Battle in Outer Space (Uchû daisensô)Ishirô Honda (1959) Japão


Eu adoro filmes de ficção-científica da chamada “Golden Age of Sci-fi”, essencialmente produções dos anos 50 até inícios de 60. Adoro filmes com foguetões, extraterrestres muito ameaçadores e invasões  de discos voadores só porque sim. [“Battle in Outer Space”] é um deles e curiosamente foi um filme que me tinha escapado até ontem. Já tinha visto o seu cartaz mas ainda não tinha colocado os olhos no filme e devo dizer que tanto me surpreendeu em muitos aspectos como me irritou por demais noutros.

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Muitos de vocês se calhar não sabem, mas existem inúmeros títulos associados aos estados unidos que na verdade nunca foram produzidos em Hollywood mas sim na Rússia (que estava muito (mas muito) à frente dos americanos em efeitos especiais nessa época).
Também o Japão a partir de Godzilla investiu forte e feio em cinema espectáculo dentro do género catástrofe e mal ou bem acabou por marcar uma época e definir um estilo que se mantêm até hoje.

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Enquanto na Rússia se produziram excelentes títulos de ficção-científica séria ao nível dos melhores romances da época com produções como “Road to the Stars (Doroga k zvezdam)“; “Planet of Storms (Planeta Bur)” ou “Voyage to the End of the Universe (Ikarie XB1)” que mais tarde foram comprados, dobrados e retalhados por Hollywood ao serem criadas “versões americanas” desses filmes para os drive-ins; o Japão atirava cá para fora uma sucessão de clones do Godzilla e também alguns exemplos daquilo que depois, com a chegada de Star Wars em 1977, viria a ser o género da space-opera no cinema ocidental.

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Este fascinante [“Battle in Outer Space”] estreou em 1959 e quase que aposto que George Lucas na altura com 16 anos o deve ter visto e o reteve na memória, pois curiosamente a batalha espacial final neste filme Japonês tem extraordinárias semelhaças com o ataque à Estrela da Morte no fim do Star Wars original. O tom é practicamente o mesmo intercalando cenas de tiroteio espacial entre caças trocando raios laser com inserts em grande plano dos pilotos dentro das naves a comunicarem uns com os outros.
Que eu me lembre, nunca tinha aparecido algo assim antes no cinema e pelo visto [“Battle in Outer Space”] foi pioneiro nisto. Vale a pena verem este filme pela batalha espacial final pois é muito divertida ao mesmo tempo que é completamente imbecil.

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Aliás, começando logo pelo que este filme tem de bom, os efeitos especiais para a época devem ter sido absolutamente inovadores. Dentro do contexto são realmente bons e penso que são até algo superiores ao que o Japão fazia na altura com os clones de Godzillas; em particular nas cenas espaciais.
As partes no espaço são fascinantes. Ao contrário dos série-b americanos que filmavam modelos de foguetões pendurados por fios essencialmente de perfil contra fundos pretos, em [“Battle in Outer Space”] há uma tentativa muito boa de apresentar algumas sequências com profundidade, filmando as naves de vários ângulos em viagem pelo espaço de uma forma até ainda bastante actual.

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O design dos foguetões também é bastante bom e não tem aquela estética de supositório com asas que era comum no primitivo cinema do género na américa, apostando já em apresentar as naves espaciais com alguma identidade e pormenores interessantes.
[“Battle in Outer Space”] em termos visuais começa logo bem, com uma pequena mas excelente sequência de ataque a uma estação espacial em órbita (no distante e futurista ano de 1965) e que só peca por ser muito breve. Não só o ataque alienígena é divertido como o próprio design da estação espacial tem muita pinta.

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Aliás, outra coisa muito boa neste filme são os matte-paintings que estendem paisagens naturais ou inserem elementos futuristas nos cenários. São muito variados, bem pintados e muito bem integrados no filme seja onde estiverem inseridos.
Muitas maquetas são bastante engraçadas, o design dos discos voadores alienígenas é muito cool e todo o conjunto visual funciona muito bem.

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Em termos de cenários idem. Especialmente nas partes lunares onde [“Battle in Outer Space”] consegue realmente ter uma atmosfera bem mais cuidada do que muito cinema da época costumava apresentar. Há alguma variedade de cenários e ambientes, mais uma vez os matte-painting expandem as paisagens lunares de uma forma excelente e tudo resulta para fazer com que o meio do filme passado a aventura na lua seja sem sombra de dúvida uma das melhores partes desta história sem pés nem cabeça.

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E é precisamente a história que afunda [“Battle in Outer Space”] e o remete automáticamente para o reino daquele mau cinema que é imperdível. Isto não é de todo a excelente ficção-científica séria da Russia mas também não é o típico filme simplistico de foguetão filmado no quintal produzido em Hollywood na época. Isto é algo muito à parte.
É uma espécie de cruzamento entre um filme catástrofe em modo Godzilla com cidades arrassadas porque sim, a típica aventura de foguetão americana (onde nem falta a inevitável cena dos asteroides que quase colidem com as naves; mil vezes repetida na FC da época), com algo que é na verdade uma espécie de proto-space-opera que mais tarde seria popularizada por Star Wars com os seus combates no espaço.

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Essa mistura torna [“Battle in Outer Space”] num filme estranho.
É ao mesmo tempo muito divertido e muito irritante também.
E a culpa é dos personagens.
[“Battle in Outer Space”] é absolutamente inepto quando tenta apresentar pessoas nesta história. É claramente um filme de efeitos especiais em que o realizador não tem qualquer talento para dirigir actores, tem personagens a mais e um argumento que não faz ideia do que apresentar para os personagens dizerem. É absolutamente atroz e quase inacreditável de tão mau que é.

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[“Battle in Outer Space”] sofre precisamente do mesmo mal que um dos grandes clássicos americanos da FC, “The Thing from Another World” sofria. Este filme que anos mais tarde foi refeito por John Carpenter no seu “The Thing”, na sua versão original de 1951 para mim é um dos filmes mais irritantes de sempre precisamente por causa dos personagens.
Tem pessoas a mais a passearem pelos cenários sem qualquer identidade e depois andam todos em fila indiana uns atrás dos outros quando acontece alguma coisa. Há cenas “de suspense” em que metade do elenco anda a correr em fila atrás do tipo que vai à frente e depois dá meia volta e segue tudo em fila noutra direcção.
[“Battle in Outer Space”]  sofre exactamente do mesmo mal.

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Por causa disso o início do filme tem cenas completamente rídiculas em que por exemplo dezenas de protagonistas (?) correm atrás de um vilão em grupo, estilo manada de vacas com o mau a correr à frente. E isto é aquilo que passa por cena de acção com personagens humanos nesta história.
Quando chega a parte da aventura na lua, a Terra envia não um mas dois foguetões para irem atacar a base dos extraterrestres (com um único canhão laser) e em cada nave há umas dez pessoas que não conhecemos de todo nem nos importamos minimamente com elas pois são peças do cenário. Não têm nada para fazer nesta história a não ser andar uns atrás dos outros “nas cenas de acção”.

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Quando exploram a lua a coisa agrava-se pois com os fatos de astronauta vestidos ainda menos sabemos quem é quem, embora “o heroi” deva ser quem vai á frente com a manada atrás. Eu sei que isto é suposto fazer parte do charme ingénuo deste tipo de cinema, mas acreditem-me, neste caso tal como acontecia no americano “The Thing from Another World” alguns anos antes, é algo extremamente irritante. Isto porque pura e simplesmente nos desliga por completo dos personagens. Em [“Battle in Outer Space”] não nos importamos minimamente com ninguém e só desejamos que passem á cena de efeitos seguintes para não ter que ouvir aquelas pessoas abrirem a boca sem nada para dizer ou com diálogos “técnicos & científicos” de morte. Poderia ser divertido, mas é irritante como o raio porque este tipo de coisa é o que passa por desenvolvimento de personagens neste filme e repete-se constantemente.

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Como resultado disto também a batalha final no espaço não tem qualquer interesse para além dos efeitos especiais e da dinâmica da coisa, porque os supostos herois do filme nem participam nela !! Estão sentados mais uma vez numa sala de comando na Terra a ver a coisa acontecer no espaço através de um enorme televisor e mais nada !
Curiosamente, esta é uma das características do cinema Japonês desta época dentro deste género e em particular desta produtora. No final das aventuras nenhum dos personagens costumava participar na acção porque toda a gente se limita a ficar numa sala de comando qualquer à espera que a batalha final se desenrole e acabe bem para o lado deles enquanto outros personagens completamente anónimos lutam.

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E vocês nem querem saber qual é o papel das mulheres neste filme. Neste tipo de cinema quando feito nos estados unidos já serviam apenas para gritar mas neste filme não servem só para gritar como também são burras como o raio. Esperem só até vocês chegarem à cena na lua em que uma astronauta é cercada por um bando de extraterrestres…
E por falar em extraterrestres…é melhor nem dizer mais nada.
A Terra foi invadida porque sim.

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E voltam vocês a perguntar; mas não é esse o charme deste tipo de filmes ? É sim, mas há uma linha que separa -o charme- de um argumento completamente imbecil (até mesmo para esta altura), que dispensa por completo qualquer personagem humano e no entanto desperdiça cena atrás de cena com dezenas deles no ecran a todo o instante quando não lhes dá absolutamente nada para fazer e muito menos faz com que nos importemos com eles.

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Sendo assim, [“Battle in Outer Space”]  recomenda-se moderadamente a quem se preparar para conseguir ver isto sem lhes apetecer enfiar uns murros nos protagonistas.
Ou se calhar é uma obra prima. Não sei, estão por vossa conta.
Não sei se lhes recomende a versão dobrada em inglés ou a versão original. Se calhar a versão dobrada é ainda pior. Eu vi a versão original legendada em inglés e apesar de tudo é suportável…apesar de eu não entender esta mania dos Japoneses de colocarem um elenco internacional espalhado pelo filme todo também, a falarem todo o tipo de idiomas quando depois mais uma vez o argumento não desenvolve qualquer personagem e portanto o cast internacional aqui também não serve para nada. Acontece aqui também como depois continuou a acontecer anos mais tarde, com efeitos ainda mais risíveis em “Sayonara Jupiter” por exemplo.

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CLASSIFICAÇÃO:

[“Battle in Outer Space”] não deixa de ser um verdadeiro guilty-pleasure e totalmente obrigatório para quem gosta de conhecer títulos dos primórdios da FC, (na mesma linha de um “The X From Outer Space” ou “The Green Slime“); até porque em efeitos especiais este é realmente muito bom; bastante cuidado para a época e muito imaginativo visualmente.
Não fossem os personagens absolutamente vazios, sem um pingo de interesse para a história e este filme levaria uma classificação bem mais alta.

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Dentro do género “Message from Space” já uns anitos depois, ou até mesmo “War in Space” são bem mais divertidos. Até “X-Bomber” que é com bonecos consegue ter personagens melhores e bem mais humanizados que [“Battle in Outer Space”].
Portanto, três tigelas de noodles porque dentro do género retro é bom por ser bom em termos técnicos no que toca a design e efeitos.

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A favor: o ambiente, o design, os efeitos, os matte-paintings, as cenas na lua, a batalha no espaço.
Contra: é um vazio absoluto para lá dos efeitos especiais, zero carisma ou interesse nos personagens humanos, a história ainda parece pior por causa dos personagens, nem se vêem os extraterrestres tirando uma sequência absolutamente ridicula na lua envolvendo a habitual rapariga astronauta que grita muito e é burra como o raio, os personagens podem ser absolutamente irritantes porque a escrita deste argumento é atroz, em termos de argumento é ainda pior do que aquilo que costuma ser o standart ingénuo da FC dos anos 50 o que pode tornar este filme insuportável em vez de divertido.

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NOTAS ADICIONAIS

TRAILER

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0053388

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20-seiki shônen: Honkaku kagaku bôken eiga (20th Century Boys) Yukihiko Tsutsumi (2008) Japão


O ano de 2010 começa bem para mim no que toca a boas compras de cinema oriental.

Este é um filme sobre o qual me é muito dificil falar pois é um daqueles produtos de cinema asiático muito dificeis de classificar.
A minha primeira reacção foi a de atribuir-lhe a classificação máxima pois [“20th Century Boys“] é não só muito bom como tem uma coisa que lhe dá logo muitos pontos, é completamente original. Mesmo não parecendo.

Na verdade não me lembro de ter visto nada  assim antes e surpreendeu-me que o filme tivesse uma estrutura inesperada.
Curiosamente o único motivo porque vi o filme foi porque o comprei.
E a única razão porque o comprei foi porque a edição que estava á venda na Amazon Uk (e ainda está) tinha uma relação preço-qualidade que me pareceu muito boa, pois os dois discos vinham dentro de um livro hardcover com 26 páginas a cores e eu não resisto a estas coisas especialmente quando estão á venda por menos de 10€. Comprei o filme a 4 libras um par de semanas atrás.

Tinha visto o trailer há meses e já o podia ter sacado da net há muito tempo para espreitar, mas nem me dei ao trabalho porque [“20th Century Boys“] parecia-me ser precisamente aquele tipo de filme que me aborrece de morte, ou seja algo num estilo super-herois que geralmente não me diz nada e como tal as apresentações nunca me convenceram ao ponto de sequer me fazer ter vontade de ver o filme á borla.
No entanto algo me dizia que [“20th Century Boys“] não seria tão banal quanto me parecia no trailer e devido á sua excelente e barata edição não resisti a comprá-lo.
E ainda bem que o fiz.
Se calhar não se nota pela “suave” classificação que lhe atribuí mais abaixo, mas este filme quanto a mim é absolutamente fantástico e a única razão porque não lhe dou uma nota melhor é porque este é um daqueles produtos que são absolutamente contagiantes quando o vemos pela primeira vez, mas pessoalmente não fiquei com vontade nenhuma de o rever tão cedo.

Não porque [“20th Century Boys“] seja um mau filme, aborrecido ou tenha algum problema grave, mas porque é um daqueles que depende mesmo muito do fascínio que o mistério da história cria no espectador e como tal quando a coisa chega a uma conclusão, mesmo apesar de ser um filme oriental cheio de qualidades há muito pouco que faça o espectador querer voltar a ele muito próximamente.
Pelo menos até ver como a história termina…

[“20th Century Boys“] tem o grave problema de ser uma primeira parte de uma história em trés capitulos. Ou melhor em trés filmes. Além disso a sua originalidade acaba por ser a sua maior virtude e a sua maior fraqueza.
A sua originalidade não está propriamente no estilo, ou até na história, até porque se vocês conhecem obras como Watchmen (tanto o livro como o filme), não vão encontrar algo muito diferente em [“20th Century Boys“], que, quanto a mim é quase uma versão alternativa da Bd de Alan Moore transposta para uma identidade oriental puramente japonesa. Não que seja um plágio, mas o tom da história e até a sua própria estrutura é semelhante.

Segundo consta, esta trilogia de filmes, adapta o Manga mais vendido de sempre no Japão. Algo que me é totalmente alheio pois até agora nunca tinha ouvido falar de tal coisa e como tal parti para este filme como eu gosto. Completamente ás escuras.
O facto de  [“20th Century Boys“] ser a primeira parte da história (em filme) podia até nem ser um problema, pois por exemplo  a primeira parte do Senhor dos Aneis resulta plenamente enquanto filme isolado até ao seu final.
No entanto [“20th Century Boys“] “falha” nesse aspecto porque como alguém já referiu numa outra review na net, parece que os criadores deste projecto se esqueceram que este produto acima de tudo era suposto ser um filme e se calhar não deveria ter seguido tão á risca uma estrutura de banda-desenhada no que toca á sua narrativa.

Por outro lado, esta visão pode ser apenas fruto do nosso olhar ocidental mais habituado ao tipo de estrutura que vemos nos filmes americanos e sendo assim é inevitável que olhemos para [“20th Century Boys“] como um filme algo estranho e inesperado.
Lá ver se consigo explicar isto melhor…olhem que é difícil…
[“20th Century Boys“] é apresentado como um verdadeiro blockbuster “de super-herois” ao estilo japonês. No entanto não se passa nada neste filme asiático ao longo de quase trés horas !!!

Não se passa nada daquilo que vocês pensam que se vai passar se virem os trailers.
As apresentações dão a ideia que o espectador vai ver um blockbuster cheio de acção e cenas de destruição ao melhor estilo de cinema catástrofe e no entanto nada disso acontece  em [“20th Century Boys“].
As poucas cenas de acção e destruição que vocês vão encontrar nesta história são os breves segundos de explosão no aeroporto e no parlamento e isso aparece tudo no trailer sem haver mais nada para mostrar.
As partes de aventura com o robot gigante são practicamente nulas e mais parecem pertencer aos cinco minutos finais de um qualquer episódio de uma série televisiva do que a uma mega-produção que [“20th Century Boys“] apregoa ser em todo o seu marketing.

Ou seja, se esperam um filme de super-herois, ou com uma estrutura (ou espectacularidade) semelhantes ao que estão habituados a ver, esqueçam.
Que achou que Watchmen foi uma seca porque aquilo era muito paleio e pouca acção, então é melhor nem se aproximar de [“20th Century Boys“], pois é trés vezes “mais lento”. O aviso está feito, isto não é o blockbuster que aparenta ser na publicidade (o que muito me agradou).
Ainda por cima quando o filme está precisamente no seu momento mais empolgante ao fim de quase 150 minutos…a imagem pára e aparecem no ecran as palavras “To be continued…” !!!

Curiosamente é um filme oriental bem mais intimista do que eu próprio esperava ter visto.
Practicamente as primeiras duas horas são passadas em desenvolvimento de personagens. Não que isto seja o ponto fraco do filme, mas deixo já o aviso que é muito importante vocês estarem atentos aos nomes dos personagens porque senão vão dar em doidos.
Consta que todos os trés filmes contêm ao todo mais de 300 personagens diferentes e acredito plenamente nisso pois só nesta primeira parte devem passar dos 50. Ainda por cima isto é um filme oriental e como tal…esqueçam o conceito de “heroi” ou personagem principal, pois aqui até o personagem mais secundário é importante para a história e tem o seu momento de ecran específico o que complica bastante a vida ao espectador mais desatento.

Para piorar as coisas, o filme ainda é passado em trés décadas diferentes e como tal apanhamos com os personagens quando crianças em 1970, acompanhamos os mesmos nos anos 90 e ainda os vislumbramos por volta de 2015. O que quer dizer que cada personagem é interpretado por um par de actores diferentes consoante a época em que a história decorre. E muitos deles têm alcunhas em criança e nomes diferentes em adultos…
Resumindo, este filme só pode ter sido um sucesso enorme no japão mesmo.
Metessem isto num cinema americano (ou americanizado) do ocidente e isto seria um fracasso absoluto pois metade das pessoas perder-se-ia por completo no emaranhado da história e personagens infinitamente variados, com a agravante do filme não ter cenas de aventura ou acção intercaladas ao estilo dos argumentos americanos para deixar o cérebro descomprimir.

É que essencialmente [“20th Century Boys“] é um filme oriental de mistério.
E um dos mais intrigantes e completamente hipnóticos que me lembro de ter visto em muito tempo.
Se vocês ficarem intrigados pela história, o seu desenvolvimento não vos vai deixar tirar os olhos do ecran até ao seu final. Final esse que é considerado por muita gente como uma das maiores desilusões do cinema recente.
Isto porque na verdade não corresponde minimamente á ideia de blockbuster com que o filme é vendida no ocidente e como tal era inevitável que muita gente visse as suas expectativas completamente frustradas.

Pessoalmente eu nem queria acreditar no que estava a ver quando o filme parou mesmo no melhor e a expressão “continua” apareceu na imagem.
Nunca tinha visto um filme acabar assim. A sensação com que se fica é que [“20th Century Boys“] acaba ali como podia ter acabado noutro sítio qualquer e isso é um sentimento algo estranho quando como espectadores investimos todo o nosso interesse na história e pelo menos esperávamos que nesta primeira parte algo nos recompensasse os primeiros 150 minutos do nosso entusiasmo.

No entanto…
Superem este pormenor e vão descobrir uma história fascinante suportada por um elenco enorme e cheio de carísma.
O filme practicamente não tem acção (não se deixem enganar pelos trailers), mas nem por isso deixa de ser divertido ou cativante.
Nota alta para o trabalho do realizador que conseguiu manter coeso todo o emaranhado do argumento sem nunca perder o fio á meada e criar um filme divertido e cheio de personalidade. Mesmo sem recorrer a cenas de porrada á americana ou a efeitos especiais ao longo de practicamente todo o filme, [“20th Century Boys“] mantém-nos colados á sua história e interessados no seu desenlace.
Só é pena ainda termos de esperar até ao lançamento do terceiro capitulo para ficar a saber como tudo termina. Isto claro se nunca leram o Manga, cujo o próprio autor é agora o argumentista do filme e talvez seja por isso que esta grande produção pareça ser mais uma banda-desenhada com imagens “reais” em movimento do que propriamente um filme.

Nota alta para o elenco infantil que tem um desempenho absolutamente hipnotizante. Alías, toda a parte passada na infância dos herois é um dos pontos altos do filme a fazer lembrar aquele estilo de história juvenis nostálgicas que normalmente Stephen King costuma contar.
Enquanto espectador não pude deixar de pensar que havia algo de Stand By Me nesta história e isso agradou-me mesmo muito e tenho a certeza irá agradar bastante a todos aqueles que foram crianças nos anos 70 bem antes de existirem computadores, telemóveis, videogames e internet e onde todos nós tinhamos de inventar os nossos próprios mundos de imaginação pois não havia nada do género pré-fabricado. O filme (e a história) capta muito bem o espírito de infância desses anos e sendo assim é mais um dos seus pontos altos.

Como este texto já vai longo e não quero revelar muito sobre o filme vou terminar apenas dando-lhes uma ideia da história.
Essencialmente [“20th Century Boys“] é sobre um misterioso culto religioso centrado num enigmático logotipo e numa figura conhecida apenas como “Friend” e sobre a maneira como esta personagem consegue dominar (e destruir?)  o mundo.
No inicio dos anos 70 um grupo de crianças imaginou uma história de ficção-científica precisamente contendo todos os detalhes que depois se vieram a tornar reais e como tal todo o mistério gira á volta da possibilidae de “Friend” ser na realidade ser uma das crianças do grupo original que de alguma forma conseguiu tornar realidade algo surgido num jogo infantil muitos anos atrás.
Fico-me por aqui pois há muito para descobrirem se virem [“20th Century Boys“].

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CLASSIFICAÇÃO:

Sinto que quando conseguir ver os trés filmes de uma só vez e puder unificar toda a história, hei de voltar a esta review e adicionar mais uns pontos á sua classificação.
Isto porque [“20th Century Boys“] é um filme diferente dos outros porque tem uma estrutura inesperada e como tal devido a isso é quase injusto estar a classificar isoladamente esta primeira parte pois ao contrário de filmes como o primeiro Lord of The Rings, esta não resulta enquanto filme e sente-se mesmo a falta da continuação para podermos ser realmente justos sobre o que dizer sobre o produto final.
No entanto não deixem de ver [“20th Century Boys“] pois é algo absolutamente único e recomenda-se vivamente.
Quatro tigelas de noodles…por agora…

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A favor: também neste filme o argumento labirintico e a forma como cruza os diversos caminhos do destino dos protagonistas, as sequências nostálgicas da infância dos personagens, o elenco e a quantidade enorme de personagens (secundários(?)), apesar da complexidade da história o trabalho do realizador é notável a gerir tudo aquilo, em 150 minutos de filme mesmo sem practicamente acção nenhuma o suspanse mantém-se apenas pela força da história e carísma dos personagens, o estilo de realização tem variações impecáveis que nunca deixam o filme perder o interesse e quase que assistimos a um estilo de filmagem diferente para cada personagem, a fotografia destaca-se especialmente nas sequências dos anos 70, quem gostou de Watchmen irá gostar de [“20th Century Boys“].
Contra: quem espera um blockbuster cheio de acção e estilo cinema catástrofe cheio de efeitos especiais vai ficar muito decepcionado, este primeiro filme não está estruturado enquanto primeiro capitulo com um principio meio e fim e acaba de forma completamente inesperada e sem resolver absolutamente nada do que desenvolve ao longo de quase trés horas, não sentimos que estamos a ver o primeiro filme de uma trilogia mas apenas um bocado do inicio de um qualquer filme de oito horas que subitamente nem sequer fica a meio mas acaba no inicio quando tudo parece ir começar a sério, as cenas de acção que supostamente seriam o climax desta primeira parte são absolutamente desinteressantes e banais mais parecendo a parte final de um qualquer episódio televisivo de uma série desinteressante qualquer com robots gigantes.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=OCFOM5mZx28&feature=related

COMPRAR
A foto acima pertence á edição que eu comprei na Amazon Uk e que recomendo. Os dvds vêm dentro de um bonito livro numa edição hardcover com 24 páginas a cores detalhando muita coisa sobre o universo do filme (cuidado com os spoilers). Tudo com o excelente preço a condizer.
20th Century Boys (2 Discs & 24 Page Book) [2008] [DVD]

Está também já disponível o segundo capitulo numa edição em tudo semelhante á do primeiro caso queiram continuar a colecionar isto em dvds separados.
20th Century Boys Chapter 2 (2Disc & 24 Page Book) [DVD] [2009]

E finalmente o terceiro.
20th Century Boys 3: Redemption (Ws Sub Ac3 Dol) [DVD] [Region 1] [US Import] [NTSC]

Em alternativa, se quiserem já adquirir os 3 filmes de uma só vez também já o podem fazer numa única e muito interessante edição.
20th Century Boys Trilogy – The Complete Saga [DVD] [2010]

Recomendo vivamente a compra das edições dvd acima, mas se quiserem espreitar o filme primeiro podem ir buscá-lo aqui com legendas em Pt(Brasil)

IMDB
http://www.imdb.pt/title/tt1155705/

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Filmes “semelhantes” de que poderá gostar:

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Ekkusu bonbâ (Starfleet – X-Bomber) Michio Mikami – Noriyasu Ogami (1980) Japão


Ora muito bem, já que ontem falei de “ERA UMA VEZ O ESPAÇO” lembrei-me agora de que ando há meses para também escrever sobre “X-BOMBER”, mais propriamente [ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] como era conhecido em Portugal quando passou por cá bem no inicio dos anos 80 também.

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Aviso já que este texto lhes poderá parecer particularmente esquizofrénico por um simples motivo; há neste momento duas maneiras de se escrever sobre a série “X-BOMBER”, talvez até … duas e … meia se contarmos com a versão que vimos em Portugal num certo sentido…

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Até há bem poucos anos esta série era tão rara quanto “ERA UMA VEZ O ESPAÇO”, pois nem em VHS foi editada por cá e como tal durante anos foi uma aventura espacial que teve apenas de permanecer nas nossas memórias de infância mais recônditas; isto porque [ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] parece ser aquela tal série de que muita gente se recorda de ter visto mas de que muito poucas pessoas já têm uma ideia clara sobre o que viram.
Talvez porque passava durante as tardes a horários algo erráticos semanalmente e portanto muitos de nós nem a devem ter conseguido ver por ordem do principio ao fim quando passou na RTP1 quase quatro décadas atrás…ainda eu não tinha sequer televisão a cores e portanto todas as minhas memórias disto eram até hoje a preto e branco !!
Boy I´m old !!

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STARFLEET DVD

Recentemente há uns quatro ou cinco anos, surgiu no mercado uma edição inglesa de uma coisa intitulada “STARFLEET” e que para alegria de muitos fãs trouxe de novo [ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] até junto de nós.
Ou quase…
Já lá vamos…
Não há duvida que “STARFLEET” na sua edição UK foi realmente produzida para agradar ao fãs apesar dos episódios parecerem ter sido gravados num mau VHS. Mais parecem cópias pirata de segunda geração do que uma moderna e supostamente remasterizada edição para DVD.

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A caixa que os Ingleses produziram no entanto é excelente no que toca a material adicional criado especialmente para a edição e especialmente apontado para os fãs. Os dvds contêm alguns extras interessantes que valem a pena ser vistos especialmente por quem gostava da série em criança.

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Inclusivamente contêm um pequeno documentário informativo sobre a versão Inglesa que explica muita coisa no que toca às variações entre versões e também porque é quase impossível existir actualmente uma edição que não pareça um VHS.
Detalhes adiante.
[ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] na sua versão/edição “STARFLEET” UK em DVD foi uma edição particularmente cuidada e que tentou realmente oferecer o máximo pelo dinheiro que custva.
Para além dos inevitáveis e inúteis postais que costumam acompanhar estas coisas para enfeitar, temos desta vez também direito a um (inútil) poster todo cool e ainda a um pequeno livro com montes de informação sobre a série e resumos de todos os episódios.

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Mas o melhor de tudo é o inesperado extra (que oficialmente nem estava previsto) e  que consiste num livro de banda desenhada com 56 páginas a cores contendo uma aventura inédita que vai fazer as delícias dos fãs.
Esta história de Banda Desenhada foi editada em Portugal em 1983 em album (que eu já tinha também); por isso se vocês o tiverem comprado nessa altura o livro é o mesmo só que agora foi lançado num formato pequeno estilo dvd.
Apesar de eu ainda possuir a edição portuguesa desta banda desenhada comprada na época, fiquei muito satisfeito por encontrar agora a sua reedição em inglês incluída neste pack de dvds impressa em papel de alta qualidade. Sendo este ainda o principal motivo pelo qual até recomendo a compra desta fascinante edição de colecionador a todos os fãs…
Mas “STARFLEET” tem um problema…
STARFLEETNÃO É [ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”].
Ou pelo menos não é o [ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] que nós vimos.

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STARFLEET” é a montagem Inglesa produzida de raiz a partir de fragementos de vários episódios Japoneses originais. Não só contêm inúmeras diferenças em termos de estrutura como a própria história foi alterada na altura em Inglaterra para conseguirem editar a série por completo com o material que tinham disponível para o fazer.
Além disso, todo o arquivo de som usado na versão UK “STARFLEET” não tem nada a ver com o que podemos ouvir na versão original.
Se auditivamente “STARFLEET” lhes soar a deja-vu, é porque todos os seus sons são os mesmos que foram usados em “ESPAÇO 1999” !
Mesmo. A remontagem inglesa não só é estruturalmente inédita como soa completamente diferente em relação à série original Japonesa em todos os sentidos. Sendo o pior deles a inacreditavelmente dobragem em lingua inglesa que foi produzida na Inglaterra; a um nível que só ouvindo mesmo.
Mas novamente…já lá vamos…

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PERDIDOS NO ESPAÇO

Se virem o documentário que acompanha a edição UK, é o próprio criador Japonês a referir que versão de “X-BOMBER” que conhecemos no ocidente ( e por “ocidente” ele refere-se especificamente apenas a -Inglaterra- pois é esse o contexto geográfico do documentário ) foi apenas uma montagem alternativa com uma história ligeiramente diferente da original tendo sido totalmente imaginada, estruturada e produzida em Inglaterra por uma equipa inglesa, com base nos episódios originais que puderam ser adquiridos.
Os ingleses recuperaram as imagens originais, mas tiveram que reescrever todo o guião porque inclusivamente as traduções para inglés dos scripts para os episódios originais enviadas do Japão eram tão más e ineptas que se optou por recriar todo o áudio da série de raiz a partir de um argumento puramente britânico; tentando adaptar os conceitos originais e respeitando mais ou menos o produto e a história originais.
Isto porque porque na altura em que “X-BOMBER” foi vendida para Inglaterra toda a série original ( juntamente com todos os bonecos e cenários ) perderam-se num incêndio no Japão quando o estúdio ardeu por completo; muito antes desta alguma vez ter sido exportada para Inglaterra na sua forma completa. Foi também por esta razão que nunca houve uma segunda temporada de “X-BOMBER“.

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X-BOMBER, PORTUGAL E FALSAS MEMÓRIAS…falsas…

Durante anos andou pela internet a polêmica à volta das versões que vimos ou não vimos no ocidente. Por causa do que está dito no documentário criou-se o mito urbano de que a série original nunca terá sido exibida fora do Japão; isto porque na altura o próprio criador da série estava convencido disso.
A versão que vimos em Portugal foi a versão Japonesa original e devemos mesmo ter sido o único país a fazê-lo na altura. Por causa da insistência de muita gente, outros tantos fãs decidiram escavar mais fundo e tentar perceber o que se passava em toda esta embrulhada, pois a coisa chegou ao ponto de muita gente pensar inclusivamente que a versão original em Japonês tinha sido uma falsa memória.
Graças a Portugal, não foi.

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Até porque a própria RTP numa retrospectiva sobre programação antiga na RTP Memória mostrou sequências de “O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS” retiradas dos seus arquivos e estas corresponderam realmente àquilo que muitos de nós sempre soubemos. A versão que vimos em Portugal foi mesmo a versão original integral falada em Japonês.
Não foi a versão UK.
E contrariamente ao que o próprio criador da série pareceu acreditar ser verdade quando gravou a entrevista para o documentário da remontagem UK, afinal a versão original de “EKKUSU BONB” ainda andava por aí.
Aliás a confusão é tanta sobre o destino desta série que a Internet continua cheia de sites com imensa informação errada contraditória; também muito por culpa do que vem nos extras dos DVDs UK e do facto de lá fora ninguém fazer ideia de que em Portugal vimos mesmo a versão falada em Japonês.

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Aliás, [ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] foi uma das primeiras séries do género a não passar dobrada quando a sonoridade da lingua Japonesa ainda era por aqui uma enorme novidade e também por isso este universo pareceu desde logo tão alienígena a todos nós.
Portugal viu realmente a versão Japonesa.
Na internet onde tudo é para sempre e tudo se recupera, a verdade é que até há bem pouco tempo ainda havia maneira de se obter a versão japonesa integral por download.
Pessoalmente nem consigo imaginar onde alguém foi buscar a versão original para a postar na internet num único torrent, mas a verdade é que até há uns três ou quatro anos atrás conseguiamos ainda encontrar a versão que vimos por cá.
Sem legendas.
De espécie alguma.

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Eu tenho-a e foi um amigo meu Brasileiro que me a localizou naquilo que na época me pareceu também um servidor brasileiro pois o torrent estava num site bem manhoso…
E sim a versão Japonesa contém o episódio final de que eu tão bem me lembrava ( pois um amigo tinha-o gravado em BETAMAX na altura ) contrariamente à versão remontada ligeiramente diferente que irão encontrar na montagem UK que Inglaterra viu e que está nos DVDs “STARFLEET”.
Ainda pensei que a versão original tivesse sido colocada no ar por alguém de Portugal mas não faço a mínima ideia, pois o facto é que nem em Português existem legendas para [ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”].
 Ou pelo menos até há um par de anos não existiam.
Em inglês também parecem não existir pois pelo menos no ano passado ainda eram inúmeros os fóruns onde se pediam legendas em Inglês para “EKKUSU BONB”.
Tenho que investigar se já existem pois nunca mais as procurei, visto que estou sem poder aceder ao meu disco onde tinha guardado a série original há meses pois este precisa de reparação devido a um pico de corrente que me ia lixando os meus backups de trabalho todos também.

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MÚLTIPLA PERSONALIDADE

Portanto falar agora de [ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] vai ser complicado para mim… isto porque tudo aquilo que tenho para referir de bom e de mau é retirado tanto da versão UK “STARFLEET” como da versão original “EKKUSU BONB”.
Sendo assim, a coisa irá dividir-se mais ou menos desta forma… o que for mencionado de mau regra geral deriva do meu visionamento de “STARFLEET” ( penoso por vezes…com aquela dobragem e som de “ESPAÇO 1999” ); o que eu apontar de bom será essencialmente o reconhecimento daquilo que a própria série no seu conceito e versão original tiveram de extraordinário e continuam a ter.
Por isso estão por vossa conta para tentar perceber sobre o que estarei eu a falar.
Eu avisei que isto ia ser esquizofrénico…

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Vai ser dificil para mim ser verdadeiramente imparcial por isso ficam desde já sobre aviso que tudo isto poderá ser algo subjectivo para quem não viu esta série quando passou por cá (em Portugal) por volta de 1983.
Sendo assim meus amigos, se estiverem nesta altura pelos vossos (avançados)  40´s e tais, gostarem de ficção cientifica e tiverem adorado [ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] quando eram crianças, podem estar descansados que num certo sentido esta série não envelheceu e é realmente tão boa quanto vocês se lembram de um ponto de vista artesanal, quase.

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É quase uma obra prima nas suas limitações técnicas, apesar de apenas podermos apreciar a série actualmente através de cópias muito más a nível de som e imagem. Embora a “versão pirata” com a série original sacada em Torrent seja inclusivamente superior à versão legal com a remontagem UK disponível em DVD o que não deixa de ser curioso.
Como tal se já eram fãs disto em crianças, muito provavelmente irão gostar de rever a aventura na sua versão original ; ( esqueçam a versão UK ).
Especialmente se ainda hoje gostarem de Anime e tiverem memórias de quando a série passou em Portugal, ou tal como eu tiverem um amigo com uma cópia BETAMAX por aí perdida no sotão.

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SPACE OPERA JAPONESA PRE-ANIME

Podem não ter essa impressão de qualidade se agora forem ver alguns segmentos no Youtube mas acreditem-me que por detrás daquelas imagens bastante envelhecidas ( e da atroz dobrarem Inglesa / qualidade de imagem VHS do pior ) continua uma das melhores séries não só Anime de  ficção-científica como também dentro do género da space-opera que poderão ter o prazer de ver ainda hoje em dia partindo do principio que conseguem apanhar a versão Japonesa em torrents.
Mesmo se tal como eu ( até mesmo em crianças ), nunca gostaram de séries com marionetas e fios como os clássicos Thunderbirds de Gerry Anderson ( que eu abomino desde sempre ) podem ter a certeza que o velhinho [ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] continua ( pelo menos na minha opinião ) a ser realmente bem superior, não só tecnicamente como principalmente a nível de argumento e desenvolvimento de história.
Isto porque está série tal como “ERA UMA VEZ O ESPAÇO” também foi pioneira no formato story-arc em que todos os episódios contam essencialmente uma única história.
Se no entanto até gostam de Thunderbirds mas nunca viram  [ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] meus amigos eu nem pensava duas vezes em procurar por isto também; mesmo que não o tenham visto em crianças.

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[ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] continua a ser por muitas razões uma das melhores e talvez mais esquecidas space-operas dos anos 80. Independentemente de ser um produto de “animação” é acima de tudo um grande filme de aventuras espaciais com quase 12 horas combinando o estilo de história e desenvolvimento de personagens Anime ( do qual foi pioneiro ) com o que mais divertido havia em StarWars na altura.
Juntamente com “STARCRASH” e “STARCHASER”, [ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] será sempre para mim das melhores aventuras espaciais em espirito de space-opera clássica que surgiram graças ao sucesso de StarWars numa época em que este último ainda era conhecido em Portugal como “A Guerra das Estrelas” e muitos estúdios tentavam imitá-lo de várias formas, não sendo os Japoneses excepção.

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[ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] é portanto uma dessas “imitações” que surgiram nos nossos ecrans no inicio dos anos 80.
Embora na verdade, mesmo tendo ido buscar muito do entusiasmo das batalhas espaciais a StarWars foi uma série que soube manter (e criar) uma identidade muito própria, tendo conseguido seguir um padrão ocidental sem perder as suas características orientais.
Ao mesmo tempo que contava com todos os clichés da space-opera ocidentais onde não faltavam inúmeras batalhas espaciais com raios laser por todo o lado, também soube trabalhar aquele estilo de personagens que depois se tornaram habituais na estrutura Anime moderna. Antes de “Robotech“, foi inclusivamente a primeira série a focar-se numa história de amor entre os protagonistas com um final dramático quanto baste.

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Não há muito que eu possa dizer sobre a história pois na verdade não foge muito daquilo que vocês certamente esperarão se conhecem as características da space-opera; invasões extraterrestres, batalhas espaciais e vilões estilo Darth Vader quanto baste tudo regado com muitas batalhas no espaço, sequências de aventura com muitos tiros e neste caso também o inevitável robot gigante estilo Transformers, afinal estamos a falar de uma produção japonesa.

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LOVE STORY

Esta série porventura terá sido das primeiras a criar o tipo de empatia com o espectador que hoje reconhecemos nas séries de animação orientais através da humanização dos personagens. A relação romântica entre os personagens principais de [ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] foi um marco que surpreendeu toda a gente na altura pois manteve até ao último episódio o suspense sobre o seu desfecho e *Spoiler* terá sido a primeira história sem final feliz em que o par romântico não acabou junto; *fim do spoiler* o que surpreendeu meio mundo habituado a desfechos hollywoodescos já nessa altura e um choque para todas as criancinhas.

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O LP “da série”…

Uma coisa curiosa na versão Uk, é o facto do próprio Brian May (esse mesmo, o dos Queen) ter composto uma música para a nova banda sonora e que é aquela que termina cada episódio. Essa canção foi editada em Portugal em disco pois alguém teve a perspicácia de achar que a coisa ligado a um músico dos Queen iria certamente dar lucro quando X-BOMBER estava a bombar por cá.
Os mais velhinhos devem recordar-se da capa do LP que saiu na altura em Portugal com toda a banda sonora da série apoiando-se na popularidade dos Queen, precisamente na mesma época em que também por cá era bastante popular a banda sonora de Flash Gordon composta pelos mesmos.
O facto de no entanto esta também pertencer essencialmente à versão UK é a explicação para que muitos de nós na altura ao ouvirmos o raio do disco não tivéssemos encontrado musicalmente muita coisa que estivesse realmente ligada com o [ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] que estávamos a ver na TV para lá da capa do disco !

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E por falar em banda sonora, pá…o que é aquilo ?!
A música eletrónica composta em Inglaterra para a versão “STARFLEET” é do mais piroso, datado (e descaracterizado) que possam imaginar !
Se a versão UK tem algo realmente foleiro é precisamente levarmos com aquilo durante os episódios. A música cantada pelo Brian May essa então é tão má que eu próprio fiquei surpreendido, pois na altura em que a série passava por cá e o disco até passava na rádio e no final dos créditos associados ao licenciamento português, para aproveitar a onda até me lembro daquilo soar bem aos meus ouvidos de 13 aninhos…

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STARFLEET Vs EKKUSU BONBÂ

Como decidir então o que (re)ver ?
Bem, se não tiverem outra hipótese e quiserem mesmo ter um cheirinho de algo muito especial da vossa infância então só lhes resta espreitar EKKUSU BONBÂ na sua versão STARFLEET.
Meus amigos eu sei que a série parece muito datada, e se virem algumas cenas no Youtube a fraca qualidade da suposta remasterização das imagens para a versão inglesa também não ajuda nada, mas garanto-vos que se conseguirem colocar isso de lado e mergulharem no primeiro disco se calhar até mesmo hoje, quem não conhece esta produção ( mas gosta de sci-fi e cinema de animação ou produções com marionetas ) ao fim do quarto ou quinto episódio poderá dar por si completamente agarrado porque sejamos honestos, os ingleses conseguiram remontar um produto particularmente bom que vai agradar por completo a quem gosta de Anime e ainda mais a quem procura uma boa space-opera á moda antiga e não se deixa assustar pelo visual todo em marionetas.

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Não deixa de ser um feito extraordinário, os criadores de [ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] terem conseguido extrair mais drama e emoção de um grupo de bonecos de madeira do que muitas vezes se vê em filmes com supostos actores de carne e osso. Esse mérito ninguém lhes tira; até mesmo na versão horrível falada em inglês.
Á medida que a série avança e a história se vai desenrolando damos por nós a importarmo-nos com aqueles bonecos e o facto de terem rostos completamente inexpressivos não é impedimento para que na conclusão não estejamos também já a torcer para que as suas “vidas” tenham um final feliz.

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O grande problema da versão UK quando comparada com as vozes Japonesas no original está no casting mesmo !
Certas escolhas para as vozes dos vilões ou a própria abordagem ao redor do personagem foram mesmo bastante más pois os actores esforçam-se demasiado por fazerem -“vozes de boneco-animado”- e isso retirou logo por completo toda a tensão que o original que vimos em Portugal conseguiu ter na altura.
Felizmente que isto não aconteceu com os protagonistas herois que apesar de tudo se mantiveram num registo natural mas o facto de toda a vertente dramática em termos de caracterização de vilões ser tão ridiculamente “abonecada” acaba por retirar imensos pontos positivos à versão inglesa e pode ser o principal factor para que vocês hoje em dia não consigam ver e ouvir vinte minutos daquilo sem lhes apetecer deitar a série toda fora.
 O facto de STARFLEET também soar a ESPAÇO 1999 não ajuda nada…

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Portanto… ver STARFLEET horrivelmente sonorizado em Inglês com uma banda sonora atroz, uma canção de Brian May de fazer queimar discos na praça publica e o arquivo de som do Espaço 1999 ou ver “EKKUSU BONB” com a estrutura e a aventura original que vimos em Portugal mas agora sem legendas de qualquer espécie ?…
Eu por mim prefiro a versão Japonesa e na verdade legendas neste tipo de produto também são mais um hábito do que uma necessidade pois não há muito que não se perceba nisto em termos visuais visto a estrutura original ser tão bem feita e executada.
A versão tuga [ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] com legendas em PT infelizmente não existe mais; a série nunca voltou a passar e segundo o que me apercebi na referência da RTP há anos atrás acho que a televisão portuguesa nem a tem sequer em arquivo completa.

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Por isso estão por vossa conta.
Seja em que versão for, penso no entanto que [ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] é algo sempre a espreitar por todos aqueles que viram a série em crianças, pois apesar de envelhecida continua a ter uma certa magia que nunca mais foi repetida o que torna esta aventura ainda hoje num produto único dentro da ficção-científica televisiva.

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EFEITOS ESPECIAIS

Não posso terminar sem deixar de referir que esta série é um excelente exemplo de como com imaginação se conseguem transcender enormes limitações técnicas.
É que especialmente hoje em dia, em certas alturas [ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] mais parece um filme de marionetas amador produzido com excelente resultado algures no quintal de alguém, do que um produto profissional; e num certo sentido continua a ser precisamente esse o seu grande trunfo.
Quanto mais não seja, olhar agora depois destes anos todos para esta série de um ponto de vista técnico aumenta mais a minha admiração por este trabalho e ainda estou a tentar perceber como conseguiram sequências tão dinâmicas com fantoches de madeira e maquetas de naves espaciais que poderiam ter sido construídas por qualquer um de nós com habilidade para moldar e esculpir.
Tudo sem computadores para ajudar.
Apenas madeira, fios e imaginação.

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O criador da série referia nos extras da edição UK na altura que gostaria de poder voltar a [“X-Bomber“] e criar uma versão moderna para poder aproveitar os avanços da informática, mas sinceramente por muito espectacular que fosse não creio que voltasse a ter a mesma magia de um produto como este produzido numa época em que ainda nem o ZX-Spectrum existia e o gráfico de computador mais avançado eram as barras e a bolinha do Pong a preto e branco claro.
[ “X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] tal como “ERA UMA VEZ O ESPAÇO” envelheceu muito mal em muitos aspectos, mas continua a ser no entanto uma proposta como poucas dentro do universo da ficção-científica para todas as idades mesmo ainda hoje, pois também ele é produto de uma altura em que a televisão para crianças ainda não era apenas uma enorme comercial de product placement para vender merdas a putos…
Por outro lado… temos aquela música de Brian May…criada a martelo…
My god…

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CLASSIFICAÇÃO

Agora é que a coisa se complica… isto vai ter desta vez não apenas dois tipos de classificação mas três; por razões óbvias e para eu poder ser realmente justo.


1. A VERSÃO ORIGINAL – EKKUSU BONBÂ – ( Que passou em Portugal )

Se vocês viram a série X-BOMBER quando crianças:

Se puderem colocar as vossas mãos na versão Japonesa, vocês querem mesmo rever isto

A versão original é verdadeiramente uma obra prima da space-opera e é absolutamente notável o que conseguiram obter pendurando umas marionetas inexpressivas com fios e fazendo com que isto pareça o filme amador mais profissional de todos os tempos.
Tem pilhas de falhas e vários aspectos foleiros que estão incrivelmente datados hoje em dia mas a sua alma não envelheceu e para mim é uma das poucas séries que se compara a “ERA UMA VEZ O ESPAÇO” ou “CONAN O RAPAZ DO FUTURO” suas contemporâneas na altura e que com todo o mérito formam uma das melhores trilogias de ficção-cientifica para todas as idades que já existiram na televisão.

Quatro Tigelas de Noodles

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Não leva mais apenas pelo mesmo motivo que atribuo três a “ERA UMA VEZ O ESPAÇO” no meu outro blog.
[ “EKKUSU BONB” /“X-BOMBER : O ESQUADRÃO DAS ESTRELAS”] precisava mesmo de um bom tratamento Bluray de remasterização que nos permitisse apreciar-lo hoje em dia em toda a sua glória.

Infelizmente actualmente só temos acesso a cópias que são verdadeiramente rascas e muita da sua magia acaba inevitavelmente por se perder quando somos obrigados a passar horas contemplando imagens de muito má qualidade.

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2. A VERSÃO REMONTADA INGLESA – STARFLEET

Se não encontram a versão original.

Apesar de tudo o que a versão inglesa tem de mau, o facto de contar uma história mais simples e com uma estrutura diferente, o facto de ter um péssimo voice acting por vezes aliado a uma banda sonora simplesmente asquerosa por entre desastres de Brian May e um score de sintetizador Casio daqueles que não lembra ao diabo hoje em dia, não lhe retira um certo mérito.
Se vocês espreitarem o documentário que vem nos DVDs até ficarão a admirar a malta que em Inglaterra pegou nisto para criar a sua versão STARFLEET.
Pegar em material completamente fragmentado e ridiculamente traduzido em inglês a um ponto tal que ninguém percebia nada do que lá estava escrito em relação ao script, pegar em dezenas de episódios fragmentados onde faltavam sequências inteiras ( que tinham ardido nas cópias originais segundo o estúdio ) , remontar tudo aquilo de uma forma coerente, sonorizar tudo com a biblioteca de som de Espaço 1999 e tentar criar um produto novo que no entanto respeitasse o mais possível a versão original que todos julgavam perdida num certo contexto é uma tarefa de mestre.
Sendo assim…

Três Tigelas de Noodles para a versão UK remontada

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Apesar de todas as suas falhas, se X-BOMBER é algo que lhes diz alguma coisa e não tiverem acesso à versão original Japonesa, eu não hesitaria em comprar a caixa com a edição especial STARFLEET à venda na amazon.uk; até porque só pela banda desenhada e qualidade do próprio design da caixa com todos os extras possíveis vale mesmo a pena pois foi realmente uma edição criada para fãs e não uma coisa atirada às três pancadas.

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3. X , QUÊ ?!…

Para quem nunca ouviu falar de [“X-BOMBER“]:

Se gostarem de cinema de animação Japonês e quiserem espreitar um produto que definiu muitos dos clichés que hoje conhecem nas histórias modernas do género, então não vão mais longe.
Até por razões históricas devem ver isto.
E não recomendo que saquem episódios da net pois muito do que anda por aí também são rips de velhos Vhs com uma imagem ainda pior do que a nova “remasterização” para o dvd que saiu este mês de Fevereiro de 2009.
Se gostarem de StarWars (o original) e quiserem um bom exemplo de um clone contemporâneo produzido numa época em que não havia nada semelhante em [“X-BOMBER“] ( seja em que versão for ) têm tudo; muitas batalhas espaciais, muitas naves e inúmeros momentos de aventura clássica em 24 episódios que souberam manter uma constante variedade de episódio para episódio.
A imagem continua fraquinha não interessa onde, a dobragem inglesa poderia ser melhor, a série tem uma atmosfera antiquada que pode passar quase por amadora mas o resultado final é bastante bom até na sua versão UK, STARFLEET.
Claro que recomendo a versão original mas não sei se ainda existe algures pela net.

Duas Tigelas de Noodles

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Leva “apenas” duas tigelas para quem não conhece, apenas porque o seu estilo retro poderá desagradar a quem já cresceu a ver essencialmente efeitos especiais feitos em CGI.
 Também porque não envelheceu bem e a qualidade das cópias que existem por aí também não os irá entusiasmar por aí além

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A favor: o sabor a StarWars original, apesar de retro o resultado técnico é notável e ultrapassa por completo todas as suas limitações, muitas cenas de batalha espaciais entusiasmantes, cenas de acção cheias de charme apesar das suas limitações técnicas, excelente design de cenários e ambientes, os personagens vão ganhando alma e humanidade á medida que a história se desenvolve, mantém muitas incertezas até ao desenlace final, definiu regras para a introdução de drama em séries juvenis, o design das naves foi inovador para a época, apesar de ser um clone StarWars tem uma identidade completamente japonesa, os fãs de Espaço 1999 vão achar piada aos sons da série serem os mesmos na versão Uk, cada episódio tem pouco mais que vinte minutos e a montagem é sempre excelente fazendo brilhar uma realização de mestre. Mesmo quem (tal como eu) detesta as séries de animação de Gerry Anderson estilo Thunderbirds tem muito boas hipóteses de vir a adorar isto por isso não deixem que o facto de ser uma série de marionetas os afaste.

Contra: é uma série infanto-juvenil e como tal nunca chega a ser tão profunda como poderia ter sido, não agarra o espectador imediatamente e apenas nos apercebemos que a história é bem melhor do que parece lá para o quinto ou sexto episódio, algumas das marionetas são horriveis (mesmo), a banda sonora da versão inglesa está mais que datada e não tem sequer um tema memorável, a música cantada pelo Brian May deve ser o equivalente á musica pimba daquela época e é do piorio, as vozes escolhidas para os vilões são ridiculas e estragam o suspense nos momentos dramáticos, a imagem e o som do dvd não são famosos mesmo estando supostamente remasterizados.

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NOTAS ADICIONAIS

VIDEOS de exemplo

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COMPRAR EDIÇÃO UK – VERSÃO UK – STARFLEET
A qualidade de imagem e som são apenas razoáveis apesar da publicitada remasterização mas não há duvida que esta foi uma edição realmente produzida para agradar ao fãs.
A caixa é excelente e os dvds contêm alguns extras interessantes e que valem a pena ser vistos especialmente por quem já conhecia e gostava da série embora o seu contexto abranja apenas o que se passou à volta da versão inglesa.

https://www.amazon.co.uk/gp/product/B00171EE9E?ie=UTF8&tag=cinaosolnas-21&linkCode=as2&camp=1634&creative=6738&creativeASIN=B00171EE9E

É uma edição particularmente cuidada em DVD e que nos tenta oferecer o máximo pelo dinheiro que custa (e vale o preço). Para além dos inevitáveis e inúteis postais que costumam acompanhar estas coisas, temos desta vez também direito a um (inútil) poster todo cool e ainda a um pequeno livro com montes de informação sobre a série e resumos de todos os episódios.
Mas o melhor de tudo é o inesperado extra (que oficialmente nem estava previsto) e  que consiste num livro de banda desenhada com 56 páginas a cores contendo uma aventura inédita que vai fazer as delícias dos fãs.

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IMDb
http://www.imdb.com/title/tt0307741/

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Se gostou deste, poderá gostar de:

capinha_Battle Beyond The Stars.jpg capinha_battlestar-galactica capinha_starcrash capinha_spacehunter humanities_end capinha_starchaser capinha_era uma vez o espaco.jpg

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Uchu kara no messeji (Message from Space) Kinji Fukasaku (1978) Japão


Eu comprei o dvd japonês e este filme não tinha legendas de espécie alguma ! 🙂
Não havia mais nenhuma opção de compra na altura e como tal decidi arriscar pois lembrava-me bastante bem dele e apetecia-me revê-lo julgando até que não iria haver uma edição em inglés tão cedo.
Entretanto já existe uma excelente edição á venda na Amazon americana por isso meus amigos já sabem onde poderão comprar esta maravilha de filme em DVD no ocidente.
Falemos então do “StarWars” japonês conhecido no ocidente como [“Message From Space“], sim porque este filme passou em Portugal no cinema e tudo.

A minha cópia é completamente falada em  Japonês e sem uma única legenda em inglés, conseguem imaginar ?
Garanto-vos que conseguem. Até porque quando virem este filme a última coisa que interessa são os seus diálogos,  porque o argumento é tão básico e tão bem traduzido visualmente que a meio da centésima cena de porrada espacial vocês já nem se lembrariam que o dvd era suposto ter legendas.
Entretanto já comprei a nova edição á venda na Amazon, claro está…

Este é mais um filme ideal para o meu outro blog “Universos Esquecidos” mas mais uma vez não poderia deixar de o recomendar aqui, pois mais japonês que isto se calhar seria impossível.
Até porque a razão de me ter lembrado deste filme oriental agora, é porque é uma obra do mesmo realizador de “Virus“, que lhes apresentei anteriormente e assim vocês poderão fazer uma comparação mais imediata entre as duas obras.

Embora os filmes não tenham nada em comum são ambos trabalhos muito interessantes pela sua identidade muito própria, isto mesmo apesar de [“Message From Space“], digamos…se inspirar um bocadinho no sucesso de “StarWars”.
Mesmo resalvando as devidas diferenças até acaba por ser o clone mais próximo do filme de Lucas, talvez porque se esforça muito para ser um “StarWars” oriental e não tem grandes problemas em admiti-lo. Há algo na atmosfera deste filme que não nos deixa esquecer as suas influências mesmo quando recorre a clichés puramente japoneses.
Aliás nota-se claramente que nem tenta disfarçar as suas origens e até nem se chateia muito por contar com um robot que deve ser certamente o primo oriental do R2-D2 para divertimento do espectador.
E por isso mesmo é divertidissimo porque se torna num produto descaradamente genuíno o que o transforma imediatamente num filme de culto para quem gosta de space-operas espaciais que irá agradar imenso a quem gosta de aventuras série-B.

Esta vai ser provavelmente a review mais pequena deste blog, porque na verdade não há muito para dizer sobre [“Message From Space“], a não ser que é um filme completamente alucinante ao melhor estilo televisivo japonês.
Basicamente o filme move-se a duzentos á hora e onde tudo serve para justificar cenas de combates espaciais e muitos tiros com pistolas laser, não faltando obviamente o personagem tipo mercenário espacial, a princesa combativa e o “Luke Skywalker” lá da zona, além do vilão muito mau.

Visualmente, o filme alterna entre o mau episódio dos “Power Rangers“, as maquetes do “X-Bomber” e a estética pseudo-Starwars.
Os efeitos são do piorio, mas [“Message From Space“] é extremamente entusiasmante pois nunca sabemos bem o que pode acontecer a seguir ou que mau efeito especial é que vamos ver pela frente no meio de tanta cena de porrada espacial. E porrada espacial é coisa que não falta, tudo ambientado com uma banda sonora tão divertida e despreocupada quanto o próprio filme.
Curiosamente o filme tem alguns actores americanos, inclusivamente o falecido Vic Morrow o que o torna num produto ainda mais estranho pois toda a gente parece deslocada, mas ao mesmo tempo dá um toque especial á atmosfera da obra.

A história é a mistura habitual entre “Os Sete Samurais” e o “StarWars“, onde há um gajo muito mau que quer conquistar o universo e um planeta oprimido em que os habitantes são obrigados a partirem em busca de mercenários que os ajudem a enfrentar o tipo, descambando em cenas de porrada espacial por tudo e por nada levando os herois até á vitória final do costume.

[“Message From Space“], foi produzido em 1978 logo a seguir a “Starwars” ter alcançado o sucesso que se conhece e como tal, terá sido o primeiro clone do filme de George Lucas a alcançar algum sucesso internacional porque foi imediatamente aproveitado para saciar a sede do publico por algo que se assemelhasse ao filme de Lucas.
O que ninguém esperava certamente era que tivessem sido os Japoneses a arriscar tal produção embora não seja grande surpresa o facto do filme ter sido distribuido por todo o mundo.
Principalmente porque toda a gente queria ver mais coisas semelhantes ao “Starwars” e na altura isso era algo que não se encontrava todos os fins de semana.

O sucesso do filme foi tal que inclusivamente deu origem a uma série televísiva no Japão com vinte e tal episódios.
Se tiverem curiosidade poderão inclusivamente ver aqui o primeiro episódio da série se tiverem o VeohTv instalado  no vosso computador. Também poderão fazer o respectivo download. Embora a série seja inferior ao filme que a originou e por isso recomendo vivamente que primeiro apreciem a longa metragem [“Message From Space“] antes de verem qualquer exemplo da série de tv.

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CLASSIFICAÇÃO:

Um dos filmes mais desmiolados de todos os tempos e completamente obrigatório para quem gosta de conhecer todo o tipo de clones cinematográficos que “Starwars” originou.
Muito divertido mesmo e possivelmente um dos melhores maus filmes de sempre.
Trés tigelas e meia de noodles.

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A favor: é um “Starwars” em velocidade ultra acelerada, os efeitos especiais são tão maus que se tornam absolutamente geniais, o design de produção idem, tem uma identidade completamente japonesa, as cenas de porrada espacial são excelentes, tem um barco voador que anda no espaço e um R2-D2 oriental.
Contra: o estilo Power Rangers pode ser um bocado irritante.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=2TPh6-L7Qi4

Videoclip
marado com inúmeras cenas do filme
http://www.youtube.com/watch?v=yxoa8CInnsY&feature=related

Comprar
está á venda na Amazon americana. Estão é espera do quê para comprar isto ?

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0078435/

Versão do filme dobrada em inglés para download.
http://thepiratebay.org/tor/3997307/Message_From_Space___Uchu_kara_no_messeji

Primeiro episódio da série televisiva que o filme originou.
http://www.veoh.com/videos/v1734253AEjb4THn

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*Não tenho ainda nenhum filme semelhante que possa recomendar*

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