Gatchaman ( Gacchaman ) Tôya Satô ( 2013 ) Japão


Não consigo entender o que há com os japoneses e os épicos de ficção-científica que tentam fazer.
O Japão parece ser o país perfeito quando se trata de produzirem histórias de amor de baixo ou médio orçamento, pela forma como os personagens são normalmente humanizados e as histórias nos agarram até ao último segundo por muito cliché que sejam, mas no entanto naquilo que deveriam ser absolutamente brilhantes falham sucessivamente.

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O mesmo país que é fantástico a criar animes de acção e aventura envoltos em fantasia e ficção-científica por vezes extraordinária, quando se trata de cinema de animação, parece ter uma enorme dificuldade ao passar essas mesmas criações para filme “normal” de “imagem real” em estilo “live action” e infelizmente não é ainda com [“Gatchaman”] que este enguiço foi quebrado.

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Quase que acertaram, mas ainda não está lá. E mais uma vez não se entende de todo porque um filme destes não se torna imediatamente brilhante no melhor sentido pipoca.
Até porque ainda por cima [“Gatchaman”] começa bem como o raio !

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A primeira cena de acção é não só excelente e entusiasmante,  como ainda demonstra muito bem como se pode filmar acção caótica em estilo disaster movie sem precisar de recorrer a montagens a duzentos frames por segundo. Michael Bay deveria ver este filme e tomar notas pois é assim que se faz.
[“Gatchaman”] tem uma sequência inicial que nos faz pensar imediatamente que finalmente vamos ver um grande filme pipoca produzido no Japão dentro do cinema de super-herois.

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Não só a acção é frenética, como enquanto espectadores conseguimos acompanhar perfeitamente tudo o que se passa na batalha inicial sem precisarmos de um saco de vómito ou ter um ataque de epilépsia. [“Gatchaman”] nos primeiros 20 minutos tem uma montagem do melhor que já vi em filmes de super heróis no que toca a forma como batalhas épicas são filmadas.
Ainda por cima mantém um estilo totalmente manga na forma como pausa algumas sequências por décimos de segundo e deixa as situações respirar mesmo no meio dos combates mais espectaculares.

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Além disso as sequências de vôo ao melhor estilo super-homem no que toca a super heróis de capa, embora simples e breves são absolutamente entusiasmantes e ficam na memória pela sua estética anime totalmente conseguida.
Nota alta para os uniformes dos personagens também. Conseguem manter o estilo do anime original mesmo tendo modificado todo o seu visual de forma a moderniza-lo significativamente.

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[“Gatchaman”] é a adaptação em “imagem real” de uma das clássicas séries anime do mesmo nome e que pelo ocidente ficou conhecida como “Battle of the Planets”,(em Portugal muita gente recordar-se-á até do jogo para o computador ZX Spectrum que saiu baseado nesta série por volta de 1985).
Segundo o que tenho lido, parece que o filme usa a base da série original mas modificou practicamente tudo o resto. O que nem seria problemático, pois na verdade o grande problema de [“Gatchaman”] nem sequer é esse.

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O problema de [“Gatchaman”] é que passada aquela sequência inicial entusiasmente , o resto do filme vai caindo a pique a cada minuto que passa. E isto porquê ? Porque simplesmente perde toda a espectacularidade. Pelo meio a história à força que querer desenvolver personagens, entra por intermináveis cenas de telenovela dramática, onde os personagens gritam e sofrem muito por tudo e por nada, tendo por base acontecimentos traumáticos passados e que não levam a lado nenhum em termos de satisfação cinemática por parte de quem está a ver este filme e só pede que passem à frente.

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Nem o twist pelo meio tem qualquer impacto porque quando acontece já ninguém quer saber dos personagens para nada pois estamos fartos de tanto dramatismo de pacotilha a todo o instante que ainda por cima é totalmente previsível em conteúdo.

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[“Gatchaman”] sofre exactamente da pior coisa que pode acontecer a um blockbuster. Em vez de nos mostrarem o que acontece ou aconteceu na história, os personagens falam sobre isso uns com os outros.
[“Gatchaman”] podia perfeitamente ter continuado a ser bastante divertido e espectacular se nos mostrasse aquilo que é suposto ir acontecendo na história; no entanto os personagens insistem em passar minutos intermináveis a falar sobre isso (ao mesmo tempo que sofrem muito por tudo e por nada) e o espectador nunca se sente imerso naquele universo; salvo um breve momento que mais uma vez tenta ser dramático quando se calhar deveria antes ter mantido a espectacularidade própria de um filme de super-herois.

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Depois há outra coisa muito estranha com o design deste filme. [“Gatchaman”] começa fantásticamente bem com a batalha inicial onde visualmente tudo funciona como um relógio suíço, mas depois parece que o orçamento para o filme vai sendo reduzido a cada minuto que passa. Como se não bastasse os personagens passarem o tempo todo a falar de coisas que o espectador preferiria estar a ver, estes fazem-no normalmente em cenários cada vez mais despidos e desinteressantes. Seja em quartos vazios, hangares vazios, ou corredores vazios, [“Gatchaman”] parece cada vez mais despido do que quer que seja a cada minuto que passa.

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A base dos heróis tem um par de sets bem anime com um design interessante mas tudo o resto é por demais pobre em termos criativos. Especialmente a base dos alienígenas invasores que é surpreendentemente desinteressante como o raio.
Visualmente os CGI que a reproduzem exteriormente são espectaculares mas depois o design do interior dessa suposta base alienígena ultra avançada parece ter saído de um mau episódio de sábado de manhã dos Power Rangers no pior dos sentidos. Verdadeiramente incrível, pela negativa

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Não só todo o climax do filme se passa essencialmente em cavernas sem qualquer interesse visual como ainda por cima parecem aquilo que são; cenários de cartão, esferovite e plástico que inclusivamente abanam por todo o lado quando os actores encalham sem querer por exemplo numa mesa de controlo. Tudo o que é cenário alienígena em [“Gatchaman”] faz lembrar um set do Star Trek original dos anos 60 com a diferença de esta suposta mega produção japonesa parece não ter tido qualquer interesse em desenvolver visualmente metade do filme. Parece até que o dinheiro acabou e resolveram utilizar uns sets quaisquer que estavam por lá à mão de um episódio dos Power Rangers.

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Para agravar a coisa, a parte final da aventura é absolutamente desinteressante. Depois de passarmos pelo menos uma hora a meio do filme a ter que levar com drama de pacotilha sem qualquer interesse (nem me perguntem sobre a inevitável história de amor);  aquilo que esperávamos era que a batalha final fosse pelo menos tão divertida e espectacular como a batalha do inicio. Esqueçam.

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O desenlace da história em [“Gatchaman”] é uma verdadeira decepção também. Não só não tem qualquer suspanse ou sentido de aventura como passamos meia hora a ver combates de artes marciais com super-herois a lutarem em cima de plataformas de plástico todas iguais em cavernas de cartão absolutamente aborrecidas do ponto de vista criativo. E o pior é que nem as lutas têm qualquer interesse e o suspense é praticamente inexistente pois percebe-se logo como tudo irá acabar e só queremos é que os personagens se despachem com aquilo para a gente ir embora.

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Portanto [“Gatchaman”] é mais uma verdadeira oportunidade perdida do Japão conseguir finalmente fazer aquele blockbuster de “Live Action” que toda a gente quer ver. [“Gatchaman”] tinha tudo para ser um verdadeiro “Pacific Rim” oriental devolvendo a sua inspiração a casa mas acabou por se parecer mais com uma sequela de “Space Battleship Yamato” que curiosamente sofre exactamente do mesmo tipo de problemas e não se entende porquê.
O que é mesmo pena, pois o início é fantástico, os personagens prometem e até há uma química muito boa entre os actores naqueles papeis. Por momentos [“Gatchaman”] parece realmente um filme dos Power Rangers muito bem feito. E deveria ter sido.

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Outra coisa excelente são os efeitos especiais o que ainda torna [“Gatchaman”] num desperdício maior.
Como já referi as cenas de vôo iniciais são do melhor que já vi em cinema de super-herois e depois a qualidade continua no CGI em geral, que não fica nada a dever ao que de melhor estamos habituados a ver vindo de Hollywood.
Provavelmente gastaram o orçamento todo em animação de computador e depois não houve verba para cenários ou algo assim…

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Para aqueles de vocês que se lembram também de outro filme no mesmo estilo, o já mais velhinho “Casshern” e querem perguntar-me como se compara com este filme agora, ao menos essa outra adaptação anime igualmente falhada tinha um visual extraordinário, coisa que não acontece em [“Gatchaman”]. Infelizmente no caso de “Casshern” a parte dramática ou de acção ainda foi pior, tendo um filme sido um dos primeiros exemplos da ineptitude dos Japoneses para conseguirem produzir cinema de super-herois. De qualquer forma, se gostarem de [“Gatchaman”] espreitem “Casshern”.

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Apesar de todo este rol de queixas da minha parte, por ter ficado realmente muito decepcionado com [“Gatchaman”], a verdade é que o filme acabou e até fiquei com vontade de ver uma sequela, (e vai haver; vejam depois dos créditos).
Ao contrário do que me aconteceu em “Space Battleship Yamato”, aqui em [“Gatchaman”]  sente-se que existe material suficientemente bom para que á segunda acertem finalmente de vez e possamos ter um blockbuster Japonês realmente bom que já tarda em aparecer.

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Como habitualmente não irei revelar nada da história porque eu ainda sou daqueles que gosta que me recomendem filmes sem me dizerem sobre o que eles são. De qualquer forma se já viram um filme de invasões extraterrestres com super heróis e super vilões já sabem com o que contar.

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Este é mais um. Apenas não é tão interessante como merecia ter sido.
Começa bem e depois sabe-se lá porquê perde-se por completo. Embora, se vocês gostarem muito de filmes de super-herois e especialmente se nunca tiverem ouvido falar destes personagens, vale a pena espreitarem isto, até para compararem os efeitos especiais com aqueles a que estão habituados a ver em cinema americano.

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CLASSIFICAÇÃO

É com pena que não lhe dou melhor classificação mas de qualquer forma [“Gatchaman”] é um filme a ver, especialmente por quem gosta de cinema de super-herois, ou até por quem se lembra bem da série anime dos anos 80 e gostava dela.

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Trés tigelas e meia porque apesar de tudo, como filme não é verdadeiramente mau. Apenas sofre de excesso de exposição e grande pobreza visual no que toca a ambientes. Leva mais meia tigela de noodles na classificação apenas porque a sequência de acção do início é verdadeiramente entusiasmante e os efeitos especiais são de grande nível no que toca a animação digital.

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A favor: a cena de acção do inicio, as cenas com os heróis a voarem entre prédios, a montagem inicial é excelente e não se perde um fotograma da batalha, o design dos uniformes e tudo o que é criado em CGI é excelente, existe boa química entre os cinco heróis e nota-se que há muito potencial aqui para uma sequela como deve de ser.

Contra: passada a invasão inicial os personagens falam demais sobre coisas em vez de nos serem mostrados todos esses acontecimentos em primeira mão, há uma tentativa de dramatizar os personagens que simplesmente não resulta pois tudo parece histérico e forçado demais, perdemos totalmente o interesse nos vilões e toda a ameaça de invasão fica sem qualquer suspense, tenta ter duas histórias de amor que são uma anedota sem qualquer emotividade, a cada minuto que passa o design do filme em termos de cenários e ambientes fica mais pobre, os ambientes alienígenas na nave extraterrestre são de uma pobreza visual incrível e parecem saídos de um episódio dos Power Rangers sem qualquer orçamento (são obviamente de plástico e cartão e isso nunca deveria transparecer num set design), a aventura final não tem qualquer suspense ou interesse, as cenas de acção do fim idem, é mais uma oportunidade perdida do Japão conseguir fazer um blockbuster de “Live Action” com a mesma qualidade com que sabem produzir animes ou histórias de amor de baixo orçamento.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
https://www.youtube.com/watch?v=r56XwTGidsU

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Anime original
https://www.youtube.com/watch?v=SmNs5DuXDdg
https://www.youtube.com/watch?v=6q5uy7VFZaE
https://www.youtube.com/watch?v=HJxcLCHhu4g

Imdb
http://www.imdb.com/title/tt2451110

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Uchû daikaijû Girara (The X from Outer Space) Kazui Nihonmatsu (1967) Japão


Quando um filme de ficção científica mete um OVNI que é uma tarte de maçã, a gente percebe logo que este só pode ser um filme dos anos 60 onde certamente a droga seria de boa qualidade e distribuída de borla pelo japão, pois só isso justifica a existência de:

Depois de ver um drama tão melancólico quanto “Failan“, achei que seria melhor descomprimir um pouco e lembrei-me que ainda não tinha visto [“The X from outer space“], mas provavelmente teria sido melhor ter estado quieto pois acho que ainda não recuperei do choque cultural.
Até eu que adoro filmes lixo e sci-fi clássica acho que não estava preparado para esta obra prima do “coiso que veio do espaço” e como tal agora não consigo tirar as imagens do filme da cabeça o que certamente não será muito bom para a saúde.

Quando eu pensava que “The Green Slime” seria o exemplo máximo da ficção-científica ultra pirosa produzida nos anos 60, eis que descubro que o Japão um ano antes se tinha superado a si próprio ao produzir algo realmente inclassificável que é um verdadeiro teste á paciência do espectador mais desprevenido e provávelmente não é mais conhecido porque metade do público se deve ter suicidado antes do filme acabar.
Até quem gosta dos clássicos Godzilla vai arrepiar-se até á medula com este clone genialmente mau a um nível que ultrapassa qualquer crítica humanamente reproduzível por palavras.

Se a mãe de Godzilla tivesse sido violada por um caracol gigante fruto de uma relação extra-conjugal do seu pai com uma galinha no cio, o resultado teria sido o monstro presente em [“The X from outer space“] pois este será porventura o pior criatura cinematográfica alguma vez criada. O detalhe das anteninhas a dar-a-dar é absolutamente notável o que só comprova como o LSD no japão estaria também bastante divulgado por alturas dos anos 60.

Quando pensamos que precisamente na mesma altura em que [“The X from outer space“] e também “The Green Slime” estariam a ser filmados, Stanley Kubrik estava a construir o seu “2001 Odisseia no Espaço” começamos a acreditar que se calhar a existência de realidades pararelas não será algo tão estranho assim de conceber nas nossas mentes.
[“The X from outer space“] é demasiado mau para ser verdade. Até dentro do cinema mesmo mau, este filme é mau como o raio ! Logo é bom. Genialmente bom, porque é mau a um nível que não tem classificação. Perceberam ?
E é groovy meus ! Totalmente grooooooooooovy baby !!

Algures no futuro nós até temos bases na lua e tudo e estamos agora a tentar chegar a Marte. Todas as nossas expedições para alcançar o planeta vermelho falharam por motivos misteriosos e por isso nada melhor do que voltar a tentar de novo, mas desta vez usando uma tripulação completamente imbecil para tripular a nave.
[“The X from outer space“] terá possívelmente o pior conjunto de personagens que alguma vez apareceu numa aventura espacial e logo é de visão obrigatória porque essencialmente isto é mesmo de ver para crer.

Nada falta aqui, o piloto heroico mas que não serve para nada, a cientista genial mas que é totalmente loira burra, o técnico espacial sem jeito para o stand-up mas que supostamente será o palhaço da tripulação e tudo o mais que imaginam e também o que não conseguem imaginar.
Quando vão a caminho da lua metade da aventura gira á volta do médico da tripulação que se sente mal porque não faz ideia que pode enjoar no espaço, o que demonstra logo de início  o nível de inteligência e realísmo deste argumento.
Claro que a partir daqui as coisas só poderiam descambar ainda mais.

Chegados á lua, o que a malta quer é curtir.
Estão de partida para a missão mais importante da humanidade, mas o pessoal está mais interessado em participar em novas festas , adivinharam, – totalmente groovy – que pelo visto ocorrem regularmente na Lua a todo o instante onde o que interessa é engatar gajas e confraternizar em ambientes lounge podres de swinging sixties a fazer inveja ao pior visto em Austin Powers.
Pelo meio temos ainda umas cenas com saunas e quando tudo isto acaba os nossos herois regressam á nave para continuar a missão a Marte, coisa pouca, mas desta vez sem o médico que ficou para trás porque pelo visto enjoava muito no espaço.

As chefias á última hora voluntariam um outro gajo lá na Lua para substituir o médico e que fica muito aborrecido por ser obrigado a participar naquela missão histórica, isto  porque a mulher estava á espera dele em casa e ficará muito chateada se ele tiver que passar por Marte antes.
Como resultado este génio passa o segmento seguinte da aventura a fazer os maiores disparates a bordo da nave porque está farto daquilo e quer é voltar para casa rápidamente porque senão ainda arranja problemas com a esposa. O que inclui passar-se dos carretos e tentar acelerar a nave á força para regressar á Lua mesmo percebendo tanto de pilotagem como pelo visto o médico anterior perceberia de medicina.
Resultado pifa o carburador da nave.

As coisas complicam-se quando aparece a torta voadora, perdão, o OVNI que insiste em passear pelo espaço sem qualquer razão plausível e atacar todas as naves vindas da terra penduradas em fios que tentam chegar a Marte; disparando-lhes…coisas…
Este faz umas razias por perto da nave dos nossos herois, anda de um lado para o outro e deposita uns esporos no tubo de escape que são depois recolhidos e trazidos para bordo por astronautas pendurados em cabos contra um cenário de cartão.
Entretanto a Lua envia uma outra missão de salvamento para recuperar este bando de imbecis que saltam, pulam de contentamento e acenam para os ecrans de televisão como colegiais no cio de cada vez que a jovem Michiko aparece na imagem como se nunca a tivessem visto na vida ou esta fosse a melhor visão do mundo.
A jovem Michiko será certamente a mãe da Sandra Benes do Espaço 1999 pois a semelhança é notável. Outro dos pontos altos deste filme no que toca a personagens.

A seguir, voltam todos para casa nada chateados pela missão a Marte ter falhado outra vez e para descomprimir vão para outra festa groovy beber mais uns cocktails, embora pelo estilo do filme cá para mim aquilo contenha umas pastilhas ilegais pelo meio.
Antes disso assistimos a uma das melhores cenas científicas que alguma vez poderão encontrar no cinema de ficção científica e onde a loira burra (a melhor cientísta da tripulação) com umas colheres analisa em cima da mesa do escritório lá do chefe  os tais esporos que trouxeram do espaço numa breve cena com toda a gente á volta sem qualquer protecção ou cuidado especial.
No entanto, esta cena científica não demora muito,  porque afinal o pessoal não se pode atrasar para a festa seguinte e deixa a experiência a meio com a primeira prova de vida extraterrestre lá abandonada á sua sorte no escritório porque a curtição chama mais alto que a ciência.
O facto de haver um mistério á volta de um OVNI e de se ter comprovado a existência de vida extraterrestre parece nem ter grande interesse quando comparado com a importância de se ir beber uns copos com as amigas.

Resultado os esporos transformam-se numa galinha gigante que destroi Tokio e metade do Japão, há muita porrada pelo meio, inúmeras maquetes e brinquedos são estilhaçados e o monstro é abatido no final; reduzido a esporos e devolvido ao espaço quem sabe á espera de uma sequela, (que parece existir e tudo).
Não sem antes assistirmos a uma das melhores perseguições de sempre da história do cinema com a galinha gigante atrás de um jipe pelas estradas do Japão num momento de tensão tão tenso que acho que ainda não consegui fazer os músculos que controlam o sorriso voltar á posição natural até este momento.
Aposto que o Spielberg viu este filme, pois esta cena faz lembrar intensamente as melhores cenas de acção de “Os Salteadores da Arca Perdida”, naquela sequência com Indiana Jones á porrada por entre carros e camiões em movimento. Mas isto se calhar sou eu que já tenho o cérebro afectado. Não liguem.
Quanto ao OVNI em forma de tarte de maçã, isso também não interessa para nada mas se vocês quiserem comprar galinhas gigantes recomendo que o procurem algures entre Marte e a Lua no local habitual.

Resumindo, [“The X from outer space“] é um filme incrível. É tão mau que não há classificação possível, mas ao mesmo tempo se calhar é um daqueles que merece cinco tigelas de noodles e um Golden Award pois é realmente uma experiência única dentro deste género de filmes. Por outro lado, se calhar talvez não…
Mesmo quem pensa que já viu tudo o que seria possível de se fazer de mau dentro do estilo japonês de Godzilla, se calhar pensa assim porque ainda não viu isto.
E é melhor ver, porque uma formação cultural nunca estará completa sem a inclusão deste título na vossa memória cinéfila, pois será possívelmente o Casablanca do cinema lixo japonês do final dos anos 60 e um titulo que faz com que “The Green Slime” , “War in Space“, “Message from Space” ou “Bye Bye Jupiter” pareçam ser filmes sérios e totalmente científicos.

Vejam OVNIS em forma de tarte, vejam naves penduradas com fios, vejam uma galinha gigante sem penas com anteninhas de caracol, vejam actores a flutuar em cenas com anti-gravidade saltando em camas elásticas escondidas atrás das crateras de cartão nos cenários, vejam como afinal Tokio é toda feita de cartão, vejam como alguém deu novo uso aos seus tanques de guerra e carrinhos de infância para fazer efeitos nada especiais, vejam os piores e mais descontraídos herois que alguma vez apareceram num filme de destruição apocalíptica e vejam outro filme cheio de actores americanos totalmente desconhecidos filmado no japão.

E por falar nisto…
O que raio é que se passou no Japão nos anos 60 para haver tanto americano a fazer de heroi em filmes de ficção científica japoneses da altura ?!!
Os americanos não tinham bombardeado o país ainda há pouco mais de vinte anos atrás ?! De onde surgiu esta moda de dotar estas super-produções orientais com montes de péssimos actores americanos ou ocidentais que nunca vimos em mais lado nenhum ?!!  Seriam ex-prisioneiros de guerra do Japão obrigados a entrar no cinema pós-guerra japonês como castigo ?
Há algo que me escapa da história do cinema de FC oriental desta época e tenho que investigar isto melhor pois esta coisa dos ocidentais com papeis de destaque nas aventuras espaciais japonesas desde os anos 60 até aos 80 é algo que me ultrapassa  por completo e de que só me lembro nestas alturas.

E por falar em anos 60, o horror não estaria completo sem falar na música deste [“The X from outer space“].
Não há palavras !

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CLASSIFICAÇÃO:

Possívelmente o melhor filme da história do mau cinema.
Só a musiquinha da banda sonora vale a agonia de o tentarem acompanhar até ao fim, embora se recomende a sua visão estando podres de bêbados antes. E se notarem que a banda sonora se repete constantemente não é efeito do alcóol.
Uma tigela e meia de noodles porque até mesmo dentro do cinema-lixo é mau demais para ser verdade e no cinema de culto será uma espécie de anti-filme-de-culto e por isso de culto obrigatório, se é que isto faz algum sentido.

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A favor: é o pior clone do Godzilla de todos os tempos, tem uma galinha gigantes que destroi cidades de cartão, tem naves penduradas com fios, tem um elenco internacional cheio de actores atrozes, tem cenas na lua todas cool, tem montes de maquetes e cenários contruidos com brinquedos de plástico, tem uma estética toda groovy, tem a banda sonora mais deslocada de sempre num filme de ficção científica com um par de canções que os fará arrepiar até á medula e nunca mais deixará de ressoar nos reconditos do vosso cérebro, tem os piores personagens de que há memória numa aventura espacial, tem naves com fios, tem uma tarte de maçã que viaja pelo espaço, é mau demais para ser verdade.
Contra: a primeira metade tem montes de personalidade kitsh mas depois quando a galinha gigante começa a destruir tudo o filme repete-se como o raio até ao final, tem pilhas de personagens que não têm nada para fazer no filme, muita maqueta destruida até á exaustão mas practicamente nenhumas cenas com população em pânico, quem não gosta de cinema-lixo ou não percebe a piada dos filmes de culto maus como o raio vai odiar este filme de morte, poderá causar danos irreparáveis ao cérebro.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=BpdpPdoQpDw

Comprar
Se aguentarem as legendas em espanhol, podem comprá-lo na Dvdgo.

Download com legendas em Inglés

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0062411

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