The Sorcerer and the White Snake (The Sorcerer and the White Snake) Siu-Tung Ching (2011) China


Se julgam o cinema de fantasia pela qualidade dos efeitos especiais então fujam !
[“The Sorcerer and the White Snake“] tem efeitos digitais tão maus que fazem as sequências de “Blood – The Last Vampire” parecerem cenas do Avatar em comparação.
Por isso se um mau filme na vossa opinião se define pelo lado técnico dos efeitos é melhor esquecerem este desde já pois não vão gostar de todo.

Se no entanto, conseguirem abstrair-se das piores criações em CGI dos últimos anos, entrarem na onda visual do filme e não se importarem com “renders” que mais parecem saídos de uma introdução de um velho jogo para a PS-ONE do que material produzido para cinema feito em 2011, então bem-vindos a [“The Sorcerer and the White Snake“].
Especialmente se gostam de filmes de fantasia.

Esta produção pode ter defeitos que nunca mais acabam a nível técnico, mas tem imenso charme e acima de tudo tem uma coisa que para mim dá logo imenso valor a um projecto; está sempre a surpreender no que toca a imaginação e parece continuamente apostado em atirar á cara do espectador momentos inesperados especialmente quando pensamos que já vimos tudo e nada nos pode apanhar de surpresa. E isto no sentido positivo e no negativo. O que de de certa forma serve como ponto de reviravolta na nossa opinião sobre o que aparece no ecran.

Perdi a conta dos momentos em que só pensava que tudo era tão mau, tão mal feito , tão piroso e tão foleiro que só poderia ser totalmente viciante, naquele sentido do é tão mau que só pode ser de propósito e portanto se torna automáticamente genial.
Por outro lado também perdi a conta dos momentos realmente bons deste filme.
Não o são, própriamente pela história ou carísma dos personagens porque na verdade não têm nada de especial ou sequer muito cativante, mas pelo resultado global desta produção que tanto pode ser genialmente má como extraordináriamente boa ás vezes com uma diferença de segundos entre cenas.

Isto porque como já disse [“The Sorcerer and the White Snake“] é um filme cheio de imaginação. Daqueles que sabem usar as suas limitações técnicas para muitas das vezes criar cenas memoráveis. Já vi este título há um par de semanas e continua a não sair-me da cabeça, nomeadamente por causa de muitas das suas imagens cheias de ambiente, paisagens fabulosas e muita criatividade no design visual.

[“The Sorcerer and the White Snake“] está cheio de geografias fantásticas, criaturas fofinhas e carismáticas (que deveriam ter tido mais tempo de antena), ao mesmo tempo que contém algumas cenas de acção bem divertidas e que culminam num final absolutamente épico.
Tão épico que se nota perfeitamente que os criadores deste projecto não tinham orçamento nem para metade do que quiseram mostrar mas mostraram na mesma, numa onda total de : “que se lixe !”
Por isso nota alta para tanta ambição e pela total falta de receio em alienar logo metade do público com tanto mau CGI.

Nota-se que houve aqui uma escolha óbvia; ou faziam um final pequenino sem grande chama e dentro do dinheiro que haveria para produzir uns efeitos mais aceitáveis…ou… entravam á maluca por um final para lá de épico sem terem meios para o realizar técnicamente como deveria ter sido filmado. Por mim, ainda bem que escolheram o total avacalhamento visual , pois [“The Sorcerer and the White Snake“] tem no seu final alguns dos melhores momentos de sempre dentro daquele género de cinema-tão-mau-que-só-pode-ser-bom !

Portanto se gostam de cinema de fantasia eu recomendo vivamente este filminho. Agora têm de gostar de Fantasia dentro do género conto-popular-chinês, em puro modo de conto-de-fadas com um bocadinho de porrada e artes marciais. Se procuram algo no estilo ocidental em jeito de Lord of the Rings, esqueçam, [“The Sorcerer and the White Snake“] é puro cinema de fantasia ao melhor estilo “The Promise” mas produzido sem o mesmo orçamento.

Quando isto começou, a primeira sensação que tive foi a de que estava a ver uma espécie de sequela não declarada de “The Forbidden Kingdom” mas sem o Jackie Chan ou o puto americano que não servia para nada.
Parecia que alguém na China esteve a ver esse filme, percebeu o que estaria a mais nele e resolveu criar a sua própria versão integralmente chinesa (visto Forbidden Kingdom ter sido uma co-produção China/América).
Isto porque inclusivamente o personagem de Jet Li até parece o mesmo e tudo, só que desta vez bem melhor usado dentro do contexto geral da história.

[“The Sorcerer and the White Snake“] é no entanto um filme bem mais infantil que “The Forbidden Kindom” (se é que tal é possível), isto porque em muitos momentos até parece uma produção da Disney ou da Dreamworks, devido ás sequências com criaturas fofinhas e animais inteligentes a piscar o olho ao estilo Shrek até).
Mas ainda bem que elas estão na história, pois são um dos seus pontos fortes. Quebram a monotonia da óbvia, clássica e algo aborrecida história de amor central e equilibram muito bem alguns dos momentos de acção mais fracos até.
Da minha parte só tenho pena que o filme não tenha tido mais criaturas como estas ao longo da história. Mas como está, está bem e curiosamente os efeitos digitais nesses momentos nem são nada maus não senhor.

Essencialmente [“The Sorcerer and the White Snake“] é um conto de fadas chinês. Conta a história de uma espécie de serpente milenar que se apaixona por um humano e se transforma em mulher para poder viver com ele. Claro que o pobre coitado nem suspeita do verdadeiro aspecto da senhora e muito menos imagina que existe uma ordem de monges que ao melhor estilo Terminator em versão Shaolin percorrem o mundo eliminando todo o tipo de criaturas que não forem humanas porque as consideram demoníacas , só porque sim; o que acaba por se revelar um dos pontos interessantes na moral da história também e provavelmente será a tónica do conto original que não parece esquecida no desenlace final desta aventura. Nota positiva também para isto.

Basicamente estamos na presença de um filme de aventuras divertido, passado numa China de Fantasia ao melhor estilo conto de fadas clássico oriental. Não se chateiem muito com o visual dos maus efeitos especiais e deixem-se levar pelo universo da história pois [“The Sorcerer and the White Snake“]  é um pequeno grande “mau” filme simplesmente perfeito para quem procura um titulo divertido e ligeiro. Nota-se que houve um constante esforço para apresentarem um produto criativo mesmo apesar das limitações técnicas e nem sempre encontramos algo assim que sabe tirar uma nota tão positiva daquilo que á partida poderia ter sido a morte do filme.

O seu único problema é que a história nem é particularmente divertida e o facto de se basear essencialmente numa espécie de comédia de costumes envolvendo uma história de amor também não ajuda a dar-lhe grande carísma no aspecto humano. Isto porque os personagens são todos muito superficiais e portanto não esperem encontrar aquela intensidade romântica de um “An Empressa and the Warriors” por exemplo e essa é uma das grandes falhas do filme, pois supostamente o amor seria o motor de todas as situações da história mas os personagens nunca nos cativam da forma que é habitual encontrarmos no cinema romântico oriental.
Como resultado disso, a parte dramática deveria criar uma grande empatia com o espectador para ajudar a terminar em beleza o segmento final da história, mas não funciona muito bem em termos emocionais pois tudo nos parece artificial demais ao contrário do que costuma ser costume em produções românticas orientais.

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CLASSIFICAÇÃO:

É um filme carregado de pequenos pormenores que lhe dão imensa vida. Tudo o que não envolve a história de amor central, dá imensa energia ao filme; o que no fundo é uma mais valia pois este enquanto fantasia romântica simplesmente nunca funcionaria muito bem por causa da superficialidade de toda a trama de amor.
Boas cenas e acção, monstros divertidos, criaturas fofinhas quanto baste, alguma comédia bem conseguida, quilos de maus efeitos especiais que não deixam de ter imensa personalidade mesmo assim e um final tão épico que nem cabe no orçamento do filme.
Como filme de fantasia totalmente no estilo conto-de-fadas-chinês, não será melhor que “The Promise” ou mesmo que “An Empress and the Warriors“, mas mesmo apesar dos maus efeitos especiais penso que é mais cativante do que “The Restless” e mais criativo que “The Forbidden Kingdom” também.
Por isso e porque o raio do filme não me sai da cabeça mesmo depois destas semanas todas, quatro tigelas e meio de noodles porque sendo mau demais é realmente muito bom mesmo ! E já que estamos no Natal é uma óptima escolha para espreitarem enquanto esperam pelo dia de abrir as prendas também.

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A favor: soube tirar partido da sua muita imaginação mesmo apesar dos péssimos efeitos CGI, está carregado de pequenos pormenores criativos a todos os níveis, algumas paisagens são fabulosas, tem um final tão épico que quase não cabe no orçamento do filme o que o torna ainda mais divertido, esforça-se a todo o instante por ultrapassar as suas limitações técnicas tentando surpreender o espectador com coisas novas e pequenas reviravoltas, tem um par de monstros bem creepy e divertidos, alguns efeitos digitais até nem são maus de todo não senhor, tem um par de criaturas fofinhas bem conseguidas, grande parte do design é excelente com destaque para o visual das duas serpentes irmãs em estilo sereia flutuante, boas e variadas cenas de acção eficazes quanto baste, alguns momentos de comédia divertidos.
Contra: quem odeia o estilo cinema-photoshop presente em “The Promise” vai abominar este filme totalmente,  a história de amor deveria ser o coração da história mas perde-se algures entre o drama que nunca poderia ser e a comédia que não sabe se quer ser, os personagens não têm grande profundidade e por isso a parte humana da história fica um bocadinho áquem do que é costume em produções românticas orientais, em 2011 é um filme com efeitos digitais do meio dos anos 90 no mínimo…mas por outro lado, who cares !

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=YOXg1SL60nk

Comprar
http://www.yesasia.com/us/the-sorcerer-and-the-white-snake-dvd-china-version/1025644242-0-0-0-en/info.html

Download aqui com legendas me PT/Br

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt0865556/combined

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Filmes “semelhantes” de que poderá gostar:

A Chinese Tall Story The Promise

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Puen yai jon salad (Pirates of Langkasuka, aka Queens of Langkasuka – aka The Tsunami Warrior, aka Legend of the Tsunami Warrior) Nonzee Nimibutr (2008) Tailândia


Quem procura um equivalente oriental de “Os Piratas das Caraíbas” provavelmente irá achar bastante piada a este [“Queens of Langkasuka“] que também poderia ter como sub-titulo ” O meu canhão é maior que o teu !”

Essencialmente estamos na presença de uma aventura cheia de gajos machos que essencialmente dependem do tamanho …dos canhões… para impressionarem a maralha e conquistar o reino de Langkasuka.
Um reino que é assim uma espécie de gráfico feito em Photoshop localizado numa qualquer paisagem turística balnear algures na Tailândia.

Se virem mais abaixo, notarão que não atribuo grande classificação a [“Queens of Langkasuka“].
Na verdade o filme não tem nada de realmente mau, apenas também não tem nada de extraordináriamente bom que o faça ser algo mais do que apenas um filme de aventuras realmente muito interessante e vagamente agradável de seguir.
Isto porque a ter alguma falha de maior, na minha opinião essa falha está no facto de não ser uma aventura particularmente divertida e tinha o dever de o ter sido !

AVISO: Não se deixem enganar pelo trailer. O filme não é tão espectacular e muito menos tão divertido como parece e o apregoado orçamento de 20 milhões de dólares em vez de ser uma mais valia torna-se algo bastante negativo quando o resultado é o que se vê. Mais valia nem terem colocado essa no trailer, pois se [“Queens of Langkasuka“] passasse por filme de baixo orçamento ainda poderia ter alguma desculpa pelas suas falhas.

Em termos de ingredientes nada falta a [“Queens of Langkasuka“]. Reinos distantes, piratas maus, piratas bons, princesas, paisagens exóticas, batalhas navais, porrada com espadas, porrada sem espadas, herois clássicos, princesas guerreiras, forças mágicas, forças menos mágicas, feiticeiros tipo Obi-Wan-Kenobi, homens místicos, uma Força misteriosa, cenas subaquáticas, batalhas épicas, background histórico com Holandeses e mais uma vez Portugueses á mistura, miúdas fofinhas, história de amor, drama romântico, intriga palaciana, cientistas malucos, batalhas áereas (estilo X-Wing atacando Death-Star), canhões pequenos, canhões grandes, baleias, peixinhos e eu sei lá que mais !!!

Este filme tem tanta coisa que a única coisa que não tem é sexo.
Até tem gajos que parecem portugueses  por todo o lado. Não só (actores portugas?!) desta vez a representarem aliados históricos tal como acontecia já noutra produção Tailandesa “A Lenda de Suriyothai” como macacos me mordam se este senhor abaixo não parece o Sr Manuel da mercearia !!

Precisamente por ter muita coisa, [“Queens of Langkasuka“] cai exactamente na mesma armadilha em que caiu o filme anterior que comentei ontem aqui neste blog e que podem encontrar no post abaixo deste.
[“Queens of Langkasuka“] tenta ter demasiado conteúdo e acaba por não conseguir integrar todas as suas boas ideias no tempo que tem para contar uma história. Este filme parece ser um grande catálogo de todos aqueles conceitos que adoramos em filmes de piratas com uma pitada de Fantasia á mistura que só lhe fica bem, mas depois não passa disso.

Tem personagens a mais, situações a mais, sub-plots que nunca mais acabam e nunca são devidamente desenvolvidos, os vilões são de cartão, os herois são mais que muitos e as cenas e acção não conseguem pontuar devidamente tanta confusão.
O pior nisto tudo, é que [“Queens of Langkasuka“] poderia ter sido uma aventura divertida de seguir mesmo com todas estas referências mal alinhavadas, mas pura e simplesmente não é. Por uma simples razão…

[“Queens of Langkasuka“] leva-se demasiado a sério !
Enquanto, por exemplo “Piratas das Caraíbas” optou pelo humor e a própria aventura parece a todo o instante piscar o olho aos maus filmes e serials antigos, [“Queens of Langkasuka“] tenta entrar a todo o instante pelo drama profundo. Pela tragédia seríssima e pior ainda quer desesperadamente mostrar que é acima de tudo um épico histórico ! E quando eu digo épico, quero mesmo dizer ÉPICO histórico !

A todo o instante nota-se no ecran o esforço da produção para mostrar serviço e [“Queens of Langkasuka“] leva toda a sua duração a atirar á cara do espectador que estamos MESMO a ver UM ÉPICO histórico. Quer queiramos, quer não, isto é UM ÉPICO HISTÓRICO meus amigos !
Perceberam ? Olhem para as paisagens ÉPICAS, olhem para o guarda roupa ÉPICO, olhem para as cenas de acção ÉPICAS ! E as batalhas navais, olhem só para as batalhas ÉPICAS !!
E efeitos especiais. Já lhes falamos dos efeitos especiais ?! Eu quase que arriscaria a dizer que são ÉPICOS também !

O problema é que tudo isto resulta de uma forma artificial e distrai daquilo que deveria ser o coração do filme, ou seja os seus personagens e a sua história.
Se no meio de todas as ideias que [“Queens of Langkasuka“] contém, tivessem escolhido umas trés ou quatro e tivessem feito um par de filmezinhos mais sem tanta pretenção a épico histórico, se calhar a coisa tinha resultado bastante bem e teriamos agora uma simpática trilogia de piratas made-in-tailândia.

Assim, como está ao tentarem concentrar demasiado conteúdo embrulhado em tanto desejo óbvio para que o filme seja considerado um épico, acabaram por dar um tiro no pé na minha opinião e [“Queens of Langkasuka“] perdeu não só toda a personalidade apesar do esforço em contrário evidente como se tornou numa aventura algo insípida de seguir, para não dizermos até chata e bastante aborrecida apesar de visualmente conter bastantes momentos muito bons que a todo o momento nos parecem querer garantir que estamos enganados e que o filme é realmente melhor do que aquilo que nos parece.

Ainda o filme não ia a meio e eu já estava farto da suposta aventura. Há algo no ritmo desta história que não resulta e ainda não percebi bem o quê. As cenas de acção tentam entrar pelo estilo de pancadaria executada em trabalho de arames ao melhor estilo Wuxia Chinês, mas depois o que transparece é isso mesmo, cenas de acção executadas em trabalho de arames evidente e sem grande rasgo criativo nas coreografias ou qualquer momento particularmente espectacular que nos faça entrar dentro do filme ao contrário do que acontece nos verdadeiros épicos históricos chineses.

A sensação com que se fica é que mais uma vez, o cinema Tailândes tentou ir para além do seu orçamento e esticou-o tanto para tentar tornar um filme opulento que acabou por criar um produto algo hibrido. Se por um lado visualmente conta com uma fotografia fantástica (a cor do filme é incrível em muitos momentos), tem inúmeras sequências filmadas em cenários naturais oceanicos lindíssimos cheios de atmosfera e contém um excelente design de produção em prácticamente todos os pormenores, por outro parece que tentou ter efeitos demasiados especiais com o dinheiro que restou e estes acabam por ridicularizar de alguma forma o resultado final e quebrar toda a magia da aventura.

É dificil entrarmos no suspanse de uma sequência quando de repente encontramos uma quantidade de montagens fotográficas criadas “de forma amadora” em Photoshop pelo meio.
Isto aliado ao excesso de referências do argumento, faz com que o filme perca muita da força que merecia ter tido pois [“Queens of Langkasuka“] tinha tudo para ser um grande filme de piratas e princesas; no entanto chega a ser chato de seguir mesmo apesar do seu ritmo diabólico em alguns momentos.

Simplesmente porque pouco nos importam os personagens ou os seus problemas e isso é o pior que podia ter acontecido a um filme cheio de piratas que tinham pelo menos o direito de ser bem mais divertidos ou pelo menos assustadores e não são nem uma coisa nem outra.

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CLASSIFICAÇÃO:

Quem procura um filme de piratas orientais acho que deve espreitar isto. Não é brilhante, nem sequer é particularmente divertido mas é o que se pode arranjar e até tem bastantes atractivos para que possam gostar de o acompanhar. Apenas me parece que não irão certamente ficar totalmente fascinados por isto.
É um filme muito interessante mesmo, mas tinha o dever de ter sido fantástico ou pelo menos fantásticamente divertido, afinal estamos a falar de um filme com piratas.
Duas tigelas e meia por ser uma proposta interessante que vale a pena espreitarem mas pouco mais.

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A favor: está cheio de boas ideias, tem um bom design de produção, boa fotografia (cores fantasticas em muitos momentos), excelentes ambientes em cenários naturais junto ao oceano, óptimo visual e guarda roupa a condizer.
Contra: não se deixem enganar pelo trailer pois o filme é chato e sem qualquer chama, as boas ideias nunca são aproveitadas no seu potencial, tem ideias a mais, personagens a mais, estranhamente não é um filme divertido, a love-story não interessa para nada, os efeitos digitais têm um estilo demasiado amador, as cenas de acção não têm personalidade e são sempre mais do mesmo, tenta desesperadamente ser um ÉPICO histórico a todo o momento e não se cansa de nos apontar o porquê a todo o instante.

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NOTAS ADICIONAIS:

Trailer
http://www.youtube.com/watch?v=_NhG3TVxStE

Comprar
http://www.amazon.com/Legend-Tsunami-Warrior-Blu-ray-Libby/dp/B00393SFTI/ref=atv_avod_discplus?ie=UTF8&m=ATVPDKIKX0DER

Download aqui

IMDB
http://www.imdb.com/title/tt1262945/combined

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Zhan shen chuan shuo (MoonWarriors) Sammo Hung Kam-Bo (1993) China


Se entendermos o Cinema por Ilusão, então [“MoonWarriors“] será provavelmente um dos melhores exemplos desse tipo de magia no que toca a filmes saídos do oriente.
Não por ser um grande filme oriental, ou por nos transportar para um mundo cheio de fantasia, mas porque sem recorrer a efeitos especiais modernos (sem CGIs), consegue uma coisa que se torna absolutamente divertida quando revemos o filme uma segunda vez.
E mais não digo porque desta vez o filme nem tem qualquer surpresa. Não esperem propriamente um twist daqueles que lhes trocam as voltas, mas esperem o inesperado.

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Vamos fazer uma coisa, eu mais á frente irei revelar algo com que não contam (conscientemente) e por isso quem ainda não conhece este filme asiático, tente vê-lo sem cair na tentação de ir espreitar o final desta review onde falarei sobre o assunto.
A sério, não façam batota. E façam-me o favor de nem tentarem ler mais reviews disto na net.
Vejam simplesmente [“MoonWarriors“] e divirtam-se.
Depois quando o virem uma primeira vez, voltem aqui a esta review, porque quando lerem o que tenho para lhes contar mais abaixo e depois forem rever o filme, garanto-lhes que estarão a ver um filme oriental completamente novo.

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[“MoonWarriors“] é como um bom truque de magia em que o espectador nem repara que o está a ver quando acompanha esta obra pela primeira vez. Mas, ao contrário de um truque de magia, neste caso quando ficamos a saber como fomos enganados o filme não perde o seu encanto. Muito pelo contrário pois ganha uma nova vida, agora podem ter a certeza de que nunca mais o irão ver da mesma maneira quando conhecerem o seu segredo, por isso aproveitem bem uma primeira visão porque nunca mais a irão repetir.

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Vão notar que nem sequer vou dar uma classificação muito espectacular [“MoonWarriors“], mas não é porque o filme seja fraco. Apenas este é uma daquelas obras tão flutuantes que depende muito da nossa disposição aquilo que achamos dele. Umas vezes adoro-o, outras nem me parece nada de especial e por isso o mais justo é dizer-lhes logo que é realmente um bom filme chinês. Sem mais nem menos. É bom e com espaço suficiente para que o espectador insira depois uma classificação maior ou menor consoante aquilo que retirar dele.

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Na verdade [“MoonWarriors“] quanto a mim é um daqueles filmes orientais únicos dentro do estilo. O que não falta no cinema oriental são Wuxias de todos os tipos, mas normalmente seguem sempre um fórmula exacta. Não própriamente apenas na história mas principalmente na criação de atmosfera e no tom de cada filme.
Talvez com excepção de “Hero”, raramente o género Wuxia se afasta muito daquilo que o espectador espera encontrar e normalmente até quando se afasta o resultado nem tem sido dos melhores pois as obras ou entram por um forçado estilo de cinema de autor (salvo raras excepções como o fabuloso “Ashes of Time” de Hong Kar Wai), ou então ficam a meio caminho entre o cinema de aventuras ou de kung-fu puro e simples.

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No caso de [“MoonWarriors“] o resultado foi bem diferente. Este é um daqueles exemplos que tinha tudo para ser uma salganhada mal cozinhada de vários estilos mas no entanto tudo resulta. E o mais extraordinário é que nenhum dos estilos está sequer particularmente bem conseguido nesta obra de cinema oriental.
Resulta também porque tem um design particularmente cuidado e onde também tudo parece muito mais sumptuoso do que na realidade é. Nota alta portanto para o aproveitamento de ambientes naturais e  cenográficos onde ainda se incluiem um par de bons cenários como por exemplo a aldeia do heroi junto ao mar.

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[“MoonWarriors“] é uma estranha mistura entre filme Wuxia, cinema de aventuras, filme de kung-fu, comédia desbragada, cinema de Fantasia (com umas referências a “Legend” ao estilo Riddley Scott) e onde nem sequer faltam um par de cenas gore com baldes de sangue quanto baste atirados á cara do espectador da forma mais estúpida e ridiculamente hilariantes. E mais não digo…
Ah…e também tem uma pitada de “Free Willy” o que dá ao filme alguns momentos ainda mais pirosos.

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No entanto, pelo meio de todo este cozinhado, ainda consegue ter um par de momentos sérios, pois muita da motivação de alguns personagens está bem assente em pensamentos puramente filosóficos que nos fazem conseguir acompanhar as cenas mais “parvas” do filme aceitando os personagens como eles são pois apesar de toda a loucura visual nunca sentimos que os personagens são de cartão. O que é ainda mais estranho pois nem sequer estão particularmente bem trabalhados ao nível da história. Se é que podemos dizer que o filme tem uma história, pois é do mais cliché que possam imaginar.

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Mas [“MoonWarriors“] é verdadeiramente divertido.
Não é um grande filme, mas a sua (falta de) originalidade cativa-nos.
Além diso está cheio de bons actores e actrizes entre as quais a sempre excelente Maggie Cheung (“In The Mood For Love”) que é a principal protagonista da história.

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Um aviso, quem odeia filmes orientais com gajos e espadas a voar da forma mais ridicula por tudo quanto é lado pendurados por fios “invisíveis” vai detestar esta obra por isso não se dê ao trabalho.
Quem espera um filme de kung-fu puro e duro cheio de sequências de porrada de criar bicho também é melhor não perder tempo.
Agora quem quiser ver algumas das sequências de acção com fios mais alucinantes do cinema oriental e não se ofender com a falta de realismo e o estilo cartoon Bugs Bunny de algumas sequências tem aqui uns bons 90 minutos para passar.

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E depois que souber do que lhes vou contar a seguir ainda vão curtir mais o filminho.
Por isso meus amigos…
SE AINDA NÃO VIRAM O FILME,
PAREM IMEDIATAMENTE DE LER
ISTO !
Não estraguem metade da piada que há em verem [“MoonWarriors“].

Se já viram [“MoonWarriors“] então selecionem o texto do parágrafo abaixo e leiam o seguinte:

POR ACASO NÃO ME ESTÃO A ENGANAR ?
VEJAM O FILME ANTES DE LEREM ISTO !
Estão avisados.

[“MoonWarriors“] está cheio de curiosidades geniais sobre o making of. Se comprarem o Dvd, irão contar com um comentário áudio absolutamente extraordinário onde se revelam muitas das coisas de que agora vou falar aqui e que são a razão de eu classificar o filme como um dos melhores exemplos sobre a criação de ilusão no cinema que poderão encontrar no mercado.
Notaram que eu referi que a actriz Maggie Cheung é uma importante protagonista feminina deste filme.
O que vocês nem imaginam é que ela apesar de entrar em practicamente toda a história só filmou durante dois dias para [“MoonWarriors“]. E melhor ainda, não gravou practicamente nada para a sua participação apesar de entrar em todas as cenas importantes da história e “contracenar” com todos os actores do filme.

O que me dizem vocês se eu lhes contar que Maggie Cheung só se encontrou uma vez com os seus colegas de elenco ? Em [“MoonWarriors“] só existe uma única cena com os quatro actores principais do filme realmente juntos no ecran e ainda por cima é apenas uma breve imagem do grupo montado a cavalo e que dura apenas  segundos sem sequer ter diálogos !
Por acaso repararam no extraordinário design do chapéu que Maggie Cheung usa neste filme ? O que vocês nem imaginam é que aquele look (que se tornou famoso e muito elogiado como uma peça importantissima do design criativo de [“MoonWarriors“]), na realidade nem sequer foi pensado e foi criado á pressa quando os criadores do filme souberam que só iriam contar com a actriz durante dois dias.
Esse adereço de guarda roupa, está no filme apenas com uma finalidade, o de esconder o mais possível o rosto da actriz de forma a que depois o realizador possa usar uma dupla para as cenas que não estavam no contrato de Maggie Cheung.
Topem-me só isto…vão ver o filme de novo…

TODAS as cenas em que não se vê o rosto de Maggie Cheung em que ela esteja a olhar directamente para a câmara (não conta o perfil), foram filmadas com uma dupla da actriz. Até mesmo as partes que nem sequer são de acção. Os breves segundos que vocês poderão encontrar ao longo do filme em que vêem realmente Maggie Cheung a falar para a camara foram os únicos segmentos gravados por ela para [“MoonWarriors“]. Tudo o mais sempre que não lhe vêem a cara foi filmado com outra pessoa. E nem sempre foi com uma mulher. Algumas sequências em que o espectador julgava estar a ver Maggie na realidade foram até filmadas com um homem usando o seu fato !
Agora percebem porque até vestida de Ninja a Maggie andou. Isto de só se verem os olhos tem as suas vantagens para o realizador quando a actriz principal nem sequer entra practicamente no filme. Alguma vez tinham pensado nisto quando assistiram ao filme ?
Há muito mais, mas teria de escrever um texto só para isto. Se quiserem descobrir mais segredos muito interessantes dos making of, sugiro que oiçam o comentário audio do dvd pois é daqueles que vale mesmo a pena e onde vão saber por exemplo que a cena onde a heroina do filme transporta o heroi ferido ás costas durante uma longa caminhada foi apenas filmada num único local e onde a camara era a única coisa que se mexia em redor dos actores para dar a ilusão de que caminhavam pelo cenário.
Ah, e se virem um campo de flores no filme, fiquem a saber que elas foram todas plantadas uma por uma pela equipa na noite anterior pois o filme foi quase todo feito num único local e não havia nada do género para o ambiente que pretendiam dar.

Sendo assim e como não há muito mais de relevante que possa agora ser contado em poucas palavras fiquem então com a classificação.

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CLASSIFICAÇÃO:

Um Wuxia divertido e cheio de surpresas que lhe dão uma nova vida quando conhecemos alguns segredos de bastidores.
Não é brilhante, mas é um daqueles filmes orientais que são simplesmente bons. Nem mais nem menos.
Quem gosta de filmes asiáticos com gajos a voarem com espadas em coreografias do outro mundo pendurados por fios “invisiveis” vai adorar este. Isto se não se importar com um estilo algo anárquico que vai do kung-fu ao cartoon tipo Road Runner.
Trés tigelas e noodles. Acrescentem ou diminuam mais ou menos uma a vosso gosto, porque este é um daqueles que uma vez se curte imenso , outras nem por isso. Depende da disposição do momento e da pachorra para o estilo.

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A favor: A cenografia da aldeia piscatória, as cenas de porrada com fios, kung-fu quanto baste, alguns litros de sangue nos locais mais inesperados e uma decepação de cabeça hilariante, o estilo humoristico que nem por isso deixa de equilibrar com a parte dramática, alguns pensamentos filosóficos muito interessantes introduzidos no desenvolvimento de um par de personagens, a piroseira atmosférica das cenas com a baleia, os poucos cenários construidos são bem aproveitados e filmados ao detalhe, Maggie Cheung (não) está genial.
Contra: a história não tem interesse, a lovestory muito menos, os personagens são de cartão na maior parte das vezes, o vilão não mete respeito nenhum, as coreografias são tão hilariantes que se tornam mais do mesmo e perdem um pouco da energia á medida que o filme avança, a falta de cenários grandiosos ou variados prejudica o ambiente pois sente-se sempre que lhe falta algo que o torne verdadeiramente naquele épico Wuxia que poderia ter sido, o design de produção até é bom, mas já vimos tudo aquilo em dezenas de outros produtos do género, a realização não deslumbra e a fotografia sofre em alguns momentos daquele estilo videoclip horroroso com focos de luz por todo o lado e muito fumo para disfarçar a falta de cenários ou paisagens, foi literalmente filmado num “quintal” á volta da produtora e nota-se apesar do enorme esforço do realizador para disfarçar a inexistência de cenários.

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NOTAS ADICIONAIS

Trailer

http://www.youtube.com/watch?v=Cw4t6XxGd_0

Comprar
moonwarriors16

Podem comprá-lo em separado, mas recomendo a edição que eu tenho e que faz parte desta bonita caixinha que ainda devem poder encontrar á venda numa loja da FNAC perto de vocês aqui em Portugal e que foi onde eu comprei a minha por 15€ há um bom par de meses.
Em alternativa está á venda na Amazon Uk por um bom preço.
Os outros filmes são, o clássico Dragon Inn e um dos Wuxias que supostamente veio reavivar o género chamado The Swordsman que pessoalmente acho um vazio absoluto. Mas a caixa  vale a pena , especialmente porque contém um excelente comentário audio em MoonWarriors.

Se preferirem podem comprá-lo isoladamente também na Amazon Uk em Sellers de confiança.

IMDB (cuidado com os Spoilers)
http://www.imdb.com/title/tt0108650/

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Shinobi The Promise A Chinese Tall Story

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