde os demónios só aparentam ser maus porque o lado do reino dos céus para a população terrrestre está conotado como sendo o -BEM-; por isso, como diz um dos personagens a certa altura, se o Reino dos Céus representa o Bem, o que sobra então para o Reino do Inferno ser ?!…

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Portanto toda a história é sobre o permanente equílibrio entre o Yin e o Yang e sobre os acontecimentos que um dia colocam em causa a própria existencia do universo quando a luta pelo poder é comum a todos os planos independentemente da conotação cultural ou religiosa atribuída pelos humanos a cada um deles.

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Portanto meus amigos, já perceberam que [“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”] é filosóficamente mais complexo do que parece à primeira vista. E sabe muito bem como desenvolver essa complexidade no desenrolar da história. Até o final é particularmente diferente do que esperariamos ver se isto fosse uma produção de Hollywood.

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Curiosamente o início do filme não indica que este se irá tornar em algo mais do que apenas um filme de porradaria fantasiosa com maus efeitos CGI em modo histérico. Os primeiros vinte minutos ou coisa asssim, como já disse não são particularmente interessantes, mas deixem-se ficar e serão recompensados com vários pormenores que irão ficando cada vez mais interessantes.
E por favor, esqueçam os efeitos especiais, eu sei que não valem um corno. Get over it !

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[“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”] pelo meio de tudo isto, consegue uma coisa que por exemplo o excelente e algo semelhante em tom “The Promise” não conseguiu; ou seja, [“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”] contém realmente uma história romântica com carísma. O heroi pode parecer um bocado estúpido e grunho, mas a química com a “princesa” da história é tudo aquilo que faltava à parte emocional em “The Promise” e que ficou muito aquém nesse filme.
Aqui a partir de certo momento começamos a gostar de acompanhar a história de amor, pois ela acaba por centralizar todos os acontecimentos dramáticos de uma forma que nem parece particularmente forçada e resulta bem.

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A realização também é muito boa. Tivesse este filme tido bons efeitos digitais e já ninguém do público das pipocas falaria tão mal dele.
A razão porque os efeitos são tão maus é porque eles foram criados por mais de oito companhias diferentes espalhadas pelo mundo, inclusivamente até pela Weta Digital que criou os efeitos para o Lord of The Rings/(Gollum)/The Hobbit; por exemplo.
Como não podia deixar de ser, visualmente os melhores efeitos são precisamente aqueles que têm a ver com o ambiente e com as paisagens mais naturais da história pois o trabalho digital da Weta é sempre de qualidade.

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Pena é que as animações de criaturas não tenham ficado também na mesma companhia, porque na verdade o trabalho das empresas chinesas no que toca à animação dos monstros e até do heroi quando transformado em demónio, é absolutamente inacreditávelmente MAU !
Por outro lado, isso é compensado com uma excelente montagem, pois durante as sequências de acção por exemplo, o editor faz o melhor possível para esconder todas as fraquezas técnicas da coisa e em muitos momentos, principalmente lá para o final do filme até nos consegue fazer esquecer que estamos a ver animações do pior e dotar a aventura de bastante adrenalina e muita dinâmica, até em termos dramáticos surpreendentemente.

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[“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”] no que toca a efeitos e paisagens digitais, varia entre o extraordinário e o inacreditávelmente mau ! Alguns cenários são absolutamente incriveis, (os prácticos e reais, são excelentes) mas outros são do pior. As cenas no inferno não conseguem esconder que tudo é filmado em estúdio contra fundo verde pois todos esses cenários estão realmente mesmo mal integrados nas extensões digitais dos mesmos e nota-se à distância.

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Por outro lado o filme é incrivelmente rico em detalhes. O design de produção é fabuloso, os cenários estão inundados de texturas, pormenores e detalhes fascinantes e a própria cinematografia contribui para a qualidade visual em termos gerais, fazendo milagres para se integrar com o mau Cgi constante.

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Em relação aos personagens, este argumento balança um bocado. Há uns muito interessantes, o par romântico e alguns demónios têm carisma, mas depois há personagens secundários que parecem não servir para nada a não ser para compor o cenário e as sua cenas parecem sempre estar a mais ; (por exemplo a irmã e o “cunhado” do heroi). Se calhar por isso [“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”] também poderá ter um bocadinho de duração a mais, apesar da boa montagem estar sempre presente para tentar limar estas arestas e manter um ritmo coerente em toda a narrativa ao longo das duas horas de filme.

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Como cinema de acção, fantasia e aventura, é realmente divertido. Quem gosta de cinema de super-herois ou em estilo Dragon Ball onde “super-herois” lutam contra “super-vilões” em combates épicos por cenários muito variados; e conseguir abster-se dos maus efeitos, irá divertir-se com este filme certamente.

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Se gostaram de “The Promise” ou de “The Restless“, curtiram os estilos excêntricos de “A Chinese Tall Story” ou até de “The Sorcerer and the White Snke” este [“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”] está algures entre os dois embora com mais carisma romântico.
Se virem o filme em 3D vale a pena, pois alguns efeitos tridimensionais fazem-nos entrar mesmo dentro das paisagens (neve e cinza a cairem para fora do nosso televisor, por exemplo).

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CLASSIFICAÇÃO:

[“Zhongkui: Snow Girl and the Dark Crystal”] supreendentemente é mais do que apenas a típica aventura de porrada CGI. A questão filosófica sobre a natureza do céu/inferno é muito bem usada para potenciar a parte romântica da história e questionar todo o dilema moral sobre o que é ser bom ou mau afinal, num contexto mais cósmico da nossa existência. E não é todos os dias que uma aventura com maus efeitos especiais ainda consegue a nossa atenção pelas questões que levanta e pelos personagens a que consegue dar vida apesar dos problemas técnicos que contém.

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Gostei e surpreendeu-me.
Não é o melhor filme de fantasia do mundo, não é um grande drama e muito menos é cinema romântico indispensável, mas tudo o que faz (exceptuando os efeitos) faz bem e acima de tudo diverte quem gosta de um bom conto de fadas chinês nos moldes mais clássicos.
Quatro tigelas e meia de noodles porque saiu melhor do que parecia ser no inicio.

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A favor: visualmente em termos de design tem momentos fantásticos, excelentes interiores, muitas paisagens são espectaculares e cheias de ambiente, a parte romântica da história resulta, mesmo com maus efeitos especiais algumas cenas de acção são excelentes e muito dinâmicas, a realização é boa e supera as coisas menos boas, boa montagem também, banda sonora épica agradável, o final é diferente e algo subjectivo, se virem a versão 3D vão gostar dos flocos de neve por exemplo.
Contra: os personagens podiam ser mais cativantes no geral, alguns não servem mesmo para grande coisa a não ser fazer parte do cenário, alguns dos cenários não resultam tão bem quanto outros, as animações CGI das criaturas e personagens são absolutamente uma desgraça técnicamente falando e parecem coisas dos primórdios do 3D Studio por volta de 1995 ou saidas de um jogo da Playstation One, algum exagero num par de combates CGI entre super-herois e super vilões.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt3585004

Comprar Blu-Ray (atenção- região 3/A apenas)
http://www.play-asia.com/zhong-kui-snow-girl-and-the-dark-crystal-3d2d/13/709pxr

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The Sorcerer and the White Snake (The Sorcerer and the White Snake) Siu-Tung Ching (2011) China


Se julgam o cinema de fantasia pela qualidade dos efeitos especiais então fujam !
[“The Sorcerer and the White Snake“] tem efeitos digitais tão maus que fazem as sequências de “Blood – The Last Vampire” parecerem cenas do Avatar em comparação.
Por isso se um mau filme na vossa opinião se define pelo lado técnico dos efeitos é melhor esquecerem este desde já pois não vão gostar de todo.

Se no entanto, conseguirem abstrair-se das piores criações em CGI dos últimos anos, entrarem na onda visual do filme e não se importarem com “renders” que mais parecem saídos de uma introdução de um velho jogo para a PS-ONE do que material produzido para cinema feito em 2011, então bem-vindos a [“The Sorcerer and the White Snake“].
Especialmente se gostam de filmes de fantasia.

Esta produção pode ter defeitos que nunca mais acabam a nível técnico, mas tem imenso charme e acima de tudo tem uma coisa que para mim dá logo imenso valor a um projecto; está sempre a surpreender no que toca a imaginação e parece continuamente apostado em atirar á cara do espectador momentos inesperados especialmente quando pensamos que já vimos tudo e nada nos pode apanhar de surpresa. E isto no sentido positivo e no negativo. O que de de certa forma serve como ponto de reviravolta na nossa opinião sobre o que aparece no ecran.

Perdi a conta dos momentos em que só pensava que tudo era tão mau, tão mal feito , tão piroso e tão foleiro que só poderia ser totalmente viciante, naquele sentido do é tão mau que só pode ser de propósito e portanto se torna automáticamente genial.
Por outro lado também perdi a conta dos momentos realmente bons deste filme.
Não o são, própriamente pela história ou carísma dos personagens porque na verdade não têm nada de especial ou sequer muito cativante, mas pelo resultado global desta produção que tanto pode ser genialmente má como extraordináriamente boa ás vezes com uma diferença de segundos entre cenas.

Isto porque como já disse [“The Sorcerer and the White Snake“] é um filme cheio de imaginação. Daqueles que sabem usar as suas limitações técnicas para muitas das vezes criar cenas memoráveis. Já vi este título há um par de semanas e continua a não sair-me da cabeça, nomeadamente por causa de muitas das suas imagens cheias de ambiente, paisagens fabulosas e muita criatividade no design visual.

[“The Sorcerer and the White Snake“] está cheio de geografias fantásticas, criaturas fofinhas e carismáticas (que deveriam ter tido mais tempo de antena), ao mesmo tempo que contém algumas cenas de acção bem divertidas e que culminam num final absolutamente épico.
Tão épico que se nota perfeitamente que os criadores deste projecto não tinham orçamento nem para metade do que quiseram mostrar mas mostraram na mesma, numa onda total de : “que se lixe !”
Por isso nota alta para tanta ambição e pela total falta de receio em alienar logo metade do público com tanto mau CGI.

Nota-se que houve aqui uma escolha óbvia; ou faziam um final pequenino sem grande chama e dentro do dinheiro que haveria para produzir uns efeitos mais aceitáveis…ou… entravam á maluca por um final para lá de épico sem terem meios para o realizar técnicamente como deveria ter sido filmado. Por mim, ainda bem que escolheram o total avacalhamento visual , pois [“The Sorcerer and the White Snake“] tem no seu final alguns dos melhores momentos de sempre dentro daquele género de cinema-tão-mau-que-só-pode-ser-bom !

Portanto se gostam de cinema de fantasia eu recomendo vivamente este filminho. Agora têm de gostar de Fantasia dentro do género conto-popular-chinês, em puro modo de conto-de-fadas com um bocadinho de porrada e artes marciais. Se procuram algo no estilo ocidental em jeito de Lord of the Rings, esqueçam, [“The Sorcerer and the White Snake“] é puro cinema de fantasia ao melhor estilo “The Promise” mas produzido sem o mesmo orçamento.

Quando isto começou, a primeira sensação que tive foi a de que estava a ver uma espécie de sequela não declarada de “The Forbidden Kingdom” mas sem o Jackie Chan ou o puto americano que não servia para nada.
Parecia que alguém na China esteve a ver esse filme, percebeu o que estaria a mais nele e resolveu criar a sua própria versão integralmente chinesa (visto Forbidden Kingdom ter sido uma co-produção China/América).
Isto porque inclusivamente o personagem de Jet Li até parece o mesmo e tudo, só que desta vez bem melhor usado dentro do contexto geral da história.

[“The Sorcerer and the White Snake“] é no entanto um filme bem mais infantil que “The Forbidden Kindom” (se é que tal é possível), isto porque em muitos momentos até parece uma produção da Disney ou da Dreamworks, devido ás sequências com criaturas fofinhas e animais inteligentes a piscar o olho ao estilo Shrek até).
Mas ainda bem que elas estão na história, pois são um dos seus pontos fortes. Quebram a monotonia da óbvia, clássica e algo aborrecida história de amor central e equilibram muito bem alguns dos momentos de acção mais fracos até.
Da minha parte só tenho pena que o filme não tenha tido mais criaturas como estas ao longo da história. Mas como está, está bem e curiosamente os efeitos digitais nesses momentos nem são nada maus não senhor.

Essencialmente [“The Sorcerer and the White Snake“] é um conto de fadas chinês. Conta a história de uma espécie de serpente milenar que se apaixona por um humano e se transforma em mulher para poder viver com ele. Claro que o pobre coitado nem suspeita do verdadeiro aspecto da senhora e muito menos imagina que existe uma ordem de monges que ao melhor estilo Terminator em versão Shaolin percorrem o mundo eliminando todo o tipo de criaturas que não forem humanas porque as consideram demoníacas , só porque sim; o que acaba por se revelar um dos pontos interessantes na moral da história também e provavelmente será a tónica do conto original que não parece esquecida no desenlace final desta aventura. Nota positiva também para isto.

Basicamente estamos na presença de um filme de aventuras divertido, passado numa China de Fantasia ao melhor estilo conto de fadas clássico oriental. Não se chateiem muito com o visual dos maus efeitos especiais e deixem-se levar pelo universo da história pois [“The Sorcerer and the White Snake“]  é um pequeno grande “mau” filme simplesmente perfeito para quem procura um titulo divertido e ligeiro. Nota-se que houve um constante esforço para apresentarem um produto criativo mesmo apesar das limitações técnicas e nem sempre encontramos algo assim que sabe tirar uma nota tão positiva daquilo que á partida poderia ter sido a morte do filme.

O seu único problema é que a história nem é particularmente divertida e o facto de se basear essencialmente numa espécie de comédia de costumes envolvendo uma história de amor também não ajuda a dar-lhe grande carísma no aspecto humano. Isto porque os personagens são todos muito superficiais e portanto não esperem encontrar aquela intensidade romântica de um “An Empressa and the Warriors” por exemplo e essa é uma das grandes falhas do filme, pois supostamente o amor seria o motor de todas as situações da história mas os personagens nunca nos cativam da forma que é habitual encontrarmos no cinema romântico oriental.
Como resultado disso, a parte dramática deveria criar uma grande empatia com o espectador para ajudar a terminar em beleza o segmento final da história, mas não funciona muito bem em termos emocionais pois tudo nos parece artificial demais ao contrário do que costuma ser costume em produções românticas orientais.

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CLASSIFICAÇÃO:

É um filme carregado de pequenos pormenores que lhe dão imensa vida. Tudo o que não envolve a história de amor central, dá imensa energia ao filme; o que no fundo é uma mais valia pois este enquanto fantasia romântica simplesmente nunca funcionaria muito bem por causa da superficialidade de toda a trama de amor.
Boas cenas e acção, monstros divertidos, criaturas fofinhas quanto baste, alguma comédia bem conseguida, quilos de maus efeitos especiais que não deixam de ter imensa personalidade mesmo assim e um final tão épico que nem cabe no orçamento do filme.
Como filme de fantasia totalmente no estilo conto-de-fadas-chinês, não será melhor que “The Promise” ou mesmo que “An Empress and the Warriors“, mas mesmo apesar dos maus efeitos especiais penso que é mais cativante do que “The Restless” e mais criativo que “The Forbidden Kingdom” também.
Por isso e porque o raio do filme não me sai da cabeça mesmo depois destas semanas todas, quatro tigelas e meio de noodles porque sendo mau demais é realmente muito bom mesmo ! E já que estamos no Natal é uma óptima escolha para espreitarem enquanto esperam pelo dia de abrir as prendas também.

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A favor: soube tirar partido da sua muita imaginação mesmo apesar dos péssimos efeitos CGI, está carregado de pequenos pormenores criativos a todos os níveis, algumas paisagens são fabulosas, tem um final tão épico que quase não cabe no orçamento do filme o que o torna ainda mais divertido, esforça-se a todo o instante por ultrapassar as suas limitações técnicas tentando surpreender o espectador com coisas novas e pequenas reviravoltas, tem um par de monstros bem creepy e divertidos, alguns efeitos digitais até nem são maus de todo não senhor, tem um par de criaturas fofinhas bem conseguidas, grande parte do design é excelente com destaque para o visual das duas serpentes irmãs em estilo sereia flutuante, boas e variadas cenas de acção eficazes quanto baste, alguns momentos de comédia divertidos.
Contra: quem odeia o estilo cinema-photoshop presente em “The Promise” vai abominar este filme totalmente,  a história de amor deveria ser o coração da história mas perde-se algures entre o drama que nunca poderia ser e a comédia que não sabe se quer ser, os personagens não têm grande profundidade e por isso a parte humana da história fica um bocadinho áquem do que é costume em produções românticas orientais, em 2011 é um filme com efeitos digitais do meio dos anos 90 no mínimo…mas por outro lado, who cares !

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=YOXg1SL60nk

Comprar
http://www.yesasia.com/us/the-sorcerer-and-the-white-snake-dvd-china-version/1025644242-0-0-0-en/info.html

Download aqui com legendas me PT/Br

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0865556/combined

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Filmes “semelhantes” de que poderá gostar:

A Chinese Tall Story The Promise

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Joong-cheon (The Restless) Dong-oh Cho (2006) Coreia do Sul


Este é outro daqueles filmes asiáticos que se calhar não merecia que eu tivesse gostado tanto dele.
Não é de modo nenhum um grande filme oriental, tem as suas fraquezas, tem problemas no desenvolvimento de personagens e cheira a plástico por todo o lado.
No entanto, se tivesse mais meia hora poderia ter sido um daqueles filmes de fantasia imprescindíveis, por isso na minha opinião é pena só ter mesmo 105 minutos porque este [“The Restless“] tinha mesmo muito potencial.

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Para começar, eu que já não acreditava que a Coreia do Sul pudesse conseguir acertar com um filme do género Wuxia fiquei bastante surpreendido quando já me preparava para arrasar nest blog, mais esta tentativa. Depois de coisas como “Bichunmoo” e “Duelist” (entre outros), que me deixaram mais que decepcionado eu já olhava de lado tudo o que fossem supostos Wuxias Sul Coreanos e se eu tivesse sabido que  [“The Restless“] era mais um, nem o tinha sequer comprado. Na verdade achei piada ao trailer e encomendei o filme pensando que seria mais uma obra de fantasia Chinesa.
Tarde demais reparei que era mais um Wuxia Coreano e não o podia cancelar pois o dvd já vinha a caminho.
Ainda bem.

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Ainda bem porque este deve ter sido um dos filmes de pura Fantasia oriental de que mais gostei desde “The Promise”.
Aliás, [“The Restless“] faz lembrar um parente pobre desse filme Chinês. Parece um “The Promise” feito com pouco dinheiro mas tentando disfarçar ao máximo todo o pequeno orçamento com muita imaginação plástica ao melhor estilo cinema-photoshop.
Portanto se não gostaram de “The Promise”  esqueçam este filme.  [“The Restless“] segue o mesmo estilo como todos os excessos visuais extremamente artificiais que caracterizava o outro filme oriental só que em versão mais contida devido ás suas limitações de orçamento.
Para quem gostou do filme Chinês e quiser “mais do mesmo” tem aqui uma compra á altura e um Wuxia de pura Fantasia muito recomendável mesmo.

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Este não é um filme oriental para aquelas pessoas que detestam ver gajos a voar por tudo o por nada, lutas á espada sem qualquer lógica “credível” e muito menos é um filme para quem acha que o estilo “livro ilustrado” a Photoshop não tem muito a ver com cinema.
É verdade,  [“The Restless“] tem muitas fraquezas, não será um daqueles filmes asiáticos ou de fantasia que fica na memória pelo selo de qualidade, mas é definitivamente não só o melhor Wuxia Sul Coreano até ao momento, como principalmente é uma obra de Fantasia com um vasto mundo para o espectador explorar se decidir ignorar os seus defeitos e deixar-se levar pela atmosfera e principalmente pelo ambiente visual das suas geografias imaginárias.

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[“The Restless“] tem como título original, [“Joong-cheon“] que em Coreano significa qualquer coisa como “o mundo entre Mundos” e se quiserem uma analogia ocidental, todo este filme se passa naquilo que na religião Católica se poderá designar como “Purgatório“. Só que na tradição Sul-Coreana este lugar não é um conceito abstracto, mas um mundo cheio de vida e tão real como o nosso plano Terrestre. Apenas em Joong-cheon as regras da Natureza são ligeiramente diferentes.

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O filme narra a história (e as aventuras) de um guerreiro que na Terra pertencia a um esquadrão de caçadores de demónios e que um dia se vê lançado no mundo de Joong-cheon.
Acontece que para surpresa dos seus habitantes, esse guerreiro passeia-se pelo purgatório ainda vivo e claro que esse estranho facto tem uma explicação que deixarei para descobrirem quando virem o filme.
Ao chegar a Joong-cheon, o guerreiro encontra a mulher que amava na Terra mas ela não o reconhece apesar de todas as tentativas do heroi para que esta se lembre dele.  Tendo morrido de uma forma trágica quando foi queimada como bruxa ela não tem qualquer memória da sua vida terrestre, o que como imaginam é perfeito para alimentar o segmento romântico do filme.
Para além disto, óbviamente que a história conta com o vilão do costume que é um gajo mau que se farta mas se quiserem saber mais, vejam o filme pois eu não tenho paciência nenhuma para descrever estas coisas. Nem gosto, pois para mim metade do prazer em ver cinema está em não sabermos nada sobre o que vamos ver.

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Apenas referi este bocadinho de argumento para poder apontar logo aquilo que será talvez o maior problema de [“The Restless“].
Quando eu digo que este filme merecia ter pelo menos mais meia hora é porque precisava de ter tido esse tempo no início para poder apresentar-nos os seus personagens e infelizmente isso não acontece.
O argumento, entra logo a abrir e os personagens quase que nos caiem em cima em estado acelerado. De cada vez que a história nos apresenta uma nova pessoa, normalmente a montagem entra por uma sequência fragmentada, que, ou nos leva para uma cena de acção ou então para mais um flashback que tenta narrar em breves minutos (breves mesmo) todo o background da história do novo personagem.
Se isto torna os personagens secundários completamente redundantes, (os antigos “amigos”(?) do heroi por exemplo), também não ajuda nada a situar aquilo que supostamente é a alma do filme, ou seja a inevitável história de amor.

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[“The Restless“] tinha tudo para ter sido um Wuxia tão romântico e emocional quanto “An Empress and the Warriors“, mas falha nesse aspecto porque não dá tempo ao espectador de criar uma empatia com o passado dos personagens. E quando esse passado é essencial para criar emoção para a história presente, o filme nunca consegue transportar-nos verdadeiramente para o seu coração emocional.
No ecran tudo é visualmente muito bonito mas o facto de [“The Restless“] não conseguir puxar emocionalmente o espectador para o seu mundo torna todos os cenários em Photoshop ainda mais artificiais e é pena, pois este filme oriental pedia uma envolvência total e nunca nos consegue puxar verdadeiramente para dentro dele. Embora verdade seja dita que se nota perfeitamente o realizador a tentar criar emoção e dotar a história de alguma alma. Infelizmente a estrutura do argumento, a falta de tempo e uma montagem algo errática em alguns momentos torna a sua tarefa bem dificil.
Outra coisa que também não ajuda são as sequências de acção.
Infelizmente [“The Restless“] não é um filme Chinês e isso nota-se.

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Ao contrário dos Wuxias Chineses onde as coreografias de acção nos maravilham ou surpreendem com toda a sua variedade, este filme Sul Coreano nunca consegue chegar ao mesmo nível.
[“The Restless“] é essencialmente um filme de acção e possivelmente um dos mais dinâmicos filmes de pura Fantasia que poderão encontrar pela frente. No entanto todo o dinamismo nunca se traduz em variedade.
Ou seja, o filme tem acção, porrada de meia noite, gajos a voar por todos os lados, espadeirada quanto baste, mas tudo parece sempre mais do mesmo.
Enquanto um Wuxia Chinês nos impressiona pelas coreografias imaginativas, [“The Restless“] tenta impressionar-nos pelo estilo e pela pinta que tenta meter á força. É aqui que se nota que esta obra é mesmo um produto Sul Coreano e não Chinês.
Montagem televisiva ultra-rápida em estilo videoclip MTV, herois em poses cheias de tiques Anime e muito Cgi de plástico a embrulhar tudo a todo o momento.

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Aliás há um par de momentos no filme em que pensei que se calhar a compra do dvd não teria sido lá muito boa ideia. Isto porque algumas sequências ao mais puro estilo Anime ( a puxar para o Dragon Ball ), fizeram-me pensar por minutos que tinha comprado mais outro “Shinobi” e que as coisas iam descambar noutro clone em overdose de porrada Cgi. E vocês sabem o quanto eu gostei do Shinobi.
No entanto, felizmente as coisas compõem-se. E apesar do constante esforço que se nota no filme para meter estilo nas cenas de porrada a verdade é que o resultado final até poderia ter sido bem pior.
Estou para aqui a reclamar, mas [“The Restless“] se vocês quiserem ver um bom filme de porrada com muita Fantasia visual, têm aqui uma boa opção que conta inclusive com um par de sequências de acção muito entusiasmantes.
Por exemplo a cena em que o heroi com uma simples espada limpa sózinho o sebo a um exército de milhares de gajos feios é um verdadeiro prazer cinéfilo-chunga-estiloso e vale o filme se a esta altura vocês já tiverem deixado o cérebro algures.

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E pronto, essencialmente estamos conversados sobre os aspectos menos bons de [“The Restless“].
Quanto a coisas positivas…
Bem, para começar lá para o final a história de amor quase que resulta e ajudada por visuais lindissímos temos um vislumbre daquilo que o coração emocional do filme poderia ter sido se tivesse tido a tal meia hora de introdução de personagens que não teve.
E por falar em visuais… os cenários podem ser de Photoshop mas que são fabulosos isso são. Quem quiser um filme de Fantasia oriental, (já viu o “The Promise” ), e adorar histórias em que os herois percorrem em estilo road-movie uma variedade imensa de geografias imaginárias cheias de ambiente então não pode perder [“The Restless“].
Sente-se de facto que o mundo de Joong-cheon é um mundo á parte, não só mágico como imenso e muito imaginativo.

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Os cenários virtuais são espectaculares e muito vastos, a cenografia é excelente e muito atenta ao pormenor e a cor é usada de uma forma absolutamente perfeita, tornando este filme num verdadeiro Anime em “imagem real” como se estivessemos a ver uma graphic-novel pintada a óleo sempre em movimento.
Apesar de bastante plástico e muito artificial, quanto a mim nota alta não só para o design de todo o filme como principalmente pela imaginação que conseguiu colocar no ecran com um pequeno orçamento.
Nota positiva também para a banda sonora. Embora em alguns momentos tenha uns tiques de música contemporanea que me chateiam particularmente, noutras alturas consegue uma atmosfera perfeita para algumas sequências. Por mim o filme teria uma música mais épica que fizesse o ambiente abrir-se ainda mais, mas não se pode dizer que as melodias estraguem o filme.

E como tal…

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CLASSIFICAÇÃO:

Não será o melhor filme de Fantasia do mundo, mas quem gosta do género tem aqui uma excelente opção.
Se gostou de “The Promise”  e quiser mais do mesmo tem aqui o seu parente pobrezinho mas com muita substância e imaginação. Quem não gostou de “The Promise” se calhar é melhor evitar este filme a todo o custo.
Pode não ser Cinema com “C” grande mas é um excelente filme pipoca para quem procura um divertimento de Fantasia e gosta do estilo oriental.
Recomendo vivamente e leva quatro tigelas de noodles na boa apesar das suas falhas.
Se calhar merecia menos, mas é um filme de Fantasia divertido e não há muito deste estilo por aí.

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A favor: para quem gosta de explorar mundos de fantasia a partir do sofá da sala, tem muita imaginação, o conceito do mundo “purgatório” está muito variado e cheio de pormenores criativos, tem um excelente ambiente e passa a sensação de que o mundo é realmente vasto, usa muito bem os cenários naturais, apesar de plástico e artificial contém paisagens em estilo Photoshop fabulosas, as cores do filme são mágnificas e a cenografia está cheia de detalhes que ainda ganham mais vida a uma segunda visão, em algumas cenas de acção o uso do Cgi é mágnifico, a história de amor apesar de não agarrar o espectador tem um par de momentos bonitos, algumas cenas de acção são excelentes embora repetitivas, a breve cena de porrada em que um gajo devasta um exército á espadeirada é demais e completamente Anime/Manga, a banda sonora poderia ser mais épica mas não está mal. Quem joga “Perfect World” vai gostar muito deste filme que bem que se poderia chamar “Perfect World – The Movie” e ninguém iria queixar-se.
Contra: o filme precisava de pelo menos mais meia hora no início para apresentar os personagens como esta história merecia, os personagens são demasiado esquemáticos e sem grande alma ou personalidade, as histórias que tentam humanizar os personagens em estilo flashback não resultam, apesar de haver uma história para o vilão este acaba apenas sendo o mau do costume que só está no filme para morrer no fim, falta uma verdadeira carga dramática no filme e é pena, a montagem por vezes tenta contar muita coisa em segundos e como resultado os acontecimentos não têm grande substância nem conseguem contribuir para que os personagens sejam menos de cartão, a história de amor nunca atinge o seu potencial nem tem grande emoção salvo raros momentos, o espectador nunca é verdadeiramente transportado para dentro do filme, algumas cenas de acção são demasiado Shinobi/Dragon Ball e isso quase que estraga o ambiente do filme, embora muito dinâmicas todas as cenas de acção parecem sempre mais do mesmo, o filme tenta disfarçar a falta de variedade da acção com uma montagem acelerada estilo MTV em muitos dos momentos que pediam uma boa coreografia e em vez disso apenas têm estilo a mais, as poses Anime dos persongens quando andam á porrada acabam por perder a piada porque repetem-se constantemente, nunca se percebe se o filme quer ser um Wuxia de fantasia ou um Anime em imagem real e fica a meio caminho entre os dois.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=lXVNZqKd_Bo

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Comprar
Recomendo  a edição R1 americana.
Excelente imagem e som, com um óptimo documentário de making-of e tudo legendado em inglés.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0929261/

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Se gostou deste poderá gostar de:

The Promise A Chinese Tall Story

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Nae yeojachingureul sogae habnida (Windstruck) Kwak Jae-young (2004) Coreia do Sul


Alguém deveria proíbir este realizador de fazer mais filmes para o resto da vida porque isto assim não vale !
Este tipo chamado Kwak Jae-young parece estar empenhado em sabotar os esforços de quem tem blogs sobre cinema oriental pois quem gosta de aconselhar filmes tentando ter por base alguma lógica de classificação fica logo sem poder ter uma comparação coerente quando se depara com outro trabalho deste realizador porque o homem continua a produzir trabalhos únicos.
Este gajo insiste em continuar a surpreender até mesmo quando se imita a si próprio e cria uma obra que há primeira vista até nem parece ser dos seus melhores filmes.
Basicamente estou lixado.

Depois do que tinha lido pela net não estava á espera de que [“Windstruck“] fosse alguma coisa por aí além, porque desde o seu aparecimento as reviews parecem andar todas entre o bom e o medianamente alto mas quase nenhuma lhe atribui o mesmo valor que por exemplo “My Sassy Girl” alcançou na opinião da critica em geral surpreendendo toda a gente a quando do seu lançamento nas salas de cinema orientais.
Talvez esteja aí o problema. Isto de um realizador se estrear com algo realmente único e que define um estilo está mais que visto, tem de certeza as suas desvantagens pois parece que a partir desse momento qualquer coisa que ele faça a seguir será inevitávelmente comparado ao seu primeiro filme.

Neste caso parece que Kwak Jae-young carrega a maldição de não conseguir fazer mais nada que não seja imediatamente comparado desfavorávelmente com a inovação de “My Sassy Girl” e portanto por mais que este se esforce, para muitos críticos não pode existir mais nada depois do primeiro filme que alcançe o mesmo nível e portanto a partir daí a escala de valor foi sempre a descer.
Não posso discordar mais em absoluto !
Não posso discordar mais e por causa de me ter deixado influenciar pela quantidade de reviews menos espectaculares acabei por entrar na onda e só ontem me decidi a ver [“Windstruck“] também convencido que iria ser giro mas nada de extraordinário.
Resultado, acho que apanhei a surpresa do ano no que toca a filmes orientais pois realmente não estava nada á espera disto.

Se gostaram de “My Sassy Girl” então [“Windstruck“] é de visão mais que obrigatória por todos os motivos e mais alguns.
Primeiro porque depois da quantidade más de imitações que o original gerou (inclusivamente um remake americanoide), o realizador Kwak Jae-young parece que decidiu colocar ordem na casa e mostrar como se faz outro “My Sassy Girl” a sério, provando de uma vez por todas que não basta ter uma personagem estilo gaja-boé-da-maluca para criar boa comédia.  Com [“Windstruck“] Kwak Jae-young mais uma vez mostra que nem toda a gente pode ter o seu talento para realizar este tipo de cinema e que apesar de comerciais cada vez mais se pode dizer que os seus filmes são verdadeiros exemplo de cinema de autor pois o seu estilo já se torna completamente identificável.
Ainda a história não começou há minutos e percebemos logo que é um trabalho do mesmo autor de “My Sassy Girl” e “The Classic” porque na verdade não dá mesmo para imitar o que este tipo faz por muito simples e comercial que o seu Cinema pareça.

Actualmente não deve haver ninguém que equilibre tão bem a comédia e o drama como Kwak Jae-young o faz e isto é daquelas coisas que não dá mesmo para traduzir em palavras para quem nunca viu um trabalho deste realizador.
Nos seus filmes tudo pode acontecer como mais uma vez se demonstra claramente em [“Windstruck“], por exemplo na sequência do suícidio no cimo do prédio que é uma daquelas absolutamente indescritíveis.

E se pensam que estou aqui a revelar muita coisa vocês não fazem a mais pequena ideia do que vos espera quando virem este filme pois nunca viram uma cena sobre suícidio como esta.
[“Windstruck“] essencialmente é um “My Sassy Girl” parte 2 em versão não oficial (por muitos mais motivos do que vocês possam imaginar mas que não posso agora revelar).
Visto que dada a conclusão do “primeiro” filme não haveria grande hipótese de continuar a narrar a história dos dois primeiros personagens pois isso seria esticar demais a corda da credibilidade (até mesmo para este realizador), a solução que Kwak Jae-young parece ter encontrado foi a de contar uma nova história com mais ou menos a mesma estrutura e mais ou menos nos mesmos moldes.

Mas como nem tudo é o que parece, se vocês já estão a pensar que [“Windstruck“] volta a ser mais do mesmo… pois se calhar estão certos.
É mais do mesmo sim senhor, só que apesar de ter um estilo semelhante e um personagem principal bem sassy que podia ser o mesmo ,inclusivamente interpretado pela mesma actriz do filme original não pensem que vão ver uma repetição da mesma história.
É que se “My Sassy Girl” misturou como nunca a comédia adolescente com o drama romântico adulto num equílibrio absolutamente perfeito, desta vez [“Windstruck“] vai mais longe.
O novo filme é uma extraordinária (alucinante) e surpreendente mistura de:
– Comédia adolescente
– Cinema romântico extremamente poético
– Drama sobre a morte e a solidão do abandono
– Filme policial
– Comédia splapstick
– Cinema de gangsters
– Filme de porrada chunga (com explosões a condizer e tudo)
– Conto de fadas medieval (?!)
– Comédia romântica
– Filme sobrenatural
E acho que não me esqueci de nada…

E isto resulta ? Se resulta meus amigos.
Não só resulta como tudo neste argumento tem um equílibrio narrativo absolutamente extraordinário que leva ao extremo o estilo do realizador que já tinhamos visto em “My Sassy Girl” ou até mesmo no “The Classic”  onde numa breve cena de poucos minutos o realizador consegue fazer-nos rir e no segundo a seguir colocar-nos a chorar com uma facilidade como se aquilo que estamos a ver no ecran fosse a coisa mais fácil de conseguir fazer.
E neste [“Windstruck“] o efeito ainda é mais extendido pois na mesma cena além de nos conseguir fazer rir e chorar ainda nos coloca em suspanse ou até nos entusiasma com um par de cenas de acção á primeira vista completamente deslocadas de tudo o resto mas que no fundo pertencem perfeitamente ao universo que foi criado para este filme e onde só temos que aceitar as regras e divertirmo-nos com o que estamos a ver.

Uma coisa é certa [“Windstruck“] é um daqueles filmes orientais em que o espectador não consegue mesmo fazer ideia do que raio poderá acontecer a seguir pois pensamos que já vimos tudo quando nos cai outra coisa em cima que nos deixa a pensar que realmente há mesmo muita frescura e inovação no moderno cinema comercial Sul Coreano.
As semelhanças com “My Sassy Girl” são tantas no entanto, que muita gente já anda completamente baralhada sem saber se [“Windstruck“] é uma sequela ou uma prequela e não posso dizer muito mais sem estragar um dos melhores momentos deste filme.

E não, [“Windstruck“] não tem qualquer ligação a “My Sassy Girl“. A referência no filme é claramente uma in-joke, uma piada pessoal do realizador e um piscar de olho a toda a gente que certamente já se prepararia para acusar o filme de não passar apenas de mais uma imitação da anterior fórmula de sucesso e como tal o seu autor antecipa-se a isso colocando no filme uma das entradas mais geniais que vai deixar fascinada toda a gente que adorou “My Sassy Girl” e é definitivamente um dos pontos altos deste novo filme que fará as delícias de quem viu o “primeiro” antes de ver [“Windstruck“] e recomenda-se que assim seja.

Mais uma vez, prova-se que o cinema romântico sul-coreano está de boa saúde e continua a limpar o chão de uma forma quase humilhante com tudo aquilo que costuma passar por cinema romântico feito em Hollywood actualmente.
[“Windstruck“] no meio de toda a loucura que transporta no seu argumento tem coração, muita alma e poesia. Não só é cinema romântico de qualidade e cheio de humanismo como acima de tudo apresenta-nos mais uma original história de amor que irá certamente surpreender muita gente pois é muito raro encontrarmos um filme tão alucinado que nos consiga emocionar nos momentos mais inesperados como este filme consegue.

Na minha opinião este é mais uma daqueles filmes românticos orientais completamente obrigatórios e que devem quanto antes juntar á vossa colecção se forem fãs de histórias de amor originais, divertidas e muito humanas. Podem juntá-lo aos igualmente fabulosos ”The Classic“, “Be With You“,  “Fly me to Polaris“ , “Il Mare“ e claro, o mais que obrigatório “My Sassy Girl“.

Se [“Windstruck“] tiver uma falha, na minha opinião é o facto de se notar que é um produto concebido para fazer brilhar a actriz principal que entretanto se tornou uma estrela devido precisamente ao sucesso de “My Sassy Girl” e ao fenómeno de culto em que se tornou também “Il Mare“.
Tudo no filme gira mais do que nunca á volta da actriz principal e parece que não existe um enquadramento nesta nova obra que não esteja pensado para demonstrar a sensualidade e a beleza da rapariga. Não que isso me chateie muito, mas nota-se que ao contrário do primeiro filme este agora é uma produção que gira á volta de uma estrela principal.
Isto faz com que ao contrário do que acontecia em “My Sassy Girl“, o par romântico já não seja própriamente o centro do filme no que concerne ao trabalho de dois actores a interagirem em simultâneo.

Aqui, o personagem masculino serve mais para localizar as emoções da personagem feminina do que própriamente para também ocupar o centro da história, algo que está bem presente nas sequências de sonho em que básicamente quem brilha é a jovem actriz e tudo o resto está lá para servir as emoções da sua personagem.

Isto não será propriamente uma coisa negativa mas nota-se que apesar de parecer, se calhar [“Windstruck“] afinal não é uma cópia tão óbvia assim do primeiro filme do realizador pois em muitos momentos tem uma dinâmica diferente embora felizmente se mantenha sempre o excelente equilíbrio entre géneros e tanto a comédia como o drama continue a resultar em pleno.

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CLASSIFICAÇÃO:

Mais uma vez o realizador Kwak Jae-young acerta em cheio e eleva a fasquia da dificuldade ao criar um argumento ainda mais complexo que o do seu primeiro filme, pois desta vez practicamente triplicou a mistura de géneros numa única história.
É um daqueles filmes que cativa quem aceita as suas regras pelo simples facto de que nunca pára de surpreender o espectador até ao último minuto pois nunca sabemos o que poderá acontecer a seguir e isso é o seu maior trunfo.
Além disso estamos perante mais uma excelente e emocional história de amor cheia de originalidade, poesia e alma com personagens que acima de tudo parecem seres humanos reais mesmo por entre tamanha loucura que constantemente se passa no ecran perante os nossos olhos.
Completamente obrigatório em qualquer colecção de filmes românticos sem esquecer os igualmente fabulosos ”The Classic“, “Be With You“, “In The Mood For Love“, “Fly me to Polaris“, “My Blueberry Nights“, “2046“ e “Il Mare“.
Cinco tijelas de noodles e um Golden Award porque este é mais um daqueles filmes que na minha opinião rebenta qualquer escala, apesar de no início nem parecer nada de especial.

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A favor: tudo ! A inteligência do argumento, as duas personagens principais, casting e interpretações , banda sonora e o excelente equilíbrio entre a comédia alucinada e o mais poético drama romântico, a referência ao “My Sassy Girl” é absolutamente mágnifica.
Contra: tanta alucinação e tanta mistura de géneros num só único filme pode afastar muita gente que não se preparar logo de início para aceitar as regras que definem o próprio universo da história.

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Trailers
http://www.youtube.com/watch?v=B5BqUquq0jU

Comprar
Infelizmente este é um filme particularmente dificil de se arranjar actualmente, pois parece que todas as boas edições já se encontram esgotadas. Uma das melhores está ainda á venda na Amazon americana mas o seu preço é demasiado proíbitivo.
Amazon http://www.amazon.com/Windstruck-Directors-Cut-disc-set/dp/B000H0SSCU

Saiu também uma edição simples que vou comprar mas neste momento não posso dar ainda qualquer referência sobre a mesma.
SoDrama http://www.sodrama.com/store/catalog/product_reviews_info.php?products_id=503&reviews_id=92

IMDB
(cuidado com os *spoilers*)
http://www.imdb.com/title/tt0409072/usercomments

Filme na Web
Não tenho por regra fazer downloads de filmes orientais na internet, mas neste caso como queria muito vê-lo antes de o comprar e cinema oriental da Coreia do Sul não é própriamente algo que se encontre num videoclube português, achei que valia a pena procurá-lo na web.
Até porque devido ao fraco entusiasmo com que a crítica recebeu este filme, também eu não estava muito certo se iria gostar dele ao ponto de me arriscar a comprar o dvd á confiança (mesmo se o conseguisse encontrar á venda).
Sendo assim já que o encontrei na net e ainda por cima com legendas em Português recomendo que quem quiser espreitar o filme antes de o comprar se dirija até aqui para o filme e aqui para as legendas em Pt.
Se não gostarem, pouparão dinheiro, agora posso garantir-vos que se gostarem tanto quanto eu gostei também irão querer comprar o dvd original.
Por isso se algum de vocês encontrar uma boa edição a um preço decente digam-me qualquer coisa porque tenho receio de comprar a edição estranhamente simples que anda por aí e depois encontrar mais tarde uma boa re-edição da versão de dois discos que era a que eu gostaria mesmo de adquirir.

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Filmes semelhantes de que certamente irão gostar:

My Sassy Girl Il Mare The Classic Fly me to Polaris Be With You

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