Battle in Outer Space (Uchû daisensô)Ishirô Honda (1959) Japão


Eu adoro filmes de ficção-científica da chamada “Golden Age of Sci-fi”, essencialmente produções dos anos 50 até inícios de 60. Adoro filmes com foguetões, extraterrestres muito ameaçadores e invasões  de discos voadores só porque sim. [“Battle in Outer Space”] é um deles e curiosamente foi um filme que me tinha escapado até ontem. Já tinha visto o seu cartaz mas ainda não tinha colocado os olhos no filme e devo dizer que tanto me surpreendeu em muitos aspectos como me irritou por demais noutros.

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Muitos de vocês se calhar não sabem, mas existem inúmeros títulos associados aos estados unidos que na verdade nunca foram produzidos em Hollywood mas sim na Rússia (que estava muito (mas muito) à frente dos americanos em efeitos especiais nessa época).
Também o Japão a partir de Godzilla investiu forte e feio em cinema espectáculo dentro do género catástrofe e mal ou bem acabou por marcar uma época e definir um estilo que se mantêm até hoje.

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Enquanto na Rússia se produziram excelentes títulos de ficção-científica séria ao nível dos melhores romances da época com produções como “Road to the Stars (Doroga k zvezdam)“; “Planet of Storms (Planeta Bur)” ou “Voyage to the End of the Universe (Ikarie XB1)” que mais tarde foram comprados, dobrados e retalhados por Hollywood ao serem criadas “versões americanas” desses filmes para os drive-ins; o Japão atirava cá para fora uma sucessão de clones do Godzilla e também alguns exemplos daquilo que depois, com a chegada de Star Wars em 1977, viria a ser o género da space-opera no cinema ocidental.

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Este fascinante [“Battle in Outer Space”] estreou em 1959 e quase que aposto que George Lucas na altura com 16 anos o deve ter visto e o reteve na memória, pois curiosamente a batalha espacial final neste filme Japonês tem extraordinárias semelhaças com o ataque à Estrela da Morte no fim do Star Wars original. O tom é practicamente o mesmo intercalando cenas de tiroteio espacial entre caças trocando raios laser com inserts em grande plano dos pilotos dentro das naves a comunicarem uns com os outros.
Que eu me lembre, nunca tinha aparecido algo assim antes no cinema e pelo visto [“Battle in Outer Space”] foi pioneiro nisto. Vale a pena verem este filme pela batalha espacial final pois é muito divertida ao mesmo tempo que é completamente imbecil.

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Aliás, começando logo pelo que este filme tem de bom, os efeitos especiais para a época devem ter sido absolutamente inovadores. Dentro do contexto são realmente bons e penso que são até algo superiores ao que o Japão fazia na altura com os clones de Godzillas; em particular nas cenas espaciais.
As partes no espaço são fascinantes. Ao contrário dos série-b americanos que filmavam modelos de foguetões pendurados por fios essencialmente de perfil contra fundos pretos, em [“Battle in Outer Space”] há uma tentativa muito boa de apresentar algumas sequências com profundidade, filmando as naves de vários ângulos em viagem pelo espaço de uma forma até ainda bastante actual.

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O design dos foguetões também é bastante bom e não tem aquela estética de supositório com asas que era comum no primitivo cinema do género na américa, apostando já em apresentar as naves espaciais com alguma identidade e pormenores interessantes.
[“Battle in Outer Space”] em termos visuais começa logo bem, com uma pequena mas excelente sequência de ataque a uma estação espacial em órbita (no distante e futurista ano de 1965) e que só peca por ser muito breve. Não só o ataque alienígena é divertido como o próprio design da estação espacial tem muita pinta.

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Aliás, outra coisa muito boa neste filme são os matte-paintings que estendem paisagens naturais ou inserem elementos futuristas nos cenários. São muito variados, bem pintados e muito bem integrados no filme seja onde estiverem inseridos.
Muitas maquetas são bastante engraçadas, o design dos discos voadores alienígenas é muito cool e todo o conjunto visual funciona muito bem.

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Em termos de cenários idem. Especialmente nas partes lunares onde [“Battle in Outer Space”] consegue realmente ter uma atmosfera bem mais cuidada do que muito cinema da época costumava apresentar. Há alguma variedade de cenários e ambientes, mais uma vez os matte-painting expandem as paisagens lunares de uma forma excelente e tudo resulta para fazer com que o meio do filme passado a aventura na lua seja sem sombra de dúvida uma das melhores partes desta história sem pés nem cabeça.

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E é precisamente a história que afunda [“Battle in Outer Space”] e o remete automáticamente para o reino daquele mau cinema que é imperdível. Isto não é de todo a excelente ficção-científica séria da Russia mas também não é o típico filme simplistico de foguetão filmado no quintal produzido em Hollywood na época. Isto é algo muito à parte.
É uma espécie de cruzamento entre um filme catástrofe em modo Godzilla com cidades arrassadas porque sim, a típica aventura de foguetão americana (onde nem falta a inevitável cena dos asteroides que quase colidem com as naves; mil vezes repetida na FC da época), com algo que é na verdade uma espécie de proto-space-opera que mais tarde seria popularizada por Star Wars com os seus combates no espaço.

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Essa mistura torna [“Battle in Outer Space”] num filme estranho.
É ao mesmo tempo muito divertido e muito irritante também.
E a culpa é dos personagens.
[“Battle in Outer Space”] é absolutamente inepto quando tenta apresentar pessoas nesta história. É claramente um filme de efeitos especiais em que o realizador não tem qualquer talento para dirigir actores, tem personagens a mais e um argumento que não faz ideia do que apresentar para os personagens dizerem. É absolutamente atroz e quase inacreditável de tão mau que é.

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[“Battle in Outer Space”] sofre precisamente do mesmo mal que um dos grandes clássicos americanos da FC, “The Thing from Another World” sofria. Este filme que anos mais tarde foi refeito por John Carpenter no seu “The Thing”, na sua versão original de 1951 para mim é um dos filmes mais irritantes de sempre precisamente por causa dos personagens.
Tem pessoas a mais a passearem pelos cenários sem qualquer identidade e depois andam todos em fila indiana uns atrás dos outros quando acontece alguma coisa. Há cenas “de suspense” em que metade do elenco anda a correr em fila atrás do tipo que vai à frente e depois dá meia volta e segue tudo em fila noutra direcção.
[“Battle in Outer Space”]  sofre exactamente do mesmo mal.

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Por causa disso o início do filme tem cenas completamente rídiculas em que por exemplo dezenas de protagonistas (?) correm atrás de um vilão em grupo, estilo manada de vacas com o mau a correr à frente. E isto é aquilo que passa por cena de acção com personagens humanos nesta história.
Quando chega a parte da aventura na lua, a Terra envia não um mas dois foguetões para irem atacar a base dos extraterrestres (com um único canhão laser) e em cada nave há umas dez pessoas que não conhecemos de todo nem nos importamos minimamente com elas pois são peças do cenário. Não têm nada para fazer nesta história a não ser andar uns atrás dos outros “nas cenas de acção”.

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Quando exploram a lua a coisa agrava-se pois com os fatos de astronauta vestidos ainda menos sabemos quem é quem, embora “o heroi” deva ser quem vai á frente com a manada atrás. Eu sei que isto é suposto fazer parte do charme ingénuo deste tipo de cinema, mas acreditem-me, neste caso tal como acontecia no americano “The Thing from Another World” alguns anos antes, é algo extremamente irritante. Isto porque pura e simplesmente nos desliga por completo dos personagens. Em [“Battle in Outer Space”] não nos importamos minimamente com ninguém e só desejamos que passem á cena de efeitos seguintes para não ter que ouvir aquelas pessoas abrirem a boca sem nada para dizer ou com diálogos “técnicos & científicos” de morte. Poderia ser divertido, mas é irritante como o raio porque este tipo de coisa é o que passa por desenvolvimento de personagens neste filme e repete-se constantemente.

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Como resultado disto também a batalha final no espaço não tem qualquer interesse para além dos efeitos especiais e da dinâmica da coisa, porque os supostos herois do filme nem participam nela !! Estão sentados mais uma vez numa sala de comando na Terra a ver a coisa acontecer no espaço através de um enorme televisor e mais nada !
Curiosamente, esta é uma das características do cinema Japonês desta época dentro deste género e em particular desta produtora. No final das aventuras nenhum dos personagens costumava participar na acção porque toda a gente se limita a ficar numa sala de comando qualquer à espera que a batalha final se desenrole e acabe bem para o lado deles enquanto outros personagens completamente anónimos lutam.

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E vocês nem querem saber qual é o papel das mulheres neste filme. Neste tipo de cinema quando feito nos estados unidos já serviam apenas para gritar mas neste filme não servem só para gritar como também são burras como o raio. Esperem só até vocês chegarem à cena na lua em que uma astronauta é cercada por um bando de extraterrestres…
E por falar em extraterrestres…é melhor nem dizer mais nada.
A Terra foi invadida porque sim.

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E voltam vocês a perguntar; mas não é esse o charme deste tipo de filmes ? É sim, mas há uma linha que separa -o charme- de um argumento completamente imbecil (até mesmo para esta altura), que dispensa por completo qualquer personagem humano e no entanto desperdiça cena atrás de cena com dezenas deles no ecran a todo o instante quando não lhes dá absolutamente nada para fazer e muito menos faz com que nos importemos com eles.

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Sendo assim, [“Battle in Outer Space”]  recomenda-se moderadamente a quem se preparar para conseguir ver isto sem lhes apetecer enfiar uns murros nos protagonistas.
Ou se calhar é uma obra prima. Não sei, estão por vossa conta.
Não sei se lhes recomende a versão dobrada em inglés ou a versão original. Se calhar a versão dobrada é ainda pior. Eu vi a versão original legendada em inglés e apesar de tudo é suportável…apesar de eu não entender esta mania dos Japoneses de colocarem um elenco internacional espalhado pelo filme todo também, a falarem todo o tipo de idiomas quando depois mais uma vez o argumento não desenvolve qualquer personagem e portanto o cast internacional aqui também não serve para nada. Acontece aqui também como depois continuou a acontecer anos mais tarde, com efeitos ainda mais risíveis em “Sayonara Jupiter” por exemplo.

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CLASSIFICAÇÃO:

[“Battle in Outer Space”] não deixa de ser um verdadeiro guilty-pleasure e totalmente obrigatório para quem gosta de conhecer títulos dos primórdios da FC, (na mesma linha de um “The X From Outer Space” ou “The Green Slime“); até porque em efeitos especiais este é realmente muito bom; bastante cuidado para a época e muito imaginativo visualmente.
Não fossem os personagens absolutamente vazios, sem um pingo de interesse para a história e este filme levaria uma classificação bem mais alta.

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Dentro do género “Message from Space” já uns anitos depois, ou até mesmo “War in Space” são bem mais divertidos. Até “X-Bomber” que é com bonecos consegue ter personagens melhores e bem mais humanizados que [“Battle in Outer Space”].
Portanto, três tigelas de noodles porque dentro do género retro é bom por ser bom em termos técnicos no que toca a design e efeitos.

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A favor: o ambiente, o design, os efeitos, os matte-paintings, as cenas na lua, a batalha no espaço.
Contra: é um vazio absoluto para lá dos efeitos especiais, zero carisma ou interesse nos personagens humanos, a história ainda parece pior por causa dos personagens, nem se vêem os extraterrestres tirando uma sequência absolutamente ridicula na lua envolvendo a habitual rapariga astronauta que grita muito e é burra como o raio, os personagens podem ser absolutamente irritantes porque a escrita deste argumento é atroz, em termos de argumento é ainda pior do que aquilo que costuma ser o standart ingénuo da FC dos anos 50 o que pode tornar este filme insuportável em vez de divertido.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0053388

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Kiseichuu: kiraa pusshii (Sexual Parasite Killer Pussy) Takao Nakano (2004) Japão


Sexo e deboche.
Miudas orientais nuas, mamas por todo o lado e pouca-vergonha da boa quanto baste com boé de lésbicas de olhos em bico á mistura.
Agora é que este blog vai triplicar as visitas.
Bem-vindos a [“Sexual Parasite Killer Pussy“].
E não, vocês nunca viram nada assim.

Se calhar depois desta primeira imagem eu já nem precisava dizer mais nada mas…vocês nunca viram uma chungaria como esta e também nunca viram tanta gaja nua e tanto sexo numa recomendação deste blog.
Fica desde já aqui o aviso que este titulo não será própriamente recomendável ás minhas leitoras mais sensiveis.
Além disso este texto poderá tornar-se inclusivamente bastante chunga para condizer com o filme.
[“Sexual Parasite Killer Pussy“] é puro cinema exploitation que se assume como chungaria libidinosa para machos ainda mais grunhos desde o primeiro minuto e como tal só agradará aquele público que curtir o género e entrar neste universo sem qualquer preconceito pois aqui nada é para ser levado a sério.
É um titulo totalmente despretencioso e nota-se que o objectivo foi mesmo criar um produto que divertisse por (não) ser tão chocante, tendo o resultado sido brilhante na minha opinião e não estava nada á espera disto.

Este é o tipo de filme que se fosse bom, teria sido péssimo.
Como é péssimo, logo é totalmente genial. Porque é do piorio. Mesmo !
Tudo falha em [“Sexual Parasite Killer Pussy“] , logo tudo acerta em cheio porque nada funciona.
E se nada funciona temos um filme totalmente divertido a muitos níveis e este é um daqueles títulos em que se sente que os criadores se devem ter divertido bastante a fazer o pior que podiam para nosso prazer.

Tudo o que é cliché chunga está neste filme, a começar pelo sexo. Montes de sexo.
E se procuram um filme de terror, esqueçam. Isto só pode ser para rir.
Aliás, se este filme tem uma falha gravíssima é precisamente por causa do sexo.
Não por este estar sempre presente ;(o que foi, não gostam ?), mas porque alguém deveria ter tido coragem de ter ido mais longe embora seja esta indefinição que remeta este titulo para o género dos chamados Pink Films.
[“Sexual Parasite Killer Pussy“] só por um triz não é um filme porno totalmente hardcore e merecia ter sido.
Não me surpreenderia de todo se inicialmente tivesse sido pensado como tal.

Este titulo merecia ter sido um filme porno plenamente assumido, isto porque se assim fosse teriamos tido aqui um daqueles raros exemplos de cinema pornográfico que realmente cativaria o público não só pelo sexo mas porque seria um titulo divertido mesmo nas cenas onde não há miudas nuas a comerem qualquer coisa.
Aliás, nunca se percebe bem se [“Sexual Parasite Killer Pussy“] é uma história escrita para mostrar miudas e rapazinhos no deboche de dez em dez minutos com uma história de terror á mistura, ou se será uma história de terror com sexo inserido a martelo porque fica sempre bem mostrar umas gajas nuas a se comerem umas ás outras, a serem comidas pelo elenco masculino, ou a comerem o elenco masculino.

A esta altura vocês devem estar a pensar que já viram dezenas de filmes com adolescentes onde há sempre a inevitável cena com sexo ou pelo menos miudas com mamas boas á mostra por dá-cá-aquela-palha. Se estão a pensar nos habituais filmes de terror teen americanos, deixem-me dizer-lhes que as cenas de sexo neste [“Sexual Parasite Killer Pussy“] são um bocadinho mais ousadas do que costuma passar por erotísmo nas produções da terra do tio Sam e eu não estava nada á espera disto, pois pensava que ia encontrar o típico título de terror com monstros e adolescentes e mamas ao léu em moldes mais ocidentais mas filmado no Japão.

Fiquei com a ideia de que isto será inclusivamente uma daquelas produções com actores porno que querem dar o salto para o cinema-mainstream. Um pouco como os filmes “normais” em que a Tracy Lords, a Ginger Lynn ou o Ron Jeremy costumam entrar para mostrar que são mais do que um pedaço de carne, pois só assim consigo explicar até a própria ousadia sexual de alguns momentos presentes em [“Sexual Parasite Killer Pussy“].

As miudas em [“Sexual Parasite Killer Pussy“] têm mesmo um certo ar chunga natural o que só lhes fica bem.
Aliás, quando a melhor performance do filme vem do monstro de plástico a gente percebe logo que isto só pode ser um titulo de qualidade a sério.
Qual Casablanca qual quê ! Ainda me vêm falar dos clássicos ! Eu queria ver a Ingrid Bergman a representar da mesma forma com um alien com dentes a sair da vagina !
E depois ainda dizem que o pessoal do cinema chunga não sabe representar ! O mundo é muito injusto.
Por outro lado este é o filme certo para desmistificar aquele ar de miuda fofinha oriental a que estamos habituados nos filmes do Japão, porque pelo menos eu com aqueles grandes planos de mamas no ecran a todo o instante a meio do filme já nem me lembrava que “Be with You” existia !

Portanto meus amigos, (e quem sabe, amigas), se gostam de vaginas vão gostar deste filme.
Por outro lado, [“Sexual Parasite Killer Pussy“] pode dar cabo da vossa vida sexual por uns tempos.
Depois de verem isto, a vossa vida nunca mais será a mesma.
E já agora, nunca mais irão para olhar para Alien da mesma forma também pois inevitávelmente  irão sempre recordar-se que um dia viram um dos piores clones do género que alguma vez julgaram ser possivel e de repente o monstro a sair do peito de John Hurt já não lhes irá parecer tão fantástico assim. Nada se compara a uma boa vagina com dentes.

Possivelmente será um dos piores filmes que alguma vez vi e portanto ao contrário do que vocês pensam, este segue já com a minha mais alta recomendação apesar da nota mediana que irá levar no final.
[“Sexual Parasite Killer Pussy“] é tão mau, mas tão mau que se torna absolutamente divertido e irressistível e vai encher as medidas de todo o pessoal que costuma chegar até este blog á procura de filmes com miudas orientais nuas ou quem está á procura de um daqueles verdadeiros títulos de culto dentro do cinema oriental a pedir uma descoberta.
É este !
E só tem 60 minutos !!!
A sério.
É bem pequeno mas parece muito maior porque tem sempre tanta coisa a acontecer a todo o instante que nunca dá descanso ao espectador e por isso garanto-vos que se gostarem de cinema de baixo orçamento, têm aqui provavelmente a melhor produção sem-orçamento do cinema oriental que alguma vez poderão encontrar pela frente.

O que me leva ás coisas positivas.
Tem gajas nuas e sexo.
Adolescentes imbecis aos bocados, castrações á dentada, baldes de sangue e muito terror de meter medo.
Mais gajas e mais sexo.
Mamas.
Vaginas com dentes e meninas lesbianas orientais, o que é sempre bom.
E também tem indios da Amazónia.

Eu disse, indios da Amazónia.
Bem, na verdade, é apenas um indio da Amazónia.
E suspeito que não terá própriamente nascido no Brasil. Ou já agora, que viva na Amazónia. (Vide senhor á direita na foto acima.)
Será certamente o primeiro  indio nativo da Amazónia a ter nascido no Japão e a viver algures num jardim botânico em Tokio, o que só demonstra o cuidado que houve nesta produção carregada de localizações deslumbrantes e efeitos especiais que os irá fazer cair para o lado.
De tanto rir.

Depois de ver a criatura de [“Sexual Parasite Killer Pussy“] eu juro que nunca mais faço comentários depreciativos em relação aos milhares de Godzillas made-in-japan com os seus fantásticos efeitos especiais estilo Power Rangers.
Isto, porque este monstro vaginal presente agora neste filme bate tudo o que vocês possam imaginar no que toca a monstros de plástico.
E já lhes falei das cenas de acção e violência ?

[“Sexual Parasite Killer Pussy“] além de ser chunga sexualmente e parecer-se a todo o momento com um daqueles posters para camionistas mas com gajas que mexem as mamas, é também um verdadeiro filme do Rambo, onde não falta a clássica sequência em que o heroi, neste caso a heroína se arma com tudo o que tem á mão e mete uma fita na cabeça, aqui num excelente cruzamento entre John Rambo, Helen Rippley e puta da esquina.

Depois a rapariga entra por uma onda de violência verdadeiramente arrepiante quando se lança á caça das outras gajas boas que entretanto ficaram possuídas pelo monstro e numa cena extraordináriamente cruel, espanca (mas com muito carinho) a outra chavala chungosa do filme na melhor cena de espancamento com um tubo de metal que vocês alguma vez verão num filme para gajos de barba rija.

Entretanto, há mais umas mamas e umas cenas de quecas orientais pelo meio para não desanimar o pessoal.
Tudo regado a banhos de sangue e muito gore.
Se é que se pode chamar gore a isto, pois comparado com [“Sexual Parasite Killer Pussy“], o filme “Hell” made-in-tailandia é um verdadeiro Sexta-Feira 13.
Querem tripas ? Querem entranhas banhadas em sangue e verdadeiros momentos nojentos com pessoas decepadas ?
Não é aqui neste filme.

O que levam daqui são cenas geniais com tripas feitas de tubos e mangueiras pintadas de vermelho e uma castração hilariante quando um dos rapazinhos é literalmente comido por uma das miúdas.
E já agora, [“Sexual Parasite Killer Pussy“] dá um novo significado ao sexo-oral também.
Como podem ver este filme tem tudo ! Excepto cinema talvez…
Por isso como podemos não gostar desta obra-prima ?
Os melhores 60 minutos que vocês poderão passar a ver um filme se entrarem no espírito da coisa.

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CLASSIFICAÇÃO:

Vejamos…o filme é brilhante. Por isso não se deixem ficar pela minha singela classificação de apenas trés tigelas de noodles, até porque não poderia classificar isto de outra forma. Se curtem cinema de culto ultra-chunga, acrescentem-lhe mais um par de tigelas de noodles por vossa conta.
O filme é mau como o raio, mas é essa a sua grande força. Por outro lado é do piorio. Mas é bom.
E tem miudas chungosas orientais nuas em montes de deboche. E vaginas com dentes.
É boooooom !

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A favor:  É completamente chunga e um excelente exemplo daquilo que é designado por Pink films no japão, tem gajas nuas, tem sexo, tem meninas lesbianas, tem mais gajas nuas, tem mamas por todo o lado, tem mais meninas lesbianas, tem mais sexo, tem chungaria que nunca mais acaba, não tem orçamento nenhum, parece um soft-porno inacabado com montes de sangue e monstros á mistura, tem mais mamas, tem mais deboche, tem violência de cair a rir, efeitos nada especiais, e mais sexo, gajas nuas outra vez, quem sempre quis saber como é o interior de uma vagina não é aqui que vai encontrar a resposta, é um filme de terror que não mete medo, os monstros são de plástico e nota-se,  tem uma vagina com dentes, tem castrações á dentada, tem violência erótica com tubos e canos (não é isso seus tarados), tem mais sexo, não se leva a sério, tem apenas 60 minutos embora para mim a duração ideal seria 69 pois as cenas eróticas são mais ousadas do que é costume encontrarmos neste tipo de filmes de terror com adolescentes imbecis, quem gosta do Brain Dead ou Bad Taste de Peter Jackson não pode perder isto.
Contra: quem não percebe onde está a piada no cinema de culto ultra low-budget não vai conseguir olhar para este excelente exemplo do exploitation oriental  trinta segundos sequer, devia ter sido um porno totalmente assumido pois assim parece que lhe falta coragem de ter ido mais longe nas cenas de sexo.

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=vsgDN2AjN8w&feature=related

Comprar
http://www.amazon.com/Sexual-Parasite-Sakurako-Kaoru/dp/B000XSKDLU/ref=sr_1_3?ie=UTF8&qid=1314306110&sr=8-3

Download com legendas em PT/Br

IMDB

http://www.imdb.com/title/tt0434125/

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Mo gong ( Battle of Wits – aka – Battle of the Warriors) Chi Leung ‘Jacob’ Cheung (2006) China


No outro dia ao desiludir-me bastante com “Red Cliff“, lembrei-me que este era bastante semelhante a outro titulo mais antigo que eu tinha comprado há anos mas de que ainda não tinha falado aqui, pois por qualquer motivo é um daqueles dvds que nunca mais tinha revisto e como tal, decidi tirar o pó do disco a [“Battle of Wits“] porque esta é mesmo a altura certa para falar deste filme no blog até por uma questão de comparação entre títulos semelhantes.

Tanto “Red Cliff” como [“Battle of Wits“] são filmes de guerra semelhantes, porque essencialmente assentam mais sobre as estratégias de guerra, tácticas de movimentação de exércitos, planos de combate e intrigas políticas ou palacianas do que própriamente sobre herois e heroínas que vivem aventuras em mundos Wuxia ou de ambiente medieval e como tal são filmes com uma estrutura muito parecida.

Em ambos os casos, temos dois exércitos em confronto que se analisam um ao outro e onde a maior parte das cenas se passam naquela guerra de muralhas e paliçadas onde as estratégias de invasão se sobrepõem á sequências de acção pura e simples.
Também a nível de personagens os filmes se tocam pois tanto “Red Cliff” como [“Battle of Wits“] contam com os inevitáveis generais caracterizados da forma habitual, com os guerreiros heroicos em estilo solitário, grandes estrategas militares, imperadores decadentes ou corruptos e claro, com a miúda gira da história que neste caso também é muito boa a andar á bulha pelo meio das cenas de batalha, pois é uma oficial de cavalaria.

Achei portanto, que tanto “Red Cliff” como [“Battle of Wits“] poderiam ter sido o mesmo filme. Se se trocassem os cenários e o guarda roupa, provavelmente o resultado teria sido o mesmo nos dois filme e ambos manteriam a sua identidade apenas por causa de um grande pormenor que os distingue.
[“Battle of Wits“] ostenta muito menos opulência visual que “Red Cliff” e como tal não tem aquele sabor a grande épico cinematográfico que exala por todos os frames desse filme e que tornou a obra de John Woo imediatamente muito menos interessante na minha opinião; apenas porque por detrás de tanto estilo visual espantoso tudo aquilo sempre me pareceu demasiado plástico e como espectador nunca consegui entrar naquele mundo pois tudo me pareceu fabricado para cinema e muito pouco real.

Algo que não me aconteceu de todo agora em [“Battle of Wits“].
Ainda o filme não tinha começado á dez minutos e já eu me tinha esquecido que estava a ver um épico cinematográfico. Isto porque pura e simplesmente, nada em [“Battle of Wits“] nos lembra que são cenários contruidos para um filme e nada no estilo visual chama constantemente a atenção para o que aparece no ecrã.
Acompanhar [“Battle of Wits“] é como espreitar por uma máquina do tempo e contemplar o passado; ter acompanhado “Red Cliff” para mim foi como estar a desfolhar um livro sobre design e construção de cenários para cinema. Por muito que eu tenha adorado o fantástico estilo visual do filme de John Woo prefiro mil vezes a contenção estética de [“Battle of Wits“] e o estilo completamente natural dos ambientes e arquitecturas pois transportam o espectador para o passado. Não o deixam do outro lado da televisão a contemplar ambientes gráficos quando estes deveriam servir os personagens e não gritar – superprodução cinematográfica – a todo o instante.

Portanto, em comparação, nota alta para [“Battle of Wits“] logo por este início. Tudo nesta história parece visualmente real e quem gostou da estética realística e crua de Musa the Warrior tem aqui um filme muito semelhante gráficamente falando que  irá certamente agradar a quem procura este tipo de atmosfera visual.
Infelizmente a nível de argumento, também [“Battle of Wits“] é um daqueles filmes que me custa bastante a absorver, mas isto é uma questão de gosto pessoal pois como já referi em posts anteriores, o género de intriga politica e palaciana é algo que me aborrece de morte. Portanto para mim foi muito dificil arrastar-me pelos primeiros vinte minutos deste filme.

No entanto a sua atmosfera cativou-me e cedo também os personagens se começaram a delinear bem mais interessantes do que em por exemplo, mais uma vez “”Red Cliff“.
Não quero parecer estar aqui a ser muito duro com o filme de John Woo até porque gostei do que vi, mas é impossível não compará-lo com [“Battle of Wits“] pois são bastante semelhantes temáticamente e estruturalmente e como tal em termos de gosto puramente pessoal eu penso que esta produção bem menos extravagante é muito mais interessante.

Muita gente em reviews na net critica um pouco os personagens deste filme por causa de serem um bocado estereotipados e parecerem apenas ter sido criados para fazer brilhar as estrelas Pop chinesas que pelo visto entram nisto. Eu como não conheço nenhum destes gajos que entram nos papeis secundários, por mim estão todos muito bem e nem me pareceu sequer que o personagem do soldado arqueiro tenha sido criado para imitar o “Elfo Legolas” do “Lord of the Rings” embora perceba a razão de muita gente referir essa sensação pois o seu papel e dinâmica em [“Battle of Wits“] pode ser semelhante.
Como no entanto, a mim nem me pareceu que isto estrague própriamente o filme por mim que se lixe e passa á frente.

Coisas boas. [“Battle of Wits“] tem muito ambiente e conta com além de Andy Lau sempre seguro, também com o carismático actor sul-coreano que vocês vão reconhecer de “Musa the Warrior” onde personificava o velho e sábio guerreiro veterano e que neste caso faz de general invasor.
Se bem que este filme também seja cativante pelo facto de não ter herois e vilões mas sim, tal como em “Musa the Warrior“, apenas guerreiros em facções politicas opostas e sobre este detalhe [“Battle of Wits“] conta com uma simples e fascinante cena em frente da fortaleza cercada, onde os dois oponentes se encontram cara a cara e que define todo o tom da história; onde a haver vilões, estes serão claro está, os políticos que tudo manobram nos bastidores e que causarão mais mortos e tragédia do que quem faz a guerra por eles, o que não deixa de ser uma mensagem subliminar sempre interessante neste tipo de histórias.

E por falar em cenas de guerra, não só todas as batalhas têm um tom de guerra fascinante como ao vê-las nem me lembrei que estava a ver cenas coreografadas para um filme. Bem ao contrário do que me aconteceu em “Red Cliff” onde além de as cenas de invasão da parte final terem sabido a pouco e nem sequer terem sido particularmente impressionantes a nível criativo tudo me pareceu apenas guerra cinematográfica a todo o instante; coisa que nunca me aconteceu notar agora em [“Battle of Wits“].

Não só todas as cenas de invasão são muito variadas, como a nível de argumento as ideias para estratégias e planos de guerra são todas muito criativos e até bem surpreendentes em alguns momentos. E o melhor é que tudo isto é conseguido sem dar a impressão que estamos apenas a ver um filme, o que quanto a mim é o melhor trunfo que um épico histórico pode ter. Conseguir transportar o espectador para o passado e [“Battle of Wits“] consegue-o bastante bem na minha opinião.

A nível de história, não será propriamente algo tão interessante assim, e neste campo talvez até “Red Cliff” tenha tentado ser melhor e ir mais longe, mas [“Battle of Wits“] é essencialmente um filme sobre estratégias militares e sobre um combate de teimosias entre dois comandantes em ambos os lados da paliçada. A tal “battle of wits” que não tem uma verdadeira correspondente tradução directa na nossa lingua, mas que também se poderia traduzir por algo como “guerra de determinação” ou algo semelhante, pois é esse o coração do filme na sua essência.
[“Battle of Wits“] é um filme sobre dois homens, sobre os poderes que estão á sua volta e sobre o facto de só um deles poder sair vencedor de uma guerra que na verdade não tem qualquer sentido a não ser o de cimentar a sua honra e reputação ao melhor estilo filme de guerra medieval chinés.

Tudo gira á volta da invasão e defesa de uma cidade e tudo tem a ver com guerra, estratégia e politica, mas [“Battle of Wits“] tem ainda tempo para dedicar algumas sequências á inevitável história de amor. Neste caso, talvez mais para abrir o filme ao público feminino do que propriamente para criar algo memorável dentro do género romântico em filmes de guerra.
Por exemplo não encontrarão aqui a assumidamente romântica história de amor de “An Empress and the Warriors“, mas mesmo assim quem procura um toque de romantismo ao melhor estilo cinema oriental, penso que também irá ficar satisfeito com o que [“Battle of Wits“] tem para contar neste aspecto.
Tudo muito breve, mas resulta bem e humaniza o personagem de Andy Lau que até então mais parecia uma espécie de Obi-Wan-Kenobi da estratégia militar pois faz parte de uma ordem de guerreiros quase mística e do qual nunca se sabe muito ao longo de todo o filme.

As cenas românticas, são sempre muito secundárias e complementam bem toda a conversa estratégica, política e militarista do resto do argumento e ainda bem que os criadores deste filme as incluiram, porque conseguem criar uma carga de grande suspanse adicional no segmento final da história que agarra o espectador ao ecrã mesmo sem notarmos que não conseguimos desviar o olhar desses momentos. O desenlace romântico não foge muito ao habitual mas acaba também por transmitir um tom poético ao final de [“Battle of Wits“] o que é sempre bem-vindo.

Consta que isto é a adaptação de um Manga muito popular no Japão, mas como eu não o conheço nem nunca o li, não posso tirar grandes considerações sobre o mesmo. Por outro lado também acho que nem interessariam muito, pois mesmo que isto nem sequer seja uma grande adaptação da banda-desenhada, quanto a mim é um dos filmes mais interessantes de guerra em estilo super-produção que saiu da China recentemente e nesse aspecto bem mais carismático que “Red Cliff” sem precisar de tanta opulência gráfica para ser notado e apreciado.

Quem procura um épico de guerra chinés, penso que irá gostar bastante.
Na minha opinião, [“Battle of Wits“] talvez tenha duração a mais e não lhe fazia mal ficar sem uns quinze minutos talvez, isto porque se repete um pouco quando não há muito mais para dizer sobre honra, dedicação e patriotismo sem começar a tornar-se mais do mesmo. No entanto, como a história romântica intercala bem tudo o resto a coisa equilibra-se e não será por aqui que o filme perderá grandes pontos. Apenas poderia ter tido uma montagem mais dinâmica talvez.

Penso que irá agradar a quem procurar cenas de guerra medieval com grandes exércitos. As batalhas são muito variadas e divertidas, mesmo quando não são espectaculares. Neste campo é onde se nota o melhor do trabalho do realizador, pois penso que ele é fantástico a gerir toda a movimentação de figurantes e a transformar o pouco em muito.
Consegue algumas cenas bem espectaculares e acima de tudo divertidas pois são bem entusiasmantes ao longo de todas as cenas de guerra e quando um filme é essencialmente composto por cenas de batalha e pouco mais é notável como se consegue manter sempre equilibrado sem se tornar monótono.

Por outro lado, [“Battle of Wits“] não é um daqueles filmes de guerra com milhares de figurantes a lutar em cenas de exércitos gigantes no meio de planícies ou algo assim. É um filme de guerra de cerco e que se calhar já merece ser classificado como um sub-género dentro do cinema deste estilo.
Em vez de cenas épicas com milhares de figurantes temos cenas muito dinâmicas com algumas centenas de gajos a matarem e morrerem de todas as formas e mesmo assim, uma cena de cinco minutos de guerra deste filme tem mais entusiasmo do que quase duas horas de  “Mulan” o que já não é mau de todo.

Por falar em mau, [“Battle of Wits“] só tem uma coisa péssima.
Os maus efeitos digitais quase que arruinam algumas das cenas de batalha. Sejam a mostrar exércitos com soldadinhos feitos em CGI a marchar algo amadoramente em termos técnicos no que toca a animação, seja em muito fogo digital ou ainda em sequências inteiras com homens e cavalos tudo muito mal integrado na acção, por momentos ás vezes parece que [“Battle of Wits“] poderá tornar-se mesmo bastante foleiro e piroso quando tenta ser espectacular.
O que vale é que se calhar muita gente nem vai notar, pois felizmente são poucos e breves. Além disso a variedade do que acontece nas batalhas também contribui para distrair bastante o espectador e como tal penso que não se deve penalizar muito este filme por isto também.

Também poderia ter tido mais sangue. Num filme de guerra com tanta acção corpo a corpo e sequências em estilo cru com alguma violência tem muito pouca gente cortada aos bocados e practicamente nenhum sangue a espirrar; o que não deixa de ser estranho pois retira-lhe logo algum do dramatismo que poderia ter tido nas cenas de guerra. Se ás vezes sentirem que falta qualquer coisa no meio de tantas cenas de acção, já sabem. Falta sangue, pois surpreendentemente [“Battle of Wits“] é uma produção bastante politicamente correcta quando comparada com outras coisas semelhantes como “The Warlords” ou “Musa the Warrior“.

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CLASSIFICAÇÃO:

Não será propriamente o meu filme de guerra medieval chinês favorito, mas é uma boa alternativa a quem procura um bom épico neste estilo e gostou da atmosfera visual de por exemplo, “Musa the Warrior“.
Tem atractivos suficientes para divertir e é bem mais variado e épico que “Mulan” por exemplo sem sequer se esforçar por sê-lo. E aposto que irá agradar muito a quem procura um bom filme de guerra onde a estratégia de batalha é o centro da história e terá ficado tão desiludido com “Red Cliff” quanto eu fiquei.
Sendo assim, quatro tigelas e meia de noodles porque é mesmo muito bom e só não leva mais porque achei que tem duração a mais e arrasta-se algo pelo meio.

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A favor: excelente ambiente cénico pois nem nos lembramos que são cenários construídos para um filme, boas e muito variadas cenas de batalha com estratégias de combate divertidas e imaginativas além de muitas vezes serem empolgantes, excelente realização particularmente na gestão das cenas de acção e na forma como as narrativas se cruzam, os personagens não são originais mas são na sua grande parte muito carismáticos, dois excelentes actores como antagonistas, é um filme de guerra com alma e muito para dizer mesmo subliminarmente, boa e simpática história de amor que ainda consegue arrancar um excelente momento de suspanse na parte final.
Contra: tem duração a mais e talvez se repita em alguns pontos já antes abordados, arrasta-se um bocado a meio da sua duração, os efeitos digitais são muito fraquinhos mesmo em alguns momentos, os personagens poderiam ter sido mais originais embora eu compreenda que isto não seja nada fácil de fazer, falta-lhe sangue pois tem carnificina aos montes mas é demasiado politicamente correcto no uso de cenas gore e nem tem sequer uma decapitaçãozinha nem nada, é um bom filme mas não lhes ficará na memória pois falta-lhe qualquer coisa para ser realmente fantástico.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=WdX_cNu9dCw

Comprar DVD ou  BluRay na Amazon Uk bem baratinhos

Download aqui com legendas em PT/Br

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0485863

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Wakusei daisenso (War in Space – Guerra no Espaço) Jun Fukuda (1977) Japão


Rezam as crónicas que este filme asiático estreou nos cinemas em 1977 sete meses após StarWars ter surgido do nada e esgotado bilheteiras por todo o mundo.
O que não aconteceu própriamente com esta produção japonesa feita a todo o vapor.
A tanto vapor que até as naves ainda deitam fumo do escape quando voam pelo universo.
Parece que algures no Japão, alguém achou que seria possível criar de raiz em poucos meses algo que se pudesse bater comercialmente com o filme de George Lucas e o resultado foi este [“War in Space“] que inclusivamente teve honras de passar nos cinemas portugueses e tudo.

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[“War in Space“] é conhecido não só como o primeiro clone oficial de StarWars mas também como a space-opera que mais rapidamente foi produzida tentanto aproveitar o sucesso do género.
Se calhar ninguém melhor que os japoneses para conseguirem produzir um filme de efeitos especiais de forma quase instantânea e portanto este filme é um excelente exemplo do que um estúdio consegue fazer á pressa para tentar apanhar o barco de um sucesso contemporaneo e sacar também umas massas ao público que pede mais.

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Isto pode ser o primeiro clone de StarWars mas na verdade não se pode comparar pois apesar de ser também uma space-opera a nível de história não tem nem tenta ter nada a ver com a saga imaginada por George Lucas.
Felizmente que os produtores de [“War in Space“] sabiam que não tinham muito dinheiro e muito menos tinham tempo e portanto nem sequer tentaram recriar um universo muito fora da nossa realidade. Sendo assim este filme não se passa numa galáxia muito, muito distante, mas sim na nossa santa Terrinha que mais uma vez é invadida por uns extraterrestres maus.

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E não só são maus, como desta vez absolutamente rídiculos e hilariantes. Neste aspecto nota alta para o equivalente ao Chewbacca (?) que aparece em [“War in Space“] e quando vocês virem o gajo tipo boi com um machado de plástico enorme e uns cornos de envergadura a condizer vão perceber o que quero dizer.
Tudo é mau em [“War in Space“] e sendo assim tudo é bom e se calhar não poderia ser melhor porque na realidade seria dificil fazer pior. Nota alta portanto para tudo isto se é que me entendem.

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Na verdade este filme não é uma desgraça porque tudo nele é mau no que toca a argumento, interpretações ou efeitos especiais. [“War in Space“] fracassa apenas por causa de um pormenor.
Tinha tudo para ser um daqueles filmes genialmente maus totalmente recomendáveis mas comete um erro que na minha opinião lhe retira imediatamente muitos pontos valiosos. Leva bastante tempo até começar a aparecer no ecran aquilo que supostamente seria o seu propósito.

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Afinal, se este filme pretendia seguir as pisadas de StarWars, seria de esperar que não demorasse muito a nos mostrar cenas porreiras com muitas batalhas no espaço, tiroteios laser em corredores com os nossos herois encurralados, etc.
Acontece que o filminho não teve um orçamento por aí além e isso nota-se, pois o filme começa e até que se passe realmente alguma coisa divertida temos de esperar pelo menos uma meia hora.

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Até começar aquilo que o pessoal quer ver, (porrada espacial), o espectador leva com uma espécie de história de espionagem que envolve agentes secretos extraterrestres que se disfarçam de humanos, cenas de acção passadas em escritórios e cenários perfeitamente mundanos e corriqueiros e as inevitáveis tentativas de desenvolvimento de personagens que são um vazio absoluto pois nenhum dos personagens tem qualquer carísma ou interesse. Convenhamos, um tipo não foi ver [“War in Space“] para ver cenas com senhores de fato e gravata, diálogos políticos e escritórios banais.

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E por falar em personagens…o que raio se passava com o cinema estilo blockbuster japonês nos anos 70 ? Porque razão tinha sempre um elenco internacional que metia actores americanos absolutamente obscuros e cada um pior que o outro ? Tal como em “Bye-Bye Jupiter” também um dos pontos altos de [“War in Space“] é precisamente o facto desta história meter personagens americanos porque sim.

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Sendo assim o que dizer de tudo isto ? Este é um filme oriental muito estranho. Não se pode dizer que seja um filme de culto porque não é suficientemente divertido e leva algum tempo a desenvolver mas no entanto é um daqueles que vale mesmo a pena ser visto por quem se interessa pelo género space-opera.
Pelo menos a segunda metade do filme recomenda-se vivamente.
Mal os herois chegam a Venus e começa a porradaria espacial o filme ganha uma nova identidade e tudo aquilo que o pessoal adora odiar nestes filmes está presente.

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Vocês vão adorar as naves com fios, as batalhas espaciais com maquetes ridiculas e  as cenas de tiros em corredores. Além disso por qualquer motivo a heroína do filme quando é raptada alguém lhe vestiu uns calções curtinhos sabe-se lá porquê e portanto já estão a ver que [“War in Space“] é uma aventura espacial com classe.
E se vocês acham aque a coisa ainda não poderia ficar mais hilariante então é porque ainda nem viram o aspecto do vilão. Digo-lhes apenas que não será propriamente o Darth-Vader…

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Os cenários são típicamente japoneses, o guarda roupa é de ver para crer e os efeitos são tudo menos especiais.
Desenvolvimento de personagens não há. A não ser que conte a tocante (snif) cena em que o heroi gringo descobre que a família foi toda morta pelos bichos maus ou a parte em que o comandante da nave se resolve matar para salvar toda a gente.
Ooops, revelei o final da história…oh pá…

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CLASSIFICAÇÃO:

Podia ter sido um filme de culto, mas tem pequenos aspectos desinteressantes que o impedem de ser realmente o filme divertido que merecia ter sido.
No entanto, apesar da minha baixa classificação é um daqueles filmes que merece ser visto pelo menos uma vez por toda a gente que gosta de aventuras no espaço.
Infelizmente não estamos na presença de um filme genialmente mau e é pena pois tinha tudo para ser um daqueles guilty-pleasures que temos vontade de rever vezes sem conta. De qualquer forma vale a pena espreitarem. No entanto se são bons clones do StarWars que procuram sugiro antes que espreitem StarCrash e Starchaser, longe do cinema oriental.
Duas tigelas de noodles porque é um pequeno filminho interessante mas não mais do que isso e porque é mais aborrecido do que tinha o direito e o dever de ter sido pois estamos na presença de uma verdadeira oportunidade falhada para terem criado um filme de culto.

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A favor: as naves horrorosas penduras com fios são geniais, tem um submarino espacial que parece um revolver gigante mas não serve para grande coisa e portanto é mágnifico, as naves deitam fumo do escape no espaço, tem um alien que parece um boi gigante e miudas em calções curtinhos sem qualquer motivo para tal, o vilão é de ver para crer pois faz qualquer personagem dos Power Rangers parecer a sério, visualmente tem uma atmosfera gráfica estranhamente agradável e com uma boa fotografia a condizer, tem porrada espacial e tiros por tudo e por nada a partir da segunda metade do filme, os efeitos especiais são do piorio e portanto são mágnificos, quem em criança viu isto no cinema em Portugal quando passou por cá no final dos anos 70 óbviamente vai querer mesmo rever isto.
Contra: foi feito á pressa para aproveitar a moda do sucesso de StarWars e nota-se, de todas as space-operas japonesas do final dos anos 70 esta é a menos interessante porque lhe falta carísma, se não deixarem o cérebro á porta vão detestar este filme em absoluto, poderia ter sido muito divertido mas nunca consegue atingir aquela categoria do “tão-mau-que-se-torna-genial” devido a tentar levar-se demasiado a sério quando não teve orçamento para isso, leva demasiado tempo até se tornar divertido, os personagens não têm um pingo de interesse ou carísma, ainda não percebi se o design é do piorio ou genialmente criativo, é impressão minha ou neste filme todos os cenários foram construídos em salas quadradas ?

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NOTAS ADICIONAIS:

TRAILER
http://www.youtube.com/watch?v=HzTh_Z-AsDE

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COMPRAR
Eu tenho esta edição e recomendo a compra deste DVD. Técnicamente é excelente com uma óptima qualidade de imagem e um par de extras muito informativos sobre o making of do filme que valem a pena ser consultados.

Podem procurá-lo na net mas eu nunca o encontrei para sacar.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0076902/

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A Fei zheng chuan (Days of Being Wild) Wong Kar Wai (1991) China


Este é o primeiro filme numa trilogia que por acaso até nem existe.
Confusos ? Pois ainda irão ficar mais porque isto é um bocado dificil de se explicar de uma forma simples.

[“Days of Being Wild“], técnicamente será o primeiro capitulo não oficial de uma história que percorre mais outros dois filmes, “In The Mood for Love” e “2046“.
O mais estranho, é que actualmente, para que vocês consigam apreciar devidamente esta “primeira” parte, convém que já tenham visto os dois filmes “seguintes” pelo menos umas duas vezes de modo a captarem todas as referências que depois poderão reconhecer neste “primeiro” filme.
E vice-versa…
Eu avisei que isto seria confuso.
[“Days of Being Wild“], é como o epílogo de um livro que na verade narra a “primeira” parte de uma longa história de amor que acabamos de conhecer.
Por isso antes que vejam este “capítulo”, devem começar pelo “In The Mood for Love” (que é a “segunda” parte) e depois “2046” que é a  “terceira” e funciona como conclusão para todo o arco da história.
Parece estranho não é ?

Pois parece, mas esta é definitivamente a ordem pela qual esta complexa história de amor e saudade deve ser vista.
Por exemplo, se vocês virem “2046” sem conhecerem os “capítulos anteriores”, podem apreciar na mesma o filme e até compreende-lo perfeitamente, mas não estarão a acompanhar esta história na sua plenitude, porque nunca irão notar a incrível quantidade de pormenores que o ligam directamente aos outros filmes “anteriores” e dão um novo sentido a essa “terceira” parte.
Particularmente, um sentido ainda muito mais romântico, porque depois de verem os “capitulos” anteriores vão reconhecer em “2046” pequenos detalhes que completam e enriquecem de uma forma espantosa inúmeras coisas que “ficam em aberto” tanto em “In The Mood for Love” como neste [“Days of Being Wild“].
Mas isto só funcionará se primeiro começarem por ver ou o meio da história em “In The Mood For Love” ou o final em “2046“.
Vejam [“Days of Being Wild“] e se já conhecerem “2046“, da próxima vez que reverem essa “terceira” parte vão descobrir um “2046” completamente novo.

E antes que vocês fiquem mais confusos, o primeiro filme por onde devem começar a ver esta história é o “segundo”, o mágnifico “In The Mood for Love“.
No entanto que isto não os impeça de continuar agora a ler esta review de [“Days of Being Wild“].
Sim, porque isto pode não parecer mas é de [“Days of Being Wild“], que ainda trata este texto.
Acho que preciso de uma aspirina.

E perguntam vocês com copos de comprimidos na mão, – mas porque raio é que eu devo começar a ver isto fora de ordem cronológica ?
Porque a grande magia desta(s) história(s) está não na sua sequência cronológica de acontecimentos, mas em descobrirmos filmes completamentes novos da segunda vez que vemos os capítulos que se seguem a [“Days of Being Wild“],  nesta “trilogia”.
Depois de conhecerem o final das histórias, o verdadeiro prazer cinematográfico está em regressarem ás origens de tudo e descobrirem coisas que lhes renova por completo as “sequelas” da próxima vez que as virem.
Acreditem-me que irão apreciar muito mais esta história assim desta maneira, pois a sua grande magia está na forma como este formato de argumento estilo puzzle nos faz descobrir pormenores que depois tapam todas as “imprecisões” que encontramos nas narrativas de “In The Mood for Love” e “2046” quando os vimos enquanto filmes isolados. É como uma caça ao tesouro cinematográfica interactiva.
E não há dúvida que isto funciona perfeitamente, o que torna estas obras em algo muito surpreendente, especialmente se pensarmos que segundo Wong Kar Wai nenhum dos filmes tinha sido pensado como sequela do que quer que fosse.
O que para aqueles que estão a par da maneira como Kar Wai escreve e filma as suas obras não é nada de espantar, pois ele é conhecido por fazer filmes sem sequer ter argumento e ir inventado á medida que filma.
Ainda está alguém aí ?

Certamente a esta altura os que ainda me leêm gostavam de saber sobre o que trata este [“Days of Being Wild“].
Bem…para explicar isto tenho de voltar a “In The Mood for Love“e a “2046“.
Basicamente [“Days of Being Wild“], retrata a juventude da personagem que a actriz Maggie Cheung interpreta em “In The Mood for Love“. Ficamos a saber como era a vida dela na sua terra natal antes de conhecer o marido, (aquele que a atraiçoa na “sequela”) e antes de ir viver para o quarto de pensão que habita no “segundo” filme já em Hong-Kong. O seu futuro marido, aqui poderá eventualmente ser o personagem do jovem policia que é uma das histórias românticas desta “primeira” parte.

Conta também a história de amor de outra rapariga, uma baliarina que neste caso é a outra personagem feminina “principal”, (se é que isto existe na obra de Wong Kar Wai).
Esta rapariga iremos mais tarde reencontrar em “2046” e ficar a conhecer o rumo que a sua vida tomou após os acontecimento narrados em [“Days of Being Wild“].
O seu personagem é um excelente exemplo daquilo que refiro a propósito dos filmes ganharem uma nova vida numa segunda visão, pois inicialmente se a virem em “2046” esta personagem aparece quase como apenas mais uma mulher como tantas outras na vida do personagem interpretado por Tony leung nessa “terceira” parte. Mas quando vocês virem [“Days of Being Wild“],  essa mulher em “2046” ganha nova vida  e uma nova conotação trágico-romântica que ilustra ainda mais o tema da saudade de um amor perdido, presente no “terceiro” filme.

O terceiro personagem “principal” em [“Days of Being Wild“], e na verdade o “heroi” do filme é um jovem rebelde ao estilo James Dean versão decadente oriental e que é um dos polos centrais do argumento, envolvendo-se românticamente com a jovem bailarina e dando origem á principal linha narrativa deste “episódio”.

E mais uma vez, também aqui [“Days of Being Wild“], se liga agora com “In The Mood for Love“, pois a tia deste jovem rebelde é a mesma personagem secundária que depois na “sequela” estará a viver em Hong-Kong e alugará um quarto aos personagens de Maggie Cheung e Tony Leung que nesse filme já serão as figuras centrais da história e onde já não existem vestígios aparentes deste primeiro filme no argumento.
No entanto este personagem da tia do jovem rebelde, de [“Days of Being Wild“], nunca se cruza nesta parte com os personagens com que depois irá interagir directamente em “In The Mood for Love“. Apenas habitam o mesmo filme como se vivessem num mundo normal e só os espectadores soubessem depois que os seus destinos se iriam cruzar no futuro.
Por causa disso, ao vermos o “In The Mood for Love“, conhecendo o personagem da tia, ficamos a perceber melhor a razões da sua melancolia “sem explicação”.
Simples não é ? 🙂

Mas se querem uma coisa realmente estranha neste filme, então podem encontrá-la no seu final.
E não se preocupem, pois isto nem sequer é um *spoiler*.
Os últimos minutos de [“Days of Being Wild“], não têm absolutamente nada a ver com o que se passa durante o resto do filme todo e subitamente surge no ecrã o personagem interpretado por Tony Leung em “In The Mood for Love” (?) a vestir-se num quarto de hotel obscuro sem nenhuma razão aparente e o filme acaba assim sem sequer concluir qualquer outra das histórias que supostamente tinha iniciado.

Isto sem razão absolutamente nenhuma para o actor sequer entrar no filme, ou o personagem da “sequela” lá estar, pois [“Days of Being Wild“], foi filmado pelo menos 10 anos antes de “In The Mood for Love” sequer ter sido pensado e muito menos o “2046” e como tal a coisa ainda fica mais estranha, embora Kar Wai também seja conhecido por introduzir coisas em filmes presentes que eventualmente depois poderá aproveitar no futuro.
Também filma sempre mais do que precisa pelos mesmos motivos e muitas das vezes como se queixou Maggie Cheung durante os mais de dois anos de filmagens de “In The Mood for Love“, Kar Wai, filma coisas que nem sequer pertencem ao filme ou a qualquer outro que já tenha pensado. Sempre com aquela ideia de ter algo que sirva para ser eventualmente usado no futuro, pois é esse o seu genial método criativo que até agora só deu excelentes resultados com obras intensamente românticas.

Se isto não é uma forma original de contar várias histórias de amor ao mesmo tempo, não sei o que será. Por tudo isto, o melhor é começarem a acompanhar estes personagens pelo “segundo” capítulo, pois garanto-vos que apanharão muito melhor as emoções de toda a história se depois forem descobrindo aos poucos as histórias por detrás de tudo quando voltarem ás origens.
Começar a acompanhar estas histórias românticas pelo início seria o mesmo que ver os Star Wars a começar pelos novos Episode I,II e III, pois a revelação de que Darth Vader é o pai de Luke Skywalker no Império-Contra-Ataca perderia todo o impacto drámatico e deixaria de ser uma surpresa para quem não conhece a história.
E não se preocupem, isto parece mais confuso do que na realidade é.

O problema é que como habitualmente os filmes de Wong Kar Wai não são para ser contados, mas sim para serem vistos e acima de tudo sentidos. Ninguém conta “histórias sobre nada” como Kar Wai o faz e apesar de [“Days of Being Wild“], não ser de forma nenhuma o seu melhor filme é no entanto obrigatório para quem já viu “In The Mood for Love” e “2046“.
Tenham em atenção que o estilo visual deste “primeiro” episódio ainda pertence á fase inicial do realizador e como tal não tem aquela aura refinada e muito trabalhada visualmente que os filmes actuais dele têm. [“Days of Being Wild“], é quase um Won Kar Wai estilo cinema amador experimental onde se sente que o realizador está ainda a aprender a ser aquilo que hoje em dia é.
Para quem não sabe, Wong Kar Wai não vem de qualquer escola de cinema, ou tem qualquer estudo na area. Kar Wai começou como desenhador gráfico a trabalhar numa banal empresa do ramo e tal como Peter Jackson, por acaso diverti-se a a fazer uns filmes “caseiros” com os amigos nos seus tempos livres, tendo conhecido nesse percurso a (agora) actriz Maggie Cheung que na altura trabalhava como caixa num hipermercado e a partir da sua colaboração e amizade fez-se história no cinema oriental.
[“Days of Being Wild“], é um bom exemplo da colaboração inicial dos dois, embora não seja propriamente o primeiro filme do autor.

Como tal, apesar do actual estilo narrativo Kar Wai já se fazer notar, [“Days of Being Wild“], ainda segue aquela estrutura muito fragmentada e crua, tornando este “episódio” mais um objecto de Art-House, (vulgo, Cinema-de-Autor) do que própriamente será um produto cinematográfico acessível aos gostos do publico que procure algo mais comercial no estilo romântico de por exemplo “The Classic“.
Apesar de alguns momentos bastante poéticos, [“Days of Being Wild“], não contêm aquela atmosfera romântica constante de “”In The Mood for Love“, “2046” e “My Blueberry Nights“, sendo essencialmente uma obra fria devido á crueza das imagens e ao próprio low-budget do filme que se nota perfeitamente.
Embora já conte com aquela ligação extraordinária entre imagem e música que hoje é habitual na obra do realizador, mas tudo ainda a um nível bastante mais rudimentar e experimental.

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CLASSIFICAÇÃO:

Se virem, [“Days of Being Wild“], sem conhecerem “In The Mood for Love” e “2046“, este poderá parecer-lhes um filme demasiado pretencioso e artístico no pior dos sentidos se estiverem á procura de um produto comercial.
Aliás, este é um daqueles filmes mesmo sem sentido absolutamente nenhum á primeira vista, sem história e sem conclusão.
Um Art-House no pleno sentido da expressão e não se pode propriamente considerar um filme para o circuíto comercial.
Além disso as cópias que existem têm não só um som muito mediano, como ainda por cima a imagem não é nada famosa, reflectindo plenamente a falta de orçamento do filme.
Portanto, se procuram uma típica história romântica mais comercial no melhor estilo oriental, não a irão encontrar aqui se esperam algo mais directo e imediato. Para isso vejam “Be With You“, “The Classic” ou “My Sassy Girl“.
Agora, se gostaram mesmo de “In The Mood for Love” e “2046” este [“Days of Being Wild“],  é não só de visão obrigatória como uma compra essencial que não só completa emocionalmente os dois filmes “seguintes” como é um excelente exemplo do cinema mais antigo de Wong Kar Wai.
Mesmo visto isoladamente é um excelente filme de autor, que embora apesar de frio, contém em alguns momentos suficientemente poéticos para dar vida ao lado romântico da história e onde se nota já aquilo que depois se viria a tornar no melhor das obras futuras de Kar Wai e que actualmente culminou no fabuloso “My Blueberry Nights“.
Um óptimo filme de autor para quem não tiver medo do género e por isso leva trés tigelas e meia de noodles.
Não leva mais porque comparado com fabulosas “sequelas” na minha opinião ainda se nota que não é um trabalho plenamente conseguido.

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A favor: a atmosfera, os momentos românticos, a fabulosa enorme sequência filmada num só take a meio do filme, a maneira como a música é usada para ilustrar as emoções da história, ficamos a conhecer o passado dos personagens de “In The Mood for Love” e “2046“.
Contra: pode ser um filme demasiado ilógico para muita gente pois é cinema de autor puro.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailers
Sugiro que vejam os dois, pois dão uma boa ideia do estilo Art-House do filme.
http://www.youtube.com/watch?v=btsJHsuqF24
http://www.youtube.com/watch?v=IBhxLPNdG4o

Comprar
Á venda na Amazon Uk a um preço excelente. É de aproveitar.

Outras reviews
http://www.kfccinema.com/reviews/drama/daysbeingwild/daysbeingwild.html

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0101258/

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Aliás, mesmo que não tenha gostado deste  vai gostar dos filmes abaixo.

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