A moment to remember (Nae meorisokui jiwoogae ) John H. Lee (2004) Coreia do Sul


Update: Esta review foi actualizada a 1-6-2014 também com a classificação para a versão longa do filme, mais abaixo.

[“A Moment to remember”], intitula-se originalmente – “Uma borracha na minha cabeça” – e é um filme sobre Alzheimer. Sobre o que acontece quando as nossas memórias pura e simplesmente são apagadas e sobre o que resta daquilo que fomos; colocando a questão – “será que ainda somos nós” ?…O que é que nos define ?…
Se investigarem este título na net, irão notar que será provavelmente a história de amor Sul Coreana que mais tocou o público ocidental; o que o torna talvez no mais popular filme romântico de que ninguém ouviu falar. Isto claro quando comparado com o cinema que consumimos nesta nossa parte do mundo. Ia haver um remake americano em estilo telefilme, mas consta que ficou no limbo, por isso deixem-no estar que assim é que está bem.

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Até eu que sou um fã total de cinema romântico oriental, fiquei bastante surpreendido com a adoração da qual este filme é alvo em praticamente todo o lado. Isto porque apesar de ser uma história excelente, nunca pensei que tivesse algo de extraordinário que o pudesse colocar ao lado de outros títulos que adoro com por exemplo “The Classic” (com a mesma actriz), ou “Be With You” (para mim o melhor filme romântico de sempre no cinema oriental).

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[“A Moment to remember”] parece ter tocado muito toda a gente que o viu e pelo que me tenho apercebido as pessoas ficam bastante emocionadas com o choque que apanham ao verem a forma como o filme retrata um doente de Alzheimer. Estou em crer que quem não passa por uma situação semelhante não faz mesmo ideia da realidade ao redor da doença e portanto acredito que muita gente ao ver esta história não estava nada preparada para os seus pormenores…perturbantes. Até porque o filme, por debaixo da sua capa de história de amor comercial não hesita em colocar muitas questões pertinentes sobre o tema e uma das suas mais valias está precisamente na forma como aborda a doença sem pudor ou sem tentar ir mais para além daquilo que a doença já traz de dramático.

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Curiosamente eu comprei este Dvd há uns dez anos, pouco tempo depois do filme ter saído, só o tinha visto na altura e tem permanecido na minha prateleira de coisas a rever este tempo todo. Isto porque inicialmente eu não tinha ficado particularmente impressionado com ele quando o vi pela primeira vez. Lembro-me de ter gostado mas de não me ter atingido com a mesma força de coisas como “The Classic”, “Be With You”, “Il Mare” ou “My Sassy Girl” por exemplo. No entanto nunca me saiu da memória, há anos que ando para o rever e falar sobre ele aqui neste blog, mas precisava distanciar-me do seu tema a nível pessoal, para poder voltar a pegar neste filme.

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E isto porque na verdade, se calhar a principal razão porque o filme não me tocou particularmente da primeira vez que o vi, foi porque eu estaria com todas a minhas defesas sobre o tema do Alzheimer activadas no máximo e portanto estaria naturalmente predisposto a que uma história assim não me atingisse de forma tão forte quanto atingiu muito do público que ainda hoje considera [“A Moment to remember”] possívelmente o melhor filme romântico Sul Coreano.
E não podia atingir-me da forma que me atingiu agora quando o revi ontem, porque na altura a história de [“A Moment to remember”] retratava essencialmente a minha própria história e mostrava essencialmente o meu dia-a-dia nessa altura. Como tal eu próprio estaria anestesiado perante tudo aquilo que o filme mostra e pelo visto chocou e tocou os outros espectadores que evidentemente não estariam inteirados do que se passa á volta do mundo da doença de Alzheimer, não só a nível do doente mas principalmente da perspectiva do prestador de cuidados.

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Acreditem-me nada na história de [“A Moment to remember”] se encontra exagerado. Nada se encontra “trabalhado” de forma a servir de truque cinematográfico para fazer as plateias chorar. Se [“A Moment to remember”] é considerado demasiado melodramático por algumas pessoas e é acusado de ser demasiado xaroposo, açucarado ou demasiado “inventado”, então é porque essas pessoas nunca viveram uma situação como a que é mostrada no filme na sua vida real.
Eu vivi.
Posso garantir-lhes que [“A Moment to remember”] se tem algum defeito é porque suaviza demasiado muitas das situações.
Se [“A Moment to remember”] tivesse entrado pormenorizadamente por alguns momentos que mostra na história, este teria sido um filme de terror insuportável para muita gente e deixaria de ser uma história romântica que o público conseguisse aguentar emocionalmente.

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Se o que podemos ver nesta história de amor Sul Coreana, é melodramático demais para ser real, é porque felizmente 99% do mundo não tem que viver a situação retratada no filme no seu dia-a-dia.
Acreditem-me. A realidade é muito mais melodramática do que poderão encontrar nesta produção sul coreana.
Eu sei, porque eu a vivi com os meus pais e tal como acontece com o personagem de [“A Moment to remember”] eu nunca poderia de forma nenhuma ter escolhido desistir. Portanto, meus amigos esqueçam a ideia que a história de amor deste filme está demasiado exagerada ou açucarada. Quando muito estará até algo contida visto a produção óbviamente ter preocupações comerciais.

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Outra das coisas que lhe apontam é a velocidade da degeneração mental da personagem principal, pois no filme tudo parece acontecer demasiado rápido, mas aí penso que é apenas um problema de montagem e do próprio “pacing” narrativo da história. Se calhar teria sido mais claro se tivesse havido uma melhor identificação visual da passagem do tempo.
Aliás, essa passagem do tempo sente-se na resolução das duas pequenas mini-histórias paralelas do filme que de um momento para o outro aparecem resolvidas sem darmos por isso.
Descobri há tempo que [“A Moment to remember”] tem duas versões; a versão distribuída fora da Coreia do Sul e a versão -longa- original que passou nos cinemas da região, que segundo me recordo de ter lido terá uns vinte minutos de cenas a mais.

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O dvd que eu tenho tem quase duas horas mas tudo se foca essencialmente nos personagens principais. De acordo como que li, parece que a versão longa do filme desenvolve muito mais em detalhe toda a parte da história a propósito da mãe do protagonista e também explica muito do que acontece em relação ao seu velho tutor. Tanto a mãe, como o personagem do tutor aparecem quase do nada a meio do filme e tudo parece ramificar-se na direcção dessas pequenas histórias. No entanto deixa-se de conhecer quaisquer detalhes do seu desenvolvimento e subitamente no final do filme esses dois personagens reaparecem de uma forma totalmente diferente e com os conflitos resolvidos sem que nós tivéssemos visto alguma coisa sobre isso.
Segundo o que li há um par de anos atrás, as cenas que foram retiradas para fazer a versão curta focavam precisamente esse aspecto e sinceramente não sei porque raio fizeram uma versão curta, pois os personagens secundários mesmo assim aparentam ser muito fortes e seria interessante podermos ver como todo o seu arco dramático em relação ao protagonista masculino desta história tinha sido resolvido.

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Talvez por isso, a versão curta crie uma excessiva ilusão de velocidade na parte que retrata o desenvolvimento da doença de Alzheimer na jovem protagonista. O meu conselho quando virem o filme é que não pensem muito no assunto e assumam todo o processo degenerativo da sua condição como natural, até porque por experiência própria posso garantir-lhes que num caso como é retratado no filme, uma pessoa pode realmente mudar em pouco mais de um ano e portanto esqueçam aqueles comentários que dizem que tudo está demasiado dramatizado para se tornar melodramático. Não está.

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Esquecendo agora o tema do Alzheimer por momentos, como filme romântico [“A Moment to remember”] é realmente um triunfo.
O facto de ser um produto comercial não lhe retira de todo o mérito, porque acima de tudo ao contrário daquilo que costuma passar por cinema romântico made-in-hollywood, mais uma vez temos aqui uma história de amor oriental com personagens realmente vivos e com muita alma.
Cedo nos esquecemos que estamos a ver um filme, pois toda a gente nesta história poderiam ser pessoas reais e isto é uma das coisas que [“A Moment to remember”] faz muito bem.

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Inclusivamente, até em relação aos personagens secundários. A química entre os protagonístas e por exemplo o pai da jovem rapariga é excelente e nem por um momento nos lembramos que estamos a ver um trabalho de representação.
E por falar em representação, o trabalho dos dois actores que representam o casal do filme é absolutamente notável. [“A Moment to remember”] pode inclusivamente ser o exemplo perfeito daquilo que os Sul Coreanos melhor sabem fazer no que toca à criação de histórias de amor, por uma simples razão; ninguém melhor que eles sabem como criar personagens verdadeiramente humanos onde mal notamos que existe um trabalho de representação por de detrás. Este filme é mais uma verdadeira aula de como se consegue criar uma história com empatia no género romântico, inclusivamente sem precisar de fugir aos clichés do género. Está tudo na forma como se humaniza as relações e nesse aspecto o cinema da Coreia do Sul sabe muito bem o que faz.

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A primeira metade de [“A Moment to remember”] é extraordinária na forma como nos cativa para a relação daquelas duas pessoas e é um verdadeiro manual de como se criam personagens românticos aparentemente sem esforço algum. Tudo na história inicialmente nos agarra. A forma como o casal se conhece e todas as sequências e peripécias em que se envolvem até ficarem juntos são retratadas de uma forma fantástica, cheia de momentos de humor perfeitamente naturais e é impossível não ficarmos totalmente cativados pela vida daquelas duas pessoas.

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O realizador é brilhante na forma como usa o humor e o balança com pequenos vislumbres daquilo que irá ser uma tragédia. E faz isto tão bem, que mesmo já tendo visto o filme mais do que uma vez, dei por mim a desejar que nada de errado acontecesse com os protagonistas precisamente pela forma divertida e ligeira com que a relação deles está filmada logo ao inicio.
Depois a meio do filme o realizador tira-nos o tapete dos pés e (principalmente) o espectador que não sabe nada sobre a doença de Alzheimer apanha um choque de meia noite com o resto do desenvolvimento da história. Talvez por isso esta seja tão inesquecível para tanta gente.

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Pelo meio da parte trágica [“A Moment to remember”] consegue sempre inserir algum humor e nisso é um trabalho de mestre pois há partes do filme que balançam incrivelmente entre a comédia sul-coreana típicamente alucinada com o drama mais intenso. Quem teve a ideia de colocar o médico especialista de Alzheimer com aquele visual de cientista maluco em estilo Einstein colocou no filme um toque de génio, pois as cenas em que o personagem entra são ao mesmo tempo divertidas, tristes, trágicas, ligeiras e dramáticas. E ás vezes nem precisa aparecer muito tempo no écran para resultar em pleno.
Outro pormenor interessante é a forma como usa a música para criar ambiente e em particular música latina ao melhor estilo canção-cubana (?) em sequências que remetem bastante para o tipo de universo que encontramos em “In the Mood for Love” de Wong Kar Wai. Muito bom e diferente.

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[“A Moment to remember”] pode já ter alguns anos, mas continua realmente a ser uma das grandes histórias de amor Sul Coreanas. É o tipo de filme que inevitávelmente será sempre acusado de ser delicodoce e excessivamente comercial por ter sido cozinhado de modo a fazer com que as plateias chorem baba e ranho, mas eu sinceramente não entendo porque isso será motivo para se atacar o resultado, ou já agora este tipo de cinema em que os sul coreanos são mestres absolutos.
Se no cinema de terror ninguém se queixa quando todos os clichés estão bem usados e resultam em filmes assustadores, porque razão se deverá atacar o cinema romântico por ser melodramático se isso resultar em algo que toque realmente a alma das pessoas ?….
É que ao menos o melodrama no cinema oriental prácticamente resulta sempre em personagens realmente humanos. Tomara o cinema americano poder dizer o mesmo.
O filme é comercial ? É pois.
Melodramático ? Claro ! E neste caso com todo o direito pois a realidade que retrata é até bem mais melodramática do que eles apresentaram no écran.
E resulta ?
Se resulta !!!

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O final desta história é absolutamente demolidor pela forma subjectiva com que termina. Mesmo que o resto do filme não os impressione por aí além, se estiverem atentos aos pormenores e chegarem ao seu desenlace final sem gastarem umas boas fronhas de travesseiros, então é porque vocês não têm um batimento cardíaco e já estão mortos.
[“A Moment to remember”] é um título perfeito para justificar os segundos finais e de certa forma justifica plenamente este título permanecer na memória de tanta gente como uma das melhores histórias de amor saídas do cinema da Coreia do Sul nos últimos anos.

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CLASSIFICAÇÃO – para a VERSÃO CURTA (1hora e 57 minutos)

É realmente bem melhor do que eu me lembrava de ter sido quando o vi pela primeira vez há quase dez anos.
Se chegaram a esta blog procurando por cinema romântico oriental, então não perdem nada em começar por este título. Não será o meu favorito mas é uma das melhores histórias de amor que saíram da Coreia do Sul com toda a certeza, e até certo ponto, apesar de formulário é bem original pela forma séria como retrata a doença de Alzheimer.
Cinco tigelas de noodles forque é realmente excelente, especialmente nos minutos finais.
Não leva um Golden Award porque guardo a nota máxima para quando conseguir ver a versão integral um destes dias.

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A favor: a forma realística e sem preocupações politicamente correctas como retrata a doença de Alzheimer, a forma como a própria doença está usada para se contar uma história de amor formulática mas nem por isso menos cativante, o trabalho extraordinário dos actores, a química entre todos os personagens principais ou secundários, a primeira metade do filme e a forma como nos faz apaixonar por aquelas pessoas, a segunda metade do filme e a forma como destrói aquelas pessoas, a subtileza do humor nos momentos mais inesperados, a inesperada banda sonora com músicas latinas cria uma atmosfera romântica curiosa, os minutos finais da história e a imagem com que termina.

Contra: o constante – product placement – à Coca-Cola é um bocado evidente e até algo irritante por ser tão “forçado(?)“, aparentemente existem duas versões disto e a mais curta que é a que temos acesso tem alguns problemas de ritmo narrativo pois há cenas que aparecem e desaparecem sem grande explicação, na versão curta as histórias da mãe do protagonista e da sua relação com o seu mentor estão demasiado aceleradas, na versão curta a passagem do tempo não é bem demonstrada e cria a ilusão de que a doença da protagonista se desenvolve em pouco tempo, ainda há pessoas que pensam que a forma como a doença de Alzheimer está representada neste filme é exagerada…

NOTA: Estou a tentar encontrar o “directors cut” com a versão longa e conto conseguir ver o filme em breve. Assim que o vir podem contar com comentários adicionais sobre o mesmo aqui neste texto.

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—————————————UPDATE 1-6-2014———————————
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CLASSIFICAÇÃO – VERSÃO LONGA (2h e 25 minutos)

Acabei de ver finalmente a versão integral deste filme e como eu já esperava, a versão longa leva sem qualquer problema a classificação máxima.

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Além de tudo o que já referi na review a propósito da versão curta, esta versão integral resolve alguns dos buracos narrativos que agora deixam de existir.
Não só encaixam as cenas que estavam a menos envolvendo a mãe do protagonista como inclusivamente a passagem do tempo já se sente mais presente e real pois o filme inclui até bastantes pequenos pormenores sobre o que se passa no ambiente doméstico em redor quando alguém tem de prestar cuidados a um doente de Alzheimer.
Isto é mais uma vez dificil de explicar, mas além das cenas mais longas e que óbviamente tinham sido retiradas da versão curta; a meia hora de filme a mais inclui dezenas de breves momentos que ás vezes nem duram dois segundos no écran mas onde se visualizam muitos pormenores que só quem está neste momento a passar por uma situação semelhante ou tal como eu, passou por uma situação semelhante irá reconhecer e que no contexto do filme acabam por si só fazer toda a difrença, (por exemplo o maior destaque dado ás anotações por toda a casa (com que eu me identifico bastante)), entre muitos outros pormenores que dão realmente uma profundidade diferente à história.
Se a versão curta já era uma boa representação do que é a doença de Alzheimer, as dezenas de pequenos pormenores às vezes em meros segundos de écran na versão longa, fazem com que este filme practicamente não tenha falhas na forma como aborda a doença de Alzheimer ao contrário do que alguns críticos têm apontado. Mais uma vez volto a dizer. Se [“A Moment to remember”] é melodramático, não é por ter tiques de telenovela pirosa, mas sim porque a doença de Alzheimer É melodramática. E bem mais do que o próprio filme apresenta até. Confiem em mim.

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Meia hora faz uma grande diferença em termos de filme. Não o modifica própriamente e não perdem nada em ver apenas a versão curta mas não há dúvida que a versão longa é muito mais densa e bem mais cuidada. Inclusivamente o próprio “moment to remember” do filme ganha uma nova vida na versão grande, isto porque na versão pequena ficava-se com a ideia de que o momento especial do fim seria realmente toda a experiência da rapariga a partir do momento *spoiler* em que regressa à loja onde tudo começou. Na versão longa o ênfase está realmente naquilo que é o verdadeiro coração do filme no que toca à história de amor – a palavra “amo-te” – que não é colocada no centro do momento fulcral na versão curta por faltarem pequenos segundos de diálogo entre o pai da rapariga e o marido desta que já estão presentes na totalidade na versão longa. Como tal, o “moment to remember” na versão integral tem ainda um impacto maior por se tornar ainda mais simples e evidente. *fim do spoiler*.

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Portanto qual a versão a ver ? Qualquer uma delas, mas a versão longa é realmente mais profunda. Não só nos pormenores sobre o Alzheimer mas também na forma como solidifica a relação de todos os personagens ao longo do filme, inclusivamente dos secundários.
Por outro lado se vocês não estiverem muito por dentro do que é lidar com o Alzheimer se calhar não irão notar uma diferença substancial entre a meia hora a menos da versão curta e a meia hora  mais da versão longa.

Cinco tigelas de noodles e um Golden Award para a versão longa porque é realmente uma grande história de amor tendo por base uma situação real muito bem retratada ao longo de todo o filme.

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A favor: As cenas adicionais trazem nova vida a esta história e aprofundam bastante tudo o que parecia faltar na versão curta. O foco do momento final torna-se mais simples e ainda mais poderoso e inesquecível.

Contra: O personagem do mentor do protagonista continua um bocado á deriva apesar de tudo pois grande parte das novas cenas mais longas serviram essencialmente para aprofundar a relação entre o protagonista e a mãe.

 

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
O trailer contém spoilers mas sinceramente penso que não há qualquer problema pois não tem nada que vocês não estejam à espera e portanto não vai retirar o prazer e o impacto do filme.
https://www.youtube.com/watch?v=uo9WSLv-lzs&feature=kp

Videoclip
O mesmo vale para o videoclip. Com spoilers mas não vai estragar o filme, de todo.
https://www.youtube.com/watch?v=BP4cnZeubyg

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Comprar
A versão curta que eu tenho em dvd já está esgotada. Encontrei uma edição do director´s cut aqui…também esgotada, mas poderá aparecer de novo a qualquer momento. Estejam atentos.
http://www.yesasia.com/us/a-moment-to-remember-blu-ray-directors-cut-first-press-limited-edition/1024648818-0-0-0-en/info.html

Bluray na amazon.uk
http://www.amazon.co.uk/gp/offer-listing/B009P1VEPA/ref=dp_olp_0?ie=UTF8&condition=all

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0428870

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Outros títulos românticos totalmente recomendados:

My Sassy Girl capinha_love_in_space capinha_in-the-mood-for-love capinha_midnight-sun

Be With You Il Mare The Classic Fly me to Polaris

concerto_capinha_73x cyborg_she_capinha_73x capinha_my-girl-and-i

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Kilme (Kiss Me, Kill Me) Yang Jong-Hyun (2009) Coreia do Sul


Só mesmo os Sul Coreanos para filmar uma história de amor entre uma rapariga que se quer matar e um assassino profissional que lida com a sua profissão como se fosse o emprego mais banal do mundo.
[“Kiss Me, Kill Me“] é mais uma proposta romântica bastante curiosa e que pela forma como está filmada é na realidade bem mais original do que pode aparentar á primeira vista.

Para começar [“Kiss Me, Kill Me“] é bem dificil de classificar. Não é própriamente uma comédia normal, ou o típico filme romântico fofinho ao estilo oriental mas também não é um drama ou sequer um filme de acção. Talvez seja uma comédia negra mas ao mesmo tempo tem uma certa carga triste intimista que quase anula o efeito de algumas das piadas bem conseguidas por sinal.
Por outro lado não deixa de conter alguns gags hilariantes nos locais mais inesperados e os dois protagonistas á medida que história se desenvolve vão ganhando uma química excelente no ecrã.

A estrutura é bem mais original do que aparenta, porque [“Kiss Me, Kill Me“] é um daqueles filmes em que nunca sabemos bem o que vai acontecer a seguir e mesmo quando adivinhamos, há sempre qualquer coisa que se mete pelo meio trocando as voltas ao espectador por mais do que uma vez; o que tem como efeito secundário o filme pular entre géneros com uma facilidade bastante natural que lhe dá um certo carísma.

Na sua essência não é uma comédia, mas está cheio de piadas cirurgicamente colocadas nos momentos mais inesperados para nos fazer rir, ás vezes até nos momentos mais tristes e dramáticos. E vice-versa.
[“Kiss Me, Kill Me“] enquanto filme romântico não se insere bem naquilo que o espectador espera quando o vê pela primeira vez, mas é isso que ao mesmo tempo lhe dá uma grande personalidade.

Contém cenas de acção interessantes, suspanse quanto baste e um par de twists ao melhor estilo cinema romântico Sul Coreano, que embora não sejam propriamente inesperados são sempre bem-vindos e neste caso ajudam a tornar esta história  num bom filme romântico a não perder por quem gosta do género e quer ver algo que ainda não viu neste estilo de histórias. Não porque seja muito original mas porque a sua força está nos muitos pormenores que estão espalhados pelo argumento e bem ilustrados pela própria realização do filme.

E por falar em realização, ao contrário do que aconteceu em “Daisy“, um filme á primeira vvista semelhante no que toca a histórias de amor com assassinos profissionais, aqui em [“Kiss Me, Kill Me“] a estética nunca se sobrepõe á história mesmo o filme tendo um estilo visual particularmente diferente por força até de alternar bastante entre vários géneros de história. Nunca se sente também que a história esteja fragmentada por causa disso, o que só revela o bom trabalho do realizador a equílibrar os vários diferentes elementos.

Em certas alturas, o tipo de humor negro faz lembrar bastante o hipnótico e bastante esquecido “Sweet Rain“. Até a parte da história á volta do submundo do crime tem algumas semelhanças na forma como o humor é usado para criar momentos inesperados ás vezes nas alturas de maior suspanse e tensão.
O tom da história de amor algo desconcertante remete imediatamente [“Kiss Me, Kill Me“] para algo semelhante ao que poderão ver em “Castaway on the Moon” pois até o próprio ambiente do filme tem certas semelhanças.

Como thriller de acção resulta , pois toda a história á volta da profissão do protagonísta é cativante quanto baste, como comédia negra tem bastantes momentos humorísticos inesperados que os vão fazer rir nos momentos mais inclassificáveis, como filme dramático – sério – consegue uma carga intimista algo tocante na forma como lida com o tema da solidão e finalmente como história de amor vai nos cativando é medida que as coisas se sucedem.

Embora na minha opinião, a parte romântica não resulte logo do início; coisa que não demora muito a ser reparada e a partir da hilariante damático-cómica sequência do passeio no parque de diversões duvido que alguém que veja este filme não fique logo a torcer pelos protagonistas.
Sabem aquelas cenas românticas típicas em que um casal enamorado passeia pelo jardim, anda nos carrosseis do parque de diversões, come algodão doce, etc ? Já viram isso antes certo ? Errado.
Nunca como neste filme e é bem divertida pela forma como falha redondamente por ser a sequência mais anti-romântica de todos os tempos neste contexto e ao mesmo tempo cimenta a relação dos protagonistas dando a volta por completo aos clichés do género.

Essencialmente não há muito mais para dizer sobre [“Kiss Me, Kill Me“] sem correr o risco de estragar o prazer da descoberta.
O trailer dá uma ideia mais cómica e caótica do estilo de filme do que na realidade este é, mas mesmo assim se procuram mais uma história de amor Sul Coreana e tal como eu ficaram um bocado desiludidos com “Daisy” que tem uma temática semelhante, se calhar poderão curtir muito este filme.

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CLASSIFICAÇÃO:

É mais uma boa história de amor Sul Coreana a juntar á colecção por todos vocês que chegam a este blog á procura de filmes do género. Não será inesquecível mas enquanto dura é interessante e tem alguns bons momentos tanto a nível dramático como a nível de suspanse e comédia negra.
Sendo assim é um daqueles filmes do qual não se pode dizer grande coisa negativa. Não deslumbra mas é competente e tem um certo carísma que só lhe fica bem e o distingue de tantos outros títulos semelhantes.
Quatro tigelas de noodles pois vale a pena espreitarem nem que seja uma vez.

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A favor: está cheio de gags humoristicos nos sitios mais inesperados, a sequência do parque de diversões é um gag tão trágico quanto original e bem divertido, a história de amor resulta e ainda tem tempo para um twist engraçado, os protagonístas têm carísma, as cenas de acção são interessantes e o filme consegue ter algum suspanse, não será um clone mas nota-se grande influência (bem aproveitada) do estilo “My Sassy Girl” que já se tornou incontornável no moderno cinema de comédia romântica Sul Coreano.
Contra: não tem nada que o torne um grande filme por aí além, tem uma carga triste e algo intimista que se calhar seria dispensável (ou talvez não), não fica na memória.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer – em tom mais ligeiro do que o filme é na realidade.
http://www.youtube.com/watch?v=5EF_838Ka_Y

Comprar
http://www.yesasia.com/us/kiss-me-kill-me-dvd-first-press-edition-korea-version/1022023550-0-0-0-en/info.html

Download aqui – com legendas em inglés.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1430619

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Outros títulos românticos recomendados:

My Sassy Girl

Be With You Il Mare The Classic Fly me to Polaris

concerto_capinha_73x cyborg_she_capinha_73x

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Pandora´s Booth (Pandora´s Booth) Derek Yee (2009) China


Da mesma forma que “My Sassy Girl” inventou um novo género no cinema sul coreano e gerou inúmeros clones desde o seu lançamento, também “Il Mare” parece continuar a definir um estilo á parte dentro do cinema romântico oriental e [“Pandora´s Booth“] é mais um bom exemplo deste género de histórias que envolvem romances através do tempo.

Tivemos “Il Mare” com uma caixa do correio, “Ditto” com um aparelho de rádio-amador, “Secret” com uma partitura de piano e agora é a vez de uma cabine telefónica que permite uma breve comunicação com o passado e tem um papel importante num romance de consequências dramáticas em duas épocas distintas.

Essencialmente se vocês já viram “Il Mare” já sabem com o que podem contar agora em [“Pandora´s Booth“]. A estrutura é mais ou menos a mesma, mas de todos os clones (assumidos ou não assumidos) do conceito original dentro do cinema oriental este é o filme com características mais adolescentes e como tal poderá não agradar totalmente mesmo a quem gostou muito de “Il Mare”.

A história de amor é interessante, mas a meio do filme começamos a perder a paciência para as birras hormonais do protagonísta masculino que parece agir de forma algo errática mesmo havendo alguma justificação para tal e sendo assim o romance perde alguma força pois o espectador mais crescido deixará certamente de se identificar com o namorico adolescente e isso retira logo grande parte do impacto dramático daquilo que deveria ser acima de tudo uma boa história romântica envolvendo também um lado adulto.

Essencialmente em [“Pandora´s Booth“] acompanhamos a história de um técnico de electricidade, divorciado, com uma filha adolescente e uma má relação com a ex-mulher.
Ao fazer a ronda por uma área da cidade, numa noite de tempestade aparece-lhe “por magia” uma velha cabine telefónica onde 30 anos antes ele costumava telefonar quando namorava na adolescência e o inesperado acontece.

Ao encontrar um velho contacto, o homem liga para esse número e logo descobre que quem atende do outro lado é a sua jovem paixão de há trinta anos atrás que julga no entanto estar a falar com a versão adolescente do electricista.
A partir daqui as peripécias sucedem-se e se vocês viram “Il Mare”  já estão a perceber o que se irá passar até ao final desta história, algo inóqua  em emoção mas não menos interessante pois se gostam deste tipo de histórias irão passar também bons momentos com esta. Não deslumbra mas segue-se com interesse.

Não será o mais fraco de todos os filmes semelhantes, (pois gostei menos de “Secret” por exemplo), mas poderia ter sido bem melhor. Porém isso também se deve ao facto de nem chegar a ter 90 minutos sequer e mesmo assim tentar ter uma história complexa e cheia de pequenas pistas e detalhes que servem para criar o inevitável “twist” destinado a surpreender o espectador. No entanto quase não temos tempo para pensar nelas devido á velocidade da própria narrativa e como tal quando as revelações começam  ficamos com a sensação de que parecem cair do céu pois ainda não tivemos tempo de interpretar as pistas e isso retira logo muito do interesse que o filme poderia ter conseguido manter.

Não fiquei particularmente fascinado com [“Pandora´s Booth“] mas gostei muito da reviravolta final pois não esperava que os argumentistas entrassem por aquele caminho, até porque eu nem sequer tinha dado muita importância a um diálogo que acontece a meio da história e já pensava que o filme iria acabar com a resolução da relação entre o protagonista e a mulher. Bom pormenor, pois é precisamente este tipo de coisas que me fazem gostar de acompanhar o cinema asiático e em particular aumentar o meu fascinio pelas histórias românticas contadas pelo cinema oriental por muito comercial que este seja.
No entanto se este filme tivesse tido mais vinte minutos para colocar tudo de uma forma mais calma se calhar teria permitido que o espectador entrasse mesmo muito mais dentro do mistério.  Assim com 87 minutos quase que obriga a que nós não consigamos interiorizá-lo como o deveriamos poder fazer para disfrutar da sua premisa.

Não acho que este filme oriental tenha algo particularmente de errado. É uma produção Chinesa e por isso o romance tem um tom diferente do que costuma existir nas histórias de amor Sul Coreanas. Pela minha parte não consigo deixar sempre de sentir que falta algo no cinema romântico deste género quando produzido na China, onde salvo raras excepções (“Fly me to Polaris” , “An Empress and the Warriors” , “In the Mood For Love“) pouco me costumam cativar emocionalmente. No entanto [“Pandora´s Booth“] é um filminho asiático muito interessante que se recomenda a toda a gente que gosta do estilo “Il Mare” e não se importa de ver mais uma história semelhante embora fique muito, mas muito atrás do produto original em todos os sentidos pois limita-se a contar a história quase em piloto automático sem dar tempo para que os personagens ganhem uma personalidade que cative o espectador.

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CLASSIFICAÇÃO:

Não recomendo que vão a correr ver este filme mas se estiverem numa de procurar mais uma história de amor através de viagens pelo tempo têm aqui um produto simpático dentro do cinema oriental.
Não tem nada verdadeiramente mau, nem de verdadeiramente extraordinário. Tem no entanto a audácia de tentar criar um ambiente romântico asiático usando persistentemente “As Time Goes By” como tema de amor o que não deixa de ser um pormenor mesmo curioso pois até nem se sai nada mal com esse atrevimento se vermos isto por uma perspectiva de cinéfilos puristas.
Poderão ver por aí coisas muito piores e sendo assim não há muito mais a dizer sobre [“Pandora´s Booth“].
Trés tigelas de noodles. Bom filminho.

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A favor: é mais uma boa história no estilo de “Il Mare” mas só no estilo de premisa, tem um pequeno “twist” final bem imaginado embora simples, apesar de algo inóquo em emoção ainda tem um par de cenas românticas genuínamente naturais e cativantes, usa e abusa de “As Time Goes By” como banda sonora e sai-se bem com isso.
Contra: tem uma duração demasiado curta para poder desenvolver bem as pistas que apresenta e como tal quando as surpresas acontecem ainda o espectador não teve tempo de digerir o que se passou anteriormente e as coisas parecem cair do céu quando na realidade se virem [“Pandora´s Booth“] uma segunda vez até reparam que contém muita coisa em que não reparam á primeira, devido á velocidade do próprio filme para tudo caber em menos de 90 minutos os personagens perdem-se um bocado por serem demasiado esquemáticos e nunca chegam a cativar muito o espectador, a versão adolescente do protagonista do filme é algo irritante e por momentos quase que transporta a história de amor teen para um patamar de telenovela pirosa que o filme não pedia.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer:
Não encontro o trailer disto em lado nenhum.



Comprar
Está á venda na Play-Asia a bom preço.
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7j-49-en-70-3msp.html

Podem no entanto ir buscá-lo aqui para ver se gostam.

IMDB
Não está sequer ainda listado no IMDB.

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Outros títulos semelhantes de que poderá gostar:

Il Mare ditto_capinha_73x Fly me to Polaris Be With You
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Heung joh chow heung yau chow (Turn Left Turn Right) Johnnie To/Ka-Fai Wai (2003) China


Desde o início deste blog que ando para falar neste filme asiático mas até agora nunca me apeteceu verdadeiramente escrever sobre ele e nunca percebi bem porquê.
Sendo assim, agora é que é e portanto bem-vindos a [“Turn Left, Turn Right“], provavelmente uma das histórias de amor mais – simpáticas – que encontrarão no cinema oriental.

Simpática, é mesmo a palavra certa para descrever esta história. É que o filme na verdade nem tem nada que o destaque pela negativa e talvez a pior coisa que se pode dizer de [“Turn Left, Turn Right“] é que podia ser um filme americano e não se notaria grande diferença.
Na verdade, agora que penso nisso, é bastante semelhante até ao posterior “Serendipity” com John Cusak…será coincidência ?

É complicado falar desta obra pois a descoberta dos seus pormenores é uma das grandes mais-valias deste filme oriental e não gostaria de revelar demais.
Acima de tudo, [“Turn Left, Turn Right“] tem mesmo muito boa onda e esse sentimento está sempre presente ao longo da sua duração o que lhe dá um charme muito especial e o distingue de tantas outras tantas histórias de amor que poderão encontrar no mercado.

A ideia para o argumento é extremamente simples mas está mesmo muito bem aproveitada e todo o filme tem uma estrutura milimétrica no desenvolvimento da narrativa que é absolutamente fascinante pela forma como usa os pequenos detalhes para nos agarrar, conseguindo manter um suspanse de roer as unhas  de cada vez que o destino troca mais uma vez as voltas aos protagonistas das formas mais imaginativas e inesperadas evitando novamente o seu reencontro até um ponto em que o espectador já nem sabe quando (ou se) este irá mesmo acontecer.

Á medida que a história avança, os pormenores divertidos multiplicam-se e os inúmeros caminhos cruzados que dão vida ao argumento tornam-se cada vez mais hipnotizantes não nos deixando tirar os olhos da história até ao seu desenlace final.
A maneira como duas pessoas vivem duas vidas semelhantes absolutamente paralelas chega até a dar que pensar se alguma vez  não nos terá acontecido algo semelhante naquele sentido em que se calhar já nos cruzamos com uma pessoa importante na nossa vida mas que nunca nos tocou por nunca termos sequer reparado nela.

Depois temos um final completamente alucinado ao melhor estilo oriental que só não estraga o filme porque quando tudo acontece o espectador já nem se importa com o que vê pois nessa altura só desejamos poder entrar para dentro do filme e juntar de uma vez por todas o par de protagonistas depois de acompanharmos tantos desencontros sucessivos.

Sem revelar muito disto, [“Turn Left, Turn Right“] conta a históra de duas pessoas, um rapaz e uma rapariga que vivem paredes meias em dois apartamentos contiguos mas nunca se encontram pois ambos saiem sempre de casa por portas diferentes e em direcções diferentes.
Um dia encontram-se num jardim, apaixonam-se trocam números de telefone e cada um vai á sua vida.

Entretanto o destino intervém e ambos perdem os contactos um do outro, nunca suspeitando que na realidade sempre foram vizinhos durante o tempo todo e continuam inclusivamente a dormir com a cabeça encostada á mesma parede todas as noites.
O tempo passa e após tentarem individualmente voltar a encontrar o outro sem qualquer resultado eis que surgem nas suas vidas duas novas pessoas.

Na vida do rapaz, entra agora uma entregadora de pizzas viciada em futebol completamente alucinada que imediatamente se apaixona por ele uma noite quando vai a sua casa e depois desse dia parece nunca mais descolar do local para desespero do jovem.
Na vida da rapariga surge um médico de sucesso que claro se interessa por ela romanticamente e que é capaz de tudo para a conquistar.
As coisas complicam-se ainda mais quando a entregadora de pizzas e o médico descobrem o interesse mútuo do par romântico um pelo outro e é aqui que o filme ganha um novo ângulo quando eles resolvem unir-se para se certificarem que os dois protagonistas nunca se possam mesmo encontrar.

Como se o destino já não fosse suficientemente cruel quando encena os mais geniais desencontros do par ao longo do filme, os dois eternos desencontrados ainda têm que contar com a verdadeira sabotagem romântico-terrorista dos seus respectivos obcecados pretendentes que não olham a meios para evitar que os dois apaixonados descubram que afinal vivem no prédio contíguo um do outro.

Obviamente que já estão a ver como tudo isto vai acabar; no entanto não imaginam os pormenores que os levarão até ao inevitável (?) final e que conseguem fazer com que [“Turn Left, Turn Right“] mantenha um suspanse absolutamente delirante até ao ultimo segundo quando tudo se resolve da maneira mais inesperada e completamente fora do contexto de uma forma que os irá surpreender e divertir.

Aliás, um pormenor curioso deste divertido filme oriental, é também o facto de mesmo a uma segunda ou terceira visão quando já sabemos de cor tudo o que acontece, damos no entanto por nós novamente em suspanse como se o estivessemos a ver pela primeira vez.
Isto só valoriza o discreto mas muito eficaz trabalho do realizador pois a sua gestão de todos os pormenores da história e a maneira como filma o argumento é absolutamente perfeita e resulta plenamente para divertimento do espectador.

Uma nota final para os actores e personagens. O par romântico embora não se afastando muito do habitual é totalmente cativante e credível no seu desespero apaixonado e isto ainda fica melhor quando como contraponto tem o par secundário de sabotadores-românticos num registo cartoon-Manga e que impede que o filme caia numa repetitição em que facilmente poderia ter resvalado tendo em conta a própria base labirintíca do argumento que assenta essencialmente no mesmo tipo de desencontros.

[“Turn Left, Turn Right“] não tem pontos negativos dignos dessa conotação.
Não é um filme asiático brilhante, falta-lhe algo para se tornar imprescindível pois talvez tenha tentado ser demasiado internacional para apelar ao mercado americano, mas não se pode negar que é um filme cativante e se calhar não precisa mais do que isso para ser mais uma história de amor totalmente recomendável e que fica muito bem em qualquer colecção romântica oriental.

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CLASSIFICAÇÃO:

Falta-lhe algo para ser inesquecivel mas é uma excelente comédia romântica cheia de personalidade e totalmente recomendável a quem procura algo do género e já viu tudo o que tenho recomendado.
Quatro tigelas e meia de noodles pois de certa forma é mais uma história de amor imprescindível.

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A favor: o argumento labirintico e a forma como cruza os diversos caminhos do destino dos protagonistas, os personagens da entregadora de pizzas+médico alucinados e os seus planos para evitarem o reencontro dos protagonistas, mantém o suspanse até ao final e agarra-nos mesmo que já tenhamos visto o filme muitas vezes antes, o desenlace é completamente estúpido pela falta de contexto na história que até então vimos mas resulta de uma forma genial e até hilariante por ser tão inesperada, é uma comédia romântica com muito charme e excelentes personagens não só secundários como até terciários se contarmos com a história de amor paralela envolvendo os senhorios dos protagonistas.
Contra: não tem nada que lhe dê uma identidade particularmente oriental e esforça-se demasiado por se parecer com um filme comercial americano dentro do estilo romântico. Não havia necessidade mesmo a produção estando ligada a uma Major americana como está.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailers
http://www.youtube.com/watch?v=bDP85dOe9BM
http://www.youtube.com/watch?v=8WyO77qW79A

Comprar
Infelizmente neste momento parece que o dvd está esgotado em todo o lado e já não vão encontrar á venda a edição que eu tenho. Cuidado com a edição japonesa do filme que ainda se encontra á venda pois não tem legendas em inglés.
Podem no entanto ver o filme se o forem buscar aqui. E a sua banda sonora também.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0367174/

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Outros títulos românticos recomendados:

Be With You My Sassy Girl Il Mare The Classic Fly me to Polaris

Love Phobia concerto_capinha_73x cyborg_she_capinha_73x

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Bu neng shuo de. mi mi (Secret) Jay Chou (2007) China


Se espreitarem mais abaixo a minha classificação, vão notar que não atribuo uma nota por aí além a este filme chinês, no entanto não deixem que a minha opinião os afaste dele. Não é um daqueles filmes orientais inesquecíveis mas é uma história sólida que irá agradar bastante, principalmente a quem gostar de piano, de música ou composição musical.

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Então porque não lhe dou uma nota mais alta ?
É complicado explicar isto sem lhes estragar o que o filme tem de melhor e que é precisamente a “surpresa” final. Especialmente porque para o poder fazer bem eu teria de comparar o filme com outras obras; o que lhes daria imediatamente a pista para esse desenlace e portanto é melhor eu estar calado.

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É mais habitual encontrarmos este tipo de cinema oriental relacionado com os produtos da Coreia do Sul, ou até mesmo do Japão, do que na cinematografia Chinesa,(neste caso de Taiwan). Os Sul Coreanos especialmente na minha opinião são mestres a ilustrar este estilo de histórias que dependem muito de uma carga românticamente assombrada e como tal talvez a principal grande fraqueza de [“Secret“] está no facto de não ser um filme Sul Coreano, pois  falta-lhe aqui aquela sensibilidade que normalmente humaniza bastante este tipo de histórias.

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Senti que este filme asiático era uma espécie de “peixe fora de água”, ou seja senti muito forçada a colagem ao estilo Sul Coreano ao mesmo tempo que parecia não querer abandonar a sua identidade Chinesa, o que o tornou num produto algo ambiguo e o que ficou a perder foi precisamente a parte emocional pois nunca transmite ao espectador aquele sentimento que nos devia prender ao ecran com esta história de amor, previsível mas nem por isso menos interessante.

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O facto do final ser ultra previsível também lhe retira alguns pontos, pois a partir de certa altura percebe-se logo que tipo de história estamos a ver. E o pior é que quando isso acontece ainda os personagens não nos agarraram por completo, muito por culpa da própria indefinição do estilo do próprio filme e pena pois faz com que a narrativa se arraste um bocado pelo meio, especialmente quando para o espectador já se torna óbvia qual o rumo da história e para os personagens tudo ainda permanece um enigma.

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No entanto, isto não quer dizer que o filme seja mau. Apenas não provoca surpresas suficientes para agarrar a quem já viu outros filmes do estilo no cinema Sul Coreano ou Japonês e como tal não tem força para competir com a concorrência que já ficou para trás com muitos melhores resultados, tanto no que toca a twists como na parte romântica da história.
Embora não me admire nada que muita gente tenha gostado, (ou possa vir a gostar muito) de [“Secret“] se se der o caso deste ser o primeiro filme do género que viram ou irão ver, por isso todo o meu pouco entusiasmo pode ser contextualizado de uma forma relativa.

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Realmente pelo trailer, o filme parece bem melhor do que na verdade eu achei que fosse.
Se tivesse que escolher eu daria melhor nota ao trailer do que ao filme, até porque o estilo de montagem cativante que nos aparece na apresentação não é de forma nenhuma o mesmo que está presente em [“Secret“] e se calhar teria sido melhor que fosse e este se tivesse assumido como um filme mais comercial do que (não) tenta ser.
O toque cinema-de-autor aqui retira-lhe algum do brilho que deveria ter tido mas se calhar é compreensível.

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Compreensivel, porque esta é a primeira obra do realizador (pianista profissional muito famoso por aquelas bandas), que além de ser o produtor do filme, criador da história, actor principal é ainda o compositor da musica e como tal se calhar era inevitável que este tentasse criar um produto bem mais pessoal e não quisesse apenas fazer mais um filme comercial igual a tantos outros.

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Se calhar esse toque pessoal desta vez foi precisamente aquilo que impede [“Secret“] de aproveitar todo o seu potencial, pois se vermos bem as coisas não é a falta de originalidade do conceito ou da própria história aquilo que impede o filme de ser mais cativante, mas sim algo na sua atmosfera melancólica que nunca conseguimos bem identificar e torna os personagens sempre em algo distante do espectador quando deveriam cativar-nos por completo como normalmente acontece no cinema Sul Coreano.

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Mas se vocês gostarem mesmo muito de piano não vão mais longe, este é o filme para vocês. Tudo gira á volta de uma melodia muito especial e o filme está cheio de momentos em que os actores demonstram as suas qualidades também (e principalmente) como pianístas fantásticos (digo eu que não percebo nada daquilo).
É precisamente nessas cenas que o filme tem os seus melhores momentos e o espectador mais ganha empatia com os personagens. A maneira como realizador usa a música para enquadrar o mistério da história é muito entusiasmante e só é pena ele não ter consigo o mesmo resultado nas cenas em que o filme não envolve um piano.

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Como já disse, não há nada de verdadeiramente mau em [“Secret“] apesar do mistério ser tudo menos misterioso e a sua estrutura nem ser particularmente criativa.
Aliás, achei-a até um pouco forçada, como se a partir de certa altura fosse preciso resolver as coisas e como tal as explicações surgem quase de repente , mais porque estava na altura de concluir o filme e passar á sequência com o “twist” final do que por ser a conclusão orgânica mais natural para a narrativa.
Foi aqui que mais senti a tentativa falhada de se colar ao estilo Sul Coreano e isso desiludiu-me um pouco, embora a sequência final seja muito boa mesmo.

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A maneira como visualmente o mistério e os seus efeitos nos é revelado, através de uma caótica sequências de efeitos especiais que ganham vida ao som da banda sonora no final do filme é uma das melhores partes de toda a narrativa e só é pena que o que ficou para trás não tenha alcançado a mesma eficácia.
Apesar da previsibilidade, o fim do filme tem um bom ritmo e prova que este realizador sabe contar histórias e como tal aguardo com interesse um novo trabalho seu.

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[“Secret“] tem bons personagens embora nem sempre particularmente cativantes. Quanto a mim, a parte romântica só funciona mesmo na sequência final. O que é pena, mas a verdade é que ao longo de todo filme senti sempre uma distância enorme entre mim e aquelas pessoas no ecran. E isso quanto a mim é o que faz a diferença entre uma boa história de amor e apenas mais um filme romântico de contornos sobrenaturais.
Neste caso é apenas uma boa história de contornos sobrenaturais com alguns minutos a mais. Se calhar cortavam-se quinze minutos e seria um filme muito mais cativante.

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Curiosamente, os personagens mais cativantes de todo o filme são o pai do protagonísta e um par de colegas de liceu que embora sejam personagens  sem grande dimensão, são no entanto os que dão mais vida á narrativa quando aparecem no ecran e acabam por ter os papeis mais importantes no desenrolar do mistério ao mesmo tempo que contribuem para momentos divertidos numa narrativa por vezes é demasiado melancólica e sombria sem haver necessidade para isso.

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CLASSIFICAÇÃO:
Apesar de tudo é uma boa história de contornos romântico-sobrenaturais.
Não há muito mais a dizer para além daquilo que já referi no texto acima e sendo assim só posso dizer que é um bom filme oriental  e recomenda-se.
Não sugiro que o vão logo ver a correr e muito menos sugiro que comprem o dvd sem ver primeiro, mas como eu sei que muitos de vocês chegam até este blog á procura de sugestão para filmes românticos orientais, estejam á vontade para espreitar este também porque preenche bem o tempo até aparecer por aí mais um daqueles realmente inesqueciveis.
[“Secret“] é apenas bom.
Nem mais nem menos, trés tigelas de noodles.

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A favor: as cenas com os pianos são excelentes e cativantes, a envolvência da música e a sua importância na narrativa, o estilo alucinado de alguns personagens, a sequência final em que o “mistério” é revelado, bons efeitos especiais, é mais uma história romântica de contornos sobrenaturais.
Contra: já viram esta história antes várias vezes e o filme não tem suficientes atractivos adicionais que nos façam não nos importarmos com esse facto, o mistério é completamente óbvio para quem já viu um par de filmes Sul Coreanos conhecidos, o par romântico não cria grande empatia com o espectador, o filme tem um tom demasiado assombrado e melancólico quando deveria ter sido mais romântico e se calhar até mais comercial que não lhe fazia mal nenhum, nota-se que é um produto inspirado no cinema Sul Coreano e que se esforça para ser uma obra no mesmo estilo mas falta-lhe alguma emotividade e nunca consegue criar uma empatia com espectador, nunca nos importamos muito com o destino dos personagens pois já sabemos qual será bem antes das coisas acontecerem, só ganha alguma emoção no final e o resto do filme perde-se um pouco.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER
http://www.youtube.com/watch?v=85wDDjaPFd0

Secret05

Comprar
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7l-49-en-70-2xpv.html

Download
http://asianspace.blogspot.com/2009/10/secret-2007.html

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1037850/

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Outros títulos românticos recomendados:

Be With You My Sassy Girl Il Mare The Classic Fly me to Polaris

Love Phobia concerto_capinha_73x cyborg_she_capinha_73x

ditto_capinha_73x midnightsun_capinha my_girl_and_i_minicapinha

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