A moment to remember (Nae meorisokui jiwoogae ) John H. Lee (2004) Coreia do Sul


Update: Esta review foi actualizada a 1-6-2014 também com a classificação para a versão longa do filme, mais abaixo.

[“A Moment to remember”], intitula-se originalmente – “Uma borracha na minha cabeça” – e é um filme sobre Alzheimer. Sobre o que acontece quando as nossas memórias pura e simplesmente são apagadas e sobre o que resta daquilo que fomos; colocando a questão – “será que ainda somos nós” ?…O que é que nos define ?…
Se investigarem este título na net, irão notar que será provavelmente a história de amor Sul Coreana que mais tocou o público ocidental; o que o torna talvez no mais popular filme romântico de que ninguém ouviu falar. Isto claro quando comparado com o cinema que consumimos nesta nossa parte do mundo. Ia haver um remake americano em estilo telefilme, mas consta que ficou no limbo, por isso deixem-no estar que assim é que está bem.

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Até eu que sou um fã total de cinema romântico oriental, fiquei bastante surpreendido com a adoração da qual este filme é alvo em praticamente todo o lado. Isto porque apesar de ser uma história excelente, nunca pensei que tivesse algo de extraordinário que o pudesse colocar ao lado de outros títulos que adoro com por exemplo “The Classic” (com a mesma actriz), ou “Be With You” (para mim o melhor filme romântico de sempre no cinema oriental).

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[“A Moment to remember”] parece ter tocado muito toda a gente que o viu e pelo que me tenho apercebido as pessoas ficam bastante emocionadas com o choque que apanham ao verem a forma como o filme retrata um doente de Alzheimer. Estou em crer que quem não passa por uma situação semelhante não faz mesmo ideia da realidade ao redor da doença e portanto acredito que muita gente ao ver esta história não estava nada preparada para os seus pormenores…perturbantes. Até porque o filme, por debaixo da sua capa de história de amor comercial não hesita em colocar muitas questões pertinentes sobre o tema e uma das suas mais valias está precisamente na forma como aborda a doença sem pudor ou sem tentar ir mais para além daquilo que a doença já traz de dramático.

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Curiosamente eu comprei este Dvd há uns dez anos, pouco tempo depois do filme ter saído, só o tinha visto na altura e tem permanecido na minha prateleira de coisas a rever este tempo todo. Isto porque inicialmente eu não tinha ficado particularmente impressionado com ele quando o vi pela primeira vez. Lembro-me de ter gostado mas de não me ter atingido com a mesma força de coisas como “The Classic”, “Be With You”, “Il Mare” ou “My Sassy Girl” por exemplo. No entanto nunca me saiu da memória, há anos que ando para o rever e falar sobre ele aqui neste blog, mas precisava distanciar-me do seu tema a nível pessoal, para poder voltar a pegar neste filme.

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E isto porque na verdade, se calhar a principal razão porque o filme não me tocou particularmente da primeira vez que o vi, foi porque eu estaria com todas a minhas defesas sobre o tema do Alzheimer activadas no máximo e portanto estaria naturalmente predisposto a que uma história assim não me atingisse de forma tão forte quanto atingiu muito do público que ainda hoje considera [“A Moment to remember”] possívelmente o melhor filme romântico Sul Coreano.
E não podia atingir-me da forma que me atingiu agora quando o revi ontem, porque na altura a história de [“A Moment to remember”] retratava essencialmente a minha própria história e mostrava essencialmente o meu dia-a-dia nessa altura. Como tal eu próprio estaria anestesiado perante tudo aquilo que o filme mostra e pelo visto chocou e tocou os outros espectadores que evidentemente não estariam inteirados do que se passa á volta do mundo da doença de Alzheimer, não só a nível do doente mas principalmente da perspectiva do prestador de cuidados.

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Acreditem-me nada na história de [“A Moment to remember”] se encontra exagerado. Nada se encontra “trabalhado” de forma a servir de truque cinematográfico para fazer as plateias chorar. Se [“A Moment to remember”] é considerado demasiado melodramático por algumas pessoas e é acusado de ser demasiado xaroposo, açucarado ou demasiado “inventado”, então é porque essas pessoas nunca viveram uma situação como a que é mostrada no filme na sua vida real.
Eu vivi.
Posso garantir-lhes que [“A Moment to remember”] se tem algum defeito é porque suaviza demasiado muitas das situações.
Se [“A Moment to remember”] tivesse entrado pormenorizadamente por alguns momentos que mostra na história, este teria sido um filme de terror insuportável para muita gente e deixaria de ser uma história romântica que o público conseguisse aguentar emocionalmente.

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Se o que podemos ver nesta história de amor Sul Coreana, é melodramático demais para ser real, é porque felizmente 99% do mundo não tem que viver a situação retratada no filme no seu dia-a-dia.
Acreditem-me. A realidade é muito mais melodramática do que poderão encontrar nesta produção sul coreana.
Eu sei, porque eu a vivi com os meus pais e tal como acontece com o personagem de [“A Moment to remember”] eu nunca poderia de forma nenhuma ter escolhido desistir. Portanto, meus amigos esqueçam a ideia que a história de amor deste filme está demasiado exagerada ou açucarada. Quando muito estará até algo contida visto a produção óbviamente ter preocupações comerciais.

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Outra das coisas que lhe apontam é a velocidade da degeneração mental da personagem principal, pois no filme tudo parece acontecer demasiado rápido, mas aí penso que é apenas um problema de montagem e do próprio “pacing” narrativo da história. Se calhar teria sido mais claro se tivesse havido uma melhor identificação visual da passagem do tempo.
Aliás, essa passagem do tempo sente-se na resolução das duas pequenas mini-histórias paralelas do filme que de um momento para o outro aparecem resolvidas sem darmos por isso.
Descobri há tempo que [“A Moment to remember”] tem duas versões; a versão distribuída fora da Coreia do Sul e a versão -longa- original que passou nos cinemas da região, que segundo me recordo de ter lido terá uns vinte minutos de cenas a mais.

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O dvd que eu tenho tem quase duas horas mas tudo se foca essencialmente nos personagens principais. De acordo como que li, parece que a versão longa do filme desenvolve muito mais em detalhe toda a parte da história a propósito da mãe do protagonista e também explica muito do que acontece em relação ao seu velho tutor. Tanto a mãe, como o personagem do tutor aparecem quase do nada a meio do filme e tudo parece ramificar-se na direcção dessas pequenas histórias. No entanto deixa-se de conhecer quaisquer detalhes do seu desenvolvimento e subitamente no final do filme esses dois personagens reaparecem de uma forma totalmente diferente e com os conflitos resolvidos sem que nós tivéssemos visto alguma coisa sobre isso.
Segundo o que li há um par de anos atrás, as cenas que foram retiradas para fazer a versão curta focavam precisamente esse aspecto e sinceramente não sei porque raio fizeram uma versão curta, pois os personagens secundários mesmo assim aparentam ser muito fortes e seria interessante podermos ver como todo o seu arco dramático em relação ao protagonista masculino desta história tinha sido resolvido.

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Talvez por isso, a versão curta crie uma excessiva ilusão de velocidade na parte que retrata o desenvolvimento da doença de Alzheimer na jovem protagonista. O meu conselho quando virem o filme é que não pensem muito no assunto e assumam todo o processo degenerativo da sua condição como natural, até porque por experiência própria posso garantir-lhes que num caso como é retratado no filme, uma pessoa pode realmente mudar em pouco mais de um ano e portanto esqueçam aqueles comentários que dizem que tudo está demasiado dramatizado para se tornar melodramático. Não está.

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Esquecendo agora o tema do Alzheimer por momentos, como filme romântico [“A Moment to remember”] é realmente um triunfo.
O facto de ser um produto comercial não lhe retira de todo o mérito, porque acima de tudo ao contrário daquilo que costuma passar por cinema romântico made-in-hollywood, mais uma vez temos aqui uma história de amor oriental com personagens realmente vivos e com muita alma.
Cedo nos esquecemos que estamos a ver um filme, pois toda a gente nesta história poderiam ser pessoas reais e isto é uma das coisas que [“A Moment to remember”] faz muito bem.

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Inclusivamente, até em relação aos personagens secundários. A química entre os protagonístas e por exemplo o pai da jovem rapariga é excelente e nem por um momento nos lembramos que estamos a ver um trabalho de representação.
E por falar em representação, o trabalho dos dois actores que representam o casal do filme é absolutamente notável. [“A Moment to remember”] pode inclusivamente ser o exemplo perfeito daquilo que os Sul Coreanos melhor sabem fazer no que toca à criação de histórias de amor, por uma simples razão; ninguém melhor que eles sabem como criar personagens verdadeiramente humanos onde mal notamos que existe um trabalho de representação por de detrás. Este filme é mais uma verdadeira aula de como se consegue criar uma história com empatia no género romântico, inclusivamente sem precisar de fugir aos clichés do género. Está tudo na forma como se humaniza as relações e nesse aspecto o cinema da Coreia do Sul sabe muito bem o que faz.

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A primeira metade de [“A Moment to remember”] é extraordinária na forma como nos cativa para a relação daquelas duas pessoas e é um verdadeiro manual de como se criam personagens românticos aparentemente sem esforço algum. Tudo na história inicialmente nos agarra. A forma como o casal se conhece e todas as sequências e peripécias em que se envolvem até ficarem juntos são retratadas de uma forma fantástica, cheia de momentos de humor perfeitamente naturais e é impossível não ficarmos totalmente cativados pela vida daquelas duas pessoas.

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O realizador é brilhante na forma como usa o humor e o balança com pequenos vislumbres daquilo que irá ser uma tragédia. E faz isto tão bem, que mesmo já tendo visto o filme mais do que uma vez, dei por mim a desejar que nada de errado acontecesse com os protagonistas precisamente pela forma divertida e ligeira com que a relação deles está filmada logo ao inicio.
Depois a meio do filme o realizador tira-nos o tapete dos pés e (principalmente) o espectador que não sabe nada sobre a doença de Alzheimer apanha um choque de meia noite com o resto do desenvolvimento da história. Talvez por isso esta seja tão inesquecível para tanta gente.

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Pelo meio da parte trágica [“A Moment to remember”] consegue sempre inserir algum humor e nisso é um trabalho de mestre pois há partes do filme que balançam incrivelmente entre a comédia sul-coreana típicamente alucinada com o drama mais intenso. Quem teve a ideia de colocar o médico especialista de Alzheimer com aquele visual de cientista maluco em estilo Einstein colocou no filme um toque de génio, pois as cenas em que o personagem entra são ao mesmo tempo divertidas, tristes, trágicas, ligeiras e dramáticas. E ás vezes nem precisa aparecer muito tempo no écran para resultar em pleno.
Outro pormenor interessante é a forma como usa a música para criar ambiente e em particular música latina ao melhor estilo canção-cubana (?) em sequências que remetem bastante para o tipo de universo que encontramos em “In the Mood for Love” de Wong Kar Wai. Muito bom e diferente.

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[“A Moment to remember”] pode já ter alguns anos, mas continua realmente a ser uma das grandes histórias de amor Sul Coreanas. É o tipo de filme que inevitávelmente será sempre acusado de ser delicodoce e excessivamente comercial por ter sido cozinhado de modo a fazer com que as plateias chorem baba e ranho, mas eu sinceramente não entendo porque isso será motivo para se atacar o resultado, ou já agora este tipo de cinema em que os sul coreanos são mestres absolutos.
Se no cinema de terror ninguém se queixa quando todos os clichés estão bem usados e resultam em filmes assustadores, porque razão se deverá atacar o cinema romântico por ser melodramático se isso resultar em algo que toque realmente a alma das pessoas ?….
É que ao menos o melodrama no cinema oriental prácticamente resulta sempre em personagens realmente humanos. Tomara o cinema americano poder dizer o mesmo.
O filme é comercial ? É pois.
Melodramático ? Claro ! E neste caso com todo o direito pois a realidade que retrata é até bem mais melodramática do que eles apresentaram no écran.
E resulta ?
Se resulta !!!

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O final desta história é absolutamente demolidor pela forma subjectiva com que termina. Mesmo que o resto do filme não os impressione por aí além, se estiverem atentos aos pormenores e chegarem ao seu desenlace final sem gastarem umas boas fronhas de travesseiros, então é porque vocês não têm um batimento cardíaco e já estão mortos.
[“A Moment to remember”] é um título perfeito para justificar os segundos finais e de certa forma justifica plenamente este título permanecer na memória de tanta gente como uma das melhores histórias de amor saídas do cinema da Coreia do Sul nos últimos anos.

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CLASSIFICAÇÃO – para a VERSÃO CURTA (1hora e 57 minutos)

É realmente bem melhor do que eu me lembrava de ter sido quando o vi pela primeira vez há quase dez anos.
Se chegaram a esta blog procurando por cinema romântico oriental, então não perdem nada em começar por este título. Não será o meu favorito mas é uma das melhores histórias de amor que saíram da Coreia do Sul com toda a certeza, e até certo ponto, apesar de formulário é bem original pela forma séria como retrata a doença de Alzheimer.
Cinco tigelas de noodles forque é realmente excelente, especialmente nos minutos finais.
Não leva um Golden Award porque guardo a nota máxima para quando conseguir ver a versão integral um destes dias.

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A favor: a forma realística e sem preocupações politicamente correctas como retrata a doença de Alzheimer, a forma como a própria doença está usada para se contar uma história de amor formulática mas nem por isso menos cativante, o trabalho extraordinário dos actores, a química entre todos os personagens principais ou secundários, a primeira metade do filme e a forma como nos faz apaixonar por aquelas pessoas, a segunda metade do filme e a forma como destrói aquelas pessoas, a subtileza do humor nos momentos mais inesperados, a inesperada banda sonora com músicas latinas cria uma atmosfera romântica curiosa, os minutos finais da história e a imagem com que termina.

Contra: o constante – product placement – à Coca-Cola é um bocado evidente e até algo irritante por ser tão “forçado(?)“, aparentemente existem duas versões disto e a mais curta que é a que temos acesso tem alguns problemas de ritmo narrativo pois há cenas que aparecem e desaparecem sem grande explicação, na versão curta as histórias da mãe do protagonista e da sua relação com o seu mentor estão demasiado aceleradas, na versão curta a passagem do tempo não é bem demonstrada e cria a ilusão de que a doença da protagonista se desenvolve em pouco tempo, ainda há pessoas que pensam que a forma como a doença de Alzheimer está representada neste filme é exagerada…

NOTA: Estou a tentar encontrar o “directors cut” com a versão longa e conto conseguir ver o filme em breve. Assim que o vir podem contar com comentários adicionais sobre o mesmo aqui neste texto.

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CLASSIFICAÇÃO – VERSÃO LONGA (2h e 25 minutos)

Acabei de ver finalmente a versão integral deste filme e como eu já esperava, a versão longa leva sem qualquer problema a classificação máxima.

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Além de tudo o que já referi na review a propósito da versão curta, esta versão integral resolve alguns dos buracos narrativos que agora deixam de existir.
Não só encaixam as cenas que estavam a menos envolvendo a mãe do protagonista como inclusivamente a passagem do tempo já se sente mais presente e real pois o filme inclui até bastantes pequenos pormenores sobre o que se passa no ambiente doméstico em redor quando alguém tem de prestar cuidados a um doente de Alzheimer.
Isto é mais uma vez dificil de explicar, mas além das cenas mais longas e que óbviamente tinham sido retiradas da versão curta; a meia hora de filme a mais inclui dezenas de breves momentos que ás vezes nem duram dois segundos no écran mas onde se visualizam muitos pormenores que só quem está neste momento a passar por uma situação semelhante ou tal como eu, passou por uma situação semelhante irá reconhecer e que no contexto do filme acabam por si só fazer toda a difrença, (por exemplo o maior destaque dado ás anotações por toda a casa (com que eu me identifico bastante)), entre muitos outros pormenores que dão realmente uma profundidade diferente à história.
Se a versão curta já era uma boa representação do que é a doença de Alzheimer, as dezenas de pequenos pormenores às vezes em meros segundos de écran na versão longa, fazem com que este filme practicamente não tenha falhas na forma como aborda a doença de Alzheimer ao contrário do que alguns críticos têm apontado. Mais uma vez volto a dizer. Se [“A Moment to remember”] é melodramático, não é por ter tiques de telenovela pirosa, mas sim porque a doença de Alzheimer É melodramática. E bem mais do que o próprio filme apresenta até. Confiem em mim.

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Meia hora faz uma grande diferença em termos de filme. Não o modifica própriamente e não perdem nada em ver apenas a versão curta mas não há dúvida que a versão longa é muito mais densa e bem mais cuidada. Inclusivamente o próprio “moment to remember” do filme ganha uma nova vida na versão grande, isto porque na versão pequena ficava-se com a ideia de que o momento especial do fim seria realmente toda a experiência da rapariga a partir do momento *spoiler* em que regressa à loja onde tudo começou. Na versão longa o ênfase está realmente naquilo que é o verdadeiro coração do filme no que toca à história de amor – a palavra “amo-te” – que não é colocada no centro do momento fulcral na versão curta por faltarem pequenos segundos de diálogo entre o pai da rapariga e o marido desta que já estão presentes na totalidade na versão longa. Como tal, o “moment to remember” na versão integral tem ainda um impacto maior por se tornar ainda mais simples e evidente. *fim do spoiler*.

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Portanto qual a versão a ver ? Qualquer uma delas, mas a versão longa é realmente mais profunda. Não só nos pormenores sobre o Alzheimer mas também na forma como solidifica a relação de todos os personagens ao longo do filme, inclusivamente dos secundários.
Por outro lado se vocês não estiverem muito por dentro do que é lidar com o Alzheimer se calhar não irão notar uma diferença substancial entre a meia hora a menos da versão curta e a meia hora  mais da versão longa.

Cinco tigelas de noodles e um Golden Award para a versão longa porque é realmente uma grande história de amor tendo por base uma situação real muito bem retratada ao longo de todo o filme.

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A favor: As cenas adicionais trazem nova vida a esta história e aprofundam bastante tudo o que parecia faltar na versão curta. O foco do momento final torna-se mais simples e ainda mais poderoso e inesquecível.

Contra: O personagem do mentor do protagonista continua um bocado á deriva apesar de tudo pois grande parte das novas cenas mais longas serviram essencialmente para aprofundar a relação entre o protagonista e a mãe.

 

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
O trailer contém spoilers mas sinceramente penso que não há qualquer problema pois não tem nada que vocês não estejam à espera e portanto não vai retirar o prazer e o impacto do filme.
https://www.youtube.com/watch?v=uo9WSLv-lzs&feature=kp

Videoclip
O mesmo vale para o videoclip. Com spoilers mas não vai estragar o filme, de todo.
https://www.youtube.com/watch?v=BP4cnZeubyg

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Comprar
A versão curta que eu tenho em dvd já está esgotada. Encontrei uma edição do director´s cut aqui…também esgotada, mas poderá aparecer de novo a qualquer momento. Estejam atentos.
http://www.yesasia.com/us/a-moment-to-remember-blu-ray-directors-cut-first-press-limited-edition/1024648818-0-0-0-en/info.html

Bluray na amazon.uk
http://www.amazon.co.uk/gp/offer-listing/B009P1VEPA/ref=dp_olp_0?ie=UTF8&condition=all

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0428870

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Outros títulos românticos totalmente recomendados:

My Sassy Girl capinha_love_in_space capinha_in-the-mood-for-love capinha_midnight-sun

Be With You Il Mare The Classic Fly me to Polaris

concerto_capinha_73x cyborg_she_capinha_73x capinha_my-girl-and-i

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Fa yeung nin wa (In the Mood For Love) Wong Kar Wai (2000) China


Este é o “segundo filme” da “trilogia” romântica de Wong Kar Wai, e portanto será uma prequela para [“2046“] continuando já uma história que se iniciou de certa forma em “Days of Being Wild”.
Antes de mais, [“In The Mood For Love“] é um excelente exemplo do quanto as audiências orientais têm uma relação com o cinema bem diferente das americanas (e das americanizadas) aqui no ocidente.
O facto de [“In The Mood For Love“] ter sido no oriente um enorme sucesso junto do público adolescente é algo verdadeiramente extraordinário.
É quase inacreditável poder dizer a alguém aqui no nosso lado do planeta que este filme, esgotou salas no oriente com sessões repletas durante semanas a fio e principalmente com público adolescente o que é quase impossível de aceitar actualmente.

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Os adolescentes orientais inesperadamente, adoptaram como sua esta nostálgica e poética história de amor adulta e de alguma forma identificaram-se plenamente com as emoções presentes neste filme tendo-o elevado a um estatuto que certamente será muito dificil de compreender para o nosso típico teenager, especialmente aqui por Portugal onde já existe uma geração alimentada essencialmente a “Transformers” e filmes da Marvel completamente insensíveis a qualquer coisa que não seja projectada á velocidade da luz.
O que me leva a concluír que se calhar por muito alucinados que os teens orientais nos pareçam, lá bem no fundo haverá por ali um nível de maturidade  emocional superior até ap de muito adulto ocidental americanizado; alimentado a plástico á base de dietas blockbusters made-in-Hollywood.
No ocidente mostrem [“In The Mood For Love“] a muita gente e ninguém aguentará olhar para ele sequer meia hora, pois certamente irão dizer de imediato que o filme não tem história, que não se passa nada naquilo e que é uma seca descomunal. Especialmente os tugas.

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Aliás, notou-se bem isso quando o filme saiu nos videoclubes em Portugal.
Cheguei a ver  um cliente dizer ao dono da loja que nunca mais voltava lá porque este lhe tinha impingido um filme “pa intelectuais” que nem gravado todo no dvd estava (?!) e tudo, porque segundo aquele crâneo, [“In The Mood For Love“], intitulado em português [“Disponível para Amar“], parece que acabava de repente a meio e não se percebia nada.
Está mais que claro que nem precisamos ir junto dos adolescentes consumidores de filmes do Michael Bay para obter este tipo de comentários.
Mostrem [“In The Mood For Love“], a um português adulto consumidor do genérico cinema da moda e imediatamente ele remeterá este filme para aquela categoria de cinema de autor no pior dos sentidos.

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No entanto, a popularidade deste título no oriente junto do público que geralmente consome cinema comercial, foi absolutamente extraordinária, ao ponto dos seus actores terem atingindo com esta obra um estatuto de estrelas de rock ao nível de uns Rolling Stones ou uma Madonna por aquelas bandas gerando enorme comoção por onde passavam.
Foi tal a histeria que provocavam a cada aparição pública para promover este filme, que os seus personagens se tornaram desde então verdadeiras figuras de culto dentro do cinema romântico, ao ponto de Wong Kar Wai o realizador, as ter ido buscar de novo para o seu filme seguinte, o também extraordinário [“2046“].
Segundo o próprio, a melhor não-sequela que poderia ter feito de [“In The Mood For Love“].
Foi certamente foi a mais inesperada.
Talvez uma das “sequelas” mais inesperadas de sempre dentro de qualquer género como já poderam ver pelo início deste meu longo post nesta versão 2 em 1.

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Na verdade Wong Kar Wai começou a gravar coisas para [“2046”] ainda durante as filmagens de [“In The Mood For Love“], mas mesmo ele nem sabia para que serviriam os takes abstractos sem qualquer lógica que foi filmando pelo caminho.
Isto ao ponto de chegar a desesperar os actores e a equipa técnica que nunca percebeu que raio de filme é que estariam a fazer e só viram o resultado quando Kar Wai apresentou a primeira montagem no festival de Cannes tendo deixado toda a gente de queixo caído perante a beleza de cada imagem e a poesia que mostrou no ecrã, onde cada textura se liga com a musica criando um ambiente românticamente assombrado único e original.

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Como resultado limpou basicamente os prémios mais importantes de Cannes nesse ano.
O que tornou [“In The Mood For Love“],  num filme ainda mais extraordinário, até porque Kar Wai raramente tem um script minimamente completo ou sequer pensado quando faz algum filme, pois é famoso por ir inventado á medida que filma e os takes que não servem, aproveita-os para o filme seguinte num processo onde nada se perde e tudo se transforma.
Aliás é por esta razão que muitas das cenas cortadas no dvd do [“In The Mood For Love“], parecem na realidade pertencer mais ao filme seguinte [“2046”],  que ainda nem sequer existia na cabeça do realizador do que a [“In The Mood For Love“] a ser filmado na altura; o que não deixa de ser engraçado.

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Mas a verdade é que este filme por muito inacreditável que isto pareça a muita gente, tornou-se realmente num enorme éxito comercial em quase todo o lado.
O que é ainda mais estranho pois deve ter sido o primeiro filme completamente ligado ao chamado Cinema-de-Autor a ter feito não só muito dinheiro como ainda a ter transformado o seu realizador e actores em verdadeiras estrelas.
Claro que foi um éxito comercial em todo o lado, menos na Europa e nos EUA, onde óbviamente também teve sucesso mas apenas dentro daquele circuito fechado das salas que só passam cinema-de-autor pois seria pedir muito que um filme como este pudesse ser apreciado pelas audiências que habitualmente levam com overdoses de blockbusters americanos a 200 á hora e consomem milho á mesma velocidade enquanto falam ao telémovel durante as projecções quando “não se passa nada” em filmes como este.
Mas passemos á frente.

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Não há muito que se possa dizer sobre [“In The Mood For Love“], pois este é um daqueles filmes em que realmente não se passa nada e portanto pouco se pode contar sobre a sua história, porque o cinema de Wong-Kar-Wai não depende de histórias mas sim de detalhes.
Na verdade se há algo em que Wong-Kar-Wai é realmente bom, será a fazer filmes “sobre nada”.
O verdadeiro conteúdo dos seus filmes não está nas histórias, mas sim nas emoções que este consegue transmitir e fazer o espectador sentir apenas com as coisas mais simples.
Um candeeiro á chuva, os ponteiros de um relógio, um livro, um espelho, tudo serve para criar atmosfera.

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Alguém disse um dia que nos filmes de Wong-Kar-Wai até o fumo é belo e transmite mais emoção e poesia do que horas intermináveis de diálogos pseudo-românticos nas supostas love-stories americanas formuláticas.
É realmente uma boa definição das extraordinárias capacidades deste autor para fazer transparecer emoções através das coisas mais simples e nisto [“In The Mood For Love“],  é um dos seus exemplos mais perfeitos.

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Correndo o risco de fazer fugir as pessoas, a história de [“In The Mood For Love“], é a seguinte:
– No início dos anos 60, em Hong Kong, um casal aluga um quarto numa pensão familiar. A mulher é secretária numa empresa de exportações, o marido trabalha agora na marinha mercante e passa practicamente meses a fio sem vir a casa.
Como resultado, o casamento dos dois, é algo quase inexistente e de conveniência pois naquela época, especialmente na China da altura o divórcio era a maior desonra que poderia cair em cima de uma jovem mulher a seguir ao adultério.
No mesmo dia em que este casal aluga o seu quarto, também outro casal, um jovem jornalista e a sua mulher, alugam o quarto ao lado. Este trabalha para um jornal, mas o seu verdadeiro sonho é ser escritor de pulp-ficition ao melhor estilo de artes marciais, algo que segundo o filme seria bem popular na altura em Hong-Kong.

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Também ele se sente sózinho pois desconfia que a sua mulher o trai e por vias do destino, encontra-se com a sua solitária vizinha de quarto ocorrendo óbviamente uma enorme atracção entre os dois.
Uma atracção com base numa amizade criada pelo facto de ambos gostarem de romances de artes marciais e de se sentirem também absolutamente sózinhos.

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Um dia descobrem por acaso, que a mulher do jovem jornalista é na verdade amante do marido da jovem secretária e que este não faz apenas longas viagens em trabalho mas principalmente usa-as como desculpa para trair a mulher com a esposa do jornalista.
E esta é a história inteira do filme.
Não se passa absolutamente mais nada em [“In The Mood For Love“], que possa ser descrito.
E perguntam vocês – então mas onde raio está o interesse nesta telenovela banal ?

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Wong Kar Wai pega nesta simples ideia e transforma-a numa verdadeira sinfonia de emoções músicais, onde cada imagem é um poema visual e onde a música aliada a enquadramentos absolutamente inesperados transporta o espectador para uma posição quase de espectador casual fazendo-o entrar no filme como se tivesse sem querer escutado uma conversa que não deveria ouvir mas de que não consegue deixar de querer saber mais porque ficou a gostar das pessoas que ouviu.

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É esta a grande força narrativa do filme, e Kar Wai, usa-a para criar um suspanse poético como nunca tinha acontecido numa história de amor.
Todo o filme gira á volta do facto de obviamente os dois protagonistas se amarem e serem realmente almas gémeas que nunca se poderão tocar.

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Não podem arriscar uma relação física entre eles, pois num meio tão pequeno onde todos saberiam imediatamente o que se passava os dois são obrigados a viver de aparências enquanto têm uma relação platónica que também tem de ser mantida secreta porque senão a reputação da rapariga poderia ficar manchada para sempre naqueles austeros anos 60 onde o divórcio nem sequer era opção.

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No meio de tudo isto, eles chegam a encontrar-se num quarto de hotel , precisamente o número “2046” onde Wong kar Wai nos deixará para sempre na dúvida se algo mais realmente aconteceu entre os dois, pois esse número é precisamente o centro da “sequela” no filme [“2046”],  cujo o título se refere precisamente á saudade que o protagonista tem do quarto onde por uma vez na vida viveu um amor de verdade e que é relatado agora em [“In The Mood For Love“].

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Tudo isto é colocado em imagens musicadas pelo génio de Wong Kar Wai de uma forma que é realmente muito dificil de ser descrita em palavras pois todo o filme é um bailado de imagens e enquandramentos indo buscar poesia até ao mais comum dos objectos.
[“In The Mood For Love“], é como um filme musical onde ninguém canta, mas onde a música está sempre presente e é essencial para contar a história e transmitir emoções.
É como um videoclip absolutamente romântico que dura hora e meia e que não precisa de muitos diálogos para contar uma história, fazer-nos sentir e acima de tudo identificarmo-nos com aquelas duas pessoas que poderiam ser qualquer um de nós.

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Uma coisa vos garanto, depois deste filme, nunca mais vão ouvir uma música de Nat-King-Cole da mesma maneira, pois será impossível não pensarem em [“In The Mood For Love“] e nesta história de amor.
E quem pensa que não gosta de Nat-King-cole passa a gostar.

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CLASSIFICAÇÃO

Uma das melhores histórias de amor de todos os tempos e provavelmente uma das mais simples.
Um filme onde até o fumo é algo que poderiamos ficar a olhar durante sequências a fio sem nos aborrecermos e um dos objectos cinematográficos mais visualmente poéticos de todos os tempos.

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É aquele tipo de filme onde podemos fazer pausa a cada segundo e temos uma pintura absolutamente poética no ecran, pois a fotografia desta história de amor é do outro mundo.

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A favor: a poesia, a história e a maneira como foi trabalhada, a extraordinária banda sonora, os personagens inesquecíveis, o trabalho dos actores, a realização é absolutamente notável em todos os sentidos, a fotografia fabulosa, os enquadramentos subliminares, a paixão, a alma do filme, o melhor filme-de-autor “comercial” de todos os tempos ponto final.

Contra: o final é estranho pois parece que não pertence ao resto do filme e não ter nada a ver com a história que acabamos de ver (as cenas apagadas no dvd explicam bem melhor o que aconteceu), não será por isso um filme propriamente apontado ao típico frequentador de salas de cinema de centros comerciais Portuguesas apesar de as ter esgotado no oriente durante semanas a fio.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILERS

Um dos trailers oficiais é na verdade quase uma curta-metragem. Uma versão mini do próprio [“In The Mood For Love“] e espelha muito bem o estilo visual e narrativo do filme. Conta com uma música interpretada por Brian Ferry chamada precisamente “In the mood for love” e apesar desta música não fazer parte da banda sonora dentro do filme, tornou-se no entanto indisociável da obra.
Espreitem que vale a pena, pois acima de tudo é um excelente videoclip montado pelo próprio realizador.

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NÃO COMPRAR EM DVD ou BLURAY…muito menos em Portugal !
Já existe em bluray mas infelizmente apenas para a região A .
Também está actualmente esgotado em DVD pelas bandas da Inglaterra e só existe uma edição Alemã sem legendas nenhumas…
É aguardar melhores dias para comprar isto…

Atenção: Esqueçam a edição portuguesa, pois só o facto de conter o filme APENAS em stereo 2.0 é razão suficiente para a ignorarem. Num filme em que a música é quase um personagem, terem em Portugal mais uma vez lançado uma edição completamente básica de um filme oriental como este é um verdadeiro insulto ao consumidor, quando este filme é para ser visto com o extraordinário som 5.1 que está na edição Uk.
Não comprem a edição portuga da Lusomundo só por causa das legendas, pois entre ver [“In The Mood For Love“], em stereo e não o verem, sugiro mesmo que não o vejam, pois este filme precisa de um som 5.1 e DTS de preferência para poder realmente transmitir todas as emoções e magia que contém.
Além disso a edição portuga só trás um making of, que até nem é nada mau, mas quando comparado com a enorme quantidade de material extra da edição inglesa até mete impressão que editem filmes como este com tanto conteúdo disponível apenas em edições básicas como fizeram em Portugal com este absolutamente imprescindível filme para quem gosta de bom cinema romântico.
A capa da edição Portuguesa é parecida a esta:

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0118694/

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E se gostaram de [“In The Mood For Love”], então irão certamente gostar dos filmes seguintes.
No caso de “My Blueberry Nights” vão adorar as semelhanças de ambiente, até porque segundo Kar-Wai, esse pode ser considerado um remake em versão inglesa do “In The Mood For Love”, e logo vão perceber porquê.
[“In The Mood For Love“], é na verdade o segundo filme de uma trilogia que não existe oficialmente. E desta trilogia, é o primeiro filme que deverão ver, mas para saberem mais sobre isto consultem a minha review sobre “Days of Being Wild” sem falta.

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E como curiosidade, que quiser espreitar uma curta metragem (publicitária) inédita de Wong-Kar-Wai siga o link abaixo pois não ficará desiludido se gosta do estilo visual do realizador.
http://www.youtube.com/watch?v=gBsbEopulOM&feature=related

 

The Classic ( The Classic ) Kwak Jae-yong ( 2003 ) Coreia do Sul


Na minha opinião, se “My Sassy Girl” é a melhor comédia romântica adolescente que alguma vez existiu, então [“The Classic“] é definitivamente o seu equivalente dentro do drama romântico adolescente também.
E antes que perguntem…pois, este também vai ter em breve um remake americano…
Por isso façam-me o favor de ver este filme o quanto antes.

Na sua simplicidade, [“The Classic“] é um dos mais poéticos e bonitos filmes orientais do género que poderão encontrar e por isso desde já recomendo a sua compra imediata a quem gosta de cinema romântico oriental pois tem aqui um filme que quererá incluir na sua videoteca, junto a “Il Mare“, “Be With You” e obviamente “My Sassy Girl” se nos ficarmos apenas pelo cinema mais comercial, claro.

Isto apesar de [“The Classic“] ser uma obra relativamente formulática e não conter aquela originalidade refrescante que “My Sassy Girl” apresentou quando apareceu há alguns anos atrás.
No entanto a maneira como [“The Classic“] está executado é comparável a uma lindíssima sinfonia de manipulação de emoções coordenada por um maestro que sabe perfeitamente que cordelinhos puxar para criar uma experiência cinematográfica inesquecível para toda a gente que se identifique com os personagens desta poética história de amor oriental Sul Coreana.
Tal como já tinha acontecido em “My Sassy Girl“, pois o tom poético é semelhante nos dois filmes.

É que o realizador é exactamente o mesmo e como tal, ambas as obras têm vários pontos de contacto e podem ser vistas quase como duas faces de uma mesma moeda.
Inclusivamente musicalmente. Têm por base a mesma banda sonora e ambos contêm uma versão única e extraordinária do clássico Canon de Pachelbel que cria uma atmosfera romântica absolutamente mágica nos filmes que apesar de serem diferentes em estrutura, estão no entanto ligados pelo mesmo tom emocional e portanto quem gostou de  “My Sassy Girl“,  irá também certamente apaixonar-se por [“The Classic“].

O filme passa-se em duas épocas distintas e conta duas histórias de amor paralelas.
Uma tem lugar nos anos 60 e a outra algures na actualidade.
Uma rapariga encontra numa caixa, todas as cartas de amor que a mãe guardou desde a adolescência contendo toda a história do romance dos seus pais.
Décadas atrás, um rapaz no liceu, com jeito para prosa, acede fazer um favor a um colega que nem conhece bem e aceita escrever por ele algumas cartas para a noiva.
Isto porque o noivo em questão não é suficientemente inteligente para conseguir fazê-lo por si próprio e como tal precisa de ajuda para comunicar por carta com a jovem noiva que os seus austeros pais lhe arranjaram á força de modo a unirem duas famílias por interesses políticos e económicos.

Obviamente que o rapaz que escreve as cartas em nome do noivo, ao ver a fotografia da rapariga, imediatamente se apaixona por ela e as coisas complicam-se quando os dois acabam por se conhecer pessoalmente e também ela se apaixona pelo autor das cartas embora não saiba que foi ele que as redigiu.
Como seria de esperar, o amor de ambos é depois posto á prova num conflito de interesses e entrelaçado numa sucessão de acontecimentos que acompanham toda a história até dar naturalmente origem á rapariga que nos dias de hoje lê as cartas que a mãe guardou.

E tal como a mãe amou um rapaz que parecia nunca conseguir vir a ter, também actualmente a sua filha, está apaixonada por um rapaz do seu liceu que julga inalcançável por ele ser não só um dos mais populares da escola como também ainda por cima a sua melhor amiga está interessada nele e não perde uma oportunidade para impedir que a rapariga se aproxime do jovem.

E para quem nesta altura já estiver a pensar que [“The Classic“]. não passará de mais uma banal, sopeira e telenovelística história cheia de lugares comuns, se calhar é melhor ver o filme antes de o criticar negativamente, pois só assim irá perceber como esta história não é aquilo que parece pois neste caso, os clichés são uma mais valia que só contribuem para o desenrolar emotivo da história. Nada está neste argumento por acaso e por isso preparem-se para um par de surpresas muito bem colocadas precisamente baseadas em pormenores que ninguém notou espalhados discretamente ao longo da história mas que de repente nos caiem em cima ao melhor estilo do cinema romântico coreano.

Além disso, [“The Classic“], tem o grande mérito, de ser um filme com adolescentes (e até para o público adolescente), que não é de forma nenhuma o produto banal a que muita gente está habituada devido aos péssimos exemplos que conhecem habitualmente do cinema pseudo-romântico adolescente americano.
[“The Classic“], tem alma, tem poesia, tem drama mas acima de tudo tem pessoas reais com que todos nos podemos identificar e neste aspecto não só os personagens são excelentes apesar da sua simplicidade, como o trabalho dos actores é absolutamente mágnifico. Com destaque para a actriz principal que neste filme se desdobra precisamente em dois papeis completamente diferentes, pois a mesma pessoa faz de mãe enquanto jovem nos anos 60 e de filha que actualmente lê as cartas encontradas no sotão.

Só pelo trabalho da jovem actriz, vale a pena verem o filme, pois ao longo da duração da história nem nos lembramos que está uma única pessoa a fazer os dois papeis tal é a diferença de composição de personalidade em cada uma das encarnações. E nem sequer são identidades demasiado vincadas ou exageradas. Pura e simplesmente são duas pessoas diferentes e quando nos lembramos disto [“The Classic“] torna-se ainda um melhor filme do que parece a um primeiro e descuidado olhar.

Mas lá por [“The Classic“]  ser um filme de amor adolescente, com adolescentes e para adolescentes, não pensem os mais velhinhos que vão ficar imunes a ele, ou sequer minimamente aborrecidos. Garanto-vos que isto não é o habitual filme banal ao estilo americano por isso é melhor sentarem-se confortávelmente no sofá  para se surpreenderem e principalmente emocionar-se,  pois esta história de amor é universal e tocará muita gente de todas as idades das mais diferentes formas. Até porque este é um daqueles filmes que já converteu mais do que um ao cinema oriental e certamente irá convencer muitos mais.

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CLASSIFICAÇÃO:

Uma das melhores histórias românticas orientais que poderão alguma vez ver em filme e a prova de que filmes com adolescentes, sobre adolescentes não têm que ser produtos vazios.
Uma obra prima da simplicidade narrativa com visuais lindíssimos e uma fotografia perfeita.
Um filme indispensável em qualquer colecção de cinema oriental, especialmente para quem gosta de cinema romântico coreano ou apenas de boas histórias de amor com muita alma.
Cinco tigelas de noodles e um Golden Award como selo de qualidade porque este é outro daqueles filmes que rebenta a escala, apesar de conter algumas falhas menores.

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A favor: o argumento e a maneira como faz passar despercebidos os pormenores que importam até ser altura de os revelar, a humanidade dos personagens apesar de simples, a realização é excelente, os actores, o trabalho fabuloso da actriz principal que se desdobra em dois papeis completamente diferentes, a fotografia lindíssima com imagens que são autênticas pinturas em movimento, a banda sonora simplesmente não poderia ser melhor, ninguém filma cenas á chuva e em estações de comboios melhor que os coreanos, um dos twists do argumento é genial na forma como nos é revelado, o final do filme é muito bonito mesmo.
Contra: não é tão original quanto o filme anterior do mesmo realizador, a narrativa pode parecer demasiado simples, algum humor escatológico desnecessário na minha opinião pois detesto piadas do estilo, a história de amor contemporanea quando comparada com a outra passada nos anos 60 não tem de forma alguma a mesma poesia ou impacto e por causa disto o filme nunca chega a ser tão perfeito quando merecia. Mas não deixem que este pormenor os afaste desta mágnifica história.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailers
http://www.youtube.com/watch?v=EOZWxGbQlzY
http://www.youtube.com/watch?v=dZsxRZk1qiU&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=Dl6ncGPnVZI&feature=related

COMPRAR
Recomendo vivamente esta edição. Apesar dos extras não estarem legendados, os making of são excelentes e os dois discos valem mesmo a pena.
http://www.play-asia.com/paOS-13-71-7l-77-4-49-en-15-the+classic-70-2×4.html
Excelente qualidade de imagem anamórfica sem falhas e com cores absolutamente vibrantes, além de ter um óptimo som 5.1 normal e um absolutamente fantástico som DTS.
Filme legendado em inglés.

Também podem encontrar esta edição com capa em inglés na Amazon americana. Se gostam de filmes românticos orientais, este é de juntar imediatamente á colecção mesmo antes de o verem pois irão querer comprá-lo na mesma se o virem antes. Vão por mim.

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0348568/

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Filmes semelhantes de que certamente irão gostar:

My Sassy Girl Be With You Il Mare Love Phobia Fly me to Polaris

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